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RAPS�DIA (1954)
SUL DA FRAN�A
Ripagem: ibbins Revis�o e sincronia: mawricio58
Lembrou minha filha de que nossos convidados est�o para chegar?
Ela j� est� descendo para v�-lo.
- Para me ver? - Foi o que ela disse.
Quer p�r isso no carro?
Aviso para onde mandar minhas malas.
- Sim, senhora. - Chegou, Louise.
Desculpe, pai, tenho de sair.
- Estou vendo. - Vou para Zurique.
Zurique?
Estudar piano no Conservat�rio.
S�rio?
Isso parece determinado e com altos prop�sitos...
mas desde que o som da t�cnica musical...
pode levar d�cadas para se desenvolver...
n�o pode esperar pelo almo�o?
- Seu almo�o, pai. - � minha anfitri�.
Puramente decorativa. N�o precisa de mim.
Claro que n�o preciso.
Rela��es baseadas em necessidade s�o cansativas.
Vamos nos valorizar, respeitar, gostar um do outro...
e deixemos a necessidade aos necessitados.
N�o falou em amor. Onde o amor entra?
Em Zurique, eu presumo.
A prop�sito, quem � o mo�o?
Discuti sua habilidade musical desde seus 10 anos.
N�o vai enfrentar a disciplina do Conservat�rio.
Tinha medo de que tivesse de conhec�-lo.
Tinha medo?
Ia estragar tudo. N�o iria gostar dele.
Nunca ouvi falar dele.
Por isso mesmo n�o gostaria dele.
Ele n�o � ningu�m. Tocava violino no Cassino...
para terminar seu �ltimo ano em Zurique.
Onde o sentaria hoje, pai? Ao lado de Matisse?
Rubinstein, ou da Srta. Hepburn?
Mostre sua opini�o sem desarrumar a mesa.
Estou errada?
Se acha que o glamour da luta sempre me fascinou, est� certa.
Admiro a orqu�dea, n�o o lixo em que cresce.
Posso me dar ao luxo de aproveitar o produto final.
Por que perder meu tempo com outra coisa?
E voc�, tamb�m?
Um dia, Paul ser� o melhor. � muito talentoso.
H� milhares de talentosos que nunca d�o em nada.
Eu n�o me importaria que fosse um afinador de piano.
Eu o amo e vou me casar com ele. E n�o tente me impedir.
Eu j� a impedi de fazer alguma coisa?
N�o, infelizmente.
Seus convidados est�o chegando.
Vou lhe avisar onde estarei hospedada.
Estragaria se eu perguntasse o nome dele?
Paul Bronte.
Lamento ter de ficar magoado com ele.
Mostra bom gosto ao escolh�-la...
mas acaba com isso, arrastando-a ao casamento.
Ele n�o me arrastou para nada.
Nem sabe que vamos nos casar.
Ainda.
- O que foi? - Eu devia ter virado.
Esta � a estrada para Saint Moritz.
J� esteve l�? Meu pai vai todo ano.
Em dezembro a neve bate em sua janela.
Pode peg�-la e lavar o rosto com ela.
Deve estar linda agora.
N�o, � Mendelsson.
- N�o precisa gostar dele. - De Mendelsson?
- N�o, do meu pai. - Nem o conhe�o.
Eu sei. � o que ele diz.
O que n�o impede que n�o goste de voc�.
Por que gostaria de mim?
No lugar dele, eu brigaria, antes de deix�-la viajar...
com um salafr�rio como eu.
- Ele n�o liga para o que eu fa�o. - Ent�o, � um tolo.
Voc� liga para o que eu fa�o?
Foi uma m� id�ia deixar voc� vir junto.
- Preciso trabalhar. - Pode trabalhar.
Vou estudar tamb�m.
Pequena Lulu, tudo � um jogo. N�o �?
N�o � justo. Sei que tem de trabalhar, mas...
por que Zurique? Estudou tanto tempo l�.
Por que n�o em outro lugar, como Paris?
H� um professor em Zurique.
H� bons professores em Paris.
N�o como o Prof. Schuman.
Por ele que toquei no ver�o no Cassino...
competindo com b�bados, crupi�s e roletas.
Nunca estive em Paris com algu�m que amo.
N�o seria maravilhoso? N�o pensar...
s� provar, sentir...
Convenceu-me, Lulu. Voc� vai para Paris.
Encontro-a l� em dois anos.
- N�o brinque. - N�o estou brincando.
Volte ao carro, vamos para Zurique.
Ou�a, n�o haver� nada l�, s� o Conservat�rio, m�sica...
- e trabalho duro. - Voc� estar� l�.
Est� certo.
APARTAMENTO MOBILIADO ALUGA-SE
- Que quarto claro ador�vel! - Posso p�r cortinas.
N�o, est� bem.
Tinha um quarto pequeno no s�t�o. Estou interessado.
Lamento. Aluguei-o h� meia hora.
N�o h� outras vagas?
Lulu, parece que vai ficar sozinha.
Com licen�a. Frau Sigerist, tem as chaves do meu quarto?
Claro.
- Tem a da porta da rua? - De todas as portas.
Trago suas chaves mais tarde.
Acaba de alugar o quarto do s�t�o?
Poderia...
- Posso? - Obrigada.
Sou Paul Bronte. Esta � a Srta. Louise Durant.
- James Guest. - Como vai?
- � do ex�rcito de ocupa��o? - Fui um soldado.
Sou pianista.
Primeiro ano? H� uma regra no Conservat�rio.
Os mais antigos, este � meu �ltimo ano...
t�m direito antecipado a todos os quartos.
Lamento, mas pode retirar suas coisas sem grandes problemas.
- N�o? - N�o, mas valeu a tentativa.
- Permita-me. - Obrigada, ponha ali.
Ou�a, quero competir pelo quarto, luto com voc�.
Vai perder, fui um soldado.
- Se precisar de ajuda, grite. - Vou gritar.
H� um grande segredo para o sucesso por aqui, sabia?
- Fique longe das garotas. - Prefiro ser um fracasso...
como voc�.
Parece que n�o vou ficar completamente sozinha.
- Eu devia ter lutado com ele. - N�o � do tipo soldado.
- Tenho de achar um quarto. - N�o muito longe.
- N�o estamos no carro. - Est� tentando me assustar?
N�o sou muito bonzinho, fique sabendo.
- Vou me arriscar. - Estou preocupado.
Vai ficar com frio, com fome, solit�ria?
Sinto-me respons�vel. N�o gosto disto.
Farei com que goste.
J� quis algo em sua vida que n�o p�de ter?
- Algumas coisas. - E o que aconteceu?
Eu as consegui.
Preciso achar um quarto.
Jantamos no Seyfert's na esquina.
- Eu a encontro l� �s 19h30. - 19h30.
Olhe!
Com licen�a.
- Procura algu�m? - O Sr. Bronte.
Paul Bronte?
- Conhece-o? - Claro.
Devia saber que ele a veria antes.
Sente em nossa mesa at� ele chegar.
- Bem, eu... - Por favor.
Certo.
Meu nome � Mike Dove, viola. Conhe�a o pior de mim.
Conhe�am uma velha amiga, que n�o me disse o nome.
Louise Durant.
- Madeleine, Yvonne, Krafft. - Como v�o?
Por minha sorte, ela est� esperando Paul.
- � namorada do Paul? - Yvonne � francesa.
Naturalmente.
- � instrumentalista, ou voz? - Instrumentalista.
Ela toca no cora��o dos homens como uma fada.
S� no meu tempo livre.
- Vai estudar aqui? - Claro.
Ela � uma diletante, como algumas pessoas aqui.
Mas cuidado, a m�e dela d� as melhores festas de Zurique.
Eu n�o tenho paci�ncia com gente que perde tempo.
Eu digo: "Fique em casa, fiquem belas, tenham filhos...
mas n�o atrapalhem".
Que instrumento toca?
Ele est� aprendendo a tocar o caixa.
Voc� e suas piadas de mau gosto.
Sou um violoncelista secund�rio...
mas posso ser um gerente de concerto...
- como meu tio. - Edmund Striller.
Ouvi falar dele.
Sr. Bronte! Como vai, meu garoto!
Paul, meu amor, sentiu saudades de mim?
- Duvida? - Bronte!
Dove, seu patife!
Kraffty, como vai? Yvonne, Madeleine.
Ol�, Paul?
Como foram os musicais no navio?
Ainda n�o consigo tocar sem sentir enj�o.
N�o devia falar com voc�.
Consegui com meu tio que ele tocasse...
como primeiro violino no quarteto de cordas...
e ele vai tocar no Cassino.
Nada de quartetos para mim, quando tocar em concertos...
ser� solo.
- Vejo que conheceram Lulu. - Todos foram gentis comigo.
Especialmente Dove, com certeza. Fora!
Cassinos, m�sica de dan�a. Toda a sua t�cnica arrasada...
- aposto. - Aposta?
Quanto? Um jantar com champanhe?
- Est� certo. - Certo.
H� um violinista na casa?
Para voc�.
Bravo!
- Ol�, Paul. - Ol�, Madeleine.
CONSERVAT�RIO DE ZURIQUE
Quer que entre com voc�?
- Ol�, querido. - Ol�, Effie.
- Vem � festa no domingo? - Talvez.
- Traga seu violino. - N�o sa�mos mais juntos.
Bem, ent�o mande o violino.
- Quer que entre com voc�? - Vou ficar mais nervosa.
Fa�a seu melhor e n�o se preocupe.
De um modo ou de outro.
Como vai? Sou Louise Durant.
Oh, sim.
Chegou cedo. Precisa esperar.
Perd�o, mas quem est� tocando o piano?
� um aluno novo, fazendo seu exame de entrada.
- N�o, est� tudo errado. - O tempo?
Sua interpreta��o. Chopin � l�rico e rom�ntico.
Est� confundindo esta qualidade...
tornando-o insuportavelmente rom�ntico.
- Desculpe. - Precisa de, n�o sei...
equil�brio, centro de gravidade, sem isso...
- Pickard! - O qu�?
Ele que deve lidar com voc�. Aonde vai?
- Achava que fui rejeitado. - Rejeitado?
Do que est� falando? Tem um �timo talento.
Ia perder tempo criticando-o, se n�o o tivesse?
- Obrigado, senhor. - N�o me agrade�a.
Eu n�o crio o talento, apenas o reconhe�o.
O Prof. Pickard � um de nossos melhores professores.
E eu vou ouvi-lo duas vezes por m�s.
- Obrigado. - Talento � apenas a centelha.
Precisa de muito abano para tornar-se chama.
N�o temo o trabalho.
Quanto tempo pretende ficar conosco?
Depende de quanto tempo o meu dinheiro vai...
Entendo.
H� umas bolsas de estudo. Veremos, depois.
Estou contente que esteja conosco.
Eu tamb�m. Obrigado.
- Consegui. - Que bom!
Ele vai me ouvir duas vezes por m�s.
Parab�ns.
- Srta. Durant. - � a pr�xima?
Calma. N�o tem com o que se preocupar.
Como sabe? Ouviu-me tocar?
Vai se sair bem.
Que tal um caf� depois? Eu a espero.
N�o, obrigada, tenho um compromisso.
Talvez na pr�xima. Boa sorte.
Obrigada.
- Como vai, Prof. Schuman? - Como vai, Srta. Durant?
- Estudei piano oito anos. - Isso n�o � necess�rio.
Toque algo, por favor.
- N�o � muito bom, �? - N�o.
Quero estudar aqui. Pago o dobro.
Algumas vezes, aceitamos menos dinheiro, nunca mais.
Por que uma garota bonita quer sentar na banqueta...
durante 8 a 9 horas? Faz mal para a forma.
Estou apaixonada por um m�sico. Ele � violinista.
N�o podia se apaixonar por um homem de neg�cios?
N�o aconteceu. Isso importa?
Um grande violinista pode ser um marido regular...
e um grande marido pode ser um violinista regular.
- N�o pode ser ambos? - Pode.
Mas seria bigamia ele amar sua m�sica tanto quanto sua mulher.
A menos que ela a ame tamb�m. Ama?
N�o, mas posso aprender a amar, ou ao menos, entender.
Por isso quero estudar aqui. Para ser parte disto.
Preciso de sua ajuda, professor.
V�rios professores d�o aulas depois do hor�rio.
- Falarei com um deles. - Obrigada.
Espero n�o t�-la assustado.
Pode haver alegria em amar um m�sico.
Eu ainda o amaria, se n�o tocasse mais em toda a vida.
- Mas ele estaria feliz? - Acho que sim.
Ent�o, n�o tem com o que se preocupar.
E vejo que ele tamb�m n�o.
- Boa sorte. - Obrigada.
E ent�o?
- Paul Bronte! - Como vai, professor?
Entre um pouco, estou livre agora.
Como se saiu, Lulu?
O Prof. Schuman � muito gentil, vai dar um jeito.
�timo. Eu disse para ela n�o se preocupar.
- Entre, entre. - Espere-me, sim?
Estou encantado em v�-lo e por ter decidido voltar.
- Nunca houve d�vidas. - Teve um bom ver�o?
N�o t�o mau, se gosta das valsas de Strauss.
O dinheiro � bom, e se tem planos de ter uma vida familiar...
S� tenho um plano. O que tinha no come�o.
- Tem certeza? - Mais que nunca.
�timo, ent�o vamos ao trabalho.
- Agora? - Sim.
Est� certo.
Decidi que vai tocar Tchaikovsky com a Filarm�nica.
- N�o est� satisfeito? - Que honra!
- S� espero que... - Esperan�a n�o leva a nada.
Trabalhar � a coisa. Trabalho e horas ao violino.
� uma partitura marcada: Minhas marcas.
O modo que eu tocaria, se pudesse.
- Vamos tentar? - Estou pronto.
Tr�s acordes, antes de voc� entrar.
Tempo, Paul, tempo.
Louise! Louise!
Vou tocar Tchaikovsky com a Filarm�nica!
Em uma hora, por favor. N�o quero perder meu trem.
Bom, obrigada.
Que id�ia � essa? Aonde vai?
- Vou embora daqui. - Por qu�?
Certo, est� brava, eu a fiz esperar.
- Fez? - Desculpe.
Perdi a no��o do tempo.
Lulu, me desculpe. N�o fique em sil�ncio!
Jogue algo em mim! Grite!
N�o tenho raz�o de gritar.
Eu me atrapalho uma tarde, e voc� vai embora.
N�o � voc�, eu fracassei.
Que bobagem! Disse que Schuman ia arrumar...
N�o foi isso que eu disse! Eu vim para ficar com voc�.
- Nada mudou isso. - Esta tarde mudou isso.
De repente eu me vi. Semanas, meses...
sentada em ante-salas como um m�vel.
Sabia que eu tinha de trabalhar.
Sim! Mas n�o assim!
Vivendo, respirando, comendo m�sica.
Sem falar, nem pensar em outra coisa.
N�o posso viver assim.
Talvez meu �nico talento seja amar algu�m.
- � um lindo talento! - N�o.
Pare de falar como uma tola. Pare de falar.
N�o, Paul, eu n�o posso ligar, quando voc� quer...
e desligar quando n�o quer.
Tem de me largar, enquanto eu posso.
Est� certo, v�. � t�o livre quanto eu.
O que quer que eu fa�a? Diga que eu fa�o.
Quero que precise de mim, tanto quanto preciso de voc�.
Eu preciso de voc�. Eu a amo.
Vou prov�-lo. Mas fique.
Diga que ficar�.
Quer assinar aqui, por favor?
- Muito obrigada. - Obrigado.
Que acha do meu novo piano?
Bacana?
O som � t�o bom quanto a apar�ncia?
Espero que sim. N�o posso devolver.
Se n�o fosse t�o bonita, eu ficaria com ci�mes.
- O que est� tocando? - Uma velha m�sica folcl�rica.
Acho que � um reflexo. Foi minha primeira pe�a.
- "See How l'm Jumping". - O qu�?
- � o nome dela. - N�o sabia que tinha um nome.
Eu toco uma m�o.
Tinha uma bab�, toc�vamos juntas.
Veja como estou pulando Pulando, pulando
Veja como estou rolando Como uma bola
Voc� n�o sabia que Eu pulava t�o r�pido
Voc� n�o sabia que Eu pulava t�o alto
Veja como estou pulando Pulando, pulando
Quando estou cansada Eu caio
Tucker. Era o nome da bab�. A de quem eu gostava.
Odiava meu primeiro professor de piano.
Ele batia nas minhas articula��es.
Eu pensava: "Um dia vou sentar numa plataforma de concerto...
e eu vou faz�-lo sentar na �ltima fila da galeria".
Pobre Dick. Morreu h� quatro anos.
Isso bateu nas minhas articula��es de novo.
Querido. Sentia que era voc�.
� um anjo por ter ligado. Senti sua falta.
Sentiu minha falta? Foi uma resposta curta.
Bem, entro nos detalhes mais tarde.
Pessoalmente.
Certo. Termino em 15 min.
Venha logo. Tchau.
Deixaram um telegrama para voc�. Est� naquela mesa.
SE EST� ENTEDIADA DA M�SICA, VENHA A ST. MORITZ.
AMOR, PAI.
� melhor eu n�o gastar o piano.
Vai � casa dos Cahill no domingo � noite?
No "open house" dos Cahill?
- Talvez pud�ssemos... - Desculpe, mas estarei fora.
Vou ver meu pai em St. Moritz.
Por que n�o usa o piano enquanto eu estiver fora?
- Acho que n�o. - N�o seja tolo.
Est� parado a�. Voc� o amacia para mim.
Pe�o � Frau Sigerist que d� as chaves para voc�.
Ent�o, n�o posso brigar. Divirta-se.
Vou me divertir.
A Srta. Durant acaba de chegar, est� na su�te dela.
Obrigado.
- Louise! - Ol�, pai.
Minha querida.
Estou muito contente em v�-la.
Sua educa��o musical n�o parece lhe fazer mal.
- Eu gosto. - Agora que acabou...
Pai, gostaria que conhecesse Paul Bronte.
Sim, Sr. Bronte. Como vai?
Como vai, senhor?
Achei que deviam se conhecer.
Espero que n�o se importe com a surpresa.
Parei de me importar com suas surpresas h� tempos.
Vou preparar-nos um drinque. Ainda Bourbon, minha querida?
- Com gelo. - E o Sr. Bronte?
O que bebem os jovens m�sicos?
Geralmente mascamos o gelo.
- E em ocasi�es especiais? - Qualquer coisa cara.
Arrumou um quarto para o Sr. Bronte?
- Sim, falei com o gerente. - Obrigado.
Temos de voltar amanh� � noite.
Paul tem seu primeiro ensaio com a orquestra...
- na segunda. - Ensaio?
Serei o solista da Filarm�nica de Zurique no m�s que vem.
- Parte do curr�culo. - �ltima parte.
Vai tocar o Concerto de Tchaikovsky. Por que n�o vai?
J� ouvi o Concerto de Tchaikovsky.
Sim?
Com licen�a, o quarto do Sr. Bronte est� pronto.
Acho que vou me trocar.
Trouxe seu violino. Poderia nos dar uma amostra?
Receio que n�o. S� toco por prazer ou por dinheiro.
E um homem com seu talento para procurar ambos...
vai entender, com certeza.
- Vamos tomar um caf� antes? - Ao meio-dia.
- Bem, o que achou? - � importante?
N�o, mas estou curiosa.
� vaidoso, tem l�ngua afiada e um charme arrogante.
Uma combina��o s� perdo�vel, com um talento espetacular.
Est� aborrecido, n�o?
Porque ele n�o ficou paralisado como os outros.
Porque foi p�reo para voc�.
Eu perguntaria se ele � p�reo para voc�?
Acho que sim.
Ou mais pertinentemente, voc� � p�reo para ele?
Como assim?
Se tem ilus�es de se casar com ele, arrume um beija-flor.
- Est� enganado. - Estou?
Ele me ama.
N�o o tipo de amor que voc� exige.
Voc� necessita que precisem de voc�.
E o Sr. Bronte n�o precisa de ningu�m.
Exceto a si mesmo, claro.
- N�o est� se descrevendo? - Pode ser.
Talvez por isso eu o ache t�o aborrecido...
e voc� o ache t�o atraente. Aceite, minha querida...
h� pessoas que n�o podem ser possu�das.
Quer apostar, pai?
- Quem �? - O gar�om, senhor.
Entre!
Bom dia.
- Bom dia, Sr. Bronte. - Abra, por favor.
O que foi? S�o 8h30!
O sol nasceu �s 5h.
Obrigada.
Dormiu bem?
- Mas n�o o suficiente. - Coitadinho.
- O que est� fazendo? - Champanhe e suco de laranja.
Minha mistura favorita.
N�o � um modo maravilhoso de come�ar uma manh�?
Voc� � um modo maravilhoso de come�ar uma manh�.
- Est� vestida para qu�? - Vamos esquiar.
Voc� vai esquiar, eu vou estudar.
Est� uma manh� gloriosa. Estude mais tarde.
Eu n�o devia ter vindo.
Que tolice. Tem estudado demais.
� exatamente do que precisa. Vamos.
- N�o sou bom de esqui. - � t�o f�cil!
E n�o tenho roupas.
Se andar logo, d� para tomar um caf� da manh� r�pido.
Estou descendo, amor.
Um drinque para o pianista.
M�e, s� estou me aquecendo.
Tive o maior trabalho em fazer meu tio se interessar.
Est� �bvio agora porque perdeu um m�s no Cassino.
Quando ele tem o primeiro ensaio com a orquestra?
Amanh� de manh�.
Que direito ele tem de passar o fim de semana em St. Moritz?
- Quem est� em St. Moritz? - Paul com a garota.
- � sorte se ele voltar. - Isso n�o � verdade.
N�o �? Eu os vi partir.
Devia saber, eles saem debaixo do seu nariz.
Ela n�o passa de uma...
Pe�a desculpas por isso, ou acabo com voc�.
- Calma, Guest. - Pe�o desculpas.
Vai estragar a festa.
Desculpe.
Voc� voltou?
N�o � meio tarde para...
Desculpe. Estava pensando em voc�.
- � t�o linda. - � melhor ir embora.
Estou muito cansada.
Por favor, importa-se?
Pode me dar a chave?
Obrigado pelo uso do corredor.
Ele � bonito.
N�o, Sr. Bronte, tem de tocar isso no seu tempo restrito.
Siga meu toque. De novo, senhores, de...
quatro compassos, antes da letra F...
O que quer dizer com: "Siga meu toque"?
Nesta passagem n�o h� desculpas para tais liberdades.
Tem de ficar com a orquestra. Siga-me.
Quando a linha mel�dica estiver com a orquestra, vou segui-lo...
quando estiver comigo, o senhor que me segue.
N�o � uma quest�o de linha mel�dica, mas...
de manter o solista e a orquestra juntos.
- Isso � uma interpreta��o. - Engana-se!
N�o, senhor!
Pode interpretar, quando dominar a tradi��o.
Est� entre profissionais.
Como ousa questionar as instru��es do maestro?
A passagem diz: "molto sostenuto il tempo".
Veio despreparado!
Conhe�o este concerto, t�o bem quanto qualquer um.
Sinto-o, quando o toco.
Se quer um violinista tradicional, tem milhares!
Senhores, vamos continuar.
- Paul! - N�o seja tolo, Paul!
- Para onde vai? - Quem se importa?
Eu.
Como ele ousa dizer isso para mim?
- Meu bem! - "Entre profissionais."
Tenho de lamber os sapatos dele e dizer: "Sim, senhor".
"Claro, por certo."
N�o precisa fazer nada. Pode fazer o que quiser...
ir para onde quiser.
Claro.
Todos os lugares com que sonhamos.
S� tem um lugar com que sonhei. Onde eu estava.
E fui chutado.
- Paul, meu querido. - N�o me console.
Eu sei o que fiz. Sei t�o bem quanto Schuman.
Fiz o que qualquer m�sico de segunda faria: Fracassei.
- N�o � verdade. - Voc� deve saber.
Onde eu estive todas essas semanas, meses?
- Quando devia estar trabalhando? - Mas estava trabalhando.
Com metade da cabe�a.
Estaria melhor se n�o tivesse ido para l� nesta manh�.
J� recuperou o controle?
Desculpe, Prof. Schuman, o senhor estava certo...
eu estava despreparado. Mas sou melhor que isso.
Sabe disso.
Cada estudante aqui espera levar algo raro...
ao mundo da m�sica.
Poucos conseguem, pois n�o sabem se disciplinar.
N�o h� grande arte sem disciplina.
Nem disciplina, sem sacrif�cio.
Pode nos dar licen�a?
- H� outro ensaio na quarta. - Obrigado.
N�o quero que agrade�a, mas que me justifique frente ao maestro.
E principalmente, em tr�s semanas, justifique-se.
Farei isso. Obrigado.
- Ele me deu outra chance. - Eu sabia.
N�o tinha de se preocupar.
Tenho tr�s semanas antes do concerto.
Tr�s pequenas e preciosas semanas e vou estudar 18 horas por dia.
- Enquanto os dedos aguentarem. - � claro.
Vou ajudar em tudo que puder.
S� tem um modo de me ajudar agora.
Como?
Ficando longe de mim at� depois do concerto.
- Ficar longe? - Sim, Lulu.
De certo modo, � quase um elogio.
- Se � o que precisa. - � assim que se fala.
Acaba r�pido.
E depois?
O depois est� a cem mil notas de dist�ncia.
- Paul? - Sim?
N�o podemos nos encontrar s� no jantar?
- Conversar? - Ligue para mim.
- Quer dizer ao telefone? - Todo dia. �s 20h.
Meu bem, senti tanto a sua falta, essas duas �ltimas semanas...
Nunca adiam um concerto, n�o �?
Vai ser na semana que vem.
N�o sei. Tenho tido pesadelos...
onde vivem adiando-o. Cada vez para mais longe...
e eu vou envelhecendo.
Est� certo.
Passa por aqui? A caminho do concerto?
Entendo.
N�o, tem de ficar com Schuman, se precisar.
Vou aos bastidores quando acabar.
Certo. Amanh� �s 20h.
Boa noite, amor.
SOLISTA PAUL BRONTE, VIOLINO
Contrate-o para uma turn�. Quero ser o empres�rio.
Tio, prometeu que se eu achasse um novo talento...
eu me beneficiaria.
Vamos aos bastidores.
Quero minha porcentagem.
Foi maravilhoso.
- Sinto muito. - Eu tamb�m.
Nunca mais toque, sen�o eu morro.
- Eu o vejo l� fora. - Est� certo.
Jovem, preciso lhe falar. � melhor irmos para o camarim.
- Paul! - Espere.
� uma decis�o muito s�bia.
Boa noite, Paul. Vejo-o em Roma.
Boa noite, Sr. Striller. Vejo-o mais tarde, Kraffty.
Obrigado, de novo, professor.
E lembre-se, trabalho e mais trabalho. Quero not�cias.
Que tal, Lulu? Que tal? Come�ou.
Trabalhei tanto e esperei tanto...
que n�o pode ser r�pido demais!
Nem grande demais! Nem rico demais!
Vou comprar esta roupa e tirar uma foto com ela.
- J� fez seus planos? - Claro!
O Sr. Striller me consegue tr�s apresenta��es no m�s que vem.
E em duas semanas, toco em Roma. Pense!
Um palco como este em Roma.
E os aplausos repentinos que o assustam.
Foi para isso. Todos os anos, este � o pagamento.
Claro, tem o dinheiro, os hot�is, todos os bons tratos...
mas este � o departamento de Krafft...
Lulu, n�o est� comigo.
N�o sorriu, nem me beijou...
nem me disse como estive bem.
Todo mundo fez isso. N�o basta?
O que foi?
Parece que est� ofendida com o que eu fiz.
Est� ofendida com meu sucesso. N�o pode dividi-lo comigo?
Eu quero, Paul. Espero que me deixe.
Desculpe, � que essas tr�s semanas foram duras para mim.
Achava que ia odiar este lugar e todos nele.
Vou ficar contente, quando partirmos.
Roma � um lugar t�o maravilhoso.
O vinho, os sinos, as igrejas.
Uma cidade ador�vel para se casar.
O que foi, Paul? Eu disse algo errado?
N�o, � que n�o haver� tempo para nada disso em Roma.
Tenho todo um programa para preparar.
Tenho de trabalhar como um c�o!
Na verdade, Krafft disse que...
Eu acho melhor que venha mais tarde.
Depois que eu pegar o jeito.
Como um seguidor de acampamentos?
N�o fique nervosa!
Por isso fiquei sentada tr�s semanas naquele quarto...
sem v�-lo, sem perturb�-lo?
Sabia como aquelas semanas eram importantes para mim.
Sim e eu as dei para voc�, mas agora acabou!
N�o acabou, est� s� come�ando. Isso vai ser a minha vida.
M�sica, concertos, programa��es, estudos.
E onde eu entro nela, ou Krafft n�o lhe disse?
Ele n�o tem nada a ver com isso. Eu sei do que preciso.
Achava que precisasse de mim.
Se me ama, sabe que preciso ficar livre por um tempo...
para trabalhar, para me achar! N�o posso ser possu�do, sufocado!
N�o vou deixar que voc� fa�a isso comigo.
A maior noite da minha vida, e est� tentando roub�-la de mim!
Vai ter muitas grandes noites: Roma, Paris, Londres...
todas as grandes capitais da Europa, com Krafft do seu lado.
Sim, ao menos ele n�o odeia o meu trabalho.
N�o, ele o ama.
Mas nunca perca o seu violino...
ou ser� o homem mais solit�rio do mundo!
Sr. Guest! Sr. Guest!
- Sim, o que foi? - R�pido, por favor!
- O que foi? - N�o sei, ouvi uma coisa.
Um barulho estranho. A porta est� trancada.
- Tem certeza de que ela est� a�? - Sim, por favor!
O m�dico j� vai vir.
Ela � uma garota forte. Est� bem.
Frau Sigerist, o telegrama que recebi:
"Sua filha precisa do senhor", foi assinado pelo Sr. Guest.
� o vizinho de cima. Um bom amigo de sua filha.
E o Sr. Bronte?
Ele foi para Roma, para tocar num recital.
Entendo.
Eu lhe disse que o senhor est� aqui, Sr. Durant.
Obrigado, doutor.
Quando ela poder� viajar?
- N�o gostaria de precipitar nada. - Nem eu, doutor.
Como vai, querida?
O m�dico disse que vai estar boa logo.
Acho que Frau Sigerist est� desapontada.
Contava em mimar voc� por uns tempos.
Por que n�o fala?
Estava certo. Ele n�o me queria de verdade.
Ele queria... N�o est� contente consigo mesmo?
� o que pensa de mim? Que gosto de v�-la ferida?
Acabou. Vai esquec�-lo. Pode at� aprender com isso.
N�o vou esquecer, mas aprendi.
N�o cometerei o mesmo erro de novo.
Voc� e Paul me ensinaram: Seja a amada, n�o quem ama.
Gostaria que eu ficasse, at� que se sinta melhor?
N�o esque�a de si mesmo.
Estranho, tantos anos e ainda n�o nos comunicamos.
Seriam as minhas palavras ou os seus ouvidos?
O m�dico disse que logo estar� bem.
Por que n�o vem comigo a Paris?
Promete ser uma temporada estimulante.
- Desculpe, eu n�o... - Tudo bem, Jim.
Meu pai estava saindo. Este � o Sr. Guest.
- Como vai? - Que bom que veio.
Frau Sigerist disse que deve beber isto.
Sem discuss�es. Sou maior que voc�, mesmo quando est� de p�.
Deixe-me arrumar isso. Levante um pouco.
� um enfermeiro mais persuasivo que Frau Sigerist.
Por isso que ela me mandou.
Vou indo. At� logo, Sr. Guest.
- J� vai? - Sim, eu preciso.
Est� em boas m�os. "Au revoir."
At� logo.
Certo, tome tudo.
- N�o era t�o ruim assim. - Nada � t�o ruim quanto parece.
- Isso tem uma moral? - N�o, eu n�o...
N�o se preocupe. N�o fa�o isso de novo.
Tem um momento entre...
que tem um desejo desesperado de partir.
N�o parece que vale a pena morrer por nada...
nem por ningu�m.
Obrigada por arrombar a minha porta.
Quando quiser, garota.
Eu consegui! Eu consegui!
- Que sorte! - Entre, vamos comemorar!
- N�o, obrigado. - Comemorar o qu�?
Consegui a bolsa de estudos. Schuman acaba de me dizer.
Que bom!
- Quem est� tocando? - Paul Bronte.
Sua estr�ia em Roma.
- Vamos beber � sua boa sorte. - N�o, obrigado. Tenho de ir.
- James? - Sim?
- Como ela est�? - Bem, bem.
- Para onde vai? - Para Paris.
Paris? Quando voc�...
O m�dico passou e me deu alta.
Achou que eu ficaria aqui para sempre?
N�o pode ir. N�o deixo.
N�o seja tolo, James.
N�o pode se despedir e ir embora.
- Por que n�o? - Voc� sabe.
N�o depois destes �ltimos dias.
Sabe o que sinto por voc�. At� me fez pensar que...
N�o posso evitar o que pensou. Foi gentil, fiquei agradecida.
- N�o basta? - Est� mentindo.
Por que mentiria?
- Consegui uma bolsa hoje. - Parab�ns.
Sabe o que isso quer dizer? Se der duro um ano, posso tocar...
Sim, eu sei. Tocar com a Sociedade Filarm�nica.
Engra�ado. Enquanto Schuman falava, eu pensava em voc�.
Como ficaria, quando contasse. Que diria, se pedisse para ficar.
Ficar aqui? N�o vejo a hora de ir embora.
Espero nunca mais ver este lugar.
- Srta. Durant? - Sim?
- O recibo. - Obrigada.
- E o piano. - Piano?
J� decidiu o que fazer com ele?
- Sim, vou d�-lo ao Sr. Guest. - N�o, obrigado.
Gostaria que ficasse com ele.
Mande-me uma gravata. Isso cobre tudo.
Avise-me depois. Chamo os homens para levar as malas?
Num minuto.
N�o devia ser t�o sens�vel.
Aceite o piano. Fa�a bom uso dele.
Um dia, se quiser, pode jog�-lo em mim.
N�o fique desesperado. Vai superar isso.
N�s superamos tudo.
� mesmo?
Voc� superou?
Era o que ele queria, em vez de voc�.
Mas n�o sou Paul. Preciso de voc�. Eu a amo.
- Desligue! - N�o. Ou�a-o.
- E vou fazer com que o esque�a. - N�o! S� vai se machucar.
Eu me arrisco. N�o me machuco t�o f�cil.
Diga que n�o vai me deixar. Fique comigo.
AMSTERDAM PAUL BRONTE - VIOLINISTA
VIENA SOLISTA PAUL BRONTE
SOCIEDADE MUSICAL N�POLES PAUL BRONTE
ORQUESTRA SINF�NICA DE LISBOA
MADRID PAUL BRONTE
SOCIEDADE MUSICAL DE BUENOS AIRES
SOCIEDADE MUSICAL DE PARIS
PAUL BRONTE VIOLINISTA
Tem o jornal de Londres?
"Musical Courier" por favor.
Sr. Bronte. Como vai?
- Est� com �tima apar�ncia. - Obrigado.
E indo bem, como os jornais sempre me relembram.
Tive dificuldade em conseguir entrada para o seu concerto.
Seu interesse � lisonjeiro.
Deve ser porque n�o vou tocar o Concerto de Tchaikovsky.
- Fui desagrad�vel? - N�o.
Mas � um privil�gio que agora merece.
- Vai ficar muito tempo? - N�o. S� uns dias.
Devo ir andando.
Lulu...
� Paul.
- Sim, eu sei. - Como vai?
- Estou bem. - Estou embaixo.
Gostaria de v�-la. � poss�vel?
- Est� a�? - Sim, eu...
Posso subir agora?
Sim, me d� 15 min. N�o, 10 min.
Certo, vou tomar um drinque no bar.
- Guest, como vai, soldado? - Tudo bem.
Bronte!
Se n�o � o homem em pessoa? Sente-se!
S� uns minutos. Preciso ver uma pessoa.
O que � isso? Tome um drinque pelos velhos tempos.
- D� um drinque ao meu amigo. - Tenho um no bar.
Traga-o para c� e um outro duplo.
- Duplo, Sr. Guest? - Foi o que eu disse. Duplo.
Ora, ora, ora.
Se ficar no bar do Ritz, acaba encontrando todo mundo.
Todo mundo que � algu�m.
N�o me venha com essa. Voc� � grande.
- Como tem passado? - Muito bem.
Est� de f�rias ou estudando com algu�m?
Estou estudando com o professor aqui.
Temos dias puxados, n�o?
E ele nunca bate nas minhas juntas.
- N�o toca mais? - S� para adormecer.
N�o tenho um �nico objetivo, como voc�.
E n�o durmo numa cama de pregos.
Mas todo aquele estudo. Em Zurique, voc�...
Zurique?
Aquilo era coisa de crian�a. Pense bem.
16 horas num piano. A troco do qu�?
Deixe lhe pagar algo. Qualquer coisa.
- N�o, obrigado. - Algo caro.
Um Corona, ou um conhaque Napoleon. Eu assino tudo.
Assino Durant, e eles trazem o caviar, ou prefere?
- Durant? - N�o sabia?
� um bom nome. Devia ser o primeiro a saber.
Louise e eu...
Dev�amos ter lhe mandado um convite especial.
- Quando isso? - Duas semanas depois que partiu.
Casamos a caminho de Paris. Numa pequena prefeitura.
Numa cidadezinha chamada Wachfola.
� justo, n�o?
Tem tudo o que quer. E eu, tudo o que n�o quis.
- Meio a meio. - Tenho de ir agora.
- Bebe e foge? - Adeus, Guest.
Voc� conseguiu. Foi um desafio.
Temos de repetir uma hora destas.
- N�o! Eu assino tudo. - Adeus, Guest.
Sempre achei que quando o visse...
lhe daria um murro.
At� superei isso.
Minha mulher estava certa. Voc� supera tudo.
- Ele foi para l�. - O que lhe disse?
Contei a hist�ria da minha vida. Beba comigo que conto para voc�.
Professor, tenho outra convidada. A Sra. Guest.
D�-lhe um Bourbon com gelo e mais um para mim.
Ele n�o vai beber mais hoje. Entendeu?
Sim, senhora.
Eu o esperei. Por que n�o veio?
- Vi seu marido. - Sei o que pensou.
Mas ele pediu por isso. Ele sabia que eu o amava.
Eu tamb�m, assim que ouvi sua voz.
Eu me divorcio dele. Fa�o qualquer coisa.
- A mesma de sempre. - N�o, eu mudei!
Acredite. Sei o que esperar de voc� agora.
- Pod�amos ser felizes! - Sobre os ossos de um morto?
- Meu est�mago n�o � t�o forte. - Esperam-no, Sr. Bronte.
Toda vez que olhei para ele, eu me vi. Como eu seria.
Mas ainda me ama.
E sempre desejarei que voc� tivesse sido diferente.
ENTRADA DOS ARTISTAS Louise!
Disse que tinha aprendido. N�o aprendi.
- Quanto tempo leva? - O tempo que levar...
mas, se n�o aprender com os seus erros, nunca aprender�.
Vamos nos sentar.
Talvez devesse ter lhe contado sobre James.
Por qu�? Foi um casamento de inconveni�ncia. O que acha?
Acho que nem pensei nele. Mas isso n�o importa.
- Paul n�o me quer mais. - Acho que ele quer.
Tem medo de mim. Talvez ele tenha raz�o.
- Quais s�o seus planos? - Eu n�o sei.
S� uma coisa. Divorciar-me de James o quanto antes.
Por que a pressa?
N�o acha que j� fiz demais com ele?
H� um ditado que diz: "Nunca bata num homem ca�do".
Ajude-o antes.
Meio her�ico, mas eficiente.
- O que quer dizer? - Nada de tortuoso.
Arrependimento faz bem � alma...
e o Sr. Bronte pode ficar satisfeito sabendo que tem alma.
N�o posso. N�o sei onde come�ar.
Quer apostar?
- Henry, viu o Sr. Guest? - Veio buscar a passagem de trem.
Passagem? Para onde?
- Marselha. - Marselha?
Sim, madame.
Sr. James Guest, um recado para o senhor no Bureau.
Sr. James Guest, um recado para o senhor no Bureau.
Obrigada.
O que foi? Deixei todas as roupas, n�o?
- Esqueci do rel�gio. - Pare, James!
- Aonde vai? - O que lhe interessa?
Fiz tudo o que pude. Dei tudo o que tinha.
N�o bastou. Mas n�o � sua culpa.
H� um navio de carga que sai de Marselha amanh�.
16 dias at� Nova York.
Talvez consiga que as m�os fiquem firmes...
para dar aulas de piano em Scratton.
Eu vou com voc�, James. Mas para Zurique.
- Zurique, por qu�? - Neg�cios n�o terminados.
- Eu? - N�s dois.
- Qual � o trato? - N�o � um trato.
A consci�ncia est� incomodando? N�o vamos mais nos enganar.
Quero que termine o que come�ou.
- Que prove algo. - Que sou um g�nio como ele?
Podia ser. Se n�o fosse por mim. Se eu tivesse ajudado...
Ningu�m me torceu o bra�o. N�o se sinta culpada.
N�o tenho de sentir nada. J� tentei isso.
N�o sentir nada.
Quer dizer que voltaria a Zurique, como a odiava...
- por mim? - � um chamado.
VIRTUOSE PAUL BRONTE
Que tal um passeio? N�s dois?
Feitora de escravos!
CONCERTO JAMES GUEST
Bravo!
- Foi �timo, Paul. - Maravilhoso!
COMO DIZER A PAUL QUE FIZ ISSO POR ELE? L.
- Quem � L? - Amor, Krafft.
O que significa?
Que algumas vezes, � �timo estar errado.
Obrigado.
N�o precisamos do resto do 2� movimento.
- Bravo, Sr. Guest. - Obrigado.
�timo, senhores.
Quero refazer duas partes. O 1� movimento...
oito compassos antes do n� 8.
- Pronto, Sr. Guest? - Um momento, senhor.
Prof. Schuman, algu�m pode achar os n�meros para mim?
- Seria mais r�pido. - Claro.
Ajuda-me, por favor?
Acho que seria melhor algu�m que conhecesse a m�sica.
Ningu�m conhece essa m�sica melhor que minha esposa.
Pronto, maestro.
- Est� linda. - James!
Voc�, tamb�m. Estou nervosa.
Eu que devia estar nervoso, n�o voc�.
Acho que n�o sou boa em esperar.
Por que n�o vai ao Seyfert's comigo?
N�o poderia.
Gosto das tradi��es. Schuman n�o vai se importar.
Prefiro n�o. Voc�s fizeram demais.
E eu prometi a Frau Sigerist...
Nos bastidores, a primeira coisa.
D�-me uma coisa sua. Uma m�gica.
Um cacho de seus cabelos. Uma j�ia.
N�o conseguiria sem isso. Sem voc�.
Vejo-a nos bastidores.
D�-me o len�o. N�o � verdade o que pensa.
Pode conseguir sem mim. Precisa!
� bom, � brilhante, n�o pode falhar.
N�o tem nada a ver comigo. � voc�, o seu talento!
- N�o precisa de mim. - O que quer dizer?
Depois do concerto...
Paul me levar� com ele.
Paul?
Que esp�cie de dem�nio voc� �?
Fazer isso comigo? Dizer-me antes...
Mas tinha de lhe dizer, n�o v�?
Como deix�-lo l�, pensando que n�o consegue sozinho?
Se fizesse, teria de dizer amanh�, e o resto de sua vida...
acreditaria que n�o consegue sem mim...
mas consegue! James, eu sei.
Nunca duvide.
N�o precisa de uma bengala. � um ser humano inteiro, de novo.
N�o queria dizer isso agora. N�o pretendia.
Mas precisei!
Por favor, entenda!
Bravo! Bravo!
Bravo!
Bravo!
- Lulu? - Paul?
- Onde estava? - O avi�o atrasou.
- Voc� o ouviu? - Ouvi.
Olhe para ele.
Naquela montanha, sozinho.
Nada no mundo importa, a n�o ser este momento.
Contou de n�s?
Vamos aos bastidores?
- Parab�ns, James. - Vamos todos aos Zeyfert's.
- Venha. - Acho que n�o.
Precisa vir. � sua noite, James.
Certo, vou me trocar e os encontro l�.
Certo.
Um segundo.
Eu estava certa, n�o?
Sabia que conseguiria sozinho.
Estava aqui?
Eu vi tudo.
Onde est� Paul?
Ele se despediu e me desejou boa sorte.
Todos os tolos precisam de sorte.
- Louise! - Oh, James!
Ripagem: ibbins Revis�o e sincronia: mawricio58
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