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Olá, deputado Jair Bolsonaro, iniciamos hoje uma série de pequenos vídeos.
Quando descobri o famigerado kit gay na escola, e sempre falei, não é apenas o
kit gay.
Seu filho de 5, 6 anos de idade vai beber mamadeira na creche com isso aqui.
Faz parte do kit gay para combater a homofobia.
Tem que votar em Bolsonaro, rapaz.
Bolsonaro quer fazer o filho da gente homem e mulher.
A imprensa internacional repercutiu a vitória de Bolsonaro.
Bolsonaro foi chamado de Trump do Trump do Trump.
Você já reparou que a maioria dos documentários são narrados por uma voz
grave, bem masculina?
É como se fosse a voz de Deus?
Bom, esse documentário é narrado pela minha voz.
Eu já recebi ameaças, eu já fui rejeitado, mas, mesmo assim, escolhi
caminho na vida.
Meu pai era o editor da revista Playboy.
Ele me disse que a casa do chefe dele estava cheia de máquina de fliperama e
coelhinhas.
Minha casa vivia sempre cheia de revistas e dos amigos dele.
Ele estava o tempo todo no telefone.
As conversas na mesa do jantar eram sobre o modelo que estaria na capa
mês ou das negociações com o governo militar para decidir o quanto de nudez a
revista poderia mostrar.
Quando eu tinha 10 anos, Ele teve um ataque do coração e morreu.
Eu fiquei muito, mas muito, muito sozinho.
Um dia eu olhei no jardim e reparei no bulbo de uma orquídea.
Brotou uma flor e eu me apaixonei.
Mas as pessoas ao meu redor não entenderam. Queriam sempre me empurrar
jogar futebol.
Ele não joga bola, mas também curte uma paixão muito rara para um garoto de
apenas 12 anos.
Fora da escola ou quando não está jogando bola, ele faz pose de gente
Eu comecei a cultivar orquídea no jardim da minha casa para tentar superar o
luto da morte do meu pai.
Eu estava fascinado com o ciclo de nascimento e renascimento dos bulbos e
flores das orquídeas.
Foi nada difícil cultivar orquídeas em casa?
Olha, não é muito difícil não. Por exemplo, você pega uma que precisa de
umidade, ventilação e calor.
Se você der isso para ela, ela vai te dar flores lindas. A minha história foi
parar na TV e eu comecei a sofrer bullying.
Meu apelido virou Florzinha.
A galera falava que flor era coisa de viado, de menina.
Eu devia estar fazendo coisa de menino.
Você tem ouvido falar em noticiários, jornais, TV, rádio, sobre assassinato de
homossexuais? Já, já sim.
E o que você pensa disso?
Eu acho que tem mais do que assassinar mesmo.
Que matar.
Ah, acho que tá certo.
Você acha certo? Por quê?
O homem nasceu pra ser homem, mas...
Eu comecei a internalizar a cultura tóxica que estava ao meu redor.
Eu imitava os comportamentos machistas e homofóbicos que eu via.
Olhando para trás, eu tenho vergonha da pessoa que eu estava tentando ser para
me encaixar nos padrões macho.
Muitos amigos, principalmente algumas amigas, me mostraram como eu estava
machista. Eu me questionava, me odiava.
Algumas vezes eu só queria morrer.
Quando eu fiz 21 anos, eu tive a oportunidade de estudar cinema na
Um privilégio que me permitiu viver um tipo diferente de vida.
Eu me apaixonei pelo cinema, estudei numa universidade, mas eu tive que
para o Brasil e encarar meus fantasmas.
Naquele mesmo ano de 2002, Eu saí do armário para a minha família.
Essa revelação foi muito inesperada para mim, me pegou de surpresa,
desprevenida, algo que nunca tinha passado pela minha cabeça.
E imediatamente muitos fantasmas vieram à mente.
E eu acho que por causa desses fantasmas eu comecei a chorar.
E tudo que passava pela minha cabeça me dava medo naquele momento.
Tudo isso eu estou lembrando que foi aquele dia do jantar.
Perto dos 30 anos, eu passei a ter algum reconhecimento como cineasta. Eu me
juntei ao ex -presidente Fernando Henrique Cardoso e dirigi um
sobre a descriminalização das drogas, chamado Quebrando o Tabu, onde eu
entrevistei 176 pessoas, sendo sete chefes de Estado, ativistas e vítimas da
guerra às drogas.
O Quebrando o Tabu virou uma plataforma de direitos humanos na internet, com
milhões de seguidores.
Com isso, eu passei a receber ameaças anônimas e outras não tão anônimas
de policiais, fanáticos do sistema direita. E um dia, até a página do
o Tabu foi sequestrada por um hacker.
Mas eu ainda me sentia um pouco escondido.
Até que em 2017, meu namorado, Fernando Siqueira, apontou minha câmera pra mim.
A gente postou um vídeo no YouTube que chamava Você já se sentiu um ET?
Eu comecei aqui mostrando a minha camiseta, que a gente acha muito legal,
to Believe, que tem uns ETs aí, pra falar um pouquinho sobre se sentir um
Eu já fico nervoso de falar na câmera, porque isso é muito novo pra mim,
geralmente eu fico atrás da câmera. Como eu tava contando, a minha casa foi
embora liberada, e enfim, fui meio que criado assim. Vale a pena se assumir, e
que pode acreditar, pode confiar.
É difícil no começo, mas passa.
E depois você se aproxima da sua família, se aproxima dos seus amigos,
fica melhor, você encontra sua felicidade.
A mensagem chegou em muita gente que me escreveu compartilhando suas histórias.
Mas tenho certeza que tem muita gente que nunca me aceitaria.
Nenhum pai tem orgulho de ter um filho gay. Quem fala, fala da boca pra fora.
Seu filho tudo bem da bunda, o senhor nunca.
Não vai mais entrar na minha casa.
Eu postei meu vídeo saindo do armário em 2017.
Recebi convite para escrever em jornal, blog, revista, dar entrevista na TV.
Usei esse espaço para falar de homofobia. O nome Bolsonaro já aparecia
candidato a presidente.
Algumas pessoas ainda enxergavam ele como uma piada. Mas, como eu sou um
gay, e portanto alvo do ódio dele, eu estava bastante preocupado. Eu estou um
pouco de saco de ver colegas nossos dando beijinho na bochecha de futuros
líderes.
que estão aí à beira da presidência. E a gente tem um risco que nem a Alemanha
tinha de vir um Messias. Salvador da Pátria, que Salvador não tem nada.
Uma flor numa mão, uma espada na outra. Porque os que querem a
guerra, os que vão provocar a guerra, os que vão nos chamar para a guerra, estão
aí.
Aí eu comecei a receber ameaças de morte.
Mensagem de ódio que dizia pra eu parar de falar.
Eu senti medo, fiquei apavorado.
Liguei pro FHC, com quem eu tinha feito o Quebrando o Tabu, e ele me pôs em
contato com um advogado que me avisou que setores da polícia e do judiciário
estavam contaminados pelo ódio.
Eu precisava me afastar e ir pra longe.
Resolvi fazer esse filme pra entender como tudo isso tinha começado.
É o Dourado, que fica no Vale do Ribeira, que o Bolsonaro sempre frisa
região mais pobre da rica São Paulo.
Mas ele também, apesar de ser loiro, dos olhos azuis, não era parte da elite da
cidade, né? Então ele está um pouco ali nesse língua.
E isso começa um pouco já a construir esse ressentimento social que ele tem.
Eldorado é uma cidade no Vale do Ribeira, em São Paulo, cercada de
indígenas e comunidades quilombolas.
Os quilombos foram formados por pessoas que resistiram bravamente à escravidão.
Quilombo é uma comunidade que lutou pela sua liberdade.
Ela não aceitou, lutou contra a escravidão. Então ela se libertou
própria organização.
Essas comunidades foram reconhecidas pela Constituição de 1988 e têm proteção
garantida por lei.
A cidade, na cabeça dele, não prospera porque está toda protegida, então você
não pode construir indústria e coisas ao redor porque aquela população está
protegida. O Bolsonaro falou.
Os quilombolas são vagabundos.
Eu fui no quilombola e é o donado paulista.
Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava
7 arrobas.
Bolsonaro tinha nove anos no golpe de 1964, em que os militares receberam
dos Estados Unidos para instaurar a ditadura.
Meu avô era um almirante da Marinha durante a Guerra Fria.
Era uma época em que a paranoia com o comunismo e a homofobia estavam em alta.
Nas duas décadas seguintes, muitos dos oponentes do regime militar foram mortos
ou desapareceram.
Carlos Lamarca era um capitão do exército que ousou se rebelar contra os
superiores em 1969.
Foi perto de Eldorado que Lamarca treinou um grupo de guerrilheiros para a
resistência armada.
Tomem cuidado, que diz que a turma do Lamarca estão vindo aí. Eu, Jair e mais
uns colegas, nós saímos.
A hora que nós estávamos saindo, nós escutamos tiroteios.
O exército, nessa época, faz a maior operação que já tinha feito até então.
Nessa região do Vale do Ribeira, chega a trocar tiros com o Carlos Lamarca, no
centro da cidade.
Chegou uma moça com um tiro na perna, chegou um policial com um tiro no braço.
Foi aí que diz que ele se endereçou pelo militarismo, porque já ele sempre
falava, esses caras têm que morrer mesmo, não adianta.
Eu participei, de forma bastante discreta, tinha 15 anos de idade, na
Lamarco do Bairro Ribeira.
De repente chega tanque, exército, homens pardados com fuzis, Bolsonaro
completamente encantado por aquilo, e assim ele vai parar no exército.
Tem uma coisa muito masculina nesse universo, né?
Militares, armados, caçando um outro homem fugitivo que consegue driblar
eles, né? Um homem inalcançável.
É quase como se ele, na verdade, estivesse apaixonado pelo guerrilheiro,
Pelo insubordinado.
Eu conheci o então tenente Bolsonaro ali em 1978,
79, mais ou menos.
em equipe desportiva. Então é uma fase muito romântica da vida, uma fase muito
boa, onde todo mundo com vinte e poucos anos de idade.
Tudo mudou em 1985, com o fim da ditadura militar, após 21 anos.
Bolsonaro não ficou feliz em servir um regime democrático.
Ali já é a redemocratização, primeiro governo civil do Brasil depois da
militar. E o Bolsonaro decide publicar um artigo assinado, aberto, na revista
Veja, reclamando dos baixos salários.
E uma jornalista da Veja decide procurar o Bolsonaro, já que ele já tinha tido
esse contato com a revista antes. E é quando o Bolsonaro recebe essa
na casa de um outro oficial e ali ela fica sabendo que o Bolsonaro e esse
oficial tinham um plano de colocar uma bomba no banheiro de uma academia
e também numa adutora que abastece o Rio de Janeiro.
Então a revista sai na semana seguinte com um croquis que o Bolsonaro teria
desenhado do plano e a partir desse croquis existe um julgamento do
Isso aí é que desencadeou a sindicato, a inquérito no exército e o
conselho a que ele foi submetido.
Uma centena de punições disciplinares no oficial.
Não chega aos pés de uma só das violações que fez esse capitão Bolsonaro
ponto de vista da ética.
Segundo jornalistas investigativos, a justiça militar chegou a um acordo.
Bolsonaro seria absolvido, mas teria que deixar o exército.
Quando foi em 87, eu estava assistindo o Jornal Nacional e vi a matéria sobre
um... Capitão da Bomba.
E achei interessante a matéria. Achei que o cara era um cara macho.
E que resolveu chamar atenção de uma forma ou de outra.
Essa foi a forma que ele encontrou.
A vida dele acabou ali. A carreira encerrou ali.
Aquele momento foi crucial.
Aí um sargento, velha guarda lá do quartel dele, falou, cara, você pode ter
caminho. A política.
Então o Rio de Janeiro tem o que a gente chama de família militar muito
numerosa. E ele se baseou exatamente nesse público para ser a base eleitoral
dele e depois, posteriormente, da família dele.
Apesar de que eu não lembro de nada concreto que ele tenha produzido nessa
de defesa, de proteção da família militar ou de melhoria de alguns
Eu acabei virando assessor de imprensa dele.
Eu acompanho ele há 32 anos.
Jogando sinuca.
Aqui eu estava junto com ele no dia que eu fui receber. Ah, no dia que nós fomos
parar de 7 de setembro.
A campanha dele era campanha de abaixo de pobre um pouquinho.
Aí foi começando a chamar atenção, chamar atenção.
Capitão Bolsonaro, a crise é de homens.
Fazia aí 10 mil, 20 mil panfletos e distribuía para a galera. A galera não
o que perder, né? Pode que via.
Entendeu? Essa é a primeira matéria.
Entendeu?
Capitão das bombas eleito vereador do Rio de Janeiro.
Porque tudo que a gente fazia de merda, a imprensa não daria. E a gente
distribuía.
Porra, vou pagar imposto pra quê?
Eu sonego mesmo, tudo que eu puder eu sonego. Aí alguém pegou essa frase e
no jornal. Aí a gente pegou, aproveitou ela.
E o cara é muito articulador mesmo.
A imprensa não deu nóis demais.
Quem botou na verdade o Bolsonaro foi a imprensa.
Quem diria? Um deputado fazendo campanha contra o Congresso. Bolsonaro prefere
uma ditadura ao que ele chama de democracia irresponsável.
Não há presidente da República que consiga bem governar esse país com um
Congresso que age com conivência com o próprio Poder Executivo. Até que ponto
parlamentar pode falar o que quer?
Bom, deputado, você vê que a democracia é uma coisa tão boa que dá até espaço
para o professor propor uma volta à ditadura.
Exatamente. Bolsonaro nunca sofreu consequências.
Se você fosse hoje o presidente da república, você fecharia o congresso
nacional? Não há a menor dúvida, daria golpe no mesmo dia.
Nem quando ameaçou matar o presidente FHC.
E fazendo um trabalho que o regime militar não fez, matando os 30 mil.
Começando com o FHC, não deixar pra fora não.
Queria me matar.
Eu não levei muito em consideração, porque ele era pertencial aqui no
O baixo clero, daqueles deputados que não têm peso político maior.
Bolsonaro falava atrocidades e nada acontecia, porque ninguém levava ele a
sério. Ele achava que, por ser deputado, estava acima da lei.
Se defender a família, defender a religião, defender a ética, defender
vergonha na cara é ser homofóbico, pode continuar me acusando de homofóbico, não
tem problema nenhum.
Adoção de criança.
Não tem cabimento.
O que passa a caber de uma criança vendo dois homens se beijarem em casa? Pelo
amor de Deus, não existe isso aí.
Homofobia mata de diversas maneiras. Em 2021, uma pesquisa mostrou que 45 % dos
jovens LGBTQ consideraram seriamente o suicídio.
Sim, eu perdi um amigo assim, que eu sabia que era gay, que nunca se assumiu,
que nunca é nada e um dia se matou.
Toda vez que eu vejo uma foto dele, eu fico com muita saudade, eu fico com
pena. E querendo ter podido gravar esse vídeo muitos anos antes, eu postei esse
passo com ele.
Depois que eu postei esse vídeo, a família desse amigo me procurou.
Eu nunca mencionei o nome dele, mas eles sabiam de quem eu estava falando.
Eles não sabiam porque meu amigo tinha se matado.
Eles comentaram que meu amigo tinha sido criado em um ambiente homofóbico e
religioso.
Eu também fui criado em ambiente religioso.
Metade da minha família é judia e a outra metade é católica.
Eu admiro e respeito muito o senso de comunidade e caridade dessas religiões.
Mas segundo a Torá e a Bíblia, gays como eu são uma abominação e não deveriam
existir.
Alguns religiosos dizem que ser gay não é uma coisa natural, mas eles ignoram
que relações entre o mesmo sexo também acontecem no reino animal, em diversas
espécies.
Deus é amor, não é ódio.
Eu tenho minha própria espiritualidade, não preciso de intermediário entre eu e
Deus.
Bolsonaro procurou intermediários para fazer parcerias políticas.
Qual o nome do nosso líder?
Bolsonaro!
Bolsonaro se identifica como católico, mas foi batizado no Rio Jordão por um
pastor evangélico.
O rio é poluído por conta do esgoto despejado ali.
E o pastor que batizou Bolsonaro foi detido, acusado de corrupção.
No Congresso, Bolsonaro foi abraçado pela bancada evangélica, que tem entre
seus líderes o pastor Marco Feliciano.
A bancada evangélica é contra o aborto.
inclusive em casos de estupro, como recentemente aconteceu com uma menina
-adolescente.
Quanto à vida particular, ele não tem nada a ver com isso.
Está completamente em desacordo com o que é a sociedade.
A nossa missão aqui é legislar para a maioria e não para a minoria.
Jean Wyllys, que é abertamente gay, foi eleito deputado em 2010, quando
Bolsonaro e seu discurso homofóbico já completavam duas décadas no Congresso.
Jean foi logo atacado por Bolsonaro.
A primeira vez que eu encontrei com ele foi na Câmara dos Deputados, eu tinha
acabado de me eleger. E desde o meu primeiro pronunciamento, esse sujeito
começou a dirigir contra mim insultos, começou a me assediar moralmente.
Eu estou me especializando na questão homo, até para abrir a cabeça desse
pessoal que estão sendo usados.
No projeto de poder.
No Brasil morre -se homossexual como moscas praticamente.
São mais de 300 homossexuais mortos por ano.
Homossexuais e transexuais motivados por homofobia e transfobia.
Há pessoas pregando estupro corretivo de lésbicas aqui.
Páginas na internet ligadas a parlamentares fascistas e também
Você não sabe o que fala, você fala pelo local, você usa papel higiênico para
limpar o ovo. Você não vai me intimidar aqui, não vai.
Não existe uma história minha com Bolsonaro, existe uma história de
que percebe que a homofobia é um nicho para ele ampliar as relações
eleitorais dele.
Está escrito na Bíblia que homens que se deitam com outros homens são uma
abominação e devem morrer.
Mas também está na Bíblia que você não pode cortar sua barba e que se você casa
de novo, você está cometendo adultério.
Em 2013, Bolsonaro se casou com sua terceira mulher, Michele.
O casamento deles foi celebrado pelo pastor Silas Malafaia.
Autoridade é mais forte do que os laços das suas famílias.
A fortaleza das suas famílias dependem das relações
heterossexuais.
Malafaia ganha vida promovendo a homofobia e pregando contra o aborto.
Isso é uma tática para desviar a atenção.
Quando você aponta um dedo para alguém, outros três dedos apontam para você.
Isso é uma estratégia diversionista.
Você vai oferecer um aluguel seu, um aluguel. Por exemplo, eu pago 500
reais de aluguel. Eu vou oferecer uma semente de um aluguel para que o senhor
possa abrir a porta para eu ter a minha casa própria.
Jesus tinha uma mensagem de amor e aceitação e algumas ideias provocativas.
Não foi ele que disse uma vez que é mais fácil um camelo passar pelo furo de uma
agulha do que um rico entrar no reino de Deus?
As igrejas são, antes de tudo, empresas que gozam de imunidade fiscal.
Então, eles se tornaram forças econômicas, compraram parques gráficos,
de comunicação na internet, compraram horário na TV, se organizaram como força
política, tomaram estruturas públicas.
De que forma se acaba com a pobreza?
A gente abençoando aqueles a quem Deus deu condições de crescimento como
empresário.
Tem pastores que conseguiram ficar ricos, mas ficaram ricos por causa do
deles. Eles apresentaram um produto e o produto funcionou.
Na sociedade tem uma diversidade entre evangélicos que é muito maior do que a
diversidade que existe entre os deputados evangélicos eleitos. Porque eu
que aqueles evangélicos que melhor se organizam para eleger gente é de um
segmento mais conservador.
Normalmente a palavra pastor é ligada a um homem conservador.
Não é o caso da pastora Eliade Dias.
Eu estou pensando por que um pastor tem coragem de ficar pedindo dinheiro de uma
pessoa que está recebendo 350 reais e que não tem nada.
E aí você vai precisar ver esse pastor, ele tem avião, ele tem piscina, ele
tem um monte de coisas que em nada edificam a fé que ele
promove.
Em 1995,
o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, foi flagrado ensinando
podem ser lidas como bem masculinas para arrecadar dinheiro dos fiéis.
Esse vídeo circulou em cadeia nacional.
Edir Macedo continua bastante popular.
Em outro vídeo, o bispo aparece
dividindo pilhas de dinheiro do dízimo dos fiéis.
Edir Macedo tem quase um bilhão de dólares, de acordo com a revista Forbes.
O apoio dos evangélicos foi crucial para a eleição de Bolsonaro.
Assim como foi crucial o uso eficaz das redes sociais.
Por anos, o Bolsonaro era pouco conhecido pela massa.
Até que ele aprendeu que poderia usar as redes sociais e as fake news para
ganhar apoio.
E ele fez isso de uma maneira muito eficiente.
Eu venho falando desde 2010, quando descobri o famigerado kit gay na escola.
E sempre falei, não é apenas o kit gay.
Ao mesmo tempo que nós tínhamos que desconstruí -lo, mostrando quem ele era,
ele já tinha uma artilharia muito forte para mentir sobre nós.
Eles inventaram todo tipo de coisa.
Um guia para crianças, entre outras coisas. Por exemplo,
um menino pode gostar de outro menino e uma menina pode gostar de outra menina?
Está na cara que para o historiador, isso é normal.
Imagina uma loucura, ela circulou.
A campanha foi inundada de fake news em uma escala sem precedentes no Brasil,
assim como aconteceu nas últimas eleições dos Estados Unidos. A campanha
bolsonarista focou no digital, já que a falta de regulamentação e controle na
internet deixou o caminho livre para dizer e fazer o que eles quisessem.
Está comprovado que notícias negativas, fake news e mensagens de ódio têm mais
engajamento nas redes sociais do que as notícias positivas e verdadeiras.
A mensagem de hipermasculinidade do Bolsonaro viralizou.
Ele e seus seguidores passaram a perseguir vozes dissonantes que
atrocidades. Tem uma predileção por atacar mais repórteres mulheres do que
repórteres homens. Então tem um sexismo aí também.
Ela queria um furo. Ela queria dar um furo.
A jornalista Patrícia Campos Mello descobriu que a campanha de Bolsonaro
contratou empresas para o disparo em massa de fake news no WhatsApp.
Patrícia é uma jornalista premiada que dá entrevistas para o mundo todo.
Em 2018, o ex -presidente Lula liderava as pesquisas contra Bolsonaro.
Apesar de várias acusações, Lula continuava a ser uma figura forte na
Ele foi acusado de corrupção, condenado e preso por quase dois anos.
Bolsonaro foi quem mais se beneficiou da decisão do juiz Sérgio Moro, que,
coincidentemente, virou seu ministro da Justiça.
Em 2021, o julgamento de Lula foi anulado depois que o STF considerou que
houve imparcialidade na decisão de Sérgio Moro.
Como se sabe, ao mês das eleições, rodeado de seus fãs, Bolsonaro levou uma
facada num comício em juízo de fora por um homem que depois foi preso e
diagnosticado com problemas mentais.
O candidato ficou hospitalizado por três semanas e não participou dos principais
debates presidenciais.
Mas mesmo internado, ele continuou fazendo live para os seus apoiadores.
O que está em jogo não é o meu futuro.
Vivemos um momento que vai estar em jogo, que é o futuro de duzentos e
milhões de brasileiros.
O atentado acabou sendo usado por Bolsonaro para se projetar como uma
messiânica, com a missão de salvar o Brasil.
Para os seus apoiadores, ele virou um mito. Mas esqueceram que mito, em
português, também quer dizer mentira.
A eleição de Bolsonaro foi um soco no estômago.
Daqueles momentos que você só entende quando vive, um medo de ser eliminado
ser diferente do que alguns consideram normal.
Ser gay e sofrer abuso são coisas que andam de mãos dadas.
Eu sei do que eu estou falando.
Aos 14 anos eu fui estuprado.
Com 17, fui forçado a perder minha virgindade com uma coelhinha da Playboy.
Aos 18, sofri assédio sexual.
Aos 20, fui sequestrado por um garoto de programa.
E aos 28, fui estuprado outra vez.
Mas o desejo é algo imperativo, o desejo é algo que se impõe.
Então, eles passam a ter essa relação conflituosa.
Essa é uma forma da homofobia agir por dentro.
A homofobia desidentifica, gera uma relação envergonhada, um ódio de si.
E, portanto, esse ódio se projeta sobre aqueles que têm orgulho dessa
identidade. Uma pessoa que tem uma relação envergonhada... com a sua
homossexualidade, vai ter ódio de quem tem uma relação orgulhosa com essa
identidade, uma relação afirmativa dessa identidade.
Pessoas LGBTQ são atacadas com frequência por políticos conservadores.
Mas,
muitas vezes, relacionamentos homossexuais
desses mesmos políticos vêm à tona.
Nem todo homopóbico é secretamente gay.
Mas quando os desejos são reprimidos, eles podem voltar com mais violência.
Existem relatos de homens que foram espancados depois de sair com outros
supostamente heterossexuais que ficaram agressivos depois de realizar seus
desejos.
O Brasil é o país que mais assassina pessoas trans e, de acordo com o
um dos países que mais consome pornografia trans.
Masculinidade tóxica pode matar.
E se manifesta de diferentes maneiras.
Vamos falar de uma que é primitiva.
Tenho três cachorros.
Esse é o Dog, que nos protege sempre contra esquilos.
Ele é um macho alfa.
Quando a gente leva ele para passear, ele faz isso em todos os lugares para
marcar território.
Quando ele ganha um osso, ele fica agressivo.
Confisca o osso dos outros.
E se eu tentar pegar de volta?
Esse instinto de dominação não é legal.
Mas Dog é apenas um cachorro.
E não um homo sapiens.
Quando eu olho para muitos políticos aí do mundo, eu penso que a ideia que eles
têm de masculinidade não é muito diferente daquela do meu cachorro.
Masculinidade não precisa ser tóxica. Mas a obsessão pela masculinidade e sua
associação ao poder está em todo lugar na política.
Um exemplo, quando um jornalista perguntou ao ex -presidente dos Estados
Lyndon Johnson, por que os Estados Unidos estavam lutando no Vietnã, Ele
zíper da calça e tirou seu pênis para fora. É por isso, disse ele balançando o
membro, que ele notoriamente chamava de jumbo.
Eu não estou aqui para atacar a masculinidade.
Afinal, eu sou um homem gay.
Quando eu era criança, eu escutava que eu tinha que transar com várias meninas,
mas que eu deveria ficar longe das meninas que saiam com vários caras.
Eu escutei que homem tem que ser duro, homem não chora, homem tem que ser
homem tem que ser poderoso, homem domina, homem é garanhão.
Homens poderosos querem ter prazer infinito.
Os franceses têm até uma palavra para isso.
Tudo para que eles possam construir seus arranha -céus, empresa, portfólio,
jatinho, barco.
É o prazer sem limite para os mais fortes, as custas dos mais fracos, que
tem jeito.
Quanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de
imprensa, porque só fala de Covid, e passando a boiada, e mudando todo o
regramento. Tudo que ele pensa é em lucro, e esses lucros
é destruindo o meio ambiente.
A Amazônia é a maior floresta e um dos lugares com maior biodiversidade do
mundo.
A floresta regula os ciclos de chuva e contém 20 % de toda a água fresca
corrente do mundo.
Ela mantém o planeta mais frio porque ela armazena carbono.
A floresta é a casa da população indígena.
Os indígenas estão sendo exterminados desde que os europeus chegaram nas
Américas.
práticas, pensamentos.
As pessoas se sentem muito à vontade para se declarar. Acham até
bonito se declarar machista, se declarar racista.
Os portugueses invadiram a terra, cortaram o pau -brasil, escravizaram,
estupraram e expulsaram as populações indígenas.
Roubaram ouro e roubaram as terras.
Posteriormente, leis foram criadas para proteger a floresta.
Mas essa mentalidade colonial perdia.
Os ladrões de terra no Brasil ganharam o nome de grileiro, porque antigamente
colocavam documentos falsificados em caixas cheias de grilo para que eles
parecessem envelhecidos.
Terras são ocupadas, árvores são cortadas, florestas são destruídas,
espaço para a plantação de soja, criação de gado e mina de ouro.
Deputados recebem doações e anistiam os invasores.
Os indígenas, comunidades ribeirinhas e ativistas resistem. Os ameaçadores
nossos, eles só falaram assim, mandaram recado para mim.
Falaram assim, agora o Bolsonaro ganhou.
Agora eu quero ver você denunciar nós.
O interesse na Amazônia não é no índio nem na porra da árvore. É no minério.
O presidente está sempre falando em mineração e ele não fala em mineração de
empresa grande de mineração. Ele fala no garimpo.
O meu pai era detido da prática e já foi garimpeiro. O garimpo, de vez em
quando, não pratica ainda.
Pega uma bateia e dá uma bateada no rio por aí.
Não causa nenhum crime ao meio ambiente.
O que é legalizar o garimpo? É um projeto.
E de modo que se criem regras para o pobre garimpeiro que está lá.
As dragas procuram o ouro, sugam o leito do rio e cospem uma lama intoxicada de
mercúrio.
Isso, além de poluir a água, torna a região inabitável.
Com os peixes e rios intoxicados, as comunidades ribeirinhas ficam sem água e
sem comida.
E todo esse veneno também pode levar a doenças como câncer e aborto espontâneo.
Garimpeiros ilegais costumam invadir reservas indígenas com violência.
O ouro vai para o exterior, mas o mercúrio fica envenenando o rio. A
contaminação da água e dos peixes... afeta povos indígenas como os
A base de tudo na sobrevivência é o tapajós. Então sem o tapajós não existe
povo munduruku.
O tapajós hoje está sendo explorado sem consciência, com
garimpo.
Então o rio está contaminado, que é onde a gente não pode consumir mais a água
do Tapajós.
O peixe está também contaminado com mercúrio aqui no nosso território.
Jovem, o Ministério Público pede o fechamento de todos os garibos da
para o juiz Sanderol.
ele está paralisando uma economia de quase 50 bilhões de reais, que é o que
mantém até nossas prostitutas.
Quando Bolsonaro começou a deixar a boiada passar na Amazônia, defensores da
floresta tiveram que agir rápido.
Indígenas, ambientalistas, comunidades ribeirinhas e ONGs se uniram para tentar
conter os matamentos.
Quando a floresta começou a queimar em 2019, Bolsonaro acusou esses ativistas
terem provocado os incêndios para chamar atenção.
Uma ONG contratou, pagou 70 mil reais por fotografia de queimar. Então o
ali da ONG, o que eles fizeram? O que é mais fácil? Toca fogo no mato.
Tira foto, filma, manda para a ONG.
A ONG divulga aquilo, faz uma campanha contra o Brasil, daí entra em contato
o Leonardo DiCaprio.
Então o Leonardo DiCaprio doa 500 mil dólares para essa ONG.
Uma parte foi para o pessoal que estava tocando fogo.
Leonardo DiCaprio, você está colaborando com a queimada na Amazônia, você não
dá.
Logo, eles passaram a ser atacados de diversas formas, até com fake news.
Ao longo dos anos, a gente passou a se tornar quase que uma autoridade
ambiental. Um incêndio, seja de pequenas proporções, seja de grandes proporções,
abrigada. é que estava ali pronta para atender.
Eu acordei, como sempre, cedo e fui surpreendido com oito, nove homens
com metralhadoras, policiais, civis.
Num dado momento, foi também anunciado que a gente tinha um mandato de prisão
para a gente. E a gente foi levado, então, para a delegacia.
Os brigadistas só foram soltos depois que o caso veio à tona.
Ainda assim, muita gente ainda aponta o dedo para pessoas como essas que estão
ali para ajudar a salvar o meio ambiente.
Encorajados pelo presidente e sabendo que não enfrentariam consequências, os
grileiros tornaram -se ainda mais violentos.
Bruno Pereira trabalhava na FUNAI, órgão do governo encarregado de garantir os
direitos dos indígenas.
Ele foi expulso após Bolsonaro assumir o cargo, mas continuou trabalhando para
proteger a floresta.
Ele e o jornalista Dom Filipes foram assassinados em uma expedição para
denunciar a pesca ilegal na reserva indígena do Vale do Javari.
Eles foram encontrados mortos, esquartejados e queimados.
As falas do Bolsonaro contribuíram muito para que aumentasse a violência na
Amazônia.
Mas, como todo homem poderoso, ele nega qualquer responsabilidade.
Os dois resolveram entrar numa área completamente inóspita, sozinho,
sem segurança.
E aconteceu o problema. Desde o primeiro dia, domingo retrasado, estão buscando
essas pessoas lá na região.
Desde que Bolsonaro chegou ao poder, as lideranças indígenas têm protestado em
Brasília.
Eles marcharam até a capital.
montaram um acampamento na frente do Congresso e defenderam o planeta.
A gente sai das nossas casas com dois ou três ônibus, a gente quer ir com todos
eles juntos, caminhando juntos.
A gente não sai dividindo ninguém, a gente sempre caminha juntos.
Porque a gente não é de recuar, a gente não é de ficar parada e não pensar.
A gente é de instruir, que querem nos silenciar, querem nos calar, mas não vão
nos calar. A gente vai mostrar assim nossa pintura, nosso cântico, é isso que
nos envolve, é isso que nos envolve quando a gente está cantando, quando a
gente está dançando, quando a gente está rindo.
Isso que eles odeiam é porque a saliva deles são de ódio, de mentira. E nossa
não, é vida, é verdadeira.
Quem está matando é a... falta de responsabilidade. Quem está matando é o
próprio governo.
A gente se acha muito superior a outros seres, a outros espíritos, a nossas
divindades, né?
Independente da religião, a gente acha que podemos comandar tudo, a gente tem
todo um controle, né?
Mas quando a gente tem um retorno da natureza, a gente percebe que, enfim, a
gente não somos nada.
Quer dizer, então, aí você pega o idiota que chega e fala assim, vamos parar
isso. Vamos parar como?
Ninguém para ouro depois que sai do chão.
Isso não existe.
Uma mina depois do dentro, acabou.
Vai pra frente.
Comodities como ouro, madeira e soja vão viajando pelas cadeias de suprimento
até o consumidor.
Uma empresa compra da outra, que compra da outra, que compra da outra.
Todo mundo sofre pressão do dinheiro por resultado.
Pressão para que o preço das ações não caia.
Os homens no topo se distanciam de quem está na linha de frente do crime.
Bolsonaro é um garantidor dessas práticas.
Cada uma dessas políticas é baseada em destruir ao invés de construir.
Semana que vem vamos baixar mais três decretos sobre armas.
Você, produtor rural, independente de mim, vai ter isso aqui também.
Arma mata, água mata, chega em cinco minutos com a pedra no fundo da piscina,
se você não vai morrer.
Arma mata, mata, carro também mata, o médico também pode matar.
Desde 2017, o número de armas de fogo registradas no Brasil triplicou.
São quase 2 milhões de armas nas mãos dos cidadãos.
Será que ter uma arma faz com que muita gente sinta
mais homem?
Não confunda masculinidade tóxica com masculinidade catastrófica, que provoca
danos em larga escala no país, no continente, no planeta.
Geralmente, às custas dos menos privilegiados.
Os fabricantes de armas ganham a vida alimentando o medo.
Sem inimigos, as vendas caem.
Mais inimigos, mais medo, mais lucro.
Essas companhias financiam políticos para fabricar inimigos.
Bodes expiatórios, gays, imigrantes, dependentes.
Quanto menos segura a população se sente, maior é o lucro da indústria de
É a raiz da chamada guerra às drogas, que promove o encarceramento em massa de
usuários de drogas detidos por posse de pequenas comunidades, pessoas que
precisam de tratamento de saúde e não de punição criminal.
Por quatro anos eu ajudei a reativar um grupo de teatro na prisão de segurança
máxima Adriano Marre.
A grande maioria lá não teve os mesmos privilégios que eu tive.
A prisão é um ambiente homofóbico, nenhum detento pode ser abertamente gay.
E foi um grande tabu para alguns interpretarem um personagem gay.
A empatia foi construída através de um exercício em que os detentos se
alternavam nos papéis de oprimido e opressor.
Eu vi que, com paciência e informação, as pessoas podem mudar a sua maneira de
pensar. Mas aqueles que lucram com prisões e a indústria das armas querem
pessoas sejam reabilitadas?
Bolsonaro seguiu o roteiro de outros políticos financiados pela indústria das
armas que acreditam que a melhor forma de reduzir a violência é na bala.
Bolsonaro desviou a atenção
dos seus próprios escândalos de corrupção.
Não é surpresa para ninguém que ele tenha tido influência da indústria
amamentícia ao longo da sua carreira política.
Na presidência, Bolsonaro publicou decretos que ampliam o acesso às armas
dos países com o maior nível de violência armada do mundo, o Brasil.
A influência da NRA, a Associação Nacional de Rifle dos Estados Unidos,
longe da vista dos brasileiros.
A comunidade do Jacarezinho tem mais de 60 mil moradores.
Para vencer o que chamam de guerra às drogas, a polícia vive invadindo a
comunidade.
Em maio de 2021, essa invasão resultou em um massacre.
dos que foram mortos, já estavam rendidos.
Já estavam rendidos.
Teve vários casos, um deles foi notório, público, em que uma menina de 8 anos
presenciou o policial trazendo o rapaz para ser executado
na frente dela e da mãe.
Que quando eu cheguei nessa casa...
Eu não entendi porque a mãe estava daquele jeito. Ela não falava, ela
tempo todo boquinha aberta.
Com as miolas do seu filho ali no chão, ao lado da filha de oito anos de idade.
A polícia diz que os mortos eram criminosos e perigosos, mesmo que essas
nunca tenham sido julgadas.
Já quem comete crime de colarinho branco e desvia dinheiro público, Nunca é
considerado perigoso. Às vezes acaba no Congresso até.
Você consegue imaginar a polícia matando 27 pessoas na Paria Lima?
A cada 23 minutos, uma pessoa
negra é morta no Brasil.
Um ano após o massacre, a comunidade construiu um santuário em homenagem aos
mortos.
Mas a polícia destruiu.
Na ditadura, esquadrões da morte assassinaram pessoas que resistiam ao
Esses grupos são a raiz das milícias que hoje dominam as comunidades no Rio.
Máfias de grupos paramilitares, muitos sendo policiais e ex -policiais. Eles
cobram proteção.
drogas, serviços básicos e até traficam animais silvestres.
Inevitavelmente, eles se infiltraram na política.
As pessoas vinham aqui na minha casa para pedir proteção
por tudo que a bandidagem fazia na região.
Jerominho nos deu essa entrevista para apoiar a candidatura da sua filha como
vereadora do Rio.
Ele alegou que é inocente.
Meses depois, foi executado.
Lá no faroeste, tu lembra daqueles filmes do faroeste? Que os americanos
fizeram muito bem?
Eles contratavam um xerife às vezes, uns caras que viviam a margem da lei, mas
que para eles resultavam bem.
Então a mentalidade da população sempre foi essa.
de colocar homens bravos para resolver a solução de segurança.
Essa cultura machista leva alguns homens a acreditarem que são super -heróis.
A milícia conhecida como Liga da Justiça age há oito anos em Campo Grande, na
zona oeste do Rio, e domina três favelas. Eles são acusados de 80
A família Bolsonaro tem conexão com ao menos um líder da milícia carioca.
O ex -capitão da PM, Adriano da Nobre.
A mãe e a ex -mulher de Adriano foram funcionárias do gabinete do então
Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio.
O ex -policial chegou a ser homenageado por Flávio em 2005, quando cumpria pena
por homicídio. Em 2020, Adriano foi assassinado, provavelmente numa queima
arquivo. Bolsonaro sempre defendeu as milícias e os esquadrões da morte de
clandestinos. Em uma entrevista para a BBC, ele defendeu a legalização dos
militos.
Até hoje, inclusive, eu não sei o que ele quer dizer com legalização dos
militos, porque eu nunca vi nenhum deputado do extremo direito italiano
a legalização da máfia, como ele sempre defendeu o grupo de extermínio.
E seus companheiros da Bahia, que agora há pouco viram um parlamentar criticar
aqui os grupos de extermínios?
Enquanto o Estado tiver coragem para adotar a pena de morte, esses grupos de
extermínio, no meu entender, são muito bem -vindos. E se não tiver espaço na
Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o apoio.
Você tem que pensar, tem gente que é favorável à milícia, porque a maneira
eles têm de se ver livre da violência, naquela região onde a milícia é paga,
tem violência.
Nenhum político entra em qualquer comunidade do Rio sem...
um acordo prévio com quem está no local, entendeu?
Não exige essa possibilidade.
Comunidade X, candidato tal é bem visto, ele vai entrar, vai fazer a campanha
dele, vai tirar as fotos dele, entendeu?
Candidato não é bem visto, ele vem passando a porta.
Quando eu investiguei as milícias da CPI, foi no ano de 2008, um pouco antes,
milícia indicava os delegados daquela região onde eles atuavam, Os delegados
Polícia Civil eram delegados indicados pela milícia. O chefe da PM daquele
batalhão era indicado da milícia. Então não é um Estado paralelo, é um Estado.
Ele pediu o nosso material, falou, não pode confetar aqui, levanta uma arma, no
meio de uma embarcação pública.
E aí eu fiquei um pouco nervosa, já era vereadora, candidata, deputada federal,
falei, gente, calma, arma mata, vamos todo mundo se acalmar.
E aí ele gritava insistentemente, o policial, ideologia mata mais, ideologia
mata mais.
O Rio de Janeiro hoje é um estado em que um terço da população está vivendo
sobre áreas dominadas por milícias.
Cada vez mais as milícias estão também expressando um ódio de um Brasil
escravocrata, de um Brasil patriarcal.
E os alvos de Bolsonaro são aqueles que historicamente estão à margem, né?
Marielle Franco aparece como resultado de um enorme movimento de resistência
negra no Brasil.
Fazer essa disputa é fazer essa disputa pelo campo de gênero. É fazer pela
centralidade das mulheres.
É fazer olhando...
Por exemplo, como que essa violência nos adoece? Quais são as mães que estão
hoje preocupadas se o filho saiu para o trabalho ou não?
Mulher, negra, favelada, mãe, mãe de adolescente, com uma companheira, com um
debate sobre sexualidade, com as referências nessa cidade que quer falar
urbana e ainda fala de direitos humanos, gente!
Desafio nas estatísticas.
Marielle foi eleita vereadora em 2016.
Uma das suas plataformas era o combate às execuções sumárias de inocentes pela
milícia e polícia. Ela era uma defensora dos direitos humanos.
Por dia, são 12 mulheres assassinadas no Brasil.
O último dado que a gente tem no Estado do Rio de Janeiro, figuram de 13
estupros por dia.
Essa é a... em relação com a violência contra as mulheres.
A gente tem um senhor que está defendendo a ditadura e falando alguma
contrária a isso.
Não aturo o interrompimento dos vereadores desta casa.
Não aturarei de um cidadão que vem aqui e não sabe ouvir a posição de uma mulher
eleita. Presidente da Comissão da Mulher Nesta Casa.
Brasil é um país onde o jovem negro morre com farda ou sem farda. Duas
que andavam na região dos Lagos e Rio das Ostras de mãos dadas foi violentada.
Isso não pode existir. E à medida que vereadores da cidade do Rio de Janeiro,
pleno século XXI, não respeitam a liberdade de mulheres amar umas às
isso sim, para mim, é LGBTfobia.
E foi um mandato muito forte, ela sabia conversar, ela sabia dialogar, ela não
entrava em briga errada, ela tinha cálculo político, ela tinha cabeça
A Mari era um grande quadro, assim, emergente, assim, um ano de mandato, né?
Aí até que veio a...
Era uma quarta -feira, eu estava sentado com o Antônio no quarto, e ele começa a
tocar meu telefone. Eu já atendi o telefone, ele falou assim, o carro da
Marielle foi baleado.
Eu falei, cadê a Marielle? Marielle está no carro.
Quando ele falou, Marielle está no carro, aí eu parei, gelei,
falei, Marielle foi baleada, ela está morta?
Aí ele falou, tá.
Marielle, assim como Malcolm X e Martin Luther King, lutou contra o racismo e
foi assassinada.
O deputado estadual Marcelo Freixo, que trabalhou 10 anos com Marielle, fez um
apelo emocionado por justiça. A gente quer isso de qualquer maneira apurado o
mais rápido possível. Uma pessoa cheia de vida, cheia de gás, uma pessoa
fundamental para o Rio de Janeiro, brutalmente assassinada.
Líderes do mundo todo lamentaram a morte de Marielle e refletiram sobre o seu
legado.
Tudo naquele espaço era mais difícil para ela, porque era uma mulher preta,
favelada, num relacionamento lésbico, que estava aí com isso tudo colocado no
púlpito, no plenário.
Então, ela sofria todos os tipos de preconceito que isso está colocado, esse
colocado dentro de uma casa fundamentalista, misógina, racista,
trazer. Até então, a gente não entendia que no Rio de Janeiro existia um grupo
político capaz de matar para fazer política.
E a execução da Marielle mostra para a sociedade isso. A democracia brasileira
tem que saber isso.
Isso é fundamental.
Eu não tenho dúvida que tem relação com a milícia. Aliás, nem a polícia e nem o
Ministério Público.
Foi a milícia que matou a Marielle. Isso eu digo.
Mesmo antes da investigação ser concluída.
Foi a milícia que matou a Marielle.
Interrogatório do senhor Rony Lessa.
O senhor sabe qual é a acusação que pede a conta do senhor?
Sei, senhor.
Um dos acusados de matar Marielle é o policial militar aposentado Rony Lopes.
Um dos acusados do crime apontava como mandante do assassinato o delegado
Rivaldo Barbosa, responsável pela investigação do caso, o conselheiro do
Tribunal de Contas do Rio, Domingos Brazão, e seu irmão, o deputado federal
Chiquinho Brazão.
A resposta dos setores bolsonaristas e conservadores foi matar Marielle de
O que foi um candidato a governador, depois eleito governador, candidato a
deputado estadual e outro candidato a deputado federal quebrarem uma placa
homenageando uma mulher executada.
Mas eu acho que literalmente as fake news caminharam junto com o racismo que
Mari sofreu.
Então, ter a mina com 5 tiros na cabeça, 13 tiros no corpo, 21 tiros no carro,
ao mesmo tempo que...
Era piadinhas e memes.
...de fake news e mentiras sobre a Marielle, né?
Vindas de pessoas ligadas à família Bolsonaro. Um dos melhores de fake news
mentiras sobre a Marielle, né?
Vindas de pessoas ligadas à família Bolsonaro. Um dos melhores amigos no
parlamento do Bolsonaro foi um dos que espalhou as mentiras de que ela tinha
ligação com o tráfico de drogas, que ela foi morta por traficantes.
Quando eu falo que caminha junto com o racismo, é que ninguém nunca aceitou que
a Mari fosse família preta da Maré.
que chegasse ali naquele lugar e chegou com a classe que ela chegou, fazendo
tudo o que ela fez, com mais de 17 projetos apresentados e alguns aprovados
apenas um ano e três meses de mandato. Então isso para eles, para quem estava
poder ou para quem mandou matá -la, era inadmissível.
Eu perdi uma companheira de luta.
Nós estamos aos pedaços agora, mas a gente vai se juntar e a gente não vai
esquecer.
As ideias são a prova de bala.
A partir daí, deu passo, então, a ser sistematicamente atacado por muitas
ameaças de morte que agora não vinham mais só dos fóruns na deep web.
Quando eu vejo Jean Wyllys e Marielle, vejo líderes reais lutando por um mundo
melhor.
Eu não me senti tão corajoso quanto eles, então decidi ir morar na
A decisão aconteceu junto com a vitória de Bolsonaro em 2018.
Depois de me mudar,
eu identifiquei nos Estados Unidos muitas das coisas terríveis que também
assombravam no Brasil.
Em Los Angeles, eu vi policiais com a bandeira LGBTQ estampada no peito, ao
mesmo tempo em que tinha em outros bairros desfiles de supremacistas
pintavam suásticas na parede.
Privilégio vem com responsabilidade.
Viver na Califórnia me deu a oportunidade de fazer um filme como
Meu sonho de juventude virou realidade.
Depois de dois anos editando o material bruto desse filme, eu fiquei exausto e
entrei em colapso.
Meu marido, o Fê, assumiu o filme, trazendo a leveza que eu estava
Aqui não dá para cultivar orquídeas, mas eu encontrei uma nova paixão, fazer
música com o Fê. Uma forma de se limpar.
Do mergulho no escuro que foi fazer esse filme.
Descobri que a Califórnia é o lar de muitas pessoas LGBTQ do mundo todo.
Pessoas que deixaram suas casas e às vezes famílias abusivas em busca de um
lugar seguro, já que não podiam ser elas mesmas onde elas viviam.
A gente sente muita saudade do Brasil, das nossas famílias, da nossa comida.
Bolsonaro se candidatou à reeleição com chances reais de vitória.
A ampla coalizão se formou ao redor de Lula como candidato, unindo líderes de
diversos setores como banqueiros, antigos rivais, ativistas sociais, entre
outros. Essa não é uma eleição normal.
Essa é a eleição mais importante desde o fim da ditadura militar no nosso país.
O que está em jogo não são dois candidatos, dois projetos, pura e
Estamos muito diferentes em muitos pontos.
Mas há algo muito maior que nos uniu. O amor pelo nosso país, pelo nosso povo,
pela democracia.
Conforme a luta contra o fascismo no Brasil se espalhava, a imprensa
como os algoritmos das redes sociais mais uma vez beneficiavam a
políticos de extrema -direita.
Esse filme devia acabar aqui.
Mas de longe, a gente se sentiu muito angustiado.
Decidimos lançar o filme inacabado, do jeito que estava.
Colocamos ele de graça na internet, com todas as suas imperfeições, para poder
contribuir com o debate.
Mesmo que fosse só uma gota em um oceano de ações contra o autoritarismo.
Cruzamos os dedos.
O filme ficou disponível por um mês e foi visto por mais de um milhão de
pessoas. A gente recebeu muitas mensagens de policiais a pessoas comuns,
religiosos, ateus, todos abertos a ver o filme.
O filme quebrando
mitos, a frágil e catastrófica masculinidade de Bolsonaro bate recorde
visualizações no YouTube, plataforma onde foi lançado.
Foi uma surpresa quando o Eduardo Bolsonaro o filho do presidente,
provocar em um tweet sobre como meu filme era a prova da virilidade do pai
Conforme a eleição se aproximava, as incertezas e a violência tomaram conta.
Aconteceram vários incidentes.
Um homem fazendo aniversário com o tema de Lula foi assassinado na sua própria
festa. A sede de um diretório do PT foi alvo de tiros.
Carla Zambelli, aliada do presidente, perseguiu armada um homem negro que ela
acusava de tê -lo agredido, o que foi desmentido por uma gravação.
Aqui da Califórnia, eu fui votar no consulado brasileiro.
Na fila, encontrei com pessoas apoiando ambos os lados.
Quando estava indo embora, a camiseta de uma eleitora bolsonarista me chamou a
atenção. Ela fazia referência a Ku Klux Klan, grupo supremacista branco
-americano.
Depois que desliguei a câmera, me seguiram até o estacionamento e disseram
iam me dar um tiro.
Logo depois que terminar, tiveram os resultados.
As pessoas saíram às ruas para acompanhar a curação.
Bolsonaro está na frente, ministro da Contagem.
Às 18h44, Lula passou à frente.
Às 19h57, a derrota de Bolsonaro foi confirmada.
Bolsonaro perdeu por 2 ,2 milhões de votos.
Dois dias antes da posse, ele fugiu do Brasil e foi para fora.
Apesar das inúmeras comemorações, o fim ainda não havia chegado. Como aconteceu
nos Estados Unidos, grupos fanáticos não aceitaram os resultados das eleições.
Sua primeira resposta foi bloquear ruas e estradas.
Logo em seguida, grupos bolsonaristas acamparam em frente a quartéis
onde permaneceram sem serem incomodados.
Exatamente uma semana após a foto, no dia 8 de janeiro, esses grupos
uma tentativa de golpe de Estado em Brasília.
onde invadiram os palácios de cada um dos três poderes.
Os invasores eventualmente foram presos e estão sendo investigados e
processados, junto com as pessoas que os incentivaram e patrocinaram.
No início de 2024, Bolsonaro e integrantes do seu governo se tornaram
inquéritos sobre tentativas de golpe de Estado.
Até o fechamento desse filme, as investigações estão em andamento.
I guess I'm happy now Sitting at the edge of
California Watching the sea
I guess I know
me now I heard it clicking inside me
What could it be?
. .
.
. .
You gotta drop some weight You
gotta drop some weight
I guess I'm lonely
now It's like I owe...
I'm getting older now, but somehow I am
still learning to be with me.
I never told you what my dreams really...
Obrigada.
Can't find what you're looking for?
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