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Luvas de borracha.
Confere.
Pó de talco.
Lanterna.
Camurça.
Estetoscópio.
- O que é isso? - Peças sobresselentes.
Certo. Gazuas.
Chantilly em spray.
Lata de spray pequena.
Salsicha.
- Máscaras. - De certeza que não é perigoso?
- Não, é impermeável. - Claro.
- Onde está o gangue Jönsson, tenente? - Outra vez não.
Um contacto deu-me uma dica.
Meu amigo... Isto é o gangue Jönsson.
- Por resolver. - Mas, agora, podemos apanhá-los.
Recebi uma dica. O gangue Jönsson vai atacar de novo esta noite.
Esta noite? Tenho o encontro anual do Clube de Pesca. Onde?
- São 22h26 em ponto. - Vinte e seis depois das dez.
- A operação começa às 22h38 em ponto. - Oito minutos depois das 22h30.
Rocky! Salsicha!
Cuidado.
POLÍCIA
É uma operação de rotina. Carta de condução?
Eu... devo tê-la deixado em algum lado. Sou o tenente Svensson.
Pode mostrar-me a sua identificação?
Detetive Holm.
- Mostra-me a sua identificação? - Não!
Mas o gangue Jönsson vai voltar a atacar.
- Muito inteligente. - Claro.
- Muito inteligente. - Somos um gangue brilhante.
Claro.
Rocky, trata do alarme. A mala!
Sickan, é um cofre Franz Jäger. Brilhante!
O que estão a fazer, seus gananciosos?
Mãos ao ar.
Mãos ao ar!
Depressa, já estamos atrasados!
Depressa!
- Que sucata! - É o oposto. Eu conheço os carros.
- Vá lá, despacha-te. - Calma, ele ainda não saiu.
Antecipámo-nos um minuto e 23 segundos. Relógio japonês. É ótimo ter um.
- Ele já deve ter saído. - Silêncio, Bill! Não digas isso.
- Olha, cá está ele! Bem-vindo, Sickan! - Sickan!
- Sickan! Bem-vindo! - Maravilhoso, Sickan!
Está ao contrário! Consegues ver agora, Sickan?
BEM-VINDO, SICKAN
Vêm o envelope, malta? Ele tem um plano! O bom velho Sickan!
- O que se passa? - O que está ele a fazer?
Sickan!
- Veio outra pessoa buscá-lo. - O Sickan não nos deixaria na mão.
Nunca! Não, somos um gangue. Ele não conhece mais ninguém.
- Eu disse-vos. - Vai embora sem dizer uma palavra.
- O que fazemos agora? - Vamos atrás dele, claro.
Monte de sucata!
- Wall-Enberg, Jr., gerente do banco. - Jönsson, Charles-Ingvar.
- É um prazer conhecê-lo. - Igualmente.
Presumo que tenha sido informado.
De facto. Partilhei uma cela com o advogado Gottfridsson.
Sim, coitado do Gottfridsson.
- Mandou cumprimentos. - Mandou? Obrigado.
Ele sugeriu que o alvo era um cofre.
- Franz Jäger, Berlim, modelo 32. - Correto.
- Não entendo. - Nada fora do normal.
Fizemos o que fazemos sempre!
Estávamos lá às nove em ponto. O Sickan apresentou um plano...
E agora estamos aqui.
Bem...
- Fazia-me bem descansar uns dias. - Naturalmente, por nossa conta.
Claro.
- Então, Sr. Jönsson, pensei que podia... - CI. Charles-Ingvar. CI.
- Certo, entendo. Bom, saúde. - Saúde.
Achei que precisasse de alguma informação.
- Bom, costuma ajudar. - Naturalmente.
O cofre esta numa mansão na Suíça.
A mansão que pertencia ao falecido diretor Fromm,
que supervisionava... as iniciativas internacionais da empresa de investimento.
Entendo.
Infelizmente, o diretor Fromm faleceu subitamente, há duas semanas.
- Que trágico. - De facto.
E ele era o único que sabia o código secreto do cofre.
Receio que sim.
- Entendo. - É aí que você entra.
- Sirva-se. - Obrigado.
- Entendo... Certo... - A operação começa na quinta.
- E está tudo planeado e preparado? - Até ao mais ínfimo detalhe.
Então, e isto?
O advogado Gottfridsson ajudou-me com os detalhes legais.
Vinte e cinco porcento?
Visto que a companhia de investimento paga pela operação, viagens e afins,
não quis ser irrazoável.
Espero de si a maior das discrições.
Discrição: um ponto de honra.
Vejam, malta. Algo está a acontecer. Que personagem!
O Sickan deve estar lá dentro. Vamos.
- Tens a certeza de que não é perigoso? - Não, deixa-me tratar disto. Vamos.
Procuro o Charles-Ingvar Jönsson. Diga que é o Vanhden. Deve chegar.
Já agora, aceita American Express?
- O Sr. Jönsson vai ter ao solário. - Rocky, o solário.
Obrigado!
- Ora... que surpresa! - Olá, Sickan!
- Charles-Ingvar! - Bem-vindo à liberdade, Charles-Ingvar!
Compra algo giro.
Sentem-se.
- Então, como vos tem corrido a vida? - Tudo normal...
- E a Eivor? - Está ótima.
- E os miúdos? - Os miúdos? Bill! Ele está no carro.
Que bom.
Kitsch!
- Então, Charles, novidades? - Sim, qual é o plano?
- Receio que não possa revelar nada. - Vá lá, Sickan!
Charles-Ingvar! Mas talvez possa dar-vos mais alguma informação, cavalheiros,
e é a de que, finalmente, encontrei colegas
que combinam o apreço pelo artesanato exclusivo
com grandes ideias. E quem sabe o preço.
Então, já não nos encaixamos?
Depois de todo o trabalho que fizemos... Uma velha amizade já não tem valor?
Sinceramente, não.
O que vos parece ter escapado é que, quando se trata de muito dinheiro,
milhões, biliões...
... uma velha amizade não significa nada
nos círculos financeiros multinacionais.
O que significa algo nesses círculos?
Ele é mesmo um grande idiota. Só sabe abrir cofres.
Não, podemos ficar descansados. Ele é a ferramenta perfeita.
E acreditas que o tolo teve a lata de pedir 25 porcento.
É verdade! Vinte e cinco porcento. Por escrito!
O Sickan deixou-nos. Agora, tem parceiros novos.
Já não somos suficientemente bons. Fomos rejeitados, somos inúteis.
Ele apontou assim para a testa com o dedo e depois sorriu.
Acabou. Não há mais planos, não há mais milhões... Acabou tudo!
Rocky!
- O que queres? - Cheira-me ao ar da manhã.
- É o incenso. Eu abro a porta. - Não, o gangue!
- O que tem ele? - Sou eu e tu. O Sickan foi-se.
Eu e tu? Como assim?
Vamos começar o nosso negócio. Nunca ouviste falar em sociedade limitada?
- O nosso próprio negócio. Que tal? - Certo! Mas espera... A fazer o quê?
"A fazer o quê?"
- O mercado está aberto como um... - Como um...
Bem, como um... mexilhão.
Só tens de agarrar... na pérola e fugir.
Entendes?
- Mas o que fazemos? - O que fazemos? Comemos papel químico!
- O mesmo. - Esperamos pelo Sickan.
Não esperamos pelo Sickan.
Não, fazemos grandes assaltos. Brilhantes. Estocolmo está cheia de...
De quê?
Bom... Carrinhas de gelado e jornaleiros...
Eu sei! Tenho um plano!
Tenho um plano brilhante. Um golpe fantástico!
- As joias da coroa? - Melhor do que isso. Um super assalto.
Os bilhetes. O nosso homem na Suíça é o Dr. Karl Schmetterlink.
Vai ter contigo ao aeroporto. O resto é fácil.
Entendo.
Não é grande coisa, na verdade. É ilegal, mas por pouco.
- Um super assalto, é? - Certo. É um tesouro.
- Parece-me só um quiosque. - Não tens imaginação.
Que raio se passa? Não devia conduzir.
Estão a fugir! Detenham aqueles arruaceiros!
Sehr schön?
Sim, vejo o Sol.
Bitte! Venha cá. Danke schön.
Bitte, nicht klicken.
- O Sickan devia estar aqui. - Compõe-te, Rocky.
Desliga o rádio.
- Que porcaria. - Vamos.
Despacha-te!
Lanterna.
Gazua.
- Brilhante. - Claro.
- É mesmo um tesouro! - Para! Eles esconderam o dinheiro.
Começa à procura.
- Olha! - Preciso de uma gazua.
Espera... Maravilhoso.
Olha só!
Olha!
O que estás a fazer?
Preciso de charutos. Estou-me a lixar para o conde...
Preciso de charutos. Espera aqui.
Boa noite, quero seis Schimmelpenninck.
- Seis... - Isso mesmo.
O número nove ao contrário, se ajudar.
- Seis Schimmelpenninck, exato. - Um, dois, três, quatro, cinco, seis.
Está bastante frio lá fora, mas também bastante calor.
Se não tiver Schimmelpenninck, podem ser uns charutos quaisquer.
Tu ouviste, parvo! Uns charutos simples.
- Aqui tem os charutos. - E aqui tem o dinheiro.
Ótimo! Não há troco.
- Certo... Boa noite. - Boa noite.
- Boa noite. - Boa noite.
- Carros. - Isso foi há muitos anos.
É o departamento do meu irmão Leopold.
- Quero dizer, carros de goma. - Certo! Piadas em serviço.
Carros de goma. Certo... Aqui tem.
São por nossa conta. Sabemos que trabalham muito.
Porque não leva algumas para o seu colega, também? Aqui tem.
Obrigada.
Vai. Agora!
O dinheiro!
Bolas de chocolate de coco.
- Vão! - Estamos a ir.
Raios... O carro!
Para! Volta!
O que se passa?
Está tudo sob controlo. Vamos dar garantias aos bancos e aos acionistas.
Quem? Pois, ele... o Jönsson.
Não... Não é preciso preocupar-se com ele.
A Polícia Suíça já tratou dele. Sim, são muito eficientes.
Sem dinheiro. Sem carteira.
Sem relógio. Sem carro.
Se trabalharem mais algumas noites, podemos abrir um campo nudista.
As tuas provocações não nos fazem sentir melhor.
Deixa-me ver!
Um passado sujo. Pó na linha da vida e doce na linha do coração.
- Sickan! - Charles-Ingvar.
Já estás milionário?
- Queres sentar-te? - Não, quero dez segundos de silêncio.
- Tenho um plano. - Que surpresa, Charles!
Está na hora de reservar bilhetes para o Havai de novo.
- Com seguro de cancelamento, desta vez. - Cala-te! Ouve o plano do Sickan.
- Diretamente da Paris, estou a ver. - Os milionários são um pouco excêntricos.
Certo, Sick... Charles?
- Fui enganado. - Tu? Enganado?
- Não pode ser... - E que tal isto?
O que está escrito na tua camisa?
- Tenho um plano. - Na camisa?
Não... Hoje, já falei com a velha sete vezes.
Um cão a tentar acasalar com a Majsan dela não é um caso de polícia.
Está bem?
Recebemos um telegrama da Suíça.
É sobre o Fromm, o tipo que nos deu baile quando tentámos apanhá-lo.
Que baile?
O Fromm morreu não há muito tempo.
Agora, invadiram a casa e roubaram o cofre.
Só encontraram uma mala de viagem, um par de luvas de borracha
e pó de talco sueco.
- Que tipo de cofre era? - Um Frank Jäger.
- O Jönsson. - Não, Jäger.
- Mas não faltava nada no cofre. - Só os diamantes Bedford.
O que é isso?
Os diamantes Belford são os diamantes privados mais valiosos do mundo.
Pertenceram ao vice-rei da Índia e desapareceram durante a II Guerra Mundial.
Agora, circulam como um investimento seguro
no mercado negro, por dinheiro sujo.
- São mais leves que barras de ouro. - E o que tem o Fromm a ver com isto?
Tinha uma multinacional de investimento
que aplicou todos os seus fundos nos diamantes Bedford.
O Fromm guardava os diamantes na sua mansão, mas morreu subitamente.
- Quanto é que valem? - Se os manusearem bem...
... e acredito que o façam, neste nível,
diria cerca de 20 milhões.
- Vinte milhões? - De dólares.
Vinte milhões de dólares.
Dólares? Disseste dólares? Vinte milhões?
- Vezes isso... - Não pode existir tanto dinheiro.
Vi-o com os meus olhos.
- De certeza que não é perigoso? - Quem não arrisca, não petisca.
Faz-te à vida. Vamos começar.
Pelo contrário. Vamos ser discretos e deixá-los fazer o trabalho sujo.
Isso mesmo. Luvas de seda, de início.
- Que trabalho sujo? - Vender os diamantes?
- Quem os quereria comprar? - Adivinha.
O xeique de Abradan, magnata do petróleo, não sabe o que fazer com os seus milhões.
Agora, quer investir algum nos diamantes de Bedford.
Olha! Temos companhia. É a polícia!
- Vai tudo por água abaixo! - Está tudo a correr dentro do plano.
A polícia escoltou o xeique à conferência da moeda no Hotel Saltsjöbaden.
Como bónus, vão escoltar as suas três pastas que contêm 20 milhões de dólares.
- Estão ali 20 milhões de dólares? - Em notas grandes.
- Mas isso é ilegal. - Muito.
O que fazemos aqui?
- Vamos oferecer proteção. - Isso não me soa bem.
Não, mas é sensato. Acha que inventar levaria a algum lado, agora?
- Execução? - Uma crise no governo.
E não precisamos disso.
Se alguém tocar num cabelo no turbante do xeique,
isso teria tremendas repercussões diplomáticas.
Restrições de petróleo, moedas em colapso, especulações de ações e assim por diante.
Quando o grande elefante dança, a polícia trata da cortina.
Se planearmos uma operação ao minuto,
com walkie-talkies e guardas de binóculos,
e atacarmos no momento certo, podemos apreender os diamantes. Certo?
Claro, e depois voltas à carga, a perseguir aposentados imprudentes.
É isso que queres?
Ensinaram-me que o crime nunca compensa.
- Isto é o edifício. - Brilhante plano, Sickan. Brilhante!
O Charles-Ingvar.
- Pensaste mesmo em tudo. - Claro. Quem mais?
Eu, por exemplo.
- O que é isso? - Uma carta-bomba.
- Bilhetes de avião? - Para o Havaí.
É onde o meu pequeno milionário quer ir, como sempre.
Sim... todos juntos.
Isso mesmo, querido. Vamos ser podres de ricos, como sempre.
Podes apostar. O Charlie tem um plano fantástico.
Como sempre.
- Claro. - Programado e preparado.
Como sempre.
Talvez seja melhor concentrarmo-nos na operação?
- Onde está a minha manga? - Aqui.
Vamos precisar de 100 balões, um autocarro e um barco.
O barco tem de ter um mastro muito alto.
Precisamos de um osso carnudo e um cão pequeno.
CUIDADO ZONA PATRULHADA POR CÃES DE GUARDA
O osso, Rocky. O osso!
Lindo... Lindo menino.
Fica!
- Brilhante. - Claro.
Resolve isso.
Vá lá, Rocky!
Resolve isso.
Anda! Entra. Cá estamos nós.
Rocky, deste as instruções ao Bill, não deste?
Sim, disse à Eivor para o acordar antes da ronda dos jornais da manhã.
Prego a fundo, malta!
- Já está. - Salta. Vá lá, Salta!
- Qual é o problema? - Vá lá, salta.
Cá vou eu.
- Temos combustível para o barco? - Sim, temos combustível.
- O Bill está preparado? Fita métrica? - Sim.
Está tudo programado e preparado. Só faltam os balões.
- Eu trato deles. - Ótimo.
- Nós tratamos do autocarro, Vanheden. - Claro.
Mas... O que é isto? O que se passa? São as minhas coisas!
- Eram as suas coisas. - O que quer dizer isto?
- Tem de falar com a senhora sobre isso. - A senhora?
- Eivor! O que fizeste? - Já está!
Como assim?
Negócios, querido. Estou a falar de negócios. Estou farta dos teus planos.
Sempre os mesmos planos, a mesma história, o mesmo banzé.
- Vais embora? Para a tua mãe, em Farsta? - Não, para o Havaí!
- Mas... vamos todos para lá! - Ótimo! Então, temos companhia.
- Mas e a nossa casa? - Não vamos ser milionários?
Claro.
E não vamos para o Havaí no domingo, podres de ricos?
Claro.
- E não voltamos tão cedo, certo? - Dificilmente.
- Pronto. Vês, querido? - Não...
Para quê deixar este velho aluguer a apanhar pó durante anos?
Nem pensar. Dei as flores à minha irmã. Os novos inquilinos chegam na segunda.
Em velocidade máxima! Doei a nossa mobília e roupa à caridade.
- Portanto, já fizemos a nossa parte. - O prédio da frente está a arder.
- Devemos poder fazer alguma coisa. - Claro, o nosso dever.
Os milhões vão ser trocados pelos famosos diamantes Bedford.
Será tratado com cuidado.
Os diamantes vão sair de avião
e os milhões vão acabar em cofres bancários.
Não podemos fazer nada. Absolutamente nada.
- Podes tratar disto, agora? - Claro. E tu?
Sem dúvida. Já está tudo lá em cima.
- Tens a certeza? - Sim... Não é perigoso, pois não?
Não... Não é perigoso. Toma, pai! Trouxe-te um porco de maçapão.
- Boa sorte! - Para ti também. Adeus!
Fora!
Fora, pica-pau!
Vai-te embora!
Rua!
Fora!
Porquê esta velocidade de caracol?
- Passo de caracol! Passo... - Cala-te!
Fora!
- Perfeito. - Brilhante.
Claro.
Sickan... O lado verde para cima.
Imagina isto em Nova Iorque. É um cenário mafioso perfeito.
- A ponte a abrir... que empata. - Chega, Holm.
Lês muitos romances policiais. Estamos na Suécia. Lidamos bem com as coisas.
O mais rápido que puderes!
Rápido!
- Sickan, porra! - Charles-Ingvar!
- Cuidado com o gangue Jönsson! - Um brinde aos milhões!
Certo, vejamos... 20 milhões de dólares.
São 104 milhões em notas verdes.
Vejamos... Temos algumas despesas de viagem, mas são deduzíveis.
- Vamos tirar... - É tudo o que posso tirar.
Vem ver. A loja de caridade vem buscar a cómoda, amanhã.
- Queres guardar alguma coisa daqui? - Não, manda tudo fora.
- Lindo menino. Deita o lixo fora. - "Deita o lixo fora?"
Não podemos mandar fora este cinzeiro encantador.
Em liras, são 24 biliões e 193 milhões...
Vê esta gravata!
Está assinada pelo Hagge Geigert. Não podes deitá-la fora.
Um bilião e 943 milhões de pesetas! Somos todos bilionários!
- Ainda não. - "Ainda não?"
- Ainda não. - Como assim?
Temos 100 milhões e tu estás de mau humor.
Silêncio!
- Está na hora. - De quê?
- Da vingança. - Mas enganaste-os muito bem.
Materialmente, sim. Mas os danos psicológicos ficam.
O quê?
Há uma coisa chamada orgulho. Fui tratado como um piolho, uma ninharia.
Ninguém se ri do Charles-Ingvar Jönsson e fica impune.
Tenho um plano.
- É frio como o gelo. - É louco.
É corajoso.
- Surpreendido? - Um pouco.
- É o senhor... - Jönsson. Charles-Ingvar Jönsson.
- Talvez se lembre de mim. - O que o traz por cá?
- O contrato. - Contrato?
Sim. Assinámos um contrato sobre o arrombamento de um cofre na Suíça.
Os famosos diamantes Bedford eram mantidos lá.
O seu amigo, o Dr. Schmetterlink, trouxe-os para a Suécia
para serem trocados por 20 milhões de dólares, lá guardados presentemente.
Mas... O que temos aqui?
Um velho Franz Jäger. Que estranha coincidência!
Se bem me lembro, o contrato mencionava 25 %.
- Não sei bem a que se refere. - Que pena.
A polícia nunca tem dificuldade em entender estas informações.
A polícia?
A polícia tem um certo interesse em dinheiro sujo.
E os diamantes Bedford, se não me engano, são procurados...
Deve haver um mal entendido! Não sei nada sobre diamantes.
Bem, é uma pena. Especialmente para o xeique de Abradan,
quando ligar a perguntar porque é que a elegante caixa de diamantes que lhe deu...
... estava vazia!
O que diz? O que se passa?
- O que é isto? - Os diamantes Bedford.
Mas, agora, Sr. Wall-Enberg, já não estamos a falar dos 25 %.
- Estamos a falar de 50 %. - Está a mentir!
Que treta.
Muito bem. Charuto, barrete e óculos grossos.
O homem tem de desaparecer... de vez.
Certo, entendo. Desaparecer de vez.
Muito bem.
Eivor! Para com isso.
Para com isso...
Ficaste completamente louca, mulher?
- Onde estão eles? - Ali.
Os diamantes, idiota! Onde estão? Acho que vou perder a cabeça!
É sempre a mesma coisa! Chego aqui com o plano mais engenhoso de sempre.
Está tudo programado, planeado, perfeito! Mas, depois, vai tudo por água abaixo!
- E de quem é a culpa? - Eu digo-te, vagabunda de mente fraca.
A culpa é tua! E do Vanheden.
E do teu homem idiota que só sabe comer doces!
Ouve, Charles-Ingvar Jönsson. Tolerei muito ao longo dos anos.
E fi-lo porque amo o Rocky, mas, desta vez, foste longe demais.
Mais uma palavra sobre o meu querido Rocky e levas um destes.
Minha querida Eivor, eu não quis dizer...
Quiseste, sim.
Eivor, só quero os diamantes.
Diz-me onde eles estão e nunca mais ouvirás algo negativo da minha parte.
Onde estão eles?
Na cómoda. Misturados com 100 milhões num saco...
- Típico em ti. - Podes dar-mos?
Rocky, no fundo da gaveta.
- Mas não há nenhuma cómoda aqui. - Não há cómoda?
Porra! A loja de caridade levou-a, esta manhã. Esqueci-me.
O quê?
Perdeste o juízo? Mandaste embora a cómoda com os diamantes lá dentro?
Deixa-te de merdas. Mandaste embora dois biliões de pesetas em diamantes?
Não fiquem tão furiosos!
Vão à loja e voltem a comprar a cómoda.
- O que fazemos agora? - Perguntamos ao Sickan.
Gatinho, podes sentar-te no meu colo, se quiseres.
Sim, meu pequeno...
Meu gatinho... Queres sentar-te no meu ombro?
Sim?
O meu gatinho está cheio de fome...
Vá lá, Sickan. O que estás a fazer com os meus novos sapatos italianos? Para!
Mais baixinho! Vão assustar o pequeno Nisse.
- Larga os meus sapatos! - Não!
Não apertes o meu gato!
Não, não mordas o gordo, meu gatinho...
- Sickan... - Mamã!
- Mamã! - O que se passa?
Viste o meu gatinho?
O que estás a fazer? Encenações?
O Sickan enlouqueceu.
- Não, deixem-no brincar com o gato. - Sim.
Não vêm que trabalhou demais? Ficou senil, simplesmente.
Simplesmente? Perdemos dois biliões de pesetas e ele brinca com um gato!
Eu sabia que ia dar para o torto.
Temos de tentar encontrar a cómoda.
Vão ter de levar o bebé com vocês.
Não posso tê-lo a beliscar-me as pernas enquanto faço as malas.
Sickan, queres vir dar uma voltinha de carro connosco? Podes trazer o gato.
- Sim! - Vamos, então?
Gordo!
- O que fazes? - Deixa-o fazer. Talvez fique.
Gatinho... olha!
Vês o gatinho preto? Queres dizer olá?
Sim.
Venham, vamos lá ver... Vamos lá ver o gatinho pretinho.
Talvez devêssemos da uma vista de olhos? Sim, vamos entrar!
Consegues saltar? Isso mesmo! Sim.
Pronto. Meu pequeno Nisse.
Nisse! Queres ir nadar, Nisse? Vamos nadar.
Podes nadar aqui. Podes...
Podes chapinhar.
Sim, podes... chapinhar.
Sim, podes beber.
Sais da frente ou tiro-te eu da frente, idiota?
És tão gordo!
Olha para este gorducho, Nisse!
Vamos morder-lhe. Vamos...
Barrete e óculos... És o Jönsson?
Charles-Ingvar Jönsson. Este é o Nisse. O Nisse quer...
O Nisse quer beijinhos de chocolate.
- Claro que podemos dar-lhe. - Cuidado!
Anda cá. Tenho montes de beijinhos de chocolate na minha carrinha.
Anda... Cá estamos nós. Entra. Cuidado, vou fechar a porta.
Brilhante, Rocky. Brilhante.
- Mas como trazemos o Sickan de volta? - Com um martelo. Abre o porta-bagagens.
Provavelmente, voltará sozinho.
- Mas onde está o Sickan? - Olha...
- O que foi aquilo? - Rapto de menores! Prego a fundo!
Verdade.
CAIS
No fundo do mar vais ficar Com os outros corpos a boiar
O que vais fazer?
Olha, tenho um plano.
Maldito monte de lixo!
- Rocky, tu pegas no Beefy. - "Pego?"
Claro, ele não é nada, para ti. Eu pego no Sickan.
Está bem! Eu pego no Beefy...
Não te preocupes, Sickan. Vou tratar disto.
Não te preocupes, Sickan. Vou tratar disto. Não demora muito.
A qualquer momento! Está quase.
Está quase, Sickan!
Não te preocupes, Sickan. Vou tratar disto.
Não te preocupes, Sickan.
Não te preocupes. O gato está bem. E recuperámos os diamantes.
Gatinho...
Parem de brincar com o sapato e calcem-no!
- Já não estás marado? - Tenho um plano.
- Bom, isso é brilhante, um plano! - Claro.
- Desculpem. Podem desculpar-me? - Não, nós é que pedimos desculpa.
- Salvaram-me a vida. - Não foi nada.
- Não foi, não. - Foi, sim.
Não foi nada. Bem, está bem. Mas, às vezes, perco a paciência.
- Grito com vocês. Fico fulo. - Não, de todo.
- Pois! - De todo.
- Talvez não, mas tenho os meus defeitos. - Não tens nada.
- Tenho, pois. - Não, não tens.
- Talvez não, mas tenho um plano. - Não tens nada.
- Tenho, sim. - Não.
- Tenho, sim! - Um plano?
Claro!
Charutos noruegueses?
INSTITUTO POLICIAL PARA O EXERCÍCIO FÍSICO
ACESSO INTERDITO SEM AUTORIZAÇÃO
- Que sucata. - Está tudo programado e preparado.
A polícia tem sessões obrigatórias de exercício aqui todas as quintas-feiras.
Estão à espera de quê?
Muito bem, meus senhores! Está na hora de abanar o esqueleto!
Polichinelo! Um, dois!
Não me esqueço daqueles diamantes. Que nós, polícia, não podemos fazer nada.
Não podemos fazer nada sem reportar.
Se agirmos de iniciativa própria, acaba sempre em confusão.
Mas, certamente, podemos usar o bom-senso.
Um, dois!
Não estás a ser pago para usar o teu bom-senso.
O teu trabalho é seguir regulamentos.
E, normalmente, isso são duas coisas muito diferentes.
Mas se recebermos uma denúncia...
Então, agimos... imediatamente. É esse o nosso dever.
Cavalheiros, terminamos com uma corrida cronometrada de 1500 metros. Vamos!
- Rebobinar. - O que se passa?
- Recebemos uma chamada. - De quem?
- Troque de roupa e dê umas corridas. - Nunca.
Vamos!
- Temos tempo suficiente? - Despacha-te!
Está bem... Depressa!
Estás pronto? Não, toma um destes.
- Ninguém diria que foram roubados. - Sentes-te uma pessoa diferente.
Tu conduzes.
Não entendo. Porque é que este homem...
Este homem alega ter sido contratado por si para cometer um arrombamento.
Ilegal.
O alvo eram os famosos diamantes Bedford.
São procurados pela Scotland Yard, FBI, Interpol e o nosso departamento de fraude.
Segundo este homem, adquiriu-os com dinheiro ilegal
que escondeu das autoridades.
O chamado... dinheiro sujo.
- O que tem a dizer em sua defesa? - O que ele disse.
Ouçam, isto deve ser um erro grave.
- Erro? Não, o diletante admitiu. - Delinquente!
Isso mesmo.
- É melhor entregar-se à justiça. - "Justiça?"
Não podem entrar aqui e...
Não podemos? Entendo... Talvez haja uma explicação.
Claro que há uma explicação! Eu dou-vos uma.
Excelente. Vamos até à esquadra ou prefere fazê-lo aqui?
- Aqui. Sem dúvida. - Só preciso de uma máquina de escrever.
Por aqui.
- Fica de olho no diletante. - Delinquente!
- Abre. - O quê?
Liberta-me! Abre o trinco!
Pois é!
Vá, despacha-te!
Depressa!
Olha... Não tenho as chaves. Não as encontro.
- Nome completo, por favor. - Jacob MR Wall-Enberg, Jr.
- MR? - Morgan Rockefeller.
- Jr? - Conhece a reputação do meu império?
E as minhas boas obras por todo o mundo?
Sim, mas somos todos iguais perante a lei.
Isto é uma loucura, inacreditável... insano!
Temos um cofre Franz Jäger à nossa frente, com 30 milhões de dólares.
Mas tu não podes abrir isto porque perdeste as chaves!
És o maior idiota com quem já trabalhei.
Já para não falar da tua mulher, a vagabunda de mente fraca...
Chega. Mal posso aguentar as tuas merdas todos os dias.
De mim, eu trato bem! Mas o limite é quando chega á minha mulher.
Entendido?
- Rocky, o que te deu? - Cala a boca e abre o cofre.
- Mas o pó de talco e as luvas... - Sim, já ouvi isso tudo antes.
As tuas artimanhas e fingimentos. Sabes o que és?
Não.
Um zé-ninguém a dobrar. Ou me deixas em paz, ou faço-te sujar as calças.
- Abre o cofre! - Claro.
Casado na igreja de Seglora a 12 de maio de 1945.
- Ouve, polícia... - Chefe da polícia, por favor.
Certo, peço desculpa. Isto não pode estar no espírito da lei?
Pense nas terríveis consequências para todos os inocentes!
Todos os poupadores e acionistas que terão de deixar as suas casas.
E em todas as viúvas! Desvalorização, falências, crise do governo!
A sociedade colapsará!
As coisas tendem a dar certo no final. Então, você admite ter nascido...
... a 20 de junho de 1923. Também admite ser casado.
Passou no exame do secundário em Genebra.
A quem reporta?
O quê? Quem?
- Não distraia um polícia em serviço. - Saberá o nome do seu supervisor.
- Claro que sim. - Então?
Chama-se Jönsson, como tantos outros. Precisa de um relato completo.
- Jönsson? - Eu disse Jönsson? Chama-se Svensson.
- Vamos continuar. - Ligue-lhe. Liga você ou ligo eu?
Eu. Um momento.
Temos problemas. Ele quer chamar a polícia.
A polícia? Somos nós.
Vá lá...
- Brilhante, Sickan. - Claro.
- Deixaste o carro destrancado? - Ninguém rouba um carro da polícia!
A polícia!
Escritório do tenente Svensson. Fala o detetive Holm.
O tenente tem uma consulta no dentista. Posso ajudar?
Certo. Entendo. Sim.
Sim... É uma denúncia? Sim?
Holm! Preciso de uma explicação. Eu disse explicitamente que não queria escândalos.
- Recebemos uma denúncia. - Uma denúncia? Entendo.
O gerente bancário Wall-Enberg reportou que três homens, que não conhece,
roubaram 20 mil dólares do seu cofre.
- Daquele cofre? - Sim.
Franz Jäger... mas o que é isto? A lancheira do gerente do banco?
- Os diamantes. - Os diamantes de Bedford!
- Dá-me a gentileza, Sr. Wall-Enberg? - Holm, eu trato disto a partir daqui.
Este é um caso de suma importância.
Eu disse-vos. O crime não compensa.
Legendas: Maria Costa
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