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1627
APÓS ALGUNS ANOS DE PAZ...
O REINO DE FRANÇA ESTÁ À BEIRA DE UMA NOVA GUERRA RELIGIOSA.
O REI LUÍS XIII, AINDA SEM HERDEIRO, GOVERNA UM PAÍS DIVIDIDO EM DOIS.
DE UM LADO, AS FORÇAS PROTESTANTES APOIADAS POR INGLATERRA.
DO OUTRO, A NOBREZA CATÓLICA QUE PROCURA EXPANDIR O SEU PODER.
O REI CONTA COM O SEU MAIS PODEROSO MINISTRO, O CARDEAL DE RICHELIEU...
PARA RESTAURAR A AUTORIDADE DA COROA.
MAS, MUITOS SUSPEITAM QUE O AMBICIOSO CARDEAL PROCURA O PODER.
NUM AMBIENTE DE CONSPIRAÇÃO E REVOLTA...
D'ARTAGNAN, UM JOVEM GASCÃO, VIAJA ATÉ PARIS NA ESPERANÇA...
DE SE JUNTAR AOS MOSQUETEIROS DO REI...
Siga o seu caminho!
Enterre-os a todos.
Ocupem-se dela.
OS TRÊS MOSQUETEIROS: D'ARTAGNAN
PARIS
Mademoiselle Bonacieux?
A Condessa de Valcour espera uma resposta antes desta noite.
O navio parte com a alvorada.
Está bem.
"Neste sábado, como em todos os sábados sagrados...
irá confessar-se na Abadia de Val-de-Grâce.
Eu também lá estarei, em segredo, e confessarei que, apenas, penso em si.
Daqui a seis dias, excepto se morrer...
voltarei a vê-la, Madame.
O seu estimado servo, o Duque de Buckingham".
Ele insiste em vir a uma cidade onde arrisca a sua vida.
E, ao fazê-lo, também coloca em risco a minha honra.
Sua Majestade, a Rainha!
Com a aprovação dos emissários de Sua Santidade, o Papa...
Arthus d'Épinay de Saint-Luc...
o Bispo de Marselha, ficará à direita de Sua Majestade.
O Frei François de Loménie, da Ordem de Saint Domenique...
O que é que se passa, meu irmão?
O teu casamento com a Duquesa de Montpensier não lhe interessa?
Devíamos estar a preparar-nos para uma guerra, não para um casamento.
Para uma guerra?
Para uma guerra contra quem?
Os Protestantes.
Senhor, há várias semanas que La Rochelle tem vindo....
a consolidar forças, a reunir homens e armas.
Eles querem uma secessão!
Se não agirmos, em breve, teremos um estado dentro de outro estado.
Um pé de Inglaterra em França.
Então, Sr. Conde, você deseja...
que eu declare guerra...
contra os protestantes...
e Inglaterra?
Os protestantes obedecem aos ingleses.
Saint-Blancard, o líder deles, está em Londres.
Onde foi recebido pelo próprio Buckingham.
Porque é que o Ministro da Guerra inglês acolheria os protestantes de La Rochelle...
senão para preparar uma guerra?
Devemos livrar o país destes hereges!
Então, não é a guerra que almejam, é uma cruzada.
Um Deus, uma nação, uma religião.
Basta!
Não irei ordenar outro massacre como o de Saint Barthélemy!
Os sinos de Saint-Germain-l'Auxerrois soarão desta vez pela boda de casamento.
E não pelo massacre dos protestantes.
Devo relembrá-lo de que o nosso pai foi assassinado pelos católicos?
Desconfie dos seus amigos devotos.
- Majestade, está a insinuar... - Eu não insinuo.
Eu sou o Rei.
A nobreza, apenas, deseja lutar por si.
Somos os seus verdadeiros amigos.
O Rei não tem amigos.
Apenas súbditos e inimigos.
Então, mostraremos aqui e agora, que todos somos seus súbditos.
Não é verdade?
Ele autointitula-se Luís, o Justo.
Mas, ele é apenas Luís, o Fraco.
Meu filho...
não é do teu irmão que estás a falar.
Estás a falar do teu Rei.
Estavas lá, minha mãe?
Porque não ouvi a tua voz.
Já aprendeste a falar alto?
Mas, se aprenderes a segurar a tua língua...
talvez sejas ouvido.
Vossa Eminência.
Milady.
E então?
Graças a si...
o Buckingham e a Rainha vão, finalmente, poder encontrar-se.
Há alguma dificuldade?
Morto e enterrado.
A Rainha prefere a desonra à guerra.
Então, ela terá a desonra.
E nós... teremos a guerra.
Com licença. Ando à procura do Capitão De Tréville.
Ele aguarda-o?
Não, mas, eu tenho uma carta de recomendação.
É aquela fila ali.
Obrigado.
O que é isto?
- Vai demorar dois dias! - Não, três.
Aquele cavalheiro de verde chegou de Carcassonne no domingo passado.
Boa sorte.
Não! Isto não é válido.
Alto! Alto!
Primeira linha!
Em posição!
Vamos, Mosqueteiros!
Próximo.
Cinco pés, oito polegadas.
Próximo.
Pode servir para mim.
Em posição!
Fogo!
Ouçam-me!
Ontem de madrugada, os soldados de Richelieu depararam-se...
com um grupo de idiotas, bêbados como porcos...
que armaram uma confusão nas ruas.
E quem é que acham que eram estes inúteis?
Os Mosqueteiros do Rei!
Deves saber de alguma coisa, uma vez que foste reconhecido.
Capitão, como é que eu posso...?
Não seremos motivo de chacota junto dos guardas do Cardeal.
Capitão de Tréville?
Meu jovem.
Chamo-me Charles d'Artagnan. O meu pai mandou-lhe esta carta.
D'Artagnan? O filho do Achilles?
Sim.
Por onde é que esta carta andou?
Ambos levamos um tiro de mosquete. A minha bíblia deteve a bala.
És o primeiro a ser salvo pela religião este ano!
Eu conhecia bem o teu pai. Como é que posso ajudar o filho dele?
Sê breve. O meu tempo não me pertence.
Saí da Gasconha para vestir a casaca com as cores do rei, tal como ele.
O meu sonho sempre foi ser Mosqueteiro.
Irei escrever ao Director da Academia Real.
Não posso fazer mais nada. Irás juntar-te aos cadetes.
E quem sabe se, um dia, não te tornarás Mosqueteiro?
Fique descansado. Não irá demorar muito tempo.
Desculpe.
O quê? Só isso?
Acha que será suficiente?
Eu já lhe pedi desculpa.
Só tenho um braço, mas, tenho duas orelhas.
O seu pedido de desculpas não me pareceu nada sincero.
Peço-lhe desculpa. Mas, tenho muito pressa.
Você é, sem dúvida, muito grosseiro.
Quando um gascão pede desculpas, ele já fez mais de metade do que deveria.
Efectivamente, nota-se que vem de longe.
Posso ter vindo de longe, mas, não será você que me dará uma lição de boas maneiras.
Vou-lhe dar uma lição. À minha maneira, para que possa aprender.
Saiba que me cruzarei no seu caminho quando assim o desejar.
E onde, por favor?
Calvaire Saint-Sulpice, às 11:00.
Lá estarei.
Por Júpiter!
Corre de olhos fechados?
Desculpe, mas, ando atrás de uma pessoa.
Se tivesse mais alguma carne, assá-lo-ia no espeto.
Se me contarem a piada, poderemos rir-nos juntos.
Eu rio muito, quando me apetece.
Pois, mas, não se irá rir de mim.
Por uma boa gargalhada, fá-lo-ei calar-se.
E onde, por favor?
- Nos Jardins do Luxemburgo? - Nos Jardins do Luxemburgo, ao meio-dia.
Será um bom aperitivo.
Lá estarei.
Corra.
Um golpe é o suficiente e...
Está bem.
E mais golpes. Primeiro...
Monsieur...
acho que deixou cair este lenço.
Deve estar equivocado. Este lenço não é meu.
É da minha mulher.
Deve tê-lo deixado cair.
Estava perto dos seus pés. Pensei que fosse seu.
Mas, também estava perto dos seus.
Correcto.
Equivoquei-me.
Receio que eu também.
Deixou-me em maus lençóis.
Sinto muito. Não procuro problemas.
É claro que não os procura.
Porquê? Aparento ter medo?
Não seja néscio. Seria prudente ter medo.
Então, sou um néscio.
Bem me pareceu.
Monsieur, não devia tentar humilhar-me.
Ouça-me...
eu, apenas, luto quando sou obrigado. E sempre com enorme desgosto.
Mas, é muito grave. Uma mulher foi comprometida por sua culpa.
Por minha culpa?!
Não posso ensiná-lo a viver, então, ensiná-lo-ei a morrer.
E onde, por favor?
Ao meio-dia, Rue des Carmes.
Ao seu dispor.
Desculpe, poderia ser às 13:00?
Aproveite mais uma hora da sua existência. Eu concedo-lha.
Obrigado.
Desculpe. Confundi-o com outra pessoa. Lamento profundamente.
Pensei que o tinha matado.
Já estou habituado.
Peço desculpa. É que havia um homem a seguir-me.
Não foi nada.
Constance.
Constance Bonacieux.
Encantado.
D'Artagnan.
Veio pelo anúncio, não é verdade?
Exactamente.
Qual anúncio?
Do quarto para alugar.
Eu alugo.
Está bem.
Não deseja ver o quarto antes?
Sim. Não. Está bem. Já vi o suficiente.
O golpe deve-lhe ter afectado a visão.
Espero que a audição ainda esteja boa.
Sim.
O valor é uma libra por semana, pelo quarto.
Uma libra por semana?
Isso mesmo.
Bom, então, isto deverá cobrir quatro semanas.
Ou quatro tábuas para o meu caixão.
Magoei-o assim tanto?
Não, não foi você.
Mas, dentro de uma hora, terei de defrontar três homens.
Então, eles irão matá-lo?
Sim.
Mas, pelo menos, será um Mosqueteiro.
Que belo sítio para morrer.
Já pensei muito nisso.
Ainda não fomos apresentados.
Athos de Sillègue d'Hauteville.
Conde de La Fère.
Charles d'Artagnan, da Gasconha.
Quando eu terminar de o matar, vão dizer que eu como crianças.
E que eu mato idosos.
Pareço-lhe assim tão cansado?
Vejo que me honra com este duelo, apesar de estar ferido, não é verdade?
Se a minha mão direita falhar...
a esquerda servirá para matá-lo.
Convoquei dois amigos que me servirão de testemunhas.
O que é que ele faz aqui?
Este senhor é a sua testemunha?
Aqui está o Porthos.
E o segundo... chama-se Aramis.
Vou ter um duelo com o Sr. D'Artagnan.
Pois, eu também vou ter um duelo com ele.
Apenas ao meio-dia.
E será às 13:00 que eu o irei matar.
Ouçam-me, o Sr. Athos terá a oportunidade de me matar primeiro...
o Sr. Porthos depois, e...
- Aramis. - E Aramis, por último.
Perdoem-me por não poder agradar aos três.
Quando é que chegou a Paris, D'Artagnan?
Cheguei esta manhã.
Três duelos, em três horas com três Mosqueteiros.
Se não tivesse de matá-lo, pagar-lhe-ia uma bebida.
Pode beber à minha saúde.
Athos.
Os guardas do Cardeal.
Fomos seguidos.
A lutarem, senhores?
Os duelos estão proibidos.
Larguem as vossas espadas e venham connosco.
A minha espada odeia pó, Jussac.
Se a quiser, venha até aqui e apanhe-a.
Cuidado, amigo.
Eles são sete e nós somos três.
E o Athos está com um pé para a cova.
E o outro pronto para pontapeá-los!
Senhores...
disseram que são, apenas, três. A mim, parece-me que somos 4.
Podes matá-lo, por favor? Ele é insuportável.
E, então, senhores, já decidiram? Ou ainda vão decidir?
Esperem, esperem.
Estávamos, apenas, a treinar este cadete a pedido do Capitão De Tréville.
Todos por um!
Um por todos!
Você não é irmão da Lucie de Maupin?
Não ouse dizer o nome dela!
Vá-se embora! Não irei fazê-la sofrer outra vez!
Vá! Antes que eu mude de ideias!
Que dia é hoje? Pretendo que saiba a data da sua morte.
É dia de Sainte Roxanne. Dia 7.
Será dia 7, então.
Ainda sou, apenas, um cadete.
Mas, irei matá-lo, quando for Mosqueteiro.
D'Artagnan!
Esta rivalidade entre as nossas tropas é ridícula e repugnante.
Não podemos deixar que os nobres se matem precisamente quando a guerra se aproxima.
Se controlar os seus soldados, eu controlarei os meus.
O Rei!
Então, estes são os diabos...
que eu devo castigar?
Eles estão muito constrangidos e arrependidos...
e vieram desculpar-se.
Não podem fazer justiça pelas vossas próprias mãos.
Esse direito pertence-me...
e, apenas, a mim.
Monsieur...
imploramos o seu perdão.
Quem é este jovem?
D'Artagnan, Vossa Majestade.
Foi você que...
deu aquele golpe fatal ao Jussac?
Sim, Vossa Alteza.
Bem, eu não lhe "dei" nada...
Foi, apenas, um empréstimo, mas, ele não conseguiu devolver-mo.
Você é muito arrogante, meu jovem.
É a minha única riqueza.
E coloco-a, inteiramente, à disposição de Vossa Majestade.
Pois, guarde-a para mim...
em vez de andar a desperdiçá-la em todo e qualquer sítio.
20 homens em dois dias. É demasiado.
A este ritmo, Sua Eminência o Cardeal...
terá de substituir toda a sua companhia em... três semanas.
Arranjem uma vestimenta para este pobre jovem.
Fiquem avisados, os pés de um Rei...
nunca marcham para trás.
O próximo que se bater num duelo...
irá definhar nas galeras.
Nunca lá estive, mas, dizem-me que é pior do que Inglaterra.
- Então, vejo que não morreu? - Não.
Não, lamento imenso. Ainda terá de me proporcionar alojamento.
Que lástima. Já tinha encomendado as tábuas para o seu caixão.
É melhor guardá-las bem, madame.
Tenho dúvidas que este rapaz sobreviva a esta noite.
Agora, sois rico.
O meu pai costumava dizer...
"O dinheiro serve bem, mas, governa mal".
Bem... ele tinha razão. Paga esta rodada.
Obrigado.
Saúde!
A pobre coitada tem poucas hipóteses.
O Aramis tem os seus princípios.
- Ele é casado? - Muito pelo contrário!
Aramis é um jesuíta dividido entre a Igreja e o Exército.
Pela manhã, pretende ser um General. À noite, um bispo.
Com mulheres casadas, ambos as situações são possíveis.
E o Athos?
Ele tem os seus demónios.
Afoga-os em bebidas alcoólicas, mas, eles já aprenderam a nadar.
Aramis!
Tudo aquilo que o Porthos te disse é mentira.
Ele, apenas, disse que és um homem gentil.
Viste? Sou tudo menos gentil.
Cuidado, D'Artagnan.
Se Porthos te colocar sob sua protecção...
acabarás no ninho dele.
- Gostas de...? - Porque não?
Gosto de tudo aquilo que me cai na cama ou no prato.
Isso é muita coisa!
Excepto os idiotas.
É uma pena. Nunca passarias fome!
Vamos! Vamos!
Um belo joelho é um belo joelho!
Os valentes cadetes da Gasconha...
de Carbon a Castel-Jaloux.
Os valentes cadetes da Gasconha...
Olhos de águia, pernas de cegonha...
Bigodes de gato...
e dentes de lobo.
Lutando contra a ralé nas ruas...
Olhos de águia, pernas de cegonha...
com um chapéu para qualquer clima, escondem os buracos com penas.
Olá, bom dia.
Senhorita, bom dia.
Dormiu bem?
Bom dia, Constance. Bom dia, Constance.
Bom dia, Constance.
Vamos! Vamos!
Não!
Não!
Meritíssimo...
Athos d'Hauteville, Conde de La Fère...
lutou na Flandres, contra as Províncias Unidas.
Na Baviera contra o Sacro Império...
no Palatinado...
na Lombardia e Sabóia.
Ele lutou em mais batalhas do que os que estão aqui presentes nesta sala.
O lugar dele não é estar...
é num pedestal.
Obrigado, Capitão, mas, aqui não julgamos estátuas.
Julgamos homens.
Conde...
sois oriundo de uma das famílias mais nobres do país.
Mas, o seu sangue e os seus títulos não o protegem. Pelo contrário.
É aquele que nasce nobre, que deve levar uma vida digna.
O seu irmão, Benjamin de La Fère...
é conhecido por ser um defensor da causa de La Rochelle.
Você é igualmente protestante?
Sim, sou, monsieur.
Acredita em Deus?
Acredito em Deus, no Rei e em França.
No Evangelho segundo São João...
quando Jesus encontra Pilatos, diz-lhe...
"Estou neste mundo para ser testemunha da verdade."
Ao que Pilatos responde...
"O que é a verdade?"
Exactamente.
Você foi preso esta manhã...
bêbado, coberto de sangue...
com uma adaga na mão.
Uma jovem mulher, desconhecida, assassinada à facada na sua cama.
Então, agora, peço-lhe que diga a verdade.
Matou aquela mulher?
Matou aquela mulher?
Não sei.
Ele não pode mentir, como toda a gente?
Não sabe?
Não.
E não mentirei para escapar à morte.
A vida não é suficientemente importante para mim.
Conde...
o legado mais precioso que um cavalheiro pode deixar é o seu exemplo.
A sua vida foi exemplar.
Mas, a sua morte será ainda mais.
Nos crimes de pena capital, os plebeus são enforcados...
E os nobres decapitados.
Sr. Athos d'Hauteville, Conde de La Fère...
este tribunal condena-o a ser decapitado com uma espada...
esta segunda-feira, na Place La Grève.
Apelamos deste veredicto!
Muito bem.
Têm quatro dias para provar a sua inocência ou apelar à clemência real.
Que Deus esteja convosco.
Assassino!
Ele é inocente!
Se o Athos se recusa a defender-se, nós iremos fazê-lo.
Identifiquem aquela mulher e descubram porque é que ela estava com o Athos.
É a nossa única esperança.
In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti.
Sem anéis, colares, nada.
A única coisa que encontrei nela foram as facadas.
É uma prostituta?
Observa as mãos delicadas.
Esta mulher nunca trabalhou na vida.
Estás bem?
Uma burguesa...
ou uma nobre.
Posso ver o rosto?
É a mulher que me tentou matar!
Eu não fiz nada!
Eu não fiz nada!
Pensei que estava morto!
Eu juro que nunca os tinha visto.
Cale-se. Cale-se!
Cave!
Nada.
Nunca saberemos quem eles eram.
Ele usava um anel de cavaleiro?
Perna errada.
É claro que você ficou com ele.
Onde é que está o anel de cavaleiro?
Quero saber quem era esse homem.
O que é que está a fazer?!
Detesto sujar as minhas lâminas.
Irá para o Inferno.
Eu detesto tortura.
Todos detestam a tortura, é por isso que funciona.
Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco.
Rogai por nós pecadores...
Acredita em Deus?
Se Deus me estivesse a observar agora...
e não quisesse que eu fizesse aquilo que estou prestes a fazer...
lançaria um raio sobre mim.
Mas, veja como o céu está limpo hoje.
Piedade!
O que é que ele está a fazer?
A falar com ele.
A falar com ele?
As palavras do Aramis ferem mais do que um punhal.
Temos três anéis. O imbecil não se consegue lembrar qual deles é.
Três capacetes dourados: Família Brissac D'Argis.
Um leão coroado e três rosas: Família Dardel de Luzinais.
Uma águia e duas espadas cruzadas: Família De Valcour.
Estamos a três anéis de saber quem era o nosso homem.
E quem era a mulher que o acompanhava.
Ao amanhecer, iremos bater-lhes à porta.
Com a ajuda de Deus, salvaremos a cabeça do Athos.
PRAIA DA NORMANDIA
Bem-vindo a França, Lord Buckingham.
- Fez uma viagem foi tranquila? - Demasiado tranquila.
Não esperava vê-lo antes de La Rochelle.
Nem eu.
Mas, um convite da Rainha não pode ser recusado.
O que é que vos aconteceu, senhor?
Está aqui, mas, sinto que a sua mente está noutro sítio.
O Gaston recebeu ontem uma carta da prometida dele.
E leu-a aos seus homens...
para ridicularizar as palavras de amor de uma rapariga de 16 anos.
Terá de se habituar.
O Gaston não é um homem sensível.
Infelizmente, aquilo que o seu irmão deseja...
não poderá ser satisfeito com um casamento.
Às vezes, eu preferiria não ser o Rei...
para que ele reinasse em meu lugar.
Louis.
Você é Rei pela vontade de Deus.
Eu devia ir consigo a Val-de-Grâce.
O Padre Arnoux é sempre um bom conselheiro. Ele saberá como me acalmar.
Se é isso o que Vossa Majestade deseja...
eu adoraria.
Não. Noutra ocasião, talvez.
Venha ter comigo, logo após a sua confissão.
Madame.
- O que é que deseja? - Bom dia.
Gostaria de falar com o Conde De Valcour.
Ele não está aqui.
Um momento. Tenho algo que lhe pertence.
Verei se a Condessa pode recebê-lo. Acompanhe-me.
Isabelle De Valcour. Encantada.
Venha.
Perdoe-me por importuná-la, madame.
Pelo contrário. Agradeço algo com que me possa distrair.
O seu rosto é-me familiar. Já nos conhecemos?
Tenho a certeza de que se já a tivesse conhecido, não me esqueceria.
Acabei de chegar da Gasconha.
O meu nome é D'Artagnan.
Perdoe-me a falta de delicadeza. Sente-se, por favor.
Obrigado.
Estou aqui confinada há meses, à conta de uma febre.
Esqueci-me de todas as minhas boas maneiras.
Espero que esteja a recuperar, madame.
Irei sobreviver, ao que parece.
Como é que posso ajudá-lo?
Sim, claro, peço desculpa.
Estou na posse disto há pouco tempo.
Preciso de encontrar o dono. É muito importante.
Posso ver?
Este é o anel de sinete do Tancrède!
Tancrède?
O meu irmão.
Onde é que ele está?
Na província, a comprar alguns cavalos.
Ele ficará feliz. Desde o roubo no mês passado que ele estava inconsolável.
No mês passado?
Parece desiludido, monsieur.
Não, eu...
Não é nada.
Fico contente pelo seu irmão, mas...
algo triste porque a minha pista, simplesmente, termina aqui.
Está a ser bastante misterioso.
De facto.
Devo deixá-la, madame. Os meus companheiros aguardam-me.
Talvez eles tenham tido mais sorte do que eu.
Eu...
Agradeço-lhe imenso ter vindo aqui.
Fez-me um grande favor.
O prazer foi todo meu.
Posso-lhe assegurar que não.
Não se preocupe...
eu encontro a saída.
Os meus cumprimentos, madame.
ISABELLE E TANCRÈDE DE VALCOUR
Monsieur.
Bom dia, madame.
Bom dia, senhor.
Preciso do seu talento como costureira.
O que é que precisa de costurar?
A mim.
Venha comigo.
Teve muita sorte. Quase lhe atingiram o coração.
O meu coração já foi atingido.
Fala de amor com leviandade.
Penso que não estava a falar de amor.
Da próxima vez, irei coser-lhe a boca.
Muito bem. Irei manter-me calado.
Pronto, já está.
Obrigado.
Peço-lhe que não se mexa, por favor.
Não me estou a mexer.
Voltou a mexer-se.
Não, juro-lhe...
não me mexi.
Talvez seja o meu coração, a bater forte aqui no peito.
Se continuar a olhar para mim assim, não irei conseguir terminar.
Está bem, então, vou olhar para ali. Assim, ser-lhe-á mais fácil.
Está melhor assim? Já sei!
Pronto. Problema resolvido.
Onde é que arranjou isto?
Em casa de Isabelle De Valcour.
Conhece-a?
Não, ela foi assassinada há alguns dias.
Uma mulher tomou o lugar dela, e foi ela que me alvejou.
- A Rainha deve ser informada. - A Rainha?
Vista-se.
A Isabelle De Valcour era a mensageira do Duque de Buckingham.
Deve ser uma armadilha. Acompanhe-me.
ABADIA DE VAL-DE-GRÂCE
Esperem por mim aqui.
Senhor Abade.
É uma honra recebê-lo, monsieur.
Queira acompanhar-me, por favor.
Isto é uma loucura.
Eu arriscaria a vida e a minha honra para estar consigo durante um segundo.
- Mas, isto é tão perigoso. - Eu sei.
Eu sei.
Vim assim que recebi o seu convite.
O meu convite?
O meu convite?
Não.
Onde é que estão os seus homens?
Vão-se embora!
Não tenha medo, madame, é a mim que eles querem!
É ele!
- Foi ele que raptou a Condessa De Valcour! - Largue-a.
Vi nos seus olhos que receais perder-me.
Se me amar significar a sua morte, não quero viver nem mais um dia.
Se chora por mim, significa que me ama.
Eu sou leal ao meu Rei.
Sou a mulher dele e nunca irei traí-lo.
Deve esquecer-me e deve esquecer este amor.
Peça-me para nunca mais voltar, e eu obedecerei.
Se me puder der algo em troca.
Para ter a certeza de que não estive a sonhar.
Se eu lhe der aquilo que pede, fará aquilo que eu lhe peço?
Imediatamente.
Vá e não volte nunca mais.
Imploro-lhe.
A partir de agora...
estamos ligados por um segredo.
Não viverei o suficiente para poder recompensá-los.
Mas, se algum dia vierem a precisar da ajuda da Rainha de França...
Ela estará lá por vocês.
Receio, Vossa Majestade, que esse dia esteja mais próximo do que imagina.
Há uma outra vítima desta conspiração.
Um mosqueteiro. Condenado a perder a cabeça, por um crime que ele não cometeu.
E então?
E, então, foi terrível...
e magnífico ao mesmo tempo.
Eles abraçaram-se ali, a tremer.
Ela deu-lhe o colar de agulhetas de diamante.
O Duque de Buckingham disse-lhe qualquer coisa...
algo maravilhoso, antes de partir.
"Irei deixá-la...
mas, tê-la-ei sempre comigo".
- É muito triste. - Sim.
Ela devia-lhe ter dado um beijo.
Você utiliza palavras que não são as minhas.
Obrigado.
A vida dela não lhe pertence.
Ela é a Rainha de França.
Sim.
Mas, você não é.
Constance.
Sei que lhe toco no coração.
- Está a ficar corada. - Não!
É claro que sim.
Está enganado, não foi por isso.
É por modéstia, à conta dos seus elogios.
Não.
Boa noite.
Não é por aí.
Eu já sei.
O que é que foi fazer a Val-de-Grâce ontem?
Fui ver o Abade Arnoux.
Será que não era...
Buckingham quem usava a batina?
Como?! Do que é que está a falar?!
O mesmo de que se fala por toda a Paris.
Foi o Cardeal que vos disse tal infâmia?
Isso não tem importância.
Não me vai responder?
De que é que me acusa essa "serpente"?
De ter...
oferecido o seu colar de agulhetas de diamante ao inglês.
Ele está aqui.
Abra a caixa...
se tem assim tão pouca confiança em mim.
Prossiga.
Verifique.
Mostre-me o pouco respeito que tem por mim.
Já que a palavra da sua esposa...
vale menos do que a daquele que chegar primeiro.
Força.
Muito bem.
Estes rumores deverão ser reduzidos ao silêncio.
No próximo sábado, no casamento do Gaston...
irá usar o seu colar de agulhetas de diamante.
Muito bem... meu senhor.
Se é essa a sua vontade.
E quanto ao seu mosqueteiro...
ele matou uma condessa.
Será decapitado.
Também é essa a minha vontade.
Você partirá para Londres esta noite.
E irá encontrar-se com o Duque, num baile em que ele irá estar presente.
Ele terá o colar de agulhetas de diamante.
Buckingham é um dos homens mais protegidos de Inglaterra.
Por isso é que será extremamente caro.
Faça uma visita ao meu tesoureiro, e ele pagar-lhe-á.
Pagar-lhe-ei o dobro se regressar até sábado...
no dia do casamento do Gaston.
O Rei não concedeu um perdão ao seu Mosqueteiro.
Ele preocupa-se mais com a sua própria sorte, do que com a dos seus homens.
E eu também.
Não me desiluda.
Lamento não poder assistir a esta execução.
Traga-me o colar de agulhetas de diamante...
e será à execução da Rainha que irá assistir.
Não podemos permitir que ele faça isto!
Ninguém pode fazer justiça no lugar do Rei...
e ninguém, além do Rei, lhe pode escapar.
Mas, ele é inocente!
Acabou.
Não podemos fazer mais nada pelo Athos.
Meus queridos amigos...
não fiquem tristes.
Hoje é um belo dia para morrer.
Eu dei tudo de mim em vida...
que a morte não terá nada para recuperar.
Aramis, deixo-te o meu rosário.
Tenho a certeza de que farás bom uso dele.
Porthos, deixo-te o meu relógio.
Sei que vais adorá-lo.
D'Artagnan...
a ti que não tive oportunidade de conhecer bem...
deixo-te a minha espada.
Porque sei que saberás servir-te dela.
Nós éramos os três mosqueteiros.
E, graças a ti, D'Artagnan...
irão continuar a sê-lo.
Meus amigos...
despeço-me com o coração alegre...
de cabeça erguida...
e orgulhoso de ter combatido ao vosso lado.
Adeus.
Viva o Rei.
E viva a França.
Afaste-se! Para trás!
Afastem-se!
Isto é uma sedição.
Eu proíbo-vos.
Juro-lhe, Capitão.
Pela minha cabeça e a de todos os meus camaradas, não fomos nós.
Não conheço um único homem neste país...
que corresse tamanho risco para poder salvar o Athos.
Benjamin.
Benjamin!
Eu disse-te que nos encontraríamos no Inferno.
Brandicourt.
Saint-Blancard.
O seu irmão garantiu-nos que valeria a pena salvá-lo.
Nunca pensei que ficaria tão contente por vos ver!
Hinos católicos?
Converteram-se?
Para combatermos o nosso inimigo, temos de conhecê-lo bem.
Benjamin de La Fère, o irmão do Athos.
Ele é o braço direito de Saint-Blancard.
Saint-Blancard? Quem é ele?
O líder dos protestantes de La Rochelle.
O que é que se passa, Capitão?
Um edital do Cardeal de Richelieu.
Fechem os portões!
Como o seu rosto não lhes pareceu suficientemente católico...
então, querem cortar-lhe a sua cabeça protestante.
Tréville não podia fazer nada, nem o vosso Rei.
É Richelieu, e apenas ele, que governa este país.
Vamos fundar uma república protestante.
Autónoma.
Junte-se a nós.
Junte-se ao seu povo.
Nós iremos atingir o reino mesmo no seu coração.
A guerra aproxima-se. Tem de escolher o seu lado.
Fomos acusados de libertar o Athos.
Ninguém tem autorização para sair daqui.
Silêncio!
Irei falar com o Rei e suplicar-lhe-ei pela nossa causa.
Aramis, Porthos, De Quillac e Bercquet.
Se alguém passa pela porta d'armas, derrubem-no sem misericórdia.
Uzan e Ventadour, venham comigo.
A quarentena está reservada, apenas, para os Mosqueteiros.
Podes ir para casa, D'Artagnan.
Não pare.
Siga-me.
Para Inglaterra?
Você é a minha última esperança.
O Cardeal irá fazer de tudo para fazer cair a Rainha.
Será necessário ter coragem, mas, sobretudo, muita prudência.
O seu desejo é uma ordem. Partirei imediatamente.
Espere. Leve isto.
Para a viagem.
Já fui generosamente recompensado.
E se tiver sucesso, talvez me possa amar.
Não se preocupe.
Eu voltarei com esse colar de agulhetas de diamante da Rainha.
Athos?
Então? É assim que lutas com a minha espada?
Como é que me encontraste?
Através da Mademoiselle Bonacieux.
Tem cuidado com o amor, D'Artagnan. Ele é pior do que uma espingarda.
Nunca te apaixonaste?
Olha em teu redor. É onde toda a miséria começa.
Eu não acredito que...
o amor nos leve sempre para o pior caminho.
Vou-te contar uma história.
Algo que te aconteceu?
Não.
Foi a um amigo próximo.
Há muito tempo. Ela era um jovem conde.
Ele cavalgava pelas suas terras quando conheceu uma jovem rapariga.
Ela não era, apenas, agradável.
Era inebriante.
Era muito linda, muito pura.
Ele poderia tê-la seduzido ou feito algo pior.
Mesmo tendo conhecido a guerra, o coração dele permaneceu...
nobre...
e sincero.
Ela odiava multidões e coisas mundanas.
Então, eles casaram-se em segredo.
Sem as respectivas famílias.
E assim viveram por mais de um ano.
Reclusos. Isolados do mundo.
Eles eram muito felizes.
Tão felizes que...
Tal felicidade nunca poderia durar.
O jovem conde tinha um irmão.
Ele, por sua vez, também estava prestes a casar.
Então, era impossível ao conde não comparecer ao casamento.
Então, desta vez...
a sua jovem esposa concordou em acompanhá-lo.
Quando ele a apresentou ao seu irmão...
ele ficou tremendamente pálido.
Ele pensou que aquela bela mulher, era uma mulher que ele havia conhecido em Paris.
Naquela noite, no quarto deles...
ela contou-lhe toda a verdade.
Ela era a mulher que o irmão havia reconhecido.
Bem... ela já não era mais aquela pessoa.
Ela tinha fugido.
Casou-se aos 15 anos com um marquês, e foi submetida às coisas mais terríveis.
Uma noite, quando ele tentava obrigá-la a fazer...
algo que ela não queria...
ela defendeu-se.
E matou-o.
Apavorada e receando ser condenada...
ela fugiu e recorreu a um nome falso...
começando uma vida de mentiras.
O que é que o conde fez?
O conde?
O conde era um grande senhor.
Nas suas terras, ele era o símbolo da justiça.
Preocupava-se com o seu título e com a sua posição social.
Ele entregou a fugitiva às autoridades.
Ela foi julgada, condenada...
marcada...
e morta por enforcamento.
INGLATERRA CASTELO DE BUCKINGHAM
Então, e agora?
Agora, temos aqui soldados suficientes para fazer uma cruzada em Jerusalém.
Então, um "por favor" não será suficiente, pois não?
Acho que isto deverá ser suficiente.
Vejo uma certa ironia na escolha da sua fantasia, senhor.
A sério?
Como o Deus dos Mares, ser-lhe-ia muito mais fácil invadir França.
Eu conheço-a, Arlequina?
Talvez sim...
talvez não.
Italiana?
Sou uma apaixonada por Itália.
Mas, não.
Quiçá uma senhora espanhola?
O vento muda todos os dias, eu mudo a cada segundo.
Vejo que deve ter viajado muito.
Adoro descobrir novos locais, meu príncipe.
Preciso de uma bebida.
A calmaria depois da tempestade.
Ou, talvez, antes da tempestade.
Está a beber como alguém que pretende esquecer algo, Neptuno.
Não é verdade?
Se funcionasse...
Não vá a lugar nenhum.
Não me matem! Não me matem! Por favor! Buckingham!
Afastem-se. Eu conheço este homem.
Logo agora que eu estava a começar a disfrutar desta festa.
A Rainha corre perigo?
Por ordem do Rei...
a Rainha deverá usar este sábado, no casamento do Gaston, em França,...
um certo colar de agulhetas de diamante que muito bem conhece.
Que seja feita a sua vontade.
És um imbecil, George!
Uma mulher sedutora, morena, olhos claros.
Disfarçada de Arlequina.
Tu e tu, venham comigo.
Detenham-na!
Atrás dela!
O colar de agulhetas de diamante.
Continuamos a encontrar-nos.
Gosta assim tanto de mim?
O colar de agulhetas de diamante!
Para quem é que trabalha?
Para o Diabo, provavelmente.
Vejo uma faísca no seu olhar, D'Artagnan.
E com essa luminosidade, eu acenderei uma chama para vos irá devorar.
Não!
PARIS
Vossa Eminência.
O navio já chegou a Calais, mas, ela não estava a bordo.
Por aqui, senhores.
Por favor, agradeça ao nosso amigo.
O Senhor move-se, realmente, por caminhos misteriosos.
Meu filho, estás pronto para o momento mais importante da tua vida?
Vossa Eminência.
Monsieur.
O Rei está à sua espera, Vossa Majestade.
Lamento imenso, Vossa Alteza.
Vai!
Eminência, viu o meu irmão?
Sim.
Acha que ele já me perdoou por tê-lo obrigado a casar-se?
Ele parece já ter aceitado.
Ele aprenderá que o casamento é como uma guerra...
mas, sem vencedores.
Pois todos triunfam.
Vossa Alteza, a vossa beleza é impressionante.
Madame.
Porque é que não está a usar o colar de agulhetas de diamante?
Pensei em usá-lo no baile desta noite.
Pensou mal.
Vá buscá-las.
Mas, o seu irmão espera-nos.
Ele pode esperar.
Vossa Alteza.
Está um jovem a perguntar por si, na porta de serviço.
Parece algo urgente.
Ele chegou!
Diga-me que conseguiu.
- Por Deus. - Consegui.
Aqui tem.
Obrigada, meu Deus.
Deus é demasiado. "Meu amor" será suficiente.
Você nunca desiste?
Constance?
Sim?
Eu...
Diga-me...
que não me ama.
Diga-me: "D'Artagnan, eu não o amo", e eu prometo que...
Esta foi, apenas, uma forma de poder obrigá-lo a parar de falar.
Tinha razão, Eminência.
Não passavam de meros rumores.
A Rainha não merecia a minha ira, apenas, a minha confiança.
Obrigado.
D'Artagnan!
Está tudo bem?
Sim.
Que bom. Onde é que estiveste?
Em Inglaterra.
- O quê?! - Com o Athos.
Para combater o nosso inimigo, temos de conhecê-lo bem.
Iremos atingir o reino mesmo no seu coração.
Gaston de França...
Duque d'Orléans, de Valois e D'Anjou...
aceita como sua esposa...
Marie de Bourbon, Duquesa de Montpensier?
Aceito.
Marie de Bourbon, Duquesa de Montpensier...
aceita como seu marido, Gaston de França...
Duque d'Orléans, de Valois e D'Anjou?
Aceito.
Em nome do Pai, do Filho...
e em nome da Santa Igreja.
Eu vos declaro marido e mulher.
Atirador! Atirador!
Protejam o Rei! Os monges! Os monges!
Por aqui!
Vamos por aqui!
Abram caminho! Abram caminho!
E o Conde Montecler D'Auvigné?
Morreu há dois dias, monsieur.
E Beaulieu de Verricourt?
Foi atingido na cabeça. Não conseguirá sobreviver.
Os prisioneiros?
Achille Brandicourt e Nicolas Beaumont. Protestantes extremistas de La Rochelle.
Eles tinham cartas em código que ainda estamos a tentar decifrar.
Eu próprio irei interrogá-los. Eles irão entregar os seus cúmplices.
Conto com a sua persuasão como interrogador, Eminência.
Entretanto, preparem as tropas para La Rochelle.
Eles não querem a minha paz.
Então, veremos se preferem a minha guerra.
Vamos recuperar a cidade protestante.
Devo partir em breve.
Em reconhecimento pelo excepcional serviço prestado...
à Coroa de França...
eu te nomeio...
Charles d'Artagnan...
Tenente da Companhia dos Mosqueteiros!
Serei digno desta honra, Vossa Majestade.
Armand de Sillegue d'Athos d'Hauteville...
Conde de La Fère...
Devo-lhe a minha vida, monsieur.
E, por esse gesto, eu devolvo-lhe a sua.
Será perdoado...
e será reintegrado imediatamente...
no Corpo dos Mosqueteiros.
A vida que me devolve...
voluntariamente lha entregarei, monsieur.
Já podem levantar-se, senhores.
Senhores...
Aqui estão os famosos três mosqueteiros.
Que, agora, são quatro!
Viva os Mosqueteiros!
Viva o Rei!
Longa vida à Rainha!
Longa vida à Rainha!
Viva o Rei!
Vossa Majestade.
D'Artagnan...
Não tenho títulos para lhe oferecer.
Apenas... a minha eterna gratidão.
Esse é o melhor e maior presente que eu poderia receber.
Não.
Correndo perigo de vida, a Constance Bonacieux era a minha mensageira.
Hoje, a mensageira dela sou eu.
Ela estará à sua espera, esta noite, às 22:00...
na Taverna "Chapeau Rouge".
Não se atrase, Mosqueteiro.
Já terminei. Pode acompanhar Sua Majestade.
Conseguiremos com que todos os protestantes sejam odiados em França.
Tudo se está a desenrolar conforme o planeado.
Cada protestante neste país será visto por aquilo que é.
Um traidor.
Falhamos, aos seus olhos...
mas, o Rei não escapará à morte para sempre.
Agora, ele está nas suas mãos.
Tem a sua guerra. Em breve, terá o país.
Não se preocupe com o prisioneiro.
O nosso amigo encarregar-se-á dele.
Pela graça de Deus...
chegou a sua hora, Mestre.
Socorro!
D'Artagnan!
Constance!
Larguem-me!
Socorro!
CONTINUA...
Vossa Eminência?
Agora que recebi as instruções sobre o seu inimigo...
podemos falar um pouco sobre os meus?
De quem é que estamos a falar?
Dos Mosqueteiros.
Legendas em PT-PT por mpenaf
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