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A Gaiola das Loucas 3, ela se casa.
Colômbia Pictures Television.
Versão brasileira é VertuVision.
Centro P.
A gaiola das loucas.
Seis, sete, oito, recomece. Um, dois, três, quatro...
Eu me sinto ridículo assim. Não, não. O que você tem de ridículo? Você está
normal. É, e como tudo que é normal é perverso e triste a gente se vestir
não é? É, de brincos você ficaria certamente mais graciosa.
Mamãe vai deixar você. Olha o meu Raimond, meu Raimond. Vai tomar conta de
Raimond enquanto eu estiver fora.
Por que você não leva ele para a Inglaterra com você? Não, não, não. Na
Inglaterra é proibido entrar cães, você sabe. Na alfândega não vão deixar passar
o coitadinho.
Mas ele é de pelúcia, Albert. É mesmo de pelúcia. Dos ingleses, a gente espera
qualquer coisa.
Jesus Santíssimo trocou de time depois de velha, patroa.
Viu? Os insultos começaram. Jacob, volte para a cozinha já, já.
Bem feito.
Adeus, meu irmão. O que você diz para a mamãe?
Adeus, mãezinha.
Adeus, mãezinha.
Adeus.
Mas tem que se acostumar. É sério, Alben. Você vai à Escócia para assistir,
diante de parentes, a leitura de um testamento. Você não pode ir de salto
muito menos com outra roupa. Ah, eu sei muito bem disso, mas tudo coça. Minhas
cuecas, as calças, tudo. Olha lá, Alben.
E em nome do Partido da Ordem Moral, que eu tenho a honra de presidir,
eu gostaria, mais uma vez, de felicitá -los pela postura impecável
desta religião.
Papai.
Mãe.
Obrigado, senhor.
Obrigado, senhor.
Obrigado, senhor.
Ele quem?
Aquele mocinho ali.
Está olhando.
Você está na sua, mas ele olha.
Para mim?
É para você.
Nós fizemos espetáculos muito caros. Nós estamos cobertos de dívidas e é
absolutamente necessário que você... Está me incomodando. Por que ele não
para mim?
Evidentemente é isto eterno. É um horror, não é? Se confunde com as
Muito parecido com o aeroporto.
Ah, não. Assim não é possível. Eu não aguento mais. Vamos nos sentar para lá.
Vem, vem, vem.
Vem.
Eu não sei o que acontece com os jovens de hoje, porque é uma vergonha. Não se
olha para as pessoas desse jeito. Eu estou pintado de vermelho. Estou
Bom.
Adeus, senhor. Tente não chamar muita atenção. Com sorte, tá?
Imagino.
Bem -vindo à Escócia, Sr. Musioto. Só estávamos esperando o senhor para a
abertura do testamento. Do outro lado, senhor. Do outro lado, por favor.
Bom dia, senhor.
Educadinho.
Se cobre, se cobre. Se você tem um cobertor, aproveita.
Vamos ver, se a planta que me forneceu o meu colega Jabardine está exata, as
terras herdadas por sua tia Ema começam aqui e vão até lá o mar.
Ah, sim, sim, o mar, mas é bem longe o mar, não é? Está muito longe. Ah, sim,
está muito longe, mas o mar aí me pertence?
Não. Ah, não, o mar não me pertence? Não. Ah, não, não é meu? Ah, não. Ah,
Seus campos.
Seus pastores.
Os seus carneiros.
E as árvores de sua floresta. E seus lenhadores.
Oh, belas espécies.
Alguns têm até 200 anos.
Os lenhadores?
Perdão? Ah, desculpe, falava das árvores.
Sim. Aí eu me referi aos lenhadores. Quer dizer, foi um pequeno engano. Não é
grave.
Aí está a tua mantão e aí estão os teus pernitais, senhor Musotti.
É bom? É.
Bom dia.
Bom dia, senhor.
Bom dia.
Permita que lhe apresente. Ah, sim.
Senhor. Sim, é.
Senhor. Um prazer.
Essa é a Angela. Ah, sim, Angela.
Oi, como vai?
Laura.
Encantado, muito prazer. E Rosa.
Ah, muito prazer, Laura.
É, são lindinhas.
Ah, e você, muito prazer. Não, não, você não precisa, você estava no automóvel.
Oi, como vão?
A metade da Escócia, não fique decepcionado, pelo menos a metade, ora
bem grandinha.
Não, eles estão todos de cute.
Ah, eles são muito, muito gentis, admiráveis.
Totalmente. Aliás, você sabe, isso me deu uma ideia.
Não, não pro nosso show.
Nós retiramos o balé das abelhas e fazemos um grande espetáculo escocese.
Ah, não, não. Você é terrível. Ah, mas eu sei o que eu digo. Não se preocupe.
Podemos agora nos permitir.
E sim, naturalmente.
Ah, e por falar nisso, eu quero lhe dizer uma coisa.
Eu fiquei, eu fiquei muito, muito... Muito sóbrio. É verdade.
Um verdadeiro homenzinho.
Não, não. Eu vou desligar, porque está aqui o senhor do lá, que ele acabou de
entrar. Mas não se preocupe. É, sim, claro.
O que foi?
Nós vamos proceder à abertura do testamento.
Ah, sim, desculpe, mas eu até penso que... Por favor, senhor Mujot.
Eu gostaria de apresentar o Sr. Kenneth, meu colega escocesse.
E o Sr. Mortimer Woodson, seu primo.
Por favor, senhor.
Vamos proceder à leitura do testamento da afinada sua tia, Srta. Emma McGovern.
Por favor.
Este é o meu testamento.
Deixe -o para o meu sobrinho, Alben Mujot. Presente.
O total dos meus bens.
A saber, uma mansão cita a Walsy e as propriedades e o gado ali existente,
também uma carteira de ações no valor de 10 milhões de libras esterlinas. Mais
de 100 milhões. 10 bilhões de cêntimos.
Depositados no banco de Barclay de Aberdeen.
Como também o direito ao título de duque de Walsy. Duquesa pra mim.
Devo precisar que esse legado está sujeito a uma cláusula particular.
Se essa não for respeitada pelo Sr. Albin Mujot... Sou eu.
Ele será deserdado em benefício de seu primo Mortimer Woodson.
Vou ler essa cláusula.
Meu herdeiro, Sr.
Albin Mujot, deverá se casar... e ter com sua esposa um filho legítimo num
período máximo de 18 meses, a contar de hoje.
O senhor pode repetir, por favor?
Não, eu resumo, se o senhor preferir.
Desculpe. Ele disse que o senhor deve se casar.
Perdão?
O senhor deve se casar. Ah, sim. Com uma mulher?
Sim, naturalmente. E ter um filho.
Desculpe. Seu Musato.
Seu Musato.
Seu Musato.
Seu Musato.
Seu Musato.
Seu Musato.
Senhor Musiote. Que horas? Senhor Musiote. Só o próximo avião. Eu acho que
cinco horas, senhor Musiote.
O que acha, professor Kennedy?
Acho que brevemente você vai herdar muito, muito dinheiro.
Ah, não. Continua chovendo a Escócia. Sim, a Escócia.
Senhor Mujot, eu acredito ter entendido o seu problema.
Ah, que problema?
Eu acho que por 10 milhões de libras...
Valeria a pena, enfim, fazer um... O senhor entende? Ah, sim. Quer saber de
coisa, senhor Lula? Que existem coisas que são impossíveis, mesmo por 10
de libras.
O senhor se casaria comigo por 10 milhões de libras?
É, podia ser.
É, o senhor acha que podia ser?
Doido.
Vamos nos entender, Dulac.
Jamais houve uma errada.
Foi um mal -entendido.
Assunto encerrado.
Senhor Musato.
O que é?
Trata -se de 10 milhões.
Mesmo assim, estude os documentos.
Mas para mim não é nada estudar. É simples.
A bagagem, minha bengala e meu chapéu.
Ah, meu Deus, enfim, casou.
Uma eternidade.
Quanto foi?
Uma eternidade.
Não é isso que eu quero saber. Quanto foi?
Mas quanto foi o quê? A herança.
Você não acha que podia ter começado me perguntando, por exemplo, como vai você?
Será que você pegou bom tempo, fez boa viagem? Será que precisou usar roupa de
lã?
Tá bem, então eu vou perguntar. Será que precisou usar sua roupa de lã?
Agora não vale.
Bom, agora você vai me contar o que é que aconteceu na Escócia. Eu tenho o
direito de saber, não é? Não tinha sol, muito vento e eu tive pavôs no avião.
Pronto, você já sabe tudo.
Menos o principal, a herança, a mansão e, sobretudo, o dinheiro.
Foi um engano.
Como um engano? É, um engano. Ah, não,
não, não, não, parem com isso.
É grotesco.
Mas como grotesco? Não é o que você queria, Albert?
Pois agora eu não quero mais. Eu já falei, está encerrado.
Eu não quero mais ouvir um fole.
É possível que essa herança tenha sido um erro. Você não se dá conta de que
é impossível. Sim, infelizmente, nesse particular, você sabe. Bom, os enganos
são frequentes, isso acontece.
Pois é, quando eu cheguei lá, o tal, tal, tal, tal, tal, tabelião, ele, bom,
procurava um tal de, ele procurava, ele procurava Albem, Albem. Aí eu respondi
imediatamente, eu disse, bom, afinal, Albem, Albem sou eu.
Aí ele disse, Albem Mujoto, Albem Mujoto, Albem Mujoto. Eu digo, eu
sou o bem -mojote. Ele respondeu, não, Albano, não. Aí eu disse que não. Então,
não sou eu. E esse envelope, o que tem aqui dentro? Nada, nada, nada. São
prospectos, são prospectos turísticos, sabe?
Ah, você sabe, meu bem, essas coisas, essas coisas todas me nervaram. Eu estou
cansado. Padrão, eu só investi a sua roupa de lã.
Ah, que amor.
Esse sim, pense em mim.
E a herança? Trouxe muito dinheiro.
Ô, seu safado, já para a cozinha.
Se me permite, agora eu vou me retirar, porque eu estou cansado, você entende?
Eu estou muito fatigado. Bom, eu vou tirar essa roupinha que está ridícula e
tomar um banho, porque eu estou morta.
Entendeu?
Morta.
Morta, morta, morta.
Com licença!
Ah, enfim, em casa.
Ai, que coisa feia. Foi assim que Napoleão perdeu a guerra.
Alben, sabe quem me telefonou hoje de manhã?
O gerente do banco.
E sabe em quanto nós estamos a descoberto?
Eu prefiro não dizer agora.
Se nós não metermos a mão nesta herança agora, Alben... será uma
catástrofe, viu?
Ou ele tá doendo, mozinho?
Não.
Tudo bem.
As meninas estão todas prontas?
Todas prontinhas mesmo?
Zaza vai entrar em um minuto. Ela está demorando tanto?
Zaza?
Zaza?
Ele me emagrece.
Muito. Está uma verdadeira cintura de vespa.
Ah, de abelha, burro.
Bom, vamos começar com o ensaio de suspensão. Bagnon, pronto?
Sim. Calma, calma. Tudo vai dar certo.
Isso.
Pronto? Sobe, sobe, sobe. Vamos com calma. Vamos subir.
Que gostoso.
Mas eu estou voando, voando, voando, Renato!
Espantoso! Olha só, olha só!
Mais alto, mais alto!
Ai, lindo, lindo!
O que eu estou fazendo é por demais perigoso. Eu lhe peço, pelo amor de
para esperar que eu termine e para depois fazer a limpeza.
Sou a rainha das abelhas e eu faço... As abelhas não fazem assim. Elas fazem...
Não, não é não, senhora Petipá.
Ela tem razão. A abelha faz assim.
Pelo amor de Deus, senhora Petipá. Agora me faça um favor.
A senhora passa o aspirador na calçada e deixa a gente trabalhar, tá?
Vamos lá, gente. Não temos tempo a perder.
E o Renato vai ficar tão...
Eu deixo ao meu sobrinho bem o jote, o total dos meus bens.
A saber, uma mansão que fica em Alcema, uma mansão só isso, e as propriedades,
não é só a mansão, e a criação de gado que tem ali, vai cair por terra o
castelão escocês.
Prossigamos. Tem uma carteira, mas que carteira é essa, meu Deus? Uma carteira
no valor de 10 milhões de libras?
Quanto é que dá isso em francos, meu Deus? Meu Deus do céu, deixa eu fazer a
conta. Mais ou menos multiplicado por 12 vai dar, deixa eu ver.
120 milhões de francos?
É grana que não acaba.
Esta herança está sujeita a uma cláusula particular.
Meu herdeiro, Albert Mongeat, deverá... Deverá o quê, meu Deus?
Deverá se casar e ter uma esposa e um filho legítimo em um prazo máximo de 18
meses, a contar de hoje.
A contar de hoje.
É mais por 120 milhões?
Vale a pena fazer um filho.
E nós vamos fazer esse filho.
Vamos fazer, sim. Eu confio em mim.
Me deixa, mulher. Eu vou sozinha.
Está procurando o que, Alben?
Que susto! Por que é que você levou um susto?
Por acaso esconde alguma coisa?
Em primeiro lugar, o que é que está fazendo no meu quarto? Ah, não, tenha
vontade. As perguntas sou eu que faço.
E eu quero que você me diga o que esconde exatamente.
Nada, não.
Nada a esconder.
Mentirosa, mentirosa, mentirosa. Quando você mente, eu noto em seus olhos.
Confessa que você mentiu para mim, Alben.
Alben, diga a verdade.
Confesso. Eu menti.
Não existe obremo, João.
Era mesmo para mim a herança.
Quer dizer que somos ricos?
Ah, perdão, você é rico.
Não. Não? Por quê?
Para, porque...
Porque pensávamos numa mansão.
A tia Ema me deixou uma cabana.
E quando eu digo uma cabana, dois por três.
Parece até um armário. Um armário de vassouras. Um troço onde se colocam
carneiros. Você sabe o que eu quero dizer, não sabe?
Se você quer dinheiro no curral.
É, por aí.
É isso. Como você sabe, em vista do estado, digamos, parecia uma pocilga,
porque... É verdade, uma pocilga para carneiros.
Mas parecia uma pocilga para carneiros. Acabei de ler o testamento.
É, eu li.
Atreveu -se.
Queira me desculpar.
Eu vejo bem onde é o problema.
Mas uma pocilga com uma cabe de 10 milhões não é um problema sem solução.
Mas há um detalhe meio chato, que é o de transformar... uma parte da pocilga em
quarto de criança. Eu sei que... é duro, mas eu estou aqui.
Eu não estou me gabando, mas você sabe que pode contar comigo, não sabe?
O que quer dizer com não estar se gabando? O que quer dizer?
Bom, você sabe que eu... eu já fiz um... Enfim, eu já tive...
Você sabe muito bem que ter um filho para mim não é uma coisa impossível.
Lohan, mas você está com uma aparência ótima. Está em forma. A você pode dizer
que o casamento fez bem, né?
E o trabalho, como é que vai? Ah, vai indo muito bem. Sabe a novidade? Meu
me nomeou diretor do setor de imprensa do partido.
Ah, meus parabéns. É um cargo de responsabilidade. É um trabalho que me
satisfação. Eu acredito.
Eu gostaria de poder dizer o mesmo, mas... É, eu sei, papai.
Eu sei que está com problemas e eu vim visitar você justamente por isso. Porque
eu queria que...
Não, papai. É um presente do meu sogro. Está em nome de Baldi.
Não insista, Lohan. Não posso aceitar um presente que dão ao meu filho. Mas,
papai, foi para me oferecer um carro novo. Mas eu posso ficar com o velho.
ainda está muito bom.
Aceite, mas prometa não usá -lo para comprar um colar para o Albert.
Eu aceito, mas com uma condição.
Isto é um empréstimo, não um presente.
Quando puder, eu pago.
Um, dois, três, quatro.
Um, dois, três, quatro. Um, dois, três, quatro. Levanta a perninha. Um, dois,
três, quatro.
Um, dois, três, quatro. Acabei de estar com o Nohan. Ah,
Nohan! Você viu seu filho?
Está feliz?
Está contente? Nem tanto.
Por quê?
Olhe.
É um cheque. Eu sei.
Pediu dinheiro a ele?
Eu não.
Ele é que deu pra mim.
Foi o resultado da venda do carro dele.
Pobrezinho do rapaz e pobrezinho do papai também. Agora eu só não sei o que
vamos fazer com uma importância dessa. A companhia está completamente
endividada. Claro, você não quer saber, né? Você não tem nenhum direito de
saber. A companhia completamente mergulhada em problemas e dívidas e você
vivendo a sua vidinha maravilhosa sem nem saber dos problemas da companhia.
dizer, é claro que não interessa. Você não quer saber de nada, eu sei. Mas isso
você não precisa dizer, eu sei que você não quer saber de nada. A companhia
completamente endividada. Para com isso, que não me interessa nada.
A responsabilidade do espetáculo é sua.
Não precisa ficar me lembrando isso, não.
Não precisa. Você faz, acontece, você paga o que é preciso.
Eu só entro em cena e eu levo a beleza. Você foi ao banco comigo, viu que nós
estamos... Ah, eu estou pouco ligando para o banco. Nós estamos no vermelho,
Alben. Nós estamos completamente no vermelho. Aliás, nós estamos no mar
vermelho. Ah, que mar vermelho. É, o mar vermelho. Ah, não exagera. Você muda
tudo para o verde e pronto.
Ah, sim. Eu aperto para o verde, sim, porque é o verde da Escócia. É isso, o
verde da Escócia.
Repete. Da Escócia. Escócia, eu já sabia.
Eu pensei, eu não entendi direito. Talvez que nada é herança. Não tem nada
com herança. Não tem nada a ver. Eu tinha certeza.
Sempre falo a mesma coisa. Herança. Eu já disse e vou repetir. Eu já disse e
falar de novo. Eu não quero essa herança. Eu prefiro morrer.
Morrer. Eu não aguento mais. Cala a boca. Deixa eu falar, Albert. Espera aí.
Pelo amor de Deus, eu lhe peço que pense se você é capaz.
Está bem, está bem. Agora me deixe em paz. Eu preciso me concentrar. Tudo bem,
eu preciso repetir.
Não, agora não. O senhor tem que me ouvir, Sr. Baldi. É
na minha função de delegado sindical do grupo que eu exijo que me conceda cinco
minutos do seu precioso tempo.
Quem mandou você sentar?
Está bom, agora pode sentar.
Pois bem.
Meus companheiros e eu aceitamos horários os mais arrochados e aceitamos
de recuperação em total contradição com a lei.
Minha meia puxou o fio.
Nós aceitamos trabalhar num ritmo infernal porque nós sabemos que vai ser
estreia e que nós somos profissionais.
Vamos lá, vamos lá!
Ele não me reconhece.
Eu não posso ter... O choque deve ter sido extremamente violento. É preciso
fazer uma radiografia da cabeça.
Onde está doendo?
No pé.
Doutor... Ele confunde as extremidades.
Que sistema nervoso não tenha sido danificado.
Como é que é?
Não é nada não, meu queridinho.
Eu estou aqui.
Bom dia, doutor. Bom dia, Renato.
Sente -se, por favor.
Venho buscar uma receita para os tranquilizantes de Albem, suponho.
Eu não vim aqui por causa de alguém, mas por minha causa. Você não se sente bem?
Não, não, não me sinto muito bem. Aliás, eu nunca me senti tão bem na minha
vida. Estou ótimo. É que eu sofri um grande choque. Eu pensei que esse tipo
choque podia provocar uma doença.
Então eu vim lhe pedir como um favor pessoal de me arrumar. Eu não sei bem,
exemplo, uma doença nervosa.
Eu não compreendo.
Eu preciso que alguém acredite que eu estou à beira da morte. Se lhe peço
é para impedi -lo de cometer uma besteira irreparável, doutor. Queria que
fizesse um falso diagnóstico, é isso?
É mais ou menos isso. Mas para o bem de alguém, podia fazer isso, não? Renato,
se diga ao bem que você está à beira da morte. E sabe muito bem que é ele que
vai morrer. Você já pensou nisso?
Angustiado como ele é?
Ah, doutor, arrume, sei lá. Podia me arrumar alguma coisa que seja menos
que a morte, mas de qualquer maneira grave.
Então me ouça.
A coisa mais grave que poderia acontecer a você, no que diz respeito ao bem,
você sabe que é?
Não que é.
Seria que você, de repente, passasse a amar as mulheres.
Ah, mas você não está cansadinho? Não quer sentar?
Não, não estou bem, obrigada.
Ah, mas eu estou vendo que se recupera maravilhosamente. Aliás, está com a
carinha linda, está lindo de verdade. É verdade, eu me recuperei bem, sim.
Aliás, você não tem culpa de nada, mas eu sinto que o acidente me despertou.
Mas, meu queridinho, eu tenho culpa, sim. Mas eu assumo, eu faço tudo.
Eu faço o que você quiser.
Também não é nenhuma tragédia. Eu estou aqui para todas as ocasiões, para tudo.
Pode confiar.
Onde é que você vai?
O que você fez? O que você está olhando?
Conhece as duas?
Não. Então, por que seguiu a serigata?
Eu não sei.
Talvez porque estou meio adoentado. Minha companhia tem casa, garota. Vem,
Raimundo! Oh, Raimundo! Vim aqui com a mamãe. Nós vamos sair, nós vamos
Que gracinha.
Renato, descanse um pouco.
Você trabalha demais.
O que você está lendo aí?
O que é isso? Oh, que horror!
Não, você vai ter pesadelos. Por quê?
Quem é que está cheirando esse perfume?
É você?
Sou eu, sim!
É o perfume novo.
Aquele que você me deu. Me exaltes de capron.
Não lembra, não?
É. Ai, meu Deus. Você não gosta?
É, eu gosto.
Mas é que você botou demais e isso não é muito masculino.
Não é muito masculino?
É isso.
Na minha opinião, não é um perfume para um homem, tá?
Segura aqui que vou dar um pulinho na tinturaria.
Ai, meu Deus, está sempre distraído esse homem.
Segura.
Com licença.
Não nos conhecemos?
É o seu carro?
É. Se me permite, eu vou ajudá -la.
Ah, teve um arrecaído.
Eu estou encantado em tê -la conhecida. Estou à sua disposição.
Obrigada.
Vem cá, vem com a mamãe. Vem com a mamãe.
Olha, você não vai recomeçar, meu queridinho. Você segurou os embrujos da
mocinha, tudo bem. Depois você deu o seu endereço pra ela. Não vai recomeçar,
viu? Olha pra mamãe.
Não vai recomeçar, viu? Eu vou comprar sorvetinho pra você, tá?
Mas não faça mais isso.
Você é um garotinho, um garotinho muito levado.
Então vamos lá, meninas. Atenção.
O que foi, senhora Alden?
Eu não estou bem.
Nada bem, senhora. Estou preocupado com a saúde do Renato. Por que? O que tem o
senhor Baldi?
Eu não sei.
Ele não está no seu normal.
Está estranho. É, eu também estou achando ele meio estranho. Está vendo? O
senhor tem razão.
É.
Pois é.
Ah! Mas o que é isso?
Meninas, uma pausinha para o café e rápido. Mas o que... o que... o que você
quer? Bom dia, eu vim pelo anúncio.
Veio pelo anúncio?
É, estão procurando uma bailarina, não? Está no jornal. Ah, sim.
Renato, ela... ela veio pelo anúncio.
Afinal, é uma... É uma mulher, sim.
Eu pensei que era o que faltava no nosso espetáculo. Uma jovem. Vai ser bom,
não? E depois, ela é muito bonita.
Obrigada.
Você não pensou direito, Renato. Nós não temos mocinhas no espetáculo. Não, sem
brincadeiras. Você é um mundo divertido.
Será que você não pode falar com a voz um pouquinho mais grossa? Quem?
Eu?
É um pouco mais viril.
Me aguarde. Não tenho pressa.
O que você está fazendo nessa
fila?
É, senão... Não, não, não, é urgente. Não, não, não é para mim, não. É para
Renato. Alguns dias ele está... Ele me preocupa.
Ah, eu vou lhe explicar.
Não, não, ele faz... Desculpe, doutor.
Ele faz coisas terríveis, tremendas.
Aconteceu muitas vezes, muitas coisas terríveis.
Não posso falar por telefone.
Sim. É.
Obrigada.
Muito obrigada.
Um abraço.
O
que
você está fazendo?
Eu não fiz nada, absolutamente.
Eu passei longe dela. Aliás, eu nem toquei nela. Fora bolas.
Já é a segunda vez em dois dias. Agora já chega, hein?
Afinal, o que significa isso? Eu sou uma mulher honesta e... Eu prefiro ir
embora.
Não é grave, meu querido.
Não é grave.
Vamos tratar de você.
Em resumo, o Renato voltou a ser normal.
Ah, pois sim. Normal para o senhor, não é, doutor? Uma ova.
Interessante, muito interessante.
Ele era invertido e ele desinvertiu.
É um fenômeno de dupla inversão. Você sabe que é muito, muito interessante.
Eu estou encantado que isso lhe interesse, doutor, mas eu tenho vontade
recuperá -lo, entende? Ah, a síndrome da dupla inversão.
Não é fácil de curar, sabia?
Isso acontece raramente, mas tenho visto bichas loucas que um dia acabaram por
se transformar em verdadeiros soldados. Apareça, por favor, não fale disso,
doutor. Mas eu sei que existe certamente uma operação, um tratamento.
Eu estou disposto a tudo, eu estou disposto a me sacrificar para salvá -lo.
Doutor, compreenda.
Quanto ele deu?
Nada, nada.
O senhor me verá outra vez, eu voltarei certamente, porque é isso, ainda não
acabaram.
Que novela!
Patrão! O Boa não foi parar na polícia. O quê? Ele está na prisão. Eu não sei
porquê. Ele acabou de...
Me desculpe, mas eu tive uma vertigem, sabe? Quando o senhor me contou assim,
repente, eu tive uma vertigem, sabe? Porque, doutor, eu nunca me aconteceu
isso na vida. Ele nunca em sua vida beijou uma empregada, nunca. Eu não me
lembro disso.
Você está doente, Renato.
Eu estive com o médico e você está muito, muito doente.
No fundo, eu acho que é um retorno às minhas origens.
Não se pode esquecer que eu já tive um filho.
E sabe o que eu fiz de estranho ontem à noite? Eu fiquei três horas diante de um
pensionato de mocinhas. Mas isso não é grave.
Eu cuido de você.
Eu cuido.
Nós iremos... Nós iremos a Lourdes, se for preciso.
Eu já me informei sobre o meu caso. Vou ficar cada vez mais obcecado até a
loucura furiosa.
Mas existe uma solução. Eu já conversei com um médico, sabe?
Mas não vale a pena contar a você. Não vai adiantar nada.
Fale, queridinho.
Fale, fala.
Uma operação.
Em Nova York.
Não,
mas o preço está fora.
Já pensou nisso? Uma viagem a Nova York? Talvez duas, talvez três? Quinze meses
de tratamento no hospital e depois a operação e...
Não, não temos condições. Sabe muito bem que não podemos nos permitir.
Nós não temos meios. Como não?
Vou salvá -lo de qualquer maneira. Vou salvá -lo, Renato.
Obrigado, Alben.
Obrigado.
É o meu amigo. É ele que tem vontade de casar. E é por isso que nós viemos aqui,
à sua agência.
E pelo que nos disseram, ela é uma das melhores do país.
Ah, gentileza.
Os senhores conhecem o lema da casa.
Se vocês não a encontram aqui, é porque ela não existe.
Ah, me fale um pouco do senhor.
Gostaria de conhecer seus gostos, seu caráter.
Que tipo de homem o senhor é?
Quem, eu?
Eu preciso saber quem é o senhor para procurar a mulher ideal.
Qual é a sua profissão?
Artista, artista.
Pintura, música, teatro?
Bom, no momento eu faço a rainha das abelhas. Ele está escrevendo uma peça
isso. É sobre a comunidade das abelhas e como é que uma rainha se porta ali. É
isso que ele está escrevendo, sabe?
Escritor. Escritor não, escritora.
Vou ter que lhe arrumar uma conselheira, uma musa.
Quais são os seus gostos em matéria de mulher?
Meus gostos... O Renato é que entende dessas coisas. Olha, o aspecto exterior
não conta muito.
O que conta na realidade é o interior.
Louras, morenas, ruivas, não faz nenhuma diferença. Desde que a moça tenha uma
moral irrepreensível. O gênero meio maternal, talvez.
Meu Deus, estou tão nervosa, não sei.
Não, fique calma.
Uma mulher de que idade? Mais ou menos da idade dele.
Nem muito nova, nem muito velha.
Cinquenta? Cinquenta, não.
Quarenta.
Quarenta, o que você acha?
Trinta e cinco.
Trinta.
Que altura?
A altura que a senhora tiver no momento.
Isso não tem a menor importância. Pode ser alta, pode ser baixa, pode ser
qualquer altura.
Para esclarecer as coisas, eu vou lhe fazer uma pergunta subsidiária.
Adorei o subsidiário.
Se lhe fosse proposto um astro de cinema, quem o senhor escolheria?
Ah, Robert Redford.
Gracinha, adoro. Robert Redford.
Alben, quem é a mulher?
Hoje é você.
Então diga, o homem entra no restaurante na frente da mulher? Tá, tudo bem, mas
vamos começar na mesa. Não, não, não. Comecemos da porta do restaurante.
recomecemos. Ah, meu Deus.
Não precisa desse exagero. Vamos, entre.
Ah, sim, querido.
Está bem?
Sim, o que é?
Eu estou de pé.
Ah, senta aí, chuchu, senta.
Não, um homem nunca se senta primeiro. Ele ajuda a mulher a se sentar antes.
Ah, a favor.
Perdão.
Pronto. Mas isso vai ser homem, vai ser um mordomo, não é? Assim é que se faz.
Mordomo!
Senhoras e senhores, vão tomar um aperitivo?
Ah, sem dúvida que sim. Um pouco de champanhe, um qui real, champanhe e uma
gotinha de groselha. Óbvio.
É preciso deixar a mulher escolher.
Desculpe. Pergunte à madame o que ela deseja beber.
A madame vai beber alguma coisa?
Um quiro de champanhe.
Temos os mesmos gostos. Agora me faça a corte.
Como é?
Você quer que eu lhe faça a corte?
Na nossa idade?
Depois de 25 anos de felicidade.
É encantador.
Encantador, mas um pouco ridículo.
É, eu acho que tem razão.
Senhora Matrimônia, já pode entrar.
Madame, por favor.
Eu convidei a madame porque achei que poderia ajudá -lo. Talvez com ela eu...
Vou deixá -los.
Me faça curte.
Renato, golpe baixo.
Não, é simplesmente uma pequena condição imposta. Nada mais.
Vá, continue.
Pegue a minha mão.
Por quê?
Porque é assim que se faz.
Comigo, não. Pegue a mão dela, Alben.
Não, não, não.
Parece que está amassando um papel velho. Um pouco de convicção, Alben. Um
de paixão.
Saia daqui.
Veja como se faz.
Vou te mostrar como se faz.
Oh, madame.
Nunca lhe disseram que tem as mãos delicadas, madame. E os dedinhos
Os dedinhos que eu sinto tremer entre os meus dedos que provocam o beijo. Os
dedos que me deixam louco. Eu sinto que eu perco a cabeça diante de tanta
beleza. E esses lindos olhos que fitam os meus. A senhora está me levando à
loucura, madame.
Você está tendo uma crise.
Não, não. Eu só fiz uma demonstração.
Você viu? Agora senta aqui para fazer igual. Me diga onde é que você quer
chegar. Vem cá. Senta aqui para aprender. Vem cá. Senta.
Pega a mão dela.
Pega a mão dela.
É isso.
Assim.
Nunca lhe disseram que tem as mãos delicadas? Está muito bom.
Muito bom.
Beije a mão dela.
Beije a mão dela.
Beije a mão dela, Alben.
O que há?
Não, eu não vou conseguir. Nunca. Eu não vou conseguir.
Renato.
Tira essa mão da minha mão.
Nunca lhe disseram que tem mãos muito bonitas, delicadas, os dedinhos
um rosto de muita pureza. Também não é tão fácil.
Vai querer chá ou café para tomar, patroa?
Nada.
Não quero nada.
Jacó.
Entregue isto ao Sr. Baldi.
Abrir após a minha morte.
Vai se matar de novo, patroa?
Como de novo?
Pra subir não, não faço outra coisa?
Ah, desde que eu estou aqui, deixa eu ver.
Uma, duas, três, quatro... É, mas essa é a última.
É a última vez.
É, porque agora eu sei que eu quero me matar.
Quero morrer.
Adeus, Chacó.
Até mais tarde.
Não entendeu o que acabei de dizer? É um adeus, Jacob.
Eu quero morrer.
Me deitar nos trilhos, perto da ponte.
E então morrer.
Esborrachada.
Por uma enorme... Uma enorme locomotiva.
São cinco plumas de avestruz cada vez que você voa. A 250 francos cada pluma.
Você já se deu conta?
Albert... Ué, cadê Albert?
Ela foi se matar.
De novo?
Ela deixou esse envelope para o Buana.
Mais um.
Mais um envelope de Albert.
Eu escolhi morrer para que você viva. Boa ideia. Eu morro e você vive.
Você vai poder se tratar graças ao meu seguro de vida.
Para onde é que será que foi esse imbecil?
Eu não sei.
Ela falou de trilhos perto da ponte.
Oh, meu Deus, o que é que eu faço da minha vida? Me responda o que é que eu
da minha vida?
Como é? Agora é guerra?
O que houve com você?
Não zanga comigo, Renato. É por você. Eu te amo.
É a melhor solução.
Adeus.
Essa é uma linha desativada. Passa no máximo um trem por semana. Você vai
aí oito dias.
Que dia passa esse desgraçado de trem? Eu sei lá. Não sei de nada.
Terça. Eu verifiquei.
Em que dia estamos?
Terça.
Vai botar sua orelha no trilho? Chega de bancar o imbecil e levante -se daí.
O que você está querendo?
Não insista. Me deixe. Eu não sirvo para nada. Não pude ajudar você em nada.
A minha natureza é assim e isso é grave. Eu vou desaparecer.
Você vai se tratar, vai voltar ao normal.
E eu... E eu... Vou desaparecer também.
Cortado em dois.
Mas...
Ah, então tá bom, Alden. Fica aí, tá? Tchau. Ah, não. Onde é que você vai
Renato? Eu vou embora. Eu vou pedir que me mandem os pedaços para que eu termine
o quebra -cabeça. Ah, não, Renato.
Alden, para com isso, pelo amor de Deus. Eu já tô de saco cheio dessa comédia.
Ah, não, me deixa. Eu não tô fazendo comédia nenhuma. Você vai perceber isso
já.
Eu vou dizer a verdade.
Eu menti pra você, sim. É, menti. Não é verdade que passei a ser heterossexual.
É uma mentira. Como é? Eu inventei isso pra que pensasse na herança. Pra que
tivesse... Um motivo para se casar.
Alben!
Alben!
Está chateado comigo?
O que eu fiz?
Me diz, o que tem contra mim?
Me deixe em paz, entendeu?
Agora você não se dá mais conta, mas você se comporta como um demente. O que
está querendo dizer? É, como um demente, sim. Eu preciso ter uma paciência. Me
deixe em paz. Eu vou olhar com a bolsa na sua cabeça. Eu vou arrebentar a sua
cabeça. Eu não aguento mais.
Olha, cuidado, Alberto. Ah, que cuidado.
Não sei. Espero que não.
Você matou o Renato. Você matou esse rapaz.
Está
tudo
bem, mocinha?
Tudo bem?
Bem, meu, está tudo muito bem.
Minha moto está totalmente inutilizada. Eu fui chutada pelo rapaz que amo.
E mais... Mais... Acabei de saber que espero um filho.
Não pode ser melhor, né?
Bom dia, moça. Bom dia.
Você se lembra de mim?
Sem dúvida.
Eu queria me desculpar pelo acidente.
Obrigada. É para mim?
Eu queria falar com você. Seria possível?
Eu percebi ontem que você tinha problemas.
Estou aqui para ajudá -la.
É.
Não falemos mais nisso.
Estou chateada por ter desabafado daquele jeito.
Eu tenho uma proposta de fazer.
Sabe onde estão os elásticos e os extensores?
Sim, junto com os halteres.
Eu não compreendo.
Talvez você fique espantada, mas eu juro que é uma coisa séria.
Você quer ser duquesa e dividir 10 bilhões de cêntimos e dar um pai a seu
Está brincando comigo?
De maneira nenhuma.
Não tem idade para contos de fadas.
A situação não é tão maravilhosa quanto aparenta.
Deve se casar com a rainha das abelhas.
Como é?
Passe logo mais na gaiola das loucas. É a estreia da nossa revista.
Lá vai encontrar seu futuro marido.
Por que não?
Doce, doce, doce, doce, a vida é um doce, vida é meu.
Doce, doce, doce, doce, a vida é um doce, vida é meu.
Doce, doce, doce, a vida é um doce, vida é meu. Oh,
Lohan, meu querido.
Que gente você vir, vem com frequência ultimamente.
Você não está bem? Meu sogro teve que pedir demissão.
Ele enviou hoje de manhã, mas a culpa é minha.
Mas por quê?
Gaiola das loucas subvencionada com dinheiro do Partido de Ordem Moral.
Presidente Charrier financia secretamente um cabaré de homossexuais.
do cheque que dei a papai?
Sim, lembro. Está vacinado por Charrier e papai depositou na conta da gaiola das
loucas. Eu não sei como isso chegou aos ouvidos dos jornalistas, mas eis aí o
resultado. Oh, meu Deus do céu. Charrier está num estado deplorável. Ele não
quer ver ninguém. Está trancado no seu quarto, não fala nada, nem uma palavra,
nem com a mulher dele.
É, conosco ele não dá uma dentro.
Os fascistas!
O que fizeram comigo?
Como é que fizeram isso comigo?
Sr. Baldy, lhe apresento o Sr. Monson Maywood.
Ele é primo do seu companheiro.
Estamos a par das personalidades do Sr. Mourjot.
E nós duvidamos que ele possa ter um filho.
Se estamos aqui é porque nós temos uma proposta.
A divisão da herança.
Lamento, não vamos dividir com ninguém.
Se incomodaram à toa.
Porque, no que se refere ao Ben, não há nenhum problema.
E agradeço a sua visita.
Está tudo bem aqui? Está gostando?
Magnífico. É muito bonito.
Muito.
Olha lá o seu futuro marido.
Mas é ele?
A rainha? É ele, sim. A rainha.
Vocês querem me destruir, é? Querem acabar comigo?
Vocês vão ver como é que isso vai acabar.
Pensam que eu vou deixar pra lá, é? Vocês estão muito enganados. Vocês não
o que é que eu posso fazer.
Eu vou acabar com a raça de vocês.
Vou acabar com todo mundo aqui.
Isso é uma desonestidade. Ele é um assassino. Vocês vão ver.
Senhoras e senhores, vim aqui pra acertar minhas contas.
Os proprietários...
Eles conseguiram, mas agora eles vão pagar.
Começo por você.
Deputado Charrier, que acabou de fazer diante de todos uma estreia brilhante e,
portanto, tem o prazer de saudar sua entrada na gaiola das loucas.
Como é que ele está, doutor?
Felizmente, as balas não atravessaram o roupa. Aliás, ele só ficou muito
abalado. Ah, que bom. Porque as asas dele ficaram cheias de furos.
Acho que já se acalmou um pouco, mas teve um tremendo choque. É isso que se
compreende. É a primeira vez que se tenta batê -lo numa noite de estreia.
Ele escapou na hora certa.
Felizmente, não foi atingido.
Vá vê -lo, senhor. Ele espera.
Até logo.
Como
é
que vai?
Bem, eu lhe fiz uma pergunta.
Como você vai?
Vou indo.
Estou tirando chumbinhos da minha peruca.
Eu entendo que você passou por maus momentos.
Mas que glória, hein?
Glória para mim ou para Charrier?
Para você.
Afinal, Charrier também fez sua parte, né?
Até que isso me deu uma ideia.
Podemos até incorporar ao espetáculo.
Vemos o caçador que chega e pum, na rainha das abelhas. É original, né? Vai
contratar Charrier? Mas com bala de festim, viu?
Ora, por que bala de festim?
É mais original um tiro real.
Oh, bem, por favor, não dramatize. Está tudo bem quando acaba bem. Você está são
e salvo e o público ficou entusiasmado.
Fez a guerra, Renato?
Não.
Você foi rejeitado.
Você ou esta noite foi à guerra.
Eu quase morri sobre as balas do inimigo.
Há outros que dão medalhas.
Mas para mim, meu inimigo é aplaudido.
Já passou, Albem. Não pense mais nisso. Pense agora no futuro. Me dói os pés.
Olha, sabe assim, dia moça, com quem você vai casar? Eu a vi no teatro esta
noite e ela aplaudiu você, homem.
Ela me aplaudiu? É.
Acabei de escapar da morte e meu coração está batendo a 200.
Mas ainda tenho que pensar no casamento, na herança.
É importante, mas... Mas há também nós dois. E isso conta.
É o nosso amor.
Na vida, nada existe senão poesia.
O que você tem no coração, senhor?
Um cofre forte?
Não fale nada.
Não fale.
Silêncio. Eu não disse nada.
É, mas eu sinto que vai dizer alguma coisa.
Me deixe.
Vou seguir meu destino.
Não me siga.
Nem me mexa.
É, mas sinto que vai me seguir.
Adeus.
Eu parto.
Morre, maldito!
Eu vou começar a chorar, eu sei.
Eu sei que vou começar a chorar.
Eu era feliz com ele.
Eu não fazia perguntas.
E depois... Depois eu sabia que ele era casado.
Então eu fui embora.
Você o amava?
Ainda o ama?
Não.
Acho que não.
Não sei, não sei, não sei.
Obrigada.
Eu não quero nada.
Ajuda -me.
Mas estou quase.
Vou ter um filho.
Quero ficar com ele.
Quero que tenha um pai.
Então não há chance para mim.
Eu chego, conheço você, fico apaixonado.
E já é o fim da aventura.
Não vale a pena.
Vou vê -lo de novo.
É muito complicado.
Os monstros.
Monstros e egoístas.
Os homens são todos iguais.
Quando se é jovem, inocente, eles se aproveitam. Ah,
meu Deus!
Como pude ser tão idiota?
Ele me dizia, eu preciso trabalhar, querida.
E ele voltava para a mulher.
E dizer que o caso durou um ano. E o meu, trinta.
Trinta anos pensando que o homem que vivia comigo me amava.
Trinta anos pensando que a nossa era uma história de amor.
De ternura.
E tudo isso para descobrir que era um caso de sentimento.
Como pude amar aquele homem?
Me desculpe.
Me desculpe, sim.
Se você soubesse.
Tanto amor.
Não chore. Tanto amor.
Me desculpe.
Não chore, Alben. Se você chorar, eu vou começar a chorar.
O que vai acontecer agora?
E comigo?
Nunca mais poderei viver com um homem.
Eu também não.
Então me diga, nós dois não podemos casar?
Claro.
Não tem outro jeito.
Agradeço por me acompanhar.
Eu tinha tanto medo.
Há tantos assaltos ultimamente.
Descanse. Boa noite.
Eu não tenho vontade de entrar sozinho.
Já que não posso mais vê -lo.
Nem falar com ele.
Suba comigo.
Bom, eu não sei se devo... Ah, claro.
Bem, sim.
Está vendo?
Ele nem está aqui para me receber.
Ele dorme.
Eu passo a noite fora e ele dorme.
A indiferença deste garoto.
A indiferença deste garoto.
Não fique assim neste estado.
É melhor você se deitar.
Antigamente, ele iria a todos os distritos.
Você passa um creme à noite? Passo, queridinha, mas eu primeiro preciso
maquiagem e eu não tenho coragem.
Não, não, não, não, leite número três, não, gatinha.
Ah, ele teria ido a todos os distritos, todos.
Ele jamais teria voltado sem ter me encontrado.
Certamente.
Obrigado, queridinha. Ah,
meu Deus.
Eu tenho uma cabeça.
Olha lá.
Ah, não é de leite de limpeza que eu precisaria.
É de uma máquina de lavar.
Mas é muito divertida a vida do casal.
Eu tiro a sua maquiagem e você a minha.
Trocamos as roupas. Mas nós não usamos o mesmo tamanho.
Quase, eu sou talvez um pouco baixinho.
Mas damos um jeito.
Você dorme com seus filhos postiços?
Ah, não, não, não. Não pra dormir.
Não, não.
Prontinho. Pode trocar de roupa. Eu não vou olhar.
Estou pronto.
O que eu faço amanhã?
Falo com ele ou não falo?
Você resolve amanhã.
Boa noite.
Adorei você, Cindy.
Boa noite.
O que estava fazendo lá?
Acabei de pôr na cama o meu futuro marido.
Bom apetite, Sr. Renato. Obrigado.
Bom dia.
Bom dia, Ben.
Passou bem a noite?
Ainda pouco eu vi a Cindy saindo do seu quarto.
Estava amanhecendo.
Se brincou de aprendiz de feiticeiro, senhor, vai ser castigado.
Queria um casamento?
Pois vai ter um.
Talvez também tenha certas surpresas.
Por exemplo?
Por exemplo, não será convidado à casa dos Nubentes.
E até vai ter interesse.
em não botar os pés na escócia.
Muito engraçado.
Era só o que eu tinha a dizer.
Agora sou eu que falo, Alben.
Depois de tudo que eu fiz por você, agora que não precisa mais de mim, me
fora como uma carteira velha.
Bem, bem, não quero ser indesejável, mas não sou do tipo que se joga fora. Mas
você vai lamentar. Isso eu lhe juro, você vai lamentar.
Sua criatura suplantou você, Dr.
Frankenstein.
Alben!
Albeiro, me espera. Onde é que você vai? Por que você corre desse jeito? Eu vou
fazer compras. Mas que compras? Temos tudo em casa. Não precisamos de nada.
Mas não é pra casa.
Eu preciso pensar no bebê. Imagine.
O que você está fazendo aí?
Sacudindo o carrinho, não tem nenhum bebê dentro. É para chamar sua atenção.
Você ainda tem oito meses para pensar nisso. Oito meses. Ainda falta muito. O
carrinho é só quando faltar oito meses que ele tem que comprar.
Olha, não vou discutir como um louco para você.
Vai de uma vez. Que horror.
Menina, por favor.
Me diga se tem lençóis com elástico na ponta para evitar que saia. E depois eu
queria ver se é possível que lhe uma roupinha de grávida.
Qual o manequim? O meu naturalmente.
Olha essa, mas que pergunta! Que manequim!
Chuchu, ela perguntou que manequim da roupa! Eu já vou!
Eu já tô de saco cheio! Agora eu já tô de saco cheio! Estou cheio antes da
herança, depois da escota, depois do cadamento, agora a gravidez! Tá
comigo? Vamos sair daqui, senão nós vamos ser atropeladas!
Alguém, eu já tô de saco cheio de você! Eu vou embora!
Sr. Baldin?
Sim, por favor.
Estou muito ocupado e não tenho muito tempo.
Eu serei breve.
Diga ao Bump para procurar uma outra mulher.
E por que? Posso saber?
Porque eu amo Cindy.
Não sei se você está sabendo, mas ela também agrada ao bem.
Não acha que seria mais simples se você procurasse uma outra? Não será difícil
encontrar uma outra moça grávida que ficará encantada em se tornar duquesa.
Diga a ele, ela ou uma outra, eu tenho certeza que vai conseguir convencê -la.
Não é fácil como imagina.
Alben se agarra a ela só para me chatear. Eu conheço bem.
Só para me chatear, ele é bem louco de levar o casamento até o fim.
Ah, entra, minha queridinha, entra.
Eu estou aqui fazendo um casaquinho para o bebê.
Eu não tenho mais vontade de casar.
Ora, essa e a criança.
Você não vai me abandonar com a criança, vai? É por causa de Mortimer, seu
primo. Mortimer?
Mas o que tem a ver com isso, Mortimer?
Acho que me apaixonei por ele.
Eu sei que não é o momento.
Está tudo perdido agora.
Espetei o dedo com a agulha. Você sabe quando se perde o hábito.
Eu estou treinando, sabe? Estou treinando com a mamadeira. Eu acho que
Não fique triste, minha queridinha.
Encomenda o seu vestido, compareça ao cartório. Vai ver.
Não vamos nos arrepender.
Ah, tá bom agora.
Oh, Renato, quer provar, meu queridinho? Eu acho que tá bom agora. Ui, tá
quente, tá quente.
Aonde vai?
Você ganhou.
Case -se e seja muito feliz.
Não vou te aborrecer mais.
Adeus.
Que dia é hoje?
Terça. Meu Deus, o trem já corre rápido. Minha santa me chama um táxi. Pois não,
patroa. Meu Deus, eu já sabia. Que horror!
Lindo dia, não?
Me deixe, Oben.
Quero ficar sozinho. Quero morrer sozinho.
Há 20 anos que eu me deito nesses trilhos, mas até hoje nada aconteceu.
Você não me impressiona, meu caro.
Está enganado, Oben.
Eu não vou me mexer até que o trem tenha passado.
Não tenho a menor vontade de viver, Oben.
Agora existe uma coisa que eu entendi. É o único ser que eu tenho.
E como vejo que o perdi, sei que minha vida não tem mais sentido.
É melhor então eu morrer, não?
Adeus.
Coloque uma das flores da noiva sobre o meu cachorro. Oh, meu chuchuzinho, meu
Deus. Você pensa de verdade?
Oh, como eu estou feliz.
Você pensa assim mesmo?
O que você está fazendo?
Eu morro com você.
Não é agradável.
Finalmente. Finalmente, você tem razão.
Essa é a solução.
Não é o trem?
É sim, está na horinha.
Alben, você não acha que devemos estar com cara de idiotas, os dois deitados
trilhos brincando de Romeo e Julieta? Quer me prestar sua almofadinha? A minha
está um pouquinho dura, meu chuchu. Deixa a almofada, eu lhe peço. Vamos
sério, Alben.
Se me promete renunciar ao casamento, não vai ter nenhum problema. Nós
para casa.
Me dá a sua mão, Renato.
Eu quero a sua mão.
A sua mão na minha.
Quando o trem passar por cima.
Você é doidaça de pedra. Não está pensando que eu vou ficar aqui deitado
trilhos esperando o trem passar por cima de mim.
Ah, era chantagem, não é? Pois bem, está desmascarado. E eu vou logo prevenindo.
Eu vou me casar a si mesmo. E se o senhor está de olho na minha herança,
bem uma coisinha.
Morte -me e... Eu não tenho nada a dizer.
E isso eu não vou te perdoar jamais!
Senhorita, venha comigo, por favor.
Mas onde está o noivo? Não sei. Deve estar atrasado.
Isto não pode acontecer.
Se ele não chegar dentro de cinco minutos, eu lamento muito. Eu vou ter
retirar. Estou chegando!
Imagina se eu ia deixar passar essa.
Eu sempre tive tanta vontade de usar o vestido de noiva.
É muito divertido tudo isso, mas onde é que está o noivo? Ah, não, não, não tem
mais noivo.
Não tem mais casamento, não tem mais nada, nada.
Conheceu Paputo?
Me diga aí, como é que eu fico em tudo isso?
Eu só vejo uma solução.
Ainda tem vontade de desposar Cindy?
Tenho. Então, neste caso, eu tenho uma oferta de fazer. Alben renuncia
oficialmente à cláusula exigida por sua tia e você entra imediatamente de posse
da herança, que naturalmente dividimos meio a meio, sem você aceitar de esposar
Singh. Tá, eu estou de acordo e muito feliz.
É o tempo de publicar os proclamas, senhor prefeito. O senhor terá seu
casamento. Muito bem.
O que você me diz disso?
Magnífico, sabia? Uma vez mais você me surpreendeu. Você foi terrível. Você
encontrou a solução. Sabe o que você é? Você é o verdadeiro diabo com chifre e
tudo.
Foi magnífico. Sabe, senhor prefeito, vamos fazer a nossa viagem de novo.
O diabo e a diabinha.
Renato, me faça a pergunta.
Qual é? Aquela que se passa quando a mocinha diga, senhorita Zaza, você me
concede a sua mão? Eu posso.
Seu risco é de acertar. Será que o Smiko vai sair da sua mão?
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