All language subtitles for Jia.Zhang-ke.by.Walter.Salles.2014.DVDRip.x264-HANDJOB

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Original subtitles

Eu tenho muito apreço pela câmera,

pois sem ela,

eu não poderia capturar os detalhes da vida

e tudo o que eu sinto permaneceria somente em mim.

Eu sinto que o que é realmente precioso na vida...

está aqui, neste oceano humano.

Se você olhar para cada um desses rostos,

descobrirá cada indivíduo em sua dignidade.

A câmera me permite trazer isso à luz

tornando esta realidade viva na tela.

Caso contrário, permaneceria uma impressão simples e pessoal.

É por aqui?

Talvez ali.

Eu me lembro de que não era tão perto.

Tinha que se andar um pouco.

Tudo mudou. As boates estão desaparecendo.

- Sobrou alguma? - Nenhuma.

Agora, tudo o que se vê são as grandes franquias de karaokê.

- Olha, deve ser aquela porta amarela. - Sim.

Tenho certeza de que você subiu por aqui.

Neste lado.

- Não, esse lado da rua. - O karaokê não era aqui?

Não, era mais adiante.

Lembre-se, vocês subiram essas escadas.

- Zhang-ke. - Olá.

- Você me reconhece? - Na verdade, não.

Eu trabalhei com seu pai na escola de Qianjin.

- Professor Wei Jingguo. - Olá.

- O que está fazendo? - Voltei para fazer um filme.

Sério? Sentimos sua falta aqui.

Vamos tirar uma foto.

Quando você era pequeno, nos víamos frequentemente.

Eu trabalhei com o pai dele na escola de Qianjin.

- Vamos tirar uma foto juntos. - Tudo bem.

Wang Hongwei, pode tirar uma foto nossa?

Deixe comigo.

Ele é como um sobrinho para mim. Eu trabalhei com o pai dele.

Vocês estão contra a luz.

- A luz? - Vocês estão em contraluz.

Vamos fazer daqui.

Daí está bom.

Zhang-ke, volte um pouco! O rosto dele está na sombra. Venham para cá.

Um, dois, três.

Outra.

Um, dois, lá vai!

Aonde estamos indo?

Talvez eu não devesse ter colocado meus saltos altos, hoje.

Por que não sobe as escadas? Ficaria ainda mais alto.

Imediatamente pensei em Wang Hongwei para o papel principal,

por causa de sua muito particular linguagem corporal.

Fizemos aulas de Teoria do Cinema, e também aulas de atuação, juntos.

Um dia, na aula de performance,

estávamos atuando, e deixamos nosso professor furioso.

Em outras palavras, ele odiou nosso trabalho.

Bem, certamente éramos péssimos.

Ele disse: "Jia Zhang-ke, Wang Hongwei e Gu Zheng,

vocês três, deitem-se e finjam estar mortos.

Vamos ver se conseguem fazer isso!"

Nós três apenas ficamos lá, e permanecemos imóveis.

O professor disse: "Vocês já se deitaram, que tal atuar?"

Então percebemos: "Oh, não estamos completamente mortos?"

Então começamos a nos mover.

O professor disse: "Seus movimentos estão forçados."

Uma catástrofe total, estávamos tão envergonhados.

Nós perdemos toda a confiança. Sentimos que realmente erramos.

Mas desde "Artesão Pickpocket" Wang Hongwei provou o que pode fazer.

Isso prova que você fez uma boa escolha.

Acho que ele está conectado ao tipo de filmes que fazemos,

o estilo, a câmera na mão,

os planos de externas, o diálogo em dialeto, etc.

Porque começamos a trabalhar antes de entrar na escola,

nós tivemos experiência de vida.

Nós sabíamos o que era a vida na China.

Eu gostaria de lhe contar um segredo.

Estes quartos, sabe o que costumavam ser?

Antes de nos mudarmos para cá, esta era a prisão de Fenyang.

As paredes são muito grossas.

Quando eu era rebelde,

minha mãe fazia ameaças e dizia que me trancaria aqui.

Este pátio era como um universo fechado, todo nosso.

Com licença, só queremos olhar.

Não mudou muito.

- Vou limpar um pouco. - Não há necessidade.

Podemos acender as luzes para que eles possam ver?

Aqui?

Quando se mudaram para cá?

Nós? Dois anos atrás. Esta é a casa do meu tio.

Zhang Chengzheng? Ele chegou quando saímos.

- Você é de Gaojiazhuang? - Não, daqui mesmo.

Veja o quão espessa esta parede é.

- Posso ver o quarto? - Sim.

Aqui ficava a "kang", a cama onde nossa família dormia.

E lá ficava a mesa do meu pai, contra a janela.

Com todos os livros na parede, poderia se dizer que ele era professor.

Já se vão vinte...

São 29 anos desde que estive aqui pela última vez.

Minha mãe costumava dizer que eu era alimentado por "100 famílias".

Por quê? Por exemplo, ao meio-dia, eu pegava uma pequena tigela

e saía para conferir a comida, família por família.

E quando via algo de que gostava,

sentava-me à mesa deles e não ia para casa, comer.

Antes não havia paredes entre as casas, nem portas.

Agora há muitas paredes e portas.

Faz tanto tempo!

Você era tão pequeno. Agora você é Zhang-ke.

Lailai, ainda sou "Lailai".

Sim, Lailai, Jia "Lailai".

Jia "Lailai".

Muitos não sabiam seu nome verdadeiro. Mas todo mundo conhecia Lailai.

Na rua, era Jia Lailai.

Quando esteve na TV, meu filho disse: "Olha, mamãe, parece com Lailai".

- Ela fala de seu filho, Shuanniu. - Shuanniu?

Você o conhece. Shuanniu sofreu um acidente de carro.

- Sério? - Sim.

Ele foi hospitalizado, mas está melhor.

Ele está bem, agora.

Sim, um cara tão legal.

Ele cuidou de mim quando eu era pequeno.

Você esteve na TV e eles vieram me chamar.

"Veja, Lailai!"

A tia Zhao também foi?

Zhaosi a levou para morar em um apartamento.

Entendo...

Ela acabou de completar 80 anos.

- Quantos filhos você tem? - Eu não tenho filhos.

- Ainda não? - Ainda não. Mas pretendo ter em breve.

Mais de 40 anos e ainda sem filhos?

Já está na hora, não? Eu tenho 43 anos, devo me apressar.

- A sua mãe está bem? - Sim.

- Ela tem mais de 70 anos, agora? - Ela tem 73 anos.

Meu Deus, eu vi você crescer...

Diga a ele para pagar a passagem de ônibus.

Você pode pagar o seu bilhete?

O bilhete.

Eu sou policial.

Quando eu era jovem, a maioria das crianças parava de ir à escola na terceira série.

Na época, éramos muito pobres.

Se pudesse chegar à terceira série, era o suficiente.

Mas um aluno da terceira série tem apenas 10 anos de idade.

Uma criança que deixa a escola nessa idade não consegue encontrar nenhum trabalho.

Então muitos dos meus amigos se tornaram ladrões.

Não falo de um ou dois, mas muitos deles.

Quando eu era pequeno, um filme se tornou muito popular.

"Awaara" (O Vagabundo, de Raj Kapoor, 1951), é um filme indiano.

A história era sobre um ladrão.

Costumávamos cantar a música-tema do filme, de pé, aqui no corredor.

Nosso professor morava ao lado.

Ele nos ouviu cantando por cima do muro.

Uma tarde, na aula, ele nos colocou em pé.

Apontou para nós e perguntou: "Vocês querem se tornar ladrões?"

Ele nos condenou e proibiu de cantar aquela música.

Ainda me lembro dela. É assim, mais ou menos:

Eu sou um vagabundo

Eu sou um vagabundo

O destino de um vagabundo é triste

Eu sou um vagabundo

Eu sou um vagabundo

O destino de um vagabundo é triste

Eu sou um vagabundo

Eu sou um vagabundo

Consegui! Disfarcei quem eu sou

Eu sou um vagabundo

Eu sou um vagabundo

Eu sou um vagabundo

Eu me lembro do 1º filme que vimos juntos, foi "Dong Cunrui" (de Guo Wei, 1955),

O filme conta a história de um herói do Exército Popular de Libertação.

Em uma batalha, ele transporta dinamite para explodir uma ponte, ou fortificação.

- Uma ponte. - Certo, uma ponte.

Ele chega ao fundo da ponte e não encontra nada para apoiar a dinamite.

Então ele segura a dinamite e se explode com a ponte.

Nós fomos ver o filme com a nossa turma.

Éramos apenas nós no cinema.

Depois que o herói explodiu a bomba, houve um completo silêncio no cinema.

De repente, nossa líder estudantil começou a chorar.

Nós olhamos para ela, para entender o que acontecera.

De volta à sala de aula, o professor elogiou nossa líder de classe.

Ele disse: "Vejam, o herói revolucionário a comoveu."

Ele queria dizer que ela amava o herói.

O resto de nós ficou envergonhado por não ter chorado.

Sim, realmente envergonhados. Eu me lembro disso.

Este lugar mudou completamente.

Se eu viesse aqui sozinho apenas de passagem,

não acreditaria que aqui foi onde eu filmei "Plataforma".

Porque este teatro era todo fechado, antes.

A única coisa que ainda guarda alguma semelhança é esse palco.

Por muitos anos,

meu pai dirigiu peças em sua escola.

Seguindo meu pai de perto, eu passava a maior parte do tempo nos bastidores,

vendo os atores se maquiando, preparando-se para o show.

Seja em "Plataforma" ou em "O Mundo",

subconscientemente, eu revelei minha paixão por bastidores.

Eu amo o que acontece antes de um show.

Agora, a performance do Grupo Camponês de Cultura

do condado de Fenyang, começará.

Por favor, apreciem o número musical,

"O Trem para Shaoshan".

Um trem sulista

corria pela terra ensolarada.

Está indo para Shaoshan!

A cidade natal do presidente Mao!

Vejam, aí vêm eles!

Rodas voadoras, apitos soprados,

o Trem vai para Shaoshan!

Sobre as montanhas, atravessando rios,

rumo ao sol radiante

rumo ao sol radiante...

- Deve ser aqui, certo? - Exatamente.

Sim, estou vendo.

Não mudou muito. Lembro-me que a cena não foi planejada.

Alguns moradores vieram e trabalharam como figurantes.

Achei seus rostos expressivos.

Pedi para eles se colocarem aqui, fumarem e conversarem.

Acabou sendo a primeira cena do filme.

Gostei da interação deles, e comecei a filmá-los secretamente.

Eu me pergunto o que aconteceu com aqueles figurantes.

Todos eles usavam o mesmo tipo de uniforme de soldado, todo verde.

O cara que abriu a porta agora, era um.

Sério?

Ele ainda se lembra.

Para os de nossa geração, "Plataforma" abrange um período importante: 1979 a 1989.

Eu acho que, até certo ponto, é um filme épico,

um trabalho panorâmico para aqueles que estudam a história chinesa.

Considerando que "Artesão Pickpocket" é o retrato de um indivíduo

em um contexto social específico,

"Plataforma" mostra a transformação da juventude chinesa por um período mais longo.

Na verdade, eu pessoalmente gosto de "Plataforma" muito mais.

Eu nasci em 1970.

Ao longo da Revolução Cultural, até o seu fim,

quando eu tinha oito ou nove anos,

eu nunca ouvira música pop. Tudo o que ouvíamos eram músicas revolucionárias.

Você sabe como chamavam a música pop na época?

"O som da decadência." Eram consideradas lânguidas, sem vida.

Exatamente o oposto da música revolucionária.

Elas eram criticadas porque as melodias eram suaves.

Mas enfim as escutamos,

e todos os jovens começaram a apreciar a música pop,

porque os temas eram sobre o amor.

Que tipo de músicas nós tínhamos antes?

Cantávamos: “Trabalhadores, temos poder. Nós somos os herdeiros do comunismo".

"A união é o poder."

Sim, "A união é o poder". A maioria delas falava de "união", ou "nós".

Mas quando escutamos secretamente aos programas da rádio de Taiwan,

ouvimos músicas de Teresa Teng, como "A Lua Representa meu Coração".

Já não falava em "nós".

Honestamente, eu nunca poderia ter imaginado o que aconteceria.

Era 1998, eu tinha acabado de me formar na Academia de Dança de Pequim,

e estava ensinando em Taiyuan, na Academia de formação de professores.

Naquele dia, a caminho da sala de aula,

eu vi um grupo de pessoas na minha frente.

Olhei mais de perto e vi que eram todos homens.

Pareciam estranhos, carecas, de cabelos compridos ou barbas cheias.

Eu pensei que deveriam estar indo para o departamento de belas artes.

Então os vi virando, em direção ao nosso departamento.

Então eu entrei.

Lá, meu chefe departamental disse que eles estavam fazendo um filme,

que estavam procurando elenco e queriam usar um dos meus alunos de dança.

Eu disse que não era problema e comecei minha aula.

Juntei todos os meus alunos.

Eu não disse que eles estavam formando elenco,

mas lhes disse que esperava que eles dessem o seu melhor.

Então comecei a aula.

Cerca de uma hora e meia depois,

o diretor assistente veio me dizer

que o diretor queria trabalhar comigo.

Que coincidência!

Não, eu vi você.

Eu vi você também.

Meu pai também, vamos descer.

Algumas cenas foram filmadas aqui.

Um vizinho me disse que a área seria demolida.

Desde então, pensei que Fenyang teria mudado muito,

mas a zona central onde eu cresci permaneceu inalterada.

Se eles derrubassem essas casas e pátios...

não sobraria nada das minhas memórias de infância.

Isso teria me frustrado e deprimido.

No entanto, é difícil impedir a mudança, praticamente impossível.

Eu não posso fazer nada sobre isso.

O que eu posso fazer é gravar tudo em meus filmes.

DEMOLIÇÃO

Essa é a grande jogada?

O bloco inteiro está sendo derrubado.

Se as coisas velhas não se forem, não haverá novidades.

As coisas velhas estão sendo demolidas, mas não vejo nada de novo.

Nosso pátio é do que mais sinto falta.

O grande pátio.

Este chá não tem cor.

Não fermentou o suficiente.

Em Courtyard 5, nossa casa não mudou muito.

Apenas as duas macieiras se foram.

Eles plantaram uvas.

E os lilases que plantei?

- Tudo se foi? - Já passou muito tempo.

Eles plantaram lá um pessegueiro.

Não há mais lilases.

As macieiras se foram.

É triste, aquelas árvores se foram, elas deram muito fruto.

Quando morávamos ali,

não havia água corrente.

Nós usávamos muito bem a água.

Ele era tão pequeno e saía para buscar a água.

Ele não deixava seu pai ir.

Então seu pai arrumou um balde pequeno.

Isso realmente o ofendeu. Ele tinha vergonha de ser visto com ele.

Ele só queria um balde grande.

Eu sempre digo que ele parou de crescer porque carregou muito peso.

A comida está pronta, mãe?

Você não pode ser um pouco útil?

Mais tarefas? Já pediu ao meu irmão?

Quem é o mais velho, você ou ele?

Você deveria tê-lo tido primeiro então.

Não deveria era ter tido você!

Somos diferentes!

Eu sou um artista, uso meu cérebro.

Sério?

Aqui, você deve obedecer a ordens, deve seguir as regras.

Então eu vou parar de vir para casa.

Sim, a sociedade precisa de você, viva lá fora!

- Se não vai me alimentar, o partido vai. - Saia!

Em nosso tempo,

especialmente nossa geração,

nossa primeira lição era: "Viva o presidente Mao!"

Nós não tínhamos acesso a coisas interessantes.

Eu me lembro de aprender Tang e decorar poemas cantados,

quando meu pai teve meu irmãozinho, ele os recitou.

Havia tantos livros em casa, numa época em que eles eram tão raros.

Nós tínhamos uma estante de livros, uma que vivia cheia de livros.

Meu irmão e eu, assim que chegávamos da escola,

enquanto esperávamos pelo jantar, corríamos à biblioteca para ler.

Eram todos os livros colecionados pelo meu pai.

Uma vez, quando eu era pequeno, meu pai me levou para escalar uma dessas muralhas.

A muralha parecia muito alta. Subimos, apesar do forte vento.

Do topo, podíamos ver uma estrada distante.

Nos anos 70, praticamente não havia carros.

Nós esperamos muito tempo antes de ver um carro naquela estrada.

Pensando nisso agora, acho que meu pai ficou com lágrimas nos olhos.

Na época, não entendi a reação dele.

Mas depois que eu cresci, quando morei sozinho em Fenyang,

também senti essa limitação.

Eu também senti isso,

do outro lado da muralha da cidade fortificada,

havia um imenso espaço,

um mundo inspirador que eu provavelmente nunca conheceria.

Mas eu não tinha a habilidade ou oportunidade de ver esse mundo.

Isso criou uma sensação de enorme solidão em mim

que encontramos em "Plataforma",

como uma emoção profunda dos personagens.

O alarme de fumaça soará se alguma fumaça for detectada.

O trem automaticamente fará uma parada de emergência,

atrasando nossa hora de chegada e causando uma situação perigosa.

Por favor, evitem fumar no trem, ou nos banheiros e nos corredores.

Agradecemos sua compreensão e cooperação.

Por favor, estejam cientes do detector de fumaça nos banheiros.

Agradecemos por não fumarem.

Mesmo que eu tenha vivido 23 anos em Shanxi, não conhecia minha região,

porque eu não tinha uma estrutura de referência.

Eu não sabia nada sobre o meu país ou meu modo de vida, realmente.

Então, quando saí do país por tempo suficiente,

estando em Pequim, Paris ou Nova York, comecei a pensar em minha cidade natal.

Comecei a entender melhor o meu país

e os relacionamentos das pessoas.

Comecei a entender a sociedade, minha família, meus amigos da escola,

e a pobreza do meu país.

Comecei a entender muitas coisas.

Se posso agora chamá-lo de meu país, é porque o deixei por um tempo.

O parque fica aberto diariamente, das 9h às 22h30.

O parque apresenta locais famosos dos cinco continentes, para o seu prazer.

Alô.

Eu estou no trem.

Erxiao comprou comida?

Estou indo para a Índia.

Erxiao!

VEJA O MUNDO SEM SAIR DE BEIJING.

Eu amo esse lugar. Assemelha-se a um palco de teatro.

Como se todos vivêssemos em um grande set.

Em 2003 e 2004,

a economia chinesa estava crescendo.

Vivendo em Pequim, viam-se muitas novas inaugurações do McDonald's

e muitas novas aberturas da Starbucks.

Os itens sendo anunciados em outdoors,

via-se o mesmo em Hong Kong, Taipei, Seul ou Bangkok.

Eu sinto que as cidades do mundo compartilham a mesma decoração.

Eu me lembro de uma manhã em Bangkok, em que estava indo para o aeroporto.

A caminho,

vi os mesmos anúncios em ambos os lados da rodovia.

Eram os mesmos anúncios de Pequim, apenas a língua era diferente.

De repente, tive uma dúvida. Perguntei-me se isso era globalização.

Globalização significa Americanização?

Um, dois, três, “queijo”!

Outra!

Venha um pouco mais perto.

Este mundo é virtual, imaginário.

Completamente utópico.

De certo modo, esses parques são como a Internet,

eles nos oferecem outro espaço vital, uma sensação de liberdade.

Nós cruzamos fronteiras,

nós viajamos livremente de um país para outro sem quaisquer restrições.

Com a exceção de que a aparente abertura deste parque,

ou a aparente abertura do mundo

revela, em contraste, ainda mais os nossos sentimentos de solidão.

Um dia quando eu já estava trabalhando como atriz,

fui para Hong Kong com o diretor.

Quando passamos por Shenzhen, eu vi a Torre Eiffel,

aquela do parque “Janela Para o Mundo”.

Quando a vi, trouxe de volta memórias,

e compartilhei anedotas de minha vida como dançarina, com Jia.

Histórias sobre amigos da escola.

Naquela época, muitos estudantes namoravam. Flertavam com entusiasmo.

Contei a ele sobre os dançarinos que trabalhavam nesse ambiente.

Eles pareciam estar vivendo, embora estivessem muito sozinhos.

Muitas histórias.

Na época, ele não reagiu muito. Mas no ano seguinte,

Jia disse que faria um filme baseado naquelas histórias, chamado "O Mundo".

Eu perguntei se era verdade, e ele disse sim. No começo, pensei...

Para mim, fazer o papel de Zhao Xiaotao

era contar minha própria história.

Todas as alegrias e dores dessa dançarina,

dessa jovem vida de dançarina, estão no filme.

Durante as filmagens no parque temático,

encontrei vários professores da época quando eu era estagiária,

e também velhos amigos que ficaram lá.

Quebrou minha cabeça ver que depois de sete anos,

eles ainda estavam vivendo a mesma vida.

Minha irmã mudou-se para Ulan Bator, depois que se casou.

Eu não a vejo desde então.

Estou tentando economizar dinheiro para ir visitá-la.

Esse é meu... meu sonho.

Minha irmã me ensinou essa música. Isso me liga a ela.

Agora, quero ensinar isso para você.

Eu não preciso apresentar o Sr. Jia Zhang-ke.

Vocês todos o conhecem, ele é uma celebridade.

Mas para mim,

ele é, acima de tudo, um pensador.

E ele ainda tem outra identidade:

professor de cinema experimental na Academia Central de Belas Artes.

Nosso outro convidado de hoje,

esse cavalheiro,

não só é um artista,

mas é um crítico de cinema

e um excelente editor de filmes.

É o professor Lin Xudong.

Existem grandes diferenças entre os filmes do Sr. Zhang-ke.

Não sei se viram os primeiros filmes de Jia, "Artesão Pickpocket", por exemplo.

Uma característica é o uso da música pop como elemento narrativo.

Um de meus amigos concluiu que os filmes de Jia se assemelham ao cinema indiano.

Os filmes de Jia contam histórias do dia a dia.

Jia, o que colocou você nesse caminho?

Instinto ou alguma outra coisa que lhe deu inspiração?

Quando eu estava estudando cinema,

percebi que a vida cotidiana não existia nos filmes chineses pós-1949.

A fraqueza humana, o movimento físico espontâneo,

até a linguagem havia mudado.

Nenhum dos personagens na tela tinha sotaque.

Não havia mais terra nativa, nem identidade cultural.

Todos falavam como um locutor de rádio.

Eu acredito que a maioria dos chineses assemelha-se às pessoas nos meus filmes.

Um professor universitário,

um advogado, um caixa de banco...

trabalhadores ou agricultores têm igualdade nos meus filmes.

Pode-se dizer que os personagens nos meus filmes "não detêm poder".

Eles não têm controle sobre os recursos da sociedade.

Eles estão sujeitos a nossa era.

Eu me considero nessa situação.

Eu sempre quis filmar a vida dos trabalhadores,

especialmente com a transição da economia planejada

para a economia de mercado dos anos 90.

Muitas pessoas perderam seus empregos

e, depois de terem alcançado posições centrais na sociedade,

elas se tornaram marginalizadas.

Daquele ponto em diante, não havia mais trabalhadores na China.

Por que não existem mais trabalhadores?

Porque a vida de um trabalhador está intimamente ligada à de sua fábrica.

Sua educação, assim como a de seus filhos,

seus benefícios, sua aposentadoria,

tudo está ligado à fábrica.

Isso é o que um trabalhador é.

Ao mudar de emprego, os trabalhadores já não têm laços emocionais com sua fábrica.

Eles vão de fábrica para fábrica.

Então comecei a me perguntar

se seria possível fazer um filme

envolvendo uma resposta

para este período de transformação urgente.

Por que a fábrica está sendo demolida?

Porque está situada no centro da cidade.

Ela ocupa um local enorme e a produtividade na fábrica está baixa.

Então eles vendem o local para uma poderosa empresa imobiliária,

isso gerará um lucro enorme.

Foi assim que percebi o poder da especulação imobiliária

na economia chinesa de hoje.

Além dos que você já fez,

acha que vai fazer mais filmes mainstream?

Quantas pessoas existem no mundo?

Seis bilhões.

Não acho que precisemos discutir maiorias ou minorias para se medir o público,

porque na verdade,

quando você faz um filme

está tentando se conectar com outros seres humanos.

Você não pode dividir a humanidade entre o povo de Pequim e imigrantes,

chineses ou estrangeiros,

Asiáticos ou ocidentais.

"Professor! Eu não tenho uma pergunta.

Eu só queria lhe jogar um aviãozinho de papel".

Eu não tenho nada a adicionar.

Eu só quero que todos vejam "Um Toque de Pecado" o mais rápido possível!

- Obrigado a todos. - Obrigado, Professor Jia.

Obrigado, Professor Lin.

Nenhum dos três filmes que precederam "O Mundo"

foi distribuído na China.

Fiquei muito surpreso quando vi pela primeira vez um DVD pirata de um filme meu.

O homem disse:

'Nesta tarde eu terei um ótimo filme de um diretor chamado Jia Zhang-ke.

O título é "Plataforma". Está interessado?'

Fiquei chocado e perguntei: 'Sério?'

'Venha às 2:00 ou 3:00 da tarde, estarei com ele então.'

Então eu voltei lá.

Havia uma pilha enorme de DVDs novos de "Plataforma".

É como se seu filho desaparecesse, você procurasse em todos os lugares por ele,

e acabasse encontrando-o na casa de outra pessoa.

Uma emoção muito complexa.

Mas também foi por causa daqueles DVDs pirateados

que tantas pessoas viram meus filmes,

e que os críticos começaram a falar na internet.

Lembro-me de uma vez, quando o Cinema Bureau reuniu diretores proibidos.

Lembro-me de lhes dizer:

"Não se deve impedir um diretor de se expressar

porque a tecnologia já não permite isso."

Com câmeras digitais, podemos filmar tudo facilmente,

especialmente agora, com DVDs, DVDs pirateados.

Na realidade, qualquer um pode vê-los.

A única restrição é que eles não podem ser vistos nos cinemas.

Mas as pessoas podem assisti-los em seus computadores, em casa.

Esse tipo de proibição é inútil, por que se incomodar?

Em 2001,

houve um café em Pequim que quis projetar "Plataforma".

Eu fiquei muito feliz e me ofereci para ir conhecer o público.

O café tinha feito cartazes anunciando a projeção e minha presença.

Tudo parecia ótimo.

O horário marcado era para as 2:30h da tarde, naquele dia.

Quando cheguei lá,

percebi que o café tinha paredes de vidro, como uma caixa transparente.

O filme foi exibido, mas com a luz do dia, você não podia ver nada.

Estava muito claro na sala.

Todo mundo tentou esconder a luz

e procurou panos pretos para pendurar no café.

Que provação! Isso continuou por um tempo.

Uma vez resolvido, mais ou menos, começou a chover e o café tinha vazamentos.

A projeção ocorreu, mas sob condições terríveis.

Eu fiquei muito triste

e me perguntei por que meus filmes não poderiam ser exibidos nos cinemas da China.

Como as exibições normais...

com assentos reais,

em uma sala que pudesse ficar escura,

equipada com o equipamento certo.

Eu estava muito triste.

Houve um acidente na mina de Fenyang.

- Quando? - Não muito tempo atrás.

- O que aconteceu? - Uma enchente.

A mina foi inundada?

Uma mina de carvão perto da aldeia.

Treze pessoas morreram.

Houve cobertura da mídia?

Eles disseram que 10 pessoas morreram.

Aconteceu de eu estar em Taiwan, com um amigo do Departamento de Mineração,

que me disse haver 13 mortos.

Lembro-me de, um dia, Sanming me dizer que trabalhava em uma mina de carvão.

Muitas vezes ia ver minha tia, com minha mãe e minha irmã.

Conversas com nossa tia e primos eram sempre animadas.

Sanming era mais tímido.

Ele não falava muito, mas sempre sorria para mim.

Ele sentava sozinho em um canto, mas amava nossas visitas.

Mas nós não conversávamos muito.

Eu sabia que trabalhar em uma mina de carvão era extremamente perigoso,

mas ele não tinha escolha.

Era um trabalho muito bem remunerado. As pessoas não tinham escolha.

Ele ligou para me dizer que me queria em um de seus filmes.

Eu pensei que seria como "Plataforma", apenas alguns dias,

mas fiquei lá por mais de um mês.

A região de Três Gargantas é muito diferente da nossa cidade natal,

mas as cenas do dia a dia eram familiares para mim.

É tudo experiência de vida...

O que é isso?

Caramelo.

Caramelo Coelho Branco.

Sobre "Em Busca da Vida", este filme...

Eu sinto que... foi o destino que deu origem ao filme.

Se eu não tivesse filmado o documentário "Dong" antes,

se eu não tivesse ido à Três Gargantas com Liu Xiaodong,

para filmar os homens que ele estava pintando, eu nunca teria ido até lá.

Porque há vários anos,

Três Gargantas foi a região foco de toda a China

inclusive pela mídia estrangeira, devido a construção de uma enorme barragem.

Que tal agora?

Deite-se e se apoie no cotovelo.

Siga em frente.

Para frente, um pouco mais.

Descanse no seu cotovelo.

- Deite de lado, no seu cotovelo. - Ótimo.

Tente. Coloque seu cotovelo aqui.

Aí está.

Falava-se muito sobre isso todos os dias, nos noticiários,

tanto, que eu quase não queria tentar entender esses problemas.

Mas quando cheguei lá para filmar o documentário com Liu Xiaodong,

fiquei impressionado pelo surrealismo do lugar.

Milhões de pessoas seriam deslocadas para essas cidades serem demolidas.

Ainda havia alguns edifícios espalhados.

Mas as ruínas da cidade estavam a esta altura.

Foi o que sobrou depois da demolição.

Como se uma bomba nuclear tivesse explodido,

ou ela tivesse sido destruída em uma invasão alienígena.

Eu decidi me concentrar sobre a condição da natureza humana.

É da mesma forma como foi há muito tempo.

Os trabalhadores sem camisa demoliam estes edifícios, à mão,

cobertos de suor, sob o sol escaldante.

Eles estavam cheios de vida.

Imagine, os mesmos trabalhadores tinham participado na construção da cidade,

e agora eles estavam destruindo tudo.

Que tragédia.

Ele mal teve tempo de trabalhar no roteiro.

Um dos principais motivos

foi a rapidez com que a aparência da cidade estava mudando.

Se ele demorasse demais, não teria nada para filmar.

Depois que as filmagens terminaram,

nós realmente fizemos outras sete refilmagens.

Cada vez que ele chegava na sala de edição,

se não gostasse, fazia refilmagens.

No total, fizemos sete refilmagens.

Até o último minuto, antes do Festival de Veneza.

Eu lembro que o filme foi finalizado logo antes do Festival.

Ao começar a fazer "Em Busca da Vida",

eu senti que fora enganado por Jia Zhang-ke.

Ele disse que fazíamos um documentário e perguntou qual equipamento usar.

Eu sugeri uma mini-DV. É prática e econômica.

Ele disse que realmente estava sem dinheiro para o filme.

Então nós trouxemos uma pequena câmera,

acho que foi uma Sony Hi-8, se eu me lembro bem.

Depois partimos para fazer o nosso documentário.

Mas depois de uma semana, Jia decidiu que queria fazer uma ficção.

Nós começamos muito mal!

Mas no final, a pequena câmera...

nos deu uma boa dose de manobrabilidade.

Imagine os bairros prestes a serem demolidos.

Não havia água, nem eletricidade.

Pensando agora, a pequena câmera realmente nos ajudou muito.

Eu não esperava a dimensão que

Três Gargantas forneceria para um som tão bonito.

Eu consegui captar o primeiro plano, bem como todos os sons de fundo.

Quando a buzina do barco disparava naqueles desfiladeiros sinuosos,

as ondas sonoras ricocheteavam em todas as superfícies,

depois do outro lado, e por trás.

Se estivéssemos em estúdio,

com efeitos de reverberação ou atrasos,

não teríamos obtido sons tão realistas como fizemos no local.

Muitas vezes, Jia Zhang-ke surge com uma ideia geral,

mas descobrimos elementos no local

que nos dão soluções para a cena.

Não é difícil ter uma ideia, mas colocá-la em prática...

essa inspiração não pode ser planejada.

Claro que você pode ter uma ideia geral,

mas os inúmeros detalhes são o que fazem o milagre acontecer.

O milagre vem do lugar,

do temperamento dos habitantes locais, da densidade do ar, tudo isso.

Os momentos em que me sinto desesperado são quando as filmagens vão bem.

Quando há problemas de filmagem, eu nunca fico ansioso.

Quando não está indo bem,

sei que estou procurando por algo que não chegou à minha consciência.

Há uma chance de algo totalmente novo para mim.

De repente, percebo que estou no caminho de algo único.

Mas quando as filmagens seguem sem uma falha, realmente duvido de mim mesmo.

Quando tudo corre bem, não tenho com que me preocupar, nem desafios a enfrentar.

Geralmente, é porque caí em uma rotina,

e comecei a trabalhar a partir de experiências passadas,

então estou perdendo o toque para essas intuições repentinas.

Às vezes, deixo alguns traços de teimosia em meus filmes.

Em "Prazeres Desconhecidos",

o jovem que tenta subir o declive com sua motocicleta.

O plano continua ininterrupto.

Tínhamos muitas soluções para resolver isso.

Mas durante as filmagens, eu estava cheio de emoção

e apenas deixei rolar.

Naquele dia, eu escolhi confiar no meu instinto,

sem me preocupar com o resultado visual ou dramático.

Eu pensei nos laços que este filme tinha com minha própria vida.

Este plano carrega uma memória dentro dele.

Em certo nível, o cinema é para o público,

mas, ao mesmo tempo, é muito pessoal.

Eu quero preservar essas emoções pessoais em meus filmes.

Qual o caminho para Wujinshan?

Você está nele.

Rodovia 307?

Isso.

De fato, estamos vivendo em uma era onde os valores culturais colidem,

e há falta de crença em toda a nação como um todo.

Esse é o pano de fundo para "Um Toque de Pecado".

Assim como indivíduos com destinos divergentes cruzam seus caminhos,

estas ideias díspares se encontram e confrontam umas as outras.

Nestes últimos dois ou três anos,

especialmente com a popularidade dos sites de redes sociais,

particularmente o Weibo, na China, semelhante ao Twitter,

muitos casos de violência surgiram, através do Weibo.

No começo, eu pensei que fosse algo temporário,

porque em um vasto e populoso país como a China,

muitas coisas ruins acontecem.

Mas quanto mais histórias eu ouço,

percebo que a violência tornou-se uma questão nacional,

um problema que devemos enfrentar e que precisamos compreender.

Então, nos últimos anos eu juntei

uma grande quantidade de tais eventos verdadeiros.

Contador Liu, suas contas estão atualizadas?

Quando o chefe Jiao assumiu a mina de carvão

ele disse que 40% dos lucros iriam para a aldeia.

Quanto dos últimos 14 anos de dividendos virão para cá?

Ouça, em 2001,

o comitê da aldeia assinou para vender a mina de carvão.

Quem lhe pediu para vender?

O contrato foi discutido?

Devemos manter nossa palavra.

Mas Jiao ficou tão rico, ele até comprou um avião!

Ele é um trabalhador esforçado.

Então me diga, quanto você e o chefe aceitaram em subornos?

Ei, pare o ônibus.

Diga-me, quanto você recebeu em subornos?

Abra a porta.

Essas histórias verdadeiras são apenas um ponto de partida.

Por exemplo, na primeira história,

realmente havia alguém como Dahai,

que matou um líder e contador da aldeia

por causa da privatização das minas de carvão.

As cenas interiores, na casa de Dahai,

foram filmadas nas casas de algumas pessoas que moram aqui.

- Olá, tia. - Olá.

Eu só gostaria de dar uma olhada.

Fique à vontade. O filme saiu?

Ainda não.

- Vai sair em breve? - Sim, lá pelo ano novo.

O que mudou?

Este é o quarto que escolhemos para filmar na casa de Dahai.

Eu amo o jeito como está configurado,

especialmente as duas janelas.

Aquela olha para a cozinha.

Nós cobrimos esta cadeira

com algum tecido novo, num motivo tigresco.

Dahai escreve sua queixa na cama.

Eu o imaginei solteiro,

sem ninguém para ajudá-lo com a rotina do dia a dia.

Ele mantinha seu rifle neste armário.

Eu amo como esse lugar desprende uma sensação de desastre e colapso.

Olhando para as paredes, há vestígios...

do crescimento econômico ao longo dos tempos.

As estruturas daqueles dias ainda estão lá,

mas agora as vemos em decadência.

Como se o lugar tivesse sido esquecido por todos.

Essa degradação ecoa a situação de Dahai.

Ele não aceitou a evolução ou as transformações em sua aldeia.

Ele é uma pessoa que foi ignorada e esquecida.

Eu sinto que esse lugar assemelha-se muito a ele.

É como uma foto antiga, tirada no final da dinastia Qing,

de cerca de 1890 a 1900.

Eu vi muitas delas.

Foi a época da Rebelião dos Boxers.

Eles viviam armados e eram um símbolo de violência e protesto impulsivo.

Dahai!

Vemos mais e mais pessoas sob pressão, enfrentando a injustiça social.

Sob as circunstâncias, só podemos desabafar.

Hoje, a Internet nos permite contar a mesma história de várias maneiras.

Tudo que você precisa é de uma conta Weibo para expressar suas opiniões.

Mas o problema é que, mesmo se você tiver uma conta Weibo,

e se expressar,

alguém estará realmente ouvindo?

Talvez não prestemos atenção suficiente.

Sob tais circunstâncias, quando as pessoas estão sob extrema pressão,

sobrevivendo neste mundo sem qualquer maneira de contarem suas histórias,

sem ninguém para ouvi-las,

a violência não só parece ser uma solução para seus problemas,

é também um manifesto, uma maneira de afirmar sua existência como indivíduos.

Eu tenho dinheiro.

- O dinheiro não pode comprar tudo! - Eu tenho dinheiro!

Não é bom o suficiente?

Não é suficiente?

Não é bom o suficiente?

Eu tenho dinheiro.

Eu vou sufocar você!

Você é uma prostituta.

Eu vou sufocá-la em dinheiro!

Cadela!

Eu tenho dinheiro!

Isso não é tudo que você quer?

Porra! Foda-se!

Filha da puta!

Meu dinheiro não é bom o suficiente?

Xiaoyu utiliza violência para preservar sua dignidade.

Eu queria vê-la como uma guerreira tradicional.

É um drama real. Ela é um verdadeiro personagem trágico.

Eu mergulho minha faca, retiro-a e aponto para o rosto.

Naquele momento, Xiaoyu evoca...

uma espécie de mito do herói guerreiro feminino, para mim.

Desde o começo, perguntei-me como terminaria o filme.

Para mim, voltar às muralhas da cidade

representou um retorno aos tempos antigos.

É um final muito comum

para esses heróis míticos chineses dos filmes de artes marciais.

Depois de terem resolvido um crime,

eles voltam para a vida normal, eles se escondem.

Esta muralha atrás de nós remonta à dinastia Ming.

Tem centenas de anos, e ainda está aqui conosco.

Esta muralha tem testemunhado muitas histórias, ao longo de várias gerações.

Ele me marca, Su San, como assassina.

Não posso me defender.

Sou forçada a confessar.

Minhas lágrimas fluem.

Su San! Você entende seu pecado?

Você entende seu pecado?

Você entende seu pecado?

Minha família, principalmente do lado paterno,

foi muito afetada pela Revolução Cultural.

Meu avô era cirurgião.

Antes da libertação, ele era um médico em Tianjin.

Então, depois de economizar algum dinheiro,

ele voltou para Fenyang e abriu uma pequena clínica.

A clínica foi transformada em um pequeno hospital.

Ele fez uma boa vida com sua clínica.

Naquela época, o serviço médico era escasso.

Isso permitiu-lhe comprar várias propriedades.

Então, apesar de ele ser médico e chefe de um hospital,

ele também era um proprietário de terras.

Quando a Revolução Cultural aconteceu, meu avô já havia morrido,

mas minha avó não foi poupada, e pagou caro.

"Plataforma" abrange o período

de 1979 a 1989,

em outras palavras, minha adolescência.

Dez anos da minha vida, dos quais meu pai sabia pouco.

Quando o filme foi feito, quis dedicar a ele,

para mostrar a ele como eu cresci.

Eu cheguei em casa com um videocassete e mostrei a ele, durante o ano novo.

Este filme dura quase três horas.

Meu pai e minha mãe assistiram até o fim.

Ele não disse uma palavra e foi para a cama.

No dia seguinte, no café da manhã, com muitas precauções,

perguntei ao meu pai o que ele achava do meu filme "Plataforma".

Sem olhar para mim, ele disse enquanto comia:

“Se o filme tivesse sido exibido antes ou durante a Revolução Cultural,

você sem dúvida seria considerado de direita.

Você teria sido rotulado como um contra-revolucionário.

Você certamente teria sido preso."

Ele não disse mais nada, mas eu sabia que ele estava preocupado,

e do sofrimento que ele guardava.

Parece que meu pai guardou muitos diários pessoais naquela época.

Eles foram descobertos durante a Revolução Cultural.

Em seus diários, ele falava de dificuldades,

por exemplo, não ter permissão para ir à faculdade, por suas origens familiares.

Por isso, ele foi preso quando os diários foram encontrados.

Ele foi enviado para cavar abrigos antiaéreos,

sendo reeducado por expressar tais coisas.

Meu pai me disse, quando chegou em casa, depois dos campos de trabalho,

que queimou todos os seus cadernos, onde ele trabalhava.

Ele sempre mantinha diários. Desde o ensino médio.

Ele queimou tudo que havia escrito sobre a sua vida.

Em 2004, "O Mundo" foi permitido nos cinemas,

e nós organizamos uma grande pré-estreia em Taiwan.

Eu convidei meu pai. Na época, ele parecia um pouco mais feliz.

Ele acreditava que a crise havia acabado e que eu não estava mais em perigo.

Ele morava com minha mãe, em Fenyang.

Eu estava planejando trazê-los a Pequim, para morar conosco.

Eu sou o único filho da família e, de acordo com o costume chinês,

quando os pais envelhecem, devem morar com o filho.

Eu decidi que viveríamos juntos,

até que eu saí para filmar "Em Busca da Vida".

Um dia, em 2006,

quando terminei de filmar e estava editando o filme,

recebi um telefonema da minha irmã. Ela perguntou: "Onde você está?"

Eu estava em Xangai e disse isso a ela.

Ela então perguntou: "Você pode voltar para casa?"

Eu disse: "O que está acontecendo?" Ela me disse que nosso pai estava doente.

Eu imediatamente entendi que, se fosse algo menor como um resfriado,

eles não teriam me pedido para voltar pra casa.

Se eles me pediram para voltar pra casa, estando tão longe, deveria ser sério.

Eu ainda estava em Xangai. Não dormi naquela noite.

Na manhã seguinte, peguei o primeiro voo para Taiwan.

Minha irmã me disse imediatamente que meu pai estava com câncer.

Em 2006...

na primavera,

de repente ele nos deixou.

Ele teve muito poucos momentos felizes.

Ele se preocupou tanto comigo...

e eu não tive a chance de lhe agradecer.

Talvez seja disso que uma relação pai-filho trate.

Eu não sei.

Ou algo parecido.

Meus desejos, destino...

E como foi o seu check-up?

- Muito bom. - Fico feliz.

O doutor só tem algumas dúvidas que não estão confirmadas, certo?

Só preciso ter cuidado. Por enquanto, está tudo bem.

O que aconteceu com você?

Estou com palpitações.

Isso é ansiedade.

Meus intestinos também estão confusos.

Na manhã em que esta cena foi filmada, a projeção de "Um Toque de Pecado"

foi cancelada pelo governo chinês.

Jia Zhang-ke foi convocado para comparecer no Departamento de Cinema.

Eu tomarei uma decisão radical, sem dúvida.

Então sua ideia é...

Por enquanto, a questão para mim não é qual filme fazer agora,

mas se devo continuar.

Essa é a minha principal preocupação.

Não é sobre eu ser mal-humorado por um momento. Eu quero continuar.

Mas eu não tenho muita escolha nesta indústria.

Não há espaço para mim.

E quanto a "Plataforma"?

Se pararmos, que paremos completamente.

Parar tudo por enquanto.

E "Plataforma"?

Ele queria remontar "Plataforma".

Isso seria ótimo.

Então você quer reeditar o filme.

Às vezes eu penso...

Em "Plataforma", os personagens sonham com o mundo exterior.

E se eles vissem meu quarto filme, "O Mundo",

o que eles pensariam?

Este é o lugar distante a que aspiravam?

É aquela outra vida que eles queriam?

Às vezes, eu também penso:

E se Xiao Wu soubesse...

da infelicidade que atormenta os quatro personagens em "Um Toque de Pecado"?

O que ele pensaria?

Não posso dizer se surtiria um impacto positivo ou negativo sobre ele,

mas uma coisa é certa: essa realidade pareceria absurda para ele.

Seis meses depois, Jia decidiu filmar seu novo filme,

inspirado nos personagens de "Plataforma".

Eu amo a sensação de vazio em momentos assim.

Talvez, de certo modo, esses momentos tenham desaparecido da minha vida, pouco a pouco.

Trabalho o tempo todo e estou sempre cercado por todos os filhos dos problemas.

Nestes anos, tenho me forçado a viajar com mais frequência.

Somente numa real solidão, estando realmente só,

você pode nutrir sua inspiração,

permitir que as coisas amadureçam e ver as ideias surgirem.

Eu amo esses sons.

Quando você ouve fogos de artifício,

isso lhe faz pensar... 'talvez alguém se case hoje'.

Longe, as pessoas estão reunidas para uma cerimônia.

Duzentas ou trezentas pessoas, numa festa.

Isso é vida.

Toda vez que volto aqui, minha imaginação transborda com esta vida.

Queridos amigos, brindemos a Lailai!

Todos os amigos do ensino médio! Vamos fazê-lo juntos.

Para Lailai! Estamos tão orgulhosos!

Levantemos nossas taças!

Zhang-ke, desta vez, as coisas são reais!

Jogue o chá...

- Vejo vocês no Ano Novo! - Até o Ano Novo!

Legendas por Nandodijesus

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