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INSPIRADO NOS ROMANCES DE MAURIZIO DE GIOVANNI
- Fizeste o percurso completo? - Até ao último metro.
- O que fazes aqui? - Nunca me respondeste.
O nigeriano assumiu a culpa. É tudo o que há para saber.
E o Tarallo?
Vou verificar a praça para o discurso final.
Há algum problema?
Não. Mas sabes, com o que aconteceu ao Sergio…
… vai lá estar muita gente.
Confio em ti. Depois diz alguma coisa.
Obrigado.
Dá um abraço à Rachele, Anzovino.
SARA: A MULHER NA SOMBRA
Maravilhoso!
Olha para aquilo.
Hoje não há aparição da Virgem Maria, Morozzi?
Talvez estejas a aprender a olhar.
Ou talvez, se esperar encostado ao portão, te lixe.
Então, é um concurso. Vamos. Vejamos se eu tinha razão.
Se nós tínhamos razão, Morozzi.
É um concurso.
Vamos descobrir quem aparece ao encontro.
É um bilhete combinado.
Sim, minha senhora. Na brochura
tem todas as obras de arte que pode encontrar lá em cima.
Pode explicar o que um membro do seu staff de 30 anos
fazia à noite a passear pelos campos de tomate…
ENCONTREI-O. SALA 4.
Quem viste?
Um jornalista. Estava na conferência de imprensa do Tarallo.
Está bem.
Vai por ali.
Espera!
Para. Para!
Calma.
O que querem de mim?
Somos amigos do Sergio. Não corres perigo.
- Então, porque estão armados? - Baixa as mãos. Confia em nós.
Estou georreferenciado.
Se não voltar daqui a duas horas, emitem um alarme.
Voltas mais cedo se nos disseres o que sabes.
Se estás aqui, ainda te interessa no que fizeste com o Sergio.
Porque se encontravam?
Porque vos hei de contar?
Se um de vocês tivesse sido amigo dele, ele ainda estaria vivo.
Sei que estão por trás disto.
De quem está ele a falar?
Ele acha que somos dos Serviços Secretos, mas não somos.
Estamos aqui porque precisamos de ti.
Como descobriram que falávamos? O Sergio não vos ia contar.
Estávamos a tentar salvá-lo e descobrimos.
Seguimos os passos dele.
- Mas chegámos tarde. - Ouve.
Se te quiséssemos matar ou raptar, já o teríamos feito.
Entendido?
Se falares connosco, até tens a nossa proteção.
Proteção a sério.
Eu e o Sergio éramos amigos.
Nem acreditei que ele trabalhava com o Tarallo. Ele não era assim.
Sim, nós sabemos.
Mas não foi isso que o pôs em perigo, pois não?
Não.
Quero dizer, sim e não.
Eu tinha descoberto algumas coisas e ele ajudava-me a prová-las.
Quais coisas?
- Sabem como o Tarallo enriqueceu? - Não, diz lá.
Subornos.
Ele agora diz ser exemplar,
mas como vereador, nada acontecia até receber a percentagem dele.
Está bem.
Já me posso ir embora?
Eu sabia que lhe conseguíamos sacar algo. Tenho o dom de fazer as pessoas falar.
Quando ele hesitou duas vezes antes de responder,
ele procurava as palavras certas?
Estava assustado, inseguro. É normal.
Se tiveres tempo livre e te apetecer fazer alguma pesquisa,
encontras artigos intitulados:
"Subornos e Administração Pública" de Edoardo Belliti.
- Como assim? - Ele deu-nos algo que conhece bem.
E ele pode continuar a fornecer detalhes.
Talvez.
- Nem sempre tens razão, sabes? - Não se morre por algo assim.
O Sergio não devia ter morrido assim.
O espancamento e o rapto, o objetivo era fazê-lo falar.
- Outra vez num beco sem saída? - Estamos a meio do caminho.
Quando chegaremos ao fim?
Nunca ganharemos a confiança daquele jornalista,
mas temos de nos concentrar nele.
Ficamos de olho nele para ver aonde isto vai dar.
- Vamos ficar de olho nele. - Exato.
E como sou um cavalheiro, tu ficas com a tarde.
E eu fico com a noite.
Já que és um cavalheiro,
ficas com a noite e a tarde, porque agora tenho de ir comer uma piza.
Uma piza?
A sério? Ou isso é um código vosso, Morozzi?
Mantém-me informada.
Olá, morena.
Bem vestida como sempre?
O que tens para me contar?
Conheces um jornalista chamado Edoardo Belliti?
Li alguns artigos dele. Nada mais.
O Sergio conhecia-o bem.
Estavam provavelmente a investigar o Tarallo juntos.
Não é possível.
Ele ter-me-ia dito.
Acho que ele morreu para não o fazer.
Para não falar disso.
Nem comigo.
Como sabes que foi por isso que ele morreu?
Por causa da forma secreta como contactavam.
Como se contactavam?
O Sergio escrevia uma publicação falsa à procura de casa perto de um museu.
No dia seguinte, encontravam-se lá.
Há alguma ligação entre o Tarallo e a unidade, além da vigilância?
Não, tu sabes isso. Nós vigiamo-lo como todos os outros.
Quando travei o Belliti, ele falou dos Serviços Secretos.
Estava assustado. Talvez o Sergio lhe tenha dito o que fazia por ti.
- Os jornalistas só dizem tretas. - Para, Teresa!
Eu sei que dói saber que o teu namorado te mentiu.
Mas este caso está demasiado perigoso para perdermos tempo.
Tens mais sobre o Tarallo?
Não, porra! Ou dizia-te.
Então, descobre o que está por trás do Tarallo.
Vou tentar perceber onde este jornalista quer chegar com isto.
Estava prestes a perder o uso das pernas por estar à tua espera.
Posso subir?
Os soldadinhos de chumbo do Massimiliano estão na mesa?
Sim.
Mas acho que não é por isso que estás aqui, certo?
E nem sequer faço anos hoje. Porquê este pacote?
Não estou aqui por ti.
Mas por mim.
O que posso fazer por ti?
Livrar-me da culpa.
Relativamente ao Massimiliano.
O que tem ele que ver com isto?
Mesmo antes de morrer, pediu-me para o ajudar
a preparar algo para ti.
Devia ter-to dado depois de ele morrer.
E porque não o fizeste?
Eu tinha inveja.
Esperei anos pelo momento certo para lhe dizer o que sentia por ele.
Tu apareceste e todas as esperanças morreram.
Faz bom uso do que te trouxe.
Eu levo-te à porta.
Não é preciso.
Meu amor,
se ouves estas palavras, significa que morri.
Ou que o Catapano está a fazer uma piada de mau gosto.
Sabias que ele não te suportava?
Passámos a vida toda a pensar noutras coisas. No trabalho, em nós.
Agora que…
Olá.
Olá.
Como te sentes, querido?
O medicamento fará efeito em breve.
Está bem? Pensa noutra coisa.
Pensa em nós.
Pensa na primeira vez que nos conhecemos.
Lembras-te de quando nos conhecemos?
Que tolos…
O FIM É APENAS O INÍCIO DO TEU MASSIMILIANO
… primeira bola jogada pelo Napoli.
Zieliński passa. Anguissa chuta. Di Lorenzo.
Génova tenta atacar. Guðmundsson rouba a bola.
Ele ataca a fundo, Retegui pede a bola.
Chega tarde, comete uma falta descarada.
É pontapé livre. Primeiro cartão amarelo do jogo.
Mário Rui, bola perto da baliza. Martínez na bola.
Passa a Rui.
Martínez avança, aproxima-se de Strootman.
- Olá. - Olá.
- Onde está ela? - Onde achas? Colada à televisão.
- Bola para Martínez outra vez. - Ela portou-se bem?
Sim.
Sentia-me nostálgica e não queria comê-los sozinha.
O que é?
Abre.
Não! Struffoli é a minha sobremesa preferida!
Não devias… São deliciosos.
Estás nostálgica porquê?
O Massimiliano não tinha vícios, mas ele passava-se com isto.
Estava convencido de que os de Sanità eram os melhores da cidade.
Fui lá e comprei alguns.
Tens saudades?
Muitas.
Então, não passa?
Transforma-se. Mas leva tempo.
Não quero envelhecer triste.
Não quero esquecer o Giorgio,
mas não quero passar o resto da vida com saudades dele.
Sou má pessoa?
Não. Pelo contrário.
Gostava de te abraçar agora, mas não sei se posso.
Eu nem sei se quero.
Ely?
Fofinha?
Østigård…
Quem fez os TPC? Tu ou ele?
Espera, mãe. Estou a ver o jogo.
- Bola para o Politano. Golo! - Golo! Ele marcou!
Golo!
Golo!
Golo! Vai, Napoli!
Viva!
Vês como somos espetaculares?
Golo!
- Quem te deu isto, querida? - Foi o Edo.
Diz-me. O que teria o Giorgio feito agora?
Teria saltado do sofá
e começado a saltar como um idiota.
Queres uma foto dele?
Das que tirei. Ele não deixava qualquer um tirar-lhe fotos, só eu.
Claro, gostava de uma. Sim.
- Se vieres amanhã, trago-te uma. - Está bem.
Zerbin remata…
Cabeceamento de De Winter.
Olha.
Ele esperou, o outro chegou…
Não é por acaso, Moro.
Olha. Ele pede dinheiro. O tipo dá-lho.
Eu estou a ver. Não precisas de comentar.
Está bem. Isto é muito importante!
Está a chantageá-lo ou é um informador.
Seja como for, já notifiquei o Musella. Ele conseguiu a matrícula.
Lamento.
- Pelo quê? - Por dizer sempre que estás errado.
Não lamentas nada. Diz-me, onde é que eu errei?
Este vídeo pode ser útil para a Guardia di Finanza, mas não para nós.
A não ser que precises de arranjar uma mota e pagues em dinheiro.
Como assim?
O movimento da mão denunciou-o. Como tira gordura das unhas.
Eles disseram que o carburador do Edoardo está arranjado.
Vai durar dez anos se ele tiver cuidado.
Apanhaste isso tudo só de ver o vídeo?
Se não é a postura, são os lábios.
Se não são os lábios, é o terceiro olho.
Se não é o terceiro olho, é a alma dos teus antepassados!
Vou ligar ao Musella.
O que faço aqui se nunca faço nada bem?
Fazes-me companhia.
Vai para casa. Fico aqui esta noite.
Um café.
IDENTIFIQUEM-NO.
Tens novidades?
Outro ataque, tal como os outros.
- Onde? - No antigo edifício das Finanças.
Galleria Principe di Napoli. Às 14h45.
Alguma coisa vai acontecer.
Boris!
C'um caraças!
Estou?
Posso falar ou estás a morrer?
Se falares depressa
e parares de gozar comigo talvez oiça algo antes de morrer.
A propósito, Moro, enviei ao Musella…
Tratamos disso mais tarde. Decora isto.
Galleria Principe di Napoli. Às 14h45.
- O Edoardo estará lá. - Memorizei. Está bem.
Boris, o último presente daquela grande cabra.
Olá, Lembo.
Vens cá muitas vezes para alguém tão marginal.
"Marginal"?
Envias-nos sempre descobertas interessantes.
Mesmo que mantenhas a boca fechada sobre a tua amiga morena.
Sabes o que eu sei.
- Porque pediste o encontro? - Não queria encontrar-me na unidade.
Querias falar sobre a Sara?
Não.
Não é fácil para mim dizer o que tenho a dizer.
Nunca tiveste problemas com isso.
Talvez porque nunca tive de partilhar uma derrota.
Agora não contigo, ou antes com o Massimiliano.
Perdi a batalha, loira.
Vão encerrar a unidade.
Incomodei alguém lá em cima?
Não.
"Revisão de gastos", disseram eles.
Usam os cortes como desculpa para mudar o mundo tal como o conhecemos.
Só sei uma parte e acho que funciona.
Concordo.
Fiz o que pude, acredita. Não posso fazer mais nada.
O que acontece agora? Quanto tempo temos?
Uma operação como esta não se faz de um dia para o outro.
Mandam alguém para ver os ficheiros,
fazer as verificações necessárias e saberemos a cronologia.
Adeus, loira.
- Meu Deus! A minha mala! - Polícia! Parem!
Polícia! Parem!
Parem ou disparo! Parem!
Parem!
Então? O que fazes?
Musella, onde estás?
Vem à Galleria Principe di Napoli, rápido.
Vês o belo presente que te arranjei?
Agora sabes porque preciso de ti. O melhor ajudante de sempre.
Fui o único que correu.
Não há nada para ver aqui. Obrigado.
- Vamos. - Vá lá!
Porque atacaste aquela senhora?
Tens um distintivo?
"Distintivo?" Parto-te a cabeça com ele. Agora, com todos a ver.
- O que te importa? - Ele vai falar com os colegas.
- Aqui estou. - Vou mostrar-te o que me importa.
- O que fez? - Leva-o para a esquadra.
Este? Mexe-te! Levem-no. Vou já para aí. Depressa.
Parabéns. Vais ver as manchetes amanhã.
- Chega. Digo que foi graças a si. - Não entendes.
Mete-te na tua vida, Musè. Leva a mala também. Vai.
Edoardo!
Edoardo!
Vejamos se ele ainda fala de subornos e percentagens.
Eu estava lá porque precisava de ter a certeza de algo.
De quê?
Estou a escrever um artigo que sai antes das eleições.
É uma bomba. Mas não posso cometer erros.
É sobre o quê?
Alguém organiza crimes cometidos por imigrantes ilegais.
O Tarallo alimenta-se disso, aproveita o medo.
E as pessoas acreditam nele.
Até eu tenho cérebro, Moro.
Não acreditei na confusão que aqueles dois fizeram.
Eu sabia que ia acontecer. Não foi um assalto ocasional.
Qual era o papel do Sergio?
Ele estava a ajudar-me. Tínhamos acabado de nos reencontrar.
Perdemos o contacto depois da universidade.
Quando o encontrei, sentia-se desconfortável a trabalhar para o Tarallo.
Falámos muito e começou a passar-me informações.
Para limpar a consciência, disse ele.
Se foi por isso que o mataram, não te podes expor.
Mas eu quero. Há meses que trabalho neste artigo.
Tens alguma forma de sair da cidade?
Não faço intenções disso.
São só uns dias.
Vou publicar tudo e depois posso desaparecer.
Estás à espera de mais dicas?
- Não. Mas não posso excluir. - Está bem, então.
Se isso acontecer, liga para este número. Está sempre ligado, Edoardo.
- Sim? Liga para este número e não outro. - Está bem.
Por favor.
E envia-me o teu agora.
Desculpem, mas tenho de voltar para a redação.
Nesta altura, acho que é claro
que o nigeriano que assumiu a culpa pelas mortes de Sergio e Gaspare Russo
foi pago para desacreditar a situação dos imigrantes ilegais.
Sim, claro.
O que se passa, Moro?
Não me vais dizer que também estava a mentir?
Ele foi sincero, tenho a certeza.
A postura, os olhos, tudo isso?
As memórias regressam.
De que tipo?
De um mundo e de pessoas por trás de um certo tipo de política.
Como assim?
Mesmo que não tenhamos provas de atividade criminosa neste momento,
não podemos baixar a guarda. Vejam isto.
Os tipos que seguem chegaram a Berlim.
Estão a criar laços com neonazis alemães.
Temos de descobrir o que estão a planear e os seus papéis.
Entendido?
Foi inteligente da tua parte vigiar o Tarallo.
Não fiz nada. Só segui o procedimento.
Já temos um resultado.
Por agora, o único resultado que vejo é um homem morto.
O Sergio foi ingénuo.
Ou foi traído.
Ele era maduro o suficiente para fazer as suas escolhas.
Como não me contar sobre o furo do jornalista, por exemplo.
- Exato. - Temos de começar a partir daí.
Mas não podemos cometer os mesmos erros.
Depois de um certo ponto, como sabes,
significa aproximar-nos dos cargos de poder da política.
Estás pronta?
Se a unidade vai cair, que seja com estrondo para todos ouvirem.
A alto e bom som.
Agora reconheço-te.
Primeiro, temos de pôr umas escutas no carro do Tarallo,
em todos os sítios que o Sergio não pôs.
Faremos o que eu disser.
Vamos, Boris. Vamos ver quem é. Anda.
Vai-te foder.
Sim, só um segundo.
- Mas quem é? - Pardo? Estou a incomodar?
Olá, Morozzi.
Não é normal um cavalheiro abrir a porta assim, mas o estilo não te assiste.
O que fazem aqui?
Ou intuição. Está bem.
- Estamos a montar a nova base. Entrem. - Olá.
- Bom dia. - Põe isso aqui, Anna Maria.
Que nova base?
Precisávamos de um local seguro para as escutas telefónicas. Anda.
- Em minha casa? Morozzi! Desculpem? - Sim?
Perdoa-me, querida, mas é uma mesa de vidro. Cuidado…
Sim. Obrigada.
Seja como for, acho que devias vestir umas calças.
E se eu estivesse com alguém?
E estavas?
Posso ligar tudo?
- Sim, força, começa. - Está bem.
- A porta. Obrigada. - Claro.
Sintam-se à vontade.
Obrigada.
Agora é que vens?
Surgiu um imprevisto.
Sou todo ouvidos.
O mesmo valor?
O mesmo valor.
É sobre o quê?
Um encontro em Pianura.
Parece que estão a planear um novo ataque.
Tão cedo? Logo a seguir ao último?
Este é maior.
Quando?
Esta noite. Prepara-te. Prepara o dinheiro.
Assim que souber a hora e o local, eu contacto.
Obrigado.
- Fininho, já acabaste? Tudo pronto? - Sim.
Nunca estiveste aqui, está bem?
- Claro. - Ótimo.
- Adeus. - Adeus, Teresa.
Quanto tempo durará a invasão?
Pelo menos até às eleições. Veremos.
E isso deve deixar-me feliz?
Não, mas não devias fazer perguntas parvas.
Ao início, alguém sabe a duração de uma investigação?
- Não estamos no início. - Também não estamos assim tão adiantados.
- Novidades? - Sim.
O Tarallo vai jantar às 21h na via Posillipo.
Ótimo. Temos de pôr lá uma escuta.
Sabes colocar uma escuta?
Pardo, vemo-nos lá fora 20 minutos mais cedo.
Não posso demorar.
Bem…
Mantive a promessa.
Ficou muito zangado quando a tirei.
Depois olhou para a câmara e sorriu.
Não está bonito?
Muito bonito.
Pensa…
Tive uma ideia absurda.
Na mala do portátil do Giorgio, encontrei bilhetes para a minha cantora preferida.
Acho que ele me queria surpreender.
O que tens de fazer?
Vigiar alguém.
- Leva-me contigo. - Como vou fazer isso?
Porque estou grávida?
É uma boa razão, certo?
O que há de mais inocente e insuspeito do que uma mulher grávida?
Olá, Pardo.
- Não digas nada. - O que faz ela aqui? É perigoso.
- Para com isso. Eu é que decidi. - Com base em quê?
Da mesma forma que te escolhi.
- Ouve… - Para com isso!
Se trabalharmos bem, não há problemas.
E então?
Nada. Ela precisava de ar e trouxe-a para dar um passeio.
Deixa-me ver se percebi. Agora somos uma equipa?
Sim. Não gostas?
Entra no carro.
Morozzi.
Querias voltar para a Brigada Móvel? Eles trabalham em equipas, não é?
VOTEM BONELLI
Obrigado.
O que eu estava a dizer é que é o mesmo velho conflito entre o estado e regiões.
Se ao menos não estivéssemos de mãos atadas…
Ouve, Tarallo, onde operamos não temos este problema.
Menina? Menina, está tudo bem?
Ajude-me a sentar-me ali.
Ajude-me a sentar. Leve-me ali.
- Pode trazer-me água do restaurante? - Tenho água no meu carro.
Tome.
- Levo-a ao hospital? - Não. Vou acabar por dar à luz no carro.
Chamo uma ambulância?
Não, vou ter um parto em casa. Não vou desistir porque está com pressa.
Está bem, mas não posso ficar aqui a noite toda.
Tem razão. Ajuda-me a respirar?
- Segure-me, por favor. - O que…
Segure-me. Vou pôr as pernas aqui. Segure-me bem. Vamos respirar juntos…
Uma abertura assim revitalizava o setor da energia num segundo.
Tal como foi para a construção.
Claro, mas não é tudo.
Fizemos uma sondagem aos teus eleitores.
Só uma pequena parte ainda são a favor da energia nuclear.
Confia em mim, as energias renováveis são o investimento certo.
Eu sei.
O problema é que fiz algumas promessas.
Quando as fizeste? Antes da guerra?
Depois veio a guerra e o frio.
E tudo explodiu na nossa cara.
Todos se vão habituar sem se preocuparem com o que disseram há algum tempo.
Quanto mais alto o risco, maior será a gratidão que recebem.
Certo?
Saúde.
Não! Por favor, vamos fazer as posturas de dor.
Venha comigo, fique aqui. Fique comigo.
Fique comigo, faz o que lhe digo e depois veremos.
- Para baixo. Mais. - Mais baixo?
Mais para baixo.
Mais baixo ainda, menina?
- Vamos fazer a vogal aberta. - A vogal aberta?
Continue.
VOTEM BONELLI
- Relaxe. - Estou relaxado, menina.
Relaxe comigo.
Sim, assim. Agora, o U aberto.
Mais ar.
Foda-se.
- Pasquale, o que se passa? - Ela não se sente bem.
Vamos levantá-la.
Pronto. Quer sentar-se?
- Sente-se aqui. - Não, obrigada, sinto-me muito melhor.
Obrigada.
Meu Deus.
Pianura, daqui a uma hora. Na Via Pascetta.
Eu sei onde fica. Está tudo no sítio habitual.
Não sabia que trazia comigo um génio.
Pelo menos, o curso pré-natal compensou.
Podias ter feito sinal de que tinhas acabado.
Porquê? Para variar, estava a divertir-me.
- Meu Deus. - Sim, certo.
Meu Deus, não.
Meu Deus!
- Estás a falar a sério? - Sim.
- É a sério? - Sim.
Como estás?
Como estás?
Aprende comigo.
Colocaste a escuta como deve ser?
- Estás a falar a sério? - Confio em ti.
Sim, esforça-te. Boa noite!
Seja como for, não é assim tão tarde, certo?
Não quero ir para casa.
Mostra-me esses bilhetes.
"Dada ao vivo."
A sua chamada está a ser reencaminhada para o…
Proteção, o tanas.
Sacana!
Aonde vais, seu merdas? Aonde vais?
Para! Aonde vais?
Monte de esterco!
Legendas: Carla Chaves
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