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Este programa cont�m descri��es de abusos e viol�ncia sexuais
que poder�o ferir a sensibilidade do espectador.
Eu n�o disse ao Sean que ia dar esta entrevista.
N�o quero que as pessoas vejam isto
como um favor que lhe estou a fazer.
Somos apenas grandes amigos.
Um dia, eu e o Sean fomos at� � casa da minha m�e.
Os meus pais adoravam jogar "blackjack".
Estavam todos � mesa, a jogar, at� que nos veem a entrar.
J� �ramos um pouco famosos. As r�dios passavam uns discos nossos.
Eles dizem-nos: "Venham jogar. N�s sabemos que t�m dinheiro."
O Sean n�o sabia jogar.
Jog�mos uma partida com eles. As cartas est�o a ser distribu�das.
O Sean n�o sabia que s� podia virar uma carta.
Como ele tinha as cartas � mostra, toda a gente se riu.
"Esconde as tuas cartas. N�o estejas a mostr�-las."
Ele perguntou-me: "A minha m�o � boa?"
E eu: "Sim, n�o te preocupes. Vais ganhar na certa."
E ele: "Como assim?" E eu: "Vais ganhar. Tens 20.
"Para ganhares, precisas de fazer 21."
E ele: "A s�rio? Vou mesmo ganhar o jogo?"
E eu: "N�o � garantido, mas tenho quase a certeza."
E ele: "Mas eu quero a garantia. D�-me outra carta."
Toda a gente lhe diz: "Est�s doido?"
D�o-lhe outra carta e sai um �s.
Vinte e um.
Todos se passam e dizem: "N�o acredito! Quem � este mi�do?"
Pegou no dinheiro todo, guardou-o e fomos embora.
Come�am a pedir-lhe para voltar.
E ele: "N�o, eu ganhei."
Quem � que faz aquilo? O Sean era assim.
Ou vai ou racha.
Ele era mesmo assim. Sem tirar nem p�r.
FUTURO MAGNATA DO RAP S� TEM 24 ANOS
DIDDY � OFICIALMENTE BILION�RIO
PRODUTOR: HEI DE VER O PUFFY NA PRIS�O
DIDDY ACUSADO DE VIOLA��O E ABUSOS
DIDDY PRESO AP�S PROBLEMAS LEGAIS
Sean Combs. Ningu�m o pode subestimar.
Ele tinha vida de gato.
- Tinha sete vidas? - Sete? Era bom...
Aquilo que aconteceu na vida do Puffy
foi o resultado de um tremendo sucesso.
E esse tremendo sucesso � um paradoxo de poder.
� como o "yin" e "yang".
Para conseguirmos coisas boas,
temos de adotar um ar confiante de que conseguimos coisas boas.
O Puffy criou um culto de personalidade.
Depois do tiroteio na discoteca, quando foi absolvido,
ele reformulou a sua imagem.
N�o me cinjo a um nome.
Mudou o nome art�stico para "P. Diddy".
Queria fazer uma separa��o clara entre o seu passado e o seu futuro.
Eu n�o sigo as regras, eu crio as minhas regras.
O Puff queria limpar a sua imagem de bandido.
Ele mudou de nome.
Mas ter� mudado por dentro?
Ele tinha a imprensa estudada.
E sabia que ela era importante para manter a sua imagem.
Tenho um an�ncio importante: vou fazer a maratona de Nova Iorque,
para ajudar e dar a conhecer tr�s obras de caridade.
Sean Combs come�a a fazer uns golpes publicit�rios.
Nas elei��es de 2004,
� a cara da campanha "Vota ou Morre".
Estas elei��es s�o decisivas. Votar vai passar a ser fixe.
Come�a a confraternizar com o futuro presidente Obama,
quando este come�ava a ficar popular.
Gostava de mostrar o meu agradecimento a Puff Daddy,
por fazer o que tem feito.
Ele n�o precisava de o fazer.
Sean Combs entra numa reencena��o de "Um Cacho de Uvas ao Sol",
uma das primeiras pe�as da Broadway produzida por uma mulher negra.
Sean "P. Diddy" Combs conquista a Broadway.
Combs conseguiu limpar a imagem.
Este homem � capaz de tudo.
Nos meios de comunica��o, era visto por muita gente
como uma pessoa de cor de confian�a.
Na altura, houve um "boom" de "reality shows".
Havia uma data de "realities" competitivos
com magnatas de diversas �reas da cultura.
Era uma competi��o para dizerem que trabalharam para o Trump.
Ou para a Paris Hilton.
Ou para o Diddy.
Fui realizador, diretor de fotografia
e produtor de "I Want to Work for Diddy".
Eles querem viver o sonho, mas v�o ter de se esfor�ar.
"Eu Quero Trabalhar para o Diddy."
Fiquei espantado quando soube que ia dirigi-lo num programa.
Um narcisista s� trabalha com narcisistas.
O sucesso do programa deveu-se a isso, a meu ver.
Exp�s o narcisista que o Diddy era.
O �ltimo epis�dio do programa come�a no London Hotel.
Na su�te presidencial novinha em folha e imaculada.
Eu ia falar com o Sean e planear o "mise-en-sc�ne".
Eu e o assistente de realiza��o batemos � porta.
Entro e, � minha direita, vejo uma escadaria imponente.
Espero uns cinco minutos, at� que ele desce de robe.
O robe est� aberto. Ele estava despido. Todo nu.
Como se nada fosse.
Ele sabia que est�vamos ali, � espera.
Pensei: "Ena, algu�m daquele n�vel �, realmente, capaz de fazer
e de dizer tudo o que lhe apetece. Ponto final."
Todos o viam como um magnata.
Era o homem que realizava os nossos sonhos.
Mas, depois, tinha uma outra face. Uma face n�o muito apropriada.
Nunca contei a minha hist�ria
de uma forma sincera e sem qualquer omiss�o.
Eu era uma das cinco integrantes
do grupo feminino Danity Kane,
na terceira s�rie de "Bandas Fabulosas".
No programa, Diddy procurava o pr�ximo grupo pop de sucesso.
Na primeira semana, o primeiro �lbum atingiu o primeiro lugar da tabela.
Fic�mos acima da Christina Aguilera e dos OutKast,
com o nosso primeiro "single", "Show Stopper".
Adoro que ainda haja f�s a ouvir as Danity Kane.
�-me dif�cil n�o estragar a vossa experi�ncia...
... e, ainda assim...
... partilhar convosco aquilo por que passei.
E n�o foi um mar de rosas.
Hoje, algumas daquelas m�sicas fazem-me recordar...
... mem�rias horr�veis.
Regresso �queles espa�os sombrios e assustadores aonde me aliciaram
e ouvia algu�m a dizer-me
as coisas mais humilhantes.
Eu tinha apenas 20, 21 anos, estava a descobrir o que era a vida.
Eu fazia de tudo para que ele n�o me magoasse.
Uma vez, ele pediu uma "webcam"
s� para que pudesse ver-nos a experimentarmos roupa.
Ele vai apontar uma "webcam"
para o Diddy avaliar a nossa roupa.
Era psicologia perversa.
Isto aconteceu logo no in�cio.
Ele ia uma a uma e comentava o nosso estilo.
E quando chegou a minha vez, ele n�o comentou as minhas roupas.
Fala-me dessa barriguinha. N�o achas que est�s cheiinha?
Comparada com mi�das franzinas, � claro que parecia cheiinha.
Tenho feito umas corridas.
N�o � dif�cil parecer gorda ao lado de magricelas.
O Puff s� dizia: "Mais um hamb�rguer e sais.
Tens no��o disso, certo? Mais um hamb�rguer e sais."
Eu tinha de concordar com ele.
"Mais um hamb�rguer e sais."
Eu n�o podia fazer mais nada sen�o aceitar,
levantar a cabe�a e deix�-lo dizer o que quisesse.
O Diddy era aquele patr�o apologista de amor firme.
Mas ao revisitarmos o "Bandas Fabulosas",
torna-se evidente a gordofobia,
os insultos e a intimida��o.
Ele tratava algumas de n�s de uma forma diferente.
Sobretudo a Aubrey.
A Aubrey destacava-se como uma das estrelas.
Os f�s adoravam-na.
Ele era agressivo e intimidante com ela.
Ele chegou a perguntar-lhe: "O que tens a dizer?"
Aubrey, n�o dizes nada?
Quando n�o estou c�, tens muito paleio. Fala l�.
As picardias entre o Puff e a Aubrey
eram muito constrangedoras para quem estava presente.
Ele tinha um feitio muito dif�cil. Era uma tortura.
N�o propriamente o trabalho, mas, sim, o resto.
Lembro-me de ela partilhar comigo...
... que ele lhe tinha enviado...
... fotografias muito inapropriadas.
Vi muitas das coisas que ele lhe enviava.
Mensagens de �ndole sexual.
Mensagens extremamente...
Coisas pornogr�ficas, que ele gostava de lhe fazer.
Ela perguntava-me: "E agora, o que fa�o?"
Lembro-me de lhe dizer:
"Amiga...
"Guarda tudo numa pasta e envia � tua m�e.
Guarda tudo."
Eu e a Aubrey fomos a Nova Iorque, � Semana de Moda.
A Aubrey veio ao meu quarto de hotel.
Disse-me que se tinha cruzado com o Puff.
Ele puxou-a para perto e disse-lhe:
"Agora que �s toda boa, j� posso comer-te.
"J� posso comer-te."
Foi chocante.
Naquele momento...
... a minha barriga come�a a dar voltas.
S� conseguia pensar...
... que est�vamos numa situa��o horr�vel.
At� que nos convocaram para uma reuni�o obrigat�ria.
Pens�vamos que as filmagens tinham acabado para n�s.
S� consegu�amos pensar...
"Que merda vem a ser esta?
"O que vai acontecer amanh�?"
Entr�mos na cova do lobo.
Chegamos aos escrit�rios da Bad Boy.
Estamos na sala de reuni�es.
Fazia lembrar "O Aprendiz" com Donald Trump.
Isto n�o � o que tinha idealizado para o grupo. Fa�o-me entender?
As meninas das Danity Kane sentaram-se � mesa
e o Puff come�a a dizer que a Aubrey � prom�scua
e que n�o gostava da imagem e do corpo dela.
N�o gosto da imagem que passa quando decide divertir-se
e tem atitudes prom�scuas.
O Puff expulsou a Aubrey.
Quero-te fora do grupo.
E diz-me o mesmo.
E a ti tamb�m.
Acredito que ele a tenha despedido por duas raz�es:
primeiro, porque ela rejeitou as insinua��es que ele lhe fez;
e, segundo, porque...
... ele queria que ela se sentisse encurralada
e duvidasse de si mesma.
Acredito que tenha sido por isso que ele tamb�m me expulsou.
DIDDY EXPULSA DOIS ELEMENTOS DAS DANITY KANE
AUBREY E D. WOODS EXPULSAS
Na altura, a imprensa
estava totalmente contra as Danity Kane.
Faziam parecer que elas � que eram o problema.
Parecia que toda a gente tinha medo do Diddy.
Se analisarmos a vida dele,
reparamos em ind�cios de viol�ncia,
de agress�o e de intimida��o, que foram surgindo com os anos,
mas que eram varridos para debaixo do tapete,
porque o Diddy era famoso e tinha imenso poder.
Em 2007, a riqueza de Diddy aumenta do dia para a noite.
Sean Combs � um grande �dolo da cultura de luxo atual.
� ent�o que fecha uma parceria importante com a Diageo.
� com orgulho que anuncio uma parceria nunca antes vista
entre mim e a marca de vodca C�roc.
Ele torna-se o s�mbolo da marca
e transcende a pessoa que era antes.
Esta parceria foi muito lucrativa para Diddy.
Mais tarde, publicita tequila da marca DeLe�n.
Durante a sua parceria,
Diageo pagou a Combs mil milh�es de d�lares.
Eu sou o Sonho Americano. Isto faz parte da Hist�ria Negra.
Ele continuou a expandir a sua marca.
Entrou na ind�stria da televis�o com a Revolt TV.
Eu fui diretora de informa��o e pivot de not�cias da Revolt TV.
Boa noite e bem-vindos. Eu sou a Mara S. Campo.
De todos os s�tios onde trabalhei,
aquele foi o �nico onde sentia que podia ser eu mesma.
Houve uma situa��o caricata.
Deixei, no meu gabinete, uma garrafa de tequila Casamigos.
Quando regresso ao gabinete, a garrafa estava no lixo.
Disseram-me que se o Puffy visse uma garrafa de Casamigos,
ou algo que n�o fosse da DeLe�n, ele ficaria piurso.
Para termos um neg�cio de sucesso, temos de cuidar das nossas marcas.
E era o que ele fazia.
Ol� a todos. Espero que estejam bem.
Estamos a dar no duro e sei que voc�s tamb�m...
Amor.
A minha experi�ncia com o Diddy foi bastante positiva,
apesar de n�o termos trabalhado juntos.
Mas o que se ouvia daqueles que trabalharam
� que ele usava as mesmas t�cnicas de medo, intimida��o e coa��o
tanto com colegas de trabalho como com inimigos.
Eu fui chef particular do Puff.
Quando sa�ram as not�cias sobre ele, revisitei esta fase da minha vida.
Durante 17, 18 anos, mantive-me no sil�ncio.
Depois de ler as not�cias sobre ele,
abri uma arca que estava em minha casa,
onde guardei um di�rio com passagens dessa altura.
Voltei a l�-las.
"Ele gritou: 'Sou o rei, c...!'"
H� muitas coisas que apaguei da minha mem�ria.
Comecei a trabalhar para ele no ver�o de 2007.
Sou a chef particular do Sean Combs.
Tinha vinte e poucos anos e estava empolgada com aquilo.
E com o sucesso, o poder e a influ�ncia dele.
Todos queriam estar ligados a ele.
O Puff era o expoente do sucesso.
Chef, Mr. Combs deseja falar consigo.
- O que � a sobremesa? - Fruta.
Ele intimidava-me, sem d�vida.
Tenho aqui algumas passagens do meu di�rio.
"O Puff ralhava connosco, humilhava-nos e maltratava-nos."
"Tinha ataques de ansiedade a toda a hora
e arritmias."
"Fui diagnosticada com alopecia nervosa.
"Comecei a perder cabelo.
"Consultei um cardiologista.
"O meu corpo n�o aguentava tais n�veis de stresse.
"Ele disse-me: 'Se continuar nesse emprego mais um ano,
'acaba morta.'"
Quando falei sobre isto a outros colegas de trabalho,
eles faziam piadas do estilo: "�s uma de n�s! Bem-vinda!
"S� te tornas uma de n�s, quando tiveres um esgotamento."
As expectativas que ele tinha sobre outras pessoas
estavam ao n�vel do seu sucesso.
Ele � daquelas pessoas que n�o para e passa noites em branco.
� assim que ele trabalha.
Mas isso tamb�m se devia ao consumo de droga.
Vi pastilhas de toda a esp�cie. Sei que havia ecstasy.
E �lcool, sem d�vida.
Eu pensava: "Ele s� est� zangado porque a tripe passou. Vou ignorar."
Mas, a dada altura,
o Puff desce as escadas aos berros.
"Estou farto de ti mais essa tua atitude de merda!
Cinge-te � cozinha e cala-te!"
Nesse momento, estamos cara a cara.
Ele espeta-me o dedo na testa e diz-me...
E eu digo-lhe: "Tu n�o me toques!"
Come�o a chorar.
E ele: "Est�s a chorar, �? �?
"Putos a morrer � fome em �frica e est�s tu para aqui a chorar?
S� tens de me fazer comida!"
"Ele gritou-me: 'Rua, j�!'"
Ele estava a ficar cada vez mais furioso.
Eu l� me afasto e abro o frigor�fico.
Lembro-me de ele dizer: "�s marada da cabe�a!"
Fecho o frigor�fico com for�a e digo: "Sim, eu � que sou marada.
Ali�s, eu despe�o-me!"
"Despe�o-me!"
Depois de lhe dizer aquilo, ele fica ainda mais furioso.
Ele diz: "Ai de ti que te v�s embora!"
Depois, viro-me e mando-o � merda.
Nesse momento, ele usou toda a sua for�a
e empurrou-me violentamente.
"... agarrou-me." "... empurrou-me para l� da porta..."
Eu saio a voar da cozinha
e caio de cotovelos e rabo no ch�o.
Ligo para a empresa e digo: "Vou processar este gajo."
Foram compreensivos, mas disseram-me:
"Se o processares, a tua carreira termina aqui.
"Vais parar � lista negra.
Ele tem poder para tal e f�-lo-� sem problemas."
O Puff metia-me medo.
Por isso, fui guardando coisas que ia vendo,
pois tinha medo que me fizessem alguma coisa.
J� vi o Diddy a envolver-se em incidentes violentos com mulheres.
Cheguei a dizer-lhe: "Acho que tens problemas."
Ele vira-se e diz: "Eu tenho l� algum problema, p�!
Estas cabras t�m de perceber quem manda aqui."
De 2006 a 2012,
fui a pessoa que passou mais tempo com o Puff.
Fui o guarda-costas dele.
Para mim, era muito importante relacionar-me bem com o Diddy,
devido ao meu passado.
Como tinha estado preso, para mim, aquilo foi subir na vida.
Outra raz�o para me dar com ele foi o facto de ele ser mais velho.
Era uma quest�o de tempo at� ele ficar mais calmo.
Mas, n�o, ele acordava-me �s quatro ou cinco da manh�
para irmos at� � discoteca.
E ele consumia imenso.
Quando ele consumia droga, aguentava at� tr�s dias seguidos.
Nessa altura, o Diddy respeitava algumas pessoas,
que lhe diziam para procurar ajuda.
E quando ningu�m o avisava, ele entrava em parafuso
e descia por um mau caminho.
A certa altura, em Miami, envolve-se numa briga.
No momento em que estamos a sair, ele come�a a rir-se da situa��o.
Ele diz-me: "Ainda tenho tempo, Bonds."
E eu: "Para qu�?"
E ele: "Ainda tenho dinheiro para pagar por uma briga."
Eu s� pensava: "Ele � maluco.
Ningu�m quer andar � luta e ainda pagar a outras pessoas."
N�s t�nhamos de concordar com tudo o que o Diddy dizia.
Quem n�o concordasse, ele livrava-se da pessoa.
Eu tinha acabado de sair da pris�o, n�o arranjei nada melhor que aquilo.
Predispus-me a fazer vista grossa a algumas das coisas duvidosas,
pois ele dizia sempre: "Devias agradecer por estares aqui."
Ele era um manipulador magistral.
Agora que recordo essa �poca,
todo o respeito que tinha por ele
e toda aquela admira��o inicial acabaram por desaparecer,
porque sei que n�o passavam de uma fachada.
N�o avalio o meu sucesso pelo meu patrim�nio,
mas pelas vidas que consegui mudar
e pelas pessoas �s quais dei oportunidades.
O Diddy sabia muito bem como se apresentar.
Eu, como muita gente, n�o tinha a perce��o
de como ele era sinistro.
Lil Rod foi o primeiro homem a vir a p�blico
divulgar algumas das alega��es de agress�es sexuais.
H� coisas importantes a destacar no processo de Lil Rod.
"Mr. Jones testemunhou e viveu muitas coisas
"que iam al�m do seu papel como produtor de 'The Love Album'."
Eu estava entusiasmado por come�ar a trabalhar com o Puffy.
Sentia que j� estava a ganhar s� por partilhar a sala com ele.
A partir da�, foi sempre a descer.
Mas sabendo aquilo que sei hoje,
eu jamais aceitaria trabalhar com o Puffy.
Chamo-me Rodney Jones Jr. e sou conhecido por Lil Rod.
Produzi "The Love Album: Off the Grid" para o Sean Combs.
Quando trabalhamos para ele, n�o sabemos com quem lidamos.
�s vezes, ele entrava no est�dio
e era o tipo mais porreiro de sempre.
Outras vezes, entrava armado em bandido.
Uma vez, ele perguntou-me quanto lhe cobraria
para produzir o �lbum.
Quando dou conta, ele est� em cima de mim:
"Achas mesmo que me vais cobrar?
"Sou o Puffy Daddy."
"Dou cabo de ti."
Nunca recebi por ter produzido "The Love Album".
At� ao dia de hoje, recebi...
O Puff come�a a amea�ar-me. Ele � mesmo assim.
Um brutamontes engravatado.
O Puffy passou das marcas por v�rias vezes.
"Mr. Combs assediou e agrediu sexualmente Mr. Jones"
Est�vamos na casa de Los Angeles do Puffy,
a trabalhar no est�dio.
Ele diz: "Quero trabalhar na casa de banho. Tragam tudo."
L� peg�mos nos instrumentos e fomos para a casa de banho.
Ele despe-se � nossa frente e entra no duche.
Ele fita-me nos olhos.
Mr. Combs deambulava despido...
A dado momento...
... levo uma palmada no rabo.
... apalpou o �nus e os genitais de Mr. Jones...
Senti-me desconfort�vel e ainda hoje me sinto assim.
... levou-o a aceitar uma rela��o homossexual.
N�o sabia o que pensar ou o que achar sobre aquilo.
N�o quero que aquilo se volte a repetir.
A dada altura, falei disto � chefe de pessoal.
Ela dizia: "N�o ligues. � a forma de ele mostrar afeto."
Ela minimizava a situa��o,
apesar de se tornar frequente.
... desde ent�o, a vida dele sofreu um impacto negativo.
Trabalhar com ele implicava muitos abusos sexuais.
- N�o � f�cil falar disto. - Pois n�o.
Ele n�o se ficou por a�.
O Puffy obrigava-nos a ir � discoteca
e a trazer-lhe um har�m de mulheres...
... para ele ou para com quem se quisesse divertir.
Pass�mos grande parte do tempo a ir a clubes de strip...
... e a levar prostitutas para casa dele.
Muitas mulheres visitavam a sua casa de Miami.
Havia muitas mulheres, muitas festas,
muitas drogas e muito �lcool.
...ecstasy, coca�na, GHB, cetamina e erva...
Por vezes, eu acordava
e, ao meu lado, estavam prostitutas.
E ent�o...
Tudo podia ir dos 8 ao 80 num estalar de dedos.
O que poder� ter acontecido quando acordava com prostitutas?
Tenho a certeza de que algu�m me drogava.
As bebidas eram "minadas".
Eu tinha controlo sobre o que bebia.
Por isso, se eu bebia...
... e acordava sem saber onde estava,
era porque algu�m me tinha drogado.
... Mr. Jones cr� ter sido drogado por Mr. Combs.
Bebiam todos a "receita m�gica do Puffy".
Sinto que me usaram...
... e que abusaram de mim.
S� um monstro � capaz de uma coisa destas.
Combs nega as acusa��es e alega que o processo
"est� repleto de exageros e de acusa��es sem nexo".
Por muito perturbante que fosse o caso de Lil Rod,
surgiram casos ainda mais chocantes.
Este programa cont�m descri��es de abusos e viol�ncia sexuais
que poder�o ferir a sensibilidade do espectador.
Durante todos estes anos, tentei esquecer o assunto.
Mas, passado este tempo todo, ainda me custa.
A cor vermelha traz-me m�s mem�rias.
N�o foi f�cil vestir esta blusa vermelha.
� todo um processo. Quero tentar falar do assunto.
Ouvir m�sica da Bad Boy traz-me m�s recorda��es.
N�o sou capaz de ouvir a voz dele
sem ficar maldisposta.
Aquele monstro...
Em 2000, eu vivia em Queens.
Era uma m�e que se estava a divorciar.
Na altura, a fam�lia era a minha prioridade.
At� que comecei a namorar com um executivo da Bad Boy.
Ele apresenta-me o Sean Combs nos Daddy's House Studios.
Recebeu-me com um: "Ol�! Bem-vinda � fam�lia da Bad Boy."
Era um ambiente alegre e divertido.
Naquela altura, o Diddy era muito brincalh�o,
mas, em retrospetiva, ele fazia muitos coment�rios
que, agora que penso bem, eram muito estranhos.
"N�o deixes a tua mi�da sozinha.
Ela � muito bonita. � uma aut�ntica joia."
Em retrospetiva, ele estava a preparar-me para o que a� vinha.
At� que, em 2001, acontece algo que muda a minha vida.
Eu estava em minha casa.
Recebo uma chamada de algu�m da Bad Boy Studios.
Dizem: "O Puff quer conversar contigo.
O teu namorado voltou a fazer merda."
O facto de ele querer conversar comigo n�o era nada alarmante,
pois t�nhamos tido uma conversa sobre o meu namorado desleixar-se
e para que voltasse aos eixos.
Da� a pouco,
chega um Cadillac Escalade bord� e, sentado atr�s, estava o Puff.
Entrei atr�s e ele diz: "Tudo bem?"
"Vai uma bebida?" E eu: "Sim. O que h�?"
Ele estava a beber de um copo vermelho descart�vel.
Ele d�-me um copo transparente com um ros� White Zifandel.
Quando cheg�mos aos Daddy's House Studios,
comecei a sentir-me tonta, ourada.
Comecei a tocar na cara, porque estava a senti-la dormente.
Lembro-me de sair do Escalade,
a pensar que �amos ao est�dio ter com o meu namorado.
Mas, nesse momento,
cruz�mos um corredor at� uma sala onde eu nunca tinha estado.
Lembro-me de me sentar num sof� escuro.
O Puff sentou-se ao meu lado.
N�o tenho a certeza de quanto tempo fiquei ali.
At� que comecei a ficar confusa e desatei a chorar.
Depois disso, s� me lembro...
... de me arremessarem contra uma mesa de bilhar.
Eu estava nua...
... nessa mesa de bilhar.
Tinha as m�os atadas e atr�s das costas.
Tentei tatear com os dedos...
... o que me prendia os bra�os.
Pareciam sacos de pl�stico.
O Puffy estava ao p� do bar...
... completamente nu.
No bar, havia um frasco.
Ele aplicou qualquer coisa na zona �ntima. Dava para cheirar.
Cheirava a mentol. Ele espalhava a subst�ncia na zona.
Entretanto...
... eu tentava perceber o que se passava ali.
O Puffy veio por tr�s de mim...
... e penetrou o meu �nus.
Eu acabei por vomitar em cima da mesa de bilhar.
E gritei.
N�o me recordo bem...
... se estava a produzir algum som, enquanto gritava,
mas sentia o ardor no meu �nus.
Tentei pontape�-lo,
mas, como sou baixa, os meus p�s n�o chegavam ao ch�o.
Eu tentava pontape�-lo, enquanto me segurava � mesa.
A dada altura, o Puffy para.
Volta ao bar e limpa-se.
Eu vejo-o, ainda amarrada.
Tento memorizar tudo aquilo que consigo ver.
Tento concentrar-me, pois estava confusa.
At� que ele volta e penetra-me na vagina.
E...
N�o me recordo bem do que ele disse ou se estava a falar comigo...
Quando voltei a mim,
eu estava de novo no sof�.
Eu estava toda suja.
V�mito, baba, tudo e mais alguma coisa.
Mas, desta vez, n�o tinha as m�os atadas.
N�o encontrava as minhas cuecas vermelhas.
Lembro-me de vestir o suti�, de voltar a vestir o vestido...
Nem sei se o vesti corretamente.
E corri porta fora. Estava aterrorizada.
N�o queria morrer ali.
Lembro-me de descer, sair para a rua e correr.
N�o via ningu�m. Estava totalmente s�.
Liguei a um taxista que conhecia.
Ele chegou e sentei-me no lugar da frente.
Estava uma l�stima.
O taxista ficou boquiaberto.
Ele disse mesmo: "Que raio te aconteceu?
"Um carro ou um cami�o atropelou-te? Tiveste algum acidente?"
Ele n�o tirava os olhos do meu pulso,
que estava cheio de pisaduras e marcas.
Levou-me diretamente para o Hospital Elmhurst.
Eu n�o era capaz de entrar. N�o me conseguia mexer.
Tinha medo de morrer
e que os meus pais descobrissem.
N�o os queria envergonhar, nem ficar envergonhada.
Tamb�m n�o queria ir � Pol�cia,
pois estava a divorciar-me e a lutar pela guarda do meu filho.
Tudo o que eu menos queria era atrasar o div�rcio.
O taxista tenta convencer-me a entrar no hospital.
Eu s� queria ir para casa.
Queria sentar-me no duche durante uma hora.
Foi o que fiz. N�o parava de me esfregar.
Esfreguei-me at� mais n�o.
Durante tr�s dias,
escondi-me dos meus pais, no quarto da casa que partilh�vamos.
Ainda n�o tinha processado o que acabara de acontecer.
Parecia... surreal.
Depois, comecei a questionar-me: "Porqu� eu?"
Dev�amos ter uma boa rela��o, dev�amos ser amigos.
Ele conhecia-me.
Era tudo o que eu pensava, enquanto me escondia.
Pouco tempo depois, recebo uma chamada.
Era o Puff.
Eu fiquei aterrada.
Ele disse: "V� se ficas caladinha."
E desligou o telefone.
O Puffy consegue saber tudo e fazer as coisas acontecerem.
Eu tinha de fugir de Nova Iorque.
Fiquei fora da cidade durante alguns anos.
Estava devastada, no limite da minha sanidade.
Tentava lidar com o facto de ter sido violada e agredida.
Tentava criar uma crian�a, enquanto combatia uma depress�o.
Tentava aguentar todos os dias para continuar viva.
Porque, naquela altura, n�o me restava nada. N�o...
Nada me dava alento para viver at� ao dia seguinte.
Todos os dias eram uma batalha
para me impedir de me suicidar,
ou de fazer algo de que me arrependesse.
Hoje em dia, ainda tento lidar e esquecer este cap�tulo.
Em novembro de 2023, o meu ex-namorado disse-me
que a agress�o que sofri ficou registada em v�deo.
Porque � que uma pessoa haveria de filmar-se...
... a violar algu�m
e mostrar o v�deo a outras pessoas?
Eu fiquei furiosa.
At� que ele me diz: "Viste as not�cias sobre a Cassie?"
Sean "Diddy" Combs, o ex-magnata da m�sica...
Sean Diddy Combs enfrenta uma s�rie de acusa��es,
desde viola��o a tr�fico sexual.
Ela abrira a caixa de Pandora.
... obrigando-a a encontros sexuais indesejados,
atrav�s de subst�ncias ilegais e amea�as � integridade f�sica.
O famoso produtor nega categoricamente as acusa��es.
Eu sempre achei que tinha sido a �nica v�tima.
Estes s�o os primeiros de muitos processos.
Estamos a ver um im�vel pertencente a Sean Combs.
Estamos a assistir � "morte do artista".
O ex-namorado de Thalia alega que ela tentou suborn�-lo
para que a apoiasse.
O advogado de Thalia diz que ela anseia pela audi��o.
Direito de resposta: "Mr. Combs confia na integridade da Justi�a.
Em tribunal, a verdade prevalecer�: as acusa��es s�o pura fic��o."
Se sofreu viol�ncia dom�stica e precisa de ajuda,
contacte os servi�os de apoio � v�tima.
Tradu��o e Legendagem: Pedro Caires Rip/Sincro: Snookums/imfreemozart
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