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- Estou? - Ol�, Venetia.
Vais aparecer para beber aquele copo?
C�us, Raff. Desculpa.
Quando � que um suspeito se oferece para passar tempo com a detetive?
Vou j� para a�, estou a caminho. Demoro uns dez minutos.
- Est� bem. - Pronto, desculpa. Adeus.
Podemos ir para Chelsea, por favor?
Posso deixar as malas consigo? Vim ter com o Raphael Chiswell.
- Ele est� l� em baixo. - Perfeito. Obrigada.
A minha m�e adorava vir aqui, nos anos 80.
Dizem que o dono expulsava famosos por estarem mal vestidos.
Vinham c� e eram mandados embora.
- Ol�? Est�s bem? - Desculpa, n�o �s tu.
Deixei agora o meu marido e n�o tirei isto.
A s�rio?
Se quiseres sair noutra altura...
N�o, est� tudo bem. � bom sair.
Mas queria falar sobre o teu pai...
Achas que a Kinvara ia mesmo faz�-lo?
- Deix�-lo? - Provavelmente, n�o.
N�o. Ela era mais drama do que a��o.
Nunca gostei muito dela, mas agora d�-me pena.
Vai ser tudo vendido. At� Ebury Street.
- Passavas muito tempo l�? - Em Ebury Street?
N�o. Estive l� uma vez, em toda a minha vida.
A verdade � que... ele nunca me amou.
Pelo menos, n�o como ao Freddie, embora o Freddie fosse uma merda.
- Sabes a hist�ria da Rhiannon Winn? - N�o.
Ele enfiou-lhe vodka pela garganta, despiu-a,
tirou fotos e andou a mostrou-as � equipa de esgrima toda.
Ele arruinou-a.
Porque tirou a namorada dele, Verity, da equipa.
Soube isso por um amigo da Izzy.
- Falaste com o Geraint Winn? - Ainda n�o.
As minhas irm�s falaram disto?
� a isto que me refiro.
O Geraint pode querer fazer-nos mal,
mas as minhas irm�s n�o dizem,
porque pode irritar a alma do Freddie.
Nunca ningu�m fez isso por mim.
Deve ter do�do, quando o teu pai te tirou do testamento.
Acho que � poss�vel odiares algu�m
e quereres que esse algu�m se importe contigo.
E odiares-te a ti mesmo por quereres isso.
Mas desculpa, estou a ensinar a missa ao padre.
- Como era o teu ex-marido? - Ainda n�o o consigo ver assim.
N�o sei. Acho que passei muito tempo
a tentar acreditar que era diferente.
Diferente de qu�?
Diferente do Matt, o contabilista, que � um bocado ot�rio.
E que anda a dormir com a Sarah, que tamb�m � ot�ria.
- � ele? - Sim.
Bloqueado. Assim � melhor.
- Ent�o, onde �amos? - Precisamos de outra garrafa.
Toca a acordar, mi�da festeira.
Pus dois cubos de a��car no ch�.
Acho que vais ter uma manh� daquelas.
Vanessa, acordei-te. Desculpa.
N�o te preocupes. Queres c� ficar mais uns dias?
N�o, eu fico bem. A noite de ontem � que foi...
- Que horas s�o? - S�o 9h30.
Merda! Tenho de ir ter com a inspetora-chefe McMurran.
Pe�o imensa desculpa.
- Est� tudo bem? - Sim, estou pronta para ir.
Estive a pensar. Mesmo que o Jimmy tivesse acesso a Ebury Street,
queria dinheiro do Chiswell. Porqu� mat�-lo?
Meios antes do motivo.
Ele disse que a Flick fazia limpezas como part-time leg�timo.
E o bilhete de Ebury Street?
Disse que tiveram medo de serem acusados injustamente.
- O que disse do hotel? - Vamos falar disso agora.
- E a chave de Ebury Street? - A Flick diz que a deu ao Jimmy.
O Jimmy diz que a deitou fora.
� um arrogante. Recusou advogado.
- Tem carro? - Tenho.
Pode confirmar a marca e a matr�cula do carro?
� um Suzuki Alto.
A matr�cula � "F-U-C-K-U". (=vai-te foder)
Enganei-me, essa � de um Porsche meu.
� EF04 NWK.
Pelo que sabe, alguma vez foi conduzido,
com ou sem o seu consentimento, por outrem?
Era em segunda m�o.
Devem ter feito mais do que admir�-lo na entrada.
J� foi ao hotel Le Manoir aux Quat'Saisons, em Oxfordshire?
Acha que como em restaurantes Michelin?
Nunca esteve l�? Nunca foi l� no seu Suzuki?
Disse que nunca comi l�. Preste aten��o.
Segui-os, queria ver como gastavam o meu dinheiro.
- O seu dinheiro? - Sim. Meu e do meu irm�o.
Diz que os Chiswell vos deviam dinheiro?
N�o digo, � um facto.
Deviam-vos porqu�?
O Chiswell vendou o material do meu pai quando ele morreu.
N�o lhe pertencia.
- Disse que n�o ia a casa h� muito. - Sei o que disse.
Como sabe que o Chiswell vendeu as coisas dele?
Alertaram-me. Numa chamada.
Disseram nome?
N�o deram nome nenhum. Sabe como �.
Recebeu essa chamada e seguiu os Chiswell at� um hotel.
- O que esperava conseguir? - Queria o meu dinheiro.
Queria conversar com ele cara a cara onde n�o me pudesse fechar a porta.
- Ningu�m no hotel falou nisso. - Porque ele n�o estava l�, s� ela.
Provavelmente a fazer um tratamento de pele. N�o fiquei muito tempo.
Andava com a Kinvara Chiswell?
Se isso � tudo, senhor agente, ent�o, � �bvio que n�o tem peva.
Vou para casa.
Quer acrescentar algo mais?
- Ele est� a mentir. - Concordo.
Mas n�o o podemos manter aqui.
Oi�am, trouxeram-nos coisas muito �teis.
T�m de assinar uns pap�is,
mas quero mostrar-vos umas imagens da Kinvara Chiswell.
Ali est� ela. Com o casaco comprido.
- Com quem est� a falar? - Com um funcion�rio da esta��o.
Demora v�rios minutos a ver o hor�rio do comboio.
N�o precisam de ver tudo.
- Quanto tempo demorou isso tudo? - Cerca de dez minutos.
Ela mal parou quieta e foi igual na esta��o de Woolston.
- Foi o que a fez suspeitar dela? - O �libi dela � forte.
Mas faz isto com todas as c�maras que encontra.
Pode recuar?
Ali.
Veem aquele mendigo? Acho que n�o lhe est� a dar moedas.
E se estiver a p�r a chave dela no copo?
Por isso � que fez aquilo tudo e falou com tanta gente.
Est� a tentar ocultar aquele momento.
Quando chega o mendigo?
Minutos antes de a Kinvara chegar. Ele senta-se,
chap�u a tapar a cara, capuz, cabe�a baixa.
N�o quer que a c�mara lhe apanhe a cara.
Jason?
Precisamos de mais imagens de Paddington. Chamas a equipa?
Ela d�-lhe a chave de Ebury Street enquanto monta o pr�prio �libi.
O plano n�o � mau. Apenas exagerou.
Foi uma noite pesada? Bebeste pela equipa?
- O m�dico duvidoso acabou? - Digam-me voc�s.
Apanhei-o a ir � casa de uma paciente.
S�o boas. N�o conseguiste nada mais espec�fico?
Ela tinha cortinas.
As melhoras.
Pronto, comecemos pelo �bvio.
Testemunhas das atividades da Kinvara na Casa Chiswell.
Quem nos diga de quem � pr�xima
ou com quem pode estar a trabalhar.
A Kinvara tinha a chave quando a Pol�cia chegou �s 10h30.
Algu�m a devolveu.
Temos de falar com a Tegan Barlow, do est�bulo. Pode ter visto algu�m.
E com o Henry Drummond, o negociante de arte.
- Vamos tratar disso. - E com o Geraint Winn.
- Ainda n�o o podemos descartar. - N�o.
Ele conhece a Kinvara, da C�mara dos Comuns.
O �libi dele para essa manh� � fraco.
O Raff disse que as irm�s n�o querem que os investiguemos
por receio de se falar no Freddie. Devido ao que fez � Rhiannon.
- Como foi o jantar com o Raff? - Depois conto-te.
Vou descobrir onde est� o Geraint.
Temos perguntas para si, Sr. Winn.
O que quero � chamar-lhe de cabra trai�oeira.
- Estava s� a fazer o meu trabalho. - A fazer uma boa a��o!
Sabemos o que aconteceu � Rhiannon, no 18.� anivers�rio do Freddie.
Dizem qualquer coisa, n�o �? Seus patifes astutos.
Pode custar-lhe ver isto. � melhor sentar-se.
S�o fotos da Rhiannon, na festa do Freddie.
A minha menina.
Eu sabia.
Eu sabia que algo tinha acontecido, mas ningu�m me disse a verdade.
Uniram-se todos.
O que pensava que tinha acontecido?
Eu fui lev�-la. Desde Gales.
E reservei um alojamento para n�s. Disse-lhe:
"� uma da manh� venho buscar-te."
E ela disse: "N�o, isso � muito cedo."
Ela n�o queria perder nada.
Ent�o eu disse: "Liga-me quando quiseres que eu vou buscar-te."
Mas tinha-me esquecido do carregador.
Na manh� seguinte, acordei e pensei: "Cara�as.
� melhor ir l�."
E l� estava ela, na relva. Tinha vomitado.
E deixaram-na l� fora, a noite toda.
Toquei � campainha e perguntei ao Chiswell:
"Como � que achas aceit�vel
deixar uma rapariga daquela forma?"
Ele s� disse: "Ela deu-me cabo da relva no s�tio onde vomitou."
Seja como for, fomos embora. Ela estava muito calada.
Quando carreguei o telem�vel, tinha uma mensagem dela,
enviada � meia-noite, a dizer:
"Anda buscar-me, pap�. Eles s�o t�o maus, t�o cru�is."
Matou-se, um m�s depois.
Lamento muito o que lhe aconteceu.
E desculpe ter-lhe mentido.
Pode mandar-me isto? N�o � tarde para os amigos dele pagarem.
Todos temos algo em comum, queremos descobrir a verdade.
Pode ajudar-nos?
- Conhece a Kinvara Chiswell? - Encontrei-a em alguns eventos.
Alguma vez falaram do marido dela?
Nunca convers�mos.
Onde estava na manh� em que o Chiswell morreu?
� espera que o Aamir voltasse da casa do Barrowclough-Burns.
Sei que falaram com ele.
Ele queria ajudar-me.
Quem lhe pediu para procurar ficheiros com o nome "Murape"?
- A Kinvara estava envolvida? - N�o. Foi o Jimmy Knight.
Nunca me disse que fotos eram.
S� que os Neg�cios Estrangeiros as tinham e acabariam com o Chiswell.
Para mim, bastou.
Queria que ele se sentasse l� fora, no seu jardim perfeito,
a ler sobre a desgra�a dele nos jornais de domingo.
E que depois se lembrasse da Rhiannon.
Achas que o que fizemos vai ajudar o Geraint?
N�o sei.
N�o sei o que lhe restaria se esquecesse a Rhiannon.
Acho que nos disse a verdade.
Para envergonhar o Chiswell, precisava dele vivo.
Se o Jimmy disse a verdade,
temos de procurar noutro lado pelo c�mplice da Kinvara.
E o Henry Drummond?
O Chiswell foi visit�-lo no dia antes de morrer.
Voltou para o gabinete muito mal-humorado.
Talvez o Drummond nos possa dizer porqu�.
Ol�.
- Ol�. - Ol�.
- Obrigado por nos receber. - Claro! Como posso ajudar?
O Jasper Chiswell veio c� um dia antes de morrer.
- Eu estava l�, quando ele voltou. - Sim, foi constrangedor para todos,
mas senti que tinha de falar.
O Raff tinha vindo � galeria quando eu n�o estava
e eu tinha uma assistente jovem e bonita, a Francesca.
Apanhei-a envolvida com o Raphael.
Falei com eles mas, quando voltei, os clientes tinham ouvido barulho.
Bastante. A rapariga fugiu pela janela da casa de banho.
O Raff negou, claro, mas senti que tinha de a despedir
e disse ao Raff para n�o voltar aqui.
E ainda tive uma conversa dif�cil
- com o Jasper sobre a venda dele. - Ligou-lhe na manh� seguinte.
- T�m registos das minhas chamadas? - S� das relevantes para o caso.
Desculpem, vou ter de atender.
Desculpe, pode continuar.
A venda s� foi organizada por eu ter carinho pelo Jasper.
A �nica coisa de valor
foi um quadro do Herring de uma �gua malhada e um potro.
Sim, acho que o vi.
Mesmo isso valeu apenas uns milhares.
A conversa n�o acabou bem,
por isso, liguei-lhe na manh� seguinte para oferecer apoio.
- Ol�, Corm. - Voc�s conhecem-se.
Henry, obrigada pelo teu tempo, mas vou andando.
- N�o me sinto muito bem. - Claro.
Podes acompanhar-me?
Vou jantar com a minha irm�. N�o � longe.
Por favor, v�o. N�o tenho nada a acrescentar.
N�o sou a melhor pessoa para isso.
N�o te estou a pedir para fazeres o parto, s� n�o me sinto muito bem.
- Quando � que o Matt te ligou? - Ele diz que o bloqueaste.
Diz que n�o sabe como contactar-te.
A ideia � essa, m�e. N�o quero falar com ele.
Ele parecia muito perturbado. N�o me digas que andas com outra pessoa?
- N�o andas, pois n�o, amor? - N�o, m�e. N�o h� mais ningu�m.
Bem-vinda de volta, Sra. Ross. A vossa mesa aguarda-vos.
Vou comer com a minha irm�, o Cormoran s� me acompanhou.
Sentas-te comigo? S� um pouco.
N�o gosto de ficar sozinha quando me sinto assim.
Obrigada.
Odeio estar gr�vida.
Sei o que est�s a pensar, mas eu n�o abortei o nosso. Mesmo.
- Perdi-o, depois... - Para.
Juro. Fiz um teste na minha m�e...
N�o importa. N�o quero saber se era verdade ou outra mentira.
- Queria que fossem teus. - Raios...
O que foi? Talvez estivesse feliz.
N�o querias filhos mais do que eu. D�-me o n�mero da Amelia, vou ligar.
Enganei-me, quanto � ag�ncia.
Continuo pobre, ainda vivo por cima do escrit�rio. N�o ganho para joias.
- Nunca quis saber disso... - Claro que querias.
E agora tens essas coisas todas.
- Corm. - Est�s casada.
Vais ter filhos dele. J� acab�mos.
Mas eu amo-te.
Vais chamar-me mentirosa. E sou. Mas n�o no que importa, Azulinho.
N�o me chames isso.
E n�o te tra� com o Jago.
Ficaste noiva 2 semanas depois de acabarmos.
Sim, por tua causa.
Disseste que o beb� era mentira. Foste embora.
- Sabotaste de prop�sito... - N�o me fales de sabotagem!
Querias que deixasse tudo. Ex�rcito, ag�ncia, amigos.
Tudo e todos, menos a ti.
Querias destro�ar-me, porque � isso que fazes.
Destro�ar antes que desapare�a.
Estavas destro�ado quando te encontrei, t�nhamos isso em comum.
Ol�. Hoje temos pratos apetitosos que recomendo...
Acha que queremos saber da porra dos pratos?
Vou buscar mais p�o.
Olha-me nos olhos e diz-me que voltaste a amar algu�m como a mim.
N�o amei. E ainda bem.
- Vou-me embora. - A Amelia n�o vem. Menti.
Sabia que ias � galeria, a Lucinda disse-me.
Quero-te de volta. Achei justo dizer-te pessoalmente.
- N�o te quero. - N�o mintas a um mentiroso.
Posso vir aqui buscar-te amanh�, se quiseres.
A Tegan trabalha numa escola desde que foi despedida.
- Disse que �amos l� ter. - Est� bem.
Fui ao bar.
- Como foi? - Bom.
- Bebes? - Sim, est� bem.
Obrigada.
- Como vai a vida, Robin? - Vai bem.
- Est� tudo bem contigo? - Tudo bem.
N�o estou a trabalhar agora.
N�o queria que pensasses que tinhas de pensar em trabalho.
Estou bem assim.
Est� bem.
- Queres que... - Sim. Importas-te?
Sim, fala a Robin.
Para a pr�xima, apanho-te.
Desculpe, quem fala?
Quase te apanhei, n�o foi, Robin?
Esse teu rabinho apertado fugiu do meu alcance.
Tiveste sorte. Vou descobrir onde vives.
- Robin? - Trabalhas em Denmark Street.
- N�o. - Vou apanhar-te, Robin.
- N�o... - E depois vou fazer-te mal.
- Cabra! - Robin, encosta!
Robin, encosta!
Encosta!
- Robin? - Desculpa, desculpa.
Desculpa. � que...
- Tens ataques de p�nico h� muito? - H� cerca de um ano.
Est�s a ter ajuda?
Tenho uns exerc�cios de terapia para fazer.
Eu tinha um bacon vegetariano para provar,
mas n�o me torna mais saud�vel se ficar no frigor�fico.
H� mais alguma coisa?
- Tipo o qu�? - Quando liguei na outra noite.
- N�o � nada comigo, mas... - Sim, eu e o Matt separ�mo-nos.
Ligaste a meio disso.
- Desculpa. - Mas n�o importa.
N�o queria ir abaixo. S� quero fazer o meu trabalho.
- N�o quero que penses que eu... - O que penso de ti
e deste trabalho � que �s brilhante no que fazes.
Tive uma d�cada de forma��o.
Fiz centenas de casos com o SIB. Mas tu n�o fizeste nada disso
e �s t�o boa como eu.
� irritante, na verdade.
Tens de deixar a empresa pagar uma boa terapia.
N�o � nenhum ato de bondade.
� interesse pessoal. Preciso de ti em forma.
Est� bem.
� melhor irmos.
Est�s bem para conduzir?
N�o te importas que conduza?
- Onde est�s a viver? - � tudo um pouco...
Podes ficar com o Nick e a Ilsa. Logo, ligo-lhes.
Obrigada.
Obrigada.
- Eu s�... - Merda.
- Desculpa. Eu queria... - Eu sei.
Vamos atrasar-nos muito.
Deve ter contado todos os detalhes � Pol�cia.
Contei. A Kinvara n�o saiu de casa naquela noite, n�o saiu do quarto.
O soalho faz imenso barulho, eu daria conta.
Foi o que quiseram saber.
E na manh� seguinte? Viu-a com algu�m?
O ferrador veio c�. Depois, ela foi montar cerca de uma hora.
E a Pol�cia chegou.
- Sabe para onde vai cavalgar? - Para todo o lado.
Sabe quem s�o os amigos da Kinvara?
Ela n�o gosta de pessoas, s� de cavalos.
Tegan, lembra-se de ver ou de ouvir rumores
de ter acontecido algo entre a Kinvara e o Jasper?
Uma vez, vi-a a dar-lhe com um martelo na cabe�a.
- Um martelo? - Sim, ele mandou abater a Lady,
enquanto ela estava fora.
Ela voltou, descobriu e atacou-o.
Deu-lhe na cabe�a. Tive de ligar ao m�dico, ele sangrou muito.
- Ligou � Pol�cia? - N�o, ele n�o quis.
Ele deixou de sentir cheiros, destruiu-lhe um nervo.
E ela foi para um s�tio chique tratar a depress�o.
Mas, mesmo quando voltou, apanhava-a a chorar no est�bulo da Lady.
Tenho de ir dar uma aula, n�o quero ser desagrad�vel.
Obrigado, ajudou imenso.
- Se algo lhe ocorrer, ligue-nos. - Sim.
Podemos falar disto com a Kinvara.
Dar com um martelo na cabe�a do marido?
- Achas que ela fala connosco? - Vai querer parecer prest�vel.
Aposto que nos vai dizer que o amava e que ele era suicida.
- E depois? - Depois falamos do martelo.
Rev�lver Harrington & Richardson. � ilegal, Sra. Chiswell.
Era do Jasper. J� � tarde e estou aqui sozinha.
- N�o esperam que vos deixe entrar. - Esperamos.
Pensei que gostavas daquele quadro.
Deve ter sido vendido.
N�o sabia que est�vamos t�o mal.
Vai tudo para as d�vidas.
- Tem de o entregar amanh�. - C�us! O que fazem aqui?
Est�vamos perto e temos umas perguntas para si.
Sabia que o seu marido estava a ser chantageado?
Claro que sabia.
O Jimmy Knight diz que queria que o seu marido lhe desse o que era dele.
O Jasper achava os rapazes Knight toscos,
mas quase se entende o apoio ao socialismo ao ouvir o Jimmy.
- Pensei que mal o conhecia. - N�o conhe�o.
Ligou para casa algumas vezes, s� isso.
E achei que ele tinha raz�o.
O Jasper devia ter dividido as receitas com os Knights.
As receitas de qu�, ao certo?
O que importa agora?
O pai do Jimmy e do Billy constru�a forcas.
A propriedade dava-lhe madeira e uma oficina, e dividiam os lucros.
Ficariam admirados com o que rendia a exporta��o.
Quarenta mil libras por uma completa.
Um pouco mais do que ferramentas velhas.
Bem, sim.
Depois da morte dele, havia duas forcas
terminadas mas n�o vendidas.
E depois a UE mudou a lei. Maldita Europa!
Tornou ilegal vender equipamento de tortura e execu��o.
Mas o Jasper vendeu-as na mesma. Porque n�o o faria?
Enforcar n�o � ilegal em todo o lado.
- Vendeu-as ao Zimbabu�? - Sim.
Mas uma n�o chegou l�. Foi desviada por rebeldes.
E usaram-na para enforcar o Samuel Murape,
o rapaz brit�nico raptado no ano sab�tico.
Tiraram fotos e mandaram para os Neg�cios Estrangeiros.
O Christopher Barracough-Burns alertou-nos.
Disse que se via entalhada a imagem de marca do Jack Knight.
O cavalo branco.
E perceberam que era daqui. N�o � boa publicidade, pois n�o?
Imaginem o que o The Guardian teria escrito.
Disse logo ao Jasper: "D� aos Knights a parte deles."
Mas ele n�o me deu ouvidos. E eles quiseram vingar-se.
A chantagem.
E tornou-se demasiado para ele, como sabemos.
N�o achamos que o seu marido se tenha matado, Sra. Chiswell.
A Pol�cia tamb�m n�o.
Porque � que o atacou com um martelo?
Ele esperou at� eu sair e abateu o meu cavalo.
Foi como se me tivesse matado um filho.
Podem n�o acreditar em mim, mas amava o Jasper e ele magoou-me.
Magoou-me imenso.
Ningu�m sabe o que se passa num casamento, al�m do casal.
Um dos meus vizinhos acha que um c�o meu se soltou.
Podem vir comigo ver? N�o gosto de andar sozinha.
- Os dois. - Claro.
Preciso de ir � casa de banho. Posso...?
- N�o pode esperar? - N�o, de todo.
- � ali. Despache-se e apanhe-nos. - Obrigada.
- J� acabou? - Desculpe.
- Falso alarme, est� tudo bem. - Boa noite.
Sabes porque quis que sa�ssemos de casa?
Estava l� mais algu�m.
L� em cima, ouvi algu�m a andar.
Tentou esconder-se quando viu que eu estava l�.
- Espero que n�o... - Estava um quadro no s�t�o.
O �nico que foi levado para l�. Tirei uma foto.
� o "Mare Mourning", o que estava por cima da lareira.
Porque nos mentiu e disse que tinha sido vendido?
- � malhado? - Esses s�o pretos e brancos.
Esse � castanho e branco.
Acho que sei quem matou o Chiswell. Mas temos de ter a certeza.
Se estivermos errados, eles podem emendar a hist�ria.
- Ol�, Sarah. - Pedi para esperarem na rece��o.
N�o faz mal. Entrem.
- O Matt est� desesperado. - Deu-te o brinco?
- Desculpa? - O que me deixaste na minha cama.
N�o quero saber.
J� podem ficar juntos.
N�o temos de fingir ser amigas, vim em trabalho.
Trabalhas na Old Masters, n�o �?
Achamos que este quadro pode valer muito dinheiro.
Carreguei as fotos que tirei na Casa Chiswell.
Estou a v�-las agora.
A maioria � do Freddie e dos amigos da esgrima.
Temos 5 minutos e expulsam-nos se o Billy se irritar.
Mas se reconhecer a pessoa desta foto...
Saberemos o que viu na colina naquela noite.
- � bom v�-lo, Billy. Como se sente? - Bem.
Estou a tomar tudo para me sentir mais calmo.
- Mas n�o sei quanto a ver pessoas. - N�o farei muitas perguntas.
S� quero que veja uma coisa.
Pode fazer isso?
- N�o � a melhor foto... - N�o, � ela.
Foi a ela que vi. A rapariga que vi a ser esganada na colina.
- Como descobriu? - Foi esganada, mas n�o morreu.
E n�o � o que viu a ser enterrado. Isso era outra coisa.
- Ela n�o morreu? - N�o. Sobreviveu.
Temos de falar com algumas pessoas,
mas gost�vamos de voltar outro dia para explicar as coisas.
Podem dizer-me de que se trata?
Tenho imensas coisas para fazer e s� estarei aqui hoje.
Alguma vez viu este quadro, na Casa Chiswell?
N�o, nunca o vi. De certeza que n�o. Porque mo est�o a mostrar?
� um quadro de John Frederick Herring,
o Drummond avaliou-o como parte da vossa venda.
- Foi ele que me disse. - Mas n�o � nosso.
Algu�m substituiu o "Mare Mourning" por este quadro na avalia��o.
Uma perita avaliou uma foto do "Mare Mourning"
e acha que pode ser um Stubbs perdido.
O que o faria valer muito dinheiro.
N�o sabia nada disto, pois n�o?
O Raphael reconheceu o valor do quadro numa visita � vossa casa.
Sei que pensa que ele a ama, mas nem sei se ele gosta de si.
Mas era capaz de casar consigo por 20 milh�es.
Ele disse-lhe que tinha descoberto um Stubbs?
Ou n�o mencionou isso
quando disse que matar o Jasper era a �nica forma de ficarem juntos?
Pense no porqu� de ele o ter feito.
Estavam a planear uma nova vida juntos.
Ele estava a pensar quanto teria de esperar at� a matar.
Dois homic�dios no espa�o de uns anos e o quadro seria dele.
Ia deix�-lo para ele.
Eu n�o... N�o pensei... Meu Deus!
Meu Deus!
Onde est� ele?
O quadro desapareceu. Ele deve t�-lo.
Ainda n�o o temos, mas a casa est� vigiada.
- N�o vai demorar. - Ponham algu�m na casa da Izzy.
Ela ama-o. Vai querer acreditar nele e ele mente bem.
V� o interrogat�rio � Kinvara?
- Pode ser �til. - Com todo o gosto.
Vou ter de me ausentar umas horas.
- Est�s bem? - Sim, o Matt quer falar comigo.
- Ignora-o. - J� tentei, bloqueei-o,
mas comprou outro telem�vel.
L� isto.
"Robin, est�s a ser infantil. Estou num cliente..."
Mais para baixo.
Vai dizer aos jornais que eu e tu...
Sempre pensou isso de n�s, � pat�tico.
Seja como for, acho que s� tenho de falar com ele.
Est� com um cliente em Little Venice, vou l�.
- Vou contigo. - Acho que isso n�o ia ajudar.
Eu fico bem. Algum dia, terei de estar com ele.
Temos um div�rcio para organizar. N�o demoro.
Sabe para onde ele podia ir para se esconder uns tempos?
Teve muitas namoradas, ele � bom a manipular mulheres.
J� localiz�mos duas. Uma m�sica e a filha de um lorde,
mas deve ter raz�o. Haver� mais.
A Izzy falou noutra, uma que tem uma casa flutuante.
Sabe onde est� ancorada?
- Robin? - Cormoran, eu fico bem.
N�o v�s a Little Venice.
N�o, nem penses. N�o.
Quando uma visita diz que tem de ir mijar,
� m� educa��o andar a passear pela casa.
Qual � o teu c�digo?
- 1875. - O qu�?
1875.
A fam�lia teve isto pendurado num quarto de h�spedes 20 anos.
N�o lhe ligaram at� a Kinvara gostar e o pendurar por cima da lareira.
� um Stubbs, n�o �?
- Devias entregar-te, Raff. - N�o, obrigado.
O que far� a fam�lia se o tentares vender?
N�o vai importar, j� ser� meu.
Direi que levei o que o meu pai pediu.
� a palavra dele contra a minha e ele est� morto.
Quando a Kinvara morrer de acidente,
vou encontrar o "Mare Mourning" no s�t�o e herd�-lo.
Um pr�mio de consola��o para o seu marido enlutado, mas muito desejado.
Tudo o que te lembrares sobre ela. � importante, Izzy.
� artista, acho eu. A casa flutuante tem um nome.
�... v� l�.
Pronto, vamos fazer assim.
Se me convenceres de que estou mesmo fodido, deixo-te ir.
Mas, se achar que consigo safar-me disto,
atiro-te borda fora quando escurecer e arrisco.
Anda l�, convence-me.
- Sabem do teu caso com a Kinvara. - Com que provas?
Sabemos que foram ao Le Manoir, os funcion�rios identificam-te.
J� estive l� com outras pessoas. Era ofensivo n�o me reconhecerem.
Ela estava na galeria contigo, quando o Drummond voltou mais cedo.
Ficaste e ela fugiu pela janela,
o Drummond achou que era a assistente.
Pensaste que tinhas escapado, mas o teu pai foi falar da venda.
Ele viu os comprimidos da Kinvara no ch�o.
Ela deve t�-los deixado cair enquanto fugia.
Quando os viu na secret�ria dele, ela soube que tinham sido apanhados.
A fam�lia sabe que nos odi�vamos, v�o apoiar-me.
Tu � que falaste ao Jimmy Knight da venda das forcas.
A Kinvara contou-te. Falou-te das fotos do Murape.
Tinhas de o pressionar para o suic�dio parecer plaus�vel.
N�o h� provas, usei um telem�vel descart�vel.
Ele n�o sabe quem lhe ligou nem quis saber. Continua.
Percebes de arte. Viste que o "Mare Mourning" era um Stubbs.
E, desde ent�o, que tentas deitar-lhe as m�os.
Dissemos isso � Kinvara esta manh�. Ficou destro�ada, Raff.
Come�ou a falar com a Pol�cia.
N�o. A Kinvara acha que a amo. Eu pu-la a repetir
que tentar�o separar-nos enquanto a fodia.
Ela n�o vai falar. Logo, estamos num impasse, Venetia.
A chave. A chave para Ebury Street.
Desculpa, mas isso foi perfeito.
Pus o meu carro vis�vel nas c�maras e levei o da dona desta casa.
Acelerei pela autoestrada, a Kinvara foi montar.
Encontr�mo-nos longe da casa, sem testemunhas. Ela voltou.
Regressei a tempo da Izzy ir l� com a not�cia tr�gica.
A Kinvara ligou-me com a Pol�cia l�. "N�o atende, deve estar a dormir."
Puseram-me em West London quando eu estava a conduzir na M40.
A chave n�o vai ser problema.
E acho que n�o tens mais nada para dizer.
Tapa a cara com isto. J�.
N�o estava a falar de quando lhe devolveste a chave.
Estava a falar de quando ela ta deu na esta��o de Paddington.
Foste apanhado pelas c�maras � sa�da. V�-se a tua cara.
Foda-se.
Foda-se!
J� estiveste numa pris�o? S�o animais, tresandam.
Ia comprar uma casa em Capri e um apartamento em Londres.
Ia finalmente ser livre.
Sem os Chiswell.
Sei como o Freddie te travava em mi�do.
Sei que ele...
Sei que te esganou.
Sei que matou o teu p�nei de estima��o.
E eu estava sentado nele. Sabias disso?
Dias felizes.
Sabes o que me pode animar?
Acho que gostava de ver a tua cabe�a a explodir.
Anda l�, seu covarde de merda.
Foda-se.
Ele � todo vosso.
- Larguem-me! - Acalme-se.
Tirei as balas na Casa Chiswell.
Vamos l�.
Como te arrancou o nome do Matthew?
Nunca deves dar a um suspeito...
D�s-me dois minutos para desfrutar de n�o estar morta antes disso?
� justo.
A m�e do Raff gostava de o ver de cabelo grande, passava por menina.
Mas eu vi-os levar...
O corpo na manta rosa era um p�nei. O Freddie matou-o.
O seu pai ajudou-o a livrar-se dele.
Tamb�m foi o Freddie que viu a esganar o Raphael.
Por isso � que fez essa liga��o.
Pensei mesmo que era uma mi�da.
Bem, foi uma �ptima testemunha, Billy. Para mi�do de seis anos, foi �timo.
- O que vi eram os teus irm�os? - Pelo que soube,
o Freddie devia tomar conta do Raff, mas os amigos quiseram ir ao cavalo.
E foram longe demais.
O div�rcio dos nossos pais foi dif�cil e o Freddie podia ser...
- Sei que isso n�o desculpa nada. - Sei como isso �.
A minha m�e morreu e o meu pai bebia...
Eu vi.
Vi-o a dar-te pontap�s, uma vez.
Tentei dizer alguma coisa, tentei mesmo.
Terem-me posto aqui foi muito gentil.
N�o tinham de fazer nada.
Vamos pagar o teu tratamento. A minha fam�lia deve-te isso.
O Cormoran sugeriu isso e eu concordei.
Pode ser algo bom.
- N�o quero ser... - N�o �s. Honestamente.
Os jornais dizem: "Um Stubbs perdido, que boa sorte!"
Mas ficamos sem homens.
O meu pai, o Freddie.
O Raff tamb�m, de certa forma.
Foram-se todos.
N�o � f�cil, pois n�o?
Nada disto.
S�o as pessoas.
N�o sabem viver.
Alguma vez pensas no que faremos a seguir?
Vamos ganhar mais algum dinheiro para n�o estarmos t�o apertados.
E faremos da ag�ncia a melhor de Londres.
- Dev�amos ficar com o Sam. - Tamb�m acho.
- Como vai a terapia? - Tenho feito os exerc�cios.
- Como est� a tua perna? - Tenho feito os exerc�cios.
Queres comer comigo, com o Nick e a Ilsa?
Parece-me bem, l� estarei. � aqui.
Sr. Harris. Pode ser um bom trabalho.
Vou para Finsbury Park.
A ama do Sam faltou, eu fiquei de fazer vigil�ncia.
- Vemo-nos logo. - Levo cerveja.
Eu sei.
Ag�ncia Strike, fala Robin Ellacott. Como podemos ajudar?
Tradu��o: Cl�udia Pereira www.sdimedia.com
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