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Embora esta hist�ria se baseie em factos reais,
certas personagens, eventos e di�logos foram ficcionalizados
ou inventados para efeitos de dramatiza��o.
Nesse sentido,
qualquer semelhan�a com pessoas, vivas ou mortas, ou empresas
tem uma finalidade puramente dram�tica
e n�o pretende refletir o car�ter ou a hist�ria de ningu�m.
Entre 1983 e 1989, durante a presid�ncia de Alfons�n,
a Argentina sofreu tr�s tentativas de golpe de estado.
No acumulado do ano, a infla��o atinge os 5283%.
-Sil�ncio. Prontos? -C�maras.
O que foi?
A gravata?
O cabelo espeta aqui um bocadinho.
Estamos no ar.
Quem diria?
Ap�s a surpresa nas elei��es internas e uma vit�ria esmagadora,
Menem � presidente.
N�o � um governo extraterrestre.
Os cora��es corajosos Dos nossos companheiros
Vamos trabalhar
Est� quase!
14 DE MAIO DE 1989
Menem a presidente.
Menem � presidente.
BERNARDO NEUSTADT JORNALISTA DE DIREITA
PIV� DO MAIOR PROGRAMA POL�TICO DA ARGENTINA
Dr. Alfons�n, restam-lhe seis meses no cargo.
Obrigado pelos servi�os prestados.
N�o h� carne. N�o h� nada.
N�o h� nada de nada.
D�LAR CONTINUA A SUBIR: FECHA NOS 132
...a pol�cia devia refor�ar � noite a seguran�a
de dois supermercados
face aos rumores de uma prov�vel tentativa de pilhagem...
Podem tirar f�rias.
Algures na Argentina, porque n�o h� d�lares em lado nenhum.
Pergunto-me se Menem
continua a insistir no estatismo e na mentira da ind�stria nacional.
Aqui estou eu, Bernardo. Como est�?
Dr. Menem, diga-me.
Quer que acreditemos
que n�o vai negociar com as grandes pot�ncias internacionais?
Por favor, Bernardo.
N�o temos de ser ing�nuos nesta altura da vida.
Se nos convier negociarmos com os EUA, f�-lo-emos.
Se tivermos de negociar com os outros, tamb�m o faremos.
Vamos fazer tudo o que for preciso...
...para chamar a aten��o do povo argentino...
...a pedir amnistia, como fizeram outrora.
...para ter um pa�s grande.
...n�o conseguiu travar o aumento dos pre�os.
Quando, doutor?
� muito importante quando. Compreende?
Estou pronto para assumir o poder...
...de imediato.
Se for necess�rio.
Devido � vaga de pilhagens em diversos pontos do pa�s...
� um homem de coragem. Aproveite.
MENEM: THE PRESIDENT SHOW
Pronto. Obrigado.
-J� est�? -Obrigado.
J� sa�mos do ar. Sim, disseram que...
Agora, o presidente da Argentina, o Dr. Ra�l Alfons�n...
12 DE JUNHO DE 1989
...vai dirigir-se ao pa�s.
Dei instru��es �s respetivas autoridades
180 DIAS AT� � NOMEA��O DO NOVO PRESIDENTE
para implementar o mais brevemente poss�vel
os mecanismos para consagrar o candidato
eleito a 14 de maio de 1989
para o cargo de presidente da Argentina.
Uma vez conclu�dos os procedimentos previstos para este efeito,
decidi apresentar a minha demiss�o,
com efeito a partir de 30 de junho de 1989,
do cargo de presidente da na��o argentina
com que o povo...
Despacha-te, a n�o ser que tenhas um trunfo na manga.
-Tu sabias disto? -Claro que sabia.
O Alfons�n pediu-me para n�o dizer a ningu�m at� ele anunciar.
Eu n�o sou ningu�m. Podias ter-me dito.
18 DIAS AT� � NOMEA��O DO NOVO PRESIDENTE
GABINETE DO GOVERNADOR LA RIOJA
Apesar da crise e de a economia estar na merda,
vai haver sempre algu�m pronto a aproveitar-se.
Para os grandes empres�rios, era a oportunidade
de se introduzirem no governo e mudarem as regras a seu favor.
Para Menem, era a oportunidade de conseguir algum dinheiro para o estado,
que estava falido.
12 DIAS PARA A NOMEA��O DO NOVO PRESIDENTE
Queremos o minist�rio.
Cinco milh�es. Para o Tesouro, claro.
Cinco? � muito.
-Dois. -Quatro.
-Tr�s. -Feito.
CARGOS NO GOVERNO DISPON�VEIS 22 - PROMETIDOS 53
O que veio c� pedir?
Para come�ar, melhores condi��es de trabalho.
E, segundo, um cargo no minist�rio.
-Desculpe, melhores condi��es... -Melhores sal�rios e horas.
-E vai t�-los. -E o cargo?
-O que me d� em troca? -Nenhuma greve nos primeiros dois anos.
Estamos a falar de quantos cargos?
Um ou dois, talvez.
Um. Para si. Bem-vindo, Gonzalito.
CARGOS NO GOVERNO DISPON�VEIS 15 - PROMETIDOS 76
O meu pa�s espera ter uma boa rela��o com o vosso pa�s.
N�s tamb�m.
E tamb�m com o nosso Ministro da Economia.
Desculpe. Com o vosso.
J� t�m algum candidato? Gostar�amos de o conhecer.
Certo, vem c�, Mingo.
Tenho o plano econ�mico de que o pa�s precisa.
MEMORIZEM ESTA CARA
Conta com isso, Mingo.
Obrigado.
CARGOS NO GOVERNO DISPON�VEIS 4 - PROMETIDOS 102
-D�-me licen�a. Obrigado. -Obrigado.
OITO DIAS AT� � NOMEA��O DO NOVO PRESIDENTE
E que tal o Cavallo para Economia?
Os americanos est�o apaixonados por ele.
Mas se lhe dermos a pasta, v�o controlar cada c�ntimo gasto.
-Os Neg�cios Estrangeiros. -Os americanos n�o v�o gostar.
O Mingo tamb�m n�o.
Fa�am o que vos digo.
Inventem algo para os acalmar.
Um Departamento de Coopera��o EUA-Argentina?
Parece-me bem. Agrada-me.
DOIS DIAS AT� � NOMEA��O DO NOVO PRESIDENTE
-E a Amira? -P�e-na na Justi�a.
A Amira n�o � propriamente justa.
AMIRA YOMA IRM� MAIS NOVA DE ZULEMA
N�o queres come�ar mais por baixo?
-Eu... -Onde?
Na Cultura, por exemplo.
-Cultura? -Cultura.
N�s?
N�o chega. � melhor mant�-la por perto.
Na Casa Rosada. A Amira e o Ibrahim.
O Ibrahim tamb�m?
IBRAHIM AL IBRAHIM EX-MARIDO DE AMIRA
-Ele pode encarregar-se da agenda. -O Ibrahim n�o fala espanhol.
A Alf�ndega.
P�e-se uma secret�ria bilingue.
Pronto.
-Podemos terminar o jantar? -Sim.
N�o quero um cargo.
-O que queres? -O que � melhor para o pa�s, Carlos.
E para esta fam�lia.
Um cargo que n�o o seja.
EMIR YOMA ASSESSOR PRESIDENCIAL
E vais p�r o Seineld�n na Defesa?
Talvez.
Tenho de ir � casa de banho.
Acho que tenho uma �lcera.
Ainda h� muito por definir.
Tenho uma �lcera, Zulema.
N�o tens nada. S� est�s borrado de medo, Menem.
DIA DA NOMEA��O DO NOVO PRESIDENTE
CONGRESSO DA NA��O ARGENTINA
Est� na hora.
Obrigado.
Eu, Carlos Sa�l Menem,
juro por Deus Todo-Poderoso e pela B�blia
cumprir com lealdade e patriotismo
o cargo de presidente da na��o.
Se assim n�o o fizer,
que mo exijam Deus e a na��o.
Convido o presidente da Argentina
CASA ROSADA SEDE DO GOVERNO
a dirigir-se a esta honrada assembleia.
Bolas, deixei cair tudo...
Deixei cair o discurso.
CASA ROSADA CARLOS SA�L MENEM TOMA POSSE
Honrado Congresso da Na��o,
excelent�ssimos chefes de estado,
povo da minha p�tria.
Quero inaugurar este momento t�o importante
que vivemos com um pedido.
Quero que as minhas primeiras palavras como presidente
sejam uma ora��o aos c�us.
Quero proclamar:
Argentina, levanta-te e anda.
Argentinos, ergam-se e acabem com esta crise.
Irm�s e irm�os,
unamos as nossas vozes para dizer ao mundo...
...que uma na��o nova e gloriosa se ergue � face da Terra.
Parecia que n�o queria entrar.
Obrigado.
Obrigado.
Adoro-vos a todos.
S� um momento. Quero dizer algo muito importante.
For�a, River. Estamos quase l�.
A poucos pontos.
Obrigado. Vamos l�.
Quer fosse no Congresso ou na Casa Rosada,
ele nunca parou de sorrir.
Mas, bom, aproximam-se tempos mais s�rios.
UM ANO DEPOIS
BUENOS AIRES NOVA CASA DA FAM�LIA SALAS
Estas mangas parecem-te iguais?
Ent�o, porque as coseste sem a minha autoriza��o?
Compreendo, senhora.
N�o fa�as essa cara, Lourdes. Est�s a aprender.
Vai sentar-te, passa �gua na cara e concentra-te.
-Adeus, m�e. -Adeus, filho.
Quando estiveres na televis�o como o Neustadt, fa�o-te um fato.
Mais depressa morro do que visto um fato.
Est�s t�o bonito, amor.
Pareces um pol�tico, n�o �?
Sou o fot�grafo presidencial.
Se tiveres tempo, dou s� aqui uns retoques.
-Vamos, pai. -Sim.
Quem te d� os retoques sou eu.
Assenta bem.
REDA��O SEMANAL ARGENTINO
Bom dia, senhor.
Tanta formalidade. Relaxa.
Ent�o, queres ser jornalista?
Sim. Tinha o meu programa de r�dio em La Rioja.
Ponha-me � prova se quiser.
Imagina que acabei de chegar da Su�cia e n�o sei nada sobre a Argentina.
Fala-me sobre a situa��o atual.
-Quer que lhe diga? Agora? -Sim.
-Sim. -Est� bem.
Atualmente, a Argentina atravessa uma grande crise econ�mica.
A infla��o � selvagem...
Muito bem, mas n�o tens o teu ponto de vista.
N�o tens. Entrega o teu curr�culo � Victoria.
-Qualquer coisa, ligamos. -Est� bem.
Desculpe, mas isto n�o � Anillaco.
-� Aicu�a. -Tiraste a fotografia?
N�o, tirou o meu pai.
Ele � o fot�grafo do Turco.
Devias ter come�ado por a�.
Aparece amanh� �s 10:00.
Obrigado.
Desculpe. � a Victoria?
-Sim. -Eis o meu curr�culo.
N�o � grande coisa.
Estamos a ser invadidos por homens de La Rioja.
Ent�o? N�o gosta de n�s?
S� conhe�o um e j� chega.
Estamos de acordo. Tamb�m n�o gosto dele.
Temos isso em comum.
Miguel Salas.
Prazer, Victoria.
-Muito prazer. -Vemo-nos por aqui.
QUINTA DE OLIVOS RESID�NCIA PRESIDENCIAL
Obrigada, querida.
N�o consegui p�r-te no Minist�rio da Defesa.
Fiz os poss�veis, mas o Menem p�s-me como dona de casa.
Tens mais para oferecer. E eu estou aqui para servir a p�tria.
Estaremos aqui quando for necess�rio.
MOHAMED AL� SEINELD�N CORONEL DAS FOR�AS ARMADAS
HER�I DA GUERRA DAS MALVINAS DESLEAL A MENEM
-E, acredita, ser� em breve. -Porqu�?
H� um grande mal-estar entre as fileiras de novo.
Mas porqu�? Tenho carinho e respeito pelo Alfons�n,
mas o Menem � presidente...
Zulema, muitos dos nossos irm�os continuam presos.
At� quando? N�o foi o acordado.
Por outro lado, os americanos t�m um gabinete na Casa Rosada
ao lado do do teu marido.
A p�tria corre perigo.
N�o podes duvidar dele.
N�o. Eu conven�o-o num instante.
Vou apelar ao seu lado �rabe. Vais ver.
Digo-lhe duas ou tr�s coisas e tenho-o na palma da m�o. N�o tem hip�tese.
N�o cheguei at� aqui para ser ignorada.
-Come uma sandes. -N�o, obrigado.
Yomita, todos os cargos s�o importantes.
E preciso que tomes conta desta casa.
Obrigada por me confiares tamanha responsabilidade.
Mas que importa isso quando a nossa p�tria corre perigo?
A nossa p�tria corre perigo?
Isso � algo que o teu amigo Seineld�n diria.
Meu amigo e da minha fam�lia.
Entregaste a Defesa �quele traidor. O Mohamed � her�i das Malvinas.
E padrinho de um golpista.
Quando aprendes a calar a boca e ficar no teu lugar?
Quando n�o morderes a m�o de um companheiro.
Eles preferiam mandar-me de volta para La Rioja
a ver-me aqui. Mas c� estamos.
-E os teus antepassados mu�ulmanos? -Descansam em paz.
Portanto, agora, mais do que nunca, penso no futuro.
Como os americanos t�m a faca e o queijo na m�o,
tenho de me dar bem com eles.
N�o ouviste que o Muro de Berlim caiu?
O muro caiu, mas eu n�o.
F�BRICA DE CURTUMES YOMA LA RIOJA
Antes de mais, quero agradecer-vos a resposta c�lere.
E por terem vindo aqui.
DESLEAIS A MENEM LEAIS A ZULEMA
-Ora essa, Sra. Menem... -Chame-me Zulema.
Escute, Sra. Zulema.
Jamais imaginei ver algo assim de um companheiro peronista.
Volt�mos a ser o quintal dos EUA.
De Per�n, o Menem s� tem uns quadros, e n�o sei at� quando.
O que podemos fazer por si?
Eu digo-lhe o que podemos fazer por todos n�s.
Atac�-lo onde lhe d�i mais. A imagem dele.
-Fica calmo, Carlos. -Eu estou calmo.
-Eu encarrego-me de tudo. -Deseja-me boa sorte.
Carlos. Espera. V� isto.
A P�TRIA CORRE PERIGO N�O AOS PATIFES
Os americanos n�o v�o gostar. A cidade est� cheia deles.
Imagino quem foi.
N�o imagines. Eu digo-te quem foi.
-Foi a Zulema. -O que fazemos?
Vamos ao Mundial.
-Traremos o trof�u para casa. -Vamos, Carlos.
Fazemos assim. Contacta a seguran�a, por favor.
UM DIA DEPOIS
Makanaky outra vez. Senhoras e senhores, Makanaky salta...
Golo!
N�o podemos perder com os Camar�es. Somos os campe�es do mundo, porra!
Olha. Est� ali o pap�.
Camar�es, um...
O que se passa, Zulema?
-Zulema. -Deixem-me passar.
Sra. Zulema Yoma, n�o pode entrar.
Mna. Zulema, Sr. Carlos, deem-me licen�a.
N�o deixam a vossa m�e entrar.
-O Carlitos e a Zulemita? -N�o posso dar essa informa��o.
-M�e. -O que se passou? Os seguran�as?
Estamos a seguir ordens.
Pare de repetir isso. Sabe com quem est� a falar?
O pr�prio presidente deu a ordem.
-Zulema. -A s�rio?
Deixem ver. Que novidade!
Ent�o, Menem n�o s� maltrata a mulher como maltrata os filhos.
N�o �, Menem? Perguntem-lhe.
Quer dizer algo para a c�mara?
Larguem-me.
Algo ao vosso pai?
-Bom dia. -Presidente. Uma pergunta.
O que pode dizer sobre ter despejado a sua esposa e os seus filhos?
Escute, acabei de ter uma surpresa desagrad�vel.
Confio que vamos recuperar desta derrota contra os Camar�es.
-Adeus. For�a, It�lia. -Obrigado, presidente.
A Sra. Zulema Yoma, esposa do presidente e primeira-dama,
e os seus dois filhos foram despejados da resid�ncia presidencial
por ordem do presidente.
Entretanto, o presidente continua em It�lia...
N�o achei que fosse t�o longe.
F�-lo de prop�sito em pleno Mundial para ningu�m querer saber.
-Nem perguntas como estou? -N�o � preciso. Estou a ouvir-te.
Ele vai pagar por isto. E tu vais ajudar-me.
N�o posso. Trabalho para ele.
Eu perguntar-me-ia o que � que fizeste para ele te p�r na rua.
Queres saber uma coisa, Emir? Se o pai fosse vivo, teria vergonha de ti.
Mas n�o � vivo.
Faz-me um favor, terminemos o ch�.
N�o, � melhor ires. V�, sai.
CINCO MESES DEPOIS
Clarita. Como est�s?
Gerardo, tens de fazer as pazes com o Hugo.
� uma pena que n�o se deem bem.
-Jorgito, como est�? -Bem.
O Carlos est�?
-Para dentro. Vamos. -O que se passa?
Afaste-se da janela, por favor, Sr. Presidente.
O que se passa?
Sim. Calma. O que se passa?
Fechem tudo.
N�o. Tenho de sair.
-Aonde vai? -Eu n�o...
Ningu�m sai, senhor.
Liga a televis�o.
Sou s� o fot�grafo.
Por favor. Lamento.
O que se passa?
Sigam-me. Uma nova revolta militar.
Um grupo de militares rebeldes tomou o edif�cio Libertador.
3 DE DEZEMBRO DE 1990
H� francoatiradores posicionados em v�rios pontos da cidade.
Cuidado.
Ouvem-se disparos.
Est�s bem, Olegario?
Cuidado. Momentos de grande tens�o.
Estamos a ouvir disparos vindos do edif�cio Libertador.
A escassos metros da Casa Rosada.
Tenho de falar com o Olegario Salas.
Sim, o fot�grafo do presidente.
Estou?
N�o conseguem atingir a Casa Rosada dali. Calma.
-Por isso tomaram aquele edif�cio. -N�o te preocupes. Vai correr bem.
-Podem p�r uma bomba. -Precisamos de uma manchete com urg�ncia.
-Tipo: "Democracia e for�as armadas." -Boa.
"A tens�o intermin�vel." "Tens�o sem limites." N�o sei.
-Pensem nisso. -Estou?
Todos juntos. N�o quero ningu�m a brincar.
Pensem. Pensem todos. Vamos l�.
Os tiros continuam.
H� pessoas a correr pelas ruas.
Pedem aos jornalistas que chamem uma ambul�ncia.
Obrigado, Mariano, por nos manteres informados.
Continuaremos a seguir a situa��o de perto e a fazer atualiza��es...
Como consegues tirar fotografias?
Ajuda-me a acalmar.
Podem matar-nos a qualquer momento.
Tens lume?
-N�o tenho. -Mas como?
Ningu�m tem lume?
Sim?
Pode repetir a pergunta? Mas com objetividade.
Isto n�o � um golpe de estado.
Reconhecemos a autoridade do presidente Menem
como comandante supremo das for�as armadas.
Mas dentro do ex�rcito s� reconhecemos
a autoridade do nosso comandante leg�timo, o coronel Seineld�n.
-Fogo! -Raios partam!
Como � que ningu�m tem um isqueiro?
-Deixem-me sair um instante. -Ningu�m sai.
Vou s� buscar um isqueiro.
-Por favor. -Preciso de fumar.
Carlos, diz-lhe algo. Preciso de sair.
H� horas que tento ligar, mas ningu�m me diz nada.
Estou?
Estou? Raios partam!
Miguel.
Miguel.
O teu pai vai ficar bem. N�o te preocupes.
Capit�o Fern�ndez, o que est�o a pedir?
A �nica coisa que pedimos � o mesmo que pedimos na Semana Santa.
Ou seja, o indulto num contexto de unidade nacional.
Estamos lixados. Vamos levar um tiro na cabe�a.
Ou pior. Vamos acabar todos presos.
Sim.
Carlos, estiveste preso na ditadura. Sabes como �.
E aqui estou eu, vivinho da Silva, Ariel. Olha.
Carlos, o Romero disse-me que se dirigem � capital tanques vindos de Entre R�os.
E?
N�o vais fazer nada?
Sr. Presidente.
GENERAL GONNET CHEFE DAS FOR�AS ARMADAS - LEAL A MENEM
Temos estado � sua espera.
-Havia muito tr�nsito? -Pode dizer-se que sim.
Diga-me, � um golpe?
Se tem rabo, quatro pernas e ladra...
Quantos homens s�o?
� imposs�vel saber ao certo,
mas podem ser os suficientes para nos p�r em risco.
Tamb�m n�o conseguimos averiguar se planeiam colocar explosivos em algum lado.
Mas � aconselh�vel estar em alerta m�ximo, Sr. Presidente.
Todos no ch�o.
Falou com os seus homens?
Reuni-os. Est�o em posi��o. Aguardam ordens.
-Ordens suas? -Suas, Sr. Presidente.
O presidente � o comandante supremo das for�as armadas.
Faremos o que mandar.
Temos for�a de repress�o e canais diplom�ticos.
Podemos negociar ou abrir fogo. O Sr. Presidente decide.
Preciso de um minuto a s�s.
-Desculpe. Tem lume? -Sim, claro.
-Obrigado. -N�o tem de qu�.
Ningu�m sabe ao certo o que Menem fez enquanto esteve fechado naquela sala.
Uns dizem que dormiu uma sesta.
Outros dizem que se escapuliu por uma passagem secreta
e que foi jogar golfe.
Outros, que avaliou a possibilidade de fugir para Espanha num avi�o privado.
E outros que jogou � paci�ncia.
-N�o funciona. -Desculpe.
N�o negociaremos com estes foragidos.
Reprima.
Reprima com toda a for�a e at� � �ltima consequ�ncia.
Aniquilem-nos.
Estas imagens mostram a rendi��o total.
Total.
-Rendi��o total? -Sim.
-Quantos? -N�o sei.
-Baixas? -Tamb�m n�o sei.
O que dizemos �s pessoas?
Acabou?
Est�o a ver em direto o que est� a acontecer.
Repetimos, confirmamos que o edif�cio Libertador foi recuperado.
Vejam s�!
Foi assustador.
N�o, refiro-me ao teu fato. Boa pinta.
Foi a minha mulher que fez.
Encomenda um para mim.
-Sim, claro. -Obrigado.
Ficaste todo borradinho, p�!
-Fui s� eu? -Bem, eu tamb�m.
General...
General...
Sr. Presidente, os �ltimos rebeldes renderam-se.
Reprimimos por completo a revolta.
Onde � que os t�m?
Sob cust�dia militar no regimento.
E o que sabem do Seineld�n?
Tentou escapar, mas foi apanhado.
N�o o podemos fuzilar?
N�o, n�o digo ilegalmente.
Como castigo exemplar.
Fuzil�-lo, mat�-lo. N�o podemos condenar o l�der � pena de morte?
Dentro da lei militar, � imposs�vel, Sr. Presidente.
� loucura, Carlos.
A solu��o tem de ser pol�tica. Pensemos melhor.
Muito bem.
Obrigado.
Os cidad�os marcham
para manifestar o seu rep�dio
pela decis�o do presidente da na��o
de conceder o indulto aos generais militares da �ltima ditadura.
Este pa�s deixa para tr�s
um passado ideologizado
e os falsos nacionalismos
com vista a entrar
no mundo que a� vem.
� por isso
que decidi conceder o indulto...
N�o vou faz�-lo.
N�o. Parem. N�o vamos filmar.
Est� bem? N�o vamos filmar.
N�o vou filmar. N�o vamos filmar nada.
-Pronto. Muito bem. -Vamos andando.
Podem ir. Eles depois desarmam.
-Eles depois desarmam. -Traz-me as pastas.
-Aqui est�. -Obrigado.
Aqui tem.
Jorge Rafael Videla.
N�o. Este, n�o.
Pronto, pode ir.
D�-me um cigarro.
Lume.
Queres mesmo p�-la aqui?
N�o gostas?
N�o, pelo contr�rio, � muito boa, mas...
...o tipo acabou de perdoar os militares.
Acho que � uma foto lind�ssima. Vamos comer.
Durante o seu mandato, Menem concedeu indultos a 302 pessoas.
227 militares e 75 civis.
A revolta militar que ocorreu a 3 de dezembro de 1990
foi a �ltima na hist�ria da Argentina.
Legendas: Cristina Luz
Supervis�o Criativa Hern�ni Azenha
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