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Música
Em teu coração se vai.
E tu dizes, parto, adeus.
6 horas da manhã. 6 horas da manhã? Sim.
Uma da madrugada em Brasília, esqueceu?
Essa hora eu não lembro nem o meu nome.
Você vai ligar pro Marcelo agora? Vai acordar uma vez a uma hora da manhã? Só
quero saber se ele tá em casa.
Alô?
Alô? Oi, Vila, é Eduarda.
Oi, Eduarda, já chegou?
Não, eu tô falando aqui de Veneza, da Itália. Tá tudo bem aí?
Tá sim. E aí?
Zilá, o Marcelo tá aí?
Tá sim.
Chegou cedo, comeu alguma coisa e subiu. Já deve estar dormindo.
É pra chamar ele? Não, não, não. Não precisa.
Eu só liguei pra saber se ele tava em casa.
Zilá, obrigada. Você é um anjo, viu?
E olha, não comenta que eu liguei.
Tá bom? E desculpa se eu te acordei.
Que nada. A dona Branca e o doutor Arnaldo chegaram agora mesmo na rua com
amigos. Depressa com esse gênero, sei lá.
Eu tenho que desligar, tchau.
Quem era?
Era a Eduarda, de Veneza. Pra saber se o Marcelo tava em casa.
Mas só pra saber?
Só, senhora.
Vamos ver o que temos pra beliscar. Ainda nem cantamos.
Ai, mãe, deixa eu amar do jeito que eu sei, mãe.
Você tem ligado todos os dias, às vezes até duas vezes por dia.
Eu não acho certo, não falo nada, não quero me meter, mas... Eduarda, ligar
rapaz a uma hora da manhã pra saber se ele tá em casa.
Ai, uma bandeira, né? Eu sei.
Mas eu não tô consciente de segurar, mãe.
Nós estamos voltando pro Brasil amanhã, ver se aguenta esses dois dias sem
ligar. Só mais uma vez.
Eu juro, só mais uma vez. É só pra dar o número do voo.
Ele me pediu, ele vai buscar a gente no aeroporto, mãe.
Tá bom.
Bom, já que acordamos, vamos pedir o café, né?
Ótima ideia, tô morrendo de fome.
Pane, diverse, fruta.
Ah, e Dan, que passe ela creme e chocolate.
Ai, não.
Sim.
Graças.
A copa ainda está fechada, mas ela falou que assim que abrir, eles mandam.
Ai, mãe, eu sou a pessoa mais feliz do mundo.
E a mais insegura também.
Oh, minha filha.
Do que você tem medo?
Te perdeu, Marcelo.
A Eduarda acaba de ligar de Veneza.
Veneza? Mas Veneza está amanhecendo agora.
E será que aconteceu alguma coisa?
Aconteceu. Ataque de ciúmes. Ligou só para saber se o Marcelo estava em casa.
O casamento que se aproxima. Ela tem ligado muito. Umas duas a três vezes por
dia. Eu só espero que isso aí não seja cobrar. Não. Está a Itália, não é? Com
homens mais bonitos do mundo.
Não é arrumar, é olhar.
Olhar os homens.
Eu também não vou me atirar no colo de nenhum deles, mas eu vou ficar ali
grudada, devorando com os olhos.
Beleza. Aqueles gondoleiros de filme americano.
Coleta material para suas fantasias noturnas.
Noturnas e diúvidas.
E o pobre do Marcelo dormindo lá em cima. E o Leonardo também, já subiu há
tempo. Olha só, vocês ouviram, né? Filhos jovens dormindo em casa a essa
que mais pode uma mãe desejar? Nada.
E Milena, hein? Quero ver essa menina mais no meio.
Milena? Milena de nós todos é que vive melhor. Não sai de Angra.
Milena deve chegar amanhã. Não veio espontaneamente, não. Mandei buscar.
Cara, pra experimentar o vizinho do casamento do Marcelo, né?
É, mas você sabe que ela tá fotografando por uma revista. Mas ela vem,
experimenta a roupa e volta.
Você sabe que esse sempre foi o meu sonho? Ficar de segunda a sexta em Angra
sábado e domingo no Rio. É, você e a torcida do Flamengo.
Eu juro que eu acho essa viagem da Eduarda um desperdício, viu? Nem ela tá
aproveitando, nem tá deixando o meu filho gozar os últimos dias de solteiro.
Caramba, eu não sabia que ela era tão possessiva assim. É, é. Vem, filho.
Insegurança. Normal.
Virginia, me faz favor. Helena é sua irmã, mas... Me admira ela não segurar a
filha dela, viu? Deixar a filha se expor dessa maneira.
Ah, uma menina ciumenta desse jeito, olha, acaba perdendo o homem. Quer
acaba cansando o homem.
Mas a Helena tem lutado muito contra isso, Branca.
Excesso de mimos.
Filha única daniço.
Ah, gente, com casamento melhora, vai.
Piora.
Eu gosto da Helena, Virginia. O que é?
Vai ser sogra do meu filho? Uma pessoa praticamente da nossa família.
Helena está de casa com aquele advogado?
Renato. Isso.
Renato, é. Helena namorou o Renato durante um ano, mas agora eles
seleção. Você está vendo, né? Olha só, em menos de dois anos, ela teve três
homens diferentes, que eu me lembro, Virginia.
Você vai me desculpar, mas Helena é permissiva sim.
Ah, que que é, Branca? Helena é livre, tem um homem de cada vez, não tá traindo
ninguém. Eu, hein? Vai começar a fichar minha irmã agora?
Fichar? Meu Deus do céu, o que é isso, Virgínia?
Eu falo de forma construtiva.
Ô, Virgínia, não somos todos amigos?
A Meg não tá aí que não pode dizer, já que Laurinha quase casou com o Marcelo?
Ah, eu resolvi pra dar certo. Então, que a gente sempre foi franco uma com a
outra, eu com você e você comigo?
Claro, minha amiga, claro.
Ô, Virgínia!
Que brincadeira mais idiota, Laura.
Tá acordado de champanhe. Quer coisa melhor?
Você é maluca?
Você sabe.
Você não engordou nada nessa viagem.
Você acha?
Estou comendo de tudo, hein?
Eu nunca me separei tanto tempo assim do Marcelo.
São 15 dias.
No início do ano ele não ficou mais de um mês viajando?
Ficou. Mas foi ele que se separou de mim, não eu dele, né? É diferente.
Depois eu fico mais tranquila com ele.
Longe de mim, mas fora do Rio.
Porque aquela mulherada no pé dele... Você quer dizer a Laura, né?
Não, a Laura e muitas outras que eu sei.
Sabe como é que eu considero essa nossa viagem?
Dupla despedida.
Você da sua vida de solteiro e eu da minha vida de casada. Cada vidinha é
ou menos em comum que eu tinha com o Renato.
Você foi separar do Renato logo agora, hein, mãe? Vai ficar sozinha, não vai
companhia pra ir a um cinema, um teatro. Sei lá, já tá fora.
Te garanto que eu sobrevivo.
Você sempre achou o Renato tão divertido.
Mas agora eu quero mais de um homem.
Mais do que diversão.
Já vi esse filme.
Quando você se separou do Alfredo, lembra? Você ficou mais de um mês
Eu tava lá, do seu lado. Agora eu vou me casar. Você vai ficar sozinha, sozinha
mesmo.
Eduardo, quero um homem que me acrescente. E a quem você acrescente?
casamento, como é que é? Tem que ter mão dupla.
Dar e receber.
E de volta, mão dupla.
Chega de teoria.
Vamos fazer uma coisa depois do café. Vamos voltar para a cama dormir até as
nove horas. Não, senhora. Não, não.
Hoje é o nosso último dia em Veneza e nós temos que aproveitar.
Ah, que isso.
Não tem nada para fazer lá fora a essa hora. Até as estafas italianas estão
dormindo. Levanta, mãe. Não, vamos, vamos.
Você quer ver? O que é que você está querendo?
Não está dando para perceber?
Quem é que está aí com você?
Seu pai, sua mãe.
Meu pai, minha mãe.
Regina.
Rafael.
E eu.
Agora deixa eu dormir, tá?
Não é quase cedo pra ir pra Angra.
Trabalhar. Não vou passear, não.
Ah, vai pra Angra?
Essa semana, dia 10.
Vai fazer dois anos que a gente começou a namorar.
E o dia que a gente terminou nosso namoro?
Não colocou no seu diário, não?
Grosso.
Tudo que começa, acaba. Só você não sabe disso.
Eu sei, sim, senhor.
E eu vou ficar esperando o dia em que acabar o seu casamento com a Eduarda.
Espera sentada.
Até deitada.
Mas eu vou esperar.
Contando os dias.
A noivinha ligou agora há pouco, só pra saber se o seu amor estava em casa.
Uma marcação dessa, logo, logo, você vai estar de saco cheio, hein? Ó, palavras
da sua mãe.
Um beijo, boa noite.
Agora vai.
Vai.
Tchau.
Oi.
contra o ciúme, não. Eu acho que até em dose certa ele serve como um combustível
para o amor. Agora, em dose errada, só serve pra empurrar o outro pra mentira.
verdade. Olha só, a mulher que tira a roupa de homem, procura coisinhas nos
bolsos, pesquisa o talão de cheques, dá incerta nos escritórios, tá querendo o
quê? Tá querendo ser enganada.
Vejam o caso de uma deslumbrada que nós conhecemos em São Paulo. Você lembra,
amor? Hã?
Tô falando da Diana, que separou do Severo por causa da secretária.
Então, sabem o que ela fez?
Olha só.
Despediu a secretária jovenzinha, contratando no lugar uma velhota feia e
-humorada. Olha isso, a burreza virou, hein? Muito bem.
O que ele fazia no escritório? A gente era tirar umas lasquinhas da moça, em
troca de um anelzinho aqui, um brinquinho lá, tudo bijuteria, né? Bom,
ela instalou a velhota? Como secretário, o que ele fez?
Instalou a outra num frete, nos jardins, a dois quarteirões da própria casa.
É.
Passagem obrigatória dele ir e voltar do escritório. Eu aguento.
Olha, aí da bijuteria passou as joias pesadas.
Até colar de pernas ele deu pra ela. Três voltas. Uma coisa, gente, eu vi.
Numa festa, numa noite no jockey.
Não foi só isso não, hein? Deu carro, apartamento.
Deu também uma bicicleta e ergometro que eu me espera.
Pra bonitona manter a forma. Enquanto isso, Diana em casa.
Confiante, comendo trufas.
Trufas. Achando que o perigo já tinha passado, né? Olha, quando ela abriu o
olho, a outra estava grávida de sete meses.
Briga de força, de vontade, filhos traumatizados e trufas.
Muitas trufas.
Resumo da ópera. Hoje, ela está com mais de 80 quilos.
Muita trufa e nenhum marido.
Agora,
Laura. Pelo que eu sei, Laura não é muito pimenta não, né?
Eu? Nada me livre.
Eu acho até que ela já tirou de vez o martelo da cabeça, não é, amor?
É.
Já tirou o martelo da cabeça, Laura?
Totalmente.
Nós somos irmãozinhos agora.
E depois ela dói e dói.
A CIDADE NO
BRASIL
. . .
Eu também fiquei deslumbrada a primeira vez que estive aqui.
E vou ficar sempre, sempre que eu voltar.
Eu tinha deixado você com a Virginia no Rio e eu fiz um pedido olhando a cidade.
Que um dia eu pudesse voltar com você aqui.
E aqui estamos nós.
Então eu também vou fazer um pedido.
Eu quero voltar aqui com o Marcelo e com o filho que nós tanto queremos.
É o nosso sonho, mãe, ter um filho, um homem, um menino.
E você, não vai pedir nada?
Não, eu já não faço pedidos.
Eu já tô na fase de agradecer o que eu tenho. Ah, não, mãe. Pede alguma coisa,
qualquer coisa.
Tá bom.
Eu quero que a minha filha seja muito feliz sempre e que volte aqui um dia com
Marcelo e com o filho homem que eles tanto desejam.
Você pediu pra mim, né, mãe?
Não vale. Pede uma coisa pra você.
Pedido de mãe tem muita força.
Você vai ser atendida, tenho certeza.
Se eu pudesse por um dia, esse
amor, essa alegria, eu te juro, te
daria. Se pudesse esse amor todo dia.
Chega mais meu coração,
vem ouvir esse segredo,
escondido num sorocatão.
Se converses com o meu gosto, do teu cheiro
de...
Neste choro falam do diabo.
Não tem ninguém pra atender.
Alô?
Não, não. A tela não tá aqui, não.
Quem? Ah, pode passar.
Oi, guarda.
É o teu querido futuro sogro.
Oi, pai.
Tudo bem?
Tudo certo.
Não, não. A tela não tá aqui.
Não?
na sala.
Ele tá na empresa. Não precisa levar esse susto, né?
Eu vou mandar procurar ele pra você.
Tá, um beijo. Tchau, tchau, tchau.
Toma, filha. Quando você sair, deixa alguém no teu lugar aqui.
Pega aí o telefone e procura o Marcelo Pegoardo.
Oi, dona Eduarda? Só um momento.
Segurei que eu já acho ele pra senhora.
O homem já chegou e tá subindo. Ai, que bom, que bom. Eu já tava ficando nervoso
aqui. Ótimo, porque o Marcelo mostra tudo pra ele e leva muito mais gente do
eu. Ei, Arnaldo, o Marcelo tá indo pra Angra, dá uma olhada nas obras do hotel.
Ah, não custa nada, ele dá uma volta aí por cima, mostra as linhas pros homens e
depois vai embora pra Angra. A gente não precisa dele aqui na reunião mesmo. Eu
resolvo, eu resolvo.
Oi, meu amor, como é que tá tudo aí?
O que que foi?
O homem já chegou de São Paulo, tá subindo.
Pois é, e não é meu pai que vai atender? Pedi pra você ir no lugar dele.
Peraí, um minuto só, meu amor, mas eu tenho reunião e depois eu vou até Angra.
Ah, isso é mais importante, Marcelo, meia hora só, depois você deixa o homem
aeroporto. Santo Dumont, e vai pra Angra!
Rapaz, tu me mete em fria, né?
Desculpa, meu amor, fala.
Tenho outra coisa pra você. Então corre, Isabel.
Marcelo, para um pouquinho pra falar comigo.
Pera aí, eu posso parar?
Tô morrendo de saudade.
Escuta, pede pra mim tentar oferecer café, qualquer coisa, tá?
A gente tem que falar, meu amor.
Eu sei, mas eu tenho saudade o tempo todo.
Escuta, pega meu palito aqui, por favor.
Tem que achar que eu vou filmar na sua volta?
Já, eu vou te dar o número do voo.
Deixa assinada a repetição aqui pra procura, por favor.
Mais isso agora.
Tô ouvindo, meu amor. Fala.
Anota o número do voo.
Escuta, tem que ter alguém pra assinar isso, viu? Por que eu? Porque o pedido
licença tá no seu nome.
Cara, o que tá acontecendo?
Eu tô cheio de trabalho aqui, meu amor. Cadê meus óculos, né?
Pega meus óculos na sala do meu pai.
Eu ligo mais tarde, então.
Meu amor, eu só quero que você aproveite muito bem esses dois últimos dias.
Esquece do Rio, esquece de mim. Você fica me ligando toda hora.
Fernando, não quis água nem café. Ele tá com pressa. Vamos voltar pra São Paulo
antes do almoço.
Não quer que eu ligue mais?
Não, não é isso, meu amor.
Escuta, não dá pra pedir pra ele esperar um minuto, por favor.
Tô te atrapalhando, né?
Meu amor, eu realmente quero que você aproveite, tá? Não fica aí plantada
ligando toda hora, poxa.
Tá bom.
Então anota o número do voo. Me dá.
Fala.
Aham.
Tá, anotei já.
Olha, eu tenho que ir pra cidade, todo mundo tá me esperando. Depois eu vou até
Angra. Sozinho?
Claro que eu vou sozinho. Eu volto no final do dia. Quer fazer o favor de
arrumar essa gravata, Marcelo?
Você vai me buscar no aeroporto? Claro que eu vou, meu amor.
Olha, se cuida, tá?
Tchau.
Tchau.
Me manda um beijo. Diz que me ama, Marcelo.
Mil beijos. Milhões de beijos, meu amor. Te amo, te amo, te amo, te amo, te amo.
Tchau.
Vai. Tchau.
Manda a Milena com o helicóptero. Sua mãe pediu. Mas e eu? Como é que eu
Já sei de carro.
Sempre eu.
Sempre eu.
Mas o que é isso?
Um galinheiro?
E aí?
Alô?
Falei. E?
Sempre correndo.
Ah, dona, tem helicóptero o tempo todo.
Já teve a oportunidade de conhecer o Rio de Janeiro por um helicóptero?
Não, não tive essa felicidade ainda.
Repare -se, é a cidade mais linda do mundo. Por favor.
Vamos levar esse chato aí para passear,
depois a gente deixa ele no centro do monte e a gente segue para a árvore.
Tantas vezes eu dancei.
E tantas vezes que eu só fiquei.
Chorei, chorei.
Agora eu quero um mundo lá na emoção. Mexer teu coração.
Salta comigo o ar. Todo mundo vê. Eu quero só você.
Eu quero.
Pode ser.
Vem, entra.
É só passar um helicóptero que ela disse que é o irmão.
Tem que ver como se dão bem. É uma agarração.
E o meu irmão é que nem gato e cachorro, desde criança.
Quem? Ah, se fosse um dinossauro.
Olha só, eu tenho um cartão aqui pra você, que é da Itália.
A senhorita poderia me dizer, por favor, seu nome?
Sandra Gonzaga Greco.
Ponto para as meninas, é pra você.
Mãe! Mãe!
Olha, da Tchelena.
Olha.
Olha.
Da Itália.
Essa que leva a vida que eu pedi a Deus.
Deixa eu ler pra você. É meu.
Você acha que eu vou comer o teu belo garçom?
Vai, vai.
Sandrinha!
Sobe, chama teu pai que deve ter dormido no sofá. É pra ele procurar o recibo da
conta da luz que ele disse que pagou.
Olha só a felicidade dela.
Dona Helena é boa, gente.
É.
Compensação a Eduarda.
Olha, ela vai casar no fim do mês. Eu duvido que mande convite. Eu não digo
mim. O quê? Mesmo que mandasse, eu não ia.
Mas pro pai.
Não convidar o próprio pai pro casamento?
Tô beija. Ela vai entrar de braço com quem na igreja?
Olha, Sandrinha, você me assustou.
Tá mexendo na bolsa da mãe.
Não tá mexendo não, tô procurando. Espera aí, deixa eu procurar uma coisa
Deixa eu reciclar a conta de novo.
Conta de novo ainda não.
Pronto.
Tá tudo aqui.
Fala assim, não precisa contar pra mamãe que eu... Tá bom.
Olha, a Selena mandou pra mim.
Olha que lindo.
De Roma.
Sandrinha.
Estamos em Roma, sua irmã e eu.
Uma cidade linda. Que dia você vai conhecer.
Comprei um vestido muito bonito para você ir comigo no casamento da Evarda.
O bichinho italiano bege de seda que você vai amar.
Beijinhos e saudades da tia Helena.
Um vestido bege.
Que sinta.
Uma verdadeira ilha da fantasia, não é? É.
Muito lindo esse lugar.
O projeto também inclui shopping, cinema, um parque temático, quadro de
piscina, hotel e, no futuro bem próximo, um grande cassino.
É um projeto bem ambicioso, hein?
Ambicioso e possível.
O transporte será feito por barcaças, como é feito no trecho Rio -Niterói.
É claro que, para quem puder, lanchas mais velozes e até helicópteros.
pontos da cidade, como Galeão, Santos Dumont, Praça 15, Copacabana, Lebon,
da Tijuca, enfim, diversão para a classe média.
E pelo mar, quanto tempo até aqui?
Local mais distante, no máximo uns 40 minutos.
Qual é o tempo que se leva do centro à Barra da Tijuca?
Deu para perceber a magnitude do nosso negócio, não deu?
Maravilhoso!
Não, não, não. Não fotografa muito de perto, porque na minha idade eu fico
horrorosa. Mas mãe, você tá linda. Não, Eduarda. Eu conheço os meus limites.
Três metros de distância no mínimo.
Tu não é de gôndola? Ai, Eduarda, pelo amor de Deus.
Eu não posso nem ouvir falar em gôndola que me dá enjoo. Já andamos demais por
esses canais todos.
Chega.
Ai, que lindo.
Eduardo, eu quero te falar uma coisa.
Eu prometo que eu não volto a esse assunto, tá?
Mas hoje eu ouvi, eu ouvi sem querer, eu ouvi você chamando o Arnaldo de pai.
Ah mãe, eu chamo às vezes, às vezes eu chamo de sogrinho, às vezes eu chamo de
amor, que é como a Branca chama, e às vezes eu chamo de pai, brincadeira.
Tudo bem, mas eu quero que você não esqueça uma coisa, a família do Marcelo
é melhor que a sua, que a nossa. família.
E outra coisa, ter mais dinheiro não significa ser melhor, entendeu?
A gente ainda tem um monte de coisa pra ver, vamos?
Orestes, tudo bem?
Então, o que que manda? Eu vim dar uma palavrinha com a Flávia, mas o estúdio
está fechado. Ela esteve aí, mas ela caiu. Só volta no fim da tarde.
Então, quer comer alguma coisa? Não, não, não.
Obrigado, obrigado.
E como é que está o movimento?
Dá pra viver.
É só o que a gente quer hoje em dia, não é?
Viver. Olá, Orestes. Como vai? Tudo ótimo.
Notícias da Helena e da filha? Tudo bem.
Estão na Itália.
Agora devem estar em Veneza.
Ai, que coisa boa, hein?
É, é.
Hoje eu recebi um cartão da Eduarda.
De como?
Muito carinhosa, assim. Pensava que minha filha mulher se apega mais com o
né? E olha que a gente não se vê muito, né?
Agora a outra filha, a Sandrinha, precisam ver sempre grudada comigo.
Que bom.
Quando é que elas voltam?
O cartão não dizia quando, mas... Quando viajaram, era o quê?
Quinze ou vinte dias, né? Deve estar pra chegar.
Tô indo, meu bem.
Vai demorar?
Não, não. No final do dia eu tô por aí.
Aproveita e passa no banco e pega os seus salões de sexo.
Tchau.
Olha, se você me oferecer uma cervejinha, eu aceito.
Agora mesmo.
Zé Carlos, dá uma bem gelada aqui por essas.
Tchêraus!
É a primeira vez que a gente se encontra aqui na Itália, hein? Pois é, a
primeira vez foi a Milão. É verdade.
E aí, como é que você está? Tudo bem, e você?
Brasileiros, ai que medo.
Não, estão em todos os lugares. Estamos em todos os lugares. E olha que ele ali
gostou de você. É um gato, hein mãe?
De mãe?
Imagina, foi pra você que ele sorriu. Só que pra mim não dá, né? Tô de casamento
marcado. Um gatão, mãe.
Olha!
Vamos fingir que somos italianas?
Você tá louca, mãe? Não, não tenho coragem. Vamos, vamos.
Não, não.
O brasileiro adora italiano, ele vai ficar todo bobo. Não, mãe, que vergonha.
Não, não, não.
Bom te ver. Um abraço. Tudo de bom.
Senhor, por favor, estamos de Roma, minha filha, estamos visitando a cidade.
É uma cidade belíssima.
Desculpe, você fala italiano?
Sim, sim, entendo.
Sou brasileiro, mas conheço bem o italiano.
Como posso ajudá -lo?
A nossa língua fala muito bem. Obrigado.
Poderia fazer uma fotografia? Sim, gostaria de fotografar.
Você tem uma boa máquina fotográfica. Obrigada.
Sim, assim, assim.
Um belo sorriso.
Bom, bom.
Agora o vídeo.
Fazemos o cinema.
Venha caminhando e pare quando eu lhe falar um sinal.
Você parece um profissionalista.
Sim, sim.
Belíssimo, sim.
Ah,
aqui.
Perfeito. Obrigada.
Obrigado.
Eu conheço você porque eu trabalho na empresa do seu futuro sogro.
Já nos vimos, inclusive, duas ou três vezes em reuniões na Casa da Branca.
não está a lembrar de mim? Não, claro que não. Se eu só me lembrasse, eu ia
fazer esse papel ridículo. Ai, meu Deus, que desgonho.
Não, valeu a brincadeira. Deixa eu me apresentar, Tilly Novelli.
Prazer. Sai daí, mãe.
Que uma ridícula mama com isso aqui é a Melena.
E a Tilly?
Desculpe. Não, mil desculpas, certo? Não, mil desculpas. Já almoçaram?
Não, ainda não. Então, precisamos comemorar esse encontro com uma boa
bom vinho. Já passa das cinco da tarde.
Ó, desculpa falar, mas as duas estão com cara de fome.
Vamos comemorar. Vamos lá.
Não vai embora não.
Você vai levar minha mão para Deus. Tudo bem.
Estou com saudade de você debaixo do meu cobertor.
E te arrancar, suspiro, fazer amor.
Estou com saudade de você na varanda em noite quente.
E o arrepio frio que dá na gente.
Truque do desejo, guardo na boca.
O gosto do beijo.
Eu sinto a falta de você, me sinto só.
E aí, será que você volta?
Tudo a minha volta. Não quer dar um mergulho não, mano? Você não tá pronta
ainda, o piloto já tá esperando você.
Culpa sua ter que ir pro Rio de Janeiro só por um dia.
Minha? Claro. Mas claro, o que você pensa que eu vou fazer no Rio?
Provar o vestido pro seu casamento.
E você vai ficar aí um pouco?
Vou ver as obras do hotel, depois eu vou voltar no teu carro. Tá.
E você vai comigo pro Rio, Laura?
Acho que eu vou ficar mais um pouco.
Olha, se você quiser me esperar, eu vou só provar o vestido e eu volto pra fazer
as fotos.
O que é que você tá fazendo aqui?
Você agora, cada vez que me encontra, faz essa pergunta.
Não pode mudar um pouco o repertório, não?
Milena, você... Olha, não me mexe nessa... história, pelo amor de Deus.
Eu tava aqui no meu sossego, na minha tranquilidade, ela chegou. Ela é minha
amiga. O que você queria que eu soubesse?
Eu já vou.
Vou embora pro Rio.
O que é?
Você é dono de Angra agora?
Não, de Angra, não.
Mas dessa casa eu sou.
Ela é tão sua quanto da Milena, do Leonardo, do seu pai, da sua mãe.
Eu sou amiga da família inteira.
Menos de você, claro.
Burrice a minha falar pra você que eu vinha pra Angra, né?
Não é burrice, não.
Falta o dedo inconsciente de me ver.
Voltamos junto pro Rio.
A gente não vai voltar junto pro Rio, amor.
Meu Deus do céu, Ana, como é que eu vou voltar?
Nadando. Ah, Marcelinho, você não vai fazer isso comigo, não é?
Hein, Marcelinho?
Pra vocês verem o que é o destino.
Eu era um forte candidato a um almoço solitário, numa das cidades mais lindas
mundo, e agora eu tô aqui, acompanhado de duas mulheres tão lindas quanto a
cidade. Meu Deus!
Só faltam os violinos.
Você era candidato a um almoço solitário e nós nem isso. Já tínhamos decidido
comer só um sanduíche, né? Ah, um sanduíche em Veneza, isso é pecado,
Por favor, como é que é?
Segundo prato, não. Por favor, já comemos muito.
Você vai ofender o rapaz. Vamos comer o segundo prato, sim.
Mas nós já comemos.
Não, nós comemos o antepasto, o primeiro prato de massas, e agora vamos ao
segundo prato. Nós estamos na Itália, temos que comer pão de Itália.
Atilio, eu acho que eu não vou querer, não. Vai querer, sim. Vai fazer dieta em
Veneza. Isso não cabe na cabeça de ninguém.
Por favor, colo com batata, refúgio e creme.
Ah, e uma outra botilha de vinho grosso.
Bom, eu acho que mais dois dias com você aqui eu não vou conseguir entrar no meu
vestido de noiva.
Então era uma promessa trazer a Eduarda à Veneza?
Não era exatamente uma promessa, era mais um desejo muito grande que ela
conhecesse a cidade linda, que a gente pudesse ir até aqui comigo.
Eu sou muito caipira, só conheço a Bíblia.
Mas agora casando com o Marcelo, você vai conhecer o mundo todo. Ele viaja
muito. Ah, eu não sei.
Bom, sobremesa.
Ah, não.
Sobremesa, não. Sobremesa já é demais, Batilho.
Ninguém sai da mesa sem sobremesa. Era a máxima do meu pai e a família sempre
seguiu isso.
Tira -me super do trem, Brat.
Beleza.
É, especialidade da Karen.
Ai, Jesus, você vai acabar com a minha dieta.
Onde é que você quer ficar?
Como?
Fala. Quer ficar onde?
Se não der pra ser no meu quarto de preferência, em cima da minha cama, pode
na porta de casa, tudo bem.
Eu tô perguntando aonde você quer ficar, se é no centro da cidade, Jacarepaguá,
Barra? Barra.
Você é novo por aqui, né? É a primeira vez que eu vejo você.
Eu tô se mexendo com o comandante Walter.
É ele que sempre serve vocês, né?
É, mas aquele sujeito é muito carrancudo, você é bem mais simpática
Ah, filho, dá um tchauzinho aqui pra mim.
Tchau. Isso, eu tô registrando tudo.
Ô, meu Deus.
Opa. Tá bom, tá bom.
O que é que vocês fazem amanhã?
Amanhã vamos embora.
Ah, eu também vou.
Será que vamos no mesmo voo?
Não, eu não volto pro Brasil. Eu vou a Londres pelo Expresso Oriente.
Foi.
Você vai a Londres pelo Expresso Oriente?
Veneza, Viena, Praga, duas noites em Praga, Frankfurt, Paris e Londres.
Meu Deus!
Uma viagem pelo Expresso Oriente!
Isso deve ser um sonho!
Numa viagem dessas deve aparecer até a Agatha Christie!
Por que vocês não mudam seus planos e vêm comigo?
Daqui a duas semanas nós estamos de volta ao Brasil.
Imagina, não posso.
A Eduarda se casa em menos de um mês. Há tanta coisa para fazer ainda.
E a você, então?
Eu?
De jeito nenhum. Eu sou a mãe da noiva.
Faz um dia ainda fácil essa viagem.
Juro que faço.
Espero que não seja sozinha.
Ah, sim. Eu também espero.
Mas você agora está em viagem sozinha.
Eu já fiz esse projeto várias vezes, mas faltava justamente repetir sozinha a
mesma vez.
É incrível.
Viajar sozinha? Não.
Uma viagem assim pelo Expresso Oriente.
Atravessar cidades, países.
Meu Deus, ninguém devia morrer sem antes fazer uma viagem dessas.
Estamos aqui conversando como dois velhos amigos e, no entanto, nos
há algumas horas atrás.
É, algumas amizades não precisam nem de horas.
Minutos, segundos até.
A gente vira uma esquina, dá de cara com alguém.
Você acredita em amor à primeira vista?
Amor à primeira vista?
É.
Sim, é possível, sim.
Pois então, existe também amizade à primeira vista.
Quer dizer que se eu não peço pra vir, você simplesmente não vem?
Não, eu não venho mesmo. Ah, é? É.
Angra, meu paraíso, eu acho que isso aqui é uma chatice e outra. Você já
eu tinha convento pra fazer as fotos pra revir. Minha filha, mas você tem que
providenciar a roupa de casamento do seu irmão amanhã. Você fotografa. Será que
custa muito?
Escuta, mãe, quem tem que providenciar a roupa de casamento é noiva. Ah, menina,
deixa de ser engraçadinha. Depois você aceitou ser madrinha.
Aceitei? Acertei, mas eles me obrigaram a aceitar.
Porque você sabe que eu odeio essas cerimonias cheias de frescura que você
inventa. Ah, sou eu que invento, é. Você acha normal o quê? Você acha normal o
casamento sem igreja, sem festa?
Não, o que eu não acho normal, mãe, é o casamento.
Isso é uma falta de consideração sua com toda a sua família, viu?
Eu e seu pai estamos comemorando bodas de prato e vamos fazer uma celebração
conjunta.
Tá na cara que você quer aparecer mais do que a noiva, né, mãe?
Eu não admito que você fale comigo assim, Liliana.
Por favor, mamãe, mamãe.
Me deixa, me deixa em paz, tá bom? Eu tô exalta, uma dor de cabeça terrível, eu
quero tomar um banho, ó.
Desculpa, tá? Mas é que eu volto pro Rio, eu fico assim meio maluca, tá bom?
Ah, o seu irmão ficou por lá?
Não, ele tá voltando no meu carro com a Laura.
O que a Laura tá fazendo em Agra?
Adivinha, mamãe.
Adivinha o que é.
Tudo bem, eu levo você.
Mas se você falar comigo durante a viagem, eu abri a boca para dizer isso.
abro a porta e te jogo na estrada.
Entra.
Não te reconheço mais Tuas roupas tão
loucas E soltas de mim
As palavras da tua boca
Espero que você tenha guardado um pratinho de comida pra essa pobre
dela árvore.
É só botar no forno.
Você acredita que eu tô só com café da manhã?
E não foi um breakfast, foi um cafezinho só pra acordar.
Assim acaba doente, hein?
Ai, Wilson, isola! É, dá um pulinho lá no ateliê que a Márcia quer falar com
você. Tá bem.
Mas vai caprichando pra mim antes que eu desmaie, tá?
Qual é a delícia de hoje?
Surpresa. Oba!
Fui ao médico, Flávia. O Wilson não sabe.
E aí?
Jura? Jura?
Quanto tempo?
Uns 40 dias, mais ou menos.
Que felicidade, amiga!
E o Wilson?
Ainda não falei, você sabe, ele não quer, né?
Me fez cheirar duas vezes.
Mas agora, Flávia, agora não tem mais jeito.
Ou ele aceita, ou a gente se separa.
Eu não tiro mais de jeito nenhum.
Ele vai aceitar, Flávia. Ele vai aceitar ser o melhor pai do mundo.
Márcia!
Márcia, você não acordou ele?
Oh, meu Deus, eu nem lembrei. Você não viu quem tá aí, não é?
Quem? Aonde? Na sala, no sofá.
Eu vim direto para cá. Quem é?
Vem comigo que você vai ver.
Ah, meu Deus.
O que ele está fazendo aqui?
Chegou aqui para falar com você.
Começou a tomar uma cerveja para te esperar e emburcou.
Nem bebeu muito, mas acho que estava sem comer.
Trouxe talão de cheques, Marcia?
Ah, botei na sua mesa de cabeceira, querido. Tá bom. Vou ver se o teu prato
pronto. Tá.
Obrigada, Wilson.
Eu sei o que ele está querendo.
Dinheiro.
Como a Helena não tá.
Falou que recebeu um cartão postal hoje da filha, que ela tava em Veneza.
Tava toda empolgada com isso.
Duvido. Quer dizer, da Helena ainda pode ser.
Mas da Eduarda... Eu soube que há um tempo atrás ela trocou de calçada quando
viu que ele vinha vindo.
Ai, judiação, né? Não, a Helena que me contou.
Bom, me conta por si.
Tava louca pra engravidar, e aí?
Tava, menina, você nem imagina. Vem cá, vem cá, vem cá.
Aproveita que eu tô sem sono e vou arrumar outra mala, sabe?
Você não precisava ter voltado comigo pro hotel. Podia ter ficado lá com a
filha, conversando, ouvindo música.
Não, também não quero dormir tarde.
Será que ele é casado?
Eu pergunto pro Marcelo. Não, não pergunta nada. Que coisa, perguntei por
perguntar.
Ai, um homem maduro.
Deve ter o quê? 50 anos, no máximo.
Um homem dessa idade, casado.
Viaja sozinho, né? Dificilmente.
Ele deve ser divorciado, como você.
Não, ele tem cara de ser viúvo.
Viúvo? Alegre daquele jeito?
Bom, de qualquer maneira, parecia muito feliz de estar viajando sozinho.
É... Esse tipo de homem...
Faz a gente se abrir e ele mesmo se fecha em copas.
Você viu a olhada que ele deu para aquela loura que entrou no restaurante?
Vamos olhar para eu te contar, viu?
Esse tipo de homem é fofo.
Muito sério, depois eu comecei a me namorar do Arthur.
Virou assim, meu nome é Defensivo, eu amo de negócios.
Pra mim o cara era mais solto, mais divertido, mais jovem.
Eu crentei, como todo mundo.
Eu não sou que nem você, Laura, que ficou parada lá nos 15 anos.
Ai, quem me dera que fosse verdade.
15 anos.
Você sabe que eu tive vários debutantes?
Participantes de televisão e tudo.
É a sua cara.
Bom, deixa eu ligar pra minha mãe e avisar se estou em boas mãos e a caminho
casa.
Aliás, boas mãos eu nem sei mais o que estão.
E aí ela chegou de Angra com aquela cara, né?
Aquela cara que ela tem sempre que tá aqui no Rio, sempre que tá aqui em casa
principalmente sempre que tá perto de mim. Isso de bobagem, Branca. Mãe e
é assim mesmo.
Implicam tudo.
Ela não implica comigo não, Virgínia. Ela me agride, tá? E agora toda vez que
começo algum assunto, ela inventa que tá com dor de cabeça.
Ah, feliz é a mãe que tem filho homem.
Ah, Zilá, peraí.
Ainda temos tempo pra um cafezinho?
Ah, temos sim. A gente tem uma hora. Então faz um café pra gente, minha
Bem fresquinho. E gostoso.
Eu retorno em você.
Eu conheço os seus respiros, tudo o que você não quer.
Você sabe bem que não vive,
reconhecer não pode.
E seria como se esse céu em fio
caísse em você.
Aviso então pro doutor Arnaldo que eu fui ao cinema com a dona Virgínia. Ah,
depois a gente vai jantar. No japonês de sempre.
Preciso encontrar com a gente depois do banho. Né, Virgínia? Isso ótimo, que o
Rafa vai também.
Oi.
Oi, pai Léo. Tudo bem?
Tudo bem? O que é isso?
Me beijando só desse jeito?
Não tá vendo que eu tô pronta pra sair?
Dá licença, eu vou tomar um banho.
Por que você não toma banho no clube, hein?
Quando acaba o jogo.
Que nem todo mundo.
Bom, antes de sair, vou ligar para o Marcelo. Sabe em que ponto da estrada
está? Ah, sabe quem está vindo com ele de Angra?
Laura.
Por que Laura?
Apareceu lá de manhã, de repente.
Pediu uma carona para voltar. A menina é que me contou.
Sei, a Eduarda sabe disso.
Bom, eles terminaram o namoro, né?
Mas podem continuar amigos.
É
porque
você não estuda. Não faz nada.
Praia, piscina.
Dorme de madrugada, acorda tarde.
Ando muito sem estímulo ultimamente.
Sem estímulo, Laura?
Miolo mole, é isso que você é. Miolo mole.
Quando é que a Dorda chega?
Depois de amanhã.
Poxa, ela ficou tanto tempo fora, a gente nem aproveitou.
Será que é o meu?
Não, não é. Onde é que tá o teu? Tá no banco de trás. Me dá aqui que eu atendo.
Não, não te dirigindo não. É perigoso.
Me dá o telefone. Deixa que eu atendo. Se for doada vai me criar problema. É
proibido por lei.
Sou eu?
Alô? Sou eu, Laura?
Dá o telefone.
Se eu pudesse, por um dia, esse amor, essa
alegria, eu te juro, te daria,
se pudesse esse amor, todo dia.
Chega perto, vem sem medo, chega mais...
Escondido.
Tchau, tchau.
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