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Original subtitles

Reina a mais completa ordem em todo o país. Não foi preciso disparar um único

tiro contra as tropas legalistas do presidente deposto João Goulart.

O povo brasileiro em praça pública manifesta a sua euforia pela vitória das

tropas rebeldes.

O general Mourão Filho Kifu Makachimbo denominou a sua gloriosa marcha de

libertação do Brasil comunista de Operação Popeye.

Mais à direita!

Atenção, Pelosão!

Cercate toda a área!

Você aí!

Seu nome?

Che Guevara.

Preso por quê? Já começou a ditadura?

Já acabou a bagunça!

Acabei de pegar o chefe da malta, Coronel Ibiratinga. O tal do Manuel

Conheci ele da televisão. O importante não é pegar o chefe, Tony, mas os

verdadeiros líderes.

Prenda aquele homem.

É, Padre Nando.

Pensou que o esqueleto tem aberto os poços?

Levindo aqui no suário.

E tem lugar melhor pra se esconder da polícia, Padre Nando?

Você precisa de um médico.

Que nada.

Um desse tipo com que a gente sonha quando se mete na luta.

Acho que a força pública tem hora de atirar pro ar.

Nenhum camponês ficou ferido na Libânia?

Nenhum.

Eu vou buscar alguma coisa para fazer o curativo.

Sabe que temos algo em comum, Padre Nando?

Em comum?

O Xingu.

Os índios.

O coração do Brasil.

Está lá.

Os cafundós da floresta.

Um dia eu vou lá.

Só para pegar um punhado de terra e plantar nela a bandeira do futuro

dos Palmares.

Uma jornalista inglesa, nada.

Maureen. Ela tem permissão de Dom Anselmo para visitar o mosteiro.

Ah, ela é um que tu... Cuidado, Dom Anselmo. O Partido Comunista está

tentando se apresentar ao povo como a igreja.

sem um outro mundo.

A igreja não deve perder seu caráter sagrado, se explicando, batendo boca com

comunismo, que é o demônio com as roupas atuais.

São Jorge não discutia com o dragão.

Sou já refletindo sobre a minha proposta.

Mas aí eu teria que consultar Roma, e Roma jamais concordaria.

Sabe que até o olho do Major Ibiratinga é verde -oliva, Padre Nando.

Para se captar o espírito do Brasil, é necessário ir ao seu interior, onde

os índios em estado selvagem, homens mais em contato com Deus do que com a

história. A minha visão do Brasil é mais ligada à questão do latifúndio.

Eu creio que o tema central do meu livro será o campone.

Olhe, durante um século e meio no Rio Grande do Sul, os jesuítas provaram com

índios guaranis que podiam criar uma república teocrática e comunista baseada

cristianismo dos atos dos apóstolos.

É incrível como os historiadores calaram a maior experiência social realizada na

América e talvez no mundo desde o Império Romano.

É escandaloso.

O que é mais escandaloso é o que aconteceu depois.

Portugal e Espanha destruíram a fulgurante República Guarani.

É somente um século mais tarde que a ideia comunista fundamental no homem é

retomada e retorcida por Marx e Engels em seu Manifesto Comunista.

A Igreja perdeu para sempre a primazia.

Você acha que seria possível ainda hoje tentar uma experiência equivalente?

Quanto ao aspecto essencial, eu diria que sim.

Qual foi a sua impressão entre os índios?

Nenhuma. Eu nunca estive entre os índios.

O pastor protestante, liquidando com o tiribato, perdeu com a influência de

homem ligado às forças divinas.

Isso não é possível enquanto se tem de levar a mulher ao ginecologista.

Muito bem posto, Doncel.

Muito bem pô.

Mas o homem completa -se na mulher.

Completa -se na mulher inteirando a sua animalidade.

O homem é um criador inocente.

Distriba sua energia na mulher.

O vaso que recolhe e elabora.

Vaso respeitado e louvado pela igreja.

Inclusive com dogma recentíssimo, Dom Anselmo.

Sem dúvida.

Mas se falamos a nível laico...

O homem espere de si mesmo um excesso concentrado de vida, recolhendo -o a um

útero, como o útero que o gerou. Sim, o gole é o útero da tua prima de Olinda.

E eu já lhe falei nas suas amildadas visitas àquela casa.

Eu disse à vossa reverendíssima que era a casa de minha tia. Em casa de tias há

primas. Além disso, não há tio na casa.

Morreu, vossa reverendíssima. Tio tem em sua santa guarda.

Minha paciência com você, Rosana, tem sido exemplar.

Mas as denúncias agora são positivas.

Você foi visto de pijama. Entendeu bem? De pijama.

Chupado laranja no quintal da prima de Olinda.

Nós somos os pastores de Deus.

Guardamos o rebanho. Não damos leite, não damos carne.

Não dormimos no curral. Deixe -me explicar, Dom Anselmo. O senhor está

de voltar à casa de sua tia.

Pode sair.

Você acha, meu filho, que o comunismo está veramente tomando conta de nossa

terra?

Francisca. O que foi, Padre Nando?

Surpresa de ver uma mulher no claustro?

Acontece que eu tenho o salvo conduto de Dom Selmo.

Além do mais, Teresa Adávila era santa, mas também era mulher, não é?

O que há de viver assim, clausurada entre homens?

Elevindo. Levendo já ficou bom e não me admira nada se ela não se envolveu em

outra invasão de um zen.

Violência é coisa que quem procura sempre acaba encontrando.

É, mas ele também me disse que ninguém morre no meio de um trabalho importante.

E aquele sindicato é tudo pra ele, você sabe.

E você?

Eu?

Vês aqui mi coração?

E eu lhe pongo em vuestra palma mi cuerpo, mi vida e alma, mis entranhas e

aficiones.

Teresa D 'Ávila.

Que ela me perdoe de usar assim as palavras com que se dirige a Deus, mas é

assim que eu amo Levin.

São as mesmas palavras as de todos os amores.

Padre Nando, eu estou de partida para a Europa.

Europa?

Mas assim, de repente?

A esperança do meu pai é que na Europa eu desista de casar com Levin.

Que desenho é esse, Francisco?

Esse é seu retrato.

Eu posso ver?

Não. Dou a você o dia que nós nos encontrarmos no Xingu.

Você vai pra lá, não vai?

Vou. Eu e Levindo combinamos de passar nossa lua de mel lá.

Adeus, Francisco.

Abenço, padre.

Você tem dados desaparecidos.

A minha pesquisa não tem sido só em bibliotecas, Padre Nando.

Eu tenho pensado muito em você.

Eu acho que você não parte para o Xingu para realizar seu sonho por medo de

fracassar. Não é assim tão simples.

Me desculpe, eu estou com certa pressa.

Padre Nando, se um dia decidir...

Decidi me visitar.

Não precisa ver com este horrível batina.

Eu acho que vai ficar muito bem todo de branco.

E de sapato tênis.

Não adianta todo esse sacrifício, Nando.

Deus já desembarcou aqui mortinho da Silva.

Sua carne de adorar vinha tão podre no crucifixo quanto as carnes de comer

vinham podres no porão do navio.

O Brasil até hoje está tentando digerir esse Deus putrefato.

Você não choca mais ninguém, Osana.

Esgotou os recursos da blasfêmia.

E entre Francisca e a inglesinha? Você não acha que já esgotou os recursos da

penitência? Eu tenho pena de você.

Acha que a mulher é apenas um objeto de pecado.

Sem suspeitar que como obra de Deus, dela pode nascer a beleza. Mas você fala

mulher como quem fala do plano de obras contra as secas.

Mas escuta, a Diolinda, minha prima, é mulher pra valer. Não tem brilho, só tem

cio. Não vive sem homem.

Da última vez que trepei com ela no quintal, ganhia feito uma doida debaixo

luar de bronze.

Mas agora Dom Anselmo me proibiu de ir vê -la. E ela arrumou outra mãe.

Eu vou matar Deolinda, Nando. Rosana, me dê esse revólver. Eu sou obrigado a

comunicar a Dom Anselmo.

Um pouco de honra comum cabe numa batida, sabe, Nando?

Pois então me dê sua palavra de homem.

Jure que não vai matar Deolinda nenhuma.

Eu dou a minha palavra.

Mas a maior glória da Virgem Puríssima é lembrar -se dos pecadores sensuais para

o salvar.

Dom Anselmo, parece que se esqueceu deste parágrafo do sétimo sermão do

Antônio Vieira. E isso pode lhe custar muito caro.

Segundo o major, o Brasil está à beira da revolução comunista. Quando ele fala,

parece que os russos já andam pelos telhados do mosteiro.

O major foi camisa verde.

Todo mundo sabe que ele é um anticomunista obsessivo.

Acha que o próprio exército está minado. O major quer invadir nossos

confessionários. Quer endereços, planos de subversão.

Nomes. O senhor repeliu, não é? O major é um bom católico.

Comunga todo domingo.

Mas ele pediu impossível e eu lhe disse que era impossível.

Em nossa perlazinha do Xingu, em toda a Amazônia só temos um padre e já velho.

Dom Selmo, eu fracassarei diante de Deus e dos homens se eu não me dedicar de

corpo e alma aos índios.

Mas eu preciso de mais algum tempo.

Dez dias.

Dentro de dez dias, o senhor chega para o Rio de Janeiro para os contatos com o

Serviço de Proteção aos Índios. De lá, segue direto para Xingu.

Bom dia, Padre Fernando.

Padre Nando.

Padre Nando.

Mas o que foi isso?

Eu tinha que contar para alguém.

Só porque eu não tenho coragem de ir para o Xingu.

Eu tenho medo da nudez das índias.

Mas medo de quê?

Medo de perder a cabeça, de me atirar a elas.

Medo, medo.

Tanto medo que eu me flagelo sem parar.

Está ficando tarde.

Nando.

As gerações passam, senhor Nando. O senhor e eu passaremos.

Mas o Brasil continua.

Por isso precisamos delegá -lo poderoso e austero às gerações hindus.

Não está de acordo?

Claro, coronel.

Me lembro do senhor há 10 anos atrás.

Em 54.

Uma pena que não tivéssemos conversado naquela altura.

Bem que eu tentei prevenir Dom Anselmo. Sobre o demônio do comunismo, ele me

falou.

Não me julgue um tolo, senhor Nando.

O assunto é sério.

Estou falando da alma da nossa pátria. Uma alma enferma.

Eu não entendi, coronel.

O senhor, como ex -pátria, deve se lembrar das visitas do Santo Ofício ao

no século XVI.

Não queimamos, não crucificamos, não executamos os faereis.

Mandamos para Portugal.

as cinzas da virtude e perdemos a oportunidade histórica de criar na alma

Brasil o arcabouço de ferro dos grandes países.

Para o senhor, os grandes países de hoje são aqueles que no passado foram os

mais inquisitoriais, os que mais usaram a imagem e a palavra de Deus para matar.

A Inquisição levou a fuma devido ao aparato litúrgico que combateu o

Mas os países do norte da Europa queimaram muito mais buscas do que a

Inquisição.

Eu tenho as siglas.

O senhor tem uma verdadeira vocação de teólogo.

E o senhor tem hábito de se divertir.

Mas acertou.

Sou um teólogo.

E teólogo da nova espécie.

Encaminhe o prisioneiro ao Tenente Vidigal.

Padre Nando!

Padre Nando!

Padre Nando!

Estava o Dr. Ramiro. É meu tio.

Mas eu não gosto que chame de tio aqui no trabalho.

Mas eu fiz curso para a secretária.

Obrigada.

Ah, mas uma coisa. Não se impressione com o cheiro do tio Ramiro. Cheiro?

É lavanda e remédio. Não é um horror?

Não dependendo de verba do ministério, eu não vejo nenhum inconveniente nesse

plano dos padres.

Você vê, Fontoura? Vê?

Você parece uma besteira esse negócio de pendurar Nossa Senhora de alumínio em

pescoço de índio.

Eu compreendo que o senhor Fontoura tema que minha ideia seja meter os índios em

aulas de catequismo.

Mas eu gostaria de afiançar que o interesse de nossa ordem é servir os

Ajudá -los como seres humanos.

Claro, claro, tudo isso vai dar certo.

Aliás, temos um jantarzinho lá em casa hoje com o ministro Gouveia e o senhor

está convidado, padre Fernando.

E você também, Fontoura. Cheguei sete e não me falte. Assim temos tempo para

tomar um drink.

É impossível se fazer uma coisa nesse país.

Eu aceitei esse abacaxi dos índios só porque sou amigo de governo desde a

infância. E agora sou obrigado a aturar gente como pontora.

Bêbado, intransigente e cheio de nós pelas costas. São 15 anos de mato,

Ramiro. Um exemplo de dedicação.

Um maluco, isso sim. Como o Otávio que você vai conhecer hoje à noite.

Comunista, crepito comunista, sei lá.

Vive enfiado no mato.

Dando injeção em bunda de bulgre.

Ah, dona Wanda. Não se esqueça de convidar o Palua.

Jornalista irreverente, um homem brilhante.

Sim. A Sônia.

A Sônia? Claro que a Sônia também.

Uma russa deslumbrante.

Um verdadeiro volga.

Desaguando na lagoa, Rodrigo de Freitas.

Que chique.

Esse assunto não deve interessar muito ao padre Nando.

Com Otávio vem a Lídia e é só.

Assim que o Padre Nando vai conhecer um pouco da noite do Rio, antes de mandar

para o Xingu e se perder por lá também.

O senhor não parece concordar muito com esse tipo de vida.

Padre Nando, que ninguém nos ouça.

Mas viver sem mulher, picado de mosquito, no meio dos pobres diabos, que

os peixos ao ver uma machadinha de loja de ferragem, é dose, padre.

O presidente Getúlio Vargas me prometeu que muito em breve vai assinar um

decreto criando o parque indígena do Xingu e com boas verbas. Só que se

muito, quando Getúlio assinar, os primeiros ocuparão todo o Xingu. Aí só

decreto. Eu acho que seria um ganho político enorme ao presidente se ele

pessoalmente inaugurar o parque. Se ele não cair até lá, não é, Otávio?

Meu caro Falua, somente a Folha da Guanabara pensa assim.

O homem está no auge da sabedoria política.

Convenhamos, ministro, nesse governo descalabro, indeciso, atestando a luta

classes, se apoiando nos comunistas.

Nada de pessoal, Otávio.

Em agosto, os índios do Ialapicis fazem um guarupi.

E se o presidente comparecer para inaugurar o parque indígena, dará à

impressão de tranquilidade. Ah, sim, sim, o guarupi. O guarupi? O guarupi

Aquela festa.

Você não precisava se derreter tanto com o ministro.

Falou aqui, João.

Olha o zinho na minha roupa. Ah, me esquece, tá?

Ah, homem é uma encrenca, né? É por isso que eu não quero casamento na minha

vida.

Padre, por que o senhor se interessou por esse projeto?

O que lhe atrai? A selva? Os índios?

Os guaranis.

Os guaranis?

Sinto informar, padre, mas do Xingu não tem índio guarani.

Eu sei.

Eu me refiro aos sete povos das missões.

Ali os guaranis construíram cidades, fabricaram foices e alaúdes,

martelos, órgãos, igrejas.

Não havia salário nem fome.

O jardim do Éden se replantou com todo o saber da Europa.

Maravilhoso.

Isto não é lenda, é história.

Os jesuítas compreenderam o recado de Deus.

Fundaram com o índio um novo império romano, destruído pelos bárbaros

Pelo que eu estou entendendo, o senhor pretende restabelecer o latim como

oficial e reconstruir o império romano a partir do império de Bugris.

Nós precisamos encontrar outros métodos de cultivar este último Adão.

Eu não tenho nenhuma ideia se é o que é saber, senhor Otávio.

Deus me iluminará quando eu estiver no Xingu.

Só que transporte Deus não dá, padre.

E eu tenho um bit que parte amanhã cedo para o Xingu.

Se me dá licença, boa noite.

E eu também tenho uma reunião do partido. E desde já convido os presentes

participar do quaruque.

Em nome do presidente.

Agora sim, meu amor báltico, vamos fazer um brinde digno de ti. O frio da alma

siberiana afogado pela vibração dionisíaca dos cariocas. Mas a primeira

é um horror.

Não se assuste, Padre Leandro. É apenas uma brincadeira. Somos todos

carnavalescos.

Nós temos de fingir que o carnaval está nas ruas. É só uma cheiradinha e pronto.

É que está mesmo na hora. Amanhã eu tenho que levantar cedo.

Sua noite ainda não acabou, padre Fernando.

Vem que eu quero lhe mostrar uma coisa.

Vem embora, cambada.

Ou vocês vão ficar fuçando a noite inteira, que nem um bando de idiotas. O

partido é igreja sempre unidos contra o prazer.

O Brasil é um imenso hospital.

50 milhões de pessoas em leitos de ferro branco. Mas eu pessimista.

Engano seu, padre.

Engano seu.

Tem a doença? O que é o homem? Um bruto.

Só a doença sensibiliza.

Aqui estão os produtos franceses que o Brasil conhecia para as suas bem amadas

doenças. Veja bem o código.

Pina de Blanca.

Xarope.

Regotinina de Tarné.

Loal. Rémio Ré de Bois.

A farmácia está fechada. Foi eu, Titinho. Vanda.

Fazendo catequese, padrinando?

Estou ouvindo umas opiniões um tanto graves, seu tio Ramiro. Já sei, já sei.

Viva a doença e a baixa saúde.

Também minha tia avó, mãe dele, dizia que eu casava. Meu tio avô pedia iodo,

creosoto, puxo e a sapete dá.

Cadê o uísque, Titinho?

Padre, este é um presente.

Um conta -gotas desenhado pelo professor Guion.

Muito obrigado. É uma obra -prima de frasco.

Padre, eu gostaria de ter uma opinião imparcial... de um homem de Deus

sobre o éter.

Não,

não.

Não.

Confie na minha descrição e na... e na descrição de Vanta.

Não, doutor Ramiro, isso não.

Bem de ti.

Eu acho que o padre não pode levar isso para o hotel.

Nós temos que esvaziar o frasco antes.

Padre, sabe por que essa jossa brasileira, por mais que mergulhe o

éter, jamais nos enjossará?

Porque deixamos de seguir a França.

Pegamos andando o bonde do American Way of Life e deu -se a melódia.

Viramos uma civilização fingente. Deixamos de crescer em nosso corpo

nos fundirmos ao ideal do homem americano.

Tarzan, sem ossatúrios músculos ianques, apelamos para os enchimentos de paletó.

Beba. Não. Beba. É preciso vir a última câmara e ir fundo. Não. Você jamais irá

contemplar os horrores necessários.

Comparte.

Se você deixar a China ou acabarem com o celibato, eu caso com você.

Recapitulamos. Quando esteve no Rio, o senhor se encontrou com Ramiro Castanho.

Endereço?

Farmácia Castanho, na rua do Catete.

Foi só essa pessoa que o senhor encontrou?

E outras das quais eu não me lembro no momento.

O senhor foi chamado ao Xingu e recebeu ordens do Rio.

De quem?

Fale, Sr. Fernando.

A revolução não tem tempo a perder.

É ridículo negar que tenha visto seu velho amigo, Otávio, militante do

Comunista.

A propósito, quantas vezes esteve na embaixada soviética?

Eu nem sei onde fica.

Mande entrar o homem de Palmares.

Vamos ver se agora o senhor se dispõe a colaborar.

Calma, compadrinado.

Engraçado.

Eu pensei que os índios corressem ao encontro dos aviões.

E correm mesmo.

Não é todo dia que chega avião nesse cu de mundo, não.

Não há possibilidade de alguma violência por aqui, não é?

Nunca se sabe.

Vai indo na frente, não vai acontecer nada não.

Muito danado. Bem machado. Você não trabalha mesmo? Já botou sua mãe do

para trabalhar?

Mastuni faz beiju. É?

É muito bacana. Faz beiju enquanto você toca flauta.

Esse anta vive todo dia como se fosse dia de festa.

Se quisesse, falava português feito camões.

Não fala porque não está aprendendo sistematicamente.

O fontoura que te ouça.

Ele te amarra num formigueiro todo pesuntado de mel.

Vamos pescar hoje, Matariuá.

Eu pensei que te encontraria com outra roupa. De homem?

Olá, Lídia. Olá.

De padre bandeirante.

Sem padre.

Com licença, Lídia.

Fontoura! Oh, Fontoura! Fontoura, cadê você, Fontoura?

Cozinhando uma camueca como sempre, né?

Acorda, homem. Acorda que você tem visita do clero. Trouxe a cachaça?

Eu já vim aqui te trazer sua pinga, desgraçado.

Olha aí.

Agora fala aí com o padre.

Cole a rede que você quiser, padre.

Se preferir uma cama, ali atrás tem uma.

Lá na copa tem uma bica.

E lá fora um chuveiro e uma poça para se fazer cocô.

Como é que estão as coisas lá na capital?

E esse presidente?

Acho que ainda não vai ser dessa vez.

Lá está uma confusão política dos diabos.

Paca pro jantar hoje.

Como é seu nome?

Ora, Cobra, você está cansado de saber como é o meu nome?

Como é nome?

Nome do marido?

Otávio.

Tem filho?

Ora, compra no chateia.

Aposto como eles estão atormentando você também o tempo todo.

Eles não se conformam quando eu digo que não tenho mulher.

Invente um nome qualquer.

É mais fácil do que explicar a eles o celibato.

Recupando a Wanda, por exemplo.

Desculpe, eu só quis mesmo sugerir um nome, qualquer um.

Nem eu pensei outra coisa.

São curiosos esses índios, não são?

Há quem, do bem e do mal, tem consciência do prazer ou da dor.

A vossa reverendíssima Dom Anselmo.

Sabe, Fontoura, antes de escrever ao meu superior e de propor um plano de ação

ao doutor Ramiro, eu gostaria de trocar algumas ideias.

Ninguém conhece melhor do que você os problemas dos índios.

Ah, tem muito etnólogo, muita gente boa no Museu Nacional que conhece o índio

como a palma da mão.

Mas é você que vive entre eles.

Você os conhece com coração.

Padre Fogo e Fantora.

Os índios estão quase mortos.

Mas nós podemos educá -los.

Podemos ajudá -los a se desenvolverem como índios.

Nós poderíamos montar aqui peixarias, serrarias.

Não? Não.

Nunca.

Nunca. Eu vou te mostrar uma coisa, padre.

Está vendo isso aqui?

Isso aqui.

É que deveria ser o parque nacional do Fingu.

Entre 10 e 12 graus de latitude sul.

E entre 53 e 54 graus de longitude a oeste de Greenwich.

O estado dos índios.

Se fosse realizável. Se fosse possível.

Colocaram aqui uma cerca de arame farpado. Arame farpado?

É. E dentro de cada.

Conta o branco.

Para que ele não destrua o índio e a floresta.

E educar os índios? De que maneira?

Eu não quero transformar o índio em nada, padre.

O estado dos índios seria do que eles são, de buques.

Mas os índios têm como nós uma alma imortal.

Os índios eu não sei se têm.

Nós eu sei que não têm.

Dali no ar, apuca a asa, amanhã pesca, pesca, ouviram?

Senão eu voltei com a luz.

Ferraria.

Se ele pensa assim, por que está aqui?

Ele aderiu ao mundo dos índios.

E de tal maneira... que vai morrer junto com ele.

Nós não incomodamos eles.

Nada nesse mundo incomoda eles.

Se estiverem trepando, continuam.

O que sonharão os índios?

Peixes e pássaros.

O presidente vem aí.

Quem? O presidente.

Ele vem para o Guarulhos, vem com uma porção de gente.

Vai assinar a fundação do pássaro.

Olha que não é a primeira vez que falam disso, hein?

Você fica aí todo empolgado, depois vai tomar um corre de um mês.

Não, não, dessa vez é certo. O rádio citava o discurso do presidente.

Puxa vida, com dinheiro e com paz que pela primeira vez a gente vai poder

alguma coisa.

Funda -se o Estado Índio, né, seu maluco?

Tomar, tomar.

Queira Deus.

E depois disso, algum guileiro me entrar nesse parque.

Madre Nando!

Como é que é? Não tem ninguém nessa casa? Ninguém pra me receber?

Eu não escutei o barulho do avião.

E os outros? Onde é que estão?

Devem estar no rio, tomando banho. E a Lydia?

Deve estar com eles.

E os ativos?

Quero ver mato, quero ver índio.

Nando.

Eu preciso falar com você.

Como padre.

Sabe quem chega com o ministro, Nando? A Sônia.

Ganhou um apartamento no Grajaú e agora é secretária do Gouveia.

Sônia é a paixão da minha vida.

Enquanto ela resistiu a mim para ficar com o Falua, eu aceitei. Mas por que

ceder ao Golbeiro e não a mim?

Eu lhe daria um apartamento no Flamengo, em Copacabana, ou até mesmo no Catete.

Eu daria tudo o que essa tirana quisesse. Bom dia.

Deixa os carrapatos, Ramiro.

Eles saem sozinhos esfregando hétero.

Hétero é carrapato jamais, Dan.

Tem membros grandes esses índios.

De uma certa forma, é mais uma desilusão que me esperava na selva.

Cinco, seis.

O senhor ainda não sabe dos últimos acontecimentos?

O jornalista Carlos Lacerda levou um tiro ontem.

E há uma infame tentativa de atribuir e provar que o atentado partiu do palácio

do governo.

Quer dizer que o presidente não vem mais ao Xingu? Muito pelo contrário. Agora é

que ele tem que vir.

Ele tem que provar que não é um tirozinho qualquer. Há um jornalista

que vai mudar um programa de governo.

Por que as mulheres usam essas sanguinhas?

Deixam tudo de fora.

É o luri isso aí que elas usam. Índio homem nenhum pode tocar no luri.

Elas mesmas é que tem que tirar o luri para poder acontecer alguma coisa,

entendeu?

Otávio.

Vejam só, não parece, mas a coisa tem a sua organização.

Pesado está meu coração.

Eu sempre achei que você devia perder umas bainhas.

Ramiro.

Ramiro.

Pois não, Gouveia.

Presta bem atenção ao que eu vou lhe dizer.

A coisa pode jogar o presidente no chão.

E com ele a gente se esmorracha também.

Claro.

Temos que trabalhar para o velhinho com carinho redobrado.

Claro, claro, claro.

A minha ideia é fazê -lo um pai dos índios.

Além de pai dos pobres.

Grande ideia, Gouveia. E Ramiro. Sim.

Gordo.

Deixe a Soninha em paz.

Senhor Lebânio.

Repito o que declarou no seu depoimento.

Que vai lá do Partido Comunista, senhor.

E que ordens o partido lhe dava.

Sobre os canasiais.

Que era para tocar fogo nos canaviais, seu tenente. Para quê?

Para quê?

Sim, não era para tocar fogo nos canaviais e assim facilitar a entrada no

dos russos e dos cubanos?

Fale.

Era assim, seu magistrado.

A gente tocava fogo nos canaviais, ocupava os engenhos, fazia uma guerra

e aí entrava os russos e os cubanos. Eu protesto, tenente, nada disso é verdade.

O que fizeram com você, Libânio? Cale -se.

Foi o eletricista. Pode levar o prisioneiro. Foi o eletricista, então,

Foi o eletricista, não! O eletricista, quem é o eletricista?

Alguém a quem o senhor terá apresentado.

A coisa está fervendo lá no Rio.

Acusam o presidente de ter mandado matar o Lacerda.

Calma, Fontoura, calma no Brasil. O presidente não ia dar uma mancada

Contanto que ele venha.

O Falua nos informará melhor.

Falua?

Falua? Mas o que é que Falua tem a ver com isso?

Ele já está em Chavantina.

Amanhã ele vem com o Olavo para fazer uma reportagem sobre o Guarupi.

Reportagem? O Falua vai fazer um Guarupi particular aqui nesse posto.

Colveia. Meu Deus.

Colveia.

Colveia. Aqui, pô.

O Falua vai estar aqui amanhã.

Como? Como é que ele soube?

Eu sei lá.

Na casa dela, no dancing.

Também você fica espalhando apartamentos por aí, né?

Essas coisas circulam rapidamente.

O jeito é você deixar a Sônia aqui e ir embora.

Por quê?

Ou melhor, gordou.

Pra quem?

Pra quem? Pra quem? É claro que é por falou. É o homem dela, não?

Não.

Sônia, vai comigo.

Está bem, você manda.

Mas escute bem, hein?

O Falua vai amar maior putrica no jornal.

Ministro foge do bailarino em plena crise governamental.

Ao passo que se ele... se ele encontrar sozinha, ela pode inventar a história

que bem quiser, amantá -lo...

E depois se livra definitivamente dele no Rio.

Eu arranjo um encosto para ele no gabinete. Negócio só de assinar o ponto.

Senão você ficou completamente maluco.

Ô, Gouveia.

O Falua vai escrever que você tentou suborná -lo.

Falua é homem para transformar dor de cor em artigo de fundo, Gouveia.

E então?

Tá bom, tá bom. Eu vou embora, pô.

Se não fosse o Ramiro, teríamos confusão da grossa. Eu convenci o Gouveia a

deixá -la aqui, viu bem, Soninha?

Quer parar de me cantar, Ramiro? Que coisa insuportável.

Não fala assim comigo, meu pacuzinho.

Pacuzinho é malenzinha.

Da próxima vez eu te afogo.

Sonia!

Portora!

Olha só o que eu trouxe.

O ministro foi embora ontem, não foi?

Eu fiquei dois dias feito um doido atrás de você lá no Rio.

Você é feita de quê, hein?

De gelo, é?

Não.

De carninhas terras.

E depois, Soninha, eu quero muito ouvir os detalhes da história da sua viagem

pra cá.

E espero que não tenha nenhuma ligação com um certo apartamento no Grajaú.

Olha aqui, Falua, você não me irrita com essa história, não. Eu não suporto mais

isso. Além do mais, eu estou aqui de férias.

Padre Nando.

Foi Deus que mandou o senhor para cá.

Quero que me case com aquela mulher.

Amém.

Vamos voltar.

Ali. Troca já.

Mamerecó, onde você está?

Mamereó, para onde você vai?

Obrigado.

Cocateajá, vou para a roça.

E a ra?

E a ra. Vamos, vamos.

E a ra.

Uma tapiana perecó. Câmbio final.

Droga! A folha quer que eu volte.

Acho que o presidente não vem mais do Xingu.

Como é que é? Parece que ele vai renunciar. Enquanto isso, para tudo.

Fica todo um bando de palermas com os olhos grudados no palácio do presidente.

Devia olhar para o Washington, onde as coisas estão acontecendo.

Ah, vamos, vamos.

De que é a vez de jogar? De que é a vez de jogar? Ah, não vou jogar mais nada.

Tem que ir embora daqui em vez de ficar no mar. Nós temos que ir embora enquanto

a nação fica aí sendo invadida por uma potência estrangeira. Eu vou pro rio.

Então, Falua, vamos pegar uma lancha. Daqui algumas horas a gente chega em

Chavantina. Lá, como jornalista, você cava um avião em dois tempos. Vamos

Sônia. Eu estou bem aqui. Sônia, não estou te entendendo.

Vamos embora daqui, meu bem.

Você não pode fazer isso comigo, não.

Eu vim ao Xingu só pra te buscar, amor.

Eu vou quando eu bem entender.

Viva a Sônia!

Não, sem ela eu não volto.

Ah, Falua, você abandona tudo por causa de uma... É mulher à toa que a gente

fala quando quer insultar uma mulher, sem contudo ofender o ouvido dos demais.

Lídia, você ganhou a noite.

É porque eu acho você um amor, Soninha, e esses homens todos idiotas. Eu não

quis ofender ninguém, desculpe.

Sônia, eu te adoro.

Vai sozinho, Otávio.

Sozinho eu não consigo transporte em Chavantina, Lydia.

Então sente -se e jogue. A história pode ser feita sem você, querido.

Eu não gosto de você.

Eu não quero você nunca mais.

Quer sim.

Não quero não.

E não fala mais nisso, senão eu conto tudo ao meu marido, ao Falua.

Eu dou a noiva para o Falua.

Mato sumé.

Falua não quer sua noiva.

E eu não quero você.

Índio vagabundo.

Mal.

Índio bom.

Eu falo com Falua. Eu falo com Fontoura.

Escuta, Anta.

Se a gente for agora, você promete não me pedir nunca mais?

Mas nunca.

Prometo.

E não fala nada a ninguém?

Não fala nada.

Foi uma boa foto.

Cheia de fogo, cor local.

Você quer o negativo, Soninha?

Não, Ramiro.

Eu tenho retratos de montes em minha casa.

Eu posso revelar e dar ofalua.

E como diretor do SPI, eu mando essa foto ao Conselho Nacional de Proteção ao

Índio. Você sabe muito bem que branco não pode casar. Quanto mais trepar com

índio. E o pistolão do governo?

Nem sei se o Gouveia será ministro amanhã.

Ele cai com o governo.

E se não cair, não vai querer perder a pasta por causa de uma puta relis.

Boa, mas puta e muito relis.

Isso é verdade.

Também. Também você, Soninha. Você se entrega a qualquer um. Você se entrega

a esse porco fedorento de índio e não...

E não quer nada comigo.

Sônia. Sônia, escuta.

Eu te ofereço mil contos.

Mil contos.

Amanhã, depois do Guarupi.

Nós saímos juntos.

Tem umas prainhas boas por aí.

É? É? É mesmo?

Você jura, Soninha? Jura?

No duro.

Agora vire -se para me vestir, por favor.

Mas Votinim, o grande Deus, no dia da

criação cortou doze troncos de madeira. Os mais escuros, os homens.

Os mais claros, as mulheres.

Com o calor do sol nascente, os troncos começaram a se mover, transformando -se

em gente.

Por isso, o quarupe quer dizer expor madeira ao sol.

E a sua cerimônia quer dizer que o espírito de um grande herói morto,

quarupe é jogado no rio, pode ganhar o reino de Tiumã.

que fica além do sol.

E em homenagem ao seu valor, são travadas as grandes lutas do Uka Uka.

Ela ennoidou e você também.

Que história é essa, Sônia? Fugir com o índio? É. Vou testar.

Sônia!

Sônia!

Sônia! Sônia!

Sônia!

Ele morreu.

Presidente.

O Getúlio morreu.

Morreu como?

Meteu uma bala no coração.

Padre Fernando, considerando o seu depoimento sobre a trágica morte de Dom

Anselmo, resolvemos aceitar o seu pedido de delegamento da igreja.

Que prazer em vê -lo. Seja ao lado da ovelha perdida.

Eu sempre vi você sem batina.

Mas nunca imaginei que você largaria a igreja por minha culpa.

A culpa é minha também.

Eu devia ter tomado seu revólver, avisado.

Não sei.

Osana, por que matar Dom Anselmo?

Não. Quando Getúlio meteu uma bala no peito, eu pensei que começava a

Popular.

Que o meu tiro em Dom Anselmo ia se perder na Baderna Geral.

Que eu podia passar a dormir impunemente com a prima de Olinda.

Quem podia imaginar que o único tiro da noite de 24 de agosto ia ser o meu?

Fui pego sem cirolas e sem desculpas.

E agora?

É esperar o júri como qualquer criminoso.

E a absolvição como qualquer inocente.

E a Santíssima Virgem é a minha advogada.

Eu soube que Levindo morreu.

A polícia o fuzilou junto com outros camponeses.

E Francisca? Voltou para a Europa.

Fernando, você vai para onde?

Para a selva.

A velha república dos Guarani.

No Xingu não tem Guarani, Osano.

E aqui as boquinhas de jacaré.

A gente prende elas na língua do cara, no peito, nas orelhas, nos colhões e

até na vara do cara se quiser. Depois é só ligar a manivela.

A ideia publicitária do filme é espalhar cartazes por toda a selva para ver se

os índios identificam a mulher branca. Ah, eis a atriz italiana que interpreta

Sônia.

Não cedo, não alugo e não vendo.

Nós já filmamos cenas excelentes. Nós vamos imortalizar Sônia. Eu trarei

história de volta.

Sete anos depois?

Mesmo que levasse cem anos, eu a traria de volta.

Acorda, ó pontora.

Cadê meu substituto? Quero conhecer esse abnegado.

Vila Verde, vem cá.

Tão louco por índio quanto você. Já vagabundeou por todo o Amazonas. Não há

homem no Brasil que eu admire mais.

Eu gostaria de aprender a levar uma vida bonita como a sua.

Cachaça e rede, meu querido.

Não mais é cortar os barcos.

Aquele, meu caro pontor, é o Lauro.

Etnólogo, sociólogo, polígrafo e especialista em lendas brasileiras.

Isso é porque eu falei ao doutor Ramiro a respeito da minha tese.

Demonstrando a importância do ciclo do jabuti para o total entendimento da

cultura brasileira.

Sou homem.

Não vi uma moça também.

O Olavo está tentando salvá -la do cerco dos índios. É, parece que ela chegou

ontem da Europa.

Finalmente você conseguiu patrificar a tribo de cão.

Que confusão é essa?

Estão fazendo um filme sobre a vida da Sônia.

Mas fez o show do Ramiro só amanhã.

Dessa vez, ele quer até o centro jogar.

Você vem?

Não sei, não.

Aquele padre lá é você.

E o grandalhão, de chapéu a tom mix... sou eu.

Abstemio.

A moça da expedição pediu que eu entregasse isso a você.

Aí, quando chegarmos, abrimos um campo de pouso pro futuro posto e pro avião

irá nos buscar.

A expedição não apresenta grandes dificuldades.

Descemos de Canoa, pelo Xingu até Pós -Bujarina.

O centro geográfico fica a mata adentro, a exatamente 17 .800 metros.

Pelos cálculos do Conselho Nacional de Geografia, o centro geográfico do Brasil

fica exatamente aqui, perto da cachoeira de Fonmarses. Que não é exatamente o

nome brasileiro, hein? Que não é exatamente o nome brasileiro, hein?

abriu mapas pormenorizados da região.

Eram do Departamento de Marinha dos Estados Unidos.

Humilhante. É, mas no centro geográfico do Brasil, nenhum branco foi dos pés,

nem mesmo o gringo. Nós é que seremos os primeiros. E Sônia terá honra de achar

um pavilhão nacional.

E eu vou fazer um relato da nossa expedição que eu deixarei para os meus

ao lado das botas com que edifizar as terras do centro.

É, mas então é melhor juntar uma versão em inglês.

Porque até lá o português já está extinto.

A Fabi nos dará cobertura, não é, Olavo? O correio aéreo vai voar por cima da

gente de vez em quando para ver se está tudo bem.

Contora, o que você acha do plano?

Chefe, agora é você.

Nando!

Nando! O nosso ex -padre agora um santo vivendo nas matas.

Sabe, Nando, ela insistiu para vir.

O pai dela é amigo do ministro, o ministro é meu amigo.

Ela me disse ser amiga sua.

Aí eu aceitei.

Nós temos muitas lendas, como por exemplo a história de como Jabuti, que é

caga e não a tartaruga, como muita gente pensa, conseguiu a sua carapaça. Eu a

encontrei em Smith, um discípulo de Ra. O Jabuti tinha uma casca branca e mole,

então deixou -se morder pela onça. E deixou -se morder tão fundo que a onça

ficou presa no Jabuti e acabou por morrer.

O Jabuti fez seu esforço.

Seminal, não acham?

Ah, Nando, esta é Francisca.

Francisca, Nando.

Bom, pessoal, gostaria de lembrar que partimos de madrugada e esta é uma boa

hora para nos recolhermos.

Eu disse que eu viria um dia, não é?

Silêncio.

Silêncio, que vai rodar. Silêncio.

Atenção.

Tom. Rodando.

Câmera. Claquete.

Rolo N -210, primeira.

Atenção, Nando. Não tenha medo do texto.

Carrega na emoção. Ok, equipe?

Eu acho que eu sempre soube que isso um dia ia acontecer.

Mais cedo ou mais tarde.

Nunca outra mulher me ficou nada pra mim.

Eu gostei muito de receber suas cartas na Alemanha.

Não foi surpresa pra mim você ter abandonado a vacina?

Pra mim foi.

Você me ama.

Você tem um papel muito importante nesse filme.

Todos esses anos eu esperei por você.

Te atribui muitos amores.

Você não mudou nada.

Pois você mudou.

Você me ama?

Muito.

Você vem na expedição?

Vou.

Fumaça no horizonte. Camaiurá!

Deve ser a tribo Camaiurá que até agora não conseguimos pacificar.

É.

Camaiurá... são muito arredios.

Difícil chegar perto.

A última vez que eu deixei presentes para eles já tem bem uns seis meses.

Bem, eu acho que se o Nando não conseguiu durante tanto tempo, é lógico

vamos conseguir nada agora.

É. Isso leva tempo.

Eu tenho uma maneira nova de pacificar os índios.

Desde os tempos de Rondon, o método é o mesmo.

Eu já fiz isso com caia -pó.

É rápido.

Eu vou com você.

Ah, eu também gostaria de ir junto. Mas mesmo antes de saber como é?

É muito simples.

Ao invés de esperar que os índios venham buscar os presentes, a gente entra de

superchão na aldeia, bota tudo no chão e espera.

Quero o quê?

A morte.

Bom, se deu resultado com o índio Caiapó, eu não vejo porquê não tentar

Camaiurá.

E esses silvícolas assim pacificados permitem depois que se visite a aldeia?

converse? Claro.

Você é o chefe da quadrilha, meu velho. O que estamos esperando?

O que é que você acha, pontora?

Eu fico nos barcos com o Jabuti.

Se vocês não voltarem, nós hasteamos a bandeira no centro de Sogra.

E eu vou ficar esperando o avião.

Sônia está com Suyá.

Eu preciso falar com Suyá.

Ramiro, há duas coisas que eu gostaria que dessem certo nessa pedição.

até você encontrar a Sônia.

As duas vão dar certo mesmo.

O que você está

fazendo?

Tive tanto medo por você.

Depois de sete anos de mato, a gente aprende a se defender.

De quase tudo.

Pra você.

Eu vi algumas corredeiras.

Se seguirmos em linha reta, devemos encontrar a cachoeira de Fomar.

Ela deve estar a poucas horas de marcha.

Eu vi também sinais de suiá há uns três dias de viagem daqui.

Do outro lado do rio.

Vocês não acham que devíamos pacificar esses índios?

Deus fala pela cabeça dos dois.

Senhores, nós estamos a apenas 17 .800 metros do centro geográfico. Agora,

se vamos passar pelos suiás... Nós vamos ter que fazer um arco de mais de 300

quilômetros em plena selva e em sentido contrário.

Mas se temos que fazer uma exploração do terreno, acho que seria interessante ir

até ele. E o abastecimento?

Pode ser feito de avião.

Então está decidido.

Amanhã bem cedo partiremos. Eu voto contra.

Ninguém aqui está fazendo votação nenhuma.

Então vamos descansar e amanhã a gente mete o pé na mata. Mas isso é um

suicídio.

Custa acreditar que um amor tão grande...

Caiba numa figura ridícula como a de Ramiro.

Sonho é um sonho.

E os teus sonhos, Nando?

Eu aprendi a buscar sonhos que se tornem realidade.

A tal República dos Guaranis?

Não.

Uma mulher.

Eu estive com a Maureen na Europa.

Aí ela me falou sobre vocês.

Boa noite.

Francisca, quando nós voltarmos, vou te oferecer um vestido

amarelo de rosas brancas.

Procure um oco de árvore para esconder os motores e cubra a jubá com folha. Na

volta! Uns vão de avião e outros de barco.

Ramiro, você não está se sentindo bem?

Ótimo, ótimo. Não é nada.

Vamos seguir em frente.

Vem, Ramiro. Apóia firme que eu lhe ajudo.

Ai, meu Deus!

Não esfregue não, Alain. Vá para bem os olhos.

Meu Deus, o que é isso que entra assim no olho da gente?

Já voltei aqui, não é?

É uma abelhinha.

Alain, me olhe. Ai, você não tem que arder, Nando.

Não, eu já me exercitei bastante.

Agora eu abro bem. Não tem voz que aguente firme.

Vem, Ramiro.

Espere.

O quê?

Tire o lenço, que agora é bugre.

Você viu uma mulher chamada Sônia?

Ele diz que tem uma mulher branca na

aldeia.

Sempre dizem que viram mulher branca ou caraíba ou tabaçu.

O que o índio nunca diz é não.

Você é um tético, pontora.

Eu tenho certeza que Sônia está entre eles.

Tomem!

Tomem!

Tô em medo.

Tony, acaba de morrer.

Ainda não entendi porque foi que os suiás nos atraíram. Para mim ficou

Eles queriam nossa ajuda para se livrarem dos tais jurués. É, mas agora

direto à cachoeira de pomar.

Esse avião já devia ter aparecido.

A voz que eu juro é, são umas flores.

Devíamos ir ao encontro deles.

Só que eu acho que nós não temos mais saúde para cruzar com tribos

desconhecidas. Estão falando isso por minha causa, não é? Ó, cala a boca. Olha

aqui, fatorante, como esqueça, tá? Você é um pulha, um merda e um bêbado. Ô,

Lauro, se você conseguisse se virar sozinho, eu já tinha te escutado dessa

expedição.

Salvo pela incompetência. Tudo por causa de um bêbado. As mochilas deles estão

lotadas de garrafas de cachaça.

Calma, minha gente.

O Lauro tem uma certa razão.

A nossa cobertura aérea está falhando e temos índios desconhecidos pela frente.

Seu Vila Verde, eu posso dar uma sugestão?

Não, Olavo, agora não.

Vocês ficam por aqui.

Eu e o Nando vamos dar uma esquerda em volta.

Vocês armem acampamento ali adiante. Vão preparando o jantar e depois a gente

toma uma decisão.

Pauladé, vem com a gente.

Uma aldeia. É longe.

Algumas negras.

Deve ser a nação Jurué.

Muito estranho.

Completamente abandonada.

Será que não é só um acampamento de caça?

Seringueira, não.

De muita seringueira.

Será que os Jurués não foram massacrados por seringueiros?

Adãoê.

Música

Música

Música Música

Música

Aí está bem o carnaval.

Aí está bem o carnaval. Aí está bem o carnaval.

Aí está bem o carnaval. Aí está bem o carnaval.

Aí está bem o carnaval. Aí está bem o carnaval.

Aí está bem o carnaval.

Aí está bem o carnaval.

Aí está bem o carnaval. Aí está bem o

carnaval.

Estão com a minha.

Não é só eu.

Estão morrendo.

Cuidado. Ai, meu Deus.

Eles estão atacados de alguma peste.

Não deixem que eles se toquem.

O que eles têm? Lépuras?

O que você já teve e que toda criança tem.

Passado pelos xeringueiros.

Era eles o medo dos suiás. O medo dos contágios.

Pelo amor de Deus, vamos sair daqui.

Se pelo menos essa porcaria de avião aparecer... Nós não temos nem remédio.

podemos ajudar.

Na minha opinião, devemos ir.

O que você acha?

Contorno, o que é que você acha?

Olha aí, um cunhado de brancos com fuzis e

balas... imobilizados por índios semi -mortos.

Isso aí é outro moribundo.

Só não trata bugle como bugle por falta de culhão.

Basta liquidar um desses idiotas para os outros obedecerem.

Pessoal. Vamos caçar e pescar o que pudermos.

Os truês concordam. Eles sabem que se continuarem nos cercando, não vamos

ajudar. Concordam, cachorro?

Concordam? Concordam com você, seu banana?

Bate assim para os índios não perceberem que estamos brigando.

Amanhã retornamos à marca.

Subimos a cachoeira e vamos direto ao centro.

Que loucura.

Toda essa caminhada... para voltarmos ao ponto de partida.

Ainda bem que você não está propondo nada.

Propõe que a gente se deite no chão e fique deitado.

Eu... Eu acho a melhor solução.

Francisca.

Eu quero te mostrar uma coisa.

Eu vi Levindo morto duas vezes.

Agarrada nas grades, a polícia, cercando os cadáveres.

Eu vi Levindo entre os corpos dos camponeses.

Depois, no necrotério, eu vi o corpo de Levindo nu.

Corpo de menino.

Um tiro no pescoço e dois buracos no peito.

Eu ia enganar o Levindo, provavelmente, por uma razão ou por outra.

Mas ele era o homem da minha vida.

O Levindo morreu uma morte, faz a gente se envergonhar de viver a vida da gente

e aceitar ele como morto.

Mas o que eu sei ainda é que mesmo que ele estivesse vivo, mesmo assim eu ainda

ia amar você.

Eu tenho certeza.

Perdeu a cabeça?

Filho da puta!

Viados! É por isso que os americanos mandam em vocês, seus merdas! Calma

o caminhão tá aí, porra!

Tá certo, meu amigo.

Mas da próxima vez, você avisa essa cara de porrada que os próximos passos somos

nós que abrimos! Nós!

Ameaça ele! Diz que eu mato todo mundo!

E eu juro que eu faço isso!

Nem que eu tinha que matar você antes!

Todos esses anos na Europa, eu vivi pela metade.

Me mentindo, me repetindo sem cessar que se eu tivesse ficado aqui, tudo teria

sido igual.

Quando eu soube da expedição e tive certeza que era a minha última

de fazer alguma coisa por ele e por mim.

De pegar um punhado de terra no coração do Brasil para alguém algum dia plantar

nela a bandeira do Sindicato dos Palmares.

E dar um sentido a seu amor.

Pobre Lezindo.

Sendo chorado aqui pela noiva.

No empelo.

Tenho certeza que esse cipó tem 10 metros.

17 .700.

É ali.

Mais 10 cipuadas e estamos no centro geográfico.

Nando, corta um tronco de pé... para fazer o mastro e assiná -los a bandeira.

talho o padrão.

Nossos avós nudos... fincavam macos de cantaria.

Com as armas de Portugal.

Nós colocamos pau talhado a canivete... e ainda falamos mal dos portugueses.

E a bandeira?

Ninguém trouxe a bandeira do Brasil?

Vamos cair fora daqui!

Vamos, gente, vamos!

Vem, Ramiro, vem!

Centro Geográfico do Brasil Latitude 10 graus e 20 minutos sul

Longitude 53 graus e 12 minutos

a oeste de Greenwich

Ele morreu.

Te amo, Franziska.

Senhor Nando.

Senhor Salim.

Até à vista, Sr. Hernandes.

O senhor me intriga.

A sua vida não tem uma diretriz, uma linha reta.

Primeiro se prepara para a catequese, para a caça.

Depois irá funcionar de serviço de proteção aos índios.

Mas desta vez seu propósito é trazê -los a Deus.

Depois...

Com o pretexto de alfabetizar a camponesa, se envolve em movimentos

E agora, o que vai fazer?

Só quero que responda uma coisa, coronel.

O senhor já se convenceu de que não havia nenhuma conspiração comunista no

país?

Essa resposta eu só poderia dar.

se eu tivesse plenos poderes para interrogar todos os suspeitos.

O senhor não quer descobrir nada.

Só quer acender as suas fogueiras.

Não se faz um país grande sem um deus adi. Em 1961,

com a perversidade da encíclica, máter e magista, o Vaticano abriu caminho para

uma igreja subversiva.

Nós, as Forças Armadas, Tivemos que assumir o que existe de santo e

grave.

Doutorando os que não partilham da mesma ideia.

Como é que se dá o direito de traçar o destino das pessoas?

Pare o carro.

Senhor Orlando, nós criamos um fato histórico irreversível. O Brasil

capitalista. A defesa desse Brasil nos dá todos os direitos.

Ou o senhor compreende isso ou será um estrangeiro no seu próprio país.

Deolinda, vamos ter que levar ele para o médico.

Acho que ele vai ficar manco para sempre.

E o olho? Alguma esperança?

Não sei não, Deolinda. Para mim, está perdido.

Ele vai precisar de tempo para se recuperar.

Eu vou te revelar o segredo do otuário.

Me absolveram da morte de Dom Anselmo e me deixam em paz com a minha Deolinda

para que eu seja o guardião desta heresia.

Olha, pode ser pintura ruim, mas veja a cara dela.

Maria que se contempla no espelho, vaidosa do próprio rosto que vira

A virgem se pergunta, como estou grávida se o homem não conhece?

Agora veja Gabriel, o anjo.

Repara que ele não está apontando o céu, não. Está despindo as asas.

E a frase escrita ao pé do quadro é dele e do gêmeo.

de Deus possuíram as filhas dos homens

desesperados de rezar inutilmente a Deus portugueses e brasileiros

dominados pelos holandeses deram uma espécie de golpe de estado e puseram em

lugar a Virgem Maria que jamais havia perdoado o sacrifício do filho na cruz

Jesus devia ter sido salvo como Isaac e no entanto Deus o deixou morrer é este

o segredo do ossuário

Um cristianismo mariano sem o Cristo.

Uma mulher tomando o lugar de Deus.

O Brasil é um país adiado, Nando.

Vem, foge comigo.

Será que meu amor por você não vale uma pátria?

Responde, Nando.

Nando.

O que é que você vai fazer?

Com o Guarupi.

Faz 20 dias.

Fui estará no sertão.

Lídia.

E Otávio?

Desaparecido.

Quem te manda um abraço é Ramiro. Sai novamente em busca de Sônia na margem

esquerda. Do Xingu?

Não, do Sena. Ramiro arrumou uma historinha.

Sônia queria escapar de todos, fugiu, só pode ter ido para a Europa.

Tudo muito lógico, segundo Ramiro.

Vocês ainda se encontram por lá.

Em algum bar.

Quem sabe numa farmácia.

Toma, Nando.

Um passaporte. E uma passagem.

Nando, desiste dessa provocação. No Rio também estão moendo todo mundo nos

interrogatórios. Se você for ao encontro de Francisca, certamente isso vai ser

barril da sua cabeça.

Para a festa!

Para essa festa!

Estamos aqui reunidos em espírito de festa para relembrar um brasileiro morto

luta por uma ideia.

Brasilidade é o encontro marcado com o câncer.

É a espera paciente da tuberculose.

Brasilidade é morrer na cama, à frente de um grupo de camponeses,

morrendo pelo salário do camponês.

Levindo morreu uma bela morte estrangeira.

Estamos aqui hoje para comer o sacrifício de Levindo.

Comer sua coragem e beber o seu rico sangue de brasileiro novo.

A Levindo!

Viva Levindo!

Viva Levindo!

Viva Levindo!

Agora é beber e comer.

Viva Levindo!

Foge, Nando. Foge, Nando. Tem tropa vindo aí.

Eu não consigo dar o passo pra longe daqui sem antes passar em casa.

Mas é assunto meu, capricho.

Nando, vamos.

Capricho é a única coisa de gravidade na nossa vida.

Vamos, Nando. Vamos.

Se eu não voltar até o bater das onze, é porque aconteceu alguma coisa.

Você vai em frente sozinho.

O revólver está emprenhado de seis balas.

E eu ponhava o viagem aqui.

Feito um rato atrás de queijo, hein?

Coronel Ibiratinga vai adorar revê -lo.

Vê se ele tá armado, soldado.

Calinto.

Acho que vem uma rata calinto, atendente.

Se der um pio, vai levar chumbo grosso.

Me desculpe não ter respeitado o combinado.

Mas quando o senhor entrou, viu o soldado de Tocaia lá de fora, dá o

Eu vou me perfilhar e me chamar Rosa à meia -noite. Um cangaceiro importante do

tempo do meu avô.

E o senhor já escolheu o seu nome?

Já.

Vai ser Levindo.

E as cartas de Dona Francisca, não vai ler?

Quem sabe um dia a Francisca não volta e encontre a Nando nos braços de

Francisca. Não me leva a mal, mas eu não vou procurar desse fraque nido.

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