All language subtitles for Por_Amor___Capítulo_10___Completo___10_05_2019

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Original subtitles

Sandrinha tá doente, Lídia?

Não, por quê?

Ah, pensei, ela não foi à escola.

Eu não entendi.

Eu fui buscar a Cecília na escola e ela me disse que a Sandrinha não tinha ido.

Pensei que ela estivesse doente.

Não, na verdade ela tá um pouco resfriada, mas doente não, graças a

Oi?

me atrapalhando?

Não.

Você vai sair?

Eu até tenho um cinema em alguma coisa, ainda não sei.

Léo, eu vim te pedir desculpa.

Eu fiquei nervosa com a Laura hoje. Eu acabei gritando com o Marcelo, liguei

ele, enfermezei a vida dele, acabei brigando com você também, que não tem

ver.

Enfim, fui muito desastrada.

Desculpa.

Estava certa.

A gente suspendeu as aulas, eu também não queria dançar.

Léo, toma cuidado com a Laura. Toma cuidado pra ela não te usar.

Você é uma pessoa muito especial.

Oi, Helena.

Vê o que você acha.

A Flávia gostou.

É lindo, Marta.

Você não acha que vai ficar bem no apartamento do Eduardo?

Acho que ela vai amar.

O que foi?

Uma contração aqui.

Viu, Wilson?

Nada.

Nada.

Coração de pedra, viu?

A minha esperança é que ele se interesse quando a criança começar a mexer.

Quem sabe no MEC com ele também, né? Vai dar tudo certo.

Eu queria convidar vocês duas pra Madrid.

Podem ser duas pessoas, não pode?

Acho que sim.

Tem que providenciar os padrinhos, né? Porque nós aqui somos dois sem um homem.

Mas será que até lá vocês não arrumam ninguém?

Você hoje não tá num bom dia, não, né?

Não tô mesmo.

O Atila apareceu?

Ele ligou. Disse que ia tratar de uns assuntos particulares.

Bom, eu vou pra reunião com o pessoal lá de Búzios. Depois eu vou pra casa, tá?

Tchau. Tchau, boa viagem.

O que tá acontecendo com você, hein?

Nada.

Olha pra mim, olha.

A Branca me disse que você e o Artílio brigaram ontem à noite.

É, nós acabamos tudo.

Jura?

Porque parece tão absurdo assim, hein?

É, quer ver?

Eu me acostumei a ver vocês dois juntos sempre, né? Nós nunca estivemos juntos.

O Artílio sempre teve com a cabeça em outro lugar.

Bom...

Se não der, não deu.

Agora, você não acha uma mulher de ficar sozinha durante tanto tempo, não?

Você é uma mulher charmosa, interessante,

talentosa, independente financeiramente.

Isso não faz a felicidade de uma mulher.

Mas ajuda, né?

Você sabe qual é a melhor maneira de você...

Tirar um homem da sua cabeça, colocando outro no lugar.

Bom, vamos festejar. Vamos festejar hoje de noite sobre o monstro.

Festejar o quê?

para incrementar o nosso jantar.

Uma dúzia de pastéis.

Feito feio.

Quatro camarões que você gosta mais.

Hoje eu tive um dia muito produtivo.

Não é para me gabar não, mas pelo que falou o homenagem do escritório, já

sendo considerado um dos melhores do setor.

Sandrinha!

Um beijão, meu pai.

Tem outra coisa que você gosta muito.

O que é?

Adivinha? Não sei.

Papéis. Eba!

Praça de queijo. De queijo de camarão, de palmito. De casa.

Uma doce.

Sandrinha. O que é, mãe?

Agora que seu pai chegou, senta ali.

Por quê?

E conta pra mim.

Como é que foi sua escola hoje?

Vai!

Quem sabe ele te ajuda a lembrar.

Hein?

Olha bem pra mim e diz.

Como é que foi a sua escola hoje?

surpresa. Não, você aparecer aqui, aconteceu alguma coisa?

Aconteceu. Aconteceu que eu tive vontade de ver você, conversar com você.

Conhecer o apartamento de solteiro.

Que maravilha que deve ser isso aqui pra você não querer mulher nenhuma morando

aqui.

Eu não acostumo mais morar com ninguém.

A menos que... A menos que o quê?

A menos que eu mude de ideia.

Você pretende me deixar plantada aqui na porta? Que se pretende. Eu volto pra

casa e pego o telefone e ligo pra você.

Desculpa. Tá bom, dá licença.

Fica à vontade.

Você quer tomar alguma coisa?

Um martini.

Que você faz como ninguém.

Eu acho que eu tô meio fora de forma depois de tanto tempo.

Não se esquece uma coisa que se faz com amor.

Mas você sempre disse que me amava, que eu era sua melhor amiga.

Continua sendo.

A menos que você não queira mais.

Você está com alguém aqui?

Eu estou atrapalhando?

Não, não.

Não está esperando ninguém, não?

Também não.

Posso invadir a toca do urso solitário?

É, descobriu seus segredos?

Fique à vontade. Você vai ver que não tem charme especial nenhum.

Eu estou esperando.

Me fale sobre o seu dia na escola.

Que deveres trouxe pra casa? Qual foi a merenda?

Hein?

Fala, Sandra.

Eu posso explicar.

Eu a pesquisei. A culpa foi minha. Não foi, não foi minha.

Deixa eu falar.

Eu estou esperando.

Eu pedi pro papai me levar até o Rio pra ver ele trabalhar.

Ele não queria.

Mas eu pedi, pedi, pedi, até ele prometer que me levava.

É verdade.

Foi a primeira vez. Ela nunca mentiu, nunca faltou à escola. Você não pode

brigar com ela por isso. Não é com ela que eu vou brigar.

É com você.

Irresponsável. Mas... Cala a boca!

O pai desencaminhando a filha.

Orelha.

Você passou dos limites, Orelha.

Como é que você tem coragem de mentir pra mim, Sandrinha?

De vir?

De vir com essa cara cínica?

Como se tivesse vindo da escola?

Meu Deus, isso com seis anos?

Seis anos de idade?

Como é que não vai ser quando tiver 15, 16?

O que eu posso esperar?

Mais mentiras.

Claro, e mentiras mais graves.

Foi a primeira vez, mãe.

Mas como é que eu vou saber?

Me diz, Sandrinha, como que eu posso acreditar em você depois do que você fez

hoje? É verdade, foi a primeira vez. O que você sabe sobre isso?

Mal exemplo.

Horácio, olha, a minha sorte é que o Fernando não é seu filho.

Porque se ele fosse, ele estaria bebendo e sem trabalho, como você.

O papai está trabalhando, mãe.

Horácio, você é um homem.

Você é quase um velho.

Você não podia arrumar um império para a sua idade, não?

Eu odeio você.

Eu odeio. Eu odeio essa desunidade.

Essa falta de reação. De coragem.

De vontade de salvar.

Eu odeio.

Eu não quero mais saber de vocês, de nenhum dos dois.

Para cuidar de vocês é que eu não cuido de mim.

Pois sabe que eu ainda sou muito moça, viu?

Eu ainda... Eu ainda me sinto muito... Muito, muito mulher.

Se eu quisesse, se eu pensasse mais em mim, eu não tava aqui.

Fiz uma empregada, sem salário, mas desfilando por aí.

Porque não tem sinal que não tem quem me ache bonita, que me ache...

Mas

eu acho você linda.

Eu tô cansada de você e ninguém nessa casa.

Olá, Raimundo.

Toma um musquinho comigo?

Pode ter.

Coisa rápida que é mesmo. Estou morrendo de saudade.

Vai ver, você vai tomar um musquinho, vai comer um amendoimzinho, vai ouvir

boa música e vai se sentir muito melhor.

Eu não estou me sentindo mal.

Ah, qual é, Isabel?

Você vai querer dar uma de dama de ferro agora?

Todo mundo sabe que separação é uma coisa muito traumática, né?

Quer dizer, pode ser uma separação provisória. Afinal de contas, as pessoas

todas hoje casando, morando cada uma num lugar.

Pode ter uma volta.

Quer dizer, não tem aquele cansaço brutal da convivência diária.

Acho que dessa vez não.

Quando era briga por nada, tudo bem.

Mas agora é briga por alguém.

por outra pessoa.

Ah, eu não entendo como é que você pode viver num lugar assim que lembra um

hotel.

A casa que você vivia com a Alice era tão linda, tão pessoal, tão cheia de

espírito. É, uma casa exige uma família, mulher, cachorro, filhos. Eu sou um

homem sozinho.

A mãe eu estou perguntando se eu queria morar com ela. Você já imaginou?

Por que não?

Sua mãe é um amor.

Não, não dá. Nós vamos acabar brigando. Logo nós que nos damos também.

Para mim isso aqui serve. É prático.

Mas é por isso que eu não gosto.

Você sabe por que nós somos mais atraentes?

Porque as mulheres não são práticas.

Nós somos complicadas.

Sim, são.

E algumas mulheres insistem em contrariar a natureza.

Não pode dar certo.

Sim.

Uma mulher como Alice dificilmente se encontra duas vezes na vida.

É o que eu costumo chamar de uma mulher completa e não dividida entre o amor e o

que chamam de dever.

Aliás, nunca entendi direito essa história de o dever acima de tudo.

O dever em primeiro lugar antes do amor, da felicidade, mas isso é um absurdo.

Meu pai sempre dizia, o dever em primeiro lugar. Mas dever de quê?

O amor.

O amor e a felicidade em primeiro lugar.

Você não disse que não estava esperando ninguém?

Deve ser o rapaz da floricultura.

Ah, um minutinho só, vou pegar o dinheiro e o endereço. Dá licença,

Helena,

de hoje de manhã para agora à noite parece que eu vivi um século longe de

Não dá para esperar.

Pego você amanhã para almoçarmos juntos.

Depois temos a tarde inteira para nós dois. Não diga que não pode. Não deve.

E muito menos que não quer.

Atilio.

Não acha que eu tenho razão, Atílio?

Desculpa, sou o quê?

Que o primeiro dever do ser humano é ser feliz?

Acho.

Aceito outro marco.

Felicidade acima de tudo.

Mas para algumas pessoas a felicidade suprema não é o amor.

É, mas essas pessoas não nos interessam, né?

A Isabel, a Isabel é assim.

Foi por isso que você se desinteressou dela.

Acertei.

Eu estava aqui tentando descobrir a razão da sua visita.

Descobri. Você veio aqui para falar com a Isabel. Não, eu vim aqui para falar de

mim, de você.

De você, porque você está transtornado.

Fazendo a sua vida não sei o que.

Enfiando os pés pelas mãos, se metendo com uma mulher que não tem nada a ver

você.

O que é isso, Branca? É o que você está ouvindo, Atilio. Tem sentido você brigar

com a Isabel.

Brigar comigo.

Só porque eu estou do lado dela.

Brigar com todos nós. Por causa de uma mulher que você conheceu outro dia.

Onde é que você está querendo chegar?

Atilio, uma aventura é uma aventura. Todas nós sabemos disso.

Aliás, todas as mulheres entendem isso.

Desde Adão e Eva.

Mas que não passe de uma escapada.

Como essas que os homens costumam dar no escritório. Até mesmo com a garota que

serve café.

Aliás, falando em escapada, você lembra muito bem que você deu uma escapada num

hotel em Paris com a camareira e que a Alice ficou sabendo. Você lembra?

Isso foi uma brincadeira. Uma brincadeira. Até hoje me pergunto se

um filho na Europa, tá?

Quisera eu ter um filho.

Qualquer lugar do mundo que ele estivesse, eu estaria lá com ele.

Mas foi isso que ficou faltando no seu casamento com a Alice.

E é isso que está faltando na sua ligação com a Isabel.

Você precisa de uma família. Uma família completa, como você disse.

Uma família com esposa, com filhos, com cachorro.

Olha, se você se desinteressou pelo Isabel, tudo bem.

Você arruma uma outra, mais uma moça, né? Que possa te dar filhos. E não uma

senhora que está em condições de ter netos.

Branca, por favor. Eu entendi muito bem o que você está fazendo para perto do

cupido, mas agora eu acho que você foi longe demais.

A sua esposa morreu nos meus braços, Atílio.

Foi para mim que ela dirigiu o último olhar.

Foi segurando nas minhas mãos, com as poucas forças que lhe restavam, que ela

pediu que eu tomasse conta de você.

Uma vez, conversando, ela me disse que se não fosse ela, só eu poderia ser sua

esposa. E eu, eu lamentei muito de estar casada e não poder substituí -la quando

ela morreu.

Para com isso, Branca.

Você pode rir, viu? Pode rir que eu não me incomodo.

Não me incomoda que você leve ou não a sério uma história que está gravada aqui

dentro. E que pra mim é muito séria.

Eu tentei fazer o que eu podia. Se eu não consegui, pelo menos valeu a

Atílio, dá suas escapadas com a Helena.

Com a Helena e com qualquer uma outra, né? Porque a gente sabe que você é

impossível. Você não sossega.

Mas que não vá além disso?

Acabou.

Acabei.

Acabou uma delícia.

Tá certo, tá certo.

Eu entendo a sua grande amizade pela Alice, por mim. Eu entendo o seu

na minha felicidade, na felicidade da Isabel. Enfim, eu entendo tudo isso. Eu

não consigo entender essa sua agressividade com a Helena. Você tá

Atilio. E um homem na sua idade iludido é um perigo.

Todos os amigos ficam preocupados. Olha, Veneza te virou a cabeça e não foi a

primeira vez.

Bom, eu vim aqui cumprir um dever.

Abrir os seus olhos. Vamos parar por aqui. Eu agradeço o seu interesse, mas

dispenso a sua proteção. Nós somos amigos, nós somos donos um do outro.

Eu sei cuidar muito bem de mim e dos meus sentimentos.

Tá bom, meu amor.

Tá bom, desculpe.

Não vou mais incomodar você. Não vou mais invadir você. Você me perdoa.

Se eu me excedir, realmente perdão, viu?

Eu sempre tive tanta liberdade de falar as coisas pra você.

Me desculpa.

É como você dizia, querida.

Com os homens não há nada a fazer.

A não ser amá -los.

Você ficou zangada comigo.

Eu zangada?

Eu amo você, Atilio.

Nunca em toda a minha vida eu tive um amigo que eu amasse tanto.

E eu pretendo continuar sendo a sua melhor amiga.

Abre a porta para mim.

Me dá um beijo?

Não vai ser o primeiro, nem será o último, espero.

Seu tempo acabou.

Aquele não vai ficar tão preocupado, tão tenso, tão fio de pudores.

Afinal de contas, nós nunca passamos os beijos.

Pelo menos até hoje.

Você

não

percebeu ainda que a Laura faz isso de propósito?

Eu sei, mas me irrita.

Não, ainda mais agora que tá usando o Leonardo como desculpa. Vai usar o

Leonardo e qualquer outra pessoa pra entrar aqui e infernizar sua vida. E aí

você inferniza a minha.

Tá certo isso?

Não.

Hoje eu me arrependi assim que eu liguei pra você. O problema é meu, a culpa é

minha. É eu que tenho que resolver. Eu sei disso.

Flávia, tudo bem?

Liguei, liguei. Não, eu queria marcar com você e com a minha mãe lá no

apartamento.

É... Então, é... Não, eu... Eu tenho umas

sugestões que eu vi numa revista, eu queria falar com vocês sobre isso.

Tá bom.

Tá, amanhã eu vou passar na minha mãe às 10, então, tá?

Tá bom.

Um beijo.

Dou sim.

Pode deixar.

Um beijo. Tchau.

Te mando um beijo.

E ela quer saber o beijo da Flávia.

Vem comer um pouquinho com a gente.

Eu não estou com vontade.

E você não tem medo.

Vem.

Não falo mais.

Juro. Estou indo bem na escola.

Um dia só não vai fazer diferença.

Não é pela falta na escola, Sandrinha.

É pela mentira.

Não se mente nunca, filho.

Principalmente pra pai e mãe.

Não mento mais.

Juro.

Ai, que saudade. Ai, também. Que falta que você me faz.

Juro, eu queria ter vindo antes, mas o Arnaldo me pegou pra tomar um drink.

Eu já saltei as geladeiras, já tirei o cochilo, já desarrumei a mala.

Deixa eu ver você.

Tá com a cara muito boa.

Ah, filho, brigamos.

Pior, eu acho que dessa vez já era.

Eu já ouvi isso.

E essa mão, Isabel?

Esquece isso, mas esquece também o atiro, hein? Vem, me fala de você.

Você nunca ficou tanto tempo fora, Camila. É verdade.

E agora com a base em São Paulo, então já viu, né? Só vou vir aqui de mês em

mês.

Eu trouxe tanto presente pra você.

Ah, Itabel, eu peguei uma liquidação em Nova York.

Uma ponta de estoque lá que a Carolina me indicou. Você sabe que ela vive

enfiada nesses lugares, né? Não, espera, espera, Camila. Eu vou tomar um banho,

vou colocar uma roupa de casa e a gente põe os assuntos em dia, tá? Tá.

Como é que vai ser o namorado americano?

Ah, ele me pediu um tempo.

Um tempo?

E por quê?

É, não tem alternativa, né? Ele me pediu num bilhete, já a caminho do Alasca.

O que eu podia fazer?

Nós somos duas irmãs abandonadas.

Meu aniversário esse ano vai priorizar a área social.

Nada de presente caro.

Nem perfumes, nem roupas. Joias, então, nem pensar.

Cestas básicas. É, isso mesmo.

De acordo com a idade de cada convidado. 50 anos, 50 cestas. 20 anos, 20 cestas.

É claro que as mulheres todas não levarão mais de 40.

Vai sair hoje não, minha filha?

Não, vou ficar em casa.

Puxa, que milagre. Podia aproveitar e estudar um pouquinho, né? O fim do ano

aí.

Exatamente o que eu vou fazer.

Alô?

Oi, Léo.

Eu tava mesmo esperando você ligar.

É o Léo?

Não, eu vou estudar hoje.

É o Léo?

É o Léo, por quê?

Não, nada. Perguntei por perguntar.

Oi. Tudo bom?

Se eu tiver alguma dúvida, então eu te ligo.

Te dou um beijo. Há um minutinho, Virgínia. Filha, que milagre é esse?

Não,

é que eu tô fazendo uma revisão de valores.

E o Leo de nota 4 passou pra nota 8.

Dobrou de perfil dentro de mim.

Bom, eu vou dar uma curada.

Isso aqui hoje tá a verdadeira tenda dos milagres.

Desculpe, Virgínia. Eu estou tendo um surto aqui em casa.

Notícias de última hora.

Eu sei.

Eu sei, Meg. Claro que... Peraí, peraí, Meg.

Meg tá dizendo que a Laura fez uma revisão de valores.

Léo, que tinha nota 4, passou a ter 8 e ela tá até estudando. Opa, viva! Quem

sabe nós não temos um novo casamento vindo por aí? É, quem sabe.

E desse casamento nasce uma tartaruga.

Grossa como a Laura e feia como o Léo.

Oi! Oi, ó.

Eduardo ligou pra combinar não sei o que pra amanhã. Deixa eu ligar pra ela, tá?

Chegaram agora.

De hoje de manhã para agora à noite parece que eu vivi um século longe de

Não dá para esperar.

Pego você amanhã para almoçarmos juntos.

Depois temos a tarde inteira para nós dois.

Não diga que não pode, não deve.

E muito menos que não quer.

Ativo.

Malu, sou eu?

Oi, Mirela.

Tudo bem?

Oi, tudo bem?

Você não imagina como é que eu tô agora.

Tô assim na minha casa, em Angra, no jardim.

A noite tá linda, o céu tá estrelado.

A água do mar tá morninha, morninha.

Tá uma gostosura.

O meu caseiro.

Ele é meio bruxo e ele me disse que vai chover o fim de semana inteiro.

E eu queria saber se ele estiver certo e se você viria me buscar.

É.

Ah, não. Você sabe que ele está aqui com chuva e não está com nada, né?

Então, você faz o seguinte. Você me liga, confirma, porque eu tenho que ver

escala. Ah!

Não!

Lavei você de novo com essa maldita palavra.

Olha, se vier outro piloto me buscar, eu derrubo. Eu derrubo o helicóptero, eu

juro. Então tá. Então você liga e eu vou, tá bom?

O que foi? Você tá me despedindo assim ou você não tá podendo falar?

Não. Não, não é nada disso, não.

Já sei.

É a mamãe que tá aí, né?

Escutando tudo.

Não.

Mais ou menos, né?

Tá bom.

Tá bom.

Então, beijo.

Boa noite.

Boa noite.

Vila, eu não gosto que interrompa o jantar com o telefonema. Você sabe

Não penso nada.

Você não é paga pra pensar.

É alguma coisa importante, assim, urgente, minha filha? Não, eu queria

com ela uma ida ao apartamento. Ah, então tá bom. Olha só.

Fala lá pra nossa querida Helena que a Eduarda tá jantando e depois do jantar

vai lá e fala com a mãe dela. Não é isso?

Sim, senhora.

Escuta, minha filha, mas olha só.

A hora da refeição aqui em casa é sagrada.

Marcelo, tenho uma notícia para te dar.

Uma notícia que tanto pode ser boa como pode ser ruim.

Espero que seja boa.

Eu preciso que você vá a Buenos Aires amanhã.

Saiu dinheiro argentino lá, que é uma grana alta.

E eu pedi para que você fosse lá.

Porque você sabe que você é essencial.

É uma semaninha só.

Há uma semana?

Que dó, né?

Mas eu estou com ele.

Não, outra vez. Me enfiar num avião, arrumar mala.

Eu torci de coisa pra vir aqui do apartamento, providenciar as coisas.

Bom, eu não vou.

É fundamental, meu filho.

Você sabe.

É eu que estou mais a contar aqui.

Deixa que eu vou, pai.

O quê? Só se você for pra passear. Você não conhece o projeto?

Se me der por escrito, aprendo muito antes. Que isso, Leonardo.

Aprende no instante. O que é? O gênio da lâmpada.

Isso não é uma brincadeira, não, Leonardo.

Ele não... Tá brincando?

Ele nunca se interessou pelos nossos negócios. Isso não é verdade.

Vocês que nunca deixam... Não, agora chega, tá? Agora chegou.

Nós estamos precisando de você, Ana.

De você ao nosso jeito.

Não, não. Não vai, não.

Calma, Ana.

Isso é uma coisa séria. Eu sei que é sério. O meu casamento não é sério? Por

sempre ele? Tudo ele é Marcelo, Marcelo, Marcelo, Marcelo. Eu concordo

plenamente com a Eduarda. Por que sempre ele?

Porque ele sabe tudo a respeito. E além do mais, ele não... Ah, e o Atílio? O

Atílio não sabe tudo a respeito? Claro que sabe. Você é o criador do projeto?

só falei no Marcelo. Vai, Atílio.

Pronto, tá combinado, meu filho.

Amanhã vocês almoçam juntos, trocam informações, tá bom?

Depois o Atílio é avulso. O Atílio pode ficar lá uma semana, um mês até, se for

necessário. Nesse caso, até Isabel pode ir. O Marcelo... Vai, Atílio, Arnaldo.

Já falei.

Não dá pra entender?

Depois o atilho é menos necessário aqui do que Isabel. E lá na Argentina, como

aqui também, os homens de negócio estão muito mais respeitados do que as

mulheres. Vai o atilho e ponto final. Tudo bem. Ponto final. Vai o atilho.

Quer dizer que o atilho é o autor do projeto.

Eles não quiseram isso. Pensavam que era o Marcelo.

Não é do atilho.

Minha querida, conte sempre comigo pra ter seu maridinho do seu lado, tá?

que ver, mãe. A Branca foi durona mesmo.

Ela falou, Marcelo, não tem nada que ir pra Buenos Aires. Vai ao Atilio, que é

avulso. Pode ficar lá uma semana, um mês, o tempo que for preciso.

Ficou assim, totalmente do meu lado. Não, e depois ainda falou, conte sempre

comigo, minha querida, pra manter o seu marido perto de você.

Maravilhosa!

Olha, ela me ganhou com essa atitude.

É muito legal da parte dela.

O Artilho pode muito bem ir no lugar do Marcelo. Claro.

Ai, mãe, me deu vontade de levantar e dar um beijo na Branca.

Você já imaginou o Marcelo em Buenos Aires por uma, duas semanas e eu mofando

casa dele?

Você podia ir junto, uma segunda noite de mel. O Arnaldo falou pra eu ir, mas

não tô afim. Tô afim de cuidar do meu apartamento, de me mudar, ter minha

E depois eu sei muito bem como são essas viagens de negócio.

Fico eu entrando e saindo de shopping ou então trancada no hotel o dia inteiro e

ele lá, tendo reunião de manhã até a noite.

Senta um pouco, filha. Você tá tão agitada.

Tô feliz.

Só isso.

Mãe, eu nunca imaginei que a Branca fosse capaz dessa solidariedade, sabe?

ser assim comigo, tão amável, tão carinhosa.

Foi o que salvou a minha noite de ontem.

Continuo deprimida com essa história de não conseguir engravidar, mãe.

Outra vez essa história, Eduarda? Pra isso tem que relaxar.

Por azar, eu vivo atrasada. Nunca venho no dia certo.

Não. Aí ficou eu, né? Naquela expectativa. Um, dois dias.

Uma vez eu cheguei atrasada duas semanas em Nova York. Se lembra? Te mandei o

cartão. Aí vem.

Desgaste, mãe.

Por que você não faz o teste? Compra na farmácia.

Porque aí se você estiver atrasada um dia... Já dá.

Se você estiver grávida, dá. É coisa de dois minutos.

Eu sei, mas... Eu não tenho coragem, mãe.

Por que, filha?

Eu tenho medo.

Porque eu acho que eu prefiro manter essa esperança por um, dois, três dias

que matar essa esperança de vez, entendeu?

Mas, minha filha, você não percebe que é essa esperança que está matando você?

Você fica estressada, fica angustiada.

Faz o teste.

Porque aí ou você passa direto pra preparar um churrasco, ou você tira essa

história da cabeça de uma vez.

É, eu sei, mas é uma bobagem.

Eu vou comprar o teste na fazenda.

Compre logo uma dúzia, deixo lá em casa estocada.

A minha sorte é que eu nunca falo nada pro Marcelo.

Mãe...

Você acha que eu posso ter alguma coisa?

Sim, melhore no médico, vê se está tudo bem, tudo em ordem.

Bom, eu acho que você não tem nada, mas se você quiser ir ao médico, eu posso

marcar com o doutor Moretti, que te botou no mundo, que é nosso amigo,

É, eu vou ver.

Eduarda, nós já falamos tanto sobre isso.

O que acontece é que você está sentindo uma obrigação de engravidar.

Isso não é bom, não pode.

Deixa a natureza fazer a parte dela sossegada.

Ai, me sinto tão cobrada, mãe.

E o pior é que eu me cobro mais do que qualquer pessoa.

Pois é, você fica... Essa pressão é que de repente está impedindo você de

engravidar.

Oi, eu sou a Cate. Tudo bem? Tudo bem.

O mesmo, né?

Meu pai correndo, Marcinho fugindo e minha mãe dividida.

Não mudou nada, então. Não é com você.

Ah, depois eu dou uma passadinha lá.

Eduardo, eu vou até o meu quarto, vou escorraldente, vou arrumar a minha bolsa

depois a gente vai pro seu apartamento que a Flávia tá esperando a gente lá. Tá

bom, vai lá que eu te espero.

A Tia, uma semana em Buenos Aires só vai te fazer bem.

Bom, eu acho que eu não tenho muita escolha, né?

A Tia, entenda, isso aí é um favor que você tá fazendo pra nós.

Porque, afinal de contas, você é a única pessoa que pode resolver esse assunto.

Ou o Marcelo. Agora, você sabe como é.

A Branca acha que... Quer dizer, o Marcelo está lá, acabou de casar. A

está se batendo o pé que não quer que ele vá.

E aí a Branca achou que você é a única pessoa indicada para resolver esse

assunto.

Desde quando a Branca dirige a empresa e determina quem deve ou não deve viajar?

Você sabe que quando ela quer, ela manda mesmo.

A colete. Buenos Aires, rapaz. Já pensou?

Tango.

Vinho gostoso.

Ótimas comidas.

Mulheres lindíssimas.

Quisera eu estar no teu lugar, rapaz. Eu ia correndo.

Bom dia, tio.

Bom dia, Isabel.

Eu preparei aqui um dossiê completo de empreendimento em Buenos Aires.

O Marcelo vai completar a informação pra você agora na hora do almoço.

Nada muito complicado.

O projeto arquitetônico é seu.

Ninguém melhor do que você para discutir ponto por ponto.

Tudo bem. Eu me viro. Obrigado.

Eu vou dar uma saída e depois eu vou direto para o restaurante.

Atílio.

Eu pensei em uma coisa.

Não sei o que você vai achar.

Posso ir com você para a Buenos Aires?

O que?

Eu falo com o Arnaldo.

Eu tiro uma semana de folga. Nós vamos juntos.

Quem sabe?

Isso é mais uma sugestão ou é uma nova ordem da Branca?

Está entendendo?

Vou só vir.

Eu respeito você, Isabel. Embora você não acredite nisso.

É por isso que eu acho melhor não prolongar mais a agonia dessa nossa

Dá licença.

Você não está me dando uma chance.

Você está me eliminando de uma relação de mais de dois anos. Como se fosse um

namoro de carnaval que termina numa quarta -feira de cinza.

Nós já nos demos todas as chances, Isabel.

Nós já voltamos e acabamos uma dúzia de vezes. Cada vez que nós voltamos, nós

nos demos uma nova chance.

Se você tivesse concordado em morarmos juntos, isso não teria acontecido.

Se nós estivéssemos morando juntos, essa separação ia ser muito mais dolorosa.

Pelo menos assim ninguém tem que esvaziar gavetes, arrumar mala, nada.

É o que eu chamo de cirurgia sem sangue.

Não é você que gosta das coisas práticas, funcionais?

Então.

Acabou de sair aqui de novo com ele?

Ah, Judite.

Ah, escuta, é... É você que diz pra essa mulher que o Atilio acabou de

viajar pra Buenos Aires e que você não sabe quando é que ele vai voltar,

entendeu?

Exatamente assim, sem mudar uma única vírgula, tá?

Vamos, Eduarda?

Eu vou só tomar uma água e damos uma passadinha na fileia rápida. A Flávia já

deve estar nos esperando.

Isso não desaparece, hein, menina? Ah, não. Agora eu vou vir aqui sempre. Quero

só ver.

Olha, eu adoro presente de casamento. Você deve ter ganho uma montanha, né?

Flávinha, você não acredita. Não cabe nessa sala. Ah, eu quero sim, Eduarda.

Deixa eu me mudar.

Pega, a gente vai lá pro meu apartamento, passa a tarde lá. Você vai

encantada. Tá bom. O que eu faço pro almoço, Helena?

Faz nada. Nós vamos almoçar fora. Eu não sei nem a que horas eu volto. Aliás, eu

não sei nem se eu volto. Ah, é que eu vou ligar ou perguntar pra você.

Diz que eu fui por aí.

Helena?

Aqui, Helena.

Na cozinha.

Entra, querida. Entra.

Nossa, o que que tá acontecendo com a criança do céu?

Você não tem compromisso pra hoje a noite, tem? Eu tinha, acabou de furar.

que é uma bola grande, cheia de gás bonita, aí vem alguém, encosta um

pum, explode.

Essa sou eu hoje. Gente,

mas o que que é isso? Olha que delícia.

Quem foi que estraga o seu dia?

Ai, fé.

Já estou bem grandinha para não ficar me iludindo de programas românticos

sentimentais. Mas fala que eu não tenho compromisso para hoje à noite. Eu vou

fazer um bobó de camarão para comemorar a promoção do mercado.

Promoção do mercado? Ai,

meu Deus.

Só me contou agora aquele miserável. 40 % de aumento?

Mais vantagem no final do ano?

Eu vou fazer um jantar surpresa.

Ah, bobó de camarada, o prato predileto dele, viu? Olha, só nós aqui de casa,

mamãe tá chegando. Ah, mamãe tá chegando.

Dois casais lá, amigo dele do trabalho e a secretária dele.

Meu Deus, uma loura oxigenada. Eu não faço a menor questão de convidar, mas

chato também, né?

Se não convidar, vai ficar chato. E a última coisa, você vem?

Vem, claro que eu vou. Eu posso abusar?

Fala.

Traz um litro de uísque.

É um bom presente, vai me quebrar um galhão, que o meu aí tá pela metade.

Mãe, tem o aniversário da Cecília pra ir na semana que vem.

Mostra aí o vestido que a Juliana me deu.

Ah, não, Sandrinha, aquele vestido é muito chique, vestido de casamento. Não

fica bem pro aniversário de criança.

Mas depois o vestido não tá aqui, ele ficou lá na Selena.

Não dá pra passar lá e pegar?

Eu não posso sair daqui.

Bom dia, bom dia. Bom dia, Nando.

Você não pode passar lá na casa e precisar de Selena pra mim, Nando? Eu?

Vou precisar do meu vestido que ficou lá.

Pode também, eu só tenho que ver o talo, só.

Filha, eu tenho que fazer os pagamentos no Leblon, hoje é tarde.

Eu passo lá na Selena e trago o vestido pra você, tá?

Você é um amor mesmo, Paulo.

Você merece.

Bom dia.

Oi. A Helena, a dona Helena... Já saiu faz quase uma hora.

Ah, é? Ela não disse pra vir?

Posso falar o que ela mandou dizer, se alguém perguntasse por ela?

Claro. Ela falou... Diz que eu fui pra ir.

Olha, eu tenho que reconhecer que a Branca é sincera, verdadeira, franca.

que tem que falar, ela fala mesmo.

Ou nesse mundo hipócrita que a gente vive, isso é raro, né? Não, e com todo

mundo. Bom, eu sempre impliquei, né? Achava ela muito mandona, muito dona da

verdade. Mas eu tô vendo que não é bem assim.

E você sabe outra coisa que eu gosto? Ela é chique.

Não, ela é uma pessoa chique sem ser presunçosa.

Você sabe o que ela tava me contando ontem à noite? Que ela trabalhou como

empregada num ateliê de alta costura em São Paulo. Você sabia disso, mãe?

Ela me falou qualquer coisa, eu acho que sim. Não, eu não...

Soube disso. Ela servia cafezinho no ateliê.

Conheceu o Denner, o Clodovil, servindo café.

Não é bárbaro? Uma pessoa que começou de baixo, deu um duro danado e não se

envergonha disso assim tão legal.

É. Deu a volta por cima, né?

Só tem o pena do Léo.

Podam ele de todo jeito naquela casa. Ele já fala pouco. Quando fala, cai todo

mundo em cima.

É a melhor pessoa naquela casa.

Desculpa, filha, não tô incluindo aí seu marido. Não, eu sei. A Milena também é

muito bacana. Na dela, não dá bola pra ninguém.

Gente, vocês viram o que eu comi?

Meu Deus, eu não posso engordar uma grama. E pior é que eu já tô de olho na

sobremesa. Não, aqui tem uma mousse de maracujá, que é uma loucura. A última

que eu vim aqui com o Marcelo, eu repeti três vezes.

Uma vergonha.

Encomendadas pela dona Vilma. Agora deixa pra trazer por último, senão eu

chegar aqui em pressão de miséria. Pode deixar, doutora. Eu boto tudo atrás do

carro. E a torta é de quem?

Duas tortas de brigadeiro e coco, que seu pai mais gosta.

Agora, muito cuidado, senão ela desmorona no meio do caminho.

E as bebidas? Ah, já encomendei, já paguei. O Fernando me ficou de trazer

final do dia.

Ô, mãe!

Será que dava assim pro Marcinho vir à noite e comer o camarão? É, eu comprei

até uma gravata pro seu Nestor por causa da promoção.

Bem, por mim pode, mas sabe como é que é seu pai, minha filha? Eu vou falar com

ele quando chegar. Quem sabe hoje, né?

Excepcionalmente ele deixa. Não vou prometer, hein? Pega o dinheiro, leva

Não, deixa que ela leva, deixa que ela leva. Vai, leva. Olha, e você toma

cuidado. Traz tudo direitinho, olha. Cuidado com a torta, com as flores.

E o amor de Deus. E que horas a gente tem que buscar a bola no aeroporto? Ué,

ela vai ligar quando chegar.

Não vai deixar nenhuma!

Mamãe! Já cheguei!

Ai, o repórter chegou!

Estamos saindo pra buscar a senhora, mamãe!

Imagina! Sozinha! Não dá trabalho pra ninguém! Eu vim de táxi! De táxi! Ai,

que saudade que eu tava!

Vim abraçar tua avó, tá esperando o que, menina? Vai pro café, vai pro café!

Não, não, não!

Sabe o que eu quero agora? Eu quero tomar um banho com sal grosso, é?

Ah, minha filha. Sabe a Dirce de Jundiaí?

Que agora tá morando lá em Tatuí. A Dirce, aquela.

Ah, você sabe.

Minha filha, ela foi comigo até o aeroporto. Mas ela falou tanto, ela

tanto que eu tava bem, que eu tava bonita, que eu tava bem disposta. Me

felicidade, me desejou alegria, me desejou boa viagem. Eu morri de medo que

avião caísse.

Juro, juro. É, eu não morro. É, eu não morro. Aquela mulher, minha filha, mata

galinha só de olhar.

Onde eu sou? Oi, Wilson.

Oi.

Marcos!

É bonito, mas você acha que combina com o que nós falamos?

Claro que combina.

Decoração é uma arte, digamos assim, de muitas facetas, uma arte múltipla. A

gente não pode decorar uma casa rigorosamente, no mesmo estilo, numa

direção. Tem que diversificar, senão fica monótono.

Misturar os materiais, cristal, madeira, ferro, aço.

Assim como quadros, esculturas.

Entendeu? Tudo bem.

Eduarda. Oi.

Pelo amor de Deus, fique à vontade.

Entre nós, você sabe, não tem essa de aceitar só pra ser gentil.

Ah, não. Não, tudo bem mesmo. É que eu acho que a Flávia entende disso melhor

que eu.

Filha, aproveitando que você tá aqui, eu queria que você visse o quarto do bebê

que a Márcia fez.

Não, tá uma coisa linda. Pode ver, Márcia?

De quanto tempo você tá?

Já vai pra cinco meses.

E você tá se sentindo bem?

O quê?

Eu nunca me senti tão bem em toda a minha vida.

E o seu, pra quando é que vem?

Não sei.

Até agora, nada.

Vem quando Deus quiser.

Vamos falar de coisas boas e positivas?

Se você quiser, a massa é pra decorar as paredes do quarto do seu filho quando

chegar o momento.

Eu não sabia que tinha de nada agora.

Fala com o Marcelo, vê com ele. Se você quiser, traz ele aqui para ele dar uma

olhada na irmã.

Claro, a vontade.

Tá bom.

Obrigada. Eu vou falar com ele.

E você já sabe ser menino ou menina?

Não. Para que? Eu tenho o primeiro filho.

Não tenho preferência. Eu quero menino.

Meu primeiro... Tem que ser menino para ter o nome do pai, né? Ué, mas se o

primeiro não for, você continua tentando, tentando. É, é verdade.

É o que o Marcelo me fala.

E olha que menina se prende muito mais com o pai do que com a mãe.

É a atração dos sexos opostos, né?

Eu com o meu pai, é assim, um encarne.

Agora com a minha mãe, era só ela dizer que uma coisa era verde que eu dizia

logo que era azul.

Mas eu e você não, né mãe?

A gente sempre se deu super bem, né?

A dor foi um pouco mais profunda do que você quer deixar transparecer, né?

É, pode ser.

Escuta, eu estava pensando em ir para Buenos Aires daqui uns dois meses.

Quando estiver tudo ok, quando as horas estiverem começando.

Assim que o atiro chegar e...

Ele vai marcar o início das obras e estava pensando em te convidar para a

ir junto.

Quer dizer, além de assessora, você vai com uma

boa companhia.

Eu começo com os olhos na palma da minha mão.

Garanto a você que você vai se divertir.

E, principalmente, você vai voltar uma outra mulher.

O que você acha?

Até lá a gente vê.

Agora, você acha que com você se ausentando, eu também posso me ausentar?

E aí, como é que fica isso aqui?

Não tem problema nenhum.

O marcado, eu atiro e toco. Esse negócio é diante.

Agora, eu vou começar a tomar as providências. Olha lá, hein.

Por enquanto.

Fica só entre nós.

Tá?

Tá bem.

Alô? Ah, pode passar.

Branca.

Oi, Branca. Tudo bem? Já viajou.

É, o motorista já voltou e disse que ele pegou o voo no horário.

É, vamos ver se até lá ele volta com a cabeça no lugar, né?

Aí você também se decide, né? Você vê o que você quer da sua vida. Sai por cima

do muro.

Tá bom.

Um beijo pra você também. Tchau.

A princesa está em casa.

Claro que pode. Imagina se eu vou proibir a sua entrada na minha casa,

O Léo que me disse que eu só posso vir quando a princesa não estiver.

E vamos parar de caçoar a Eduarda.

O que eu pedi para o Léo é que evitasse que você se encontrasse aqui em casa.

Pelo amor de Deus, só um tempo, entendeu? Eu não quero aborrecer o

Eu tenho certeza que com o tempo a Eduarda vai se sentir mais segura.

Ao menos.

Eu vou fazer ela se sentir mais segura, você pode ter certeza.

Quem sabe vocês até se tornem grandes amigas.

Tô pagando pra ver.

Marquei com ele aqui, mas acho melhor ele sair lá da minha casa, que assim eu

corro menos risco de ser assassinada.

Ele tá me ensinando umas teorias econômicas. Ah, é?

E que tipo de teorias você pode ensinar pra ele?

Eu não sou de teorias brancas, eu sou de prática. Ah, eu sei, ótimo.

Então sobe, viu?

Olha, eu não tô proibindo você de vir aqui em casa. Só tô te pedindo um

tempinho, tá bom?

Eu não vou trombar com a princesa no corredor lá em cima?

Não tem perigo. Hoje ela tá lá pros lados da mãe dela.

Ah, se fosse cada dia que você tinha me matado. Ah, isso tinha de nada, velho.

Levanta daí, cê tá todo.

A gente tem que ir embora antes que a Chapeuzinho Vermelho volte do seu

na floresta.

Ah, eu tava sonhando.

Com quem?

Adivinha.

Comigo, claro.

Eu tô.

Por que é que você usa esse aparelho em mim?

Eu vou usar por pouco tempo. É pra corrigir um desalinhamento na minha cara

dentária.

Eu também usei um negócio assim, mas quando eu era criança.

Se eu tivesse usado quando era criança, não tava precisando usar agora.

Mas... Esqueceram de mim três.

Essa é boa.

É.

E não atrapalha?

Como é que é?

Tá vendo?

Não sei.

Então vamos?

Eu vou vestir o tênis.

Então, ficou mesmo satisfeita com o nosso projeto?

Muito, muito. Tem ideias maravilhosas.

Olha, eu não quero que você faça isso só pra me agradar. Eu fico muito feliz de

poder cuidar da decoração do seu apartamento, mas eu não quero que você

isso só porque eu sou sua mãe. Eu sei, mãe. Você já me falou isso mil vezes.

Você sabe que eu amo as coisas que vocês fazem. Sempre gostei e sempre te falei

isso. Tá bom, então eu fico mais tranquila.

Sobe um pouquinho.

Quero te mostrar com detalhes os planos que eu tenho pra transformar seu quarto

no quarto do meu neto.

Tá bom.

Nossa, a gente não se desgrudou hoje, hein, mãe?

E você não tá feliz com isso?

Muito, mãe.

Muito.

Vamos? Vamos.

Não, foi muito bom, né?

Demorei muito pra te encontrar Agora eu quero só você

Seu jeito todo especial de ser Fico louco

com você Te abraço e sinto coisas que eu não sei dizer

Só sinto com você

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