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Original subtitles

Felipa!

ENTRADA PROIBIDA

Felipa!

Felipa!

Lá vem ele, lá vem ele.

-Você conta para ele? -Não, você.

Pedra, papel ou tesoura.

Pedra, papel ou tesoura.

-Duas de três, duas de três. -Não, não.

O PATRIARCA

Subpack by DanDee

Não entendo.

O quê?

Me disse que ele estava morto.

Não, não. Nunca disse que estava morto,

só disse que já não estava conosco.

É a mesma coisa.

Não, não é a mesma coisa.

"Pai, e o meu avô?"

"Filho, seu avô já não está conosco".

Vai por mim, hein?

É muito mais feliz sem tê-lo conhecido.

Mas ele está doente?

Que eu saiba não.

Então, por que vamos buscá-lo?

Me dê meu café e meu jornal, porque a Felipa perdeu a hora.

Desculpe, Sr. Servando,

o diretor nos instruiu

para, de agora em diante,

não lhe darmos nenhum tratamento especial.

Então, se quiser sua refeição,

pode ir buscar no bufê, junto com todo mundo.

Se quiser o jornal,

pode ler um dos comunitários,

quando estiver disponível, claro.

E não se pode fumar aqui dentro.

Como se chama?

René.

Não.

Não o que, senhor?

Não vou te chamar de René.

É o nome mais gay que já escutei na minha vida.

Onde seu pai estava com a cabeça para te ferrar desse jeito?

Ermilo, Sérgio, Fernando.

Bem, até Margarita é mais masculino que René!

Traga as minhas coisas.

Rápido!

Por que estão me olhando?

Quem lhes deu o direito de me julgar?

Levo 20 anos sentado aí

e faz cinco anos que me sento sozinho.

Sabem por quê?

Porque os que se sentavam lá

já se foderam.

Agora só restei eu.

Tenho quase nove décadas neste planeta

que não me quer, nem pode se desfazer de mim.

Então não venham me dizer que não podem me dar tratamento especial.

Um café e um jornal são a única coisa que peço, caralho!

Tomás Murgueza, xaropinho pro senhor.

Obrigado.

-Jaime Loyola, meu caro, aqui está. -Que gentil.

E Fernando... Servando, desculpe. Servando Villegas, que lindo nome.

Não, não. Espere, senhor, jogue isso aqui.

Eu sei que é difícil largar, mas tem que ter força de vontade, não?

Não me encha!

Vou acabar com você e com todos os seus descendentes!

Damas e cavalheiros, é com pesar que lhes apresento

ao Sr. Servando Manuel Guadalupe Villegas de la Garza,

meu pai.

Nunca "papi", nem "pá", nem "papa".

E sempre ao seu lado, Mirtala, minha mãe.

Meus irmãos: Enrique, Roberto, Alejandra e Margarita.

E por último eu,

Francisco, o presente da família.

Papai sempre dizia: "As coisas devem ser feitas da maneira certa"

Ei, você! Feche a boca, dá para ver toda a sua comida.

E se você ousasse retrucar.

Mas nem está olhando para mim.

Desculpe, papai.

Não acho que se comportasse assim

por causa de alguma filosofia elaborada.

Simplesmente, para ele, assim se faziam as coisas.

Filhinhos,

acho que já está na hora. Se despeçam de seu pai.

Na casa do meu pai, porque era dele e de ninguém mais,

vivíamos em dois mundos.

Tenham um bom dia, meninos.

A disciplina dele e o carinho dela.

Mas as coisas não duram para sempre.

Carmen!

Venha, Francisco.

Bem, pelo menos não estava sozinho.

Não foi surpresa que, assim que puderam, todos se casaram.

Tem lição?

Também não é que não ligasse para nada, prestava atenção em mim.

Obrigado, papai.

Feliz aniversário.

Enfim, onde estávamos?

Cale-se!

Cinzeiro?

Não se preocupe. Jogue a cinza no chão,

já vai acender mesmo.

Me lembra a madre superiora do meu colégio há 80 anos,

ela também era muito sarcástica.

E então, nunca encontrou a mulher perfeita?

Acha que porque não uso aliança estou sozinho?

Não, não necessariamente.

De repente só está com o traseiro dolorido.

O quê?

Ai.

Não sou gay.

Não sei se sabe, mas o René, o enfermeiro com quem gritou,

ele, sim, é gay.

Como não seria com esse nome.

E quase quebrou uma costela do Federico.

Ah, o Federico também é?

Meu filho.

Sempre tiro para ir à academia.

Bom, e então?

Vai me expulsar?

Foi o que pensei.

Bom dia.

Leu o jornal de hoje?

Há 2 semanas não recebemos a mensalidade.

Pensamos ser erro e falamos com o banco.

FRAUDE. CORRENTISTAS PERDEM TUDO.

Não me diga que tinha todo o seu dinheiro em uma conta só?

Deve ter dado um rendimento muito bom, não?

Está zombando de mim? Filho da...

Não, não.

Mas tenho que seguir as regras.

Terá que ir embora do asilo, a menos que peça perdão.

Com isso podemos dar um pouco de tempo a você,

para ver se resolve seus problemas financeiros.

Se quer que eu implore, eu não imploro.

Foi o que pensei.

E então ele te ligou.

Não, ligou para os meus irmãos e todos disseram que não tinham espaço.

Tudo bem, né? Nós temos espaço.

Sim, espaço não é problema.

Então o que é?

Digamos que não contei a ele toda a verdade.

Sobre o quê?

Para começar, ele pensa que moro na Cidade do México, que sou consultor.

Bem, não está tão mal.

Que sou solteiro.

Bem, tecnicamente.

-Que não tenho filhos. -O quê?

Há anos

tudo o que conto ao meu pai sobre a minha vida, é ficção.

Mas acreditem, se tivessem um pai como o meu, me entenderiam.

Para começar, não moro aqui,

mas aqui.

E não sou consultor,

sou paisagista.

Mas isso não é tudo.

Conheci a Alma há 12 anos e estamos juntos desde então.

Vivemos na casa que seus pais deixaram

e criamos meu filho como se fosse dos dois.

Há dois problemas com isso.

O primeiro é que não somos casados.

E o segundo é que não moramos sozinhos.

Dividimos a casa com mais oito pessoas.

Todas de diferentes lugares.

Todas com diferentes histórias.

Todos cooperamos, todos compartilhamos.

Uma grande comunidade que foi se juntando.

Uma o que, idiota?

Uma família, pai.

-Uma droga de comunidade hippie. -Pai, vai me fazer bater!

E o seu filho? É esse aí, né?

Sim, sim. Oi, vô, muito prazer.

Você não tem nome?

Sim, desculpa, me chamo René.

Não precisa explicação

Ninguém tinha razão

Razão

E aí, não vão terminar a demo?

O que está fazendo?

Combinamos que não ia pegar sem me dizer.

É que estou com muita dor de cabeça.

Sim, está com dor de cabeça. Melhor vir me ajudar na cozinha.

Vem, vai me ajudar e ponto final. Senta, anda.

Ei, você não ia fazer a salada?

Isso é salada, é uma salada de quinoa.

Vem um velhinho de 500 anos e vai dar quinoa para ele?

O que foi, baixinho?

-Nossa, que lindo isso, hein? -Nem me fale.

Como vai tudo?

Depende, acha que seu sogro é vegano?

Aposto 30 pesos que ele vai comer a quinoa.

Como 30 pesos, Ed?

Não estamos em Calcutá, aposta 200 pesos.

Ok, aposto 200 que nem vai tocar.

Ok.

O que é isso?

Espera, espera, espera.

Boa noite.

-Ei, já chegaram. -Oi, oi.

Já chegamos. Oi, e aí?

Fran!

Quem é Fran?

Eu. Eu sou o Fran.

Apresento meu pai, Sr. Servando Villegas,

vai ficar com a gente um tempo.

-Bem-vindo. -Oi.

-Oi. -Muito bem.

Olha, vem aqui.

Olha, pai, ela é a Alma, é minha...

Sua o quê?

Minha alma. A amo com todo meu coração.

Fala sério!

-Senhor, bem-vindo. -Ela é a mãe...

Do... Não, não.

A mãe dele não... Não faz muito contato.

A Alma tem um restaurante aqui em San Miguel.

E eles quem são?

Vou te apresentar.

O Bill e o Memo trabalham no melhor hotel de San Miguel.

Bill é o concierge e o Memo dá aulas de ioga.

E eles são companheiros. De trabalho.

Ele é o Ed. Ed de Londres, Inglaterra.

Ed Hardgraves, como vai?

Ele não fala muito inglês, Ed.

Ele perguntou como vai, pai.

Ela é a Gina. Gina é de Cleveland, nos Estados Unidos.

Olá, como vai?

E, bem, ele é o Orlando, é de Cuba,

e é um tremendo compositor e músico. E a Giovanna.

Giovanna é do Brasil, canta muito bem e nós a chamamos de Gio.

Como vai?

Ele é...

o Homero e a Carla de... São irmãos da Cidade do México

E pronto.

Sr. Servando, sente-se, por favor.

Filho, traga-me uma cadeira.

Sim, claro que sim, vô.

-Bem, vamos comer! -Sim, sim.

Sr. Servando, quer lasanha? É de legumes.

O quê? Não tem carne?

Tem peixe, vô. Quer?

E você, o que estuda?

-No momento nada. -Bem, é que o René,

o René é um artista, pinta muito bem.

Vão expor o trabalho dele em uma galeria aqui de San Miguel.

Quer um pouco disso?

Que droga é isso?

É quinoa.

E que droga é isso?

Francisco, venha aqui.

Desde quando, imbecil, desde quando?

-Desde quando o quê? -Não me desafie, imbecil.

Desde quando vem mentindo para mim?

-Desde a faculdade. -Não terminou o curso?

Nem comecei, pai. Já sei, deveria ter te dito, perdão.

Não, não me peça perdão.

Te parece bem viver em uma casa cheia de gente estranha?

Não é gente estranha, OK?

Não? Tem um casal de morde fronhas com você, filho!

Por que as pessoas chamam a gente disso, hein?

Nunca mordi uma fronha na minha vida.

Faz muito tempo que o Bill e o Memo vivem aqui, OK?

Bill e Memo? Se chamam assim, as duas princesas?

E o que é isso de Fran, idiota?

Se chama Francisco!

E esse cabelo? O que é a droga desse cabelo?

E a merda desse preto, hein?

Tudo bem?

Fica calmo.

Sabe o que ele me disse agora há pouco?

Coloquei ele no quarto ao lado do Bill e do Memo,

e me perguntou onde o René dormia porque tinha medo

que os morde fronhas fizessem alguma coisa com ele.

Sim?

Estou no quarto ao lado.

OK.

Primeira advertência.

Advertência sobre o quê?

Não sei, tranca com chave.

Fala sério.

Espera um pouco.

Olha.

Pai!

Pai!

Me ajuda com isso.

Você sabe que passou dos limites, né?

O que estava pensando, hein?

Para de choramingar e me ajuda, não entendo esta merda de "Cozinharte"

Cuisinart, se fala Cuisinart!

Algum de vocês sabe mexer nisso?

Não funciona, senhor. Quer um chá?

Estou indo à cidade. Alguém quer alguma coisa?

Veja se encontra a minha granola.

Vai à cidade?

Me leve!

Sim, leve ele.

Isso vai ser interessante.

Chegamos.

San Miguel de Allende,

eleita a cidade número um do mundo pela segunda...

Sim. Tá, tá.

-Filho da puta. -Isso eu entendi!

Primeira advertência!

Filho da puta.

Ei! Um café preto.

Sim. De que tamanho?

Como assim de que tamanho? Do tamanho da xícara.

Desculpe, senhor, mas me disseram para cobrar o café antes de servir.

São 29 pesos.

Vinte e nove?

E o jornal 15.

SEM FUNDOS

De nada.

-Não, é muito cedo. -Anda, fiz com muito carinho.

Experimenta.

Que tal?

-Gina, não podemos servir isso! -O quê?

Já preparei quatro bandejas.

Então tome você.

Sr. Servando!

Sr. Servando!

Desculpe, vi o senhor passar.

Esse é o meu restaurante.

Quer um café?

Quer saber?

Eu também não gostava do cabelo comprido do Fran.

Tem uma casa muito bonita.

Obrigada.

Era dos meus pais.

Como era?

Morreram há muitos anos e deixaram para mim.

Bem, para mim e para os outros.

Mas legalmente é só sua?

Ou seja, você pode tirar quem quiser.

Não, o que é isso.

Jamais tiraria ninguém, são minha família.

São todos família?

Bem, com o René e com o Fran é diferente,

são as pessoas que mais amo.

Bem,

qualquer coisa que precisar, estou por aqui.

Dê a ele para que relaxe.

OK, alguém tem algo a dizer?

Eu! Minha granola, aqui não vendem. Tem que ir à Cidade do México buscar.

Ela tem razão, não consegui encontrar na cidade.

OK, quem comeu a granola da Gina?

Não precisa ter vergonha, levante a mão.

Que porra é essa!

Acho que teremos que etiquetar a comida, né?

Olha que bom ficou o seu cabelo. Até parece homem.

Não parece o James Bond?

O que foi? Eu gostei assim.

E o que estão fazendo?

Estamos em nossa noite semanal de discussão.

Para escutar queixas e resolver conflitos.

Ah. E eu posso participar?

Tem uma queixa, papai?

-Uma? -Que não tenha a ver com minha

aparência ou minhas decisões sobre a vida em geral.

Já descobriremos.

Eu acho que,

devido à minha idade avançada, deveria ter meu próprio banheiro.

É que não posso tirar o banheiro de ninguém,

todos temos os mesmos direitos.

Bem, se quiser, posso perguntar ao

Bill e Memo se querem dividir o deles.

Bom dia, Sr. Servando.

Aqui está.

Bosta!

Está ocupado.

O senhor jogou isso?

Escute,

penduramos para que sequem.

Aqui não é uma favela, senhorita.

No mundo civilizado, a roupa íntima se seca em lugar privado.

Tofu?

Nunca.

Realmente pensei que ele comeria.

Ei, está lembrado que em um mês fazemos dois anos juntos.

É, né? Que rápido.

E onde vai me levar?

Caso se comporte direito, para Celaya.

Filho da pu...

Onde quer que te leve?

Ei! Se segurem, idiotas!

Segunda advertência!

O que está pintando?

A mesma coisa.

Sou pós-modernista.

Que idiota.

E aí, vô.

Você está bem?

Filho, não está bem espiar uma mulher nua.

Está tudo bem, está me pintando.

Te incomoda, vô?

Não, claro que não.

O nu na figura humana é

-o mais belo que foi dado... -Me falem, me falem!

Está gostosa a água?

O que foi?

O que estava dizendo, vô?

Boa noite, filho.

Boa noite.

Mora com seu pai?

Não,

meu pai mora comigo.

Vamos mudar essa realidade juntos,

invista em sua conta Profuturo. Que cada dia conte.

E aí, senhor?

Me dá um cantinho, né?

É que de lá não dá para ver bem a TV.

Além do mais, anda tomando a minha cervejinha.

E aí, como foi seu dia?

Muito barulhento.

Posso ser franco?

Esse é o seu nome?

Não, me chamo Homero.

Você faz o quê?

Vivo a vida, cara.

Volte a me chamar de "cara" e quebro a merda da sua cara.

Fui claro?

Sou distribuidor.

De quê?

Você sabe.

ALUGA-SE.

Bom dia!

Perdi a hora, desculpa.

-Café? -Por favor.

Viu que estão alugando o imóvel aqui ao lado?

Sim, o que tem?

Não gostaria de expandir?

Pensei nisso, mas não.

O que foi?

-O quê? -Nada.

Vou embora.

Até mais, meninas. Obrigado.

Bosta! Segunda advertência!

Por que será tão filho da puta?

E aí?

-Como vão? -Como anda a demo?

-Quase terminamos. -Sério?

-Está ficando linda. -Que bom!

-Legumes? -E aí, pai?

-Como vai? -Bem, bem.

Tem vindo ao restaurante todos os dias.

É? E o que mais tem feito?

Hoje fui à igreja.

À igreja?

O que tem?

Me mandava para a missa com a empregada.

Foi fazer o quê?

Circunstâncias extraordinárias.

Entre, padre, por favor.

Não, não se levante, por favor.

Carne, padre?

-Não, é dia de jejum. -Dê a ele.

-Ah, carne. Bem, vô, e você? -Não, é dia de jejum.

-Carne? -É dia de jejum.

Dia de jejum.

Padre,

me dá tanto prazer que tenha vindo.

Temos uma situação aqui que certamente é muito óbvia para você,

mas nem tanto para os envolvidos.

E eu gostaria que os guiasse para o bom caminho.

Qual? Bom... O que foi? Aconteceu alguma coisa?

Não, não, não, nada. Tudo bem, padre.

É só que meu pai pensa que o estilo de vida que levamos aqui é

indicativo da chegada do apocalipse.

E o que não sabe, pai, é que o padre Jorge nos conhece muito bem.

Inclusive já dormiu aqui diversas vezes.

Sim, tipo duas ou três. Bem, cinco vezes.

Várias vezes. O que acontece é que cada vez que fumigam a paróquia,

tenho a oportunidade de ficar aqui e a fumigam com frequência.

E com o Orlando, não?

-O Orlando, sim. -O Orlando, sim.

Ele toca na missa aos domingos,

e é um dos paroquianos mais devotos da cidade.

E a Gio, não sei se a escutou cantar? Canta.

E o Memo. As aulas do Memo,

as de ioga, que dá no hotel,

custam 700 pesos, mas o padre Jorge pode entrar grátis.

Acontece que tenho um probleminha na lombar, se chama disco negro,

não aparece na radiografia. Então tem a posição do cachorro.

-Olhando para o chão. -A posição da montanha.

A posição da montanha.

Então, é uma posição muito boa para as costas.

Azeite de oliva, dá para ser? É extra virgem?

Então, que tipo de padre você é?

Jesuíta.

Gina, volto já.

OK.

Sabe, os dois estão muito bem, hein?

O Fran e a Alma. E o René também.

E você, tem filhos lá?

Sim, adultos.

E o que faz aqui trabalhando

em um restaurantezinho que nem é seu?

O que tem esse lugar para atrair gente como você?

E como é a gente como eu?

Gente que não pertence a este lugar e

a quem nada deste lugar lhe pertence.

Jesuíta de meia-tigela.

Distribuidor, uma ova.

-Muito obrigada. -Guarde.

É isso aí, idiota!

Senhor, me dá uma moedinha, moro com três crianças.

Ui, senhora, eu moro com dez.

Obrigada.

Como não está pronto?

Me deixe explicar.

Conversei com meus sócios,

e apesar de gostarmos muito do trabalho que vem fazendo,

decidimos que a obra dele precisa amadurecer muito mais

antes de mostrarmos.

Especialmente para o público que nos frequenta.

Seus sócios já viram o trabalho do meu filho?

Claro, pintura por pintura, e todo o seu currículo.

Aliás, queria falar disso com vocês.

-Vejo aqui que não estudou arte. -E daí? Quero dizer,

ele não precisa disso, é óbvio, não?

A habilidade precisa ser desenvolvida ao máximo.

-Um pouco de educação... -Não!

Quer saber de uma coisa? Nós,

obrigado, mas não precisamos dos conselhos de ninguém.

Muito menos de alguém que se aproveita do talento dos outros, ok?

René, mostre a porta a este senhor.

-Me desculpe pelo meu pai. -Não se preocupe.

Posso te perguntar onde recomendaria que eu estudasse?

Quando viu alguém pedindo 50 brownies?

Sempre podemos comer o que sobrar.

Só por isso me ajuda, né?

Onde está o Francisco?

Lá fora.

Seu filho não está pronto!

Minha galeria de arte, meus sócios, a puta que pariu.

Filho.

O que foi, pai? O que quer agora?

Pega isso.

Obrigado, mas acho que é ilegal você e eu nos casarmos.

Não seja sarcástico comigo, imbecil.

Tem 45 anos, já não tem idade para estar brincando.

Então é isso que te preocupa? Que a Alma e eu não sejamos casados?

Não parou para pensar

que talvez assim estejamos muito felizes?

Não?

Sabe por que gosto tanto de plantas?

Porque não cedem.

Você pode tentar moldar, cortar, fazer o que quiser,

mas no fim,

só precisa deixá-las crescer,

e elas se desenvolvem como puderem e quiserem.

Filho,

esse é de longe

o discurso mais homossexual que já escutei na minha vida.

-Francisco... -Pai, me deixa ir, OK?

Vou ao supermercado. Querem alguma coisa?

Te vi! Vi os dois entrando em um hotel.

Do que está falando?

Da sua querida namorada,

que passou a tarde inteira em um hotel com um homem.

Não, como me enganei.

Pensei: olha que boa vontade dessa moça

para ficar bem com um homem que nem é seu sogro de verdade.

Aqui está seu café,

aqui está seu jornal quando quiser.

Mas que sem-vergonha me saiu, não?

A cama fervendo ao meio-dia...

Alma, Alma, vem cá.

Alma, coração, me espera. Vamos conversar, por favor, Alma.

O francês não estava, então levo amanhã.

Tudo bem, então guarda, não?

OK.

Ah, e os alemães cancelaram a festa dos brownies.

O quê?

Não querem mais brownies.

Como?

Ei, vem aqui.

Se sente bem?

-Sim, é que o sol está super forte. -Não, não, é sério.

Gata, pior que a morte...

Ai, chega, não comece com isso outra vez.

-Bebe água. -Sim.

O que vamos fazer com isso?

Mais sobras.

O que tem aí?

É minha oficina.

Sua oficina? De quê?

De aviõezinhos.

Pai!

Vem aqui, por favor.

Bill é o concierge do hotel onde me viu.

Conte a ele o que me viu fazer hoje.

Entrou e esperou comigo na recepção até seu amigo descer.

A pessoa com quem me viu se chama Peter.

Ele é um amigo meu que trabalha para a revista Condé Nast.

Desde que se mudou para Nova York

não tinha vindo aqui e me pediu que eu fizesse um tour pelas novidades.

O que eu te contei que vinha.

Satisfeito?

Não tem que dar atenção a esse senhor!

Picasso pintou o Picador quando tinha oito anos.

Não tem porquê estudar, René, chega.

Pai, Picasso estudou na Faculdade de Belas Artes de Barcelona.

E a Alma?

Não se sente bem.

Vamos ver se você se desculpa, hein?

René, me passe a carne.

Não, não! Não tem carne para você hoje.

Não sei se você se deu conta?

Mas os únicos que comem carne aqui são Orlando, Ed e Bill.

E eles compram a deles.

Sabe quem andou comprando a que você come?

A Alma!

Se quiser, Sr. Servando, divido com o senhor.

Não, espere um pouco. Peça direito.

Entendi por que não me contou que estava vivo.

-O que aconteceu? -Não sei.

Venham!

Não importa se é um show Ou uma audição

Sempre fico contente Em um festão

As minas vêm falar comigo Quando vou a um show

Sou um cara descolado E o rock and roll me pega

Ai, pobres dos velhos Eles não podem entender...

O que está acontecendo?

O vovô está chapado, pai.

Isso não vai acabar nada bem.

Sinto que meu corpo se arrepia E minhas pernas começam a tremer

Sou um cara descolado E o rock and roll me pega

Ai! Pobres mauricinhos.

-Quem é? -Sua mãe. Senhora,

seu filho está fumando maconha com a gente.

Sou um cara descolado E o rock and roll me pega

Ai, que foda.

Ai, bosta.

O que você me deu, imbecil?

Vai ver a merda dos seus aviõezinhos.

Caralho.

Essa não!

Carla, Carla!

-Homero! -Essa não, essa não!

Homero!

Alma!

Quem está aí dentro? Não!

-Sr. Servando! -Alma!

-Diga que tem alguém aí. -Alma!

Fran, um incêndio! Vem!

O que foi, o que foi?

Sr. Servando!

Seu pai!

Já vou, já vou.

Pai, pai, pai!

Esperem!

Esperem!

Se alguém tem algo a dizer, não vou me ofender, OK?

FRAUDE MILIONÁRIA NA INVERSMART

Só vou dizer uma vez mais:

enquanto viver nesta casa,

as coisas serão feitas como se deve e há regras.

E a mais importante é que aqui respeitamos os demais.

Você tem uma plantação na sua casa. Você acha normal?

Não sabe do que está falando.

Está advertido.

Leva as minhas coisas, amanhã vou embora.

Ah, sim? E vai com quem?

Não é da sua conta.

Meus irmãos te disseram que não tinham espaço.

Mas quer saber? Todos têm espaço,

o que não temos é paciência.

O que está fazendo?

Vô, não te vi.

Estou vendo se algo me serve de pigmento.

Pigmento?

Para quê?

Você fez tudo isso?

E quem te ensinou a pintar assim?

Ninguém.

Na verdade,

estava pensando

em ir estudar em Londres.

Mas meu pai diz que não,

que só vão me moldar para ser algo que não sou.

Esse sou eu?

E por que está todo riscado?

Rembrandt dizia que os retratos são as pinturas mais delicadas,

que é muito importante dar uma impressão fiel da pessoa,

porque pode ser a última coisa que lembramos delas.

Ainda é um esboço,

acho que ainda não encontrei a sua expressão certa.

Vô, você está bem?

Sim, sim.

Eu acho que deveria tentar ir para essa escola.

E se der outro analgésico para ele?

Já não fazem efeito.

Mas, se não melhorar, vamos ao médico.

Sim.

E então? Você não ia embora?

O que aconteceu com elas?

Quer ver?

É câncer. De pâncreas. Está lembrado?

O que você incendiou, ele prefere cultivar aqui

em vez de comprar das pessoas que normalmente vendem.

Calma, calma.

É a única coisa capaz de fazê-lo suportar a dor.

CASA DE PENHORES

Quanto me dá?

Como dizia, essa lapidação é muito antiquada,

agora já esse relógio...

Você não sabe como mudaram as coisas por aqui, não sabe...

Estamos fechados, tem café grátis na biblioteca,

é lá que se reúnem todos os velhos que não têm nada para fazer.

Espera!

Me deixa te dizer uma coisa.

-Quando chegar à minha idade... -Ai, por favor!

Quando chegar à minha idade,

vai saber que difícil que é...

Que difícil é o quê?

Não sabe o que é sentir que já não é indispensável para ninguém.

Às vezes,

a única maneira de não ser um velho que não serve para nada

é se tornar uma dor...

Ia te dizer uma dor no saco, mas não entenderia a referência.

Venha, quero te apresentar a alguém.

Sr. Servando, Peter é um de meus mais antigos amigos.

Peter, este é o meu sogro.

Muito prazer.

Ele pensava que estávamos transando.

Não, não, a Alma não é meu tipo.

Muito alta?

-Muito linda? -Muito mulher.

Sr. Servando, quer um café?

Não, tenho coisas para fazer.

Chega para lá.

Fui falar com a senhora a quem vi você vender.

Qual?

Quando te segui, eu a vi.

Minha senhora tinha o mesmo que você.

Eu não sabia que...

Bem,

se te ajuda.

Mas o que lhe deu em troca?

Bem,

você sabe.

Não!

Pode levantar um pouquinho a cara, vô?

Um pouquinho mais.

E um pouquinho para a sua direita.

Não tanto.

Um sorrisinho.

Um pouquinho mais.

Isso, perfeito, obrigado.

Muito bem, boa postura.

Inalando, exalando.

Não, espera, espera, eu faço.

-Inalando. -Eu faço.

Exalando

-Melhor? -Sim.

Inalando,

exalando,

inalando.

Sr. Servando,

o Homero me contou o que fez. Obrigada.

-Na verdade não sabe... -Sim, sim.

Ah, esses idiotas.

Gostaria de experimentar tofu?

Que gostoso!

Foi um prazer fazer negócio com você.

Então, tofu é bom?

Não.

Que mudança o seu pai, hein?

Vamos ver amanhã.

Filho da puta!

Filho da puta!

Bom dia, pai.

Por que ninguém me disse que eu fico melhor sem bigode?

Pareço ter 79, caramba!

Mas para por aí, hein?

Já estamos quites.

Escuta, senhor, posso perguntar uma coisa?

Para o senhor, que já está bem velho,

o que fazemos aqui?

Estamos nos intoxicando, uns mais que outros.

Não. Bem, sim.

Mas quero dizer, qual é nosso propósito nessa Terra?

Não sei. Também não pense que a idade te dá certas respostas.

Posso te perguntar uma coisa?

Por que está sempre tão contente?

Por que não estaria?

Posso ser franco?

Esse é o seu nome?

Não, sério. Não parece ter muitas razões para ser feliz, não?

Senhor,

tenho minhas pernas, meus braços.

Tenho minha irmãzinha que me adora

e cuida de mim, a quem eu tanto amo.

Tenho esta família linda, que eu também amo e que me quer.

O fato de eu ter pouco tempo só me faz dar mais valor.

Além do mais tenho isto, que me alivia para caralho.

Ah, ia tão bem, homem.

Que lindo jardim.

O devem à minha esposa.

Mirtala.

Assim se chamava a mãe do Francisco. Sabia?

Foi dela que meu filho herdou seu amor pelas plantas.

Ela adorava jardinagem.

Cuidava de tudo, não deixava uma pétala fora do lugar.

E depois deitava na grama por horas.

Às vezes, a única coisa que me faz levantar é...

saber que vou pensar nela

e que existe a possibilidade

de que, ao dormir,

poderei sonhar com ela, revivê-la.

Ela não durou muito tempo doente.

Um dia foi dormir na hora da sesta e...

Com você pode acontecer igual. Você sabe, não é?

Pior que a morte, é o medo de morrer.

E pior que o medo de morrer, é o medo de viver.

Quem disse isso?

Não sei, acho que li na Internet, era um meme ou algo assim.

Tem algo que gostaria de fazer com o tempo que te resta?

Não. E o senhor?

Adoraria nadar pelado.

Pois a hora é agora.

Não, não, não, não, não.

O quê? Não vai mais?

Não pense que vou pegar pneumonia por sua culpa.

Eu tenho toda uma vida pela frente.

Insônia?

Me assustou.

Quer?

Filho,

por que me escondeu tanto tempo da sua família?

Porque você se afastou.

Eu tentei me aproximar muitas vezes,

mas cansei.

Não entendo, teve tudo o que precisava.

Você acha que tive tudo?

Faltou a sua mãe, mas...

Não, não estou falando da minha mãe.

Então o que te faltou?

Isso.

Isso.

Fico muito feliz que esteja aqui, pai.

Quer uma carona até o restaurante, Sr. Servando?

Sim.

Espero lá fora.

Escuta, você sabe o que o Fran quer?

Por que convocou todo mundo?

Não, não faço ideia.

Escuta, esse fim de semana meu pai faz aniversário.

Estou pensando em ir a Morelia.

Boa. Boa, vamos.

Na verdade estive pensando...

que quero ir sozinho.

Mas me disse que já havia contado para eles.

Sim, sim... Já sei que te disse isso.

Qual é o problema das pessoas desta casa

de contar a verdade aos seus pais?

Como pode ter vergonha de alguém

e ao mesmo tempo dizer que o ama?

Vai para Morelia.

Porcaria de jogo, só ficar jogando dados.

Mentira!

Me traz um tabuleiro de xadrez e vamos ver quem ganha.

Daqui a pouco, preciso voltar para o balcão.

Escuta, lembra do que me disse outro dia?

Sim, quando me disse que eu não pertencia a este lugar.

Te faz sentir bem, não?

O quê?

Quando encontra gente que te faz sentir como se estivesse em casa.

-E aí? -E aí?

-O Fran já está aqui? -O Fran?

Sim, nos escreveu para que viéssemos.

Não chegou, mas querem um cafezinho?

Bom.

O de sempre, né?

Olha, vô.

ESCOLA REAL DE BELAS ARTES

E o seu pai?

Ainda não contei para ele.

-E esse quem é? -Como vai?

Me chamo Greg.

É para apoio moral.

Já estão todos aqui?

Venham, por favor. Venham, venham.

-O que é? -Uma surpresa!

Uma grande surpresa. E o René? Filho.

-Oi, pai. -Vem, vem, vem.

-Escuta, é que... -Depressa, depressa, vamos.

Pai.

E você, o que faz aqui?

Eu só vim tomar um café, só estou cumprimentando.

Você também vai gostar muito da minha surpresa. Anda.

O que você fez, hein?

Você vai adorar. Vem, vem.

Gina, você vem?

Sim, sim, já me encontro com vocês.

ALUGA-SE

Que tal? Entrem, entrem! Recém alugado.

Incrível, não?

Fran, o que é isso? Te disse que não queria expandir.

Não é para o restaurante, amor.

E então?

Venham todos, por favor.

Bem-vindos à nova galeria de arte de San Miguel de Allende, Guanajuato,

dedicada exclusivamente à obra de um dos melhores artistas de sua geração,

René Villegas.

Fran, vamos conversar lá fora.

-O que achou, sr. especialista, hein? -Pai.

Falei que se arrependeriam de tê-lo deixado ir.

Eu preciso falar com você.

Filho, você tem muito talento

e eu vou me encarregar de que

todo mundo fique sabendo.

Somos uma equipe você e eu.

Você e eu, hein!

Parabéns!

O que foi?

Mostre para ele, filho.

Vou fazer uma entrevista na semana que vem.

É na Cidade do México.

Está pouco se lixando para o que falamos?

Fran.

-Não é isso. -Foi você, não é?

-Estou falando com você, cara! -Pai.

Eu falei da escola para ele,

é verdade. Sim, fiz isso.

-Cai fora, imbecil! -Pai!

Chega, Fran!

Me pediu conselho e eu dei.

Calma, filho, eu também disse que era uma boa ideia.

É a Carla.

Vamos dar uma volta.

Falei com o René ontem à noite.

Me disse que mesmo que eu não o deixe ir,

ele vai à entrevista de qualquer jeito.

Eu disse, bem, e de onde tirou o dinheiro?

-Francisco... -Não, só me diz: sim ou não.

Sim.

E de onde você tirou?

Falei com o diretor da casa de repouso,

vão te deixar voltar, mas tem que pedir desculpa.

Meus irmãos e eu vamos pagar.

-Francisco! -Não, pai, já chega.

Te deixei entrar na minha vida e a única coisa que fez o tempo todo...

foi pisoteá-la.

Filho, não tome decisões bravo desse jeito.

Ai, está brincando. Olha só quem fala.

RODOVIÁRIA

E o velório?

É só para a família.

Aonde você foi?

Fui deixar meu pai na rodoviária.

Chega, por favor, não quero falar disso.

É seu pai, você decide.

E o lugar?

O que tem?

Bem, dissemos que no momento não era boa ideia uma despesa a mais.

Não, você disse que não era boa ideia,

por isso usei meu próprio dinheiro, ok?

Pensei que compartilhávamos tudo.

Alma, não tem nada a ver com você,

aluguei para o meu filho. Por favor não se meta!

-Não, não, você tem razão. -Alma.

É seu filho, você decide.

Não vai ficar?

É o único ônibus para Morelia.

Vou agora ou não vou.

É aniversário do meu pai.

E o senhor?

Tenho um assunto urgente.

Vai contar para eles?

Veado maldito!

O que disse?

Ah, agora sim você é bem espertinho, não?

Olha, senhor, se não tivesse 90 anos, agora mesmo lhe quebrava a cara.

E se eu não tivesse quebrava a sua por ser veado.

Não por ser homossexual, por ser veado.

Tem a oportunidade de estar com as pessoas que quer

e vai jogar no lixo.

E que importância tem isso para o senhor?

Olha aqui,

eu já não sei merda de nada,

não entendo essa bosta de mundo,

mas as coisas são feitas como se devem ser.

Quem vai terminar sozinho

é você.

Como o senhor, não?

Exatamente. Como eu.

Ei.

Vamos.

Ei.

Não sei onde colocar.

Que música estavam cantando naquele dia?

Quando?

Um dia que eu entrei aqui...

e o Homero estava aí sentado.

E vocês estavam tocando uma música.

Já a terminaram?

Quero parar o tempo

Me perder nesse instante

Pausar minha respiração

Se entrelaçam os olhares

Começam a girar

As horas que o coração extraviou

Não precisa explicação

Ninguém tinha razão

Sentimentos me invadem

Volta aquela dor

Impossível se esquivar da confusão

Abracemos o momento

É a chance de amar de novo

Perdoar e recomeçar

Quero me desculpar com todos vocês.

Especialmente com aqueles que agredi diretamente.

E, bem, é isso. Aí está.

Obrigado, Sr. Servando.

Uma salva de palmas?

É sério isso?

Você pensou que era piada?

Vai direto para Londres ou faz escala em Nova York, ou o quê?

-Vou para a Cidade do México. -Cidade do México.

Cidade do México, sim.

E não se preocupa, hein. Não tem que pagar nada, é uma bolsa.

Você vai em uma semana, enquanto isso onde pensa ficar?

Com a minha mãe.

Ah, e onde ela está?

Tenho o telefone dela.

-Ah, é? -Sim.

E onde ela mora?

Se ela nem te respondeu, não banque o metido.

Olha,

se só apoia alguém para que façam o que você quiser, isso não é apoio.

Isso é ser um déspota.

Déspota?

Déspota.

Olha, filho, eu...

Quando você veio e me disse que queria

se dedicar à pintura, que queria parar de estudar,

o que foi que eu fiz?

Me diga, o que eu fiz? Vamos ver: montei seu estúdio,

comprei seus materiais,

até a galeria nova.

Te dei toda a liberdade, René. Toda!

Bom, muito obrigado, te agradeço muito.

Bom, cara,

se já não vai usar mais nada, se está se lixando para tudo isso,

por que não foder com tudo de uma vez!

Tá bom?

É sério, cara?

Por que não vai à merda?

Por que não diz para a sua mãe que te compre todo este material?

Vai à merda.

Alô? Como vai, mãe?

Acho que você também, e com razão de sobra,

vai me mandar à merda se te peço desculpas.

Mas, bem, me desculpe, Fernando.

Federico, senhor, e aceito suas desculpas.

E tem mais, toca aqui.

OK, então alguém tem alguma coisa?

Eu tenho um problema.

Meu problema é ter expulsado o Sr. Servando sem nos perguntar,

porque aqui não se expulsa ninguém sem que todos concordemos.

Acho que já ficou bem claro que não é dono desta casa.

Fran.

Se eu convido alguém para vir à sua casa,

posso pedir que vá embora.

Alma.

Ele não estava prejudicando ninguém.

Custou um pouco para se adaptar, mas já estava muito melhor.

O que você quer é me irritar, não é?

Não me parece justo você expulsar alguém sem perguntar,

-simples assim. -Merda!

Não, Fran, se você tem um problema, quem tem que resolver é você.

Deveria ter me visto com o René.

Baixinho, podemos conversar?

Fran, o René está lá fora.

-Onde? -Na entrada.

Não pense que vai ser tão fácil assim, hein?

Ok.

Memo, eles são meus pais,

vão ficar com a gente hoje.

Mãe, pai...

esse é o Memo.

-Muito prazer. -Muito prazer.

-Encantado. -Oi.

Juro que eu ia mesmo.

Acredito em você.

A Alma vai à Cidade do México semana que vem. Por que não vai com ela?

Passaste do meu lado

Com grande indiferença

Seus olhos sequer

Se voltaram para mim

Te vi sem que me visse

Falei sem que me escutasse

E toda a minha amargura

Se afogou dentro de mim

Me dói até a alma

Saber que me esqueceu

Pensar que nem desprezo

Mereço eu de ti

E no entanto continuas

Unida à minha existência

E se eu viver cem anos

Cem anos pensarei em ti

O que está fazendo aqui?

Vim te trazer uma coisa.

Está do caralho, não é?

Ele veio com você?

Não, foi com a Alma para a Cidade do México.

Desculpe por ser tão filho da puta.

É de família.

Antes que eu me esqueça.

O quê? Começaram sem a gente?

-Não, jamais. -Oi.

Bem-vindo, Sr. Servando.

Vô, a sua cadeira.

Não, não, filho,

vou me sentar aqui.

OK.

Lamento muito a sua perda.

Obrigada, Sr. Servando.

Vô, gostou do quadro que eu fiz de você?

Adorei.

Sr. Servando,

temos uma grande notícia para o senhor.

Não estar de acordo com o que alguém tem na cabeça, não significa

que não possa entender o que leva no coração.

No fim é realmente aí que moram as pessoas:

no coração.

No entanto é incrível como

a vida pode passar e não estarmos realmente

vivendo, estar no presente.

Às vezes, se tiver muita sorte,

chega alguém especial

e você pode realmente começar a viver,

pode começar de novo.

-Saúde, Bill e Memo! -Saúde!

-Saúde! -Parabéns!

Que todos os momentos que passem juntos sejam cheios de vida.

Filho, me enganei.

Este, sim, é o discurso

mais homossexual que escutei na minha vida,

de longe.

Papi.

Subpack e sincronia by DanDee

Quero parar o tempo

Me perder nesse instante

Pausar minha respiração

Se entrelaçam os olhares

Começam a girar

As horas que o coração extraviou

Não precisa explicação

Ninguém tinha razão

Sentimentos me invadem

Volta aquela dor

Impossível se esquivar da confusão

Abracemos o momento

É a chance de amar de novo

Perdoar e recomeçar

Quero parar o medo

Voltar a tentar

Deixar que a alma encontre solução

Me entregar por completo

Que volte a confiar

Se continuo aqui é por seu amor

Se é preciso outra explicação

Tornarei a pedir perdão

Perdão

Sentimentos me invadem

Volta aquela dor

Impossível se esquivar da confusão

Abracemos o momento

É a chance de amar de novo

Perdoar e recomeçar

Sentimentos me invadem

Amar de novo

É a chance de amar de novo

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