Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Breton
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Punjabi
Quechua
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
A Mulher do Lado
Deve ter sido noite
quando a viatura policial deixou Grenoble,
23 KMs para o interior.
Chamaram uma ambul�ncia, creio que ela j� estava l�.
vinda de Chamberie.
Meu nome � Odile Jouve,
e se voc� pensa que sou uma jogadora de t�nis
est� completamente errado.
Talvez seja porque a c�mera est� focando meu rosto.
mas, se distanci�-la...
voc� rapidamente entende a situa��o.
Afaste!
V�?
Deixe-me sentar ali
Ou aqui.
Sou a dona deste clube de t�nis
onde o povo de Grenoble vem para relaxar.
E n�o s� pessoas da cidade.
Todos s�o conhecidos,
e conhe�o todos.
Esta hist�ria come�a h� um bom tempo;
Eu poderia dizer que h� dez anos.
Mas, na verdade...
Come�ou h� seis meses.
Acontece que uma casa � a personagem principal da hist�ria,
Mas a hist�ria abrange duas casas,
separadas por um caminho de terra;
a primeira delas � habitada por Bernard Coudray, 32,
sua mulher, Arlette, 28,
e o filho pequeno, Thomas.
Aqui vemo-los numa situa��o que daria uma �tima foto.
Embora esta nunca tenha sido tirada.
Sobre a segunda casa, n�o h� muito o que dizer sobre ela agora.
como pode ver pelo aviso na porta,
a casa estava vazia...
quando tudo come�ou.
Aqui est�! Papai chegou!
O que est� fazendo? N�o quer brincar agora?
Bom dia,
como est� indo?
Ol�, jovem.
Ol�.
Como est�?
Bom dia!
Bom dia.
Posso ajudar?
N�o, obrigado..
Alugou a casa?
N�o, n�o, venho da ag�ncia Dauphinoise em Grenoble.
Ah, sim.
Sr. Bauchard � o novo inquilino.
Philippe Bauchard.
- Bernard Coudray. Prazer em conhec�-lo. - O prazer � meu.
Preciso fazer uma liga��o.
Ah! O telefone est� aqui.
Mas a linha ser� conectada apenas na pr�xima semana.
Desculpe.
- Entendo, mas preciso mesmo� - Use o de casa.
N�o, n�o quero incomodar.
N�o se preocupe, venha.
Ok, espero por voc�.
Papai, quem � o homem?
Voc� ter� que emprestar o telefone a cada mudan�a de inquilino...
N�o se preocupe.
Papai!
Estou aqui.
Sente-se, por favor.
Voc� � muito gentil, senhora.
Obrigado.
Ele � nosso novo vizinho?
Sim, sim, �.
Vir�o morar aqui dentro de alguns dias.
Com a mulher?
Bom, n�o sei. N�o sei se � casado.
Claro que �, veja a alian�a no dedo!
Bem, ent�o teremos novos vizinhos.
E isto � bom.
A prop�sito:
Teremos que ser mais cuidadosos agora, n�o?
N�o poderemos mais fazer amor no jardim.
Tem raz�o: teremos que fazer amor em sil�ncio.
N�o, n�o, n�o no jardim.
N�o, n�o.
Sem fazer amor no jardim
porque toda vez que sento na grama pego um resfriado;
ent�o meu nariz fica ruim... N�o!
Espere-me, Thomas!
Senhor, posso carregar sua mala?
Sim, Thomas, ponha ali.
Terminamos.
Posso p�r aqui?
Sim, deixe a�.
Thomas, onde voc� est�?
Acho que foi ver os vizinhos.
Thomas!
Ele j� estava aqui!
Bom dia, senhora.
Bom dia. Ele incomodou, ou n�o?
N�o, n�o...
Venha.
Seu amigo est� te esperando para ir � escola com voc�.
Ambos chamam-se Thomas. Parecem ser feitos em s�rie, n�o?
Ora, ora.
Muita agita��o.
Venham, talvez voc�s j� conhe�am a casa.
N�o.
Vejo por fora todos os dias, mas nunca tinha entrado.
Quero conhe�am minha esposa.
Venha.
O problema de alugar uma casa...
Qual �?
� fazer que com que as coisas encontradas nela passem a ser suas.
Minha esposa, Mathilde; esses s�o Sr. e Sra. Coudray.
Coudray, correto.
Bom dia.
Bernard, bom dia.
Bom dia.
Deixe, eu fechei.
Podemos seguir Thomas por seus rastros...
Como �ndios no Arizona!
Qualquer coisa diferente de �ndios...
Espere.
� minha vez, n�o �?
Meu Deus...
Tem certeza que ele n�o acordou?
N�o, n�o.
Est� dormindo?
Est� roncando.
Olha, todas as luzes est�o apagadas no vizinho.
V�o para cama antes de n�s.
Acha a esposa do piloto bonita?
N�o, ele n�o � piloto.
� controlador de v�o.
Controlador de v�o.
Sim, isso.
Trabalha na torre de controle em Grenoble.
Eu trato de navios e ele, de avi�es.
Achou-a fascinante, a esposa dele?
Acho que h� algo raro nela.
Em minha opini�o, ela colide com o ambiente.
N�o entendo o que est� tentando dizer.
Quando...
viemos morar aqui
havia terra, �rvores, pedras. Em suma, tudo era real.
O que essa mulher veio fazer aqui?
Sim?
Bernard?
Sei que est� sozinho. Podemos conversar?
Podemos, sempre que quiser.
Certo, mas... N�o quero te envergonhar.
Quero dizer... O que quero saber... O que disse a sua mulher?
Disse que j� nos conhecemos?
E voc�?
Disse a verdade a seu marido?
Ainda n�o, mas direi.
Ele confia em mim, entende tudo.
� um homem maravilhoso.
Estou feliz por voc�.
Bom, falo com voc� depois.
Ainda n�o, ag�ente.
Espere.
Espero.
Voc� me encontrou muito mudada.
N�o, voc� sempre foi a mesma.
Imploro que n�o fique transtornado.
N�o decidi morar perto de voc� de prop�sito.
Philippe quis me surpreender...
tendo a casa pronta para mim.
Se soubesse disso antes, poderia tentar dissuadi-lo.
Posso achar um pretexto,
mas agora que conversamos, estou feliz quanto a isso.
Tudo bem, mas agora tenho que trabalhar.
Espere, Bernard...
N�o tem nada a dizer sobre mim?
N�o h� nada a dizer.
Ah, no caso de querer falar comigo, vou te dar meu n�mero.
Tem um l�pis?
N�o uso l�pis, n�o preciso.
Bernard?
Bernard?
O que aconteceu, voc� n�o est� dormindo?
N�o, estava com fome.
N�o comeu o bastante no jantar?
Sim, sim.
E?
Ainda tinha fome.
Mas voc� est� comendo no escuro.
N�o, n�o se preocupe. Eu acendo a luz.
Que se passa, Bernard?
Vejo que est� preocupado.
N�o, n�o.
N�o, n�o;
mas quero lhe fazer uma proposta.
Ou�a:
gostaria de viajar por umas semanas...
com o Thomas, n�s tr�s juntos...
L� pelas 8?
N�o, n�o � poss�vel.
Thomas n�o pode perder as aulas.
Vou procurar uma ma��.
E logo eu terei o controle do or�amento no laborat�rio.
Tenho um trabalho louco.
Isso n�o � poss�vel, Bernard.
Tome. Em vez do salm�o, por que n�o come ma��?
Preciso do salm�o para os convidados de amanh� � noite.
Convidados?
Sim, n�o lhe disse, mas convidei nossos vizinhos para uma ceia amanh�.
N�o, espere. O que � isso?
Oh, sim.
A esposa dele � muito bonita, n�o acha?
Ah, Deus.
Oh, Deus, Deus.
Pensei que gostaria.
Ou�a...
Quer que seja noutra data?
N�s podemos...
eu adiarei?
N�o, n�o, � muito tarde para adiar.
Vamos.
Ou�a...
Os gatos...
Est�o brigando.
N�o, n�o,
est�o fazendo amor.
T�o selvagem...
Estou indo... At� mais, jovem..
Ol�.
Tenho que jogar.
Bernard!
- Sim? - Quando volta?
- �s oito. - Ok.
Bom dia! Levanta � essa hora?
Sim.
Ah, bom dia.
N�o esque�a de visitar a Nouvelle Gal�rie,
como sempre, eles deveriam estar em todo lugar, n�o?
Sim, n�o se preocupe.
N�o esque�a, ok?
N�o, n�o.
Sua bolsa, Bernard!
Disse que me lembraria!
Deixou sua bolsa sobre o carro!
Ai...
Est� indo trabalhar?
Meu Deus... A fechadura est� encrencada.
Esta tamb�m.
Voc� fechou por dentro.
Ah, sim!
Bernard! Veja se o porta-malas est� aberto.
Sim, voc� est� certa.
Posso ajudar, papai?
N�o, deixe-me fazer isto.
N�o, talvez seja melhor voc� ir.
Olha, voc� deve apertar o bot�o do meio.
Perto da caixa de c�mbio,
a�, o do meio, o vermelho.
Bom, vamos.
E voc� precisa sair, n�o precisa? Saia.
Estou atrasado.
Vamos, saia.
N�o esque�a da Nouvelle Gal�rie!
Sim, eu lembro!
Ah, e n�o esque�a que temos uma ceia hoje, hein?
Sim, claro.
Doca n� 5.
Por que desenhou o sol assim?
Bom colocar uma flor aqui.
Quero saber por que Bernard n�o est� aqui. Por favor.
Ah, obrigada.
Thomas, pare! Isso te aborrece?
N�o, claro que n�o.
Fique quieto.
Sr. Bauchard.
Ah, Philippe, Chame-me de Philippe.
Philippe, por que n�o senta?
N�o, n�o, obrigado. Estive sentado o dia todo.
S� vou � cozinha, um momento.
Venha, Thomas, coma!
O qu�, n�o gosta?
N�o sei por que Bernard est� t�o atrasado.
N�o posso explicar.
Ele geralmente n�o se atrasa.
Eles, �s vezes, comem juntos ao fim de um dia de trabalho,
mas n�o me avisou sobre hoje.
O cara da ag�ncia me disse
que seu marido trabalha com navios de �leo.
Sim, sim, algo como isso.
� instrutor.
Constru�ram um tanque para um navio-tanque realmente grande.
Os comandantes t�m que fazer um curso.
E Bernard � quem os ensina.
Com modelos?
N�o, n�o exatamente.
N�o s�o brinquedos,
mas modelos com escala.
Sim, a escala � de 1/25.
Ah, 1 para 25,
e tem que bons como barca�as.
Sim, mais ou menos. Mas por que est� t�o atrasado?
Deve ser ele.
Ol�, papai.
D�-me...
Al�, Bernard?
O que aconteceu?
Bem que voc� poderia ter avisado.
� Bernard; disse para n�o esper�-lo, teve alguns problemas.
Certo, Bernard.
Tente chegar aqui pelo menos para a sobremesa.
Ok, concordo.
Ele desculpou-se e pediu para que comecemos sem ele.
Tente chegar o mais r�pido que puder, eu imploro.
Sim. Vejo-lhe mais tarde.
Bernard, me deve mais do que isso.
Porque tenho que escutar suas mentiras.
N�o est� bom, voc� sabe.
Ah, sim.
Sim, eu menti.
�.
Disse que estava no trabalho.
Voc� sabe, n�o � h�bito.
Agora posso lhe chantagear!
Se quiser, compra meu sil�ncio com um u�sque.
Certo, Srta. Jouve.
Certo.
O que voc� quer?
Ainda n�o sei.
Posso lhe servir?
Sim, deixe-me servir, mentiroso querido.
N�o, n�o. N�o mere�o isso.
Se quiser, eu posso explicar.
A casa frente � minha foi alugada,
e Arlette teve a brilhante id�ia de convidar os vizinhos...
para jantar conosco hoje.
Eles s�o t�o desagrad�veis?
N�o, pelo contr�rio,
mas estou lento.
Muito lento.
Preciso de tempo para me acostumar.
E ent�o, voc� sabe como �, eles v�o essa noite,
e, da pr�xima vez, seremos n�s.
- E ent�o... - � como come�a.
O que fazem da vida? Obrigado.
- S�o agrad�veis? - Ele � controlador de v�o,
Sei que trabalha na torre de controle em Grenoble.
Parece um tipo tranq�ilo.
O estilo brit�nico.
E ela?
Ela?
N�o sei.
Bastante obscura.
� do tipo de mulher...
que sempre procura cabelo em ovo.
- Sabe o que quero dizer... - N�o, n�o,
N�o entendo.
Considerando que voc� n�o foi jantar...
pode pegar uma pequena por��o aqui.
N�o, n�o, Srta. Jouve, n�o, obrigado.
Ningu�m vem hoje.
Eu aceitaria de bom grado um sandu�che, se puder.
Pobre rapaz, se satisfaz com um sandu�che!
Sim, � o bastante.
Teremos meu veau en fricass�e.
Mas primeiro...
Tenho que tomar conta do meu amigo.
Ah, Srta. Jouve!
Est� mal?
N�o, n�o. Mas, por favor, me ajude.
Venha.
Certo.
Sabe que sempre tive sucesso com essa pr�tese.
Outro dia...
em Grenoble, um cara me seguiu por n�o sei quanto tempo.
Mudei minha dire��o, tentando escapar,
mas ele j� estava em cima de mim.
Era imposs�vel fugir.
Era um fetichista.
Nada surpreendente.
Vi um filme sobre isso:
Uma mulher era aterrorizada pelo fato
de que homens tentaram sufoc�-la com os bra�os.
Ela n�o p�de ag�entar.
Um homem corta seus bra�os para agrad�-la.
- Ambos? - Sim.
Na verdade, n�o sei. Acho que um ou os dois...
por�m, ele fez tudo por amor.
Mas tamb�m fiz isso por amor.
� mesmo?
Por amor?
Dizem que foi um acidente.
Um acidente, entre aspas.
Nunca esque�a as aspas, jovem.
O que lhe disseram?
Ah, n�o sei,
parece que voc� caiu de uma janela, do oitavo andar.
Do s�timo.
Sim, mas...
casualmente, uma porta de vidro quebrou a queda dela.
Exatamente.
Foi na parte velha de Nice. Havia um semin�rio abaixo.
Se n�o fosse aquela porta, eu n�o estaria aqui.
Foi h� muito tempo:
Far� vinte anos no ano que vem.
Durante a insurrei��o argelina,
passou-se tanto tempo que n�o sei mais a verdade;
Al�m disso, voc� � um sujeito agrad�vel.
Eu n�o ca� da janela:
Eu me joguei, como um pacote de roupa suja.
Meu Deus!
Voc� � muito corajosa!
N�o, n�o.
Coragem n�o � nada para isso!
Eu estava desesperada, � isso.
Desamada e desesperada.
Ele me deixou e foi para a Nova Caled�nia;
Como uma idiota, ainda esperei.
Depois ouvi que ele se casara,
ent�o um, dois, tr�s, pflut!
E como ele reagiu quando soube?
Ah, talvez ele nunca tenha sabido.
e � melhor.
� verdade,
� verdade.
Homens nunca gostam de saber desse tipo de coisa.
E eles est�o certos.
Especialmente como o fim era tr�gico,
embora n�o fatal.
Agora estou na mesma condi��o que Edith Piaf, lembra?
Nada de nada, e n�o lamento nada.
Mas o que � isso?
Est� longe, n�o est�?
N�o, n�o, estava lhe ouvindo, senhora, ouvindo.
Fico feliz que tenha vindo.
E sinto muito que Bernard esteja atrasado.
N�o se preocupe,
tem sido uma tarde agrad�vel.
Sim, � verdade, mas da pr�xima voc� vir� para voc�.
- Certo. - Adeus.
Boa noite, Mathilde.
- Boa noite para voc�. - Boa noite.
Boa noite, Philippe.
Encantado.
Eu colocaria tudo em risco se te desse uma li��o de como se comportar?
N�o sei de voc�, mas eu jantei bem:
sua esposa fez uma excelente ceia;
naturalmente, falamos bastante de voc�.
Voc� est� com o carro no estacionamento?
Escute,
para que tudo fique claro,
esta noite foi preparada sem que ningu�m me perguntasse.
Talvez,
mas somos vizinhos agora,
e vivemos no interior, com apenas sete ou oito casas:
portanto, � inevit�vel que...
e somos adultos, n�o somos?
Voc� tem uma bela crian�a, Bernard,
ele � como voc�:
voc� deve ter orgulho dele.
Sim, sim, sou muito feliz.
Ou melhor, eu estava quando voc� chegou.
Ent�o precisamos conversar sobre isso, Bernard.
� preciso.
Escute, n�o estou fazendo para jogar toda a culpa em voc�, mas...
voc� foi rude comigo, sabia disso?
Voc� partiu, voltou, disse "n�o se preocupe comigo"...
depois disse que n�o podia viver sem mim...
Bem, eu arrumei coragem e te deixei:
Era isso ou enlouquecer.
Mas agora ambos fomos salvos,
ent�o vale a pena sermos amigo, voc� n�o acha?
Sim, voc� tem raz�o.
Sim, sim.
Saiba que ainda estou com raiva. N�o sei se pelo mal que te fiz...
ou pelo que eu te fiz.
� engra�ado, mas estou feliz que esteja bem.
Ah, estou feliz tamb�m.
Pr�xima semana,
Philippe e eu convidaremos voc� para jantar,
- com Arlette, naturalmente. - Claro.
Bem, esperarei not�cias suas:
n�o vai esquecer, vai?
Promete?
Eu prometo.
E serei pontual.
Bem, um beijo?
Sim.
Gostaria de pedir-lhe mais uma coisa,
diga meu nome de vez em quando;
Creio que �s vezes...
voc� ficava hostil porque...
...voc� podia passar um dia inteiro sem me chamar de Mathilde.
Com certeza voc� n�o lembra.
Mathilde.
Mathilde!
Mathilde!
Voc� quer dirigir?
Olhe para a bola,
Olhe bem para a bola.
Thomas, segure, sempre olhe para ela.
Ei, Bernard!
Ah, m�e.
Oi!
Olhe como estou indo bem!
Sim, mas tenha cuidado.
Quando eu vejo um belo cabelo, � imposs�vel n�o toc�-lo:
especialmente se for negro,
Existe loiras demais.
Aqui no Clube, ou em todo lugar?
Oh, em todo lugar,
a culpa � da televis�o, sobretudo das propagandas.
Uma influ�ncia deplor�vel.
Ah, voc� est� a�, oi!
- Oi, Odile. - Oi.
Veio de carro?
- Sim, de carro. - Bom dia.
Vai ficar por aqui, hoje?
Sim, ficarei para o fim de semana.
Tenho um quarto reservado no Pergola.
Enlouqueceu?
Por favor, ligue para o Pergola e cancele sua reserva.
Porque voc� pode dormir em minha casa.
OK.
Jean-Luc, venha, tenho uma liga��o para fazer.
Ele � muito simp�tico.
Se ele n�o existisse, eu o inventaria, meu querido garoto.
Voc� n�o sabe quanto eu o devo.
Ah, eu n�o te apresentei porque...
Eu n�o peguei seu nome.
Meu nome � Mathilde Bauchard,
meu marido Philippe e eu somos vizinhos de Bernard.
Ah, agora estou entendendo.
Sim, agora come�o a entender.
Mas, me desculpe:
Ela n�o parece o tipo que busca problemas onde n�o existem.
O qu�?
Oi, Philippe.
Roland, � voc�!
Sim, sou eu.
Com essa barba eu n�o te reconheci!
Oh! Com a barba e muito mais velho, tamb�m.
Sim... Quatro anos, no m�nimo.
N�o, eu diria cinco.
� aterrorizante, de fato. Mathilde, venha!
Venha, vou te apresentar Roland Duguet:
Fomos co-pilotos no rali de Corsican,
e creio que sem ele eu nunca... Deixe-me apresent�-la, Mathilde.
Um prazer, senhorita.
Sra. Para mim tamb�m...
Eu n�o te disse, ela � minha esposa, somos casados.
Ah, parab�ns!
Desculpe, mas agora devo ir jogar.
Prometi a Mathilde...
N�o, n�o, continue conversando com seu amigo,
Vou praticar contra a parede.
Um editor? Mas n�o � dif�cil viver aqui na prov�ncia?
Oh, n�o, n�o, existem problemas,
mas existem mais pr�s do que contras.
E sabe, eu n�o suportava mais Paris...
Me chame apenas de Philippe.
Sim, � verdade, mas � dif�cil para mim ser informal com voc�.
Ela � muito bonita, Mathilde:
Ao v�-la, voc� pensaria que ela n�o � francesa, mas italiana.
N�o, n�o, ela � francesa, ela nasceu no sul.
Assim que eu a conheci,
senti que existiria uma rela��o importante entre n�s.
Sabe, eu nunca me arrisquei na vida...
� procura da mulher ideal,
...ou mesmo de qualquer mulher.
Mas quando conheci Mathilde, eu compreendi que,
ou melhor, eu vi a promessa�
Eu n�o tenho medo dos velhos clich�s:
Eu pensei: "Aqui est� minha �ltima chance de felicidade."
Sra. Jouve, por favor.
Bom dia, cavalheiros.
Sra. Jouve.
Ali.
Estou procurando a Sra. Jouve.
Pergunte ao gar�om ali,
...ele deve saber onde ela est�.
Obrigado.
Com licen�a... Conhece a Sra. Jouve, por favor.
Ela est� ali.
Obrigado.
Sra. Jouve?
Sim.
Segure, por favor.
Obrigada.
O que houve? Posso ajud�-lo?
N�o, n�o.
Obrigada, Bernard, voc� � muito gentil, mas n�o � nada.
Sinto que algo a perturbou.
N�o,
Eu recebi um telegrama, Um telegrama horr�vel.
Irei fingir n�o ter recebido. Obrigada.
Se eu puder fazer algo...
N�o se preocupe com isso.
Sabe que pode confiar em mim?
Sim, sim.
Philippe disse-me que voc� lida com livros infantis.
Philippe est� vendendo meu peixe, mas ele exagera.
N�o, n�o,...
Ele disse-me que voc� � uma pessoa de talento que n�o acredita em si mesma.
Eh, � por a� mesmo.
N�o, � verdade que eu escrevi umas est�rias e queria ilustr�-las,
mas tudo num n�vel amador.
O que me interessaria seria editar livros.
Que tipo de desenhos voc� faz? Voc� trabalha com papel normal ou...
N�o, todos os desenhos s�o feitos em cartolina,
geralmente com duas ou tr�s, cores. Trabalho com tinta chinesa,
mas raramente com aquarela. Eu nunca fui capaz...
de trabalhar com quatro cores.
E vem me dizer que � amadora!
N�o, na verdade...
eu tive um curso pr�tico de tr�s meses.
Mas isso foi h� muitos anos, e, depois...
tive de parar porque fiquei doente,
e as t�cnicas de hoje mudam t�o r�pido que...
mas, acredite-me,
sempre haver� a necessidade por est�rias belamente contadas.
Estou interessado. Gostaria de ver o que voc� pode fazer.
Oh, verdade que voc�...
Naturalmente.
Com licen�a, s� um momento.
Por favor.
Oi, Bernard,
se voc� n�o tiver parceiro, jogaria comigo?
Desculpe, n�o posso, eu desloquei meu pulso e d�i.
Sempre se safando, eh?
Partirei com meu fado. Brumm, brumm!
E eu seguirei: brumm, brumm!
Al�?
Sou eu.
Escute, Bernard...
Vamos nos encontrar amanh� �s 6 horas.
37, Rue de la Gare, 37.
N�o, 37 Rue de la Gare, �s 6 em ponto.
Bom dia, madame.
Eu reservei um quarto por telefone, para Bernard Coudray.
Ah, sim, � o quarto 18.
N�o, a chave n�o est� l�, ela j� foi tomada.
Ah, bem, obrigado.
No primeiro andar?
Sim.
Sr.?
Est� aqui.
Por favor, sr.
Meu Deus, olhe para isso.
Meu Deus.
Voc� tinha um igual, quando te conheci.
Ah, n�o, era menor.
Bem, voc� era menor.
N�o, tolo, os menores estavam na moda, ent�o.
Aposto que nem se lembra de nosso primeiro encontro.
Claro, eu lembro.
Foi numa festa de crian�a dada por sua madrinha.
Eu fui no jardim e te vi dentro da casa,
emoldurada pela janela.
Voc� fazia uns sandu�ches para as crian�as, e essa � a raz�o
pela qual me apaixonei por voc�, imediatamente.
Pah!
Ent�o, para demonstrar seu amor,
voc� n�o p�de achar nada melhor que se embebedar.
E voc� me disse: "N�o, Mathilde, eu n�o estou b�bado!"
"O melhor teste � a for�a dos meus argumentos".
E voc� argumentou, argumentou, e eu pensei:
"Mas porque ele espera para me beijar?"
Ah, sim?
Sil�ncio, sil�ncio.
Toque meu rosto com sua m�o.
Espere, espere.
Estou esperando,
Estou esperando.
O que � isto?
Voc� acha que isso foi inteligente?
� o meu neg�cio, n�o o seu, meu amigo.
Primeiro, n�o sou seu amigo, eu sou seu amante.
Seu ex-amante.
Eu pensei que meu amante tivesse coragem,
mas na verdade ele � s� um covarde.
E como n�o tinha coragem suficiente,
...ele acabou detestando Mathilde.
� verdade, verdade, eu te odiei.
Demais.
Profundamente.
Mas n�o mais:
Eu mudei muito, n�o?
Sim, � verdade, voc� mudou.
Era cedo demais.
Se tiv�ssemos nos conhecido agora,
talvez tivesse funcionado.
Sim, talvez.
Mas j� nos conhecemos.
N�o � a mesma coisa.
N�o � a mesma coisa.
Sabe que est� muito mais bela que antes?
S�rio.
N�s �ramos jovens demais;
agora podemos lidar com isso melhor, n�o acha?
N�o, eu n�o acho.
E n�o estou � procura de nada.
Mas n�s nos am�vamos.
Ah, n�o realmente, fui eu quem te amou.
Voc� estava apaixonado, n�o � a mesma coisa.
Voc� sempre foi c�tica, e sempre duvidou de mim.
Naturalmente, voc� disse "eu te amo" porque eu te amava,
- e ent�o... - E ent�o,
n�o parecia ser raz�o suficiente?
E ent�o voc� gostava de mulheres demais, meu jovem.
Antes eu pensava que v�rias coisas extraordin�rias aconteciam
debaixo das saias das mulheres.
E agora?
Eh, sim...
�s vezes.
Voc� foi gentil comigo.
Voc� tamb�m, foi gentil comigo.
Espere, espere.
Estou esperando.
Veja, parece um campo de batalha.
Ah, voc� tem cabelos nos olhos.
N�o � poss�vel:
Voc� mostrou-me o gesto que eu queria ver.
Foi a primeira vez que voc� o fez.
Eu disse-me: se ele me pedir para ir � cama com ele,
Eu direi sim.
Eu gostaria de alugar o quarto por um m�s.
Mas por qu�? Podemos vir aqui quando quisermos.
A id�ia de outras pessoas fazendo amor em nossa cama me incomoda.
Terra para o ar 3-2-3, vire � direita. Estacione no B1.
Sr. Bauchards, eles te querem l� embaixo.
Vou te colocar no B1.
De acordo.
Pousando em 7 minutos, passo n. 2. Eu fecho.
Eu acompanhei a Sra. Jouve que ir� pegar um avi�o,
...e tirei vantagem disso para trazer isto para Mathilde.
O que s�o?
Ela sabe.
Diga-lhe que se ela quiser me encontrar nesta semana,
Estarei mais no Clube de T�nis do que na topografia: o escrit�rio?
Eu prometi a Odile,
que iria v�-la no Clube.
E sim, � inacredit�vel, tanto que parece ser mentira,
nossa Odile deixar� Grenoble por uns dias.
Por favor, vamos acolher Mathilde.
Voc� n�o entendeu, n�o �?
N�o � uma formalidade, por favor, vamos acolher Mathilde.
Sim, certamente, madame.
Bem, divirta-se em Paris.
Vou te deixar agora; Tenho de lidar com seu avi�o.
Oh, � voc� quem cuida de nossa decolagem?
Por favor, n�o deixe-nos ficar circulando demais, por favor!
Vejo que pensou na tirinha c�mica,
e aposto que tamb�m ajustou o texto, n�o � mesmo?
Sim, admito que sim,
- mas, sabe, em minha opini�o... - Sr. Roland? Me desculpe:
tem um cavalheiro ali no caf�, est� vendo?
Sim, estou.
Ele quer ver a Sra. Jouve.
Eu disse-lhe que ela havia partido, mas ele n�o quer acreditar.
Ah, sim?
Ele est� l� desde a manh�.
Bom, irei falar com ele.
Voltarei num minuto.
Quando cheguei para abrir esta manh�, esse cara j� estava a�,
Eu tive a impress�o que ele procurava por algo,
mas n�o sei o qu�.
Ele � muito curioso.
O homem, ali, no caf� - N�o, n�o se vire, Mathilde -
Ele disse que veio aqui para um encontro com Odile Jouve,
e isso n�o � tudo!
Ele disse ter vindo da Nova Caledonia s� para v�-la.
Ah, sim? Sim.
De Nova Caledonia?
Sim, ele disse que havia avisado de sua chegada, mas
eu acho que se Odile soubesse disso,
ela n�o teria partido hoje.
Aqui est� ele.
Vou querer mais morangos, est�o excelentes.
Vamos experimentar, vamos experimentar.
Todos querem caf�?
N�o, n�o vou querer, n�o me faz bem de manh�.
Bom, ent�o tr�s caf�s, Mathilde.
E eu n�o gosto mesmo de descafeinado.
Voc� quer um licor, ent�o? N�o sei se tem uma grande variedade.
N�o, n�o, obrigado, prefiro que n�o.
Mesmo?
N�o esque�a do a��car.
Por favor venha, venha.
N�o, n�o, por favor, o �lcool me pega facilmente.
Amanh� �s 6 no hotel.
N�o.
Sim. Preciso te ver,
- n�o podemos... - Eu disse que n�o.
Bernard, que tal preparar as x�caras?
Precisa de ajuda?
Aqui est� o caf�.
Por favor, vamos sentar no sof�.
Boa id�ia. Aqui est�.
Obrigado.
Onde devo colocar este?
Ah, pode colocar aqui.
Como este quarto mudou desde a �ltima vez que o vi!
Sim, n�s consertamos um pouco.
A lareira est� muito bonita.
- Sim, sim, muito bonita. - Espl�ndido.
O piano, talvez, seja um pouco demais.
N�o acho. Eu gosto.
Ah, n�o, � o bastante. Obrigado.
Aqui. A��car...
Obrigado.
E aquilo, o que �?
� um presente para voc�.
Um presente?
Eu queria ter dado mais tarde.
Se � o anivers�rio dela voc� deve nos contar!
N�o, n�o � o meu anivers�rio.
Podemos dizer que isto � um presente de despedida.
O que, est� partindo?
Eh, vou embora amanh� por tr�s dias,
e Mathilde recusou-se em vir comigo,
dizendo que a casa ainda n�o est� pronta, e que...
N�o � de admirar se o piano ainda estiver no primeiro andar!
Bem, n�o vai abrir?
Claro! Estou ansiosa!
Eu acho.
Est�vamos andando,
e eu vi que Mathilde ficou louca por essa roupa.
Eu a convenci de ir � loja;
Ela experimentou, mas ent�o...
Ent�o eu percebi que n�o era muito adequada,
pelo menos n�o em p�blico.
N�o, a roupa � linda! N�o acho nada de indecente nela.
N�o, aqui voc� n�o consegue perceber, mas...
Vamos, coloque-a, ent�o ter� 3 opini�es ao inv�s de uma...
Sim, sim, est� certo, � uma boa id�ia.
Agora? N�o, n�o.
Sim, v� em frente.
Posso ajudar?
Bem, OK!
Vou com voc�.
Vamos subir.
Bem, vamos!
Voc� n�o sabe o que significa para mim
escutar Mathilde rindo.
Sabe, quando eu a conheci,
ela era... era como agora, muito bela, mas nunca ria.
Um sorriso vago, �s vezes.
Mas agora ela deu a volta por cima.
Ela acabou de se divorciar.
Divorciar?
Sim, um tempestuoso div�rcio depois de turbulento casamento.
Mas o que est� acontecendo? Escutou isso?
Sim.
Veio da estrada.
Isso sempre acontece aqui?
Sim, �s vezes.
Quando uma casa fica vazia por muito tempo...
Entretanto, eu aconselharia a deixar a luz acesa quando sair.
N�o parece ser muito provocativo?
O decote � muito, bem: sim, � um pouco transparente...
Espl�ndido, espl�ndido! Voc� � maravilhosa.
Sim, eu tamb�m disse-lhe isso.
Venha, vamos v�-la na luz.
Parece que s� eu achei escandaloso. Ent�o n�o vou achar para n�o ficar sozinho.
Ela s� vai us�-lo em sua aus�ncia, Philippe.
Bem, Mathilde usar� essa roupa quando e onde quiser,
e com quem ela quiser:
Eu n�o sou um marido espanhol, n�o sou.
Pode me ajudar a pegar essas coisas, Bernard?
Sim, sim.
Sabe aquele nova butique que abriu recentemente?
N�o, mas falam dela muito bem.
OK, para amanh�: Estarei l� �s 6 em ponto.
Esperarei por voc�.
Bom dia, madame.
N�o vejo a chave do n�mero 8.
Voc� n�o foi o primeiro a chegar hoje, ele est� esperando por ela.
Obrigado.
O que vai fazer?
Venha.
Entre.
Venha.
Escute, Bernard...
Voc� queria falar comigo.
Achei que poder�amos fazer isso l� embaixo.
Tamb�m podemos falar no quarto, n�o podemos?
N�o, n�o, eu te conhe�o, Bernard, e tamb�m me conhe�o.
Philippe est� viajando, e...
incomoda-me tirar vantagem da aus�ncia dele.
N�o tem a��car, Vou procurar.
Perd�o, o a��car...
J� estarei levando.
Ah, n�o, n�o, aqui est�, aqui est�.
Obrigado, eu farei.
Posso pegar?
- Por favor. - Obrigado.
Espere. E o casamento?
N�o quero dizer Philippe, mas sim o anterior.
Voc� deve ter se casado logo depois que me deixou.
Sim.
Eu me casei para me livrar de voc�,
para esquec�-lo.
Voc� me magoou tanto, que decidi casar-me com o primeiro
homem que me pedisse gentilmente.
E foi aquele imbecil, Patrick.
Ent�o ele era um imbecil?
Sim. Um imbecil feliz.
Na noite anterior ao casamento, percebi que estava cometendo um erro,
mas que tinha de continuar.
Sabe, parecia um desses casos quando um homem decide:
"Casarei com a primeira mulher que atravessar aquela porta.
No outro dia eu j� queria o div�rcio,
mas eu j� tinha conhecido sua m�e, sua irm�, sua fam�lia,
Eu me senti adotada, parte deles.
Levou-me seis meses para me livrar dele.
Depois disso, eu n�o queria mais apegar-me a ningu�m...
at� dois anos atr�s.
Com Philippe.
Ele tinha uma personalidade forte,
muito paciente, encantador.
Ele esperou,
e confiou em mim.
Voc� foi derrotado pela frieza brit�nica dele, n�o?
Bem, noite passada ele disse-me, - ele falou de voc� -
E � verdade que seu marido te ama.
Mas ele me disse algo que me magoou.
Sim: " Mathilde passou por um casamento desastroso
para esquecer um relacionamento - Voc� est� me escutando, n�o est�? -
para esquecer um relacionamento que ele teve...
...com um cara temperamental e violento."
Sim, eu sei.
Ent�o voc� acha que o cara temperamental e violento era eu?
E voc� tem como h�bito falar para outras pessoas sobre mim?
Ele simplificou muito, confundiu as coisas.
Ele simplificou muito.
Ele simplificou muito.
Escute, Mathilde:
vamos esquecer isso.
Escute-me: Olhe para mim, por favor.
Por que n�o esquecemos tudo e fugimos juntos, agora?
Tenho certeza que seremos felizes.
Oito anos atr�s...
voc� realmente me amava?
Eu era louco por voc�,
Eu te adorava,
mas eu preferia me matar antes que voc� soubesse disso.
Por que nunca me contou?
E depois eu quis um filho,
por que voc� n�o quis?
Voc� disse que era imposs�vel, disse mesmo.
Disse que n�o era uma coisa boa, que dever�amos esperar.
Eu esperava que dissesse justamente o oposto.
Na verdade voc� queria, um filho, mas n�o comigo.
Voc� queria um filho com outra mulher.
N�o, sabe, � melhor que n�o nos vejamos mais.
Leve-me para casa.
N�o, Mathilde.
Mathilde...
Eu n�o tenho um len�o:
poderia emprestar-me o seu?
Sim, tome.
Meu Deus, est� sujo.
N�o importa, empreste-me.
Voc� est� bem?
N�o est� chorando mais?
Tome com o len�o.
Agora est� mesmo sujo.
Obrigado, querida.
O que voc� disse? N�o me escutou?
Sim, eu disse querida.
Voc� sempre ser� minha querida.
Mesmo voc� n�o querendo.
Minha querida.
Minha querida.
N�o, n�o.
Olhe, Bernard,
foi �timo, mas a hist�ria n�o ir� se repetir.
Bernard, Thomas,
Vamos jantar, est� pronto.
Sopre a sopa se estiver muito quente.
Est� muito quente? Est� boa?
- Agora, sobre o que foi dito... - N�o, eu n�o vou escutar.
Mas por qu�, o que voc� deve escutar?
Era s� um carro.
O que fez na escola esta manh�?
Espere, estou com frio. Vou pegar um su�ter.
Sim, deve estar na sala de estar, eu acho.
Eu n�o gosto.
O que?
N�o estou achando.
N�o, n�o, coma.
N�o est� l�, vou procurar no andar de cima.
Est� certo.
S� um momento.
Bem, OK.
Mova.
Para a esquerda.
Pode me substituir por uma hora?
Claro.
Mas o que est� acontecendo? Est� doente?
N�o, n�o, n�o � nada.
N�o estou doente, eu tenho algo importante para fazer;
pode me substituir, n�o pode?
Bom dia.
Bom dia, Sr. Coudray.
N�o pudemos reservar hoje.
N�mero 18 est� ocupado, mas posso te dar outro, se quiser.
Sim, ok, mas posso fazer uma liga��o, antes?
Sim, por aqui.
Obrigado.
- Aqui? - Sim.
Obrigado.
Al�?
Al�. Sou eu.
Mas... de onde est� ligando?
Estou ligando do hotel.
Do hotel?
Sim, do nosso hotel.
E voc� est� a�?
Bem, eu estava em meu carro, eu passei e pensei...
escute, Mathilde, venha aqui.
N�o, n�o posso.
Sim, venha logo.
Voc� n�o lembra o que te disse, no carro?
Vamos l�, venha para c�.
N�o. S�rio, n�o posso.
N�o pode ou n�o quer?
Nenhum dos dois.
Escute, Bernard,
voc� nunca lembra das coisas ditas quando conversamos.
Mas conversar sobre o qu�?
Nunca temos tempo de conversar.
E se eu arranjar um tempo livre hoje � noite?
N�o, hoje � noite n�o posso.
Seu marido retornou?
N�o, por que?
Onde esteve ontem � noite?
Ontem � noite... espere...
ah, eu tive de fazer algo relativo ao meu livro.
Durante o dia voc� n�o faz nada,
e eu devo acreditar que � noite sai para fazer coisas relativas a seu livro?
N�o foi � noite, mas no fim da tarde.
N�o minta.
�s 8.12 p.m. a luz ainda estava acesa. �s 8.20 p.m. voc� saiu com o carro.
Quinze minutos depois da meia noite, o carro...
Ontem � tarde eu mostrei meus desenhos a Roland.
Bernard,
ainda est� a�?
N�o vai responder?
N�o me diga que est� com ci�mes de Roland:
voc� sabe que ele n�o gosta de mulheres.
N�o, eu n�o acredito em voc�.
Em qu� acredita?
N�o acredito numa palavra do que voc� diz.
Bom, n�o ligo se acredita ou n�o, eu n�o quero te encontrar.
Mathilde!
Voc� me assusta.
Agora deve dizer-me.
Por que eu te assusto?
Mas eu acabei de dizer, Bernard,
porque estava nervosa.
Ah, ent�o por isso desligou?
Eu desliguei porque voc� me perturbou.
Voc� n�o pode me tratar como se voc� fosse um policial e eu um ladr�o.
N�o fique a�, n�o podemos conversar assim.
- Sim, sim, est� certo, sim. - Entre.
Sim, sim, voc� tem raz�o.
Entretanto, � tudo ou nada, n�o � mesmo?
Entre, sente-se.
Eu n�o posso, estou t�o cansado que se eu sentar, vou dormir.
Ent�o...
tem outra coisa.
E o que voc��?
O que eu fiz?
Eu odeio mentiras.
E desde que nos conhecemos eu tenho vivido uma mentira.
Eu prometi que eu iria contar tudo a Philippe, e depois...
bem, n�o fui capaz.
Bem, ...eu tamb�m, eu tamb�m... Eu n�o pude...
Mas n�o v� que isso n�o pode continuar?
Pr�xima semana,
iremos embora, Philippe e eu.
E esta � outra raz�o pela qual...
eu n�o quis ir ao hotel.
Voc� lembra o que me disse, oito anos atr�s?
E Deus sabe como me doeu ouvir voc� dizer que:
"Todas as est�rias de amor precisam ter...
um in�cio, um meio e um fim."
� verdade.
Sim, sim, voc� tem raz�o.
Escute, vou superar. De agora em diante, n�o vai ter de reclamar mais de mim.
E vamos ser amigos,
amigos como antes.
Amigos como antes?
Como antes quando?
Bem.
Bem, tenho de voltar para casa, agora.
Tenho de ir.
E se Arlette te ver saindo daqui?
Bom, n�o sei, eu direi para ela...
Que voc� me ajudou a consertar a geladeira.
Sim. Devo dizer isso para ela?
N�o, eu irei dizer que agora me sinto muito melhor,
porque agora posso respirar.
Respirar.
Ah, aqui est� meu Thomas!
Espere, te darei um empurr�o.
Seu amigo te deixou sozinho, eh?
O que est� fazendo?
Que pergunta, estou cozinhando!
N�o, n�o, nada de cozinha hoje, eh?
Ah, sim?
Sim, chamaremos Caroline para cuidar de Thomas,
e vou te levar para Grenoble.
Ao cinema, ou um restaurante... Hoje � noite vamos festejar.
Gostei muito disso.
Bom, eles ainda sabem contar est�rias que...
S�rio.
Mas como eles podem invent�-las?
Srta., eu gostaria de um caf� normal bem como um descafeinado.
- OK. - Obrigado.
Conhece Bernard?
Fico contente de v�-lo um pouco mais relaxado.
Como assim? Eu estou sempre relaxado.
- N�o. - Sim, sempre.
Diz isso porque n�o viu como estava nas �ltimas semanas.
Voc� sabe?
Eu tive a impress�o que voc� queria ficar s�.
Eu tamb�m liguei para a mam�e,
para perguntar se ela poderia levar Thomas � Chamberie;
Para te dar um pouco de descanso.
N�o, n�o, por favor.
N�o, veja, o que eu quero fazer �... o mais cedo poss�vel...
partir com Thomas.
Para umas f�rias de verdade, voc� entende?
Veja quem est� vindo!
Devagar...
Ah! Voc� tamb�m est� aqui.
Eh, sim. Uma noite de liberdade.
Ah, bem.
E voc�? Teve boa viagem?
Sim, sim.
Boa noite.
Oi, querido.
Ei, garotos, h� vinte anos n�o vou a Paris,
Eu recomendo, l� � uma loucura.
As pessoas s�o insanas.
Tenha cuidado!
N�o, n�o, espere,
ent�o ficarei em frente a Sra. Jouve. Espere.
Perd�o, cavalheiros, mas o cozinheiro j� foi.
N�o importa, uma salada ser� suficiente.
- Qualquer coisa est� bom. - Bem.
Est� um pouco nervoso, n�o est�? - Por que?
Sim, ele est� nervoso;
qual � o problema?
Ele n�o suporta chegadas e partidas.
Assim que v� as bagagens, ele enlouquece.
Bem? Voc� pagou por um soir�e, n�o foi?
Oh, sim, fomos para assistir um filme.
Sim.
E o que viu?
N�s vimos ''Dead men walking '', um suspense.
Acho que j� vi esse.
� a est�ria de um marido ciumento que suspeita da esposa.
Erradamente, porque ela � uma mulher perfeita.
Eu n�o sei, mas aquele cara, o amante,
...o mais jovem, mata o marido dela.
N�o, Bernard!
Ele n�o o mata,
o marido dela comete suic�dio, fazendo parecer um homic�dio.
Tem certeza?
Claro que tenho!
Sim, eu vi. � muito bem feito,
...o marido dela deixa uma faca entre a porta e a fechadura e?
- e depois... - Sim, sim, verdade,
ele faz um tipo de hara-kiri,
e como a faca cai na sala de jantar e o corpo est� no outro quarto,
ele sabe que a sua esposa ser� acusada de homic�dio.
- Ah, eu tinha entendido que... - Claro, � evidente que,
uma faca num local e o corpo em outro:
� um suic�dio armado para parecer um homic�dio.
Eles explicam no fim do filme, mas voc� viu ou n�o?
Sim, sim, eu vi.
Ah, estava pensando em seus barcos.
Ou nossa mente estava em outro lugar!
N�o, n�o...
Voc� precisa de uma prancheta de desenho, agora:
Voc� j� se tornou uma profissional.
Roland me falou de um homem com uma loja em Grenoble,
Se quiser, cuido disso amanh�.
N�o, n�o, eu mesma irei, obrigada.
Se tivesse desenhado-o com cabelo louro,
ele pareceria com o garoto dos nossos vizinhos.
Sim, mas este tem cabelo preto.
Fotos s�o coisas estranhas.
Eu quero jogar as minhas fora e ficar apenas com as suas.
Estou juntando-as, sabe?
Aqui est� voc� no prim�rio, sua primeira comunh�o, como estudante de colegial,
faculdade... Cada uma me atrai a voc�.
Diga-me, Mathilde:
Voc� e Bernard conhecem um ao outro?
Veja.
Eh, sim.
Tem raz�o, � ele mesmo.
Eu apenas o vi uma vez, quando esta foto foi tirada.
Agora eu lembro: minha prima era louca por ele.
Mesmo!
E ele amava-a?
Mas como � que eles n�o se casaram?
O pai de Jacqueline, minha prima, adorava a filha;
e ele fez perguntas sobre Bernard...
e ent�o disse a filha: pode fazer o que quiser, mas eu...
acho que aquele garoto...
...pertence ao tipo...
que � f�cil de pegar, mas imposs�vel de manter.
� verdade que voc� me ama?
E vai sempre me proteger?
Venha, vamos tirar uma foto.
Venha Mathilde, voc� tamb�m.
Mais pr�ximo Bernard, por favor.
V� que ainda podemos sermos amigos?
Voc� sempre disse que n�o funcionaria.
"X".
Queridos amigos, agora pe�o-lhes um minuto de seu tempo.
N�o se preocupem, n�o darei um discurso,
mas devo dar uma explica��o para este encontro:
Esta noite, dentro de duas horas,
Mathilde e eu partiremos para achar o sol,
mas voc�s j� sabiam disso,
mas o que n�o sabem � que ser�...
nossa lua de mel.
Desde que nos casamos e viemos morar aqui,
Mathilde e eu n�o pudemos ter essa lua de mel...
a qual nos far� um casal...
verdadeiramente casado.
E � por isso que convidamos voc�s
para esta festinha.
Isto � maravilhoso:
Eles s�o como dois jovens apaixonados.
O avi�o deles sai �s 6 em ponto,
eu os levarei ao aeroporto.
- Espere. Pegue isso. - Obrigada.
Ah, estou exausta.
Venha, sente-se aqui.
N�o, n�o, deixe-me ficar.
Se me emprestar seus joelhos por um instante...
Olhe, Mathilde,
voc� saiu muito bem nesta foto,
mas Bernard est� com uma express�o t�o infeliz.
Sim, � verdade.
Eu queria ter tirado uma foto com voc� e Philippe, mas n�o sei onde ele est�.
N�o consigo ach�-lo.
Talvez esteja ali, vou procur�-lo.
Pare, j� basta com esse carro, Nicole,
venha e me ajude.
Quer que eu te ajude?
N�o, Nicole vem comigo, obrigada.
V�, poderia vestir como uma saia,
mas n�o pensei nisso.
Olhe, � como eu te disse...
Com licen�a.
No campo ele n�o ganha tanto quanto poderia.
� por isso que ele n�o liga:
Vencer ou perder d� na mesma, para ele.
Sim, mas n�o se pode fazer parceria com um cara assim.
Sim, eu sei, mas quem vai jogar?
N�o sei de nenhuma alternativa boa...
N�o, n�o tem, j� testaram todos.
Ningu�m vai jogar, ele � o �nico que sabe como jogar.
Sim, certo, entretanto uma parceria mais forte...
Sim, ele � t�o...
Mathilde, est�o te chamando no telefone.
- A mim? - Sim.
Al�?
Eu n�o entendo, n�o tem ningu�m.
Sim. Estou aqui.
Quero v�-la sozinha,
vamos nos encontrar mais tarde no hotel.
N�o � poss�vel.
Ent�o quero falar com voc�, em meu carro.
Voc� sempre diz isso,
e ent�o quando nos encontramos n�o tem nada para dizer.
Eu n�o estou pedindo muito. N�s nunca temos tempo para conversar!
Por favor, fale mais baixo.
Escute, falarei t�o alto quanto quiser. Tamb�m poderia chorar.
N�o, n�o, por favor,
escute, n�o parta hoje � noite.
Tente atrasar sua viagem por alguns dias, ao menos.
Mathilde, eu tenho coisas importantes para te dizer.
Voc� enlouqueceu? Voc� est� louco!
- Bernard... - Voc�, saia!
Bernard... Voc� est� louco!
Deixe-me em paz, por favor,
Me largue!
Levante-se, vamos,
...deixe-me te beijar.
N�o, n�o!
Mathilde,
Mathilde!
O que est� fazendo, sil�ncio!
Mas ele enlouqueceu!
N�o, Bernard, n�o!
Deixe-me em paz!
Bernard!
Basta, pare!
Est� com raiva de mim, n�o est�?
Voc� me odeia.
N�o, n�o estou com raiva de voc�.
Eu n�o te odeio.
Sabe, sei o quanto deve sofrer por ser t�o...
Mas n�o consigo parar de ter tanto ci�mes.
Ci�mes dela,
de voc�,
...mas acima de tudo de seu sofrimento.
Mas ent�o, Bernard,
voc� n�o confiou em mim.
- N�o sei, se tivesse me dito algo, tudo... - Mas dizer o qu�?
O que posso te dizer?
Sabe, Arlette, a mo�a morena, nossa nova vizinha...
� a mulher que se comportou loucamente comigo...
h� oito anos.
Por qu� n�o disse?
Pensei que depois de oito anos n�o mais importaria.
Mas quando vieram para c�,
...eu n�o achei que os ver�amos tanto.
Sabe, Bernard,
rever algu�m que foi uma parte importante de sua vida,
deve toc�-lo de alguma maneira.
E para piorar, ela sempre me irritou.
Existem coisas em sua natureza que eu odiei desde o in�cio.
Eu n�o entendo, eu n�o entendo.
N�o, eu n�o entendo.
Arlette,
venha ficar perto de mim, por favor.
Sim, Mathilde foi a mulher de oito anos atr�s.
Entenda que n�o fomos feitos para viver
...juntos. Nunca vivemos juntos. Compreende?
N�s t�nhamos o dom de machucar um ao outro.
Ferir, mesmo!
Sim, ferir para valer.
N�o achei que valia a pena falar nisso.
E n�o falaremos mais;
est� acertado, acabado.
Arlette?
Arlette!
Arlette...
Est� doente? O que �?
O que �, Arlette?
Adivinhe.
Sim.
Sabe, � impressionante:
Voc� realmente fez muito progresso em poucas semanas.
Sim, gra�as � Roland.
Voc� fala sobre seus desenhos, mas eu sei que pensa em outras coisas.
Sim.
Sobretudo acerca da maneira que poder�amos estar vivendo agora.
Eu pedi a Sra. Jouve para nos achar outro apartamento,
mesmo em Grenoble; Eu a considero uma mulher providencial e de sorte.
Sabe o que ela fez m�s passado?
Um de seus amantes, que estava vivendo, acho, nos tr�picos,
em Nova Caledonia, veio v�-la em Grenoble.
Bom, ela passou tr�s dias em Paris;
ela n�o queria encontr�-lo;
n�o queria que ele a visse envelhecida,
para resumir, como ela est� agora.
N�o, n�o � verdade.
O que voc� diz � inteiramente falso.
Aquele homem da Nova Caledonia...
talvez seja o �nico amor de Odile Jouve.
E foi por culpa dele que ela se jogou da janela h� vinte anos.
E ele... ele nunca soube o que aconteceu.
Ele n�o sabe que ela ficou aleijada pelo que ele fez.
A Sra. Jouve � uma mulher extraordin�ria,
e aquele homem nunca entendeu isso.
Oh, sim.
Bem, eu tampouco entendo.
Os homens n�o sabem nada do amor:
N�s somos amadores.
Eu te amo como �s, Mathilde, mesmo nunca tendo te entendido.
Eu nunca menti, na minha vida, mas apenas porque...
� muito complicado.
Sim, muito complicado;
E de repente eu descubro que eu vivo com uma mentirosa,
que eu durmo com uma mentirosa...
e que eu fa�o amor com uma mentirosa.
E que eu amo essa mentirosa.
Venha, Mathilde.
Mathilde, qual � o meu nome?
O que?
Eu perguntei qual � o meu nome.
Philippe, est� enlouquecendo?
Ah, bem, meu nome � Philippe.
Ent�o por que voc� chama por outro nome quando dorme?
O qu�? O nome que chama � noite, voc� quer saber qual �?
N�o, n�o quero.
Bom dia, dama. Reconhece-me?
Claro, o cara do n. 18.
Escute, gostaria de saber...
se posso alugar o quarto 18 por um m�s.
� imposs�vel, trabalhamos apenas de dia.
O hotel ser� transformado em apartamentos.
Sinto muito, madame.
N�o, n�o, eu compreendo.
Com licen�a, madame.
Adeus.
Mas este desenho foi invertido, � um erro.
N�o, n�o, fiz de prop�sito:
Aparecer� � direita da p�gina:
O perfil da pessoa n�o fica em frente ao interior do livro,
mas ao exterior.
Ah, sim, claro.
Concorda? N�o?
Estou t�o cansada...
Sabia, Mathilde? Eu gosto muito de sua caligrafia;
se fizer outros livros para mim...
Gostaria de estamp�-los diretamente da sua caligrafia.
Certo, se quiser...
Sim.
Claro.
Oh, com licen�a.
Sem problemas.
Agora tem o problema da mancha de sangue.
Bem, a crian�a caiu, o desenho � belo, mas
eu acho que a mancha de sangue � demais, muito realista.
� muito violento para nossos leitores mais jovens,
e eu teria sugerido alguma outra coisa.
N�o, est� enganado:
Eu fiz esse desenho de prop�sito para mostrar o sangue:
Sim, sem o vermelho n�o � nada.
N�o exagere, Mathilde;
veja a diferen�a: n�o altera o efeito.
Mudar...
Me desculpe mas... Estou cansada, tenho de ir.
Adeus.
Bom, devemos lig�-la em casa?
Sim, est� certo.
Adeus.
Adeus!
Te vejo mais tarde.
Em dez minutos.
Bom dia, Thomas. Como est�?
OK.
Estou com um pouco de sede. Posso entrar?
Sim, se quiser.
- Quer um acompanhante? - Me levaria? - Sim.
- Ent�o posso beber? - Sim, voc� pode.
- Voc� quer? - N�o.
N�o est� com sede?
Esta � uma linda casa, com uma bela cozinha.
Escute, deixaria ver o seu quarto?
Eh?
Me levaria?
N�o sabia que seu quarto era no andar de cima.
Sim.
� esse? Eh?
Eh?
Bonito.
Quer ver meus brinquedos?
O que voc� faz?
Que belo desenho...
O que �?
Uma baleia chorando.
E por que a baleia chora?
Porque est� sofrendo.
Voc� sabe o que significa "sofrimento"?
� a primeira vez que voc� vai publicar um livro, n�o �?
Sim, sim, � a primeira vez.
Bem, n�o exatamente, porque h� tr�s anos...
sim, para resumir, � a primeira vez mesmo.
- De fato, este � o seu primeiro livro? - Sim, �.
Oi, Nicole, tamb�m est� aqui?
Poderia dedicar para minha sobrinha?
Voc� a conhece, Marie-Christine:
Eu j� o vi: � muito, muito bonito.
Talvez bonito demais para crian�as.
Voc� n�o sabe o que est� dizendo.
Muito bonito para crian�as.
Exatamente.
- O que est� acontecendo? - Tem fuma�a vindo da cozinha.
Est� vindo da cozinha da Sra. Jouve.
Precisamos de um extintor.
Talvez tenha um em meu carro.
Corra.
Vamos, garotos, n�o fiquem aqui, vamos embora.
Deixe-me fazer, madame.
Venha, Mathilde, por aqui.
Oh, meu Deus, que pesadelo!
Tudo est� queimando.
Puxe aqui. Ent�o est� certo.
Ficou com medo?
N�o, n�o.
Est� sujo?
N�o, n�o � nada,
Vamos, vamos te limpar. Jacques!
Que problema... Venha, ajude-me, por favor...
Voc� sabe o que aconteceu com Marcel?
N�o, h� um m�s que n�o o vejo.
J� te contei da loira que vive em seu pr�dio?
Bem, sim, sei que ele fez sexo com ela,
e que foi bom.
Sim, mas agora est� acabado e ele n�o consegue se livrar dela.
E ele conseguiu? Ooh-er, Srta!!!
Eles se encontram todos os dias no elevador,
entretanto ele ser� for�ado a mudar-se:
Ele finalmente percebeu
...que a �nica pessoa com quem n�o vale a pena dormir...
� a sua vizinha!
Marcel s� fez besteira!
E ele sempre foi assim!
Com licen�a, voc� � a dama que escreveu este livro?
Sim, sou eu.
Poderia autograf�-lo, por favor?
Mais tarde, por favor.
Obrigado.
Veja, veja, eu consegui!
Onde est� Mathilde?
Voc� viu Mathilde?
N�o, n�o vi.
Roland, voc� viu Mathilde? J� faz um tempo que n�o a vejo.
Eu tamb�m procurava por ela.
Mathilde!
Voc� viu minha esposa?
N�o, sr, sinto muito.
Que estranho.
Vamos procur�-la.
Procuro por Mathilde.
Mathilde!
Eu a vi indo para l�.
Mathilde!
Mathilde...
Qual o problema?
Mathilde!
Mathilde, o que te aconteceu?
O que te aconteceu?
Querida.
Seu marido vir� encontr�-la.
N�o.
N�o pode ir nesse caminho.
Naturalmente, n�o se pode continuar daqui.
Primeiro, voc� deve comer:
voc� emagreceu.
Sim, emagreci.
Estou feia.
Sou um lixo.
Eu quero morrer.
N�o sei o que me aconteceu.
Vai sentir-se melhor quando seu marido chegar.
N�o.
Eu gostaria muito de entender...
Gostaria apenas de entender...
Ao contr�rio do que as pessoas acham,
um colapso nervoso � uma verdadeira doen�a,
muito mais dif�cil de curar quando o paciente n�o quer recuperar-se,
muito pelo contr�rio, at�.
Se sua esposa quiser, ela poderia sair pr�xima semana.
Mas ela n�o quer se recuperar, ela prefere ficar doente:
Atualmente essa � a escolha dela.
O que devemos fazer ent�o?
Bem, tentarei mostrar a sua esposa
...que esconder-se detr�s dessa doen�a � uma m� id�ia.
Diga-me:
Voc� teve alguma indica��o de que isso poderia ocorrer?
- algo que... - N�o, ela s� teve o colapso.
N�o tem outra palavra, ela apenas entrou em colapso.
Pensando nisso, existiu algo:
Na semana passada eu andava com ela em Grenoble, no centro da cidade,
numa hora que havia muito tr�fego;
ela repetiu v�rias vezes:
Para onde todos esses carros v�o, Para onde todos esses carros v�o?
Bem.
Vou te deixar - te pegarei �s seis, eh?
D�-me um beijo...
Adeus.
Adeus.
E tenha cuidado, Thomas, eh?
Oi, pai.
- Tenha cuidado, eh? - Adeus.
Adeus.
- Bernard? - Sim.
Bernard, venha c�.
Sim.
Escute.
Voc� me conhece o bastante para saber que...
me envolvi em coisas que n�o me dizem respeito,
...mas tenho de falar delas com Mathilde.
N�o, por favor, eu imploro,
Eu n�o quero falar daquela pessoa.
Mas vou falar:
Eu fui visit�-la na cl�nica...
...esta tarde.
ela est� derrotada.
N�o � dif�cil entender que ela melhoraria com a sua visita.
Voc� pode falar...
desapegadamente sobre tudo, n�o?
N�o, acredite-me, eu a conhe�o h� mais tempo que voc�;
acredite, se existe algu�m que pode fazer algo por ela,
com certeza n�o sou eu.
- Voc� est� errado, Bernard. - N�o, n�o estou. . .
Voc� tem de ir.
N�o Mathilde.
Por favor, eu te imploro:
n�o insista, certo?
Foi voc� quem me chamou?
Tem um homem te procurando.
Quem �?
Eu n�o sei, n�o falou o nome.
Eu j� te disse tudo;
agora sabe tanto quanto eu.
Voc� pode dizer o que quiser,
mas sei que quando eu bater na porta e entrar no quarto,
bastar� olhar para ela e eu saberei...
...que n�o sou eu quem ela espera.
� aqui, sr.
Obrigado.
Boa noite, Mathilde.
Quer que eu fique?
Ou devo ir?
Nenhum dos dois.
Ol�, Thomas.
Ol�, pai.
Oi.
Pergunte por que estou atrasado.
Por que est� atrasado?
Philippe Bauchard
Ele veio me ver:
Ele insistiu que eu fosse visitar Mathilde.
Ela ainda est� na cl�nica, e acabou de sair do tratamento de sono.
Sim, eu sei.
E ela est� melhor?
N�o, ela n�o est� muito bem.
O doutor sugeriu tratamento de choque, mas
Philippe recusou.
Na minha opini�o ele est� certo.
O choque el�trico te faz esquecer coisas desagrad�veis,
mas deixa sua marca.
Deve ter sido bom para ela te ver, n�o acha?
Eu tentei falar com ela, mas ela n�o me respondeu.
Eu prometi a Philippe que eu voltaria, mas
eu acho que n�o est� dando certo.
Bem, se eu fosse voc�, Bernard, eu voltaria.
Porque em tais casos n�o d� para saber
...ao que ela responde ou n�o.
Ela amou aquele homem apaixonadamente,
e quando ela soube que ele estava partindo para Nova Caledonia,
ela decidiu:
Esperarei por ele o tempo que ele quiser.
E foi naquela exata hora que eu decidi matar minha m�e.
O que?
Eu queria ver se estava prestando aten��o.
De volta � est�ria da Sra. Jouve:
Quando ela soube que seu amante havia se casado em Nova Caledonia,
ela abriu a janela - ficava no s�timo andar -
e jogou-se no vazio.
Ela sobreviveu por causa de uma porta de vidro que amorteceu a queda.
H� vinte anos.
Agora ela anda com uma pr�tese na perna direita.
O que diz disso?
Bem, ela teve sorte.
Poderia dizer afortunada.
Claro, ela foi afortunada.
Ela teve a sorte de viver,
talvez de amar outro homem.
A vida tem mais imagina��o que n�s,
e acredito que n�o te ensina nada.
Voc� pode amar ou ser amado uma segunda vez.
Mas precisa saber como ser amado.
E eu n�o valho nada.
Apenas nada.
Existe algo em mim que faz com que as pessoas me rejeitem.
Seu marido n�o parece te rejeitar.
Meu marido me ama.
Ele � como voc�,
finge me escutar;
Ele me diz: "Voc� deveria virar a p�gina",
mas n�o sabe que ele pesa 100 kg.
N�o. Ningu�m se interessa por mim.
Te pagaram para fazer isto.
Se o que est� escrito nos livros for verdade,
Eu deveria apaixonar-me por voc� agora mesmo,
mas n�o me afeta;
est� claro que existe algo nesse tratamento que n�o funciona.
Sil�ncio, n�o fale.
Seja �til ao inv�s de bancar a enfermeira
e troque as baterias do r�dio.
As novas baterias est�o ali.
Hora dos rem�dios dela.
Obrigado.
Incr�veis, estas p�lulas.
Voc� as subestima.
Veja: esta te d� fome,
esta te faz dormir por no m�nimo 5 horas,
e esta te faz sentir-se feliz.
Oh sim. Tome duas p�lulas e estar� rolando na cama, rindo.
Voc� deveria experiment�-las.
N�o obrigado, sinto-me bem.
Mesmo?
Como est� a Sra. Jouve?
Ela est� bem. Muito bem.
Quando voc� vem me visitar fica muito entediado, n�o �?
N�o, n�o � verdade.
N�o, de modo algum.
O r�dio agora funciona.
Vejo que se interessa pelas not�cias, no que est� acontecendo no mundo.
N�o,
Apenas escuto as can��es,
porque falam a verdade.
Quanto mais est�pidas, mais verdadeiras.
Ent�o n�o s�o est�pidas.
Do que elas falam?
Elas falam: ''Voc� n�o deve me deixar,
sem voc� n�o tenho vida,
sem voc� eu sou uma casa vazia''
ou ''deixe-me ser a sombra de sua sombra,''
ou:
''sem amor somos nada. ''
Bem, Mathilde,
Tenho de ir agora.
Logo voltarei.
N�o se preocupe comigo, Bernard,
n�o importa.
Voc� tamb�m pode dizer a todos:
Est� acabado,
a louca voltou ao normal de novo.
Thomas!
Thomas.
Vamos para casa, Thomas. Vamos.
Bom dia, Philippe.
Bom dia, Arlette. Est� feito.
Ent�o achou uma?
- O que? - Uma casa.
Ah, sim, um apartamento no centro, muito bom.
- Ah, bem. - Ent�o.
E Mathilde est� melhor?
Ah, sim, est� muito melhor, ela deu a volta por cima.
Bom dia, Mathilde, ent�o!
� um lindo dia!
Bem, eu vi o m�dico:
est� tudo bem.
Oh, vejo que n�o se esqueceu de nada.
Minha camisa favorita.
Sim, mas est� meio velha, ent�o eu trouxe tamb�m a azul.
N�o, n�o. Mesmo velha eu prefiro a camisa branca.
Porque � branca.
Bom, vejo que at� pensou num casaco.
Como quiser,
Devo usar a saia reta ou a pin�ada?
Eu gosto da pin�ada.
Tire-me daqui.
Leve-me para casa, meu amor.
Preciso falar com voc�.
Espere, espere.
Venha.
Quando o carro da pol�cia chegou, estava amanhecendo.
E, como era previsto, a ambul�ncia j� estava l�.
Eles entraram e sa�ram com duas macas.
O legista declarou:
Encontramos deitados ao sol
os corpos de um homem e de uma mulher.
O homem estava deitado sobre o corpo da mulher, com as pernas entre as dela.
Nota-se atr�s do ouvido o buraco da bala.
Um pouco de sangue escorreu do buraco, agora coagulado.
Achamos uma ferida id�ntica no rosto da mulher,
feita com a arma que ainda est� em sua m�o.
A mulher est� de costas, com as pernas abertas.
A saia levantada permite ver a parte de cima de suas coxas.
A cabe�a est� virada para a janela que d� para o jardim.
A morte foi instant�nea,
e provavelmente aconteceu por volta das 5:30 a.m.
Considerando a posi��o de seus corpos,
parece que o homem e a mulher...
tiveram rela��es sexuais logo antes de morrerem.
Creio que os corpos de Mathilde e Bernard
...n�o ser�o enterrados juntos.
Se eu pudesse escolher um epit�fio para ambos,
sei muito bem o que escreveria:
"Nem com voc�, ou sem voc�."
Mas ningu�m perguntar� por minha opini�o.
Tradu��o e legendas: Daniel Augusto e Gianfranco Marchi
MOVIMENTO CINEMA LIVRE
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.