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Original subtitles

Embora se baseie em factos reais, certas personagens, eventos e di�logos

foram ficcionalizados ou inventados para efeitos de dramatiza��o.

Como est�s, Emilio?

Bom dia, Sr. Presidente.

-Como est�s, Emilio? Bem? -Muito bem.

-Muito bem, felizmente. -� bom ver-te.

-Igualmente. -� um prazer.

-Caf�? -Sim, por favor.

Os estrangeiros n�o entendem a maioria dos nossos costumes.

Eu tamb�m n�o.

Rub�n, substitui-me. Eu volto j�.

-Est� bem? -Sim.

A rua Florida � a rua com mais "arbolitos" da Argentina.

CASA DE C�MBIO

-Qual � a taxa de c�mbio? Caramba! -Voltou a subir.

Refiro-me a cambistas ilegais.

D�lar, iene. C�mbio.

"ARBOLITO" = CAMBISTAS DE RUA

N�s, argentinos, idolatramos o Maradona, adoramos carne, adoramos ch�-mate...

C�mbio.

Mas o que mais respeitamos acima de tudo � o d�lar.

Ol�. Vim falar com o Pocho. Trouxe-te umas massas. S�o duzentos mil.

Tanto que at� dormimos com ele.

Sentimo-nos protegidos, ent�o, deitamo-nos e abra�amo-lo.

O problema da nossa moeda

� n�o sabermos quanto vai desvalorizar amanh�.

Ou em cinco minutos.

J� mudou de novo?

Pode j� nem ter valor agora.

Ou talvez tenha deixado de existir. Est�s a perceber?

Oxal� percebas. Pe�o a Deus que sim.

MENEM: THE PRESIDENT SHOW

V� isto, Olegario.

YOMAGATE, O ESC�NDALO DAS MALAS DE AMIRA

Pelos vistos, Amira Yoma, cunhada do presidente Carlos Menem,

est� envolvida num caso de corrup��o e lavagem de dinheiro

a uma escala internacional.

O modus operandi envolvia enviar malas de Buenos Aires para o estrangeiro

e novamente para Buenos Aires.

-O meu pai quase levou uma dessas malas. -O qu�?

RESID�NCIA PRESIDENCIAL

-Tu. -O que foi?

N�o tens nada para me contar?

At� quando planeavas evitar-me?

Pensei que eras meu amigo. Enganaste-me.

N�o chegaste a viajar.

Porque o avi�o n�o saiu, mas podiam ter-me revistado as malas.

O que continha a mala?

-E interessa? -Sim, para mim, interessa.

Papelada importante. Assuntos confidenciais.

Eu sei porque perguntas. N�o est� relacionado.

Aquelas malas entraram no pa�s. Eu dei-te uma para levares.

Era dinheiro, n�o era? Dinheiro sujo.

Todo o dinheiro � sujo, Olegario.

Ou pagas impostos da tua empregada de limpeza?

Mas n�o aconteceu nada.

Relaxa. Vamos dan�ar. N�o podes andar sempre amargurado.

Est�o a acontecer coisas maravilhosas. V� l�.

Ou tens problemas? Precisas de dinheiro?

Preciso que pares de me tomar por um idiota.

Boa noite.

Bem-vindos a mais uma edi��o de Tiempo Nuevo.

Hoje temos um programa especial.

Aqui est�o os dois.

Amira Yoma, irm� de Zulema,

secret�ria e cunhada do presidente.

Alegadamente foi acusada

de trazer para o pa�s malas cheias de dinheiro do tr�fico de droga.

Em conluio com o irm�o, Emir,

e Ibrahim al Ibrahim, seu marido,

que, por acaso, trabalha na alf�ndega do aeroporto de Ezeiza.

O senhor est� equivocado.

Estou equivocado?

O Sr. Ibrahim j� n�o � meu marido.

Sra. Amira, lavou dinheiro de corrup��o?

Porque eu procurei provas, fiz o trabalho de casa

e n�o encontrei nada.

Mas h� uma ju�za que parece que encontrou algo.

Bem, a ideia n�o era esta, Silverman.

A Amira e o Emir iam l� explicar a situa��o.

Ele s� tinha de lhes dar umas deixas.

Mas ele entrou a matar. N�o os protegeu.

O Bernardo fez tudo o que lhe pedimos.

Mas viste a cara do Emir?

Ele estava assustado.

N�o, estas coisas n�o o assustam.

Pede-lhe desculpa.

Pedir desculpa? Porqu�, Carlos?

Vai � esta��o de televis�o, espera por ele e oferece-lhe um caf�.

Sim? Eu pago.

Vai.

Temos de proteger os Yomas.

Este Bernardo � um idiota.

Temos de dar algo � imprensa. Sobretudo � que nos apoia.

E � ju�za.

Com quem devo falar?

Com licen�a.

-Temos de falar. -Sim.

O Rubino � um tipo leal.

Mas � imposs�vel fazer um bom churrasco sem sacrificar a vaca.

� a pura verdade.

O Rubino? Porque n�o o mandaram a ele em vez do Emir?

O teu cunhado mete medo. At� a mim.

Porque as manchetes dizem "Yomagate". N�o dizem "Rubinogate".

Por favor, informa as pessoas, Bernardo.

Est� bem. Quando vens ao programa?

Tenho problemas s�rios, Bernardo.

Isto n�o � nada comparado com os problemas econ�micos do pa�s.

-O que vais fazer? -Vou dar a cara, como sempre.

Tem de confiar.

Isto � muito animador.

Ursula...

URSULA LUNARIS ASTRALIS ASSESSORA DE ASTROLOGIA DO PRESIDENTE

H� um ano que assumi o cargo e o pa�s continua a arder.

O d�lar sobe, a infla��o dispara

e as pessoas est�o chateadas.

Disseste-me que o meu mandato ia ser uma festa, mas mais parece um vel�rio.

De todos os meus assessores, �s a que menos acerta.

E olha que se v� aqui cada um...

As cartas n�o mentem, Carlos Sa�l.

Dizem que h� uma oportunidade.

H� um homem que � o seu oposto.

Como o dia da noite. Mas ele pode ajud�-lo.

N�o � ningu�m novo. � algu�m que j� conhece.

Algu�m que tem um plano.

Eu sou o dia?

E ele � a noite, certo?

Sim.

Obrigado.

AGORA, SIM, A FAMOSA PASTA

Como est�s? Tudo bem?

-Muito bem. -Ainda bem. Senta-te.

Isto seria a infla��o ap�s a proposta.

O gr�fico � bastante claro.

Isto � a infla��o por prov�ncia, esta � a anual.

Aqui � a interprovincial.

N�o me mostres os gr�ficos.

Basicamente, isto � equil�brio fiscal.

� uma paridade de um para um. N�o h� outra forma de o fazer.

-As divisas... -N�o, espera, Mingo.

Est�s a dizer-me que as pessoas podiam ter d�lares como moeda corrente?

N�o.

N�o. Bem, isso � um pormenor.

Como assim? � o cerne da quest�o.

-Posso contar-te uma hist�ria? -Claro.

Quando era governador de La Rioja, mand�mos imprimir notas de 100 austrais.

Com uma pequena diferen�a. Sabes qual?

-N�o. -Com a minha cara.

-Era uma brincadeira, claro. -Sim.

Mas os turistas vinham, viam as notas,

divertiam-se com elas e queriam compr�-las.

Sabes por quanto?

Cem austrais.

Percebeste?

O valor real de algo n�o � econ�mico, Mingo,

� pol�tico.

N�o, o valor � econ�mico, Sr. Presidente.

Se fosse a ti, n�o discutia com um presidente.

Sobretudo quando o presidente tem raz�o.

Ou vais dizer que n�o tenho?

Certo. Ent�o, podemos converter os austrais em d�lares.

Daqui a menos de um m�s � a Semana Santa.

� uma �poca de milagres.

Sou s� o Ministro dos Neg�cios Estrangeiros.

Isso � um mero pormenor.

Feito. �s o novo Ministro da Economia.

Muito obrigado, Sr. Presidente. Os n�meros v�o falar por si.

-Podes retirar-te. -Com licen�a.

MINIST�RIO DA ECONOMIA

Respons�vel m�ximo de rede internacional de lavagem de dinheiro

"Convers�o" soa a algo religioso.

� melhor chamarmos-lhe conversibilidade.

Fazemos corresponder o valor do d�lar a dez mil austrais.

O que lhe parece, Mingo?

N�o, tem de ser um para um.

Um d�lar, um austral?

-� imposs�vel. -Austral, n�o.

Temos de voltar � moeda nacional, o peso.

Um peso, um d�lar. Empate vencedor.

� o que o Menem quer.

-Quando � que a lei fica pronta? -Daqui a tr�s, quatro dias.

-Despacha-te e escreve um decreto. -N�o, um decreto?

A lei tem de ser aprovada no Congresso.

N�o est�s a perceber.

Precisamos disto at� mar�o, enquanto o Banco Central tem reservas.

Se entram as indexa��es de mar�o, os n�meros v�o pelo cano abaixo.

-� um risco muito grande. -A lei � perfeita.

Mas deve haver consenso para que as pessoas aceitem.

Muito bem.

Como assim pelo Congresso?

Eu sei o que te digo, Mingo. Isto n�o tem de ir ao Congresso.

Eu assino um decreto, f�-lo r�pido.

Os decretos s�o malvistos, Sr. Presidente. Sabe disso.

Sobretudo depois do Yomagate.

Rubinogate. E isso j� l� vai.

Ou�a bem. A minha recomenda��o � que passe pelo Congresso.

Est� bem. Vai passar pelo Congresso.

-J� est�s contente? -Sim.

� s� isso que eu quero, Mingo.

Sim?

Ol�, Sr. Presidente.

Porque me ligas a esta hora?

Creio que lhe falhei.

DUAS HORAS ANTES

Convidamos os senhores deputados a sentarem-se para proceder � vota��o

CONGRESSO DA NA��O ARGENTINA

do projeto de lei n.� 23 928 sobre conversibilidade.

Procedam com a vota��o, por favor.

Muito bem. Aprovado por maioria afirmativa.

Projeto de lei n.� 23 928 sobre a conversibilidade do austral.

Sim.

Damos por terminada a sess�o de hoje da C�mara de Deputados.

-Muito obrigado. -N�o, n�o pode ser.

J� s�o 00:30. � quinta-feira, 28 de mar�o.

� feriado. Hoje e amanh�.

N�o h� boletim oficial.

Temos um pequeno problema. Bem, um grande problema.

Mingo, n�o fazes ideia do que � um problema.

At� logo. Boa noite.

-Sim? -Ariel, desculpa incomodar-te.

� a Semana Santa e n�o queria incomodar o Silvio.

N�o sabia que o Silvio era t�o religioso.

�. Preciso que seja publicado o boletim oficial.

N�o, Carlos, n�o � publicado nos feriados.

Ariel, ainda n�o percebeste quem � que decide o que pode ser feito ou n�o?

F�-lo e pronto.

Deputado, como est�?

AN�NCIO DA CONVERSIBILIDADE NA TELEVIS�O NACIONAL

Diz-me, h� alguma hip�tese de a conversibilidade correr mal?

A verdade � que nenhum pa�s tentou. N�o sabemos ao certo.

Se as pessoas n�o apoiarem e os pre�os continuarem a subir,

ser� uma cat�strofe.

Sr. Presidente, o plano est� pronto.

Acrescent�mos uma cl�usula � lei que associa todos os d�lares � Reserva.

-Muito bem, Mingo. Confio em ti. -Obrigado.

-Escuta. -Sim.

Queres anunci�-lo agora na televis�o nacional?

-Sim. Agora? -Sim. Agora.

Sim. D�-me licen�a.

A partir de hoje,

6 DE ABRIL DE 1991

come�amos a implementar o plano de conversibilidade da moeda.

...o pr�mio de cinco mil d�lares...

...vai permitir-nos controlar a taxa de infla��o desenfreada.

Estabelece uma taxa de c�mbio fixa entre a moeda nacional e o d�lar,

� raz�o de um d�lar por cada dez mil austrais.

Posteriormente, ser� introduzido um peso convert�vel.

INFLA��O MENSAL

� o que o Menem quer.

Vou t�-lo na palma da m�o durante anos.

Despacha-te e escreve o decreto.

Mas se sai em decreto, o presidente fica com os louros.

Mas se passar pelo Congresso...

Os louros s�o todos seus.

Muito bem.

UM ANO DEPOIS 1992

O que dizes, Estelita?

Ela � alt�ssima.

J� produzi metade da cole��o

e continuo a receber novas clientes.

Elas foram aben�oadas pela natureza.

Verdade.

S� faltavam os contratos, mas gra�as ao teu empurr�ozinho...

N�o h� nada que me agrade mais na vida do que dar esse empurr�ozinho.

-� o meu sonho. -� um sonho tornado realidade, meu amor.

-Somos s�cios. -Ol�.

Como est�? Olegario. Como est�?

Sempre que chego a casa, deparo-me com algo novo.

-N�o, obrigada. -N�o, obrigado.

Anda ver, amor. Isto � o futuro.

Est�o a enviar o cat�logo de seda

diretamente da China atrav�s desta maquineta chamada fax.

-� um mundo novo. -Mas que m�quina � esta?

L� porque � nova, n�o quer dizer que seja boa.

Quem � que paga isto?

Irm�o, quer-me parecer que entraste e nem disseste ol�.

Passaste por n�s como se f�ssemos decora��o.

-N�o foi? -Desculpem. Pronto.

-Como est�s, Estelita? -Como est�s, Olegario?

-Como est�s, irm�o? -Bem. Est�s zangado?

Porque estaria zangado?

Talvez n�o te agrade que eu e a Amandita agora sejamos s�cios.

S�cios? De qu�?

Do projeto da boutique. Olha s�, amor.

� um sonho. Boutique Amanda Salas.

Qual boutique, Amanda?

N�o fal�mos que, depois da situa��o da mala,

�amos manter a dist�ncia do Silvio?

Eu sei da mala.

Mas, sinceramente, Olegario, nunca soubemos o que continha.

S�o tudo conjeturas, suspeitas, opera��es e teatro.

A verdade � que o Silvito est� a concretizar o meu sonho. O meu sonho.

Tu �s o fot�grafo presidencial. As tuas fotografias est�o em todo o lado.

Eu quero o mesmo que tu. Realizar o meu sonho.

N�o posso? Quero o mesmo que tu.

Boa tarde, senhores.

Boas not�cias.

REUNI�O COM EMPRES�RIOS MINIST�RIO DA ECONOMIA

N�o haver� limita��es � importa��o dos vossos produtos.

Fant�stico.

Esperamos pelo presidente para assinar?

O presidente est� a tratar de outros assuntos.

N�o sei quais s�o, mas a economia do pa�s n�o �.

Fal�vamos com o Bernardo sobre o sucesso da conversibilidade.

Funcionou t�o bem que nem a tua revista conseguiu criticar.

Estamos a aprender.

Ainda bem. Agora pensem nisto.

Est�o diante do pai da estabilidade,

mas nunca me entrevistaram.

Tens raz�o, Mingo.

Na ter�a-feira, vais ao meu programa para uma entrevista.

Se eu te entrevistar, estamos queimados.

Tens algo para me dar?

O Menem e o �cio.

Sabem o que fazia no dia em que assin�mos a lei da conversibilidade?

Estava a jogar t�nis.

MENEM SOCIAL E DESPORTIVO

A infla��o evaporou-se. Baixou, desapareceu.

A mente por tr�s disso tudo? Aqui est�.

Sentadinho, � espera da entrevista.

Humilde, acima de tudo.

Dr. Cavallo.

E d� festas em Olivos.

� grande.

Modelos, desportistas, famosos.

Prostitutas.

Algum nome?

N�o, espera l�. Tenho nomes, mas vamos com cuidado.

Deus deu-nos o condicional.

Era capaz de jurar que os esquerdistas eram ateus.

Ateus, sim. Mas n�o s�o parvos.

"Enquanto Cavallo trabalha at� tarde, segundo as nossas fontes,

"Menem ocupa-se com os seus passatempos, tanto desportivos como sociais."

Pensei que ser jornalista era diferente.

O Raul quer outro tipo de abordagem.

� impressionante. As revistas t�m mais propaganda oficial que artigos.

� onde est� o dinheiro.

O PRESIDENTE VOLTA � SUA ANTIGA PAIX�O

TUDO EM ORDEM

O MODELO DO �XITO

Precisamos de mais pessoas na Alf�ndega.

Est�o a chegar 15 navios por dia.

-Alguma novidade? -As pessoas gastam como nunca.

� incr�vel. Foi em cheio.

Aquele Mingo � um g�nio.

A infla��o evaporou-se.

Finalmente, um ministro da economia que sabe o que faz.

Este � o verdadeiro milagre argentino.

Muito obrigado.

Toma. Toma l� disto. � isto que queres? Toma.

Anda c�.

-Correu muito bem. -N�o podia ter corrido melhor.

Trav�mos a infla��o, as pessoas est�o felizes.

Sim, eu leio as sondagens.

Est� chateado, Sr. Presidente?

-Eu n�o fico chateado. -Mas est� t�o s�rio.

O River perdeu o jogo. Querias o qu�? Tu �s do Boca.

N�o sou f� de futebol. Prefiro esqui aqu�tico.

-Eu e a Sonia vamos sempre... -Est� bem.

Escuta, Mingo.

Daqui a pouco, vou fazer uma transmiss�o nacional ao vivo e em direto.

Preciso de umas notas para que as pessoas entendam que a infla��o em abril foi 1%.

Entendido?

-Perfeitamente. -Podes ir.

-Estamos prontos? -Olhe para aqui.

O d�lar... A f�rmula principal define... 3%... O pre�o de 2000 artigos...

Estes 30%...

� necess�rio isto tudo para explicar a descida da infla��o em abril, Mingo?

Sim.

E como explico a vari�vel interanual do PIB?

A explica��o � muito simples.

N�o, n�o me parece simples.

A infla��o desacopla o PIB,

mas n�o pode ser interpretado de forma linear.

Carlos, entras em direto em 15 minutos.

N�o, sabes que mais, Mingo? Explica tu.

Sr. Cavallo, vamos entrar no ar...

-...em tr�s, dois... No ar. -O que aconteceu?

Hoje come�amos a colher os frutos do plano de conversibilidade

lan�ado h� muito pouco tempo.

Este um porcento de infla��o...

O Menem percebeu que o Cavallo

tinha passado ao ataque e queria ficar com a gl�ria para ele.

Ent�o, decidiu contra-atacar.

Ele n�o percebia de economia,

mas tinha umas quantas cartas na manga.

O PRESIDENTE MARCA

PRESIDENTE DAN�A O TANGO

Quem te mandou? O Cavallo? Ele � louco.

Quero dedicar esta vit�ria a toda a gente no meu pa�s.

Mas ficou em �ltimo, Sr. Presidente.

Trouxe uma calculadora? D�-a ao Cavallo. Ele gosta de n�meros.

MENEM REBENTA BIELA

-� um �timo bailarino. -Melhor do que o Cavallo, de certeza.

Obrigado por estarem sempre do meu lado e do nosso povo.

Obrigado.

V� algu�m como o Cavallo como presidente?

� de loucos o que aquele careca anda a fazer.

O HOMEM QUE CONSEGUIU ESTABILIZAR A ECONOMIA

DOMINGO CAVALLO: O PLANO ECON�MICO DE QUE A ARGENTINA PRECISAVA

CONTINUA O SUCESSO DO PLANO ECON�MICO

Bom dia.

P�e-te na mesma posi��o que o Carlos. Mas apoia-te como o Carlos faz. Obrigado.

Mery, sabes alguma coisa do Ricky? Quando � que ele vem?

Rubencito, o flash n�o est� a disparar.

Experimenta tu.

Est� bem. Obrigado. Eu gosto assim.

Ao natural. Claudia. Bom dia.

-Olegario. -Carlos.

-Como est�s? -Bem. Muito bem.

"O n�mero um." Mingo...

Mingo.

N�o h� mais jornais?

Mingo.

Carlos, olhe para cima.

-Isso. -Assim?

-Sim. -Est� bom assim?

Sim.

Pronto.

N�o me deixes �s escuras.

� pior se tiver muita luz.

Na fotografia, � tudo uma quest�o de exposi��o.

Como assim?

Se o fotografar com pouca luz,

posso sempre retocar um pouco quando revelar a fotografia,

torn�-la mais v�vida.

Mas se o sobre-expuser,

se o iluminar em demasia,

fica queimado.

V�?

Se o iluminar demasiado, Carlos, fica queimado.

Claro. Fica queimada.

A� est�. O sorriso que eu procurava.

Tinhas de ser de La Rioja.

Mingo.

Preciso de te pedir um favor.

Tenho andado sem energia ultimamente.

A partir de agora, preciso que comuniques as not�cias da nossa administra��o.

Que sejas o rosto do governo perante a comunica��o social.

Agrade�o, Sr. Presidente, mas tem a certeza?

Sei falar de economia, mas � s� isso.

Tu sabes falar de qualquer coisa, homem!

Ficar-te-ei muito agradecido, Mingo.

-Aproveita, Mingo. -Como � que paro?

Cuidado com os ramos.

A nossa rela��o com os credores normalizou.

Portanto, torn�mo-nos um pa�s que honra as suas obriga��es.

E quais dos nossos monumentos emblem�ticos j� visitou?

N�o sou muito de viajar pelo pa�s.

-Podemos ver uma grava��o, ministro? -For�a.

Sindicalistas ferrovi�rios manifestam-se

contra o ministro da Economia, Domingo Cavallo,

por causa dos cortes no setor.

Mas para onde viaja? Se for de f�rias...

Vamos mais aos Estados Unidos ou � Europa.

-Est� bem. -Sim.

Felizmente, estamos numa economia

em que � o consumidor que tem de garantir que n�o lhe � cobrado em demasia.

Portanto, os bancos nacionais e internacionais

t�m recursos suficientes para emprestar �s empresas.

E �s pessoas, claro.

Estou a falar consigo, Sr. Ministro da Economia.

Grande filho da m�e!

Cavallo, seu filho da m�e.

-Gosta de ch�-mate, ministro? -N�o. N�o tenho costumes argentinos.

Escutem, vim aqui dar a cara. Sim? Estou a falar para as c�maras.

N�o como medialunas, n�o bebo ch�-mate.

Sou criminoso por isso?

Mais uma?

Traidor. Lacaio dos estrangeiros.

Prefere as empanadas de Salta ou de Tucum�n?

-Aqui tem. -Obrigado.

As de Salta ou...

Filho da m�e.

A despedir pessoas trabalhadoras.

Pratica desporto? Futebol?

N�o gosto de futebol.

A Sonia gosta de esqui aqu�tico. �s vezes, vou com ela.

Sr. Cavallo, deu-nos um aumento de cinco pesos por m�s.

N�o chore, ministro.

Agrade�o a �nfora.

Convenceu-o a vestir a camisola do River?

Tento sempre inclu�-la de alguma forma.

Se tivesse de dizer algo aos argentinos

que protestam por terem ficado desempregados, o que lhes dizia?

O que posso dizer? N�o...

Arranjem outro emprego.

H� mais benef�cios para as empresas do que para os cidad�os?

Ouve m�sica? Popular ou rock nacional?

Obrigado.

-Obrigado. -Podia ter-me avisado.

Apanhou-me bem. Obrigado.

Diga-me, quanto � que ganha?

De quanto precisa para viver?

A Sonia � que trata disso. N�o sei. Dez mil pesos por m�s?

Dez mil pesos?

Dez mil pesos?

E n�s temos de sobreviver com 100?

Que disparate � este?

-Bela tacada, n�o? -Excelente, senhor.

-O Cavallo? -Est� escondido.

N�o quer dar mais entrevistas.

Bem, ele � que se queimou.

Sobre-exp�s-se. Foi o que aconteceu.

E agora, Ariel?

N�o sei. Temos de pensar na pr�xima tacada.

Agora sim, est� oficialmente inaugurada

a Boutique Amanda Salas Pronto a Vestir.

Da Avenida Alvear para o mundo.

-Bravo. -Dalma, a tesoura.

Conseguimos, amor.

Obrigada.

-Parab�ns, Amandita. -Obrigada, Carlitos Jr.

-Estive a dar uma vista de olhos. -Gostas?

-� espetacular. -� linda.

Tenho de te confecionar algo exclusivo.

-Adoraria. -E a tua m�e?

N�o queria cruzar-se com o pai.

-Onde � que carrego? -Sim, a�.

-A� est�. -Tiraste-a.

-Sabia que tamb�m gostavas de dinheiro. -N�o tanto como tu.

Est�s lind�ssima.

H� muito que n�o via a Amanda t�o feliz.

Por tr�s de todos os grandes homens est� uma grande mulher.

Desculpa, Migue.

Vamos tirar uma fotografia com a tua m�e.

-N�o. -Anda l� tirar uma fotografia.

J� viste? N�o quer tirar uma fotografia com a m�e.

Se queres que tire uma fotografia, porque n�o com o Turco?

-Porque n�o me apresentas? -Est� bem.

Eu apresento-te. Mas n�o te armes em espertinho.

N�o fales de pol�tica, nem do Ferrari ou da Zulema.

-N�o. -Entendido? Vamos.

Perfeitamente.

-Ele vai apresentar-me. -Carlos.

-Ol�. -Quero apresentar-lhe...

Migue, querido, como est�s?

Sou um grande admirador teu.

Adorava o teu programa de r�dio.

Eras implac�vel comigo.

Tens boa pinta. Agradece � tua m�e.

Ent�o, ele vai e...

Estavas armado em valente. O que foi? Fizeste chichi nas cal�as?

N�o.

-Fizeste chichi nas cal�as? -N�o.

-Correu bem? -Sim.

Isto � incr�vel. Quem � que paga isto tudo?

N�o sei.

Amanda Salas... Sorri, Migue.

Pronto a vestir para o mundo.

Sorri. Vamos comer hamb�rgueres.

Carlitos, vem c�.

Pai?

Alinhas numa corrida?

Sabes com quem est�s a falar?

-N�o. Com quem? -Com Carlos Menem.

Junior.

O primeiro a chegar a Olivos ganha mil pesos.

-Ou mil d�lares? -� igual.

Vamos? Vamos.

Vai.

Veste o casaco. V�.

U�sque.

Fruto ex�tico proveniente da Oce�nia, quatro letras.

At� nisto traem a p�tria neste jornal.

Por favor, Sr. Presidente, uma mensagem para a posteridade.

Sim, deixa-me fazer as palavras cruzadas na nossa l�ngua.

-Por favor. -N�o.

Qual � o seu objetivo enquanto presidente?

Est�s a fazer um document�rio da minha vida ou qu�?

-Um sonho �ntimo? -Um sonho pessoal.

Que em algum momento na hist�ria, quanto mais cedo melhor,

o meu nome venha nas palavras cruzadas.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

Desliga l� isso.

-N�o sei como � que se desliga isto. -Desliga isso.

Agora, sim.

Quero dizer algo importante.

Deixa-me ligar a c�mara de novo.

N�o. Isto � aqui entre n�s.

Quero continuar a ser o presidente.

Mais um mandato. Como o fazemos?

Tu decides o que pode ser feito ou n�o, Carlos.

N�o, espera l�. N�o � assim t�o simples.

N�o? E como � que foi at� agora?

Carlos, ter�amos de alterar a Constitui��o.

Posso sondar o Congresso, mas...

J� o fizemos em La Rioja. Porque n�o agora?

Vamos tentar de novo.

N�o quero tentar. Quero conseguir.

Presidente que foi reeleito para um segundo mandato, cinco letras.

Uma capicua.

O sucesso da conversibilidade disparou a popularidade de Menem,

preparando o terreno para uma poss�vel reelei��o presidencial.

Embora Cavallo tenha continuado no governo at� 1996,

as tens�es com Menem mantiveram-se e Menem pediu a demiss�o de Cavallo.

A ambi��o de Mingo era tanta

que este tentou candidatar-se a presidente nas elei��es de 1999,

obtendo uns escassos 10% dos votos.

Amira Yoma foi absolvida na a��o judicial conhecida como Yomagate.

Ibrahim al Ibrahim n�o foi julgado na Argentina.

Legendas: Cristina Luz

Supervis�o Criativa Hern�ni Azenha

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