All language subtitles for A Ilha dos Prazeres Proibidos

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Original subtitles

Olha aí, Maurício. Pega esse telex e leva lá pro redator -chefe. Isso é pra

publicar na primeira página hoje, tá? Olha aí, Tavares. Eu não disse que

conseguia? O chefe autorizou a verba para a viagem.

Você vai à ilha?

Tá aqui meu passaporte.

Um contato na fronteira que vai me levar até as pessoas que eu quero.

Mas a ilha é perigosa.

Uma moça como você pode perder a cabeça, ficar doida.

É a promiscuidade total.

O paraíso da perversão.

Mas eu adoro uma boa sacanagem.

Sabia?

Alô? Oi, sou eu.

Demorou, mas conseguimos.

Já tenho o passo para a ilha e posso partir.

Claro. Tem um cara que já andou entrevistando eles, que vai ser o meu

Como?

Tá bem, passo aí em cinco minutos.

Tchau.

Pronto, gorducho.

Está em encomenda.

Depois que acabar tudo isso, como é que eu faço para voltar para o jornal, hein?

Depois a gente dá um jeito.

Postemos a identidade, de estado, sei lá.

Muito bem, está legal.

A grana está aí.

50 % agora.

O resto vem depois.

Como sempre.

Vocês não confiam em ninguém mesmo, hein?

E quem é que vai me garantir que você volte da ilha?

Lá tem muitas sentações e você vai querer ficar por lá.

Dizem que é o clima, né? O ar.

Você tem tudo para se tornar uma notícia profissional.

Você é um porco.

Uma devassa internacional.

Gostosa.

Cadê a criança?

Serviço complexo, menina. É importante.

Quatro balas?

Mas ele sabe que eu não erro nunca. E além do mais, são apenas três pessoas.

Tem o tal do intermediário.

Mas ele não está incluído no preço. E não é um procurado.

Não interessa. Você mata ele de lambuja. Ele pode vir a te reconhecer mais

tarde.

Quando acabar, quero a arma de volta.

Pão todo.

Não quero que você volte à ilha. Mas é preciso.

Eu devo isso ao Borges.

Além de editor -chefe, ele foi um bom amigo.

Não quero voltar ao assunto, mas tenho certeza que você não vai voltar.

Que isso, Lua?

Nada vai me separar de você.

Será? Claro.

Confie em mim.

Ninguém tem menos vontade de retornar à ilha do que eu.

Ele deve ter chegado.

Ele abraçou a espada.

Eu não sei.

O meu.

Oi.

Oi.

Ué, você quer Medeiros?

Mas é uma mulher.

Claro, ela é Medeiros.

Peraí, peraí. No telegrama o Borges mencionou um jornalista.

É, o chefe gosta de surpresa.

O que é que você está fazendo embaixo do carro?

Além de um texto polêmico, meu hobby é fotografia e mecânica. Eu acho que está

vazando um pouco de óleo.

Bom, vamos entrar que você deve estar morrendo de sede.

Foi difícil achar nessa praia?

Lua prepara uma água de coco com pinga que é uma delícia.

Você vai ver que coisa fantástica.

Bom, há duas maneiras de entrar lá na ilha. Uma é clandestinamente, de barco,

que é muito perigoso.

Conseguiram descolar um passo para nós.

Vamos entrar legalmente.

A viagem é puxada, hein?

Até a fronteira deve dar umas quatro horas, mais ou menos.

Acho bom deixar pra ir amanhã.

Eu gostaria de partir hoje.

Por quê?

Sei lá.

Falaram tanto da ilha que estou excitadíssima por conhecer.

Amanhã, Sérgio. Por favor.

Está bem. Eu jamais iria contrariar um casal apaixonado.

Você é legal, Ana.

Você vai acabar dormindo com ela.

Que bobagem.

Eu tenho certeza.

Preciso dar um jeito nesta mocinha.

Por que o escondei, Lua?

A moça está dormindo aí do lado.

Dane -se! Ela sabe o que estamos fazendo.

Não precisa anunciar, né?

Há alguma coisa nesta moça que me assusta.

Devem ser os seios.

Sem brincadeira.

Sei lá, são os olhos, o sorriso.

Ela é falsa.

Foi o Borges que mandou.

Eu tenho que confiar nela.

Faz quatro anos que você deixou a capital de São Vicente.

As pessoas mudam da noite pro dia.

Deixa disso, Lua.

Você vai levar uma estranha até seus amigos?

Eles não estão seguros nem na ilha.

São foragidos com a cabeça prêmia.

Lua, eles sabem que eu vou levar alguém.

E depois o jornal vai pagar a matéria.

Eles precisam, meu bem.

Mas é ela que me apavora.

Tá bom.

Se te faz feliz, prometo investigar a moça.

Faz isso por mim, faz bem.

Bom dia.

Estive na cozinha de vocês e fiz o café.

Já tomei, obrigada.

Devo estar um pouquinho atrasado.

Tudo bem.

Eu já sei. Foi uma longa noite de despedida.

Mas ela ouviu tudo.

Não, eu não ouvi nada, Lua. Apenas deduzi. Vocês se adoram.

É, isso aí.

Bom, se as meninas me dão licença, eu vou terminar de arrumar minha mala.

Olha, eu vou aproveitar e roubar sua garota um pouquinho.

Eu gostaria de fotografar a praia lá das rochas.

Luan, você pode me ensinar o melhor caminho pra ir até lá?

Posso.

Só um segundo que eu vou pegar a máquina no carro.

Tudo bem.

Aqui está bem?

Não, eu quero ir até lá. Mais acima.

Eu acho que aqui está legal.

Você não queria fotografar a praia?

Eu vou fotografar aquelas ondas lá.

Lá embaixo?

É isso aí.

Você sabe mexer com isso?

Isso aqui mede a oscilação do sol.

Você fica apertando esse botão aqui, ó. Fica segurando bem firme.

Se esse ponteirinho mexer, você me avisa.

Ok?

Você vai me matar, não vai?

Como adivinhou?

Seus olhos.

Tenho que fazer.

É pelo futuro de San Vicente.

Mas eu não sou uma procurada.

Mas estava com o homem errado, na hora errada.

Fogo, hein? Cadê a Lua? Ela preferiu não ver você partir.

Mas eu tenho que... Ela estava triste.

Eu acho que vou procurar.

Espera. É preciso saber respeitar os sentimentos dos outros.

É?

Será? Você também não me parece feliz com a ideia de voltar à Ilha dos

Por quê?

É. Vamos embora.

Para um pouquinho aí para mim. Para quê?

Para.

Há duas horas estamos nessa estrada desgraçada e você não falou nada.

Estou cansado. Com sono.

Também pudera. Passou a noite inteira fazendo amor.

Se ouviu?

Tudinho.

É. Lua geme muito alto.

Por que você largou o jornal para se esconder aqui?

Tive motivos muito fortes e não pretendo dizer quais são.

Por que não ficou na ilha? Quando eu consegui sair de lá, apareceu essa casa.

Eu ia ficar só uma temporada, mãe.

Aí apareceu Lua e a gente se juntou.

O Tavares disse que você era um gênio. O texto mais dinâmico do jornal.

Você conheceu o Tavares?

Dormimos juntos algumas vezes.

Mas ele é medíocre.

Escreve mal, trepa mal.

Você vai se dar bem na Ilha dos Prazeres.

Só porque sou desinibida?

Ai, que besteira. Eu sou ótima só na teoria.

Duvido. Olha, vai guiando aí que eu vou tirar uma palha, tá?

Olha, o carro pifou. Não quer pegar.

Oi? O carro quebrou.

Ué, não diz que o seu negócio é mecânico?

A tecnologia é linda.

Como é que é?

Vai ajudar ou não vai?

Com licença.

Eu não entendo isso.

Você sim.

Acho que vou dar uma olhada lá embaixo.

Sim, faz isso.

Pelo truque, mocinha.

Mas acabou aqui.

O que você vai fazer?

Vou matá -la aqui mesmo.

Mas por que faria isso?

Por que você não é jornalista, porra de alma?

Você é gente de macacos.

E veio aqui para tentar matar os forajitos.

Você endoidou. Eu sou do jornal.

Pode ver na minha bolsa.

Os documentos da empresa.

Está vendo?

Está tudo aí.

Então por que você trouxe isso?

Ora, foi recomendação do Bosch.

A ilha é um porto livre, dá de tudo.

Você sabe disso melhor do que eu.

Contrabandistas, assassinos procurados, subversivos.

A ilha é outro planeta, Ana.

Ninguém usa isso.

Sei lá, eu sou mulher e gosto de estar protegida. E por que é que escondeu num

lugar tão estúpido?

E a fronteira?

E você acha que eles são tão cegos, tão relapsos?

Eles vão examinar até a sua vagina, mocinha.

Ninguém passa com nada de proibido pela fronteira.

Quem quiser comprar a ilha... Tá legal, tá legal, esquece. Não vou comprar nada.

Se você me protege, tudo bem.

Vem, entra no carro.

Eu conserto esse motor aqui.

Boa tarde, senhora. Boa tarde.

Poderia mostrar os seus documentos? O seu passaporte?

Passaporte não tenho. Tenho uma carta do jornal onde eu trabalho.

Mas isso não é documento.

Não serve.

Faça favor, um descer.

Descendo os dois, faça favor.

Um descer.

Vem, corta o carro.

Para quem tudo isso?

Sou jornalista.

A senhora tem nota dessa mercadoria?

Tem uma carta da empresa de trabalho.

Mas na ilha ninguém gosta de ser perturbado.

Não vim perturbar ninguém.

É minha profissão. Fui mandada para cá.

Eu tenho que ficar com essa carta.

Se dirija a essa sala e depois venha buscar suas coisas. Está bem.

É a sua vez, moça.

O que você traz aí, hein?

Não vai demorar nada.

Põe a perninha aqui, aqui.

Põe aqui, aqui.

Relaxa, relaxa a barriguinha.

Pra que tudo isso?

Vamos, relaxa. Não vai doer nada.

Aí!

Pronto. Tudo bem. Acabou.

Pode ficar tranquilo, rapaz.

Tudo bem.

O que é isso?

Por que obriga a gente a esse constrangimento?

Você quer ver?

Essa porcaria foi recolhida ontem à noite.

Eles não sabem mais o que inventar para passar com isso para as fronteiras.

Tudo bem. Pode ir embora.

Tudo bem.

Olha aí.

Não,

o bilhete está aqui.

Os fluidos da ilha já estão começando a funcionar.

Dua tinha razão. É?

Onde o espaço é um cativeiro. A seara dos condenados.

O pântano dos deserdados.

A morgue dos alucinados.

O polo corrompido.

O pecado a toda prova.

Dos sindicatos submersos.

Da caravela dos corsários.

Do vibrador das uterinas.

Mas isso aqui é um lugar como qualquer outro.

Mistificam a ilha para afastar os intrusos.

Onde é que estão as figuras sinistras, os bandoleiros, os rebeldes assassinos?

A única regra na ilha é deixar o ódio no continente.

Mas esse conceito posto em prática nunca deu certo.

A ilha não é o Fênix Libertário, Ana.

Longe disso.

Mas é incrível viver aqui.

Se é tão maravilhoso assim, por que você se mandou?

Aqui não tem carregador. Todo mundo se vira por si mesmo.

Você arruma um quarto e descansa até amanhã.

Eu levo o carro.

Onde você vai?

Vou procurar as pessoas que você quer entrevistar.

São arredios.

Cuidadosos. Se eu aparecer com algum estranho, eles podem me evitar.

Tenho que prepará -los.

Pensei que fosse descansar comigo.

Dá o dinheiro para a gasolina.

Mais uma dúzia dessas e partimos pro Equador.

Vou aprender a encolher cabeças e faço América.

Caso com vocês duas no Alasca e vamos criar rãs nas Gerais.

Luke não vai deixar.

Vai deixar, sim.

O Luke Mollet é um visionário.

O negócio é o Pacífico.

Novos mares.

Aqui não dá mais pé.

Opa. Oi, tudo bem?

Você deve ser uma das meninas de Luke.

Não, não, sem grilo.

Sou amigo de Nilo.

Sérgio.

O cara é de Ordão.

Você deve estar sabendo.

Tudo bem.

Cadê o Tutu?

Filha, o dinheiro não está comigo.

Sinto muito.

Quem sente sou eu.

Eu vou passar.

Tudo bem, tudo bem.

Olha, vamos fazer o seguinte.

Você me escolta até o Nilo... e se eu tentar qualquer coisa, você me espeta.

Vou para outras galáxias de titafone na mão.

Vou ver os uruns que falo com a cabeça...

E que mudam sua cor para simbolizar coisas diferentes.

Vou sangrar a minha silhueta numa noite de lua cheia.

Qual é o alucinado que deu para arrumar o guarda -costas? Quem é esse cara?

Diz que é seu amigo.

Mentira! Eu nunca vi mais gordo.

Tá, tá, tá, tá, tá.

Gostei da bandeira.

Acaba com isso logo. Apaga ele.

Aqui? E tem lugar melhor?

É pra valer? Acaba com isso logo.

Você ficou louco? Pirou?

Foi pra valer?

Mas você mandou? Ah, eu vou ajudar esse cara.

Você caiu, bicho.

Ponto pra mim.

4 a 1 pra mim.

Ainda estou na frente, bicho.

O que achou das tigas?

Lindas. Você está com tudo, bicho.

Você está vivendo o sonho, Nilo.

A ilha.

A praia.

Duas mulheres.

Eu preferia voltar ao continente.

Rever meu irmão.

Os amigos.

A ilha é única, mas falta o perigo.

Falta ameaça.

Quando o Luke levar as moças ao continente, eu vou junto.

Você explodiu uma cadeia, cara.

Matou inocentes.

É o inimigo público número um.

Ele tem pesadelos.

Só quis salvar um amigo.

Procurado vivo ou morto? Não vou entender.

Amigo é... Você aborreceu.

Ah, ele tem que acordar qualquer dia.

Tem pesadelos à noite se sonha acordado durante o dia.

Vocês não devem levá -lo. Ele virá conosco de uma maneira ou de outra.

Eu vou trazer a moça até aqui, mas é bom avisar, ela é meio suspeita.

Maravilha. É, mas ela estava tentando passar uma arma pela fronteira.

Conseguiu? Claro que não.

Ah, não te falei?

Quando encontrar o tesouro, eu me pico daqui.

Ah, Nilo Baleiro e suas abstrações alucinadas.

Fale destruir e afogue a sua fúria no jornamento suicida.

O sexo redime. Redime fúria nenhuma.

O perigo é a vida.

Eu vou explodir esta merda!

Quando eu dinamitar as rochas e encontrar o ouro, voarei

para o Caribe.

Ouro, dinamite.

É, você pirou nilo.

O ouro dos templários.

Estava na garrafa, o mapa.

É.

Mais um dia aqui eu estarei delirando.

É verdade, Sérgio. Luke prometeu trazer Dinamite.

Luke é uma velha raposa. Um contrabandista de ideias, de mitos.

Deve ter inventado isso para segurar vocês dois na ilha. É verdade, Sérgio.

achei o mapa aqui mesmo na praia.

Está aí. Foi o velho que colocou.

Veio em uma garrafa.

Foi o mar quem trouxe.

Olha aqui, ó. Quem vai embora agora sou eu, viu? A outra, Matos, que ela deve

estar doida da vida no hotel.

E ela é bonita?

Formosa. E toleira.

Faremos amor.

Bom, eu vou me mandar. Até amanhã. Eu vou embora.

Só se atravessar o rio a nada.

Como?

Não tem barqueiro a noite aqui?

Você dorme aqui hoje.

Quem é você, Monique?

Nasci no lago Cali, fui sereia em Palm Beach.

Mi segredo oculto e amante de Baby Doc.

Pendi joias no Teherã, radiospica na Bolívia e perfume em Nagasaki.

Posei nua pra Lifalk, dancei rumba e na sal e li

sonhos e vida doze vezes.

A je ne sais quoi ou je ne sais qui.

A je ne sais qui ou a je ne sais quoi.

De volta.

A ilha dos prazeres extremos.

A ressaca do paraíso. O litoral frenesi.

De volta a lenda de Nilo Baleiro, o rebelde alucinado. E as contrabandistas

Luque Molet.

Das brincadeiras violentas. Dos delírios esotéricos. Do nadir orgástico.

Do ritual tantra.

Polêmica!

Brigitte! Nero!

Pensei que tivesse roubado meu carro.

Dormiu bem?

Maravilhosamente, obrigada. E você, foi pra zona, é? Por quê? De mulher?

Você é uma gracinha.

Me larga no hotel de mala na mão, some com meu carro e não diz quando volta.

Peraí, até parece ser casada comigo.

Você vai receber por esse serviço. E me deve satisfações.

Pra você?

Pro jornal, sei lá. Como é? Falou com o baleiro? À tarde eu levo você daí.

À tarde?

É isso mesmo.

Tem que localizar o casal Solanas.

Eles vivem trocando de casa.

Agora não. Vamos para o hotel.

Ué, você não estava com pressa? Sete minutos não faz diferença.

Ué, mas você vai. Você espera aqui.

Desce. O quê?

Volte para a cama dessa vez, não demore. Você está brincando.

Arrume sua mala e feche a conta.

Quando eu voltar, visitaremos o rebelde.

Você não vai entrar?

Vai, vai, vai, vai, vai.

Bicha!

Sérgio!

Sérgio!

William!

Muita saudade, cara!

Já faz tanto tempo que recebemos seu recado que eu nem acreditava mais.

Um dia tem que voltar, né, bicho?

E o jornalista? Já está na ilha.

Mas eu não sei se devo trazê -lo até aqui.

Ué, é uma mulher?

É.

Você desconfia de alguma coisa?

Desconfia de alguma coisa?

Não sei, né?

Tem.

Vamos subir.

Quero ser sincero com você.

Nós estamos mesmo precisando do dinheiro.

É preciso arriscar.

Mas seus livros estão vendendo bem no continente? Para casa, as editoras não

estão mandando nada.

E o romance?

Não está pronto.

E vai ser difícil publicá -lo no continente. É agressivo demais.

Então vocês estão na pior.

É isso.

E essa casa?

Um amigo emprestou há alguns dias. Com o dinheiro da entrevista, vamos poder

mudar.

Ela deve estar lá.

Lúcia!

Lúcia!

O que aconteceu, querido?

Ele voltou.

Ele voltou.

Não é que tenhamos medo de sair da ilha. William tem recebido diversos convites

para dar conferências do outro lado do Atlântico.

É o dinheiro.

E eles só pagam depois das conferências.

Nem mesmo do outro lado eles acreditam que eu possa sobreviver.

E o garoto de seu primeiro casamento?

Horácio? Tem vergonha do pai.

Continuo acreditando que fui eu que induzi meus alunos ao crime sexual.

Por ele, o William estaria até hoje na cadeia.

Acha que não devíamos ter fugido.

Que o pai é um covarde.

Você sempre esteve a séculos de seu tempo, William.

Seria preso até na Dinamarca.

Não fique magoado com a Lúcia.

Você percebeu que ela anda redia?

Tanto estranha. Não sai mais de casa.

Não faz amigas.

Eu acho que é o exílio que está acabando com o relacionamento.

Você sabe que ela é uterina.

E ela reprime suas necessidades sexuais com os malditos hormônios que eu

ministro.

É, mas ela o ama muito.

É, e veja a contradição. Sou taxado de permissivo, mas...

Tem ciúmes terrível aqui no fundo.

Nestes momentos tem pesadelos bizarros.

Fico imaginando minha mulher nos braços de marinheiros gigantescos, de sexos

enormes e mãos encardidas.

Acordo assustado e começo a escrever desnorteado como um tarado.

Acredite, Sérgio, os melhores textos eu escrevo quando estou sem dinheiro.

William!

É melhor irmos para lá.

Tem um rapaz esperando por você lá em casa. Diz que é da farmácia. Tá bom.

Fique com ele, Lucia. Não o deixe fugir, hein? Vou só aviar uma receita.

Me leva para longe da ilha. Eu não posso.

Não teria coragem.

Eu não posso continuar fingindo.

Eu também não posso.

William é uma pessoa incrível.

Nós vamos dar em nada, não é?

Nada.

Você deu sua palavra que não voltaria.

Só fiz isso por William.

Você tem que sumir.

Vocês precisam do dinheiro.

Eu não quero deixá -los a sós com uma desconhecida.

Nós nos arranjamos sem você.

Eu vou voltar amanhã.

Mas vai ficar aí, ó.

Ai.

É o fim do mundo.

Se ficar falando, vai cansar mais.

Primeiro hotel, depois essa poeira. O barco assassina, essa estradinha

desgraçada. O que vem agora?

Bom, ainda tem as cobras, os lagartos, os vampiros.

As lacraias.

Eu não duvido, só não tem homem aqui.

Tem ninguém aí dentro.

Ué.

Boa noite.

Graças a Deus.

Acho que o rebelde já se apresentou.

Então é você que veio me matar, não é?

Você é Ana, a

sicária.

Vem cá.

Um a zero pra você, menina.

Você é demais.

Quem foi que inventou essa história?

De que eu vim aqui pra te matar.

Há perigo em toda parte pra um cara como eu.

Até em seu corpo.

Eu adoro perigo.

Você tinha razão.

A ilha é terrível.

Ela é fantástica.

Não estou entendendo mais nada.

Essa mulher é um enigma.

É melhor eu começar logo o que vim fazer aqui.

Vem comigo.

É pra já.

Onde você nasceu? Na maternidade.

Olha aqui, garoto, sem piada agora, tá legal?

Eu paguei e quero a matéria.

Ele está se apaixonando. O deserdado vai morrer.

Troquei o deserto da Avicínia pelo exotismo massacrante. O lupanar

pelo promontório excitante.

Valeiro, o rei das frases obscuras.

Agora vamos falar de você.

Eu sou o mistério.

Você é a gênese.

O âmbar.

Agora chega, garotão. A brincadeira acabou.

Eu fui o motorista do Cadillac metralhado.

O mordomo do castelo do vampiro.

Tornei minha alma musculosa na noite de São Valentim para receber o presságio

secular.

Esse cara é um desvairado. Não fala coisa com coisa.

Só os malditos renascem.

Nilo é um gênio.

Um vidente amoral de potência insaciável.

É um louco.

E como todo louco, é um santo.

Um assassino.

Neurótico. Se não gosta dele, por que o instiga?

Você não deglutiu direito os finos biscoitos.

Não faço isso por ele.

Por Sérgio?

Esse é um bicho. Não faço isso por mim.

A sua megalomania é depravada.

Ih, até a bicha entrou no jogo agora. Já começou a falar besteira.

Brigitte, Brigitte.

Como o sonho de Magritte.

Do perfume contrabando.

Do batom Richard Widmark.

Do desodorante Bangkok.

Assim.

Deixa eu pegar a máquina. Cadê a máquina?

Eu não posso perder essa. Vai ser maravilhoso.

Peraí, prepara -se aí que vai tirar uma foto, hein?

Vamos lá.

Ótimo, fica na posição.

Aí, vai.

Ótimo, ótimo. Serão fotos sensacionais, magistrais.

Prepara -se, olha lá, hein?

Deu cocô.

Ela se amarra em você, Sérgio.

Me aborrece, vai.

Vai lá, cara, vai lá.

Eu vou fazer o quê? Vai lá, satisfaça a moça.

Vocês estão começando a me aborrecer, hein? Essa não, companheiro.

A garota merece, é legal.

Tá assim porque é nova na ilha. Vai lá, Sérgio. Ela quer exclusividade.

Olha, Sérgio, você não percebeu? A moça quer dormir com você.

Se você não for, vai você!

Sai daqui.

Eu não sou ele.

Ele não é Nilo.

Mas nós somos nós.

Olha aqui, rebelde.

Você pode ser engraçado para as suas bandoleiras, mas a mim você só consegue

irritar.

Mas ele não te quer?

Quer.

Eu vi nos olhos.

Está tudo errado.

Eu estou errada.

Eu não posso estar me envolvendo.

Ele está apaixonado. Está não.

Está sim.

Eu estou aqui por sua causa.

Por sua causa.

Não tem sentido.

Eu nunca pude. Eu não posso.

Eu

te

odeio. Você conseguiu. Eu vou te matar.

quase no fim. E você quer isso?

Eu me envolvi totalmente.

Para com isso.

Aqui não tem campainha, ok?

É ele?

É.

O que há com você?

Ele é muito mais moço do que eu pensava.

Oi. Olá, como vai?

Tudo bem.

Sempre fui vidrada nos seus textos. Não podia imaginar a sua idade. Você leu

meus livros?

Quase todos.

Inclusive, li oito vezes Prazer, Necessidade e Tabu. E duas vezes A

Prazer. Poxa vida.

Tinha de vir, não é?

Tinha.

Ele fez questão.

É, ele já não está sendo mais tão cuidadoso.

Aliás, não adianta nada.

Alguém esteve aqui pelo mesmo motivo alguns anos atrás.

Querendo entrevistar o casal por agido.

Aliás, uma ótima matéria para a página marrom de um jornaleco imundo.

Um texto constrangedor para um assunto tão escabroso.

O apologista do tribadismo se defende por um punhado de notas.

Ele recebeu o dinheiro e quase perdeu o que tinha de mais valioso.

Fui leal.

Não levei a mulher dele.

Fez pior.

Levou o amor dela.

Eu gostaria de ter lido o obsceno revisitado. O importante não é ler.

O negócio é reler.

Tem que reler. Nada vai apagar as noites de insônia.

De... De depressão.

Como você, Lúcia?

Mas eu nem li ainda.

Como posso reler?

O negócio é reler.

Tem que reler.

Eu sabia que ia dar nisso.

A morte é surpreendente, Sérgio.

Também acho.

Essa é a minha companheira.

Prazer.

Ouvi falar muito nessa história de amor.

Foi pauta no meu primeiro dia de jornal.

E romance inacabado?

Acho que a incerteza de publicá -lo é que tem prejudicado.

O romance é uma experiência perigosa.

O William está experimentando usar o repertório dos... livrinhos obscenos.

fotonovelas alienantes. Dos X9 da vida para contar uma história de medo.

Estou partindo do péssimo para chegar ao ótimo. Me utilizo do pornográfico...

Para sugerir o lúdico.

Bem, vocês continuem conversando que eu vou preparar o almoço.

Eu admiro a participação da sua esposa em seu trabalho.

Ela é maravilhosa.

Você já teve alguma coisa com ela?

Sabe agora porque eu não queria voltar a ele.

Foi sério mesmo?

Virou minha vida do avesso.

É difícil para você estar perto dela?

Insuportável. Mas por que vocês não abrem o jogo?

O marido é um cara inteligente, aberto.

William é fantástico.

Sincero. Generoso.

Lúcia.

A presença de Sérgio perturba você.

É tão evidente assim?

Nunca tive coragem de puxar o assunto, mas... sei que vocês se gostam.

Quando ele sumiu daqui, comecei a desconfiar.

Vocês já fizeram amor?

Muitas vezes?

Muitas.

Sabe o que eu penso sobre isso?

Você e Sérgio nunca assumiram o relacionamento... porque me amavam.

Medo que não fosse entender.

Não saberíamos dizer.

A dúvida é muito pior.

Venho esperando a volta de Sérgio há muito tempo.

Mas eu não entendo.

Venho esperando a chance de vocês ficarem a sós, de irem para a cama, de

realmente o que querem. Mas você não pode.

Só vai haver sentido continuarmos juntos se formos sinceros.

Ele está me jogando em seus braços.

Me leve até o rebelde. Faz tempo que eu não vejo aquele louco maravilhoso.

E ele?

Eles têm muito o que conversar.

Não podemos mais.

Nós amamos, William.

É tudo tão preparado, formal, obrigatório.

É o fim, Lucia.

Não, eu amo você.

Eu te adoro.

Solanas! O vôo sexual das minorias!

O profeta do espírito!

Oi, Ravioli.

Trouxe o livro que você pediu.

Esperanto.

A língua dinamite!

Elas vão aprender.

Adem que é meu fulho.

Oi, beleza.

Oi.

Eu não consigo entender.

As pessoas não são aquilo que eu pensei. A ilha mágica.

Não deve ser entendida.

Esse homem.

Esse homem é um homem puro.

Sabe que a mulher está apaixonada por outro homem.

E larga os dois sozinhos.

Não.

Venha, venha.

É uma crise passageira?

Hipócrita? De consciência?

Não.

Terminou mesmo.

Você está batida, Ana.

Sinceramente, Lúcia, eu imaginava meus conceitos tão avançados.

Mas tudo nessa ilha, para mim, é tão perverso, degradante.

É porque você é uma estranha na ilha.

O paraíso me deprime.

Nós nos conhecemos em Málaga, durante um simpósio.

E eu sempre admirei o William.

Suas teorias, suas ideias.

E eu tive uma surpresa. Porque o William é um homem super normal, sabe?

Tanto que... Sei lá, eu sempre admirei, imaginei assim, um outro tipo de homem.

Mas eu vou dizer, meu amor.

A nossa primeira relação sexual foi um desastre.

E como todo grande caso de amor, nós começamos com um fracasso na cama.

O que eu estranho em vocês é a maneira como vocês comentam as coisas mais

íntimas.

Eu mentiria se dissesse que não me choco.

A ilha é um mistério.

Você aprende a pensar diferente.

Você emprestaria seu carro para mim?

Nós precisamos dar uma volta.

Você jogou sujo.

Você tinha certeza que não ia decepcioná -lo?

Só tentei ser coerente comigo mesmo.

Você é lindo, William.

Não me elogie, não. Não fui tão santo, amor.

Estive com as meninas de Nilo.

Safado. Você dormiu com elas?

Elas são incríveis.

Jovens.

Filho da puta.

Você percebeu que eles saíram para nos deixar a sós?

Eles é que queriam ficar sozinhos.

Amém.

Você tem que estragar tudo!

Preciso começar a agir. Tem gente demais aparecendo por aqui.

Brigitte, olha quem está aí. Quem?

Brigitte! Monique!

Merda pra vocês.

Merda pra vocês.

Que moleque.

Seu velho safado.

O que você quer dessa mala mágica?

Vamos lá.

Vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá,

vamos lá, vamos lá.

Adentra em meu universo.

Está divertido.

E vamos lá.

Lúcio.

Mistério.

Riqueza. Oriente em minha bagagem.

Luzes de Tegucigalpa. Leão da Terra do Fogo.

Calcinhas do Teão.

Dólares falsos de Sanquente.

Uma roupinha da José Paulino.

E o rádio de Martin Borba.

E o gravador dos alquimistas.

Um presente para você, Mila.

A chave do tesouro.

E para vocês, meninas, o revólver que matou Lemir Cochon. A proteção para

no continente.

As fotos.

Os meus artísticos.

Mas isso ninguém compra na ilha.

Não se vende? Vem, papai.

Pela estrada fora eu vou bem sozinho levar esses doces para o

vovozinho.

Partam rápido com a muamboa para San Vicente.

Mas se ele encontrar agora não vai querer sair daqui.

Vou explodir essas rochas.

Vou buscar meu tesouro.

Mas será que isso funciona mesmo?

Então venha comigo. Eu vou explodir um paraíso.

Vamos explodir tudo.

O meu tesouro.

Agora você, passa, passa.

Isso, devagarinho, cuidado, cuidado.

Você também, devagarinho.

Isso, isso, muito bem. Agora eu, agora eu.

Cuidadinho comigo, cuidadinho.

Passei.

perceba. É menos triste.

Um abracinho e despedida.

Filha da puta.

Daqui a sal.

Você mexeu na minha mochila, hein? Eu não.

Então deve ter sido o Nilo. Mas o Nilo sumiu. Ele deve estar explodindo o

ocidente. É, mas um dia a gente volta pra ele. É.

Dava isso.

Merda!

Deu tudo errado.

Tudo errado.

Cuidado que aqui é perigoso, hein?

Vamos dar uma descansada agora?

Ai,

que bom.

Ei! As garotas vão me levar para o continente.

Por que pararam?

Este é o barro que vai nos levar ao continente.

Vocês vão ficar bem quietinhas.

Senão eu mato vocês, o barqueiro e quem estiver lá.

Vai!

Eu não estou brincando, não. Vamos tirar a roupa.

Está aqui essa merda.

Pega aí.

Rápido, rápido.

Me dá logo isso aí.

Essas bandoleiras.

E fiquem bem quietinhas, aí só apago vocês.

O que você vai fazer? Laçar roupa. Cala a boca.

Você me deu 38, você me volta com 32.

Mas eu cumpri a missão.

Você cometeu muitas falhas.

E Macarius não admite erros.

Ana!

São Vicente não precisa mais de você.

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