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Os personagens centrais deste filme foram inspirados em diferentes amigos de
realizador e na sua própria experiência de juventude.
Coincidência ou não, a geração que retrata privilegiava as sensações
a amizade e a fé na utopia.
O que está vendo?
Não me interessa.
Sai daí!
Você me conhece? Não. Então me esquece!
Oh, filho da puta!
O que é isso?
Esse imbecil estava querendo te matar?
Poxa, guarda. Esse cara é um louco.
Você é parente dele?
Não.
O que há, pessoal? Vamos circular. Vamos circular.
E vocês dois aí?
Olha, seu guarda.
Eu devia até agradecer a ele.
Eu ia fazendo... uma solene besteira.
Muito obrigado mesmo. Ah, vai à merda!
Ei! Ei! Morra mais!
Me aparece cada uma...
Esse pastel é de tão nojo, Gina.
É o seu catarro.
Estraga o sabor das iguarias.
Doce hemoptise.
Canalha, pôs veneno na massa.
Não é você que é atraído pelas comidas avinagradas?
pelos frutos verdes e podres.
Vai, vai, dá outro de palmito.
Resistir, durar, resistir à morte.
Cadê o xarope, China? Ele nunca toma.
Para com isso.
Torres, o sublime.
Quem é o convidado?
Um chato.
Outro desesperado que o teu amigo trouxe do viaduto.
O décimo desse ano.
Enche o copo aí, coreano.
Coreano é a mãe.
Eu sou chinês de Hong Kong.
Tá entendendo? De Hong Kong.
Bacana, hein?
Veja onde está o mito. Na chapa.
Almoço, por favor.
Me dá um cigarro.
E o pulmão?
Quero aumentar as cavernas.
Obrigado.
Um físico.
Um puta físico.
E o estômago?
É, eu acho que o intestino dançou de vez.
Herança do orfanato, do tempero daquelas bruxas.
O China deve ter aprendido a cozinhar com as missionárias portuguesas.
Além de poeta, é um bom gourmet. Você sabe como é que eu estou cagando?
Grosso e duro.
O resto tá um palmo pra fora.
Precisa cortar as frituras.
Olha lá o Magalhães.
Que babaca.
Tenho certeza que ele vai dizer que a gente enlouqueceu.
Vocês entoitaram de vez, né? Isso aqui é lugar de lançar livros?
Puta babaca, hein?
Vai ser um sucesso, Magalhães.
Só pode ter sido ideia desse louco.
Não, a ideia foi minha.
Vem cá que eu quero te apresentar o nosso mentor intelectual, o China.
Vem cá me ajudar a pegar os pacotes.
Acredite, é aqui mesmo.
Que absurdo.
Quem é que é a gracinha, hein?
Olha o respeito. É minha noiva.
Quem é esse bofe?
É meu parceiro.
Ele é feio, mas não morde.
E vocês, hein? Vão trabalhar, hein, moleza? Vão trabalhar?
Vão com isso?
Vão, moleza?
Incompetente mesmo, hein? Vai botar isso em cima da mesa.
Vai lá, pega uma escada pra pregar os cartazes. Cadê os cartazes?
Incompetente, cadê os cartazes do idiota?
Te cuida.
E aí?
Eles não vão levar a sério. Ah, vão.
Eles estão acostumados com essas extravagâncias de artista. Torres, o
Ô, imbecil, volta com essa escada pra lá. O que você vem fazer com essa escada
aqui, ô idiota? Volta lá! Não, amorzinho, deixa.
Deixa que eu faço isso. Mulher tem mais jeito pra essas coisas.
Ô, idiota, leva esses cartazes pra lá, idiota! Pega!
O primeiro
exemplar
vai para você.
Sentimento Ocidental
Vem, Teodoro.
Vamos embora. Pode deixar o portão aberto.
Cadê o carrão?
Com o pai.
Quer dizer que você também pega ônibus?
Claro.
Sexto da tarde.
É. De manhã eu ajudo a mãe no açougue.
Você mora no Sobrado Amarelo, né?
É.
É. Ainda não deu tempo de fazer amizade com ninguém daqui.
Você vai jogar futebol? Não, judô.
Ah, é?
Mas sabe bater uma bola? É, mais ou menos.
Eu vou nesse também.
Arrumou um amiguinho novo, hein, Piolho?
Piolho é tua avó. Tá ficando macho, garoto.
É, e agora deu pra andar com pó de arroz.
Vocês não sabem com quem tão se metendo.
Olha, o filhinho de papai tem umas perninhas branquinhas.
Vem, Arnaldo, leva ele pro mato pra dar as boas -vindas.
Ô, Piolho, se você passou ele na cara, é bom avisar. Aqui, o primeiro sou sempre
eu. Vambora, Rivaldo.
Olha, ele fala. O pó de arroz fala.
Arnaldo, você vai se estrepar, hein?
Vamos resolver isso logo.
Aí, Arnaldo, eu quero ver se você é macho agora. Vamos lá, pessoal.
Vamos lá. Chegou a hora da tumba. Vamos,
vamos. O
Arnaldo
sempre aproveitou da gente.
Agora é a vez dele.
Ele fez com você?
Claro, mas não fui só eu.
Quase todos nós.
Chegou a hora da desforra.
Você não vem?
Olha, você vai me desculpar, mas eu não perco isso por nada.
Ei, espera aí.
O que é? Está chateado por ontem?
Você não agiu legal.
Como não?
Agora você faz parte da turma. Por medo?
Por respeito.
Ah, assim não vale a pena.
Ah, que isso?
Você parece que se julga superior.
É? A gente tem um jeito de ver as coisas.
Eu sei que não é tão educado, tão fino quanto você.
Ah, deixa disso.
Aqui vale a lei da selva, Théo. O mais forte fala mais alto.
Eu te pareço muito fresco.
Um pouco.
Oi, Jeanette. Oi.
Ela é a filha do dono do Cine Carnaval, na cidade de Adenmar.
O pai dela é legal. Ele deixa a gente entrar de graça na matinê. É, ela tá
sempre aí quando eu vou pra academia.
Entrem, por favor.
Como vai?
Oba. Olá, como vai? Esse é Teodoro.
Ernesto Tavares, muito prazer.
Bório Carneiro, seu criado.
Por que o senhor não faz seu cinema e abre o salão de baile? Aqui está ele, do
jeito que você pediu.
Obrigada.
Agora temos a mesma idade. É, podem até casar.
Essa mulher me deixa louco, rapaz.
E a Janete não veio.
Você também combina encontro logo no cinema do pai dela?
Disfarça. Não faz isso.
A gente entra de graça.
Essa vai pra coleção.
Hoje à noite eu tenho companhia. Vai ficar aí doente.
Você não faz?
Ah, eu faço todo dia.
Dizem que faz crescer.
Meu pai disse que faz mal pra vista.
Ah, conversa de padre.
Ei, Psyll, vocês sabiam que a Deborah vai casar com o rei do faroeste barato?
Ei, vambora.
Que tal essa pra aquele meu conto de guerra?
Ah, procure o que você acha melhor.
Ah, eu quero essa.
Desde que eu entrei no seu brinquedo, estou tirando notas boas em português.
Legal, né?
Você está me fazendo virar um CDF.
Ué, mas qual o problema?
É que eu vou ter que largar a escola.
O açougue está para ter vendido.
E o marido da minha mãe está querendo que eu mude para Iguape.
Já andou dando umas indiretas.
Quer que eu trabalhe com os parentes dele, lá no litoral.
Seu padrasto quer te ver longe mesmo, não é? É.
Mas tem uma vantagem.
Quando você quiser ir à praia, fica comigo.
E garotas?
Tem muitas.
Nenhuma especial?
Só os turistas.
Mesmo assim, nada é especial.
Eu invejo a tua independência.
Só porque eu vivo sozinho?
Ah, é que eu ando muito amarrado à família.
Estou até trabalhando na ótica.
Ela vai ser sua um dia.
Ah, não. Meu negócio é escrever.
Esse lugar ainda vai progredir, você com ele. Tá legal.
Volta a estudar, Rivaldo.
Quando der, eu faço uma dureza.
Ah, tem um amigo aqui que é escritor. Só que é meio louco. Me fez ler o
Nietzsche. É?
Sabe, Janete?
A gente tá namorando firme.
Os pais dela não aprovam.
Mas a gente se gosta.
Por que você só me contou isso agora?
Porque eu sabia que você gostava dela.
Já beijou.
Sim. E o resto?
Claro que não.
Por que você me jogou em cima dela?
Não era pra mim.
Você queria me usar pra se aproximar da Janete.
Tô sempre fazendo besteira, né?
Manda lembranças.
É nosso convite.
Oi. Oi.
O seu amigo aí foi muito bacana.
Esse baile vai ser muito bom e vai dar uma boa renda para o orfanato.
Filantropia não era um dos seus predicados.
Isso me faz importante para os políticos.
Nada de sentimentalismo.
Você se sente bem posando de mau caráter.
Eu não presto.
Oi.
Você toca muito bem, hein? Obrigado.
Vocês são daqui?
De São Paulo.
Meu nome é Cecília.
E essa é minha prima, Olga.
O que vocês fazem?
Eu sou escritor.
E vocês?
Ela estuda, eu trabalho, numa doceria no Largo do Orocho.
Entrendida. A Olga achou você uma gracinha.
Você fala por ela? Ela é acanhada.
Não devia, tão bonitinha.
A gente não conhece quase ninguém por aqui.
E querem conhecer a cidade, não é?
E
agora,
o que a gente faz?
O armazém não está fechado?
Você não tem a chave?
E elas topam?
Claro que topam, Torres.
Elas foram virgens.
A Cecília, eu tenho certeza que não é. Então você fica com ela.
O que é que foi? Está com medo agora?
É que eu gosto de cabaço.
Você que sabe.
Um uísque, por favor?
Uísque? Aqui é luxo, moça.
Mas tem um vermouth meio cabreiro por aí.
Desculpa, Theo.
Mas a garota está querendo uma bebida.
Tá bom.
Vamos lá.
Para você.
Para você.
Um brinde à nossa noite.
Só que tem uma coisa.
A gente só vai até um certo ponto, tá?
A essa não.
Ela tem razão.
A gente só veio aqui para uma brincadeira. Ah, é?
Se me pegam aqui, eu posso ser expulso da cidade.
Vem. Vem, gatinho.
Você... tem namorado?
Tenho.
Vamos casar?
Não.
Você já fez amor com alguém?
Claro.
Várias vezes.
Eu acho que você é calouro.
Calouro?
Você sabe beijar?
Sei.
Então me beija.
Não, assim eu não quero. Me larga. Sai.
Não.
O que é isso? Você é uma galinha demais se eu fosse inocente.
Mas eu sou.
O que você quer fazer, então?
Você é muito afobado.
Você queria um romance?
Por que não?
Por que você nunca falou sobre seu pai?
Meu pai amava a vida.
Bebia.
Não muito, mas... Bebia.
Sabe... Ele morreu com um copo de vinho na mão.
Rindo.
Dizendo uma coisa que eu nunca entendi o porquê.
Eu vou.
Não entrava.
Mas não é possível.
Que loucura, uma semana que eu procuro você.
Nós mudamos para o Pacaembu.
Como é a universidade?
Ganhei até um Fusca. E melhorando de vida, hein? Meu pai abriu outra ótica. E
você? Eu estou de volta, vim estudar.
Bom ouvir isso.
Tomou oração lá na Pompeia.
E aí, viu esse filme?
Várias vezes, engraçado.
Eu vi drado nesse filme militarista.
E o que é que tem? Não faz o menor se rivalda. Ainda mais agora.
E vai me dizer que agora entrou pra política.
Centro acadêmico.
E... bora.
Aqui está o Oscar que estavam te devendo.
Você não encontrou mais a Cecília?
Ela trabalha aqui pertinho.
E a Olga?
Nunca mais vi.
Você não esqueceu mesmo a menina, hein?
E posso?
Não se preocupe que ela não pegou o filho.
Como é que você sabe?
Está legal, eu a encontrei.
Fiz um programa com as duas.
Inclusive com a Cecília, que era virgem.
Sacana, você comeu a minha menina?
Ah, mas não é pior, viu, Rivaldo?
Porque ela só falava em você.
Filho da puta! O que é isso, Rivaldo? Ela era uma biscatinha.
Olha, eu não sou mais seu amigo.
Deixa disso, Rivaldo. A nossa amizade é maior do que tudo.
Olha, vá embora.
Nós somos um só, Rivaldo.
Olha, eu vou acabar te dando umas porradas.
Você sabe que eu posso te machucar.
Espera, Rivaldo. Calma.
Tem muita coisa acontecendo para você ficar chorando por amor. Vai à merda.
Escuta, vamos lá em casa. Vamos tomar um lanche. Não, não vou.
Toma. Fuma um cigarro, vai.
Pega.
Por que não fazemos o seguinte?
Estou com dinheiro aqui.
Vamos à galeria.
Entramos no inferno, pegamos duas piranhas... e fazemos uma farra.
E tal?
Rivaldo, há quanto tempo você não transa?
Só que eu vou com as duas primeiro.
De acordo.
E vai ter que ficar olhando fazer.
Tá bom. Você que sabe.
Valeu.
Foi bom, tá? Tudo bem? Agora dá licença. Fazendo um favor, tá? Tudo bem?
Por favor, tá?
Até que enfim o nosso homem.
Vamos entrando, a casa é sua. Fique à vontade.
O que está acontecendo aqui, gente?
Pelo visto, foram bem na prova.
Com louvor, poeta.
Vamos comprando?
A gente está meio na merda. O que é isso? Oferta da casa.
O que é?
Na sua conta.
Se você ficar colocando na sua conta todos os livros que saírem daqui hoje...
esses primeiros.
Vai por mim. Os lançamentos são feitos para fazer os amigos comprarem.
Eu mato este povo. Ninguém me engana, piranha.
Sua canada, você me roubou.
E vai aprender.
Eu tenho que ir embora.
Sabe como é?
Minha mulher... Tudo bem, ela vai comigo.
Minha pensão não é longe.
Onde você acabou de dormir?
Aqui.
E você?
Também.
Eu acho que sua cama é um pouco pequena, não é?
A gente se aperta.
Eu durmo no chão.
Claro que não.
Me deixe em paz, por favor.
Oh, parceiro, desculpa eu tirar você assim do serviço. O que houve?
Cadê a Nézia? Não, ela tá ótima.
Será que não dá pra gente tomar um negocinho aí, não?
Não, eu estou ocupado. Não, tudo bem, sabe o que que é? Você precisa me
um galho.
Eu tô duro. Não, não é isso não. É a Nézia.
A família dela mora no interior.
Olha, eu estou a zero. Não é grana, porra!
É a Nézia.
A família dela não sabe que ela se vira.
Acha que ela trabalha numa fábrica? Que é noiva?
Olha, eu não posso ficar aqui de bobeira. Tudo bem.
Você é amigo da gente, é um cara bacana.
Você vai fazer aí no fim de semana?
Olha, eu estou muito ocupado agora.
Depois a gente conversa.
Garoto, vou ficar te devendo essa.
Faz tudo certinho. Vê se tira da porra da cabeça do teu irmão essa história de
vir trabalhar aqui na capital.
Já estou morrendo de saudades. Olha aqui, pega logo esse bilhete, senão
vão acabar perdendo a hora desse trem.
Valeu, garoto.
Obrigada.
Eu prometo que não vai ser tão chato como você está pensando.
Eles vão desconfiar.
É só a gente ficar assim bem juntinho o tempo todo.
Eu não tenho cara de noivo.
Tem sim.
Esse é o meu noivo, o parceco. Prazer.
Ari.
Vamos indo? Vamos.
Você veio sozinho?
Vim. Vamos?
Vem.
Lembra, pai?
Até que enfim, hein?
Esse é o passeio.
O que você faz?
Ele escreve para aquela revista, o proprietário rural.
Ganha bem, não é?
Mais ou menos.
Ô pai, deixa disso.
É que eu estou pensando em ir trabalhar em São Paulo.
Lá tem campo para mim.
O que é que você faz?
Contabilidade. É, a concorrência é muito grande.
Esse rapaz não está bem de saúde.
O senhor gostou dele, pai?
Ele é esquisito.
Não é tuberculoso, é?
Ah, puro demais dá isso.
Eu não gosto da cidade.
Vocês podiam vir morar aqui.
Eu não sei fazer outra coisa se não escrever.
Tem o nosso jornal.
É.
Até que pode ser.
O senhor fica aqui todas as noites?
Quando não chove.
Claro.
Aqui é um lugar gostoso.
Senta aí.
O senhor não tem um cigarrinho desse aí?
E a tosse?
Tudo bem.
Maravilha
Não podia fazer nada.
Você está boa?
Estou ótima.
Que linda.
Esse aqui é meu noivo.
Essa é a Sônia, uma grande amiga de infância.
Ela é professora aqui no Mário Peixoto.
Onde é que vocês estão indo?
A gente está indo ver o padrinho.
Vamos com a gente?
Vamos. Vamos sim.
Seu Arthur, seu Arthur, sua sobrinha.
Como vai, Padrinho?
Fala comigo.
Fala.
Vai começar.
Por tua causa, embora o homem te aceite, é que as mulheres ruins
ficam sem leite e os meninos sem pai
morrem de fome.
Ó morte!
Ponto final da última cena.
Minha filosofia te repele.
Meu raciocínio enorme te condena.
Vamos embora.
Vem.
Mas isso é Augusto dos Anjos, como é castível.
E então?
E então o quê?
É você o cafetão dela?
O quê?
Todo mundo sabe que ela é aqui.
Inclusive os velhos.
Ela acha que engana os pais.
É bom assim, né?
E está tudo bem para eles?
Eles adoram ela.
E ela toda preocupada.
É.
O que você é dela?
Amigo.
O que vocês estão conversando?
Seu noivo é um rapaz muito inteligente.
Está comprometido.
É uma pena.
Ela está encantada com você.
Ela é tão bonita.
É porque você é da cidade.
Lá eu não consigo ninguém.
Eu podia ficar por aqui.
Você ainda não é noivo, sabia?
E eu acho bom a gente representar direitinho.
Me dá um beijo.
O quê?
Me beija.
Ô parceiro, por favor, você pode me ver as horas?
Valeu, parceiro.
A gente se vê lá na pastelaria.
Ah... Ah... Ah... Ah... Ah... Ah... Ah... Ah...
Ah...
Ah...
Ah...
Ah... Ah...
Filho, você devia ter avisado o pessoal da imprensa.
Avisei.
Infelizmente. Oh, tudo bom?
Até que enfim, algo de novo, Magalhães.
Vou dar a página inteira para esse acontecimento maravilhoso.
Porra, é o fim da caretice nos lançamentos da hipopeia.
Parabéns.
Alexandre, vem aqui. Eu me demito.
Caprichou.
Isso, mais uma.
Lindo.
Você já tá dando vexame, velhinha. Ah, vagão, eu não sei para bailar. Pra que
negar? Velhinha, você tá exagerando na bebida. Tchau.
Velhinha.
Sai lá, bicho.
Ué, ela falou em inglês.
Quase, quase.
Você fala mandarim, não falava nada.
Obrigado.
Oi, lembra de mim?
Nós moramos no mesmo bairro.
Janete, time carnaval?
Está bonita, mudou o cabelo.
Eu ainda lembro daqueles livros que vocês faziam à mão.
Está aqui.
Obrigada.
Como é que você soube?
O Thorne me convidou.
Ah, safado. Nem me contou nada, hein?
Eu vou apresentar uma pessoa para vocês.
Libby, meu marido.
Libby, seu criado.
A Janete sempre me falou de você.
O Libby ficou com todos os cinemas do papai. É, o Cine Carnaval. Sim, me
transformei num salão de baile.
Com o Cine Tamoio, eu fiz dele um estacionamento.
Agora o Cine São Tomé, eu vendi para uma rede de supermercado.
Modestamente. Faça uma galinha.
Ih, olha quem está aqui.
O profeta do glicério.
Vocês passaram na minha frente.
E ainda fomos beber da sua ponte.
Casou?
Esse cara me aprontou uma.
O que está fazendo no meu pedaço?
Estou terminando o curso de datilografia aqui na Liberdade.
Foi bom te encontrar.
Como é que está lá na editora?
Estou saindo.
Putz.
Eu vim te procurar para tentar me encaixar na redação.
Tudo bem.
Mas você sabe que o salário é uma merda, hein? Sei.
Mas eu quero me enturmar logo antes da profissionalização.
Está legal.
Eu acho que a idiota está pensando que eu sou bicha também.
Claro.
Olha
aqui,
se eu conseguir o seu emprego na editora, você não quer ficar morando
meses, não?
Como é que é?
É que eu estou pensando em dar um tempo com a família lá em Minas e quero
entregar o apartamento.
E você não vai levar nada disso?
Não, só alguns discos.
Claro, o aluguel você paga. Então, nicho. Olha, tudo certo.
Incrível.
Olha aqui, ó.
Só não quero que suma nada, hein? Ah, tudo bem.
Agora essas fotos de homem eu posso tirar.
Pode, mas não joga fora.
Você escreve direitinho.
Agora, já vou avisando, hein? Não quero gênios aqui.
Nosso negócio é imprensa dirigida.
Revista segmentada. Eu já dei todas as dicas a ele.
É importante que ele conheça a nossa filosofia.
Nós somos o futuro da cultura.
A segmentação será o marco dos anos 70.
O proprietário rural é o nosso carro -chefe.
É o que paga o meu salário. Se um dia você se aplicar, colaborará nele.
Mas enquanto isso, você vai trabalhar com o Osório. Osório? Osório é o redator
-chefe de O Taxidermista Moderno.
Taxidermista Moderno.
Até agora o único redator, mas com dedicação e afinco, você poderá passar
para... Ah,
Boccia e Boliche.
Boccia e Boliche.
É a menina dos olhos do patrão.
E o trampolim final, as semestrais apiário e ranário.
Então, você poderá começar já. Não, amanhã. Melhor amanhã. Traga a carteira
trabalho e não esqueça essa gravata.
Ah, o telefone.
Profeta, eu não entendo nada dessas coisas.
Calma. Você vai passar por uma fase de aprendizado.
Mas cuidado com o Osório, hein?
O Osório está aqui desde a fundação da empresa.
Desde o início ele está pedindo se aposentar nessa moleza.
É preciso ser maneiro.
Cuidado com o Osório.
Cuidado com o Osório.
Osório.
Como é que vai, grande jornalista?
Como é que é? Trouxe as coisas?
Talma.
Deborah Padgett. Terry Moore.
John Cage.
Edgar Varese.
Bud Noyce.
Stockhausen. Jimi Hendrix. E tem mais.
Matéria assinada.
Você não acha meio cretino a gente ficar aqui se enchendo com toda essa erudição
enquanto as coisas estão acontecendo lá fora?
Tanto amigo da gente sendo preso, torturado.
Tanta desinformação com a nossa própria realidade.
Ah, que saco.
Você pode se dar ao luxo.
Eu nunca tive acesso a essas relíquias.
Você já tentou se engajar em algum grupo? Já, e me dei mal.
Estou me sentindo meio vazio, viu?
É porque você tem vergonha de ser rico.
Se você for em cana, seu pai tira você na hora. Vai a merda, Toy. É isso mesmo.
Você tem tudo o que quer.
Garotas, carro, faculdade, loja. O Ted é pior do que o Câncer.
Ah, o Ted é pior do que o Câncer.
Burguesinho babaca. Sou, sou burguesinho. E daí, o que tem?
Cesário verde também era. Mas que megalomania, hein, Pell?
O Cesário Verde era doente, frágil. Você é forte que nem um bezerro. Vai ficar
fazendo apologia da fragilidade agora. Eu não, você que é complexado. Vive aí
analista para se redimir da sua fortuna. Não torra. É isso mesmo, dinheiro não
compra talento. Suas poesias são medíocres porque quase beiram o oficial.
Você é um acadêmico. Você tem inveja da minha erudição.
Caguei. O que te falta é vivência.
Eu sou maldito porque nasci maldito.
Sou filho bastardo como todos os grandes visionários. Moisés, Buda, Maomé,
Cristo. Você está embaralhando tudo.
Eu estou 100 anos na sua frente.
Eu fui hippie antes de pintar os hippies. Eu queimava fumo antes de virar
de burguês. Eu aprendi a escrever lendo Marcel Capa e Brigitte Bichon, porra!
Eu lia Verlaine em Guape e me masturbava. Eu ensinei você a jogar
encolher as bolinhas, a se defender dos viados, a entrar no cinema sem pagar, a
falsificar as cadernetas, a enrolar um bateado.
Tudo bem, tudo bem.
Só que você parou no tempo. Eu não, eu continuei.
Você tem que admitir, Toy.
Eu é que te reciclei culturalmente. Ah, reciclou o cacete. Eu é que dei um tempo
pra viver, cara. Pra viver como Rambo.
E eu...
Sabe qual é o seu problema, Torres?
É que você não consegue colocar no papel toda essa sua porra louquice.
Diz aí, parceiro, como é que é? Você tem aí pra gente?
Desculpa. Vai, passa a grana aí, rapaz. Mas que grana?
Desce, desce, desce.
Você trabalha, não trabalha?
Hoje é dia 10, dia de receber.
Cadê a grana?
Você vai colaborar com a gente, não vai? Mas eu não recebo dia 10.
É grana. Está gozando com a gente? Mas eu ganho mal pra burro. Vai ter que
bico, trouxa. Pra ganhar mais.
Põe isso pra frente. Mas eu conto por baixo quanto vocês.
Segurem ele aí. Segurem ele aí.
Isso eu preciso aprender, maluco. Da próxima vez, se tiver duro, a gente se
apaga. Vamos embora. Vamos embora.
Vamos embora.
Te pegaram, né?
Alguém tem que fazer alguma coisa.
Essa rua aqui tá uma barra.
O rapaz que está chegando aí já te procurou umas duas ou três vezes.
Você não muda, hein?
Sempre vivendo a noite.
O que houve?
Você é uma das últimas pessoas que eu gostaria de ter encontrado hoje.
O
que
é isso, hein? Quem diria?
Vou logo avisando, hein?
Isso aqui é de um amigo meu.
Eu não quero que suma com nada.
Sempre me confundindo.
Tudo bem, tudo bem. Pode falar, o que é que você quer?
Se for dinheiro, desista, porque já me levaram tudo.
Sempre direto, incisivo.
Eu gosto. Ah, não enrola, porra.
Não quero grana.
Fala, cacete.
É a minha organização.
Saco. Não estou interessado. Mas devia.
Você pode ficar sossegado, não vim aliciar você.
Pelo contrário.
A revolução não é uma obra de arte, um espetáculo, um artesanato.
Não se pode realizá -la com tranquilidade, delicadeza e elegância. A
um ato desesperado de violência, pelo qual uma classe derrota a outra.
Não se trata de suprimir a ordem, mas a ordem tem que ser interior,
porque a ordem exterior é hierarquia, e essa tem que ser suprimida.
Temos banido das nossas fileiras toda ideologia feita de fraqueza e
São errados todos os pontos de vista que superestimem a força do inimigo e
subestimem a força do povo.
O liberalismo é extremamente prejudicial nas coletividades revolucionárias. Para
ligar -se às massas, importa agir de acordo com as necessidades e aspirações
massas. Todo o trabalho feito para as massas deve partir das necessidades das
massas. Porra, Tchê! Eu aqui morrendo de fome e você só fala em massa? Cala a
boca! Fica quieto!
Porra, Tchê!
Eu trabalho! Para com isso! Eu quero dormir!
Fica quieto! A gente conseguiu pegar a rádio de Havana!
Não! Não!
Não!
Vamos desligar essa merda aí, porra!
é esse? É o bairro Jovem Globo!
Trotsky se fiou porque quis. Não soube chegar ao poder porque tinha dúvidas.
Stalin pode ter sido uma besta, mas era um homem de ação.
Que horror!
Você está defendendo os expurgos.
Sem trocadilho. Trotsky é um picareta.
Ressuscitar esse cara é coisa de quem está namorando o fascismo. Eu te
Oscar. Mas gosta de dormir comigo.
Por que não pintou outro? E eu não pertenço a você. Eu sou livre.
Eu duvido. Você é muito moralista. Você gosta da maneira liberal como leva a
vida. Coisa que você só é capaz da teoria.
Ah, é?
Escuta aqui, Rivaldo. Você quer trepar comigo?
Como?
Você me acha gostosa?
Claro. Pois então, vou mostrar que sou ótima na prática também. Deixa disso. O
Torres é um cara político.
E daí? Ele é homem, não é?
Você é minha namorada, Paulinha. Paulinha, porra nenhuma. O meu nome é
Nelson e eu não sou propriedade de ninguém.
Você está sendo ridícula.
Babaca. Mas eu fui o primeiro.
Mas não vai ser o último.
Seu puto estalinista.
Amigo, quebra essa pra gente, dá um tempinho lá fora, vai.
O que houve?
Chegou a hora, Rivaldo. Eu fui aceito no movimento.
Pra onde você vai?
Ainda não sei.
Talvez pro interior do país.
Mas é bom você nem saber.
Claro que é.
A gente ainda vai se encontrar, em condições diferentes.
Se eu estiver numa boa, você também vai estar.
Agora, se me acontecer alguma coisa, eu mando te avisar.
Eu não conheço ninguém.
Eu só volto morto, parceiro.
Você vai ter que espalhar minhas ideias.
Eu vou pra fazer a história.
Oscar. Ei, acorda.
Estou indo para o serviço.
Se sair, deixe a chave na geladora.
Cuidado com ela.
Veja se não fica andando de bobeira pela rua.
Eu não vou me ferrar por causa dela.
Dona Albertina.
Tem um parente meu que vai passar uns dias comigo.
Então, sua preencha isso, por favor. Ué, mas pra quê?
Ordens da polícia.
Ah, deixa disso.
Eu me responsabilizo. É um parente meu. Sinto muito, seu Rivaldo. Eu não posso
transgredir a lei.
Vai ter que fazer a ficha do moço. Ora, de noite eu faço.
Eu agora tô atrasado pro trabalho, tá? Não, não. Vai ter que preencher agora.
Seu Rivaldo, agora, por favor. Depois, depois.
Ô, seu Rivaldo! Bruxa. Seu Rivaldo!
Ei, onde você vai com tanta pressa, rapaz?
Documento, rápido!
Entra no carro.
Eu tenho documentos. Você tem pinta de comuna. Eu sou operário. Pra mim você
é jeito de bicha.
Não, senhor.
E cala a boca, se ele falou que você é bicha, você é bicha mesmo? Tudo bem, eu
sou bicha. Então vai preso. Mas eu não fiz nada.
Fez vadiagem, tava caçando macho. Carteira de trabalho.
Não fica comigo, fica na firma. É mentira.
Eu juro por Deus.
E outra, não parece com você, hein?
Faz tempo que eu tirei. Você estuda?
Larguei. Ainda bem.
Estudante é tudo subversivo.
Ele pode ir embora.
Está limpo. Obrigado.
Onde você vai?
Nós vibramos na tua casa.
Obrigado. Você podia ser preso como um michê, como um fanchona.
Obrigado. Porra, mas nem um cafezinho.
Eu só tenho isso aqui. Bicha proletária é uma merda mesmo.
Tá bom, cai fora. Se manda.
E vê se não fica rebolando por aí, hein?
Que demora pra abrir a porra dessa porta.
Ô, seu de belo, vai dormir, gato.
Mas o que é que tá acontecendo?
O que é que ela faz aqui?
Ela é uma companheira.
Mas o que é que tá virando isso aqui? Um albergue, é? Ela também tá sendo
procurada. Fora daqui!
Que eu vou com você, hein?
Sai da minha casa!
A qual é a rival dessa não é sua casa. Pior, vai sair agora mesmo.
Você tá sendo fascista.
Ah, tô?
Ótimo!
Você estava trepando no meu lençol, é?
Claro que não.
Com ela é seu trabalho.
Vem, sente um pouco.
Você está muito nervoso.
Eu te preparo um café. Que café, porra?
Vem, deixa eu te apresentar a Liana.
Liana. Esse é o Torres.
Ele fecha com nossa causa. Que causa?
O padeiro disse que você é ponta firme. O quê?
Padeiro? Que padeiro?
É o meu nome de guerra.
Você está colaborando com a gente.
Eu sou aquilo que vocês chamam de massa de manobra, não é?
Você é um cara muito legal.
Eu não te disse?
Sabe o que me aconteceu?
Fui achacado pelos homens. Filhos da puta.
Me humilharam.
Me chamaram de bicha.
Você foi mais uma vítima da violência oficial.
Está gostando da minha cara?
Não. Sou a bicha.
Tudo bem?
Onde é que eu vou dormir?
Aqui na sua cama. Para essa.
E você?
Está para duas pessoas, não dá?
Se você quiser, você pode dormir de terno.
Oi, amigo.
Tô saindo pra um trabalho importante.
Você foi muito bacana.
Talvez eu não volte mais.
Cuida bem da companheira, tá?
Não vai se atrasar.
Hoje é sábado.
Eu tenho dia livre.
O dia todo?
O dia todo.
Espera um pouco.
Filho ou garoto? Você que está no 76...
Estava, dona.
Estava. Tem uma ficha aqui para você preencher. Esquece tudo e vá embora. Por
favor.
Bom dia.
Bom dia. O torre está ali em cima. E quem é o senhor?
Um amigo.
Então preencha essa ficha aqui, por favor.
Não vá preenchendo, por favor.
Está aqui.
Obrigado. Preencha.
Oh, mas demorou para...
Tem alguém aí?
Uma mulher?
Claro.
Ela dormiu na cama e você dormiu no chão. Não.
Outro cara dormiu aí.
É meio difícil de entender, né?
Bom, tudo bem. Se você quer que eu vá embora, eu vou. Não, não, não. Eu quero
que você conheça ela.
Ela é linda.
E é inteligente, politizada.
Bacana, hein?
Custou, Theo.
Mas eu... Eu acho que eu consegui uma garota pra mim.
Você nunca deu chance a ela, né? Olha, vê se você não vai estragar tudo, hein?
Ela pensa que esses livros aí são meus. Os discos.
Tudo certo, tudo certo.
Eu acho que eu... Tô apaixonado. Hum, coisa séria.
Que babaca.
Me deu vontade até de escrever.
Esse é meu melhor amigo, Helena.
Oi, tudo bem?
Tirou a sorte grande, hein? É, eu sei.
É, bom, eu... eu vou... Volto tarde. Não. Não?
Sorte pra vocês.
Sorte mesmo.
Eu pensei que você fosse amarrar no meu amigo.
Por quê?
Ah, ele é bonito, rico, inteligente.
Por que isso demais para o meu gosto? Ah, isso ele é.
Parece aluno do Mackenzie.
Todos os relacionamentos que eu tive com homens bonitos foram na base da
competição. E além do mais, a maioria era frouxa.
É, impotente, né?
Que me atraem você.
É essa virilidade que parece ter ficado incubada há tanto tempo.
Eu sou meio ninfomaníaco. Eu sou totalmente ninfomaníaco.
É a grande contradição. Eu, aqui...
Me deliciando com os pratos da China capitalista.
Relaxa e aproveite.
Que maneira sórdida de empregar o dinheiro que me confiaram. É, sem
não há energia, não há luta.
E ontem nós passamos o dia em jejum, só com sexo.
Eu não tenho do que reclamar, companheiro.
Até quando vamos ficar juntos, Helena?
É, eu não sei.
Há um poema.
O cinema vigou. A poesia michou. A poesia e o cinema
coctou.
Mas eu te... Chegou a hora.
Como?
Vamos até o apartamento que eu preciso arrumar minhas coisas.
Não, não.
Não faz drama, tá?
Agora não.
Eu tenho que ir.
Você compreende, né?
Não.
Não compreendo.
A gente vai se encontrar de novo.
Não, não vai, Eliana.
Vem cá.
Vem, ele pode esperar um pouco.
Não vai ser legal.
É, acho que não
Quem são vocês?
O que é que vocês querem? Você é o dono do apartamento?
Um locador.
Conhece uma moça chamada Luisa Valverde? Não.
Nome de guerra, Eliana.
Nunca vi.
Tá mentindo, cara.
Juro por Deus.
Você é Shibonga, é? Como é que é? Nada.
Você conhece Oscar Viana?
Não. Como não?
Eu não conheço.
Olha aqui, olha aqui, ó.
A direita tomou poder.
Memórias de um terrorista, tratado geral de bombas hidráulicas, e vai me dizer
que não é terrorista, porra! Esse cara tá me dando nojo.
Mente de cara lavada. Ele foi visto nesse prédio. Quem?
O Oscar, a Eliana.
Você também é da LN?
O que que é isso?
Essa não, vamos levar esse cara pra cima.
Meu pai é da ativa, hein? Ele sabe que o filho é viado?
Sabe? Então vai dar graças a Deus pelo que a gente está fazendo.
Vamos embora.
Eu quero ir. Sai, cacete.
Forra. Me larga.
Eu não estou sabendo de nada.
Eu apenas emprestei um apartamento.
Eu não sei de nada.
Pelo amor de Deus, me salta. Eu não quero ir.
Pai, vocês vão se arrepender disso. Vai, vai.
Olha lá.
Foi divertido, filho.
Mas vê lá se não apagou no nosso ramo, hein?
Você sabe como é, dar um sangue.
Claro que não, pai.
Obrigado, garoto.
Obrigado.
Se cuida, menino.
Essa tosse é perigosa.
Pode deixar, Xavier. Vou cuidar dela.
Dona Raimunda, tchau.
E aí, Piolho?
Tá feliz?
Tô.
Mas antes que eu me esqueça, Piolho é a mãe.
Chinês, seu chinês, a tua festa tava um tesão. Um tesão.
Faz uma caridade,
por favor.
O que que você quer?
Então, Magalhães, como é que foi?
Seu pai pagou mais da metade, né? O velho é mesmo um trouxa, né?
Eu tô cheia de você.
Para com isso, Magalhães. Você é de minha responsabilidade. Bora, velhinha.
aqui não é lugar pra você, velhinha. Por quê?
Porque isso aqui é a sarcheta. O baixo mundo.
A perdição total. Eu amo este lugar.
Velhinha, seu pai vai me matar, velhinha. Então é por isso que você se
Não, porque você é virgem, pura, feita pra mim.
Faça isso. Não deixe ninguém tocar nela.
Hoje eu vou dar pra todo mundo.
Calma,
calma, calma.
Eu cuido dela.
Obrigado. Xavier, você é um cara decente.
Fique tranquilo.
Ela está em boas mãos.
Vê mais uma aí, chefe. Você está mandando um chorinho.
Esse lugar é encantado, sabia?
Sim.
Escuta, aquelas histórias de Iguapi aconteceram mesmo?
Claro.
Com você?
Com os dois.
Nós misturamos nossas experiências.
O livro é tão lindo.
Escuta, aquilo que o Magalhães disse é verdade?
O quê? Que eu sou virgem?
Então, vamos cuidar desse detalhe.
Eu vou.
Eu vou.
Ainda não é tua hora.
Procura outra alma livre.
não desejemos nós, os sem defeitos, que os tísicos pereçam.
Pois temos ainda o culto pelos mortos, esses ausentes que não
voltam nunca.
Evoé,
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