All language subtitles for Tous Les Matins Du Monde (1991) - 1080p FR x264 aac mHDgz

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Original subtitles

Seus dedos parecem garrotes!

N�o o posso seguir voc� n�o escuta.

N�o se precipite!

Retome marcando os primeiros tempos.

Desde o come�o.

Pare! O Mestre fez um gesto.

O Mestre quer falar.

Diga, Mestre.

Toda nota deve terminar.

morrendo.

TODAS AS MANH�S DO MUNDO

"Morrer". suas arcadas s�o muito fortes.

Tenha presente que as arcadas.

s�o pessoas imensamente amadas.

que se afastam nas sombras. De repente.

sem que saibamos por que, perdemo-las de vista.

e nossos olhos se enchem de l�grimas.

voc� toca de maneira muito mon�tona!

A m�sica � como a ca�a.

Ter� que acelerar de repente, ao aparecer o cervo que mataremos.

Ter� que articular com firmeza quando o devoramos.

Reter um instante antes do prazer.

O fim da m�sica � transportar a alma.

fazer perder o sentido!

Emocionar!

O fim � a do�ura.

N�o!

Noooo!

As sombras.

Deme!

me d�em!

Nas sombras.

Que deseja, Professor?

Uma viola! me d�em uma viola!

O Professor vai tocar!

Faz falta uma viola para o Sr. Marais!

me d� a sua! me deixe!

V�o-se, saiam todos!

V�o-se!

N�o, Brunet. Que fiquem!

Quero que fiquem todos.

Marin Marais vai a dar uma li��o.

Que se sentem!

Ter� que fechar os portinhas.

Austeridade!

Era s� austeridade e ira.

Surdo como um pescado.

Sou um impostor.

N�o, professor!

e n�o valho nada.

N�o.

Ambicionei um nada,.

e recolhi um nada,.

do�ura,.

dinheiro.

e vergonha.

Ele, era a m�sica.

Observava o mundo com essa grande luz.

que se acende para os moribundos.

N�o sou o que ele desejava de mim.

Tinha um professor.

e as sombras o levaram.

chamava-se Senhor do Sainte Colombe.

Na primavera de 1660,.

certa tarde o senhor. do Sainte Colombe.

estava junto ao leito de um amigo, o defunto Vauquelin,.

que tinha manifestado seu desejo de morrer.

com m�sica e um pouco de vinho do Puisey.

Essa mesma tarde da primavera,.

morreu a senhora. do Sainte Colombe.

N�o se consolava da morte de sua esposa. Amava-a.

Nessa ocasi�o comp�s a "Tumba dos Lamentos".

Meu professor ensinava a viola que, por ent�o,.

despertava grande entusiasmo.

Era um professor reconhecido.

Era jansenista.

Tinha duas filhas.

O Sr. Do Bures estava-as esperando!

Do Bures era da sociedade que frequentava Port-Royal.

�s meninas ensinou as letras, os n�meros,.

hist�ria Santa e os princ�pios do latim.

O mesmo Sainte Colombe os tinha inculcado.

as chaves e as notas.

A lembran�a de sua esposa n�o lhe deixava:.

sua figura estava permanentemente ante seus olhos,.

sua voz lhe seguia sussurrando ao ouvido.

Pouco a pouco, enclausurou sua porta.

Vendeu seu cavalo e encerrou-se na m�sica.

Toinette, retorna!

Encerrado em sua cabana, praticava at� 15 horas ao dia.

Ele ideou outra maneira de sustentar a viola.

entre os joelhos.

Tamb�m lhe adicionou uma s�tima corda ao instrumento.

para lhe dar uma dimens�o mais grave e um ar mais melanc�lico.

Aperfei�oou a t�cnica do arco, aliviando o peso da m�o,.

pressionando com os dedos indicadores e m�dio sobre as cordas,.

coisa que fazia com assombroso virtuosismo.

dizia-se dele que poderia imitar todas as inflex�es da voz.

Do suspiro de uma jovem at� o solu�o de um anci�o.

Do grito de guerra de Enrique da Navarra.

� do�ura do f�lego de um menino dormido.

Ele temia que suas filhas n�o fossem bem instru�das.

por um homem que estava sozinho.

Era severo com elas, mas n�o lhes levantava a m�o.

Encerrava-as no por�o e ali as esquecia.

Madeleine, a cada ira de seu pai, era como um navio.

que naufraga e se afunda de improviso.

Suas alegrias n�o sempre eram compreens�veis.

Estava cheio de dificuldades.

Onde est� mam�e?

Agora t�m que ser boas e trabalhadoras.

Sinto falta da sua m�e. Era minha alegria.

J� nem me ou�o falar.

Sua m�e sabia falar.

e sabia rir.

N�o encontro prazer em conversar.

Nem na companhia da gente, nem dos livros.

Mas as amo �s dois.

e com isso � suficiente.

Seu pai as via cada vez menos.

Permanecia na cabana, sentado em seu tamborete.

Alegrias ou lamentos nasciam �s vezes de seus dedos.

Quando lhe obcecavam, abria seu caderno de m�sica vermelho.

e as anotava depressa para n�o pensar mais.

Quando Madeleine teve estatura para aprender a viola.

ensino-lhe as posi��es, acordes e arpejos.

Tamb�m.

N�o, n�o quero.

Nem as priva��es de mantimentos nem os fechamentos.

puderam diminuir o despeito do Toinette.

por ser t�o pequena para tocar a viola.

N�o, n�o quero.

Certa manh�, antes do alvorada, Sainte Colombe se levantou.

Caminhou at� o rio.

Foi seguindo o Sena at� o Dauphine.

Passou o dia todo com o Sr. Pardoux.

Para as P�scoas, no jardim,.

Toinette descobriu uma estranho sino.

envolta como um fantasma.

Durante v�rios anos viveram em paz e para a m�sica.

Chegou o dia em que, uma vez ao m�s.

Madeleine tinha que aplicar-se compressas por causa da menstrua��o.

Toinette abandonou sua pequena viola.

Os concertos para tr�s viola do Sainte Colombe.

foram renomados.

Os Srs. Caignet e Chambonnieres elogiavam as reuni�es musicais

Eram o deleite dos nobres.

Este m�sico � inaudito.

Toca melhor que eu.

Certo toca melhor que voc�

Toca melhor que o violinista do rei.

voc�, senhor, vive em a ru�na e o sil�ncio.

Invejamo-lhe esta vida selvagem.

Invejamos os bosques verdes que lhe rodeiam.

voc� � um professor no arte da viola.

e recebi ordem de convid�-lo a apresentar-se na corte.

Sua Majestade manifestou o desejo de ouvi-lo.

Em caso de ficar satisfeito,.

acolheria-o entre seus m�sicos de c�mara.

Nesse caso, terei a honra de estar a seu lado.

Senhor,.

confiei minha vida a estas madeiras perdidas em um vergel.

A.

os sons das sete cordas de minha viola. A minhas duas filhas.

Meus amigos s�o as lembran�as.

Meu corte s�o: os salgueiros, a �gua que corre, as flores de sa�co.

lhe diga a Sua Majestade que um selvagem n�o cabe em um pal�cio.

voc� n�o compreendeu a peti��o!

Perten�o � c�mara do rei.

Os desejos de Sua Majestade s�o uma ordem.

Sou t�o selvagem que acredito que s� me perten�o mesmo.

Sua Majestade foi muito generoso ao posar seus olhos em mim.

Voltarei!

Sua Majestade,.

a corte, os m�sicos de Sua Majestade voltaremos.

Servi�o do Rei!

Servi�o do Rei!

O desgosto de n�o ser obedecido aumentou a impaci�ncia do rei.

por ver o m�sico ante si.

E enviou novamente a seus emiss�rios para convenc�-lo.

voc� esconde seu nome entre patos, galinhas e peixes.

voc� oculta o talento que deu-lhe Nosso senhor.

no meio do p� e a orgulhosa mis�ria.

Sua Majestade e a corte conhecem sua reputa��o,.

j� � hora de desfazer suas r�sticas maneiras.

e aceitar seus favores,.

de fazer uma peruca frisada.

Seu peitilho est� passada de moda.

Estou passado de moda!

Agrade�o a Sua Majestade.

Prefiro a luz do crep�sculo em minhas m�os.

que o ouro que me oferece.

Prefiro meu basta roupa a suas perucas.

Prefiro minhas galinhas a os violinos do rei.

e meus porcos a voc�s

Senhor!

V�o-se!

- E n�o me falem mais! - Est� louco!

vai se apodrecer no barro,.

no horror do sub�rbio,

como uma ameixa em seu vergel.

Seu pal�cio � mais pequeno que uma cabana.

e seu p�blico n�o soma uma pessoa.

Ao Rei gostou de tal resposta.

Pediu que deixassem ao m�sico.

e ordenou a seus cortes�os.

que n�o voltassem para seus concertos,.

porque meu professor era um recalcitrante e tinha sido.

parte desses Sres. do Port Royal.

antes de que ele dispersasse-os.

Passaram os anos.

Os Sainte Colombe davam s� um concerto por temporada.

Cada vez anotava menos composi��es novas.

em seu caderno vermelho.

N�o quis as imprimir nem as submeter.

� opini�o do p�blico.

Dizia que eram fruto de improvisa��es do momento.

e s� esse instante lhe servia de desculpa.

Sonhava com sua mulher, com seu maneira de fazer as coisas.

seus conselhos certeiros, seus quadris,.

com seu ventre, que lhe tinha dado duas filhas que j� eram mulheres.

Um dia sonhou que entrava em �gua escura e ali ficava.

Tinha renunciado a todas as coisas que amava nesta terra.

Ao despertar, lembrou a 'Tumba dos Lamentos'.

que comp�s quando sua esposa o deixou.

para ir reunir se com a morte.

e sentiu muita sede.

Ent�o ficou a tocar a 'Tumba dos Lamentos'

N�o precisou dirigir-se ao livro.

Seus dedos encontraram as posicione no instrumento.

Esta visita n�o foi a �nica.

depois de pensar que estava louco, meu professor considerou que,.

de ser loucura, era uma loucura ditosa,.

e de ser verdade, era um milagre.

O amor de sua mulher era ainda maior que o seu,.

porque voltava junto a ele e ele n�o podia lhe devolver a visita.

Pediu a um amigo do gr�mio de pintores.

que representasse o escrit�rio junto ao que sua mulher.

tinha aparecido.

Escondeu o quadro e o p�s em seu quarto.

Com ningu�m falou dessas visitas.

Sentiu que sua ira se afastava.

Em seu interior,.

sentia que algo tinha culminado.

Ent�o, um mo�o de 17 anos,.

vermelho como a crista de um galo, veio a golpear sua porta.

Era eu.

Meu nome � Marin Marais.

Meu pai � sapateiro.

Aos 6 anos, devido a minha voz, entrei.

na escolan�a da igreja que est� junto ao castelo do Louvre.

Durante 9 anos vesti sobrepeliz e vestido vermelho,.

e cantei.

Durante 9 anos cantei na escolan�a real,.

nos of�cios, nos servi�os nas missas e nas v�speras.

Mas me cresceram cabelos nas pernas e bochechas.

minha voz se danificou,.

jogaram-me � rua tal como estipula o contrato.

Por �ltima vez empurrei a grande porta dourada.

Pus-se a correr pela rua para o areal.

ia chorando.

O Sena estava coberto por uma luz imensa.

Meus companheiros ainda conservavam sua voz.

e se tinham ficado.

Eu, sentia-me sozinho,.

com meu grosso sexo pendurando entre as coxas.

Segui pela borda, caminho da casa de meu pai.

Na sapataria subi a me encerrar em meu quarto,.

acima da oficina.

como sempre,.

meu pai n�o parava de golpear ou de raspar.

As marteladas me arrancavam o cora��o e me enojavam.

Repugnava-me o aroma de ferrugem dos couros macerando-se,.

o tamborete que chiava, os gritos de meu pai,.

tudo se me fazia insuport�vel. E me disse: vou de casa.

Vingarei-me desta voz que me abandonou.

Serei um violinista c�lebre.

Estudei quase um ano com o Sr. Cagnet.

Logo me encomendou ao Sr. Maugars.

Ele foi quem me perguntou se ouvi falar de sua s�tima corda.

Me fez trabalhar durante 6 meses e me julgou t�o bom.

que me enviou a v�-lo com esta carta.

Que toque! � tudo. Que improvise sobre as 'Folias'.

Sr. poderia improvisar sobre as 'Folias da Espanha'?

Sim.

N�o acredito que possa admiti-lo como aluno.

me diga por que!

voc� faz m�sica, mas n�o � m�sico.

Talvez o Sr. recorde algo que tenha composto!

OH, est� bem pai!

Est� muito bem.

voc� que diz?

Volte dentro de um m�s.

Ent�o lhe direi se puder cont�-lo entre meus alunos.

Quando cheguei para minha primeira li��o, Madeleine.

abriu-me o port�o.

Tinha o decote aberto.

Iria me banhar; vou recolher me o cabelo.

Essa � a cabana onde toca meu pai.

Senhor, praticou muito?

Conhece a posi��o do corpo, interpreta com sentimento?,.

sua m�o esquerda salta como um esquilo.

e se desliza qual enguia sobre as cordas.

Seus floreios s�o engenhosos e encantadores.

Mas eu n�o ouvi m�sica.

voc� poder� assistir aos que dan�am, ou acompanhar.

aos atores no cen�rio.

Tudo o que escreva.

vai gostar. N�o far� chorar a ningu�m,.

vai se ganhar a vida. Viver� rodeado de m�sica,.

mas voc� n�o ser� m�sico.

Tem cora��o para sentir?

Tem id�ia de que servem os sons, quando.

j� n�o se trata de dan�ar nem alegrar os ouvidos do rei?

Entretanto, sua voz cascata me comoveu.

Aceito-o por sua dor,.

n�o por sua arte.

Passaram os meses.

Um dia de muito frio, n�o pudemos trabalhar muito na cabana.

T�nhamos os dedos intumescidos e procuramos casaco na cozinha.

Este veio me esquenta o peito e os pulm�es.

Olhe, senhor.

Conhece pintor Baugin?

N�o, senhor, nem a nenhum outro.

Faz um tempo encarreguei-lhe um tecido.

Entende?

trata-se do rinc�o do escrit�rio.

que est� em meu quarto de m�sica. Entende?

Sim, entendo.

vamos visitar lhe.

Escute,.

como se destaca o �ria.

Tudo o que a morte se levar� j� est� em um nada.

S�o os prazeres do mundo que nos dizem adeus ao retirar-se.

Escute o som que devolve o pincel do Baugin.

voc� aprendeu a t�cnica do arco.

O que est� resmungando?

Comparava o arco de minha viola com seu pincel.

N�o s�o mais que palavras.

gosto do ouro.

As coisas mortas contam.

Sr. o segredo de nossa arte, � a surpresa.

Senhor, voc� acredita a s�rio que o ouro empresta?

Senhor, voc� aprendeu o destaque dos floreios.

Tamb�m era uma escala crom�tica.

N�o.

Ser� que a verdadeira m�sica est� ligada ao sil�ncio?

N�o.

J� � noite fechada. Tenho frio nos p�s. Adeus.

Agora se trata de despertar uma emo��o em nossos ouvidos.

Est� furioso porque ontem toquei ante o rei, na capela.

Olhe, um dos guardas avisou-me.

que a viola se prendia fogo.

Toque!

Poderia-me dar uma explica��o.

O que � um instrumento? N�o � a m�sica.

Com isto pode comprar um cavalo de circo.

para fazer piruetas frente ao rei.

Ou�a os solu�os que a pena arranca a minha filha?

Est�o mais perto da m�sica que suas escalas!

V�-se daqui para sempre!

voc� � um bom malabarista.

Os pratos voam sobre seu cabe�a Y.

voc� n�o perde o equil�brio. Mas � um pobre m�sico!

Teria que tocar no Versalles,

ali lhe atirariam moedas para beber.

Ensinarei voc� tudo o que me ensinou meu pai.

Seu pai,...� um homem mau.

Voltei.

Subimos ao quarto do Madeleine �s escondidas do professor.

Ela me ofereceu tudo o que tinha.

Juntos, escond�amo-nos sob a cabana para escutar.

os virtuosismos do professor.

e aprender seus acordes preferidos.

Quando fiz 20 anos, no ver�o de 1676,.

anunciei ao Madeleine que.

entrava na corte como 'm�sico do Rei'.

Um dia estalou uma tormenta quando est�vamos escondidos.

N�o, pai!

Lhe amo, pai!

As nuvens de tormenta logo se dissiparam.

e tiramos as redes ao jardim.

N�o quero v�-lo mais. � a �ltima vez!

N�o me ver� mais.

Quer desposar a meu filha?

Ainda n�o posso dar minha palavra.

Toinette foi ao luthier e retornar� tarde.

N�o sei se o daria a minha filha.

Sem d�vida encontrou um posto conveniente.

As composi��es que p�blica s�o h�beis.

e, as destrezas que os adiciona, rouba-me isso.

Pouco importa.

S�o s� nota negras ou brancas impressas em um papel.

Mas h� outra coisa.

H� algo mais.

� a vida apaixonada que eu vivo.

voc� vive uma vida apaixonada?

Faz tempo que quero lhe fazer uma pergunta.

por que n�o p�blica o que comp�e?

meus filhos, eu nunca compus nada.

Para P�scoas, os Sres. do Port Royal.

enviavam a meu professor uma limusine para que.

devesse tocar, em trevas, o of�cio em que se apagam,.

um a um, os c�rios que representam o nome de Deus.

Ent�o, ele n�o podia deixar de pensar em sua esposa.

e na pena que sentia por n�o ter assistido a sua morte.

Vivia um amor que com nada diminu�a.

Parecia-lhe que era o mesmo amor.

Todas as noites eram a mesma noite.

Todos os frios eram o mesmo frio.

� melhor que voltemos.

Gostaria de poder lhe oferecer gel�ia de p�ssego!

Mas n�o posso

N�o posso.

N�o sei como lhe dizer.

passaram 12 anos e nossas len��is ainda est�o mornos.

Eu ia cada vez menos.

Madeleine me confiava tudo.

Sob juramento, confessou-me que seu pai tinha composto.

as melodias mais belas do mundo.

N�o deixava que ningu�m as ouvisse.

'A Barco do Caronte', 'A Tumba dos Lamentos'. 'O Pranto'.

Madeleine, nossas escalas, nossos arpejos.

Sim, pai.

E eu, o que te pare�o?

Quer um caldo?

Que formosa estava a capela...!

Agarrei-a!

J� n�o fica nada para voc�. Vou.

Deixo-te, porque conheci a outras mo�as.

A vida � t�o bela como feroz.

N�o fale mais, vete!

Madeleine se foi debilitando e caiu em cama. Estava gr�vida.

Teve um menino que nasceu morto.

Como � poss�vel que venha aqui depois de morta?

Onde est� sua barco? Onde meus l�grimas? N�o � voc� um sonho?

Acaso estou louco?

N�o se inquiete, meu amor.

Nossa barco jaz no fundo do lago.

O outro mundo n�o � mais estanque que um navio.

Sofro por n�o poder toc�-la.

N�o h� nada para tocar, s� ire.

Crie acaso que n�o se sofre sendo s� ar?

E �s vezes, o ar traz-nos m�sica.

E �s vezes, a luz aproxima s� apar�ncias.

Madeleine adoeceu gravemente.

Toinette me dava �s escondidas not�cias de sua irm�.

Disse-me que seu pai as fez segundo suas instru��es.

Eu deixei.

de ir.

Passou o tempo e perdi de vista aos Sainte Colombe.

Toinette se casou com o filho do Pardoux,.

meu luthier.

de quem teve cinco filhos.

� morte do Caignet,.

nomearam-me Ordin�rio da C�mara do Rei.

Casei-me com o Catherine D�Amicourt.

Quando Lully me p�s a dirigir suas orquestras,.

voltei para tema 'A Sonhadora' que tinha composto para o Madeleine.

Sainte Colombe chegava at� o leito de sua filha.

mas n�o encontrava nada para lhe dizer.

Pai.

Poderia me conceder um desejo?

Gostaria que toque.

'Qu�o sonhadora Mar�n comp�s para mim.

Meu professor lhe pediu ao Toinette.

que me fora a procurar ao Versalles.

Ordenava-me que fora a visitar sua filha moribunda.

N�o.

Meu pai n�o estar�.

N�o a vai reconhecer. cai quando caminha.

Meu pai lhe d� de comer na boca.

A toda costa quer lhe dar gel�ia de p�ssego.

Vejo-o cheio de cintas magn�ficas, senhor.

E gordo.

Agrade�o-lhe que viesse desde o Versalles.

Gostaria de lhe ouvir tocar essa melodia que comp�s para mim.

e que mandou publicar.

refere-se � Sonhadora'?

Sim.

E voc� sabe por que.

Sim.

A viola est� sempre...?

A viola est� sempre.

Suas bochechas est�o afundadas, seus olhos tamb�m.

Suas m�os est�o muito fracas.

� uma observa��o muito delicada de sua parte.

Sua voz � mais baixa que antes.

Sua � mais alta.

Como pode ser que n�o tenha pena?

ficou-se t�o magra...!

N�o recordo.

N�o recordo nenhuma pena recente.

Guarda-me rancor?

Sim, Marin.

Odeia-me pelo que fiz?

Meu �dio n�o � s� para voc�

Tamb�m me odeio mesma.

Por me haver deixado secar, por sua primeira lembran�a.

e de tristeza depois.

S� sou um mont�o de ossos.

Nunca foi muito gorda.

Quando minhas m�os percorriam suas coxas.

meus dedos alcan�avam a juntar-se.

Que v�o t�m suas palavras!

Pensar que queria ser sua esposa!

O amor que me tinha era mais magro.

que o bordo de minha camisa.

Memore.

Toca, por favor,.

touca.

Prefiro que toque.

Mais lento. Lentamente.

Ele n�o queria ser sapateiro.

Ele n�o queria ser sapateiro.

Todas as manh�s do mundo n�o retornam.

N�o s� n�o falou mais durante seis meses.

mas sim tampouco tocou sua viola:.

esse desgosto lhe tocava pela primeira vez.

Quando soube do fim do Madeleine,.

cada noite despertava angustiado.

Sem cessar recordava as melodias que me tinha cr�dulo em segredo.

'Os infernos', 'A Barco do Caronte',.

'O Pranto', 'A Tumba dos Lamentos'.

N�o suportava que as obras de meu professor.

perdessem-se com sua morte.

N�o queria viver sem as ouvir uma vez mais.

Queria essas obras.

Com chuva ou neve, deixava Versalles e chegava at� o Bieve.

Meus p�s caminhavam por passos conhecidos.

Durante tr�s anos, cada noite me disse:.

'Acaso esta noite tocar� essas melodias?'

Mas n�o as tocava.

Eram largos sil�ncios nos que se falava com si mesmo.

Ouvia-o desempoeirar a viola ou a mesa.

Onde est� sua barco? Onde minhas l�grimas?

Ao fim, em 1689, a noite do veintitresavo dia,.

o frio era intenso, o vento picava nos olhos e orelhas.

N�o havia uma nuvem. Recordarei-o enquanto viva.

Disse-me:.

'A noite � pura, o ar transparente,.'

'...o c�u mais frio e mais eterno, a lua enche.'

Sinto ranger os cascos por mim cavalo. esta acaso � a noite!

Tinha frite as n�degas. Meu sexo estava pequeno e gelado.

lhe oferecer gel�ia de p�ssego.

Dirijo �s sombras antigas.

Se houvesse ao menos, algu�m vivo que apreciasse a m�sica!

Poder�amos falar!

E me poderia morrer.

Quem sussurra em o sil�ncio da noite?

Um homem que foge dos pal�cios e busca a m�sica.

Que busca na m�sica, senhor?

Procuro os lamentos e o pranto.

Sente-se.

Posso lhe pedir uma �ltima li��o?

Pode tentar uma primeira li��o?

Quero falar.

A m�sica est� para dizer aquilo que a palavra n�o pode.

� por isso que n�o � de tudo humana.

J� descobriu que n�o est� feita para o rei?

Descobri que estava feita para Deus.

Pois, equivocou-se. Deus fala.

Para o ouvido?

O que n�o se pode dizer, n�o � para o ouvido, senhor.

Por dinheiro?

A gl�ria?

O sil�ncio?

O sil�ncio � o oposto da linguagem.

Os m�sicos rivais?

O amor?

N�o.

A perda do amor?

N�o.

O abandono?

N�o e n�o.

Por uma barquinha dado ao invis�vel?

Tampouco. O que � uma barquinha?

Algo que se v�. Tem sabor. come-se. N�o � nada.

N�o sei. Senhor.

n�o sei mais.

Aos mortos lhes oferece um copo.

Tamb�m se consome.

Um abrevadero para os que n�o t�m linguagem.

Para o assombro dos meninos.

Para suavizar as marteladas dos sapateiros.

Para o estado que precede � inf�ncia.

Quando n�o t�nhamos f�lego nem luz.

Faz um instante ouviu-me suspirar.

Logo vou morrer. e minha arte comigo.

S� meus gansos e minhas galinhas sentir�o saudades.

Confiarei-lhe um par de melodias.

capazes de despertar aos mortos.

Vamos!

Faz-nos falta um gole.

Temos que procurar a viola de minha difunta filha.

Farei-lhe escutar 'A Tumba dos Lamentos'

Nunca, entre meus alunos, encontrei algum com ouvido para escut�-la.

voc� vai me acompanhar.

Assim, de 'A Tumba dos Lamentos'.

tocamos 'O Pranto'.

Orgulha-me hav�-lo instru�do.

Poderia interpretar para mim a melodia.

que gostava a minha filha?

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