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AMOXICILINA
AVISO DE DESPEJO
Aria.
Aria.
Aria. Vá lá, querida.
Tens de te levantar. Vamos.
- Olha, mãe. Codifiquei-o. - Eu sei, querida. Isso é muito bom.
Mas vou tirá-lo daqui porque gastei o que tinha em pilhas e fios.
E o projeto da feira de ciências não se pode molhar.
Sei tomar banho sozinha.
Não quero que caias e te voltes a magoar, está bem?
Tenho de ir à escola hoje?
É isto todos os dias.
Aria, tens de ir para a escola, está bem? É por isso que és inteligente.
Podes dar-lhe o dinheiro para ela parar de gozar comigo?
Quem?
A professora disse que preciso de 40 dólares para almoçar
e deixar de comer o almoço especial.
- Ela disse isso à frente da turma? - Sim.
Anda, querida. Vamos. Vamos lá.
A ÚLTIMA GOTA
Vamos.
- Pega nisso. Não a arrastes. - Quero a transparente.
Por favor, não tenho tempo para isto hoje, está bem?
Lamento, Benny. Hoje não tenho nada para ti.
Os teus dentes?
Entra no carro.
Entra e põe o cinto.
Só tenho isto, está bem?
Deus te abençoe, querida.
- Não compres álcool. - Não.
Já não bebo.
Está bem.
Tens dinheiro para lhe dar, mas não para pagar a renda?
Estou a ficar farta dessa treta. Já pedi o despejo!
Pagam-me hoje e tenho uma pausa às 10 horas.
Trago o dinheiro durante a minha pausa.
- Prometo. - É melhor! Senão vai tudo para rua!
Eles podem baixar a música para a minha filha dormir à noite?
Nem pensar! Ele paga a renda.
De que raio está ela a falar?
Põe o cinto.
ESCOLA PRIMÁRIA WOODROW WILSON
Olha, querida. Pagam-me hoje, está bem?
E venho dar-te o dinheiro para o almoço.
Vais comer com os outros.
Prometes?
Prometo.
Anda lá. Não te podes atrasar.
Pronto, adoro-te.
Também te adoro.
Tem um bom dia.
Já vou!
Vai ajudar-nos?
Vou picar o ponto.
Muito bem. Se ela for aí, diz-lhe para me ligar.
Estou a tentar falar com ela.
Sim.
O início do mês é sempre um zoo.
A Angela está doente.
Tenho duas caixas abertas, por isso despacha-te.
Despacha-te. Que lentidão é essa?
Merda.
Vejam-me a lentidão daquela mulher.
Posso atender a próxima pessoa.
Lamento, senhora. O cartão WIC só cobre certos artigos.
Eu faço sempre isto.
Não sei com quem o fez, mas não podemos aceitar.
És polícia dos benefícios?
Vou precisar de 38,28 dólares...
De 38 dólares? Vai-te foder. Dá-me o cartão. Anda.
Mas que...
Limpa isto. Se alguém escorregar, é um processo.
Despacha-te!
Ela volta já, pessoal. Ela volta já.
Aquela cabra magoou-te?
Não, estou bem.
Como está ela?
Ela está bem.
Toma.
Não posso aceitar. Mal tens para ti.
Não é nada. Já ajuda com a medicação.
Não posso aceitar. Recebemos hoje, vai ficar tudo bem.
Janiyah, não podes continuar assim.
Estou preocupada.
Está tudo bem.
O médico disse que estas coisas melhoram com o tempo.
Depois vou ter mais tempo e volto a estudar Enfermagem.
Vamos ficar bem.
Um passo de cada vez. É só isso.
Está bem.
Vamos, antes que o cabrão volte.
- É um chato. - Sim.
Espera, vou já.
Estou?
Sim, a Aria falou-me do dinheiro.
Eu vou levar o dinheiro do almoço.
Porque fizeram isso? As crianças ficam envergonhadas.
Ela caiu na banheira. Não!
Por favor, não faça isto. Ela caiu! Pergunte-lhe.
Já lhe disse que ela está doente.
Não faça isto. Não posso sair do trabalho.
Queres este trabalho ou não?
É da escola da minha filha.
Podia ser o presidente. Viste o tamanho daquela fila.
Está bem.
E estás ao telemóvel.
Isso vai contra a nossa política.
Richard, espere! Por favor.
Tenho de ir à escola da minha filha.
- Desculpe. - Sei que não queres sair.
Disseram que eu tenho de ir.
Janiyah, tens sempre qualquer treta.
Richard, por favor. Sou só eu e a minha filha, não tenho mais ninguém.
Volta em meia hora, ouviste?
- Não posso... - Queres ir ou não?
Está bem. Pode dar-me o cheque?
Perdeste completamente o juízo.
Tenho de cuidar da caixa, fazer o teu trabalho e um favor?
Se não sais da minha frente... Vai.
Meia hora!
BANCO BENEVOLENT
Posso ajudar. Sem depósitos em dinheiro. Se tiver os cheques, posso ajudar.
Com licença.
Olá, sou a Janiyah Wiltkinson. Trabalho ali ao lado.
Sim, eu sei quem é.
Sim. Eu tentei levantar 40 dólares da minha conta,
mas continua a dizer "fundos insuficientes",
e sei que tenho 47 dólares no banco.
Viu essa mensagem porque a sua conta é encerrada
se tiver menos do que o mínimo necessário.
- Então, posso fechar... - Tem de ir para a fila.
- É que a minha filha... - Lamento.
ESCOLA PRIMÁRIA WOODROW WILSON
- Vim mal pude! - Desculpe, Mna. Wiltkinson.
- Mamã! - O quê? Esperem!
Sou a Dianne Hutchinson da CPCJ.
- Deixem-me só falar com ela. - Mamã!
Não entende!
Ela tem convulsões e precisa da medicação.
- Ela não gosta de estar sem mim. - Ouça...
Quero a minha mãe!
Ela não pode ficar agitada!
- Ouça... - Não!
Não!
A asma dela é horrível. Não grites, Aria!
Espera lá.
Vão levar a minha filha?
Ela estará em boas mãos.
- Ela já está em boas mãos. - Mãe!
É o que determinaremos.
- Ela está segura comigo! - Mãe!
A professora e a diretora disseram que ela vem para a escola com fome.
Você...
Eu tenho dois empregos, está bem?
Tenho dois empregos para garantir que há comida na mesa, está bem?
Ela não pode comer de tudo. Você sabe disso!
Eu dou-lhe o que o médico manda!
Segundo a professora, falta higiene.
Meu Deus, isso é mentira! É mentira!
Às vezes, falta o gás.
Está bem? Falta o gás e não temos água quente.
Mas dou-lhe banho. Eu dou-lhe banho!
Mas ela fica com muito frio.
Estou a dizer a verdade.
Juro que estou a dizer a verdade!
- Vamos visitar a casa. - Por favor.
Porque estão a fazer isto?
Por favor, não levem a minha filha.
Já está feito.
Não, por favor!
Aqui tem o meu cartão.
Temos a sua informação. Entraremos em contacto.
E a medicação dela?
Ela estará em boas mãos.
Sua cabra estúpida!
Estás feita!
Vais desejar não ter saído de casa.
Ainda bem que apareceu.
Um tipo atirou-me para fora da estrada. Tenho a matrícula dele.
É ele!
- Não sabias que eu era polícia, pois não? - Carta e livrete.
Mas não fiz nada de mal.
- Bateste no meu carro novo! - Bateu em mim!
Carta e livrete, senhora.
Espero que não os tenhas, para eu te poder prender, cabra.
Eu trato disto.
Estás muito nervoso. Volta para a esquadra. Vai!
Se te voltar a ver, seja onde for,
encontro uma forma legal de rebentar-te os miolos! Ouviste?
Então? Sai daqui.
Não sejas branda.
Tem a carta e o livrete, senhora?
Já caducou.
Eu sei. Eu recebo hoje e ia tratar disso. Hoje. Por favor.
Vou multá-la e apreender o seu carro.
Não, por favor. Preciso do carro.
- Senhora... - Não posso pagar a multa!
Preciso do carro!
Senhora, se ligar o carro, será presa.
Estou a ser branda. Ele não seria. Quer que o chame?
Fique aí e não se mexa.
A seguir.
Não, senhora.
Vá para a outra caixa, por favor. Não. Obrigado.
Chamei a Michelle.
Sim.
Estiveste fora duas horas.
Olha para ti.
Vai para o escritório. Vai.
Olha para ti.
A pingar o chão.
Eu...
Eu vou ter de te despedir.
Preciso do trabalho.
Pois é.
Devias ter pensado nisso antes de te atrasares duas horas!
Eu sei que foste ao banco!
A Michelle viu-te lá!
Disseste-me que ias à escola!
Tentei levantar dinheiro para a minha filha poder almoçar.
Tens demasiadas desculpas!
Lamento, mas vou ter... Não, espera.
Não lamento nada.
A culpa é toda tua!
Estás despedida.
E o meu cheque?
Queres o teu cheque?
Quem é despedido recebe o cheque pelo correio.
É a política da empresa.
Não posso esperar. Tenho de pagar a renda
e arranjar dinheiro para a minha filha almoçar.
E o que queres que eu faça?
O cheque está ali.
Não te vou dar nada.
Põe-te a andar!
Não!
Não!
O que fez?
Disseste que vinhas às 10 horas, no teu intervalo. Não foi o que disseste?
- Não! - Sei que não tens o dinheiro!
É por isso que a tua tralha está aí.
O que não levares, vai para o lixo!
Não!
Não!
Não!
Isto...
Porque fez isto?
Deves achar que sou parva!
Não!
Não!
Onde estiveste? Liguei-te o dia todo, mulher!
Mas que merda é esta?
Preciso do cheque.
Que parte do "correio" não entendeste?
Eu e a minha filha vamos ficar sem casa.
Por favor.
E que tenho eu que ver com isso?
Estás despedida. Põe-te a andar daqui para fora!
Credo!
Está bem, vou buscar-te no sábado.
Como está, menina...
Janiyah?
Vendem Black & Milds aqui?
Não devia estar...
Caluda! Dá-me o guito!
- Merda! - Dá-me o guito!
- Leva-o! - Tudo!
- Leva-o! - E abre o cofre!
Tira o dinheiro, velhote!
- Despacha-te! - Está bem! Calma!
Vamos!
- Pousa isso! No chão! - Está bem!
- Está bem! - Pega na merda do dinheiro!
Leva-o! Leva tudo!
- Aliás, põe aqui. - Não, por favor!
A minha filha precisa disto!
Põe o dinheiro na mochila!
Dá-lhe!
Dá-me isso! Foda-se!
Merda! Dá-lhe a mochila!
Raios!
Achas que sou parvo?
Tu fizeste isto!
Foste tu!
Tu planeaste isto!
Vais para a prisão!
Eu não o conhecia.
Ele disse o teu nome, Janiyah.
- Estou? - Ele leu o crachá.
Estou? Ouça...
Houve um assalto e a minha funcionária planeou tudo.
A Janiyah Wiltkinson.
Vais para a prisão. Sim.
Porque não lhe deste a mochila?
Disseste que era da tua filha. Ela conhecia-o! Janiyah, tu conhecia-lo!
Vais para a prisão!
Quero ver-te a criar a tua filha da prisão!
Lamento, estamos fechados.
Tenho de descontar o cheque.
Lamento, já passa das 16 horas.
Jones.
Deixa-a entrar.
Obrigada.
Olá de novo.
Ela ajuda-a.
Mas que raio?
Sim, isto foi feio.
Assalto?
O dinheiro está ali.
Este aqui tentou assaltar
e aquele é o gerente.
Tiros à queima-roupa. Um na cabeça, outro no peito.
- Dispararam um contra o outro? - Não.
Câmaras?
- Funcionam? - Era o que eu queria mostrar.
Está tudo a funcionar. Pus em loop.
Sabemos quem ela é?
Segundo o 112, chama-se Janiyah Wiltkinson.
A vítima ligou e disse que ela planeou tudo e o alvejou.
Aqui está o ficheiro dela. Estava no arquivo.
Parece que estes dois vieram assaltar e ela veio receber.
Mais alguém a conhece?
Inspetora Kay Raymond. Testemunhou isto?
Só vi a Janiyah lá dentro. Ouvi tiros e fugi.
O que sabe sobre ela?
Ela é boa pessoa.
É uma boa mãe.
E não faria uma coisa destas.
Ela planearia um assalto?
Nem pensar.
Ela não.
A Janiyah é minha amiga.
Eu conheço gente ruim, mas ela é diferente.
Não é mentira. É a verdade. Ela não faria isto.
Ela é mãe, tem uma filha e isso tudo!
Sabe se ela conhecia o assaltante?
Ela não fala com ninguém.
- Um agente virá falar consigo. - Têm de a ajudar.
Ela está a passar um mau bocado.
E só me tem a mim.
Não entendem. Ela não faria isto.
Acreditem, ela não faria isto.
Obrigada.
Sim, ela está envolvida. Foi-se embora no carro do criminoso.
Quero um alerta para o carro dela e ela como pessoa de interesse.
Pessoa de interesse?
- Queres ver o vídeo de novo? - Billy, eu trato disto.
E encontra os leitores de matrículas da zona.
Está bem.
A seguir.
Preciso de levantar isto.
Deve ter filhos. Entornaram tinta ou algo do género?
A sua identificação?
A sua identificação?
Foi roubada.
Lamento, mas não pode levantar isto sem confirmar a sua identificação.
Já me ajudou antes. Levante-o.
- Eu sei, mas... - Por favor.
É a nossa política. Não pode levantar sem identificação.
Conhece-me, Tessa. Já me ajudou. Levante o cheque.
Eu entendo, mas...
Pode falar com a gerente. Talvez ela a consiga ajudar, mas...
Lamento.
Lamento, mas...
- Meu Deus! - Levante o cheque. Levante-o.
- Está bem. - Por favor.
Está bem.
ALARME SILENCIOSO
Banco Benevolent, fala a Nicole. Em que posso ajudar?
Daqui fala do 112. Recebemos um alerta de assalto.
Sim, exatamente.
Como se chama?
Nicole Parker. Sou a gerente.
É a sucursal da Rua Mimms?
Sim.
Está a ver a pessoa? Se sim, pode descrevê-la?
Sim.
Uma mulher negra. Cerca de 1,70 m.
Tem um colete vermelho e calças de ganga.
É uma cliente nossa. Ela trabalha no Super Center do outro lado da rua.
Sabe o nome dela?
Não me lembro do apelido.
Mas acho que ela se chama Janay ou algo do género.
Janiyah Wiltkinson, senhora?
Como sabe?
A polícia está a caminho.
Meu Deus.
O que foi, senhora?
Ela tem uma bomba.
Fique em linha.
E despejou-a hoje?
Pode crer que sim.
Aria Wiltkinson.
- Quem é? - É a filha dela.
Ela estava doente.
A Janiyah levava-a sempre ao hospital.
Mesmo com dificuldades, ela ainda me dava moedas.
É boa rapariga.
Estou-me nas tintas para o que o Benny diz.
Tenho o direito de a despejar e foi isso que fiz.
Podemos ver a casa?
Pode pagar o primeiro e o último mês?
Senão, não vê nada.
- Senhora, seria bom que colaborasse. - Billy.
Não vale a pena.
Como assim?
Acham que eu quero saber da polícia? Caguei para vocês.
Estás bem?
Estou.
Demasiadas memórias, Billy. Demasiadas memórias.
Assalto a banco. Suspeita: Janiyah Wiltkinson.
Mas que raio? Vamos.
Espere.
Porque me está a dar... Não quero isto tudo!
O que está a fazer?
Não, só quero levantar o meu cheque.
O meu cheque é de 521 dólares. Levante-me o cheque. Não quero isso.
Sim. Está bem.
Jones, tens de tirar toda a gente do banco.
- Estamos a ser assaltados. - O quê?
Sim, ela tem uma arma e uma bomba.
Sim.
Vou passar ao segurança.
Toma, Jones. Fala com ela.
Lamento, senhor. O banco está fechado.
- Espere. Como assim? - Senhor!
Têm de sair.
Estou há montes de tempo na fila.
- O que foi? - O meu dinheiro?
Sabe quanto tempo esperámos?
Estamos a ser assaltados.
- Desculpe. - Sim?
Não sei o que lhe deu. Pode vir aqui?
Sim.
Ela está a dar-me muito dinheiro.
- Só quero levantar o cheque. - Eu faço isso.
Porque está a agir assim? Não lhe fiz nada!
- Eu sei! - Só me pede a identificação.
- Não tenho. - Mas precisa.
- Ela conhece-me! - Ela conhece-a!
- Porque finge que não me conhece? - Calma, eu resolvo isto.
Porque a conheço.
Eu conheço-a.
- Obrigada. - Está bem?
Só preciso do dinheiro.
Só preciso de levantar o cheque. É tudo.
- Só preciso de 521 dólares. - Tessa.
- Por favor. É só isso. - Entendido.
- Tessa? - Sim.
Levanta-lhe o cheque.
- Tessa? - Porque chora?
Está tudo bem.
Levanta o cheque.
- E a unidade móvel? - Chega em dez minutos.
- Emitiram um alerta? - Sim, senhor.
Muito bem. Falem-me dela.
Janiyah Ann Wiltkinson, 42, sem cadastro,
foi filmada a matar o chefe no Super Center.
Liguem para o banco.
Precisamos de falar com o banco imediatamente.
Rápido. Quero saber a situação lá dentro.
O local do crime foi grave?
Muito grave.
Achamos que ela planeou o assalto e correu mal.
Ela fugiu de carro.
Ou...
Fala.
Pelo que vi no vídeo, ela parece ser uma vítima envolvida num assalto.
Então, porque mataria o chefe?
Ela foi despejada de casa.
E resolveu roubar um banco.
Ou estava sobrecarregada e queria receber.
Ela foi apanhada num assalto, passou-se e matou-o.
Vem comigo.
Notas de 20, por favor. Preciso de notas de 20.
Não!
Tiros disparados, senhor! Baixe-se! Tiros disparados!
- Mãos ao alto! - Mãos ao alto!
Calma, não fomos nós!
Mãos ao alto!
A senhora está a assaltar o banco. Este é o segurança.
- Ela disparou contra si? - Não.
Tentei derrubá-la e a arma disparou.
Ele não mexeu uma palha.
Que estupidez.
Credo!
Levantem-se!
Levantem-se!
Parem com isso! Eu não fiz nada!
Está tudo bem.
Deste-me o dinheiro! Tramaste-me!
Eu só precisava de levar 40 dólares para a escola.
Estamos no Banco Benevolent,
onde está a decorrer um assalto.
A polícia recebeu um alerta e, quando chegaram, ouviram um tiro.
Martha, nós também ouvimos. Foi há pouco. Foi caótico.
Dois homens saíram a correr
e já receberam ordens da polícia.
Pelo que sabemos,
a suspeita chama-se Janiyah Ann Wiltkinson.
Segundo fontes da polícia, ela é procurada por um homicídio
no Super Center, na Alameda Beneville, perto do banco.
Tessa, dá-me o telemóvel.
Banco Benevolent.
Sim.
É para si.
Quem me está a ligar?
Só usamos telemóveis no banco para facilitar.
Estou?
Janiyah? É o chefe Wilson.
Está bem.
A unidade móvel chegou.
Ela desligou. Liga-lhe de novo.
- Onde está o negociador? - Está a chegar.
Senhor.
O que foi?
É melhor eu falar com ela.
Porque achas isso?
Voz de mulher, ela pode identificar-se.
Está bem.
Porque achas que é o melhor a fazer?
Um homem assaltou-a, um homem tramou-a.
Ela matou um homem.
Como sabes que ela foi tramada?
Intuição, senhor.
- Anda. - Sim, senhor.
- Se correr mal, a culpa é tua. - Sim.
Ela não quer falar consigo.
Pode pôr-me em alta-voz?
Já está.
Olá, Janiyah.
Sou a inspetora Raymond.
Porque há tanta polícia lá fora?
É o negociador.
Boa. Uma agente está a falar com ela.
- Quer assumir? - Espere.
- Vou ouvir por enquanto. - Certo.
Reportaram um assalto ao banco.
- Não! - Ouça...
Sei que é assustador,
mas tenho de perguntar: estão todos bem?
Ouvimos um tiro.
Não!
A arma disparou sem querer! Ele atirou-se a mim e...
E a arma disparou!
Entendido.
Mas temos de ter muito cuidado.
Há muita gente aí que se pode magoar, e não queremos isso, está bem?
Ouça, eu não roubei o banco.
Só vim levantar o meu cheque.
Mais nada.
É bom saber que não está a assaltar o banco.
Porque não pousa a arma,
sai daí com a mochila e resolvemos isto?
Ela deu-me o dinheiro e eu disse-lhe que não queria!
Chamaste a polícia? Porque fizeste isso?
Porque fizeste isso?
Parem de gritar!
Janiyah, ouça-me.
Isto parece ser um grande mal-entendido.
É mesmo. Porque...
... eu não vim roubar o banco!
É o que tento dizer!
Venho cá muitas vezes. Porque fizeste aquilo?
Está tudo bem.
Mas nunca tinha ido ao banco com uma mochila e uma arma.
Entende a confusão?
- Ela está a sair-se bem. - Ótimo.
Eu... Esta arma nem sequer é minha!
Está bem.
Então, pouse a arma e saia do banco.
Vamos falar e resolver tudo.
Não.
Não, só preciso do meu dinheiro.
Tenho de levar 40 dólares à escola,
porque ela precisa de comer.
Se não comer, vão gozar com ela!
E eu...
Vim buscar o dinheiro para a minha filha!
Tudo bem, eu posso fazer isso.
Mas tem de vir falar comigo.
Está a mentir.
Não me pode ajudar!
Nunca ninguém me ajudou!
Eu faço tudo sozinha!
Tudo, foda-se! Eu faço tudo sozinha!
Querem matar-me,
culpar-me por assaltar o banco, mas não fiz isso.
Querem prender-me. O que vai ser da minha filha?
O que vai ser da minha filha?
Está a mentir!
Pronto. A nossa melhor opção é ajudá-la a contar a sua verdade.
QUANTOS REFÉNS?
Quantas pessoas estão aí consigo, Janiyah?
Não sei.
Se não quer sair, pode deixar todos saírem?
Mais ninguém precisa de se magoar.
Não quero que ninguém se magoe! É o que tento dizer! Não vim cá para isso!
Desligue o telemóvel.
- Desligue! - Está bem!
Ela desligou.
Há algum problema elétrico?
As luzes estão a piscar. A chamada caiu por isso? Liguem de novo!
Dan, quer assumir agora?
- Não, ela portou-se muito bem. - Certo. Ótimo.
E agora ela confia na inspetora Raymond.
É melhor ela ficar.
Onde aprendeu isto?
Fui especialista em negociação no Exército.
Boa!
O seu dinheiro, Sra. Wiltkinson.
Janiyah.
Janiyah.
O seu dinheiro.
Ouça...
Acho que isto foi tudo um mal-entendido.
Mas podemos corrigi-lo.
Posso dizer-lhes que foi um engano.
Quer que façamos isso?
Pode dar isto à minha filha?
- Tome. - Eu...
Por favor.
Ela vai querer receber isto de si.
Ele não vai deixar.
Elas que fechem os estores.
Agora!
Tessa, Rayah, fechem os estores. Está tudo bem.
Rápido!
Está tudo bem. Fechem.
Fechem tudo! Tudo para baixo!
- E voltem. Rápido. - Venham.
Certo.
Pronto.
Certo.
Já temos imagens.
- Boa. Ampliem. - Ampliem!
- E a brigada antibomba? - Está a chegar.
Quero que alguém me diga o que é aquilo.
Entendido.
Tenho de me sentar.
Sim.
Traga-lhe uma cadeira.
Vá!
Lamento, está bem?
Sei que têm as vossas vidas.
Então, liberta-nos!
Lamento!
Eu...
Eu só preciso de um momento para ver o que posso fazer.
Jovem, não há nada a fazer.
Entrega-te.
Não posso deixar que ele me mate.
Não sei qual é o vosso problema.
Nunca roubámos nada a ninguém.
Nem eu.
Então, o que é isto?
Vamos parar, sim?
Ela disse que não veio assaltar o banco.
Não a irritemos.
Mas isto é irritante!
Vocês não querem trabalhar.
Sou um veterano de guerra! Lutámos muito para vocês terem liberdade
e é assim que nos agradecem.
Não aceito esta merda. Vou-me embora. Anda.
Ela vai deixar os dois saírem?
Temos dois reféns a sair.
Só mais um pouco, está bem? Sim?
Tranque a porta!
Muito bem! Volte aqui.
Janiyah, não precisa de fazer isto!
Podemos sair daqui juntas!
Não posso deixar que ele me mate.
Quem vai tomar conta da minha filha?
Ela é tudo o que tenho.
Eu só...
Preciso que fiquem comigo. Por favor.
Nunca peço nada a ninguém. Por favor.
Está bem? Eu só...
Só tenho de pensar. Está bem?
Só tenho de pensar no que fazer.
Só preciso de pensar.
Ela vai matar-me. Está zangada comigo.
Tessa, tens de ficar calma.
Ela não te vai magoar.
Porque não fugimos? Ela deixou-os ir.
Esta senhora é idosa e não consegue correr.
Posso ir com a Rayah? Por favor!
Temos de fazer algo!
- Não... - Não aguento mais.
Ela tem uma bomba na mochila.
Meu Deus!
Uma bomba?
Após tantos anos... Meu Deus, não quero morrer assim.
Aqui têm.
Tomem.
Tomem!
Certo. Muito bem.
Muito bem.
Sentem-se!
Sentem-se!
Um ladrão que dá cadeiras aos reféns?
Eu sei, mas viste os locais do crime.
Pronto.
Já não precisam de ficar de pé.
Eu sei como é ficar de pé o dia todo.
Chefe, temos a planta do banco.
Podemos lançar uma granada de luz e som e entrar.
Ela tem uma bomba.
Acho que ela não tem treino.
Tens a certeza?
Que saibamos, não.
Pode ser falsa.
Ou aprendeu na Internet e a bomba é real.
Bom, como ainda não temos a certeza, vamos ter de esperar.
Não podemos entrar com quatro reféns.
Ouçam.
- Devíamos chamar o FBI. - Merda.
- O que foi? - Não é uma assaltante qualquer.
Pois não. É uma assassina.
Ela nem sequer tentou impedi-los de sair.
Foi buscar cadeiras para os reféns.
Uma testemunha disse que ela não é assim.
Outra testemunha disse que é boa pessoa.
Acho que ela se passou.
O que a impede de se passar ainda mais e rebentar com o banco?
Ouçam.
A inspetora tem boa intuição.
Podemos resolver isto pacificamente.
Se o FBI se envolver, eles vão assumir o controlo.
O interesse deles pode ser outro.
- O nosso é impedir o assalto, certo? - Não, é salvar-lhe a vida!
Vimos as coisas dela na rua. Vimos a medicação da filha dela.
Trata-se de lhe dar uma oportunidade.
Ouçam.
Não vamos ligar já ao FBI.
Aliás, vamos esperar que eles nos liguem.
Está bem?
Vamos ganhar tempo. Liguem-lhe de novo.
- Liguem-lhe outra vez. - Sim, senhor!
Dan? Quer assumir agora?
Inspetora Raymond, é consigo.
Estes telemóveis!
Estes telemóveis estão a enlouquecer-me.
Quero desligá-los.
Como se desligam?
É melhor falar com eles.
Janiyah.
Não, quero desligá-los.
Janiyah.
É melhor atender.
Eles podem saber como a tirar daqui em segurança...
... até à sua filha.
Estou?
Janiyah, é a inspetora Raymond de novo.
Obrigada por atender. Como vão as coisas por aí?
Porque há tantos polícias aí fora?
É por minha causa?
Eu já disse que não vim assaltar o banco.
Há uma transmissão ao vivo da suspeita.
Vamos mostrá-la aos telespetadores.
Sim, conseguimos.
Eu só queria descontar o cheque.
Nunca roubei nada na minha vida.
Nem sabia que tinha esta arma.
É por isso que vos tento explicar
que eu não queria que isto acontecesse.
E deixou isso claro. Porque não paramos isto, Janiyah?
Não posso sair. Vão disparar.
Ninguém vai disparar.
Não, ele disse que, se me voltasse a ver, me rebentaria os miolos.
Quem disse isso?
O polícia que está aí fora!
Ele está aí e disse que me ia matar!
O agente que me fez despistar.
E a outra agente também está aí. Eu vi-a.
Ela mandou rebocar o meu carro.
Eu disse-lhes que precisava do meu carro.
Quando a minha filha adoece, eu tenho de a levar ao hospital.
Não posso esperar pela ambulância!
Certo. Eu percebo.
Vai ficar tudo bem.
Prometo que ninguém a vai magoar.
Por favor, saia e vamos falar.
Não posso sair
e deixar que me matem.
Eu precisava do dinheiro para comprar a medicação da minha filha doente.
Janiyah.
Saia do banco e eu ajudo-a.
Vai ajudar-me com o meu chefe?
Ele acha que planeei o assalto à loja.
Aquele homem roubou-me
e bateu-me!
Ele leu o meu nome no crachá.
O meu chefe pensou que ele me conhecia e que eu tinha planeado tudo!
Ele não me quis dar o cheque!
Ele despediu-me!
O meu chefe despediu-me
Ele despediu-me porque a escola me mandou ir ver a minha filha!
Então, despediu-me!
A medicação da minha filha é muito cara.
É tão difícil...
Eu trabalho tanto.
Tenho dois empregos e mal me sustento.
Só quero fazer a coisa certa para a minha filha. É tudo.
Levaram-na
porque ela caiu na banheira, porque está doente.
Ela desequilibrou-se. Ela queria...
Ela quer tomar banho sozinha.
Ela caiu.
Viram hematomas nas costas dela e culparam-me.
Eles levaram-na.
Não quiseram saber.
Está bem, tem razão. Tem todo o direito de estar chateada.
Podemos tentar descobrir uma forma de a ajudar, Janiyah.
Não quero que se chateie.
Fui despejada.
Fui despejada hoje. Não temos onde viver.
A medicação da minha filha
foi atirada para a rua.
E eu disse-lhe: "Fui despedida. O meu chefe vai enviar-me o cheque."
Ela não pôde esperar três dias.
Três dias!
Não sabe como é difícil cuidar da minha filha
com o pouco que eu ganho.
Não consigo comprar metade do que ela precisa.
E a minha senhoria não quis saber.
Ela pôs-nos na rua, à chuva.
O que lhe vou dizer quando ela chegar?
É demasiado.
Tudo depende de mim.
Ninguém quer saber.
Ninguém nos vê.
Esta é a minha vida.
Diariamente, vezes sem conta.
Não sei o que fazer.
Entende isso, certo?
Não tenho nada.
Sim.
Eu entendo que é difícil.
Eu vejo-a.
Eu ouço-a.
Janiyah, eu importo-me.
Recomponha-se, está bem?
Não me conhece. Não se importa.
Só quer que eu saia para aquele homem me matar.
Não a conheço.
Mas revejo-me em si.
Não só fui criada por uma mãe solteira, como também sou mãe solteira. Está bem?
Tudo depende de mim.
Lembro-me de chegar da escola e ver que nos tinham despejado.
A minha mãe ficou tão zangada.
Ficou tão chateada.
Não. Mude de assunto.
Isto pode despoletá-la, está bem?
Que idade tinha?
Nove anos.
A minha filha tem oito.
Eu entendo. Mas sabe que mais?
Lembro-me de dizer à minha mãe o quanto a amava.
Eu disse-lhe que a amava e que íamos ficar bem.
E, Janiyah, prometo-lhe
que vai ficar bem.
A Janiyah e a sua filha. Vão ficar bem.
Vão ficar bem.
Chefe, estamos em direto.
O quê?
Liga aqui.
Ouça, está bem?
Parece que o seu dia foi longo e desgastante.
Parece que não dormiu. Está bem?
Acho que, se sair, poderemos resolver isto. Prometo.
Pare de dizer isso!
Pare de dizer isso. Só saio quando ele se for embora.
Ela está emotiva.
- O que me fez despistar! - Peça-lhe para se entregar.
Despistou-me e disse que me mataria de forma legal!
- Janiyah. - E a outra.
A que me passou as multas!
- Ouça. - Ela sabe que não posso pagar!
Porque ninguém quer saber de mim!
Por isso, não! Eu não vou sair.
O que foi?
Vou ver como ela está.
Estás bem?
Estou.
Ouve.
Sei que te dou na cabeça.
Fizeste um excelente trabalho.
Desculpa.
Eu não sabia daquelas coisas.
Estamos bem?
Sim.
Como é que ela foi parar à televisão?
Chefe, uma refém fez um direto com o telemóvel.
Uma das bancárias.
Desliguem o raio do sinal dos telemóveis.
E descubram quem é o tal agente.
Sim, senhor.
Se ela foi multada, quero saber quem a multou.
Entendido.
Estas câmaras vão dar aonde?
- À sede. - Não.
- Aqui. Quero desligá-las. - Não estou a perceber.
Onde estão as câmaras ligadas?
- Lá atrás. - Leve-me lá.
Não se mexam.
Não se mexam.
Ela destrancou a porta?
- Não. - Destrancou a da esquerda.
Ela apenas empurrou. Não está trancada.
Tenho de sair daqui.
Tenho de ver se a porta está destrancada.
Ela tem uma bomba. Senta-te.
- Tenho de sair. - Tessa.
- Não. - A chave está atrás do balcão.
Tessa!
Tessa!
Tessa!
Devia ter cuidado com isso.
Eu sei. Trabalhámos muito nisto.
Percebe de eletrónica?
Não.
Espere.
O que aconteceu?
Perdemos a ligação.
Raios!
Tessa!
Tessa!
O que estás a fazer?
Tenho de ir à casa de banho.
Temos todas de ir.
Está bem.
Há aqui alguma casa de banho?
Sim, ali atrás.
Está bem.
Uma de cada vez.
Não, nada.
Nem uma multa em nome dela?
Talvez no condado de Dale? Vamos ver.
Certo.
O que será que estarão a fazer lá fora?
Queres um rebuçado de menta?
É você que açambarca os rebuçados?
Tessa.
Pelo que cobram de comissões, sei que mereço uns rebuçados.
Lamento,
mas ela tem-nos aqui presas e estão a tratá-la como uma mártir.
Isto está errado.
Tessa, chega.
Deixe-a falar.
Ela tem de se calar.
Quantos anos tens?
Porquê?
Porque não entendo como é que alguém pode ouvir o que ela disse
e não sentir nada.
Não digo que é correto
e não concordo com isto,
mas espero que tudo corra bem, querida.
Obrigada.
Está frio por causa do ar condicionado.
Tenho um casaco no meu escritório.
É já ali.
Posso ir buscá-lo.
Isto é de loucos.
- Ela tem uma bomba. - Então, cala-te.
Aqui está.
Obrigada.
Cheira bem. Gosto do perfume.
É caro?
Foi um presente do meu marido.
Ele trata-a bem?
Ele é incrível.
Que bom.
Não podemos ter um filho com qualquer um.
Parece que passou por muito hoje.
As negras passam sempre por muito.
É a sua família?
Sim.
Um casarão nos subúrbios.
Não é um casarão.
Para mim, é.
O meu apartamento é do tamanho desta sala.
Sempre quis ter uma casa assim para mim e para a minha filha.
Quantos anos têm as suas filhas?
A mais velha é a Jennifer, ela tem 16 anos.
E...
... a mais nova é a Jasmine,
e ela tem sete anos.
A Aria... É a minha filha.
Espero que ela melhore com a idade. Principalmente das convulsões.
Já a vi aqui com ela.
É atenciosa.
Eu reparo nessas coisas.
Seja como for, muitas mães solteiras vêm cá.
Não sei o que faria sem o meu marido.
Não. Haveria de se safar.
Bom, temos de resolver isto
para voltar para a sua filha.
E para eu voltar para a minha família.
Vai voltar.
Mas vão prender-me por tudo isto.
Janiyah, não lhe vou mentir.
A situação é grave.
Eu sei.
Vai passar algum tempo na prisão,
mas vai sair,
e a sua filha estará à espera.
E para onde irá ela? Para uma família de acolhimento?
Não.
Há alguém da sua família que possa ajudar?
Não.
Não a quero com as minhas irmãs e a minha mãe. São loucas.
Mas tudo bem.
Não faz mal, porque vamos sair daqui
assim que mandarem aquele homem embora.
Quando se livrarem do polícia. Venha.
Merda!
Eu sabia que viriam.
A situação pode piorar num instante, Billy.
- Ajuda-me a encontrar o agente. - Estou a tentar.
O que é aquilo?
- Não sei. - Vá lá ver.
Libertem a Janiyah!
O que estão a dizer?
Libertem a Janiyah!
Dizem: "Libertem a Janiyah."
Libertem a Janiyah!
Estão aqui por si.
Está nas notícias.
Libertem a Janiyah!
Libertem a Janiyah!
MULTIDÃO APOIA SUSPEITA
APESAR DE TUDO, ELA PERSISTIU
APOIAMOS A JANIYAH NÃO SOFRAS EM SILÊNCIO
ISTO ACABA AGORA ADORAMOS A JANIYAH
Vou tentar falar com a multidão e ver o que se passa.
Minha senhora, o que faz aqui?
Estamos fartos desta merda! Passamos por muito.
Não podemos falar assim na televisão. E o senhor?
Chamo-me Benny. Eu conheço-a.
Ela não mentiu. A vida dela é difícil.
Estou aqui, Janiyah.
Sou um sem-abrigo. Ela quase não tem nada, mas sempre me deu algo para comer.
Mas o senhor sabe que ela é procurada por homicídio.
O que fizeram aqueles cabrões?
Merda, eu entendo.
Estas merdas fazem-nos passar.
Faz um direto, Janiyah.
Peço desculpa aos telespectadores pela linguagem,
mas, como veem, a multidão
está inflamada e emotiva com a situação.
Esta multidão apoia totalmente a suspeita de assaltar o banco.
Nunca vi uma coisa assim.
Saiam todos. O FBI vai assumir o controlo.
- Merda. - Vamos.
O comando era seu, mas agora é nosso.
A sério?
A sério. Jim, pega no monitor.
Susan, fica aqui.
Bryce, sabe que está tudo sob controlo.
Discordo. Isto já dura há horas.
Falámos com ela. Só falta fazê-la sair.
Está bem.
O objetivo é esse, não é?
Sim.
Sete reféns?
Ela soltou dois.
E uma bomba.
Presumimos, mas...
Tenho a forte intuição de que ela se vai entregar pacificamente.
Intuição?
Sim. Ela confia na nossa agente, a inspetora Raymond.
Esta agente?
Sim.
Certo. Ouça, chefe.
Deixaram-na fazer um direto e criar tumulto.
Não tem isto sob controlo.
Discordo totalmente.
Ela matou o chefe a sangue-frio, tem uma bomba,
mas criou laços com uma agente sua.
Acho que não tem isto sob controlo.
Como eu disse, vamos assumir o controlo.
- Agente Bryce... - Chefe Wilson, já sabe o que se segue.
É um caso federal. Vamos assumir o controlo.
Temos de encontrar o agente.
Está bem.
Sei que não se lembra,
mas eu estava a sair do sítio onde se levantam cheques,
e a senhora tentou convencer-me a abrir uma conta aqui.
Disse-me para não deixar que eles me sacassem dinheiro.
Abri uma conta por sua causa.
Porque se preocupa tanto?
Eu trabalhava na sucursal de East Dale e...
As mulheres chegavam com dinheiro,
recebiam cartões de crédito e empréstimos como se nada fosse.
Pedi para ser transferida para aqui, para nos poder ajudar.
Mas havia tanta burocracia,
tanta coisa criada para nos impedir de avançar.
Só queria fazer a diferença.
Está a fazer a diferença.
Diz a mulher que está a assaltar o banco.
Não és boa pessoa.
Desculpe a minha irritação, mas estamos aqui sentadas há horas.
Está a ficar calor.
Sim. Porque está tanto calor?
Desligaram o ar condicionado.
Eles não me conhecem. Estou habituada a dormir com calor.
Não tem ar condicionado?
Não.
Nasci em 1943.
Não havia ar condicionado nem casa de banho onde eu cresci.
Vocês não sabem o privilégio que têm.
Nem tu.
Porque, querida, por pior que seja, há sempre alguém que está pior.
Eu sei.
É por isso que tento ser sempre grata.
Querida, sair e desistir é ser grata.
Eu não queria fazer isto.
Está bem?
Eu...
Eu só...
Quando eu estava no hospital com a minha filha, eu só...
Algo dentro de mim se desfez e...
... sinto que tenho andado fora de mim desde então.
Aquele...
Aquele hospital...
Eles estão-se nas tintas.
A minha bebé nasceu prematura,
Quando as águas rebentaram,
estavam a dizer-me o que ela tinha...
... e eu sabia que algo não estava bem.
O médico mandou-me sentar.
"Sente-se!"
Eu sabia que era estranho, eles queriam que eu perdesse a minha bebé.
Sei que parece loucura,
mas é verdade.
Quando não tens seguro...
Acredito em ti.
As pessoas não sabem como é caro ser pobre.
Não tenho ninguém.
Bom, tem-me a mim.
Fica com a minha filha quando me prenderem?
Como família de acolhimento? Só até eu sair?
Ela não vai dar problema, é boa rapariga.
Ela superou as expectativas até agora.
Achavam que ela não sobreviveria.
Por favor.
Porque não tenho mais ninguém.
Está bem.
Vou falar com o meu marido, e sei que ele aceitará.
Eu fico com ela.
Obrigada.
Lamento.
Não me sinto bem.
Pode dar-lhe água?
Espere. É diabética?
Sou.
Não.
Temos de a deixar sair.
Certo. Tessa.
- Sra. Isabella. - Vá. Leve-a.
- Vamos, Sra. Isabella. - Cuidado.
- Venha. - Lamento.
Eu ajudo-a.
Cuida-te, jovem. Está bem?
Está bem.
Pronto. Vamos, Sra. Isabella.
Certifique-se de que a ajudam.
Está bem.
Pronto.
Ela precisa de um médico!
Ela precisa de um médico!
É uma cliente! Não disparem! Não disparem, porra!
Cuidado, ela é diabética!
- Venha comigo. - Largue-me!
Não a posso deixar entrar. Lamento.
Ela confia em mim. Não vou abandonar o meu pessoal.
Senhora.
A sua agente deixou uma refém voltar para o banco.
Vá-se foder.
Libertem a Janiyah!
Espero que ela fique bem.
Eles estão com ela.
Certo.
Inspetora Raymond.
Sim, ela é diabética.
Têm de medir os níveis dela. Pode dizer-me se ela está bem?
É o agente Bryce, do FBI.
É a Janiyah?
Onde está a inspetora Raymond?
- Estou... - Então?
Vamos assumir a investigação.
Como estão todos?
Bem. Quero falar com a inspetora Raymond.
Lamento, mas agora fala comigo.
O agente foi-se embora?
Qual agente?
É por isso que preciso de falar com a inspetora Raymond.
Ela sabe quem é.
Isto já dura há demasiado tempo.
Está na hora de libertar os reféns e se entregar.
Não vou a lado nenhum enquanto aquele agente estiver aí!
Não volto a repetir!
Quem assalta um banco não decide o que quer fazer, entende?
Não estou a assaltar o banco!
Isto é um crime federal.
Já dura há demasiado tempo. Tem de sair do banco.
Só vou sair quando o agente se for embora.
Senhora.
Ele não me deixa falar com a inspetora Raymond.
Quero falar com a inspetora Raymond!
Senhor, por favor, chame a inspetora Raymond.
Ela agora só fala comigo. Quem fala?
Sou a Nicole, a gerente da sucursal.
Nicole, ela tem de falar comigo.
Por favor, senhor, chame a inspetora Raymond.
- Já me estou a passar! - Ela pegou na mochila!
- Janiyah, não tem de fazer isto. - O quê?
Janiyah, por favor.
- Não! - Janiyah.
O que está ela a fazer?
Podemos sair daqui juntas.
- Estou a passar-me! - Nós conseguimos!
- Por favor... - Que barulheira!
- Não... - Céus... Desligue o telemóvel!
Não, por favor!
Nicole!
- Janiyah! - Não faça isto!
- Por favor! - Não tem de fazer isto!
Sai!
Por favor.
A minha filha fez isto.
É o projeto da feira de ciências.
Dá comigo em doida.
Não é uma bomba?
Não é uma bomba. É...
Eles acham que é uma bomba?
Este tempo todo?
Vocês... Não é...
Pode dizer-lhes que não é uma bomba?
É para a feira de ciências.
Tem de lhes ligar e dizer que não é uma bomba.
Se explicarmos, eles vão entender.
Tenho de ir ao WC.
Vá! Diga-lhes que não é uma bomba!
SENHORAS
Recebemos uma mensagem.
"A bomba é falsa. Uma arma."
Ligue e diga-lhes.
Está bem.
Ligue à inspetora Raymond e diga-lhes que foi tudo um engano.
Tem de lhes dizer que é um projeto.
O que foi?
É melhor não fazermos isso.
Porquê?
Eles têm procedimentos quando o assunto são explosivos.
Mas...
Pode ser a única coisa
que os impede de entrar e invadir o banco.
Não quero que se magoe.
Então, vamos dizer-lhes que vamos sair.
E vai deixar a mochila aqui.
Acha que é melhor?
Acho.
Mas o agente tem de se ir embora.
Está bem.
Prometa-me.
Prometo.
Inspetora Raymond.
Sim.
Diga-lhe.
Eu multei-a.
Livrete caducado. Agi conforme a lei.
- Rebocou o carro dela? - Sim.
- Despistou-a? - Não.
Certo. Ela disse que havia outro agente lá. Quem era?
Não tenho tempo para estas tretas, agente Sam. Diga-me.
Não sei. Ela disse que era um polícia.
Vai mentir-me, porra?
Diga-me a verdade!
- Quem era? - O agente Oliver.
Ele bateu no carro dela?
Não vi.
O carro dela ficou danificado?
Sim. Ele fez uma manobra PIT.
Raymond, para. Não faças isto.
Mas que raio se passa aqui, inspetora Raymond?
Ele sabe o que se passa!
Diz-lhe o que fizeste, porra!
Não fiz nada.
Que raio se passa?
O que se passa?
Ele multou-a e fê-la despistar-se. Ele causou tudo isto!
Tenho provas, chefe.
Foi ele.
Tu. Vem comigo.
Vamos.
Estás feito, cabrão! Estás feito!
Agente Bryce, sabemos quem é o agente.
Basta de conversa.
Os telefones estão a tocar. Atenda!
Basta de conversa.
Atenda o telefone!
Foda-se! Vá-se foder!
Raios!
É a inspetora Raymond.
É a inspetora Raymond.
Estou?
- Inspetora Raymond. - Sim.
Quem era aquele idiota?
Estou aqui agora.
Só queria que soubesse que encontrámos o agente.
Encontraram?
Sim. Demorou porque ele é de outro condado.
A agente que a multou disse-nos.
Pelos danos no seu carro, ele bateu-lhe.
Promete?
Prometo.
Quero ver uma foto dele.
Uma foto?
Provem-me que sabem quem ele é. Quero ver uma foto.
Posso mostrar-lha quando sair.
Não.
- Envie-ma por mensagem. - O seu telemóvel não tem sinal.
Os telemóveis do banco só servem para chamadas internas.
Ativem o sinal do telemóvel.
Vocês conseguem, têm o poder. O FBI pode ativá-lo.
E depois envia a foto.
E sai do banco?
Sim. Eu saio. Envie-me a foto.
Vou mandar ativar o sinal.
Nem pensar. Ela tem de entregar os reféns.
Janiyah, o FBI pode ativar o seu telemóvel.
Mas vamos precisar de algo em troca.
Está bem.
Envie-me a foto e eu solto toda a gente.
Vá lá! Vale a pena tentar.
Vai enviá-la?
Sim. Vamos ativar o seu telemóvel.
Está bem.
Quando me enviarem a foto, eu liberto toda a gente.
E depois diz-lhes o que ele me fez.
Mostre-lhes o que ele me fez.
Porque eu não menti!
Diga a toda a gente que eu disse a verdade. Está bem?
Sim, vamos fazer isso. Sim.
E eu sei que aquela agente tinha uma câmara corporal. Ela viu tudo.
Ela obrigou-o a voltar para o carro dele porque ele me ameaçou!
Está bem. E depois sai?
Sim. Eu saio.
Mas deixa a arma e a mochila, certo?
Sim.
Quando sair, levante bem as mãos.
Ande devagar, em direção à polícia.
Vai lá estar?
Sim, vou estar lá. Siga a minha voz.
Está bem.
Já lhe ligo.
Envie a foto.
Já lhe envio a foto, está bem?
Encontraram-no.
Encontraram-no.
Eu disse-vos.
Não menti. Encontraram-no.
Eu disse que não era mentira.
Apaguem as luzes.
- O quê? - Vamos entrar.
Ela vai sair! Porquê entrar?
Isto já dura há 12 horas. Vê aquelas pessoas?
Não, está a ver isto?
Vão amotinar-se! Podemos acabar isto pacificamente!
Teve a sua oportunidade.
Ligue o raio do sinal.
Estão todos a postos?
Estão a gozar comigo?
Não. Raymond, o que estás a fazer?
O que estás a fazer?
Que raio está ela a fazer?
Inspetora Raymond!
Quem está a bater?
Janiyah!
É a inspetora Raymond.
Janiyah, é a inspetora Raymond. Eu falei consigo.
O que é que ela quer?
Eles não querem ligar o sinal. Lamento.
Mas tenho a prova no meu telemóvel. Posso mostrar-lhe a foto.
Abra. Vá buscar o telemóvel.
Ele foi-se embora. Prometo.
Eu levo-lhe a foto.
É ele! Eu disse que não estava a mentir!
Eu sei que não.
Diga-lhe que é ele.
Ela disse que é ele.
Ele foi-se embora.
Podem ir.
Vão. Tessa, Rayah.
Espere.
O que está a fazer?
Não, podem ir.
- O que faz? - Vão.
Vou sair com ela.
Está bem.
Não. Vá.
Pode ir.
Não.
Vamos fazer isto juntas.
Nunca tive ninguém ao meu lado.
Lamento.
Por tudo isto.
Tem-me a mim.
Vem visitar-me à prisão?
Sim. Prometo.
Vou visitá-la com a Aria.
E vou dizer-lhe que é uma mãe muito corajosa.
E, por favor, dê os 40 dólares para o almoço da minha filha.
Está bem.
Avancem.
O telemóvel está ligado.
É a minha mãe.
Estou?
Janiyah, a merda do FBI está na minha casa.
Porque assaltaste o banco?
Não assaltei, mãe! Eu só...
Só vim levantar o meu cheque para dar dinheiro à Aria!
- Janiyah! - Para não a gozarem!
Janiyah.
O que foi? Eu só queria isso, mas tudo se descontrolou!
- Para. - Sabes que ela precisa de medicação!
Meu Deus, Janiyah.
Tudo se descontrolou. Juro!
A Nicole está aqui. Ela é a gerente.
- Diga à minha mãe que foi sem querer! - Janiyah.
O que foi?
Ela morreu.
Teve uma convulsão ontem e levaste-a ao hospital.
Ela morreu, Janiyah.
Já vou.
Estou?
Mna. Wiltkinson?
Desculpe, quem fala?
É sobre as suas contas vencidas.
Não faça isto, não posso sair do trabalho.
É da escola da minha filha.
Desculpe! Vim assim que pude.
Desculpe, mas não lhe ligámos.
Está bem?
A minha filha morreu.
Eu sei.
Eles disseram-me.
Lamento imenso.
Ela faleceu ontem à noite.
Mãos ao ar!
Janiyah.
Janiyah.
Janiyah.
Vamos.
Janiyah.
Tem de levantar as mãos.
Entregue-se.
Janiyah!
Levante bem as mãos.
Vire-se, Janiyah.
Agora recue, siga a minha voz.
Estou consigo.
Estou aqui, está bem?
Estou aqui.
Obrigada.
Prazer em conhecê-la.
Legendas: Miguel Oliveira
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