All language subtitles for Gypsys.Revenge.2018.1080p.WEBRip.x264.AAC-[YTS.MX]

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil) Download
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

Dee Dee, percebo se estiveres doente.

Por favor, liga-me de volta ou atende o telefone.

Diz-me se est� tudo bem.

SPRINGFIELD, MISSOURI Outubro de 2005

Bom, este quarto est� vazio.

Foi uma esp�cie de troca de pap�is para estes primeiros socorristas.

Em vez de tratarem de chamadas m�dicas,

esta equipa passou a tarde a mover caixas e m�veis

para esta casa de Aurora.

E � tudo para esta fam�lia. Dee Dee Blanchard

e a sua filha de 12 anos, Gypsy Rose.

Tem sido uma b�n��o. As pessoas t�m sido t�o simp�ticas.

Parece que viemos para casa, finalmente.

� fant�stico! � t�o bonito, feliz e acolhedor.

Uma casa de que esta fam�lia precisava desesperadamente.

A viagem at� aos Ozarks come�ou quando uma equipa m�dica...

Durante o Furac�o Katrina,

a casa da Dee Dee e da Gypsy foi destru�da.

Basicamente, perderam tudo o que tinham.

Foi uma aut�ntica lavagem.

Portanto, foram realojadas no Missouri,

e basicamente, vieram para c� para come�ar da estaca zero.

Sa�mos de l�.

Quando nos disseram para irmos embora, fomos.

Ap�s semanas no hospital,

Dee Dee e Gypsy Rose foram levadas para o St. John's, em Springfield.

O l�der de equipa...

Quanto melhor fiquei a conhecer a Dee Dee e a Gypsy,

melhor fiquei a conhecer as doen�as da Gypsy.

Tinha distrofia muscular,

tinha um tubo de alimenta��o.

Tinha enxaquecas graves e tomava muitos medicamentos.

Ela n�o conseguia andar.

Eu pr�prio pegava nela e transportava-a

entre sof�s, camas e carros.

Quando a conheci, ela tinha uns 11 ou 12 anos.

Mas a Dee Dee disse-me que tinha mentalidade de quatro anos,

por volta disso.

N�o era t�o desenvolvida quanto parecia.

Sem casa, e com Gypsy a combater a distrofia muscular e leucemia,

a equipa de St. John's Aurora p�s-se ao trabalho,

e assegurou-lhes e limpou-lhes esta casa livre de renda.

� avassalador...

Nunca imaginar�amos

que tantas pessoas nos ajudassem de forma t�o generosa,

que nos amassem e nos recebessem t�o bem.

Para Gypsy Rose e a m�e, a mudan�a traz uma nova seguran�a,

uma nova cidade e uma nova casa que as recebeu de bra�os abertos.

� prova de que os finais felizes n�o existem s� nos contos de fadas.

S�o verdadeiros, e tamb�m acontecem na vida real.

N�o voltava para o Louisiana nem que me obrigassem.

Estou aqui para ficar. Estamos em casa.

A Dee Dee tratava toda a gente como fam�lia,

o que tornou ainda mais engra�ado termos o mesmo apelido.

N�o t�nhamos qualquer rela��o de parentesco,

mas ela fazia-me sentir que t�nhamos.

Sempre que as v�amos, estavam feliz e queriam ajudar,

e n�s tamb�m as quer�amos ajudar.

A Dee Dee tinha muitas dificuldades em pedir ajuda,

mas foram-lhes dadas muitas coisas.

Viagens ao Disney World, � Disneyland,

ganharam uma casa da Habitat para a Humanidade,

com mob�lia e tudo.

Temos uma banheira fant�stica.

� uma banheira de jac�zi pr�pria para os meus m�sculos

e temos uma rampa maravilhosa, para poder subir e descer sozinha.

Agora j� consigo chegar aos interruptores de luz.

Tenho portas mais largas para a minha cadeira poder passar.

Deram-lhes a carrinha,

e quando a carrinha se estragou, deram-lhes outro carro parecido.

- Eis as chaves da casa. - Obrigada.

E eis as chaves do carro que vos foi doado.

Tamb�m lhes deram outras coisas como voos gratuitos

para as consultas ou confer�ncias da Gypsy.

Quanto ao estado da Gypsy, quase parecia n�o estar doente.

Muitas pessoas que tivessem muito menos problemas

teriam provavelmente feito um alarido muito maior.

Aqui est� ela, a receber tubos no corpo,

a receber picadas de agulhas e tratamentos

e era muito inspirador ver como a Gypsy reagia a tudo isto.

Era surreal.

Ol� a todos. Sou a Gypsy Rose, e falo de Aurora, Missouri.

Vou atirar-me do nosso alpendre para o monte de neve.

Prontos?

A Gypsy tinha uma voz muito suave a aguda,

que nos fazia sentir muito bem.

O n�vel de normalidade que uma crian�a como a Gypsy

poderia desfrutar parecia muito limitado.

Ol� a todos. Estou no castelo da Cinderela

e estou a comer pur� de batata.

� bom.

Era muito importante para a Dee Dee

a Gypsy ter uma vida muito preenchida antes de falecer.

Achava que a rela��o delas era �nica

por causa de tudo o que faziam juntas.

Tinham uma conta juntas no Facebook chamada "Dee Gyp Blanchard"

e era a� que a Dee Dee dava not�cias da sa�de da Gypsy

e publicava fotografias dela no hospital ou no Disney World.

Era a rela��o de sonho entre m�e e filha.

Mas sentia que a Gypsy sentia falta de ir � escola,

para poder fazer amigos,

pois via-se que ela queria ter uma vida fora de casa.

Portanto, tinha de viver atrav�s da fantasia.

Ela aproveitava qualquer oportunidade para se mascarar.

Se fossem � Comic-Con ou � estreia de um filme,

ela vestia-se como as personagens.

Sentia que ela gostava de ser outra pessoa durante um tempo.

Principalmente no que tocava ao cabelo,

porque ela nunca teve cabelo, ent�o podia usar lindas perucas

e vestia a pele de algu�m que nunca poderia ser.

�ramos amigas e muito amig�veis uma com a outra

mas n�o nos conhec�amos a um n�vel mais profundo de amizade,

at� ela come�ar a enviar-me mensagens.

OL� ALEAH, � A GYPSY. COMO TENS ESTADO?

OL�, MI�DA. ESTOU BEM, E TU?

A Gypsy criou uma conta secreta no Facebook,

para podermos falar e ela poder desabafar

sem ter de ser filtrada ou censurada pela m�e,

pois a m�e estava sempre presente quando est�vamos juntas.

A MINHA M�E � MUITO PROTETORA E N�O SABE DESTA CONTA.

"Emma Rose" era a alcunha que ela usava.

ESTOU MAL, PRECISO DE UMA AMIGA

O QUE SE PASSA?

Ela recorreu a mim como uma amiga mais velha,

pois durante toda a sua vida, s� teve a m�e.

ESTOU A PASSAR UM MAU MOMENTO

LAMENTO, GYPSY

E achei que podia ser essa amiga, podia ouvi-la

e partilhar segredos.

SOUBE QUE MUDASTE DE CASA

SIM, VIM PARA EVERTON COM O MEU NAMORADO

Ela come�ou a chamar-me "mana mais velha"

e eu comecei a chamar-lhe "mana mais nova".

ISSO � �TIMO QUEM ME DERA SER TU

PORQU�?

DOMINGO 14 DE JUNHO 2015, 14H40

O domingo em que tudo come�ou foi um domingo bastante t�pico.

Mas depois, vi uma certa publica��o.

AQUELA CABRA EST� MORTA

Era uma publica��o da conta Dee Gyp Blanchard.

Foi um momento chocante.

Achei muito estranho.

Achei que algu�m tinha invadido a conta delas

e andava a brincar com elas.

E depois, houve outra publica��o.

BATI NAQUELA PORCA GORDA E VIOLEI A FILHA INOCENTE.

ELA GRITOU T�O ALTO

Liguei para o telefone delas e elas n�o atenderam.

Nessa altura, disse � Kim para irmos � casa delas.

Deixei-lhes mensagens no telefone.

"Dee Dee, por favor, liga-me de volta

ou atende o telefone. Diz-me se est� tudo bem."

Quando cheg�mos � casa da Dee Dee e da Gypsy,

o carro estava estacionado � entrada.

Alguma coisa n�o estava bem.

Come��mos a bater � porta, mas ningu�m respondeu.

Bati nas janelas e grit�mos os nomes delas.

Comecei a sentir-me um pouco ansioso,

por isso, pedi � Kim para ligar � Pol�cia

para virem ver se estava tudo bem.

Quando a Pol�cia apareceu,

percebemos que a janela da cozinha estava destrancada.

A Pol�cia explicou que como parecia n�o haver nenhum arrombamento,

legalmente, n�o tinham motivo para entrar na propriedade.

Perguntei se havia algum motivo para eu n�o poder entrar

e eles disseram que n�o havia problema.

16h50

A primeira coisa em que reparei, al�m de estar escuro,

� que estava muito frio.

Como se o ar condicionado estivesse no m�ximo e sempre ligado.

A casa parecia normal. Estava a ver se encontrava algu�m,

ou algo que me parecesse estranho,

como mob�lia virada ao contr�rio ou coisas partidas.

A cadeira de rodas da Gypsy estava na sala.

A cadeira de rodas el�trica estava na casa de banho,

ou seja, todas as cadeiras de rodas que ela tinha estavam em casa.

O quarto da Gypsy era um t�pico quarto de crian�a.

A cama da Dee Dee n�o estava feita, tinha muitos cobertores,

mas nada parecia fora do normal.

Quando o Dave disse ao pol�cia o que estava na casa,

o que inclu�a todas as tr�s cadeiras de rodas da Gypsy,

soube logo que algo de errado se passava.

A Pol�cia do Missouri lan�ou um alerta a todo o Estado

devido a uma m�e e filha que desapareceram de Springfield.

Gypsy Blanchard, de 19 anos, e Claudine Blanchard, de 48 anos,

foram vistas pela �ltima vez a 10 de junho.

Se souber qual o seu paradeiro, ligue imediatamente para a Pol�cia.

Vi uma multid�o de vizinhos

e foi a� que soube da publica��o no Facebook.

Achei que talvez algu�m tivesse invadido a conta delas,

mas o que era estranho � que ningu�m as via h� dias

e ningu�m conseguia contact�-las.

Eu e a Kim ach�mos que a Pol�cia estava a fazer o que lhe competia

e a tentar perceber onde estavam a Dee Dee e a Gypsy,

por isso, fomos para casa.

SEGUNDA-FEIRA 15 DE JUNHO 2015, 01H00

Acordei com o telefonema de um detetive

que disse que queria fazer algumas perguntas.

Fiquei surpreendida por ele querer vir imediatamente,

mas soube que tinha de ser bastante grave.

Ele perguntou-me o qu�o bem conhecia a Gypsy,

o qu�o bem conhecia a Dee Dee, se havia conflitos entre elas,

mas claro que eu disse que n�o havia nada de mau entre elas

e que eram muito pr�ximas.

Ele acabou por receber uma chamada.

Foi muito curta e mal ele desligou,

eu percebi que tinha acontecido algo de errado.

05h00

Acordo e ligo o canal das not�cias.

O xerife do Condado de Greene tem informa��es novas

sobre uma m�e assassinada em casa e a sua filha desaparecida.

Estamos ao vivo, no bairro.

O corpo de Dee Dee Blanchard, de 48 anos,

foi encontrado na sua casa na noite de domingo.

O xerife n�o diz como morreu, mas diz que a morte foi violenta.

Os detetives continuaram � procura da sua filha,

Gypsy, de 19 anos, durante a noite.

Algo que preocupou os amigos e ajudou os detetives...

Fiquei em choque.

N�o conseguia perceber.

Eu estive na casa, como � que algo assim me escapou?

O sentimento geral era de entorpecimento.

N�o queria acreditar em nada.

S� queria que fosse qualquer pessoa menos a Dee Dee.

A Dee Dee foi esfaqueada v�rias vezes nas costas,

na parte de tr�s do pesco�o,

e estava morta e sozinha em casa j� h� alguns dias.

Esta pobre mulher n�o fez nada sen�o dar a sua vida pela filha

e n�o fez nada sen�o amar todos os que a rodeavam.

N�o me ocorria ningu�m que quisesse fazer mal

� Dee Dee e � Gypsy.

N�o havia nenhum suspeito,

n�o havia ningu�m que se soubesse estar relacionado com isto

e todos os sinais apontavam para um assassino aleat�rio.

Ainda h� muitas quest�es em rela��o � morte de Dee Dee,

mas os amigos pedem a toda a gente na �rea

para pensarem e rezarem pela Dee Dee e pela Gypsy,

enquanto esta investiga��o avan�a.

Simplesmente comecei a solu�ar.

As publica��es no Facebook eram reais.

A Dee Dee estava morta, ou seja, a Gypsy tamb�m,

e era s� uma quest�o de tempo at� ser encontrada.

Naquela altura, s� queria que a Gypsy voltasse para casa.

O detetive disse-me que precisava de mais informa��es.

Eu falei-lhe das mensagens entre mim e a Gypsy.

N�o sabia se havia alguma informa��o que lhe fosse �til.

QUERES IR AO CINEMA NA QUINTA, �S 20H05?

CLARO, PARECE-ME BEM

Primeiro, as nossas conversas eram muito inocentes.

O QUE VAIS VESTIR?

EU VOU LEVAR O VESTIDO E OS SAPATOS VERMELHOS

E aos poucos, ela come�ou a abrir-se mais sobre rapazes,

e queria conselhos amorosos e sobre como beijar,

pois nunca tinha dado o seu primeiro beijo.

PRECISO DOS TEUS CONSELHOS N�O SEI BEIJAR

Chocou-me um pouco, pois n�o estava � espera.

Mas ao mesmo tempo, ela estava a crescer

e j� tinha 15, 16 anos

e pareceu normal uma menina daquela idade perguntar aquilo.

TENHO NOVIDADES. CONHECI UM TIPO INCR�VEL

Come��mos a falar do interesse rom�ntico dela.

O MEU NAMORADO NICK TEM 24 ANOS

ELE � A MINHA ALMA-G�MEA. ESCREVE-ME POEMAS E TUDO

A Gypsy n�o podia andar com rapazes. Podia ter amigos.

ELE VIVE NO WISCONSIN

Mas ter namorados estava fora de quest�o.

Come�ou a falar de como planeavam casar

e que iam casar num coreto de neve.

SE TIVERMOS UM FILHO VAI CHAMAR-SE NICK

Foi a� que fiquei a conhecer o Nicholas Godejohn.

EU E O NICK VAMOS ENCONTRAR-NOS EM MAR�O

Eu disse-lhe para ter cuidado, para ser esperta.

VAMOS VER O FILME DA CINDERELA E VOU DAR O MEU PRIMEIRO BEIJO

Disse-lhe para n�o fugir com nenhum estranho.

TEM CUIDADO H� MUITAS PESSOAS M�S

MUITOS RAPAZES N�O S�O QUEM DIZEM SER

Mas sinceramente, como ele era do Wisconsin,

nunca pensei que fosse acontecer algo.

VOU APRESENT�-LO � MINHA M�E EM MAR�O

Pensei que a m�e dela tivesse controlo sob a situa��o,

que n�o havia, de todo, motivo para me preocupar.

A MINHA M�E N�O QUER QUE EU NAMORE

MAS ESPERO QUE CORRA BEM E QUE ELA O ACEITE

A Pol�cia associou o IP da publica��o do Facebook

feita atrav�s da conta da Dee Dee e da Gypsy

a uma �rea residencial em Big Bend, Wisconsin,

no Condado de Waukesha,

e a Pol�cia descobriu que era a casa dos pais do Nicholas.

CASA DA FAM�LIA GODEJOHN

Quando perceberam que tinha sido no Condado de Waukesha,

n�o havia forma de chegarem l� a tempo,

pois estavam a oito ou nove horas de dist�ncia,

por isso, pediram � Pol�cia local para ir � resid�ncia

para ver se a Gypsy estava l�.

Enviaram um grande grupo de oficiais da Pol�cia

e invadiram a casa, preparados para tudo.

Achei que �amos encontrar a Gypsy

numa condi��o semelhante � da Dee Dee.

Esta � uma reportagem especial.

Uma grande descoberta nesta investiga��o de homic�dio.

Soubemos agora que Gypsy Rose Blanchard, de 19 anos,

foi encontrada em seguran�a, est� bem.

Foi encontrada noutro Estado e h� um suspeito em cust�dia.

Os detetives dirigem-se agora para esse Estado,

para falarem com Gypsy Rose e com o suspeito.

Teremos mais atualiza��es online e reportagens ao vivo...

Saber que ela foi encontrada...

... no Wisconsin, viva, ilesa...

... foi um raio de esperan�a.

Fiquei aliviada por ela ter sido encontrada,

mas em que condi��es estava?

O que � que lhe aconteceu?

Isto diz "Nicholas". Chamam-te "Nick", "Nicholas"...?

Prefiro...

A minha fam�lia costuma chamar-me "Nicholas",

mas os meus amigos e outras pessoas chamam-me "Nick".

O que preferes que te chame?

- Nick. - Nick, muito bem.

Foi a primeira vez que a tua m�e conheceu a tua namorada?

Sim.

- Suponho que seja tua namorada. - Sim, � minha namorada.

- Ama-la? - Sim, amo-a muito.

Agora, vamos seguir dois caminhos, certo?

E vais ter de ser honesto comigo,

pois se a amas, se amas a Gypsy,

n�o vais deixar que a Gypsy tenha problemas

- sem a ajudares, sim? - Percebo.

A tua m�e est� morta. O que te quero perguntar...

- Espere... O qu�? - A tua m�e morreu.

- Faleceu. - N�o, n�o...

Queres fazer o que � certo pela Gypsy se a amas?

- Na verdade, eu idolatro-a. - Eu sei que sim.

- Nunca deixaria de honr�-la. - Eu sei.

- N�o, n�o... - Ouve-me por um segundo, sim?

A Pol�cia fez uma busca ao quarto do Nicholas

e encontraram uma grande quantidade de dinheiro

que tinha sido roubado do quarto da Dee Dee

e um envelope que tinha sido enviado de Springfield,

com a arma do crime l� dentro.

A verdade �... Eu admito.

Na verdade...

- ... esfaqueei a m�e dela, admito. - Eu sei.

O que aconteceu com a tua m�e naquela noite?

N�o sei o que aconteceu com a minha m�e.

Por favor, diga-me.

S� o fiz por mim e por ela. Foi o �nico motivo.

Nunca o faria sen�o fosse por mim e por ela.

- Eu amo a minha m�e. - Eu sei que sim.

Querida, n�o tenho qualquer d�vida de que amas a tua m�e.

Mas porque � que o Nick a magoou?

Ol�, Dee Dee.

O nome completo da Dee Dee era Claudine Ann Pitre,

mas toda a gente lhe chamava "Dee Dee".

�ramos seis.

Tr�s irm�os mais velhos e a minha irm� mais velha.

Eu era a quinta filha e a Dee Dee era a sexta filha,

ela era considerada a beb�.

A Dee Dee fez tudo para ser diferente,

sozinha, solit�ria e era o que ela gostava.

N�o se v�, mas ela est� de cal��es. Tem o casaco, mas est� de cal��es.

Ela tem o fogo nela!

Hoje � sexta-feira, vai � procura de rapazes.

E este � o nosso pai, claro.

Uma noite, estava no bowling, fui l� ver uma banda,

e vi uma rapariga que parecia um pouco diferente.

N�o parecia ser de c�.

Ol�, eu sou a Dee Dee e vou agora sair

com a Suzette, o LJ, a Michelle e a Titania

e vamos fazer umas travessuras.

Hoje, n�o vamos dar do�uras a ningu�m.

- Este � o meu fato. - D� uma volta.

A forma como se vestia e comportava.

Criado pela Dee Dee.

Sem d�vida que se distinguia no meio de uma multid�o.

�s a bruxa m� ou a bruxa boa?

Ela � a bruxa boa e eu sou a bruxa m�.

J� estabelecemos essas coisas.

Eu tinha 17 anos, era um selvagem.

Ela era mais velha do que eu, mas fiquei com o n�mero dela

e come��mos a namorar depois disso.

Uma manh�, ela diz-me que tem novidades, que est� gr�vida.

Eu fiquei do tipo: "A s�rio?"

Disse-lhe logo que nesse caso, ir�amos casar.

Ela era a esposa sulista perfeita, uma boa rapariga.

Muito educada, muito generosa,

mas nunca desenvolvi sentimentos por ela.

Acordei no dia do meu anivers�rio, tinha feito 18 anos,

e pensei: "Caramba...

O que estou a fazer aqui?"

Comecei a arrumar as minhas coisas, ela acordou e disse:

"O que est�s a fazer?" E eu disse: "Dee Dee, n�o consigo."

Disse-lhe: "Lamento imenso. Cometi um grande erro.

"S� quero fazer a coisa certa, mas tenho de me ir embora.

N�o te amo, n�o estou apaixonado. Lamento imenso."

Ela ficou muito chateada. Pegou na certid�o de casamento,

atirou-a ao ch�o, partiu-a e come�ou a gritar.

S� fomos casados durante tr�s meses.

Prometi-lhe que faria tudo para tomar conta dela e da crian�a.

Que faria tudo o que pudesse financeira e mentalmente,

mas n�o podia...

N�o podia ficar.

Cham�mos-lhe Gypsy Rose Blanchard.

Podia ser um pouco pequena, mas era uma beb� normal.

Dei-lhe a alcunha de "Gamb�", pois ela parecia um gamb�.

Tinha uns olhinhos de gamb�,

tinha um cabelinho muito louro que estava sempre no ar.

Era t�o pequenina!

Mal a vi, soube que a minha vida ia mudar para sempre,

mas n�o fazia ideia do que estava prestes a enfrentar.

Ol�, Gypsy. Amo-te!

� medida que ia crescendo,

a Dee Dee disse-me que ela precisava de um monitor card�aco

que tinha de usar durante a noite, pois deixava de respirar

e tinha crises epil�ticas a meio da noite,

e disse-me que ia fazer-lhe testes e tudo o mais

e que ela tinha apneia do sono.

Ela ficava t�o assustada!

N�o queria ningu�m a observ�-la.

S� deixava os meus pais tomarem conta da Gypsy.

Nem eu podia tomar conta dela, porque ela estava doente.

Gypsy. Gypsy?

Queres ir brincar l� para fora?

Ela nem sequer me deixava estar com ela durante uma hora.

Ela estava sempre com ela.

Quantos anos tens?

Tens um ano? E onde fica o teu cr�nio?

Muito bem. E onde est�o os dedos?

Sim, muito bem.

A Dee Dee era uma �tima m�e.

Estava sempre a dizer-lhe que n�o sabia como conseguia.

A tomar conta da Gypsy todos os dias, sempre l� para ela.

Ol�, estamos a enrolar o caracol. S� um bocadinho.

Esta � a Gypsy Rose Blanchard.

A Gypsy tem quatro anos e vive em Golden Meadow.

Eu achava que ela era a melhor m�e do mundo.

Estou a aproximar-me da tua cara.

Sorri, para eu ver a tua cara.

Quando a Gypsy tinha cerca de quatro, cinco, seis anos,

a Dee Dee come�ou a dizer-me que ela tinha problemas nos olhos,

ataques epil�ticos, que os ataques afetavam-lhe os olhos,

e que faziam-lhe uma cirurgia para endireitar-lhe o olho,

e depois, tinha outro ataque e o olho entortava novamente.

Parece que est�s aqui mesmo, na c�mara.

Agora, s� vejo os teus �culos.

A Dee Dee dizia-me que quando ela tinha os ataques,

isso fazia-a retroceder mentalmente alguns anos.

- Querida! - Escorregou e caiu!

Posso levantar-me?

Enquanto tio da Gypsy, quis sempre o melhor.

Fico triste, quero que ela tenha uma vida normal e saud�vel,

mas com a Gypsy, isso nunca aconteceu.

Vira-te, deixa-nos v�-lo. � t�o querido!

S� foi piorando cada vez mais.

A Dee Dee come�ou a dizer-me que estavam a fazer testes,

que estavam a tentar descobrir o que se passava.

Ela tinha muitos problemas.

Teve problemas de audi��o, teve de p�r tubos nos ouvidos.

Teve um problema de refluxo,

por isso, com sete ou oito anos, teve de p�r um tubo de alimenta��o

e era alimentada por uma m�quina, atrav�s de um bot�o.

Aqui, querida.

A Dee Dee come�ou a tomar conta da Gypsy 24 horas por dia,

por isso, deixou de trabalhar.

Prometi-lhe que ia sempre pagar a pens�o infantil e de alimentos,

e cobrir as despesas m�dicas e o seguro de sa�de da Gypsy.

Paguei � Dee Dee at� ao dia em que morreu.

Quando a Gypsy tinha uns sete anos,

foi a primeira vez que a vi numa cadeira de rodas.

Vieram as duas visitar-me, ela e a Dee Dee.

Perguntei-lhe: "O que se passa com as pernas dela?

� assim t�o mau? Qual � o diagn�stico?"

A Dee Dee disse-me que ela tinha distrofia muscular

e que os m�sculos das pernas v�o deixar de funcionar.

� aterrador ouvir isto em rela��o a um filho.

Depois dessa primeira vez que a vi na cadeira de rodas,

nunca mais a vi a andar.

Quando ela me disse que ela tinha leucemia, fiquei...

Fiquei surpreendido, foi...

Foi a coisa mais assustadora que ela alguma vez me tinha dito.

Quase n�o acreditei.

A esta altura, j� s� pensava: "O que mais falta?

"Vai ser atingida por um raio? � a crian�a mais azarada de sempre,

para ter tanta coisa de errado."

Mas no meio de todas as doen�as, ela sempre foi uma guerreira.

Ela sempre sorriu imenso,

podem ver todas as fotografias que temos.

N�o existem muitas fotografias da Gypsy triste.

Ela tem sempre um sorriso.

Elas mudaram-se para Thibodaux, a 45 minutos de dist�ncia.

Dois anos depois, mudaram-se para Nova Orle�es,

a duas horas de dist�ncia.

� medida que crescia, elas iam cada vez para mais longe.

Era cada vez mais dif�cil v�-la.

Ia a casa delas visit�-las, durante umas horas, est�vamos juntos,

mas quando eu e a Gypsy come��vamos a ficar mais pr�ximos,

a criar uma liga��o,

passavam tr�s ou quatro meses at� estarmos juntos novamente

e podermos reconstruir tudo a partir da�.

A Dee Dee n�o nos deixava construir uma rela��o de pai e filha,

que � suposto termos com os nossos filhos.

E em 2005, houve o Furac�o Katrina,

e elas mudaram-se para o Missouri.

Fica a 11 horas de dist�ncia.

Ela deixava-me falar com a Gypsy ao telefone sempre que quisesse,

mas disse que visit�-la estava fora de quest�o.

Nunca levantei muitas quest�es � Dee Dee,

porque ela deixava-nos falar quando eu ligava

e deixava-nos manter algum tipo de rela��o.

Eu sabia que se levantasse alguma quest�o ou problema,

ela ia excluir-me imediatamente.

A nossa rela��o baseava-se em telefonemas,

presentes, postais de anivers�rio, coisas desse g�nero.

S� queria que ela sentisse...

... que eu ia estar l� para sempre, � espera.

Um dia, vais ligar-me e dizer: "Ol�, pai, � a Gypsy.

Podes vir ver-me?"

Estive sempre � espera desse dia, mas nunca aconteceu.

O que aconteceu com a tua m�e naquela noite?

N�o sei o que aconteceu com a minha m�e.

Por favor, diga-me.

A Gypsy sabia que ias matar a m�e dela?

Ouve-me, querida.

Tu sabes o que aconteceu com a tua m�e.

E eu sei que tu sabes.

Sinceramente, ela pediu-me para faz�-lo.

DEPTO. DO XERIFE DE WAUKESHA TER�A-FEIRA, 16 DE JUNHO 2015

Ent�o, a Gypsy sabia que ias matar a m�e dela,

- porque ela pediu-to. - Sim.

Porque � que ela te pediu para fazeres isso?

- Mataste a tua m�e? - N�o, n�o, senhor.

Ajudaste o Nicholas a matar a tua m�e?

N�o, senhor.

N�o, senhor.

Sabias que o Nicholas ia matar a tua m�e

- antes de o ter feito? - N�o, senhor.

Bom dia.

Quero especificar, no in�cio desta confer�ncia de imprensa,

que esta investiga��o ainda est� a decorrer.

A acusa��o apresentou queixa esta manh�

por homic�dio de primeiro grau. H� dois suspeitos.

Ainda estamos a investigar a dimens�o da rela��o,

mas foram referidos como sendo namorados.

Fiquei de boca aberta.

Nunca na vida iria pensar...

... que ela estivesse associada a algo assim.

A qualquer tipo de crime,

mas principalmente ao assassinato da pr�pria m�e.

Fiquei do tipo: "O que se passa aqui?"

Tanto quanto sabia, elas tinham a rela��o perfeita de m�e e filha.

Eram a fam�lia perfeita feliz.

A Pol�cia devia ter percebido mal a hist�ria de algu�m

ou algu�m n�o estava a dizer a verdade,

mas n�o podia ser a Gypsy.

Nicholas Godejohn, de 26 anos, esteve num tribunal de Waukesha.

Apelou ao seu direito de uma audi�ncia de extradi��o.

� acusado do assassinato em Missouri de Dee Dee Blanchard.

A acusa��o diz que ele esfaqueou a mulher at� � morte

depois de, alegadamente, a sua filha Gypsy lho ter pedido.

Godejohn tamb�m tem um historial criminoso.

Em 2013, foi preso e os detetives disseram que estava a ver pornografia

e a masturbar-se no McDonald's durante nove horas

e a Pol�cia encontrou uma faca durante a deten��o.

Toda a gente assumiu que ele era um predador da Internet

que tinha escolhido a Gypsy como sua presa,

especialmente tendo em conta as circunst�ncias.

Quero falar consigo sobre o que se anda a passar.

Como sabe, o Nicholas foi acusado de homic�dio de primeiro grau

e crime � m�o armada.

E o que ele...

O que aconteceu � que ele comprou um bilhete de autocarro

e veio a Springfield, que � onde eu vivo e trabalho.

E ele...

Ele e a Gypsy conspiraram para matar a m�e dela.

Ele esfaqueou-a v�rias vezes nas costas,

- enquanto ela dormia. - Meu Deus.

- O que acha disto? - N�o sei...

Sei que uma vez ele come�ou a ir l�.

Sempre o vigi�mos de perto,

porque ele tem autismo, Asperger.

Ele foi diagnosticado com autismo e Asperger?

- Sim. - Certo.

O �ltimo m�dico disse que a mente dele

provavelmente n�o ia passar dos 15, 16 anos.

Ele nunca fez nada assim. Nada de violento.

� por isso que estou em choque.

Ele sabe que o que fez � errado.

Ele sabe disso. Ele diz que nunca magoaria ningu�m,

se n�o fosse pela Gypsy e pelo seu amor por ela.

- Diz que ela lhe pediu para faz�-lo. - Meu Deus.

Mas ele est� bem. Chorou muito...

... hoje, quando falei brevemente com ele.

Tive de falar-lhe do mandado e ele chorou muito.

E n�o foi necessariamente pela acusa��o.

Ele parece aceitar isso bem,

mas a parte de nunca mais ver a Gypsy ou a si...

Ela conseguiu mesmo dar-lhe volta.

Acho que ele est� perdidamente apaixonado por ela.

Eu sei, eu sei.

Lembro-me de pensar que isto foi tudo um plano do Godejohn,

mas aos poucos, foi-se revelando,

ao falar com os detetives e ao ver as not�cias,

que havia muito mais que n�s n�o sab�amos.

Em algum momento durante toda esta situa��o,

a Gypsy teve de estar numa cadeira de rodas?

- Sim. - Muito bem. Quando?

Foi apenas quando ela estava a viver em casa.

- Certo. - Sem ser isso, ela conseguia andar.

Enquanto ela esteve contigo, n�o precisou da cadeira de rodas?

N�o.

Tamb�m sabemos que ela consegue andar

sem a ajuda de uma cadeira de rodas.

E consegue faz�-lo bastante bem.

Estado do Wisconsin contra Gypsy Blanchard, caso 15,

atribu�do � ju�za Boyd.

Quando a vi a andar no tribunal,

fiquei em choque, fiquei apavorado.

N�o conseguia acreditar.

Abanei a cabe�a e pensei: "N�o � ela."

Tive de passar o v�deo para tr�s v�rias vezes

para conseguir mentalizar-me que ela estava realmente a andar

atrav�s da sala de audi�ncias at� ao p�dio.

N�o parecia real.

Qual � a morada atual da Miss Blanchard?

2103, West Volunteer Way,

Springfield, Missouri 65803.

Passei tanto tempo preocupada com ela

e com a condi��o dela.

E nunca soube que ela conseguia andar.

E ali estava ela, a andar na televis�o.

E estava �tima.

Alega-se que o indiv�duo conspirou com Nicholas Godejohn

para esfaquear a m�e at� � morte para poderem estar juntos.

Eu recusei-me a acreditar que isto estava a acontecer.

N�o era a minha Gypsy.

Nunca a vi fora da cadeira de rodas. � algo nunca visto.

Digamos que ela era muito boa a representar.

Eu achei mesmo que ela tinha uma defici�ncia.

Comecei a duvidar de tudo o que sabia sobre elas.

Neste momento, ela enfrenta, tal como o Mr. Godejohn,

duas acusa��es de crime,

sendo a mais importante de homic�dio de primeiro grau,

cuja senten�a � pris�o perp�tua ou morte.

O tribunal exige uma cau��o de um milh�o de d�lares.

A condi��o � a r� n�o ter contacto com Nicholas Godejohn.

Come�aram a surgir muitas quest�es na minha cabe�a

sobre o que seria real nos �ltimos 23 anos da vida dela.

� como um rasto que seguimos para ver se algo � verdade.

At� obterem respostas para as suas perguntas,

as pessoas v�o continuar a questionar

quem realmente eram esta m�e e filha.

Eu pensava que as conhecia t�o bem.

At� a verdadeira idade de Blanchard � um mist�rio.

Se ela conseguia andar, sabia que conseguia andar.

At� que ponto foi a mentira?

Comecei a pensar em todas as pessoas que conhecia,

s� pensava nas caras delas

e no qu�o magoadas deviam ter ficado

ao descobrir que estas duas pessoas com quem se preocupavam tanto

n�o eram quem elas pensavam.

Descreveria a rela��o com a minha m�e como complicada.

Quando era mais nova, era muito melhor,

porque ela era como uma melhor amiga para mim.

Queres mandar-me um beijinho? Muito bem.

Amo-te.

Est�vamos sempre a fazer coisas juntas.

�amos ao cinema, ao parque, ao jardim zool�gico.

Quando tinha uns cinco ou seis anos,

a minha m�e disse-me que eu tinha epilepsia

e que estava paralisada da cintura para baixo.

Ela disse-me que eu tinha cancro e que ia rapar-me o cabelo,

que ele ia cair de qualquer maneira,

por isso, t�nhamos de mant�-lo bonito e asseado.

Tamb�m disse que n�o podia comer e que precisava de um tubo.

Ent�o, comecei a comer atrav�s do tubo de alimenta��o

e tamb�m recebia a medica��o atrav�s do tubo.

N�o sei os nomes de todos os medicamentos

que a minha m�e me fazia tomar,

mas havia muitos que me deixavam sedada.

A medica��o afetou-me os dentes.

Come�aram a deteriorar-se

e alguns tiveram de ser extra�dos.

Onde vais hoje?

Vou ao Children's Mercy Hospital, para ir ao dentista,

por causa dos meus dentes.

Fiz muitas, muitas cirurgias.

E voltamos em breve!

Removeram-me as gl�ndulas salivares,

porque a minha m�e disse que eu me babava.

Inseriram-me um tubo de alimenta��o na barriga,

fiz v�rias cirurgias aos olhos, ao esquerdo e ao direito.

Cirurgias aos ouvidos.

Uma biopsia muscular para descobrir

porque � que as minhas pernas n�o funcionavam

e uma cirurgia para deixar de vomitar.

Eu acreditava que tinha todas estas doen�as,

exceto o facto de que sabia que conseguia andar

e sabia que conseguia comer.

S� soube quando vi o meu advogado pela primeira vez

e ele me disse que n�o h� registos m�dicos

que indiquem que tenho cancro, e fiquei chocada.

Eu n�o tenho cancro?

Fiquei muito confusa.

Ent�o, que outras doen�as n�o tenho?

Ele diz-me que, de modo geral, sou perfeitamente saud�vel

e que muitas destas coisas foram inventadas.

Fiquei feliz por saber que era saud�vel

mas ao mesmo tempo, magoou-me,

porque foi como se o meu mundo ficasse todo ao contr�rio

e percebi que a minha m�e n�o era quem eu pensava.

� o desenvolvimento mais recente no caso de homic�dio

contra Gypsy Blanchard e o namorado Nicholas Godejohn.

Aparentemente, a m�e de Gypsy manteve-a numa cadeira de rodas,

inventando as suas doen�as e incapacidades.

A m�e da Gypsy abusava dela f�sica e medicamente,

dava-lhe medica��o de que ela n�o precisava,

submetia-a a opera��es de que n�o precisava,

ao ponto de a maioria dos dentes da Gypsy j� n�o serem dela,

por causa da medica��o que a m�e lhe dava

e que n�o era apropriada.

Ela declara-se inocente.

Lembro-me de ficar com n�useas.

S� queria afastar-me daquilo tudo e vomitar.

Senti-me vazia, senti-me fria, senti-me entorpecida,

senti-me culpada, senti...

Senti tudo, literalmente.

Estamos a tentar perceber o quadro geral

e perceber a extens�o do controlo da m�e sobre a Gypsy.

Mal soube do caso, comecei a pesquisar na Internet

e a tentar recolher toda a informa��o poss�vel.

Foi um dos casos que j� vi mais f�ceis de determinar

que se tratava de S�ndrome de M�nchausen por Procura��o,

que � quando algu�m torna uma pessoa sob o seu controlo doente,

ou mente sobre a sua doen�a ou exagera a sua doen�a,

s� para conseguir alguma gratifica��o emocional para si mesmo.

Deem as boas-vindas � sobrevivente de cancro

e menina apaixonada, Gypsy Rose Blanchard

e � sua m�e, Dee Dee Blanchard, de Springfield, Missouri.

A Dee Dee era uma mulher de poucas conquistas.

Havia poucas coisas que a distinguiam das pessoas comuns,

e ela n�o gostava muito disso,

por isso, ter uma filha doente deu-lhe um sensa��o de identidade,

a de cuidadora incans�vel e heroica,

que deixou os outros sem f�lego com a educa��o que deu � filha.

Sempre disse que �s a raz�o pela qual nasci, para ser tua m�e.

Agora, tudo faz sentido.

O porqu� de ter mantido a Gypsy longe de mim todos estes anos,

o porqu� de terem ido para t�o longe.

Ela n�o queria que a Gypsy desenvolvesse uma rela��o

com algu�m pudesse afast�-la dela.

Senti-me t�o est�pido.

A esta altura, j� vi centenas de casos.

Mas de vez em quando, vemos um caso que se transforma

no que chamamos "fingimento por procura��o",

em que o agressor procura remunera��o financeira,

e acho que, neste caso, estavam combinados.

Ao longo dos anos, Dee Dee e Gypsy Blanchard

receberam dinheiro e ajuda de muitas institui��es de caridade.

Igrejas na sua cidade-natal de Thibodaux, Louisiana,

fizeram angaria��es de fundos.

Foi a� que comecei a ficar zangado.

Nessa altura, percebi que tinha sido...

... enganado durante muitos anos, e...

Senti que se aproveitaram de mim.

O dinheiro que a Dee Dee burlou �s pessoas,

a v�rias organiza��es,

chegou certamente aos v�rios milhares de d�lares.

A Dee Dee burlou-me a mim em pelo menos 150 mil d�lares,

em despesas m�dicas desnecess�rias e pens�es

que continuei a pagar depois de ela ter feito 18 anos.

A Dee Dee n�o era nenhuma leiga no que tocava � Lei.

Ela costumava roubar em lojas,

era procurada por passar cheques falsos.

Ela roubou a muitas pessoas.

Arranjava cart�es de cr�dito no nome da minha m�e falecida

e gastava o dinheiro que nem uma louca.

Ela fazia o que quer que fosse, de que maneira fosse

para levar a sua avante.

Tudo isto combinado alterou a forma como via a Dee Dee.

Quando comecei a perceber a dimens�o das a��es dela,

comecei a perceber...

... o qu�o cruel ela era e como...

... permitia que a sua filha fosse, basicamente, torturada,

constantemente, durante toda a sua vida.

A Dee Dee estudou alguns anos para ser enfermeira,

e trabalhou num hospital.

Ela pesquisava sobre qualquer que fosse...

... a doen�a que ia inventar para a Gypsy.

H� algo de errado com o sistema de sa�de

quando uma crian�a � tratada de forma inadequada,

ano ap�s ano.

Deixa-me furioso.

A Dee Dee safou-se com tudo isto durante tanto tempo

porque ela � como muitos outros com M�nchausen por Procura��o.

N�o encontram muita resist�ncia.

Os m�dicos s�o homens de neg�cios e gostam de clientes satisfeitos.

Acho que para eles, o que � mais f�cil

� ignorar a possibilidade de M�nchausen por Procura��o,

e continuar a tratar e a tratar

quaisquer doen�as que a m�e diga que a crian�a tem.

Ela tinha uma personalidade muito persuasiva.

Por fora, ela parecia a mulher mais bondosa,

mais doce e genu�na.

Ela dava-me um animal de peluche ou uma boneca para brincar

e dizia-me para ficar calada se o m�dico perguntasse como estava,

para dizer que estava bem, mas para n�o dizer nada al�m disso.

E se o m�dico n�o concordasse com o que ela queria,

se n�o quisesse dar uma medica��o ou fazer uma certa cirurgia,

ela mudava-me para outro m�dico que o fizesse.

Provavelmente j� vi mais de 100 m�dicos na minha vida.

HOSPITAL MERCY SPRINGFIELD, MISSOURI

Em agosto de 2007,

a Gypsy veio com a m�e para uma avalia��o neurol�gica.

Pelo que sabia, ela tinha-se mudado do Louisiana,

era uma sobrevivente do Katrina,

e disseram-me que esta rapariga tinha uma hist�ria triste

e que a comunidade adotou-a e acolheu-a.

Gosto sempre de fazer perguntas ao paciente,

mas na altura, a intera��o era maioritariamente com a m�e.

Ela disse que ela tinha distrofia muscular

e paralisia cerebral,

que tinha ataques epil�ticos,

ent�o, pedi o historial m�dico da Gypsy.

Mas a m�e da Gypsy disse que n�o tinha o historial

pois tinha sido tudo perdido no furac�o.

Como n�o havia historial,

tive de confiar no que a m�e me disse na altura.

Mas o volume dos m�sculos dela era normal.

Tinham o tamanho certo e os reflexos dela eram normais,

ou seja, n�o fazia sentido ela n�o conseguir andar.

Decidimos fazer uma resson�ncia magn�tica � coluna

para ver se havia algo que me estivesse a escapar.

Estava completamente normal.

Eu disse � m�e que n�o havia qualquer raz�o

para ela n�o poder levantar-se e andar.

Ela ficou furiosa.

Disse que n�o era verdade.

"Ela n�o consegue andar, � um facto."

E disse que n�o ia voltar.

Quando a rea��o dela n�o foi a que esperava,

disse que suspeitava de que isto n�o era real.

Isto � inventado ou exagerado.

Foi quando suspeitei que fosse M�nchausen por Procura��o.

O meu dever era contar ao pediatra no meu relat�rio.

O neurologista pediatra que falou em M�nchausen por Procura��o

tinha uma grande responsabilidade para com a Gypsy.

Pelo simples facto de considerar sequer esse diagn�stico,

tinha de pegar no telefone e ligar para a Prote��o de Menores.

E ele n�o o fez, tal como outros m�dicos.

Se eu a tivesse reportado,

acho que a m�e os teria convencido que o que eu dizia n�o era verdade.

Precisava de mais para poder reportar � Prote��o de Menores.

Se tem uma suspeita razo�vel, de boa-f�,

est� protegido e �-lhe exigido que reporte.

Tendo visto o que aconteceu,

se no futuro vir outro caso de M�nchausen por Procura��o,

deverei ser mais agressivo.

Nunca ouvi nada sobre o M�nchausen por Procura��o.

Nem sequer sabia o que era.

Quando descobrimos o que era, foi a� que percebemos

que a Dee est� a fazer � Gypsy o que a m�e lhe fez a ela.

Quando a Dee Dee nasceu,

a minha m�e disse que ela tinha uma s�rie de doen�as,

sopro card�aco e coisas do g�nero.

A minha m�e punha-nos a brincar l� fora

e dizia: "A vossa irm� n�o est� bem. Est� mal do est�mago.

"Tem uma dor de cabe�a. V�o brincar l� para fora,

n�o fa�am barulho, deixem-na em paz."

� medida que foi crescendo, a Dee Dee n�o se podia entusiasmar,

n�o podia saltar. N�o podia brincar l� fora,

pois n�o podia apanhar demasiado calor.

Ela n�o podia ajudar nas tarefas dom�sticas.

Se a Dee Dee n�o quisesse fazer, n�o tinha de o fazer,

por causa do sopro card�aco.

Foi usado como uma muleta durante muito tempo.

Mas a Dee Dee n�o estava t�o doente como se acreditava.

A minha m�e sufocava-a.

N�o queria que ela crescesse, queria mant�-la jovem

para poder agarrar-se sempre a ela.

Todos os irm�os dormiam no nosso quarto,

mas a Dee Dee dormia sempre com a minha m�e.

Era como se ela fosse a sombra dela.

Estava sempre ao lado da minha m�e, sempre.

- Sim, recebi um rapaz. - � o teu rapaz.

- Isto tamb�m � meu? - � o teu anel.

Ol�, m�e.

Como vai isso, m�e? O que � isso?

- Massa. - Massa!

Uma m�quina de massa.

N�s n�o fomos para a universidade, mas a Dee Dee foi.

N�s n�o tivemos um carro quando crescemos,

mas a Dee Dee teve.

O pai est� a arranj�-lo para ela poder us�-lo hoje � noite.

A Dee Dee diz que precisa de um novo.

Se quis�ssemos alguma coisa, t�nhamos de fazer por isso,

mas a Dee Dee simplesmente queria e tinha.

A Dee Dee gostava de concursos de beleza

e a m�e comprava-lhe os vestidos e os sapatos mais bonitos.

Tinha tudo que ver com a aten��o.

Quando a minha m�e morreu, foi muito dif�cil para a Dee Dee.

A pessoa que a mimou toda a vida j� n�o estava l�.

Mas ela continuava a precisar de aten��o,

n�o importava como, desde que a recebesse.

Tenho pena da Gypsy,

tenho pena pela forma como foi criada.

Mas estou extremamente chateado

por a Gypsy n�o ter confiado em nenhum de n�s,

que n�o nos tivesse conseguido dizer algo,

pois tudo isto poderia ter acabado de forma diferente.

N�o sei o que estava a fazer

que a fez sentir que n�o podia fazer nada.

N�o sei...

... o que a impediu de se abrir

e contar-me o que se passava.

Se tivesse tido alguma pista de que ela precisava de ajuda,

iria ter com ela num piscar de olhos.

Mas nunca consegui faz�-la sentir que podia ligar-me

quando houvesse algo de errado.

Sinto-me muito mal com isso.

N�o podia simplesmente saltar da cadeira de rodas

porque tinha medo do que a minha m�e poderia fazer.

E achava que n�o podia confiar em ningu�m.

N�o podia confiar na Aleah, porque a minha m�e come�ou a dizer

que a Aleah n�o era minha amiga de verdade

e que era uma m� influ�ncia, por isso, n�o pod�amos ser amigas.

E n�o falava com o meu pai,

porque cresci a ouvir a minha m�e a dizer coisas horr�veis sobre ele.

Que ele nos abandonou, que n�o me amava a mim nem a ela,

que n�o queria ter nada que ver comigo.

Se ele n�o queria saber, porqu� recorrer a ele?

Se na altura soubesse o que sei agora,

teria pedido ajuda a qualquer pessoa.

Mas tamb�m tinha demasiado medo.

Eles dizem que est� a nevar,

por isso, vou ficar debaixo do meu cobertor.

E n�o vou sair daqui.

� medida que fui crescendo, queria mais independ�ncia

e ela n�o aceitava isso.

Ela quer sair. N�o vai acontecer.

Deixa o c�o tomar conta dela.

Disse � minha m�e: "Podemos tirar o tubo de alimenta��o?

N�o preciso dele." E ela disse que n�o.

"Posso fazer fisioterapia para poder andar melhor?"

E ela disse que n�o.

Acho que comecei a juntar as pe�as do puzzle

quando encontrei um cart�o da Medicaid,

e dizia que eu tinha nascido em 1991,

e n�o em 1995, como ela me tinha dito.

Por isso, na verdade, eu tinha 19 anos, e n�o 15.

Depois de tudo o que aconteceu,

descobri que a Dee Dee mudou a certid�o de nascimento dela.

Ela nasceu em 91, e ela mudou para 95.

Naquele momento, tirou-lhe quatro anos de vida.

A Dee Dee tinha muito a perder se ela soubesse que tinha 18 anos.

Ela sabia que a Gypsy podia ter-se levantado e ido embora.

Ela conheceu um tipo num congresso de Fic��o Cient�fica

e contou-lhe o que se passava,

que tentava fugir da m�e e que precisava de ajuda.

Confiei um pouco nele, o suficiente para fugir de casa.

Ele n�o tinha uma casa pr�pria, por isso, estava com um amigo.

Esses amigos conheciam a minha m�e.

Ligaram � minha m�e e a minha m�e veio buscar-me.

Ela disse-lhe que eu tinha 15 anos,

e ele entrou em p�nico, pois tinha 36 anos na altura.

A minha m�e trouxe-me de volta, esmagou o meu computador,

acorrentou-me a uma cama,

pintou as janelas, para ningu�m ver l� para dentro.

E p�s sinos nas portas,

para ela ouvir, se eu tentasse fugir outra vez.

Perguntei-lhe se podia ir � casa de banho

e ela tirou as correntes, levou-me � casa de banho

e voltou a acorrentar-me � cama.

Ela deixava-me passar fome.

Batia-me com um cabide.

E chamava-me "cabra", "rameira", "prostituta", "filha do dem�nio".

Isso aconteceu durante cerca de duas semanas.

Passei de v�-la como m�e carinhosa

a v�-la como algu�m de quem tinha muito medo.

Senti que n�o havia esperan�a.

S� pensava: "Deus, tira-me daqui."

Conheci o Nick num site de encontros crist�o, em 2012.

Acho que foi em outubro.

Enviei-lhe uma mensagem.

Ele respondeu-me.

Consegui continuar a conversa ao ir ao computador da minha m�e

enquanto a minha m�e dormia.

Come��mos a falar sobre as nossas vidas

e gost�mos um do outro logo desde o in�cio.

Eu disse-lhe que estava numa cadeira de rodas desde o in�cio.

E ele pareceu aceitar.

Disse: "N�o importa. Eu amo-te na mesma."

TENS BELEZA NO TEU INTERIOR

Foi diferente encontrar algu�m que me aceitava.

Apesar de eu saber que conseguia andar,

achei que foi muito bom ele aceitar-me como sou.

Progrediu muito depressa.

Conhecemo-nos online numa semana

e torn�mo-nos um casal na semana seguinte.

Um ano depois, eu disse-lhe que conseguia andar.

Ele n�o ficou surpreendido, de todo.

Ele disse que tinha capacidades ps�quicas.

Ele disse-me que tinha transtorno de personalidade m�ltipla

e que tinha v�rias personalidades. Uma dela chamava-se Victor

e o Victor era o violento.

Eu tenho mais do que uma pessoa dentro de mim.

Na verdade, tenho v�rias personalidades.

Foste diagnosticado com isso?

Devia ser diagnosticado, pois j� aconteceu.

A quest�o � que eu costumava tomar medica��o

porque costumava ouvir vozes na minha cabe�a,

mas depois, desapareceu, e agora � parte de mim.

- Certo. A Gypsy sabe disso? - Sim.

- Ela sabe, sim. - Certo.

Comecei a ficar um pouco mais assustada,

mas, ao mesmo tempo, estava desesperada por afeto,

por isso, inventei personalidades para corresponderem �s dele.

Uma das personalidades que criei era a Candy,

que tinha cabelo da cor do arco-�ris.

Outra era a Ruby, para corresponder ao Victor.

Faria qualquer coisa para ele ficar, para o fazer feliz.

Mas depois, a minha m�e come�ou a bloquear o computador,

ent�o, roubei o telem�vel dela.

N�o conseguia fazer chamadas, mas liguei-o ao Wi-Fi l� de casa

e dessa forma, consegui falar com o Nick,

atrav�s do Facebook e outras redes sociais.

Decidimos que estava na altura de nos encontrarmos

e eu tive a ideia de nos encontrarmos num cinema.

Fingimos que n�o nos conhecemos, vamos um contra o outro,

ficamos amigos e achei que se ele se vestisse bem,

se dissesse as coisas certas, se fosse uma pessoa bondosa,

a minha m�e pensaria: "Porque n�o? Pode ser o tal."

Assim, n�o ter�amos de mentir e esconder a nossa rela��o.

Escolhi um filme e foi o "Cinderela", a nova vers�o.

Achei que era perfeito.

Compr�mos os melhores bilhetes,

e ele veio a Springfield para conhecer-me finalmente.

Ele come�ou a conversar com a minha m�e no cinema.

Ela achou-o arrepiante

e achou que ele tinha uma energia perigosa.

Ent�o, ela mudou de assento e disse-me para segui-la.

Eu n�o o fiz.

Plane�mos desde o in�cio

que estava na altura de eu perder a virgindade.

Eu disse � minha m�e que ia � casa de banho

e ele seguiu-me.

Sempre imaginei p�talas de rosa e velas, romance,

mas n�o foi nada assim.

A minha m�e come�ou a ficar preocupada,

ent�o saiu da sala de cinema e no �ltimo segundo,

conseguimos chegar �s bilheteiras.

A minha m�e perguntou-me porque � que estava com ele.

Isso levou a uma discuss�o, e eu disse-lhe:

"Ele n�o est� a fazer nada de errado. S� quer ser meu amigo.

Porque � que n�o posso ter amigos?"

Ela levou-me para a casa de banho

e esbofeteou-me.

Fiquei arrasada por ter tudo corrido mal,

pois sabia que a minha m�e nunca me ia deixar ser feliz,

ter amigos, apaixonar-me, casar-me, ter filhos,

ter uma vida normal.

TUDO O QUE TU QUERES, EU TAMB�M QUERO.

Nunca quis mais do que isso.

Fiquei assustada e desesperada

e a �nica coisa em que conseguia pensar

� que queria uma vida ideal de liberdade e felicidade.

Como � que posso consegui-la?

NADA NOS VAI IMPEDIR DE ESTAR JUNTOS

E depois...

Eu e o Nick est�vamos a falar uma noite,

e ele disse que faria qualquer coisa para me proteger.

Eu perguntei-lhe: "Qualquer coisa?" E ele disse que sim.

"De qualquer pessoa?" E ele disse que sim.

"At� da minha m�e?" E ele disse que sim.

E foi a� que ele come�ou a planear o assassinato.

Tem uma chamada a cobrar de Nicholas Godejohn,

recluso na Pris�o do Condado de Greene.

Para aceitar, marque um.

Ent�o...

Primeiro, ela perguntou-me o quanto queria estar com ela.

EST�S PRONTO? DE TODAS AS FORMAS?

COMO ASSIM, QUERIDA?

PARA MIM

Eu disse-lhe que faria tudo para estar com ela.

E ela disse que enquanto a m�e dela fosse viva,

n�o podia estar comigo.

Ela tornou isso bem claro.

Pensei: "Que de outra forma vou conseguir escapar?"

Para ser sincera, ocorreram-me v�rias coisas.

Pensei em tentar fugir novamente,

mas a minha m�e arranjou uns pap�is,

uns documentos a dizer que eu era incapacitada.

Se eu tentasse fugir, ela ia ligar para a Pol�cia

e eles iam achar que eu tinha problemas mentais

e que n�o sabia o que dizia.

N�o teria funcionado.

Achava que o plano com o Nick ia correr bem,

que ela ia aceit�-lo. Foi uma chapada na cara.

Por isso...

Parecia que elimin�-la totalmente era a �nica op��o.

E eu fiquei do tipo: "Est�s a falar a s�rio?"

Isto n�o era nenhuma brincadeira.

E ela disse que era a �nica forma de estarmos juntos.

Por isso, fiquei preso nesta situa��o

e acabei por alinhar.

COMO O CIANETO MATA

Come��mos a pesquisar diferentes venenos.

Come��mos a pesquisar fogos postos.

Pod�amos fingir que uma vela caiu na cama e pegou fogo.

Depois, come��mos a pesquisar armas,

mas eu disse-lhe que n�o conseguia mat�-la.

N�o tenho o que � preciso para conseguir mat�-la.

E ele disse: "Bem...

Se n�o a consegues matar, quem vai faz�-lo?"

E eu perguntei-lhe se ele conseguia faz�-lo.

Fiquei bastante chocado.

Ela disse: "Se me amas, farias isto por mim,

pois sabes que � a �nica forma de estarmos juntos."

A dada altura, acabei por ceder, porque...

... n�o sabia o que mais fazer.

N�o h� nada que n�o fizesse por ela.

N�o h� mesmo nada que n�o fizesse.

FACA DE CA�A

Ele disse que era muito bom com facas

e eu disse que queria que fosse indolor.

N�o queria que ela sofresse, porque...

... continua a ser minha m�e.

ESTOU NISTO A 100%. ESTOU PRONTA.

Ach�mos que nunca �amos ser apanhados.

Achava que isto era um conto de fadas

e eu era a princesa que ia ser salva.

Seria feliz no Wisconsin,

onde seria amada e teria liberdade

e teria uma vida nova maravilhosa.

SONHO COM ISSO

Come�ou como um conto de fadas e acabou num filme de terror.

A tua m�e est� morta. O que te quero perguntar...

- Espere... O qu�? - A tua m�e morreu.

Faleceu.

- N�o, n�o... - Ouve-me por um segundo, sim?

Estava entusiasmado por ficar com ela para sempre.

QUERIDA, ESTOU A CAMINHO DE SPRINGFIELD

E acreditei que era isso que ela queria.

QUERIDA, ESTOU EM SPRINGFIELD

QUARTA-FEIRA 10 DE JUNHO 2015, 01H15

A TUA M�E TEM SONO PESADO?

TEM O SONO LEVE

OK, QUERIDA, ESTOU ENTUSIASMADO

O plano era ele cal�ar as luvas, entrar

e eu s� tinha de ir para a casa de banho e ficar calada.

- N�o, n�o... - Ouve-me por um segundo, sim?

O que aconteceu com a tua m�e naquela noite?

Tinha dois pensamentos na cabe�a.

Um deles era pegar nela e fugir.

TRATA-SE DE TERES UMA VIDA COMIGO

O outro era: "Esta cabra est� morta.

Ela n�o se vai meter entre mim e ela."

� O MEU LADO MAU A FAZER ISTO

ELE N�O VAI FAZER ASNEIRA PORQUE GOSTA DE MATAR

DEIXEI AS LUVAS NA PORTA DA FRENTE

VOU DEIXAR A FACA E A FITA-COLA L� DENTRO

�S O MEU HER�I NUNCA TE VOU DEIXAR

Ouve-me, querida.

Tu sabes o que aconteceu com a tua m�e.

E eu sei que tu sabes.

Amava-a tanto

que desde o primeiro passo que dei dentro daquela casa,

sabia que n�o podia voltar atr�s.

Tapei os ouvidos para n�o ouvir nada.

Mas mesmo assim, ouvi a minha m�e a gritar

e pensei: "N�o quero isto. Quero que isto pare agora."

Mas estava demasiado assustada para ir ajudar.

Pensamos que ouvir um assassinato

� como o que ouvimos num filme de terror,

mas n�o �.

Conseguimos aguentar ver um filme de terror,

mas ouvir algu�m a ser assassinado � aterrorizante.

Cria uma sensa��o de n�usea no est�mago.

N�o conseguimos pensar. S� pensamos no medo que sentimos.

- Eu amo a minha m�e. - Eu sei que sim.

Agora � a altura de dizer a verdade, querida.

J� chega de mentiras.

Ao fim de poucos minutos, ela parou de gritar.

O Nick apareceu e tinha a faca na m�o

e sangue.

Ele mandou-me p�r um penso no dedo dele,

pois tinha cortado o dedo na faca.

Depois, mandou-me limpar as gotas de sangue

no corredor e na casa de banho.

- Mataste a tua m�e? - N�o, n�o, senhor.

Ajudaste o Nicholas a matar a tua m�e?

N�o, senhor.

A minha m�e tinha uma bolsa com dinheiro.

Mal sabia eu que era o meu pai a pagar a pens�o.

Lev�mo-lo e foi assim que pag�mos tudo.

Arrum�mos umas coisas na minha mala, cham�mos um t�xi,

e volt�mos para o hotel onde ele estava.

Eu estava feliz porque estava livre.

Ol�, querido.

Estou a filmar-te.

Mas a consci�ncia cada vez maior do que aconteceu

estava a controlar a minha mente.

Usei comprimidos para afogar todos os meus remorsos

e preocupa��es...

... e medos.

Sa� do motel com ele

e fomos para a paragem do autocarro.

Primeiro, ele queria que eu levasse a faca comigo no autocarro.

Mas assumi que eles tinham detetores de metais,

por isso sugeri enviar a faca por correio.

Achei que era a op��o mais segura.

Depois, apanh�mos o autocarro de volta para o Wisconsin.

CASA DA FAM�LIA GODEJOHN Big Bend, Wisconsin

Mas quando cheguei l�, n�o era o que esperava.

Estava � espera de estar com um homem,

n�o um rapaz que tem len��is de wrestling na cama

e uma Xbox e videojogos por todo o lado.

Esperava um pouco mais de maturidade

e um pouco mais de conforto por saber que estava em seguran�a,

e n�o senti isso.

E desatei a chorar, pois n�o era o que esperava.

Mas continuei a...

... tentar ser feliz ao m�ximo, aproveitar a minha vida nova,

e, no geral, estava satisfeita.

Mas queria que encontrassem a minha m�e, pois sentia remorsos

e n�o aguentava pensar que ela continuava l�.

Mas precisava de algo alarmante,

que fizesse os amigos chamarem a Pol�cia.

AQUELA CABRA EST� MORTA

E um dia, acord�mos com as sirenes da Pol�cia.

Est�vamos cercados.

A �ltima coisa que lhe disse...

... foi que �amos ficar juntos.

Estou lixado.

Fi-lo por ela, s� por ela.

Na verdade, por n�s.

Fica a� sentada, sim?

Estado do Missouri contra Gypsy Rose Blanchard,

caso n�mero 1531CR03591, o Estado �...

Prova do Estado n�mero 53.

O telem�vel LG foi tirado do saco preto.

- Certo. - Tinha a identifica��o da Gypsy?

N�o a culpo pelo que ela fez.

Toda a gente falhou � Gypsy.

Eu, a m�e dela,

os m�dicos, a Pol�cia, a Seguran�a Social...

Est�vamos todos a cuidar de n�s pr�prios.

N�o est�vamos a cuidar dela.

Por favor, levante a m�e direita.

Jura que o se testemunho ser� a verdade,

- e nada mais que a verdade? - Sim, senhor.

Acreditei na inoc�ncia da Gypsy

at� ao dia em que ela se deu como culpada.

O meu c�rebro n�o conseguia aceitar que ela tinha esta capacidade,

que tinha esta raiva,

e isso partiu-me o cora��o,

pois tinha de admitir que nada do que eu sabia...

... estava certo.

Como se declara em rela��o ao homic�dio de segundo grau?

Culpada.

EM 2015, GYPSY BLANCHARD ACEITOU UM ACORDO JUDICIAL

PELO SEU PAPEL NO HOMIC�DIO DA M�E, DEE DEE BLANCHARD.

O advogado de acusa��o Dan Patterson

diz que apesar de Gypsy ser culpada de homic�dio,

a senten�a corrigida � justa e responsabiliza-a perante a Lei,

tendo em conta as circunst�ncias extremas mitigadoras

de quase duas d�cadas de abuso constante por parte da m�e.

O tribunal aceita o acordo judicial da r�

em rela��o ao crime de homic�dio de segundo grau

e considera a r� culpada...

EM VEZ DE UMA ACUSA��O DE HOMIC�DIO DE PRIMEIRO GRAU

E POSS�VEL PRIS�O PERP�TUA,

GYPSY DEU-SE COMO CULPADA DE HOMIC�DIO DE SEGUNDO GRAU.

RECEBEU UMA SENTEN�A DE DEZ ANOS DE PRIS�O.

Quando penso no que a Dee Dee fez � Gypsy, fico triste.

Mas eles n�o tinham de matar a minha irm�.

Podiam simplesmente ter fugido juntos.

Mas escolheram um caminho diferente

e a minha irm� foi morta.

N�o morreu, foi assassinada.

Aconte�a o que acontecer, vou sempre am�-la incondicionalmente.

Aconte�a o que acontecer.

N�o interessa se acabamos, n�o interessa o que acontecer.

Vou sempre am�-la incondicionalmente.

At� ao dia de hoje, eu amo-a.

E sei que ela ainda me ama.

Agora que cresci e amadureci,

sei a diferen�a entre amor e obsess�o.

Ele quer sentir aquilo que quer sentir,

mas eu j� n�o o amo.

GYPSY E NICK N�O FALARAM MAIS DESDE AS DETEN��ES.

Depois de a Gypsy ser transferida para Chillicothe,

acabou por me ligar uma noite.

Come�ou logo a pedir desculpa por tudo

e come�ou a dizer que estava a aprender a pentear-se,

a aprender a maquilhar-se e a fazer amigos.

Parece s� que est� fora, na universidade.

E sinto que, por muito triste que possa parecer,

a hist�ria dela finalmente tem um final feliz.

Pelo menos, para ela.

GYPSY BLANCHARD FOI LIBERTADA EM LIBERDADE CONDICIONAL

EM DEZEMBRO DE 2023.

Sinto muitas emo��es complicadas pela minha m�e.

H� alturas em que me sinto zangada com ela.

H� alturas em que sinto que ela foi t�o manipuladora

e penso: "Como p�de fazer isto � pr�pria filha?"

E noutras alturas, penso que ela estava t�o desesperada

que algu�m a amasse.

Mas independentemente de tudo isso,

eu ainda a amo e tenho saudades dela,

porque ela era a minha m�e.

EM NOVEMBRO DE 2018,

NICHOLAS GODEJOHN FOI CONSIDERADO CULPADO

DE HOMIC�DIO EM PRIMEIRO GRAU.

EM FEVEREIRO DE 2019, FOI CONDENADO A PRIS�O PERP�TUA

SEM POSSIBILIDADE DE CONDICIONAL.

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.