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Bem-vindos ao Last Week Tonight.
Eu sou John Oliver. Muito obrigado pela companhia.
Foi uma semana cheia.
Vimos que o relatório de RFK sobre saúde infantil
citou estudos que não existem,
apareceram seis estátuas gigantes de cobras em Genebra
para conscientizar sobre os perigos de, adivinhem só,
cobras,
e a tal "grande proposta linda" de Trump continua avançando no Congresso,
apesar da oposição contra os cortes a programas como o Medicaid.
A senadora Joni Ernst foi confrontada quanto a isso
em uma assembleia local esta semana.
E a resposta dela foi corajosa:
As pessoas vão morrer!
As pessoas não vão...
Bom, todos vamos morrer.
Pelo amor de Deus.
Pelo amor de Deus, pessoal.
Falar "todos vamos morrer" em um microfone
já é um resumo cruel das políticas Republicanas,
mas esse tom casual
fazia parecer que ela colocou uma bomba naquela sala.
Enquanto isso, Trump passou a semana dando o perdão para apoiadores,
continuando a tendência que começou no primeiro dia do mandato dele,
quando perdoou mais de 1500 envolvidos na invasão ao Capitólio.
Na segunda ele perdoou um ex-xerife um dia antes dele ser preso
por um caso bem simples?
Um júri no interior da Virgínia, área que apoia Trump, levou duas horas
para condenar o ex-xerife Scott Jenkins apoiador de Trump há muito tempo,
por acusações federais de suborno e fraude em dezembro,
por aceitar dezenas de milhares de dólares em espécie
em troca de distintivos para empresários ricos.
A promotoria diz que alguns dos pagamentos foram filmados
por pessoas que pagaram para receber os benefícios,
como furar a fila no aeroporto, receber a vacina de COVID antes,
evitar multas de trânsito
e, em um caso, ajudar um condenado a recuperar a licença de ter armas.
Bom, vocês precisam saber que não são vantagens reais.
São coisas que os ricos queriam conseguir por mostrar o distintivo.
Mas eu adoro a ideia de que acham que podem ter o que quiserem.
Não precisa ficar na fila do aeroporto, entra de graça no Six Flags para sempre,
acesso antecipado ao Nintendo Switch 2,
um item de imunidade escondido para ser usado no conselho tribal
e check-out mais tarde com café da manhã incluso.
E o café é em qualquer lugar. Se quiser, até em lojas de roupas.
Eles precisam te dar. Você é um xerife-assistente.
O advogado de perdões de Trump resumiu muito bem na segunda-feira,
escrevendo no Twitter: "Nenhum MAGA fica para trás."
Isso também se viu no perdão a John Rowland,
um ex-governador republicano condenado por fraude eleitoral,
e Michael Grimm, ex-deputado Republicano
condenado por evasão fiscal.
Comentário rápido: Ele já ameaçou um jornalista
que perguntou a ele sobre acusações
nos fundos de campanha.
Ele disse: "Vou partir você no meio como a um menino".
O que é um jeito tão estranho de ameaçar alguém!
Por que esse foi o primeiro exemplo que pensou?
Se a categoria no Family Feud fosse "coisas que quebram"
e um participante respondesse "um menino",
Steve Harvey daria o típico olhar confuso durante 20 minutos.
Trump já perdoou ou garantiu o perdão
à maioria dos congressistas Republicanos
condenados por grandes delitos no século XXI.
E os perdões também chegam aos apoiadores financeiros dele.
Mês passado ele perdoou Paul Walczak, um diretor de asilos
condenado por supostamente reter mais de $10 milhões
dos salários de enfermeiros, médicos e outros funcionários.
Ele usou o dinheiro para, entre outros, comprar um iate de $2 milhões.
É um nível de maldade quase cartunesco.
O que torna o perdão a ele meio estranho.
Mas esta semana nós soubemos de uma circunstância extenuante:
O governo Trump deu o perdão a Paul Walczak
depois que a mãe dele, Elizabeth Fago
pagou um milhão para entrar em um jantar beneficente
para o presidente.
Três semanas após o jantar, Trump assinou o perdão,
livrando Walczak de uma sentença de 18 meses de prisão
e um pagamento de restituição de $4 milhões.
Sim, ela pagou um milhão por um jantar e, de repente, o filho foi perdoado
e não teve que pagar $4 milhões para as pessoas que ele roubou.
E a família parece reconhecer implicitamente a troca de favores,
postando essa foto de mãe e filho vestidos de MAGA
com a legenda: "Muitas são as aflições do justo,
mas o Senhor o livra de todas, Salmo 34:19."
Curiosidade: Se continuarmos lendo este capítulo, Salmos 34:20 diz:
"A propósito, quando digo 'justo' eu não falo de gente
que rouba dos funcionários de um asilo para comprar barcos para festas,
só para ficar claro, caralho."
É estranhamente específico.
Mas é o que aparece na versão King James da Bíblia.
E Trump ainda não terminou,
na quarta ele deu o perdão às estrelas de realities Todd e Julie Chrisley,
condenados a doze e sete anos, respectivamente,
por uma conduta bem óbvia:
Durante quase uma década, o casal se apresentou
como magnatas glamorosos do ramo imobiliário
na famosa série Chrisley Knows Best.
A promotoria disse que a vida deles se baseava em uma mentira,
os chamou de enganadores profissionais que ganharam a vida
pulando de uma fraude para a outra.
Eles fraudaram bancos em mais de $30 milhões,
deram calote em fornecedores e não pagaram impostos,
e gastaram o dinheiro em carros, casas e roupas de luxo.
É, foram grandes crimes
cometidos pelas estrelas de Chrisley Knows Best.
Se nunca viram, saibam que é sobre um casal
que responde a pergunta:
"E se Paula Deen tivesse dois filhos que transam um com o outro?"
Os Chrisley receberam o perdão
depois de vários pedidos da filha deles, Savannah,
que inclusive apareceu no programa de Lara Trump na TV
e discursou na Convenção Republicana, dizendo isso:
A justiça deveria ser cega,
mas hoje temos um sistema judicial de duas caras.
Olhem o que eles fazem com o presidente Trump!
Donald J. Trump só tem uma sentença importante:
A de fazer os EUA serem grandiosos de novo.
Primeiro, acho que faltam mais 33 sentenças,
mas segundo, ela é corajosa por fazer isso.
Não por puxar o saco de Trump de uma forma sem vergonha,
mas fazer isso vestida como a líder da Associação de Pais e Professores
que pediu à estilista um penteado "Nancy Grace eletrocutada".
Isso é realmente corajoso.
E os perdões presenciais são, em teoria, uma coisa boa.
Podem corrigir grandes injustiças e poupar a vida um peru por ano,
enquanto outro peru é assassinado longe das câmeras
se perguntando o que fez de errado.
Mas em um país com tantos erros da justiça,
é indignante ver um governo que perdoa pessoas verdadeiramente culpadas
só porque puxaram o saco do presidente ou deram dinheiro a ele.
Mas acho que vai ser assim nos próximos anos.
Se você apoia o Trump, pode furar a fila da justiça
como se tivesse um passe rápido para a Disney.
E para os outros, vou citar a senadora de Iowa e anjo da morte:
Por que estão reclamando? Vão todos morrer mesmo.
E agora, isso:
E agora, Dagen McDowell não xinga na televisão.
Vai com tudo, Dagen.
"Vai com tudo", melhor ter cuidado.
Eu vou tentar não xingar ao vivo.
Estou tentando não xingar.
Eu não vou xingar.
Eu xingaria, mas são 6h03 da manhã.
Clay, você continua, porque só tenho xingamentos.
Estou sacudindo a cabeça porque estou tentando não xingar.
Estou tentando não xingar.
Eu ia xingar.
Estou hesitante
porque não quero xingar e ser demitida.
Você já foi à Times Square para o Ano Novo?
Xingamento, xingamento, xingamento, xingamento, não.
Em média, meu primeiro xingamento é às 2h46 da madrugada.
Certo.
Eu estou pouco me lixando...
Cuidado.
O quê? Eu não xinguei. Disse "me lixando".
Por mais de uma década, o Facebook pouco se lixou...
Estão pouco se lixando.
Ele está se lixando.
Se lixando.
Você está pouco se lixando.
Por que estão se lixando?
A porcaria do show do Foo Fighters.
Eu estudei por uns anos em uma escola só para mulheres.
Você não quer ficar com essas vadias.
E AGORA
Continuando.
O tema de hoje é sobre tráfego aéreo.
Alguns dos métodos favoritos incluem aviões,
balões de ar quente,
esses negócios que faziam "chu chu" e desmontavam
e, claro, fazer amizade com pássaros.
A segurança do tráfego aéreo esteve nas manchetes recentes
por incidentes como esses:
Há dez dias em San Diego um avião particular
quase pousou em cima de um 737 da Southwest.
Em Austin, em fevereiro, um avião da FedEx
quase pousou em cima de um voo da Southwest.
Ambos foram autorizados para a mesma pista.
E essa foto tirada da cabine de um avião JetBlue em Boston.
Um avião empresarial de repente apareceu na pista sem permissão.
Isso é apavorante!
Aviões não deveriam pousar um em cima do outro.
E eu digo isso sabendo que Tom Cruise pode me ouvir
e fazer um novo Missão: Impossível para ele mesmo fazer isso.
Não estou dizendo que ele quer morrer na frente de uma câmera,
mas Tom Cruise só morreria tranquilamente na cama dele
se a cama fosse lançada em um vulcão ativo
para de alguma forma salvar a experiência de ir ao cinema.
Enquanto essas histórias são obviamente preocupantes,
é importante dizer que choques fatais
em linhas aéreas comerciais são extremamente raros,
e voos comerciais
continuam sendo de longe o modo mais seguro de viajar.
Isso se deve muito aos controladores de tráfego aéreo,
que, como esse vídeo de recrutamento indica,
são realmente os heróis anônimos dos céus:
Milhões pegam voos todos os dias.
Por trás da viagem segura, há um mundo que poucos veem.
Orquestrando uma sinfonia de tráfego aéreo
com habilidade e precisão, os controladores aéreos
são os guardiões do ar.
É uma aventura do começo ao fim.
Durante todo o turno, você nunca sabe o que esperar.
Por isso que é emocionante.
Para mim, é um desafio divertido.
Quanto maior o desafio, maior a vitória.
Temos que estar três passos à frente
e pensar em nove alternativas diferentes para esses passos.
É, é muita coisa.
Controladores aéreos precisam estar sempre em alerta.
Não é como um trabalho normal, onde se começa uma tarefa,
olha o Reddit por algumas horas, depois volta à tarefa,
mas aí chega o almoço, volta à tarefa, aí precisa de um café,
e depois começa a conversar com o chato do Derek,
depois vai contar para a Janine o quanto o Derek é chato
e volta a trabalhar.
Depois você vê a Janine rindo com o chato do Derek,
e pensa: "Janine e Derek são amigos? Que droga!",
depois são 18h e o que você tinha para fazer
acaba tendo que ficar para amanhã.
Diferente deles, controladores aéreos
precisam fazer as coisas.
Juntos, eles garantem a segurança de dois milhões de passageiros por dia.
Mas como certamente notaram, há sinais de que nosso sistema
está sob uma pressão extrema.
Por exemplo, essa matéria do mês passado sobre grandes atrasos em Newark:
O tempo ruim da segunda complicou um pesadelo
da equipe de controladores aéreos que começou na segunda passada.
Depois de várias quedas do sistema, as telas dos controladores
apagaram por até 90 segundos,
tirando a capacidade de rastrear as aeronaves
em uma central chave que controla os voos
que chegam e saem de Newark.
Foi a gota d'água para seis controladores,
que pediram licença psiquiátrica por causa do trabalho.
É, foi tão grave que pediram licença psiquiátrica.
E espero que tenham se recuperado em um lugar melhor que Newark,
que é a Nova Jersey de Nova Jersey.
E tem mais.
Em janeiro, um avião e um helicóptero militar colidiram no aeroporto Reagan,
matando 67 pessoas.
Isso aconteceu dias depois da posse de Trump,
e ele enfrentou o momento com a empatia característica
e a oratória poética dele:
Acho que o helicóptero voou alto. Vamos descobrir o que houve.
Mas as chances, mesmo sem nada, sem ninguém, de acontecer são pequenas.
Se for a um campo de golfe, você pode acertar centenas de bolas
durante milhares de horas.
Eu nunca vi uma bola acertar outra bola.
As bolas voam por todo lado e nunca batem uma na outra.
Foi incrível isso ter acontecido.
Muitos erros foram cometidos.
E não deveria ter acontecido.
Mas apesar disso, é incrível que tenha acontecido.
Sabem, é difícil saber no que focar.
A frase "mesmo sem nada, sem ninguém"
parece uma música de Tim McGraw
feita para Trolls 4: Para quem trola os sinos.
Ou comparar uma tragédia com um evento de golfe.
Quem nunca esteve em um avião durante uma turbulência,
pensando se vai acontecer o pior, e pensou: "É que nem quando o presidente
lança centenas de lindas bolas de golfe em um de seus resorts de luxo,
essas bolas quase nunca se acertam.
Se acertassem, seria incrível."
A investigação do acidente ainda está acontecendo,
mas um relatório preliminar indicou que, entre diversos problemas,
havia uma falta de controladores naquela noite.
Só uma pessoa estava fazendo o controle dos helicópteros
e dos voos locais ao mesmo tempo.
E dois meses depois, quase aconteceu outro acidente
no mesmo aeroporto.
Depois disso se soube
que um supervisor foi acusado de socar a cara de um controlador.
Isso levou a FAA a enviar uma equipe de saúde mental
para oferecer apoio confidencial de manejo do estresse
para os controladores.
E tudo isso deixa claro como esse trabalho é estressante
e como as centrais estão sem funcionários.
O ideal seria ter
mais de 14.000 profissionais certificados em controle aéreo,
mas atualmente temos pouco menos de 11.000,
e parece que 99% das centrais de controle aéreo nos EUA
operam com um nível de pessoal abaixo do recomendado.
Os controladores vêm avisando deste problema há um bom tempo.
No fim de 2023, foram reportados possíveis casos de risco
várias vezes por semanas.
E alguns controladores dizem que as horas extras obrigatórias
eram um grande problema de saúde:
Estamos cansados de trabalhar seis dias por semana.
Estamos cansados de trabalhar dez horas por dia.
A NBC News obteve documentos internos da FAA
apresentados pelo New York Times.
Eles detalham avisos internos dos próprios controladores
sobre seus erros e fadiga.
Por exemplo: "Vemos muitos funcionários dormindo no trabalho."
"Sem fadiga, eu teria percebido antes que o avião estava posicionado
na pista errada",
e "Rezo para ninguém morrer pela fadiga dos controladores".
Bom, isso não é bom.
Se eu fosse escolher adjetivos para os controladores aéreos
encarregados do meu voo, "descansados" estaria entre os primeiros.
Junto de "bem pagos"
e até "eroticamente emocionados pela ideia de pousos seguros".
Se chegarmos vivos,
eu não ligo para o que está fazendo com a mão embaixo da mesa.
E quando se junta tudo isso ao fato dos equipamentos de controle aéreo
serem incrivelmente velhos e mal conservados,
é um milagre o nosso sistema funcionar tão bem.
Mas não deveríamos depender de milagres.
Por isso, hoje vamos falar sobre controle de tráfego aéreo:
Os responsáveis, as condições de trabalho
e como podemos ajudá-los.
Vamos começar pelo fato de que no início da aviação
os controladores aéreos não eram necessários.
Tinham poucos voos, eram quase todos diurnos
e a prática era "ver e ser visto".
Mas no fim dos anos 50
o controle aéreo começou a ficar mais parecido com o que temos hoje:
O voo 104 vai a caminho de Washington.
Mas o voo começou há 30 minutos,
quando o copiloto apresentou o plano de voo.
Doze segundos depois do plano de voo ser colocado no computador,
tiras de voo são impressas para o controlador de saídas
do centro de controle de Boston e seu assistente.
A tira é colocada no setor proposto de saída,
bem antes da hora da decolagem,
o que dá bastante tempo para o controlador planejar.
É, a tira é colocada no setor proposto,
bem antes da hora em que o pássaro de metal
vai decolar levando um piloto, um copiloto
uma equipe de aeromoças e cem empresários alcoólatras
que infernizam as aeromoças!
Nessa época os radares eram usados nos aeroportos,
mas não eram usados no país todo até um desastre em 1956,
quando dois aviões se chocaram sobre o Grand Canyon.
Depois disso, o Congresso aprovou uma atualização no sistema
e criou a FAA para se responsabilizar sobre o controle de tráfego aéreo.
E isso levou ao sistema complexo que temos hoje,
onde um avião que cruza o país passa por várias centrais de controle:
Enquanto o avião se afasta do portão, um controlador terrestre
guia você até a pista.
Depois, o controle da torre se encarrega dos aviões
que estão decolando ou se aproximando para pousar,
geralmente da superfície até 2500 pés de altura
em um raio de 8 km do aeroporto.
Depois, o controle de aproximação e radar, ou TRACON, assume
até a aeronave estar a 18.000 pés, quando passa o controle
ao controle de rota.
Sim, tem toda uma série de etapas que você nunca pensa durante o voo
porque funcionam sem problemas,
deixando você livre para pensar nas perguntas importantes,
como: "Se eu for ao banheiro, vou perder o lanche?"
e: "Se ele não colocar os sapatos, legalmente eu posso matá-lo?".
As respostas, claro, são sim e não, mas ninguém condenaria você.
A questão é que, por todo o país,
as pessoas dirigem dezenas de milhares de aviões todo dia, o que é desafiante.
E, para muitos, é um trabalho emocionante e gratificante.
Temos aqui uma ex-controladora resumindo muito bem:
É extremamente difícil explicar para as pessoas
como você precisa decidir rápido.
Menos para os profissionais de emergências médicas.
É 95% entediante e rotineiro,
é 3% emocionante e rotineiro,
é 1% emocionante e meio fora da rotina
e 1% "puta merda!".
Certo, primeiro, eu a amo.
Segundo, todos temos momentos "puta merda", não é?
Por exemplo, muita gente nessa sala deve estar pensando: "Puta merda!
Poderíamos ter ido ver Hadestown,
mas estamos ouvindo estatísticas sobre segurança aérea."
Mas quando uma controladora aérea diz isso,
claramente tem mais em jogo.
E um grande desafio hoje é que temos poucos controladores.
E tem sido assim há anos.
E como muitas coisas que falamos aqui,
a culpa é, em partes, de Ronald Reagan.
No começo dos anos 80, com o avanço do tráfego aéreo,
o sindicato dos controladores pedia por equipes maiores,
benefícios e tecnologia.
Eles apoiaram a candidatura de Reagan porque ele prometeu isso.
Mas ele não cumpriu e o sindicato entrou em greve.
E a resposta de Reagan foi dura:
Não podemos negociar com um sindicato que viola a lei.
- E seus juramentos. - E seus juramentos.
Com essas palavras, o presidente Reagan disse aos controladores aéreos
que voltem às torres de controle até quarta de manhã,
ou vão ser demitidos e julgados.
Não me importo se ele vai nos demitir ou não.
Se nos demitir, vai levar anos para preencher nossos postos.
Não é difícil saber quem apoiar.
De um lado, o pior grupo adulto de teatro dos EUA,
tratando um sindicato de trabalhadores essenciais
como um grupo terrorista.
Do outro, um paizão e tanto com um cabelo de tigela
e um bigode que faz cócegas nos lugares certos.
E Reagan não estava blefando.
Eventualmente, 11.000 controladores fizeram greve e foram demitidos,
e Reagan proibiu que fossem contratados novamente.
E isso deixou um legado importante,
houve uma contratação em massa de novos controladores,
então duas décadas depois houve uma grande onda de aposentadorias.
A FAA nunca conseguiu ficar em dia com as contratações desde então.
Parte da dificuldade é que controle aéreo é muito difícil.
Por isso, exigem restrições até para ser considerado.
Alguns são óbvios, deve falar inglês de forma fluente e clara,
ter menos de 31 anos para começar, ter visão 20/20 ou melhor em cada olho,
não ter histórico de doenças cardíacas,
nem pressão arterial alta ou baixa ou histórico de psicose,
neurose ou problemas de personalidade
ou saúde mental que possam ser um perigo.
E boa parte com isso.
Atualmente nós passamos 20 horas por dia assistindo
nossos amigos se divertindo sem nós, o papa se chama Bob,
o mar é plástico
e a astronauta Katy Perry voltou a fazer turnês.
Não existe ninguém com a saúde mental em dia.
Só existe gente sem plano de saúde que ainda não teve um diagnóstico.
Os candidatos também precisam fazer uma prova,
a avaliação de habilidades para o trânsito aéreo, ou ATSA.
Ela testa sua memória, capacidade de ser multitarefas
e percepção espacial.
Em uma parte, bolas com números voam pela tela
e você precisa evitar as colisões digitando o número de uma delas
enquanto resolve problemas de matemática.
É difícil!
E se parece um pouco com um videogame,
a verdade é que habilidades nos jogos têm sido vistas como ponto positivo:
A habilidade em videogames é fundamental para um controlador.
Você tem que saber matemática e sempre analisar o que acontece.
Você memoriza mapas e lugares, como em certos jogos.
Usei o jogo de futebol Madden para melhorar minhas habilidades
para o cargo com radares que eu estava trabalhando.
Isso! Finalmente jogar videogames conta como estudo.
E jogos bons!
Não estou falando dos jogos falsos que você pode jogar na escola,
que parecem divertidos mas acabam sendo alguma palhaçada sobre Matemática.
Não, obrigado!
Já são muitos passos só para começar.
Na verdade, menos de 10% dos inscritos são aceitos no treinamento.
A partir daí, os candidatos vão para a única academia no país,
na cidade de Oklahoma
onde treinam por meses
com simuladores sofisticados de computador
e também com isso:
Na primeira sala que fomos, tinha o "jogo de tabuleiro".
É nosso simulador de baixa fidelidade.
Os estudantes vão para essa sala com três semanas de estudo
como controlador de torre.
Ela serve para os estudantes aprenderem prioridades
e aprenderem o básico.
Excelente.
Eu amo que ele diz que o simulador é de "baixa fidelidade".
Não brinca, Brian.
São homens de meia-idade com aviões de brinquedo.
Eu sei que é um lugar sério de treinamento,
que ensina habilidades muito difíceis.
Mas também preciso saber se fazem os barulhinhos de avião.
Como eu disse, são profissionais, mas não devemos confiar em ninguém
que segure um aviãozinho por oito horas e nunca faça...
Essa academia só pode acomodar até 1800 alunos por ano,
o que limita muito o número de novos controladores.
E a taxa de reprovações é muito alta, acima de 30%.
Mas se você passa você vai para um centro real
para mais dois ou três anos de treinamento.
Essa etapa elimina um a cada cinco dos candidatos restantes.
Quando somamos todas as formas que as pessoas são reprovadas,
vemos que, de 1000 candidatos, você pode ter só 50 controladores
depois de um processo longo e trabalhoso.
É um índice de sucesso de 5%.
É como o Round 6, se o prêmio de Round 6
fosse continuar no Round 6 como forma de trabalho.
Após certificados, controladores recebem bons salários
e uma pensão garantida após 20 anos de trabalho.
Mas chegar a esse ponto é difícil.
Como vimos, a falta de pessoal força muitos a fazer hora extra
e trabalhar por seis dias na semana,
e a possibilidade de lidar com o estresse é limitada.
Por exemplo, para tomar um antidepressivo aprovado
você tem que sair do trabalho, tirar uma licença não-remunerada,
tomar uma dose estável por seis meses sem sintomas
ou efeitos colaterais antes de poder voltar ao trabalho.
Se um médico considerar
que você não está em condições físicas ou emocionais,
você é "separado do serviço", perdendo o emprego
e deixando você sem a pensão.
Por isso, controladores aéreos evitam buscar ajuda.
O trabalho é estressante e tem uma idade obrigatória de aposentadoria, 56 anos.
Em partes porque se determinou que nessa faixa de idade
é mais provável de acontecer um esgotamento.
Mas a maioria dos controladores se aposenta antes dessa idade,
o que faz sentido.
Já vimos que o trabalho é muito difícil,
certamente mais difícil que o meu, que ainda está me fazendo envelhecer
como uma banana debaixo de uma lâmpada quente.
Não é uma surpresa que a falta de controladores continue piorando
ainda que se preste mais atenção no problema.
Ano passado, apesar de muitos esforços de contratação,
só houve um aumento de 36 controladores em todo o sistema,
já que o esforço foi negado
por reduções, aposentadorias forçadas e outras perdas.
E se fosse só falta de pessoal, já seria ruim o bastante.
Mas os controladores também podem ter que lidar
com equipamentos e sistemas antiquados.
Lembram do vídeo antigo
sobre como acompanhavam os aviões com tiras de papel?
Adivinhem como a maioria das torres ainda faz isso:
Com todos os radares e computadores que eles têm,
a ferramenta mais essencial para gerenciar aeronaves individuais
é essa: Uma tira de plástico.
Às vezes temos 50 dessas tiras.
É uma forma de organizar.
É algo que ajuda a lembrar.
Nós sempre usamos.
É, usam a mesma tecnologia dos anos 50.
E não é um setor para nostalgia mágica, como ferreiros ou revistas.
É aviação, cacete!
E olhem, tecnologia antiga pode ser boa, se funcionar.
Mas a FAA descobriu
que muitos de seus sistemas estão chegando a um colapso.
Em 2023, determinaram que dos 138 sistemas, 51 eram insustentáveis
e 54 potencialmente insustentáveis.
O diretor do sindicato disse este mês:
"Temos computadores, eu juro, que foram feitos para o Windows 95".
Aqui temos o diretor de um grande grupo de linhas aéreas
explicando a situação para o Congresso:
Não é aceitável que controladores e técnicos usem tiras de papel
e disquetes para operar o sistema aéreo dos EUA.
Eu mostrei isso para alguns funcionários meus
e não sabiam o que era, porque têm menos de 30 anos.
Isso!
Nossa tecnologia deveria estar em um ponto que jovens possam reconhecer.
A propósito, se alguém com menos de 30 anos
está se perguntando o que é aquilo, eu vou explicar.
Antigamente, os computadores tinham boquinhas
e estavam sempre com fome.
De vez em quando você os alimentava com quadrados gostosos como lanche.
Em troca, eles deixavam você jogar Oregon Trail.
Era basicamente assim na época.
Nós claramente deixamos muita coisa passar.
Segundo estudos recentes, há um acúmulo de $5,3 bilhões
de componentes técnicos que passaram da vida útil,
e para muitos sistemas a FAA não consegue mais peças novas
porque os produtos foram descontinuados e os fabricantes não existem mais.
A FAA até admitiu que compra novas peças no eBay,
e claramente não é onde se compra equipamentos fundamentais.
No eBay você só deve comprar camisetas antigas da Radio Shack
e medidores descartados pela Igreja da Cientologia.
E claro, devem estar pensando:
"Não se consegue um eletrômetro Mark VI profissional, são muito raros.
E como saberia se funciona?" E eu responderia...
Ele funciona muito bem. Vocês estão errados.
Atualmente eu tenho 12.500 ohms.
Não me suprimam. Estão me suprimindo.
Não me suprimam.
Eu sou um ser humano incrível com um potencial não explorado!
E quanto às instalações em si, elas não são muito melhores.
Muitas torres tem décadas e apresentam problemas,
como defeitos nos elevadores,
então os controladores sobem centenas de escadas até o topo,
além de abelhas e moscas que picam
e ficam incomodando os controladores enquanto direcionam o tráfego.
Um relatório deste ano incluiu essa foto de um sistema de radar em um centro
que é esfriado por um ventilador.
Colocando o ventilador na frase "a merda bateu no...".
E é frustrante porque o Congresso se propôs a resolver esses problemas
há quase duas décadas,
depois que controladores apresentaram problemas parecidos.
Não dava para ver pela condensação em uma torre em Porto Rico,
tinha mofo preto em Detroit
e uma torre em Saint Louis tinha um problema com morcegos.
E eu respondo: Não, nada disso.
A única torre com morcegos que eu tenho interesse
é a verdadeira torre de morcegos de Perky, Flórida, construída em 1929
para frear a população descontrolada de mosquitos.
A ideia era que uma torre de morcegos comeria os mosquitos.
Não deu certo, a propósito. E vou parar por aí.
Só que não.
Saibam que o maior problema é que a cidade não tinha morcegos,
então decidiram encher a torre com isca para morcego,
composta por fezes de morcego e órgãos sexuais de morcegas moídos.
Segundo o supervisor da obra, não havia cheiro igual no mundo.
Mas agora, infelizmente, temos que mudar de assunto.
Mas não podemos, não é?
Porque também precisam saber que o que aconteceu depois não é claro.
Alguns dizem que os morcegos que vieram foram embora,
outros dizem que nenhum morcego veio.
Mas ainda assim, em Perky, Flórida
tinha uma torre cheia de purê de cocô e vagina de morcego
até que pararam de encher com isso
porque o encarregado morreu e ninguém mais sabia como fazer.
O que é estranho, porque a receita parece simples.
A questão é que não só devemos falar mais sobre isso,
mas é a única coisa que qualquer pessoa deveria falar!
Mas em 2007, George W. Bush apresentou o que ele chamou
de sistema de transporte aéreo de nova geração, ou NextGen.
Deveria modernizar o sistema de tráfego aéreo até 2025,
que é, acreditem se quiserem, agora.
E obviamente não aconteceu.
Na verdade, um relatório de dois anos atrás
mostrou que o orçamento da FAA para novas tecnologias
diminuiu desde o anúncio inicial do NextGen.
Muito disso é porque a FAA
recebe fundos do governo de forma discricionária, não obrigatória.
Ela fica vulnerável a disputas orçamentárias.
Por exemplo, a academia em Oklahoma
ficou fechada em 2013 por quase um ano por causa do sequestro de orçamento,
e fechou de novo no fim de 2018 por causa do congelamento no governo
quando Trump tentou pressionar o Congresso a pagar seu muro.
E é muito difícil planejar mudanças a longo prazo
se o dinheiro que você precisa é sempre tirado de você.
Se juntarmos tudo, a tecnologia primitiva,
centros caindo aos pedaços cheios de gente esgotada com motivos,
estamos pedindo para ter problemas.
Vejamos um supervisor
que tirou licença recentemente do espaço aéreo de Newark
tentando explicar a situação depois de uma pergunta muito óbvia:
Por que é um problema para os controladores aéreos
não terem radares, rádios e apoio técnico que funcionem bem?
Por que é um problema não ter equipamento que funciona?
Não sei bem como responder, isso deveria ser óbvio.
Se eu trabalho cortando grama
e meu cortador não funciona, eu tenho um problema.
Vou ter que usar tesouras.
Não se compara, mas sim.
Se o equipamento não funciona, há uma limitação e causa problemas.
Certo, tirando o fato dele parecer que vai tirar
uma moeda da sua orelha na rua em Las Vegas
ou um Papai Noel que mudou para Miami para trabalhar em uma boate,
essa foi uma resposta educada a uma pergunta muito absurda.
E sabemos que ele é bom no trabalho, porque aterrissou a resposta
sem ferir os sentimentos do jornalista.
Então, o que podemos fazer?
Muitas ideias foram apresentadas.
Trump sugeriu privatizar o controle aéreo,
mas um estudo do Congresso mostrou que não há provas de que privatizar
faria ser melhor do que é hoje.
Recentemente, o Secretário de Transportes, Sean Duffy, falou muito
na necessidade de aumentar o número de funcionários.
O positivo é que, entre outras coisas,
ele ofereceu um aumento no que pagam aos estudantes
e continuou os planos de Biden
de ter mais centros de treinamento além desse em Oklahoma,
o que são boas ideias.
O negativo é que ele apoia a ideia de Trump de que os problemas da FAA
são culpa das iniciativas de diversidade, e tuitou:
"Precisamos dos melhores e mais inteligentes,
e não contratar as pessoas por diversidade",
o que é muito racista e muito afastado
de qualquer problema na agência.
E Duffy apresentou um novo plano para um novo sistema de controle,
em um pódio que dizia "novo sistema de controle".
Ele propôs atualizar a infraestrutura em apenas três anos,
mas o problema está nos detalhes.
Ele não apresentou um orçamento ou metas específicas
para chegar a essas melhorias.
Olhem, essas são as boas notícias:
Pessoas de todo o espectro político reconhecem o problema.
A má notícia é que isso não se conserta rápido.
Precisa de investimentos a longo prazo.
Por isso seria útil o Congresso fazer
os gastos com equipamentos e centros da FAA serem obrigatórios
e não discricionários.
Assim os responsáveis poderiam planejar os investimentos
e não ficar no meio durante brigas orçamentárias no Congresso.
Enquanto isso, precisamos fazer todo o possível
para aumentar as contratações de controladores aéreos,
é um trabalho extremamente importante que deve ser valorizado.
Se conseguirmos, talvez um dia possamos chegar ao ponto
de um vídeo sincero de recrutamento não ser assim:
Milhões pegam voos todos os dias.
Por trás da viagem segura, há um mundo que poucos veem.
Orquestrando uma sinfonia de tráfego aéreo
com habilidade e precisão, os controladores aéreos
são os guardiões do ar.
Eu amo esse trabalho.
Todo o meu turno é uma aventura, do começo ao fim.
Nunca sabemos o que vem por aí,
um pouso de emergência, uma falha no rádio,
ou o elevador na sua torre de 40 anos quebrando,
fazendo você subir 15 andares pela escada,
que por algum motivo está cheia de abelhas.
Um monte de abelhas.
Temos que estar três passos à frente.
E ter nove alternativas para cobrir os três passos.
E mais nove para cobrir o cara do lado que se aposentou
e nunca foi substituído.
Eles dizem que vão, mas não vão.
Sempre dizem: "Vamos trazer alguém", mas não vão.
Apesar da falta de investimentos, da infraestrutura decadente
e Ronald Reagan, o transporte aéreo ainda é a forma mais segura de viajar.
Meu pai era controlador aéreo,
e eu me sinto próximo dele neste trabalho.
Ainda mais porque é o mesmo computador que ele usava.
Ele aposentou porque o médico disse que ele tinha mais úlcera que estômago.
Fazer o quê?
Eu sou nova aqui.
Minha supervisora me deu este quadrado.
Ainda não sei para que serve.
Eu carrego comigo há semanas.
Você por acaso sabe? Não? Ninguém?
Na FAA, procuramos por jovens entusiasmados
que saibam resolver problemas.
É um trabalho desafiante, sem dúvidas.
O que nos motiva é que...
Desculpa, temos queda de energia quando alguém dá descarga no vaso.
Pronto.
Como eu estava dizendo, o importante é que nos valorizam...
Dave, uma descarga só! Já conversamos sobre isso!
Desculpa!
Quer controlar meu tráfego enquanto estou no banheiro?
Quer me guiar?
Não, eu não quero.
Foi o que pensei.
Droga, o morcego voltou! O morcego voltou!
Tem um morcego! Socorro!
Susan, o morcego voltou. Pega a vassoura.
Socorro!
Preciso ajudar. Que droga.
Nossos controladores corajosos dão conta de tudo.
Dá a volta, droga!
O que é bom, porque podemos continuar do mesmo jeito para sempre.
Parece um videogame.
Mas não podemos fazer pausas, não temos vidas extras
e no lugar de personagens, são você e seus entes queridos
no voo 1215 de Dulles.
Ao jogo!
Mas eles desistem?
Claro que não.
Você também pode ser controlador de tráfego aéreo.
Só precisa de visão 20/20, saúde impecável
e vacina antirrábica em dia.
Por causa dos morcegos.
É 95% entediante e rotineiro, e 3% emocionante e rotineiro,
e 2% "puta merda!".
Não, sério, puta merda!
Ei, voo 269, não é a sua pista! Sai daí!
Da próxima vez que for voar,
não deixe de agradecer aos controladores aéreos,
os guardiões do...
Ei! O que estão fazendo? Não tem ninguém na torre!
Estou controlando 50 voos sozinha!
Parem de posar e venham ajudar!
Vamos, eu não sabia que todo mundo tinha descido.
Derek!
ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DE AVIAÇÃO
Esse foi nosso programa, muito obrigado pela audiência.
Até semana que vem. Boa noite!
Merda, um morcego me mordeu.
Merda!
Estamos sem papel higiênico.
Devo usar o morcego?
Sai do banheiro, Dave!
Susan, pegou?
- Sim, peguei. - Pegou? Ótimo.
Sim.
Certo, eu estou sendo entrevistado.
Certo, eu peguei.
Merda.
Desculpa.
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