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Eduardo,
minha filha, que bom encontrar você.
Mas o que é isso, mãe?
Que cilada é essa que você armou pra mim? Eu não estou sabendo de nada. Eu
ir embora daqui. Era pra isso que você queria que eu subisse? Não, Eduarda. Eu
juro. Me deixa eu sair, mãe. Por favor.
Eduarda, calma.
Não chega perto.
Não chega perto.
Não precisa ficar no negócio da mãe. Eu vou embora.
Então não chega o que você aprontou na igreja, não? Não ficou satisfeito a
vergonha que você me fez passar na frente de todo mundo?
Não me perdoe. Certo que dá pra perdoar uma coisa daquelas. O dia mais
importante da minha vida. Aquela gente toda lá e você bêbado. Fazendo aquele
papelão, me expondo na frente de todo mundo.
Nem que eu viva 150 anos eu vou esquecer.
Mas pra que lembrar disso agora, filha? Já falou. Só pra você.
Passou pra ele, pra mim não, que até hoje eu sonho com aquela cena ridícula,
humilhante. Mas tem coragem de promover esse tipo de encontro? Eu não promovi
nada, minha filha. O que vocês combinaram dessa vez, hein? Quem sabe
querendo uma aproximação, convidar todo mundo pra jantar numa pizzaria?
Eduarda, não tô entendendo esse nervoso todo.
Ué, vamos, eu convido a Branco, Arnaldo, Marcelo, a gente faz uma comemoração
pela volta do pai pródigo.
Eu não quero criar problema pra você. Já criou!
Você tá aqui já é um...
Desculpa, né?
Sandrinha me pediu pra passar aqui pra pegar o vestidinho dela pra uma festa.
A tadinha me deixou entrar pra esperar aqui dentro. Me deu até café.
Para de falar!
Eu não sei o que pensar, eu não sei o que fazer, eu não sei mais nada.
Ela tá nervosa por outras razões. Ela tá vivendo...
Sob pressão naquela casa, ela tá com um monte de problema.
Helena, eu fui comprar pão e mais um pouco de café, porque o que tem aí não
dar pra amanhã.
Algum problema?
Leva o Néstor lá pra dentro pra falar com ele.
Ela é sua irmã, Virgínia.
Ah, você tem liberdade pra falar, pra aconselhar.
Não, Branca. A Helena só faz o que ela quer. Quando ela acha que uma coisa está
certa, ela vai e faz. Isso desde menina. É, mas é que tem que ter um freio. Ué,
não são só os jovens que precisam de conselhos, não.
Aquela noite, na festa aqui em casa, ela estava beijando o atilho aqui, no meu
escritório. Eu sabia. Eu percebi que tinha alguma coisa. Sabe o que eu
no caminho? O Rafael também.
O Rafael desconfiou, insistiu, mas ela não quis abrir, não.
E a Isabel flagrou.
Aí foi um custo pra pagar o incêndio. Um custo pra evitar uma catástrofe.
O Rafael vai ficar pulpo quando souber.
Você acha que eu posso falar pra Helena que você me contou?
Por que não? Você é irmã dela?
Agora, ninguém sabe. Nem Arnaldo.
Marcelo e Eduarda nem pensar, né?
Ah, claro.
Essa minha irmã.
Isabel e Atilio se separaram?
É que aquele romance já tá agonizando há muito tempo, sabe? Porque a Isabel, ela
não tenta segurar nada que não seja trabalho, posição, a realização
acima de qualquer coisa.
Eu te juro, eu não entendo um tipo de mulher assim.
Qual o problema, Branca? Deixa rolar, então, meu Deus do céu. A Helena é
o Atil não tem ninguém, ué.
Mas como que deixa rolar, Virgínia?
Então você aceita com naturalidade um caso entre a Helena e o Atil, ué?
Sinceramente, não vejo nada de extraordinário, nada de grave.
O Atilio é nosso empregado. Empregado é nossa empresa.
Mas não é amigo em primeiro lugar? Não, não. É empregado em primeiro lugar.
Amigo em segundo lugar.
Se ela começa atacando os meus empregados, mesmo começando pelo Atilio,
acabar como? Namorando o meu jardineiro? O meu motorista?
Uau.
Eu não vejo a Helena como você vê, não, Branca.
Estou admirada com você, Virginia.
É?
Pensei que você tivesse a cabeça no lugar.
Já começo a temer pela nossa sociedade com o Rafael nos negócios, porque se
tem tanta influência sobre seu marido, você pode virar a cabeça dele.
Estou surpresa, Branca.
Eu estou surpresa, eu te confesso que um pouco assustada também.
Mas tudo bem.
Vou falar com o Rafael, quem sabe ele me ajuda a encontrar um caminho.
Mãe, não foi legal o que você fez, mãe. Mas eu não sabia que seu pai... Rio,
fala baixo.
Não é meu pai. Eu não quero que seja. Pronto. E que deixa o homem daí. Senão
nunca mais volto nessa casa.
Eduarda, pensa bem.
Calma. Seja sensata. Ele não tá fazendo nada.
Ele nem sabia que tu ia encontrar você aqui. Ele só veio pegar o vestido da
Sandrinha que ficou aqui desde o dia do seu casamento.
Poxa vida, tivemos um dia tão legal juntas. Mãe, eu tava tão feliz, tão pra
cima. E vem esse homem estragar tudo.
Não, eu já vi que eu não posso aparecer aqui quando me der vontade de te
visitar. Porque eu vou sempre correr o risco dele cair.
Eu vou embora, viu? Porque pelo menos na Casa Branca eu não vou te visitar. Mas
vem cá.
Você tá de novo se comportando feito uma criança.
Você deu demonstrações de maturidade durante todo o dia. Parecia uma mulher
adulta. E agora, diante de um acontecimento absolutamente casual,
trabalho... Eu!
Seu pai, senhora!
Quer você queira que não, ele é seu pai!
E você volta a ser uma bobina de 10 anos de idade que fugia dele na escola.
Cresce, Eduarda!
Como é que você quer ter um filho? Como é que você quer ser mãe se você continua
se comportando como uma menininha mimada? Mas você ainda fica contra
Depois de tudo que esse homem fez, às vezes eu tenho a sensação que eu não
dele por sua causa.
Mas o que eu fiz? O que ele fez?
Nós nos separamos, meu Deus do céu, como tantos casais.
Muitos casais não se separam. A Branca e o Arnaldo, por exemplo, são casados há
25 anos.
Isso não quer dizer que eles sejam felizes.
Eu me separei para ser feliz.
Por achar que seu pai, sem mim, também podia ser mais feliz.
Podia encontrar um caminho que fosse melhor para ele.
Talvez a Branca e o Arnaldo fossem muito mais felizes se eles fossem separados.
Por que você está dizendo isso? Eles me parecem muito felizes.
Parecem? Como é que nós vamos saber se eles são ou se não são?
Você está com raiva porque eu elogiei a Branca?
Eu quero que você seja feliz, minha filha. Sem Branca, com Branca.
Um dia você vai entender isso quando você for mãe.
Chega de discussão, meu Deus do céu.
Nós vivemos um dia tão lindo, um dia tão bonito pra amar duas.
Vamos tragar isso. Ele estragou. Ele já estragou.
Você acabou?
Será que eu posso sair agora?
Pode sair.
Seu pai não é nenhum bicho papão.
Claro, espera.
Eu vou te levar. Você não vai ter que ser nervosa desse jeito.
Espera, Eduarda.
Você está completamente errada. Eu estou errada? Eu nunca mais volto aqui sem
avisar. Você está fugindo da realidade, minha filha. Você está querendo ter um
passado que não existe. Existe sim.
Existe na minha cabeça. É o que interessa. Isso não tem nada a ver
Mas isso é uma fuga. É claro que é.
Eu quero mais é fugir dessa humilhação que me persegue desde que eu era
Você tem que superar isso, Eduarda. Você não é mais criança.
Por favor.
Eu já te falei mais de mil vezes que eu não quero saber de aproximação com esse
homem. Mas você não pode ficar desse jeito cada vez que cruza com ele. Vocês
podem se encontrar na rua, num lugar qualquer. Eu atravesso a rua, como já
uma vez. E se ele vier com gracinha pra cima de mim, eu chamo a polícia.
Que absurdo!
Me dá aqui essa chave. Você não tá em condições de dirigir, eu dirijo pra
Não precisa, mãe. Eu tô ótima. Muito obrigada. Guarda, você já tem mosa.
Hoje foi um dia tão feliz por ter passado todinho com você. Não estraga
Pois é, para mim também foi maravilhoso. Pena que não acabou bem.
Eduarda, esse nervoso todo é por causa da pressão que está sofrendo naquela
casa. As cobranças que te fazem lá. Porque aqui, aqui ninguém te cobra nada.
Não gostei hoje.
Tudo bem.
Desculpa, eu acabei causando um grande transtorno. A Eduarda ficou nervosa.
Quem tem que pedir desculpa sou eu.
Porque pode ficar parecendo que eu tenho colocado a Eduarda contra você o tempo
todo que a gente está separado e isso não é verdade.
Mas claro que não, imagina, Helena. Isso é coisa mesmo da...
Da juventude, os jovens estão cada vez mais impacientes com o pai, com a mãe,
com as pessoas de mais idade, de modo geral.
Pode ser.
Mas não se justifica que ela tenha uma crise dessas.
Coisa que parece mais uma doença, um distúrbio qualquer de comportamento.
Não, eu me sinto realmente envergonhada com o que aconteceu por mim, por ela,
por tudo.
Mas ela tá muito bonita.
Eu preferia que ela fosse menos bonita e mais equilibrada.
Você não quer uma fruta? Um queijo?
Tá bom. Tá muito bom assim. Tá ótimo.
Vou pegar o vestido da Sandrinha.
Ah, agora chega, né, Léo?
Eu não tô me acostumando com isso daí. É capaz de eu fundir a minha cabeça.
Quer dar a última patada, pelo menos?
O que eu quero mesmo é dar um mergulho.
Você não tá com calor, não?
Bom, é, tá quente mesmo.
Sabe qual foi a minha primeira paixão na vida?
Não.
Meu professor de natação.
Eu tinha uns 10 anos dele, uns 30.
Nossa, como eu sofri.
Há dez anos.
Você pensa que criança não sofre, por amor?
Não, eu sei, mas... Você nunca sofreu?
Bom, eu tive uma professora chamada Clotilde que mexia um pouco com a minha
cabeça. Você é fantasiada?
Não, aliás, todo mundo da sala fantasiava. Ela era loura, bonitona,
Parecia uma artista de cinema. Quando ela chegava, nossa, iluminava. Parecia
sol. Eu sonhei muito com ela.
Quantos anos ela tinha?
Ah, era nova. Tinha 24, 25 anos.
Ah, então ainda está em tempo para você.
Não, ela casou e foi embora do Brasil. Nunca mais ouvi falar.
Seus olhos até brilharam falando dessa Clotilde.
Vou ficar com ciúmes.
Euveira, manda colocar mais um prato. O Léo vai jantar com a gente. Tudo bem.
Fala pra caprichar lá na cozinha.
Não, Laura, não vai dar.
Vai dar sim.
A gente senta tarde aqui em casa.
Pode chegar de novo que tá ótimo.
Eu vou colocar lá o meu.
O meu.
Eu queria tanto que ela não tivesse essa raiva de mim.
Pois é, quem sabe um dia isso passe.
É, eu dei motivo, eu sei.
Mas eu pensei que, com o tempo, ela iria me perdoar.
Eu fico muito tempo sem procurar por ela.
Me comportando mais ou menos como se ela não existisse. Quando eu perguntei, eu
soube que não. Foi quando meu pai morreu.
Ela já estava distante e não queria mais saber de você.
Eu agi mal, eu sei.
Agiu mesmo, não vou negar.
E ainda piorou a situação no dia do casamento.
Você não disse que tinha parado de beber?
É, eu paro.
Paro, mas eu volto.
Eu tento me controlar, mas não consigo.
Procura um médico, Orestes.
Um tratamento.
Pede uma ajuda.
Você tem uma filha pequena que precisa de você, que ama você.
Quantas vezes já falamos sobre isso.
De qualquer maneira, você vai se perder.
Está com medo.
Explosão.
Você está trabalhando?
Estou. Eu faço uns pagamentos para umas firmas aí.
Como é que está a Lídia?
Está bem.
Está... Está tudo bem.
Cuidado para não perder a Lídia, Orestes.
Foi a melhor coisa que aconteceu na sua vida, uma mulher valente e direita.
Ela trabalha de manhã até de noite e precisa ver.
Já imaginou se ela não fosse assim?
Você já pensou como seria a sua vida se você estivesse aí?
Queria tentar a casa.
Como é que você ia fazer?
Você tirou a sorte grande com a Lídia.
Ah, ela tá chegando aqui, peraí.
Lídia, é o Nando.
Vai, sobe que eu já vou lá dar um banho em você.
Não, eu tamo sozinha, mãe.
Você esquece sempre de lavar as orelhas, tem que cortar as unhas também.
Vai, vai tirando a roupa e indo pro banheiro que eu já subo, tá?
Fala, Nando.
Acabou de ligar.
Eu falei que você estava aí. Mandei ligar para ele.
Tá. Olha, chega cedo para o jantar, tá bom?
E, Nando, faz um favor. Passe no mercado e compre açúcar e leite.
Tá. Tchau.
Ai, ainda tenho que fazer um bolo para a Sandrinha levar amanhã na escola.
Estão sempre vendendo alguma coisa para as mães fazerem para a escola. Não
bastasse a trabalheira que a gente tem com os filhos em casa.
Tá ok, doutor.
Depois a gente se fala.
Você tem certeza mesmo que ninguém me ligou? Que eu atendesse, não.
Por que? Você está esperando a ligação da Milena?
Eu acho que você está enganado.
Eu acho que você está querendo falar Dona Milena.
Não é isso?
Que novidade é essa você por aqui? Eu passei no Leblon, peguei vestido da
Sandrinha. Aí fiz um pagamento na barra, achei que você podia estar por aqui.
Eu tô achando que vai cair mó chuva aí.
Ô Walter.
Oi.
Sabe se alguém me ligou ou não?
Não parei aqui o dia inteiro, cara.
O que foi?
Tá com algum problema?
Problema?
Você vai pra Angra?
É, eu não tava esperando uma ligação pra ir, mas... Quer uma carona pra ir pra
casa?
De moto?
É, de moto.
Qual o problema?
Na Palagóia tá com medo também, né?
Medo não, mas é reteio, né? Tá bom. Então põe sua capacete aí, vamos lá.
Tô bem, né?
Deixa eu ver se o negócio aqui é seguro.
Ô, Walter!
Oi!
Tem alguém ligar?
Fala que eu tô em casa.
É, tudo bem.
Até amanhã. Até amanhã.
Vai devagar que eu não sou bom de equilíbrio, hein.
Peraí, Orestes.
Tá falando que você bebeu.
Imagina, Nando. Tomando essa bebida faz tempo. Que isso?
Olha lá, hein. Bom.
Vamos lá.
Peraí.
Você acha que ela é de mal?
Ele é pai dela, né, Helena?
Tocou a campainha, você não estava, eu mandei ele entrar.
O que eu ia falar para o pobre do homem? Para ele ficar esperando na calçada?
Ele sempre me tratou tão bem.
Não, esquece isso. Seja o certo.
Um encontro desse ia acontecer mais cedo ou mais tarde.
Ah, aquele homem.
Ele esteve aqui e depois ficou o dia inteiro ligando atrás de você.
Quem?
Doutora Cílio.
Você não me falou antes?
Ué, quando?
Desde que você entrou em casa e desabou a tempestade, só agora eu tô falando com
você. E aí?
Aí é que você sai, não liga, não me dá bola, né, Helena?
Ai, mas só faltava essa. Eu com raiva dele, ele atrás de mim. E ele veio aqui
logo depois que você saiu. Eu dei o número do seu celular e tudo, mas depois
vi que você tinha esquecido ele aí.
E ele disse também que ligou pro estúdio, ninguém atendeu.
Eu acho melhor apagar o dia de hoje da minha vida e começar tudo de novo
sabe?
Aqui, no meu quarto.
Linda.
Helena, você tem cravo em casa? Mamãe se meteu a fazer doce de abóbora. Ah,
traz também canela. Preciso de canela em pau. Canela em pau não serve. Agora
pode uma coisa dessas. Comprei duas tortas lindíssimas. Mas mamãe quer fazer
doce de abóbora?
O que você tem, mulher?
A Eduarda veio aqui, encontrou o pai. Foi um drama, uma cena, uma coisa
horrorosa.
A Cata me disse mesmo, disse que viu você saindo. Olha que ela tá uma fera,
hein? Uma fera mesmo.
Só faltou uma jaula. Ó, tá aqui, ó.
É, ó.
Obrigada, hein? Tô esperando você e duas lá em casa, hein?
Olha, eu vou lá, dou um abraço no Nestor, depois eu saio de fininho, que
tenho que dormir, eu tenho que esquecer o dia de hoje da minha vida. Agora você
vai, você vai e você também, tadinha. Olha, tem camarão lá em casa pra jogar
pela janela. Ah, eu vou, adoro camarão.
Tadinha, o uísque, o uísque da filé. Meu Deus, o uísque sensível do uísque, pega
o uísque pra mim. Tô esperando você lá, hein.
Não quer entrar?
Toma delícia a água.
Não, eu já vou embora.
É, como é que ficou a história de Angra?
Vai dar pra gente ver em cinco semanas?
Eu liguei pra Milena. Ela disse que parece que vai chover bastante por lá.
Se o trânsito continuar desse jeito, eu vou mandar construir um heliporto aqui
em casa. Lá vou.
Vamos comprar um helicóptero e aposentar todos os carros.
Tudo bem, Léo?
Tudo bem.
Olha a minha filhinha, Léo. Não é linda?
Obrigada, mamãe. Não é de você que eu tô falando, não. É da Inês.
Não é linda?
É bonitinha.
Tô programando uma festa de aniversário, Léo, que vai abalar os alicerces da
Sociedade Emergente do Rio de Janeiro.
Nossa! Não só dos emergentes da Barra, não. Da Vieira Soto também.
Aqui? Não, imagina. Eu tô pensando assim na quadra da Mangueira, alguma coisa.
Eu vou forrar aquilo de textas básicas, do chão até o teto.
Eu tô bulando a coisa ainda. Depois eu vou precisar da sua assessoria
Pois, olha.
Ah,
Elvira! Meu Deus do céu, eu tenho uma surpresa pra mostrar pra você.
Pra você também.
Principalmente pra você.
Sai daí, Laura. Vem ver o que eu comprei pra Inés.
Me faz um favor.
Traz aquele embrulho, Cata.
Vê tanto.
Oh, meu amor. Vamos inaugurar a nova decoração da sua casa.
Você nem imagina, meu amor, o que foi que a mamãe comprou pra você.
Obrigada.
Tá?
Tá.
Tá feito e perto da casa da minha filhinha. Vamos ver se cabe direitinho?
Leva aqui pra mim.
Meu amor, vamos ver.
Segura ela aqui um instantinho, né? Para eu estender o tapete.
Presta aqui.
Obrigada. O Aníbal da tapeçaria ficou louco quando eu mandei cortar o tapete.
Não queria de jeito nenhum.
Porque era um pecado.
Pecado da minha filhotinha ficar sem uma coisa bonita dessa na casinha dela.
Agora, esse outro daqui...
É pra você fazer as suas necessidades ideológicas. Olha, cocôzinho e
chichizinho de luxo. Não é lindo, Léo?
Vem cá, meu amor, vem ver se você gosta. Vem, vem.
Ah, meu amor.
Tinha que ter esperado um pouquinho mais pra estrear o tapetinho.
Desculpa, Léo. É emoção que ela tá sentindo, sabe?
Pronto, pronto.
Pronto. Vem cá, meu amor.
Vem cá, meu amor.
Para ver se você gosta.
Ela não tem que se meter na vida da menina, nem na vida do atilho.
Se quiser se meter na vida do atilho, o problema deles agora é com a minha irmã,
não.
Eu cantei a tabola. Eu falei para você que a Helena ia causar problemas para a
gente.
Como causar problemas, Rafael?
A Helena não me causa problema nenhum.
E a gente já não falou sobre isso.
Tua sobrinha não rompeu com o Marcelo aquela história toda?
Rafael, nós não temos que ficar atrelados aos problemas da Helena nem
problemas da Branca, que, aliás, não é nada nossa.
Mas, nesse momento, a Branca é mais importante pra gente do que a Helena.
Rafael, a gente não tinha combinado que não ia misturar negócios com problemas
familiares?
E eu também não havia dito pra você que eu não queria que problemas familiares
atrapalhassem meus negócios.
Negócios que deveriam ser do teu interesse também.
Família são os nossos filhos.
Não pai, mãe e muito menos irmãos.
Quando a gente casa e tem filhos, é assim.
Primeiro a família fica pra trás, né?
Rafael, o que a Branca falou soou como uma ameaça. Soou como uma ameaça? Não,
Virginia. É uma ameaça.
Eu sempre soube que ela... que ela é apaixonada pela Tília.
E a Milena, quando fala, ela sabe o que está falando.
Você que sempre duvidou agora, acredita?
Vou ficar acreditando nessas fantasias, Rafael.
Você não sabe a bomba que a Helena vai ter pela frente.
O que eu posso fazer?
Fala com ela.
Fala com ela.
Porque se você não falar, eu vou ter que falar.
E eu não vou ser tão sutil e delicado quanto você.
Rafael, pelo amor de Deus, você não vai querer que eu te tenha lá em casa, né?
Ela não é a senhora da minha irmã. Eu adoro ela. Ela é muito, muito minha
E isso ainda tem de qualquer parentesco. Por favor.
Vamos?
Tchau, Renata.
Tchau, Renata. Até logo.
Zilar, sou eu novamente.
A Eduarda já chegou?
É que eu fico preocupada.
Você me faz um grande favor?
Você liga pra mim quando ela chegar?
É que ela sai daqui um pouco nervosa, aborrecida. E você sabe como é essa
meninada. É capaz de não querer me ligar, entendeu? Então, você faz isso
mim. Você mesmo liga e assim eu fico mais cegada.
Tá, obrigada, meu bem.
Beijo.
Tadinha, ela foi dar uma volta pra refrescar a cabeça.
Com esse trânsito maluco, ela nervosa do jeito que ela é.
Oh, meu Deus do céu. Filho pequeno, filho grande, solteiro, casado. Filho é
sempre problema.
Pode sentar?
É a Catarina.
Estão dando uma festa em casa e não tem nada lá. Estão pedindo tudo aqui.
Deixa de ser fofoqueira.
Cate, entra aqui no meu quarto.
Oi.
Dá pra emprestar um bolo de barbante?
A gente tá pendurando umas coisas no teto, mas o barbante acabou.
Vê lá o barbante que tá ali.
Tá.
Como é que estão os preparativos?
O pessoal do reparto só vai chegar antes, né? O meu pai vai ter uma reunião
o chefe dele.
Agora ele sempre vai ter reunião com o chefe geral, porque ele virou chefe de
divisão, entendeu?
É, mais ou menos.
Então, quando ele chegar, já vai estar tudo pronto. Vai ser uma big surpresa.
Obrigada, tá? Depois eu devolvo o barbante.
Ah, tudo bem.
Até mais.
Sem comentário, tá?
Sem comentário. Porque depois eu sei muito bem que você vai lá comer o
Então não tem o que ficar falando.
E aí?
Olha lá e vê se não vai cair daí, rapaz.
Deixa com a gente, vó.
Você não me chamou de vó?
Tá sendo carinhoso, mamãe. Ô, Tereza, será que eu vou com você ainda não,
Pô, já acabei.
Eu também.
Pô, me chamou antes. Ah, não, não, não, não, não. Eu não tenho pulmão pra gastar
nessas coisas, não, minha filha. Você gostei.
Deixa com a gente.
Tá.
Ô, mãe, meu Dado Martins vira aqui hoje à noite, né? Vou falar com seu pai.
Poxa, depois da sua trabalheira toda, gente, sua porta fica fora do babô, né?
Mas não se preocupe que eu guardo o prato pra você, viu? Não é grato, mas
grato. Eu falo com seu pai, Cate.
Senhor, meu irmão.
É só você não me decepcionar, hein? Tem que namorar direitinho, você me
prometeu. Tá bom, vou namorar direitinho, sim.
Direitinho até demais, né?
O que você quer dizer, hein? Direitinho até demais?
Fala lá, hein? Devagar fandou.
Olha, sua mãe, querida, sua mãe casou virgem. Eu tenho tanto orgulho disso.
Né, bem?
Ô!
Viu?
E aí, Orestes?
Sente muito medo, não? Muito medo.
Muito na frente.
Dói com pouca roupa. Me respirei um pouco na ponte.
Tchau, tchau, tchau.
Você acha que dá para perdoar uma coisa daquelas? O dia mais importante da minha
vida, aquela gente toda lá e você bêbado, fazendo aquele papelão, me
frente de todo mundo. Nem que eu viva 150 anos eu vou esquecer.
Eduardo, o que você está fazendo aí?
Pensando. As duas mães preocupadas com você.
Duas? Que duas?
A sua e a do Marcelo. A dona Branca perguntou agora há pouco por você. Ela
preocupada por causa do trânsito.
A sua mãe a mesma coisa. Ligou duas vezes e pediu para eu avisar assim que
chegasse.
Vilar, se avisa para mim, por favor.
Bem que ela disse que você não ia ligar.
Eu já vou entrar.
Tudo bem.
Greta, hoje me convidou pra jantar.
Eu, filha, nunca consegui escapar do que tinha combinado sair com você.
Ela se mete demais na sua vida. Na vida de todo mundo. A dominadora e
encantadora também. O que dificulta bastante as coisas.
Quando você pensa em brigar com ela e ficar com raiva dela, ela te seduz.
Te dá um tapa com a esquerda, te acaria com a direita.
Tão segura. Se soubesse da metade das proezas do marido.
Será que não sabe?
É.
Pode ser.
Basta ele saber que eu tinha brigado com o Atilio pra ficar dando em cima.
Antes já dava suas investidas discretas, mas agora, agora ele tá indo direto ao
assunto. E eu tô querendo ficar sozinha com ele o mínimo possível, porque senão
daqui a pouquinho ele vai me agarrar, eu tenho certeza.
Se isso acontecer, você vai fazer o quê? Eu vou correr.
Ele é um tremendo, um reacionário, preconceituoso, falso moralista.
Aqueles defeitos de todos os machões que acham que mulher é apenas objeto de
consumo. Eu também fujo de homem assim.
Você sabe que no outro dia, uma das funcionárias lá na empresa teve gêmeos.
Quando ele soube que eram meninas, sabe o que foi que ele disse?
Como é que ele chamou as meninas?
Artigo fino para cavalheiros.
Ai, que horror.
Não, e fica olhando pra gente assim.
Sim, olha, avaliando de cima pra baixo, sabe como é que é?
Seis. Homem, assim a gente tem que derrubar, depenar, botar de quatro.
Quatro anos.
Olha aqui, olha aqui.
Leva uma gente aí.
Você acha que eu já não quis ter a minha?
Porque não tem. E o meu trabalho?
É, tem. Eu cuido dele pra você.
Não, vocês estão pensando que é fácil? Filho aprende muito. Se eu tivesse 20
anos, tudo bem, mas já perdia a oportunidade.
O filho agora ia atrapalhar a minha vida profissional. Não.
Eu vou ficar desempregada.
Mandaram embora, foi?
Não, mas eles estão tentando se mudar pros Estados Unidos.
Ainda bem que não deu nem tempo de eu me agarrar muito com ela, né? Senão eu ia
sofrer a besta. Ah, você é uma babá muito competente. Daqui a pouquinho você
arruma outro emprego, lisa. Deus te ouça. Eu não posso ficar desempregada
não tem nem onde morar.
Oh, meu Deus, vem.
A gente tá na hora de mamar, tá?
Na hora de papar.
Oi. Dá tchau pra Isabel.
Tchau.
Estou matando a saudade de casa.
Vamos, papai? Vamos.
Tchau. Tchau, tchau, tchau, tchau, lindo.
Ficou com água na boca, né?
Às vezes eu fico pensando se a Branca não tem razão.
Nunca criei um clima familiar, doméstico, brotinho.
Sempre eu trabalho em primeiro lugar.
Vai ver se foi isso que ficou faltando.
E aí, Marcelo, vamos embora. Já parto pras oito.
Tô terminando o relatório da reunião de amanhã.
Mas soltamos nós daqui, rapaz. Não é a primeira vez, né?
Eu preciso ficar pra casa. Tô precisando fazer um programa qualquer, pai.
Sair pra jantar, dançar, ouvir música, qualquer coisa.
Isso, isso.
Acho perfeito. Faz isso.
Você vem comigo?
Eu vou depois. De qualquer forma, a gente está em dois carros. É verdade.
Bom, de qualquer maneira, você sai para jantar, mas antes de você sair para
jantar, passe na casa para nós tomarmos uns drinks juntos.
É legal, claro. Eu aviso a tua mãe que você está chegando. A montanha de rapa.
Tchau. Tchau.
Alô? Oi, Marçal, sou eu.
Não, eu tô chegando aqui agora.
Mãe, Marçal quer saber se a Eduarda já chegou. Ah, não chegou, eu estou
preocupadíssima. Chegou assim, Dora Branca, ela já subiu.
Chegou e eu não vi.
É que ela ficou lá fora, sentada um tempão, olhando pra cima.
Eu achei ela muito preocupada, aí subiu.
Eu ia avisar, mas a senhora tava no telefone.
Eu no telefone?
Deixa eu dar uma olhada nessa menina, viu?
Deve ser alguém aí do lado, já pedindo mais alguma coisa.
Coisinha, que surpresa!
Nossa, entra!
Tô só de passagem, não vou demorar. Tá boa, Coisinha? Tudo bem.
Coisinha, faz um favor pra mim. Dá uma olhada nesse segundo botão, que ele tá
e não cai.
Tá perigando cair a qualquer momento.
Obrigada. Você vai te ir?
Não, não. Só aqui do lado.
Uma festinha de um vizinho meu que foi promovido, mas eu tava até pagando pra
não ir.
Também não vou demorar, não. Rafael me trouxe, já já vem me pegar de volta.
Algum problema?
Tô querendo dar uma palavrinha com você.
Nada.
Você tá bem?
Fala comigo, minha filha.
Ah, meu Deus, você tá me deixando nervosa. Você chegou quietinha, subiu,
beijou.
Aconteceu alguma coisa?
Que foi, hein?
Fala.
Você sabe que pode contar comigo. O que foi?
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