All language subtitles for 2024 - A Vilã das Nove

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Original subtitles

♪ [SUAVE] ♪

Downloaded from YTS.MX

♪

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♪

♪ [SUAVE] ♪

♪

♪ [SAMBA] ♪

♪

♪ [SUAVE] ♪

♪

[PASSOS]

♪ [SUSPENSE] ♪

♪

♪

♪

[MARULHO]

♪ [SERENA] ♪

♪ [MARULHO]

♪ [MELANCÓLICA] ♪ [MARULHO]

♪

♪

♪ [MELANCÓLICA] ♪ [MARULHO]

♪

♪

♪

♪

♪

♪ [PASSOS]

[CLIQUE DE CÂMERA]

[PASSOS]

Olha que lindo, filha.

Tá, é outro peixe. [BATIDA]

[VOZERIO]

É, Nara, a gente está em um aquário,

vai ter peixe, né, ué.

Eu sei o que é um aquário, Roberta.

E aquilo ali, o que é aquilo ali?

- O quê? - Olha, filha, sereia.

Oh, que legal.

Dá tchau para a sereia, Naná.

Eu não, isso é muito caído.

Ué, filha, mas você adorava

sereia quando você era criança.

Hum, está me confundindo com outra pessoa.

Ah, tá, sereia é caída, então, é ruim?

Olha, que bonito.

É que no caso, a gente está num aquário

e sereia não é um animal marinho.

Muito bem, que inteligente. [ESTALO DE BEIJO]

- Inteligente. - Mãe, para.

- O quê? - Para.

Hã?

- Para com isso. - Parei.

Vem cá, vamos embora.

- Tchau, sereia. - Vem, mãe, não enrola.

[RISOS] Tem esse aquário aqui também,

que é bacana mostrar pra vocês

por que é o seguinte...

Essa estrutura de vidro, aguenta mais de 4,5 milhões

de litros de água.

É, é o maior aquário da América do Sul...

♪ [TENSA] ♪ [VOZES AO FUNDO]

♪

♪

[MULHER] Dona Raquel?

[VOZERIO] [PASSOS]

Oi, quanto é a pipoca?

[HOMEM] Cinco reais.

- A pequena? - Isso.

Tá, e me dá um café também, por favor.

[ZÍPER DE BOLSA] [VOZERIO]

Eugênia.

Geninha.

Te procurei tanto.

Desculpa, a senhora está me confundindo com alguém.

- Geninha. - Não sou eu.

- Moço, não precisa mais, não. - Eu te procurei tanto, Geninha.

E a menina, Geninha?

- Ficou lá sofrendo muito. - A senhora...

A senhora está me confundindo com alguém.

- Eu não sou Eugênia. - Isso não é coisa que se faça.

Tá bom, meu nome não é Eugênia.

Você tem noção do que você fez?

A senhora tá me machucando, pode me largar, por favor?

- [VOZERIO] - Você entende o que você fez?

A senhora está me machucando, pode me soltar, por favor?

- Eugênia! - Me solta, caralho!

♪ [ANIMADA] ♪

A VILÃ DAS NOVE

♪ [ANIMADA] ♪

♪

[MÚSICA VINDO DO RÁDIO] [VEÍCULOS]

[BIPE]

First time in Rio?

[VEÍCULOS]

[MULHER] Yes.

Very good.

Beautiful.

Beautiful.

[MULHER] Yes.

Beautiful.

[VEÍCULOS]

Do you like the beach?

[VEÍCULOS]

Nice, nice.

Ipanema.

[RISOS]

Ipanema, best beach.

Copacabana é bom?

[HOMEM] Ué

Tu é...

Tu é brasileira?

Sou.

[HOMEM] Ah, por que tu falou inglês comigo?

Porque tu falou inglês comigo.

[HOMEM] Ah...

[VEÍCULOS]

Passeando no Rio?

[SUSPIRO]

Não, vim visitar minha tia.

[HOMEM] Ah, a tia é carioca.

- Ela mora aqui? - Não.

Não, mas ela está com câncer.

[VEÍCULOS]

[HOMEM] É...

Essa doença é terrível.

Terrível mesmo.

É por isso que eu sempre digo,

a gente tem que aproveitar a vida enquanto é possível.

Mas aqui no Rio você vai ter bastante coisa para fazer.

[PÁSSAROS]

- Eu odeio ir para a escola. - Mais devagar.

”Eu odeio”, vai.

Eu odeio ir para a escola.

[ROBERTA] Muito bem.

Eu odeio ir para o trabalho.

[ROBERTA] Relaxa o ombro, relaxa o braço, isso.

Solta o ar, solta o ar, vai.

Continua.

Eu odeio ajudar a minha mãe.

[ROBERTA] Certo, vamos lá.

Eu só gosto de tomar cerveja.

[ROBERTA] Tá, agora tira a rolha

e vai.

Agora sem a rolha, vai.

Cantando?

[ROBERTA] Não, a letra, vai.

Eu odeio ir para a escola.

[ROBERTA] Boa.

Eu odeio ir para o trabalho.

Bacana, bacana. De quem é essa música?

[HOMEM 2] Os “Pedreiro”.

Os Pedreiros?

[HOMEM 2] Os “Pedreiro”.

[ROBERTA] Sorri, relaxa. [PIANO]

Aí, nessa traz o corpo, tá?

Sorri, relaxa. [PIANO]

Sorri, relaxa.

[EXERCÍCIO VOCAL]

- Isso, pra baixo é mais difícil, vai. - Mais difícil.

[EXERCÍCIO VOCAL]

[ROBERTA] Tá, quero ver dente. [PIANO]

Isso, mais, força mesmo, sorriso falso.

[PIANO] [HOMEM] Ah, ah...

Ah, ah...

[RISOS] Vamos.

[PIANO] Hum...

[ROBERTA] Não?

Desculpa, Roberta, desculpa, eu sou muito doido,

eu esqueci de explicar para tu, eu não sou cantor.

[RISOS] Ah, não?

Eu não vim pra fazer aula de canto, não.

Eu até boto no meu currículo, porque tem que botar, né,

mas eu não tenho um agudo bom, não.

Não sou muito afinado, eu sou ator.

[ROBERTA] Ah, que legal.

Eu posso ter visto alguma coisa que você já fez?

Provavelmente não.

As coisas que eu fiz em Recife

é de cinema de arte, sabe?

Dá prêmio, o pessoal da cena me conhece,

mas não dá dinheiro nenhum.

- Uhum. - E também não dá visibilidade.

Então, provavelmente, você não viu.

E aí, por não dar dinheiro, eu vim para o Rio de Janeiro

pra entrar no circuito de novela.

[ROBERTA] Entendi, mas aqui pro nosso trabalho,

então, você pensou o quê?

É, eu conversei com Renata Veras,

produtora de elenco, conhece?

- Não, não sei. - Enfim.

Ela é uma produtora de elenco foda aqui do Rio,

aí ela me disse que eu tinha que dar uma naturalizada

no meu sotaque.

[PÁSSAROS]

Neutralizar, como assim?

Ah... deixar neutro mesmo, deixar neutro.

[ROBERTA] Mas existe sotaque neutro?

É... acho que o que ela quis dizer é...

Neutralizar para o Rio, né.

- Ah... - Dar uma “cariocada”.

Dar uma “cariocada” no sotaque.

Que pena, Paulo.

Seu sotaque é tão bonito.

Acho que te dá assim,

personalidade, te deixa interessante.

É, isso daí é para o pessoal do Sudeste,

para o pessoal do Nordeste não tem muito isso, não.

Porque, por exemplo, eu tenho a pele muito branca,

aí os produtores de elenco,

eles são meio preconceituosos na hora de fazer elenco...

E aí, não botam uma pessoa tão branca

pra ser retratada no Nordeste, tá entendendo?

E meu sotaque nordestino é muito forte,

então também não ganho

nenhum personagem do Sudeste.

Aí, fico nessa encruzilhada.

Eu quero, por exemplo, fazer gente rica também,

que nunca me botam para fazer,

um médico rico.

Ou mesmo uma bicha mais sofisticada, entendeu?

É... um playboy da Barra da Tijuca,

qualquer coisa diferente assim,

qualquer coisa que abra

- minhas opções, tá entendendo? - Estou entendendo.

Que não me dão, aí eu prefiro ceder,

fazer parte desse círculo medíocre

de neutralizar sotaque na vida real

pra ganhar trabalho, porque eu quero trabalhar.

Eu quero trabalhar, Roberta.

[ROBERTA] Tá bom, Paulo. [RISOS]

Vamos lá, então.

Paulinho, pode me chamar de Paulinho.

- Todo mundo me chama de Paulinho. - Paulinho.

[VEÍCULOS AO FUNDO] [PÁSSAROS]

[OBJETOS SENDO MANUSEADOS]

♪ [SUAVE] ♪

♪ [ISQUEIRO]

♪

♪

♪ É sempre um fato Sem teto ♪

♪ Não há como ficar quieto ♪

♪ Que nem avião a jato ♪

♪ Que voa mais do que inseto ♪

♪ Vai pro ar Se não há ♪

♪ Teto ♪

♪

♪

♪ O rapaz quer se casar ♪

♪ E ao pensar no projeto ♪

♪ Começa a se perguntar ♪

♪ [PORTA ABRINDO]

♪ [NARA] Oi.

Oh, Nara.

É o rabo que está passando?

[NARA] Nossa senhora, meu pai está aqui.

[PORTA FECHANDO]

E aí, não vai me convidar para entrar na tua casa, não?

Entra, Cássio.

Mudou bastante, né.

[ROBERTA] Aham...

Cadê o pôster que eu te dei?

[ROBERTA] Tá ali, junto com as tuas paradas

pra você levar.

É sobre isso que você quer falar?

Não, é outra coisa. Pode ser na cozinha?

[ZUNIDO ELETRÔNICO]

Tá chapando direto, né?

Só quando a Nara não está em casa.

Tu não fica meio sem ritmo, não,

pra cuidar da criança?

[ZUNIDO ELETRÔNICO] [SUSPIRO]

Qual é o assunto?

O que você quer conversar, qual que é o suspense?

- Fala aí. - Estica teu braço.

Ih... Quê?

A Nara me falou que você foi atacada

por uma mulher no aquário e...

E você pediu pra menina não me falar nada, Roberta?

Não aconteceu nada.

Aconteceu nada?

Eugênia.

É o nome que está na tua certidão de nascimento, não é?

Hum?

Aquela mulher lá, era da tua família?

Fala.

Não te interessa.

Você falou alguma coisa com a Nara?

[CÁSSIO] Por quê?

Porque eu te pedi um milhão de vezes

pra não falar desse assunto com ela.

Você falou alguma coisa com ela?

Roberta, preste atenção,

se o teu passado é uma ameaça

para nossa família, eu preciso saber.

Tá bom? [RISOS]

Qual é a graça, hum?

- Qual é a graça? - Oh, Cássio.

Não tem perigo nenhum, cara.

Eu pedi pra ela não te contar

justamente pra você não ficar desse jeito, né?

Você é maluco, ameaça...

Cara, você precisa me contar, Roberta.

Eu não preciso porra nenhuma.

Porra, a Nara tem o direito de saber de onde ela veio, cara.

Shiu! [PORTA FECHANDO]

[ROBERTA] Olha só.

Eu vou falar pra Nara quando eu achar

que ela tem idade suficiente pra entender o assunto, tá?

Você não tem nada a ver com isso, entendeu?

Segura a tua ansiedade.

Isso é muita pressão, sabia?

Muita pressão.

Mas eu te amo.

Ai, Cássio, puta que pariu... [SUSPIRO]

Você sabe que não queria ter terminado contigo, né?

[ROBERTA] Ah...

Porra, mas aí,

a porra desses mistérios foram virando segredos e aí...

Fodeu tudo. [ÁGUA CORRENTE]

- Né... - Fodeu tudo.

É que segredo todo mundo tem o seu, né?

Você não tinha lá, a Inês?

Que Inês, cara, porra...

Esquece isso, Inês está no passado,

Inês foi um sintoma, a gente estava mal.

Tava pesado.

- Não estava? - Estava, né?

Aí ela foi lá, chupou teu pau e ficou leve?

[CÁSSIO] Cara, que isso, meu anjo?

- Pelo amor de Deus, cara. - É...

Ela mamou você, deu uma mamadinha

- e o sintoma... - Roberta, não piora as coisas, porra.

Tem uma criança a uma porta de distância da gente.

Mas é você que tá puxando um assunto

que não tem nada a ver.

Você sabe o que eu quero, de verdade?

Quero saber quando é que você vai tirar

a merda das tuas coisas

do meio da minha sala, eu não aguento mais.

Eu já te falei que não cabe na minha mãe, porra.

Você não tinha que estar mais na casa da tua mãe, não.

Toma vergonha na cara.

Você tá esperando uma parada

que não vai acontecer, Cássio,

a gente não vai voltar.

[PASSOS]

[PORTA ABRINDO]

- Oi, filhota. - Está tudo bem?

Está tudo bem.

- Já estou de saída, tá? - Tá.

A gente se vê na quarta?

- Uhum. - Hum?

[CÁSSIO] Tchau, Roberta.

Oh, Cássio, aproveita e leva umas caixas.

Hein, você não quer aproveitar, não?

[PASSOS] [RANGER DE PORTA]

[NARA] Você é terrível, Roberta.

Você não tem dever de casa pra fazer, não?

[PASSOS] [PORTA ABRINDO]

[MARULHO]

♪ [MELANCÓLICA] ♪ [MARULHO]

♪

♪ [VOZERIO]

[DÉBORA] Mãe, estou ardendo.

♪ [MELANCÓLICA] ♪ [MARULHO]

Eu falei que era pra você passar protetor, né.

Você tirou o protetor todo.

- Claro que agora vai ficar ardendo. - Ai.

Ai, e agora não adianta reclamar, não.

- Mãe... - Você tirou o protetor que eu passei.

- Oi, Dedé. - Ai...

Vamos deixar a mãe descansar um pouquinho?

Deixa que a tia passa o creminho.

Eugênia, tem que tomar mais cuidado.

Olha como é que ficou a pele da criança.

Tá bom, Raquel.

[PASSOS] [SUSPIRO]

♪ [MELANCÓLICA] ♪ [ESTALO DE BEIJO]

Minha irmã está te enchendo o saco de novo?

Não, foi só a Débora que não passou protetor solar.

Hum. [ESTALO DE BEIJO]

♪ [MELANCÓLICA] ♪

Bafo de pinga, Bento.

Eh... ah.

Em pleno passeio bonito desse,

você fica de mau humor?

Estamos no Rio de Janeiro, olha pra você ver.

Eu tô enjoada, é só isso.

- Toma uma coquinha. - Não, não quero.

Só quero um espaço que vai ficar tudo bem.

Toma uma coquinha.

Eu não quero, só quero ficar...

- Eugênia, Eugênia, aqui. - Um pouco...

Vai ficar de mau humor de novo?

Hum?

Toda hora agora é isso.

Faz um esforço.

Pelo menos na frente da minha família, hum?

- [ESTALO DE BEIJO] - Tudo bem?

♪ [MELANCÓLICA] ♪ [MARULHO]

♪

♪

♪

♪

♪ [MERGULHO]

♪

Coloca aqui. [VOZERIO]

O que foi, amor?

Cadê a mamãe?

Ué, mamãe está ali.

[MARULHO] [VOZERIO]

[RAQUEL] Oh, Bentinho.

- A Dedé quer a mãe dela. - É?

- ♪ [MELANCÓLICA] ♪ - Vou procurar ela.

♪ [ESTALO DE BEIJO]

♪ [MARULHO]

♪ Eugênia.

♪ Eugênia!

♪

♪ [BENTO] Eugênia!

Eugênia!

Eugênia! Eugênia!

Eugênia! Raquel, Raquel, vem cá.

- Cadê a Eugênia, porra? - Calma.

- Cadê a Eugênia? - O que aconteceu?

- Eu tô brincando? Cadê a Eugênia? - Calma.

Eugênia, porra! Eugênia!

♪ [TENSA] ♪

♪ [PASSOS]

♪ [CHORO]

♪ [VOZERIO]

♪

♪

♪

♪

Vocês não podem fazer isso comigo.

[CECÉ] É só negativa, Modesto, só negativa.

Você tá mais que acostumado com isso, meu velho.

Vocês tinham me prometido, Cecé.

Me garantido.

[CECÉ] Mas como é que garante uma coisa dessas, meu caro?

É só novela das nove, apenas a novela das nove, porra.

Tá bom.

Me diz, especificamente, o que é que está ruim?

- Me fala. - Olha, é o seguinte,

não tem nada que está ruim,

até parece que você faz coisa ruim, Modesto.

É só que não é para o povão,

não dá para arriscar nesse momento da emissora.

Você está vendo as séries americanas, cara.

Tem dragão, tem mafioso, tem traficante, narcotraficante.

- Elfo, a porra toda. - Tá bom, tá bom.

[CECÉ] Não podemos ficar pra trás, cara, está entendendo?

Eu vou apresentar algo de novo para vocês,

me dá um mês.

Eu só não posso perder a janela das nove.

[SUSPIRO]

[CECÉ] Tá bom, Modesto,

mas só porque eu te tenho muito em conta, hein.

Mas se não for nessa, meu caro, vai ser na próxima.

Não se preocupa, fica tranquilo, aquele abraço.

[BOTÃO DE TELEFONE]

[GIULIANO] Será que um mês a gente consegue

levantar alguma coisa, Modesto?

Esquece, esse jogo tá perdido.

Essa novela nunca vai acontecer, Giuliano.

O que foi?

Apareceu uma menina aqui, agora.

- Que menina? - Uma menina, uma jovem mulher.

[GIULIANO] Chama Débora.

Tem 23 anos, não é daqui do Rio pelo sotaque, mas...

Não quis me dizer muita coisa.

Como é que eu vou me lembrar?

[GIULIANO] É que a gente não conhece ela,

inclusive, eu já disse que a gente já encerrou

com o processo das entrevistas faz tempo...

Mas ela quer falar contigo.

Ela está aqui?

Agora?

♪ [TENSA] ♪ [PORTÃO ABRINDO]

♪

♪

♪

♪

♪

♪ [ANIMADA] ♪ [RISOS]

♪ [VOZERIO]

QUATRO MESES DEPOIS

♪ [ANIMADA] ♪

♪ [VOZERIO]

♪

♪

♪

- Robertinha? - Oi.

- E aí, querida? - E aí?

- Que bom que você veio. - Opa.

[RISOS]

É, Paloma.

Ó, Roberta, Paloma, atriz também.

- Tudo bom? - Fez um filme comigo.

Fizemos um curta, não era um filme.

Que isso? Você está louca,

curta é filme também.

Doida.

Você que ajudou ele a tirar o sotaque?

É, mas foi ideia dele, tá?

Não tenho nada a ver com isso, não.

- É, eu sei. - Ah, novidade.

Agora que você deu uma neutralizada

no meu sotaque,

Paloma prometeu

que vai me colocar na novela dela.

- Olha. - É.

Não tem isso de “minha novela” não, Paulinho.

- É claro que tem. - Para.

A novela é dela, doa a quem doer.

É protagonista, sortuda do caralho, né?

É, sorte, foi sorte. [RISOS]

- Roberta, né? - Isso.

Prazer. [ESTALO DE BEIJO]

Quando eu quiser tirar o meu sotaque, eu te aviso.

Tá bom. [RISOS]

Quer beber alguma coisa?

- Aceito. - Uísque?

- Perfeito. - Vou pegar.

♪ [ANIMADA] ♪

Vou dar uma volta, então.

- Fica à vontade. - Tá?

Que bom que você veio, amei que você veio.

Adorei, obrigada pelo convite.

Aproveita aí.

Vamos beber, vamos beber, Robertinha.

♪ [ANIMADA] ♪

♪ [VOZERIO]

♪

♪

- E aí, quer um pega? - Opa.

Obrigada.

♪ [ANIMADA] ♪

Então você é a preparadora vocal?

É, como é que você sabe?

Eu estava curiosa.

♪ [ANIMADA] ♪

[RISOS] [ESTALO DE BEIJO]

- E aí? - E aí?

Vocês estão falando do quê?

[RISOS] Nada.

Você ainda não falou com ela?

- O quê? - Não, ainda não falei.

É que...

Sei lá, a gente te curtiu. [RISOS]

♪ [ANIMADA] ♪ [ESTALO DE BEIJO]

♪

♪

- [RISOS] - Uau!

Festinha animada, hein.

- Não quis interromper. - Não.

♪ [ANIMADA] ♪ [TILINTAR DE COPOS]

♪ [VOZERIO]

Vai começar, hein.

[PASSOS]

- Senta aqui, senta aqui. - Não vai embora, não.

Não, não.

[PAULO] Cadê? Cadê?

- Vai, Paloma! - Uhul!

- Maravilhosa! - Gente.

A novela já vai começar, então não vou falar muito.

Eu tinha preparado um discurso, mas...

Vou poupar vocês disso.

E... não, eu acho... Eu acho que todo mundo aqui

sabe que eu estou nervosa pra caralho.

O que está acontecendo?

- Eu não te falei? - Não.

- É estreia hoje. - Ah, é?

É, você não viu as chamadas?

Essa é uma personagem...

Muito complexa, vou falar assim.

Mas acho melhor vocês assistirem a novela

e tirarem as próprias conclusões de vocês.

É isso, a Eugênia está no mundo agora.

- [APLAUSOS] - Linda!

Arrasa, arrasa, Paloma!

Quem é Eugênia?

♪ [TENSA] ♪ [PÁSSAROS]

♪

Tá na mesa.

Hum... [PASSOS]

Eita, que empesteou a casa toda

com essa catinga de gordura.

[SUSPIRO] [ESTALO DE BEIJO]

Dá para fritar bife sem fazer cheiro, Neto?

Eita, que eu não sei se eu te chamo de meu mozão

ou de “mau-mozão”.

[RISOS] [ESTALO DE BEIJO]

- Ó, Cazé... - Debbie!

Vem comer minha filha, está na mesa.

[PASSO]

[TILINTAR DE LOUÇA]

Fígado, mãe?

[EUGÊNIA] É o que tem.

Come, filha, tem ferro.

[RISOS]

- Eu não gosto de fígado. - Come, filha, é comida boa.

- Eu não gosto de fígado! - Então não come!

[ESTILHAÇO DE VIDRO] ♪ [TENSA] ♪

- ♪ - Ai, ai.

Oh, meu Deus.

Eita, você tá bem?

Estou bem.

♪ [TENSA] ♪

♪

[FITA CASSETE]

♪ [ANIMADA] ♪

♪ Olhar ♪

♪ Você ♪

♪ E não ♪

♪ Saber ♪

♪ Que você é a pessoa Mais linda do mundo ♪

♪ Eu queria alguém lá no fundo ♪

♪ Do coração ♪

♪ Ganhar ♪

♪ Você ♪

♪ E não ♪

♪ Querer ♪

♪ É porque eu não quero Que nada aconteça ♪

♪ Deve ser porque Eu não ando bem da cabeça ♪

♪ Ou eu já cansei De acreditar ♪

♪

♪ O meu medo É uma coisa assim ♪

♪ Que corre por fora ♪

...a Paloma tá foda. ♪

♪

♪ Oh, não, não tente Me fazer feliz ♪

♪ [CHORO]

♪

[EUGÊNIA] Debbie?

O que você está fazendo?

Por que você fez isso, minha filha?

A música te deixa triste.

Eu já te falei pra não mexer nas minhas coisas, minha filha.

Você não sabe o trabalho que eu tive

pra conseguir essa fita nesse fim de mundo desgraçado.

Mãe, não fica brava comigo.

- É tudo o que eu tenho. - Para, você está doida?

Não tem condição um trem desse!

- Eu compro outra fita. - Você pensa que é a fita, Neto?

[CHORO]

Sou eu que não aguento mais.

Eu não aguento mais essa sua cara.

Você me iludiu, Neto.

Você me enganou.

Você me embarrigou pra me deixar presa aqui

nessa roça nojenta.

Eu era uma garota,

eu tinha 20 anos, eu era uma pobre fodida.

Agora escuta o que eu estou te falando,

eu vou sair daqui

eu vou sair daqui nem que eu saia morta,

está entendendo?

Morta!

Oh, meu amor, você está me assustando.

Eu não sou o seu amor, Neto.

[RESPIRAÇÃO FUNDA]

Eu não sou amor de ninguém.

A MÁ MÃE

♪ [TENSA] ♪ [VEÍCULO]

- Oi, Cássio. - O que houve?

Cadê a Naná?

Não te falei que ela está dormindo?

O que vocês estavam fazendo antes dela dormir?

Ah, Roberta, a gente jantou, né,

depois ela fez o dever de casa e...

Jogamos um pouco de buraco com mamãe.

Tá, vocês não estavam vendo televisão não, né?

[CÁSSIO] Não, cara, mas...

Vem cá.

Você quer controlar a vida da Naná quando ela está comigo?

É isso mesmo que eu estou entendendo?

Não, Cássio, não é isso, não.

É o que então, Roberta? Fala.

[SUSPIRO]

Eu vi uma reportagem

de um cara que fica puxando papo

com adolescentes na internet.

O cara se veste de palhaço, uma parada bizarra.

- Ai me deu... - Porra, Roberta.

Pelo amor de Deus,

para que assistir essas coisas, hein?

- Fala sério, cara. - Eu sei, mas...

Deixa eu levar ela pra dormir comigo hoje, vai.

Por favor.

Por favor.

Tá bom, já volto.

- [PORTA ABRINDO] - Oi, filha.

- Tchau, filhota. - Vem, amor.

[NANÁ] Tchau.

- Tchau, Cássio, obrigada. - Tchau.

[PORTA FECHANDO]

- Pode ir, moço. - Mãe, o que houve?

Nada, amor, saudade. [ESTALO DE BEIJO]

[SUSPIRO] [VEÍCULO]

♪

♪

♪

♪ [SUSPENSE] ♪

[OBJETO SENDO MANUSEADO]

[SUSPIRO]

♪ [MELANCÓLICA] ♪

Eugênia, cadê o casaco dela?

Sei lá, procura.

Oh, Glauce.

Novela de novo, Roberta?

Já escovou os dentes, Naná?

[NETO] Bota o casaquinho aqui nela.

Estou comendo.

Não está meio tarde não, filha?

Ainda nem são dez.

[NETO] Tá tudo bem?

Nossa...

[ALIMENTO SENDO MASTIGADO] [EUGÊNIA] Estou enjoada.

♪ [MELANCÓLICA] ♪ [MARULHO]

Descansa um pouquinho.

- Tá pinicando sua barba. - Eu aparei, ué.

Tudo bem?

Me dá um espaço, vai, meu Deus do céu.

Tá bom.

♪ [MELANCÓLICA] ♪ [PASSOS]

♪

♪ [ALIMENTO SENDO MASTIGADO]

Boa sorte, minha filha.

[MARULHO]

Na vida cada um faz o que pode.

[MERGULHO]

♪ [TENSA] ♪

Isso está muito pesado para você, Naná.

Vai dormir, vai.

Não vai querer saber o que acontece depois?

[LATIDOS AO FUNDO]

Tá, já entendi.

[PASSOS] [ALIMENTO SENDO MASTIGADO]

♪ [TENSA] ♪

- Minha mãe pulou. - Pulou o quê?

- Pulou ali. - Pulou aonde?

Eugênia!

Cadê a Eugênia, gente?

Cadê a sua mãe?

Eugênia!

Cadê a Eugênia? Pera aí, me larga.

Me larga, me larga.

Eugênia!

Cadê a Eugênia? Me deixa.

Meu amor!

Cadê a sua mãe?

Eugênia!

Eugênia!

♪ [TENSA] ♪ [CHORO]

[PORTA ABRINDO]

- Oi. - Oi.

Você lembra de mim, né? Roberta.

Eu estava na tua festa.

Eu lembro, claro que eu lembro.

Entra.

- Aconteceu alguma coisa? - É...

É que eu fui usar um brinco meu pra um...

Evento que eu tinha essa semana,

aí eu não encontrei e fiquei desesperada

e eu lembrei que a última vez que eu usei

foi no dia da tua festa.

Aí eu achei que pudesse estar aqui.

Tem um tempo já.

Será que está aqui mesmo? Eu não encontrei.

Tomara, porque assim, eu não sou apegada a nada,

mas esse brinco é especial para mim.

- Era da minha avó. - Eu entendi, fica à vontade,

você pode procurar onde você quiser.

- Tá tudo certo. - Tá, obrigada.

Caramba, isso aqui é tudo da novela?

Sim, são os roteiros da semana que vem.

Nossa, e aí, você precisa decorar tudo?

Uhum.

Quando o Modesto não manda

umas páginas avulsas na véspera também, né.

O Modesto é o autor, né?

É, Modesto Estrela, não existem dois.

- [RISOS] - Sei...

Ai, tenho que te falar uma coisa.

Estou viciada na novela.

Está muito boa, hein.

Caramba, tô assistindo todo dia,

o capítulo de ontem com o negócio do barco.

- Uh.. - É, a Eugênia está terrível.

Maravilhosa ela.

Vem cá, de onde que o Modesto

tira essas ideias?

Cada autor tem seus esquemas, né,

tem grupo de pesquisa,

- ele não escreve sozinho também. - Ah, é?

Mas o Modesto, ele tem um jeito

para captar as coisas mesmo.

Entendi.

Mas então você acha assim, que...

Já que tem equipe, pesquisa,

essa história pode ter sido

baseada em alguma história real?

- Essa história? - É.

Não, não diria não.

- Acho que não. - Não, né.

Roberta, faz assim,

eu procuro teu brinco com calma depois,

e aí, se eu encontrar, eu te ligo.

Tá.

[PALOMA] Não se preocupa, não, porque se estiver aqui...

Achei, ó.

Aqui.

- Ó. - Para.

[ROBERTA] Que bonitinho, estava aqui enfiadinho

nesse negócio do sofá, você acredita?

Aham...

[ROBERTA] Uh, que alívio.

Que bom.

♪ [SUAVE] ♪ [ZÍPER]

[RISOS]

Posso te falar uma coisa?

Fala.

É que eu acho que a novela

olha para a Eugênia de um...

jeito meio simplista assim, sabe?

Não sei, vocês pintam

ela como se ela fosse uma vilã, uma pessoa má.

Sabe, uma megera.

E me parece que você é uma atriz

que tem mais recursos assim,

que seria capaz de criar

uma personagem mais complexa, sabe?

Com mais nuances assim.

- Eu entendo. - Mais camadas.

É, eu te confesso que eu tinha outras expectativas

com a personagem também, mas...

É novela, né, gata. [RISOS]

E funciona assim,

maior audiência dos últimos dez anos, parece.

Eu vi, verdade.

Parabéns.

Obrigada.

Então você não fica com medo, não, de ficar marcada?

Por uma novela boa de sucesso?

[RISOS] Não, pra mim está sendo ótimo.

Não, estou falando assim...

De verem você como uma vaca, uma megera,

uma escrota.

Sabe o que eu acho?

Eu acho que você não veio atrás de brinco nenhum.

[ROBERTA] Tá bom, desculpa. [RISOS]

É que tem 20 anos que eu não assisto uma novela.

Hum...

E essa novela...

Mexeu comigo, sabe?

Me pegou de um jeito que eu não sei nem explicar.

Eu senti...

Na festa, eu fiquei te assistindo.

É louco, né, novela tem esse poder.

Eu tive uma coisa parecida

- com a Leona Tibiriçá. - Ah, é?

Que era uma personagem do Modesto, inclusive,

e eu lembro que ela era terrível,

mas era uma mulher poderosa,

que não dependia de ninguém, que não era casada.

E eu vim de uma família assim, super...

Tradicional, digamos assim,

convencional, careta pra caramba,

e pra mim foi muito importante ver uma pessoa

sendo daquele jeito, sabe?

E com a Eugênia eu também,

não acho que ela seja simplesmente uma megera.

Eu acho que ela é uma mulher mega corajosa,

que não fica presa na opinião das pessoas

que faz o que faz

porque é o jeito que ela encontra para sobreviver.

Sabe?

Hum.

Tá.

[PASSOS]

[MULHER] Senhora Botelho?

♪ [TENSA] ♪ [PASSOS]

Sou eu mesma,

Andrea Botelho.

♪ [TENSA] ♪ [PASSOS]

[MULHER] Boa tarde, tudo bem? Por aqui.

Teremos mais privacidade.

♪ [TENSA] ♪ [PASSOS]

[PORTA FECHANDO] [VOZERIO]

♪ [TENSA] ♪ [PASSOS]

[VOZERIO]

Eu quero fazer um saque da conta conjunta

de Augusto Andrade Neto

e Eugênia Soares de Lima.

E qual é a sua relação com eles, senhora Botelho?

Eu sou amiga da Eugênia.

Tenho uma procuração aqui, no nome dela.

♪ [TENSA] ♪ [TILINTAR DE COPOS]

A senhora gostaria de sacar quanto?

Tudo.

Mas tem mais de um milhão na conta, senhora.

Então deixa 50.

50 mil?

50 reais.

Para a mesada da garota.

[VOZERIO]

[MULHER] Só um minuto, por favor, tá?

[ANDREA] Leva o tempo que precisar, meu bem.

- [VOZERIO] - Porra, cara.

A mulher limpou a conta do maluco toda.

Do jeito que é escrota, vai gastar tudo em roupa.

[HOMEM 3] Tem que limpar a conta desse bundão, mesmo.

- [VOZERIO] - Claro que sim.

[RISOS]

Vem cá, você...

Não acha meio viagem não, esse negócio dela

pegar todo o dinheiro do Neto?

Eu acho que a novela embarcou numa ideia

que é de que

uma pessoa que fez o que ela fez

pode fazer qualquer coisa.

- Nossa. - É isso.

Entendi, mas aí, ela pega um milhão de reais

e faz o quê?

- Não posso te contar. - Ah...

[RISOS]

Ela vai abrir uma clínica de aborto clandestino.

- Uau! - É...

- Você se preocupa demais, gata. - Mas é que eu...

[MULHER 4] Eugênia.

- É você, né, Eugênia? - Ai, meu Deus.

Não, não, não.

Não é bem isso.

Eu não sou a Eugênia.

Me diz, quanto é que estão pagando

pra você fazer essa sacanagem?

Desculpa, como você chama?

É uma personagem a Eugênia, gente.

- Eu sou a atriz que faz a Eugênia. - Você sabe,

você sabe o que é uma mãe pegar, largar o filho...

Vamos embora, Paloma.

A desgraça que isso faz na vida de uma pessoa?

- Mete a porrada nela. - Que isso, gente?

Não, que isso?

[VOZERIO] Não, que isso, gente?

Eu vou acabar com a sua vida, Eugênia.

- Para, não é a Eugênia. - Para, me solta.

- Para! - Para, me solta.

[DIGITAÇÃO] [PASSOS]

Nossa...

Estava numa padaria agora o povo todo vendo a novela,

ficaram com uma raiva da Eugênia quando

ela limpou a conta do Neto, teve vaia e tudo.

Que bom.

E você, fez boas compras?

Vocês estão trabalhando desde cedo?

Porque eu não sabia que vocês iam trabalhar hoje.

[GIULIANO] A novela tem 200 capítulos, Débora,

a gente não passou dos 50.

Tava pensando numa coisa,

eu acho que a Debbie tem que aparecer mais, né.

Porque eu... se a gente...

Vai ter ela de volta, eu acho que a gente

tem que começar a plantar a volta dela, não?

O Modesto resolveu abandonar a trilha da Debbie.

Não...

Mas como assim? Não, a Eugênia e a Debbie,

elas têm que se conectar, lembra?

É isso, a gente tem que mostrar a filha indo

procurar a mãe.

[MODESTO] A história já foi para outro lugar, minha filha.

[GIULIANO] Pois é, e tem a questão da clínica de aborto,

- a lavagem de dinheiro... - E muito mais.

A nossa protagonista está com a cabeça em outro lugar.

Ela matou a vida antiga para viver uma nova vida.

[DIGITAÇÃO]

Mas a minha mãe me procurou.

Quando?

[DÉBORA] Um ano depois que ela morreu.

Eu atendi o telefone.

Eu tinha certeza que era ela, mas...

Ela só disse alô e depois não disse mais nada.

Alô, Alô?

Você não pode mais

ligar pra cá, entendeu?

Nunca mais.

Você morreu, você fica morta!

Você morreu.

Você fica morta.

É, eu acho que ele quis dizer, você quis morrer,

você continua morta.

Eu entendi, eu só estou batendo.

Eugênia não faria isso.

Mas ela fez.

A minha Eugênia não faria.

Mas a minha mãe fez.

[DIGITAÇÃO]

[GIULIANO] Gente, desculpe interromper vocês.

Olha isso aqui que saiu na Uol.

“Ficção vira realidade.

A atriz Paloma Nardini é agredida em bar na Lapa,

centro boêmio do Rio de Janeiro.

A atriz, de 32 anos,

não quis prestar queixas

contra o grupo de populares

que a atacou na noite desse sábado.

O motivo: A vilã das nove, Eugênia,

que causa cada vez mais comoção

no país pelas suas falcatruas

na novela polêmica, A Má Mãe, de Modesto Estrela.”

Vai, aperta o play.

[CLIQUE DE COMPUTADOR]

[SOM VINDO DO COMPUTADOR]

[MARULHO]

[ROBERTA] E aí?

Como é que você tá?

[PALOMA] Doendo.

[PASSOS]

Está muito feio?

Hum...

Cancelaram a minha gravação de amanhã.

Se der a louca no Modesto, ele bota outra no meu lugar.

Imagina, Paloma, ele não faria isso.

Fora que ninguém pode fazer a Eugênia como você, né.

Hum... [RISOS]

Até parece.

Inventa uma cirurgia plástica

para Eugênia e enfia outra atriz lá.

É a cara dele, na verdade, seria perfeito.

Vem cá, quantos desses aqui você já tomou?

Hum...

- Uns dois. - Paloma...

Só dois. [RISOS]

Você quer que eu ligue pra alguém

pra vim ficar com você?

Alguém da sua família, algum amigo?

Ninguém, não, quero você.

Tá bom.

Eu fico até você pegar no sono, pelo menos, tá?

Uhum.

- Machuquei meu lábio, você viu? - Eu vi.

- Tá doendo. - Poxa vida.

[RISOS]

Paloma, você está chapada.

[RISOS] Está engraçado.

Estou a fim antes de estar chapada.

Ah, é?

Você não está?

Nunca fiquei com mulher mais velha, sabia?

[RISOS] Sua escrota.

♪ [SUAVE] ♪ [ESTALOS DE BEIJO]

♪

♪ [SUSPIRO]

♪ [SUAVE] ♪

[ROBERTA] O que você está fazendo?

CAPÍTULO CEM

Para espantar energias negativas.

Nossa, sério?

- Já foi numa festa dessas? - Não.

Olho gordo pra caramba.

Não dá para vacilar não.

Faz um: uh, uh, uh, uh.

Protege. [ESTALO]

E você vai com o Paulinho mesmo, então?

É só um evento chato de trabalho.

Você está mais convidada pra sair

com os meus amigos de verdade.

[SUSPIRO]

[PALOMA] Fica chateada, não.

Desculpa.

Eu sei que é difícil de entender.

Mas é que, se essa parte da minha vida vaza

é muita confusão, muita fofoca, eu não quero.

Olha, quando o Filipe Brício saiu do armário,

não deu uma semana o personagem dele

caiu no poço de um elevador.

Não é tão simples como a gente gostaria

e é escroto pra caralho.

Tá bom.

Entendi, não estou chateada, não.

Aproveitar lá, a festa.

[TOQUE DE TELEFONE]

[DELEGADO] Ah, já vai, já vai.

[TOQUE DE TELEFONE] Não para de tocar isso hoje.

- Alô. - Alô?

[DEBBIE] É da Delegacia de Pessoas Desaparecidas?

Isso.

Eu gostaria de fazer um boletim de ocorrência.

Eu estou procurando uma pessoa.

Essa pessoa aí, que você está procurando,

ela desapareceu há mais de 24 horas?

[DEBBIE] Sim.

Na verdade faz mais de 15 anos.

É, entendi, como você se chama?

Debbie.

Meu nome é Debbie.

[DELEGADO] É, então, Debbie.

Infelizmente nesse país somem

umas 200 pessoas por dia, tá entendendo?

E essa pessoa que você está procurando,

ela deve estar morta ou...

não quer ser encontrada, sacou?

Não, mas, não é uma escolha dela

ser encontrada ou não.

Eu vou encontrar a Eugênia,

quer ela queira

quer não.

Não é bem assim, né?

Alô?

Porra.

Desligou na minha cara a filha da mãe.

[DIGITAÇÃO]

[NOTIFICAÇÃO DE CELULAR]

[RESPIRAÇÃO FUNDA]

[DIGITAÇÃO]

♪ [SUSPENSE] ♪ [NOTIFICAÇÃO DE CELULAR]

♪ [VEÍCULO]

♪

♪ [PASSOS]

♪ [VOZERIO]

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

Vai com calma, Débora.

Vai com calma você, Giuliano.

Porque essa festa é muito importante.

Só por isso mesmo.

Pode até não parecer,

mas tá todo mundo de olho em todo mundo aqui.

Giuliano, a festa está um arraso!

- Que bom. - Gente, Modesto é um gênio!

- Que bom. - Oi, tudo bem?

- Ah! - Falar é fácil, né?

Tá todo mundo elogiando meu trabalho por aí,

mas ninguém sabe quem eu sou.

Eu sei muito bem o que é isso, Débora.

Eu escrevo com o Modesto há anos,

é assim que funciona.

Já está na hora da gente parar de ser otário, né?

♪ [ANIMADA] ♪ [VOZERIO]

Agora eu estou fazendo uma purificação,

uma lavagem muito boa.

Foi o que eu usei pra emagrecer

nas cenas em que o Neto tem depressão.

É que eu não vi. [RISOS]

Você não viu o começo da novela?

Não, eu não vi.

Eu não estava nessa fase da novela.

Você faz quem?

Seu pai.

Ah... legal.

♪ [ANIMADA] ♪ [VOZERIO]

Oi, Laurinha, tudo bem?

Oi.

Você arrasou hoje como a Debbie, parabéns.

♪ [ANIMADA] ♪ Obrigada.

A gente está pensando em desenvolver

mais essa trilha da personagem.

Acho que você captou muito bem o espírito dela.

Muito legal.

A gente?

É, eu trabalho com o Modesto.

Você é assistente do Modesto, é isso?

Não, não, não sou assistente.

Ah, tá.

Inclusive, você sabia que eu ajudei a te escolher?

Se fosse pelo Modesto,

eu acho que nem ia ter a Debbie adulta.

Vem cá, quem é você mesmo?

♪ [ANIMADA] ♪

♪ [PORTA FECHANDO]

♪ [PASSOS]

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪ [PASSOS]

♪

♪ [PASSOS]

♪ [TENSA] ♪

♪

[GIULIANO] Você não pode fazer isso.

Fazer o quê?

Falar para as pessoas o que a gente faz há meses?

Claro que não. Você não pode sair por aí

dizendo que as ideias são suas.

Não é assim que funciona. Já te disse isso mil vezes.

Ainda mais para elenco.

- Ator é tudo fofoqueiro. - Ah, mas não tem problema.

São as minhas ideias, é a minha vida.

[SUSPIRO] Débora.

Sério, pensa comigo.

Você não sabe a sorte que você tem.

Você não sabe a quantidade de pessoas

que queria estar no seu lugar.

Você não faz ideia da quantidade de tempo

que leva para conseguir chegar onde você chegou.

Entende? Então, por favor.

Não desperdiça algo que é muito, muito, muito,

muito importante para você nesse momento.

Você, você está me escutando?

♪ [ANIMADA] ♪ [ESTALO DE BEIJO]

Débora, Débora. Débora!

- Hum? - Não.

♪ [ANIMADA] ♪

Mas eu só estava te beijando,

você me trouxe até aqui pra quê?

Porque você está cagando tudo e eu estou tendo que resolver

todos os seus problemas nessa festa.

Ah, Giuliano.

Vai dar meia hora de cu, vai.

[PASSOS] Desculpa.

Desculpa, eu. ♪ [TENSA] ♪

Moça. ♪

♪

♪

♪

♪

[DÉBORA] Eugênia. ♪

♪

[DÉBORA] Eugênia! ♪

♪

Eugênia. ♪

- Obrigada. - Não, você viu a Eugênia?

Você viu, gostou?

A Eugênia, ela está aqui, a minha mãe.

- Do que você está falando? - A minha mãe, ela está aqui.

- Você viu ela? - Caralho, não é possível.

Eugênia.

Débora, o que está acontecendo?

- A minha mãe está aqui. - Quem?

Minha mãe, a Eugênia, ela está aqui.

Não, não, sua mãe não está aqui, é a Paloma.

- Eu vi ela. - Paloma é a atriz.

Não é a Paloma, não é, é a minha mãe.

Ela está aqui.

♪ [ANIMADA] ♪ [PASSOS]

♪

[ROBERTA] Modesto? ♪

♪

[MODESTO] A gente se conhece?

Você pode me chamar de Eugênia.

Hum...

♪ [TENSA] ♪

Algumas mulheres já vieram

me dizer que são algum tipo de Eugênia,

sabia?

Mas eu sei o que você está fazendo.

É muito errado, viu?

Essa história não é sua pra você contar.

Que história?

Da mulher que largou tudo começou de novo?

Tem muitas histórias assim.

Mas a sua tem detalhes

que você sabe que não saíram da sua cabeça.

- Não é? - Modesto.

Eu preciso da sua ajuda com uma situação.

- Estou com um problema. - Do que é que você está falando?

[GIULIANO] Da Débora, ela está muito surtada,

tá achando que a mãe dela está aqui

e eu estou com muito medo que ela faça alguma merda.

Eu realmente não sei o que fazer e preciso da sua ajuda.

Resolve isso.

[MÚSICA DE FUNDO] [PASSOS]

[SUSPIRO] [PASSOS]

Roberta?

Você está me seguindo?

O que você estava falando com Modesto?

Não estava falando nada.

[PALOMA] Estava sim que eu vi, o que você falou pra ele?

Não te interessa.

Não me interessa, cara?

Você invadiu a festa do meu trabalho, Roberta.

Não era nem pra você estar aqui, cara.

[ROBERTA] Paloma, você pode não acreditar,

mas nem tudo nesse mundo é sobre você.

É sobre o que, então?

Sobre você não conseguir cumprir um combinado?

A gente conversou, a gente falou sobre isso.

Não estou com cabeça, não.

É, isso aqui também não está funcionando.

- Acabou. - Como assim?

- Isso o quê? - É, mas... toma.

É sua, acabou.

- Roberta? - Paulinho.

- Você veio? - Acabou.

[MÚSICA DE FUNDO] [PASSOS]

Você sabia disso?

Poxa, eu passei o endereço pra ela,

mas eu juro que eu não convidei.

Caralho, Paulinho.

Desculpa, Paloma.

Desculpa, o que está pegando aí?

Eu não sei, eu não quero falar,

me deixa em paz.

♪ [MELANCÓLICA] ♪ [VEÍCULO]

[DÉBORA] Eugênia.

[PORTA FECHANDO] Não.

Eugênia!

♪ [MELANCÓLICA] ♪

♪

[VOZERIO] [PASSOS]

- Pai. - Hum?

Você acha normal uma pessoa

mudar de comportamento totalmente?

Como assim mudar, meu anjo?

Tipo, ela era de um jeito e...

Mudou esse jeito dela, do nada.

Ah, filhota, na adolescência isso é normal, né?

Você sabe que eu quase matei

tua avó de preocupação

inúmeras vezes.

Tá, pai, eu não tô falando de mim, não.

[CÁSSIO] Tá falando de quem, então?

Eu prometi pra Roberta

que eu não ia te passar mais informação.

[CÁSSIO] Ah, a Roberta é tua mãe,

eu me preocupo com ela, pode falar.

Tá.

Ela fica vendo novela todo dia.

Hum, novela.

Toda noite e...

Ela gritou comigo quando eu quis mudar de canal.

- E? - E anda saindo.

- Saindo? Com quem? - Com frequência.

Não vou falar.

Segredinhos com teu pai, é?

Hum.

[PÁSSAROS] [VOZERIO]

- Tudo bem, querido? - Tranquilo?

- Pai? - Ah, não.

- Mais discos. - Sabia.

Tchau, filhota.

Ué, você não vai entrar, não?

Vou entrar hoje não, tá?

- Tá. - Te amo.

[PASSOS] [PÁSSAROS]

Oh. [PORTA ABRINDO]

[PORTA FECHANDO] [PASSOS]

[INTERFONE]

[INTERFONE]

[INTERFONE] [PASSOS]

Oi?

Nossa, já?

Tá bom, pode mandar subir.

Obrigada.

[TELEFONE NO GANCHO]

[PÁSSAROS] [PASSOS]

[PORTA FECHANDO]

[ROBERTA] Oi, pode ir entrando, viu?

Fica à vontade aí, que eu já vou.

Se quiser, pode sentar.

[PASSOS] [TILINTAR DE VIDRO]

[ROBERTA] Você quer uma água, um chá, um café?

Não, obrigada.

[ROBERTA] Onde você pegou o meu contato mesmo?

[DÉBORA] Com o pessoal da novela.

Você estava na festa, né, na casa do Modesto?

Tava.

A gente se viu lá?

Eu te vi,

mas não deu tempo de falar nada.

Ah... que pena.

[PÁSSAROS] [VEÍCULOS AO FUNDO]

Desculpa, eu esqueci seu nome.

Eu que não falei.

[PÁSSAROS] [VEÍCULOS AO FUNDO]

É Débora.

[PÁSSAROS]

Bom, Débora...

E o que você está procurando aqui?

Você quer aula de canto,

você também é atriz?

[PÁSSAROS]

Você não está me reconhecendo?

[SUSPIRO]

Você é famosa? Hum...

Não sou muito boa com televisão.

É você, né?

Eu não sou louca.

Não sei.

De onde você acha que você me conhece?

[DÉBORA] É você.

É você, Eugênia.

Como assim, é você?

De onde eu te conheço?

Porra, Eugênia.

Você sabe de onde eu te conheço, que merda!

- Meu nome é Roberta. - Roberta?

Roberta, que porra de nome é esse?

Caralho, que merda. [OBJETOS CAINDO]

Eu não sou a pessoa que você está procurando.

Nara.

Foi só um acidente aqui.

- Quer ajuda? - Não.

♪ [TENSA] ♪

♪ [PASSOS]

♪ [PORTA ABRINDO]

♪

[PORTA FECHANDO]

[DIGITAÇÃO] [GIULIANO] Modesto,

Cecé já ligou pela terceira vez.

Eu nem sei mais o que falar para ele.

Eu realmente preciso de uma posição sua.

Não, não tô a fim de falar com ele, não.

Mas, eu vou dizer o que,

que você não quer falar com ele?

- Eu não sei. - Eu não tenho...

Eu não tenho autonomia para lidar com isso, Modesto.

[DIGITAÇÃO] [PASSOS]

Eu preciso falar com você, Modesto.

Eu não tenho mais nada para falar com você, Débora.

Sua audiência caiu, né?

Eu vi aqui.

[GIULIANO] Débora...

É sério mesmo, cara?

[DÉBORA] Você perdeu sua história, Modesto,

Você botou a Debbie em coma,

transformou a Eugênia numa assassina.

Você acabou com a nossa novela.

Débora, vem cá,

eu separei suas coisas aqui num canto.

Eu tenho uma ideia nova, acho que você vai gostar.

Baseado em fatos reais.

A Debbie descobre que a Eugênia teve uma outra filha

e que essa filha não é negligenciada que nem ela.

Muito pelo contrário. A Eugênia gosta dela.

E ela fica muito, muito revoltada com essa história. Muito.

Ela decide sequestrar essa menina

porque só assim ela vai poder se vingar da mãe.

A Eugênia teve outra filha?

[GIULIANO] Mas a Debbie está em coma.

Isso se resolve.

Mas ela teve morte cerebral.

Isso se resolve, Giuliano.

♪ [SUSPENSE] ♪ Então...

Eugênia teve outra filha,

a Debbie sequestra.

Isso.

Interessante. ♪ [SUSPENSE] ♪

E daí? ♪

Eu não pensei no resto.

[SOM VINDO DA TELEVISÃO]

Onde está minha filha?

Isso é jeito de entrar na delegacia?

Se acalma, dona Andrea.

Como que uma escola interna deixa uma criança

ir embora com uma desconhecida?

A Cristal, minha filha, tem oito anos.

A gente está fazendo o possível.

Eu já disse à senhora.

Mas foi a sua outra filha

quem levou a criança da escola.

Ela enganou geral.

Eu não tenho outra filha.

Aham.

A senhora tem certeza, dona Andrea?

♪ [SUSPENSE] ♪

Que nome que ela deu?

[SUSPIRO] [RISO]

Debbie.

Foi ela

quem levou a Cristal.

♪ [SUSPENSE] ♪ [PASSOS]

Debbie.

♪ [SUSPENSE] ♪

Como que alguém acorda de uma morte cerebral?

♪ [TENSA] ♪ [PORTA ABRINDO]

♪ [PASSOS]

Que lugar é esse?

Ué?

Você não está reconhecendo?

Quero ir pra casa.

[DEBBIE] Mas aqui é sua casa.

É a nossa casa.

Aqui que a Eugênia me criou.

Quem é Eugênia?

Eugênia é a sua mãe.

Eugênia é a nossa mãe.

Eu tô com medo.

[SUSPIRO]

[CRICRILAR]

[RESPIRAÇÃO FUNDA] [PASSOS]

[SOM VINDO DO CELULAR] [PORTA ABRINDO]

Credo, o que foi?

Olha a hora, filha.

Nara, que horas que o pai da Malu vem te buscar?

Eu falei, às dez.

Ele vai te buscar às dez?

A festa começa esse horário?

Mãe, a Poli vai fazer 13 anos.

E daí, é muito tarde.

Ué?

- Que isso? - Você está de brincadeira?

Não, eu não estou de brincadeira.

Uma festa que começa dez horas da noite,

vai pegar fogo, o que, duas horas da manhã?

Vocês vão estar bêbadas na pista fazendo loucurinhas?

Ai, pelo amor de Deus, não estou acreditando

que você está falando isso.

Que isso, minha filha?

Essa Poli aí, eu tô ligada.

To ligada na Poli, não é a menina que fumava?

É isso que vai ter na festinha?

- É Nara? - Mãe, pelo amor de Deus.

Primeiro que eu nunca fiz isso

que você está insinuando,

segundo, que moral que você tem pra falar isso?

- Eu tenho 42 anos, dona Nara. - Jura?

Você é uma criança

que não fez nem 12 ainda,

portanto, eu sou sua mãe,

e eu estou dizendo que você não vai.

Mãe, eu estou combinando isso faz dois meses.

Não importa, eu vou ligar para o pai da Malu,

ele vai entender direitinho.

Você guarda essa roupa e usa outro dia.

[PASSOS]

[PORTA FECHANDO] Que saco!

[GRITO]

[SOM VINDO DO CELULAR]

[CLIQUE DE COMPUTADOR]

[NOTIFICAÇÃO DE COMPUTADOR]

[CLIQUE DE COMPUTADOR] [NOTIFICAÇÃO DE COMPUTADOR]

[DIGITAÇÃO]

♪ [TENSA] ♪ [NOTIFICAÇÃO DE COMPUTADOR]

♪ [DIGITAÇÃO]

♪

♪ [DIGITAÇÃO]

♪

♪

♪

[CREPITAR DE FOGO] [SIRENE]

[DETETIVE] Debbie, aqui é o detetive Rossi.

Não faça nada que você possa se arrepender.

Me deixa, me deixa, cala a boca, cala a boca.

Eu já mandei você calar a boca.

[TOQUE DE TELEFONE] Eu quero a minha mãe.

A sua mãe não liga pra você.

Você não entendeu?

Se ela ligasse, ela estava aqui.

Você não conhece a Eugênia de verdade, tá?

Não fala assim.

- Cala a boca, cala a boca. - Debbie.

Atende o telefone.

Eu não vou atender.

Eu não vou atender o telefone, me deixa.

Me deixa, eu vou acabar com essa garota, tá?

Entra aqui.

Entra aqui pra vocês verem.

Eu não vou atender o telefone nunca mais.

Tenta, tenta a sorte.

Eu tô aqui com ela, hein.

Eu estou aqui com ela.

Solta ela, Debbie.

Debbie?

Ah, Debbie.

Você vai me reconhecer agora, Eugênia, hein?

Admite que é você, Eugênia, admite.

[EUGÊNIA] Sou eu, minha filha.

[DEBBIE] É...

[DIRETOR] Cortou, cortou.

Gente, concentração.

Laurinha, cuidado pra não encavalar com a Paloma, tá?

Eu vou fazer dessa vez sem o som de sirene, tá?

Vamos aí, laser na posição para aquela hora.

Vamos lá, é capítulo final, galera.

Capítulo final, silêncio, ação.

[DEBBIE] Eu não vou atender o telefone nunca mais.

[PORTA ABRINDO]

Solta ela, Debbie.

[DEBBIE] Debbie?

Você vai me reconhecer agora, hein?

Eugênia, admite que é você vai, admite.

Sou eu, minha filha.

Sou a Eugênia,

sua mãe.

Agora solta sua irmã, pelo amor de Deus,

ela não te fez nada de mal, Debbie.

Ela fez, ela fez.

Ela fez, Eugênia.

Ela teve tudo o que eu não tive, tá?

Ela não teve que passar uma vida inteira

achando que ela não era digna do seu amor.

[EUGÊNIA] Se tem uma culpada aqui,

essa culpada sou eu, Debbie.

Mãe?

É você?

- É você? - Vem cá, filha.

[CHORO]

Corre, Cristal.

- Não. - Corre!

Não, você me enganou.

- Você me traiu. - Sai da frente, dona Andrea.

[EUGÊNIA] Eu não vou sair daqui,

ninguém vai machucar ela.

[DELEGADO] Ela é uma criminosa.

Ela é uma bandida.

A maior criminosa aqui sou eu.

[DEBBIE] Mãe.

[CHORO]

[EUGÊNIA] Me perdoa, minha filha.

[DEBBIE] Eu te perdoo, mãe.

- Eu te perdoo. - Me perdoa.

[CHORO] [SIRENE]

[DIRETOR] Ok, cortou.

Está lindo, gente, está ótimo.

Ah, não.

[DIRETOR] Estamos chorando aqui no switcher, galera.

Não era isso, a cena está errada.

- É isso, Débora. - Não, não.

Elas não fazem as pazes.

- Não é esse o final. - Eu mudei ontem.

Você mudou o final?

Mas isso é muito pior, Modesto.

Assim é melhor, Débora.

O amor vence a vingança.

É, mas isso não acontece na vida real, Modesto.

- Claro que acontece. - Não acontece, não.

Giuliano, você sabia disso?

Eu acho que eu te enviei por e-mail.

- Você não recebeu? - Não, eu não recebi, não.

- Tenho quase certeza que te mandei. - Eu não recebi essa versão.

Espera aí, oh, Débora, assim é melhor.

Gente, cena errada, é...

Estava maravilhoso,

mas a gente vai tentar uma coisa diferente.

- Tá bom? - Débora.

Modesto reescreveu a cena?

Não, essa é a cena original, na verdade.

Não, não reescreveu nada.

Não, essa é a cena original.

É assim que acontece.

Dá licença, Laurinha, por favor, senta aqui, Cristal.

- É Luísa. - Luísa.

A arma da Laurinha, por favor.

- O que ela faz? - Toma aqui.

- Débora. - Lazer, aqui.

[DÉBORA] Isso.

- Bem aqui. - Débora, por favor.

Isso, e aqui, pode ser aqui no peito.

Isso, perfeito.

Vamos lá, vocês vão morrer juntas.

Tá bom?

Vai ser maravilhoso, vai ficar perfeito.

- Eu vou pro camarim, vocês resolvem. - Não, não.

Deixa eu explicar, você recebeu a cena errada.

[GIULIANO] Vamos para a próxima cena?

- Giuliano, oito e meia... - Vamos ali comigo.

- Tá? Já está combinado. - Tá bom.

[VOZERIO] ♪ [TENSA] ♪

♪

[DIGITAÇÃO]

[ROBERTA] Nara.

[ROBERTA] Nara.

[DIGITAÇÃO]

[PORTA ABRINDO]

[ROBERTA] Oi?

Estou fazendo almoço. [DIGITAÇÃO]

Eu já comi na escola.

[ROBERTA] Ah, mas eu estou fazendo uma parada

que você gosta muito.

Não, obrigada.

[ROBERTA] Naná.

Eu sei que eu andei meio esquisita

nesses últimos tempos, né?

Desculpa.

Era uma fase.

Mas já acabou, tá?

Prometo que logo, logo as coisas vão voltar ao normal.

Você disse isso depois

da separação do papai.

Sempre foi estranho, Roberta.

[DIGITAÇÃO]

Nossa, Nara, você está difícil, hein.

É só uma fase.

[PÁSSAROS]

[DIGITAÇÃO]

[NOTIFICAÇÃO DE COMPUTADOR]

[CLIQUE DE BOTÃO]

♪ [ANIMADA] ♪

♪

♪

♪

♪

♪ É sempre um fato Sem teto ♪

♪ Não há como ficar quieto ♪

♪

♪ Que nem avião a jato ♪

[PORTA ABRINDO]

♪ Que voa mais do que inseto ♪

♪ Vai pro ar Se não há ♪

♪ Teto ♪

♪

♪

♪

Aqui, obrigada.

♪ [PORTA ABRINDO]

♪

♪ [PORTA FECHANDO]

♪

♪ [PÁSSAROS]

♪

♪

Nara.

K?

Uhum.

Você não tem 17, né?

[DÉBORA] Eu tenho um pouquinho mais.

Mas eu achei que...

Se eu te dissesse a minha idade você...

Ia achar estranho.

[CRICRILAR] [PÁSSAROS]

E você...

Odeia a sua mãe e goste anime

ou também é tudo mentira?

Não,

essa é a mais pura verdade.

[CRICRILAR] [PÁSSAROS]

Então...

De qual anime você gosta?

Sailor Moon.

Qual delas é a sua favorita?

Sailor Júpiter.

[CRICRILAR] [PÁSSAROS]

♪ [MELANCÓLICA] ♪

Qual seu nome de verdade?

Débora.

Por que você não me disse isso antes?

Acho que é porque eu não gosto muito do meu nome

É, Débora é meio estranho mesmo.

E você?

Quem te deu esse nome de Nara?

Foi a Roberta.

Ela amava Nara Leão.

E Débora?

Era o nome da mãe do meu pai.

E sua mãe gostava desse nome?

Não sei.

Não convivi muito com ela.

Como você odeia ela, então?

♪ [SUAVE] ♪ [PÁSSAROS]

[NARA] Sorte sua, a minha mãe não larga do meu pé.

♪ [SUAVE] ♪

♪

Hum...

[SUSPIRO]

[FUNGADA] Hum!

Ai, tá quente...

Au, au, au. [GRITO]

Caralho!

[PORTA ABRINDO] Nara.

[PASSOS]

Nara!

[TOQUE DE TELEFONE] [PÁSSAROS]

A Roberta está me ligando.

Acho melhor a gente começar a voltar.

Vamos ver o pôr-do-sol um pouco.

Mas aí, depois não vai ter mais luz, né, Débora.

[TOQUE DE TELEFONE] [PÁSSAROS]

Fica tranquila.

Calma, a gente já está aqui.

[TOQUE DE TELEFONE] [PÁSSAROS]

Você não vai atender, né?

Se eu não atender, ela me mata.

[TOQUE DE TELEFONE]

Você tá louca, garota, qual é a tua?

Foi só uma brincadeira.

Pera aí, que brincadeira ridícula.

- Minha mãe vai me matar. - Eu te pago outro depois.

[SUSPIRO] [CHAMADA DE TELEFONE]

♪ [TENSA] ♪

♪

♪

♪

Débora, minha mãe vai me matar.

Sério, ela está preocupada.

Eu preciso falar com ela.

Pelo menos assim, ela aprende

a ser menos escrota com você.

Que ideia idiota.

Pelo menos, deixa eu falar com ela

do teu telefone.

Sem bateria.

♪ [TENSA] ♪ [CRICRILAR]

Débora, esse lugar é perigoso.

Sabia que não é bom para duas meninas

ficarem aqui sozinhas?

Está ficando escuro.

♪ [TENSA] ♪ [CRICRILAR]

Por que você não fala mais nada?

Que cara é essa?

Débora, fala alguma coisa.

♪ [TENSA] ♪ [CLIQUE DE COMPUTADOR]

♪

♪

[CRICRILAR]

[PASSOS]

Tá vindo aí.

- E aí? - E aí, alguma notícia?

[CRICRILAR] [SUSPIRO]

Bom,

perguntei para todo mundo.

Nada.

Vocês têm certeza que ela está aqui?

É, como eu te falei, moço.

Eu vi no computador, ela conversando com uma pessoa.

Eles combinaram de encontrar aqui.

Tem muitas horas que ela desapareceu, já.

Não atende o telefone, não responde, entendeu?

Só pode estar aí dentro.

E essa pessoa aí, era homem ou mulher?

Dizia ser mulher, né, Roberta?

Ou menina, sei lá, a gente não sabe.

[HOMEM] Mas era uma coleguinha de escola,

uma amiguinha ou algo do tipo assim?

Porra, a gente não sabe, cara.

- Era uma pessoa da internet - Calma, Cássio.

Deixa ela responder, por favor.

[CRICRILAR]

Olha,

tem uma pessoa que eu desconfio, sim.

Uma menina que apareceu lá em casa,

falando que queria fazer aula,

mas não era assim, estranho.

Acho que ela pode ter puxado conversa com a Nara

na internet, combinado esse encontro.

Entende? Eu não tenho certeza,

mas se for, ela chama Débora.

Tem 22 anos, a pele branca, cabelo louro,

castanho claro, assim,

compridinho liso, assim.

Quem é Débora, Roberta? Que isso, cara?

Essa pessoa,

ela tem algum motivo para machucar tua filha?

[CRICRILAR]

[HOMEM] Olha, senhora,

eu vou fazer uma pergunta e preciso que

a senhora seja bastante franca comigo.

Débora,

é amante dele?

Porra de amante, cara.

Porra, minha filha está perdida na floresta

com uma psicopata que é aluna da minha ex-mulher.

Não é minha aluna.

- Não é minha aluna. - Roberta, quem é Débora, Roberta?

Fala porra.

[CRICRILAR] [SUSPIRO]

É minha filha.

Puta que pariu.

Eu não criei ela, ela é mais velha,

a pequena não sabe que tem irmã.

Caralho.

[HOMEM] Então, elas...

São irmãs?

[CÁSSIO] Caralho.

[HOMEM] Bom.

Menos de 24 horas

a gente não pode chamar a polícia.

Nesse caso, eu também não sou polícia.

Eu vou ajudar vocês.

Um de vocês vem comigo,

a gente roda isso tudo, tenta achar a menina.

O outro vai para casa, caso ela ligue,

caso alguém ligue, dê notícias.

♪ [TENSA] ♪ [PORTA ABRINDO]

♪

♪ [PORTA FECHANDO]

♪ [TILINTAR DE CHAVES]

♪

♪ [INTERRUPTOR]

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

[PORTA FECHANDO]

[NARA] Bom, aqui é um quarto, ali é a cozinha.

É, quer beber uma água?

Nara? [PASSOS]

Minha filha, onde é que você estava?

Pelo amor de Deus, que susto, Nara.

Não faz mais isso comigo, por favor.

Não pode fazer isso, onde é que você tava, Nara?

- Eu te liguei. - Meu celular quebrou.

Eu vim na carona com uma amiga.

Você tá maluca, garota?

Hein?

Você tá maluca, garota?

- Mãe, que merda é essa? - Tá maluca?

- Hein? - Para!

Vem cá, Débora.

Pronto, passou.

Está tudo bem, Débora.

Passou, passou. [CHORO]

♪ [MELANCÓLICA] ♪

Está me reconhecendo agora?

♪ [MELANCÓLICA] ♪ [CHORO]

Por que você não me levou junto com você aquele dia?

♪ [MELANCÓLICA] ♪

Não achei que fosse possível.

- Mas era. - Não era.

Você era muito pequena, não sabia nem nadar.

Você não era minha, só.

- Você era do seu pai, também. - Mas eu era sua.

- E você me abandonou. - Eu não te abandonei.

Deixei você com a sua família.

[NARA] Me explica o que tá acontecendo?

Débora,

eu tentei voltar.

Mas seu pai não deixou, não teve jeito.

Ele não queria que eu tivesse por perto, de jeito nenhum.

Eu tive que...

Desistir,

torcer para você me esquecer.

Eu nunca faria isso que você fez.

[ROBERTA] Que bom.

Espero mesmo.

Quem sabe um dia você vai conseguir me entender.

Então a Débora é minha irmã?

[ROBERTA] Preciso ligar pro seu pai.

Oi, Cássio.

Está aqui, está aqui, sim.

Tá, não, está bem, já dei uma bronca, sim.

Já falei.

Está aqui também, tudo bem, está tudo bem,

Cássio, não precisa.

Uhum, tá bom.

Seu pai está vindo.

Roberta, pode me explicar o que está acontecendo?

O nome dela nem é Roberta.

Conta pra ela.

Não?

É o que, então?

Eugênia, né?

Eu vou ter que te chamar assim, agora?

[ROBERTA] Não, meu nome não é esse.

[DÉBORA] É qual então?

É Roberta.

[SUSPIRO]

Você estão com fome?

Querem uma pizza?

Quer pizza?

[TILINTAR DE LOUÇAS]

[ALIMENTO SENDO MASTIGADO] [BATIDA]

[LÍQUIDO SENDO INGERIDO] [OBJETO SENDO MANUSEADO]

Oh, Débora...

Você mora onde, hein?

Mora aqui no Rio?

Não, estou só passando um tempo aqui.

Hum...

Estuda, trabalha, faz alguma coisa?

Pai, agora não.

[TILINTAR DE LOUÇA]

E o violão ainda está aqui?

[MÓVEL SENDO ARRASTADO]

Licença, gente.

[PASSOS] [TILINTAR DE LOUÇAS]

[OBJETO SENDO MANUSEADO]

[PASSOS]

[LÍQUIDO SENDO INGERIDO]

[OBJETO SENDO MANUSEADO]

[CÁSSIO] Náná, vem cantar uma música comigo, vem.

- Cantar? - É.

[CÁSSIO] Você tem uma voz tão bonita.

Tô com saudade de cantar com você.

Hum...

[VIOLÃO] [OBJETO SENDO MANUSEADO]

♪ [SUAVE] ♪

[TILINTAR DE LOUÇA]

Uhum, hum, uhum?

Sabe fazer?

[VIOLÃO] Uhum, hum.

Caraca, esse eu não sei fazer, não.

[OBJETO SENDO MANUSEADO]

Deixa eu ver.

Ah!

Hum, uhum.

Foi, fiz?

Não, não sei, não.

[VIOLÃO]

Quer falar mais alguma coisa?

A novela estava muito boa.

Parabéns.

[RISOS]

♪ [VIOLÃO] ♪

♪ [SUSPIRO]

♪ [CANTAROLANDO]

♪

♪ Olhar ♪

♪ Você ♪

♪ E não ♪

♪ Saber ♪

♪ Que você é a pessoa Mais linda do mundo ♪

♪ Eu queria alguém Lá no fundo ♪

♪ Do coração ♪

♪ Ganhar ♪

♪ Você ♪

♪ E não querer ♪

♪ É porque eu não quero Que nada aconteça ♪

♪ Deve ser porque eu não Ando bem da cabeça ♪

♪ Ou eu já cansei de acreditar ♪

♪

♪ O meu medo É uma coisa assim ♪

♪ Que corre por fora Entra, vai e volta ♪

♪ Sem sair ♪

♪ Ó não ♪

♪ Não tente me fazer feliz ♪

♪ Eu sei que o amor É bom demais ♪

♪ Mas dói demais sentir ♪

♪

♪

♪

♪

♪ [ANIMADA] ♪

A VILÃ DAS NOVE

♪ [ANIMADA] ♪

♪

♪

♪ Mágoas ♪

♪ Mirar as suas águas ♪

♪ Olhar taciturno ♪

♪ Do arco da dor ♪

♪ E eu que dei O meu peito de encontro ♪

♪ De encontro à loucura E a razão ♪

♪ Reviro os ossos do tempo ♪

♪ Eu digo: “não” ♪

♪ Só digo não ♪

♪ Larga ♪

♪ A pele antiga ♪

♪ E as tensões da vida ♪

♪ Em busca de si ♪

♪ O encontro do rosto com amor ♪

♪ Encosta na escama dos ouros ♪

♪ E com medo do beijo no espelho ♪

♪ Quer sumir ♪

♪ Só quer sumir ♪

♪ Quer sumir ♪

♪ Quer sumir ♪

♪

♪ [SUAVE] ♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

♪

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