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A ação, as perseguições, as correrias, as brigas,
foram um dos aspectos mais importantes na formação de um período no qual o
cinema brasileiro teve o seu melhor diálogo com o público.
O período das chanchadas.
Aliado ao dinamismo das brigas e correrias, a inocência dos romances
De uma pureza tão ingênua que nos dias de hoje chegam até a ser engraçados.
Marina, quando vejo assim o horizonte distante... Sim, por favor, não me venha
falar da beleza da paisagem. Mas não é bem isso que eu ia falar, Marina. Eu
queria dizer que desde a primeira vez... Já sei. Desde que você me viu, nunca
mais eu saí do seu pensamento. Ai, ai.
É isso mesmo, Ricardo.
Vocês homens pensam que nos comovem com qualquer frase feita. Com esse
romantismo barato, vocês pensam... Pensamos sim.
Pensamos que vocês todas são tolinhas e vaidosas. E que estão prevenidas contra
todos os homens porque acham que isso é ser inteligente. Mas comigo você está
muito enganada, compreendeu, Marina?
Que eu não preciso da paisagem para dizer o que sinto e nem tenho tempo para
estar de namorinho. Marina, eu não sou de brincadeira. Eu sou de casar.
Nunca pensei que você fosse tão mágico.
Você ainda não viu nada.
Você ainda não viu nada.
Que coisa desagradável.
Oscarito e Grande Otelo.
Forneceram o elemento chave da chanchada.
O riso. Às vezes infantil. Às vezes crítico. E muitas vezes malicioso.
Picante. E até certo ponto, muito forte.
E essa marca de batom na sua camisa?
Isso é batom? É!
Ah, sim.
Foi a viúva.
Agarrou -se a mim.
Solução.
As lágrimas rolavam -lhe pelas faces.
Estava inconsolável.
Então, senhora, agora é consolo de viúva.
Me chama de vatapá.
Mas por qual vatapá?
Porque eu sou baiano e gostoso.
Eu sou cansado.
Ah, é por isso que não adianta eu me animar. Quando eu começo, você já
Neste saco há cem papéis.
Está cheio, não é? Não me interrompa.
Em cada papel está escrito uma parte do corpo humano.
As partes que saírem, por assim dizer, premiadas, nós cortaremos.
Mas aí estão todas as partes.
Orelha esquerda.
Muito bem, orelha esquerda.
O dedo grande do pé direito.
Ah, isso não.
O humorismo criou momentos antológicos dentro da chanchada.
Aí está Oscarito, travestido, sendo o espelho de Eva Tudor.
Mas como eu estou horrorosa hoje.
Meu Deus.
Que horror.
Deve ser o fígado.
Não é possível.
Não é possível.
Os famosos números musicais traziam para as telas a imagem viva dos ídolos do
rádio. Uma atração indiscutível em termos populares. Por isso mesmo eram
exuberantes.
pretensiosos infelizmente nunca conseguimos atingir o falso de Hollywood
sinceramente nós pretendêssemos isso cantando na chuva de Jimmy Kelly foi a
glória de era uma vez Hollywood mas nós também tivemos o nosso cantando na chuva
De promessa eu ando cheia Quando conta minha vida Ninguém quer acreditar
Trabalho não me cansa E me cansa é pensar Que lá em casa não tem água Nem
tracudinha
Chegou a hora de mamar.
Não vem ninguém me alimentar.
Não cresça meu brotinho, nem murchi com a flor.
Ai, ai, brotinho.
Eu sou um galho velho, mas quero o seu amor.
Traz o meu bandeiro, que hoje eu vou cair na farra. Desta vez em minha cara,
estou com sangue.
destruiu os estúdios da Atlântida. Anos depois, uma inundação danificou os seus
depósitos. Foram salvas 27 chanchadas, das quais realizamos esta antologia.
Senhoras e senhores, assim era a Atlântida.
Olá. Atlântida Cinematográfica.
Não era só um velho casarão chamado de estúdio, não.
Foi principalmente uma escola que propiciou a muitos cineastas de hoje o
aprendizado e a prática na realização do mais apaixonante espetáculo popular,
o cinema.
A comicidade com o enredo ingênuo e os números musicais sempre caracterizaram o
filme de carnaval.
Chamados de chanchada pelos esnobes que curtiam o cinema importado.
Em 1948,
veio pra cá o diretor italiano Ricardo Freda, que entendia de briga como
ninguém. E fez o filme num caçula do barulho.
Vimos tanta briga.
Mas tanta, tanta briga que acabamos aprendendo.
E com muitas bolas coloridas, fumaça de gelo seco, incluímos
definitivamente a briga nos filmes musicais de carnaval.
E fizemos dois filmes, Carnaval no Fogo e Aviso aos Navegantes, dirigidos pelo
nosso professor de cinema, Watson Macedo.
Bené Nunes, amigo nosso dos presidentes, tocador da Lapa e dos Palácios,
com seus pianos de caldo e seus lustres de cristal.
Que saudades.
E aí vai um pequeno resumo da história de Carnaval no Fogo.
e alguns números musicais de Avisos Navegantes.
Amor, meu amor, vou partir Saudades de ti vou sentir
É triste a dor da separação Fiei de sentir
no meu coração Amor, meu amor, voltarei Porque
só a ti eu amei Se for, te prometo voltar É porque
sempre amei Te amei, Jamal.
A quadrilha de ladrões assaltou na madrugada de hoje a joalheria Christie.
Essa quadrilha vem agindo sobre as ordens de um perigoso gangster.
Mais conhecido pela cunha de anjo. Ainda não identificado.
Continue. Continue errando.
A justa bate aí e acaba com essa alegria em três tempos. Cala a boca aí. Não dá
peso não.
Está tudo muito bom, mas o honesto está com a razão.
É melhor a gente dar o pira enquanto é tempo. Mas nós não vamos esperar o anjo.
Esperar pra quê?
Vamos dividir logo essa moma e dar o pira daqui.
Aqui ninguém vai dividir nada.
Compreenderam?
O negócio aqui é o seguinte.
O anjo tem grandes planos.
E se a gente fizer uma sujeira com ele, daí nunca mais.
Afinal, quando é que a gente vai conhecer o chefe?
Hoje à noite.
Ele está no rio?
Ele deve chegar de avião.
E vai se hospedar no Copacabana Palace.
E nós também.
Compreenderam agora?
Mas como vamos conhecê -lo se não temos nem fotografia? E nem a polícia.
Já está tudo combinado. O chefe usa uma cigarreira preta com um anjo de prata na
tampa. E a senha é tudo legado.
O meu coração não me engana Eu quero uma sereia de Copacabana
A francesa me chamou de mon cheri
Eu senti um frenesi Atrás de uma
espanhola Eu quase fui a Madrid
Uma cachoa pirijuboa me cantou a madragoa Ai, quase morri
Mas é que ele vem passar o carnaval aqui.
Ora, isso só é motivo de alegria.
É. Mas é que meu irmão pensa que eu sou um artista, sabe?
Eu escrevi a ele, mas eu nunca pensei que ele viesse ao Brasil.
E agora ele vai saber que eu sou um varredor.
É, eu compreendo.
É uma situação difícil.
Pois é.
E eu me lembrei da senhora.
Mas o que é que eu posso fazer?
Ah, muita coisa.
Esse novo diretor artístico que está aí...
Ele gosta um pouco da senhora.
Se a senhora pedisse, ele poderia me dar um jeito para entrar no show.
Nem que fosse só enquanto meu irmão estivesse aqui.
Mas você sabe fazer alguma coisa?
Ah, dona Marina, eu sou um artista.
Sorrido, sofrimento, aquele que nunca sofreu.
Com as asas do amor, eu transpus estes muros. Pois muralhas de pedra, um
amor não contém.
Que luz é aquela no balcão?
Será Julieta?
Ou será que ela não vem?
É ela. Só pode ser ela.
Ó, meu amor.
Ó, minha amada.
Ergue -te belo sol.
Mata de inveja a lua pálida de tristeza.
Ai, Timão.
Ela falou.
Fala de novo, o anjo esplendoroso.
Mas o que é que eu vou falar, Romeu?
Fala qualquer coisa.
Não fica embancando a Belinda.
Romeo. Romeo.
Romeo.
Chega. Traz o amor igual ao meu.
Senhora, eu vou jurar pelo esplendor da lua. Não.
Não jurei pela lua.
Ela é muito leviana, está sempre mudando de quarto.
Meu amor.
Deixe -me acariciar as tuas mãos, Alva, disse Tim.
Sentir todo o brilho dos teus olhos, que são estrelas para mim.
Te aguento aí, Romeu.
Romeu!
Julieta, quero sentir o perfume do corpo teu.
Perfume que estazia e tonteia este Romeu.
Quero beijar a polpa virginal dos lábios teus. Para que sintas a rubra flor
dos lábios meus.
Corpo e alma entregues a esta aventura louca.
Julieta. Oh, Julieta.
Como é? Estou aí nessa boca?
Oh, Romeu.
A máscara noturna esconde a minha face e tu não podes ver o meu
pudor de Don Ferroa.
Meu amor, minha amada, por que és tão bela?
Romeu, ouço passos lá dentro.
Vai, Romeu, ele quer te matar.
Ele quem?
O meu pai, o senhor de Capuleto.
Se ele te vir aqui... Vai ser um espeto.
Vai, Romeu, deves partir.
Vem perto à madrugada.
É o roxinol que cantou na ramada.
Não é o roxinol. É a cotovia antecipando o sol.
Não, Romeuzinho. É o roxinol.
Não, é a cotovia.
É o roxinol. Cotovia.
Roxinal. Cotovia.
Roshinolokotovia. O certo é que vem amanhecendo o dia.
Adeus, Romeo.
Julieta, não te vá ainda.
Três palavras lhe vou dizer por despedida.
Até amanhã. Até logo.
Julieta, eu te imploro. Não te vá ainda.
Julieta! Romeo!
Romeo!
Onde é que eu vou morar?
O senhor tem paciência de esperar Ainda mais com quatro filhos Onde é que eu vou
parar?
Sei como foi perder aquela cigarreira.
Sr. Vittar, há uma pessoa no hall que me deseja falar.
Sabe quem é? Não, senhor, mas disse ser urgente. Está bem.
Com licença.
Tudo legal?
Sim, tudo legal.
Estamos às suas ordens, chefe.
Não compreendo. Fique tranquilo. Estamos em família.
Todo o pessoal está à sua espera.
Apartamento 303.
Vamos?
Dê a vontade.
Faça o favor.
Este aqui é o nosso chefe. Boa noite.
Boa noite.
Este aqui é o Néstor. Prazer, chefe.
Sangue frio.
Aquele ali é o gato.
Prazer. Eu sou o China.
E eu?
Ah, é verdade. Ia me esquecendo.
Diplomata. Então, chefe, fez boa viagem.
Nós já estávamos preocupados com a sua demora. O plano que o senhor mandou foi
executado e tudo deu certo.
Ah, que plano, senhor secretário?
O da joalheria.
Ah, joalheria. Foi uma limpa geral.
Não sobrou nada.
A polícia está louca. Não deixamos pista.
Olha aqui. Pegou de primeira página.
O estômago foi grande.
Olha aqui.
A joalheria Christie oferece um prêmio de meio milhão pela captura do anjo e
quadrilha. O senhor precisa ter cuidado, chefe. Há muita gente querendo ganhar
esse dinheiro.
Escuta, qual de vocês me reconheceu?
Fui eu, chefe. Assim que o senhor abriu a carteira, eu vi logo o anjo de prata.
Olha aqui a moamba, chefe.
Três milhões.
Olá!
Serafim! Eu descobri que o senhor Ricardo é um gangster.
No duro. Isso vai dar um bode, hein? Você precisa arranjar o susto mais
assustado.
Viu? Esse não resolveu. Nós precisamos saber o que está havendo lá dentro.
Vamos.
Então, chefe, quais são as ordens?
Por enquanto, nada. Eu vou ainda estudar o ambiente.
Eu estou disfarçado em diretor artístico.
Outra coisa.
Antes que a polícia dê uma batida e leve a joia, eu fico com ela.
Por enquanto, não há divisão.
As joias vão ficar guardadas no meu apartamento.
Amanhece e anoitece, por esta estrada eu vou.
Pedalando, vou buscar o meu amor.
Pedalando, pedalando, vou buscar o meu amor.
Floresceram, todo mundo despertou. Os moinhos estão rodando e o trabalho
começou. Pedalando, pedalando, vou buscar o meu amor.
Pedalando, pedalando, vou buscar o meu amor. Olha, o anjo saiu. Que anjo? O seu
Ricardo.
Vamos aproveitar para ir ao quarto dele. As joias roubadas estão lá.
Ora, será que você ainda está com isso na cabeça?
A senhora vai ver, eu também não queria acreditar.
É inacreditável. Quem havia de dizer, hein? Nós devemos dar parte a política.
E agora mesmo?
Está bem. Vocês levem as joias e recebam o prêmio das valerias.
Deixa o Ricardo comigo.
Marina, você mandou me chamar?
Você é muito cínico, Ricardo.
Eu nunca pensei que pudesse me deixar iludir tanto com você.
Mas o que é isso?
Explique -se. Você sabe muito bem do que eu estou falando.
Não, não sei, Marina.
Não se faça de ingênuo.
Felizmente ainda pude acordar a tempo. Eu não posso compreender. Eu sempre fui
leal e pensava em me casar com você. E logo agora que tenho planos, íamos ser
felizes. Não me inclua em seus planos.
Eu nunca me casaria com um tipo da sua espécie. Marina.
Outra coisa.
Desapareça do Rio hoje mesmo.
Procure um lugar bem longe.
Eu me sentiria muito bem se nunca mais tivesse muitos filhos.
Chefe, só precisa ir agora mesmo ao 313.
O que é que há? É urgente. Assunto 7.
O
cavaleiro poderia me
ceder um cigarro?
Pois não.
Seja bobo, rapaz. Não tenha medo.
Esses idiotas estão pensando que eu sou o chefe da quadrilha.
Ué, o senhor não é o anjo? Que anjo? Coisa nenhuma. Então vocês não me
Não sabem quem eu sou?
O senhor estava até aqui dando as ordens?
Era, mas eu estava fingindo. Eu precisava ganhar tempo para descobrir o
verdadeiro anjo. E já descobri. Ah, quer dizer então que esse aqui é o anjo?
E a dona Marina?
O quê?
A Marina está correndo perigo? Deve estar. Ela também viu a joia, sabe de
Ah, quer dizer que ela também está pensando que eu sou o anjo.
Chefe, ele deu dois tiros.
Deve estar matando o mosquito.
Entrem vocês primeiros.
Pronto, já liquidei com os homens. Eles estão dentro desta mala.
Chama dois empregados do hotel e manda esta mala para a portaria.
Quer dizer então, chefe, que está tudo legal, não é?
Sim, tudo legal.
Meus planos já estão completos. Está tudo completo?
Não falta nada?
Quer dizer, o assalto geral para o hotel será ainda esta noite.
E as joias vão voltar para o meu apartamento.
Desta vez, as joias ficarão aqui.
Quer dizer que os homens que você matou estão aqui dentro, não é?
Levem essa mala daqui.
Joguem no mar.
Ninguém mais sabe desse negócio?
A cantora, chefe. Uma tal de Marina.
Mas não se incomode. Eu tenho dois homens escalados para tomar conta dela.
Precisamos liquidá -la imediatamente.
Você faça esse serviço.
E você, vá ao meu apartamento. É o número 34.
Tem lá uma maleta com uma bomba relógio.
Arme a máquina para estourar dentro de meia hora na área interna do hotel.
Sim, chefe.
O que
aconteceu? O
que aconteceu?
Eu não sei, Johnny. Que perigo, Marinho.
Você está em perigo de vida. Vai para o seu camarim e tranque a porta.
Sérgio, vai depressa para o interno do hotel. Apanhe uma maleta que está lá.
Cuidado que tem uma bomba relógio. E o que é que eu vou fazer com a bomba? Leva
para longe. Para onde você quiser.
O final da chanchada era invariável, era sempre o mesmo.
Muita alegria, muita música, muito romance.
E muito gelo seco para fazer fumaça.
Com todo mundo tossindo no estúdio.
Mas todo mundo muito feliz.
O Dera.
A chanchada era o reflexo de uma época otimista.
O mal vencido pelo bem.
E o vilão sempre perdendo no fim.
O vilão.
O vilão era uma característica imprescindível da chanchada.
Às vezes ele era um gangster americano, um cientista louco, um assaltante, um
ladrão de joias, um assassino cruel.
Muitos atores viveram esse papel.
O Renato Resti, o Wilson Gray, o Wilson Viana, o Dantas.
Mas agora em toda modéstia, eu acho que nenhum deles foi mais cruel do que eu
mesmo. Trocarei o seu cérebro por um outro de mentalidade mais avançada.
É melhor sair por aqui.
Perdão, chefe, mas por aquela porta ninguém sai vivo.
É verdade.
Ainda vou precisar de você.
Pois trate de dar uma boa morte ao boa morte antes que lhe fale, compreendeu?
Se alguém souber que você está vivo, você será um homem morto. Vá ao porão e
solte todas as feras. Não, eu não quero.
Mas quero eu.
Antes de meia -noite eu serei o novo barão. Agora eu serei o dono do mundo.
Escapa de Jesse Gordon.
Jesse Gordon.
Um terrível vilão do oeste americano.
Filmado em Jacarepaguá.
O filme era Matar ou Correr.
Um dos primeiros dirigidos por Carlos Manga. E evidentemente satirizava Matar
Morrer de Fred Zimmerman.
Xerife, chegarei pelo trem das duas horas.
Vou reduzi -lo a picadinho.
Jesse Gordon.
Essa aí sou eu, em meu segundo filme.
Uma característica que acompanhou o meu início na Atlântida é que os galãs
cantavam para mim.
Em Matar o Correr, John Edwards com a voz de Anísio Silva.
Quantas vezes você errou,
todas as vezes eu lhe
perdoei.
No entanto, você negou
perdoar, por favor.
Em Chico Viola Não Morreu, do argentino Vignoli Barreto, se o par com a
voz de Francisco Alves.
Saudade de ter, saudade, saudade de querer ver, de provar da sua boca o
que o beijo tem.
Olha gente, eu estou aqui para contar para vocês como é que eu fui parar em
Cinelândia.
Em Cinelândia foi um concurso que atraiu a atenção das moças da minha época.
O prêmio máximo oferecido...
Não era uma viagem a Hollywood para tirar fotografias ao lado de atores
americanos famosos.
Não. O prêmio máximo oferecido era um contrato de trabalho num estúdio de
brasileiro na Atlântida.
Gente, trabalhar na Atlântida era o sonho de Terezinha Morango,
Adalgisa Colombo, Norma Dengel, Miriam Pérsia.
Eu e muitas outras moças que tomaram parte neste concurso devido
a enorme atração que o cinema exercia sobre todas nós.
Como o público vibrava e como transformava em ídolos aqueles
artistas.
Eu vibrei como público e como atriz também, porque um dia
eu estava lá.
Fazia parte da clínica.
Tornei -me atriz de cinema em 1953,
vencendo um concurso promovido por uma revista de grande popularidade,
Cinelândia.
Meu primeiro filme foi...
A outra parte do homem.
Dirigido por J. Betão.
Enquanto a outra parte do Homem era realizada em São Paulo, a Atlântida
no Rio de Janeiro a sua primeira superprodução.
Nem Sansão, nem Dalila. Uma sátira obra de César Vedemiro.
Segundo filme dirigido por Carlos Manga. Onde Oscarito era Sansão, Eliana
Dalila e eu, Fada Santoro, era Miriam.
Podes pedir o que quiseres.
Já sei.
Entrego -vos minhas filhas, Dalila e Miriam.
São vossas para sempre.
Tu tá brincando comigo, é?
Tá falando sério, hein? Claro.
E agora é tarde para rejeitar.
Mas quem é que tá rejeitando?
Então elas são vossas.
Vinde.
Agora não podeis mais recusar. Sou vossa para sempre.
Ele é meu também.
Calma. Ele não precisa de duas. Eu vi primeiro. Bom, isso não obsta. É, e
disse as duas.
Disse, eu vi. Não interessa. Não interessa, sim.
Interessa, sim. Ele é meu também. Eu quero as duas. Ele é meu. Ele é meu. Ele
meu.
Fedeio.
Um momento.
Papai, leva os brotinhos.
Aquele que se aproximar vai se arrepender.
Valeu! A força primeiro!
Olha aqui, seu reizinho de copas. Eu sou um cara 100 % legal.
E não gosto de chavecada, não, certo? Por isso devemos fazer as eleições.
Eleições? De que falas, nobre mancebo?
Eleição, votação, marmelada.
Marmelada. É, quer dizer, que o povo escolha à vontade o seu condutor.
Para bom andamento do meu governo... fica instituída a burocracia e
criada a letra O.
Ódio e penágio.
Bonita caligrafia, hein?
Bonito. Já terminou? Já.
Eu quero assinar.
Não, não. A outra aqui é a minha.
Atenção, a partir de amanhã, o tráfico na rua principal será feito.
Esse cara fala de tudo, menos da minha propaganda política.
Deixa ele comigo.
E agora, num patrocínio exclusivo do Bazar Zacarias, voltamos a apresentar...
Chega de anúncios.
Você é pago para fazer minha propaganda política.
Perdão, mestre Sansão.
De agora em diante, passarei apenas a transmitir vossas notícias.
Povo de Gaza, atenção!
Atenção, a rádio gazeteira, a preferida dos ouvintes, passa um novo programa.
Votai em sanção para um governo de ação.
Sanção é o maior.
Tem razão. Obrigado.
Trabalhadores de Gaza.
A situação política nacional.
Dá uma pouca vergonha.
Canção, meu amor.
Onde está a vossa força?
Espera aí.
Minha força... está aqui nessa cabeleira.
Não estás mentindo?
Eu não fui uma atriz dos musicais de carnaval da Atlântida.
Eu atuei muitas fitas dramáticas.
Como, por exemplo, A Escrava Isaura, dirigida por Euridice Ramos.
É minha, compreende?
É minha.
Minha.
Minha. Minha.
Euridice.
Tenha piedade.
Eu estriei no musical de carnaval em um filme de José Carlos Burgos, Barnabé Tu
És Meu.
No filme, eu era uma princesa do Oriente, numa mesquita em Ipanema.
Era assim, ué. E eu estava procurando o herdeiro das minas do rei Salomão, que
era o Oscarito.
O escravo arauto da minha corte era Jesse Valadão.
Os
musicais
carnavalescos sempre foram a marca registrada da Atlântida.
Esses filmes foram chamados pejorativamente pelos críticos de cinema
chanchada, que queria dizer coisa feita às pressas, popularescas, de sentido
artístico nulo.
Alguns de nós, artistas de cinema, também tinham certos preconceitos sobre
gênero de filmes.
Os intelectuais nem tomavam conhecimento do que se fazia na Atlântida.
Tudo isso levou o jornalista Zé Wigwelder a dizer certa vez com muita
propriedade que ninguém gostava das chanchadas da Atlântida, a não ser o
público.
Chérie, você se dedica a indústria ou comércio?
Indústria. Aliás, eu tenho a maior fábrica da América do Sul.
E o que você fabrica?
Aparelhos sanitários.
Pois se achegando assim como quem não quer nada era desertar a estrada.
Foi aí que eu me estepei, viu?
Foi aí que eu me estepei, viu?
Foi aí que eu me estepei.
Escuta, Deodade, como é o seu nome?
Naná. Naná.
Então vamos, Naná. Quem é Naná?
Naná?
A Naná?
A Naná. A Naná é uma macaca que o Cunha trouxe do norte para a gente, minha
filha. Pois saiba que essa macaca telefonou para você agora e falou em
francês.
Macaca inteligente.
Apresente -me, querido.
Minha estrela, Linon Ervilha. Linon Zizi.
Então seremos colegas. Acabo de ser convidada insistentemente para
ser a vedete da companhia. Não é, Charlotte?
Você não me havia dito nada, querida. Era uma surpresa, meu amor.
Tesouro das artes reunidas Resaltamos nossos mestres
brasileiros Que até por outros mestres estrangeiros
Foram invejados Com apoteados
laureados Tiveram exaltado seu valor
Limitados no produto do seu labor
Mandei chamá -los, porque tem duas mulheres que foram detidas.
Ambas dizem que são as suas esposas.
Charlô, querido. Agora que você me aparece, seu patife.
Sabe que eu não conheço nenhuma das duas.
Nem eu.
Cachorro, vais me deixar aqui?
Seu miserável, seu ordinário, fingindo que não me conhece. Vou te arrancar os
olhos.
Esquizofrenia em alto grau, coitadas.
Cachaça. Cachorrão! Se rasga o todo!
Não levasse a com os senhores?
Infelizmente, eu não as reconheci, seu delegado.
Coitadas, são as infelizes.
Todo caso, seu delegado, não custa a gente fazer uma caridade.
Se dentro de três dias ninguém as reconhecer, solte a pobrezinha da loira.
Eu pago a fiança.
Eu... Faço o mesmo com a outra.
Boa tarde, seu delegado.
Em todo caso, em vez de três dias, deixe a outra ficar uma semana.
Simão Dias, a casa cai, menina vai, onde é que vai?
Simão Dias, a casa cai, não tem de convidar,
pra tomar banho, empaquetar, a piquenique, a barra da
tijuca, ou pra fazer um programa de joaninho.
Minha filha, é você.
Sou eu mesmo, seu cachorro.
Zizi, Zizi, o que houve?
Baixaram o cajado na minhoca da Naná. Agora é a minha vez.
Então é assim?
Toma. Não, Zizi.
Não, Zizi. Não, Zizi.
Essa é comigo.
Não, Zizi. Não.
Este foi o adeus à comédia de carnaval em 1957,
com o filme Garotas e Samba de Carlos Manga.
E também foi o meu adeus ao cinema.
Por que os musicais carnavalescos acabaram?
Seria porque a ingenuidade e a simplicidade acabaram também?
Seria porque os compositores não mais se interessaram em compor músicas para o
carnaval?
Ou seria porque os carnavais mudaram?
Participei da primeira a última chanchada de Carnaval no Fogo a Garotas
Samba.
O trenzinho vai, o trenzinho vem, esse traz, esse traz, esse traz o meu bem.
vivo mais esperando o meu amor que nunca vem.
Agora estou namorando...
Quem avisa os navegantes, formei dupla com a Eliana, que seria uma constante
musicais de Watson Macedo para Atlântida.
E pesa, e faz o tema marchar Beijinho doce
que ele tem Depois que
beijei ele nunca mais amei ninguém
Que beijinho doce foi ele quem trouxe de longe
pra mim Um abraço apertado, um suspiro
A Atlântida passou a fazer um gênero de comédia menos ingênua.
E eu não mais participei desta fase.
Mas nem todos os participantes do musical canabalesco pararam aqui.
Muitos continuaram.
Inclusive alguns ampliando as suas funções.
Como por exemplo...
Este ator tão conhecido de vocês que se tornou o produtor responsável pelo
requinte de quase todas essas comédias.
Não era mole ser galã do cinema nacional, como a gente apanhava.
Mas surra mesmo, eu levava era dos críticos cinematográficos.
Eu trabalhei com quase todos os diretores da Atlântida.
Eu iniciei lá com o Watson Macedo, o mestre dos musicais carnavalescos.
É ingênuo, otimista, exuberante mesmo.
Fiz muitos filmes com o Carlos Manga.
O Manga via o filme por um aspecto bem diferente.
Para ele era imagem.
Ele gostava muito da fotografia. Tanto que ele gostava até de escolher os seus
fotógrafos. Trabalhou muito com Ozen Sermet, Amileto Daissé e Antônio
O seu primeiro filme, seu primeiro trabalho no cinema, foi um número
num filme de Zeca Burghi, Carnaval Atlântida. E o cantor?
Era meu irmão.
Diga que fale.
. .
Reparem que os efeitos de luz substituíram definitivamente as rampas,
seco e as bolas coloridas.
Em toda essa nova fase, os filmes foram dirigidos por Carlos Manga.
Sônia Wamed em Esse Milhão é Meu.
Como se
eu
fosse ninguém Com certeza
você se esqueceu Que meus braços
A sorotante...
Podia dizer tudo e tudo que houve entre nós.
Mas pra que destruir seu orgulho?
Se eu até já esqueci sua voz.
De vento em popa.
Premiado pela crítica como o melhor filme de 1957.
Dóris Monteiro canta.
Feliz tendo você
sempre ao meu lado.
a você esta canção
de
você
que vem a minha
inspiração
Não, quem deve agradecer sou eu.
Estava com vontade de gritar e precisava de um lugar adequado.
Por favor, Lucy, não faça ironia.
Eu não sabia que você cantava tão bem assim.
De fato, os óculos atrapalhavam um pouquinho.
Está bem, eu desisto.
Você ganhou.
Mas você veio aqui só para dizer isso?
Não, eu vim aqui porque eu quero ser cantora.
Só isso?
E que outra razão poderia haver?
Nós dois.
Não existe nada entre nós dois.
Como?
Esqueceu que meus pais planejaram esse casamento?
Sim, mas agora você não precisa mais de seus pais.
Não preciso, mas um bom filho tem sempre que obedecer.
É, mas em certos casos não se deve obedecer.
Deve fazer aquilo que se quer.
E como é que você sabe que não? Não é isso que eu quero.
Porque você nunca se simpatizou comigo.
Mas estou simpatizando agora.
Mas agora é tarde.
Por que é tarde?
Porque agora quem não quer sou eu. Por que você não quer?
Não sei, mas não quero.
Mas por que você não quer?
É.
Tem certeza?
Tenho. Tem mesmo?
De vento em popa, comemorava a 50ª produção da Atlântida. Por isso, a
estava reunida.
Margot Louro e seu marido Oscarito simbolizavam muito a família Atlântida.
Foram reunidos nos sucessos do teatro e do cinema.
O golpe, papai fanfarrão e cupim.
Em Esse Milhão é Meu, mostravam a harmonia e o alegre despertar de um
ou menos feliz.
Felizmino?
Felizmino?
Felizmino!
Está ouvindo o despertador, Palerma?
Sonhou que é granfino e quer ficar na cama até meio -dia.
Dezoito anos de casada e todos os dias o mesmo inferno.
Sei onde é que eu estava com a cabeça que não vi logo o fósforo queimado que
você é. Fósforo queimado? Pelo menos eu nunca vi aceso. Não me faça falar,
Felizmino. Você sabe que eu não sou de falar muito.
Desde que nos casamos, viemos passar uns dias na casa de meus pais e até hoje
vamos ficando.
Você é um funcionário de última categoria que não sabe dar os golpes que
qualquer funcionário sabe dar.
Você é vergonha da classe, compromete a repartição onde trabalha.
Maldita hora que eu fiz a burrada de me casar com um pilantra como você.
Que pena não ter divórcio no Brasil. Ainda bem que eu sou uma mulher
paciente que suporta tudo, inclusive um marido como você.
E parem com esse negócio.
Fica bonzando aí na minha frente. Vê se vai embora e volte cedo porque papai e
mamãe não gostam de jantar tarde.
Não esqueça de trazer linguiça, hein? E dá grossa, que dá fino a mamãe não
gosta. Em Devento em Popa, foi reunida pela primeira vez uma grande dupla.
Oscarito e a comediante mais engraçada que o cinema nacional já teve.
Zezé Macedo.
Mais uma vez, por favor.
Obrigada, meu herói.
que a dupla Zezé Macedo e Oscarito encontrou a sua forma ideal.
Ele indolente sem ambição, e ela atrevida e ambiciosa. Era um homem e uma
do povo brasileiro.
Anastácia, Anastácia, esse ruído me assusta.
Toda noite você me arranja um negócio de oficiante. Não me chame de oficiante.
Eu estou com medo.
Medo de que, Cressy?
De ladrões. O que o ladrão vai roubar aqui?
Tenho eu aqui. Eles podem querer me roubar.
Deus te ouça.
Você vai sair com ele, temporal?
Quem quer ver ele nesse, que está de gosma, não pode apanhar a gola do diabo.
E a biloca está de ovelho virado.
Você não tem maneiras civilizadas.
Abandona uma dona no leito para traçar de galinha. O homem do Sputnik?
Ele mesmo.
Em carne, osso e tutano.
Meu respeito.
Eu tive a sorte de iniciar no cinema entrando no meio da dupla Oscarita e
Macedo. Fazendo o bebê. Uma sátira da Brigitte Bardot.
Nunca pensei que o senhor fosse um tipo tão charmoso.
Atravessou todo o oceano, só para ver. Mas não precisava viajar
tanto. Eu estou aqui.
A Atlântida já não mais fazia filmes somente nos estúdios. Partia para
em locais reais.
E foi aí, no Automóvel Clube do Rio de Janeiro, que eu cantei para os caridos.
Monsieur, monsieur, eu quero lhe mostrar
o que há de bom neste doce verbo amar.
Começa com o olhar, um leve suspirar
e o coração vibrar.
O amor é bom, é bom, quando é platônico.
Mas depois que eu falo, tudo vira físico.
Não, não sei porquê. Ao mostrar -me um decote,
os homens querem brincar
com bebês gostosos.
Chérie, me dá suamão.
Chérie, me dá...
me dá suamão.
Sempre que eu dou minhas entrevistas no exterior, a pergunta que mais me fazem é
que escola você começou a trabalhar, que escola você estudou?
Então eu respondo que a minha escola foi do Carlos Machado. E a minha carreira
cinematográfica começou com O Homem do Sputnik, com as famosas chanchadas da
Atlântida. Filmes descomplicados, filmes que levavam o público à alegria, à
verdade e sem complicação.
A gente trabalha o dia inteiro, a gente já sabe os problemas que a gente tem.
Aí vai ao cinema.
Para ainda o cinema mostrar o nosso problema, nós já sabemos.
E nisso, as chanchadas eram ótimas, porque eram sem complicação.
As chanchadas eram esse, esse Rio de Janeiro, lindo, maravilhoso. E nesse Rio
Janeiro, nasceu a maior estrela do cinema nacional.
Ela era uma garota incrível. Ela pulava, dava soco, lutava judô, dava navalhada,
brincava de mocinho bandido, cantava vestida de baiana e ainda tinha tempo de
namorar o mocinho da fita. Essa garota...
Era um barato.
Bate o bumbo, cifrônio Bate o bumbo, cifrônio Bate o bumbo pra chamar o
Bate o bumbo, cifrônio Bate o bumbo, cifrônio Bate o bumbo que eu garanto
vir embora Bate o bumbo, cifrônio Bate o bumbo, sincronio, nessa fona vai
o Césio Lourifal.
Bate o bumbo, esqui, bum, bum, dum, é baião no carnaval.
. . . . .
Quem me trouxe para o cinema foi o meu tio, o Watson Macedo.
Meu pai trabalhava na produção.
Minha mãe costurava as roupas que eu desenhava. Minha prima era continuista.
Como vocês veem, era tudo em família.
No meu segundo filme, Carnaval no Fogo, tive uma projeção tão grande que,
confesso, me assustava.
Repórteres, fotógrafos, uma correspondência enorme e fotografias em
capas de revistas.
As coisas aconteceram.
Tão rapidamente que nem tive tempo de me aperfeiçoar.
Nunca estudei canto, dança ou arte dramática.
Eu acho que levei para as telas a sinceridade da mocinha carioca. A
brincar, de cantar, de dar soco na cara do galã.
De amar o Rio de Janeiro.
Sempre procurei ser autêntica no meu trabalho.
A popularidade nunca me subiu a cabeça nem modificou minha maneira de ser.
Sempre tímida e com profundo carinho pelos fãs. O meu principal objetivo
foi o de agradar ao público.
Gente como nós.
Nós da Atlântida.
A Atlântida.
Que saudade da Atlântida.
Era como uma grande família.
E hoje, quando pensei que estivesse esquecida...
Fiquei realmente feliz por saber que nosso trabalho ainda é lembrado.
E ninguém nos representou melhor do que uma dupla de grandes artistas.
Dois grandes amigos.
Duas pessoas simples, sinceras e com um talento enorme.
Sofrer pelo amor de uma mulher é natural.
Mulher! Mulher! Um demônio angelical faz de qualquer um gato safado. Ninguém
tem comigo não.
Comigo sim!
É uma bomba. É uma bomba. Deixa eu jogar uma bomba aqui em cima.
Você sabe se a gente conversando se entende, hein?
Depende, né?
Depende de quê?
Se aceitar minhas condições.
Depende, né?
Bom, você vai ter que fazer algum sacrifício.
Cenoura, tomate... Ué, e nabo?
Nabo é muito forte, não é?
Vai tirar um leitinho pra mim, sabe?
Tá. Então, deixa que eu mesmo limpo. Tá.
Não é possível.
Não vai me enganar que é leite de magnésio. Não.
É boi.
Eu tenho 60 anos de vida e 50 anos de profissional artístico.
E cada vez me convenço mais de que só através do cinema o artista
é perpetuado.
Atlântida tinha dois símbolos, o chafariz e
o ascareto.
Juntos, eu e Oscarito, fizemos inúmeros filmes.
Eu tive a felicidade de conhecer Oscarito, de
testemunhar a grande figura humana que ele era.
A arte de Oscarito era total, inconfundível,
maravilhosa.
Mas dela eu não preciso falar.
O cinema falará por mim.
Através de Oscarito vivo.
A tela.
Você quer contar comigo depois do show? Não. Por que não? Porque não quero. Por
que não quer? Porque não vou. Por que não vai? Eu não gosto da sua cara. Eu a
troco. Não quero.
Está certa? Estou. Está?
Estou. Olé!
Aos 50 anos, precisou amarrar -se com cordas durante ensaios, para
não perder o equilíbrio e poder aprender com perfeição o ritmo da juventude da
época, o rock and roll.
A senhora Oscarita, alegre, amigo e simples.
Era como o povo que lhe representava e que o adorava.
Era como a chanchada que refletia a felicidade e a inocência dos que
faziam e dos que assistiam.
As flores não tão raras, nossas noites são tão
claras, isso é o meu Brasil.
Esses montes, essas ilhas limadas, essas fontes, essas
lindas cascadas, isso é meu.
Oh, minha terra brasileira, como
esta canção lhe cheira, que fiz quase louco de
saudade. Brasil, cante as cordas
dos teus violões, que canto teu canto.
Assim era Atlântida, alegre e expusiante como o final de seus filmes.
Era o símbolo de um tempo.
Um tempo que não volta nunca mais.
É uma festa, sem gabate, sem casola, onde o peito sem corvola, sem ninguém se
incomodar.
É uma festa toda cheia de alegria, com suave melodia, que lhe chora o
coração.
É uma festa, sem loucura e sem vaidade, uma linda sociedade, um mal humilde
barracão.
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