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Tudo bem, mundo? � o dia 2 de outubro.
Estou atualmente em Manhattan, Nova Iorque.
Amanh�, vou falar para um j�ri de instru��o
sobre o meu antigo emprego na Combs Enterprises.
Phil, podes dar-me 20 Xanax, por favor?
Preciso da minha mala Gucci aqui.
Phil, podes vir arrumar isto? N�o parece nada luxuoso.
O cogumelo...
Preciso de dez Adderall. Preciso de Cialis.
Phil, preciso de um plano B.
Temos mais chocolates?
Porque ela vai precisar de um chocolate em breve.
Tudo isto tem sido
uma montanha-russa psicol�gica e emocional para mim.
Eu lixo-os a todos, podem crer!
� um bocado enervante. Pode ser muito assustador.
N�o se pode escapar a isto, porra.
Sabemos o que esta pessoa � capaz de fazer.
N�o vou ser transparente para voc�s nem para ningu�m.
Tudo o que eu quiser que as pessoas saibam, eu digo-lhes.
Voc�s est�o no processo do que vos estou a permitir ver.
H� s�tios escuros aonde voc�s, sacanas, n�o querem ir.
Fiquem onde est�o.
De certa forma, segue-nos. Segue-nos para todo o lado.
Ainda estou a lidar com as consequ�ncias de tudo isto.
Claquete.
No entanto, tudo o que posso fazer � dizer a minha verdade.
Aqui estou eu.
Fiquem atentos para mais.
O meu nome � Phil Pines.
Era assistente executivo s�nior de Mr. Combs.
Comecei em dezembro de 2019
e terminei em dezembro de 2021.
A raz�o por que quis contar a minha hist�ria
foi para garantir que o Sean Combs e pessoas como ele
n�o podem fazer este tipo de coisas a mais ningu�m.
Apresentou uma queixa contra Sean Combs e Kristina Khorram.
Gostar�amos de discutir algumas dessas alega��es pessoais.
Agress�o Sexual
Tr�fico Sexual
Viol�ncia de G�nero
� dif�cil vir aqui, sentar-me consigo
e falar sobre estas situa��es,
porque ele era algu�m que eu admirava.
A primeira vez que falou comigo, perguntou: "O que fazes aqui?"
Eu disse: "Mr. Combs, trabalhar para si � um sonho meu.
Eu quero estar aqui. Como assim?"
Essa era a verdade. Eu queria trabalhar para ele.
Dizem sempre
que, por vezes, quando conhecemos os nossos her�is,
eles desiludem-nos.
Quando comecei a trabalhar para o Mr. Combs, foi fant�stico.
Senti-me como se estivesse com uma das pessoas mais poderosas do mundo
no que diz respeito � cultura.
Ele foi t�o influente para toda a gente.
Por isso, inicialmente, foi muito empolgante.
Miami era como um parque de divers�es para Mr. Combs.
Ele gostava de clima quente.
A casa ficava na ba�a, em Star Island.
Eu era um assistente pessoal,
algu�m que tratava das coisas do dia a dia,
fazendo-lhe as malas, tratando dos telefonemas,
preparando-o para reuni�es.
Uma noite, ele veio ter comigo
e deu-me uma longa lista de objetos que queria para o quarto.
Foi nessa noite que compreendi o tipo de miss�o
e o que seria potencialmente a minha responsabilidade no futuro.
A Noite de Wild King foi algo que me foi enviado por mensagem.
Comecei a perceber o contexto disso.
Podia-se juntar as pe�as e compreendia-se tudo.
A Noite de Wild King � a mesma coisa que o "freak-off"?
S�o o mesmo evento com nomes diferentes?
S� ouvi falar dos "freak-offs"
quando surgiu numa das primeiras reivindica��es
apresentadas ao p�blico. N�o tinha ouvido falar desse termo.
Ent�o, tanto quanto sabe,
estas eram sempre designadas por Noites de Wild King?
Sim, Noites de Wild King.
O Diddy tamb�m � conhecido
por estas festas extravagantes cheias de estrelas.
As Noites de Wild King aconteciam nestes eventos cheios de estrelas?
Penso que h� uma diferen�a e uma disparidade
entre o que as pessoas pensam que eram,
ou seja, que havia centenas de pessoas nestas atividades,
o que n�o foi a minha experi�ncia.
Quantas pessoas estariam normalmente presentes?
� um grupo pequeno de pessoas. Um grupo muito �ntimo de pessoas.
O que � que ele exigiria para uma Noite de Wild King?
Normalmente t�nhamos uma lista de artigos que inclu�a luzes,
�lcool, marijuana,
cetamina, ecstasy.
Temos cogumelos no topo.
- O c�digo do cofre era 1234? - Sim.
O �leo de beb� e o lubrificante eram muito importantes.
Velas, incenso, Apple TV,
eletr�nica, computadores, iPads.
Havia suplementos para a libido masculina, coisas assim.
Esses pedidos come�aram a tornar-se mais frequentes.
Come�aram a ocorrer diariamente.
Era um requisito, t�nhamos de manter essas coisas em stock.
Phil, podes ir l� acima ajudar-me a instalar a luz vermelha?
Eu recebia muitas mensagens de voz do Diddy.
- Com que frequ�ncia? - Diariamente, de hora a hora.
A cada cinco minutos. A cada cinco segundos.
Pediram-lhe para levar coisas ao Diddy numa Noite de Wild King,
enquanto esta estava a decorrer? - Sim, sem d�vida.
Phil, preciso de Cialis.
Podes trazer-me 20 Xanax, por favor?
Phil, preciso de um plano B.
Preciso de dez Adderall.
C�psulas de cogumelos, microdose. Podes trazer, por favor?
O que via quando entrava no quarto?
N�o se passaria nada quando entrava no quarto.
- Mas haveria pessoas l�? - Sim.
O que � que nos pode dizer sobre os convidados?
Muitas vezes, eram raparigas que estavam um pouco fora do radar
e que n�o tinham muita influ�ncia.
Penso que isso reflete o tipo de situa��es
em que as pessoas eram colocadas.
Muitas vezes, ele estava com uma rapariga mais nova.
H� a� uma din�mica de poder.
Uma rapariga mais impression�vel � mais f�cil de convencer
do que algu�m que pode ser uma celebridade
e que n�o vai fazer muito disso ou vai resistir.
- Qual a idade, quando diz novas? - Casa dos 20.
Em termos das acusa��es criminais que Diddy enfrenta,
a equipa dele disse que ele n�o infringiu nenhuma lei.
Eram adultos que consentiram.
Que ele enfrentar acusa��es criminais por causa disto
mostra que o governo � sexista, puritano e r�gido.
E que ele estava s� a divertir-se. Eram adultos que consentiram.
O que acha do argumento? Estava s� a divertir-se como estrela de rap
ou acredita que foram violadas leis?
H� festas e depois h�... festas.
Na minha experi�ncia...
Eu n�o estava nessas salas quando essas coisas estavam a acontecer.
O consentimento � entre as pessoas que se est�o a envolver.
Eu n�o estava presente para compreender o consentimento.
Havia convidados que vinham frequentemente participar
nestas situa��es �ntimas.
Por vezes, viam-se caras novas.
Por vezes, viam-se caras novas e depois n�o se voltava a v�-las.
Uma vez, o Diddy disse-me para ir buscar as malas de uma convidada,
lev�-la para o carro e conduzi-la ao hotel.
N�o sei o que aconteceu.
S� posso dizer que quando a levei para o carro,
ela estava a tremer.
Fisicamente abalada.
N�o estava nada como estava na noite anterior.
Ela disse algo como: "Nunca fiz nada assim antes."
Viu o Diddy a tornar-se violento? Alguma vez testemunhou viol�ncia?
Sim, fui testemunha de viol�ncia.
Lembro-me de uma vez em que o vi agredir uma das convidadas
na sua casa na Florida.
As coisas estavam a aquecer, eles estavam a discutir muito.
Ele praguejou com ela. "Eu disse-te que era louco."
Deu-lhe um pontap�, ela caiu no ch�o, deu-lhe outro pontap�.
Ele diz-lhe para tirar a camisola.
Ela tirou e atirou-lha. Ela estava em topless.
Eu pensei logo que tinha um casaco vestido
e peguei nele e cobri-a, meti-a no Uber e ela foi para casa.
- Voltou a v�-la? - Sim.
Ela recebeu uma chuva de presentes.
A minha supervisora direta, Kristina, sabia o que ocorrera.
A Kristina disse-me para nunca mais falar sobre o assunto.
A Kristina era a sua gestora do dia a dia.
Acabou por se tornar na chefe de gabinete.
Toda a gente a esse n�vel tem um bra�o-direito.
Algu�m a quem se podia confiar tudo, do pessoal ao profissional,
do bom ao mau. Parecia um casamento.
E esta � a minha alma-irm�.
Por isso, vamos... Vamos brindar a ti, alma-irm�.
Muitas vezes, as instru��es vinham dela.
O PD precisa de palitos.
S� vi Clonozapam e Ciallis no saco. Dei essas quantidades.
2 Angel Rose. 1 Lubrificante. 2 �leo de Beb�. Podes trazer.
O PD precisa do seguinte:
4 cocos novos
7 frascos de �leo de beb�
7 frascos de lubrificante
A Apple TV
Podes ter de ir � loja de adultos. D� a morada ao seguran�a.
Noite de Wild King. Prepara o saco. Trata do hotel daqui a duas horas.
� um telem�vel novo. Acho que hoje � Noite de Wild King.
O PD precisa de uma limpeza de emerg�ncia no hotel.
Estas s�o mensagens que forneceu, em que diz que Kristina Khorram disse
que ia precisar de uma limpeza de emerg�ncia no hotel.
Porqu� limpeza de emerg�ncia? O que � que isso significa?
Significa que ele destruiu o quarto de hotel.
Quanto mais tempo ele estiver l�, mais intensa vai ser a limpeza.
Phil, podes vir arrumar isto? N�o est� a parecer luxuoso.
Para mim, essa foi uma das coisas mais dif�ceis de fazer.
Quando l� chegamos e vemos os estragos, vemos as manchas,
vemos os fluidos corporais, vemos os preservativos usados,
vemos o �leo de beb� meio usado,
o lubrificante a escorrer pelo frasco quando temos de o apanhar.
Vidros partidos, urina, sangue...
N�o era invulgar haver...
... manchas nos m�veis,
manchas nos len��is, que precis�vamos de remover.
Traz bicarbonato de s�dio. E um secador de cabelo.
S� podemos imaginar o que est� a acontecer.
� nojento.
Afeta-me um pouco, porque o cheiro do �leo de beb�
� algo que nunca mais quero ter de cheirar.
Ele est� aceso. Mas ainda a vibrar. Avisa quando chegares ao Mapleton.
- A limpeza vai ser de doidos. - Chamo-lhe festa de �leo de beb�.
N�o estou a brincar, pod�amos escorregar,
porque havia �leo de beb� no ch�o.
Havia �leo de beb� � volta da banheira
e havia uma banheira cheia de �gua.
Se esticasse a m�o para tirar a tampa do ralo,
sentia-se que o �leo de beb� estava na banheira.
Algo que os agentes federais disseram no caso
� que estes acontecimentos foram gravados.
Alguma vez viu provas de grava��es de v�deo?
Sim, estava nos dispositivos dele
que eram o iPad, o port�til e at� o telem�vel pessoal.
Eu tinha acesso a tudo.
Via as pessoas a envolverem-se em atividades sexuais.
Alguma vez viu o Diddy a envolver-se em atividades sexuais?
N�o o via a participar, mas via-o a realizar.
Normalmente � ele que est� a filmar. Pela minha experi�ncia.
Recebia instru��es para apagar estas coisas.
Hist�rico de pesquisa online. Apagar isso.
Eliminar todas as fotos e v�deos que possam estar nos dispositivos.
Se algum dos familiares dele visse isso,
se algum dos seus parceiros ou executivos quisesse usar o iPad
para fazer uma apresenta��o, n�o podiam ver nada daquilo.
Podia-se facilmente ver isso quando se usava esses dispositivos.
Era esse o meu trabalho.
Proteger a sua vida privada do p�blico.
Alguma vez sentiu que estava a ajudar o Diddy?
Ou alguma vez se sentiu c�mplice ou respons�vel de alguma forma?
Quando se trabalha para algu�m assim,
est�-se a confiar que a sua autoridade � s�lida
e que � capaz de tomar decis�es.
A b�ssola moral era obviamente algo que eu estava a questionar
quando comecei a conviver com ele.
Lembro-me dessa altura, como me sentia e como estava.
Era muito evidente que eu n�o estava bem fisicamente.
Muito magro. Muita gente perguntava-me se eu estava doente.
Estava a esfor�ar-me ao m�ximo porque era essa a expetativa.
N�o conseguia pensar por mim pr�prio
porque tudo girava � volta dele e do trabalho.
Qu�o importante era a lealdade para o Diddy?
Tudo. N�o se chega t�o perto dele sem ganhar a sua confian�a.
Alguma vez o testou ou tentou obrig�-lo a provar o seu valor?
Sim.
Algo que nunca esquecerei.
Acho que a minha vida mudou muito a partir desse dia
e nunca mais recuperei disso.
Neste incidente em particular, ele tinha estado a beber o dia todo.
A festa e grupo de pessoas foram-se tornando cada vez mais pequenos,
condensando-se em apenas algumas pessoas.
E ele pediu para preparar o ambiente l� em cima.
O ambiente s�o as luzes, o �lcool, as drogas,
as coisas que ele gosta de usar quando quer borga.
Isso n�o era invulgar. Senti que era algo normal.
mas isso mudou muito rapidamente.
Bebi um shot com ele, com o grupo,
o que, mais uma vez, n�o era invulgar.
Era raro, mas n�o era invulgar beber um copo com ele de vez em quando.
Era a sua forma de se certificar de que nos sent�amos confort�veis.
Depois, volt�vamos para o escrit�rio, sent�vamo-nos
e �ramos novamente chamados � sala.
Outro shot. Ele j� est� fora de si, nessa altura.
D� para ver. Est� numa forma rara, como n�s diz�amos, forma rara.
N�o faz mal. Leva o tempo que quiseres.
Lembro-me de ouvir as palavras: "Prova a tua lealdade ao Rei."
Agarrou-me pelos ombros, fez-me uma massagem r�pida,
como um treinador faria a um jogador prestes a entrar no jogo.
E deu-me um preservativo.
Empurrou-me para uma rapariga que estava no sof�. Uma convidada.
Congelei antes de acontecer. N�o sabia o que estava a acontecer.
Ent�o, no momento, s� pensei...
"O qu�? Isto � divertido para ele?
"� um teste? � para entretenimento?
Ele sabe que est� mesmo a fazer isto? Est� assim t�o b�bedo?"
Eu n�o sabia o que fazer.
Ela deu-me o consentimento.
Acenou com a cabe�a, e eu atuei um pouco
e sa� de l� a correr assim que deixei de o ver.
Porque n�o disse logo que n�o?
Ningu�m sabe o que � estar nessa situa��o at� estar nessa situa��o.
Ouvi falar de agress�es f�sicas a anteriores empregados.
Vi como ele ficava zangado e chateado com a m�nima coisa.
E pensei para mim pr�prio...
"Se n�o fizer isto, n�o sei o que vai acontecer."
Phil, foi essa a �nica vez que ele o obrigou a passar dos limites?
Sim. Em termos de participar nesse tipo de atividade, sim.
Tive uma grande sensa��o de remorso ap�s essa situa��o.
Desde o in�cio.
Eu queria contar a algu�m, mas havia tanta coisa em jogo.
Eu sabia que se dissesse alguma coisa, uma bomba iria explodir.
Escondi isso de toda a gente.
Incluindo a minha cara-metade, a minha fam�lia
e outros empregados.
Venho de um meio crist�o e apoio-me muito nessa moral.
Desculpe.
Ele apanhou-me. Ele apanhou-me.
Era um circo.
Ele fazia o que queria e n�s est�vamos � sua disposi��o.
Poder para o povo! Digam-no. Poder para o povo.
Poder para o povo!
Ele � um predador.
E digo-o num sentido sexual.
Digo-o num sentido manipulador.
Um aplauso para n�s.
Ele tem uma capacidade inata para nos fazer sentir confort�veis
e para nos levar a fazer por ele coisas que nunca far�amos.
Quando as luzes se apagam e as luzes vermelhas se acendem,
parecia diferente, uma presen�a sombria, pesada.
Essa foi a minha experi�ncia, foi a experi�ncia de toda a gente
que o conheceu para al�m das luzes e das c�maras.
Espero que a minha hist�ria e a minha verdade
possam ajudar outros a chegar � luz.
Porque � tudo escuro � volta dele.
Muito escuro.
Resposta da equipa jur�dica de Sean Combs aos produtores:
"Mr. Combs nunca agrediu nem traficou ningu�m sexualmente.
"Felizmente, h� um sistema judicial justo e imparcial
para apurar a verdade."
Kristina Khorram recusou fazer qualquer coment�rio,
mas j� negou anteriormente alega��es semelhantes.
Se sofreu viol�ncia dom�stica ou abuso sexual e precisa de ajuda,
contacte os servi�os de apoio � v�tima.
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