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Original subtitles

OURO

Não te mexas.

Dá-lhe de beber.

Não dês muita ou vomita. Merda.

O que estás a fazer é inútil.

As feridas vão infectar na floresta. Vai morrer, seja como for.

Não quero saber.

Antigamente também disparava com chumbo...

... mas deixei de fazê-lo. É nojento.

Estou à tua espera. Despacha-te.

Vou assim que acabar.

Ajuda-a. Segura-a.

Não te mexas, não te mexas.

Não devíamos estar aqui. Devíamos mostrar-nos.

Em Caiena, em Saint-Elias, não interessa, mas não aqui.

Para assegurar o acampamento,

tenho de ir ao Brasil negociar com a velha Quinteiro.

É aqui.

Sim. Encontraste uma mina antiga.

Encontrei a Sarah Bernhardt.

- Sozinho? - Sim, caí lá dentro.

Admitindo que tens razão...

... para explorar uma mina destas é preciso tempo e não o temos.

Mas podemos estar a falar de duas a três toneladas.

Uma tonelada de ouro são 34 milhões de euros.

É por aí?

Achas que te vou dizer? Antes temos de falar.

Tens noção de que agora que estamos aqui...

... podia matar-te e encontrá-la sozinho?

Força.

Agora é mais difícil meter-me medo.

Esta semana fui atacado, roubado, ...

... regado com combustível.

Até me bateram uma com uma arma apontada.

Sim? E gostaste?

O que queres?

Já não sou estagiário. Somos sócios...

... e a minha parte deixa de ser 10% e passa a 30%.

Parece-te bem?

Enquanto não pudermos explorá-la, ninguém deve saber.

Mais ninguém. Nem o Louis, nem a Anita.

Já tinha pensado nisso.

E os 30% incluem a minha confiança.

Tivemos alguns problemas. São coisas que acontecem.

Sei que passaram muito. O júnior vai dar-vos um bónus.

E começamos a trabalhar. Há coisas que vão mudar.

O Vicent e eu e não estaremos aqui. O novo chefe é o Claudio.

E o novo encarregado será o Vao.

Se acharem que podem aproveitar a minha ausência para roubar...

... lembrem-se de que conheço quem vos trouxe aqui.

E que ele conhece as vossas famílias. Entendido?

- Vais-te embora? - Sim, vou.

- Para onde? - Para Saint-Elias.

- Queres vir? - Para casa do Serra?

Não, vou procurar uma casa.

É uma proposta?

Sim, é uma proposta.

Mas tens de deixar de trabalhar.

Se vieres, estás comigo.

Estou pronto.

Tenho de negociar com o Quinteiro para proteger o acampamento.

Fomos lixados porque dependemos do rio.

É um beco sem saída.

Vamos abrir uma estrada.

Vamos a pé e deixamos marcos. Fazemos uma saída de emergência.

Sim, boa.

Levamos a Anita.

Se quiseres.

Funcionas com o mínimo. Uma bomba e uma equipa.

Assim tens combustível para três dias.

Depois ligo para dizer se continuamos.

Nós vamos embora. Fica ali em cima.

Não te separes da arma e olhos bem abertos.

- Certo. E fico até quando? - Até novas ordens.

Toma.

Uma hora depois de partirmos, dá um tiro à brasileira.

Tê-la aqui a agonizar não serve de nada.

- Tenho de ir com o Serra. - Certo.

Muito bem.

- Adeus. - Adeus.

- Vamos! - Vou já.

Não são os únicos a querer explorar açaí.

Há seis anos que aposto nele. Aqui tenho 60 hectares.

No próximo mês, plantarei mais sete para ali.

Estão a trabalhar com quanto? Cinco, seis hectares?

Com os indígenas, a colheita...

Os indígenas já colhiam açaí...

... quando os teus antepassados estavam em África.

E neste tempo todo não aprenderam nada.

- Como o quê, por exemplo? - Como conservar os cachos.

Vejam. Se apertar um pouco, a seiva continua a sair.

Isto permite conservar o fruto mais dois dias.

O talo alimenta o fruto.

Mas eles não. Arrancam o fruto quando cortam os cachos.

É normal. Vendem ao quilo. E apodrecem.

Que percentagem perdem em cada colheita?

Muito bem. Vejo que dominas o tema da produção.

Mas nós queremos investir na transformação.

- Queremos fazer sumo. - Boa sorte.

Para ter uma fábrica rentável, precisam de 200 hectares.

Gabriel, vamos ter subsídios.

É uma surpresa. Não há subsídios para o açaí.

Fui ao Conselho Geral. Sabem o que me disseram?

Se queres subsídios, planta bananas.

Vamos enviar os formulários directamente para Bruxelas.

Muito bem. Já têm resposta?

Deixa-o. Já te disse que ele não quer associar-se.

Vê-se que é incapaz de partilhar.

Querias o quê? Só partilha quem não tem nada.

- Gilbert, vem comigo. - Sim.

Não te preocupes. Passamos bem sem ele.

Sim, Heléne, é a Nathalie. Não, não tenho notícias.

Não quero saber. O problema já não é meu.

O marido é teu. Guarda-o tu. Sim, liguei por outra coisa.

Conheces alguém no Conselho Geral?

O que foi isto?

Como queres que saiba? Um caçador?

Não estamos sozinhos na floresta.

Merda.

Vincent.

Toca.

- Mimosa pudica. Conheces? - Não percebi bem.

Quando chegamos a Saint-Elias, pensam viver os dois no meu hotel?

Enquanto não encontrarmos melhor, sim.

E ela vai trabalhar?

Já te explicou o que significa ser "garota de programa"?

Vês? Ela sabe o que quer dizer.

"Garota de programa" é uma especialidade brasileira.

Significa "rapariga de programa". É um processo.

Primeiro, convence-te pela pila. Fode-te e fode-te bem.

A Anita é boa nisso. É a minha melhor puta.

Depois, apanha-te o coração. Sente-se mal.

É triste, tem problemas.

A família tem problemas. Problemas de dinheiro

e ela gostaria que a ajudasses.

E tu queres que ela goste de ti. Dás-lhe dinheiro, presentes.

Ela agradece e tu ficas louco de alegria.

Apanhou-te o coração.

E depois, é a cabeça.

Pouco depois, não funciona. Ela nunca está satisfeita.

Fica aborrecida, queixa-se. Vocês discutem a toda a hora.

Tu ficas louco, não sabes como satisfazê-la.

Já não gozam. Ela apanhou-te a cabeça.

Depois volta à pila. Volta a foder, melhor do que antes.

Recupera o coração e volta a ser amável.

Já tem a cabeça, a pila e o coração.

Estás disposto a tudo para não a perderes.

Estás disposto a dar tudo o que tens.

E é precisamente tudo o que tens que ela te vai tirar.

"Garota de programa".

Só diz disparates. É um velho.

Pareces cansado. Acampamos aqui?

Matamo-lo e vendemos com o ouro.

Eu consigo vendê-lo.

Não é suficiente.

Waki, é o Serra.

Daqui a uma hora estamos na bifurcação da estrada velha.

Vem buscar-nos.

Vale a pena perguntar de onde vieram?

Não, não vale a pena.

Calma. Eles conhecem-me.

A colheita foi boa?

Sim, fazemos o que podemos.

E vocês? Apanharam o Tomasinho?

Sim, no rio. Levamo-lo para Caiena.

Bom trabalho.

- Bom... - Boa viagem.

Recuperámos o acampamento. Temos uma saída de emergência.

Temos um armazém.

O Waki é amigo da polícia e o Tomasinho está preso.

Só faltam os Quinteiro. Afinal não está a correr mal.

Há 50 famílias de agricultores que contam comigo.

E juro que não é uma farsa. É uma empresa legítima.

Mas sozinha não consigo avançar.

Tenho fome.

Conheço gente no Conselho Geral. Na verdade, conheço-os a todos.

Não são meus amigos, mas conheço-os.

Conhece-los o suficiente para influenciá-los?

Bem conheço o Montagnon.

Católico e pai de cinco filhos. Mas não é só isso.

Tem um caso com um empregado do Bikini.

Eu sei e ele sabe que eu sei.

Se lhe pedir um favor, dirá que sim.

Certo. Chantagem.

Não, minha querida. É mecânica social.

Mas se te ajudar com os subsídios, quem favoreço exactamente?

A ti ou ao teu marido?

A mim.

Tudo se consegue com paciência.

Só temos de saber ouvir os amigos.

A velha Quinteiro de Melo está disposta a ouvir a tua proposta.

Com uma condição.

Quer falar com os dois. Em casa dela, no Brasil.

Porquê a ele?

- Velho? - Sim?

Temos um refém.

Prende-o. Dá-lhe comida e bebida. Só agua.

Podia ter uma rapariga para me distrair um pouco.

Se tentar sair, mata-o.

Se não voltarmos esta noite, mata-o também.

Certo.

Ele vai ficar.

Anita, prometo que não te fará nada.

Ele sabe o que acontece se o fizer.

BRASIL

FAZENDA QUINTEIRO

Larga-a.

Desapareçam!

A porta!

Não digas nada. Sorri. Come e bebe como eu.

Se te perguntarem alguma coisa, responde sucintamente...

... passa-me a palavra e não te preocupes.

Vou propor um quilo por semana a 17 euros o grama.

Não pode recusar. Vai correr tudo bem.

Venha. A minha mãe quer oferecer-lhe um chá.

Desculpe.

Por favor, minha senhora.

Não, eu deixo-vos.

Seria bom servir-nos. Ela está a observar-nos.

Sim, claro.

Um pouco de leite?

- Não, obrigada. - Açúcar?

Têm uma casa grande.

Estudei em Paris. Gostei muito.

É bonito. A Torre Eiffel e tudo. O Pére Lachaise...

Sim.

- E onde estudou? - Na Assas.

- Certo. No "fachos". Perfeito. - Desculpe?

Não, nada.

Gostou da Assas?

A minha mãe adora os franceses.

Diz: "Clara, devias ter voltado com um francês."

"Seria bom para ti e para a família "

Mas eu não encontrei nenhum francês.

E ouviu falar de si. Ficou curiosa.

Ele pensa: "É jovem e deve ser inteligente".

É bom para a Clara.

O quê? Ela quer que...

A tua mão sobre a minha.

Sorri.

Mas eu não quero. Eu amo o Silva.

Gosto de um homem que seja...

... um homem.

E tu és...

Eu?

Na verdade, sou muito amável.

Ouça, acho que não sou bom partido para si.

Sou um frouxo.

A minha mãe não se importa de vos matar aos dois.

Ele vai voltar para te ouvir. Sê convincente

Obrigado

- Quer um pouco de chá, madame? - Sim.

Gosta de crianças?

- Adoro crianças. - Gostaria de ter filhos um dia?

Penso que depende de si.

Penso que tem uma proposta para me fazer.

Sim.

Vendemos-lhe o ouro todo do sítio. Um quilo e meio a dois por semana

a 17 euros o grama.

Então?

O sítio. E quem o defende?

Temos pessoal, garanto-lhe.

É muito inteligente,

Devia saber que o que propõe já é meu.

É tudo o que tem a dizer-me?

Muito bem. Ouça.

Também posso propor-lhe "wuaçaí". Perdão, açaí.

Eu explico. Eu e o Serra temos uma empresa agrícola.

Colheita, transporte, transformação, venda e exportação.

Temos veículos que circularão à volta do Oyapok...

... sem controlo e sem polícia.

Os motoristas não têm cadastro. Entende?

Todo o ouro dos seus sítios pode sair pela Belaçaí.

E entregamo-lo onde quiser.

Em Belém, se quiser. Ou mesmo aqui.

Corremos o risco por si em todo o território francês.

E se isto não lhe interessa, pode matar-me

porque não tenho mais nada para lhe oferecer.

Acho que vai aceitar os 17 euros por grama.

Mas temos de negociar outras condições.

Estás bem? Consegues pilotar?

Dra. Elarche? Bom dia. Fala a Laetitia.

Estou no hospital e... Não, está tudo bem.

Vim ver o Louis e há dois polícias à porta.

Não me deixam entrar.

Está bem.

Tome, é para si.

Estou?

Um momento.

Isto é seu? E quem é a menina?

Laetitia Serra. E o senhor?

É engraçado. Na sua família, quando vêem um polícia,

chamam o advogado.

Sabe que também interrogamos pessoas que são vítimas?

É o caso do seu amigo, não é? É uma vítima

Pode passar.

Como estás?

Bem.

- Não sei nada do teu pai. - Eu também não.

Confiei-te o meu curió. O que fizeste com ele?

Tive de ir a Saint-Elias e deixei-o com o Velho.

Mas inscrevi-o no campeonato.

- Obrigado - De nada.

O que é que se passa?

Não estou habituada a ver-te assim.

"Açaí Beach", uma sociedade sediada em Belém.

Uma marca autêntica.

O chefe tem interesses comuns aos dos Quinteiro.

Será a ele que entregarão os primeiros carregamentos no fim do mês.

É do vosso interesse fazerem bem as coisas.

Olá, Waki. Tudo bem?

Viemos porque temos uma boa notícia.

Encontrámos um cliente no Brasil.

Sobre isso falam com a Nathalie. Ela é a responsável.

Esquece a Nathalie, o açaí e os subsídios.

Esta empresa serve apenas para uma coisa.

Transportar o meu ouro. Ponto final.

Tudo o resto é falso.

Um saco a cada dez, Waki.

E de vez em quando um camião faz um desvio.

Não pedimos mais.

Fomos nós que financiámos isto tudo, entendes?

Propomos fazer disto uma empresa legítima.

Se aceitares, terás a tua parte.

Se recusares, mato-te a ti, à tua família e pego fogo à tua aldeia.

Não lhe dês ouvidos. É uma questão de ambição.

Já sabias que íamos chegar a isto.

Conheces-me e sabes quem sou.

Aceitaste porque querias a tua parte. Toma.

Esta é a tua parte.

Não ouviste a minha mensagem?

Sim, sim.

Ao menos, ganhaste?

Negociei

Fazes-me falta.

Vai-te embora. Não vieste por minha causa.

Vim, mas não só.

Cheguei a um acordo com os Quinteiro.

Comprarão todo o sumo...

... com um extra meu que irá no fundo dos sacos.

Podes impedi-lo e fechar a empresa.

A minha esperança de vida...

... és tu quem decide. Está nas tuas mãos.

- Vou avisar o Waki. - Está avisado e concorda.

Merda.

Lixas tudo em que tocas.

Tomo, mancho e destruo.

Mas não suporto as consequências.

Pára!

Tens razão.

Estou velho e desfeito.

A Guiana tem muitos homens, por isso, força.

É melhor do que o hotel. O Serra disse que não é de ninguém.

O que é? Não te agrada? Não gostas?

- Não é boa. - Sim?

É nossa.

Pronto, é uma merda, sim.

É uma merda.

Mas não te preocupes. Terei a minha parte do ouro.

Quando será isso?

- Em breve. - Em breve

Sim?

Por que lhe disseste que sou uma garota de programa?

Porque o teu falso romantismo enerva-me e não acredito nele.

Mimosa pudica. Estás a gozar?

O Vincent é inteligente, mas não sabe nada da vida.

Se agisse assim com ele, podia pô-lo contra ti, por exemplo.

Mas para mim não é um cliente.

Gostavas tanto dele se não fosse meu sócio?

Talvez. Não sei.

Não o teria conhecido se não fosse teu sócio.

Certo.

Mas não vão longe. Há um mundo entre vocês.

Só te peço que não o destruas. Preciso dele.

Eu também.

Muito bem. O que queres?

Quero dois trabalhadores para repararem a minha casa.

Uma televisão com antena parabólica,

móveis e uma cozinha nova.

Sabes o que é o Sistema Agro-florestal?

É deixar árvores inúteis entre as palmeiras quando plantamos.

Exactamente. Para preservar o meio ambiente.

Adoram essa ideia em França.

Estes sete hectares diremos que são agro-floresta.

E que ganho eu com isso?

Os subsídios são como o ouro. O primeiro quilo é sempre o importante.

Depois vem tudo junto. Aqui é o mesmo.

Precisamos de um pequeno subsídio e já podemos gozar.

Viste os charcos com barro?

Não são charcos, são depósitos. 500 euros por depósito.

Sim, Claudio, sou eu. Está tudo bem. Podes ficar.

Dentro de dois dias, mando dois homens com uma reserva de combustível.

Certo. Já não fazemos biodiesel?

O que é que se passa contigo? Agora és ecologista?

- Quantos anos tens? - 44 anos.

Eu tenho 23. O Waki, digamos 36. E a Nathalie, 39 anos.

Nós os três temos ajuda para jovens agricultores.

70 mil por cabeça. Passamos de 9770...

a 219 770 euros de subsídios.

Se és assim tão bom, por que precisas de mim?

Tens 60 hectares.

Podemos plantar milhares de palmeiras.

- Olá, minha querida. - Olá, pai.

Não é nada. Não te preocupes.

- Estou feliz por te ver. - Eu também.

Estás aqui! Há alguém que te quer ver.

Olha. Lindo, limpo e pronto para o campeonato.

- Está tudo bem? - Sim. E tu?

Já te conto.

Passa-me a minha cerveja, por favor.

- Desculpa. Já volto. - Não saio daqui.

Olá.

As tuas férias com a Laetitia não serão necessárias.

Não interessa.

Levo-a a jantar ao Bikini esta noite. A não ser que queiras que fiquemos.

Não, não. Divirtam-se.

Temos de falar.

O teu amigo, o Louis...

Sobre o tiroteio na floresta, está tudo bem.

É a vítima. Diz estar em estado de choque. Perdeu a memória.

Está habituado.

A polícia está satisfeita com o Tomasinho. Só querem uma cabeça.

Se conseguirem atribuir-lhe todos os casos não resolvidos,

entre Caiena e Maripasoula, fá-lo-ão.

A este respeito, estamos de acordo com eles, mas...

Mas o que?

Não foi o Tomasinho que te tentou matar no parque de estacionamento.

E não foi ele que matou o Merlot.

Ambos os casos continuam abertos.

Não vão deixar em paz. Tem cuidado..

Obrigado.

Ouviste?

Sabes o que te digo, Gabriel?

Isto pode dar mais do que uma mina de ouro.

Waki?

Estás aí?

Eu confiava em ti, merda.

Eu confiava em ti.

Ripadas por: darkdevil

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