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ISTO BASEIA-SE EM FACTOS REAIS.
A SEMELHAN�A COM A REALIDADE � COINCID�NCIA.
Hoje somos visitados por uma nova figura
do teatro de revista de Buenos Aires.
A Sra. Cris Mir�!
CRIS MIR� DRAG QUEEN
Estou um pouco ansiosa por ser levada a uma regress�o.
O que � uma regress�o?
� para recordar o passado.
Diga-me o seu nome.
Diga-me claramente o seu nome.
Fa�a um esfor�o e tente falar.
� f�cil. O seu nome.
Consegue, v� l�. Experimente.
Senhoras! Gaby, Chatarra.
Est� bem! Eu ouvi.
- Isto est� cheio. - Vamos!
Vamos l�, meninas! Est� na hora!
- Estavas com o barman? - Claro que estava.
- Ele n�o � heterossexual? - �.
A verdadeira quest�o �: em cima ou em baixo?
� ela por ela.
- N�o comes batatas fritas sem ketchup. - Degenerada.
- Salva-me, por favor. - N�o d�.
- Tenho luvas. - Faz magia.
Todos estes anos a atuar e ainda n�o sabes coser um bot�o.
N�o deram t�o cabo de mim em Bunker.
Olha o que dizes.
Dez minutos. Chatarra, no sal�o.
N�o sejas playboy.
Gaby. Senhoras, no sal�o.
- Sim, senhor. - Est� cheio de gente.
Deem tudo o que t�m.
- Meu Deus. - Por favor.
- Eu ouvi! - E tu?
- O que posso dizer? - O que quiseres.
Nem imaginas quem reservou mesa para esta noite.
- Quem foi? - Marito Delmonte.
Fica com esta.
Vamos, meninas! Despachem-se!
Aqui? Cigarros, rebu�ados, qualquer coisa?
T�m tudo?
- Marito Delmonte. - Boa noite.
- Ol�. - Que honra.
Temos uma mesa j� preparada para si.
- Obrigado. - Em frente.
- Bem vindo, bonit�o. - Muito bem.
Olhem para este s�tio. N�o �?
Ol�, meus senhores.
Meu Deus! Est� a dar-me um ataque card�aco.
- Os ombros brilhantes. - Como � Isso?
- Vamos come�ar. - Pede ao Roque que mude o meu tema.
Agora n�o. � pouco profissional.
Guillermina, tu sabes qual �.
Champanhe por conta da casa.
Vejam isto.
Talvez at� tente o Calder�n de la Barca.
- Ele � um autor... - Sente-se qualificado? � verso...
Quem � aquela mulher?
N�o � uma mulher.
Obrigada.
Imagino um desdobramento.
Como uma cena gigante. Cavalos e tudo.
E no momento...
E com aquele tecido amarelo... As luzes.
A senhora j� acabou?
Oi�am, rainhas, quem levou o meu eyeliner?
Como se rouba o que � roubado?
- N�o se faz isso. - Pergunta � Cris!
Pode t�-lo usado para a atua��o.
Cheira-me a inveja!
- A s�rio? - Cala-te, c�mplice.
- C�mplice de qu�? - Cala-te.
- Estou a interromper? - Claro que n�o. Tudo bem?
- Parab�ns pela atua��o. - Obrigada.
Pareces a Hayworth.
Como te chamas?
Cris. Prazer em conhec�-lo.
� uma honra.
T�o modesta. Foste fant�stica.
Obrigada.
� muito elegante.
Eu era bonita, agora sou s�bia.
Maipo reabriu as portas com uma nova revista.
Talvez haja um lugar para si.
Se quiser ser uma estrela, claro.
Telefone-me.
N�o � todos os dias que aparece um anjo da guarda.
Senhoras, pe�o-vos um aplauso ao ir-me embora.
Que surpresa agrad�vel.
Muito bem! Viva a comitiva!
Sempre em boa companhia.
Fecha a porta. N�o � uma tenda.
- O que fa�o? - Como assim?
A mudan�a foi muito boa para ti.
Ele estava fascinado, apaixonado.
- Achas que sim? - Sim, claro.
N�o sei o que fazer. Estou em choque.
N�o te armes em parva.
Consegues imaginar?
Uma deusa total, a entrar num est�dio,
com uma ova��o de p�, muita gente.
O que � que eu fiz? Larga-me, seu filho da m�e!
Deixa-me ir, seu idiota.
Vamos.
Deixem-me ir! Conhe�o os meus direitos!
UM FILME DE ALMODOVAR
Est�o a proibir que se fume nos avi�es.
Isso � �timo.
- N�o creio que seja f�cil de fazer. - Porqu�?
Vai haver muita resist�ncia.
- Ol�, tio. - Meu amor.
Posso brincar no teu quarto?
Mas � preciso arrumar depois.
� asm�tico.
N�o h� divis�o.
O Sergito sempre teve uma voca��o para a cura.
Ele distribu�a pensos r�pidos quando era pequeno.
- Ela est� a exagerar. - � demasiado humilde.
- Estou a ver. - Olha quem acordou.
Diz ol� ao m�dico. Ele quer conhecer-te.
- Como est�s? - Estou �timo.
- � um prazer. - Igualmente.
Ele estuda a noite toda. � por isso que acorda tarde.
Muito bem.
Explica a cara de mau humor.
S�rgio.
Ent�o �s o famoso Gerardo.
A tua m�e e o teu irm�o falavam tanto de ti.
- N�o disse nada. - Foi simp�tico?
- Senta-te. - Ele foi muito simp�tico.
Ele est� prestes a formar-se como dentista.
- Diz ao doutor. - Eu estou a fazer o est�gio.
Acontece que numa das filiais da cl�nica vamos abrir consult�rios dent�rios.
Pode vir a uma entrevista e podemos conversar.
N�o se preocupe com o cabelo.
Prometeu cort�-lo depois da formatura.
Nilda, por favor, n�o � preciso.
Ele sempre foi assim, lento mas constante.
Senta-te. N�o queres almo�ar?
MEDICINA DENT�RIA ESTAGI�RIO
- Toma. - De quem � esta voz?
- Quem est� a falar comigo? - Idiota.
O caf� estava mau.
- Ele queixou-se? - Cala-te.
O que se passa contigo?
Noites longas por a�?
Acalma-te. Vais matar algu�m.
Eu sou profissional. Como foi o encontro?
- Um desastre. - Sim?
Sim, e tu? Alguma novidade?
Bem, Marito Delmonte, o agente.
Perguntou-me se eu queria fazer audi��o para a nova revista do Maipo.
- J� lhe telefonaste? - Ainda n�o.
De que est�s � espera? Eu substituo-te.
Se n�o fosse por ti, eu ainda estaria neste caminho.
Ouve, a coisa mais importante de todas
� que me arranjes um encontro quando fores famoso.
- E como gostas deles? - Por favor.
Musculados.
- Com ar de playboy. - Claro.
- Bronzeado. � t�o giro! - Obviamente.
O que est�s a fazer? Larga-me.
- M�nage � trois? - Larga-me.
Larga-me, a s�rio.
- Perdeste a oportunidade. - Sim?
- Contaste � tua m�e? - Ainda n�o.
- A revista � boa? - Claro.
H� muito para ler.
- Contas-me depois. - Adeus.
Est� tudo resolvido.
N�o tem mais c�ries.
Que sorte a minha. Obrigada.
Vou escrever o que precisa de comprar,
que � uma escova de dentes macia e elixir.
Venha daqui a tr�s meses para um check-up. N�o me deixe ficar mal.
Obrigada, doutor.
Posso fazer-lhe uma pergunta?
Sim, claro.
Que champ� utiliza?
O segredo n�o � o champ�.
� o mesmo que nos dentes.
Uma boa escovagem.
N�o me vou esquecer disso.
Claro que sim. Eu ajudo-a.
- Obrigado. - Obrigada, doutor.
Cuide-se.
Monzone.
Monzone.
Sou eu, mas prefiro esperar pela m�dica.
N�o h� problema, Monzone.
Mandeta.
"REABRO COM UMA REVISTA �NICA"
LINO PATALANO, PROPRIET�RIO DO IC�NICO TEATRO MAIPO
- Ol�. - Ol�, Marito. � a Cris.
Conhecemo-nos ontem no Gaylight.
Ainda bem que ligaste.
Vais fazer a audi��o?
- Sim. - Fant�stico .
Faz o n�mero da Rita tal como o vi. N�o mudes nada.
Est� bem. Perfeito.
- Est�s nervosa? - Um bocadinho.
O Lino quer uma atra��o, algo diferente para a revista.
Tu �s perfeita.
Muito bem, isso acalma-me.
Vemo-nos no teatro. N�o me desiludas.
Eu vou l� estar.
Quem �, m�e?
Gilda.
Gilda.
� o nome da mam�, mas o dela come�a com um G.
S� uma letra de diferen�a.
Gilda � a sua personagem.
� a Rita Hayworth.
Ela � linda.
O Dr. Blanco � divinal, n�o �?
Ele vai ajudar-te na tua carreira.
N�o vou � entrevista.
Tens planos mais importantes?
Vou fazer audi��o para a nova revista do Maipo.
Qual � a piada?
Nenhuma.
Vais fazer a audi��o para qu�?
O mesmo de sempre.
Vais envergonhar-nos.
Estou farta, Gerardo. Deixas-me t�o cansada.
Eu tamb�m estou cansada.
Volta c�.
N�o te afastes enquanto estou a falar contigo!
O que queres?
Est�s todo o dia com esses loucos degenerados!
O que queres de mim? O que �?
Eu quero ser feliz.
Feliz? Claro que sim!
- Feliz com isto? - Para, m�e!
N�o me chames mais "m�e"!
N�o aguento mais.
Por favor, n�o v�s.
J� chega.
� isso mesmo.
Consegues arranj�-lo?
Est� rasgado em peda�os.
O que fa�o?
Toma um duche, descansa e fazes outra atua��o.
Podes usar o quimono ou ir de mulher fatal ou cartomante.
O Marito foi claro. Ele quer ver a Rita.
Ent�o n�o v�s.
Diz ao amigo da tua m�e que come�as amanh�.
E eu telefono ao Marito e digo que te baldaste.
N�o � isso, Guille.
Mas Gaylight � uma coisa. A Calle Corrientes � diferente.
O que importa � o que se quer.
Parece-me que j� tomaste a tua decis�o.
A REVISTA EST� DE VOLTA EM BREVE
Lovato.
De Paris � Calle Corrientes.
Quem mudou o panorama do teatro de revista.
Tinha uma beleza e uma t�cnica superlativas.
Sabes,
ela podia ser subtil e ardente ao mesmo tempo.
Ligava ao que os outros pensavam.
� linda.
- Est�s pronta? - Sim.
Vai mudar de roupa, eu espero l�.
D� o teu melhor. � o Maipo.
- Vou fazer outra coisa. - N�o. Porqu�? E a Rita?
Tive um pequeno problema.
Temos problemas desde o in�cio?
Eu sei, mas vai ser �timo. Eu prometo.
Disse coisas fant�sticas sobre ti ao Lino.
Ele vai estar a ver.
- N�o te vou desiludir. - Sim, mas...
Faz a tua magia. Deslumbra-nos.
Quando quiseres.
O que aconteceu, Marito? A tua intui��o falhou?
Temos de continuar, querida.
Faixa seguinte.
N�o h� nada disso. Estamos a perder tempo.
- Acab�mos, obrigado. - N�o. Pr�xima faixa!
Qual � o teu nome, querida?
- Cris. - Cris qu�?
Ela � uma obra de arte.
Ela � a Cris Mir�.
Isto � fant�stico. Fica.
Bem-vinda ao Maipo, Cris Mir�.
Legendas: Rita Menezes plint.com
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