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Original subtitles

Quem não conhece Feverina Chique -Chique, que botou uma boutique para a

melhorar. Pedro Carosso, filho de Zafacamela, passa o dia na esquina

assento pra ela. É na boutique dela.

É na boutique dela.

É na boutique dela.

É na boutique dela. Meu negócio já...

Estou a fim de conhecer muita gente nova.

Vem comigo, vem comigo.

Se quiser.

Mas ele é bom, né?

É legal, né?

Bom, meu nome é Norival.

E ele... Bom, o negócio é o seguinte.

A gente estava servindo a pá.

Dá para perceber, né?

Pois é.

Ele vai voltar para o interior.

Mas eu não.

Eu vou procurar emprego aqui mesmo.

Vocês não gostariam de comemorar essa despedida com a gente?

E você, Flor?

O que faz uma bondade com você assim, tão quietinha nesse tempo?

Já te disseram que seus olhos parecem com duas... com duas... azeitonas.

Nossa, Chico, você demorou.

Estava a maior fila no banheiro.

Esse daqui é o Norival.

Aquele lá é o amigo dele.

E esse daqui é o Chico, meu namorado.

Prazer, Norival.

O prazer é todo meu.

Oi.

Oi.

Seu nome é Norival, né?

Meu nome é Claudete.

Ah, é?

Calor aqui, né?

É um pouco.

Ah, olha, eu ouvi aqui você falando que estava precisando de um emprego, né?

Se você quiser, tem vaga lá na firma que eu trabalho.

Ah, é?

Vaga do quê?

Ah, sim, de várias coisas, né? Uma decelagem grande.

A Nichava, conhece?

Nichava? Não, onde é que fica?

Ah, fica aqui no Braz mesmo, é Rua Oiapoque.

Eu moro lá perto.

Mesmo? Mora onde?

Numa pensão ali na Campos de Moraes.

Olha, que coincidência!

Todo dia eu pego um ônibus que passa ali pertinho da Campos de Moraes.

Não.

Jura? É.

Se você é inteligente, se você é pra lá de boa, assegura o seu

futuro, esse jovem é um pau duro, não despreza o seu coroa.

Se você é inteligente, se você é pra lá de boa, é

mesmo,

hein? Se você é inteligente, se você é pra lá de boa, é mesmo,

hein? . . . .

Meritíssima junta, sob a alegação, inverídica aliás, de que teria sido

injustamente despedido, pretende o autor, via da estação reclamatória,

empresa ré, nichada, companhia industrial, sociedade anônima, as verbas

consistentes em aviso prévio, férias proporcionais, décimo terceiro

proporcional, totalizando a parte líquida de sua reclamação, o montante...

de 806 cruzeiros e 20 centavos. Há nada de

tudo quanto pretende.

Entretanto, Pajuso, o reclamante, passe a justa causa que deu para que

rescindido fosse o seu contrato, sem qualquer ônus para a empresa.

Olha o

troco.

Olha o troco.

Lugazinho bom que você mora, né?

Tão pertinho da fábrica.

Quisera eu morar aqui, né?

Eu não. Faz uma hora que eu tô aqui nessa droga.

E é o segundo que eu tomo hoje, acredita?

Ah, menina, e até de dizer.

Sonhei a noite todinha com você, sabia?

Um sonho tão lindo, nem te conto.

Parecia assim, sei lá, um conto de fada, sabe?

Era você assim, um sonho, o que eu vou dizer, uma espécie.

Você já viu essas coisas de pão de fada, né? Tem hora que vira sapo. Juro por

Deus, assim, tem hora que vira mocego, né, então?

Depois de uma parte... Passinho pra frente, por favor.

Essa parte eu não tô bem lembrada. Não tô me lembrando bem.

O moço vai sair de mim, tá?

Aí você foi dançar, eu tive certeza que aquele encontro não tinha sido por

acaso, sabe?

Como é que eu vou te explicar?

Eu olhei pra ele, aí ele olhou pra mim e eu senti que o que ia acontecer era uma

história inesquecível, hein, Cláudia?

Legal, super legal. Agora toma cuidado, hein, Cláudia?

Toma cuidado, você nem conhece o moço direito e de repente pode sair pouco de

palha.

Não, esse não me escapa, não.

Obrigada.

Vamos com isso, né, doutor? É hora de trabalhar.

Apregoados os litigantes.

Senhor Norival Antunes, reclamante, nichado a Companhia Industrial S .A.,

reclamado. Compareceu o reclamante e o advogado.

Pela reclamada, o preposto do senhor José Pereira e o advogado.

Conciliação rejeitada.

Quando foi admitido na empresa?

11 de fevereiro. Qual era a sua função?

Carregador de fio.

Quanto ganhava?

Quanto ganhava?

R $ 1 ,39 por hora. Quando foi demitido?

30 de agosto.

Depoimento pessoal do reclamante.

O reclamante foi admitido na reclamada em 11 de 2 de 72.

Foi dispensado em 30 de 8 de 72 por justa causa.

É verdade que o senhor beijou uma funcionária em horário de serviço?

Não, não, senhor.

Inquirido declarou que, dois pontos, não é verdade tivesse beijado uma

funcionária em horário de serviço. Nada a ver.

Assinei eu.

Vai um tapa no berço aí, galã. Opa, depois da graxa é bom pra limpar.

Quem eu quero não me quer, quem me quer manda embora.

Que que é, tá romântico hoje, hein, meu?

Que hoje, rapaz? Eu sempre fui sentimental.

É, Norival, tem uma franga no pedaço, tá me deixando louco, rapaz. Por ela, ela

é minha mulher, meus filhos, meu cachorro.

Posso saber quem é a pobre, felizada?

E quem é a velha de ser?

A Catarina.

A gostosa da Catarina. Você já viu a bunda que tem essa mulher, rapaz?

Catarina, eu não entendo a frieza com que você trata o Alvarino. Meu Deus do

céu, o homem se derrete todinho por você, menina.

Virgem Maria, que linguinha de trapo que você tem, né, Caldete?

Você não esquece que eu sou uma senhora casada, muito séria, viu, menina?

Aliás, o Alvarino também.

Eu sou muito séria e...

Me trata com todo o respeito. Eu não estou discutindo isso, Catarina. O que

estou dizendo é que se você olhar bem, cá entre nós, ele é um coroa lampeiro,

não é?

Está vidrado em você. É supervisor, meu Deus do céu, Catarina.

Quantos colegas nossos dessa fábrica não gostariam de estar no seu lugar?

Você não pode tratar ele com essa presa. Você pode conseguir o que você quiser

aqui dentro.

Depois, pensa bem. Quem é esperto não dança?

Olha pra mim.

Quantos anos eu estou aqui?

Três anos, firme ali. Por quê? Porque eu não dou motivo.

Chego sempre na hora, faço todo o meu serviço, não discuto com ninguém.

Sabe, eu não estou partida, não é?

Quem é esperto num dança, minha filha?

Ué, cadê será que foi o Norival, hein?

Ela é assim com a Claudete, né?

Você podia me dar uma força, hein? Força como?

Sei lá, dá um toque. Para a Claudete que eu estou afim, falar de mim.

Vou ver o que eu posso fazer, vai.

Ives, falando no diabo, me dá uma cobertura, vem cá. Ei, ô galã, ô, ô, tô

estranhando, xará. Fugindo de mulher?

De mulher, não.

Essa mulher. É, mas bem que ela é bonitinha, hein?

Se ela me der essa bola toda, hum... Você não sabe, essa mina gruda demais.

Faz uma cação, homem a homem, eu tô afim de jogar choro.

Ela numa roupinha de domingo, norival, deve ficar demais, viu? Ô, Pedrão, se

você gosta tanto, fica pra você, tá? Por favor, você me faz, tá bom?

Sério? Você não vai querer mesmo?

E o Norival?

Norival? Não, não vi, não.

Não vi. Ué, eu jurava que eu tinha visto ele aqui de coberta. Não, não tava, não

veio, não. Precisava falar com ele.

Ah, que isso, Claudete.

Isso aí não dá futuro, não, hein?

Norival é um cara legal, tudo, mas não é pra você. Você é uma moça, moça séria.

Ele não tá vindo se amarrar, não.

Você precisa achar um cara bem -intencionado, né?

Um cara que te dê um futuro, segurança, uma vida melhor, né?

Sabe, Claudete?

Você precisa prestar mais atenção ao seu redor, menino.

Às vezes a felicidade está bem ao canto das nossas mãos e a gente não percebe,

né?

Às vezes o amor está bem à nossa frente.

Ou ao nosso lado.

Olha aqui, Pedro, eu vejo que te enxerga, vai.

Onde ocorreu o fato e quando?

Foi no dia 30 de agosto da parte da manhã, na sessão de nome Retorcedeira.

Inquirido o preposto, senhor José Pereira, pelo mesmo foi dito que, dois

é verdade que Norival beijou Catarina em ordem de serviço,

que Catarina trabalha na mesma sessão e que também foi despedida por justa

causa. não tendo ajuizado reclamação contra reclamado.

Que Catarina era a maior idade, casada, e que o fato se deu no dia 30

de agosto, na parte da manhã, na sessão de nome Retorcedei.

Passem à frente.

Passem à frente, por favor.

Desculpe, pensei que era um amigo.

Tudo bem.

Estamos aqui para o Quirerbier.

Especialmente para quem vier e der.

Indecente.

Olha aí, o passinho à frente.

Processo 2348 -72, Sr. Norival Antunes e Nichava Companhia Industrial S .A.

É isso aí?

Sim, Excelência. A empresa apresentou testemunha de defesa.

Ela presenciou o fato?

Sim, Excelência. Testemunha ocular.

Comunicou o fato ao supervisor e esse é o departamento que demitiu os faltosos.

Faça entrar os testemunhos de defesa da empresa.

Valdete Nogueira dos Anjos.

É esse mesmo seu nome, Claudete Nogueira? É, sim, senhor. Mas é o

Eu não era pra me chamar Claudete. Eu era pra me chamar Cláudia. Porque meu

se chama Claudio. Mas aí, né? O nome da minha mãe é Odete.

Aí ficou o quê?

Claudio, né, Clau? Mas Odete ficou Claudete.

É brasileira?

Sou brasileira. Claro que eu sou brasileira. Meu pai também é brasileiro.

do civil.

Eu sou solteira porque eu acho que pra gente se casar, a gente tem que ter uma

posição na vida. Nossa mãe, tem que conquistar tanta coisa. Seu endereço,

favor. Seu endereço. É José Maria Aranha, número 36.

O senhor conhece, não conhece? Ali no bairro. O bairro, o bairro, o bairro.

Olha, uns falam que é Brasilândia, outros falam que é Freguesia do Ovo. Tem

gente que fica me dizendo que é Brasilândia. O senhor me diga agora.

O senhor vai me dizer.

Brasilândia não começa só... Só depois de cachoeirinha. Muito bem, dona

Claudete, muito bem. Mas há quanto tempo a senhora trabalha na empresa?

Três anos já.

Três anos e pouco já.

Eu entrei lá, era mês de maio, que é mês das noivas, né? Agora sim.

E a minha vizinha, a Dorinha, ia casar com o Sérgio.

Não, não era Sérgio, era o Luiz. Não tem importância, dona Claudete.

Qual é a sua função?

Eu sou terceira.

Trabalha... Há três anos na reclamada como terceira.

Mas eu não era terceira.

Quando eu entrei lá, eu ainda era o quê? Eu era fiadeira, eu trabalhava na

fiação ainda.

Tudo bem.

A senhora confirma que viu o reclamante e uma sua colega se beijando no horário

local do serviço?

Olha, eu estava trabalhando, devia ser o quê?

Deve ser umas dez horas, dez e pouco.

Eu sei porque nessa hora, assim, diariamente, sabe?

Pode ver.

E quando eu tenho vontade de ir no banheiro, o que é que eu faço? Eu

meu serviço porque eu não quero atrapalhar ninguém, sabe?

Meu Deus do céu, aquela empresa é tudo pra mim, sabe?

Por favor, dona Claudete, vá direto ao assunto.

Sim, senhor. Pois então.

Eu estava voltando onde eu tinha ido e eu vi os dois de conversa. No meio de

umas máquinas, aquelas grandes que eles tinham comprado e posto assim numa

parede que dá pro pátio.

Mas eles estavam de novo.

Aí eu fui lá avisar pra eles que eles não ficassem ali, porque ia dar galho,

Porque o seu alvarino ia aparecer, seu alvarino é o supervisor, sabe?

E ia pegar eles ali e não ia gostar, sabe?

Aí eu avisei e também voltei pro meu lugar. Comecei a trabalhar, cada macaco

seu galho.

Aí o seu alvarino apareceu.

Seu alvarino é o...

E ele veio assim só pra ver como é que tava o trabalho, se tava tudo bem feito.

E ele deu por falta da Catarina, que trabalha do meu lado.

Portanto, ele veio na minha direção e me perguntou... Ô, dona Flavete, cadê a

Catarina?

Aí eu falei... A Catarina, seu Alvarinho?

Sim, né? Como que eu não devo falar?

Aí ele falou... É, dona Flavete.

A Catarina, cadê ela?

Aí eu falei assim, ah, senhor Varinha, ela está lá na retorcedeira.

Aí ele falou assim,

fazendo o quê?

Aí eu falei assim,

ah, ela está lá na retorcedeira.

Bicho, pô! Ó o Paraíba, puta sacanagem, meu pô!

Norival.

Ô, Norival.

A figura que chegou hoje aí ronca pra caralho, hein?

Não deixa ninguém dormir?

Tá ouvindo? Ô, Norival.

O que houve com esse cara hoje?

Tá dormindo, cabra da peste?

Ô, pode calcar a boca. Não tá vendo o que eu tô pensando?

Eu sei no que ele tá pensando.

É o Natal da Catarina.

É ou não é?

Ó a musiquinha pros seus pensamentos, ó.

Todos vagãos, cabeças vão rolar. Os corações

apodrecidos pela mentira e a infidelidade. Brotará o germe da

destruição pelos quatro cantos.

Eu grito, hein? Catarina, eu não aguento mais.

Algum problema aí?

Quem tá aí?

Oh, dona Catarina, eu não sabia que era a senhora.

Há algum problema?

Problema?

Não, eu... nenhum problema.

Que ótimo que não teve um problema, porque se a senhora tivesse algum

eu sabia que podia contar comigo.

Porque eu, como supervisor, eu sou muito rigoroso, mas a senhora até sabe que o

meu lema é mais produção e menos confusão.

Mas se a senhora precisar de mim, tiver algum problema, a senhora sabe que pode

contar comigo, não?

Estou a sua inteira disposição.

Desculpa, mas eu preciso voltar para o colchão.

Olha só.

Olha só, hein, seu marido. Gostei de você.

Disse que é funcionário cuidadoso, não é?

Brincadeira.

Claro, a empresa cumpre zelar pela moralidade no local de trabalho, sob

enfrentar a justa indignação dos pais e maridos das funcionárias que lá

trabalham. Lassivo ou não, atentatório ou não, qualquer que seja a sua

o beijo em local e hora de trabalho não pode ser admitido.

Para tudo, a hora e a lugar.

Vamos ver essa noite?

Não posso.

Está cansado dessa bica. Não posso.

Claro que pode. Eu só queria que pode.

Mas ainda a gente podia, sei lá... Não tem jeito.

Tem hora para chegar em casa, tem meu marido, tem as crianças.

Ela tá chorando.

Entendeu, Pedrão?

Ela tá chorando.

Certo, um pouco, sabia?

O reclamante de fondo negou o fato alegado na defesa.

Contudo, a testemunha ocular ouvida em juízo confirmou inteiramente a versão da

reclamada. Por outro lado, tinha o reclamante pouco mais de seis meses de

serviço e o fato se reveste de maior gravidade quando se verifica que o

empregado procurou negar o acontecimento.

O pedido em processo.

Do exposto, a 13ª Junta de Conciliação e Julgamento de São Paulo, por

unanimidade, julga improcedente a reclamação de Norival Antunes contra

Michaba Companhia Industrial S .A., que fica com consequência absoluta do

pedido. Custa -se o reclamante de 60 cruzeiros, calculada sobre 806

valor dado a causa.

Intime -se, nada mais.

Não, a culpa foi minha.

Como é que eu vou deixar uma coisa dessa acontecer?

Como é que eu vou explicar? Me explica. Como é que eu vou explicar uma coisa

dessa em casa? Mas, Catarina, eu... Eu explico.

Como é que eu falo?

Catarina, vem cá, peraí.

Me larga, me larga que eu tenho que ir embora.

Vem cá, vamos lá que eu encontro.

Olha, tem um lugar na rua Cavaleiro... Cavaleiro... Meu ônibus.

Catarina, eu não faço isso.

Se você não vier, eu vou lá na sua casa.

Você não vai fazer isso.

O seu trabalho mais sagrado.

Pelo amor de Deus, Orival, você já destruiu o meu...

Me larga, que já é meio -dia e eu tenho que ir embora.

E isso é cedo ainda.

O quê?

Cedo? Essa é muito boa.

Quer dizer que meio -dia é cedo ainda?

Só faltava essa.

Ah, o que o senhor está fazendo aqui, mãe?

Quer dizer que é assim que o senhor procura emprego, né?

Muito bonito.

Pode ir tratando de acordar e levantando. Está pensando o quê?

Acorda!

Que vergonha! Vamos!

Que horror!

Parece um entrepato!

Seis meses sem me pagar pensão, esse tempo todo desempregado. O que você está

esperando da vida, hein?

Eu aqui me matando de trabalhar para sustentar marmanjo? Só faltava essa!

Sou uma burra, isso sim.

Me matando, trabalhando, feito uma condenada aqui.

Para manter essas pelucas.

E ninguém mexe um dedo para me ajudar.

Sustentando um bando de come e dorme. Que não tem de cair morto.

Será que Deus não vê uma coisa dessas, hein?

Ah, meu Deus, não sei o que foi que eu fiz errado.

Não escreve.

Como é que é?

Tocando, né?

E aí, fazendo o que por aqui? Não, eu estava dando uma passada, resolvi dar

passadinha.

Escuta, e a Claudete?

Tem visto ela?

Soube, não?

Casou? Não.

Sério? Jura? Juro.

Não acredito.

Com o Alvarino? Pois é, com o supervisor, pra você ver, hein?

Quem diria? Subiu de vida.

Ah, mas nem trabalha mais.

Só tá lá no bem bom.

Já faz uns seis meses.

E aquele teu caso com a justiça, hein?

Bom, a firma ganhou.

Daí o sindicato, como é que fala?

Redigiu. Recorreu. É, recorreu, isso aí. Quer dizer, vai começar tudo de novo.

É, foda, hein? E ninguém se incomoda.

Por falar nisso,

que tal mais uma saideira? A penúltima.

Penúltima.

Alemão, vem mais uma estúpida aqui, por favor.

O

fato

do reclamante ter beijado uma funcionária que, por sinal, era...

Para sua namorada, não constitui falta trabalhista que autoriza dispensas sem

ônibus para a empregadora.

Tivemos atualmente uma época em que o sexo deixou de ficar restrito à

do lar.

E tudo, tudo na vida moderna demonstra que o sexo não é mais considerado como

tabu.

A publicidade, o cinema, o teatro, a televisão, a escola, tudo enfim, que faz

parte da sociedade, é fala de sexo.

E por esse motivo, um simples beijo, longe de me caracterizar, falta

trabalhista, pode, quando muito, demonstrar carinho,

amor... e apreço.

Opa! Aí, Antenor.

Me vê um rabo de galo.

O Zecao chegou.

Vai, chama ele. Zecao?

E aí, pessoal?

Que bom que você chegou.

Tem um cara esquisito rondando a tua casa.

O sujeito não era daqui do bairro, não.

Ficava rondando pra lá, pra cá, cabeludo, entendeu?

Eu acho que ele deve ser ladrão.

Quanto é pinga?

Pinga é 50.

Me dá um.

E o ovo?

O ovo é vinte.

Dá pra esse aqui?

O cu da galinha ainda está a arder, meu amigo.

Me dá um.

Como é que é, meu irmão?

Tá brincando com o fogo?

Desculpe, não estou entendendo.

Estou sabendo que você andou espiando na minha casa.

Senhor? Senhor Elcatio, que história é essa que você andava andando na minha

casa? Eu andando na casa? O que é isso?

Longe de mim.

Estava sim, senhor.

Qual é, meu? Esse aqui é irmão desse outro.

Está me chamando de mentiroso?

Não, é que eu estava procurando uma pessoa.

Um cunhado.

Pensei que ele morasse aqui.

Ah, um cunhado.

Então como é que ele se chama?

O nome, é claro.

Valdemar. O Valdemar, pô. É amigo da gente. Claro, o Valdemar. Ele mora logo

É, o Valdemar. Todo mundo conhece. Conhecem? Claro. Quem é que não conhece

Valdemar? Ufa, que alívio.

Preciso afastá -los do caminho dos céus.

De que maneira?

Quando eles... Deixem por mim a onda.

Está tudo frio.

E se eu não guardo bebendo até essa hora, depois ainda quer encontrar comida

quente?

Quer me deixar em paz?

Será que eu não posso comer sossegado nem na minha própria casa?

Ah, é?

Sabe que horas são?

Amanhã quem é que tem que penar para conseguir te arrancar da cama? Quem é?

É claro.

Tu reclama de acordar cedo porque tu não trabalha. Como não trabalho?

O que eu faço aqui em casa, o que é?

Não falei esse tipo de trabalho.

É, não falou, não.

Mas quando eu fui embora da fábrica, você foi o primeiro que falou que não

queria que eu trabalhasse fora de casa mesmo.

Verdade ou não é?

Hein?

Cadê os meninos?

Ué, tá lá na casa da sua mãe.

Não lembro, hoje é quinta -feira.

Mas você mesmo que combinou deles dormirem lá hoje.

Ô, Catarina, já não falei que eu não quero vocês andando por aí com as

Ai, Zeca, até parece.

A gente anda 10 metros para ir aqui na casa da sua mãe, que é aqui do lado.

É, mas o bairro é perigoso. Não tem segurança, não tem policiamento.

Inclusive, um sujeito aí meio suspeito foi visto rodando a casa.

Agora, se não serve para botar o bicho para correr, eu não sei não.

Além do mais, não provou a recorrida houvesse o fato acarretado o grande

de molde a abalar os costumes da empresa.

Não se alegou que a pessoa que recebeu o beijo houvesse feito qualquer

reclamação contra o ato praticado pelo reclamante.

Aliás, o artigo 482 da CLT não prevê o beijo como efetuar o ato autoso capaz de

ensejar uma justa causa.

Passe ao esforço.

Dão provimento ao recurso para julgar procedência à reclamação contra as

resultantes do injúrio do impedimento, tudo nos termos da inicial.

Custas pela recorrida a serem calculadas sobre 1 .500 cruzeiros.

Juros e correção monetária na forma da lei. É o meu voto. São Paulo, 14 de

janeiro de 1974.

Pois não?

Ah, boa tarde.

Eu estou procurando uma pessoa, chama Norival.

Ele está... Pois não, pois não. Por favor, entra.

Entra.

Não repara, casa de pobre.

Estava bagunça aí, mas é que você sabe, as fatimeiras de hoje em dia são uma

folgada. Ainda mais aqui, que tem um trança e trança de marmã.

Já viu, não é? Não, não, não, não, não. Eu faço.

Falha perto de fogo? Não, eu faço. Fica mais bem feito, mais barato, mais

garantido. Ah, mas cansa.

Eu sou viúva, sozinha. Bom, só vocês interessam, é isso. Só vocês.

Muito obrigada.

Você é o quê dele?

Bom, eu era a colega dele lá na fábrica.

Você não é parente dele?

Ah, não, senhora, eu sou só amiga mesmo.

Ai, que bonita eu sou.

Ó, olha, é Catarina, né?

Faz um tempão que eu não sei do safado do Norival.

Que mandou, não me avisou, não me deu satisfação. E o que é pior, não pagou um

tostão do que me deve.

Ingrato.

Tinha tudo aqui.

Cama, mesa e... tudo.

Mas sabe o que é isso? É a gente confiar nos outros.

Aprenda, minha filha.

Aprenda. Assim é a vida.

Eu também. Bem que gostava de saber onde é que anda aquele... pilantra.

Vai, mexe essa bunda.

Você pensa que eu não tenho onde morar, não?

É, não pensa. Estou vendo que não tem. Vamos embora, vai. Vamos lá, vamos lá,

vamos lá. Eu vim aqui para me divertir.

Você veio aqui para bater punheta e para dormir, agora chega, tá? Vem, vem, vem,

vem, vem, vem.

Peraí, peraí, peraí, peraí. Vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai,

vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai,

vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai,

vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai,

vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai

Você me acha bonito?

Que papo é esse? No mundo de assunto, me acha bonito ou não acha?

Fregues é que nem japonês, tem tudo a mesma cara.

Papo mais besta.

Se você me acha bonito, borde comigo.

Pra cima de mim, cara?

Algum problema aí, Dolores?

Dolores?

Dolores Sierra,

vive em Barcelona, na beira do carro.

Tem caxaniola que faz companhia àquele derma.

Nasceu em Salamanca, seu pai labrador, veio a maior idade.

Como quem nasce na roça, tem sempre a ilusão de viver na

cidade.

Sua mãe chorou...

O navio apilou

Adeus, Barcelona,

adeus. Adeus, Dolores Sierra.

Tchau, tchau.

Qual é o meu? Tá atrapalhando a freguesia. Se manda!

Calma, estou sabendo.

Então cai fora.

Time is money. Temos que faturar. Vai, vai. Claro, claro.

Quando você tiver uma grana, estamos aí, tá?

Eu quero ficar sozinha.

Algum problema?

Já disse que eu quero ficar sozinha.

Antes do Bialone, porra!

É que eu não gosto de ver uma mulher bonita chorar.

Aquele filho da puta!

Sim. Ele me paga.

Eu acabo com a raça dele. Vou cortar a garganta dele.

Que ódio!

Fome aí. A comida tá esfriando.

Aquele filho da puta!

Olha aí, ó. Parou.

Parei o quê?

Chorar.

Norival, prazer, hein? O seu... Carmen.

Carmen.

Você é bem doidinho, não é não?

O que você faz da vida, hein?

Operário especializado.

Operário? Tá se vendo que você tá lá pior mesmo.

Tô meio desempregado.

E daí?

Essa vidinha de operário não tá com nada, meu filho.

Já?

E tá.

Muito... Muito trampo, horário rígido, pouca grana.

Nem essa pouca grana eu tenho.

O negócio é vida na noite.

Muita grana e muito mais divertido.

A senhorita está pronta?

Sim, senhor.

Então vamos lá.

Excelentíssimo senhor, doutor... Evaristo Marzabal Neves.

Digníssimo presidente...

do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, ponto.

Processo número 2348, barra

72.

Nichava Companhia Industrial Sociedade Anônima, representada neste

ato, por seu advogado,

O que há?

Doutor Paulo, o senhor não pediu para fazer hora extra só por causa deste

requerimento? Eu quero entrar com esse recurso amanhã cedo.

Vamos continuar.

Ah, mas doutor Paulo, nós não precisamos ter pressa. O prazo só expira na semana

que vem. Não é necessário... Inconformado.

Batazênia.

Convenerando a corda.

Prolatado.

Pela primeira turma deste Tribunal Regional do Trabalho, vem,

respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, dele recorrer,

interponho, competente recurso de república, para o conhecimento e

julgamento do feito por uma das igrejas turmas, do colê do Tribunal Superior do

Trabalho, o que faz, no prato, legal.

e com fundamento no artigo 896 da Consolidação das Leis do Trabalho.

Requer, pois, respeitosamente, que se digne Vossa Excelência de admitir o

determinado do seu processamento e o posterior encaminhamento dos autos à

superior instância para fins de direito cumpridas as formalidades legais.

Neste termo, respeitosamente, espera receber a minha exceção para...

Vem, filho de macho. Vem, meu mano. Tenta. Você tenta.

. . . .

O venerando aresto incriminado proclama, às escâncaras,

que o fato alegado na defesa, aliás, comprovado, não

constituiria pauta grave capaz de romper o vínculo sem ônus para o empregador.

Chega a citar.

que o beijo não está capturado na lei como falta que autorize a conclusão

exposada pela meritíssima junta.

O fato do beijo haver se tornado coisa corriqueira no dizer venerando o

acordo recorrido não autoriza de forma alguma a conclusão por ele exposada pena

da implantação de regime anárquico no ambiente de trabalho.

Permitir -se tal procedimento seria conceder -se alvará para total subversão

local do trabalho.

Imagine -se todos os funcionários e funcionárias resolverem se beijar em

situação idêntica do autor e se chegará à conclusão inafastável de que a empresa

se verá abraços com um verdadeiro caos.

Intocante ao mérito da questão, é verdadeiramente lamentável que um apelo

espírito de fundamento ou amparo legal se tenha dado seguimento, pois o que

objetiva a empresa com apelo de folhas nada mais é do que discutir pela

vez a exclusiva matéria de fato que ela própria trouxe para os autos.

Na verdade, o fato arguído como falta...

não se encontra capitulado na lei como tal.

Um simples beijo não constitui um ato atentatório à moral. E toda a

defesa da empresa estava consubstanciada neste fato.

Olha a garrafa.

Olha o garrafeiro.

Vai de litro, meio litro, em túlios em geral.

Olha a garrafa.

Olha a garrafa.

Onde vão?

Claudete?

Incidência, né?

Pois é.

Destino é destino.

Quem diria, hein?

Pois é.

Quem diria.

Ele estava justamente fazendo um cafezinho, não quer entrar? Tomar um

Claro, claro, claro. Entra.

Que beleza, hein? Está

bem de vida, hein?

É, a gente tem a casinha da gente, não é? Quer dizer, ainda não é nossa, não.

Ainda estamos pagando, mas se Deus quiser, onde ainda vai ser?

Quer dizer, tá certo que a prestação tá uma loucura, sabe? Todo dia.

Mas o Ovarino tá bem, tá bem lá na Michava, tá inclusive esperando uma

lá na Michava, sabe?

Só depende mesmo, é do subchefe da sessão, o seu Medeiros.

Mas sabe que outro dia o seu Medeiros virou pro Ovarino?

E falou bem assim, olha, seu Alvarino, eu acho que já está na

hora do senhor pensar em subir mais aqui dentro da empresa.

Falou bem assim. E você sabe que o Alvarino, meu Deus, sempre foi um

exemplar ali da nichava, não é?

Aí o Alvarino virou para ele e falou assim, ele falou bem assim,

olha, seu Norival, é que...

Eu me desço. Não, Norival.

Não.

Norival.

Claudette.

Norival.

Claudette.

O alvarino vai chegar.

O alvarino sempre me diz, Claudete, Claudete.

A limpeza da cozinha é o retrato da dona de casa.

E olha a sujeirada que eu fui fazer.

Isso, calma. Faça um pano que faz.

Olha a garrafa.

Olha o garrafeiro.

Vai de litro, meio litro, em túneis em geral.

Meu caríssimo jovem, mas como é que é?

Você me podia fazer a grande gentileza de atender meus preguiços?

Ou vai ficar aí parado na sombra e água fresca?

Estou lhe pagando para quê? É para trabalhar ou para ficar aí filosofando?

seu banana, vamos embora, rapaz, rápido!

Ou está querendo me ver tomar prejuízo?

Olá,

amigos! Minha senhora, meu senhor, pode ir entrando.

e ficar inteiramente à vontade.

Olá, criança!

Mas são bonitas, mas como são?

Mas olha que gracinha eu tô.

E olha, só pousar com o nosso rong -rong tropical que o

novo aqui vai fazer a mais linda foto de lembrança.

Quem vai primeiro?

Atenção! Olha o passarinho!

Passarinho!

Pronto!

Olha o próximo.

Vem, filhinho, vem.

Vem tirar foto com o macaco.

Não faz isso, meu filho. Olha o macaco,

olha.

Você não gostou? Olha pra ele, olha como ele é mansinho.

Olha! Você não gosta do macaco?

Hein?

Não? Paiê, vamos tirar uma foto de todo mundo junto?

Atenção, atenção.

Olha o passarinho. Não se mexa.

Ai, que família bonita.

Pronto.

Que sabor.

Muito bem.

A pergunta é moderna e cheia de ousadia.

Mas o antigo assim responderia.

O beijo tem gosto de ambrosia.

Doce ao primeiro encontro.

Amargo à despedida.

Ardente no desejo.

Pura ficção a muito desmentida. O beijo não tem nenhum sabor, amor,

desejo ou ódio.

Isto posto, além de que o condene a higiene, o beijo só tem o gosto

do clorureto de sódio.

Por que terá sido despedido o empregado?

Por causa do beijo em si ou porque o beijo, segundo o velho autor mineiro, é

falta de higiene?

De qualquer forma, como já se alegou nos autos, a espécie não está prevista na

lei e acrescentamos muito menos no regulamento da empresa.

Assim, o reclamante, se não é primário na prática de beijos, o é, pelo menos,

de qualquer falta de natureza trabalhista.

Estamos com o regional.

Inexiste falta punível.

Se houvesse, seria leve, leve estima.

Isto posto, acordam os ministros da primeira turma do Tribunal Superior do

Trabalho conhecer do recurso e, por maioria, negar -lhe provimento.

Brasília. 17 de outubro de 1975.

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