All language subtitles for 1957 - The Prince And The Showgirl (Laurence Olivier - Marilyn Monroe)

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Original subtitles

LONDRES, QUARTA-FEIRA, 21 DE JUNHO DE 1911

"As chegadas de hoje para a coroação do Rei Jorge V e da Rainha Maria...

incluem o regente dos Cárpatos, Sua Alteza o Grão-duque Carlos.

Será acompanhado pelo atual rei, o filho e a Rainha-Viúva.

Ficarão instalados na Embaixada dos Cárpatos...

em Belgrave Square, sudoeste. "

Meu Deus!

Quer dizer que não sabe nada sobre os Cárpatos?

Para começar, nem sequer sei onde fica.

Quanto tempo nos Negócios Estrangeiros?

15 anos. Mas estou no Departamento do Extremo Oriente.

Isso não é desculpa.

Que pensaria se eu Ihe dissesse que não sabia nada sobre o Sião?

Não me importaria muito.

- Essa observação não o beneficiará. - Tira-me deste trabalho?

De forma nenhuma.

O seu antecessor teve um acidente e você substitui-o na sela.

Acompanhará o séquito do Grão-duque Carlos dos Cárpatos.

Fiz grandes planos para a coroação. E não sei uma palavra de cárpato.

Não se preocupe. Eles têm enorme orgulho do seu inglês.

Venha cá, Northbrook.

Os Cárpatos.

Uma população germano-eslava de 11 milhões e meio.

Tem os caminhos-de-ferro mais eficientes dos Balcãs...

e o quarto maior exército da Europa.

Tão delicadamente equilibrado está o poder neste momento...

que a secessão disto disto...

e daquilo...

tornaria o agressor suficientemente forte para iniciar a sua guerra.

Presumo que até no Departamento do Extremo Oriente tenham ideia...

de quem poderia ser o agressor.

O Kaiser Bill.

Precisamente. O Kaiser Bill.

Já devem ter deixado a estação. Siga para a embaixada deles.

Sim! Ei-los.

Ali está, Northbrook. Eis a sua futura incumbência.

Quem é o rapaz?

O rei, claro. O filho do regente. Não sabe nada?

Infelizmente, o rapaz é pró-alemão. Um primo do Kaiser.

Daqui a 18 meses, quando for investido, teremos de estar atentos a sarilhos.

Ao lado dele vem a Rainha-Viúva.

A avó do rapaz, sogra do regente.

Uma senhora formidável.

E lá vem o regente.

Um excêntrico, Northbrook, decididamente excêntrico.

A propósito, Alteza Grã-Ducal, não Serena.

E deve ser todo formalidades, recuar, esse tipo de coisa...

nisso ele é muito sensível.

É um indivíduo muito sensível...

mas extremamente vital.

Não deve ser ofendido, por uma insignificância ou um título.

Você foi escolhido pelo Destino e por mim para chegar a esse resultado feliz.

Esta noite entretenha-o. Leve-o à ópera, o que ele quiser.

À ópera? Credo.

Northbrook, eu disse o que ele quiser.

MAISIE SPRINGFIELD EM A RAPARIGA DO COCO

PARA O PALCO

- Quem é? - Menina Marina, vai chegar tarde.

- O quê? - Vão receber o séquito real.

A Menina Springfield está a alinhar os actores.

- A tira do ombro rebentou! - Esteja quieta.

- Que séquito? - Os cárpatos do camarote real.

Meu Deus!

Vai correr tudo bem, querida, mas despache-se.

Depressa, alinhem-se. Ele vem aí.

Depressa!

Silêncio! Alinhem-se. Ele vem aí.

- Quem falta? - A Elsie Marina.

Aquela rapariga nunca consegue chegar a tempo?

Coristas, em grupos. Querem vê-los, não ouvi-los.

E actores principais...

só devem falar se directamente abordados.

Se tiverem esse privilégio, devem tratar o regente...

por Vossa Alteza Grã-Ducal.

Apresento a Menina Maisie Springfield.

Conheço a Menina Springfield. Somos velhos amigos.

Vossa Alteza Grã-Ducal.

A rapariga do coco é uma personagem encantadora.

Apraz-me que o diga.

É uma personagem mais profunda que a maioria na comédia musical.

Sim, de facto.

Estava ansiosa por encontrar um papel que oferecesse um desafio emocional.

E deveras encantador.

Já receava que tivéssemos perdido a pessoa alegre que conheci em Paris.

- É muito simpático em recordar-se. - Será um prazer...

- E este, creio, é o nosso herói. - É uma honra conhecer Vossa...

Alteza Grã-Ducal.

Suponho que Lorde Percy conseguirá livrar-se do seu impasse.

Sim, senhor, como verá, espero.

- Como está? - O Sr. Tim Thorne LeStrange.

- Que faço? - Pega na mão e faz uma reverência.

- Ele é algum rei? - Regente.

- Que é isso? - O substituto do rei. Sempre activo.

Regente.

- Como está? - Boa noite.

A Menina Betty Boot.

Que prazer. Um encanto. A música era tão bonita, não achou?

Achei, sim. Sim, senhor.

É uma boa peça. É mais profunda, creio eu.

- Sim, senhor. Bastante. - Uns disfarces encantadores.

- O Sr. Dan Lipino. - Muito divertido.

A Menina Maggie Cooper.

Muito agradável. Uma história tão forte e original, não acha?

Sim, senhor. Todos a adoramos.

Oferece um desafio emocional, não?

Sim, senhor. Mesmo.

- Digo alguma coisa? - Basta "Como está?"

- E se ele falar comigo? - Respondes. Alinha-te.

O Sr. Arthur Lucas. A Menina Fanny Trehan.

- Como está? - A Menina Elsie Marina.

E a amiguinha americana da nossa heroína.

- Como está? - Como está, Vosso Regente?

- Suponho que possa ser reparado? - Sim. Basta um alfinete.

Um alfinete. Ninguém tem um? Será um prazer ajudá-la.

- Não, Vosso Regente. - Que encanto. Tão encantadora!

Boa noite. Talvez seja melhor não tentar de novo a Providência.

Boa noite, minhas senhoras e...

Boa noite.

Estou muito satisfeito. Realmente satisfeito.

Tantas portas. Como um público com o imperador japonês.

Infelizmente, espera-me o secretário dos Negócios Estrangeiros.

É pena não poder ficar e ver a encantadora cena do casamento.

Talvez Vossa Alteza Serena possa voltar.

Não é Sereno! Não é sereno desde que se tornou regente.

Pronto, já se foi embora. Ao trabalho!

Lamento muito chegar tarde.

Isso posso perdoar.

Mas não o embaraço que causou a todos, diante do meu amigo regente.

- Podia acontecer a qualquer um. - Podia acontecer a qualquer um.

É o que torna engraçado parecer que Ihe acontece sempre a si.

Que achou dele? Não acha que é um sonho?

- "Um sonho", diz ela. - Ela lá sabe.

Se são esses os seus desejos, serão realizados.

Por favor, Sr. Northbrook.

NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

Entre.

Menina Marina, uma carta.

Meu Deus, está encantadora!

Vá-se embora.

Boa noite, senhor.

Menina Marina.

Menina Marina.

Else?

- Tenho rouge a mais? - Aonde vais?

- Ao Romano's. - Está bem para as sombras rosa.

- Salas privadas? - Claro que não.

- Vá lá, Betty. - Quem são eles?

Não sabemos os nomes, querida.

Não se atrasem.

- Eles são da Guarda Nacional. - Vá lá.

- Temos de voltar às sete da manhã. - Às sete?

- Mas a procissão só começa às 9:30. - É o que diz nos jornais.

- Que é isso? - O homem dos adereços deu-ma.

Eu faço com que ela chegue a tempo.

Não perdia a coroação, nem por todos os guardas.

Meu Deus! Está linda.

Boa noite. Não espere por nós.

Obrigada, querida. Boa noite. Adeus, Else.

- Que é isso? - Vem cá.

Ouve.

"Sua Alteza Grã-Ducal...

o Grão-duque Carlos, Príncipe Regente dos Cárpatos...

pede a companhia da Menina Elsie Marina no jantar desta noite...

21 de Junho de 1911 à meia-noite...

na Embaixada dos Cárpatos...

em Belgrave Square, 46." Será uma brincadeira?

"O ilustre Peter Northbrook estará no teatro às 11: 15...

para acompanhar a Menina Marina à embaixada. "

Entraste, querida.

Meu Deus! Não tenho nada para vestir!

Por favor, senhoras, por favor. Não há muito tempo.

- Isto não serve. - Este é melhor. A sério.

Quem mais vai à festa além de Sua Majestade?

- Sua Majestade? - Sim, aquele Grão-duque.

Meu Deus, assustou-me!

Menina Marina, antes de voltar a encontrar-se com o regente...

deveria aprender a forma correcta de cumprimentar.

Senão, podem haver alguns petits moments d'embarras.

Odeio isso.

O seu anfitrião pode ser tratado por Vossa Alteza Grã-Ducal ou senhor.

Como príncipe da Hungria antes de casar com a rainha dos Cárpatos...

suponho que tem direito a ser tratado por Imperial e Real.

Naquela altura, a pedido dele...

continuaram a chamar-Ihe Alteza Serena até tornar-se regente.

Não sei do que está a falar.

É importante que saiba.

Nem sei quem é o senhor e muito menos quem ele é.

Sou o camareiro de Sua Alteza Grã-Ducal e o chefe interino...

do Departamento do Extremo Oriente nos Negócios Estrangeiros.

Chefe interino do Departamento do Extremo Oriente. Imagina!

Continuo sem saber nada.

Real e Imperial. Um não basta?

Isto vem do sagrado Império Romano.

O Grão-duque é sobrinho do Imperador Franz Josef da Áustria.

Nada de piadas sobre a Áustria.

Espero que não hajam piadas sobre nada.

Nestes tempos conturbados, a mínima observação pode ter más repercussões.

Já imagino os anais da História: A Guerra do Comentário da Elsie.

Como está o bem-sabes?

O bem-sabes está óptimo. Já pode sair.

- Então? - Muito bonita.

É tudo o que Ihe ocorre?

Muito bonita, de facto.

Menina Marina, há outro pormenor.

Na conversa com a realeza fale apenas se for abordada.

- O quê? - Espera pela deixa, antes de falares.

Boa noite, Sr. Northbrook. Boa noite. Não fico acordada.

Ele não me confundiu mesmo com a Maisie Springfield?

É um grande amigo, segundo ela nos diz.

Tenho a certeza que sim.

Por que eu? Só tenho uma parte no segundo acto.

Foi a parte de que ele gostou.

Mas por que eu? Por que me quererá a mim?

Uma pergunta difícil.

Não te esqueças de amanhã! Temos de sair daqui às 6:20.

Não te atrases muito. Boa noite.

Porta-te bem.

Meu Deus!

É a primeira vez que vejo uma embaixada.

Não acredito.

Há nove embaixadas em Londres, neste momento.

Mas é a primeira vez que estou...

dentro de uma.

Meu Deus!

Isto é mesmo fantástico.

Fantástico.

Esta entrada e tudo.

Pessoalmente, acho a decoração um pouco vulgar.

Só me ocorre dizer: "Dêem-me vulgaridade!"

Não era preciso tanta pressa. Somos os primeiros.

- Por aqui, Menina Marina. - Lá em cima?

Qual é a ideia de fazer uma festa lá em cima?

Bom, é uma festa informal.

Mas terão um trabalhão a trazer a comida da cozinha!

Acho que vai ser um jantar frio, Menina Marina.

Terão de o trazer na mesma. A mulher dele vai cá estar?

Não. A falecida Rainha faleceu, como é costume dizer, há 10 anos.

- Se conhecer a Rainha-Viúva... - Outra?

Pode tratá-la por Vossa Majestade ou senhora.

- O jovem rei, filho do regente... - Oh, não.

É improvável que o conheça. Trate-o por Vossa Majestade ou senhor.

Estou a tremer. Isto é pior do que uma estreia!

Continuamos a ser os primeiros, não é?

Ena! Isto também não está mal, pois não?

- A sala de jantar é ali? - Não.

- Então é ali? - Não.

- Ali, então? - Não.

Onde fica?

Já agora, onde está Sua Regência?

Sua Alteza Grã-Ducal.

Está bem, mas onde está ele?

Foi chamado para uma reunião importante.

Dois lugares!

Não diante deles.

Eu sei, mas dois lugares?

Controle-se! Não precisa de entrar em pânico.

É uma armadilha, não é? Jantar para dois! Você sabia!

Fiquei com uma ideia quando recebi as instruções do Grão-duque...

Há uma palavra para o que você é...

e não é chefe interino do Departamento do Extremo Oriente.

Não tome decisões precipitadas.

Não tenho de as tomar. Vou-me embora já!

Por que entra em pânico perante um inofensivo jantar tête-à-tête?

Eu conheço os jantares inofensivos. Tive de lutar para me livrar deles.

"Champanhe?" e " espero que goste do caviar. E a seguir, algo frio...

porque não queremos aqui os criados.

É mais divertido servirmo-nos, não acha?"

E depois do jantar: "Deve estar cansada.

Por que não põe os pés neste sofá?"

Não! Conheço todos os passos.

Está a confundir isto com uma sala privada do Romano's.

Qual é a diferença, além de ter de correr mais para a porta?

E um duque pode correr tão rápido como outro homem.

Por favor, Menina Marina. Pas devant.

Não me venha com o pas devant. Invente uma desculpa.

A minha tia adoeceu.

Lamento muito. Adeus!

Por favor, Menina Marina.

Quer arranjar-me sarilhos e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros?

Já que pergunta, quero.

Não queira insultar o Grão-duque. Jante com ele.

É um grande conversador.

Depois do jantar, basta que diga: "Foi encantador, agora tenho de ir. "

Uma bela deixa de saída.

Mas consegue garantir a saída? É um Grão-duque dos Balcãs!

- Educado em Inglaterra. - Exactamente.

Não. Ouça, por favor.

Menina Marina, por favor.

E se eu Ihe garantir a saída, como Ihe chama?

E se depois do jantar eu entrar com uma mensagem de um hospital...

para onde a sua tia foi levada após um acidente?

Não sei. Não, acho que não.

Obrigada!

Como está? Foi uma simpatia aparecer em cima da hora!

- Não faz mal, Vossa Regência. - Grã-Ducal!

Não faz mal, Vosso Grã-Ducal.

Alteza. Alteza Grã-Ducal.

Quero lá saber...

Peço desculpas pelo atraso.

A multidão está a juntar-se e o meu carro ficou retido.

- Não faz mal. - Northbrook, deve querer descansar.

- Temos um longo dia pela frente. - De facto.

A carruagem parte para o Palácio de Buckingham às 9:00. Esteja cá às 8:20.

Está muito bem, senhor. Boa noite, Vossa Alteza Grã-Ducal.

Surpreendeu-a receber o meu convite?

Surpreendeu-me tanto que não julguei que se referia a mim.

Claro que me referia a si.

Assinalei cuidadosamente o seu nome no meu programa.

Em casos desta natureza sou muito metódico.

A quem pensou que me referia?

Bom, à Maisie Springfield?

Não! Maisie Springfield. Ela é aquilo a que chamaria um velho chapéu.

E que me chama a mim? Chapéu novo?

Excelente, Menina... Menina...

Não tem o seu programa à mão.

- Excelente! Muito divertida. - Chamo-me Elsie Marina.

Claro, que estupidez.

É o meu nome artístico, Elsie Marina. O meu pai foi um Marine.

Chamo-me Elsie Stolzenburg.

A sério?

Resolvi mudá-lo quando decidi ficar em Inglaterra.

A companhia dos Estados Unidos com quem vim para cá...

- ficou encalhada em York. - No Strand, a sério?

Vamos todos até ao Strand Comer uma banana

Que divertido! Espero que goste de caviar.

Gosto.

Pedi um jantar frio para nos servirmos. É muito mais divertido.

Pois, muito mais divertido.

- Que lindo vestido. - É já muito velho.

Gosta de vodka?

Nunca experimentei. Acho que não...

Mas tem de provar. É muito especial.

Saúde.

Não, não. Não é para beberricar.

Ficará, como dizem, meio embriagada.

Assim, e já não terá nenhum efeito perigoso.

Não mais, por favor.

Mais um não faz mal a uma mosca.

Talvez, mas sabe o que se diz: Bêbado como uma mosca.

Isso é mesmo excelente.

Vejo que tem uma língua espirituosa.

Tenho?

Fazer mal a uma mosca, bêbado como uma mosca. Tenho de me lembrar.

Eu não devia incomodar Vossa Grã-Ducal...

Saúde.

Que se passa?

Desta vez queimei a minha língua espirituosa.

É uma pena.

Estou encantado com a sua presença, Menina Marina.

- Espero que também esteja. - Extasiada.

Quer sentar-se aqui?

- Champanhe? - Sim.

Pronto. Agora estamos a sós.

Óptimo. Perdoe-me se não Ihe faço companhia.

Já jantei e tenho uns assuntos a resolver.

Ficou muito quente de repente, não acha?

Não me abordou.

Ligue-me ao embaixador.

Muito bem, então acorde-o.

Embaixador, estava a dormir? Que pena.

Estive com o Secretário dos Negócios Estrangeiros.

Sobre a minha ordem de prisão do Wolfstein.

Sir Eduardo está preocupado por não termos conseguido...

pensar numa acusação, o que torna tudo estranho.

Sim, fui descuidado, admito...

mas estive ocupado a noite inteira.

Sim, sim, pode falar à vontade. Não está cá ninguém.

Actividades anti-cárpatos?

Sim, seria divertido.

O que perturbou Sir Eduardo...

é o facto dos estúpidos dos americanos terem protestado.

Um absurdo sobre liberdade política e direitos democráticos.

Sabe como os americanos são infantis nestas questões.

A diplomacia deles lembra-me sempre a lenda do Minotauro ao contrário.

O touro atrás de Teseu pelo labirinto.

Uma máquina de tracção a vapor no labirinto de Hampton Court!

Excelente! O quê?

Os britânicos serão mais sensatos.

Esperarão até ao fim do julgamento para protestarem.

Mas quando é que os doidos dos americanos crescem?

Sim, falamos amanhã. Boa noite.

Então, então? Como está tudo?

Óptimo.

Vejo que já se serviu. Que desleixo o meu.

Prefiro assim.

Esplêndido! Bom, saúde.

Lama no olho.

Uma expressão impagável! Onde a aprendeu?

- Na América. - Já lá esteve?

- Nasci lá. Sou americana. - A sério?

Sim, Vossa Grã-Ducal, é o que sou.

Tenho de fazer outra chamada.

Não tem importância. Adoro a minha companhia.

Ligue-me ao Embaixador francês.

Ainda está na recepção? Tento mais tarde.

Ao Presidente Taft.

Disse, ao Presidente Taft.

Ao Presidente Taft.

Pronto, não fui abordada. Que importa?

O touro no labirinto.

Quem diabos é o Teseu?

Protestar? Acho que deviam protestar.

Prender gente assim.

Que vergonha.

Menina Marina, não quer champanhe?

Não sei, Vossa Grã-Ducal. Acha que devia?

Bom, talvez um golinho.

Talvez um pequenino...

Disse alguma coisa?

Não. Estou só aqui a brincar sozinha.

Óptimo. Saúde.

Pela goela abaixo!

Por que não me informou sobre a prisão de Wolfstein?

Por que deixou que o soubesse pelos jornais?

Não houve necessidade de o informar.

De informar o rei?!

Apresento-Ihe a Menina Elsie Marina.

Boa noite. É um prazer conhecê-la. Sente-se.

- Quem ordenou a prisão dele?! - Eu, claro.

Deve ser imediatamente libertado.

Pode ser um rei a sério, em breve, mas de momento...

continuo a ser o governante dos Cárpatos e seu.

Vá para o seu quarto.

Vá já para o seu quarto!

Boa noite, Menina Marina. Foi um grande prazer.

Boa noite, Vossa Alteza. Majestade.

O Coronel Hoffman.

Veja se o rei está no quarto dele e tranque-Ihe a porta.

Outra coisa.

Não Ihe passe chamadas até ordens em contrário.

Entendido. Quer aguardar um momento, senhor?

A Rainha chegou agora e tenciona dizer-Ihe boa noite.

Compreendo. Está bem.

A Rainha-Viúva regressou cedo do palácio de St. James.

Vai subir um momento.

A Rainha-Viúva. A Rainha-Viúva? É a sua mãe?

- Minha sogra. - Isso é pior.

Vai querer que me esconda, não é?

Onde? Ali dentro?

Tem algum armário?

Tem um grande sentido do dramático.

Não, sente-se e acalme-se.

Antes de a conhecer aviso-a de que ela é um pouco vaga...

e por vezes pode ser muito surda.

Meu querido! Que aborrecimento.

As decorações eram horrendas, a música uma catástrofe.

O nosso amigo, o ex-rei da Morávia, trouxe-me para casa.

É agora duque de Strelitz. Não pode ir amanhã à Abadia.

Mas está ansioso que o convide...

para a sala do Ritz para o Nicky.

Maud?

Querida, dê-me uma taça daquele champanhe que vejo ali.

Posso apresentar-Ihe a Menina Elsie Marina?

Sim, minha querida, claro. Lembro-me bem de si.

Decerto que não, Realeza... Isto é, Vossa Imperial...

- Vossa Majestade Serena. - Que disse ela?

Diz que se sente lisonjeada e elogia a sua maravilhosa memória.

Obrigada, minha querida. Devia usar mais máscara.

Uma jovem deve usar muita máscara.

E em velha deve usar muito mais.

Que faz?

Participo em A Rapariga do Coco no Avenue.

É actriz.

Actriz? Que interessante!

A Madame Sarah Bernhardt já representou para nós.

Não a acho tão boa em Magda como a Mademoiselle Duse. Concorda, não?

Não?

Não concorda? Que interessante.

Também conhece o Lucien Guitry?

- Não, senhora. - Só a Madame Bernhardt.

Concordo que deve ser leal com os amigos.

A lealdade é uma qualidade rara hoje em dia.

Tenho de me ir deitar. Que farda vai usar amanhã?

A dos guardas reais da manhã.

Deixe-me ver. De que cor?

Tudo bem. Não destoaremos. Boa noite.

Diga às criadas que estou pronta para me deitar.

Parece afligida. Que tem?

Tenho uma ligeira constipação.

Coitadinha! Lamento muito.

Tenho de Ihe fazer um xarope.

É muito generosa.

Sempre a constipar-se! Não percebo como!

Pelo que sei, a vida dela é irrepreensível. Com uma cara assim.

- Boa noite, querida. Foi um prazer. - Boa noite, senhora.

E mais um retoque nas maçãs do rosto.

E não me arranje sarilhos com a Madame Bernhardt. Zangar-me-ei.

Um pouco vaga.

Ela não se importa connosco?

Não é mãe da sua esposa?

Eu e a minha mulher casámos...

para reforçar o acordo comercial dela com a Hungria.

Aceitei-a porque o imperador mo ordenou.

Durante 10 anos dedicámo-nos um ao outro...

sem nunca uma palavra rude entre ambos.

Como podia ser...

que alguém se importasse, em tais circunstâncias?

Bom, acho a sua vida chocante.

Por quê?

- Não tem amor. - Nada?

Sim, Maisie Springfields às dúzias.

Mas refiro-me...

a amor a sério.

- Perdão. - Não!

De novo?

Revoltas?

Meu caro amigo, não é preciso entrar em pânico.

O novo chefe da polícia é um bom homem em quem confio.

Não!

- Bom, minha querida... - Bom?

Não ficaria mais confortável no sofá?

Podia estender os pés e descansar.

Não, obrigada. Acho que fico onde estou.

Como queira.

Minha querida, foi muito simpática em ter vindo cá ver-me esta noite.

- Já disse isso antes. - Já?

É um lindo vestido.

Também já disse isso.

Que importa?

Que são palavras quando os feitos podem dizer muito mais?

Isso é terrível!

- O quê? - Essa sua representação.

Creio que não estou a entender.

Não se arme em Grão-duque comigo.

Você atirou-se e eu recusei-o, só isso.

Ainda podemos ser amigos.

Com licença.

Eu bebia um pequeno.

Para o meu coração. Está a bater aqui em baixo.

- Lamento muito. - A culpa não é sua.

Se eu soubesse que isto ia acontecer...

nem sequer estaria nervosa.

Uma vida longa para Vossa Grande Alteza.

Saúde.

Para a próxima terá mais sorte, só que não comigo, claro.

Ouça... isto é forte.

Não faz mesmo efeito quando se bebe assim?

Depois do terceiro talvez sinta uma certa euforia.

Acho que já bebeu o suficiente.

Também acho.

Quer saber por que estava tão nervosa esta noite?

Julguei que ia ter de lutar comigo mesma.

Pensei...

Claro que ganharia. Ganho sempre.

Mas pensei: " Desta vez, é um príncipe húngaro...

e um grã-ducal...

bom, fogoso e apaixonado. "

Pensei que se havia alguém que percebesse disso seria o senhor.

Até pensei...

Até pensei que teria...

violinos ciganos a tocar lá fora...

e que diminuiria as luzes.

E que haveria um perfume estranho e sedutor no ar.

Bom, vistas as coisas pensei:

"Menina, toma cuidado.

É melhor tomares cuidado. "

Elas caem assim tão facilmente? As Maisies e as outras?

Antes que os seus insultos se tornem insuportáveis...

vou pedir o carro.

Não faça isso.

Não quero que faça sair o seu carro de novo.

Vivo em Brixton. Posso ir a pé.

Irá no carro!

Se insiste. Vou buscar a minha capa.

Desculpe.

Fui bastante bem, não?

Por que me desertaram?! Por que não há ninguém que me atenda?!

Vossa Alteza Grã-Ducal ordenou que os criados se afastassem da porta.

Chame o carro...

e mande escoltar a Menina Marina a um lugar chamado Brixton.

Como Vossa Alteza Grã-Ducal desejar.

Major Domo!

Por que não perfumaram esta sala?

E por que não diminuíram as luzes, para dar um toque romântico?

Vossa Alteza Grã-Ducal não deu tal ordem.

Tenho de pensar em tudo? Não tenho preocupações que bastem?

Que está a fazer?!

Trancaria a porta do estábulo, depois do cavalo fugir?!

Se Vossa Alteza Grã-Ducal deseja o estábulo trancado, o cocheiro...

Idiota! Não conhece a expressão idiomática inglesa...

de que é uma burrice trancar o estábulo depois do cavalo...

Mas será que fugiu?

Dê-me isso.

Espere. Um dos meus criados pessoais toca violino. Qual deles?

Creio que é o Franz, um dos sub-camareiros.

- Toca bem? - Não percebo de tons.

- Onde está ele? - Na cama.

Vá buscá-lo! Quero que ele toque violino do outro lado desta porta!

Mas ele que só comece quando eu tocar.

O carro ainda não chegou?

A avezinha... tão ansiosa de regressar ao seu ninho.

É agora que saio.

Por favor, isto ainda não é a despedida.

Dê-me um minuto para Ihe dizer...

como lamento o que aconteceu entre nós.

Eu é que devia lamentar.

Deixe-me tentar explicar-Ihe o que me vai no pensamento.

Quer sentar-se só um segundo?

Não quero que os motoristas esperem.

Estão habituados a esperar. É simplesmente isto, minha querida.

Percebi que tudo o que disse sobre a minha vida é verdade.

Não tem amor.

E estou a entrar na meia-idade.

- Não! - Estou quase na meia-idade.

Então, não pedi isso!

Aqui estou eu, com 40 anos...

E nunca soube o que é amar e ser amado.

É como a lenda da princesa adormecida.

Só que, neste caso, é o príncipe que dorme e que aguarda o beijo...

da jovem e bela donzela que o acordará para a vida.

Quer que o beije?

É tão literal. Preciso de amor.

Do nobre amor de uma mulher jovem e pura.

Da sua fé em mim tal como sou e como poderei vir a ser.

Do seu auto-sacrifício face às minhas fraquezas e desejos.

Porque o amor é sacrifício, não é?

E há o beijo místico...

que talvez acorde o príncipe adormecido para a vida.

Já o percebi.

Sabe o que me recorda o seu cabelo?

O milho do Verão beijado pelos ventos...

em sulcos encantadoramente excitantes.

Os seus olhos...

- De onde vem esta música? - Música?

Um dos meus criados, um húngaro, toca sempre a esta hora.

Lamenta o seu amor perdido.

Coitadinho do rapaz!

A vida não é terrível?

Volte aos meus olhos.

Lagos gémeos de alegria e júbilo...

nos quais qualquer homem teria prazer em afogar-se.

Nos dois?

Em qualquer um deles.

Gostei. "Lagos gémeos. " Continue.

O seu queixo...

Não mencionou o nariz porque notou o alto na ponta?

Não, não, não.

Não falei dele porque não há nada que se possa dizer da perfeição.

Que simpático.

Volte ao meu queixo.

É isto que penso do seu queixo.

Minha querida.

Minha querida.

Aquele pobre húngaro!

Espero que recupere o amor dele.

Não pense no amor dele. Pense no nosso, minha querida.

Pense no nosso amor e na beleza do nosso encontro aqui.

Gosta do meu cabelo? Todo o meu cabelo é seu.

Mas põe-Ihe uma coisa que não deve.

- Que usa? - Fixador.

Faz mal. Deveria usar...

Como se chama aquilo?

Já sei! Lilás da Pinaud.

Estava a pedir-Ihe, querida, que se lembrasse do nosso amor.

Tem umas lindas sobrancelhas.

Amor! Que universo de alegria e dor contém essa pequena palavra.

- Perdoe-me a intromissão. - Intolerável!

Com todo o respeito, o recado é tão importante que não tive escolha.

- Uma revolução?! - Não, senhor.

A tia da Menina Marina sofreu um acidente.

O hospital chama-a com a máxima urgência.

O quê?

Vá-se embora, seu imbecil!

Menina Marina, a sua tia. Está ciente da gravidade do seu estado?

A culpa é dela.

Não devia andar na rua a esta hora. Tem 93 anos.

A Menina Marina pediu-Ihe para ir. Eu ordeno-Ihe que vá!

Desagrada-me muito esta violação da etiqueta...

e manifestarei, sem dúvida, o meu desagrado oportunamente!

Vá!

Minha querida.

Tenho de Ihe fazer um importante aviso.

O que, meu amor?

Sabe o que vai acontecer?

Vou apaixonar-me por si.

Porque é o que sempre me acontece.

Sempre?

Das duas vezes.

Portanto... é melhor ter cuidado.

É melhor ter cuidado.

Que querubins tão bonitos no tecto!

Boa noite, meu querido.

Boa noite.

Até amanhã.

Major Domo!

Pare com essa algazarra infernal! Como espera que um homem durma?!

Bom dia, senhor.

Santo Deus!

- Bom dia. - Bom dia, senhor.

O meu pai mandou-me chamar. Acha que devo entrar?

Talvez não.

Soube que os criados estão a ter problemas em barbeá-lo.

Um belo tempo para a coroação, não acha?

É uma pena não poder ir à Abadia, mas o protocolo proíbe-o.

Soube que vai assistir ao cortejo a partir do Ritz.

Terá uma vista excepcional.

Quem acompanha Vossa Majestade?

O Duque de Strelitz e, claro, o meu carcereiro.

O seu carcereiro?

- O Coronel Hoffman. - É você, Nicky?

Sou, pai.

Bom dia, Nicky.

Estive aqui a pensar.

É melhor não estar com o Strelitz esta manhã.

Não quero estar sozinho com o Hoffman!

O Strelitz é meu primo. Não o vejo desde que abdicou.

Sei que gosta muito dele, mas...

Idiota! Quer que vá à coroação como um tomate cortado?!

Nicky, em Inglaterra só falamos inglês.

Está a amuar por causa da detenção do Wolfstein.

Essa questão é demasiado importante para amuos.

Que aconteceu ao meu país desde ontem à noite?

Continuam os tumultos.

Parecem bem organizados.

Não tive opção senão ordenar mais algumas detenções.

Mais detenções?

Acho que tenho aqui a lista.

Espero que não haja nenhum amigo seu.

Não posso ter políticos como amigos, como sabe.

Muito obrigado, Sr. Northbrook.

Quem terei deixado fora desta lista?

Ele procurava um nome e ficou aliviado por não o encontrar.

Northbrook!

Vejo o que vi?

Receio bem que sim.

Por que não se livraram dela?

Dormiu que nem uma pedra e nem os abanões a acordaram.

Não pode ser vista aqui a esta hora. Causará um escândalo!

E se a Rainha a vê assim?

O seu sentido de comme il faut...

Ela tem tanto sentido de comme il faut como um rinoceronte.

Devo entender que a noite não foi completamente feliz?

Esses seus comentários incompletos começam a irritar-me.

- Foi um pesadelo. - Lamento muito.

Tenho só uma noite em Londres.

Uma única noite para descansar. E que acontece?

De toda esta vasta e prolífica cidade...

que pulula de mulheres belas e inteligentes...

arranja-me uma americana "tolo-pateta".

Perdão, senhor, ou tola ou pateta.

"Tolo-pateta" serve. Ela merece uma palavra nova.

A mente de uma criança atrasada, os músculos de um pugilista...

e uma abordagem da vida de sentimentalismo tão repugnante...

que dei por mim, ontem à noite, a balbuciar expressões...

que se fossem ouvidas fariam de mim motivo de risota da Europa.

E para cúmulo, tornou-se insensível com uma quantidade de vodka...

que nos Cárpatos juntaríamos ao leite da manhã...

de uma criança de 4 anos, como um tónico suave!

E a Lucy Sunningdale teria ficado tão radiante...

se a tivesse convidado para jantar comigo.

Tenho de Ihe recordar que o ouvi...

chamar "velho chapéu" a Lady Sunningdale.

Não duvido que o tenha dito.

No entanto, há um velho ditado russo:

"Antes um chapéu velho do que uma cabeça sem nada. "

Ligue a Lady Sunningdale e convide-a para jantar comigo.

Mas, senhor, o baile da coroação?

Aparecerei lá e sairei a tempo. Por volta das 12:30.

Mas na noite da coroação talvez ela tenha um compromisso.

Ela desfá-lo.

Bom dia!

O quarto dele é ali não é?

Vou só dizer bom dia.

- Quem é? - Adivinhe!

Bom dia. Pobre querido! Cortou-se.

- Isto não é nada. - Mas continuo a achá-lo lindo.

- Que foi? - Pode entrar alguém.

Isto é Times Square. Descobri isso ontem, mas que importa?

Mas agora é de manhã. É diferente.

Que tem de diferente? Só se for você.

Garanto-Ihe que sou a mesma pessoa.

Não age da mesma forma.

Mas agora é de manhã.

Está sempre a dizer isso. Ontem à noite também se repetiu.

Diga-me, meu querido Grão-duque...

é só a meio da noite que fica tão solitário...

que sente a necessidade de partilhar a vida com uma mulher pura,

cuja grande fé e amor nobre...

Certas expressões não deveriam ser citadas fora de contexto.

Não sei o que quer dizer. Claro que sei!

Quer dizer que é de manhã.

Não é?

Mas para mim ainda é um sonho.

Neste dia de coroação de 1911...

acordei e descobri que estava loucamente apaixonada por si.

Loucamente!

Já o disse.

Emociona-me, mas infelizmente é meu dever explicar...

Não faça outro discurso comprido.

Embora a noite passada tenha feito mais sentido do que imagina.

Precisa mesmo de mais amor na sua vida.

Nunca conheci ninguém que precisasse mais.

Pronto, agora que o tem, felicidades.

Adeusinho.

- Não vai dizer mais nada? - Minha querida, estou emocionado.

Mas, infelizmente, temos tão pouco tempo juntos.

Tenho de partir amanhã para os Cárpatos.

Amanhã?

Paciência! Assim que acabar o espectáculo, voltarei a correr.

Esplêndido!

E ainda temos hoje, não temos?

Bom, sabe, Menina Marina...

Menina Marina? Ontem à noite chamou-me "amada".

Bom, infelizmente, amada...

Não diga "infelizmente" dessa forma.

- Aqui vamos nós, Times Square! - Temos 7 minutos.

Tenho de me preparar. Portanto, infelizmente...

Temos de dizer os nossos adieus.

Está bem, querido, vá lá vestir-se.

Vou ficar mesmo à porta do teatro. Onde entrou, ontem à noite.

Fica mesmo em frente ao Arco Admiralty.

Não se esqueça de me acenar, está bem?

Lembrar-me-ei.

- Arranja-me uma gabardina? - Gabardina?

Não posso ir para a rua assim.

Percebi que quer dizer. Tentarei arranjar um...

mas não é fácil encontrar dessas coisas em Belgrave Square.

- Não pode ter ficado a noite toda. - Onde ficou, então?

Vejam! Não é ela ali na janela?

Elsie! Elsie!

Não nos viu.

- Esperamos? - Temos de atrair a atenção dela.

É você!

Isto é, é Vossa... o que Ihe chamam? Ah, Vossa Majestade.

Bom dia. Uma dança encantadora.

São uns passos que tenho de treinar. Sou uma substituta.

A sério? Que interessante. Miss Marina, será que...

Ihe posso pedir um pequeno favor?

Pode ligar para um certo número de telefone? Este.

- Isso é fácil! - Muito obrigado.

Gerard 2-4-5, por favor.

Mais baixo. Quando conseguir ligação, peça o embaixador.

Está lá?

O embaixador está?

Não, não é para mim. É para o rei dos Cárpatos.

Não! Há espiões por toda a parte!

Ai há?

Excelência...

Muito obrigado. Foi muito simpática.

Não foi nada, Vossa Majestade.

Vai à coroação?

Vou, pois.

Tem de assistir à minha.

A sério? E quando é?

Daqui a uns 16, 18 meses.

Não é mais cedo?

Mais cedo, Menina Marina?

Sim. Falo alemão.

Nasci em Milwaukee.

Vai depor o seu pai a 15 de Agosto...

e proclamar-se rei.

O exército búlgaro vai ajudá-lo.

É uma infelicidade ter ouvido isso. Talvez seja perigoso para si.

Perigoso? Não me venha com essa!

Sou uma cidadã americana. Ninguém me pode fazer nada.

Além disso, que importam as revoluções nos Balcãs?

Andam sempre nisso.

Vai contar ao pai, claro.

Depende da oportunidade.

- Imploro-Ihe... - Desculpe.

Olá, Fanny. Olá, meninas!

- Estás bem? - Estavam preocupadas?

Não consegui pregar olho e organizei um grupo de salvamento.

Não preciso que me salvem. Estou a divertir-me.

Elsie, és má!

Não. Por enquanto não.

Desce. Já estamos atrasadíssimas!

Vão à frente. Tenho de dizer um último adeus ao meu regente.

Como é ele, Elsie?

É o Grão-duque mais engraçado do mundo.

É simpático?

Não, é só engraçado.

Como aqueles do teatro?

Nada disso. Não tem qualquer sentido de humor, nem encanto nenhum.

Então, por que o achas engraçado?

Não sei, acho.

Adoro-o tanto que podia comê-lo. Engoli-lo!

Não deixem que ninguém ocupe o meu lugar. Vão lá!

Tenho um grande sentido de humor!

Claro! Mas é típico dos Balcãs. É tão bom como o nosso, mas diferente.

E não devia ouvir conversas alheias.

Nicky, que faz aí parado? Devia estar a caminho.

Sim, pai.

Tome.

- O que é isto? - Uma prenda de despedida.

La oferecer-Iha com umas palavras adequadas...

mas apagou-as da minha mente.

É lindo! Com o seu brasão e tudo.

Não é nada.

Não quero dizer nada...

mas na Europa deve haver quem esteja a usar disto.

A Maisie Springfield não.

Mas não me posso queixar. Ela mereceu o dela.

Pregue-mo, por favor.

É agora que acordo, não é?

É sim, minha querida.

Pronto... está bem.

É o meu sinal de saída.

Adeus.

Foi maravilhoso conhecê-la.

Oxalá pudesse ter durado mais.

Disse algo que não devia?

Não, disse a sua deixa muito bem. São as medalhas, fazem-me cócegas.

Por que diz essas coisas?!

Gosta de me desconcertar e não suporto ser desconcertado!

- Veja se Sua Majestade está pronta. - Está pronta.

- E o carro para levar o rei ao Ritz? - Já partiu.

Só encontrei isto. É da governanta.

Serve perfeitamente. Obrigada.

Meu Deus! Às vezes a vida é bastante triste, não é?

Às vezes.

Já estou tão atrasada. Nunca chegarei a tempo.

- Meu Deus! - Quem era aquela?

Quem era aquela criatura?

- Alguma anarquista? - Não, senhora.

Então quem era?

Uma jovem chamada Elsie Marina.

Vá buscá-la.

Sua Majestade deseja falar consigo.

Bom dia, minha querida. É um encanto voltar a vê-la.

Por que se veste como uma revolucionária? É um jogo novo?

Se é, avise-me. Adoro jogos.

Não, não é um jogo.

Dispa isso. Fica-Ihe muito mal.

Venha cá, minha querida.

Vou fumar um cigarro. Acalma tanto, antes de uma provação.

- Acompanha-me? - Não, obrigada.

Bom, por favor, sente-se.

A senhora deve estar a perguntar-se...

por que continuo vestida como ontem à noite.

Tive um acidente idiota com a chave de trinco.

- Que disse ela? - Esqueceu-se da chave de trinco.

O que é uma chave de trinco?

Não importa. Decerto que é algo monótono.

Tive notícias tão irritantes esta manhã.

Maud, a minha dama de companhia principal diz não poder sair da cama.

Não tenho opção se não levar a Baronesa Brunnheim à Abadia.

A culpa não é dela...

mas vamos ficar muito espremidas na carruagem.

Perdão, senhora, não percebi.

Creio que a Menina Marina não fala francês.

Não fala francês? Que ridículo!

Vive com a Sarah Bernhardt em Paris.

Vê?

Muito inteligente. Lê La Rochefoucauld.

Sim, senhora.

É melhor dizer ao regente que vamos partir em breve, se me der licença.

Esse vestido não é de noite?

Sim, como tentei explicar...

Muito adequado. Lottie, a minha caixa das jóias.

Vire-se, minha querida, e baixe-se.

Sim, é muito possível. Precisamos de mais alguma coisa.

Sim. Volte-se de novo, sim?

E baixe-se outra vez.

Óptimo.

Que se passa? Isto é um jogo?

Disse alguma coisa?

Pergunte à Rainha se isto é um jogo!

Ela quer saber se é um jogo?

Lottie, ponha-Ihe a sua capa, sim?

Que se passa? Digam-me.

Excelente. Lottie, ficará desiludida?

Pelo contrário, senhora.

Como sabe, fico sempre nervosa com cerimónias compridas.

Óptimo, empreste-Ihe as luvas e ponha-Ihe o seu véu.

Que se passa? Digam-me.

Nomeei-a minha dama de companhia para este dia...

e vou levá-la para a Abadia.

Senhora, não pode!

Se me reconhecem, prendem-me.

Prender a minha dama de companhia? Que imbecilidade.

Onde me sento? O que faço?

Faz o que é óbvio e senta-se onde o Sr. Northbrook Ihe disser.

Ainda me parece muito despida. Já sei, precisa de uma ordem.

Lottie, vá buscar o embaixador.

- Minha querida. - Olá!

É tão divertido! Vai rir-se! Vamos levar a Menina Marina para a Abadia.

Ai vamos?

Mas preciso de uma ordem para ela.

Caro embaixador!

Traga-me a ordem malva que o regente deu ao secretário dos Estrangeiros.

- Minha sogra! - Qual delas está a usar?

A púrpura. Não, a malva fica-Ihe melhor.

Tão magra e bonita. Iremos confortáveis na carruagem.

Dê-a ao regente.

Sabe que esta ordem só é dada...

por um serviço muito especial ao chefe de estado?

Tanta minúcia? Decerto que ela Ihe prestará um, qualquer dia.

Tire a capa.

Ajoelhe-se.

Invisto-a...

com a Real Ordem Cárpata da Perseverança.

De segunda classe.

Venha, querida.

E eu devolvo-Ihe isto.

No fim de contas, não nos vamos separar ainda, querido Grão-duque.

- É uma pena. - Ela vai odiar-nos.

Cala-te.

Não vamos estragar este belo dia preocupando-nos com a rapariga.

Parece que a Miss América perdeu o barco.

Anima-te, Fanny. A culpa é dela.

É uma pena, vai detestar perder tudo isto.

Não é maravilhoso?

Impressionante!

Os soldados estão de frente para o cortejo.

Muito diferente da última coroação a que assisti na Bessarabia.

Os tiros pareciam bombas e o céu estava negro de máquinas infernais.

Felizmente, não houveram fatalidades, a não ser entre a multidão.

Mas a impressão geral foi péssima.

Agora deve ser o Grão-duque.

- É o teu momento, Maisie. - A Elsie nunca mais recuperará.

É ela! Juro-vos que é ela!

É a Elsie Marina, Menina Springfield, com o regente dos Cárpatos!

Que absurdo! Essas coisas não acontecem!

SALMO 122. 1-3, 6, 7.

A CONSAGRAÇÃO

AS ESPORAS DE OURO

A ESPADA

O ORBE

O ANEL

OS CEPTROS

A COROAÇÃO

DEUS GUARDE O REl JORGE LONGA VIDA PARA O REl JORGE

VIDA ETERNA PARA O REl

Por acaso não viram uma gabardina velha?

Pronto, esqueçam.

Meu Deus!

Outro!

Olá!

Boa tarde, Menina Marina.

Não esteja tão ansioso. Não conto nada.

É muito simpática Fico tão agradecido.

Mas isso não significa que não o ache um mauzão.

A sério? Para mim e para muitos dos meus conterrâneos...

o meu pai que é o mauzão.

Sim, mas você tem só 16 anos e ele tem...

Bom, ele disse-me 40, mas suponho que tenha...

uns 45.

- Não devia esperar até crescer? - Menina Marina.

Sinto que é uma pessoa muito boa e generosa.

- Mas em questões desta natureza... - Nicolas.

Quero falar consigo.

Não vá, Menina Marina. Também Ihe diz respeito.

A telefonista disse ao Hoffman...

que falou com o embaixador alemão.

- É verdade? - É.

- E a Menina Marina arranjou o número. - Ela desconhecia o número.

- Passou uma mensagem, não foi? - A sua telefonista dir-Ihe-á isso.

- Não fala alemão. - Eu sei. Descobri isso.

Diz-me qual era a mensagem, Nicky?

Não foi bom estar um dia tão bonito para a coroação?

Vá para o seu quarto.

O Hoffman vai lá visitá-lo.

E, claro, está fora de questão ir esta noite ao baile.

Prefiro não estar acompanhado de traidores.

Menina Marina.

Digo isto com sinceridade.

Foi um grande prazer.

Que vou eu fazer com um rapaz destes?

Se me fizesse essa pergunta seriamente...

eu até respondia, mas como não o fez...

Mas estou a perguntar-Ihe, embora saiba qual vai ser a resposta.

Vai dizer-me que ele não tem amor suficiente na vida.

Não é uma má suposição.

Que idiotice sentimental.

Por que pragueja sempre em alemão?

Porque os alemães têm as melhores blasfémias.

E as melhores metralhadoras.

Sim, suponho que " Um tempo tempestuoso e zangado de novo"...

não pareceria tão ameaçador.

Bom.

Não me resta mais nada do que tirar os ornamentos...

e sair discretamente da sua vida para sempre.

Disse que não me restava mais...

Não, antes disso. Você traduziu. Fala alemão?

Falo.

- Ouviu a mensagem? - Ouvi.

Mas não Ihe vou contar, portanto, não se entusiasme demais.

Fica tão giro quando está zangado!

Está a par de informações muito perigosas e eu...

Não me intimide, querido.

Se pudesse entender!

E também não me pode obrigar.

Muito bem! Essa foi a melhor!

Não volte a praguejar, ou ficará sem blasfémias.

Não Ihe conto, ponto final.

Mas achei que a forma como tratou o seu filho foi má política.

Uma boa política, suponho, seria beijá-lo e dizer:

"Águas passadas. Querido filho, vá ao baile!"

A quem é que o Nicky contará o plano mais facilmente?

Ao duro Coronel Hoffman que Ihe dará o Inferno lá no quarto...

ou ao lindo príncipe e pai que o leva ao baile?

Não me chame esses nomes. É grotesco.

Querido, talvez Ihe chame outros nomes um dia...

mas por agora terá de perdoar a linguagem do amor.

Estou pronta para o meu beijo de despedida.

- É tudo o que recebo? - Como me sinto, até foi demais.

Diga ao rei que o quero ver!

E a minha prenda de despedida?

Pregue-mo, por favor.

Diga-me o que me disse esta manhã.

Voltará a rir-se de mim e dirá que as dragonas Ihe fazem cócegas...

e ficarei de novo desconcertado.

Arrisque-se.

Foi maravilhoso conhecê-la.

Oxalá tivesse durado mais.

Obrigada, meu querido.

Sua Majestade.

Sente-se, Nicky.

Esta questão da embaixada alemã deixou-me muito triste.

Sempre soube que eu e você não concordávamos em política.

Mas que o meu filho conspirasse contra mim...

foi um duro choque, sabe?

Será que sabe quão fácil é partir o coração a um pai?

Se se refere ao seu coração, pai, não sei.

Talvez seja porque não mostro o que sinto.

Há quem prefira conter os sentimentos e eu...

Talvez eu tenha alguma culpa nisso.

Não quero falar mais nisto.

Decidi que eram águas passadas.

E, apesar de tudo, poderá ir ao baile.

Obrigado, pai, mas não quero. Prefiro deitar-me.

Mas, senhor, tem de ir ao baile!

Vai ser o baile mais belo de sempre!

- Fardas e decorações fabulosas... - Gostava de ir...

Mas a avó não vai, porque se sente cansada.

E eu não conheço ninguém.

E não terei com quem dançar.

- Convide alguém. - Convido alguém?

- Posso tratar disso. - Uma pessoa qualquer?

- Sim! - Menina Marina?

Quer acompanhar-me esta noite ao baile da coroação?

Será um prazer obedecer às ordens de Vossa Majestade.

Óptimo! Então, vou buscá-la pessoalmente...

ao seu teatro às 11:00.

Agradeço. Acha...

que a sua avó se importava se...?

Não. Eu levo-Ihos. Ela dirá só: "Que divertido!"

E peço-Ihe uma das tiaras dela!

Se me podem ver sair do teatro de tiara...

podem ver-me chegar de vestido de noite!

Vou arranjar-Ihe outra ordem. A que tem não é de primeira classe.

Bom, não ia dizer nada...

mas se acha mesmo...

Vemo-nos no baile.

Querida Lucy.

Não sabe quantos compromissos adiei por si esta noite.

Alguns que não adiaria por nenhum outro homem do mundo.

Que simpática.

Pode mesmo ir à embaixada por volta das 12:30?

Organizei um jantarinho.

Por sua ordem, iria até aos confins da Terra.

Felizmente, Belgrave Square não fica tão longe. O seu acompanhante.

Se Vossa Alteza Grã-Ducal me permite.

Não. Invejo-o, amigo!

- Então? - Não os encontro.

Não devia perdê-los de vista nem um momento.

Com uma rapariga assim, tudo pode acontecer. Tudo.

Procure por ali, que eu procurarei por aqui.

Pela paz do reino, assinado...

Nicolas VIII?

Só Nicolas.

Está bem, Nicky.

Bom, parece-me razoável.

Oxalá o seu pai fosse um homem razoável!

Com licença, por favor.

Perdão.

Francamente.

Prometo fazer o que puder.

Vai ser maravilhoso poder dançar com ele.

Olá! Procurámo-lo por toda a parte.

A sério? E eu procurava-vos.

Incrível!

Tenho a certeza de que vai querer dançar com a Menina Marina.

Encantado.

Quer tomar uma bebida?

- Ele é tão querido. - O meu filho?

Demasiado crescido.

Deve ser da educação.

Não seria bom fazerem as pazes?

Pelo vosso país e pela paz europeia?

Essas coisas não são assim tão fáceis.

Com alguma cedência de parte a parte não seria tão difícil.

- Sei quais seriam as condições dele. - Condições?

Quer uma mota e quer poder...

andar com ela por toda a parte nos Cárpatos.

Parece-me aceitável.

Vejamos, que mais quer ele?

Já sei! Quer eleições gerais.

Eu sabia que diria isso. Mas não sei por que se opõe.

É bom haver eleições gerais. São democráticas.

É muito bonita, mas pense duas vezes antes de entrar na arena política.

O papel de Madame de Pompadour pode não estar ao seu alcance.

E o seu alcance já é tão encantador. Sabe recuar?

Experimente-me!

É altura do Nicky ir para casa...

e é altura de me despedir de si.

- É? - Receio bem que sim, querida.

Infelizmente!

- E o meu alfinete? - Ser-Ihe-á enviado.

Não se incomode. Posso passar por lá depois.

Sim, claro, faça isso.

Leve Sua Majestade para a embaixada e a Menina Marina para Brixton.

Agora, minha querida, é mesmo adeus.

Agradeço-Ihe os serviços que nos prestou...

e desejo-Ihe muitas felicidades e êxito.

Vossa Grã-Ducal...

foi um grande, grande...

Adeus.

Boa noite, Nicky. Quero a minha carruagem daqui a 10 minutos.

Foram dar uma volta de autocarro?

Um autocarro público?

Um número 57.

- Pode haver um escândalo, Northbrook. - Sim.

E seguiu esse autocarro até à Estação de Victoria?

E depois segui-os a pé até à embaixada.

Eles vieram a pé... Ela está cá?!

- Sim, estão no quarto do camareiro. - A fazer o quê?

Ela está a ensinar-Ihe uma dança americana chamada foxtrot.

O seu criado Franz está a tocar para eles com outros dois.

Em ragtime.

Exactamente, senhor.

Lady Sunningdale está atrasada.

Só uns minutos.

A falta de pontualidade era uma das suas características mais irritantes.

Esperava que já tivesse superado isso.

No fim de contas, teve tempo.

O jantar! Que encanto. Que atencioso, querido.

Vou descer e dar as boas-noites ao Nicky. Volto já.

Então, senhor? Basta um pouco de firmeza.

Devia dizer-Ihe que o jantar não é para ela, mas para outra convidada.

É a sua ponderada sugestão para ultrapassar esta crise?

É, sim, senhor.

Só posso dizer que entendo agora por que razão os Negócios Estrangeiros...

metem sempre água nas relações com a Administração Interna.

Não é uma adulta civilizada, mas uma criança rebelde.

Julga que estou desejoso de ter um jantar a três?

Lamento, senhor. Não me tinha ocorrido esse aspecto.

A melhor política seria eu...

interceptar Lady Sunningdale à chegada...

e escoltá-la até à sala da música. Posso mandar pôr lá outra mesa.

Tenho de comer dois jantares?

Não vejo alternativa.

Mas como vou livrar-me desta? É esse o dilema.

Depois de Lady Sunningdale chegar, aparecerei e anunciarei...

que o embaixador pede urgentemente a sua presença...

e que a sua reunião durará pelo menos uma hora.

Despedir-se-á da Menina Marina pela última vez.

Eu estarei aqui. Não Ihe acontecerá nada.

E acompanhá-la-ei a Brixton.

Uma hora não vale a pena. É melhor dizer a noite inteira.

Só assim o seu plano terá alguma hipótese de êxito.

- Aqui estou eu. - Pode deixar-nos, Northbrook.

Muito bem, senhor.

Ele não faz aquilo tão bem como eu, pois não?

- Vodka? - Obrigado.

- Isso é demais. - Consegue tomar isso.

Depressa demais. Queria propor-Ihe um brinde. Vai ter de beber mais.

Não demais, por favor.

Não destrua as minhas ilusões a seu respeito.

Quais são as suas ilusões?

A sua resistência ao vodka é certamente uma delas.

A mais amor na vida de todos.

Bom, tenho aqui um documento.

Quer que o leia?

"Manifesto aos meus fiéis súbditos.

Eu, Nicolas VIII, rei...

denuncio e rejeito as propostas...

que me foram feitas por certas pessoas...

para que assuma os poderes governativos antes da data marcada.

Rogo por este meio a todos os cidadãos do reino...

que se unam leal e dedicadamente...

em torno da regência de meu pai, o Grão-duque Carlos...

pela paz do reino. Assinado, Nicolas. "

Mas não está assinado "Nicolas".

Claro que não, querido.

Tem de concordar primeiro com aquelas condições.

É dar e receber, querido. Dar e receber.

Exacto! Isso ajudá-lo-á a analisar isto à melhor luz possível.

Não vê que...

uma eleição geral colocará o partido do Kaiser no poder...

e que haverá uma guerra na Europa daqui a seis meses?

Não sei por que tem tanta certeza. E se o seu partido ganhar?

É o curioso nas eleições. Nunca se sabe quem ganhará.

"As propostas que me foram feitas por cartas pessoas. "

Não percebe o que faz o rapaz assinar.

Sim, querido. Um manifesto.

Uma confissão.

Uma confissão abjeta em que o meu filho diz que conspirou com o Kaiser,

para subverter a constituição e me destruir!

- Outra vodka. - Não, obrigado.

Um pequeno.

- Algo para comer? - Não, obrigado. Não tenho fome.

A esta altura dos acontecimentos tem de ser cuidadosamente planejada.

A iniciativa agora é minha. Não posso perdê-la.

Bom, não vejo como com o seu belo cérebro...

e com o seu maravilhoso entendimento das situações...

como pode perder alguma coisa tão pequena como...

uma iniciativa.

Não ficaria mais confortável com os pés para cima?

Não, obrigado.

Vodka?

Não, obrigado.

Já sei!

Darei este manifesto à imprensa do mundo inteiro.

Isso proclamará a culpa do Wolfstein e explicará por que o meti na prisão.

E dará resposta aos estúpidos dos protestos americanos.

Isto é, satisfará a opinião democrática.

Que maravilha!

Eis a chave do plano. Serei magnânimo.

Após provar ao mundo a culpa de Wolfstein, libertá-lo-ei.

Farei com que passe por um perfeito idiota...

e o resto do mundo ver-me-á como um democrata, amante da liberdade.

E alcançarei vitória esmagadora nas eleições!

Brilhante, brilhante! Muito brilhante.

Vejo que não é sem motivo que Ihe chamam Raposa dos Balcãs.

Chamam-me isso?

Não sabia?

A Raposa dos Balcãs.

E parece uma raposa, com essas sobrancelhas.

Um animal perigoso e matreiro.

Mas tão solitário.

Minha filha... A minha sina é estar só.

Mas tem de ser sempre assim?

Tem. Tem.

Querida, oxalá pudesse entender...

De onde vem esta música?

Não importa, querido.

Deve ser aquele húngaro. Disse que ele tocava todas as noites.

Sim, todas as noites.

Não importa, meu querido.

Minha filha.

Se soubesse como desejava esse tipo de liberdade.

Meu amor.

Continue a falar.

Que importa? Que são as palavras?

Que são palavras quando os feitos podem dizer muito mais?

Isso de novo não, querido. Não Ihe ocorre dizer mais nada?

Não percebi isso.

Amo-a.

Amo-o.

Meu Deus, Vossa Alteza Grã-Ducal, como o amo!

Northbrook, está a ultrapassar os limites! Como se atreve?!

Mas o embaixador já chegou, se me está a entender.

Não discuta comigo. Saia já!

Tem sorte de não ligar ao secretário dos Negócios Estrangeiros!

De Lady Sunningdale.

Sr. Northbrook.

Bom dia, senhor.

O meu pai está bem?

Não ouvi nada em contrário. Por quê?

Ele acabou de...

me abraçar!

Decerto que já o fez muitas vezes.

Em público, claro. Mas isto foi em privado.

No quarto dele, só à vista dos criados.

E chamou-me "filho querido".

Que bom.

É de desconfiar.

E também fez as mais extraordinárias...

já para não dizer embaraçosas perguntas.

Se às vezes não me sentia muito só?

Se nem sempre tinha sido um bom pai para mim?

Se por vezes eu não sentia falta de amor na minha vida?

Sr. Northbrook, o meu pai perguntou-me...

se eu não sentia falta de amor na minha vida.

Sim, senhor, eu ouvi-o.

E não o surpreende?

Talvez já saiba de alguma coisa...

Há razão para preocupação?

Deixe-me que Ihe diga...

que suspeito de um truque dos Negócios Estrangeiros em tudo isto!

Os Negócios Estrangeiros nunca recorrem a truques.

Sem dúvida que está a pensar na Wilhelm Strasse.

Bom dia, Northbrook. Pontual como sempre. Esplêndido!

E essa sua farda fica-Ihe tão bem!

E a de ontem também. Quis dizer-Iho, mas esqueci-me.

E Nicky, meu querido filho.

- Sim, pai? - Nada, é só o meu querido filho.

Cuidado, Franz.

É melhor preparar-se. Partimos daqui a cinco minutos.

Sim, pai.

Dê-me um beijo, Nicky.

Outro beijo?

Por que não?

Podemos exagerar.

Que disparate. Os pais deviam beijar os filhos.

Enquanto são crianças, não...

Nicky, venha já dar-me um beijo!

Bem, Northbrook...

- Bem, bem, bem. - De facto, senhor.

- Está uma manhã maravilhosa, não? - Maravilhosa, senhor.

Tenho uma carta de natureza particular para Vossa Alteza Grã-Ducal.

Meu Deus!

Northbrook, sabe qual é o problema de Lady Sunningdale?

Não teve amor suficiente na vida, senhor?

Demasiado. Devemos manter o equilíbrio nessas coisas.

Tenho uma ou duas missões para si, depois de irmos embora.

Primeiro, há que obter um passaporte especial para uma viagem aos Cárpatos

em nome da Menina Elsa Stolzenburg.

Cidadã dos Estados Unidos. Profissão: Actriz.

Nome artístico, Menina Elsie Marina.

Já começava a ter dúvidas.

Segundo, devem juntar um vagão especial ao Expresso Oriente.

E deve entrar um cozinheiro francês em Ostend.

Caramanchões de flores nos salões e nos quartos.

Tratará desses pormenores pessoalmente.

Quanto à viagem. Ela precisará de vestidos, peles, ornamentos.

Trate de tudo para que ela tenha carta branca.

Carta mesmo branca, senhor?

Tão branca quanto ela o desejar.

- Fui eu que disse isto? - Foi, sim, senhor.

É superior às minhas forças. Livre-se disto, por favor.

- O pai está ainda a vestir-se? - Está a acabar.

Graças a Deus! Verá a Menina Marina em breve?

É bem possível.

Óptimo. Despeça-se dela por mim e dê-Ihe esta prenda de despedida.

E esta fotografia.

Diga-Ihe que me diverti imenso ontem à noite.

- E agradeça-Ihe muito. - Está bem, senhor.

- Sr. Northbrook. - Senhor?

Ele também o beijou?

Ainda não.

Eu não estaria muito confiante, Sr. Northbrook.

- A brincar com o fogo? - O quê?

Bom dia, Menina Marina.

Sim, estou.

É um desporto que devia deixar por minha conta.

Foi um lindo nascer do sol, não foi?

Duvido que tenha tomado tanta atenção como a menina.

Talvez se tenha constipado. Esteve lá fora muito tempo?

Quase a noite inteira.

Não quis voltar para Brixton. Quis despedir-me deles.

Não estava a pensar ir à estação?

Não.

Compreendo.

Entrego-Ihe isto com os cumprimentos e agradecimentos do rei por ontem.

Diz que foi a noite mais agradável da sua vida.

Que querido!

E assinou-a!

O Brasão Real dos Cárpatos. Não era de esperar?

Aguardarei Vossa Alteza Grã-Ducal no salão.

Não me vou despedir. Ver-nos-emos muitas vezes...

por causa dos passaportes e das outras coisas.

Era para ser uma surpresa.

Peço desculpas. Não teria estragado a surpresa por nada.

Bom dia.

Bom dia.

Minha querida.

Hoje tenho feito cá uma figura!

Comporto-me como um miúdo e o mais espantoso é que estou a adorar.

Meu Deus.

Esta manhã cabe-me a mim ser a adulta, não é?

Suponho que por vezes seja difícil recordar-se.

É um homem muito importante, não é?

Governo um pequeno país que não é meu...

a que rendo alguma lealdade, mas não ternura.

Governo-o o melhor que posso.

Nem melhor nem pior do que qualquer outro homem no meu lugar.

Será assim tão importante?

- Eles dizem que sim. - Eles? Quem?

As pessoas.

Ontem à noite um homem disse:

"Não imaginamos, ao olhar para ele...

mas ali vai o melhor cérebro político da Europa. "

Não imaginariam...?

Minha querida, daqui a 18 meses entrego o poder ao Nicky.

Serei um cidadão livre.

Daqui a 18 meses acabo o contrato com o George Edwards.

Então é isso, não é?

Minha querida criança.

Não sabe...

o que pode acontecer neste mundo em 18 meses.

Sim, acho que sei.

Acho mesmo que sei.

Então, isto é adeus?

Au revoir.

Au revoir, claro.

Dá-me agora, por favor, a minha prenda de despedida?

Mas é verdadeiro.

Claro que é, meu querido.

Só me quero lembrar de qual é.

Pregue-mo, por favor.

Pobre querido, sente-se muito desconcertado?

Sim.

Sinto.

A puerilidade nem sempre é divertida, pois não?

Não.

Bom dia.

Que bom estar cá tão cedo. Não é, Carlos?

Meu querido, que noite. Não preguei olho.

Um bêbado tocou violino no corredor, durante horas...

e na noite anterior também.

Nem ousei impedi-lo, podia ser um anarquista ou um republicano.

Hoje em dia nunca se sabe. Tão perturbador.

Querida, por que se veste sempre de branco?

Porque acho que me fica bem, senhora.

Sim, mas não sempre.

Imita a divina Sarah Bernhardt, sem dúvida.

Mas até ela, segundo me dizem, muda ocasionalmente de vestido.

Tem aqui um pequeno alfinete...

com o brasão dos Cárpatos.

Obrigada. Que simpática.

E tem aqui uma fotografia. Deixe-me ver.

Sim, assinei-a.

Obrigada, senhora.

Pode beijar-me, minha querida.

Sr. Northbrook, acompanha-nos à estação?

Claro. O rei já seguiu com o embaixador.

Há um carro para levar a Menina Marina onde quiser?

Claro, senhor.

Sim... Acho que devia variar um pouco de traje, minha querida.

Nada exagerado, claro.

Simplesmente, de vez em quando um vestido de dia normal.

Foi tão divertido. Adeus.

Adeus, senhora.

Mande-me uma fotografia.

Mande-a para o teatro.

Assine-a.

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