All language subtitles for Novela_Por_Amor_Capítulo_16_Completo

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Original subtitles

Que linda.

E tá bem?

Fala comigo, minha filha.

Ah, meu Deus, você tá me deixando nervosa. Você chegou quietinha, subiu,

beijou.

Aconteceu alguma coisa.

O que foi, hein?

Fala.

Você sabe que pode contar comigo. O que foi?

Calma, filha, calma.

O que que foi, hein?

Mas o que que te deixou tão nervosa assim?

Você saiu tão bem, passou o dia inteiro com a sua mãe.

Brigou com ela?

Ah, foi isso?

Porque se foi, óbvio, não é nenhuma novidade.

Quase todos os filhos brigam com as mães, filhas principalmente.

As filhas mais do que os filhos.

Porque logo se tornam concorrentes, adversárias.

Eu estava tão feliz. Hoje eu não tinha nada que teve na casa da minha mãe. Ah,

eu acertei. Não foi, meu anjo.

Brigou com a mamãe.

Mas qual é o problema, minha filha? Não precisa sofrer tanto assim, não.

Você é tão novinha.

Olha, com o tempo, essas diferenças, elas se ajeitam. Você vai ver.

Ela fica me forçando, insistindo, como se eu fosse uma criança. Eu não quero

saber daquele homem.

Mas que homem, meu amor?

Não fala se você não quiser, tá bom?

Se acalma primeiro.

Depois a gente conversa.

Senta.

Como eu já te disse, eu não tenho pressa, não. Só vou dar um pulinho aí do

pra dar um abraço pro meu vizinho que foi promovido.

Nunca houve segredos entre nós.

Nós sempre falamos às claras, uma com a outra.

Aí eu acho que não tem problema, é direto o assunto.

O que aconteceu?

Eu estive com a Branca hoje.

Daí ela me falou do beijo, da relação entre a Tilly e você, etc, etc, etc.

Espera, espera, espera.

Esse etc, etc, etc não existiu.

Eu reconheço o beijo, que aliás eu não queria, porque eu achava que o local não

era apropriado.

Agora a respeito da relação, há que se acrescentar aí uma palavra possível.

Da possível relação. Porque até agora não houve nada de concreto entre nós.

Tá bom.

Da possível relação.

Bem, daí?

Daí que ela é totalmente contra.

Ela é contra.

E chamou você lá como a diretora de uma escola. Chamou a mãe de um aluno rebelde

para fazer uma reclamação e pede para a boa senhora falar com o filho.

Aconselhou ela a se dedicar mais às aulas, às provas, aos estudos. E você

aqui para isso, Helena?

Não é assim, mas é parecido. Você não conhece a Branca.

Eu conheço, sim. Eu conheço o suficiente para não confiar nela.

Helena.

Sua filha agora faz parte daquela família.

Você não pode criar um problema.

Por causa do artilho.

Por causa do artilho.

E desde quando eu gostar de alguém? Eu quem faz minha feira, talvez, queria ter

uma relação.

Um caso com esse alguém.

Pode criar algum problema pra Branca.

Eu não tô dando em cima do marido dela.

Ela protege o Atilio, protege a Isabel, protege a primeira mulher. Helena, ela

não quer você entre essas relações, entendeu?

Ela não quer é que ele se aproxime, que ele goste de alguém que não seja alguém

que ela escolheu pra ele gostar.

Quem te disse isso?

Eu sei.

Ela não protege ninguém conforme você diz, não. Ela gosta dele e não tem

de assumir, de virar a mesa.

E ao mesmo tempo não admite que ele se apaixone por ninguém.

Tá bom, tudo bem. Pode até ser como você tá falando. Aliás, o Rafael acha a

mesma coisa, mas... A Eduarda tá naquela casa sendo tratada como filha, Helena.

Ela tá usando a Eduarda e a boba da minha filha não percebe isso.

Sabia que ela impediu que o Marcelo viajasse a Buenos Aires por uma semana?

E fez com que o Atílio fosse no seu lugar?

A Eduarda pensa que ela fez isso pra não tirar o Marcelo de perto dela.

Mentira! Ela fez isso pra tirar o Atílio de perto de mim.

Não estou sabendo disso, não.

Você não está sabendo de nada, Virginia.

Foi ela que pediu para você ver aquilo nesse papel de orientadora pedagógica.

Não, Helena, não foi, não.

Quer dizer, ela até sugeriu que eu falasse com você, que eu tentasse te

convidar. Virginia,

vi, vi.

O que está acontecendo que você não pode me dizer?

Nós sempre falamos tudo muito às claras.

Vai.

O Rafael... O Rafael está entrando num negócio com o Arnaldo.

Um negócio grande.

Que praticamente está absorvendo todo o nosso patrimônio.

E aí é?

E?

E daí que a...

A Branca fez uma espécie de ameaça, aliás, uma ameaça muito clara contra

sociedade, caso você continue insistindo nessa tua possível relação com o

Moadir.

Não posso acreditar.

Isso é inacreditável.

Isso é um absurdo. Isso é um golpe baixo.

Isso é chantagem.

Eu não te falei.

Você não conhece a Branca.

Sabe o que eu sonhei essa noite, sabe?

Sonhei que você estava grávida.

É.

Eu sonhei que você estava... Eu não te falei antes, porque a gente não se

encontrou, né? Você saiu cedo.

Porque eu não quero que você pense que eu estou te pressionando.

Mas eu sonhei que você estava grávida, que você fazia uma ultrassonografia.

E adivinha o resultado, menino ou menina?

Menino. Claro, menino.

Eu não sou regular mesmo. Às vezes eu tenho atraso de um, dois dias em Nova

York. Tive um atraso de duas semanas. E eu achei mesmo que eu tivesse grávida,

mas era só um atraso mais longo.

Meu amor.

Mas toda gravidez começa assim, Eduarda.

Ai, eu sinto você, minha filha, tão...

Tão despreparada para as coisas naturais da vida. Uma menina ainda.

Vamos.

Sabafa. O que foi?

Sabe aquele homem?

Aquele homem que foi lá na igreja, que infelizmente é meu pai.

Ele estava lá, na casa da minha mãe.

Eu não entendo o porquê dela insistir nessa relação. Eu não entendo. Entendo,

ela sabe que eu não quero, nunca quis uma aproximação com ele.

Depois daquele dia do casamento, daquilo tudo que aconteceu, eu não posso nem

lembrar da cara dele.

Trouxe meu vestido?

Trouxe.

Estou ali naquele pacote.

O que você tem que fazer?

Nada não, que eu...

Eu vim com o Nando pela ponte de moto e acho melhor esfriar um pouco. Só isso.

Eu vou cuidar de você.

Vai ficar aqui. Eu trago o seu jantar.

Depois eu vou dormir.

Papai não está doente, não. Só quero descansar um pouquinho.

Quando a mamãe subir para o jantar, eu vou lá e janto com vocês.

Então descansa.

Não está quente, não.

Fica quieto. A gente está aqui para o cavalo.

Sireneia, Siredinha, não tem ninguém em casa, não?

Gente,

gente, gente, gente, vamos ir e porra para o nosso novo chefe.

Ir e porra!

Estou querendo me matar do coração.

Isso pode ter sido ideia de quem? Da vô luta, claro.

Não, não, não foi dela não. Olha lá.

Foi ali, da sua esposa.

A gorda do coração. O senhor desorda. Para com isso mesmo.

Ah,

não.

Ah, não. A minha sogrinha querida.

Ah, não. Para com isso mesmo.

Eu tenho que confessar, gente.

Olha, eu estou emocionado.

Tinha que ser surpresa. Ah, mas eu já sabia de tudo desde cedo. Verônica me

contou. Você não me largou um minuto lá no escritório. Me perguntava o tempo

todo. É, meu irmão. Quando agarra, é difícil.

Olha aqui, gente.

Essa aqui é minha sogra do coração.

Eu devo a ela o meu casamento.

Mesmo assim, você gosta dela.

Olha, ele era um menino quando casou com a minha filha. Eu cuidei dele

como se fosse meu filho.

Não vai falar idade agora, né, mãe?

Eu vou servir o bobo.

Vem aí. Vem, mamãe. Ela teve um problema com a filha, se aproveitou, mas ela

vem, viu, mãe?

Ai, tô tão dividida, Helena, com essa história.

De um lado você, do outro, Rafael.

Sem nem o que pensar.

Olha, Helena, eu não quero prejudicar vocês, mas eu acho um absurdo dar força

pra esse comportamento da Branca.

Ela quer dominar vocês, ela quer dominar a mim, ela domina a Isabel, sabe -se lá

mais quem.

Já começou a dominar a Eduarda.

Talvez eu não possa fazer nada por vocês, talvez eu não possa fazer nada

pela minha própria filha, mas por mim eu posso.

Eu não sei se essa história com o Atílio vai dar certo, mas se der, a Branca não

tem o direito de tentar impedir.

Eu fiz o que eu achei que tinha de fazer, Helena.

Eu gosto tanto de vocês.

A gente sempre foi tão amiga.

Nos dávamos tão bem na escola que um dia uma das meninas, quem era? A Vera? A

Neide?

Eu não lembro. Uma delas perguntou se nós éramos irmãs de verdade, lembra?

Foi a Vera.

Verinha da quarta série.

Você sabe que eu encontro com ela até hoje, né?

E até hoje ela me pergunta a mesma coisa. Você fica assim numa amiga?

Você não brigava ou não?

Sinto que ela e a irmã viviam feito cão e gato, mas não conseguiam entender a

gente.

Tem uma saudade da infância da gente.

Foi um tempo muito bom.

É, Helena, sem pressão, né?

Sem esses interesses, nem sempre muito às claras.

Eu me preocupo com a Juliana, me preocupo com o Rodrigo, eu me preocupo

tanta coisa.

Eu também acho a Branca dominadora.

Do tipo que quer mandar nos amigos. Também não gosto disso, não.

Mas é que a gente se frequenta há muito tempo, sabe, Helena?

E agora com essa história do Rafael, com a sociedade, com a Arnaldo, sabe como é

que é?

O Rafael é um homem realizado na profissão dele. Eu não entendo o que

dizer. É que ele tá cansado.

Ele acha que não tem pra quem deixar tudo aquilo que ele construiu.

Você sabe que a Juliana e o Rodrigo não se interessam pela profissão do pai.

Ele agora quer adversificar, quer investir nessa coisa com o Arnaldo.

é uma coisa promissora.

E se tudo der certo, ele passa pra clínica de antes.

Mas ele não tem nenhuma experiência nesse tipo de negócio. Ele sempre foi

dentista a vida inteira.

Claro que pra você eu posso falar.

A clínica não tá bem, Helena.

É, não tá bem. Não tá bem como já esteve, como pode parecer.

A situação não é crítica, mas pode chegar a ser. Sabe como é que é?

Enfim, o Rafa tem trabalhado muito, tá cansado.

Quer investir numa coisa que ele possa viajar, aproveitar os filhos.

Ai, tô tão dividida.

Tô dividida entre você e ele.

Fica com ele, vem as crianças.

Fica do lado do seu marido e do seu filho.

Pronto, filha, tá vendo?

Agora que você desabafou, vai se sentir muito melhor, né?

Ai, Eduardo, eu não quero amar sua mãe.

Claro que ela não fez isso pra te magoar.

Quem sabe ela não tá querendo reunir a família, aproximar você do seu pai.

Mas eu odeio isso, eu não quero.

O que eu posso sentir por um homem que me abandonou, foi embora quando eu era

pequena?

Será que a sua mãe não tá querendo...

Para ensaiar uma volta, eu quero dizer, será que ela não está querendo voltar a

viver com seu pai e está precisando da sua aprovação?

Não, mas de jeito nenhum. Ele tem a família dele, ela tem a vida dela.

Não, com certeza não.

Bom, olha, eu não quero te dar razão para você não ficar com raiva da sua

mas eu admito que ela viu mal e que no seu lugar eu também estaria me sentindo

péssima. Mas aqui em casa, você estará a salvo desses encontros.

Duvido que ele tenha ousadia de entrar.

Olha pra mim, minha filha.

Você sabe, eu nunca tive essa relação de mútua confiança com a minha filha

Milena.

Ela sempre foi muito rebelde, meio arredia.

Sempre pendeu mais pro lado do pai do que pro meu lado.

Exatamente o oposto de você com seus pais.

Confie em mim, tá?

Olha, eu já falei com a Laura.

Eu já mandei ela não se meter com você, não aparecer aqui em casa quando você

estiver. E te digo mais.

Eu posso até proibir a entrada dela nessa casa quando você estiver ausente.

Só você querer, tá?

Ficou magoadíssima com a mãe, é claro.

Encontrar aquele homem depois do que ele fez na igreja, no casamento, é coisa de

botar qualquer um doente.

A Helena não podia ter feito isso. Ela sabe que o Eduardo não gosta dele, não

quer saber dele. E a Helena tem cabeça pra alguma coisa, meu filho?

Tá se atirando agora pra cima do atilho.

O atilho tá entrando na onda.

Ele tá tendo que faturar mais uma.

Ele não pode ver a mulher que já dá em cima.

Se for só isso, tudo bem.

Só que eu não acho nada honroso pra sua esposa ter uma mãe assim, né? Leviana,

volúvel, que troca de homem como eu troco de roupa.

Vai até lá, meu filho. Faz um carinho nela, coitadinha.

Ela chorou no meu colo, você tinha que ver.

Minha mãe me contou o que aconteceu.

Eduardo, você não pode mais se preocupar com isso, sabia?

Isso é parte do passado, acabou, morreu.

Se cada vez que você encontrar com esse homem, você tiver uma crise dessa, como

é que vai ser?

Eu não consegui me controlar.

Eu não sei, me deu uma coisa, eu não sei nem explicar o que é.

Vamos fazer uma coisa?

Fazer um programa nós dois.

Saímos, jantamos.

A gente pode ir a um teatro se você quiser.

Fique certinho.

Aceita a minha proposta.

Você acha que dá para recusar uma proposta dessa, feita por você?

Obrigado.

Está sonhando.

Você não vem jantar?

Você não vem jantar?

Jantar eu vou sim.

Eu vou jantar sim.

Vai indo que eu já vou.

Helena, Helena.

Ô, minha querida, você não vai na minha festa?

Meu Deus do céu, que negócio é esse de invadir meu quarto? Quase que você me

pega sem roupa.

Desculpe, minha querida, eu fecho os olhos. Não, senhor, sai daqui.

Eu não gosto desse tipo de brincadeira, não. Por favor, sai.

Mas você não vai no meu bombom, amigo?

Eu vou, eu vou, mas daqui a pouco.

Agora sai daqui, por favor. Como é que você entra no meu quarto sem me avisar?

Nem a sua mulher faz isso comigo.

Posso falar?

Posso falar? Ô, meu Deus, não.

Não. Nós temos intimidade pra isso. A intimidade que a gente tem não permite

você vá entrando assim no meu quarto. Que isso?

Vai, Nestor. Vai embora. Vai que você tá retrasando. Eu quero me arrumar.

Tudo bem.

Eu tô te esperando lá.

Como é que ele entra assim no meu quarto?

A porta da rua tá aberta, é? Eu deixei aberta. Fui lá levar o gelo que ela

pediu.

Continuamos sócios da festa e saiu tudo daqui.

Quase que ele me pega sem roupa. Que merda.

E já tá, ó.

Eu quero só ver como é que vai ser esse jantar, viu? Já começa com o dono da

casa de bilhete.

Isso é ótimo. Não jantam conosco?

A gente vai sair.

Ah, ótimo. Eu achei uma ótima ideia. E você, gostou? Tá com a carinha bem

agora e mais animada.

Nada como ter um marido bonito e apaixonado. Levanta qualquer mulher.

Olha essa extensão aí, querida. O doutor Atílio.

Pai, atende aí.

Alô. Oi, Atílio. Tudo bem?

Como é que tá o tango aí?

Capê da vida.

Deixa ele desabafar.

Eu sei.

Claro. Quando eu falei com o Rubens, ele me falou sobre essa cláusula.

Eu só acho que o contrato não pode ser assim tão severo, tão intransigente.

Fala pra ele não ceder.

O pessoal é fogo, não brinca em serviço. Ô, Atilio.

Atilio, pera aí um instantinho só. Só um minutinho, pera aí.

Ele tá dizendo que a papelada toda talvez fique pronta dentro de alguns

Agora, ele já negociou tudo que tinha pra negociar.

Nessas poucas horas?

Ele tá querendo voltar amanhã, né?

Amanhã, mas ele quer trazer um contrato.

Sim, ele traz a minuta, a gente assina aqui e devolve pelo correio.

Não, senhor.

Não.

Alô, o Atilio... Não, Atilio, não é a Branca. Quem tá falando comigo aqui é o

Marcelo. Pode falar que sou eu.

Qual é o problema?

Eu também não sou tão dona da empresa quanto vocês dois, então.

Ele é empregado e tem que ouvir e aceitar as nossas ordens. Pelo amor de

Branca, não vamos brigar por telefone agora, né? Ele que fique lá e só volte

tudo acertado.

Mas então a gente gasta dinheiro em passagem aérea, hotel.

despesas, pra depois a gente usar o correio.

O que o Atilio tá pensando, hein? Que ele foi pra Buenos Aires fazer o quê?

comer churrasco?

Ô, ô, ô, ô, Atilio, escuta, a gente tá achando que você deve ficar um pouco

aí... Um pouco mais não, o tempo que for de atletário.

Eu falo com ele, faz assim. Olha, o Marcelo vai falar com você, tá?

Ô, alô, alô, alô!

Desligou na minha cara. Eu não acredito.

Era só o que faltava.

Ele vai ligar de novo.

Aí eu falo com ele, se ele tiver que voltar... Não vai voltar.

Não vai voltar. Vai voltar quando a gente quiser.

Eu não tô entendendo vocês duas, gente. O que que há?

Então um funcionário diz o que fazer e o que não fazer e vocês aceitam?

Eu começo a temer pelo destino da empresa.

Ah, ô Branca, vai dar tudo certo, Branca. Ele já teve tantos ataques

temperamentais. Ele teve.

Teve, Arnaldo, mas não vai ter mais.

Minha querida, prontinha pra sair. E a gente, nesse assunto chato, é que a

deve ser lá pelo que é nosso, entendeu?

E a empresa, como é do seu marido, também é sua.

Perfeito. Olha, se ele telefonar outra vez, quem vai falar com ele sou eu, tá?

Ô, Branca, pelo amor de Deus, não se mete nisso. Homem detesta receber ordem

mulher. Ô, Arnaldo, eu não sou simplesmente uma mulher.

Eu sou a patroa dele. E se algum funcionário da empresa não estiver

por mim, ó, rua.

Não é assim que se faz, não.

Despediu o Atilio.

Por que não?

Nesse país já se despediu até um presidente da república. Por que não

um executivo, né?

Odilar, põe o jantar na mesa, por favor.

Porque o Atilio não é um funcionário que se possa demitir por puro capricho. Ele

tem um contrato, esse contrato deve ser respeitado, só isso.

Não menospreze os meus caprichos, meu filho.

Eles são muitas vezes o melhor de uma mulher.

Estou preocupada é com você, com esses bracinhos de porra. Vai sentir frio?

eu só quero... Vamos embora, vamos.

A gente resolve isso no escritório, tá? Vamos embora.

Ô, Branca.

Você não acha que você está indo longe demais com esse negócio, não, né?

Detesto quando eu vou perto demais.

Finalmente voltamos aos velhos tempos, né?

Vamos ter uma grande noite, tá? Foi, Arnaldo.

Não vamos amolecer com o Atílio, hein? Nem com ele, nem com ninguém.

Pelo amor de Deus. Nós estamos falando de negócios, Atílio. Chega disso.

falando da nossa grande noite. Eu sabia que não dava certo misturar amizade com

negócio. Eu sabia. Não pode dar certo nunca.

Amigos, amigos, empregados, empregados. É azeite e vinagre. Não se misturam.

Diz, diz.

Escuta, nem o Léo vai jantar conosco? Nem ele. Está lá com a Laura.

Come, come, come. Só um pouquinho.

Come. Foi, né?

Mas se ela continuar sem ciatite, eu vou ter que levá -la ao pediatra.

Veterinário, mãe.

Veterinário e pediatra, porque ela ainda é nova, filha.

Você fala veterinário como se fosse um cavalo.

Como é que estão os preparativos pra festa, Meg?

Ainda tô pensando no local, sabe? Eu tô em dúvida.

Ah, pode ser no clube.

numa boate, num salão de hotel.

Atualmente usa -se muito essa coisa de dar festas, reuniões num salão de um

hotel.

O que foi, amor? Falei bobagem? Não, meu amor, você tá certo.

As festas e festinhas normais que todo mundo faz, essas sim podem ser em

clubes e hotéis. Mas não é que eu vou dar.

Eu preciso de mais espaço.

Eu tô pensando na quadra da mangueira.

A sua festa de aniversário vai ser numa quadra de escola de samba. Tá achando

grande demais?

Não conhece os meus planos. Eu vou botar mais de 500 pessoas lá dentro, de todos

os segmentos sociais. E com o show da escola, o que vocês estão pensando?

Quer festa de debutante? Não.

Eu quero texturar smoking com camiseta, sapato de verniz, com chinelo de dedo. É

miscigenação social.

Miscigenação racial.

Social, porque eu estou inventando a expressão que você não entende.

Bravo, Meg. Muito bem. Mistura de geração social.

Isso. A mistura de ricos e pobres na mesma festa.

Um brinde à criatividade, Meg.

Que amor.

Obrigado.

Eu já vou mandar servir o bocote.

Pessoal que beba demais.

Dá uma olhada na secretária do meu marido.

Bonita.

Bonita o quê?

Todo dia está desfilando, não trabalhando na secretária do meu marido.

Dá uma olhada assim de boca aberta.

Sabe? É girada.

Tempo inteiro só que ele esteve numa bandeja. Tem que falar com o seu pai.

Fique à vontade que eu vou falar com o pai dela.

Olha, como você não quer isso, você não quer um pouquinho de mim? Não, você vai

me ocupar comigo. Vai cuidar do seu convidado, tá?

Fique à vontade.

Vem aqui, vem aqui.

Vem aqui, quero falar com você.

Fala, meu amor, fala, fala. Olha, bem, hoje é um dia especial. Estamos muito

felizes com a sua promoção. Dá uma relaxada, vai. Deixa o Marcinho subir.

Não. Deixa, bem, ele é apenas amigo da sua filha, vai. É um rapaz bom de

família, educado, não é um perrapado. Deixa.

Suja aqui, faz isso por mim, vai.

Faz isso por mim.

Nossa filha já tá ficando mais velha. Se ela ficar assim assustada com medo de

você, daí quem é capaz de fazer besteira, esconder da gente o que pente

anda fazendo? Vai.

Tá bom.

Chama a Catarina, vai. Tá bem, pai.

Cátia, Cátia.

Vem aqui, vem.

Pode mandar o rapaz subir. Mas

peraí, peraí. Escuta aqui.

Você não pense com a molestia, não.

Eu estou atendendo a sua mãe. Só isso.

Obrigada, pai.

Eu?

E as minhas duas secretárias do trabalho, é do lado.

Hum, hum, com essas duas eu não consegui.

Não precisa enganar o Pelé, porque ele é brincalhão assim mesmo, mas ele é super

respeitoso lá na repartição. Eu sei.

Ele fala com muito chorinho da senhora. Não me chama de senhora, tá aqui. Tá

aqui.

Tá saindo?

que não acredita.

É uma história bonita, uma história romântica.

Quando a Cilega é um concurso, eu tinha 10 anos.

Quando a

Cilega

é um concurso, eu vi aquela pastora linda, tinha 18 anos.

Aí eu falei pra minha mãe assim, me apaixonei. Falei pra minha mãe, mãe!

Quando eu crescer, eu vou casar com essa mulher.

Todo mundo riu. Era um pirralho desse tamanho.

Quando eu fiquei com isso na cabeça, com essa história aí, quando eu fiz 20

anos, fui lá falar com ela. Contei essa história, essa paixão, infância mesmo.

Ela ficou comovida. Se apaixonou, é claro.

Aí, bimba, casamos no mesmo ano. Pois então, dá ou não dá uma novela?

Sempre que ele bebe, ele conta essa história.

Você não devia se importar. Depois tá todo mundo de pileque.

Foi assim mesmo que aconteceu.

Mas pra que contar?

Eu fico humilhada.

Ah, mas que bobagem, vai.

E você fica vivendo, você chama mais atenção. Vamos lá, vai.

Convidado foi.

Deus, você que promoveu a festa, tem que ficar lá. Põe o chapéuzinho, põe.

Põe. O que que é?

Agora você é mulher do chefe.

Homem que não sabe beber é fogo, né?

Mulher que não sabe beber também é fogo.

Será que ele ligou e nós não estávamos aqui?

Pode ser, né?

Bom, a ordem agora é dormir.

Amanhã enfio a cara no trabalho pra ver se eu esqueço o dia de hoje.

Vai pra cama você também, vai, tadinha. Boa noite.

Não dormindo?

Não.

Sabe o que eu acho disso tudo?

Tem tanto homem solto, livre por esse Rio de Janeiro.

Por que a tua irmã tinha que escolher bem o Atílio?

Ela não escolheu. E ela não foi escolhida.

Já te falei que não aconteceu nada entre eles.

E depois, Rafael...

Ninguém ama alguém só porque esse alguém está solto na cidade do Rio de Janeiro.

Boa noite.

Acorda, Nestor. Vem.

Vem, apoia em mim. Vai, levanta. Já foi embora. A festa já acabou.

Parabéns pra você.

Vai, apoia em mim. Tô cansada.

Pelo amor de Deus, eu tô muito cansada. Já tomei o assento preparado.

É,

tava gostosa.

Eu sei, vem. Cuidado aí, vai.

Já bebeu demais.

Alô, quem fala?

Oi, Sandrinha.

Sou eu, Milena.

Tô bem, e você?

Ah, que ótimo.

Me diz uma coisa, seu irmão tá aí ou ele já saiu?

Eu vou chamar.

Nando!

Milena no telefone!

Olha que intimidade, Sandrinha, com uma moça que você mal conhece.

Diz que seu irmão tá tomando banho.

Não, não tô não, já acabei.

Vou ficar atento, a Sandrinha é legal.

Alô?

Oi.

Não sabia que era você.

É, tá acostumado com carinho, né?

Então, eu tô ligando pra você vir me buscar.

Agora? É, melhor, viu? Antes que o tempo mude de vez e você não consiga mais

descer.

Ah, e já tá chovendo, já?

Não, ainda não, mas o bruxo daqui disse que antes do fim do dia o céu vai

desabar sobre Angra.

Sei. Não, tudo bem, tudo bem.

Então, corre.

Tchau.

Vem tomar café, Ananda. Ah, não vai dar, mãe. Eu tenho que ir pra Angra, porque

o tempo fecha.

Ô, Ananda, você já sabe que o tempo vai fechar? Por que vai, então? Que coisa, é

meu trabalho.

Seu trabalho não é correr risco de propósito. Mas eu não tô correndo risco

nenhum. Calma.

Olha, Ananda, desculpa, eu não quero implicar.

Mas será que essa moça tem que ligar sempre na hora do café e na hora do

É, vai ver que é a hora que eu tô em casa, né?

Tem lógica.

A conversa ainda não chegou aí?

Desculpe, dona Lídia.

Dá licença.

Preocupada? Com essa idade?

Se a mamãe briga com o Nando por causa dos namorados, como é que vai ser

Sandrinha, mãe se preocupa mais com as namoradas dos filhos homens.

Com os namorados das filhas é o pai que cuida. Arranje -se com ele.

Vai deixar o namorado, pai?

Bom, primeiro eu quero conhecer bem o rapaz. Saber quais as intenções dele.

E se tudo estiver certo, eu deixo.

Vem, amor.

Pai, olha que mimosa essa sandalinha. Vamos comprar para você? Não, não

Vamos sim, precisa.

Gostou da sandalinha? Ai, não, é linda, mas isso é um exagero. Branca, eu não

estou precisando de nada. Eu sou exagerada, sempre fui.

Nós mulheres estamos sempre precisando de alguma coisa.

Principalmente quando temos tudo.

Ai, eu estou ficando com fome. Ai, eu também.

Vamos de japonês? O que você acha?

Adoro.

Romeu, por favor, meu filho, bota essas coisas no carro e come alguma coisinha

por aí, porque nós duas vamos almoçar.

Ah, eu adoro os meus empregados.

Adoro. Do mais simples ao mais graduado. Agora, olha, de vez em quando tem que

dar duro neles.

Você estava tão brava com o filho ontem. Coitado, tão bonzinho.

Bonzinho, mas abusado.

Ah, vamos pedir nosso almoço?

Vamos.

Depois do que a Márcia me contou do Wilson, é com grande dificuldade que eu

engulo a comida desse restaurante, sabia?

Eu também.

Mas não temos outra opção?

Então, já escolheram?

Pra mim, o prato do dia.

E dê pra mim.

Bom dia.

Oi.

Tudo bem?

Eu pensei que posso te encontrar de mal na mão.

Pronta pra voltar?

Não. O tempo não tá bom pra sair de barco, mas em compensação pra dar um

mergulho tá ótimo.

Eu deixei um calção de manha pra você pronto ali dentro.

Eu achei que a Eduarda não aprovou muito o trabalho da Márcia para o apartamento

dela. Eu também notei isso.

E acho que a Márcia também percebeu que a Eduarda não consegue esconder os

sentimentos. É, ainda não aprendeu a ser hipócrita, né?

Exatamente. Mas agora convivendo com a Branca, ela vai aprender rapidinho.

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