All language subtitles for A Jaula 2022 1080p WEB-DL NACIONAL 5.1.pt-BR

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Original subtitles

Bom dia para você, trabalhador, trabalhadora.

Bom dia para você que não aguenta mais ser assaltado.

Bom dia para você que é obrigado a ficar preso dentro da sua casa.

E boa sua bandidagem?

Bandidagem passou.

A família brasileira está sangrando.

Cadê o secretário de segurança do estado?

Você tem que encher sua casa de grade,

arame farpado, caco de vidro no muro,

câmera de segurança e ó, vai jantar nada.

Porque o governo não tá nem aí pra você.

É cada um por si e Deus acima de todos.

Todas as manhãs, quando eu me despeço do meu filho, eu dou um beijinho na testa

dele e me passo um pensamento, sim, passa na minha cabeça.

Será que eu vou voltar?

Eu não aguento mais tanta violência.

Eu queria mostrar outras coisas pra vocês aqui, mas não dá.

É sangue, sangue, sangue.

E hoje tem, hein?

Põe na tela aí o caso daquela aposentada que, quando saia do banco, foi agredida

por...

Ah, não!

Ah! Ah!

Tchau.

Alô, filho?

Alô, Cauê?

Ei! É o papai, filho.

Isso. Passa... Passa pra mamãe, correndo.

Cauê? Papai não pode conversar agora, Cauê. Passa... Passa pra mamãe, caralho!

Passa pra mamãe, porra!

Ei. Ei, Rô. Ei, Rô.

Ei, Pretinha.

Não, não, mano. Eu preciso falar com você.

Eu tô preso dentro de um carro. Chama o Marquinho.

Chama o pessoal. Eu tô preso aqui dentro.

Tô preso... Alô?

Rosana? Alô?

♪ Conta nos plaques de 100, dentro de um ♪ ♪ Citroën. ♪

♪ Ai, nós convida porque sabe que ela vem. ♪ ♪ De transporte, nós tá bem. De Hornet ou ♪

♪ 1 .100. ♪

♪ Kawasaki, vem Bandit. ♪

♪ R .R. tem também. ♪

♪ Conta nos plaques de 100, dentro de um ♪ ♪ Citroën. Ai, nós convida porque sabe que ♪

♪ ela vem. ♪

♪ De transporte, nós tá bem. De Hornet ou ♪ ♪ 1 .100. ♪

♪ Kawasaki, vem Bandit. R .R. tem também. ♪

♪ E é receita bem. ♪

♪ A ♪

♪ Noite ♪

♪ chegou e nós partiu pro baile santo. ♪

♪ E como de costume, toca nada, no rato ♪ ♪ santo. ♪

♪ E a vida, a casa sempre filha, como o ♪ ♪ filho da santo. ♪

Alô. Bem -vindo a bordo.

Alô.

Tá me ouvindo?

O que tá acontecendo, mano?

O que tá acontecendo? O que tá acontecendo aqui? Você tá me prendendo

desse carro? Fica quieto, fica quieto.

Fica tranquilo que a gente vai ter muito tempo a conversar.

Presta atenção.

Eu já fui roubado 28 vezes nessa vida.

28. Só carro foram quatro.

Mas com esse aqui eu resolvi fazer diferente.

Eu instalei um alarme conectado no meu celular.

Quando entra alguém, eu consigo travar as portas à distância pelo telefone.

Aí não dá mais pra abrir por dentro.

A única forma de você sair daí é usando a chave, que obviamente tá aqui comigo.

O carro é completamente blindado à prova de som.

Os vidros são polarizados de fora, ninguém te vê.

A única coisa que não é blindada é o tanque de gasolina.

Que tá cheio até o talo.

Ou seja, o carro é uma bomba em potencial. Tô falando isso pra você.

Caso você queira dar uma de maluco.

Meu nome é Dr.

Henrique Ferrari.

Eu nasci no interior do Paraná há 53 anos.

Tive uma infância comum de um menino de classe média, naquela época em que as

portas das casas ficavam abertas e não acontecia nada.

Quem diria que o mundo ia piorar tanto a ponto de a gente ter saudade de como as

coisas eram há 50 anos?

Diz uma coisa.

O que você faria se pegasse seu filho roubando, hein?

Eu não sei.

Resposta errada, seu merda.

Resposta errada?

Resposta errada é o seu filho da puta!

Resposta errada! Você enfia no meio do seu cu!

Seu filho da puta roubado!

Eu vou achar você, porra!

Eu vou encher seu cu de tiro! Seu filho da puta!

Vamos tentar de novo?

O que você faria se pegasse seu filho roubando?

Não sei, senhor.

Pelo amor de Deus, me arrumou um pouquinho de água.

Estou com sede.

Então responde direito.

Responde direito que eu te dou água.

Eu entregava ele pra polícia.

Não.

Não, não tem polícia, delegado, juiz, advogado, desembargador, papa, o

nada. O filho é teu.

O exemplo quem tem que dar é você.

Senhor, vamos resumir essas ideias, pelo amor de Deus, senhor.

É dinheiro que o senhor quer, pode falar.

Eu arrumo pro senhor. Ô, maloqueiro, eu acho que você ainda não entendeu.

Nem a mim, nem ao mundo a sua volta. A corrupção é um câncer, acabou com esse

país. Agora os tempos são outros, as coisas mudaram, tá ok?

Você acha mesmo que eu quero alguma coisa de ladrão, hein?

Eu sou cidadão de bem, um homem de Deus, seu vagabundo!

O senhor não tinha falado que era médico, mano?

O senhor não assinou aqueles bagulho que médico assina não, que não pode deixar

a pessoa morrer?

O senhor tá me deixando morrer aqui dentro, mano.

Adivinha?

Adivinha que tipo de médico que eu sou?

Eu não sou cardiologista.

Não sou clínico geral, nem sou jujão, ortopedista. Eu não sei, senhor.

Vou te dar uma dica.

Eu trabalho onde os outros brincam.

Médico de mulher de buceta.

Ginecologista.

Ginecologista.

Ele é pra cá, mano!

Qual que é o seu nome?

Eu quero água.

Qual o seu nome?

Como você se chama? Tô com sede, pelo amor de Deus, mano.

Me dá seu nome, sobrenome RG, que eu te dou água.

Meu nome é Djalma da Rocha.

Meu RG 3083.

596.

Dígito? Dígito 6.

Dígito 6.

A água procura no esguicho da porta de trás.

E aí

Tudo cheio de alarme.

Cheio de alarme.

Não é?

E agora eles colocam alarme em tudo que é lugar, não é, mano?

Tudo que é lugar tem alarme agora.

Você já pensou, mano?

Quantos alarmes estão tocando ao mesmo tempo aqui na cidade?

Tudo ao mesmo tempo.

Igual uma orquestra do Satanás. Tudo isso, mano.

Eu tô morrendo.

Não exagera, rapaz.

Uma pessoa pode ficar muito tempo sem comer.

Semanas.

O que é bem diferente de ficar sem água.

Dois ou três dias no máximo.

A boca e os olhos começam a ficar ressecados.

Depois tem vômitos, fraqueza, tontura, letargia.

Pele acinzentada.

E aí sim, a morte.

Tem um ferimento aqui.

Você tem um ferimento?

Isso é uma consulta?

Por quê?

Você só entende buceta.

Bom, claro que isso vai depender do estado geral da pessoa. Se tem febre,

tá a ferida, o que aconteceu.

Conta. Conta pro teu médico aqui, conta.

Eu mesmo dei um.

Fui dar um tiro. Após a janela aqui.

Resvalou na minha perna.

E acertou em você mesmo, é isso mesmo?

Tá sangrando ainda?

Tá seco.

Que cor que tá a pele ao redor da ferida?

Tá amarelo.

Verde.

É... Não me soa bem, não.

Tá quente.

Tá.

Você deve estar com febre.

Por isso... Você deve estar com frio.

Eu vou ligar a califação pra você.

Pronto.

Vamos melhorar um... Um pouquinho esse clima, né?

Eu tive lembrando algumas datas, lugares, coisas que me aconteceram nos

anos. Escuta isso aqui.

Agosto de 1998,

fui jantar com a minha mulher e uns amigos e quando saímos, tinham roubado

rodas do meu carro.

Apareceu um ano depois, com rodas esportivas.

É tunado que vocês falam, não é isso?

Tunado.

Março de 2006.

Assalto a mão armada em um restaurante na Melo Alves.

Novembro de 2008.

Estava de férias em Ilha Bela.

Eles procuraram dinheiro e acharam 3 mil dólares que eu sempre deixo de

propósito.

Cagaram em cima da mesa antes de ir embora.

Agosto de 2012, eu fui ver o jogo do Palmeiras e o Flanelinha arranhou o meu

carro só porque eu neguei pagar 50 reais para aquele filho da puta, para ele

tomar conta do meu carro. 50 reais, ele queria 50 reais, adiantado.

Outubro de 2014,

entraram na minha casa com os meus pais, quando meu pai estava... Entrando com o

carro na garagem, a minha mãe estava do lado de fora abrindo o portão, roubaram

sem arma, bateram no meu pai, na frente da minha mãe.

Você sabe o que é isso?

Bateram feio nele.

Te deixo aqui.

Apareceu uma urgência no meu consultório.

Ah!

Bom dia.

Tá me ouvindo?

Ainda tá vivo?

Eu tenho um filho.

Eu tenho um moleque pra criar, mano.

Não reclama, Djalma. Não reclama que você tá mais seguro aí dentro do que ele

aqui fora.

Tô aqui tomando... Um café lendo o jornal. Escuta só.

Desmatamento na Amazônia atinge o maior nível da história.

Isso é fake news.

Fake news, bobagem, blá blá blá de Young.

Mais uma criança morre de bala perdida em ação da polícia no Rio de Janeiro.

Acontece.

Guerra é guerra.

Melhor bolo de cenoura.

Receita de bolo na primeira página.

Jornaléco. Eu não sei porque eu insisto em continuar lendo o jornal.

Rapaz, hoje eu acordei de bom humor e você tá com sorte.

Tem uma rapadura atrás do freio.

Alô?

Fala rápido que eu tô resolvendo um negócio aqui.

É, mas vai ter que ir lá no consultório.

O que é que houve?

Eu tô indo pra lá, já.

Já tô indo.

Eu quero água.

Quero um baseado também.

Ouviu?

Esse mendigo todo dia tá aí, ó.

Ih, hoje deu sorte.

É pizza.

Indico sortudo do caralho.

Você é obrigador.

Ah lá.

Deve ser o xerife da rua, né? Todo fortão.

Mas não ter peito de aço, né?

Adianta nada.

Depois da póvora não ter cabuloso não, filho.

Vou botar a mãe dele pra chorar rapidinho.

E essa coroinha aí?

Mal cara de tia da gente, né?

Uhum.

Na hora que o bagulho ferve, a primeira é ligar o 90.

Pra começar, isso aí nem é banca, né, mano?

Isso aí é bicho.

E roubar bicheiro, isso aí é louco.

Esse louco aí é tipo aqueles primos que deu errado.

Acha que pode resolver a vida na cachaça.

Esses aí são os perturbados da rua.

Ó, tiazinha sai, avisa o tiozão.

Tudo certo, tiozão, pode sair.

Aí ele sai, aí ela entra.

Agora sim, tudo certo, né? Ninguém vai ser assaltado, tudo certo.

Socorro!

Eu tenho novidades pra você da Rosana e do Cauê.

Eu disse que eu tenho novidades da sua família.

Rosana e Cauê.

O que você fez com a minha família?

Eu não fiz nada.

Eu tenho boa índole.

Diferente de você,

você não entendeu isso ainda?

Eu disse que eu era um representante da Loteria Federal, que Djalma da Rocha

tinha apostado na Mega Sena numa agência do bairro e que tinha ganhado 400 mil

reais.

Viu como eu sou bonzinho?

400 mil reais entregues num ato, num dinheiro.

Você foi na minha casa?

Rua Comendador Santana 406, Capão Redondo.

Perto do Parque Santo Antônio, não é isso?

É claro que a Rosana não negou o dinheiro.

Ela assinou como sua representante. Eu tomei a liberdade de sugerir para ela

compre uma casinha e deixe de pagar aluguel e o resto ali em vista na boa

educação do menino.

Você fez muito pouco para ter uma família bonita como essa.

Você não merece.

Eu consegui aqui também a sua ficha corrida com um amigo da polícia.

Bastante interessante.

Como é que é matar alguém de alma?

Pasa, mano! Pasa!

Boa noite.

Deixa eu ver meu filho.

Pedido indeferido.

Eu vou me matar.

Você vai se matar?

Eu tô tão preocupado com a sua saúde, rapaz.

Você tem coragem.

Minha Nossa Senhora.

Minha Nossa Senhora.

Nove milímetros?

Tá judiado.

Você colocou aqui?

É aqui?

É o lugar certo.

Explode os miolos, palha, tudo que é lá.

Baseadinho.

Mas vem bem enrolado já.

Pra quem não sabe.

Eu não sei.

Nem como é que fuma essa porra.

Vou ver essa ferida aí.

Calma, calma que tem que treinar, calma.

Ai, ai, ai.

Tá doendo?

Tá doendo.

Roda 10, tá doendo quanto?

10.

Alô.

Oi, Margarida.

Oi.

Não? Não, posso sim.

Estou num congresso aqui em Vitória, mas pode falar.

Ah,

que felicidade.

Neni vai nascer.

Não, calma, claro.

Claro, calma.

Calma. Faz a tua bolsinha como você já tinha planejado.

Faz aquele safado do teu marido. Vamos lá para a clínica.

Eu vou mandar mensagem para o doutor Ernesto Flores.

É.

É, exa... Então.

Ele cuida das vias dos pacientes quando eu estou fora e ele vai receber você lá

na clínica.

Vem aqui!

Vem aqui!

Vem aqui!

Vem aqui!

Tá tranquilo.

Vai,

vai.

Abaixado.

Eu já falei, abaixa a arma.

Tá surdo, porra? Abaixa a arma.

Oh,

roubou meu carro.

Eu sou médico, dá pra ver.

Tô com medo tão aqui, o pessoal do bar aí pode confirmar com você.

Só que eu peguei.

Eu vou dar uma lição nele. Fique tranquila, tá?

Solta a arma! Se afasta dele!

O vagabundo aqui é ele! Vai defender vagabundo!

Eu peguei ele.

Eu vou dar uma lição nele. Pode seguir o caminho de vocês!

Escuta, mocinha.

Nós estamos do mesmo lado.

Queremos a mesma coisa. Somos civilizados, tá ok?

Você ganha o quê? 3 mil reais por mês pra colocar tua vida em risco? Em troca

desses vagabundos aqui?

Olha aqui, presta atenção.

Tá tendo um equívoco.

Olha o tiro que ele me deu aqui, ó.

Pra matar.

Ele queria me matar.

Essa arma aqui, olha. Eu não vou apontar.

Eu não vou parar de apontar pra ele, porra.

E a gente tá aqui acompanhando direto do nosso Mochilink um caso fora dos

padrões. Parece que um médico tá fazendo um vagabundo de refém.

Tô entendendo nada.

Trinta anos de televisão, nunca vi isso.

Mas esse país tá tão doido que as coisas tão mirando de ponta cabeça.

O vagabundo já tá na nossa casa.

Oba carro, aí cê pega o vagabundo.

A culpa é minha, hein?

Hein?

Tem que a gente trabalha.

Trabalha que nem um jumento pra comprar alguma coisa.

Vem um vagabundo e leva tudo.

Quando é que aconteceu isso? Por favor, doutor.

Eu peço mais uma vez pro senhor ficar tranquilo.

Eu estou indignado. Você não percebeu. Eu não quero mais falar com você, não.

Quero falar com ela.

Com quem, doutor?

Com a guardinha aí que chegou primeiro.

A gente pode trazer alguma coisa pro rapaz comer?

Tá preocupada com ele?

Essa porra de direitos humanos, é isso?

Que caralho, que porra você tá com fome? Você quer comer o quê, hein? O que você

quer pedir? Pode pedir o que você quiser.

Você me dá licença, eu vou pedir pra você, tá bom?

Eu vou pedir.

Ele vai querer sushi.

É isso que ele quer.

Sushi, tá?

Pode pedir pra todo mundo.

Dá o quê?

Ó, umas mil peças.

Mil e quinhentas peças, uns seiscentos barcos.

É isso que eu quero, tá?

Ok.

Isso, faz isso. Quer beber alguma coisa? Querem beber alguma coisa?

A gente está aqui há mais ou menos duas horas e por enquanto a

polícia não deu nenhuma informação concreta pra gente.

O que eu pude apurar é que o renomado ginecologista Henrique Ferrari mantém

refém o jovem Djalma da Rocha, que é um provável bandido.

Paralelo a isso, o delegado Otávio Dantas recorreu à mediadora Valéria

que é uma especialista em crises como essa, para encabeçar aqui essa operação.

E a gente segue acompanhando casos visitados do doutor sequestrador.

Escuta aqui, ó.

Você da câmera aí, ó.

Escuta aqui.

Pessoal de casa.

Coloca aqui uma enquete, por favor.

Eu mato o vagabundo aqui, eu não mato.

Brasil, continua ligado, continua escrevendo pra nós pela internet,

doutor sequestrador.

Eu quero que as pessoas votem.

Eu quero que as pessoas votem, o que eu faço?

Pessoal de casa, a senhora é dona de casa, por favor.

Você aí, cidadão de bem, temente a Deus.

Eu mato o vagabundo ou entrego pra polícia, que depois coloca na rua?

Liga aí!

Liga a internet, rede social, sei lá!

Eu queria que vocês voltassem com o coração.

Não fica pensando, não tenha vergonha de dizer o que você sente, não!

Boa noite! O que é que é?

O que foi?

Boa noite.

Meu nome é Valéria.

Sou mediador aqui da Polícia Civil.

Eu vim no intuito de ajudar vocês nessa situação.

Então, Henrique, o que eu posso fazer aí pra te ajudar?

Pode começar me chamando de doutor.

Eu não estudei anos pra ser comparado com vagabundo.

Perdão.

Doutor Henrique, o que eu posso fazer pra te ajudar aí nessa situação?

Quer saber o que pode fazer pra me ajudar?

Pode me ajudar?

Ajudando a cumprir a lei? É isso que você pode me ajudar.

Doutor Henrique, gostaria de propor aqui uma reflexão?

Aí tá bom, aí tá bom. Pode cair.

O senhor tá bravo, né?

O senhor não tá bravo só com esse moleque, não.

O senhor tá com raiva aí do mundo, né?

Do estado em que as coisas estão.

Sério que você convence alguém?

Na hora que eu me comorgo e solto esse anjinho?

Olha, o senhor não é o único, não.

Está todo mundo aqui com raiva.

Eu estou com raiva.

Agora, sabe a diferença entre a minha raiva e a sua?

Eu sei que a minha raiva não me leva a nada.

Não muda nada.

Isso aí que o senhor tá fazendo não resolve o problema.

Pelo menos eu tô fazendo alguma coisa.

Senão vai ficar o quê? Como é que fica?

Vamos embora todo mundo?

Portugal? É isso?

Portugal? Lugar da moda?

Miami?

Pra onde? Pra Marte? Pra puta que pariu?

Olha, pelo estado aí desse moleque, parece que ele já aprendeu a lição,

Deixa ele ir.

Deixa ele ir.

Para vocês?

Para a justiça?

Qual de vocês aí nunca foi assaltado? Levanta a mão, por favor, quem nunca foi

assaltado.

E agora, no último ano, só no último ano?

Quem foi assaltado no último ano?

Que maravilha.

Que maravilha. Eu gostaria de propor uma salva de palmas para esses policiais

maravilhosos que estão sempre nos protegendo e nos deixando em segurança.

Doutor?

Será que eu posso te oferecer um copo d 'água?

Pra minha amiga trazer.

Arma, querida.

Obrigado.

É, vocês sabem que eu não gosto de dar espaço pra sequestrador, pra vagabundo

nenhum. Mas nesse caso, põe na tela aí o telefone.

Você acha que ele deve matar o bandido?

Ligue 0 operadora 11 38767.

Se você acha que ele não deve matar o bandido, ligue 0 operadora 11

38769.

Doutora, eu vou ser direta com você.

Olha pra mim.

Olha aqui bem nos meus olhos.

Eu estou há quase 25 anos na polícia.

Eu não tenho marido, eu não tenho filho, eu vivo com o meu salário de polícia,

eu não tenho dinheiro guardado.

Eu sei o que é não ter nada a perder.

Larga ele.

Ele já aprendeu a eleição.

Você deve estar tão estarrecido quanto eu. Trinta anos, profissão nunca vi

A nossa audiência só sobe.

Vicky.

E a situação fica mais tensa ainda.

Eu...

Não. Ligo.

Sabe o que vai acontecer se você matar esse moleque?

Nada.

Vamos falar de você uns dois, três dias aí na televisão.

Mas tudo vai continuar na mesma.

Marca esse moleque.

Não tem idade pra ser teu filho.

Filha, eu tenho uma filha.

Ela jamais me ficaria olhando.

Ela seria filha de um cara que está há cinco horas apontando uma arma para um

ladrãozinho de merda, bem na frente das câmeras.

Justamente eu, eu, eu que coloquei uma tonelada de bebê no mundo.

Tom,

Tom,

esqueça da minha opinião de verdade.

Mata esse verbo.

Não.

Vai,

vai!

Ele vai matar, ele vai matar o vagabundo, tira a criança da sala, ele

pedindo prazer, por favor, o filho posiciona melhor, ele vai matar.

A cena é muito violenta, é uma realidade, é o que está acontecendo,

na zona norte de São Paulo, em Tomorupi.

Obrigado.

♪ Preso numa emboscada milhão, desespero ♪ ♪ bate no peito Na contenção eu só quero ♪

♪ sifrão, mas tinha que ser mais ligeiro ♪ ♪ Que o crime te pega, é difícil, capaz Eu ♪

♪ sei que o caminho é certeiro E quando a ♪ ♪ garra na sete cega a parceira Eu vi que ♪

♪ o buraco é estreito, mundão girou E eu ♪ ♪ preso aqui dentro O doutor me chamou ♪

♪ de um mau elemento Minha mãe me avisou ♪ ♪ Eu não quis ouvir, moleque, ver se toma ♪

♪ jeito E agora eu me encontro num sonho ♪ ♪ Que ironicamente virou pesadelo É que lá ♪

♪ no São Azul Vencer não é comum, eu não ♪ ♪ queria ser mais um pobre louco nesse ♪

♪ mundo cão Infelizmente, dei falha na ♪ ♪ missão, e se eu sair daqui eu vou ♪

♪ espalhar essa visão É que lá no fundão ♪ ♪ da sul, vencer não é comum, eu não ♪

♪ ser mais um pobre louco nesse mundo cão ♪ ♪ Infelizmente, dei falha na missão, ♪

♪ e se eu sair daqui eu vou espalhar essa ♪ ♪ visão ♪

♪ Nessa árvore da louça, eu não tô de ♪ ♪ tosca, eu quero se explodar, já tô numa ♪

♪ pior, me perdoa mais, dissimulação, ♪ ♪ dentro da minha mente é só ♪

♪ confusão. ♪

♪ Nessa vida louca, eu não tô de touca, eu ♪ ♪ quero te explodar, já tô numa ♪

♪ pior. Me perdoa mais, dissimulação, ♪ ♪ dentro da minha mente essa ♪

♪ confusão. É que lá no fundão da sul, ♪ ♪ vencer não é comum e eu não queria ser ♪

♪ um pobre louco nesse mundo cão. ♪

♪ Infelizmente, dei falha na missão e se ♪ ♪ eu sair daqui eu vou... ♪

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