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A QUINTA DO CLARKSON
CAPÍTULO 32 DE LAVRADOR A SENHORIO
ABERTO
SEXTA-FEIRA DE FERIADO
10H00 2 HORAS ATÉ À ABERTURA
- Bom dia. - Bom dia. O que te parece?
Parece-me um bar.
- É um bar! - É um bar.
É empolgante, não é?
- Já fiz o menu. Queres ver? - Sim.
O que temos?
"Paté de galinha ou presunto prensado, piccalilli ou cogumelos ao alho."
"Salsichas do dia, puré, molho Hawkstone, cebolas."
"Ensopado de Lancashire, crumble de maçã, cheesecake."
Fantástico.
Bom dia, malta.
Cheira bem.
- Bom dia. Tudo bem? - Bem, e tu, Nick?
Depois do sprint até à meta,
o ambiente na manhã de abertura era tranquilizadoramente calmo e otimista.
- Bom dia. - Bom dia. Entusiasmados?
- Claro. - Muito.
- É a batata com repolho? - É.
Adoro isso.
Bom trabalho, muito bem. Tudo fantástico.
Bom dia a todos.
- O pão fresco veio logo pela manhã. - Aí está ele.
Ótimo. Os ovos chegaram.
Está tudo a compor-se, mesmo a tempo.
E é sempre assim. Eu podia ter entrado em pânico
e ter dito: "Faz isto, faz aquilo",
mas aprendi que toda a gente sabe o que deve ser feito
e todos estão a fazer um trabalho notável.
Pois estão.
Depois da minha volta ao estilo "Rei Carlos"...
10H45 1 HORA ATÉ A ABERTURA
... o Kaleb e eu dedicámo-nos a um trabalho que eu queria muito fazer.
Onde é que é isto?
Nem tentei, é demasiado complicado.
Batizar o bar com o seu novo nome.
THE WINDMILL RODÍZIO E RESTAURANTE
Tenho de ir mais baixo do que a placa
para a inserir na madeira.
Não cabe na armação.
Cabe dentro da armação, mas não cabe...
- Na parte de baixo. - Sim.
Não é ideal, pois não?
Não. Mas Roma não foi feita num dia.
- Vamos pôr o outro lado. - Sim.
Encontrámos um pequeno problema, que a Lisa detetou no outro dia. Isto.
Ela diz que é algo sugestivo.
Só a Lisa para detetar algo assim, mas detetou.
Sim.
Trabalho bem feito.
Bem, não está. Está meio feito. Mas, para já, serve.
Ficou bem. O letreiro ficou espetacular.
O letreiro... É que tentámos vários nomes.
Sim.
Nada é mais leal do que o cão de um lavrador.
O teu cão é o ser mais leal
- que conhecerás. - Sim.
- Já os teus... - Os meus são pouco leais.
"Coma num restaurante local. Peça bife malpassado. Desfrute."
Depois, pendurámos várias coisas.
- Aqui está. E tu? - Não. Pronto.
INADMISSÍVEIS: KIER STARMER - JAMES MAY
E quando estávamos a terminar,
o Charlie chegou e fez uma observação alarmante.
- Que foi? - Então e os preços?
O que vamos cobrar?
- Não está tratado? - Ninguém o fez.
Pelo amor de Deus!
- Abrimos em 42 minutos. - Abrimos em 40 minutos.
Com o Charlie a ocupar-se desta questão,
o meu nível de stress voltou a subir
quando me apercebi de uma série de outros problemas.
Rachel? Para onde vai o módulo das carnes?
É esse o problema.
Esse é o problema de querer que uma sala seja privativa
- e de rodízio. - Eu sei, mas não pode ficar ali.
- O problema é ser muito pesado. - Mas tem rodas.
Estes bancos não funcionam.
- Não giram. - Pois não.
São feios e obstruem o balcão.
Só dá para sentar se ficares virado para a frente.
Tenho cenouras prontas como legume do dia.
- Vou precisar de uns feijões, chef. - Sim.
O que é esta porcaria?
- São ferramentas. - Sim.
- Para a tenda? - Sim.
E o que fazem aqui?
Céus! O que vem a ser isto?
Não, os contentores não são ali.
O que se passa com toda a gente?
Desliguem a música!
Nada de música aqui.
Venha a Cotswolds e colocamos-lhe um caixote do lixo à frente.
20 MINUTOS ATÉ ABRIR
Preços. Sabemos o que cobrar.
- Mas eu... - Inclui o lucro?
Há uma margem na comida. Por isso, sabes...
- Dinheiro não é comigo. - É...
A sério?
Só estou aqui para o gastar. Foi tudo o que fiz este mês.
Rache, tenho os preços.
Bem... Meu Deus.
- Foi isto que o Charlie me deu. - Certo.
Não estou a inventar as horas. São 11h45.
Caramba.
ENTRADA
Aqui vamos.
Entretanto, no mundo da Lisa...
Estou a ultimar umas coisinhas, uns pormenores.
Alguma costura, pendurar algum guingão.
Vou pendurar alguns quadros.
Mas fora isso... Pôr ali mais panos de cozinha.
Pequenos pormenores. Mas tudo controlado.
Só há um banco aqui?
Andam a mudar as coisas e não é o nosso pessoal.
Temos aqui um monte de mesas... Que merda é esta?
São rótulos de Almost Gin. O Kevin andava por aí com eles.
- Temos 10 minutos. - Sim.
Preciso de um batalhão de pessoas.
Onde anda o pessoal?
Estão a ter uma reunião rápida.
Temos de abrir, sabemos isso, e eles têm de saber o que vão fazer.
Onde está o aspirador?
Não tarda nada, rebento-lhe os tomates.
Merda!
Não posso fazer isto. Não tenho tempo.
Outra pessoa que o faça.
11H57
11H58
Acaba isso. Vai ser preciso para o serviço.
11H59
12H00
Olá a todos. Eis o bar, tomem uma bebida.
Olá, como estão?
Olá. Gosto em vê-los. Dois? Dentro ou fora?
Olá, como estão?
Merda para isto.
O que foi?
Ficámos sem gás.
O exaustor parou.
Isso não pode ficar aqui,
como já havia referido.
Foi-se a energia, a ventilação e o gás.
- O quê? - Os exaustores pararam,
levando ao corte do gás.
- Ouviste? - Sim.
- Desculpe. - Está bem.
Não foi corte de energia.
Bem, o sistema de gás está ligado ao exaustor.
Parando o exaustor...
- O gás apaga-se. - O gás tem um corte automático.
Chris, perdemos energia aqui.
Estão todos juntos?
Já está.
Boa. O que aconteceu, Chris?
- Foi-se. Aquele exaustor foi-se. - Desligou.
- Outra vez? - Sim.
Céus!
Venham comigo. Vou acomodar-vos aqui.
- Quantos são? - Dois e um bebé.
Dois e um bebé? Está bem, ótimo.
O sistema vem de cima. Portanto...
Sabes o interruptor do lado direito?
- Sim. - Isso isola-o?
Deve estar avariado.
Olá, quem está a seguir?
Podes ajudar?
Não sei nada sobre isso...
É preciso um técnico.
Ainda não há comida, sim?
Houve um problemazinho na cozinha!
IAN TÉCNICO ELETRICISTA
Consegues ver bem? É o interruptor de isolamento.
Sim. Liga um dos exaustores.
Está bem.
Agora vai à tecla em baixo, desliga-a e volta a ligá-la.
- Feito. - Já devem ter gás.
Já deve haver gás. Não. Já se foi. Disparou.
Infelizmente, não consigo mesmo ir até aí.
Está bem. Adeus.
Ele sabe do que está a falar.
Mas está em Hull.
Céus!
Disseram-me, então, que a Annie precisava de mim no bar da tenda.
Os refrigeradores foram-se
- e não posso servir a nossa gama. - O quê?
Não posso servir a gama Hawkstone porque os refrigeradores foram-se.
Só tenho um refrigerador.
- Onde está o Mark? - Olá, Jeremy.
- Parabéns. - Olá. Pois é,
- temos uns problemas. - Olá.
- Diz lá. - Há problemas com os refrigeradores.
- Eu sei, já mo disseram. - Pois.
Como é que resolvemos isso?
Já liguei à empresa e os técnicos já estão a caminho.
De onde? Quando chegam?
Em duas horas.
Porra! O que é que podemos servir?
Uma cidra e uma cerveja. Vou parar metade da gama.
É um desperdício, a cada cerveja que sirvo, desperdiço outra.
12H55
O serviço de almoço é um fracasso.
Falei com a Sue e a Rachel e este é o ponto de situação:
não há comida até às 17h30.
Não há comida?
Não há comida até às 17h30.
Não há almoço?
- Não. - Nada de almoço.
Podemos mandá-los para a tenda. Estão felizes.
Disseram-lhes que pode ou não haver comida,
mas há muita no jardim, para aproveitar o dia e o local.
Está a chover a cântaros.
Chove torrencialmente. Ninguém se pode sentar no jardim.
Os refrigeradores não funcionam aqui.
Não sei o que se passa.
Não funcionam ali nem aqui.
- Olá, pessoal. - Olá.
As batatinhas são ótimas.
Trato disso.
13H45
Enquanto me escondia no escritório a imaginar as críticas do Tripadvisor,
o Charlie e o Chris, o eletricista,
conseguiram perceber porque é que os exaustores estavam a disparar.
À esquerda.
- Sim. - Aí em cima.
- Aqui? - Sim.
Já está.
Boa.
- Que se passou? Funciona? - Sim.
A urna e a torradeira industrial
estavam a sobrecarregar os exaustores.
- Ele está a sorrir. - Está tudo bem.
Dois-zero-nove, três salsichas, um presunto, uma tarte.
Rapidinho, boa. Bom trabalho.
Agora, tarte, salsicha, sem entradas.
Cogumelos ao alho na tosta. Perfeito.
Serviço, por favor. Obrigado.
Por volta das 14 horas, o primeiro almoço foi finalmente servido.
Sirvam-se! Bebam uma cerveja, comam boa comida.
E atentem nisto.
Tudo o que vão consumir aqui
foi cultivado ou criado por agricultores britânicos.
Logo, são boas notícias.
- Aí, não no fundo. - Certo, isso...
Mark, o cervejeiro, também arranjou os refrigeradores.
Rapazes, o que vão querer?
Cerveja?
E lá fora, Gerald introduzia Kaleb
a um antigo jogo dos bares de Oxfordshire, chamado Aunt Sally.
Se conseguires...
Senta-te ali. Vou ver se te acerto.
Vai parar ali.
Boa!
Bem jogado.
19H00
Ao fim da tarde, como toda a gente,
estava exausto dos altos e baixos do dia.
Queria desesperadamente dormir. Mas tal era impossível,
porque mais colheita noturna me esperava.
Está feito por hoje.
Certo, meus amigos.
Muito obrigado.
SÁBADO DE FERIADO
Depois de umas horas de descanso, voltei ao bar,
que gozava de um clima típico de feriado prolongado.
Caramba!
Contudo, esperávamos, pelo menos, um dia mais tranquilo na cozinha,
porque, em vez do menu normal...
... iríamos revelar o meu novo rodízio de fim de semana.
Pães de Yorkshire.
Temos os pães. A carne está pronta.
As pessoas vão adorar.
Depois de uma visita às cozinhas, subi para falar com o Charlie.
Bom dia.
Olá. Como vai tudo?
Bastante húmido, não achas?
Estou a analisar os números de ontem.
- Chiça! - Desculpa.
Não é fácil entrar no meu escritório.
Perdemos duas empregadas de mesa.
Perdemos um lava-panelas.
Num só dia.
Um dia?
As luzes ainda piscam. E agora apagaram-se.
- Isso é mau... - E voltaram a ligar.
... dado que temos um gerador.
E não funciona.
- Funciona. - Parece algo evidente
que não, na medida em que a luz se apagou novamente.
E voltou a ligar.
- Ainda há falta de energia. - Eu sei.
E as óbvias infiltrações.
Como? Não soube disso. Que infiltrações?
- Céus! Não. - Boas notícias.
- Não são boas notícias. - Não foi no mural.
Visto por aí, são boas notícias. Valha-me Deus!
- Sim. - É muita água.
É na junta do telhado... O Alan vem cá?
Já vem a caminho.
Pelo lado positivo, a chuva lá parou.
O novo lava-panelas entrou ao serviço.
Não há um método fácil para isto, pois não?
O molho está ao lume, as cenouras também.
Tudo a correr bem.
Perdoem a demora.
E ao meio-dia, abrimos as portas, sem atrasos.
Aqui está o bar. Bebam algo.
Hoje é rodízio.
São 20 libras.
Senhoras e senhores, o rodízio está agora aberto e pronto.
Queijo couve-flor, ali. Pães de Yorkshire, batatas,
todos os legumes e os molhos estão do outro lado.
Com a eletricidade a aguentar-se e o rodízio a fazer sucesso...
Aqui vamos.
... respirei de alívio pela primeira vez em dois dias.
Aí estão.
Porém, esqueci-me de algo importante.
Controlo das doses.
- Não há mais couves, pois não? - Não, chef.
Não, já acabou toda.
Esperávamos servir comida até às 18 horas.
Mas às 16 horas, a cozinha estava em apuros.
Vamos servir mais 25 a 30 pessoas e, depois disso, não há mais comida.
Vou ser muito honesta. Não vamos poder servir-vos comida.
Acabou tudo.
Felizmente, o bar continuava a funcionar.
Até que, uma hora depois...
Não, nada.
- Não há água? - Não.
Está todo o edifício sem água.
Se passarem as árvores, há lá uns WC portáteis.
Esperava que fosse um problema menor,
mas o canalizador logo percebeu
que estava a ser causado pela aldeia vizinha.
Pelo que sei, o cano de água vem da aldeia de Asthall.
- Vem, sim. - Ou será Worsham?
Portanto, se é o que está a acontecer,
toda a gente na aldeia está a ligar a água,
a tomar banho, a encher as panelas, as chaleiras,
e não tem força para subir a colina.
Então... isto não vai melhorar, pois não?
De momento, não.
Mas como resolver isto de forma permanente?
Não creio que exista outra fonte de abastecimento.
- Merda. Está bem. Obrigado, amigo. - De nada.
- Desculpem. - Sim.
Mil desculpas pelos desastres de hoje.
Vamos resolver isto.
Vou resolver isto.
Não sei como, mas vou resolver isto.
Desculpem, desculpem.
Não faz mal.
Depois, a Sue e a Rachel disseram que queriam falar no bar lá de cima.
CLUBE DOS AGRICULTORES
E não se contiveram.
Percebemos de bares e sabemos gerir bares. Fazemos isto há séculos.
Este edifício não tem condições para esse efeito.
Há demasiados problemas para que possamos gerir um bom negócio a partir deste local,
com falta de água, sem sanitários, sem gás, infiltrações, falta de pessoal.
Estão todos exaustos.
No momento da pausa, não há sala do pessoal.
Fazem chichi em WC portáteis.
São condições precárias.
Eles adoram-te e adoram trabalhar aqui,
e estão entusiasmados com a comida britânica
e com tudo o que este bar é, e querem apoiá-lo,
- mas estão a trabalhar 14 horas por dia. - Vão-se fartar.
Não tenho problemas com o pessoal, nem um único problema com eles.
São todos ótimos. São sorridentes e simpáticos.
A cozinha vai "rebentar". Os chefs estão a ficar fartos.
É melhor dar lá um salto.
Vim agora de lá.
- Volta a ir. - Agradeci muito.
- Volta a ir. - Como?
Acredita, volta lá.
Devo encontrar um novo gerente ou voltar à cozinha?
- O primeiro. - Ou reparar a infiltração?
- Certo. - Ou lidar com o estacionamento?
Ou lidar com os vizinhos? Ou lidar com o conselho?
Tenho muito que fazer e tenciono fazê-lo.
- Obrigado. - Está bem. Continuemos.
Certo.
Sem água para as casas de banho interiores ou para lavar copos,
não podíamos continuar a funcionar.
FORA DE SERVIÇO
Então, às 18 horas, tivemos de fazer o anúncio.
Senhoras e senhores, o bar está fechado. Obrigado.
- Desculpem por isto. - Está bem.
Adeus. Obrigada pela visita.
Enquanto o bar esvaziava,
o Nick ligava para todos os lados a pedir mais carne britânica para amanhã.
... dê-nos 40 quilos de rosbife e 30 quilos de lombo de porco.
Pode ser 40 de cada.
- Pode ser? - Quarenta de cada?
É possível?
E, na sua opinião profissional, o rodízio desastroso de hoje
tinha revelado falhas profundas no meu esquema de cooperação.
Começa a ser percetível, nesta altura, que o plano do Jeremy,
embora muito bem-intencionado,
e a falta de conhecimento sobre bares,
dá para ver que a cadeia de abastecimento alimentar está a desmoronar,
e a desmoronar de forma drástica.
O que o Jeremy não entende
é que os grossistas de bens alimentares existem por uma razão.
Eles preenchem a lacuna na logística
entre o produtor e o utilizador final.
Indo diretamente ao produtor,
há um desfasamento em relação ao timing dos seus produtos.
Podem não ter essa colheita pronta.
Os feijões podem ainda tardar duas semanas.
Um grossista iria simplesmente a outro.
Estava determinado a provar o contrário ao Nick, mas isso levaria tempo.
No aqui e agora, tinha de captar água durante a noite,
quando a aldeia não precisava dela, para abrirmos
no que esperávamos que fosse um domingo de feriado muito concorrido.
DOMINGO DE FERIADO
10H12
Certo. Breve resumo.
Estamos a aguentar-nos.
Calculámos que se desligarmos os lavabos e usarmos copos de plástico
no bar, em vez de copos de vidro, que têm de ser lavados,
teremos água suficiente para servir comida durante seis horas, das 12 às 18 horas.
Então, isso é viável.
O próximo problema é que a Sue e a Rachel, que montaram o bar de forma brilhante,
foram-se embora.
É domingo de manhã.
E consegui arranjar uma nova pessoa para a frente de sala,
que é a diretora do 2.o ciclo da escola local.
Isso foi bom.
- Boas notícias. - Sim?
- É lombo de porco. - Boa.
O Nick também conseguiu arranjar mais carne.
Mas, em vez de abrir o rodízio às 12 horas, como anunciado,
ele informou que só estaria pronto às 15 horas.
11H06
Tem um ótimo aspeto.
- Olá, Jeremy. Como estás? - Bem.
Eu já não estou.
- Sim. - Eu já não estou.
- Façamos isso. - Sim.
O Squeezy fica aqui comigo e tu fazes isso lá fora com a Katherine.
Três da tarde?
Ajudas-me a entender porquê?
Há ali pessoas que conduziram centenas de quilómetros.
Eu explico-te do princípio ao fim. Às 19 horas de ontem,
- acabou a água nesta cozinha. - Eu sei e tratei disso.
Desligámos os lavabos.
O bar está a usar copos de plástico,
para não haver lavagens.
Estes alimentos não são preparados no dia.
- Os legumes são pré-cozidos... - Sim.
- ... na noite anterior. - Sim.
- São cozidos a vapor. - Sim.
Além disso, o queijo couve-flor é assado.
Alguns pães de Yorkshire são feitos com antecedência.
- Mas estão feitos? - Temos alguma comida.
Não temos comida suficiente para 450 pessoas.
Então, hoje só consegues trabalhar 3 horas?
- Não. - Das 15 às 18 horas?
Não é o que eu consigo fazer.
É o que a cozinha, tal como está, consegue fazer.
Certo.
- É assim que isto funciona. - Certo.
Felizmente, o Nick arranjou maneira de abrirmos à uma da tarde,
desde que deixássemos de lado os tão demorados pães.
Precisamos de cozinhar legumes.
Precisamos destas curgetes.
É preciso aquecer estas batatas.
Sim.
12H59
13H00
Aí está. Estamos abertos.
Esta é a Clare.
É a diretora do 2.o ciclo da escola local.
Vai ajudar-nos no controlo da multidão.
Portem-se mal e ela dá-vos com a régua, por isso...
- Ficam todos de castigo. - Sim.
Com o controlo das doses agora em vigor...
Há costela de vaca, de porco.
Pode comer um de cada ou dois de um e dois de outro.
... e com a Sra. Brown a controlar as multidões...
Onde estão os casais que ficavam juntos?
- Um segundo e já vou ter convosco. - Olá, Sra. Brown.
A família de cinco?
... conseguimos efetuar o nosso primeiro serviço sem problemas.
Aí tem.
Mas não havia como ignorar
que este fim de semana de abertura tinha sido um desastre...
FORA DE SERVIÇO USE AS DO PARQUE
... como Sua Alteza Alegre tanto quis deixar claro.
Analisando a frio,
talvez tenha havido algumas coisas...
Vamos aguentar os próximos dias
e fazemos um balanço a sério na terça.
Sabes... Estás a par, sabes...
Não vale a pena estar com retrospetivas, mas essencialmente,
poderia dizer-se...
... que foi prematuro por uma semana ou duas.
Desculpa, ia dizer que estou atarefado,
- mas estou mesmo a ignorar-te. - Não.
Nem me ocorreu perguntar
se me estavas a ouvir, porque...
- ... a resposta era clara. - Sim.
Eu sempre disse que, quando abríssemos,
isto ia andar
e algumas peças acabariam por soltar-se.
Mas nunca pensei que iam ser tantas peças e tão rapidamente.
- Não, desmoronou tudo. - Sim...
O primeiro dia e ontem foram um completo desastre.
Não quero revivê-los.
Merda.
O bar, que se aguentava por um triz,
não era um problema isolado.
Porque um problema sério também começava a emergir na quinta.
Nesta altura, em fins de agosto,
já deveríamos ter colhido o trigo duro para massas,
a nossa colheita mais valiosa.
Mas, devido ao tempo irregular, estava ainda no solo,
a perder qualidade.
É aqui, Mark. Olha, falta uma telha ali.
DIA 30
Assim, continuámos a atender às necessidades do bar...
1 DE SETEMBRO
Era bom se levasses isso.
... enquanto não vinham dias secos para fazer a colheita.
DIA 5
27,4. Muito húmido.
DIA 8
Mas passadas duas semanas...
DIA 16
... com esse dia a tardar em chegar,
pedi ao Charlie que viesse a minha casa para uma cimeira de crise.
Disse-te vezes sem conta
que há três qualidades no trigo
que são fundamentais para a moagem e, em particular, para as massas.
O nível de proteínas, o peso do alqueire.
Mas o mais importante é o Hagberg.
E se esse número, o índice de queda de Hagberg,
ficar estagnado muito tempo e começar a baixar,
- vai arruinar as sementes. - Não fará massas?
Não fará massas.
- Oitenta acres disso. - Sim.
E a nossa colheita mais valiosa.
E tem sido a colheita mais valiosa nos últimos anos.
- Então, a situação está negra. - Sim.
- Sabes o quão otimista eu costumo ser? - Não, de todo.
Pois, a coisa está feia.
- Se o conseguirmos colher... - Sim.
Levá-lo para o moinho.
- Sim. Analisá-lo. - Ficaremos a saber.
- Mas temos de o levar já. - Correto.
O Kaleb voltou com o seu medidor de humidade.
Então, meu?
- Olá. Como estão? - Boa tarde.
- Senta-te. - Vou pegar nesta cadeira.
- E novidades? - Está uma merda.
Acabei de fazer um teste de humidade no trigo duro. 27,2.
27,2?
Ao morder, é como morder uma goma.
27,2. Está muito húmido.
- É como se fosse ao rio... - Passa-o numa torneira.
É encher e constatar que a água é húmida.
Inacreditável.
Alguém se lembra da última vez que uma colheita foi tão tardia?
- Para mim, foi esta. - Sim, mas tu tens 4 anos.
Há 70 anos que não se via uma colheita tão tardia.
Portanto, isto é tardio, na escala de todos.
Bem, que vamos fazer?
Devemos colhê-lo mais cedo para tentar
- impedir a perda de Hagberg. - Venha de lá esse Hagberg.
E pagamos os custos de secagem.
Porque é que pagamos esses custos, se depois for para consumo animal?
Porque não sabes onde estás no...
- Em que ponto estás. - Sim.
Acabámos por decidir fazer a colheita o mais rapidamente possível.
Mas se não queríamos avariar a ceifeira,
tínhamos de esperar que o trigo passasse de encharcado a apenas húmido.
É isso, assim.
Eu queria passar esse tempo na cama, a dormir.
Mas havia outros trabalhos a fazer na quinta,
como enviar o próximo lote de porcos para o matadouro.
Vamos, meninas, para o camião.
Obrigada por serem porcos na Nicles Batatoides.
Entra.
Chegou então a altura de tomar uma decisão que eu temia:
o destino do Richard Ham.
O que vamos fazer contigo?
A questão é que, se ele for para o camião,
é abatido,
e o que recebemos em troca é uma salsicha e uma costeleta do tamanho de uma noz.
Se ele ficar aqui, vamos alimentá-lo para nada.
Isso não é agricultura.
Mas então, tive uma ideia.
Esperem lá.
No próximo lote de porcas, vamos usar inseminação artificial
para as engravidar.
Mas não podemos fazer isso até que entrem no cio.
E elas não entram no cio se não houver um porco macho por perto.
Então, porque não o mantemos como o porco macho da quinta
para pôr as senhoras com vontade?
Será um estimulador.
Richard Ham, o porco estimulador.
Estás a divertir-te?
- Diz? - A trabalhar no duro?
Não, acabei de tomar uma boa decisão.
- Sim? - Lisa, vais gostar.
Vamos ficar com ele
e ele vai ser um estimulador.
- Certo. - Onde para esta quinta?
Não sei.
Sim, o bom velho Richard Ham.
Podias ser o Hugh Hefner.
Finalmente, chegou o Dia D.
Dia do trigo duro.
Aqui vamos.
Jeremy, já posso descarregar.
Calma, calma.
Força.
Está cheio. Vou voltar à quinta.
Apesar da nossa ansiedade em relação à qualidade do trigo para massas,
animámo-nos todos quando o condutor reserva da ceifeira
apareceu para o seu tradicional turno.
Desliga, eu vou aí inspecionar.
Há certos eventos anuais por que todos ansiamos.
Há o Natal, obviamente, e há a Páscoa,
e depois há a colheita,
quando podemos ouvir o Gerald no rádio, a falar de dentro de uma ceifeira.
Na verdade, prefiro isso ao Natal. Prefiro-o a quase tudo.
A colheita prosseguiu até ao dia seguinte.
Mas o suspense estava a matar-me.
Então, parei o que estava a fazer, peguei no Charlie
e fui ao moinho com uma amostra do que estávamos a colher
para ver se servia para fazer massa.
Temos um saco de cravagem.
Trigo duro com cravagem.
- Isso mata quem o comer. - Ficamos calados quando lá chegarmos.
- É o Hagberg, certo? - O índice de queda de Hagberg.
É só isso que nos interessa, o Hagberg.
Que valor tem de ser?
Tem de ser acima de 250.
E precisávamos mesmo que o trigo duro fosse bem classificado,
porque o Charlie recebera os resultados de todas as outras culturas
e as notícias não eram boas.
Em termos de rendimento, abaixo da média.
Não obtivemos tanto quanto queríamos.
Mas, para já, é a cevada e o trigo para moagem.
- Têm qualidade. - Sim.
Todas as duas onças.
Temos duas onças de trigo da mais alta qualidade
e uma onça de cevada da mais alta qualidade.
É isso mesmo.
Imagina que eras um cirurgião cardíaco
e que todas as operações que fazias dependiam do estado do tempo.
- Sim. - Para o resultado, ou o que for.
Seja o que for.
- Não te... - Não fizemos nada errado.
- Nada. - Pois.
FLORES COTSWOLD
FLORES ORGÂNICAS FLORES FRANCESAS
Olha o Bertie.
Olá. Jeremy.
- Olá. - Gosto em ver-te.
- Como estás? - Muito bem.
- Trigo para massas. - Sim.
- Tem algum Hagberg? - Quando é que acabou a colheita?
Amanhã.
Já colheram tudo ou não?
- Não. - Estão a tratar disso.
Certo. Está bem.
Tudo está a correr mal, logo, acho que isto também vai correr.
- Isso é negativo. - Certo, pensamentos positivos.
- Sim? - Quanto tempo demora?
- Uns cinco minutos. - Está bem.
Vamos testar isto.
- Vamos fazer figas, sim? - Obrigado. Até já.
Não está a ser um bom final de ano agrícola,
para ser sincero.
É uma grande oscilação nas nossas contas de fim de ano.
São 25 mil libras que dependem deste teste.
- Sim. - Não esqueçamos,
se passar, são 25 mil libras.
Correto.
Que eu nem vejo. Vão para ti e tu gastas logo.
- Mas, se falhar... - Então...
Tenho de te dar 25 mil libras do meu próprio dinheiro.
Sim.
E é meu. Toda a gente diz: "É nosso." Mas não é.
- É meu. - É teu.
- Eu sei. - É teu.
Porque a quinta Nicles Batatoides terá de...
- Chegar-se à frente. - ... assumir o défice
para financiar o ciclo seguinte.
Os cinco minutos passaram a dez.
Mas, por fim, o Bertie lá regressou.
Certo.
Então,
demorei um bocado, porque tivemos de testar duas vezes
para obter o Hagberg.
E falhou das duas vezes.
- É tão baixo... - Qual foi o número?
Nem sequer tem um número porque falhou o teste.
O que é bastante raro.
Tal como está, não vai poder ser moído,
o que é algo desastroso. Mas vamos... Pois.
Que merda!
Lamento imenso, porque nós também precisávamos.
Que chatice.
- Fico desgostoso. - Sim.
- Lamento. - É uma chatice.
- Obrigado. - Tudo de bom.
Aí vem o J-Hound.
Certo. Digo-lhe eu ou dizes tu?
Então, amigo, que tal?
Sobre a leitura de Hagberg no trigo...
- Qual foi? - Nem obteve uma.
- Como? - Nem obteve uma.
Nada? Foi zero?
- Não registou nada. - Boa merda!
Merda!
É uma perda de 25 mil libras.
É um problema atrás do outro.
Pois é. Ele está a colher porcaria, nada mais.
- Pelo menos há colheita. - E o sol brilha.
Merda!
Tragicamente, não fomos os únicos
a sofrer um revés destes.
A maioria dos agricultores britânicos estava a ressentir-se,
porque 2024 fora um verdadeiro monstro.
"Ano infernal" - a segunda pior colheita da história
Muitos prestes a desistir após chuva dizimar culturas
Nunca vi nada assim. É bíblico.
As culturas de inverno estão a ficar amarelas e a afogar-se.
Caso esta chuva não pare nas próximas duas semanas,
teremos 2000 acres de campos vazios.
Este ano, a produção foi uma das piores.
COLHEITA 'DAS PIORES EM DÉCADAS'
Este setembro foi o mais húmido, desde 1836.
CAMPOS INUNDADOS 'CATÁSTROFE' QUE AMEAÇA OS AGRICULTORES
Um novo estudo aponta para uma das piores colheitas desde que há registo.
As pessoas vendem as ceifeiras porque não vão ter nada para colher.
Como sempre faço questão de sublinhar, não dependo da quinta para obter receitas.
Mas, mesmo assim, é bastante desanimador trabalhar tanto
e, só por causa do tempo, ter prejuízo.
No entanto, lembrei-me de algo que o Simon tinha dito
durante um dos nossos penosos dias de colheita.
O que deves saber sobre ser agricultor, Jeremy,
é que se queres preservar um mínimo de sanidade,
não faças perguntas se não queres saber as respostas.
Foca-te no potencial do próximo ano.
Este mantra de otimismo estoico é o que move os agricultores,
lutando contra as adversidades, aguentando os golpes,
fazendo o que fazem para produzir alimentos.
Carne de vaca, borrego, gansos, perus.
- Porcos. - Porcos.
Batatas, frutos de baga, morangos, framboesas...
E é um mantra que percebi que teria de adotar.
Continuas porque acreditas que o próximo ano dificilmente será pior.
Para já, porém, a família Nicles Batatoides
havia merecido um almoço de fim de época.
E este ano, ia ser no nosso próprio bar.
- Estão à espera? - Sim.
- Sim. - Que vão querer?
Infelizmente, não dava para relaxar ali porque,
apesar de estar a funcionar razoavelmente bem,
havia sempre algo para fazer.
Céus, isto não soou nada bem.
Algo para reparar.
Eu sei. Mas o depósito de calor também não está a funcionar ali.
Algo com que se preocupar.
- A junta onde convergem os telhados? - Sim.
Quanto vai custar?
No mínimo, três mil.
- Sabes o tipo que caiu ontem? - Sim?
- Diz-me que não vai processar. - Não.
Saiu da cirurgia às 20h30 de ontem.
Eles puseram-lhe o tornozelo no sítio.
Por isso, fomos ao bar de outra pessoa.
A cozinha deve estar um caos.
Não me importa.
Devem estar sem água. Não me importa.
Obrigado.
- Percebeste isso agora? - Céus.
Não tem sido uma abertura tranquila. Estamos todos de acordo nisso.
Tens sido genial a pôr a tenda a funcionar bem,
já o bar é outra coisa.
- Mas está a chegar lá. - Sim
- Parabéns a todos. Conseguimos. - Sim.
Ao The Farmer's Dog.
- Farmer's Dog. - Farmer's Dog.
- E aos agricultores. - Os agricultores que ajudam.
Que prospere muito tempo.
Bem, vou comer. Estou esfomeado.
Isto não é britânico. Gambas. Devem ter vindo da Índia.
- Só por um dia, por favor. - Está bem, hoje pode ser estrangeirices.
Os peixinhos devem ser.
- Comem-se as entranhas? - Sim, come-se tudo.
E as entranhas?
Que tem?
- Sabe a peixe. - E são...
Os peixinhos sabem a peixe?
- Olhem o que ganhei no domingo. - O quê?
Olhem o que ganhei no domingo.
- O que diz? "Desafio de..." - Incrível!
- Boa! - Primeiro lugar.
- Venceste um desafio de murar? - Sim.
Esqueçam o futebol. Esqueçam o râguebi.
Eis Gerald Cooper.
Obrigado. Muito obrigado.
Passámos, então, a um tema mais sério,
porque durante todo o tempo em que o Alan esteve a trabalhar arduamente no bar,
estava à espera de uma importante cirurgia ao coração.
- Vais à faca na terça. - É já esta terça?
Sou admitido, esta terça, no hospital.
Vem aí o bypass quádruplo.
Têm de testar
- a possibilidade de um AVC. - Sim.
- Sabes, o ano passado... - Sim?
- Foi ele, não foi? - Sim.
E ficaste melhor.
Pois ficou.
- Vamos lá terminar este ano... - Eu sei.
... a fazer figas para que a operação...
É algo rotineiro, hoje em dia, não é?
- É. Mas deves estar cheio de medo. - A morrer de medo.
Nem gosto de pensar nisso. É por isso que continuo a ir trabalhar.
Eu devia acalmar e ficar em casa.
Mas estaria ansioso a pensar nisso.
Só pensarias nisso.
- Ouve, Alan... - Sim, eu sei.
- Vai correr tudo bem, certo? - Que corra tudo bem.
- Mato-te, se não recuperares. - Hei de safar-me.
Não conseguiríamos abrir o bar sem ti.
Bem...
E vamos dar o teu nome a uma ala.
E não é na eventualidade de correr mal
- que o vamos fazer. - Não.
Vamos fazê-lo, seja como for. A Ala Alan Townsend.
Que achas, Gerald?
- Temos o Bosque do Gerald. - Sim.
E teremos a Ala Alan Townsend.
- Sim. - Boa. Excelente.
Tenho uma bomba de pé. Eu trago-a, não te preocupes!
Uma bomba de pé?
Uma bomba de pé!
Enfio-lhe a bomba de pé. Encho-o logo de ar!
Olha que bom. Obrigado, Gerald.
- És muito amável. - Se ele desinflar,
- encho-o logo outra vez! - Para.
Que se passa com ele?
TÊM ESTADO A VER...
RICHARD "O ESTIMULADOR" HAM
E JEREMY
EM
A QUINTA DO CLARKSON
Legendas: Pedro Silva Mota
Supervisão Criativa Hernâni Azenha
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