Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Uns dizem que essa história aconteceu há muitos e muitos anos, num país
muito longe daquilo.
Outros garantem que não, que aconteceu há poucos e poucos dias, bem pertinho.
Tem também quem jure que está acontecendo ainda em algum lugar.
E há quem ache que ainda vai acontecer.
As primeiras histórias que eu estava escrevendo nessa época, no início dos
70, não eram em livros ainda.
Eu estava escrevendo para a revista Recreio. Então eram contos que só muito
tarde foram inicialmente reunidos em livros e depois publicados separadamente
livros. E elas nasciam todas essas histórias do dia a dia.
de situações cotidianas, de família, de uma vontade de contar história para a
criança que estava ali.
E só mais tarde, olhando, eu me dei conta de quanto elas tinham a ver com a
situação do momento.
Não era uma coisa previamente consciente. Por exemplo, eu fui para o
janeiro de 70.
Uma das histórias que eu escrevi lá, uma das primeiras, acho que três ou quatro
meses depois de ter chegado na França, Foi com o Rupaco Papaco, a história de
papagaio que ficava no poleiro da venda do seu Manuel,
preso por uma corrente no pé e um dia ele consegue fugir, voa, vai para bem
longe, vai dar no cais, fica sendo o mascote de um capitão de navio e viaja
mundo inteiro e começa a ir a lugares frios.
Tem saudade do calor, da terra dele, das frutas, das crianças com quem ele
brincava. Era uma história que tinha a ver. Meu filho estava com três anos.
Ele tinha saudade dos amigos, ele tinha saudade das frutas. Talvez tenha sido
por isso, eu não sei.
É claro que olhando depois eu vejo que eu estava acabando de chegar no exílio e
escrevendo uma história sobre quem tirou a corrente do pé e foi para longe.
e que queria estar na sua terra.
Então, é claro que isso tem uma relação, mas não foi deliberado anteriormente.
Acho que as histórias surgiram muito assim. Até hoje, elas surgem não é por
intenção política explícita, é muito mais por uma situação que se está
Embora, em alguns momentos, eu tivesse perfeita consciência do que estava
fazendo e até provocasse um pouco.
Vou inventar a história de uma cor.
Agora, uma cor.
Aí eu posso falar que esse é o personagem, esse é o vermelho. Vamos
história do vermelho. Como é que ele ficou vermelho na vida?
Não dá não.
Aí eu vi uma foto no outdoor, assim, no momento
de chegar na lua. E a cor da lua era bege.
Aí eu falei, ah, eu vou escrever.
A história sobre essa cor, que é uma revelação. A lua não é nem azul,
não é amarela, não é branca. A lua é bege.
E quando a história aconteceu, na minha cabeça, era a época da ditadura.
Então, mais ou menos, toda aquela coisa que estava na cabeça da gente, mais ou
menos, transpareceu na história.
A cor bege era uma cor que queria participar das
cores todas do universo, as sete cores do arco -íris,
mas não tinha lugar para ela aqui na Terra. Então, bom, ele parecia um livro
protesto. Além de ser um livro, foi uma novidade na época, ele pareceu ao
público que estava acostumado com as posições que eu assumia no Brasil.
naqueles anos, parecia um livro hipotético. Eu acho que ele foi
assim. E se você for ler agora e prestar atenção no que há
por trás do livro, eu nem vi essa intenção enquanto eu fazia o livro. Nem
A única coisa que eu vi, que era um livro de época, é que as
bandeiras bonitas que o Flix...
procurou ter um espaço, não tem a bandeira do Brasil.
Não botei a bandeira, porque os militares tinham transformado a bandeira
coisa que você não podia tocar.
Então, as palavras das cores do arco -íris são as palavras de ordem
da ditadura.
Não muda a ordem natural das coisas, não mezerar.
Tudo são discursos da repressão.
Foi muito mais marcado isso, de alguma maneira.
O Raul da Ferrugem Azul foi recusado, acho que por mais seis editoras, só a
sétima que publicou.
Porque a ideia de que se você tem uma capacidade e não usa,
você enferruja.
E quando essa capacidade, que essa é a ideia central do livro, e quando essa
capacidade é a capacidade de reagir, de enfrentar, de lutar por aquilo que você
acredita, então era sair do marasmo, naquele momento era muito difícil.
O gatilho detonador foi um encontro que o cardeal Dom Eugênio
fez no Sumaré.
Ele estava sempre patrocinando encontros de grupos diferentes.
chamava pessoas formadoras de opinião para passar um fim de semana discutindo
casa, não sei, não era só uma casa, porque era um lugar que tinha uma pessoa
quarto, mas não era um convento, não sei. Isso é a residência do bispo no
Sumaré.
E ele convidou vários jornalistas que tinham, formadores de opinião, que
exerciam cargos de chefia, essa coisa.
E, em algum momento, tinha um pequeno auditório, nós estávamos lá, e eu me
lembro bem que eu estava do lado do Milor, cantada, Milor Fernandes, e ele
comentou, puxa, isso aqui, a gente não conseguiria fazer uma reunião dessas na
ABI, que era a Associação Brasileira de Imprensa, porque estava a nata do
jornalismo opinativo carioca.
A gente não consegue se reunir porque é sempre difícil e estamos todos aqui.
Aí o Ziraldo ouviu isso também e disse, não, vamos fazer uma coisa, vamos fazer.
E o Ziraldo teve a ideia de fazer um manifesto contra a censura,
enfim, um manifesto de protesto ali para ser assinado por todos.
Nós éramos o quê? Uns 30, não sei.
E propôs isso e saiu tentando agitar.
pessoas vendo, e no fim de um dia e meio que a gente passou lá, só tinha três
assinaturas, a do Milor, do Ziraldo e minha, ninguém mais quis assinar, todos,
ah, é importante fazer, mas tem que pensar, apoderar, ver que é o caso, todo
mundo com muito cuidado, aí eu não me lembro, acho que foi o próprio Ziraldo
comentou, é, todo mundo quer, mas está todo mundo enferrujado, qualquer uma
coisa assim, na hora de fazer, parece que está tudo enferrujado, aquela ideia
ficou na cabeça.
Então, no gênero do crime, eu coloquei o gordo sendo torturado porque o
bandido queria saber como ele havia descoberto o sistema de despistamento
Aí ele pegou o alicate e fez o... Até hoje as crianças têm um frio na espinha.
Então, não gostaram disso porque era uma referência.
do que estava predominando e assustando o Brasil.
Disso se falava no mundo todo.
Quando eu viajava, ia para a Europa, ia a tortura, ia a tortura.
Era a marca registrada do Brasil, no mundo inteiro, era a tortura. Então,
eu escrevi o Caneco, eu falei, Mariotilha, dá esse livro para as
que eu não tenho certeza, porque o Caneco de Praça tem uma parte...
que tem um enredo lógico que se desenvolve, que são as oitavas de final,
quartas de final, a semifinal e a final.
E ao lado disso tem aquele elemento delirante de flashes, que não tem uma
explicação lógica, como uma aranha que dá um pulo e come um mosquito.
Então, eu falei com o Mário Otília, olha, será que não está muito delirante?
Será que as crianças não vão se perder?
dentro dessa coisa, né? Então, aí eu escrevi lá embaixo.
Aí ela fez o teste, gostaram, agradeço a professora Maria Otívia por ter feito
esses testes.
Aí que veio o artigo do Lenildo da Mosa, pensou, alunos ou cobaias, né? Ele
publica, alunos ou cobaias, um tal de João Carlos Marinho Silva, ele começa,
como se eu fosse, quase mandando me prender, praticamente.
me falando que eu estava utilizando para experiências indecorosas, porque eu
agradecia a Maria Otília desse teste.
Ela estava dando numa classe e o filho de um oficial do exército era aluno
E mandou comprar o livro, professora que dá. E o pai leu aquilo e entrou numa
raiva furiosa.
Com tanta raiva ele ficou, que aquilo era uma subversão evidente, que estava
desmoralizando a revolução, que aí foi o
prazo... Ela, sim, viveu uma coisa dramática, como eu disse a você antes,
cheguei a viver, que foi uma violência.
Porque invadiram a classe dela com armas na mão, a tropa.
Pegou a mariotilha e levou para o quartel.
Ela não foi torturada, nem fisicamente incomodada e foi liberada no mesmo dia.
Mas ela foi interrogada de uma maneira muito brusca, muito antipática, querendo
extrair da vida dela, dos parentes dela, do irmão dela, o que ela fazia, o que
ela não fazia.
E eu, quem era eu, eles não tinham digerido bem aquela coisa da tortura do
gordo.
Implicaram com o caneco de prata.
E eu fui chamado no DOPS, fui testemunha da professora. O Conselho Regional de
Educação concluíram que devia ser proibido o gênero do crime para as
estaduais. E o caneco de prata também.
Parecia aquelas sentenças medievais que condenavam as bruxas. O que acontecia é
que as coisas que aconteciam na ditadura deixavam a gente furioso.
E essa fúria era o que movia a gente.
Quer dizer, a gente via, por exemplo, a censura dando em cima. Eu até publiquei
um livro, que é o Reizinho Mandão, uma história contra a censura, claramente
contra a censura. Era um reizinho que mandava todo mundo calar a boca, calar a
boca, calar a boca, até que o povo dele todo calou a boca e ele teve que quebrar
esse feitiço procurando uma criança que soubesse falar.
Até que ele encontra uma menina que...
Diz para ele, aquela boca já morreu, queimando na minha boca sou eu.
E assim quebra -se o feitiço. Eu publiquei o Rei que não sabia de nada,
claramente contra o governo daquele tempo.
Tanto que eu tive um aluno, um menino, que eu contei a história para ele, ele
perguntou, mas esse é o presidente da república?
E eu disse, pode ser, porque eu já ficava desconfiada.
Pode ser, pode ser um pai mandão, pode ser um irmão autoritário. É, mas esse
é o presidente da república.
E eu disse, é, esse é o presidente da república. Ele falou, você não tem medo
polícia? Lu, eu acho que depois da anistia, foi muito claro, eu chefiava o
jornalismo da Rádio Jornal Brasil.
Eu, durante o dia inteiro, eu...
Fiz a cobertura, nós temos várias edições extraordinárias, falamos, enfim,
dia da sanatura, da amnistia.
E aí de noite eu cheguei em casa e uma história que eu estava querendo escrever
há muito tempo e que eu não acertava o tom, nasceu ali. Eu escrevi a primeira
frase. Miguel tinha oito anos, dois pais em cinco países pelo menos. O de olho
nas penas surgiu ali e eu escrevi em quatro ou cinco dias.
Então, era uma história sobre o exílio, era uma história sobre a afirmação da
identidade, sobre a clandestinidade, sobre a luta armada, enfim, tinha todas
essas coisas, mas eu só consegui escrever naquele momento quando, de
forma, aliviou um pouco da pressão com a assinatura da
anistia. Eu acho que isso foi um exemplo.
O próprio era uma vez um tirano também, que quando foi começando a
haver uma ligeira abertura, muito pouca, mas aqui e ali alguma,
de alguma forma eu resolvi testar.
A Ruth já tinha escrito a trilogia dos reis dela, depois até virou tetralogia,
reizinho mandão, o rei que não sabia de nada, sapo vira rei, vira sapo, enfim.
E, de repente, eu digo, não vou mais chamar de rei.
Era uma vez um tirano.
Vou chamar de tirano.
A gente não tem nada, não. A gente não...
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.