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- Ação! - Ele pediu...
...pra eu ficar e revisar seu sistema
e não consigo escapar dessa.
Voltamos aos primórdios,
uma época marcante de Breaking Bad.
Antes de terminar a série, queríamos
mostrar o começo da história que assistimos,
o que a gente tinha lá e não tem mais.
Desculpe, vou chegar tarde hoje.
Não sei o que deu no Bogdan.
Depois do capítulo 5-14, filmamos mais dois.
Mas como precisaria barbear o Bryan e mudar a cara de Jesse,
por logística, preferimos filmar esta cena no final.
Então este é o último dia, não só do episódio 5-14,
mas o último dia de filmagem da série.
- Obrigado, querida. Te amo. - Também te amo.
- Corta! - Hoje é o dia do adeus.
Último dia de filmagem de Breaking Bad.
Está fazendo 23, 24 graus. Fantástico.
Foram tantas pessoas trabalhando nisso,
dando esforço, amor e criatividade,
que alguns dias me sinto como apenas mais um.
Hoje me sinto um pouco assim.
Este dia está terrível. Péssimo. Isso é horrível.
Eu não tinha ideia, lá atrás, que a série iria tão longe.
Quem diria que íamos chegar tão longe e ter tantos fãs?
SEM MEIAS MEDIDAS: CRIANDO A TEMPORADA FINAL DE BREAKING BAD
Em fevereiro de 2004, Vince e eu conversamos por telefone
e mencionei um artigo do New York Times
sobre um cara que cozinhava metanfetamina em casa.
E falamos: "É uma boa ideia.
Talvez a gente deva cozinhar metanfetamina em um trailer
para ganhar um dinheiro extra".
E antes de me dar conta, fizemos o roteiro de Breaking Bad.
Vieram com a ideia da série ao meu escritório
e eu disse: "parece interessante e um pouco arriscado,
mas somos assim, gostamos de ideias interessantes e arriscadas"
E vi que era algo grande, interessante e diferente.
Chegou a hora em que Breaking Bad
não era mais só um roteiro, palavras num papel.
Queríamos que fosse realidade.
E queríamos torná-la realidade com nossos sócios da AMC.
Nos reunimos com o presidente do estúdio, Michael Lynton,
para que nos desse autorização.
Explicaram a ideia e eu disse: "Resumindo:
é um professor de química, de meia idade, com filhos.
Tem câncer e decide virar um traficante de metanfetamina"
E disseram: "Isso aí!"
Se fosse um filme, teria o som de um disco arranhado.
Silêncio total. Michael olhava pro papel.
Escutava tudo, mas não olhava pra ninguém. E disse:
"É a pior ideia que já ouvi para um programa.
Não me importa quem escreveu. Isso é loucura"
Nós estávamos muito empolgados com a ideia.
E contamos a história com tanta convicção
que não tinha como recusarem.
Falaram: "Acreditamos na ideia, acreditamos em Vince
e acreditamos que vai ser uma série fantástica"
Respondi: "Caras, a carreira é de vocês.
Se acham mesmo que isso é tão bom, façam"
Não sei se outro chefe de estúdio teria aceitado.
Foi um comprometimento bem grande.
Não acho que teria ido ao ar em outro estúdio.
Antes de Breaking Bad, fiz um teste de elenco
para a La Jolla Playhouse
e Bryan Cranston fez um teste pro papel principal.
E nos impressionou.
Bryan tem todo o necessário para interpretar Walter White.
Era a combinação perfeita.
Quando falamos com Vince sobre algumas ideias,
não parávamos de falar sobre Bryan Cranston,
a quem Vince já tinha em mente quando pensou no elenco.
Foi uma coincidência bem útil,
porque quando você fala num canal de TV
que para sua nova série dramática
você quer o pai de "Malcolm in the Middle",
você já imagina a reação das pessoas.
Pensei: "É uma peça literária incrível"
Queria espalhar meu cheiro pelo personagem.
Queria marcá-lo como se fosse meu
pra que quando Vince olhasse de novo o personagem
pudesse me ver ali e dizer:
"não sei por quê, mas Bryan salta dessas páginas"
E foi o que aconteceu.
FILMAGEM DO EPISÓDIO PILOTO
Quando entramos no set, todos se uniram
de maneira única e perfeita.
E Bryan e eu tivemos essa química desde o início
então realmente funcionou.
Rapidamente, percebemos que a equipe era de primeira.
Tínhamos John Toll, ganhador de dois Oscars.
Ele era o diretor de fotografia.
Pessoas se ofereciam pra trabalhar de graça,
só pra estar na equipe dele.
Lembro que era uma manhã fria em To'hajiilee
Cheguei para Bryan e falei: "O que acha de usar só cueca?"
Ele disse: "Qual é a coisa mais ridícula que eu posso usar?"
Falei: "Que tal um cuecão branco?", ele disse: "Vou usar,
porque isso combina com o personagem"
Queria estar meio gordo. Ser um cara que não liga mais pra nada.
Saí do meu trailer no episódio piloto
e a equipe me viu de cueca branca apertada...
não era a imagem que eu queria passar pro mundo.
Mesmo assim, tive a coragem de fazer isso.
Nunca vou esquecer deste momento.
Filmamos no deserto e ele dançava usando o cuecão
e eu pensava: "Nossa, eu adoro esse cara"
Ver nosso protagonista brincando e não se levando a sério,
especialmente nas cenas intensas, é maravilhoso.
Corta!
Por sorte, antes da primeira exibição do piloto,
já sabíamos que a Sony e a AMC tinham gostado.
Lembro de John dizendo: "Se pôr mais 20 minutos nesse piloto,
talvez seja o melhor filme independente do ano"
Mostramos só pra Sony, com nossa equipe e elenco.
E nos impressionou, era algo muito bonito
e muito bem dirigido.
Todos gritaram e aplaudiram,
muito orgulhosos e surpresos.
Pensei: "Não acredito que estou participando disso"
Eu não sabia como iam transformar isso numa série
e nem sabia o que Vince tinha em mente.
Confesso que não assisti e falei: "Meu Deus! Eureca!"
Quando terminaram de assistir, ficaram preocupados:
"isso é fantástico, mas como vai virar um seriado?"
Acho que nem Vince nem ninguém sabia.
No final, falamos: "Deus! Agora temos que terminar isso!"
A jornada de Breaking Bad foi uma loucura.
A gente não sabia onde tinha se metido.
A primeira temporada foi ao ar.
Gravamos sete episódios para mostrar ao mundo,
dos nove originais, graças à greve dos roteiristas.
Se você pergunta por que só teve sete na primeira temporada,
foi por causa da greve de roteiristas daquele ano.
Vince fez uma temporada com só sete episódios.
Tivemos baixa audiência. Eu me perguntava: "Por quê?"
Por que mais gente não assiste?
Estava surpreso, porque não entendia isso.
Tínhamos ibope baixo e poucos fãs, mas eram fiéis.
Dean me perguntou se eu sabia da baixa audiência.
Eu dizia: "Não. O que posso fazer? Atuar melhor?"
Foi como: "Estou tentando. Se precisa melhorar a audiência
com certeza vou me esforçar"
Sou grato aos críticos e jornalistas, porque eles gostavam da série.
Tenho que dar o crédito. Eles nos mantiveram no ar no começo.
Não havia críticas ruins. Não tivemos nenhuma.
Ao fim da primeira temporada, Bryan ganhou o Emmy de melhor ator.
De repente, as pessoas falavam: "Ei, o que é Breaking Bad?"
Na segunda, tivemos uma temporada completa.
Na segunda, ficamos empolgados nas cenas com Walt e Jesse.
Estava se tornando um seriado daqueles personagens.
Em outras palavras, a série é sobre Walter White,
mas também muito sobre Jesse Pinkman.
Michael Slovis entrou na segunda temporada
e melhorou o visual da série.
A tornou mais sombria e desafiadora.
- Trouxe Odenkirk... - Melhor ligar pro Saul!
...e Jonathan Banks.
O programa evoluía e crescia.
A terceira temporada veio ainda mais sombria.
Surgem esses primos muito elegantes, mas bem perigosos.
Na terceira, senti que nosso seriadinho decolou.
No fim da terceira temporada,
a revista Time elegeu os 10 melhores episódios da TV no ano.
"One Minute", dirigido por Michelle MacLaren, foi o vencedor.
Quando Gus Fring apareceu, entramos num nível mais alto.
Giancarlo Esposito fez o vilão mais intenso da história da TV.
A produção em massa e o superlaboratório...
O laboratório foi um elemento visual e físico de mudança.
Na terceira temporada, teve a perda da inocência de Jesse.
A última cena da temporada é ele apertando o gatilho
e mostrando que é mau.
Ganhamos mais Emmys.
Bryan ganhou pela temporada três, Aaron ganhou pela temporada três.
Foi muito emocionante, uma confirmação dessa parceria.
Três Emmys seguidos fizeram todos falarem sobre Breaking Bad.
Pessoas que, de outra forma, não teriam conhecido a série.
Logo após a terceira temporada eu pude falar:
"Ok, bastante gente assiste a série"
O sucesso do programa era claro.
Vince e a série ganharam, pela terceira temporada,
o Writer's Guild Award.
Stephen King a chamou de "uma das melhores séries da história"
Bryan Cranston e Aaron Paul viraram capa da Rolling Stone.
E, cara, como foi legal!
Na temporada quatro, o perigo aumentou.
É sobre o ego dele, ser respeitado, ganância e poder.
A cada temporada, mais gente assistindo, mais prêmios e tensão,
as críticas continuam maravilhosas.
E por isso, Vince pensou: "Não vamos esticar a série demais"
Eu ganhei.
Chegamos à quinta temporada.
Infelizmente percebi, com a ajuda dos roteiristas,
que só tínhamos mais 16 episódios.
Desde o início, Vince disse que terminaria a série
enquanto estivesse boa. E só restavam esses episódios.
Foi uma decisão difícil, mas eu sabia que precisava acabar.
Era melhor terminar um pouco antes do que tarde demais.
SALA DE ROTEIRISTAS DEZEMBRO DE 2012
Meu papel como criador da série é ser o escritor principal.
É o mais importante.
Comando os roteiristas e garanto que a história seja contada.
- Acha que a gente consegue? - Como disse semana passada,
tem muita coisa pra fazer antes disso.
Como o quê? Sério... porque a série está perto do fim agora.
Os últimos 8 foram um desafio, porque a série tem fãs.
E queríamos atender às expectativas.
Skyler tem que estar forte pelos filhos ou vai se entregar.
Outra pressão era que a série era sucesso de crítica.
E isso pode gerar confusão nos roteiristas.
Walter Jr tem que demonstrar algo que reforce a questão...
Muitas peças desse quebra-cabeça precisavam se encaixar.
Tem duas opções: fugir com ele ou fugir pra um lugar
totalmente diferente.
Queríamos ser um seriado que terminasse do jeito que começou,
você sabe... detonando.
PRIMEIRO DIA DA TEMPORADA FINAL
Estar aqui pra última temporada me faz sentir várias coisas.
Não estou nostálgico como todos pensam.
Sim, estou nervoso. Sou um cara sentimental.
Vou sentir muita falta disso quando terminar.
Todos que trabalham na série sentem
que ela deve terminar em alta.
Não quero que acabe, quero que continue pra sempre,
porque acho que formamos uma família aqui.
- E aí, como vai? Como você tá? - Muito bem!
- Chegou de madrugada? - Sim... às 3:30.
O fim está próximo! Que tristeza!
Estamos nos Estúdios Q, e vamos ler o episódio 5-09.
O primeiro da segunda parte da temporada 5.
- Olha isso! - Como você tá? Que bom te ver.
- Como estão as coisas? - Estão bem!
Cada temporada é como voltar ao acampamento de verão.
Você quer voltar pra ver seus amigos e todos estão lá.
Anna Gunn, pessoal!
Como está? Bem?
- Você está linda. - Obrigada!
Nosso reencontro era meio que conduzido por Bryan.
Aproveitamos cada segundo juntos.
E curtimos cada minuto, porque tínhamos sorte de estar ali.
- Obrigada. Que bom ver você. - Veio dirigindo?
Não, peguei um voo ontem.
Antes de começarmos, vamos ouvir o Sr. Vince Gilligan.
Bem-vindos à última leitura... deste episódio... Onde está Peter?
...que Peter Gould escreveu e será dirigido por Bryan Cranston.
Breaking Bad, episódio "Blood Money", 5-09.
Por que Kaylee Ehrmantraut?
Ele precisa que alguém cuide dela.
Mike é capaz de cuidar de sua própria neta.
É incrível estar em uma leitura de roteiro com atores
depois de 4 ou 5 meses de férias.
Ver esses brilhantes atores sentados, fazendo seus papéis
como se tivessem vivido isso durante estes 5 meses.
Se Mike estivesse vivo,
você teria que cuidar de sua retaguarda pro resto da vida.
E você não é assim.
Acho que ele está morto e acho que você sabe disso.
- O adstringente vem primeiro. - Sim, o adstringente.
Toda a oleosidade do meu rosto se foi.
Eu sabia que Bryan era a pessoa certa pra interpretar Walter White.
Sabia que era o cara pro papel.
O que estamos fazendo é deixá-lo velho e acabado.
Pobre Walt!
O jeito como ele faz esse personagem é fabuloso.
Se importa com o personagem e adiciona os detalhes corretos.
Ele nasceu pra esse papel. Pra mim, era seu destino.
Bryan é totalmente diferente de Walt.
E quando se caracteriza e se maquia, se torna Walter White.
E é uma transformação verdadeira,
de um homem que ama a vida, feliz e otimista por natureza,
pra Walt, que é muito sombrio e problemático.
Não tinha como ser mais diferente.
Percebi o jeito dinâmico de Walter White desde o começo.
E agora é hora de se despedir.
Era um homem que, mesmo fracassado e debilitado,
fazia aquilo que precisava fazer.
Destacando os ossos da face, disfarça as bochechas
e fica parecendo que você perdeu peso.
E acho que, com essa papada aqui,
parece que perdi muito peso em pouco tempo.
Quando se filma uma série, cada episódio tem um diretor diferente.
Às vezes é um diretor convidado, às vezes sou eu
ou Vince Gilligan ou outro roteirista.
Às vezes é nosso diretor de fotografia, Michael Slovis.
E, às vezes, Bryan Cranston.
Uma das coisas que mais gostei na pré-produção
foi a destruição da casa da família White
e foi bem triste ver isso da primeira vez.
Foi como andar num túmulo ver a casa deles desse jeito.
Temos dois paizões em Breaking Bad:
um é Bryan Cranston e o outro é Michael Slovis.
Michael Slovis é nosso diretor de fotografia
e, como tal, é responsável pela fotografia da série.
A única maneira que encontrei é você ficar na frente da parede.
Sempre dizem que diretores de fotografia
ou são bons ou são rápidos. Nunca as duas coisas.
Michael Slovis é um caso raro: ele é excelente e rápido.
Me veja pelos dois lados... porque...
- Então, você entra... - É uma cena em primeira pessoa...
- É em primeira pessoa e depois você anda... o cenário é bacana.
- Você muda o enquadramento. - Do outro lado, isso.
Desde o começo, Vince e eu tínhamos um plano
de como seria o programa em termos de tons e cores.
À medida que Walt vai se tornando maligno,
eu enxergava a série ficando cada vez mais sombria.
Com uma história tão boa, posso usar uma paleta bem variada
porque o tom da série permite.
Agora estamos filmando a cena em primeira pessoa...
...de Heisenberg andando por sua velha casa destruída.
Sou Andrew Voegeli, cameraman da série desde a temporada 2.
É uma série filmada com câmera de mão e o processo é cansativo
do início ao fim, todos os dias.
Ação!
É uma série que exige muito fisicamente e é bem difícil.
E... corta!
No primeiro dia de filmagem do 5-09,
fizemos uma reunião pra discutir o 5-10.
- Como estão? - E aí?
- Estacionamos seus carros aqui... - Legal!
- Vão ver quais estão inteiros quando voltarem.
Estamos na pré-produção do episódio 5-10,
escrito por Tom Schnauz.
Talvez Tom seja meu amigo mais antigo.
Nos conhecemos em 1986, na Tisch School of the Arts,
na Universidade de New York, no curso de cinema.
- Ótimo roteiro, bem escrito. - Obrigado.
Todo mundo gostou.
Diane, acho que alguém falou
sobre fazer algo diferente com o ponto de vista de uma cena.
Conheci Michelle no fim dos anos 90, em "Arquivo X".
Nesses bairros de subúrbio, que são visualmente fantásticos,
todo mundo usa cercas.
Toda vez que ela dirige um episódio, fico tranquilo,
porque sei que ela vai fazer tudo do jeito certo.
Não precisa de outro local pro seu episódio e o de Bryan...
...onde não tenha cercas e tal.
O bacana de Vince é que ele é sempre assim.
Ele cria um ambiente saudável e todos se divertem.
É profissional, mas divertido.
Temos um monte de trabalho duro à frente,
mas é assim que fazemos.
Tom, Diane, Mand, querem vestir um macacão sem camisa?
Agora faz assim. Beleza?
Quando Dean Norris sai do banheiro na primeira cena,
ele carrega nas costas o peso da sua descoberta.
Podíamos fazer de várias formas. Os fãs pensavam:
Como Hank vai estar após sair desse banheiro? O que vai fazer?
O pensamento agora pra mim é: O que eu falo?
Falo o que estou sentindo?
E você percebe que ninguém te viu levando o livro.
Pode esconder o livro quando voltar.
É genial que Hank esteja prestes a capturar a sua presa,
usando o livro dele.
E depois disso, tudo desaba, infelizmente.
E... Ação!
Corta!
Algum de vocês faria diferente?
Ele está pensando: "Onde está Walt?"
Está como um zumbi. Na cabeça dele...
Não sabe pra onde vai. Entendeu?
Tem muita análise em cada cena de Breaking Bad.
E quando Bryan Cranston dirige, ele ouve sugestões dos escritores.
Fico impressionado com isso.
Mas ele está preocupado que Walt apareça?
Eu acho que da sala dá pra ouvir ele falando...
- Da cozinha. - ...dá pra ouvir, mas só isso...
- Entendeu? Vamos tentar. - Ok.
Dean?
Tente parecer atordoado, ok?
Parte de você está travado e parte quer ir embora.
Sim, vamos ver...
E... ação!
É preciso entender que é um trabalho em equipe.
Se alguém não entende isso, vai ter problemas.
Vão odiar trabalhar com você, porque você é um ditador
que fala "faz do meu jeito ou não faz" e está errado.
Você tem que permitir opiniões diferentes.
Respira fundo... e vai.
Corta!
Acho que esse nível de colaboração
é que faz com que Breaking Bad dê certo.
Faz com que estas cenas fiquem boas.
O que achou, Dean?
Tá bom. É diferente. Ficou diferente.
Temos quantas tomadas? Três? Está bom?
Achei ótimo.
Gostei mesmo.
Eles pensam bem rápido.
Pegam uma ideia minha e materializam
muito rápido. Isso é divertido.
Essa pessoa é a que mais trabalha na equipe.
- A senhorita Helen Caldwell. - Olá!
Nossa supervisora de roteiro. É uma equipe de uma pessoa só.
Quando temos reuniões de equipes, ela tem que ir.
Eu acompanho tudo.
Cada tomada, o que foi aprovado ou não,
o que falaram parados, o que falaram andando,
onde pararam, se andaram pra esquerda ou pra direita
e se o ator pula uma fala, tenho que avisar sutilmente...
- Ela avisa. - ...você estragou tudo!
Ela vem e fala: "Você queria pular esta fala? Queria?"
E eu digo: "Aaaah...!"
O diálogo no final do episódio 5-09
é algo que a gente esperava desde o episódio piloto.
Desde que Walt virou criminoso e ficou na mira do cunhado...
É isso. Este é o momento.
Então a ideia é...
É diferente trabalhar com um protagonista que dirige.
COORDENADOR DE DUBLÊS Fico mais nervoso, ele tem uma visão,
sabe exatamente o que quer.
Quero mantê-lo seguro, mas também fazer o que ele pediu.
E depois volta à sua posição,
- ...só essa fração de segundo... - Parece ótimo.
Vem aqui.
Nesta cena, vou dar um soco em Walter White. Vou bater mesmo!
E... ação!
Você está bem?
Não gosto do jeito que está me olhando.
Na maioria das brigas,
ninguém fica se socando direto. É coisa que Hollywood inventou.
Batendo e batendo... Em geral, é só um socão e... bum!
Acabou. É violento e rápido.
- Você! - Se acalme!
- Você dirigiu na contramão... - Escute...
- ... pra eu não ir à lavanderia! - Escute...
O telefonema de Marie... que ela estava no hospital!
Não foi Pinkman! Você tinha meu número!
Me surpreendeu muito a dor expressada por Hank.
Está com muita raiva. Se sente traído, está sofrendo.
Matou 10 testemunhas! Explodiu um asilo!
Não sei de onde tirou isso. Me escute.
Ele não vai me bater de novo, mas agarra minha cabeça...
tenso e angustiado. É devastador.
Se isso é verdade... que você não sabe quem eu sou,
então talvez sua melhor opção seja... tomar muito cuidado.
No episódio 5-10,
temos esse ônibus que é um laboratório,
que W. Gilpin construiu e Mark Freeborn criou pra gente.
Este equipamento foi usado na primeira parte da temporada 5
e ficou com Todd.
É o mesmo equipamento usado pela empresa Vamonos Pest.
Após um acordo, Todd assumiu a produção e Walt se aposentou.
Mark Freeborn parece uma mistura de Papai Noel com um motoqueiro.
A série tem vários personagens em frente às câmeras
mas por trás das câmeras, ele é um personagem por natureza.
Um monte desses elementos foram... encontrados por aí.
Este mixer de cozinha é usado para produtos químicos.
Tudo precisa caber nessa passagem de 80 cm do ônibus.
A ideia é criar um ambiente bem sinistro, escuro, incômodo e sujo
em contraste ao ambiente limpo e seguro de Walt e Jesse.
É fantástico, tem muitos detalhes. As janelas são de acrílico.
Fizeram grafites.
A areia está entre o acrílico e as janelas. Pronto, Anna?
Ok, Laura. Vou dar um sinal e você se abaixa, ok?
Aí eu falo "bala". Vamos filmar umas duas vezes.
Michelle MacLaren dirige cenas de ação como ninguém.
Mas não veremos tiros na cena. E ela ficou louca quando soube.
Ela falou: "Por que a cena não mostra o tiroteio?"
Eu disse: "Não queremos filmar assim.
Vamos ver do ponto de vista de Lydia Rodarte-Quayle
enquanto ela escuta tiros lá em cima"
"Mas não podemos mostrar só um pouco?"
Não podemos mostrar um pouquinho, só um tiquinho?
Eu disse: Não.
Cartucho. Bang!
Bang! Bang, bang!
Uma das coisas que gosto em Michelle é que com limitações,
mesmo assim, ela aproveita a cena ao máximo.
Areia. Abaixe a cabeça. Olha pra cima, Laura.
Olhe pro cartucho de bala. Bang! Bang, bang!
O ônibus é o cenário e não tem tiroteio real lá fora.
O ator está sozinho na cena e ajudamos a criar um clima.
Você não pode falar: "Areia. Bala. Bang, bang, bang"
Não ajuda os atores.
Olha pra cima.
Abaixa a cabeça! Bang! Bang, bang!
E... abre a escotilha...
Faço assim! É "bang, bang, bang"! Está acontecendo lá fora!
Corta! Bom trabalho! Obrigada, foi muito bom.
Laura, pode ir pra casa e colocar os pés de molho.
Estava bem intimidada, mas ao mesmo tempo...
...encantada por ter um papel tão bacana.
Por sorte pude explorar o personagem.
Encerramos com Laura, gente. Palmas pra ela.
Mesmo esse cenário aparecendo só por 2 minutos,
ele é parte da sequência que conta essa história.
E a melhor forma de fazer isso é com uma sequência completa.
Então... só 2 minutos na tela? Quem liga?
Valeu cada segundo.
Ok, pessoal. A equipe entrou. Vamos fazer silêncio.
Pessoas lembram das cenas grandiosas de Breaking Bad.
Mas eu diria que a alma da série
está nas cenas mais silenciosas.
Como a cena onde Walt está desmaiado no banheiro.
Nesses momentos silenciosos é que entendemos
quem são os personagens e o que eles pensam.
São o coração e alma da série.
Deus!
É incrível trabalhar com uma atriz como Anna Gunn.
Criamos uma grande amizade e muita confiança.
A gente sabia que um ia cuidar e proteger o outro,
como ator e como pessoa, em cena e fora de cena.
E... ação!
Oh, Deus!
Quanto tempo fiquei desmaiado?
Umas quatro ou cinco horas.
No começo, Skyler era a moralista da série,
que falava: "O que está fazendo? Não pode fazer isso"
Isso irritou o público.
Você está feliz?
- Não lembro a última vez que fui feliz. - Quando falam: "Odeio essa vadia",
Penso: "Por que falam isso? Não sabem o que ela está passando?"
Levo isso muito pro lado pessoal.
Concluí que cada série tem um protagonista
e um antagonista. E aqui o protagonista é Bryan.
Mas é um anti-herói. Um cara que faz coisas muito ruins.
Vince não queria uma mulher fraca que ficasse chorando.
Toda vez que eu ia chorar nas primeiras temporadas,
ele me dizia: "Não faça isso"
Queria que ela fosse feita de aço.
Muito forte, uma fortaleza de aço desde o começo.
Ele deixava isso bem claro.
Se você se entregar, vai ter que entregar o dinheiro,
é assim que funciona.
Talvez a melhor coisa...
seja ficar quieto.
Corta! Muito bom!
Um dos motivos pra esses momentos serem tão marcantes
é que os escritores têm sido bem consistentes
na caracterização de Skyler durante a série.
E Anna tem sido valente pra se manter firme.
Anna é uma atriz brilhante e valente por entender a verdadeira Skyler.
Michael Slovis dirigiu o episódio 5-11.
Tem duas coisas que adoro em sua maneira de dirigir.
Uma é sua ênfase na atuação.
Como chegamos a esse ponto?
"Hank, este vídeo só tem mentiras", e vemos até onde vai.
Vemos até onde vai.
Observar Michael interagindo com os atores é maravilhoso.
Ele tem esse toque mágico.
- Pensei: "ele vai perguntar"? - Exato!
- Tá ok, gostei. - Vai perguntar, não quero falar...
Foi uma cena difícil. Costuma ser rápido.
Gestos pequenos dizem muito, numa cena como essa.
Por isso é um desafio fazer direito.
É interessante vê-la pra baixo e você pra cima,
ela parecendo tão pequena.
Eu me sinto bem pequena agora.
As cenas mais dramáticas, eu sempre faço com Betsy...
é bem tranquilo. Sério! Tem sido ótimo gravar com você.
Falei a Dean que é uma honra interpretar sua esposa.
Essa é outra cena com Betsy, a confissão de Walt.
Decidimos assistir pela primeira vez quando formos gravar,
assim vamos reagir como se fosse a primeira vez.
Meu nome é Walter Hartwell White.
Moro em Negra Arroyo Lane, 308,
Albuquerque, New Mexico, 87104.
Essa é a minha confissão.
Se você está vendo essa gravação, provavelmente estou morto.
Assassinado pelo meu cunhado, Hank Schrader.
Pra quem ele mostrou isso?
Ninguém. É uma ameaça.
Ele vai fazer isso se eu não voltar atrás.
Devia mostrar isso ao Ramey.
Pra se precaver.
Esse vídeo é um monte de mentiras. Quem o conhece vai saber.
Sim, sim, eu sei. Eles não são idiotas.
177 mil?
Do que ele está falando?
- Marie? - E... corta!
Essa cena superou... foi maravilhoso.
É uma cena difícil, cheia de altos e baixos.
Essas pessoas foram maravilhosas.
Não acha que somos as pessoas mais fáceis pra trabalhar?
- Vocês são os melhores. - E os mais talentosos.
Claro, com certeza.
Meu Deus... é muito mentiroso!
Ação!
Agente Schrader, espancou algum suspeito recentemente?
Altinho e Altão, perguntem sobre o histórico dele com meu cliente.
Da última vez, deixou o pobre garoto inconsciente.
O que vai ser? Um processo grandão? Porque vou processar.
O convite pra participar da série me pegou de surpresa.
Fiquei surpreso, não esperava.
Adeus, Rocky! Mantenha sua esquerda erguida!
Detetives, os convido a se retirar.
Na segunda temporada estive em 3 episódios
e na terceira estive em 10 de 13.
Eu ainda não tinha assistido o programa. Até então.
Não assisti desde o início.
Então, na minha segunda temporada, a terceira que você viu,
eu não sabia o que estava rolando ou de quem eu estava falando,
principalmente se tratando de Gus ou outro personagem
com quem eu não atuasse em alguma cena, mas conhecesse.
Bryan às vezes me olhava porque eu errava as ênfases das falas,
falava algo de maneira errada...
Eu falava: "Gus é o cara com quem trabalho, sabe..."
E então ele falava: "Você nunca assistiu ao programa, né?"
E eu respondia...
Nunca respondia.
Me faz um favor. Diz qual é o seu problema.
Meus rapazes se ferram
para esconder o dinheiro de Walt dos federais
e você joga ele pela janela? Tem algo que eu deva saber?
Certas coisas na comédia são difíceis
e a boa comédia é... difícil. Sabe, requer um esforço.
Mas acho que isso aqui é bem mais difícil.
Estraguei a cena. Sério. Três vezes.
Voltei demais, não contornei a câmera. Improvisei as falas.
Isso é um problema aqui? A série permite improviso?
- Não. Não permite. De jeito nenhum.
Acho que, às vezes, ele pensa que não merece esse personagem.
Mas merece muito interpretar Saul Goodman.
Porque ele é engraçado e sabe disso.
Mas ele não percebe o bom ator dramático que se tornou.
É e sempre foi.
- Você vai conseguir. - Mas quando?
- No final da oitava. - Da oitava temporada?
Sim, vai fazer direito. Ah, tenho que ficar aqui?
Pra impedir que Odenkirk estrague tudo?
Isso, exato.
Michael Slovis também sabe escolher locações pra filmagem.
Dá pra ver no episódio 5-11:
as dunas onde Saul, Walt e Jesse estão juntos.
Vince sempre imaginou Breaking Bad como um western.
Quando filmamos no deserto, parece um western.
Estamos nas dunas de Pajarito. Faz muito frio, uns 3 graus.
Estamos filmando Walt, Jesse e Saul no deserto.
Nessa cena, Walt convence Jesse a ir embora de Albuquerque.
Saul conhece um especialista em criar identidades novas.
Você pode se mudar pra longe e ter uma vida nova.
Gravamos em muitos lugares desolados
que refletiam o sentimento dos personagens:
solidão e desolação.
Basta me pedir um favor.
Fala que tá cagando pra mim e pronto...
É isso ou vai me matar, como matou Mike.
Prefiro interpretar alguém diferente de mim.
Odeio falar em público, estar na frente de uma multidão.
Mas na frente das câmeras,
desde que seja um personagem diferente de mim,
me sinto confiante.
E não é por isso que estamos aqui?
Nos encontrando nesse lugar deserto,
pro caso de eu falar que não?
Quando você vê Bryan e Aaron juntos,
você os vê como mentor e aluno.
Aaron se tornou um ator melhor
por ter atuado com Bryan.
Bryan Cranston não tem muito a melhorar,
mas percebeu que, com Aaron, atingiu seu auge.
Esses caras são bons um pro outro.
Corta!
Corta!
Muito bacana!
BUSCA DE UMA LOCAÇÃO
Eu sabia que o final da série ia ser nessa locação.
Era muito importante escolher e preparar corretamente.
Os escritores disseram que tínhamos que achar este local
que apareceria num episódio anterior
mas ia ter papel muito importante no final.
Foi meio difícil, mas graças a Deus
ou aos deuses de Breaking Bad,
encontramos este cenário perfeito,
uma antiga usina.
Muita coisa vai acontecer aqui, quando estivermos no final.
E se a gente filmar aqui... eu gostaria disso...
aquele local deve virar o laboratório de Todd.
Pode entrar um caminhão pelos dois lados e é bem bacana.
E essa casa marrom, na nossa frente,
provavelmente vai ser o quartel do Tio Jack.
No início, o quartel, o laboratório, a cela de Jesse,
tudo ia ser numa única sala grande.
E agora podemos gravar em vários locais.
E tem esse fantástico poço horroroso.
Encontramos este lugar maravilhoso.
Eu e meus escritores vamos colocar Jesse aqui
e, certamente, no final, ele vai escapar.
Ele está mais preocupado com si mesmo, não aguenta mais.
- Acho que você tem razão. - Eu acho que... isso aí.
Hoje é um dia bem emocionante pra gente
porque é a primeira vez que o escritor Sam Catlin vai dirigir.
Você fala pra ele algo como "não faço", algo assim.
Gosto de dar oportunidade pra toda equipe de Breaking Bad
amadurecer, aprender e fazer coisas novas.
A primeira regra pra um escritor virar diretor
é ter entusiasmo e vir me pedir isso.
Eu não divulgo quem pediu.
Quero que peçam porque estão muito a fim
e não porque souberam que outros escritores pediram.
É isso?
Quer dar uma olhada?
Tá bom assim?
- Mantemos a tensão o tempo todo? - Ele vai fazer assim. Vai fazer.
Vamos terminar isso. Vamos gravar.
Eu não me animava muito com a ideia,
pois precisava dos roteiristas na sala comigo.
Mas eu não podia recusar,
porque eles queriam, mereciam e conquistaram.
E como diretor geral da série, às vezes preciso deixar
que sigam seus instintos e façam coisas que acham importantes.
Eu tinha uma vantagem, porque escrevi o episódio,
conheço o tom da série e conheço pessoalmente os atores.
Então eu tinha essa vantagem.
Jesse, largue esse isqueiro.
Ele envenenou uma criança.
Um garoto de 8 anos.
Só porque... sabe...
...era uma jogada!
Walt é um desgraçado. Eu descobri o segredo dele.
Vamos falar sobre isso.
E... corta!
Isso foi legal... muito legal!
Sam era ator. Eu sabia que seria ótimo dirigindo os atores.
Estava confiante e preparado. Sabia certinho o que queria.
Não tentou fazer mais do que precisava
e fez um trabalho belíssimo.
Na faculdade, conheci um jovem chamado Takahiko Kitazawa.
Ele tinha paralisia cerebral.
Era bem sério e ele tinha que andar de muletas, como Walter Jr.
Eu o conhecia bem, era uma pessoa maravilhosa.
Daquelas que te fazem sentir rico apenas por conhecê-las.
Ele faleceu com uns 25 anos, logo após a faculdade.
Eu pensei nele quando criei Walter Jr com sua paralisia.
Quando ele criou o personagem, pensou numa limitação física,
como realmente é. E quando vi isso no roteiro, falei:
"Olha só. Eu já sou assim."
Embora o personagem tenha paralisia cerebral,
a gente sabia que ele seria tratado normalmente,
assim como RJ não é tratado de forma diferente na vida real.
Com sorte, se isso ensinar algo ao público
sobre integrar pessoas com uma aparente incapacidade,
acho que teremos feito nossa parte.
- Te amo, amigão. - Eu também.
Tenho a maior sorte do mundo por trabalhar com este cara.
Achei que era com Bob Odenkirk que você queria trabalhar.
- Não, na verdade Bob é... - Não tente me enganar...
Você queria trabalhar com Bob Odenkirk, não comigo.
Trabalho com você desde os 13 anos!
- Ou seja, tá enjoado de mim. - Sabe, tenho que abrir minhas asas.
O pássaro tem que abandonar o ninho alguma hora.
Você tem que parar um momento e pensar:
"Bom, vou arriscar tudo". E então você vai.
Na série, não gravamos muito nesse tipo de cenário.
No roteiro, isso ia ser um parque.
Christian, nosso encarregado de externas, sugeriu essa praça,
que não é um parque,
mas tem a quantidade de pedestres que precisamos.
Pode chegar perto do orelhão?
Espera! Para aí!
Usamos estes... pequenos fones.
Eu ponho no meu ouvido e ele põe no dele.
Nós ouvimos porque também temos microfones.
Aaron está com suas falas. Está com problema pra decorar.
É só isso. Só um pedacinho das falas...
Simplesmente não consigo!
Ele se orgulha de saber suas falas perfeitamente.
Eu me orgulho em não saber.
- Colou o roteiro no orelhão pra ler. - Não vou fazer isso.
- Não tem problema! - Não, não vou fazer isso.
Ei, Brando fazia isso.
Eu não sou Brando.
Eu quis dizer Bob Brando.
Não fiz, pessoal, olha aqui.
A câmera tá aqui e você, olhando pro orelhão.
Coloque o roteiro ali... "Não, não, não!", ele disse.
Por que não?
Peraí, peraí, peraí.
É assim?
Helen?
"Na próxima vez, vou te pegar onde você realmente mora"
Bryan se comporta como criança no set de filmagem.
E falo isso pra ele da maneira mais suave possível.
Corta!
Quase fiz direito. Droga!
Droga!
A história da série é bem tensa e sombria.
Quando não estamos gravando, a gente brinca pra aliviar a tensão.
Agora estão discutindo as cenas de Bryan Cranston.
Minhas cenas foram gravadas.
A parte mais importante do dia terminou. Mas agora...
Consigo te ouvir! Escuto tudo...
- Ah, pode me ouvir! - ...com o poder da minha mente!
E com meu fone de ouvido.
Esqueci que temos esses fones nos ouvidos.
Mas tá bom. Ele precisava escutar isso.
Precisava escutar.
Posso interpretar minhas falas sem as câmeras?
Aí eu ia te superar na frente das câmeras.
Sério? Você pode ler as falas, Helen pode ler.
Você pode pegar alguém na rua pra interpretar.
- Não fará diferença. - Vamos lá, gente. Vamos gravar.
Amo o que eu faço, me divirto.
Quando alguém ama o que faz, seja ator ou alguém da equipe,
trabalha melhor.
Estão mais felizes. Pessoas felizes trabalham melhor.
Posso estar doido, mas vou tentar fazer essa cena sem ler as falas.
Pronto? Ok, aqui vai.
Segundo plano!
Nunca pensei que filmar Breaking Bad ia ser tão divertido.
Nunca pensei que o set fosse um lugar tão divertido.
Ação!
Boa tentativa, idiota.
Jesse, onde está? Só quero falar com você.
Não vou fazer mais nada que você pedir. Ok, idiota?
- Ok, se acalme. - Ah! Estou super calmo, Walt.
Isso foi só um aviso que vou atrás de você.
E... corta!
Se tenho que destacar alguém, é Bryan Cranston.
E Bryan tem trabalho nisso há muito tempo...
é um grande profissional. Esteve em filmes bons e ruins,
em situações boas e ruins, e escolheu de forma consciente
manter um ambiente positivo sempre que possível.
Sempre trabalhamos demais, mas podemos nos tratar bem,
ser amáveis com os outros, podemos ser uma família feliz.
Vamos fazer isso, ok?
SESSÃO DE FOTOS PARA A ENTERTAINMENT WEEKLY
Legal!
Pega aí, entra aí.
Vamos jogar sangue um no outro. Preparado?
Você primeiro.
Extravasa, foram seis anos!
Cuidado.
Estou bacana?
Estamos em To'hajiilee. Onde Walt enterrou seu dinheiro.
Esse é o grande momento em que Walt é preso.
É importante filmar os carros chegando mas talvez tenha
uma tomada aqui de cima também.
Quando eu soube que haveria esse tiroteio
no episódio 5-13,
que terminaria com as mortes de Hank e Gomez,
garanti desde o começo
que Michelle MacLaren ia dirigir esse episódio.
Pega o celular e a bateria.
Arranja um lugar pra se esconder.
Tinha tanta coisa pra filmar, tanta gente
e tantas referências de gente se olhando
e interação entre grupos diferentes,
achei melhor estudarmos todas as cenas,
pra que todos soubessem onde ficar.
- Agora a cena no carro. - E vejo Gomez sair, né?
É quando você vê Hank e pensa: "não venha, não venha".
- E vejo Gomez... - Isso aí. E Jesse...
Espera aí. Não, não, não, não...
- Dean, diga sua fala! - Que fala?
"Sei que está aqui". Essa.
E eu vou me entregar a você? Tá brincando!
Esse cara é o responsável por isso ficar bonito na tela.
Sempre faz a gente ficar bonito. Esse cara aqui.
Cuide bem do seu cameraman. Senão, você tá morto.
- É o que eu tenho a dizer. - É difícil alguns ficarem bonitos.
Eu sei. Por isso você fica com o trabalho difícil. Eu agradeço.
Andy Voegeli, nosso principal cameraman,
tem uma relação muito próxima com nossos atores.
É o cara que te vê, diz se o enquadramento está bom,
se vai mostrar de um jeito ou outro. Sempre vou nele primeiro.
Ele se adapta aos nossos movimentos, tudo fica bacana.
É como se fosse uma dança.
Às vezes, eles literalmente nos amarram.
Eu sinto como se a gente sempre estivesse ligado.
Olhe ao seu redor.
Apareça logo, Walt!
Achei!
Walt nunca pensou que Jesse ajudaria Hank.
Heisenberg sempre parecia estar um passo à frente.
Pensava em todas as possibilidades e soluções.
Isso nunca lhe passou pela cabeça.
Bryan e eu falamos: "Esse é o momento mais difícil
que Walt já teve até aqui"
É o fim da linha pra ele. A única saída é matar todos.
Ele estava preparado pra matar Jesse,
mas não estava preparado pra matar Hank.
Parado!
Vire de costas!
No começo, Hank era um cara confiante e controlado.
E depois desmoronou.
Depois, ele voltou a ser o que era antes,
e consegue prender Walt, porque voltou a ser o que era.
É como se fechasse um ciclo.
De joelhos!
Esse é o momento da vitória para Hank.
Há uma sensação de dever cumprido,
porque chegou o momento em que esse sujeito,
que sacrificou seu trabalho, seu casamento...
custou muito prender esse traficante...
Amo ele, amo ele.
Eu e Steven nos conhecemos no primeiro dia no estúdio.
Conhecemos Vince e nosso consultor do DEA.
E nos demos bem.
Como foi com o treinamento do DEA?
- Prendemos uns viciados, lembra? - Com certeza.
- Puderam patrulhar juntos? - Não, não deixaram.
- Fomos sozinhos e prendemos eles. - Sim!
Nós dois sozinhos.
Foi bom conhecer meu melhor amigo na série no primeiro dia.
E, além disso, somos parceiros.
Só estar no set com esse cara já é emocionante.
Gosto do jeito como ele trata todo mundo.
Estou aprendendo a fazer isso.
- É outra lição que estou aprendendo. - Como o definiria?
- Isso, seu puto. Como me definiria? - É fácil. De manhã ele fala:
Qual o problema, seus bundões?
Já tá aqui? Você se levanta às 6 como a gente?
Bundão pra cacete.
Bom dia!
Bom dia com estilo de Dean Norris.
Sr. Norris, você falava assim quando estudava em Harvard?
Falava desse jeito?
É o aluno de Harvard mais improvável que conheci na vida.
- Entendeu? - Graduado com beca e tudo!
Formado na Universidade de Harvard com beca e tudo!
Não preciso dessa marcação de merda, seu babaca.
- Hoje ele está inspirado! - Isso quer dizer "grato, estou bem"
"Obrigado, estou bem"
Sempre preciso fazer umas gracinhas quando vou filmar.
Fico mais confortável.
Quero que estejam comigo,
assim, quando a coisa ficar séria, vão estar comigo.
Quando chego no set, preciso fazer umas piadinhas,
fazer os outros rirem do jeito que eu sei fazer.
- É difícil. - É difícil dizer "filho da puta"
tantas vezes como eu sem ofender ninguém.
Na verdade, eles gostam quando falo "filho da puta" pra eles.
Tem um monte de gente sentada sem fazer nada.
Olha pra eles... filhos da puta. Olha...
Nada, nada, nada...
Vieram em grupo hoje. E nada.
É como Jesus falou pros caminhoneiros:
"não façam nada até que eu volte"
Então começa onde a gente parou.
Começa com a loja de aspiradores,
com esse cara que aguarda uma mulher.
Ele é um ótimo vendedor de aspiradores...
"Onde diabos estamos?"
Enquanto a gente filmava o tiroteio em To'hajiilee,
Vince estava em Albuquerque preparando o episódio 5-16
e também organizando e escrevendo o 5-15.
Há um problema, Saul junto com Walt e como sumir com Walt.
Parece que...
Tentamos fazer ficar diferente...
...mas fica um pouco parecido.
Escrevemos os dois últimos episódios bem perto do final.
De seis escritores, sobraram dois: Peter Gould e Tom Schnauz.
Trabalhamos duro num local improvisado de Albuquerque
e fizemos o possível pra que a história fluísse.
Mas foram momentos difíceis.
Você não tem tantas cabeças na sala
e não é o ambiente onde a gente costuma estar,
então a gente fez o que pôde.
E se juntarmos todos numa cena
e fizermos disso a abertura?
Uma abertura bem longa.
Minha ideia era dirigir os dois últimos episódios, 5-15 e 5-16,
mas ficou claro que eu não ia ter tempo pra isso.
E fico feliz por isso ter acontecido,
porque tivemos Rian Johnson na direção outra vez.
- Vamos ensaiar! - Ação, Michael.
É o terceiro episódio dirigido por Rian.
Fez o memorável episódio da mosca,
talvez um dos mais controversos,
e fez aquele episódio em que Skyler entra na piscina.
É um ótimo diretor. E está repetindo a dose agora.
A cena de hoje, que é um ato completo,
é importante porque dois personagens vão morrer.
Ação!
Quando começa, Gomez já está morto após o tiroteio,
e Hank está ferido, mas não mortalmente.
E hoje vai morrer.
Calma aí, rapazinho.
- Corta! - Lindo!
Feito! Bom trabalho, gente!
É estranho. Você sabe que vai acontecer...
E aqui estamos.
Foi um desafio, é difícil filmar lá.
Estamos gravando uma cena e vem areia no rosto.
Não são as melhores condições para se filmar.
Mas isso acaba acrescentando algo.
Prontos... ação!
No que a gente se meteu?
Por muito tempo, as coisas foram muito preto no branco com Hank.
E ele virou o moralista.
Essa caçada a Heisenberg colocou essa moralidade à prova.
Mas no fim, Hank escolhe o que é certo.
Meu nome é agente especial Schrader...
...e você pode ir se foder.
Hank!
Vamos, você tem que colaborar comigo, ok?
Hank sabe desde o começo que acabou.
E Walt implora pra não matarem Hank,
mas Hank sabia o que ia acontecer.
Você é o cara mais inteligente que eu conheço.
E não consegue perceber.
Ele já se decidiu há 10 minutos.
Você vê os olhos de Dean e percebe
a força interior que moveu Hank por toda a série
e vemos isso brilhar no momento final.
Ele deve terminar desse jeito.
Corta!
É bonito, parece o certo,
e, embora triste, é um final justo pra esse personagem.
O que posso te falar? Terminou. Nos vemos por aí.
- Foi um prazer. - Nos vemos amanhã, amigão.
Graças a Deus que ele foi embora.
Ele é um pé no saco, Meu Deus...
Nunca falaria na frente dele
e não quero isso gravado.
Deus!
Nossas vidas estão um pouco melhor agora.
Não acha?
- Oh, Deus... - Seja sincero, só isso.
Pode se abrir, estamos só nós dois aqui. É um papo seguro.
E a câmera?
MANHÃ SEGUINTE
A morte de Hank foi filmada em dois dias.
Matam ele num dia e no seguinte o arrastam e o jogam num buraco.
Esse é o cara. Uma bala na porra da cabeça, agora. Corey...
Tá parecendo um pino de boliche.
"O pino de boliche chamado Agente Hank Schrader"
Me vejam no canal 2, filhos da puta.
Ok, aqui vamos nós. Vamos, saiam.
Comecem a arrastar quando eu falar "ação".
Ação!
- Corta! - Continuem arrastando.
Continuem!
Ok, esse é o momento que todos esperavam após 60 episódios.
Você vai pra CBS, onde milhões de pessoas vão ver suas falhas,
bem mais gente que aqui.
Te desejamos muito boa sorte.
- Obrigado. - Sentiremos tua falta.
- Foi um prazer... - Que porra é essa?
E pra você também.
Obrigado!
Muito obrigado.
Se me dissessem no primeiro dia de filmagem
como seria triste dar adeus a Hank, eu ficaria surpreso.
Não previ o quão interessante seria esse personagem.
Só imaginei um cara amigável, machão, fanfarrão,
tudo que Walter White não era.
Mas demos o papel a Dean Norris. E Dean é muito mais que isso.
Ele é um cara complexo e maravilhoso, com muitas facetas.
Não imagino a série
sem Dean Norris interpretando Hank.
Você tem a sensação que está acabando.
A cada parada, pequenas portas vão fechando.
Oh, Deus!
Foi um prazer.
Vai ficando mais chato, mais triste, entendeu?
Certo. Prontos? Rodando...
3... 2... 1... Ação!
Por favor!
Por favor!
- Walt! - Corta! Lindo, lindo.
Essa cena foi o meu clímax em seis anos de série.
Eu sabia que ia ser difícil, um desafio.
Prepararam um quarto pra eu ficar, entrei lá
e depois pediram pra eu esperar porque estava nevando.
Tive que sentar e esperar.
Mais tarde, falaram que parou de nevar e que estavam prontos.
Ação, Anna!
Por favor, pare! Por favor!
Por favor!
Por favor!
Por favor, por favor, por favor...!
Por favor, por favor...!
OK, corta.
Às vezes o ator chega naquele ponto de se entregar
e seu corpo fala: "não quero, não quero", porque dá medo.
Rian falou comigo depois das primeiras tomadas
e disse: "Não se preocupe por reagir assim na rua". Eu tinha medo.
Ele disse: "Sim, ok. Está bem".
Ele percebeu que eu precisava que alguém
pegasse minha mão e falasse: "você está segura"
Me olhou e percebeu isso. Se virou e disse: "Vamos".
Ele saiu dali e estávamos prontos. E gravamos.
Por favor!
Por favor!
Por favor, por favor...!
Oh, Deus, por favor...!
Parece real porque Anna se colocou no lugar de Skyler
e entrou nessa montanha russa de emoções.
Ok, conseguimos.
Quero honrar esse roteiro e essa personagem
dando tudo que eu puder de mim.
Depois, quando agradeci a ele por me ajudar,
ele disse: "não tem que me agradecer, você fez sozinha"
Mas ele me ajudou a fazer.
Quase!
Às vezes, me levanto e tento acertar a cesta até a inspiração
aparecer e aí paro pra descansar.
O programa tem duas sedes:
o centro de produção em Albuquerque,
onde elenco e equipe estão na maior parte do tempo
e o centro de pós-produção e roteiro aqui em Burbank, Califórnia.
Olha, Sr. Natural. Não vou deixar você sabotar esse negócio.
Esse cara não vai te pegar se você aparecer drogado,
então pare de fazer besteira ou vamos nos dar mal.
Um episódio é feito três vezes: escrevemos, filmamos e editamos.
Tem que contar a história três vezes.
Um terço da história que a gente conta surge na sala de edição
de Skip MacDonald e Kelley Dixon.
- Adorei. Qual a duração? - 1:44.
Insisti nessa cena porque é a única vez
em que ele aparece colocando a erva no bolso.
"Pegue-a" viria primeiro. Depois seria "Sr. Natural".
A gente corta e acontece uma quebra no raciocínio aqui...
Vince tem uma sensibilidade única de ritmo.
Às vezes ele olha pros cortes quando estamos trabalhando
e diz: "Pode passar de novo? Pode passar de novo?
Estou tentando captar o ritmo"
Quando Jesse percebe que Saul mandou Huell tirar a maconha
do seu bolso, o diretor decidiu contornar Jesse.
A câmera contorna Jesse enquanto ele checa seus bolsos.
Em vez de uma só câmera, uma tomada, decidimos cortá-la
para poder criar um pouco de tensão e nervosismo.
É uma tomada mais confusa.
- Ok, são... que horas? - Quase de manhã.
Quase de manhã... 5:00 ou 5:30 da manhã. Bem silencioso.
E quanto ao som ambiente, não tem carros...
A sessão de revisão ocorre quando o episódio está finalizado
e assistimos cena por cena,
discutindo se adicionamos algo pra completar o processo.
- Esse motor é da produção? - Não, pegamos emprestado.
É muito bom. Sim, muito bom.
Nas sessões de revisão, Vince sempre está presente,
Michelle MacLaren também está lá,
temos o supervisor de edição de som, Nick Forshager,
a supervisora de diálogos, Kathryn Madsen,
o compositor, Dave Porter,
o supervisor musical, Thomas Golubic,
e nosso editor musical, Jason Newman.
Eu estou lá, junto ao editor do episódio
e discutimos onde devemos incluir música,
que efeitos de som a gente quer,
que sons de fundo a gente quer,
se precisamos tornar algum diálogo mais claro.
Só que esse chiado... parece uma alça de metal.
Gosto do som mais grave. Eu colocaria um som mais agudo...
- Sim, sim... - Tipo: "Ouvi algo? Que foi isso?"
E essa roda girando... Não vamos fazer o tempo todo,
mas podemos colocar um efeito sonoro
dos pés dele arrastando.
Olha a linha que os pés dele deixam no chão. Eu não tinha notado.
Senhor Porter, qual sua ideia de música ali?
Decidi não colocar música ali,
a não ser que você pense em algo pra destacar a cena
em relação ao surrealismo.
Dave entende perfeitamente que o principal é a história
e que a música serve à história.
Para mim, silêncio, 4 da manhã... - Sim, acho que tem razão.
Se me perguntar que emoção a música traria, eu não sei dizer,
a cena é bem silenciosa, misteriosa.
O som da roda girando, o pé de Jesse se arrastando,
esses sons simples dizem tudo que é preciso nesse momento.
...se filmamos esse momento, o que a gente queria dizer?
A pós-produção de Breaking Bad é um centro artístico.
O episódio melhora de todas as formas possíveis.
O episódio se transforma em Breaking Bad na pós-produção.
Tá legal, tá legal.
Saul é um cara que quer parecer garotão,
então precisa ter cabelo atrás e em cima.
Se existe alguém com um cabelo como o de Donald Trump,
qualquer coisa é possível.
- Olá, Bryan! - E aí, Bobby?
- Como vai, amigo? - Chegou a hora, né?
- Sim. - Não consigo acreditar.
- Difícil acreditar, né? - Sim.
Mas, sabe...
É uma grande cena, eu adorei.
Essa é a última cena de Bob Odenkirk em Breaking Bad.
Para mim é muito importante.
Foi sorte minha introduzir Bob na temporada dois.
Eu estava no estúdio quando criamos Saul Goodman
e filmamos seu primeiro comercial.
Tive ótimos momentos com Saul e com Bob Odenkirk
e lamento muito que isso esteja acabando.
Vão tirar sua esposa e seus filhos de casa.
A casa já era, as contas no banco estão bloqueadas.
A foto da sua esposa deve estar nos jornais, junto da sua.
Quem vai dar emprego pra ela?
Nessa série, Vince não ignora a consequência dos atos.
Várias outras séries e filmes se esquivam disso,
só por diversão.
Acha que eu quero fugir?
Acha que eu quero deixá-la assim? É a última coisa que eu quero!
É comum, nos seriados, que o pai de alguém tome um tiro
e depois é como se nada tivesse acontecido.
A vida real não é assim.
É importante que nessa pequena encenação da vida real,
chamada Breaking Bad, se mostre a vida com mais realismo.
Eu vou matar Jack e todo o seu bando.
Vou recuperar o que é meu e dar pros meus filhos.
E aí, só aí, vai estar terminado.
Com uma ótima direção e uma ambientação muito atraente
e bastante sombria,
Vince faz com que as pessoas assistam esse programa,
uma história sobre pessoas que tomam decisões ruins
e as consequências dessas decisões.
Não termina até...
Terminou.
A série terminou pra Bob Odenkirk.
Muito obrigado, obrigado.
Já disse muitas vezes e vou continuar dizendo...
Estar aqui foi um presente incrível pra mim
de todas as formas possíveis. É difícil falar,
porque eu teria que contar uma história bem longa.
Obrigado pelo profissionalismo, pela qualidade de vocês,
pelo esforço, por serem tão legais e acolhedores.
Esse papel foi um presente pra mim,
nunca vou poder agradecer o suficiente.
Ação, Robert!
Uma coisa bem interessante no penúltimo episódio
é que todo mundo achava que estava só encerrando histórias
e, ao invés disso, introduzimos um novo personagem
e introduzimos um novo cenário.
Sr. Lambert, bem-vindo a New Hampshire.
Corta!
Estamos no topo de Sandia Crest.
Os exploradores espanhóis deram esse nome
porque, à tarde, essas montanhas se iluminam
com um belo vermelho e laranja
e parecem uma grande fatia de melancia, por isso, o nome.
Estamos no topo agora.
Daqui de cima vemos Albuquerque, não é tão longe em linha reta,
não estamos longe dos estúdios de som.
Parece que eu estou dando uma de David Lean ou Stanley Kubrick.
Montamos o exterior da cabana e dentro dela fizemos um estúdio.
Parece um chalé abandonado. É fantástico.
Não acho que dá pra fechar a porta rápido como você pediu.
Vamos ver como se sai.
Eu adoro esses caras rudes.
Os caras durões das antigas.
Não os que a gente vê em cartazes, mas os discretos.
Mike Ehrmantraut era um desses caras durões.
Robert Forster é um desses caras.
Te vejo em um mês.
O ator começa com um zero a cada novo papel
e tenta chegar a um dez quando termina de filmar.
Temos que ir de zero a dez toda hora.
Não é uma vantagem termos atuado antes.
Começamos com material novo e aprendemos,
destrinchamos, entendemos e depois levamos a sério.
Você pagou caro por isso. Tem dois acres aqui,
muita lenha, um lugar bonito e aquecido.
Parece o lugar ideal pra um homem descansar e pensar.
Olhe ao redor, é...
- ... bonito. - Você ajudou muito. Obrigado.
Te vejo em um mês.
Foram seis anos nessa sala.
- 2007. - É.
- Difícil de acreditar. - Eisenhower era presidente.
São os últimos dois cartões do episódio 5-16 ou episódio 62,
ou seja, o último episódio de Breaking Bad.
Quer colocar ali?
"Última visita à sua preciosa".
Ok. Último cartão. - Último cartão.
- Muito bem. - Não faça isso!
Comemoramos sempre que uma temporada é finalizada.
Geralmente, com champanhe. Na sala dos escritores
colocamos o último cartão e é uma ocasião especial.
Temos uma longa tradição, colocamos o número do episódio.
Este é o 5-16.
Colocamos ele, é a última coisa que a gente faz.
Colocamos nesse canto. E...
...pronto!
Esse é o fim da sala de escritores de Breaking Bad.
Dessa vez foi mais triste porque
a gente tinha certeza que era a última vez.
Achei que ia ficar triste, mas estava anestesiado, meio em choque.
A ficha ainda não tinha caído meses depois.
Não me dei conta de verdade que acabou.
Foi um momento importante, aquele último cartão ali.
É difícil dividir o episódio em cenas, mas quando temos o último cartão,
percebemos que a criança nasceu.
Um brinde aos melhores escritores, atores, produtores
e melhor equipe da televisão de todos os tempos.
É graças a vocês que este programa é o que é.
- Deus os abençoe. Obrigado. - Saúde!
Ah, meu Deus! Não posso acreditar.
É 10 de março de 2013.
Estamos em minha casa em Albuquerque. Somos Aaron e Bryan.
Estamos lendo o último episódio de Breaking Bad.
Ainda não lemos. Não...
Não sabemos... e estamos tomando cerveja.
Estou incrivelmente deprimido por isso.
Sei que vocês me entendem.
Era uma experiência particular receber os roteiros toda semana.
Você lê sozinho e tem sua própria impressão, um impacto.
E como essa era a última temporada, eu pensei:
"E se a gente lesse o último na frente das câmeras?"
É isso.
Ir pra lá, pegar uma cerveja, dirigir até lá, estacionar...
Eu estava nervoso o tempo todo.
"A casa inteira é atingida pelo fogo da metralhadora.
Os tiros atravessam as paredes como phasers de Star Trek,
acertando o bando de Jack como facas quentes na manteiga.
A M-16 foi deixada do lado da casa, sobre a plataforma feita por Walt.
Ela atira em zigue-zague, como um limpador de para-brisas do inferno"
Preparem-se, porque vai acontecer.
"Fale. Fale que você quer isso.
Nada vai acontecer até eu ouvir você falar"
"Eu quero isso"
Jesse percebe que é verdade. Deixa cair a arma no chão.
"Então faça você mesmo"
Assim, dá meia volta e sai.
Ele e Jesse se olham demoradamente pela última vez.
Jesse engata a primeira e acelera. O carro corre no meio da noite.
Walt está parado, vendo-o partir.
Jesse acelera contra o portão fechado com cadeado. Bam!
Atravessa facilmente. Deixa tudo pra trás.
Close em Jesse, decidido e sem medo de nada.
Acelera pela escuridão.
Nos resta somente imaginar para onde vai.
Eu diria que pra "algo melhor", só isso.
Visão de cima.
Vemos Walt, que entra em quadro tropeçando.
Cai de costas no chão.
Seus olhos nos encaram, sem vida.
Porém, sua expressão final é de uma leve satisfação.
A câmera continua subindo enquanto vemos Walt.
Subimos o máximo que conseguimos.
A imagem lentamente vai escurecendo. Fim da série"
Acho que não vai ter continuação... Mas Jesse continua vivo.
Como está se sentindo?
Cara, me sinto triste.
É excelente, é... você sabe.
É perfeito.
- Prontos. - Ação!
Você quer isso.
Não teria me trazido até aqui se não quisesse.
Quem mais poderia dirigir o último episódio?
Quem terminaria a história, senão Vince Gilligan?
Mais como um suspiro, mais rápido.
Só me leve pra casa. Eu faço o resto.
Ele é a mente criadora,
a alma e o coração disso aqui.
Dá pra ver a silhueta de um cara dentro do carro.
Vince Gilligan merece a maior parte dos elogios.
Eu sou o rosto da série,
mas ele e os escritores mantêm isso de pé.
Pra nós, foi uma forma de se despedir,
sabendo que todas as decisões foram dele nesse episódio.
Isso nos encheu de confiança, animação e orgulho do episódio.
Ela não está arrependida o bastante.
E foi você que perdeu tudo, não ela.
Não importa pra você que ela more numa casa ruim.
Você perdeu seu marido.
Justamente por ser o último episódio da série,
estávamos vendo esses personagens pela última vez.
A vida de um ator é imprevisível.
Na última cena, você pode estar sozinha,
com a assistente de direção lendo as falas pra você.
Na despedida de Betsy, foi desse jeito.
Não podemos atendê-lo. Deixe sua mensagem após o sinal.
Sou eu.
Trégua, está bem?
Foi uma cena dramática difícil, que ela fez sozinha.
- Foi fantástico. - É tão triste!
- É. É triste. - É muito triste.
Partiu meu coração filmar isso. Eu disse a Vince
que Hank e Marie haviam feito tudo por Walt e Skyler.
Eu acredito nisso, fariam qualquer coisa.
E o que Walt e Skyler fizeram com eles...
A única maneira de Marie perdoá-los seria se Hank voltasse.
E isso não ia acontecer.
- Quer tomar um café mais tarde? - Não quero. Obrigada.
De nada.
Corta. Lindo. Belo trabalho.
Me senti tão sozinha.
Muito bem-feito.
Betsy, todos queremos te dar isso...
Nosso sentimento mais sincero se resume no que eu escrevi:
"Eu pegaria ela fácil"
- Acho que isso resume tudo. - Muito obrigado.
Te agradeço por me dar essa oportunidade há seis anos.
Falo sério.
Foi a melhor experiência da minha carreira e da minha vida.
Trabalhar com vocês foi maravilhoso. Vou sentir saudades.
Temos sorte por ter te conhecido. Deus a abençoe.
Pode me dar um abraço de verdade?
Me aperta forte!
Má notícia pra série mais aclamada da televisão,
Breaking Bad, cuja temporada final está para começar.
O ator Bryan Cranston, conhecido por seu papel de Walter White,
deu queixa de um roubo no qual um ou dois roteiros supersecretos
foram furtados de seu carro.
Não existe publicidade ruim.
- Oh, Deus. É incrível. - Arrombaram meu carro.
Roubaram minha bolsa com o roteiro dentro.
Agora explodiu. O segredo vai ser revelado?
O que vai acontecer?
Isso cresceu de forma desproporcional.
Não era o episódio final.
Está tudo bem, estamos salvos.
Temos a gravação da chamada pra polícia. Fiquem ligados.
Não vão acreditar no que descobrimos.
Este é o último dia de RJ Mitte na série.
É o último dia de Walter Jr.
Estamos filmando em um condomínio
que tem papel importante no episódio final.
Vamos filmar a última cena e nos despedir de RJ.
- Oh, Deus. - Se incline um pouco pra frente.
Melissa Bernstein estava num ônibus escolar no episódio piloto
e está de novo no último episódio.
Vamos colocá-la num lugar que seja visível quando RJ sair dali.
Estou sentada em quatro almofadas, esta é a quinta.
Veja como isso é ridículo.
Melissa Bernstein foi uma produtora fenomenal,
todo o elenco e a equipe acham isso dela.
É um prazer trabalhar com ela, temos sorte que seja a produtora.
Estava desde o início e vai ser prefeita dessa cidade algum dia.
Ela é espetacular.
Eu termino onde comecei, fechei o ciclo. Ônibus escolar.
Ação!
O último episódio é um poema triste.
Vemos a tristeza e carnificina que as ações de Walter causaram.
E vemos isso mais claramente em Walter Jr e Holly.
Consegue imaginar perder seu pai, sua casa, perder tudo?
Suas vidas inteiras foram destruídas.
Eles são a inocência da série.
Todas as vítimas estão representadas nessas crianças.
Corta! Muito bom.
Senhor Mitte, venha aqui, por favor.
Como está?
- Quero te agradecer muito... - Obrigado.
...por crescer em nosso set,
e se tornar um jovem ator tão bom e fazer um ótimo trabalho.
Deus te abençoe, você fez um trabalho maravilhoso por 6 anos.
Walter Mitte!
Gostaria de lhe entregar esse cheque.
Eu aceito!
Leve em qualquer banco e vão te pagar.
Eu ainda não assinei. Você tem uma caneta aí?
Eu sabia que ia dar certo. No piloto,
quando Anna improvisou na loja de roupas,
quando ele prova a calça jeans, ela diz: "É roupa de skatista",
e você fala: "Por acaso pareço um skatista pra você?"
Pensei: "Isso vai ser divertido"
"Para o melhor filho do pior pai da televisão"
Isso é fantástico.
Você é uma ótima pessoa. Eu te amo.
Bryan e eu filmamos nossa última cena juntos e foi maravilhoso,
porque nos despedimos um do outro como personagens.
As coisas que eu fiz...
- Você precisa entender o motivo. - Oh, Deus...
Se você disser de novo...
- ...que fez isso pela família... - Eu fiz por mim.
É o final de uma montanha russa emocionante de 6 anos.
Não foi difícil expor os sentimentos
que colocaram a gente no estado emocional correto.
Posso vê-la?
Por favor.
Corta!
Sensacional!
Depois tivemos essa cena no quarto do bebê.
E foi incrível porque a gente precisava ficar em silêncio
e era a primeira vez que a bebê estava dormindo de verdade.
Colocou todo o estúdio num belo clima de tranquilidade.
E Bryan falou: "Deveríamos fazer assim o tempo todo"
Preparar. Ação.
Então olho minha filha, muito emocionado, pra dizer adeus.
Eu queria fazer essa cena sem chorar,
mas não estava emocionalmente preparado,
por causa do impacto de tudo que estava acontecendo.
Andy Voegeli, o cameraman, tinha a câmera em seus ombros
e ele ficou a essa distância de mim, porque queria filmar bem de perto.
Eu olhava minha filha e ouvia Andy, que tinha acabado de ser pai:
Estava chorando por trás da câmera
e tentando ficar parado segurando a câmera.
É uma cena muito emocionante.
Comecei a chorar enquanto olhava pela lente.
Acho que dá pra ouvir uns suspiros e umas fungadas.
A equipe também estava se despedindo.
Era o final da série
e emoções reais apareceram.
Fiquei numa boa pelo resto do dia,
mas quando Aaron apareceu, foi demais pra mim.
Isso acabou comigo.
Ali me dei conta de que em questão de minutos,
após algumas cenas, tudo terminaria.
Fantástico. Fechamos.
Terminamos a cena e era a última de Anna em Breaking Bad,
e todos na sala se emocionaram na hora.
Quando terminamos a cena final de Anna,
nossa assistente levou a gente pra outra parte do estúdio
pra gente se juntar e aproveitar esse último momento
e Anna se despediu e agradeceu de um jeito muito emocionante.
Como falei, foi como trabalhar com artistas e amigos
e serei eternamente grata, agradeço muito a todos.
Amo vocês e sentirei saudades.
Anna interpretou um papel muito difícil,
foi excelente, é uma atriz maravilhosa.
Foi um papel difícil e, às vezes, ingrato.
Não imagino ninguém fazendo melhor.
Olá, Jack. Jack, está em casa?
Jack, quero falar com você um segundo. Tem um minuto?
Está interessado na palavra do Senhor?
E... ação!
Jesus, olha pra essa cabeleira.
É de verdade?
Sim.
Não é uma peruca? O que você fazia antes, raspava?
Sim.
Deus, que bela cabeleira.
Fora isso, você parece uma merda, mas...
Olá pra você também, Jack.
Quando a cena foi finalizada
ela ficou eletrizante, excitante e dramática.
Mas filmar neste quartel nazista foi um inferno.
Odiei cada minuto.
Aquele cenário dava claustrofobia.
Era muito apertado, escuro, cheirava a fumaça...
eu assoava o nariz e saía uma mancha preta.
Eu dizia: "Falta muito pra acabar? É uma tortura"
Eu queria que acabasse logo.
Só deu certo porque eram ótimos atores ali.
Estavam Bryan e Aaron
e estavam os nazistas: o Tio Jack, Kenny, Todd.
Os nazistas mais adoráveis com os quais já estive.
Brincadeira... mas foi um prazer trabalhar com esses atores
e eles tornaram tudo mais fácil.
Viu o que eu falei, filho da puta?
Isso parece um sócio pra você?
Walt tem motivos pra estar furioso com Jesse, pra odiá-lo.
Mas, no momento final, não consegue matá-lo.
Maravilhoso.
Aaron, quer fazer alguma coisa diferente?
Sério, pode falar.
- Gostei, mas vamos repetir. - Ok, outra vez.
Existe essa pressão toda vez que a gente filma.
Há algo mais? Estamos esquecendo algo?
Um detalhe, alguma nuance, algo...
"Quer tentar algo?" "Alguma ideia?"
fazemos isso constantemente.
Então olho pra ele e dou uns passos pra trás...
- ...e pareço assustado e depois... - Isso.
Use suas lembranças. Ok, vamos gravar.
Eu gostei da cena, mas mesmo assim, perguntei se queriam repetir.
Mas como este é o último episódio,
quero que eles estejam bem satisfeitos.
E fico feliz que tenham repetido a cena,
porque levaram tão a sério quanto a primeira.
E... ação!
Corta!
A cena do tiroteio final
demorou longos, cansativos e dolorosos dias pra filmar.
Dois, um, bang!
...mas foi bem divertido. De verdade.
Quando eu falar "ação", prendam a respiração.
Vai ser bang, bang, bang, bang, bang, bang!
Filmar essa sequência foi mais que intenso.
Vocês vão reagir aos tiros
se agarrando no que conseguirem
e depois basta que fiquem parados.
Temos uma grande cena com dublês
onde Jesse enforca Todd e o derruba
e foi preciso ver em que momento os dublês iam entrar
e em que momento os atores iam voltar pra cena.
Temos uma roupa falsa.
É uma jaqueta pra cenas de risco.
Amarramos umas correntes pra que o outro dublê possa puxar.
E... ação!
Os atores iniciam a cena,
o começo do enforcamento.
Parados... corta!
Paramos tudo e colocamos os dublês
pra fazer a cena de ação,
pra ter certeza que ninguém ia se machucar
quando caísse na mesa e depois no chão.
Parados!
Paramos de novo, colocamos em seguida
os atores de volta... na pós-produção vai ficar genial.
Ação!
E logo em seguida, filmamos a cena em que Walt atira em Jack.
Jack se arrasta e se levanta um pouco.
E depois filmamos por trás no momento final.
E depois filmamos desse ângulo aqui e será uma cena bem legal.
Nossos dias terminaram assim. Foram dias muito, muito longos.
Não é difícil fazer esse tipo de personagem.
Você faz uma cena,
aí Bryan faz uma piada, você brinca com Aaron... entendeu?
Brincamos um com o outro... não me afeta.
Não levo personagem pra casa.
Quer seu dinheiro, né?
Quer saber onde está?
Se apertar esse gatilho, nunca...
Corta!
Aaron faz essa cena em primeiro plano, a gente pode...
colocá-lo à esquerda do quadro, olhando até o outro lado,
olhando as chaves, ou melhor, tentando usar as chaves,
e Walt vem até nós...
- ...juntamos os dois um pouco. - Ok.
Vai ser um close em primeiro plano com Aaron...
- ...e Bryan ao fundo. - Essa foi uma cena muito difícil,
porque era apenas eu tentando manter o controle.
Eu, Aaron, tentando não me descontrolar.
Difícil também porque Jesse finalmente escapa
e nunca mais vai ver aquele cara de novo.
Ação!
Ele o odeia tanto...
...mas já teve tanto carinho por ele.
Lutava pra encontrar uma figura paterna
e encontrou isso no Senhor White.
Aaron tem um coração enorme
e sabia que essa ia ser a última vez que veria Walt.
Esses últimos momentos foram muito emocionantes para ele.
E... corta! Ficou muito bom. Obrigado.
- O que achou, Andy? - Acho que foi a melhor.
- Também achei. - Quando Jesse foge dessa loucura,
imaginei ele indo embora em alta velocidade...
...talvez indo visitar Brock.
É a única pessoa que ele iria visitar,
pra se despedir.
Após se despedir de Brock,
eu imagino ele virando um carpinteiro no Alaska
ou piloto de avião no deserto da Nova Zelândia. Quem sabe?
Jesse vai parar de fabricar drogas, isso é certo.
Ela vai tentar, vai levar tempo,
mas vai tratar de curar suas feridas.
Vejo pra ele um futuro próspero, não vai demorar muito.
Eu e os escritores trocamos muitas ideias até decidir o final.
Demorou muitos meses,
talvez a gente tenha começado a falar disso há um ano ou mais,
antes de conceber e escrever esse final.
Vemos ele morrer de verdade ou não?
Termina como "Butch Cassidy and The Sundance Kid"?
Ele se suicida? Fazemos isso ou aquilo?
Chegamos finalmente à questão: o que Walt quer?
Onde está a cabeça dele nesse momento?
E pensamos: não seria comovente e diferente,
de uma forma que só Breaking Bad pode fazer,
que seu "precioso", onde passará os últimos momentos de vida,
seja seu laboratório de metanfetamina?
Seu laboratório, que ele projetou e que lhe rendeu frutos.
É a última cena de Breaking Bad, de toda a série.
Prontos. E... ação!
O equipamento do laboratório se tornou um talismã.
Ele toca as coisas e lembra do seu tempo com Jesse...
Esse momento lhe deu adrenalina suficiente
para se manter vivo por mais uns minutos
e dar um toque final em sua existência antes de partir.
Lindo.
Isso foi genial. Vamos fazer mais uma vez.
A última cena que Vince queria era Walt no chão do laboratório...
ele está morrendo e a câmera sobe, sobe, sobe...
E pensamos em como fazer isso.
Fomos a Michael Slovis, nosso diretor de fotografia,
e perguntamos: "Tem alguma ideia?"
E ele disse: "Sabe... não deveríamos fazer aqui.
Deveríamos filmar num estúdio"
Como não dá pra chegar muito alto com a grua no complexo,
recriamos o cenário aqui, num de nossos estúdios,
porque o teto é alto o bastante
para filmar a cena como Vince quer.
Então temos uma grua enorme atrás de mim,
que não é alta o suficiente,
por isso a colocamos num andaime gigante, pra que chegue lá no alto.
Aqui vai ser onde Walt dará seu suspiro final.
- Eu queria que abrisse os olhos... - Hã? Tem certeza...
Não, na verdade eu queria que abrisse bastante.
Desse jeito agora está muito bom.
Quero manter uma ambiguidade nesse olhar.
- Seus olhos estarão fechados? - Abertos. Discutimos isso.
Merecemos isso, precisamos dos olhos abertos.
Quando estão fechados, há uma sensação de que está em paz.
E não quero dar a entender nem uma coisa nem outra.
- Prontos. - Prontos e... ação.
Exploramos não só o perigo físico
a que Walt expôs sua família, amigos e a si mesmo,
mas também o perigo emocional,
o que aconteceu a ele como ser humano.
A degradação de sua alma,
o crescimento do ego e da arrogância
por causa de uma ganância
que ele nunca teve antes.
Essas características emocionais negativas entraram em jogo.
Há uma sensação de vitória aqui.
Bem sutil, mas existe.
Encerrou as coisas quando quis, do seu próprio jeito.
Acredito que tenha muito do que se arrepender
e muitos pecados em sua conta,
coisas que lamenta e que gostaria de nunca ter feito.
Mas a essa altura já não tem mais volta.
Tudo que pode fazer é resolver seus problemas,
fazer o dinheiro que restou chegar à sua mulher e seus filhos
e partir como um homem. É isso que ele faz.
- Corta. - Corta!
Muito obrigado à polícia de Albuquerque. Atuaram bem.
Bom trabalho.
Bate aqui.
Obrigado, rapazes. Vamos nessa.
ÚLTIMO DIA DE GRAVAÇÃO ABERTURA DE "OZYMANDIAS"
É o último dia.
Nosso destemido líder.
Estou começando a me sentir triste.
Este é o último dia de Breaking Bad.
Terminaremos provavelmente em uma hora ou menos.
E está começando a cair a ficha, estou começando a...
Ninguém está feliz com o final da série
porque gostamos muito uns dos outros.
Estamos orgulhosos do trabalho,
amamos esses personagens, amamos essa história.
Mas o fato de estarmos finalizando aqui,
terminando com um flashback onde voltamos no episódio piloto,
do meu ponto de vista criativo e sentimental, é maravilhoso.
Acho que talvez a gente deva
fazer um programa em família nesse final de semana.
Há uma razão prática para estarmos aqui
no último dia de filmagem, onde a gente começou.
Nossas barbas.
Eu não podia ter barba para filmar essa cena.
É uma sorte e um privilégio fazer este episódio.
Walt e Jesse aparecem como estão no episódio piloto,
o trailer está aqui...
Não sei... me sinto muito privilegiado.
- Cavalheiros, estamos prontos. - Sim.
Não estamos prontos pra eles!
Não estou pronto!
Aaron estava fingindo um ataque de depressão.
Oh, não!
Oh, céus!
"Isto é horrível! Isto é péssimo!"
E fazia assim.
Horrível.
Estava tão gentil, talvez não tão inocente,
mas amável como no dia em que começamos.
Isso é terrível.
Estou pronto pra deixar isso? Acho que sim.
Mas, obviamente, tenho uma relação pessoal com Jesse Pinkman,
e o amo muito.
E é triste não voltar a interpretar Jesse Pinkman.
E agora?
Esperamos.
Por acaso você não tem mais detalhes pra revisar?
Aaron é muito emotivo, tem sentimentos à flor da pele,
é o amor personificado,
ele sente as coisas de maneira profunda
e esse dia vai passar melhor pra ele com Bryan apoiando.
- Adorei. - Agora damos meia volta.
A propósito, tenho que ir.
Podemos trazer Sean aqui?
Eu gostaria de cair na estrada.
Sabe, dirigir no trânsito, seria genial.
Alguém tem alguma objeção a isso?
Está bem. Adeus. Muito obrigado.
Tomada final pra essa cena.
Estou na tomada final. Isso mesmo!
Isso é um pesadelo!
Bryan acalmava as coisas.
Dizia: "Vai dar tudo certo"
Que foi um longo caminho e isso devia nos alegrar.
Que a gente mantivesse a alegria e prazer dessa experiência.
Acho que sua perspectiva ajudou todo mundo.
Estamos prestes a filmar a última cena de Breaking Bad.
Coloquei os óculos porque estou chorando.
Rian Johnson é o diretor deste episódio,
mas me pediu que falasse "corta" na última cena,
e estou comovido com isso.
Eu devia estar ansioso por isso, mas não estou,
porque quando fizer, oficialmente vai ser o fim.
Mas foi um belo gesto, quero fazer. Vai ser bem legal.
Eu gostaria de filmar de novo essa cena que fizemos antes,
se for possível.
Nossa imagem está aí.
Ok...
Prontos... ação.
Bom, se tivéssemos um freezer...
...o líquido condensado se esfriaria mais rápido...
...porque essa é uma reação exotérmica...
...que significa que perde calor...
Me coloque em coma, por favor.
Aqui dentro, não.
O que você disse? O que tá acontecendo?
- Ah, meu Deus! - Estão filmando, né?
Ação!
Aqui não.
Como se eu fosse um idiota.
Sim. Como se fosse um idiota.
Imbecil.
Fale, chefe.
Corta!
Vince é um de meus maiores
achados como produtor, se não o maior.
Eu sabia que ele tinha um jeito especial e único.
Não poderia estar mais orgulhoso,
não consigo expressar quanto orgulho tenho dele.
Muito obrigado a todos.
Somos como uma família e... Uau!
Vamos beber como uma família aqui.
Nunca vou esquecer dessa experiência,
nem de todos vocês.
Muito obrigado por... sei lá...
Muito obrigado. Deus os abençoe. Obrigado.
A gente sabe a sorte que tem por estar nessa caminhada,
especialmente com este homem,
que criou um ambiente...
...um estilo de narração tão único
e que obteve o resultado que a gente conhece.
Ele nos trouxe aqui.
Mudou não só a minha vida, pessoal e profissional,
mas a de Aaron e de todos os atores e escritores,
dos diretores que estiveram no programa.
Você fez isso tudo e muito mais.
Você deu credibilidade a filmar aqui, no Novo México,
com uma equipe de primeira, como você disse.
Meu coração sente o amor e o apoio de vocês, o talento,
e nós agradecemos muito a vocês. Deus abençoe a todos.
Ah, Deus! Olha isso!
- Do elenco e da equipe! - Ah, obrigado!
Sentirei muita falta de vocês.
Isso é terrível, é horrível.
De verdade, me nego a aceitar.
Vocês vêm todos os dias com tanta paixão
e emoção pra esse trabalho, como todos nós.
Nós agradecemos a vocês.
Vince Gilligan... Deus!
Obrigado por criar um programa tão brilhante, louco, perigoso e corajoso.
Não consigo agradecer o suficiente.
Bryan...
Sim...
Te amo, cara, entendeu? Cacete!
Te amo, cara, entendeu?
Temos muita sorte por ter você como protagonista dessa série.
Mais uma salva de palmas pra esse cara.
Você me fez melhorar como ator
e acho que também como pessoa... então, obrigado.
Obrigado.
Lembro da gente filmando a primeira temporada,
estávamos gravando num lugar empoeirado
e a gente ia almoçar...
você disse: "Isso não é genial?"
E você estava todo suado e cheio de areia.
Eu lembro de te dizer: "Espero que se lembre disso.
Que somos os caras mais sortudos do mundo"
Sabemos e entendemos isso de verdade.
E estaremos ligados pra sempre.
Com agradecimento e com carinho.
- Te amo. - Eu também.
Não me sinto o dono disso aqui.
Me considero mais um acionista que um dono,
se isso significa alguma coisa.
A série passou por tantas mãos pra chegar aqui,
muita gente na frente e atrás das câmeras contribuiu
...e fez isso aqui ser o que é. - Muito obrigado.
Última foto, junto do trailer.
Há um grande sentimento de família, de união,
toda essa gente junta... não lembro direito como aconteceu...
...simplesmente aconteceu.
Traduzido para PT-BR por Zeck Bauer
Criada em 20/08/2014 Revisada em 03/07/2019
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