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O que fazes ao Manuel?
Sergio!
- Socorro! - Sergio!
Sergio!
Come o tamale de cambray.
N�o deixes arrefecer.
Vou dar-te atole.
N�o tenho fome.
E n�o quero falar zapoteco.
J� te disse que a tua m�e n�o te pode vir ver
porque arranjou um emprego nos Estados Unidos.
Por isso � que ligou h� pouco, quando est�vamos no casamento.
J� n�o quero estar aqui.
Vais ficar bem, filho.
- Vou inscrever-te na escola daqui... - Deixa-me!
N�o quero falar, n�o quero nada!
Sergio!
Sergio!
Sergio!
Vamos at� El Encanto!
- Sen�o, atravessamos o rio. - Sim, despacham-se.
- Sergio! - Sergio!
Acalma-te, mulher, est� bem?
Ele j� aparece com uma grande ressaca.
N�o � a primeira vez que ele exagera.
Queres um mezcal?
N�o, obrigada.
Vai acalmar-te.
Enquanto aquele idiota volta.
- Vou tratar muito bem de ti. - Larga-me!
Larga-me!
- Larga-me! - Maricas!
Larga-o.
De certeza que a deixaste cair aqui?
Onde estiveste mais?
- Ali. - Vamos.
- N�o consegui dormir ontem. - Sonhei com ele a noite toda.
Ele escorregou sozinho.
- Est�vamos a lutar e empurr�mo-lo. - N�o.
O teu tio estava a apalpar-me!
E se ele n�o estiver morto?
Pode ter sa�do da �gua quando fomos embora e foi beber com os amigos.
O SEGREDO DO RIO
Talvez dev�ssemos contar a algu�m.
A quem?
A minha m�e vai matar-me.
J� n�o podemos dizer nada a ningu�m.
Al�m disso, n�o v�o acreditar em n�s.
Ent�o, nunca vamos contar a ningu�m.
O que fazes?
Como nos filmes.
Diidxa ga' chi'.
Quer dizer "segredo".
Este � o nosso segredo.
- Nunca podemos contar a ningu�m. - Combinado.
A mais ningu�m.
Encontraram-no.
Meu Deus
Perd�o e indulg�ncia
Perd�o e clem�ncia
Perd�o e piedade
Perd�o, meu Deus
Perd�o e indulg�ncia
Perd�o e clem�ncia
Perd�o e piedade
Pequei e a minha alma
Confessa a sua culpa
Pesa-me mil vezes
Porque � tanta maldade
Ave Maria, cheia de gra�a, o Senhor � convosco.
Bendita sois v�s entre as mulheres
e bendito � o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, M�e de Deus,
rogai por n�s pecadores
agora e na hora da nossa morte. �men.
Pai Nosso, que estais nos C�us, santificado seja o vosso nome.
Venha a n�s o vosso reino.
Seja feita a vossa vontade, assim na Terra como no C�u...
Come�as as aulas amanh�, querido.
N�o est�s contente?
Manu? Est�s a�?
Manu?
Sim.
E quando me vens buscar?
Muito em breve, espero.
Juro que gostaria de estar a� contigo agora e abra�ar-te.
Mas os Estados Unidos s�o melhores do que Oaxaca?
N�o estou aqui porque quero, Manu.
� uma boa oportunidade de trabalho e precisamos do dinheiro.
Tamb�m sinto a tua falta.
Quero ver-te, estar contigo.
- Vou passar � av�. - Manu!
M�e, o que se passa com ele?
- Ainda est� zangado comigo? - Anda estranho.
Parece desligado.
Talvez seja por causa da escola.
Felizmente, o Erik vai com ele, certo?
Sim, est�o sempre juntos. S�o amigos.
Isso vai ajud�-lo muito, querida.
Ouve.
E como est�s tu?
Melhor.
Ele n�o suspeita, pois n�o?
N�o, querida.
Erik...
Erik...
� a roupa do Sergio, Luisa.
E a carteira.
N�o quis dar � Ana porque...
�timo. Ela n�o est� bem.
Est�o intactas.
Tir�mos amostras para procurar impress�es digitais....
Ele n�o abra�ou todos?
Estava a dan�ar na festa.
Fa�o o meu trabalho.
Se aconteceu algo na piscina, pode haver uma pista.
Compreendes?
N�o deixes que mexam contigo.
Porta-te bem.
N�o, era brincadeira.
Quando desci um degrau...
- Conhecem-lo? - Manuel!
Este � o Manuel.
Esta � a Itzayana e esta � a Carla.
Ol�, Manuel.
Que tal?
S�o amigos do basebol do Erik.
S�o antip�ticos. Ignora-os.
Erik, o mi�do novo parece estranho. Conhece-lo?
N�o muito. � filho de uma amiga da minha m�e. J� o vi por a�.
Bom dia.
Bom dia.
Ele deve ser Muxe.
Ele � muito estranho.
Raparigas com raparigas.
Ou�am. Sil�ncio, por favor.
Manuel!
Manuel!
Vou subir. Fui � tua procura e a dona Rafaela...
O que se passa contigo? Qual � o teu problema comigo?
Nenhum.
Estou nervoso.
- Vejo o meu tio. - O qu�?
Ele aparece em todo o lado.
- E tenho pesadelos. - Por isso me tratas assim?
Somos amigos. Fizemos um juramento.
Tamb�m tenho medo.
Mas n�o � por isso que sou antip�tico contigo na escola.
- Tens vergonha de sermos amigos? - N�o � isso.
Mas levas esse peluche contigo.
Que mal tem o peluche?
� a mesma hist�ria de sempre.
N�o devia caminhar como ando...
Quem quer saber como caminho?
Dizem que �s Muxe.
Pensei que �ramos amigos.
Estou-me nas tintas para o que dizem de mim.
Mas tu n�o.
Ent�o, ele ignorou-te, aquele mi�do mal-educado?
- Sim. - O Erik � t�o mau.
Vai crescer e ficar mau, como o pai.
N�o vamos falar disso.
- Parece sempre carrancudo, zangado. - Com cara de poucos amigos.
N�o te sintas mal. N�o tens culpa.
Os amigos de verdade veem-te por quem �s, n�o por quem querem que sejas.
- Exatamente. - Sim.
Como � que voc�s se defenderam desses rufias?
Se te cont�ssemos...
Nunca mais sa�amos daqui.
Olha, podes sempre ignor�-los.
Finge que n�o ouviste nada
e vai-te embora.
Mas, se as coisas ficarem feias,
apanhas umas pedras do ch�o,
metes nos bolsos das cal�as, e pronto.
Traz a vassoura sempre contigo.
- D�s com ela em quem te chatear. - Exatamente.
Ou pede � Solange para te ensinar a mexer as pernas.
V� l�, amiga.
Para baixo!
Apanha a fruta!
A tua tia est� muito deprimida. N�o quer sair de casa.
Coitada, n�o quer fazer nada.
Ent�o, vou levar-lhe isto.
- Queres vir comigo? - N�o, m�e.
Estamos todos a sofrer.
A tua tia Ana perdeu o marido no dia do casamento.
Eu perdi o meu �nico irm�o.
E tu perdeste o teu tio.
Este � o momento para estarmos juntos.
Para nos apoiarmos, sim?
Tenho medo, estou triste.
- N�o, n�o fazemos nada de mal. - Vou dizer � m�e e � tua mulher.
- O que vais dizer? - Larga-me!
Est� bem.
N�o tens de vir.
O que se passa?
� por causa do que aconteceu com o Erik e o pai?
O pai dele odeia-me.
Porque te odiaria? N�o h� nada de errado contigo.
Eu sou...
Eu sou...
Diferente.
N�o sou igual aos outros mi�dos.
N�o me sinto igual.
Todos reparam.
Se n�o fosse como sou,
deixariam o Erik ser meu amigo.
E n�o teria tido aqueles problemas na escola.
Todos temos problemas, filho.
Mas o meu � pior.
Conheces o meu pai, certo?
- Ele tamb�m n�o me ama. - N�o digas isso.
N�o te devias sentir t�o mal contigo mesmo.
�s como �s.
Porque Deus te fez assim.
E Deus n�o comete erros, Manuel.
Anda c�.
Para ou vai ser pior, maricas!
Para, Manuelita.
N�o vos fiz nada!
� agora, maldito Manuelito.
D�-me a mochila dele.
Um peluche.
Uma sandes.
Ele gosta de flores! S�o para a tua tehuana?
- Bom dia. - Bom dia.
- Podemos entrar? - Entrem. N�o se atrasem.
Hoje vamos aprender porque chamam "a heroica" � cidade de Juchit�n.
Algu�m sabe algo sobre a Batalha de Juchit�n?
Erik?
Erik.
A aula � aqui.
Algu�m?
Vou ensinar-te a defenderes-te.
Esta perna sempre atr�s e este bra�o aqui,
para proteger a cara.
Usa esta para esmurrar.
E avan�as assim. Bate-me.
Com mais for�a. Est� bem, Manuel?
De novo. Imagina que sou o Braulio.
V� l�, maricas!
Defende-te, maricas!
N�o batas assim.
Fecha o punho e ataca para a frente.
De novo. Concentra-te.
- Ainda o v�s? - Sim.
Os pesadelos n�o desaparecem.
A av� disse-me que ouviu dizer que n�o foi um acidente
e que suspeitam que estava algu�m com o teu tio nesse dia.
�s bom, Erik!
- �s bom. - O pai ensinou-me.
O teu pai.
Se tens medo, perdes.
N�o h� tempo para parar e pensar.
N�o te esque�as que tamb�m tens pernas.
Eu ensino-vos karat�.
O bra�o direito protege a cara.
O bra�o esquerdo est� pronto para bater.
Vamos trocar enquanto gritamos kiai!
- Trocar. - Kiai!
- Isso, vamos fazer. - Kiai!
Kiai!
Kiai!
Posi��o de defesa, kiai!
- Kiai! - D�-me o teu melhor.
Kiai!
- Kiai! - Kiai!
Kiai!
- Kiai! - Kiai!
- Kiai! - Kiai!
- Kiai! - Kiai!
- Kiai! - Kiai!
- O que se passa consigo? - Espere!
Mas que caralho fazes?
- Est�vamos s� a tentar... - Cala-te!
E n�o voltes a aproximar-te dele, maricas. Entendido?
Mexe-te.
Ent�o, ele n�o se afogou?
Morreu com um golpe na cabe�a?
- As duas coisas. - Que loucura.
Ele bebeu todo o mezcal de Oaxaca.
Ou�am... Ir para o rio �quela hora?
E durante o seu casamento?
Sem qualquer motivo?
O compromisso dele com a embriaguez. Que mais?
Talvez estivesse l� com algu�m.
Havia vest�gios e impress�es digitais na roupa e na pele.
Mas o corpo esteve no lago muito tempo e tive de enviar as amostras para Oaxaca.
Precisam de reativos especiais para analis�-los bem.
� dif�cil.
Vamos ver.
Onde deixaste o teu caderno?
Que medo!
Calma, Braulio. Deixa as coisas assim.
Que raio, Erik? Est�s a defender este homossexual?
Agora �s como ele?
Ele � meu amigo.
Se queres bater nele, vais ter de bater nos dois.
Venham c�! H� luta!
Luta!
Luta!
Est�s com medo, Braulio?
Luta!
Kiai!
Kiai!
- Luta! - Kiai!
Um dos mi�dos meteu-se com o Manuel.
- Meu Deus, mas se eles ficaram assim... - N�o.
Estes est�o pior.
- Onde est� o Erik? - E o Manuel?
N�o sabemos. Depois da luta, fugiram da escola.
Derrot�mos o Braulio!
Anda c�, Manuel!
Uma foto!
Devias ter visto os golpes do Erik!
Assim!
Mas o Manuel tamb�m lutou muito bem. Ele fez um upper!
Fa�am pose para a foto.
Sicar�.
Vem, Manuel.
O que significa "sicar�"?
Significa beleza.
O que � belo.
O que � espl�ndido.
O que � bom.
Como o mar?
Como a amizade.
- Vai brincar! - A ir!
Vou bater-te como o Braulio!
N�o estabeleces as tuas pr�prias regras.
Ainda n�o entendo porque foram � praia.
J� te disse. Est�vamos a celebrar.
A celebrar, o tanas!
Uma mi�da da escola disse que tu e o Manuel eram um casal.
Isso � mentira.
V� l�, Roc�o, s�o disparates.
Queres mais?
Com quem foram � praia?
Responde-me!
Vamos descobrir na mesma.
Fomos com a Solange.
Jacinto!
Vais ser um homem a bem ou a mal!
- Jacinto! - Pai!
N�o! Vou portar-me bem!
- Quieto! - Larga-me!
- Bom dia, Sra. Alicia. - Bom dia.
Aqui est� o tamale de cambray.
E o pickle de ameixa.
POL�CIA MUNICIPAL DE ISTHMUS
Telefonaram-me de Oaxaca.
O m�dico-legista. Foi por isso que vim.
Parece que, antes de morrer,
o Sergio estava com algu�m
naquele s�tio.
Como assim com algu�m?
Com outra mulher?
� isso que me est�s a dizer?
Acalma-te.
Primeiro, tenho de rever o relat�rio completo.
V�o enviar-mo.
Ent�o, isso significa que...
N�o, n�o significa nada.
Ainda nada.
Boa tarde.
A av� mandou-lhe estes tamales.
E o teu nome �...
Manuel.
Obrigada, Manuel.
Agradece � Rafaela por mim.
Sim.
At� logo.
Ele disse-te o que tem a m�e dele?
N�o.
Parece um segredo de confiss�o.
� muito estranho.
O que quer este idiota agora?
Filho da puta.
Vamos, Tom�s, este idiota � doido. Vamos.
- Qual � o teu problema, imbecil? - Espera. Para.
Nenhum. Voc�s � que devem estar com a consci�ncia pesada.
Vamos.
Espera, Ra�l.
- Calma... - Solange.
- Chamo-me Solange! - Calma.
Se voltares a aproximar-te do meu filho
ou tentar faz�-lo sair com aquele mi�do,
vou dar-te uma co�a, caralho.
Ra�l.
Idiota.
Podem mesmo descobrir que fomos n�s
s� com as impress�es digitais?
Vamos ser apanhados. Por isso o meu tio n�o me deixa em paz.
- Est� sempre a aparecer-me. - Para.
- Conheces a Zacnit�? - A xam�?
Levo-lhe sempre comida.
A av� diz que � uma bruxa e que ela tem poderes.
Sai daqui!
Encontra outro s�tio!
Pisa-as.
Pisa-as com for�a.
Abana-te.
Mas como deve ser, para te livrares das m�s energias.
- Como te sentes? - Assim?
Bem.
Pronto.
- D�-me a c�mara. - Est� no carro.
Vai busc�-la.
Est�s bem?
- Sim. - Tens a certeza?
Sou muito boa a ler os olhos das pessoas.
- E passa-se algo contigo. - N�o.
Acho que tens um segredo que n�o partilhas comigo.
Mas pronto, eu vou descobrir.
Olha.
- Tens uma visita. - A esta hora?
Sim, tens uma visita.
Despacha-te. N�o quero que te atrases.
V� l�! Um de voc�s tem de lan�ar!
Odeio-os.
Expulsaram-me da equipa.
Ignora-os.
Podemos ir buscar �guas � pra�a.
Eu convido.
Anda, vamos. Quero uma de hibisco.
Anda.
Olha, o parque � ali.
D� para ver tudo daqui. Gostas?
� fant�stico.
�s vezes, eu e o Manuel espiamos as pessoas daqui.
Olha.
A m�e disse-me que o teu pai investigava o caso do meu tio.
Sim.
- Descobriram algo novo ontem. - Algo novo?
Foi o que ele disse. N�o me disse, contou � m�e.
Mas como eu estava a ouvir...
E o que... O que descobriram?
- Sabes? - N�o podes contar a ningu�m.
Encontraram algo mais no rio.
Uma coisa. N�o sei o que �.
Ele nem a deixou no escrit�rio.
Legendas: Rita Mendes do Carmo
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