All language subtitles for The.Secret.of.the.River.S01E06.1080p.WEB.h264-EDITH

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Original subtitles

- Vou cuidar de ti. - Larga-me!

- Tio, o que est�s a fazer ao Manuel? - N�o fazemos nada de mal.

- Vou dizer � m�e e � tua mulher! - Que vais dizer?

Larga o Erik! Larga-o!

- Larga-me! - Maldito maricas!

Socorro!

Como esqueces aquilo?

- E vai fazer 20 anos. - Eu sei.

Ainda tenho pesadelos.

A culpa n�o foi nossa, Erik.

J� n�o somos crian�as.

Podemos falar disso de outra forma.

O teu tio tentou abusar de mim.

Erik?

- Era o dia do seu casamento. - Erik...

Ele causou isto.

N�s n�o plane�mos isto

e o facto de ele estar b�bedo tamb�m n�o o justifica.

Eu tinha nove anos

e o sacana tentou abusar de mim.

� imperdo�vel.

Tens raz�o, mas ele era meu tio.

Ficou tudo lixado, Manuel.

Sicar�.

O SEGREDO DO RIO

To�a, por acaso, tens os resultados de Oaxaca?

Deixa ver. Est� tudo bem?

N�o � nada grave, s� um teste de fertilidade.

Como te disse, eu e o Erik queremos ter um beb�.

Ainda n�o os tenho, mas digo-te

logo que cheguem.

Est� bem. Obrigada, To�a.

Fica bem. Adeus.

� muito estranho.

Tantos anos depois e logo no dia do anivers�rio?

Al�m disso, encerraram o caso h� anos.

Foi considerado um acidente e ficou assim.

- O meu sogro investigou, lembras-te? - Claro.

Como est� o Orlando?

Bem, velho.

O pai da Pau est� reformado.

E muito doente. N�o poderia ser ele.

E a Ana?

Ainda a v�s?

Claro. Eu cuido dela.

Ela ficou muito afetada.

Est� sempre a chorar pelo meu tio.

Vive noutra realidade. Nunca voltou a casar.

Tamb�m n�o foi ela.

Isto est� diretamente relacionado contigo.

Desapareceste tantos anos. � estranho.

Enviam-ma assim que regressas?

E se foi o Braulio?

Aonde vais, foda-se?

O idiota tem acesso aos ficheiros. Pode ter tomado conta do caso.

Porque faria isto? N�o percebo.

O que quer dizer com isso?

Pode querer assustar-me para ver se vou embora.

Ele sempre me odiou e agora...

Deve odiar-me a dobrar.

O que foi?

Erik.

N�o sinto culpa pelo que se passou aqui.

A nossa amizade tem que ver com coisas mais importantes.

Foi dif�cil quando o meu pai me for�ou a ir com ele.

Foi terr�vel.

Agarrar-me � mem�ria de ti foi o que me ajudou a sobreviver.

No fundo, foi por isso que vim.

Tenho de te agradecer

por muito do que sou.

Tenho de ir.

Tenho de voltar ao trabalho.

Esquece essa casa, amor.

Deve estar a cair. Queremo-la para qu�?

� parte da minha hist�ria, Adri�n, da da minha fam�lia.

Prefiro d�-la a algu�m necessitado do que abandon�-la.

Contrata um advogado.

� o melhor que podemos fazer.

Al�m disso, j� n�o tens amigos a�. Ningu�m.

E eu estou aqui

com saudades tuas.

- E eu tuas. - Sicar�, tens uma visita.

Ligo-te mais tarde, amor. Beijos.

Amo-te, mi�da.

Obrigada.

Que queres agora, Braulio?

Vim por causa da tua queixa.

Estive na casa. Disseram que a tua av� deixou.

N�o mintas. � um disparate. Ela morreu h� anos.

Ele disse que a Rafaela era amiga da m�e dele

e que estava sempre a convid�-los para irem viver com ela.

Estiveste fora muito tempo, Manuelito.

N�o mudaste nada, Braulio.

Mas n�o te iludas, cabr�o.

- J� n�o sou a mesma pessoa que era. - Sim, estou a ver.

O rapaz que intimidaste j� n�o existe.

O Manuelito morreu para eu poder viver.

N�o me provoques porque vais encontrar a primeira mulher de quem tens medo.

Mulher?

Porque te chateia tanto que tenha voltado?

Ou deixo-te nervoso?

Braulio.

N�o te excites.

Incomoda-me que tentes ser algo que n�o �s.

Manuelito.

J� agora,

o tipo da casa disse-me que est� uma Muxe a assediar o irm�o.

Deves ser tu.

N�o sou uma Muxe.

Estou a avisar-te. Ele � menor.

- Queres ir dentro? - Disse que n�o sou uma Muxe.

A s�rio? Ent�o que �s?

Achas que �s uma mulher?

- �s uma mulher? - N�o compreenderias.

Raio de disparate.

Agora todos pensam que podem fazer o que querem, n�o?

- Sai daqui, idiota. - S�o todos aberra��es.

Para onde, lindas?

- Lindas - T�o lindas.

H� festa no s�bado.

Devias vir com a tua caixa de cervejas.

Sem ela, n�o entras, parasita.

Levo sempre.

- Mentiroso. - S� n�o levei uma vez.

- Claro. Vemo-nos l�. - Gatuno!

- Sim, pois. - �s rude!

- Porco. - O que foi?

Destemido.

Vais a festas de Muxes?

�s vezes, sim.

- J� est�? - Elas n�o s�o mulheres, Alejandro.

Tamb�m n�o s�o homens, certo?

Ent�o...

Tu...

Eu o qu�?

Bem...

Por favor. S� vou para beber umas cervejas e conversar.

� divertido.

V� l�, Erik.

Crescemos com Muxes

e, agora, �s picuinhas?

- Tens a tua amiga que vem a�... - Isso foi quando �ramos crian�as.

- Agora, � tudo diferente. - Porqu�?

N�o sei, porque...

- Porque crescemos. Sou um homem e ele �... - Ela � uma Muxe. Qual � o problema?

N�o sei. � diferente.

� diferente. Fim da hist�ria.

E os amigos s�o perdoados por tudo o que fazem.

Olha, est� pronto.

- Deixa ver. - Experimenta.

Qual era o problema?

Vive nos Estados Unidos, n�o?

Sim, em Tucson. Quem diria.

E agora � Muxe?

Viste-o?

Sim, foi jantar l� a casa.

Que estranho. O Erik disse que n�o sabia, que n�o o tinha visto.

Vamos ver se a medica��o est� aqui.

Ent�o, To�a? Os medicamentos da Ana est�o prontos?

Sim, Pau. S� falta o da press�o arterial.

Falta sempre algo. N�o faz mal.

Foi bom ver-te, Ana.

Quando � que o rapaz vai?

N�o sei. Disse que s� estaria c� uns dias.

Nunca gostei desse rapaz.

Cuida-te, querida.

Vou verificar o imposto sobre im�veis e outros pormenores.

Est� bem, doutor.

Logo que chegue aos EUA, envio a escritura e o testamento.

O �nico problema que vejo aqui � o mi�do.

�s vezes, o Dep. de Prote��o de Menores causa problemas.

Se houver um menor na propriedade,

pode dificultar a ordem de despejo.

Sim, mas ficar naquela casa � pior para o mi�do.

Vive num inferno com o irm�o.

Ele trata-o mal.

Isso n�o � problema seu.

Espancaram-no e fizeram o que o senhor j� viu.

Achamos inaceit�vel e humilhante.

- Por isso pedimos que viesse. - Manuel, a s�rio.

Vai ter de mudar de escola.

Sr. Soto, o problema n�o � o Manuel.

Quem lhe fez isto foram os pr�prios irm�os.

Com licen�a, senhora.

Ol�.

Est�s sozinho?

S� quero falar.

Sei o que est�s a passar.

Eu passei pelo mesmo.

Tratavam-me mal.

Sentia-me s�.

Queria morrer.

Olha.

Gostas? � teu.

Porque n�o abres e falamos calmamente?

Ele sai sempre e tranca-o.

O irm�o dele. J� o vi.

- Sabes como ele se chama? - Emiliano.

� o que o irm�o lhe chama.

N�o te metas.

O irm�o � um criminoso.

Obrigada.

Ent�o, chamas-te Emiliano?

Posso chamar-te Emi, se quiseres.

Chamo-me Sicar�.

O teu irm�o n�o te pode fazer mal.

E ele n�o te pode trancar em casa.

A tua m�e?

Emi, espera!

N�o te quero magoar. S� te quero ajudar.

Erik, anda c�.

Olha o que encontrei.

Que fofo.

Tenho de ver se tens piolhos.

O teu professor disse que todos na escola t�m.

Se tiveres, n�o te deixam ir.

O que � isso?

Vinha com as coisas da Carmen, as que recebemos no hospital.

- � do Manuel. - Eu sei.

Porque est� aqui? D�-o � Rafaela ou deita-o fora.

N�o.

Vou ficar com ele at� o Manuel voltar.

Ele n�o vai voltar, Erik.

Aposto que um dia vai voltar.

- D�-me isso. - Deixa-o em paz!

Tu tamb�m sabes que o mi�do nunca mais vai voltar.

M�e?

Ele vai voltar. Eu sei.

Vieste de f�rias?

N�o...

N�o, vim por outra coisa.

Uma investiga��o.

Muita gente vem c� perguntar sobre as Muxes.

�s jornalista, certo?

- N�o. - Pensei, por causa da investiga��o.

O hotel para onde vamos n�o � assim t�o bom.

Mas o Layuu Guiee fica mesmo ao lado.

Tem Wi-Fi e ar condicionado a funcionar.

E � mais barato.

Se quiseres, podemos ir l�.

E n�o cobro comiss�es.

Est� bem, leva-me l�.

Se precisares de ir a algum lado por causa da investiga��o,

conhe�o os s�tios todos.

Sobretudo para n�o andares sozinha.

Muito prazer. Sou o Alejandro.

Silvia.

Que nome bonito, Silvia.

Bem-vinda a Istmo.

V� l�, amigo. � urgente e ningu�m me quer levar.

A s�rio, minha senhora. N�o posso.

N�o vamos at� l�. N�o � mentira.

� muito urgente.

N�o � mentira. N�o posso mesmo.

- Que tal, Jos� Luis? - Ol�, Erik.

Esta senhora quer que a leve a San Joaqu�n.

Sabes que n�o vamos l�.

Pago a viagem de volta e o tempo que l� estivermos. Por favor...

V� a morada. J� recusei.

� muito longe.

- Foi o que disse. - � muito longe.

Eu levo-a, menina.

- At� logo. - Est� bem.

- Cuidado. - Est� bem.

Ouve.

Posso perguntar-te porque depois do que disseste na �gua

e depois de jantarmos em tua casa,

te ofereceste para me levar?

� estranho, n�o �?

Lembras-te de quando chegaste � aldeia?

Quando estavas com a tua av�? Lembras-te que te levei a ver mamas?

Lembrei-me da tua cara.

Estavas mesmo assustada. Deixa-me lembrar-te.

- E tu estavas feliz. - Claro.

Bem, naquela altura, eu estava...

- N�o sei, n�o te entendia. - Demoraste algum tempo a entender.

Bem... Agora, � mais ou menos o mesmo.

Quero dizer, � diferente, mas...

Mas � igual. S� que diferente.

Fa�o-me entender?

Porque te ris?

Pau, aqui est�o os resultados. Imprimi-os.

Obrigada.

Volto j�.

Pau, que nervos! S�o os teus resultados?

Eu leio-tos!

Vamos ver...

O que diz?

A ecografia transvaginal e a citologia est�o bem.

O teste hormonal est� bem.

A histeroscopia est� bem.

N�o, tu est�s perfeita, amiga. Parab�ns!

Parab�ns, Pau!

O Erik tamb�m fez exames?

N�o, ele nem sabe que eu fiz.

Vais ter de lhe dizer porque o problema � ele, n�o tu.

Ent�o, a Paulina n�o sabe de nada?

Seu mentiroso.

- A s�rio, nunca lhe contaste? - N�o.

Foi o que combin�mos.

Era o nosso pacto, n�o?

Nunca contaste...

Ao Adri�n, o meu namorado?

N�o, ele tamb�m n�o sabe.

Sempre achei que isso te impedia de voltar.

Durante muitos anos, n�o pude voltar.

Foi dif�cil, com o meu pai e os filhos dele.

No final...

Fugi.

Sa�ste de casa?

N�o brinques!

Passei uns anos de merda, Erik.

Nunca pensei que ainda estivesses � minha espera.

Fico feliz por saber.

Bem...

- N�o � como se estivesse � tua espera. - Sim, pois.

Vamos andando?

Obrigado!

Escuta...

O qu�?

Nunca te disse que sonhava conduzir o motot�xi do teu pai?

- A s�rio? - O qu�?

Achas que s� sonhava usar vestidos e brincar com bonecas?

Bem, sim, um pouco.

Anda, eu ensino-te.

Mas tem cuidado. � a minha preferida.

N�o me mexas porque estou concentrada.

- Vamos l� ver. - Aumenta a mudan�a.

Acelera um pouco.

Sim. Solta-a. A� tens.

- Deixa-me tentar sozinha. - Est� bem.

Aqui vamos n�s.

Se o Erik descobre, despede-me.

Porqu�? Que hip�crita.

Acho que tem uma hist�ria com a Sicar�.

Duvido.

Achas que sim?

"Duvido", dizes tu.

Todos dizem isso.

Mas se as minhas amigas Muxe falassem,

ca�am as paredes que ainda ficaram de p� depois do �ltimo terramoto.

Olha.

� para ajudar o teu pai nas despesas da casa.

N�o gastes este dinheiro em cervejas para aquela turista.

Est� bem.

- Ol�. Bom dia. - Bom dia, menina.

- O Alejandro est�? - Ainda n�o chegou.

Outra pessoa pode lev�-la.

- Aonde vai? - A lado nenhum. Obrigada.

- Diga que a Silvia veio � procura dele. - Claro.

- Obrigada. - De nada.

Aonde vai? Eu levo-a!

- Ol�, Juli�n! - Ol�, Paulina.

Ol�. Juli�n, viste o Erik?

- Ligo e n�o chama. - Provavelmente, n�o tem rede.

Porqu�?

O Jos� Luis encontrou-o h� pouco, certo?

- Sim. - Disse que ia a San Joaqu�n.

- A San Joaqu�n? - Sim, foi o que disse.

Estava com a amiga, a Muxe.

A que veio dos EUA.

Porque � que o Jacinto n�o me deixou um?

N�o estava assim t�o longe.

Isto est� sempre deserto. Por isso nenhum motorista quis vir.

H� muita pobreza em San Joaqu�n.

Olha, vou perguntar ali.

Para aqui!

Espera!

Vou perguntar, sim?

Olha, � este o nome. Foi o Emi que mo deu.

Espera.

- Da m�e dele? - Sim.

Est� bem. Volto j�.

Sabe onde posso encontrar a dona Mar�a Lermo?

Ela vivia aqui, mas faleceu recentemente.

Morreu.

Est� bem. Obrigado.

Adeus.

O que disse ela?

Que esta senhora estava muito doente e morreu h� uns meses.

Tamb�m disse que o Emi n�o tem irm�os.

Ent�o, chefe?

Apareceu um advogado e deixou estes documentos.

S�o da casa da Muxe.

Maldito Manuelito!

Saiu-se muito organizado e ajuizado.

Bebe uma cerveja.

N�o, obrigado.

� por causa do uniforme?

- � a primeira vez que convido e recusas. - Nunca bebo.

�s diab�tico, evang�lico, est�s castrado ou qu�?

Li um estudo h� uns tempos.

Dizia que, a um certo n�vel de �lcool,

70 % dos homens normais est�o dispostos a foder com outros homens.

- S� estou a dizer. - Por favor!

Que disparate � esse? Onde leste isso?

�s um pervertido.

� um estudo cient�fico. N�o vou arriscar.

� aqui?

Espera, vais ver.

Onde estamos?

- Aonde vamos? - Vais ver.

Sabes?

Pensei em voltar muitas vezes.

Andava a fugir do meu pai h� anos.

Vivi no M�xico com umas Muxes, na Colonia Tabacalera.

Na cidade?

Mas foi tudo um inferno.

Porque nunca ligaste

a mim ou � tua av�?

Fui uma idiota.

Tinha vergonha.

N�o sabes como foi a minha vida nesses anos.

Quando fiz 18 anos, decidi que tinha de mudar.

Fui para os Estados Unidos.

Ainda era o Manuel.

Estiveste em todo o lado.

Eu nunca sa� da aldeia.

E vives l� desde ent�o?

Mas tamb�m n�o tem sido f�cil.

J� passei por tudo.

At� ter mudado.

Tu est�s exatamente igual.

- N�o � verdade. - Sim, �.

- N�o. - Sim.

Bem, est�s mais bonito e musculado.

Mas exatamente igual.

N�o me digas isso.

Porqu�?

N�o gosto.

N�o gostas do qu�?

N�o sei como te tratar.

Tamb�m n�o sabias como me tratar antes.

Agora ainda menos.

N�o sei quem �s.

Sou a Sicar�.

Continuo a ser eu.

Ouve...

Levanta-te.

Levanta-te!

Porque n�o esqueces as tretas em que o Jacinto te fez acreditar?

Esquece tudo e pensa em n�s.

Nas crian�as que �ramos.

Na nossa amizade.

V� l�.

D�-me aquele grande abra�o que n�o me deste.

N�o fazes ideia do quanto eu queria isto.

S�o tantas mem�rias...

Tantas vezes que pensei em ti...

Que senti a tua falta...

Ol�.

Desculpa. N�o havia rede. Vi agora as mensagens.

Estava preocupada.

Desculpa. Vou buscar algo para beber. Queres cerveja?

O Erik pensa o mesmo.

- Diz para evitar problemas. - Sim.

E agora n�o podes fazer nada.

Mas n�o posso ignorar o facto de o tipo n�o ser irm�o dele.

Deixa o advogado tratar disso, por favor.

De qualquer forma, tentaste dizer � pol�cia e n�o aconteceu nada.

N�o, obrigada.

Bebe uma.

Onde estavas?

Fui a San Joaqu�n com a Sicar�. T�nhamos algo para resolver.

O qu�? Passei a tarde a ligar e n�o atendeste.

No fundo, esse rapaz comove-te e conecta-se contigo mesma.

Com o Manuel.

O Erik disse o mesmo.

- Est�s a babar-te por ele! - Claro que n�o.

- Est�s com ci�mes? - Como vou ter ci�mes da Sicar�?

Diz a verdade. Est�s sim.

Ligo-te a tarde toda e n�o atendes.

Desculpa.

Tu � que disseste que devia falar com ela, reavivar a nossa amizade.

- Somos s� amigos. - Est� bem, querida.

Mas tamb�m podes foder os teus amigos, sim?

Estava preocupada. N�o atendeste a tarde toda. Onde estavas?

- Por favor, est�s com ci�mes. - N�o estou. A Sicar� � tua amiga.

Por isso.

- Onde estavas? - V�.

S� sincera, s� entre n�s.

Em crian�a, nunca curtiram

ou deram um beijo? - N�o, j� te disse.

- Pronto, est� bem. - Somos amigos.

- N�o. Vamos para dentro. - V� l�.

O Sr. Pancho v�-nos.

Vira-te.

Gostas dele.

Consigo ver. Gostas dele.

Est�s louca.

Gostaste?

Adorei.

Devias ir mais vezes a San Joaqu�n.

Vou amanh�.

O que foi?

Fiz os exames e estou bem.

Sou f�rtil.

Ent�o, eu � que n�o consigo?

Raios, e se estiver doente?

N�o, querido, s� tens de fazer exames tamb�m.

Para saber se est� tudo bem.

Queres �gua?

J� lhe contaste?

Sim, amiga, contei-lhe ontem � noite.

Como reagiu?

Ainda est� em choque. Na verdade, sinto-me mal.

Al�m disso, ontem � noite, fodemos como nunca, amiga.

O que fizeram, amiga?

Podes imaginar.

- Conta-me. - Depois conto-te.

Espera. Um segundo. J� te ligo.

- Conta-me! Estou muito curiosa. - Sim, j� te ligo.

Um segundo.

Eu tratei disso.

Tenho algo que nos pode ajudar.

� um caso antigo que aconteceu aqui h� anos.

�s vezes, o passado pode lixar-te.

- Ol�. A Sicar� est�? - Sim, entra.

- Est� no quarto. - Obrigado.

Pronta.

Dizes-me o que fazes aqui ou � ultrassecreto?

� pessoal.

Mas os amigos contam uns aos outros as suas coisas pessoais.

N�o exageres.

N�o estou a exagerar. Ouvi e foi horr�vel.

- N�o sejas t�o dram�tica. - Como pode dizer que n�o � Muxe?

Vou pedir explica��es.

Est� bem.

Vim � procura do meu pai.

Olha, a Sicar� viveu nos Estados Unidos durante muito tempo, certo?

- Ela est� longe de... - E isso faz dela trans? � treta.

Se a Solange estivesse viva, ficaria furiosa de a ouvir.

- N�o... - �mbar, ainda bem que te vejo.

O que foi, Micaela?

Estou muito preocupada com o rapaz que vive em casa da Rafaela.

Porqu�? O que foi?

Ontem � noite, ouvi gritos horr�veis. Como se o estivessem a matar.

- Miguel, aquele � o t�xi do Erik, sim? - Sim, � o t�xi do patr�o.

Para.

- N�o ias ao est�dio? - N�o, eu fico aqui.

- Obrigada. - De nada.

N�o podemos demonstrar que este tipo n�o � irm�o dele.

Sim, mas tamb�m n�o podemos ficar parados e n�o fazer nada pelo Emi.

Mas o Braulio...

- O sacana n�o o vai ajudar. Juro. - J� te disse.

N�o v�s como o idiota me trata?

Como se eu fosse um homem.

Ol�! O meu marido est� aqui?

Est� no quarto com a Sicar�.

O que se passa?

Nada.

Nada.

Ias dizer algo. Eu reparei.

Estive a pensar

sobre ontem e no que me disseste na praia.

E...

Desculpa, mas n�o percebo.

A s�rio, eu...

N�o consigo, n�o percebo, eu...

- O que n�o percebes? - N�o te percebo, Sicar�.

Quero perceber

que tipo de mulher �s.

Foste operada?

N�o devias perguntar isso.

- Porque n�o? - Porque n�o. � pessoal, privado.

Al�m disso, isso n�o me define.

Bem, mas � importante para mim.

Estou confuso e, na verdade...

Preciso de saber.

Preciso de saber qu�o mulher �s.

O que queres?

Ver-me nua?

Sim.

Legendas: Rita Mendes do Carmo

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