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ORGULHO E PAIX�O
� o ano de 1810...
as legi�es francesas de Napole�o arrasam a Espanha.
Vencido e ensanguentado... o ex�rcito espanhol retira-se numa das p�ginas mais escuras da hist�ria da sua Na��o...
- Bem? - � o grande canh�o de novo, Senhor.
- Destruam-no. - Deixamo-lo para os franceses?
- J� disse, destruam-no. - �s ordens.
Sim?
Comandante, conseguiste o imposs�vel.
Como podes deixar escapar um canh�o de sete toneladas e 13 metros de comprimento?
Devem t�-lo destru�do, Senhor. Era muito grande e na minha opini�o, para...
Na minha opini�o, o Senhor n�o passa de um incompetente.
O General Jouvet quer o canh�o.
Suas ordens s�o de recuper�-lo e n�o de fazer suposi��es.
- Sim, Senhor - E Vidal?
Os ingleses tamb�m querem o canh�o. Enviaram um agente � Espanha para peg�-lo.
N�o falhe.
O General � o tipo de homem que vai encontrar trabalho para n�s dois nos est�bulos.
Sim, Senhor.
Des�a!
- Ingl�s? - Ingl�s.
Leve-me ao Quartel General.
Ingl�s.
Procuro o batalh�o do General Larena.
- Se mudou? - Se retirou.
- Para onde?
- Quem s�o voc�s? - N�s somos os espanh�is que n�o se retiraram.
- Guerrilheiros.
Se seu neg�cio tem a ver com esta Prov�ncia, ent�o voc� fala comigo.
Minhas ordens s�o para o General Larena.
Sinto muito.
Juana!
Leia-me as ordens.
Chama-se Anthony Trumbell e � Capit�o da Marinha.
O General Larena deve entregar-lhe um enorme canh�o
e homens suficientes para lev�-lo at� Santander.
Para que?
Para que n�o caia em poder das tropas de Napole�o.
- A Inglaterra tamb�m luta contra ele. - Por que enviaram um marinheiro?
Porque eu falo espanhol e estudei artilharia.
Canh�es.
Quer ver o canh�o?
Gostaria muito.
Obrigado
- Os ingleses tem um canh�o como este? - Ningu�m no mundo tem um canh�o assim...
- Est� em mau estado? - Pode ser reparado.
- Pode faz�-lo? - Sim, se tivesse os homens.
Eu tenho.
Ferreiros, carpinteiros?
Guilherme! Francisco! Pepe!
Ou�am o Capit�o.
Vou precisar de seis vigas pesadas de madeira. E peguem as balas do canh�o que eles deixaram.
Carlos, recolham-nas. E avisem aos demais pelo caminho.
Oh, e cordas. Vou precisar de todas as cordas que possam conseguir.
- Algo mais? - � tudo, por enquanto.
Sim, Capit�o.
Fa�am as mulas se moverem.
N�o deixem que balance.
N�o, n�o. Mais para a esquerda.
Miguel! Miguel!
- Cavalaria francesa. - A que dist�ncia?
- Do outro lado do vale. - Chegar�o aqui dentro de uma hora.
Deixaremos o canh�o onde est�. � mais f�cil escond�-lo a�.
Baixem Jos� do canh�o. R�pido!
Ramon! Pegue alguns homens das cordas e corta algumas �rvores. Ajudem-nos, ajudem-nos.
Carlos, re�na os homens.
Segurem bem as cordas.
Prendam bem as mulas. Amarrem-nas bem firme. Estamos avan�ando.
Acredito que esta � a melhor rota para Santander.
Sim, Capit�o...
mas o canh�o vai para �vila.
- Desculpe? - �vila.
- Mas o Senhor disse... - Eu n�o disse nada.
J� conhece minhas ordens. O General Larena aceitou dar-nos o canh�o.
Acontece que o General Larena n�o est� aqui.
N�o vai poder lutar e cruzar metade da Espanha com apenas 200 homens.
Com este canh�o vou conseguir os homens de que preciso.
- Voc� n�o tem p�lvora. - Vou conseguir.
O mundo inteiro luta contra Napole�o. Comparado a isso, �vila � insignificante.
N�o sei nada sobre o resto do mundo. Em �vila est� o Quartel General do ex�rcito franc�s.
Por�m est� a 1.000 km daqui. O pa�s est� cheio de franceses.
- Voc� nunca chegar�. - N�s chegaremos.
�vila � rodeada de muralhas, Capit�o, e o canh�o foi feito para derrub�-las.
Chegaremos custe o que custar.
Ainda que isto custe nossas vidas, n�s vamos tomar �vila.
E os franceses saber�o que seus dias na Espanha est�o contados.
Deve estar louco. Todos voc�s.
Capit�o, o Senhor quer o canh�o em Santander e eu o quero em �vila.
Acompanhe-nos. Nos ensine como utiliz�-lo e como mov�-lo.
Depois o ajudaremos a levar o canh�o at� Santander.
Como posso confiar na sua palavra?
N�o pode.
- Tragam o cavalo do Capit�o. - Prefiro caminhar ao lado do canh�o.
Poder� ficar cansado, Capit�o.
Tragam o cavalo.
Capit�o, o seu rosto est� sujo
Ah, Juanita! Ol�!
Ol�!
Ol�!
Juanita! Juanita!
Ol�! Ol�!
J� est� tarde.
O que estas fazendo?
Vou levar comida ao ingl�s. N�o comeu com os demais.
Ent�o que n�o coma. Eu comi, voc� tamb�m. Ele n�o � diferente de n�s.
- Mas ele �. - Hum, como?
Conhece armas. Voc� o necessita. Voc� mesmo disse.
N�o disse nada. N�o gosto dele.
- Miguel, est�s com ci�mes. - N�o dele.
De qualquer um que olhe para mim.
E dele ainda mais porque sabe usar o canh�o e voc� n�o.
- Como voc� sabe? Talvez eu possa. - Voc� sabe que n�o pode.
Voc� diz coisas que voc� n�o entende e depois se arrepende. Precisamos dele. Admite.
Eu n�o gosto da maneira como olha para voc�.
Miguel.
E tamb�m n�o gosto da maneira como voc� olha para ele.
Isto ainda � um privil�gio meu.
Voc�s sabem quem � Miguel e conhecem muito bem.
Sabeis que ele tem o canh�o e donde est�.
Estou esperando uma resposta.
N�o se iludam, falo como seu inimigo e tamb�m como seu carrasco.
Muito bem. Um exemplo dever� ser dado.
Vou come�ar por enforcar todos voc�s dez.
E a cada dia que passe, vou enforcar mais dez. E depois mais dez.
Se for necess�rio, todas as mulheres e crian�as de �vila,
at� que algu�m fale e me diga onde est� o canh�o.
Levem-nos.
Executem a ordem.
Estou em d�vida, Senhor. Estou em d�vida que essas execu��es...
Eu sei! Eu sei!
N�o acredito que valeu a pena para eles.
Quanto � grande este canh�o?
Metade do tamanho e j� despertaria sua imagina��o.
As pessoas de um pa�s invadido come�am sendo m�rtires.
D�-lhes algo em torno do que unir-se e morrer, e eles se convertem em um novo ex�rcito.
Esse � o perigo real deste canh�o, General.
N�o sou est�pido, Sermaine. Sei que temos que encontr�-lo.
Devemos construir e montar a balsa em cerca de tr�s dias.
Necessitamos de 100 troncos para flutuar. Amarraremos o canh�o nesta balsa.
- Acho que podemos faz�-lo cruzar o rio. - Acho que afundar�.
N�o, de qualquer modo � a �nica op��o. A menos que voc� espere o rio secar.
Espero levar o canh�o at� �vila. Deste modo poderemos perd�-lo.
N�o se fazem o que lhes digo. Repito: vou necessitar de 100 troncos.
De acordo. Re�na os homens e comecem a cortar as �rvores.
Faremos do seu jeito, Capit�o mas se o canh�o afundar...
- N�o vai. E estou cansado de amea�as. - N�o gosto disto.
- Voc� n�o precisa. Dar� resultado. - Tudo que tenho � a sua palavra. N�o � suficiente.
- Ent�o n�o fa�a. Chame os homens. - OK
Esperem. Tanto eu... como voc�s sabemos o motivo desta discuss�o est�pida.
Se vamos cruzar o rio, estamos perdendo tempo.
Soltem as cordas lentamente.
Puxem, puxem! Continuem puxando.
Agarrem a outra corda.
Olhem para ele. Afundado na lama at� a metade.
Eu desejaria nunca ter visto isto.
- Podemos tir�-lo? - Como? Com que?
- Com os homens e as mulas. - N�o vai se mover um cent�metro.
- Quantas pessoas seriam necess�rias? - Umas 1.000 ou 2.000 pessoas.
Em Algado tem muito mais que isto, Miguel..
Cidad�os de Algado,
eu cuspo em sua cara.
Sou Miguel do canh�o e de �vila.
Em �vila nos n�o sentamos na pra�a com os franceses...
nem erguemos a bandeira da Espanha ao lado da bandeira do inimigo.
Arr�tez! Arr�tez!
Que tipo de pessoas s�o voc�s, sentados aqui, desfrutando a vida?
A 300 km de aqui,
o inimigo se diverte matando beb�s espanh�is com suas baionetas.
Voc�s n�o tem sentimentos? N�o sentem vergonha?
Do outro lado do rio tem um canh�o enterrado na lama.
Necessitamos da vossa ajuda.
Eu n�o lhes pe�o para morrer.
Ou at� mesmo sangrar.
S� para suar um pouco.
Assim podereis dizer para os vossos filhos que Algado suou pela Resist�ncia.
Aqueles entre voc�s... que ainda se consideram espanh�is... sigam-me.
Sua cara est� suja.
Voc� n�o pode arriscar.
N�o temos alternativa.
Nos superam em n�mero e cada homem tem uma arma.
- Vai demorar tr�s semanas para ir � sua volta. - Tudo bem, tr�s semanas.
Capit�o, em �vila tem um general do exercito de Napole�o.
General Henri Jouvet.
Seus uniformes s�o impec�veis.
Seu vinho vem da Fran�a e suas mulheres do Marrocos.
Todas as manh�s, para deter a Resist�ncia e para seu pr�prio prazer
enforca dez espanh�is.
Em tr�s semanas, ter� enforcado a 210 espanh�is.
Quer arriscar o canh�o e tudo mais por causa das execu��es?
J� lhe ocorreu quantos mais vai enforcar se n�o conseguir chegar em �vila?
Milhares de pessoas esperam pelo canh�o. N�o posso esperar.
N�o vou participar disto.
Se fracassarmos Capit�o, voc� mesmo ter� que arrastar o canh�o at� Santander.
O duque de Wellington.
Capit�o, tem algumas coisas que a gente m�o consegue mudar.
- Miguel � uma delas. - Isto � lament�vel para todos n�s.
- Voc� falou que n�o tomava parte nisto, falou? - N�o quero suicidar-me.
Me escute. Sei que Miguel � dif�cil. � teimoso e...
Isso � um eufemismo, se eu j� ouvi um.
Ningu�m o conhece melhor do que eu.
Mas voc�... voc� se comporta como se estivesse a bordo de um navio.
Miguel nunca viu nenhum. Luta da �nica forma que conhece, como um guerrilheiro.
- Voc� acredita que tem raz�o, n�o acredita? - Todos n�s acreditamos.,
Mas mesmo estando errado, n�s o seguir�amos.
Espero que voc� tamb�m.
Porqu�?
Capit�o, tenho a certeza de que voc� gostaria de se portar mais como um homem
do que como um frio cavalheiro ingl�s.
Estamos prontos. Voc� fica aqui com a Maria e com ele.
Necessito de cinco homens.
- Para que? - Para roubar-lhes a p�lvora.
Consegue-lhe os homens.
Guerrilheiros! Guerrilheiros!
Levem os barris de o p�lvora daqui. Vamos. Vamos. R�pido! R�pido!
R�pido!
Fora! Fora!
Vai explodir! Saltem! Saltem!
Je ne fais pas partie de l'�tat-major. Je n'ai aucune information.
� um oficial mas n�o faz parte do Estado Maior. N�o sabe de nada.
D�ga-lhe que procure se lembrar, r�pido.
Essayez de vous souvenir, vite.
Je n'ai rien � dire. Je suis pr�t.
Dites-leur ce qu'ils veulent savoir. Vous pouvez sauver votre vie.
- O que voc� lhe disse? - Estou tentando evitar que o mate.
Disse-lhe para falar. Allez! Parlez!
Je vous jure qu'il n'y a aucune formation entre ici et �vila.
J'ai une famille, et je ne veux pas mourir.
Jura que no tem nada desde aqui at� �vila. N�o quer morrer.
Eles estavam mentindo.
Estou surpreso que se incomode em lavar as m�os. Este tipo de sangue n�o sai.
- Ent�o? - Me nego a ver mais assassinatos a sangue-frio.
Ent�o n�o olhe. Fique fora do meu caminho. Interfere demais.
- Se n�o fosse pelo canh�o, eu... - O que faria?
- Ira embora e deixaria que voc� o disparasse. - Ent�o v�. N�o o necessitamos.
- Entretanto, tenho minhas ordens. - E esta � a minha.
V� embora ou a pr�xima morte a sangue-frio ser� a sua.
Est� louco.
Tem um barco ingl�s no porto de Las Cruzes. Pegue-o e v� embora.
Muito bem, irei esta noite.
V� agora, Capit�o.
Espero que fique satisfeita.
Os ingleses n�o v�o levar o canh�o e ele n�o sabe dispar�-lo, ent�o ser� o fim de sua �vila.
- Vai de qualquer forma. - Ent�o � um idiota.
E eu irei com ele. Voc� n�o consegue entender, consegue?
N�o � mais um assunto meu.
Tamb�m n�o entender� isto, Capit�o.
O meu pai e o meu irm�o foram sentenciados e enforcados pelo General Jouvet..
O General tinha admira��o por mim.
Fui falar com ele.
Os enforcou assim mesmo.
Nas colinas, junto com os demais, fiz um juramento: morrer lutando!
N�o tinha mais esperan�as nem ilus�es.
At� que chegou um homem, filho de um sapateiro.
Nos deu uma raz�o para viver... para lutar. Falo de Miguel.
Bem, ent�o eu digo que j� lhe agradeceu o suficiente.
- Vou ficar com ele. - Ou seja, voc� vive com ele.
Por�m n�o o ama. Esta � sua parte vulgar.
Um capit�o ingl�s e uma mulher guerrilheira: n�o � uma boa combina��o.
Vou me arriscar.
O bastante para disparar o canh�o?
Disse que o faria ele mesmo.
Miguel nem sempre fala s�rio.
No irei lhe pedir desculpas.
N�o � necess�rio.
J� fiz isso para voc�.
Quanto papel�o franc�s uma pessoa pode comer?
Tr�s dias comendo isto e �gua.
Um homem precisa comer comida para puxar este canh�o.
Voc� ainda n�o � um homem.
Ele seguiria voc� para qualquer lugar e voc� se diverte com ele.
Jos�, est�o apenas provocando voc�.
Posso fazer tanto quanto eles. Voc� bem sabe.
E mais.
Voc� � jovem, valente, forte e disposto.
Todo o que desejaria uma mulher Al�m disto, voc� � inteligente. E...
Muito bem, Juana.
Isso � o suficiente. Eu desisto.
Excel�ncia! Excel�ncia, por favor! Excel�ncia! Excel�ncia, por favor!
H� crian�as na aldeia. Devolva-nos nossa comida. N�s morreremos de fome.
Pelo menos o p�o. Deixe-nos alguma coisa.
Miguel. E cognac!
- O que acontece? - Duvido que me escute.
Que acontece?
- Precisamos da comida. N�o �? - Os camponeses, ainda mais.
- O que voc� sabe dos camponeses? - Evidente que muito pouco,
Mas sei que espera que milhares se juntem a voc� em �vila.
Deixe que eu me preocupe com os camponeses. Estou cansado de suas ideias.
Em cada aldeia que passarmos esconder�o sua comida.
E quando n�s precisarmos de ajuda com o canh�o, eles desaparecer�o.
OK! Voc� est� no comando. Eu dou minha permiss�o. Cuide dos camponeses.
V� pegar dinheiro e pague-os. Em libras esterlinas.
Est� errado. � melhor voc� dizer isto a ele.
Conhe�o os camponeses. Vivo com eles. Ningu�m precisa ensinar-me nada a respeito deles.
- Claro que n�o. - Voc� acredita que ele tem raz�o?
- Penso que talvez... - Pensas demais para uma mulher.
Acho que voc� est� certo, Miguel.
Miguel. Diga-lhe que voc� sente pelo que disseste.
Jos�.
Limpe-se o nariz.
Todo um acampamento arrasado.
Bonita pintura: o invenc�vel exercito franc�s fugindo com seus camisol�es em chamas.
E mesmo assim, continuam escapando-nos.
Somos estrangeiros na casa deles, General. Sabem muito bem quando lutar e onde se esconder.
Est�o escondidos em algum lugar.
Recome�ar�o a marchar novamente. Acho que sei para onde.
- Eles recebem ajuda. - Ah, os camponeses..
N�o apenas os camponeses. Tem um oficial da marinha brit�nica com eles.
E um barco de guerra ingl�s ancorado no porto de Las Cruzes. Aqui!
Muito bem.
Muito bem.
Quero todos os caminhos que levem a Las Cruces bloqueados e com patrulhas dia e noite.
Veremos se tem raz�o.
Carlos! Carlos!
As carro�as!
Onde est�o as carro�as?
- Bem, onde est�o as carro�as? - Bem eu n�o sei.
Eu n�o sei o que aconteceu com elas.
Est�o na aldeia. Eu as devolvi.
Voc� as devolveu?
Miguel.
- Carlos vai mat�-lo. - Eu s� vou deixar mat�-lo um pouco.
Carlos, j� basta.
N�o � muito ruim. Dentro de poucos dias...
Em poucos dias me lembrarei de ter matado este homem com uma punhalada.
- Miguel n�o quis chegar a este ponto. - Claro que n�o.
Era simplesmente um jogo.
Eu sinto muito. De verdade.
N�o sintas. N�o penses que isto tem alguma coisa a ver com as carro�as.
Est� com ci�mes e tem raz�o para estar.
Disse-te que iria a �vila disparar o canh�o
e n�o importa o que ele fa�a, eu irei!
Por�m n�o por mim. Ou pelas minhas ordens.
Ele sabe a raz�o e voc� tamb�m.
Vimos infantaria, Miguel, do outro lado do rio.
Estamos em campo aberto. N�o podemos ser apanhados aqui.
N�o seremos. O Cano � muito dif�cil de cruzar.
- H� uma ponte. - N�o h�. Conhe�o bem o Cano.
Os franceses constru�ram uma ponte usando barcas.
- Quantas barcas foram usadas? - Umas 15 ou 16.
Vou precisar de, pelo menos, 250 kg de p�lvora.
Voc� precisa...?
Isso mesmo. Descarregar a p�lvora das carro�as.
Anthony.
Leva o Jos�. Trabalhou nas minas. Conhece bem p�lvora.
Leve-o. Direi a Miguel.
Quantos anos voc� tem?
Dizem que tenho 20.
Na realidade tenho 18.
Est�s com medo?
N�o.
Eu sim.
Sabes porque Juana queria que eu viesse com voc�?
- Para ajudar-me. - Claro.
Tamb�m porque ela gosta de voc�.
Eu menti.
Sim estou com medo.
Mas n�o se preocupe. Posso faz�-lo.
Eu acho que est� na hora de molharmos os p�s.
Arr�tez!
Procurei-te para te dizer que sinto muito o que aconteceu com Jos�.
N�o tinhas como evitar.
Juana.
Vivi a vida toda com medo. Nada dura eternamente.
Tenho medo que esta noite seja apenas um sonho e que n�o dure muito.
Durar�. Eu prometo.
Em outra �poca ou em outro lugar nem ao menos terias olhado para mim.
Tudo bem. Quer ouvir-me dizer isso? Eu...
N�o.
Quero dizer que poderia ser diferente na Inglaterra.
Na Inglaterra prenderia-a numa torre de marfim,
guardada por meus mais fieis servi�ais e eu teria a �nica chave. Uma de ouro.
N�o poderias pagar tudo isto com o teu sal�rio de Capit�o.
Por essa altura j� seria Almirante. Ter�amos a nossa pr�pria carruagem
E quando o Rei ordenasse ir�amos ao grande baile.
Vou precisar de um vestido muito especial.
Sim. E uma capa azul, para combinar com o meu uniforme.
Terei que fazer as rever�ncias com muito cuidado. As cal�as s�o muito justas.
Podem-se rasgar. J� me aconteceu uma vez.
Anthony?
Sim?
- Com quem estavas? - Quando?
Quando as tuas cal�as rasgaram.
Como eu estava dizendo, o Rei vai quer te conhecer, claro.
E voc� poder�s dizer-lhe como uma vez, h� muito tempo na Espanha, voc� conheceu
um Capit�o ingl�s e fizeste dele o homem mais feliz do mundo.
Amo-te, Anthony.
Juana.
Sim?
Aqui todos somos espanh�is
e sabemos o que queremos e quanto vai nos custar ir para �vila.
Eu entendo, Miguel.
Por�m, voc� quer mais. Est�s fazendo planos para depois de �vila.
Sim.
Esta parte, eu desconhe�o,
Mais n�s teremos muito tempo juntos, Juana.
Voc� tem vivido comigo e eu nem sequer sei ler ou escrever meu pr�prio nome.
E quando n�o posso dizer as palavras que quero dizer, voc� tem falado por mim,
e tenho me sentido igual aos demais homens.
Mas, por dentro... l� no fundo sei que sou inferior.
Pensas que n�o percebo no meu cora��o quando uma mulher quer mais?
S� posso retribuir com o que n�s come�amos, �vila.
Se isto n�o for suficiente me diga, ent�o.
A tentativa deste comando para encontrar um punhado de canalhas...
vai ficar na hist�ria militar como um monumento � in�pcia.
Suas ambi��es e carreiras se dissolvem nas trilhas do canh�o cruzando a Espanha.
J� nos custou uma ponte e uma companhia de homens
para descobrir exactamente onde est� o canh�o. Aqui.
Huh?
Muito longe de Las Cruzes e do mar, Coronel.
Sim, General.
Est�o nestas montanhas. H� uma passagem. Exactamente aqui.
Cruzar�o pela passagem. Assim espero.
Por�m n�o acredito que desta vez consigam.
Bem?
Existem v�rios canh�es franceses a� encima. Todos sabem disto.
- E eu tamb�m - Como voc� pensa passar por a�?
- Conheces outro caminho? - Necessitamos de ajuda, n�o nos mataremos.
Ficar�o em um fogo cruzado.
N�o poder�o nos ouvir. Cobriremos rodas e cascos dos cavalos.
Voc� garante que todos os franceses s�o surdos?
Se n�s chegarmos na metade sem que nos ou�am, ent�o n�s teremos uma chance.
Voc� acha que ser uma mula � tudo o que se espera de voc�?
N�s deixamos nossos neg�cios e as nossas granjas.
Se abrirem as nossas veias sabes o que vai sair? Nem uma gota de sangue.
Voc� sabe, temos que ir para o sul para chegar em �vila.
Ir para o sul, obriga-nos a passar por aqui. Voc�s entenderam?
Sim Capit�o, entendemos perfeitamente.
Podemos ter um pouco de vergonha disto,
mas todos temos esposas e filhos e n�o estamos prontos para morrer por um canh�o.
- Mas necessitamos de sua ajuda. - Faremos sem eles.
Seu charme surpreendente ganhou o dia de novo.
- Voc� quer que eu fique de joelhos? - Seria muito bom, sim!
- M�s n�s necessitamos deles, Miguel. - N�o tanto.
50 gregos bloquearam uma passagem como esta, lutando contra 1.000 homens.
- N�s vamos faz�-lo de maneira inversa. - Capit�o.
N�o sei nada de historia.
Por�m sei isto:
que estarei ali, diante da est�tua de Santa Teresa em �vila.
Cessar fogo!
Est�o fora de alcance, por�m os caminhos est�o bloqueados.
Prontos!
N�o h� sinais deles e a passagem est� vazia.
Manter a posi��o at� novas ordens.
Freie! Freie!
Puxe! Puxe!
Disseste que conhecias as colinas. N�o podemos descer por aqui.
- Se subimos, podemos descer. - Vai pegar muito impulso.
Existe uma rela��o entre a velocidade e a massa.
Se pesa 5 toneladas para subir, na descida pode passar de 10 ou 15.
N�o conseguir�amos segur�-lo.
Subindo ou descendo pesa o mesmo.
Girem as mulas.
Continuem girando! Vamos, r�pido!
Puxem o freio! O freio!
Capit�o.
Freio! Freio!
Fora! Fora!
Soltar as mulas, r�pido!
Salte.
O eixo quebrou fora do piv�.
N�o podemos subir, teremos que descer.
Brilhante.
Hum...
Era mais pesado na descida.
Tem uma aldeia aqui perto chamada Maneciras.
Man-e-ciras.
Man-e-ciras.
Sugiro irmos para Maneciras e encontremos um lugar para repar�-lo.
Precisamos de ferramentas, uma forja, um lugar onde os franceses n�o nos encontrem.
Miguel, se tem franceses ali, ele n�o pode usar este uniforme.
N�o.
Quem voc� sugere desta vez?
Fa�a sua escolha.
Voc�, infelizmente.
Pulgas espanholas, Capit�o. N�o se atreveriam morder um cavalheiro ingl�s.
- Voc� tem nossa permiss�o para isto.. - Uma coisa mais.
- Sim? - O canh�o.
Meu filho, o poder do Santo Of�cio � enorme,
mas n�o podemos converter um canh�o num penitente.
Se pud�ssemos escond�-lo aqui, Sua Gra�a, traz�-lo para dentro da Catedral e desmont�-lo...
- Dentro da Catedral? - Apenas uma noite.
Estamos na Semana Santa. N�o podemos profanar o templo.
Soldados e canh�es devem ficar do lado de fora.
Esta � a Casa do Senhor, n�o um arsenal.
Voc� est� me pedindo muito..
Sua gra�a!
N�o pode negar isto.
"N�o posso?"
N�o adianta nada esconder-se em sua autoridade impondo regras a este povo.
N�o � suficiente dizer que o canh�o n�o pode entrar na Catedral.
N�o � um simples canh�o. � o �nico s�mbolo da resist�ncia existente na Espanha.
Sabe quantas pessoas deram a vida para conseguir traz�-lo at� aqui?
Deveria ter visto a passagem da montanha coberta de cad�veres como eu vi.
Para que?
Se voc� n�o sabe a raz�o, voc� que � espanhol e um homem da igreja
voc� pode deduzi-la..
N�o pode recusar isto..
De acordo.
A prociss�o da Semana Santa come�a esta noite.
Podem trazer o canh�o ent�o.
Virgem Santa, obrigado por responder �s minhas ora��es.
Agora ele entende.
E amo-o cada vez mais.
Sei que pequei aos Teus olhos.
Agora, desde que era pequena, atrevo-me a sonhar.
H�, por�m, o Miguel.
E o seu sonho: �vila.
E sempre serei parte disso.
� demasiado pedir que atendas os meus desejos, para os dois?
Ou�a-me apenas,
e encontre em Seu cora��o o perd�o para quando eu escolher.
Esta � por Miguel e por �vila.
E esta � pelo amor que encontrei em outro homem.
Dentro da Catedral?
Sim. O canh�o est� l� dentro, Senhor.
- Est�s louco ou b�bado. - As suas coisas.
Juro que o vi.
De acordo. Daremos uma olhada..
Ent�o... nosso visitante finalmente chegou.
� maior do que eu pensava.
Na verdade, �.
Acreditas que pode abrir um buraco na muralha?
Sim.
Se ele n�o explodir na cara deles. Quantos homens voc� diria que est�o l� fora?
Por volta de 10.000 e cada vez se juntam mais.
Um risco muito grande para a cavalaria.
Hoje tudo � muit�ssimo grande.
Como estes espanh�is amam seu momento de verdade,
est�o obcecados em morrer e encharcar a terra com seu sangue.
Porque?
Provavelmente porque � sua terra, General.
Muito bem.
Voc� quer que lhe diga como isto ser� feito?
Voc� espera um milagre?
N�o tem milagres. Temos apenas o canh�o.
Porque n�o lhes diz a verdade, eh?
Amanh� o canh�o vai disparar contra a muralha a uma dist�ncia de 1.500m.
Cada bala de canh�o pesa 44 kg.
No momento do impacto, � velocidade que v�o, pesar�o uns 4.000 kg.
Calculo que possam abrir uma brecha na muralha.
E os canh�es franceses?
Voc�s estar�o fora de alcance at� que cheguem a 1.000m
Ent�o tudo come�ar�.
Contei 80 canh�es nas muralhas.
Quando voc�s chegarem a 1.000m, come�ar�o a atirar granadas.
Elas explodir�o no ar e neste momento as balas de canh�o v�o alcan�ar voc�s.
A 500m, ser� metralha: pe�as de metal e correntes.
Quando chegarem mais perto, ser� o fogo da infantaria.
Quando, finalmente, chegarem nas muralhas as baixas ser�o de 50%.
Voc�s entenderam?
N�s entendemos, Miguel.
Estas pessoas morreram muito antes.
Boa noite.
Boa noite.
O que eu lhes disse, o que acontecer�, � a verdade.
Sim.
Juana, quero que fiques comigo junto ao canh�o.
- Por�m, todos os demais n�o poder�o. - Eu sei.
Mas, se me amas, prometer�s.
Amo-te, Anthony.
Ent�o, promete-me.
Prometo.
Acredito que deverias dizer isso ao Miguel.
N�o ser� necess�rio.
Ele saber�.
Tudo... tudo est� muito tranquilo agora.
Sim.
Todos estes homens... esperando.
Obrigado por ajud�-los, Anthony.
Qual � a raz�o para vir aqui?
Tenho muito medo.
Tenho medo por eles e por n�s.
As muralhas est�o muito longe..
N�o temos nada a temer.
Isto � o que est� me matando.
Eles s�o iguais a n�s.
Tamb�m querem viver e ser amados e mesmo assim, amanh�, colocar�o tudo isto em risco.
Voc� n�o pode mudar isto.
Anthony, n�o posso manter minha promessa.
- N�o ir�s com eles. - Sim.
- N�o podes fazer isto. N�o permitirei. - Anthony...
Rezei para poder ficar com voc�. Quero ficar com voc�.
Ent�o fica! N�o tens que ir com eles.
Uma garota entre 10.000, que diferen�a far�? Porqu�?
Por muito que representes para mim, e � tanto, n�o � o suficiente.
Sou espanhola.
Fa�o parte de �vila.
Tamb�m fazes parte de mim.
Para toda a vida,
Mas que Deus me ajude, meu amor, porque irei com Miguel.
Juana.
Abra�a-me, Anthony.
Diz que sabes que n�o tenho sa�da.
Diz que me amas.
Pensei que n�o voltarias.
Estou aqui, Miguel.
� um...
� uma pena que nunca tenha te dito o que significas para mim,
Perdoa-me.
Os canh�es disparam devagar demais. Diga que se apressem.
Retirar. Reagrupe as espingardas na pra�a.
Retirar.
General!
- Disse-lhe para reagrupar as espingardas na pra�a. - Mas, General...
R�pido.
Juana.
Sinto, Anthony.
Eu pedi demais.
N�o � verdade.
Queria ver Miguel em �vila.
E... e am�-lo.
F I M
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