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Sou eu. Estou na estrada. Viste alguém na pista?
- Não. - Estou na clareira em duas horas.
- Lá estaremos. - Nós quem? Estás com quem?
Louis, estás com quem? Estás com o Vincent?
Louis, não vale a pena. Já não é preciso, entendes?
Está bem. Vamos buscar-te.
Louis?
Merda.
- Está tudo bem? - Sim, está tudo bem.
Com que então encontraste Sarah Bernhardt?
- Sim, foi sorte. - Sim, é verdade.
- Vai ser difícil de explorar. - Não. Nós arranjamos maneira.
OURO
Posso fazer-te uma pergunta?
Não te chateia sermos sócios do Silva e dos outros?
Depois de tudo o que se passou. O Tomasinho e o resto.
São negócios. Percebes muito disso, não é?
Sim.
Saíste-te bem até agora.
Obrigado.
Mas não deixa de ser estranho.
Quando pedi estágio na Minas, propuseram-me o Laos...
... instalar sanitas secas.
Podia estar lá.
A montar sanitas perto dos arrozais.
Sanitas secas?
Sim.
Não descarregas o autoclismo. Usa-se serradura.
É ecológico.
Compreendo.
- E pagavam bem? - Não.
É por isso que estou aqui.
Então não te arrependes?
Não.
Melhor.
Sai.
- Sim? - Sou eu.
Preciso que me faças um favor agora.
Sabes a pista do armazém que não leva a parte nenhuma?
O Vincent está lá.
Está sozinho e a pé. Pode estar ferido.
Precisa que alguém o vá buscar.
O que é que se passa? O que é que ele fez?
Encontra-o e acalma-o. Não estou em condições de o fazer.
Encontraste-o?
Sou eu.
Ainda bem que te oiço.
Se estás com a Nathalie, quer dizer...
... que sabes que não quero fazer-te mal.
Não quer fazer-te mal, Vincent.
Eu sei.
Terias mandado outro..
O Louis...
... desapareceu.
Fui atrás dele, mas não o encontrei. Ninguém sabe onde ele está.
Estás a ouvir? Sabes onde ele está?
- Não, não sei onde ele está. - Isso, tu não sabes.
Vemo-nos em Saint Elias.
Queres ir à polícia ou queres voltar?
- O que é que está ali escrito? - É da semana passada.
Já não vale.
Por isso mesmo.
- Já não vale. - Vá, diz-me. O que diz?
Sabes que matei um homem?
Um cliente. No Brasil.
Estava cheio de PCP. Gritava, partia coisas.
Tive medo
Apunhalei-o com uma faca. Aqui.
Por que me contas isso?
Por que me contas isso?
Isso devia unir-nos mais? É isso?
Eu matei um homem...
... mas se não to dissesse, não saberias.
Achas que toda a gente percebe, que está escrito na tua cara.
Mas não. És o mesmo.
Entendes?
O que raio estou a fazer aqui?
Esta não é a minha vida.
Não é mesmo a minha vida.
Sim.
Temos um pequeno problema com o teu último envio.
Está retido na aduaneira?
Não, não. Entregaram-mo. O sumo de açaí.
Puro. Mas este produto podia tê-lo comprado no Brasil.
Estou no teu armazém.
Com o inútil do teu indígena que não percebe nada.
É chato.
A Belaçaí garante as entregas até ao Brasil.
Se não há entrega, são reembolsados.
- Quando? - Em breve.
Quer açúcar?
Quer que o Tomasinho se cale. O que oferece em troca?
Monsieur Serra não guarda rancor ao seu cliente.
Segundo sei, resolveram uma disputa comercial.
Que o seu cliente não queira ser extraditado para o Brasil...
Que conte a um juiz tudo que ele quer ouvir, também.
Mas não funcionará.
A revista ao acampamento foi um fracasso.
Nada relaciona Antoine Serra com esse acampamento.
E se algumas pessoas sabem que o Tomasinho é um bufo...
... é um homem morto.
Não sei o que fazer. Se deixo o caso, ela mata-me.
Se o Tomasinho apanha o avião, ela mata-me.
Quem é ela?
Não sei de onde saiu. Diz que se chama Carmen.
- Roubaste-me ouro? - Sim, doze quilos.
E queres o quê?
A Belaçaí. Para mim. Uma empresa legítima.
A tua advogada redige a cessação e vocês assinam.
- O preço da venda é um euro. - Muito bem. Um euro.
O teu amigo Waki está com os brasileiros no armazém.
Sabes o que lhe farão se não lhes entregares o ouro?
Todas as decisões têm consequências.
E por vezes são imediatas.
É o que vais dizer ao Vincent?
Elarche, preciso de uma boa notícia.
Fiz um acordo.
A melhor forma de impedir um detido de testemunhar é libertá-lo.
Julgo que o Claudio pode ajudá-lo a sair.
Muito bem. Eu mando-to.
Vai a Caiena. A Elarche tem um trabalho para ti.
Certo.
Já não canta.
Seria bom ires à esquadra participar um desaparecimento.
Muito bem.
Esta noite não aconteceu nada.
Pergunta à Anita e ela diz-te.
Fornicaram a noite inteira. E eu estava no hotel.
O Louis...
... estava preocupado e foi para a floresta sozinho.
Não sabemos quando volta.
Mais nada?
É tudo o que posso dizer-te.
Não foste encerrar o acampamento.
Foste ver a mina.
E viste-a e disseste ao Louis.
Mandaste-o matar-me?
Não.
Mas ele pensava que eu concordava e queria fazê-lo.
Queres saber se estou chateado contigo?
Não estou.
A culpa não é tua, é minha.
Penso que a nossa sociedade já não é viável.
Porquê? Estás traumatizado?
Houve uma dezena de mortos desde que chegaste...
... e não te importaste.
Com este são onze. O décimo primeiro é teu.
Assume-o.
Quero voltar para casa.
Não sabes onde é.
Seja como for, não é aqui.
Aqui, no teu reino de atrasados. Já chega. Já o conheço.
E é assim, pequeno.
Queres ir? Muito bem, vai.
Mas antes saldamos contas...
Solucionamos os problemas como adultos.
A Nathalie quer a Belaçaí, por isso, vamos dar-lha.
Vamos preparar os documentos e assiná-los.
E tu vais falar com os brasileiros e vais negociar por ela...
... pela segurança dela.
Vais dizer que o ouro continua a chegar por outro meio.
E vais certificar-te de que não lhe acontece nada.
Se fizeres isso, talvez te deixe ir. Talvez.
Não devia haver gente como tu.
Gente como nós.
POLÍCIA FERIDO APÓS SER ALVEJADO
- Estou à espera de uma pessoa. - Eu sei.
Não se preocupe. Não demoro.
Não quero nada. Obrigada.
Tenho cuidado com a linha.
- O que quer? - Felicitá-lo
Dizem que desmantelou um acampamento perigoso.
É bom.
Isso e três casos de homicídio numa semana.
Jean Barada, Merlot, os dois drogados de Chicago.
Não é uma carreira, é um voo.
O caso Merlot não está arquivado.
Mas estará.
No meu primeiro ano em Caiena, comia aqui todos os dias.
É simpático. O Palácio da Justiça fica a 100 metros.
E é como tudo. Um dia comemos sopa a mais.
Sim, sobre o acampamento...
Seria uma pena a Cayenor começar a explorar o sítio...
... no próximo mês ou mesmo no próximo ano.
É imprudente fazer uma operação policial...
... e convidar um operador legal para estar no local.
A polícia não gosta que pareça que trabalham para a Cayenor.
E os polícias são coscuvilheiros.
É normal. Aborrecem-se na Guiana.
Bom apetite.
Onde vais ficar?
Na casa da tua mulher.
Ofereceu-me o quarto de hóspedes.
Estava a brincar.
Amanhã apanho o Cessna com o Vincent.
Vamos preparar a venda da Belaçaí.
- Queres que te leve? - Não.
Quero voltar para vir buscar a minha moto-quatro.
E quero ver o Waki.
Sobre a Belaçaí, não quero saber.
Não estou chateado. Faria o mesmo.
Tens a certeza de que não queres ficar?
Não há nada que possa dizer para te convencer?
Dizer o quê?
"Suplico-te"? "Amo-te"?
- "Se ficares deixo tudo"? - Qualquer coisa assim.
Nem tu acreditas nisso.
Ligo-te quando os documentos estiverem prontos.
E nessa altura devolves-me o ouro.
- Ficas bem? - Estou cansado.
Há aqui muito dinheiro.
Cinco, sete, nove, nove.
É tudo o que posso oferecer.
- "Garota de programa". - Exactamente.
Cinco, sete, nove, nove.
Queres uma última queca?
Não, obrigado.
O Tomasinho está tratado.
Foi-se embora.
Não disse nada. Partiu sem mais nem menos?
Sim. Tinha problemas e...
... foi-se embora.
- Talvez volte. Não sei. - Sabes quem o matou?
Não sei se está morto.
Pára, pai. Não é preciso.
Sabes quem o matou?
- Não foste tu, pois não? - Não.
Então quem foi?
Sabes?
Sim.
E o que vais fazer?
É complicado, minha querida.
- Lamento. - Porquê?
Fizeste tudo que podias para protegê-lo.
Não adianta nada lamentar.
Quero que te vás embora, pai. Por favor.
Escondemos o ouro. Duvidávamos do motorista.
Mas amanhã está resolvido. Recebem-no amanhã.
E a Belaçaí?
A Belaçaí acabou. Já não podemos usar a empresa.
Eu e o Serra vendemos a nossa parte.
Venderam a vossa parte?
- Não foi a nós. - Não, a vocês não.
- Está feito ou pensam fazê-lo? - Está feito e assinado.
E Serra deixa-te ir assim?
Sim.
Mas eu não posso deixar-te ir assim.
És muito esperto. A Belaçaí sem ti não vale nada.
Uma enfermeira e três indígenas num mês desaparecem.
É preciso abrir outra empresa.
Ou melhor, podemos contratar-te para a Açaí Beach.
Abrimos lojas em toda a Guiana. Vendas nos centros comerciais.
Um sistema de franchising.
Dar-te-íamos a chave e serias director-geral.
Terias um ordenado, fixo e variável, muito bom.
O que mais queres?
- E o que fará o Serra? - Esquece o Serra.
Está acabado, esgotado como o acampamento.
Tu tens futuro
A velha gosta de ti. A Clara gosta de ti.
A Clara não é uma modelo, mas é boa.
Não sabes até provares.
- Não é o meu género. - Preferes as magrinhas.
Podias continuar a ter a tua puta.
A Clara não é ciumenta e compreende essas coisas.
É uma proposta muito tentadora.
Mas tenho a impressão que não tenho escolha.
Não, não. Não tens escolha.
E eu também não tenho escolha.
Porque é importante.
Quando somos ricos, habituamo-nos.
E se tiveres um problema com os teus chefes anteriores...
... e quiseres vingar-te, também o faremos por ti.
- Fixo e variável? - Sobre toda a produção.
- Quanto? - Dez por cento.
Vá lá. Come a Clara, pelo menos uma vez.
Quando provares porco, o frango não sabe a nada.
Estamos quites.
Não me estás a fazer cavar ao calhas, pois não?
Não, não é o meu género de humor.
Isto pertence à Belaçaí.
Eu e o Waki temos um sócio novo.
Ampliámos a plantação dele. Sete hectares
Diz ao Vincent que a ideia dele era boa.
O Conselho Geral pagou.
Estamos à espera dos subsídios de Bruxelas.
Fantástico.
Boa sorte.
Igualmente.
Quatro mortos, 21 cartuchos e tu estás vivo. É um milagre.
- Tive sorte, sim. - Ou eras parte do golpe.
- Leu o meu depoimento? - Duas vezes. Adorei
Sobretudo a parte da entrevista de trabalho.
- Na... - Açaí Beach.
É uma empresa brasileira. Fazem sumo de açaí.
- São os surfistas que o bebem. - De onde os conhecias?
Fiz num estágio numa empresa semelhante, a Belaçaí.
- E correu bem? - Sim. Arranca aos poucos.
Convidaram-te para almoçar e o Tomasinho e a cúmplice
aparecem, cometem quatro homicídios
à tua frente e não te matam. Porquê?
- Se os apanhar, pergunte-lhes. - Vou tê-lo em consideração.
E foram vocês que disseram que ele se chamava Tomasinho.
Eu só vi um tipo baixo e uma rapariga.
- Que nunca tinhas visto. - Nunca.
Aceitou?
- A sua oferta de trabalho. - Não. Pensava recusá-la.
Perfeito. Não perdeste nada.
- Estou feliz por estar vivo, sim. - Isso é compreensível.
É tudo? Não tem mais nada a dizer?
Não, não vejo o quê.
Sobre Patrice Merlot, por exemplo. Também o conhecias.
Claro. Estive quatro semanas na Cayenor. Não gostei.
- E sobre Antoine Serra? - Porquê, está morto?
Não, o Serra está bom. Muito bom. Por agora.
Um dos amigos dele desapareceu. Procurámo-lo. Louis Bayéké.
Cruzei-me com ele em Saint-Elias.
Trabalhava no bar do Hôtel de la Paix.
- Trabalhava? - Vocês disseram que ele desapareceu.
Sim, e como encontramos a carrinha dele carbonizada...
... com quatro tiros, concordo consigo.
Penso que podemos falar dele no passado.
E sobre isso, também não tem nada a dizer?
- Não. - Não tens nada para nos dizer?
Não.
Morre muita gente por onde passas.
E continuará a morrer quando eu partir.
Tens de apanhar um avião?
Trato-o por tu, por acaso? Porque é falta de educação.
E sim, tenho um avião para apanhar.
A Guiana é muito perigosa para mim.
O Tomasinho e os Quinteiro são uns selvagens.
Agora vão passar uns meses uns atrás dos outros.
Ninguém vai pensar que o Tomasinho faz isto por ti.
Ficas com o ouro e com o dinheiro dos Quinteiro.
Quanto te custou?
A liberdade do Tomasinho e um pequeno quilo.
Não é caro.
- Queres a tua parte? - Não, obrigado.
Dei o meu cartão de crédito à Anita.
Não há nada mais ridículo do que um penitente.
Pensava que Saint-Elias tinha sido fundada por um.
É uma lenda.
A tua mina, pelo contrário, é muito real. Estive lá dentro.
Pode ser explorada.
Com três ou quatro homens bem equipados, é possível.
Sai. A aventura acabou para ti.
Não há aventuras.
Só casos na floresta, mais nada.
Vês? Ao menos, aprendeste alguma coisa.
Vais voltar?
PARTIDAS
- O código? - Cinco, sete, nove, nove.
Podes ficar com a casa e com a conta no chinês.
Mas vais ter de trabalhar. Não posso sustentar-te.
Eu sei.
Putas não faltam.
Mas uma empregada de balcão com classe, que trate das raparigas,...
... poderia ser útil.
E tenho percentagem sobre as raparigas?
Sim.
Merda! 12 mil euros.
Já não cantava.
O meu relatório de estágio.
Esqueceste-te de assiná-lo.
Ripadas por: darkdevil
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