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Original subtitles

A CIDADE NO

BRASIL

A CIDADE NO BRASIL

Quando a Carmen morreu, eu era uma adolescente.

Mas eu me lembro da multidão e da confusão nas ruas do Rio de Janeiro

corpo chegou.

Meus pais não me deixaram ir dela.

Pessoas como meus pais sempre acham que quando o povo sai às ruas, seja qual for

o motivo, é melhor ficar em casa.

Foi assim que eu perdi a minha única chance de ver Carmen.

Depois que ela embarcou para os Estados Unidos, em 1939,

a relação dela conosco ficou muito complicada.

Algumas pessoas ficaram ressentidas por ela ter partido com todas aquelas frutas

na cabeça.

Houve até rumores que, na verdade, ela era uma arma do imperialismo americano.

Mas os que vieram às ruas se despedir dela certamente tinham mantido a sua

devoção. acima de qualquer suspeito.

Será que algum dia eu vou saber quem realmente ela foi?

Por que ela deixou uma impressão tão forte?

Para quem não a conheceu, resta uma fantasia irresistível.

Eu encontrei esse retrato meu, aonde dá para ver que eu não era um caso

totalmente perdido. Se vocês podem imaginar umas frutas da minha cabeça,

que as mãos estão na posição correta.

A coisa que mais me fascina nela é a imagem.

Como se houvesse algo escondido por trás de uma máscara impenetrável.

Eu comecei a ter uma série de sonhos bem estranhos com ela que me deixaram

obcecada.

Eu sonhei que Carmen voltou à vida para investigar uns assuntos nebulosos, umas

questões que deviam ser esclarecidas.

Ela escapou do museu onde havia sido aprisionada e voltou para as Montanhas

Aliviada, em Portugal.

onde ela tinha nascido.

O povo de Aliviada tinha esperado tanto por ela. Eles sempre acharam que ela

pertencia a eles.

Uma sombra foi vista na igrejinha onde ela tinha sido batizada.

Nessa noite, um clarão foi visto no alto de uma colina. E ela apareceu, quase

como a Virgem de Fátima.

Aos 14 dias do mês de fevereiro do ano de 1909, na igreja paroquial de São

Martinho da Aliviada, anexa à devasa de ovelha, Conselho de Marco de Canaveses,

que o cede do Porto, batizei, selenamente, um indivíduo do sexo

dei o nome de Maria do Carmo, e que nasceu às três horas da tarde do dia 9

fevereiro, filha legítima de José Maria Pinto da Cunha, Barbeiro, e da Maria

Emília de Miranda, de Sedeira.

Este era José Valdez. E a minha mãe, a minha avózinha, Maria da Conceição

Miranda.

Era a primeira direita, porque a minha mãe era a irmã da Mangela.

Ai, coitadinha, o clube ali era a minha avó, vivia com muita dificuldade, muita

dificuldade. Foi por isso que ela emigrou.

Depois é que disseram que ela era brasileira, mas não era.

Mas eles afirmavam muito, ainda uma vez veio aqui uns, enfartar -se aqui de

teimar comigo.

Não, senhores, não tem nada que teimar comigo, porque eu é que sou da família

dela. A Carmen é portuguesa de gema e filha de gente portuguesa. Por todos os

portais, filha de gente portuguesa, filha de avós portugueses.

E tem os portugueses, toda a família daqui é portuguesa. Não tem nenhum

brasileiro.

Que estranhas palavras as velhas estavam cantando.

Se o mar tivesse varandas e janelas pelo meio, como uma antiga fragata, talvez

um dia poderia -se andar até o Rio de Janeiro.

Uma das primeiras imagens da América que pertence ao imaginário europeu é de uma

mulher carregando frutos nos braços.

e turbante na cabeça.

Eu acho que foi o destino que fez essa imagem reaparecer um dia em nossas

Uma cidade maravilhosa mesmo. A minha cidade e a cidade de Carmen também.

Será que eu tenho que explicar que a música que está tocando no fundo não tem

nada a ver conosco?

Eu sempre penso no tanto que se perde quando somos vistos pelos olhos do

estrangeiro. Será que isso iria acontecer com Carmen?

Papai emigrou para cá no final de 1909.

Um tempo aí que era uma imigração danada aqui de português, italiano e tudo

mais. E logo em seguida mandou buscar a mamãe e veio Carmen.

A Carmen era praticamente brasileira, né? Porque nasceu lá por acaso.

Podia ter nascido aqui, como os outros todos nasceram, né?

Ela é uma menina brasileira agora. Aqui com seus amigos, no único colégio que

ela frequentou.

Seu nome ainda é Maria do Carmo.

Seus amigos a chamam de bituca.

A sua escola é dirigida por irmãs de caridade francesas, que cuidam das

necessidades de muitas famílias pobres de imigrantes.

Dona Maria e seu marido não perderam muito tempo.

Logo aumentaram a família com seis filhos.

Eles perderam a filha mais velha, Olinda, com tuberculose.

Eu encontrei esse filme.

feito por um tio meu nos anos 20.

Uma tarde no Jockey Club.

Carmen era uma menina crescendo no Rio nessa época.

A família dos Mirandas e esses frequentadores do Jockey conviviam na

época, mas eram de mundos que raramente se encontravam. Essa é uma classe que

tem os olhos voltados para a Europa, aonde compram suas roupas e de onde vem

também a maior parte de suas opiniões.

Mas os tempos estavam mudando. O samba descia os morros e invadia as ruas da

cidade.

Carmen estava crescendo com ele.

Aqui estou eu com cara de preocupada e não muito feliz.

Talvez porque estivesse cercada por freiras demais e samba de menos, com

certeza.

Elas estavam tentando fazer de nós moças bem comportadas.

Carmen aqui também tem um ar preocupado e infeliz.

Não conta com muitas opções, mas está determinada a mudar sua vida.

Eu a admiro por isso.

Sempre fui muito agarrada com a Carmen.

Já de criança, ela era mais velha do que eu. Gostava de bonequinhos japoneses.

Eu já admirava os brinquedos dela.

Quando eu comecei a ficar com mais idade, meus 12, meus 13, meus 14, ela

mais 3 anos do que eu, eu comecei sempre acompanhando a Carmen. Nós saíamos e

íamos ao cinema juntas, tomar chá juntas. Eu tomava sorvete, ela tomava

causa da voz.

Ela não tomava sorvete, não. Era engraçada a Carmen.

Ela começou a trabalhar depois de mais ou menos com 15 anos, começou a

trabalhar, aprendeu chapéus.

Ela gostava muito de cantar tango.

E ela adorava, porque era muito moda, e ela diz que muitas vezes ela era

surpreendida pelo dono da loja, que chegava e disse, Dona Carmen, Dona Maria

Carmen era o nome dela.

A senhora está distraindo o pessoal, como é que o pessoal vai trabalhar?

Ela experimentava e contava com muita graça que às vezes iam pessoas lá e

queriam ter um chapéu. Dizia, mas a senhora bota para a gente ver. E ela

e a Carmen contando, dizia assim, em mim ficava uma beleza, agora nelas não

devia ficar, não sei.

Então ela foi trabalhar numa casa de gravatas.

Eu sempre gostei muito de gravatas.

E eu frequentava uma loja que tinha umas gravatas muito bonitas e ela trabalhava

lá.

Disse o dono da loja que depois que a colocou lá, que a freguesia aumentou

muito. Inclusive eu. Eu era campeão de remo pelo Flamengo.

Sou campeão brasileiro, sul -americano, carioca e fui a duas Olimpíadas.

Na casa dela era uma pensão, no primeiro andado, através do comércio, 13.

Era uma pensão familiar, modesta.

O pai dela era...

Barbeiro. Tinha uma barbearia muito modesta.

Achei ela muito engraçadinha, convidei para o cinema.

E aí começou.

Eu fui o primeiro namorado dela.

Eu a conheci com 16 anos.

E namorei -a durante 7 anos.

Geralmente eu namorava na porta.

Ficava até 10 horas, porque o pai dela era muito rigoroso.

Ela tinha mania de fotografia.

Muito antes de se tornar conhecida, Maria do Carmo passa horas posando com

roupas diferentes, fazendo caras e climas.

Ela está sempre pronta para a câmera, posando e procurando alguma coisa.

É por volta desse tempo que ela muda o seu nome para Carmen Miranda.

Eu tenho inúmeras fotografias dela com dedicatórias, cada dedicatória íntima e

linda, linda, meiga e linda.

Meu Marinho, neste mundo cheio de rudolfinhos valentinhos, eu não trocaria

um sorriso teu.

Meu pequenininho, como não hei de amar essa tua boquinha, feita de beijos e

beijos feita.

Sabes, meu menino bonitinho, eu quisera ser rica, mas muito rica para fazer um

príncipe de ti.

Nunca se esqueça do grande dia 20 de abril, às 5 horas da tarde.

A mais divina das tardes de minha mocidade.

Eu nunca mais me esquecerei dessa ditosa tarde.

Que bom, meu Mário, que bom.

Foi a mulher que eu mais gostei na minha vida.

E ela sei que foi recíproco.

E ela correspondia.

Nesse tempo, então, ela começou a fazer chapéus para fora e tinha umas freguesas

muito boas já, pessoas de sociedade que adoravam os chapéus que ela fazia. E uma

delas disse, Carmen, você cantaria numa festa que nós vamos fazer, que vai ser

no Instituto Nacional de Música?

E foi aí que ela foi descoberta, pelo Josué de Barros, que era um senhor,

vem cá, minha filha, o que você vai cantar? Eu vou cantar... Mama Joqueira,

Núvio, e a Ioiô, eu nasci pra sofrer.

Bonito mesmo.

E ele se encantou com ela e levou ela a Vitor, pra fazer um teste.

O teste tornou -se o disco.

E foi um sucesso louco.

As vitrolas nas lojas, a vitrola tocava alto e o povo que ia passando ficava

ouvindo.

A Carmen tinha um corpo muito bem feito, ela tinha uma expressão corporal

extraordinária e principalmente dois olhos que pareciam dois faróis de

automóvel. Eram dois negócios verdes deste tamanho e que quando ela abria

e mexia com aqueles olhos, ela iluminava tudo.

Aí ela logo foi contratada pela RCA.

O papai teve que assinar o contrato para ela, porque ela ainda não tinha 21

anos. O papai era muito severo.

As viagens que ela fez a São Paulo para cantar, a Bahia e tudo mais, ela era na

companhia do papai.

Quando ela estava no auge da sua popularidade no Brasil, lhe perguntaram

ela precisava para ser 100 % feliz.

Ela respondeu, um bom prato de sopa e liberdade para cantar.

Carmen, no terreno popular, foi a única que eu conheci a Carmen quando eu vim

para o Rio de Janeiro em 1935.

Elas já eram uma star.

Eu fiz duas músicas para ela que ela gravou.

Um se chamava mulato anti -metropolitano e a outra você nasceu para ser

granfina.

Então eu um dia fiz essas músicas, a letra e a música, e eu disse a elas, oh,

mostra. Então eu comecei a tocar.

Naquele tempo, moça que cantava em rádio não frequentava a sociedade.

A sociedade repudiava.

Era conhecida como o bafão, o bafão do Rio.

Eu me sentia curiosa a respeito desse mundo, de jovens músicos, cantores e

compositores tentando sobreviver.

Era um mundo de homens, no qual Carmen aprendeu a se virar muito bem.

Esse mundo me fascinava.

Ela era muito autêntica, a Carmen era muito autêntica, ela não tinha nada de

falso, tudo dela era positivo, ela era para valer.

E quando tinha que dizer um palavrão, ela não dizia um não, dizia três.

Naquela ocasião, evidentemente, ninguém falava, então quem não conhecia se

chocava até às vezes.

Mas evidentemente que isso ela fazia com pessoas com quem ela tinha uma certa

intimidade, ela não ia fazer isso com todo mundo.

Ela tinha um diálogo dela mesma, que eu não posso dizer em público.

Ela tinha nomes incríveis para coisas, né?

E uma conversa muito brasileira, sabe? Nomes que ela encontrava que você dizia,

onde é que ela pensou nessa palavra, né? Que não está no dicionário, como eu

disse.

E era uma delícia conversar com ela.

Oh Deus, eu me acho tão cansada.

Ao voltar da batucada, que tomei parte da peça onze,

ganhei no samba um arlequim de bronze.

Minha sandália quebrou o salto e eu perdi o meu mulato lá no asfalto. Ela

ah, uma beleza, uma coisa, gravou. Eu fazia esse samba, esse samba. A pedido

dela, ela contava a história, ria, se divertia, então eu fazia um pedido e eu

fazia. Ao voltar do samba...

Depois, logo depois da desbatucada, o coração fez um sucesso no Brasil

Foi uma coisa muito séria. E a Carmen não me largou mais. Eu sou mecânico de

automóvel, então a Carmen pediu para eu ensinar a guiar.

Ela comprou um carro e aí nos desencontramos, ficamos juntos até

embarcou para os Estados Unidos.

Agora, Carmen é conhecida como a pequena notável, um emblema do Brasil.

Nada mal para uma moça portuguesa.

O momento é intensamente patriótico no Brasil.

A ameaça da guerra na Europa está chegando mais perto de nós.

Carmen é a favorita de Getúlio Vargas. Um líder polêmico com uma visão

nacionalista que celebra um Brasil novo.

Como muitas das músicas de Carmen.

Aí passei a viajar junto com a Carmen.

De maneira que eu de tanto acompanhar a Carmen, acabei cantando também.

Com 18 anos já gravei o primeiro disco.

A Carmen já tinha ido a Buenos Aires três vezes, duas vezes. Na terceira vez

já fui com ela.

E aí já chamavam -na as Hermanas Mirandas.

As irmãs Miranda.

Elas fizeram filmes juntas nessa época.

Dos primeiros filmes de Carmen no Brasil, não resta mais do que alguns

minutos.

Ela e sua irmã Aurora parecem tão jovens e tão lindas.

Eu comecei a trabalhar com ela em 1934 e eu parei em 1955 quando ela se foi.

Então há 20 e tantos anos de trabalhar juntos praticamente

todos os dias.

A relação é uma relação muito densa.

Dia e noite juntos, uma amizade muito íntima.

Eu cuidava de todo o repertório que ela fazia no palco.

Eu escrevia canções para ela.

Tiveram um romance muito bom, graças a Deus. Foi ótimo. Se tivesse continuado,

talvez ficasse muito mais feliz.

É, mas destino não quis, não foi?

Foi a primeira vez que Carmen e eu aparecemos juntos em Rio.

Ela fez um filme chamado Banana da Terra. Foi a primeira vez que ela usou

costume de baiana.

Uma baiana é uma garota nascida em Bahia.

Eles geralmente tinham um vaso na cabeça e eles vendiam essas frutas e vegetais.

Hoje é uma noite especial no Cassino da Orca. Uma noite que eu acho mudou a vida

de Carmen para sempre.

Tudo começou com a chegada de um luxuoso transatlântico ao Rio, o Normandie.

A bordo, Lee Schubert, um poderoso empresário da Broadway.

Ele ouve dizer que havia uma coisa muito especial no cassino que ele não deve

deixar de ver.

O

americano

astuto viu a moça.

Ele viu a imagem cheia de promessas.

Ele precisa de uma atração especial para o seu show na Broadway, às ruas de

Paris.

No dia seguinte, ele a

convida para ir ao Normandie.

Ela está séria. Ela sabe que tem que jogar suas cartas muito bem.

Ela

sabe

que ela precisa de uma banda brasileira.

Uma banda que realmente possa tocar a nossa música.

Getúlio Vargas, percebendo que a viagem de Carmen é uma oportunidade de promover

a imagem do Brasil no exterior, faz tudo para que ela consiga sua banda.

Ela será a nossa embaixatriz da boa vizinhança.

Carmen se despediu de nós.

Ela levou bastante a sério essa ideia de representar o Brasil.

Ingenuamente, ela encarou isso quase como uma missão.

Meus queridos amigos, sigo para Nova York onde vou apresentar a música da

terra. Às vezes tenho medo da responsabilidade.

Lembrem -se sempre de mim, que eu nunca os esquecerei.

Houve sete jovens naivos que chegaram em Nova Iorque.

O sentido do que estávamos fazendo, que iríamos tocar na Broadway, é que

não sabíamos o que estávamos fazendo.

Todo mundo sabia que os anos da depressão estavam acabando quando Carmen

saiu da cidade. Desde o momento em que ela saiu de Nova Iorque, os homens

estavam assustados e as mulheres estavam distraídas.

Carmen Miranda, a peixe brandida do Brasil, cortou sua cabeça para um lado.

Seus olhos verdes de risada e um sorriso brilhante transformaram sua cara em uma

máscara de merimento. E suas mãos volatórias se uniram como um par de

de amor, como ela disse.

Os homens norte -americanos, ah, eles são patatas.

Então, você gosta dos homens norte -americanos, não é, senhora Miranda?

Eu gosto deles, ela disse.

Não, não, não, não, não.

Eu amo...

Aconteceu alguma coisa nessa primeira entrevista que eu nunca consegui

Carmen, que não fala inglês, diz as poucas palavras que lhe passam pela

E, de repente, ela parece uma boba.

Essa não é a nossa Carmen.

Mas essa impressão ficará para sempre com os americanos.

Essa é a Carmen pela qual eles vão se apaixonar.

Mas na carta que ela escreveu para o seu amigo, compositor Almirante, ela é a

Carmen que conhecemos.

Meu muito querido Almirante, Aí vai uma cartinha contando -te que a tua amiga,

segundo os jornais, é a grande sensação da Broadway.

A minha estreia foi algo indescritível.

Eles não entendem patavina do que eu canto, mas dizem que sou a artista

estrangeira mais sensacional que até hoje apareceu aqui.

Ela não entendia o que estava acontecendo, porque ela estava cantando

língua que eles não entendiam, e ainda assim eles gostavam tanto, porque não

a música que fez essa impressão. Ela poderia estar cantando em japonês, ela

poderia estar cantando em qualquer língua, porque o resultado seria o

porque era ela que estava fazendo.

Foi um esclarecimento, sabe? Elas chamam ela de a garota que salvou o Broadway

da esfera do mundo.

Quando Carmen chegou em Nova Iorque, ela foi colocada no show de Schubert, As

Estrelas de Paris.

Ela fez o pavimento da estrada se espalhar.

Ninguém podia entender o que ela disse, porque ela cantava em português.

Eu sempre senti que a Carmen tinha uma pequena dimensão terceira. Eu estava

sempre atrás dela, tocando para ela, porque assim eu podia ver as faces do

público muito bem.

E eu continuava a assistir isso e eu podia ver os olhos das pessoas.

Ela estava ligada a ela como uma hipnose.

A reação das pessoas em relação a ela era tão incrível.

Bonwit Teller even had a mold made of her face, so all the display mannequins

could bear her Brazilian bravura.

Hats, costumes, jewelry, shoes, dresses, they're all influenced by the Brazilian

bombshell. Less than a year ago, Carmen Miranda was just a name.

Today, she is a vogue.

Celebrado em toda a cidade, Carmen está sempre assediada por convites.

Ela não pode ir a Hollywood, então Hollywood vem a ela.

20th Century Fox manda sua equipe de filmagem a Nova York.

que lhe ensinará a esquecer, na forma do sul -americano.

O Schubert nos fez trabalhar muito, porque eles faziam 50 % do que ela

fazia. Nós trabalhávamos na mesma hora no show e em um clube de noite chamado

Versailles.

Nós fizemos o primeiro ato no show, e então nós corremos para fazer o primeiro

ato no clube de noite, e então nós corremos para o final do show, e então

corremos para fazer o segundo show no Versailles.

Então, foi muito correndo e muito trabalho, mas não nos importamos, porque

50 % foi muito dinheiro.

Alô, alô, Brasil.

A cidade maravilhosa e a cidade dos arranhatéis novamente se colocam em

contacto, fazendo desaparecer a enorme distância que as separa pelo milagre

moderno do rádio e pelo poder supremo da saudade. Para levar neste momento a

todos os brasileiros os sentimentos afetuosos de carne e Miranda.

Meus queridos e saudáveis amigos ouvintes do Brasil, boa noite.

Os aplausos que eu escuto todas as noites na Broadway parece -me o eco dos

aplausos dos brasileiros, contentes por ver o sucesso da sua música popular nos

Estados Unidos.

Novamente digo que eu tudo farei para sempre corresponder às gentilezas do

público da minha terra.

Adeus, Brasil.

Até a volta e bye bye.

Naturalmente, nós, como bons brasileiros, achamos logo que a Carla

feito sucesso, apesar de todas as agências telegráficas dizerem que ela

marcado um sucesso fora do comum.

Mas ninguém aceitou isso e não se aceitou porque, naquela ocasião, no Rio

Janeiro, no Brasil, samba era coisa de negro, era coisa de morro. A Carmen fez

sucesso lá. E, naturalmente, um ano e meio depois, a Carmen voltou.

Preparou -se uma recepção para a volta da Carmen.

Inclusive, o departamento de imprensa e propaganda fez uma recepção

extraordinária. A Carmen, inclusive, oficialmente mandou recebê -la. E a

chegou e foi um estrondo.

Os jornais, no dia seguinte, meteram o pau.

E aquilo não era recepção para uma sambista, que deviam fazer isso, era

chegasse um grande cientista, quando chegasse um artista de música clássica.

Dentro do nível deles, deles, dos granfinos.

Mas a Carmen era povo, a Carmen era povo, o samba era povo, era isso que a

tinha aqui na ocasião.

Essa é uma outra noite, no mesmo cassino onde Schubert viu Carmen pela primeira

vez.

É sua primeira apresentação desde a sua volta dos Estados Unidos.

Uma noite cheia de expectativas para os convidados especiais de Dona Darcy

Barger. Esse não é o público de carne.

Ela os cumprimenta em inglês.

Good night, people.

A resposta é um silêncio gelado.

Ela canta South American Wind, uma versão americana do que seria uma música

brasileira.

O silêncio permanece.

Depois de algumas músicas, fica claro que ela não pode continuar.

Foi uma injustiça que fizeram com ela.

E acharam que ela estava americanizada.

Fizeram uma injustiça dela, uma vaia.

Vaia essa que ela, se vivesse 100 anos, não esqueceria jamais.

Não esqueceu jamais.

Chorou muito.

Eu que amo tanto o Brasil.

Foi um frio, foi um gelo, foi uma coisa que ninguém sabia o que dizer.

O jornal meteu o pau no dia seguinte.

dizendo que ela não era mais a Carmen Miranda, que nós tínhamos perdido a

Carmen Miranda, que ela agora estava americanizada, que não sei o quê.

Ela nunca entenderá o que realmente aconteceu.

A crítica contraditória, o julgamento severo, talvez os ciúmes.

Ela já havia tomado uma decisão.

Ela cantará pela última vez no Brasil, mas agora para o seu público favorito.

E disseram que eu vou ser americanizada, com burro do dinheiro que estou muito

rica, que não suporto mais o breque de um pandeiro, que fico arrepiada ouvindo

uma cuíca.

Disseram que com as mãos estou preocupada, que corre por aí que eu sei

zum zum, que já não tenho molho, ritmo nem nada, que dos balangandãs já nem

existe mais nenhum, mas pra cima de mim, pra ter tanto veneno, eu posso lá ficar

americanizada.

Depois de nos tranquilizar de que ainda era brasileira, ela é surpreendida por

um telegrama.

Um novo contrato com a 20th Century Fox.

Ela cruza o oceano mais uma vez.

E 14 anos vão se passar.

Até que ela retorne outra vez para nós.

Adeus.

Adeus. Meu pandeiro do samba.

Tambor de bamba. Já é de madrugada.

Vou -me embora.

Chorando. Com meu coração sorrindo.

E vou deixar todo... Música

Quando Carmen chegou aqui, ela chegou quando Hollywood ainda era Hollywood, e

ainda em os anos verdes de filmagem.

Ela veio de Nova Iorque quando fez o show para os Schubert.

E, claro, ela era uma sensação em Nova Iorque. Eles nunca viram nada como ela.

Ela era uma atração tremenda, e ela era uma atração tremenda em fotos de

movimento.

Ela levou a cidade em torno, eu vou dizer.

Todo mundo pensou que ela era sensacional, que ela era ótima.

Ela era tão vivaciosa e tão... Não tinha ninguém como ela.

Ela podia ir a uma festa, e as pessoas estavam falando, e tomando uma bebida, e

tudo isso. E, de repente, havia gelo e glitter em toda a sala.

Eu não sei o que ela fez.

Ela tinha uma magia.

Agora lembre -se, mamãe Carol, mamãe Carol.

Oh, ela era tão maravilhosa. Todo mundo que a conheceu queria casá -la e ela não

queria ser domesticada.

Nós tivemos que ter ela, eu a coloquei em mãos e dei -lhe um grande abraço.

E ela estava bastante empolgada por fazer isso. Ela disse, oh, em frente a

essas pessoas, a equipe e o caminhão, eu disse, Carmen, nós fazemos isso o tempo

todo em fotos, você sabe? Ela disse, eu sei, mas eu não vou, tantas pessoas.

Ela estava realmente meio tímida sobre a coisa inteira.

Onde você encontraria outro gerente como eu?

Oh, isso é certo.

Ninguém pode me gerar como você.

Mas você é ativo.

E eu não sou bom para nada.

Não, eu gosto de você.

Oh, não, não. Um mais beijo e eu esqueceria como dançar. Ela amava sua

liberdade. Ela tinha uma bela casa aqui em Beverly Hills, uma bela casa grande,

e ela amava essa casa.

E ela tinha seu pôr, e ela fazia seus exercícios todos os dias, e depois ela

sair e nadava todos os dias.

Ela trouxe sua mãe, ela trouxe sua irmã, e seu irmão -in -law.

Era uma família muito firme, o tempo todo.

Dona Maria estava feliz de estar com Carmen, não importa onde ela estivesse.

Carmen sempre estava interessada em saber o que Dona Maria estava pensando

tudo.

Eles estavam todos vivendo com ela, então, você sabe, a família estava com

Eu vejo Carmen neste filme, nos braços de Aloysio, feliz e descontraída com

amigos, os Nicholas Brothers.

Ela está começando uma vida nova num outro país.

Ainda há uma inocência nela que eu adoro.

Sua identidade vai ser questionada mais uma vez aqui.

Apesar do Brasil estar bem distante, ou talvez por causa disso, sua casa tem

sempre as portas abertas para os brasileiros que a querem ver.

E uma vez havia um grupo de 200 graduados da Marina.

E vieram de bus de São Francisco a visitá -la. E vieram... O bus todo não

lá. Todo o grupo de gente que vinha tinha que esperar fora por seus turnos

entrar a falar.

Havia uma colônia de fotografia muito definida nesta cidade.

E dentro dessa colônia de fotografia havia uma sociedade muito elegante.

Mas todas as funções sociais nesta cidade, você veria que cada grande

negócio estaria lá.

Charlie Chaplin, Mary Pickford, Marion Davies, você sabe, todos, você pode

pensar. Bem, naqueles dias, todos estavam contratados para um estúdio, não

nada como televisão por aí.

Nós todos nos conhecíamos de todos os diferentes estúdios, nós trabalhávamos

em ano e ano em ano com todas as mesmas pessoas.

Era, como eu digo, era como uma grande família.

Tudo era bonito em 1940, então era muito clássico.

Na Fox, parecia que todos fazíamos o que devíamos fazer. Os músicos estavam

fazendo todo o dinheiro para o estúdio.

Então é por isso que Carmen Miranda foi tão ótima quando ela veio, porque ela

era uma humanidade fantástica.

Havia esse rosto, e os movimentos, e o falso.

Ela era uma grande garota para o Bach.

Então, naturalmente, eles não iam deixar ela fazer nada mais do que o que ela

estava fazendo.

Fazia muito dinheiro para eles.

Transplantada de um Brasil lusso e quente, para uma América crítica e

competitiva, Carmen imediatamente se estabeleceu como uma nova tipo de garota

glamour. Ela tinha Daryl Zanuck em seu dedo.

Ele estava sempre tentando manipular ela ou encarar ela em algo que ele

imaginava. Ela costumava dizer a Zanuck, se ele não agiria, ela perderia seu

sotaque e ela soaria como todos.

E ela não faria isso, e ela não faria isso. E ele só, você sabe, ficava de

volta. Esse pequeno homem que sempre estava usando o seu copo de escrita em

sapatos, ficava de volta, assustado até a morte. E ela sorria enquanto fazia

isso. E seus olhos brilhavam, e todo mundo se aproximava. Ela era a mestre da

Fox do século XX.

Acredite -me.

Ela era sua criadora de dinheiro e sua glamour. Eles poderiam ter as outras

meninas, mas ela era poderosa com glamour.

De certa forma, Hollywood descobriu que Carmen Miranda não é apenas a mais

recente em uma longa linha de flores de paixão latino -americana.

Dentro da caixa de frutas e vegetais, um pequeno cérebro bem -oilado está

saindo.

Agora, ela é a gala mais pagada nos EUA.

Seis meses somente passaram desde que ela deixou o Brasil.

E ela é consagrada no Panteão de Estrelas de Rolimão.

A menina que disse uma vez que queria ser muito rica para fazer o seu namorado

um príncipe, é agora uma princesa.

Quer você dizer alguma coisa para os nossos partidos do Brasil?

Pois não, cartaz, com todo prazer.

Meus queridos amigos de todo o Brasil, aqui estou falando a vocês do Chinese

Theater de Hollywood, onde acabo de botar as minhas mãozinhas e os meus

no cimento.

Podem crer que foi um dos momentos mais felizes de minha vida.

E neste momento, eu juro que pensei em vocês.

Uma grande saudade.

E um beijo melhor.

Os navios estadunidenses empurram armas e suprimentos para seus aliados sul.

Brasil. Apenas cinco horas de bomba através do Atlântico Sul para Dakar,

controlado por Vichy.

Naquela época, foi a altura da política de Good Neighbor, que era uma política

muito importante para os Estados Unidos, porque tinha perdido todos os

mercados para o suporte de materiais.

Em Europa, Ásia e assim por diante. Então, foi

no interesse do governo americano criar esta política de boa vontade para a

América Latina. E a Carmen, naturalmente, foi a muse dessa política.

Ela representou não só o Brasil, mas toda a América Latina.

Meus sonhos agora estão se tornando pesadelos.

Eu me vejo num edifício estranho.

Em um labirinto de corredores intermináveis, com estantes empilhadas

documentos empoeirados, que talvez possam elucidar todas as minhas dúvidas

carne. A nossa musa estava agora nas mãos de uma potência estrangeira.

Agora, ela era a musa deles. E o que estavam fazendo com ela?

A imagem viva da política da boa vizinhança, Carmen é imediatamente

para promover as forças aliadas.

Ela está agora voando alto no céu.

Sua presença traz alegria para mais um continente, e por onde passa, deixa um

rastro de corações rendidos.

Ela era uma forma de escapar da Inglaterra fria, dos dias escuros

da guerra.

Para mim, ela era apenas o céu.

Eu te gosto

muito.

Para mim, ela era a última femininidade. Ela tinha tudo para o que uma garota

deveria ser.

Eu tentei encontrar uma garota na vida real que parecia a Carmen Miranda, mas,

claro, eu nunca consegui encontrar uma. Então, quando eu me casuei, eu me casuei

com 19 anos de idade, eu tentei transformar minha esposa em Carmen

Eu também tinha uma filha, que eu nomeei Carmen Miranda.

E também eu tinha um tatuagem.

coloquei o meu braço com a sua nome e a sua imagem.

Hollywood, de alguma forma, como parte do esforço da guerra, criou esta imagem

da América Latina.

So there was a lot of mistakes made.

Because it was...

A ideia de Hollywood da América Latina.

Eles tinham uma coisa chamada Office of the Coordinator of Inter -American

Affairs. E Nelson Rockefeller era o presidente. E ele dizia, por que você

vem para os Estados Unidos e vai para Los Angeles, para Hollywood, e nos ajuda

fazer muitos filmes tentando apoiar a América Latina?

E nós gostaríamos de você julgar se não há nada ofensivo nos filmes. Então eu

trabalhei para ele, e, claro, com Walt Disney, que foi um dos principais que

ajudou nesse projeto.

Carmen era um coquetel disso tudo e a desagradava muitíssimo, porque ela sabia

que isso era motivo de chacota no Brasil.

Isso era motivo de agressões por parte dos jornalistas que não a perdoavam por

fazer isso. Alguns chegavam a dizer que ela tinha achincalhado o nome do Brasil.

As pessoas da América do Sul são muito amigáveis com dançar.

Esta é uma dança dao do Brasil.

Carmen é nossa boneca.

Branca para esconder as origens negras da música com a qual ela cresceu. A

origem da maioria de seus amigos músicos e compositores. A origem da sua roupa,

símbolo da cultura negra em nosso país.

Carmem busca constantemente reafirmar sua brasilidade.

Ela ainda se recusa a se apresentar no Brasil, assombrada pelas acusações de

que americanizar.

O que você acha de Kitty?

Em inglês. Em inglês é lindo.

K -K -K -Katy, bonita Katy, você é a única garota que eu adoro.

Quando a lua, lua, lua, lua, lua, lua, lua, lua, lua, lua, lua, lua, lua, lua,

Então, esse é o perigo se você está sob os olhos de outro país.

Como no caso da Carmen, os brasileiros falam, o que é que ela vai fazer outra

vez? O que é que vai fazer agora?

E ela já não é mais brasileira. Aquelas coisas todas que não ajudam muito ao

artista, né?

Porque ela estando aqui, ela tem que, e ganhando dinheiro aqui, ela tem que

satisfazer os ouvintes e fãs daqui.

Não do Brasil.

O que elas amavam sobre ela, sabe?

Ela sempre se divertia com ela.

Você acha que eu faço um bom Ambrosio também?

Oh, você recente, você não consegue mexer. Você provavelmente vai acabar

outra Carmen Miranda.

Carmen Miranda, aquela... Bah,

o que ela tem que eu não tenho?

Eu sei que Carmen Miranda não sabia a palavra ícone. L .B. Mayer não gostava

palavra usada de qualquer forma, porque sempre significava que eles pediam mais

dinheiro se pensavam que eram tão importantes.

Mas é isso que eu tinha que fazer, junto com vários outros fotógrafos, era criar

essas pessoas sonoras magníficas, com complexos perfeitos, cabelo bonito,

tudo maravilhoso, em um fio de fio ou qualquer coisa.

Eu me lembro, menina, como as

mulheres que víamos na tela eram possíveis modelos com os quais

identificar.

As douritas, chiquitas e rositas que Carmen representava agora eram

mas me deixavam inconfortável.

Na verdade, elas partiam meu coração.

Não é agora, você é verdade.

Eu tenho um novo gerente.

Não, Rosita, por favor, o que eu estou fazendo, eu fiz para você.

Você me faz rir. Para mim, para mim, você é aquele pequeno blanco flutuante.

Você não pode me chamar de flutuante. Por que eu não flutuo? Não, não, não,

favor, por favor, Rosita, ouça -me.

Eu te disse que você está em cima, você é um blanco.

Mas há muitos blancos em cima.

Se você está ao lado de uma mulher, em 35 a 1, ela é um blanco.

Não eram 35 blancos, eram 1 blanco.

Eu desejo que eu fosse um blanco. Eu sabia que parecia bom.

Talvez eu deva enlouquecer meu cabelo.

Você é frágil, senhora Murphy, mas meu cabelo é naturalmente branco. Bem, fecha

a minha mão.

É assim que nós todos fomos. Nós fomos oversexados.

Nós fomos sempre deixados pelo cara. Era esperado que o homem americano ou o

europeu nunca seria realmente sério, emocionalmente, sobre uma mulher latina.

Tudo que eu tenho que fazer é usar a mim mesma como exemplo.

Eu vim aqui como uma jovem garota latina. Eu era muito jovem quando vim

este país.

E eu rapidamente descobri que a única maneira de ter as pessoas prestando

atenção em você era ser vivacious e fiery.

Então você tinha que ser uma pessoa muito exagerada, caracterizada para que

pessoas do filme americano prestem atenção em você.

A imagem é chamada de Gangs All Here, e eles são Carmen Miranda, a brasileira

Mrs. Malaprop, com uma boca como uma embrela vermelha, sob 80 quilos de

plásticas, enquanto a tela vai voando com suas bananas dançando.

O repórter do New York Times disse, e eu cito, Mr. Berkley tem algumas noções

lindas sob seu busby. Um ou dois dos seus espectáculos de dança parecem sair

Freud.

Oh, Paducah, Paducah, Paducah, Paducah, Paducah. Se você ama, você pode amar com

o Paducah, mas você não pode com o Paducah. Esse é o paradigma norte

Por exemplo, como você interpretou, é ainda uma das fotos mais lucrativas do

ano. Ela usou o seu gimmick, por assim dizer, para dar um descanso nas fotos.

Ela sabia que foi por isso que ela estava aqui.

Porque ela era Carmen Miranda, e uma personalidade, e uma marca.

Mas ela não queria fazer isso o resto da vida.

The trouble with Carmen was, of course, that she never changed through the

years.

Você sabe, ano após ano, ela ainda estava fazendo a mesma coisa com as

a fruta na cabeça e o tico -tico -taca -da -da -da -da -da -da -da -da. E ela

nunca mudou.

E depois de alguns anos, a novelidade começou a se esvaziar.

Obrigada.

Algumas pessoas me olham e dizem, por que você não fala com esses caras em

Hollywood? Você se vê muito melhor com o cabelo abaixo, você se vê muito mais

jovem, você se vê uma pessoa diferente.

Por que eles não o mostram como eles realmente são nos filmes?

Mas você sabe o que?

Bananas são meu negócio.

Você sabe, eu faço o dinheiro das bananas.

Eu adoro vestir o meu cabelo como um turban.

Mas eu tenho que estufar em um turban.

Um turban que custa 5 .441 reais.

Eu faço meu dinheiro com bananas Eu faço meu dinheiro com bananas Eu faço meu

dinheiro com bananas

Zanuck parecia insistir que isso era uma coisa de dinheiro, e eles a mantiveram

fazendo a mesma rotina.

Depois de tanto empenho, tanta solidariedade, a América Latina deixou

prioridade. Carmen tinha que agir com rapidez para não ficar a ver navios,

se diz em bom português.

Eles não lhe dariam realmente.

É estranho ver a Sra. Miranda em qualquer coisa além de tecnicolor. Mas

que a atriz comprou seu contrato com o Fox por um reputado 75 mil dólares, ela

teve que escalar.

A Copacabana é a primeira foto que ela separou do Fox e a primeira vez como uma

blusa. O que é a ideia de estar com o Steve toda essa hora? É três da tarde.

Então, Sr.

Casanova, você não pode ensinar o que você faz, hein? E você está orgulhosa.

maravilha, que entusiasmo.

Você tentou beijar? Sim, e como?

E também a eterna Brazilian Bond.

Co -producer David Sebastian.

Foi um casamento muito contra a minha vontade.

Tanto é que nós morávamos com ela. Quando meu marido chegou e que viu

homem lá em casa...

Ele era um pouco duro com ela, quando estavam

solos. Ele era uma pessoa que se desgostava facilmente, se irritava e

expressava sua irritação.

Fisicamente, às vezes.

Com ela, não com os outros.

Só com ela.

Ele casou com ela com muito interesse nela.

Entendeu? E ela não percebeu, porque aí já não tinha mais o Aloysio, não tinha

mais aquela mão boa que dava a ela.

A Carmen ficou muito doente depois do casamento.

Ela vivia com muita depressão.

Você quer ver?

Eu quero. Você realmente quer?

Sim.

Minha própria cara.

Eu gosto muito dela.

Sabe por quê? Porque às vezes eu ando nas ruas em Hollywood e as pessoas me

olham e dizem que ela parece a Karen Miranda. E eu digo, não, ela é muito

para ser a Karen Miranda. E eu tenho muita fome, sabe?

Mas, de qualquer forma, essa não é a minha cor natural. Ela é brilhante em

Hollywood.

Ela mudou a cor da minha cabeça. Mas eu tenho muita fome. Mas não esqueça,

pessoal, que eu faço a minha mãe as bananas.

Você sabe disso.

Eu fiz a minha mãe uma banana, então estou muito feliz de te conhecer.

Tchau.

Até o seu autorretrato é agora do personagem do qual ela não consegue

E Carmen, como uma menina obediente, faz o seu dever de casa para as câmeras,

como a mandaram fazer.

Os americanos nunca se cansaram de vê -la.

Nos clubes noturnos ou na TV, ela continua sendo uma grande atração, quase

curiosidade.

O que estava acontecendo entre as

quatro paredes da sua casa em Beverly Hills, o seu drama pessoal, isso ela

sempre escondeu do público.

Ele estava caminhando com ela, assim que ela perdeu seu balanço quando saiu do

carro. E ela caiu.

Na água, nós tínhamos grandes chuvas, e só o vermelho, o vermelho, o carmo, tudo

estava coberto de madeira. Eu disse a ela depois, eu disse, quase como se ele

causasse isso mentalmente para você.

Ele te assustou, então... A tristeza pode fazer coisas, pode quebrar seu

coração, pode levar a vida de você.

E eu acho que ele causou isso.

Eu acho que ela era tão sensível que, quando

algo era muito trágico, ela não conseguia sofrer.

Ela se voltava para o outro lado.

O fato de continuar se recusando a se apresentar no Brasil lhe rendeu um duro

golpe de um conhecido jornalista.

Carmen Miranda esqueceu a língua portuguesa, desaprendeu o ritmo do samba

ela notabilizou e trocou as rendas da baiana pela fantasia de Calgary do

É como se Carmen fora conquistada por uma potência estrangeira e cumpria

-la, mesmo que fosse à força.

Mas de que jeito se ela própria se entregava feliz às tropas de ocupação?

Eu a conheci quando eu tinha 17 ou 18 anos.

Ela parecia fatigada.

Ela me surpreendeu como uma pessoa que estava muito desacertada.

Desaportada, eu acho que é a palavra.

Em um caso como o de Herman Miranda, ela morre por pedaços e pedaços e pedaços.

Porque as pessoas, para ajudá -la a ser uma estrela, que é o que elas achavam

que era o objetivo total de sua vida, realmente a interrompiam como uma

pessoa.

Soterrada embaixo de tantos balangandãs, em algum lugar estava nossa carne. E

estava ficando cada vez mais difícil encontrá -la.

Música Música

Música

Música Música Música

A Carmen sempre tinha dois shows por noite. Um às nove da tarde e o outro às

meia -noite. Eram shows muito, muito ocupados.

Muitos movimentos.

Ela dançava muito, batucadas e assim por diante. E ela a mantinha nesse tipo de

mood agitado.

E para dormir, ela precisava de uma pílula de dormir. E ela

tomava uma.

No final da vida,

ela tomava dez pílulas.

E, naturalmente, quando ela acordava, ela ficava grávida. E era o momento em

ela tinha que ir para fazer o seu show nos clubes de noite. E, para acordar,

tinha que tomar essas pilas de acordar.

Um avião se aproxima do Rio, a cidade maravilhosa da infância e adolescência

Carmen, e também dos momentos mais mágicos da sua juventude.

Ela foi levada ao aeroporto nos braços do seu médico.

Como uma criança, chorando sem parar.

Ele recomendara que ela voltasse para casa, para sua gente, para o seu país,

para que pudesse melhorar.

Como sempre, muita gente a esperava. 14 anos haviam passado.

Ela havia se arrumado antes do avião aterrissar.

Ela queria parecer bem.

Era outra carne.

O que haviam feito com ela?

O que ela havia feito consigo mesma?

A passagem dos anos por si só não podia ser responsável por tamanha devastação

em seu rosto.

Levada para um hotel, ela ficaria isolada durante muitas semanas, só

sua família por ordem severa do seu médico.

Sofrendo de depressão aguda, ela tinha crises de ansiedade, cada vez que via da

janela o mundo à sua volta.

Ela também estava desorientada pelos tratamentos de choque elétrico muito

nessa época, que a devem ter deixado assustada, vulnerável e com a memória

abalada.

A minha boneca estava quebrada.

Governador da embarcação do amor.

Coração, meu companheiro na alegria e na dor.

A felicidade procurada corre.

E a esperança é sempre a última que morre.

Coração que não descansa noite e dia.

Sempre, sempre aguardando uma alegria Dirigindo no mar desta

vida embarcada Aí ela começou a mostrar sinais de querer

desabrochar, como uma flor que recebe água.

Cercada pelo calor de sua família e seus amigos, ela parecia ter encontrado uma

certa paz.

Uma vez ela disse que tudo o que ela precisava para ser feliz, Era um bom

de sopa e a liberdade para cantar.

Nós deveríamos ter guardado ela para nós e nunca tê -la deixado ir embora outra

vez.

Ela voltou para Hollywood e se jogou novamente num roda -moinho de shows que

estavam esperando por ela.

Três meses mais tarde, em um show com Jimmy Durante, subitamente ela cai de

joelhos e quase não pode respirar.

Essa é a última imagem que resta dela.

Graciosamente saindo do palco e de nossas vidas.

Ela tinha 46 anos.

Nesta noite, ela morreu.

Eu corri para cima para ver a Carmen, e a chamei, e a chamei, e não

respondeu. Então eu lhe disse, Carmen, acorda -se, Carmen, acorda -se, como

ou quatro vezes.

E eu tentei mover o espelho que tinha na mão, e

não o moviu.

E eu recebi o telefone de sua esposa, Stella.

A senhora se morreu.

A senhora se morreu. A senhora se morreu.

A senhora se morreu.

A senhora se morreu. A senhora se

morreu.

A Massa foi celebrada na Igreja Romana Católica de Good Shepherd, em Beverly

Hills. A atriz morreu em fevereiro.

Seu marido, David Sebastian, um produtor de filmes, vai escutar o corpo para Rio

de Janeiro amanhã.

o seu caixão coberto com a nossa bandeira.

As ruas da sua cidade invadidas pela multidão que veio prestar sua última

homenagem e lamentar a sua perda.

Na medida em que a vida dela ficou mais clara para mim, Eu entendi que ela

jamais poderia ter correspondido às expectativas e anseios que tínhamos em

definir uma imagem nossa.

Afinal, ela foi uma artista com uma qualidade incandescente. E seu talento,

depois que ela nos deixou, foi usado por muitos por motivos diferentes.

Eu termino a minha história aqui.

Uma história cheia de alegria e tristeza também, como a vida mesmo.

Uma história, talvez, de reconciliação com Carmen e com nós mesmos.

Eu sei que ela foi embora.

Mas no meu sonho, ela voltou para ficar.

Para reafirmar o seu poder de uma vez e por todas.

Para que os seus seguidores pudessem perpetuar o seu culto no universo

E para que ela pudesse, para sempre, ser parte da nossa mitologia.

Para terminar, eu queria dizer que a minha mãe, que uma vez não me deixou ir

enterro de Carmen, reconciliou -se com ela. E agora está tudo bem em casa.

Meu pandeiro do samba, tamborim de bamba, já é de madrugada.

Vou -me embora chorando com meu coração

sorrindo. E vou deixar todo mundo valorizando a

batucada.

Adeus, adeus, meu pandeiro do samba.

Tamborim de bamba, jorra de madrugada

Joia que se perde no mar, só se encontra no fundo.

Também no cidade, tampando -se goza, neste mundo.

E do meu grande amor, sempre eu me despedi, tampando.

Mas tava tocada, agora desperto, chorando.

E guardo no lenço esta lágrima, sem...

Adeus, adeus, meu pandeiro do samba, tamborim de bamba, já é de

madrugada.

Adeus, adeus, meu pandeiro do samba Tamborim de bamba, já é de madrugada

Pô, já foi de madrugada

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