All language subtitles for Saramandaia (1976) - Compacto Completo

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Original subtitles

Pavão misterioso,

pássaro formoso, tudo

é mistério nesse teu voar.

Mas se eu corresse assim,

tantos céus assim, muita

história... Eu tinha pra contar

Pavão misterioso

Nessa cauda aberta em leque

Me guarda, moleque De

eterno brincar Me poupa do vexame

Música

Nossa sorte nessa guerra

. . . . .

Pra que banda fica a bole -bole?

São José roubou Maria, amuntado num jumento, passando em Belo Horizonte,

o comportamento. Diz abandonar a moça, terminou casando a força, diz o novo

testamento.

Na vida de cantoria, fico nesse vai no vai.

Pedro II pensou que eu ainda fosse seu pai.

Pra descobrir meu segredo, viajou de manhã cedo pra guerra do Paraguai.

Bom dia, Sr. Lua.

Bom dia, Sr. Lua.

Bom dia, Sr. Lua.

Bom dia, Sr. Lua.

Bom dia, Sr. Lua.

Bom dia, Sr. Lua.

Entre os oradores, o doutor Zico Rosado e o professor Aristóbulo Camargo, quem

trouxe o nome de sua cidade, renega o verso em que nasceu.

Lute pela tradição, lute por vale e vale!

O senhor Rosado, o prefeito não deve demorar.

Fique à vontade. Fique a seu gosto. Sente -se.

Obrigado. Estou bem assim mesmo.

A que horas é o intervalo?

Quatro horas.

Que tristura é essa?

Quatro horas.

Justamente na hora do comício?

É.

Marcamos de propósito.

É.

Queremos que o tempo passe na mesma hora.

Quer para o povo saber que um dos nossos já foi vítima dessa canalha mudancista

que está querendo mudar tudo agora.

Destruir tudo aquilo que construímos durante séculos.

São Rosado, cá entre nós eu estou com o senhor.

Você encolheu?

Me disseram que o senhor é mudancista.

Nem mudancista, nem tradicionalista.

Como funcionário, eu sou neutro, porque o prefeito é político.

Mas ficar pra mim, comigo mesmo, eu acho que trocar o nome da cidade é trair os

mortos. Os mortos?

Sim, porque eles não podem votar no plebiscito.

O que é que tu tem?

Hum? Tá doente?

Hein?

Ou é fome?

Vem cá, coisadinha.

Assim?

Fica triste, não?

Eu defendo o dele e com muita honra. Que foi meu tatarabou? Mandar o tibuz

rodar. O homem queimou.

Doutor Zico Rosado, é um prazer e uma honra.

Seu prefeito, eu estou aqui à sua espera.

Se eu soubesse, eu tinha vindo mais cedo. Eu sempre chego cedinho.

Hoje é que eu resolvi penhar.

Penhando por aí, nesse penhamento que faz parte do ofício de prefeito.

É. Eu acho que o senhor já avaliou porque é que eu estou aqui.

Não tenho a menor ideia, doutor.

Seu Lusiana, a situação é grave. Seu encolheu, me dá uma adjutória. Me leva

vira -lata lá para dentro, que eu já vou tratar dele.

Está doente?

Está me parecendo. Achei ele tão tristinho, tão magricinho. Achei ele na

O homem morreu. Não será esfomeamento?

É capaz também, mas buscar o moço no açougue. Eu disse que o homem morreu.

Morreu quando, doutor?

O senhor sabe muito bem. Noite passada na pensão de Risoleta.

Ah, sim, o seu casuzinho da farmácia? É.

Ninguém teve culpa, doutor. Me disseram que ele estava discutindo e no

acaloramento da discussão o coração dele... É.

Ele estava discutindo sobre esse maldito extemporento plebiscito.

Seu Luaviana, ele era um dos nossos.

Era um tradicionalista.

Morreu?

defendendo a nossa causa.

Me disseram que ele começou a discutir, foi se exaltando, se exaltando, e

ficando vermelha, vermelhando, até que uma hora o coração subiu pela garganta e

apareceu dentro da boca.

Todo mundo viu ele de boca aberta, engasgado, o coração cheio de sangue, se

batendo, querendo sair.

Diz que foi um vale a me deu Nossa Senhora.

Quando ele conseguiu engolir o coração de novo, Deve de ter habilidade.

Caiu o falecido.

É, caiu o falecido.

E outros vão cair também.

Foi para lhe fazer essa advertência que eu vim aqui.

Seu Lua Viana, como prefeito, o senhor pode não ter culpa nos antecedentes.

Mas é responsável pelo subsequente.

Doutor Zico Rosado, não fui eu, foi a Câmara de Vereador quem decidiu fazer

prefeito.

Essa, aliás, eu acho que é a maneira mais democrática de se resolver a coisa.

É o povo quem vai decidir se a cidade continua a se chamar Boli Boli ou se vai

mudar para Salamandá.

Eu, por mim, não tenho preferência, embora o projeto seja de meu irmão.

Ah, sim.

É isso mesmo, doutor Zico Rosado.

O senhor sabe que eu me elegi apoiado pelos dois partidos.

Apoiado e desapoiado, porque eu sou apolítico.

Mas os Tavares, que estão sempre do lado pobre, estão apoiando esses

mudancistas, esses saramandistas.

É um direito deles, doutor.

É. E eu sei também muito bem que o meu amigo prefeito vai entrar com a família.

Vai se casar com a filha de Tenor Tavares, essa despioleta que anda com os

irmãos lá entre facos nas motocicletas, saramandando pela cidade.

Não tem nada que ver uma coisa com a outra, doutor. Para, seu rua!

Se o senhor pensa que eu nasci ontem, nasci não.

Quando o senhor ia procurar, eu já vinha com a rua de volta.

Olha, hoje nós vamos realizar um comício.

E era bom que essa raça dos trabalhos não aparecesse por lá.

O senhor pode fazer o seu comício sossegado, doutor. Eu já conversei com o

delegado e ninguém vai perturbar.

Eu espero que seja bem.

Bom dia.

Vai com Deus, doutor. Doutor Rosário.

Não será melhor desmarcar o comício para amanhã?

Por que você encolheu? Por causa do enterro?

Não, porque vai chover hoje.

Estou sentindo doer aqui a terceira costela.

E quando é assim, é chuva para daí a cinco horas mais tardar.

Eu não acredito.

O céu está limpo. Lá vai a bicha agora.

Acho bom o senhor ouvir o que o Sencoleu está dizendo.

Desde que aquele Boisebu pegou ele e fraturou tudo quando foi osso, o

não erra na previsão do tempo.

Conforme o osso que dói, ele sabe exatamente o tempo que vai fazer.

Muito obrigado pelo boletim meteorológico.

Mas o comício vai ser hoje.

E o funeral também.

E isso, nem que show a cabelo de sapo.

Vai chover mesmo?

É que eu me enganei na hora.

É a segunda costela que está doendo.

Mais alguma dúvida?

Nossa senhora, nenhuma, nenhuma.

Então vá embora e me deixe trabalhar.

Mais tarde eu vou te ver. A que hora?

De noite eu quero falar com teu pai.

Eu também tenho uma coisa para te dizer.

O quê?

De noite eu digo.

O velho está me tratando melhor.

Pudera, depois que você se elegeu prefeito.

É, eu sei que é por isso. Agora eu não sou mais o filho do criador de galinhas

que tem a topetice de querer casar com a doutora Metelidade.

Ele acha que você vai fazer carreira na política.

Está querendo se manobrar.

Então é por isso.

Que zoada é essa?

Meus irmãos do seu inato.

Eu estou com eles mais dias fazendo propaganda na cidade. Já fechamos a

toda.

Cuidado, os rosados estão do outro lado.

Eu quero mais que os rosados se danem. Quero ver tudo queimando no fogo do

inferno. Até logo.

Só te peço que tenha juízo.

Não fica bem pra você uma moça formada, doutora de anel, cartucho... É por falta

de juízo a doutora veterinária dizer pro seu prefeito que tá maluca.

Maluquinha por ele.

Sobre aquele assunto, não tenho mais dúvida, não.

Certeza certa.

Era isso que eu queria te dizer.

Obrigada.

Bom dia, senhor prefeito. Bom dia, maestrador.

Bom dia.

Eu queria falar com o senhor.

Vamos entrando, eu já sei do que se trata.

Aqui

você

vai poder montar um cartaz. João Givão é vereador e foi ele quem propôs a troca

do nome da cidade.

Ah,

chefe, tem que ter.

Onde é que a moça nasceu? Em Boli Boli. Aí tem sempre engraçadinho pra dizer,

posso bulir?

Bom, então, as moças de lá gostam de bulinar?

Pior é pra gente.

Eu sou bolebolento. Uma vez eu tive que dar um tapa -olho num cabra safado.

Perguntou se aqui tinha ovo. Pois é, por tudo isso, é que Givão propôs na câmara

a troca do nome.

O nome vai ser mudado.

Vai se chamar Taramandaia. Isso, sim, o nome danado de bulino importante.

A gente vai ganhar o plebiscito.

É, sei não, esse povo daqui é muito atrasado, hein?

Eu disse que a gente vai ganhar.

Givão nunca vence uma coisa que não aconteceu.

Um ano antes do homem pisar na lua, Givão olhou para o céu e viu. Né, Givão?

Ele vê as coisas antes mesmo de acontecer.

Caso seguinte, seu prefeito.

O plebiscito vai ser no aniversário de fundação da cidade.

Foi a Câmara que marcou.

E nesse dia vai ter festança e coisa. Claro que sim. É uma data importante.

E qual das duas bandas vai ocupar o Coréia? A fila Mônica Borbolense. E por

não a Lira Euterpiada? Calma, calma, calma, maestro. Não vamos brigar por

disso. Faz favor.

O doutor Zico Rosado me garantiu que vai ser a fila Mônica. O doutor Tenório

Tavares me garantiu que vai ser a Lira. Por favor, pelo amor de Deus. Faz favor.

Nem o doutor Zico Rosado nem o doutor Tenório Tavares podiam ter garantido

Isso aqui é um assunto da prefeitura.

Todo mundo sabe que a fila harmônica é financiada pelos Rosado e apoia os

tradicionalistas. Todo mundo sabe que a Lira é sustentada pelos Tavaíta com os

Budoncista. Então, para não haver briga, as duas bandas vão tocar no mesmo dia,

ao mesmo tempo.

E como, se só tem um coreto na praça? Por isso eu estou construindo outro.

Um deles vai ficar a fila harmônica bolibolense na regência do maestro

de Azevedo. No outro, a Lira é o tepiana na batuta do maestro Totó de Almeida.

Que tal?

É uma solução justa e inteligente. Muita paz, muito amor e algum trabalho

possível.

Pouco bolebolete, mas logo grande comício por bolebole.

Pela manutenção do nome de nossa cidade.

Seja fiel à terra onde nasceu. Diga -se a bolebole.

E aí

Obrigado.

Pode me levar num chão rosado?

Minha mãe do céu.

É Dona Dalva.

É ela mesmo.

Por que esse espanto, Firmino?

Poxa, depois de tanto tempo.

Só que não mudou nada.

A senhora também não.

Nem você.

Continua mentiroso.

O senhorzinho está esperando a senhora?

Não, ninguém está me esperando.

Ah, logo vi.

Por que ele não está em casa?

Parece que ele está lá na cidade, num tal de comício.

Trava.

Oi, mãe.

O que aconteceu?

Eu voltei.

Sonha.

Meus pêsames.

Obrigada, meu irmão.

Que Deus te abençoe.

Um nome tão bom.

A gente não assinava embaixo de uma porção de coisa, mas isso não quer

Eu sei, eu sei, eu sei.

Amigo, amigão, amigaço.

Ontem mesmo, antes de acontecer o acontecido, a gente jogou sinuca lá na

da isoleta.

Sinucão um bocado, depois cervejão.

Cervejamos à vontade.

Foi depois dessa cervejação... que a gente se pegou num pê -pê -pê

-pê -pê -pê... e, de repente, mente.

Engole, seu casuza!

Engole!

Faz forte, pô! Põe pra dentro, seu casuza!

Com tanta coisa importante pra discutir, ficam discutindo política.

Bem feito.

Você viu?

Vi.

Um coração tão enorme, sangrando.

Parecia um bicho mal passado. Podia pesar um quilo.

Ou pelo menos umas oitocentos gramas pesava.

E uma coisa dessa vai acontecer num lugar tão mal falado.

Diz que eu não me conformo.

Foi uma grande perda pra nossa causa.

Deveras lastimar.

Por que você demora tanto?

Estava fechando a loja e vim para cá.

Eu me senti tão sozinha.

Você não tá sozinha, Marcina.

Eu tô aqui com você.

Você me quer mesmo? De verdade?

Você sabe que sim.

Você é a coisa que mais quero no mundo.

Enquanto o cortejo fúnebre cruzava a praça, motoqueiros surgiram, causando

grande arruaça no comício que ali rolava. Uma das motos acaba atropelando

caixão. E foi aí que o inesperado aconteceu.

No lugar do velório, uma grande comemoração para festejar a volta

não se foi.

Foi nessa circunstância que Dona Redonda, a moradora mais faminta da

soube do pressentimento que o misterioso Gibão teve a seu respeito.

Ela só precisa se cuidar.

Eu? Pensa que ela seguiu seu conselho? Pelo contrário, a personagem rechonchuda

danou a comer cada vez mais.

E acabou com o comício? Por aqueles peces do Tavares?

O quê?

Eles tiveram coragem? Sim, tiveram coragem. Tiveram um fuzuê tão grande,

grande que seu Gazuza, que já tinha morrido, resolveu desmorrer.

Desmorreu? Verdade, Bote. Levantou do caixão.

Se levantou do caixão, sacudiu as rosas, sacudiu os cravos... Tia Galva!

Meu Deus, que estrelas, que saudade!

Outros moradores com seus hábitos esquisitos foram surgindo, como o

Aristóbulo, que não pregava os olhos há anos.

Rezava a lenda que ele se transformava em lobisomem nas noites de quinta para

sexta -feira. E quem sempre quis matar essa curiosidade era a dona Risoleta, a

proprietária da pensão mais badalada de Boli Boli.

Bom, afinal de contas, eu não sabia que você ainda estava tão sentido com ela,

né?

Doutor Rochinha, eu não sei se estou falando grego ou se o senhor está

tresvariando. Eu disse e redigo, não tenho filha nenhuma, nunca tive. E o

assunto está encerrado. Sei, sei, eu entendo sim, mas é que... Bom, não

mesmo, né?

Como é que vai seu nariz, doutor? É, melhora, piora, um dia coça mais, um dia

coça menos.

Quando eu vou lá na usina, elas ficam assaiadas, sem vergonha.

Que sem vergonha?

As formigas. Eu acho que é o açúcar.

É, deve ser, sim.

Na destilaria, então, elas ficam entrando e saindo do nariz.

Olha, vai ver que é o cheiro do mel que sai do caldo de cana antes da

destilação, sabe? Antes de se tornar cachaça.

É, com certeza.

O senhor não quer mesmo que eu dê uma olhadinha nele, não? Não, não, não, não,

não. Eu sei como vocês são.

Vai querer meter a faca, nada disso.

Gente, é só pra ver que espécie de formiga é. Se é saúva, se é

é doceira, se é formiga de bode.

E elas não mordem, não?

Não mordem, não. São mansinhas. Já se acostumaram comigo.

Estão domesticadas.

Ô, Santinha, você não ofereceu nada pro doutor?

Ofereci um café.

Mas que café ele lá é? Homem de tomar café?

Vê aí um engasga -gato.

Uma purinha, por favor, dona Santinha.

É, dá a nossa. Bole, bole.

Você ligou o espaço de manutenção, ela devia ter casado com essas outras

bisbórias. Ah, é isso. Ah, é isso, Dandinha.

Ô, Dandinha.

O balanço não vale nem 250 quilos.

E você acha que ia mais?

Ia mais?

Diz Maria, vai virar muito mais.

Mas, dona, a senhora não ia amar mais.

O balanço, para a senhora, tem que ser pesado.

Dias depois, Zico Rosado recebeu a visita do afilhado Carlito Prata, e foi

próprio quem descobriu em primeira mão o nome da pessoa que registrou o título

Saramandaia. É o nome da pessoa que mandou registrar a marca.

Fala.

Tenório Tavares.

Zico, não vai mais comer.

Não, perdi o apetite.

É nessa hora que Carlito Prata resolve mexer os seus pauzinhos.

Se aproveitando da fé dos bolibolenses, ele esconde um walkie -talkie atrás da

imagem de Santo Onofre.

E assim que o povo chega para a missa, ele dá o seu recado.

O Kuzuê aumenta ainda mais quando ele mostra aos moradores que o santo anda

triste com a possível mudança do nome da cidade.

Imediatamente, doutor Rochinha vai examinar a tal lágrima e o resultado

surpreende a todos.

É sangue mesmo.

Eu tenho certeza que é sangue.

Absolutamente. Foi por causa disso que eu fugi de lá.

No dia seguinte, os cidadãos chegam para escolher o novo nome da cidade.

De um lado, Zico Rosado defende a permanência de Boli Boli. Do outro,

Tavares apoia a mudança para Saramandaia e a disputa entre eles é acirrada.

Cadê a batuça, ô? Cadê a batuça? A batuça!

A batuça! Bota a roça nisso, bairro! Bota a folia, bairro!

Ai, doutor, o pessoal não está aguentando mais, não, doutor. Mas como

que aguentar, ô? Tem que aguentar? Nós não podemos perder agora.

Com a reação desse soprador de corneta.

É pela questão agora de honra, de dignidade, de vergonha na terra.

Pensa mais em conta aí, gente.

Eles perderam a entrega!

Levanta -te!

Levanta -te!

Levanta -te! Levanta -te! Levanta -te!

Levanta -te!

Quando é socorrido pelo povo, João Gibão não deixa ninguém encostar em seu

corpo, apenas sua mãe.

Médico é que nem padre.

Tem a obrigação de guardar segredo.

Eu não confio em ninguém, mãe.

Só na senhora.

Mas como a bala precisa ser removida, Dr.

Rochinha entra no quarto e passa a compartilhar esse mistério com os dois.

Você tem a minha palavra, mas é que eu ainda não entendi.

Não demora muito e logo sai o resultado do plebiscito. Com este resultado, o

bole -bole fica com 606 votos.

E Saramandá fica com 613 votos.

Ele vem aí, mas calma, senão ele percebe.

Professor,

venha.

Estou no sanato aqui, eu e as minhas meninas.

Venha. Venha, professor.

Boa noite.

Boa noite.

Quer tomar alguma coisa?

Eu não bebo nada, não é? Mas eu aguento qualquer coisa.

Pensei que não viesse.

Quase não vi.

E não devia ter vindo mesmo.

Estou ficando pálido.

É a emoção?

É.

Também é.

Eu não estou me sentindo muito bem.

E o que é que você está sentindo?

Nada. Não se preocupe.

Vamos lá em cima.

Vamos. Eu trato de você.

Não. Já é quase meia -noite e eu tenho que ir embora. Você prometeu.

E se eu não deixar você sair? Não, mas eu tenho que ir.

Você prometeu que ia me deixar sair. Mas você vai ter coragem, menina. Não,

mas... Você vai ter coragem. Você não vai ter coragem de ir embora, não.

Não, olha, faz o seguinte, amanhã eu volto daí se passando.

Não, não, não façam isso.

Não, não, não deixem sair.

Eu prometi que eu ia sair, mas eu fui fugir. Olha a chave.

O que foi?

Eu pensei, eu tive a impressão que... Jaleta, eu estou com medo.

Com medo de quem?

O professor é nosso amigo.

Isso que vocês estão fazendo comigo não está certo.

É só uma brincadeira. Mas eu não estou brincando.

Eu disse para você que eu não podia ficar mais. Você sabia.

Mas por que, meu Deus? Por que meu amigo tem que ir embora tão cedo hoje?

Olha que eu gostaria de ficar.

Gostaria muito, mas é que eu não posso.

Não,

não, eu não posso ficar.

Eu tenho que ir embora.

Me dá a chave.

Me dá a chave.

Venha buscar.

Não, não. Para com isso.

Para com essa brincadeira.

Eu estou perdido, estou desmoralizado.

Fugiu pela janela. E chegou a virar?

Não, mas por culpa de vocês, seus pamonhas.

Vocês tinham que segurar o bicho, mas vocês espantaram ele.

E ele estava quase na hora de começar a virar. Vocês viram, contaram os dentes

dele, como ele estava ficando.

E as orelhas. Estou toda arrepiada até agora.

Ia ser lindo, lindo.

Mas vocês estragaram tudo.

O senhor quer formalizar uma queixa?

Quero.

E quero que o senhor abra um inquérito para apurar atentados à moral, ao

pudor e aos bons costumes.

Eu vou registrar a queixa.

O senhor tem algum fato concreto?

E como é que eu posso ter?

Eu não frequento esses lugares.

Eu sou o homem que me dou respeito, delegado.

Claro, eu não disse isso.

Agora, o senhor pode, o senhor com autoridade pode ir lá, investigar,

interrogar, prender, obter condições e baixar o pau.

Baixar o pau não, doutor Rosado. Isso é coisa que eu nunca fiz e nunca hei de

fazer. A pessoa do preso ou detido é sagrada.

Em minha gestão como delegado, um preso nunca confessou coagido. Preso aqui é

tratado a pão de ló e vinho tinto.

Está aí um que não me deixa mentir.

Eu tenho uma queixa a fazer. E vou aproveitar que o doutor Chico Rosato

para servir de testemunha.

Olha, doutor Chico Rosato, eu estou aqui, vai interar três meses.

E desde que eu cheguei, que estão me prometendo um TV a cores, e até hoje, ó,

babau. Precisa fazer escândalo, precisa.

Eu já escrevi para o Silvio Santos pedindo.

Dizem até que o senhor nunca...

nunca pecou.

Esse pecado que a senhora está pensando, de fato, nunca.

Eu sou irmão oblado.

Fiz voto de castidade.

Nunca mesmo.

O que é essa colher?

Essa costela que está doendo desde manhãzinha.

Vai chover?

Amanhã.

Dias depois, Gibão resolve romper o seu namoro com Marcina. E enquanto uns se

separavam, outros se uniam de vez.

Lua, Viana e Zélia enfim sobem ao altar.

Mas depois da troca das alianças, João tem mais um de seus pressentimentos.

Capítulos depois, o público fica sabendo que o coronel Zico Rosado e Dona

Isoleta escondem muitos segredos do passado.

O senhor sabe muito bem porque eu voltei.

Foi por causa da minha filha. A senhora não tem essa filha.

Esse foi nosso primeiro trato.

A senhora tem que sair da cidade.

Sair?

E sair pra onde?

Pra onde for de seu gosto.

Tem o mundo inteiro para escolher.

Enfim, sai a confirmação de que os votos do plebiscito foram todos válidos. Quem

fica espumando de raiva é seu zico, claro.

Se não tem mais nenhum recurso dentro da lei, há de ter fora dela.

Porque eu é que não vou engolir essa... Essa... Essa saramandice sem pé nem

cabeça. E finalmente, balizando essa fugazia babelada para o

vela, quero, sem correr...

Quero, repito, sem ambages e sem apostasia,

externar minhas profalsas e dizer, bem -vindos sejam a

Saramandaia.

Está aberto o festival!

Não, Zélia, eu não posso ir, acho que não fica bem. Mas por que não? Porque eu

sou o prefeito, eu não posso tomar partido.

Então eu vou com o Marcinho. Zélia, criança, Zélia!

Você viu?

Sua filha está lá no meio da sala mandalhada.

Mas como é que pode fazer uma coisa dessa, seu Cajú? Pois é. Um nome danado

bonito como um voleibol. Ele não sabe o que estão fazendo.

Estão desobedecendo a vontade divina. Isso vai atrair tristeza e desgraça.

Pergulhou.

Tem cabimento uma coisa dessas?

É, o tribunal julgou e está julgado.

Tem que cumprir a decisão da justiça.

Aí vem a dona Redonda. Ela deve ter sabido.

Eu deixei ela em casa, ela estava muito pesada.

Sabe quanto é que ela pesou hoje?

300 quilos.

300 quilos?

Nossa, mundo seu!

Vão ver que ela vai parar, hein?

Hoje eu tô com medo.

Este bom me disse uma coisa.

Tô fechado, agoniado.

Hoje, então... Meu Deus!

O que foi isso?

Eu não estava deitada. A minha cama tremeu. E eu estou tremendo até agora.

Isso não me parece truada, não? Eu estava lá na varanda, o senhor mudou de

envermelheceu de repente.

É, a explosão foi longe daqui, lá para os lados da cidade.

Isso está me parecendo coisa de Saramandica.

Cadê Carrito?

Saramandica. Cadê Carrito Prata?

Saramandica. Cadê Carrito Prata?

Saramandica. Cadê Carrito Prata?

Saramandica. Cadê Carrito Prata? Saramandica. Cadê Carrito Prata?

Saramandica. Cadê Carrito Prata?

Será que isso tem alguma ligação com a troca do nome da cidade?

É muita coisa. Duas bombas num dia só.

Velha!

Marcina! Velha, você está bem?

Bem? O que houve?

Estou na redonda.

Ela explodiu. Sabia que isso ia acontecer.

Eu avisei, se encolheu. Cansei de avisar.

Marcina.

Marcina. Ela está respirando.

Marcina. Marcina.

Onde é que está?

Onde é que está ela?

Onde é que está?

Só sangue? Onde é que você está todo dia?

Deus não podia ter feito isso com você.

Pai! Pai, o que foi isso?

Pai, o que foi isso?

Tia!

Tia! Tia! Tia!

Tia! Tia! Tia! Tia!

Tia! Tia!

Tia! Tia!

O que foi

isso? Uma bomba? Que bomba, caramba!

Estão entendendo?

Como é que pode ter dado esse sumiço, Dantinha?

Sem deixar um pedacinho.

Dália, você está bem? O que houve, Dália?

Dizia um susto danado. Eu estou que não me aguento, Lua.

Macia, o que tem?

Ela desmaiou.

Vou levar ela para a farmácia. Não,

ela só desmaieceu.

O que houve, meu Deus? Que buraco é esse?

Estou na redonda.

Tava em cima do telhado da barbearia.

Que que é isso?

É orelha.

Já tá com brinco.

É, é dela.

Ela gostava tanto desse brinco. São José, dá chuva!

São José, dá

chuva!

Eu sabia que ela ia estar aqui.

Você sabia porque é a vizinha? Eu não sou.

São José das Chovas! Durante suas andanças noturnas, professor Aristóbulo,

lado de Ibão, recebe uma visita ilustre. Dom Pedro I e sua tropa.

Quando amanhece, os moradores correm para admirar uma rosa gigantesca que

misteriosamente na praça. Seu encolheu tem uma explicação óbvia para o

aparecimento repentino da flor sinistra.

Só que a tal planta

exala um cheiro desagradável que incomoda a todos.

Mas eu dei minha palavra!

Eu dei minha palavra!

Não pode fazer isso, não!

Oxe!

Onde é que tá essa gente?

Pai, vamos embora. Essa hora deve estar todo mundo dormindo já, não é? Dormindo,

menino? Ainda não são nem onze horas.

Fica aqui que eu vou ver se desencala esse povo.

Morre, doida!

Mas o que está acontecendo aqui?

Isso aqui está numa tristura que parece mais um relógio.

As meninas estão lá dentro, ocupadas.

E o pessoal da bebedice se raspou cedo hoje.

Ah, sim, é isso mesmo.

Eu trouxe o meu rapaz.

É aquele ali, é.

É bonitinho. Está meio nervoso.

Está com o joelho tremendo, parece mais uma vara verde.

Pode deixar que eu acalmo ele.

É, acalma, mas vá com calma.

O rapaz é meio estrambóstico. Eu sei, você já me falou.

É, tanto que eu acho que eu vou escapulir, viu?

Talvez a minha presença, ele fique meio escabriado, né? É, melhor sair aqui sem

você. Aqui as coisas se resolvem mais depressa.

Ô, meu filho de céu, olha, aqui está a dona Rijoleta, viu?

Vai lá.

Você fica aqui, viu, meu filho, que eu estou meio sonolado, sabe?

Presta atenção a tudo que Dona Redoleta disser, viu?

Ouça tudo, faça tudo que ela mandar.

Seja um menino aplicado.

Tem uma cara de sonso.

Boi sonso é que arromba o curral.

Você bebeu alguma coisa? Não, não, a senhora não precisa se preocupar.

Mas não é bom para desenvergonhar. Gosta de um licor?

É.

Olha, eu tenho um aqui muito especial, sabe? De amendoim.

Olha, eu deixo ele bem escondidinho, viu? Que é só para viver com especial.

Mas vai devagar.

Vai devagar que é forte.

Gostou? É.

Então tome outro.

Já teve muitas

namoradas?

Muitas, muitas não.

Poucas.

E a senhora?

Bem, eu vou te confessar uma coisa. Eu sou muito namoradeira, não sabe?

Olha, sabe, eu já namorei metade do mundo. Acho que vou morrer infeliz se

namorar outra metade.

Sabe, a senhora parece tanto com uma pessoa.

É.

Com alguma namorada sua.

Não.

Com minha mãe.

É mesmo, é?

É. Quer dizer, parece... Parece não parecendo nada, sabe?

Não entendi nada.

Oxente, é difícil de explicar.

Faz muito tempo que a sua mãe morreu?

Faz, faz cinco anos.

De morte natural?

Natural, pneumonia.

Coitada.

Escuta aqui, você quer conhecer meu quarto?

Seu quarto?

É, eu tenho uma porção de coisa bonita para te mostrar.

Vou te apresentar para as minhas filhas.

Olha aqui, essa é Juju, essa é Isabel, a lourinha ali é Jaqueline.

Aquela aqui é Marivalda, Jurafi, Amália, Tininha,

Dudu.

O nome dela é Dulce.

Dudu é apelido.

A senhora coleciona, é?

É uma mania.

Tem muito coronel amigo meu que me manda, sabe que eu gosto.

Essa daqui, ó, essa daqui toca música e diz mamãe.

Ó,

essa daqui chora, quer ver?

Mas eu acho que você não gosta muito de boneca. Gosto.

Quer dizer, mais coisa de mulher, não é? É.

E você é um homem, um macho.

Escuta, eu vou lá dentro que eu vou trocar de vestido. Você fica aqui, fica

à vontade.

Fica mesmo.

Está um pouquinho claro aqui.

Agora está melhor.

Ela é uma moça muito boa, muito viajada, muito instruída nos ofícios do mundo.

E ela mesmo mandou se oferecer para lhe dar esse empurrãozinho.

Mas você é um trouxa, é um babaquara mesmo.

Se fosse eu, ela não escapava.

Resoleta?

Letinha?

Desculpe! Eu não sabia!

Boa noite, doutor. Professor, o que é que está fazendo aqui, professor?

Esperambulando. Ah, sim.

O senhor sempre nas suas esperambulâncias, né, professor?

É.

Estou extraindo o senhor, né?

É, eu resolvi fazer uns esticamentos de perna por aqui, sabe, enquanto estou

esperando um filho meu que foi tomar uma aula.

Aula noturna?

Engraçado, gente, é que o colégio nem tem curso noturno.

É que é uma aula particular, viu, professor?

Uma matéria muito especializada.

Ah, bom.

Eu vi o senhor aí perambulando por aí, então pensei que o senhor talvez tivesse

vindo de algum velório.

O senhor por acaso sabe de algum?

Velório? É. Não, por quê?

Nada, só para passar o tempo.

Certo. Boa noite.

Boa noite.

Ao saber que Zico Rosado está fazendo uma campanha para expulsá -la da cidade,

Risoleta procura Padre Romeu e revela os podres do passado do coronel.

O

clima

esquenta em Saramandaia, ainda mais para Marcina, que arde em febre.

Marcinha, o que você tá fazendo?

Ai,

tô sentindo calor danado.

Meu rosto, meu corpo todo.

Tô com roxinha, botou termal, tô com 41.

Você tá maluca? Fica molhando a cabeça do chapari? Você quer morrer?

Eu não aguento mais tanto calor.

Vai pra casa, Marcinha.

É doido, doido. Eu te levo, vamos.

O pai tá na farmácia, a mãe tá lá na igreja.

E você, não viu a loja hoje, não?

Eu saí pra hora do almoço.

Aproveitei pra falar com o padre Romeu.

Falar o quê?

É coisa minha.

Tá agoniado?

Pô... Tô calmo.

É difícil de explicar.

É agonia de querer e não poder.

O que é que você quer e não pode?

Vacina, você deve estar dando de febre mesmo. Queimou minha boca?

É, estou sentindo que está subindo. Deve estar subindo.

Mais de 41?

Eu acho que sim.

Vacina, eu vou chamar o doutor. Você não pode ficar aqui sozinha. Você está

queimando meu corpo.

Eu vou chamar sua mãe. Não, não.

Fica comigo. A mãe não vai dar jeito.

Não, doutor, também não vai dar jeito, não.

Tá todo fogareiro que tem dentro de mim.

Tá montando, tá espalhando.

Tá me queimando toda.

Vacina, eu vou chamar o médico.

Ela está em casa, pegando fogos. Eu vou buscar o doutor Rochinha.

Marcina!

Marcina!

Marcina! O que é isso? O que você está sentindo? Não aguento mais.

Não aguento mais.

Marcina!

Não faz isso em mim.

Calma, não faz isso.

O Dibão já foi chamar o doutor Rochinha.

Onde é que ela está?

Eu deixei ela aqui

O que você está fazendo, mulher?

Estou tentando arrancar o demônio do corpo dela. Que besteira da Maria. Ela

com febre. E febre queima desse jeito?

Ela tá pegando fogo mesmo.

Tá sendo queimada viva.

Meu Deus.

Eu vou dar um remédio pra ela, depressa.

Remédio? Olha, eu acho que só tem um, viu?

Ô, João, me ajuda a carregar ela, vem.

Tá queimando.

Vem, depressa pra cá.

Depressa, eu sou rodinha.

O que houve com ela?

Vixe Santíssima!

Foi ela.

Como é que está ela?

Está lá dentro, do mesmo jeito.

Martina, vê quem está aqui.

Vi vocês hoje na missa das dez.

Não foi se confessar por quê?

Não tem nada aqui pedir perdão a Deus?

Olha, tenho sabido de coisas.

Seus pais estão muito preocupados.

Achando que você está em perigo.

Eu também acho.

E quando uma pessoa está em perigo, o normal é procurar apoio.

Socorro em Deus nosso Senhor.

Não estou aqui para te obrigar a confessar. Nada disso.

Estou com um amigo para a gente conversar.

Então, não tem nada para me dizer?

Os dias passam. O filho de Zélia e do prefeito Lua Viana nasce. Mas a

do bebê deixa tanto o médico como a parteira chocados.

É estranho.

Eu nunca vi isso na minha vida.

Eu também não.

Deixar de mim

Cadê ele?

Parece que vai ter asas.

Não é o que parece.

Ou é um defeito?

Já tinha visto?

Já.

Lua já viu?

Não.

Lua ainda não viu.

Só quem viu foi Dona Maria Paradeiro e Dr. Racuna.

E o que é que eles disseram?

Nada.

O que é que eles podem dizer?

Se eu for aqui... Como vai, Lua?

Eu vim fazer uma visitinha. Ah, sim.

Meus parabéns.

Obrigado, padre. Já falou com Zelinha? Não, estou esperando.

Ainda pouco ela chamou por você.

A dona Leocádia foi ver.

Chamou por mim? Dá licença, padre.

Zelinha?

Nem há motivo para desespero.

Zelinha está nervosa.

Então me digam.

Mostre a ele, mãe.

Não. Vai ter asas.

As penas ainda não nasceram, mas vão nascer.

Tem já uma penujinha.

Você entende isso?

Sim, é que entendo.

Mas por quê?

Justamente o nosso filho, por quê?

Padre Romeu está esperando na sala.

Tem muito medo.

Medo de quê?

Não sei, mas eu tenho medo.

Não, não tem motivo para medo.

Tem motivo para preocupação.

Mas vamos ver.

Espera, Zélia, espera.

Calma, Zelinha.

Tem de haver uma explicação para isso?

Quem sabe...

Não é nada disso que a gente está pensando, hein?

Quem sabe desaparece depois, conforme ele vai crescendo.

Lu, eu olhei muito bem.

É tão estranho.

Entende, padre?

Com licença.

Desculpe não ter enxergado nessa hora.

Doutor, o padre chegou em muito boa hora.

Padre Romeu já sabe de tudo.

É. Dona Leucádia me contou.

Como é que o senhor explica?

Eu?

Como é que eu posso explicar, Zelinha?

É mais um problema dos médicos.

Doutor Rochinha.

Ele esteve aqui duas vezes.

Ele deve ter uma explicação.

Por que você vai?

Vou atrás dele.

Eu quero saber.

Eu quero que ele venha aqui de novo e me diga alguma coisa.

Doutor Rochinha não vai poder explicar nada.

A senhora acha?

Os médicos não sabem nada dessas coisas.

Então quem sabe?

Só Deus sabe.

A notícia se espalha como um rastilho de pólvora e desperta a curiosidade de

todos. E para que o menino sobreviva, Dr.

Rochinha dá uma notícia que abala a família.

É assim, o sangue do menino vai ter que ter todo trocado por um novo,

substituído por outro sangue. O problema é que a religião de lua não permite que

a troca de sangue seja feita. Você não vai permitir a transfusão?

Não. O prefeito acaba mudando de ideia e corre com seu filho para um hospital.

Depois da transfusão, o padre é convocado para batizar a criança, mas aí

tarde demais.

Ressentida com as atitudes do marido, Zélia o abandona e vai morar com seu

Continuar lá depois de tudo o que aconteceu vai ser muito difícil.

Capítulos depois, Risoleta vai jantar na casa de Dona Pupu, a simpática mãe do

professor Aristóbulo. E quando ela está se familiarizando com o ambiente, sua

sogra surge na sala acompanhada de seu misterioso marido.

Era o seu pai, é?

Era.

Opa.

Sabia que ele tinha morrido?

Eu estava lhe contando, né?

E depois que ele denunciou o cangaceiro da voada, a voada voltou para a

segunda.

Eles andaram na casa grande do engenho e levaram o belizário.

Mas isso era 35 anos. Neném era menino.

No dia seguinte, só devolveram a cabeça.

De manhã, quando abri a porta, ela estava lá, rindo pra mim.

A senhora deve ter se assustado, né?

Um pouquinho só.

Eu até pensei que era brincadeira dele.

De quem?

Do falecido. Ele era muito ardiente.

Ele gostava de me assustar. O que foi?

Eu estou me lembrando.

Mamãe.

O que eu estou fazendo?

Eu estava me lembrando.

Uma vez ele pegou uma mão e fez uma cadeira. Furou os olhos,

furou a boca, meteu uma vela dentro e escondeu

debaixo da cama.

De noite, quando eu fui pegar o perigo, ele...

Ele era até

engraçado, falecido. Eu não posso olhar para ele, me dá vontade de rir.

Desculpa, eu sou muito frisenta.

Imagina que eu estou tão sem apetite hoje.

Sei o que é.

Acho que eu estou meio indisposta.

Ai, meninos, vocês nem podem imaginar.

Eu jantei com os pais do professor.

Ele que tá lendo.

Olha, são dois encantos.

Principalmente o velho.

Não fala, mas é um abraço.

Você acha que ela não gostou do seu pai?

Mas ela disse que ficou encantada com ele.

Delicadeza. Ela é uma moça muito delicada.

E por que ela não havia de gostar?

Não posso entender.

Mas não se trata de ter gostado, não.

Era uma questão de oportunidade. A senhora não podia deixar de apresentar o

velho numa outra ocasião? Quando?

Sei lá.

Mas precisava apresentar o velho justamente naquela hora do jantar.

Eu queria dar um som mais íntimo.

Mais familiar.

Está bem.

Está bem.

Encarece agora de ficar sussurejando aí a noite toda.

Cuidado com o cavalo que ele está meio aristo, viu?

A sua vez, presidente.

Deus te abençoe, firme.

Pode segurar o bicho.

Doutor Rosato está em casa?

Está fechou, está lá dentro.

Obrigado, filho.

Nossa senhora, o cavalo lhe derrubou, não foi?

E o que é que você acha? Que eu me atirei de propósito? Não machucou -se?

nem um pouquinho.

Não quer que lhe ajude?

Não, muito obrigada. Ah, por favor, estou me sentindo culpado, não é?

Ah, isso ajuda muito.

Eu não ia imaginar que o cavalo ia se assustar. Ah, me deixa fazer alguma

para provar que eu não tive intenção.

Então procure meu cavalo.

E ela saiu correndo para onde?

E eu sei não, Cazuza.

Parece que a Marcina tá tomada.

De seu monte de bobagem, saiu correndo.

E o que você quer que eu faça que eu saia correndo atrás dela?

Eu não posso. Eu vou parar o filho de Zizinha de seu Climero que tá pra

Se é que já não nasceu.

E eu não posso largar a farmácia sem ninguém.

Fecha a farmácia mais cedo, Cazuza.

Vai ver tua filha.

Ela tá com demônio.

Eu sou o estopim da bomba, é você quem me faz ser assim.

Se não quer ver o estopim da bomba, não encoste o corpo em mim.

Eu sou o estopim da bomba, é você quem me faz ser assim.

Se não quer ver o estopim da bomba, não encoste o corpo em mim.

E aí

Amém.

Passado um tempo, João Gibão e Marcina enfim se casam. É

durante a lua de mel que ela finalmente

descobre o motivo do marido sempre usar aquele colete de couro apertado no

corpo.

Vina! O que aconteceu?

Eu estou com pesadelo.

Assustada com o que vê, Marcina corre para se confessar com o padre Romeu. Mas

ela acaba seguindo os conselhos do sacerdote. E no fim das contas, João

surpreso com o apoio que recebe da esposa.

Música

Eu vi ela explodir e eu ajudei a catar os pedaços.

O avião continua aí por cima.

Continua. Era melhor desistir.

Não, nada disso.

Meu Deus, não é possível.

Ele correu. Olha lá, ele correu.

Pai. Pai, o que é que tem?

Fica, pega -me pra cá.

Fica.

Ele correu? O que é que houve? Eu acho que ele teve uma vertigem. Deita ele

aqui, deita ele.

Calma. Pai.

Seu soldado é melhor buscar um café quente pra ir lá dentro, vai. Tá indo.

Já tá melhorando.

Minha filha. Tô aqui, pai.

Cadê ela?

Ela quem?

É bom chamar o doutor Rochim, não tá bem, não.

Vocês não estão hesitando? Ela tá chegando aí.

Aí aonde, pai?

Eu vi ela atravessando a praça.

Minha mãe?

Ela mesmo, doutinha.

Ela acionou para mim e chamou encolheu. É, isso é esse calor, essa seca.

Acontece isso mesmo, dá esse exaloamento.

O café já está chegando.

Toma, pai. Café, vai.

Estão olhando para mim como se eu estivesse maluco.

O que é isso, encolheu? Nada disso. A gente só está preocupado.

Eu acho que o senhor devia ir para casa descansar um pouco, viu?

Tocinha.

Dá licença.

Desculpe, mas não tinha ninguém.

Eu fui entrando.

A senhora... Eu sou cunhada do encolheu.

Cunhada? Tia?

Você, Bia?

Você encolheu? Vocês não me conhecem mais?

Bictela! Que que é, homem? Você está me olhando como se fosse um lã sem cabeça,

não é?

A senhora, então, é... É a irmã de Dona Redonda? Sou, que Deus a tenha.

Desculpe, eu esqueci de apresentar. É o prefeito Lua Viana.

Muito prazer. Minha cunhada Pitela. Ah, Pitela é apelido.

Ah, não tem importância não. É como todo mundo me chama.

Pitela. Pitelinha.

É, a senhora é muito parecida com a afinada Dona Redonda.

É, só que ela era muito mais gorda do que eu.

É, é pouquinha coisa.

Mas por que você não escreveu dizendo que vinha?

Olha, eu escrevi e você não recebeu minha carta?

Recebi uma dizendo que você estava pensando em vir. Mas eu resolvi não

mais e vim de uma vez, de uma alegria.

Pode deixar aqui.

Eu levo lá para dentro do quarto, viu?

Obrigado.

Quando a filha dela tirou esse retrato? É, alguns meses antes de morrer.

Estava pensando o quanto?

Uns trezentos e poucos.

Até que não estava tão gorda assim.

É, eu falava que ela carecia de fazer vejinho e de comer menos, mas ela não

ouvia. O falar em comer.

Sabe que eu fiz essa viagem de ônibus da Bahia até aqui, quase sem comer nada?

Foi.

Menino, eu que não sou de comer muito, estou azul de fome. Vamos ver como eu

estou abatida?

Ô, Bia, vai lá dentro e manda prestar o almoço.

Eu ia dizer, Dondinha, te cuida. Toma o remédio que o médico lhe mandou. É pro

seu bem.

Ô, o doutor disse, de bom falou. Toma atento, Dondinha. Não pode comer tanto

assim, Dondinha. E ela toca, comia, comia, comia, não ligava em portas.

Dondinha, te cuida, Dondinha.

Vem aqui.

Eu estava ali na porta da farmácia.

Ela veio vindo de lá. Acho que ela me viu aqui. Ela estava alegre.

Quando chegou bem aqui...

Eu tive um pressentimento.

Não pude fazer nada.

Coitada. Dondinha foi sempre assim.

Sem sorte.

Levamos três dias para recolher os restos mortais. E ela ainda foi faltando

alguma coisa.

E onde ela foi enterrada?

Eu vou levar você lá no cemitério.

Ai, eu quero ir. Quero levar umas flores para ela.

É possível, homem.

Eu não passei o atestado de óbito dela. Não, o senhor passou o atestado de óbito

para a minha mulher, que Deus a tem em bom lugar.

Amém. Esta é Bitela, minha cunhada, irmã de Dondinha.

Prazer. É, esse é o Cazuza. Cazuza. Maestro Cucino, doutor Rachinha.

Muito prazer.

É a própria fiel, hein? É, dona Redonda escarrada e cuspida, né?

É, também levei um grande susto quando vi. Tive até uma vertigem.

Mas é só a primeira olhada.

Depois a gente reparando, vê que tem alguma coisa diferente.

É, é o cabelo, né?

É. O cabelo de dona Redonda era mais amarelado, né?

É, isso mesmo. Vocês acham tão parecido assim?

Só que ela era muito mais gorda do que eu.

É.

Será?

Acho que não.

Fala que fala nisso. O senhor tem uma balança aí? Tem, senhora, ali.

É, eu chamei Vitela para tomar conta de Bia, depois da morte da mãe dela,

coitada.

Veja, eu peso muito menos.

Outra notícia bombástica movimenta a Saramandaia. Professor Aristóbulo revela

para sua amada que não tem mais dia certo para se transformar em lovisômen.

Antigamente era uma vez por semana, agora pode ser qualquer noite.

Essa noite mesmo, eu não posso ganhar dinheiro.

Não sei nada, alguma coisa deve estar acontecendo na humanidade.

Quando fica sabendo de toda a armação do falso milagre de Santo Onofre, Dalva

Rosado procura João e solta o verbo.

Ele, por sua vez, conta ao padre tudo o que descobriu. Esse apregoado milagre

não existiu. Ele foi forjado por Calito Prata.

Mas isso não passa de uma heresia?

Dona Maria, a paradeira, bate de frente com Gibão, não acreditando em nenhuma

palavra que ele diz.

E a lágrima de sangue? A lágrima de sangue que eu vi correr?

Eu fui a primeira pessoa que viu. O sangue era dele mesmo, do dedo dele.

Ele entrou aqui antes da missa, quando a igreja estava vazia.

Expertamente, Carlito se defende, contando ao padre sua versão dos fatos.

nessa hora que rola o maior fuzuê na sacristia da igreja. O único interesse

aqui é não passar por mentiroso, só isso. É, ele é um anjo.

Só faltam as asas. Não falta.

Ele tem.

Maria, olha essa boca.

Ele tem asas. Tem.

Respeite o lugar onde estão. Eu estou mandando o salto e ele... E larga, e

larga, e larga. Ele tem o rio.

Ele tem o rio. João vai desabafar com o protetor. E num picar de óleo, a noite

vira dia.

Imediatamente, os dois avistam na praça ninguém mais, ninguém menos que o líder

da Inconfidência Mineira. Uma participação pra lá de especial do ator

Coco.

Voltando ao martírio de Gibão, o seu caso vira destaque na imprensa. E antes

mais nada, eu gostaria de lhe dar os meus parabéns. Parabéns por quê? Porque

sou a notícia, eu sou a notícia de todo mundo. E que notícia!

Dá licença, senhor.

Dá licença.

O senhor me desculpe. Eu prometi estar lá embaixo esperando o senhor, mas o

senhor chegou adiantado. Eu sei. Acontece que eu resolvi decidir esse

mais depressa.

Aqui o chefe. Chefe.

Vereador João Evangelista Viano.

O senhor é excelente, né?

O senhor bota a excelência de lado. É apenasmente João Evangelista.

A gente já se conhece.

Eu não tive esse prazer ainda.

Comprei esse canal na sua mão.

O sinal ainda não pagou. Isso a gente resolve depois. Sente -se.

Prefiro ficar em pé mesmo.

De pé vai cantar. Nossa conversa é demorada. Quer dizer...

O

primão do Neto está à parte do dossiê. Está em cima da sua mesa, senhor.

Ah, é?

João Evangelista Viana.

João Evangelista da Rosa Viana.

Para ser mais exato e mais verdadeiro.

Que idade?

Trinta e três anos.

O João é evangelista.

Consta que o senhor tem asas.

Isso é verdade?

É verdade.

Quer dizer que o senhor confirma que tem asas?

Confirma.

O quê?

Isso é algum crime? Ah, não sei, não sei. Isso é crime, não sei. Não é

isso é com outras pessoas. Estou aqui apenas para apurar a verdade.

Há quanto tempo o senhor tem consciência disso?

Do quê?

Não tem raza.

Que pergunta mais boba. O senhor não está aqui para julgar as minhas

São bobas e são inteligentes.

O senhor está aqui para responder. Responda.

Eu respondo se quiser.

Mesmamente ainda porque eu não entendi a razão de tanto perguntório.

O senhor vai saber no fim. Vai saber no fim.

Eu estou aqui para apurar a verdade, para fazer investigações. Não estou aqui

para prejudicar ninguém. Eu conselho o senhor a colaborar.

Porque eu estou apenas com o objetivo de apurar a verdade.

E, evidentemente, as pessoas que colaborarem conosco terão isso levado em

Colaborarem como?

Na apuração da verdade.

A sua grata, por favor.

Meu nome...

Meu nome, por uma questão de segurança, eu preferia que não aparecesse. Mas o

senhor pode me chamar de Frederico.

Sr. Frederico, o senhor vai me perdoar a topetique, mas eu não vejo motivo para

tanta agulha.

E depois de instalar uma sindicato para curar a verdade, eu acho que só carece

quando essa verdade está escondida debaixo de um segredo, de um mistério.

acho que isso não é o caso. Mas como não é o caso?

Quantos anos o senhor levou escondendo as suas asas?

Mas não foi por mal. Então foi por quê?

Foi por receio de eu não ser aceito. Então o senhor sabia que era perigoso

asas?

Perigoso em que sentido, senhor? Porque não é normal, porque isso não está

inserido dentro do contexto.

Isso é uma coisa fora das regras, fora da normalidade. Porque um homem, como

julgamos que um homem de respeito seja um exemplo de cidadão, não tem asas.

Sente uma personalidade, uma única personalidade que tenha asas. Sente uma!

Por acaso, os nossos empresários têm asas? Os nossos industriais têm asas?

Ou os nossos usineiros? Ou os nossos senhores de engenho? Sente um que tem

Pelé tem asa!

Eu não sou Pelé.

Eu nem sou usineiro, nem nunca tive a pretensão de ser senhor de engenho,

menosmente ainda um industrial. Eu sou apenas um cidadão da província e o fato

de eu ter nascido assim acho que nunca prejudicou ninguém.

Prejudicar como, seu Frederico? Não me faça de trouxa. O senhor não é ingênuo.

Eu sei que o senhor é uma das pessoas mais inteligentes aqui nessa cidade.

Muito obrigado.

E eu sei que o senhor também vê as coisas muito lógico.

Naturalmente o senhor está se referindo a esse fato, esse dom que eu tenho de

prever o acontecido antes de acontecer.

O senhor saiba que eu preferia não ter esse dom.

O senhor...

Vê o acontecido antes de... É, isso até

tem nome.

Premonição.

É isso mesmo.

E o senhor tem premonição?

Às vezes acontece.

A dona Redonda, por exemplo, eu previ que ela ia explodir muito tempo antes de

explodir. Eu tentei evitar, coitada.

O senhor não sabe como é triste que a gente vê que vai acontecer uma desgraça

não poder evitar.

João Evangelista da Rosa Viana, isso, além do senhor ter

asas, ver o futuro, complica a situação?

Complica?

Complica.

E muito.

Mas nem só coisa ruim acontece em sua vida.

Marcina dá uma notícia que o deixa contente.

Você está esperando um filho, Marcina?

Você viu isso?

Santo Deus!

Depois de um período afastado, Lua e Zélia enfim se acertam.

Talvez a gente conserta esse discurso que houve entre a gente.

Vocês são dois meninos de coração mesmo.

É só passar uma vassoura no acontecido que não vai acontecer mais.

Eu também acho.

Quando Marcina vai aparar as penas da asa de seu marido, ele a surpreende com

uma nova decisão.

Eu não vou mais cortar.

Mas isso pode ser pior para você.

Os que sejam. Eu sei decidir.

Não vou mais cortar.

Vou indo.

Tenho que dormir bastante essa noite.

Acordar cedo.

Casamento é às 11 horas.

Sabe que ainda não consegui me convencer?

De que?

De que amanhã você vai ser meu marido.

Por quê? Está pensando que eu vou fugir?

Não, não acho isso.

Mas há uma sensação que ficou em mim, que você sabe a origem.

De você eu estou sempre esperando uma decepção.

Por favor, Adalva.

Estou sendo decente com você.

Por que você está sempre me agredindo?

Você vai mesmo para o hotel dormir?

Claro.

Eu vim de sono.

Eu sei.

Mas eu não vou cortar mais.

E como é que você vai fazer quando elas começarem a aparecer?

O tempo vai dizer.

Com o passar dos dias, Risoleta enfim assiste a uma transformação do professor

Aristóbulo em lobisomem, dessa vez com todos os detalhes. O problema é que a

dona da pensão parecia não ter se acostumado ainda com a ideia de ter um

namorado bem diferente do normal.

Estou com um pouquinho de medo.

O senhor não se ofende não, mas é que...

Eu amo o senhor assim mesmo.

É um amor que nunca houve, professor. Não, professor, tem medo, professor.

Meu Deus, o que vai acontecer? Pelo amor de Deus, professor. Não, professor.

Não, professor.

Passado o susto, Zico Rosado fica sabendo do romance dos dois e sai da

cuspindo marimbondos, quer dizer, espirrando mais formigas do que nunca.

Querendo tirar proveito no destaque que João Gibão vem tendo na imprensa,

Carlito força uma barra para conseguir a qualquer custo uma fotografia das suas

asas. Os dois acabam se confrontando e o pior acontece.

Ilustre homem pássaro de Saramandaia é enjaulado, mas com a ajuda de Marcina,

ele planeja sua fuga para o mesmo dia em que vão homenagear o santo padroeiro da

cidade. Enquanto isso não acontece, uma imagem deixa a família Rosado muito

assustada.

Sem minha autorização?

Você sabia.

Há três dias você sabe que a gente está arrumando a outra casa para mudar.

Ah, eu sabia que vocês viviam falando.

Mas não dei nem óbvio e nem consentimento.

Ou será que eu não sou mais nada dentro dessa casa?

Pai, só sabia que a casa estava condenada.

Condenada são vocês?

Ei, quem é que estão levando aí a minha cama?

Pai! Não, bota, bota. Olha aqui no meu bracinho aí dentro.

Vocês podem levar tudo o que vocês quiserem, mas ninguém vai mexer no meu

quarto. Bota isso lá. Bota.

Bota. Bota, diabo.

Pai.

Não me diga que o senhor não vai conosco. Eu não vou mesmo.

Quer dizer que vai ficar aqui sozinho? Sozinho.

Eu pensei que tinha filhos, que tinha mulher, que tinha família.

Mas eu vejo que não tem nada.

Não faz um drama, pai.

Pai, eu providenciei tudo, mas certamente a pessoa ia acabar

E também acho que o senhor não tem o direito de arriscar a vida de sua

por causa de um capricho.

Capricho? Isso mesmo, um capricho suicida.

Então vão embora.

Se vocês acham que a casa vai cair, vão embora.

Se a minha autoridade como chefe de família não merece mais respeito, vão

embora. Se a minha palavra, os meus sentimentos e a minha opinião já não

significam nada mais para você, então vão embora do arreio.

Eu nunca pensei que isso poderia acontecer.

Eu não disse que ele estava doente. Isso não é a atitude de uma pessoa normal.

É nesse momento que Risoleta aparece para mais um acerto de contas.

Você me dá nojo.

A

fuga

de João Gibão da cadeia é bem sucedida. E é no alto de um morro que ele se

esconde ao lado do seu inseparável passarinho.

Nos últimos capítulos, uma grande tragédia acontece em Saramandaia. A casa

Zico Rosado desaba completamente e o coronel é tragado para dentro da terra.

Como o corpo não é encontrado, é realizado em sua homenagem um velório

simbólico.

Você não vai querer ir dentro, né, Isoleta? Eu não, só vim aqui ao

Danoso, tem um bocado de gente, né?

O homem era querido mesmo, é isso? É, depois que morre, todo mundo é querido.

E aí, Dulcinha?

São eles? São eles, sim.

Vocês vieram?

É, ela quis vir, né?

Era meu avô.

Fez bem.

Olha, vamos depressa que o enterro deve estar passando.

É, vamos depressa.

Eles vão levar um susto.

Cristiano disse tudo.

Ele contou.

Foi uma pena não sabermos.

O que foi isso? Você está ficando maluca? Eu acho que eu estou nisso.

Algo diferente vou sentir, vou precisar me esconder na sombra

da lua cheia.

Pensei que você estivesse no velório.

Eu estava lá.

Mas como todo mundo também estava lá, imaginei que você estivesse sozinha.

mesmo, porque não apareceu ninguém.

Aí eu fiquei pensando, quem sabe que o professor... Mas eu achei que era

impossível. Você estava na velória? Muito mais divertido, não é? O que é

Não diga isso.

Professor, você ouviu a lua?

Vi.

Lua cheia.

Eu sempre sonhei que ia ser uma noite de lua cheia.

Foi justamente por isso que eu saí lá do velório.

Ela está cantando alguma coisa?

É a lua cheia.

Você sabe.

Se eu soubesse lá no meu quarto, da minha janela, a gente vê um luão enorme.

Vê?

que se esparrama pela minha cama.

Como o professor Aristóbulo não comparece ao enterro, Dona Copu sai em

notícias do seu neném. É aí que Risoleta mostra para ela uma surpresinha.

Esta noite aconteceu um milagre. Venha ver.

Ele conseguiu dormir.

Desde as duas horas da noite.

Os jagunços de Carlito Prata descobrem o paradeiro de João Gibão. E o cerco se

fecha completamente para o seu lado.

Pavão misterioso

Mas é humano.

É João.

É ele, é Gibão.

Meu Deus do céu, ele está voando.

João é um evangelista.

Ele está em liberdade.

A gente vai se ver de novo em alguma parte desse mundo.

Eu acho mesmo, gente.

Sabia que a gente gostava...

Não tem mais minha donzela, nossa sorte nesta

guerra.

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