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Açaí ou "uassaí"? Crescem em palmeiras com o mesmo nome.
Parecem uvas. Viu o meu relatório?
Os Wayna apanham e comem açaí.
É uma agricultura de subsistência.
No Brasil há empresas que o exportam.
Sobretudo para a Europa, onde é muito apreciado.
São sobretudo os surfistas que o bebem.
Ditam tendências. Daí a minha ideia.
Um projecto de empreendimento social e ecológico.
Associar a população local à riqueza do solo.
O que aconteceu com a Cayenor? Mandaram-no embora?
Não sabe que o meu orientador de estágio foi assassinado?
Demiti-me imediatamente. Não queria fazer parte daquilo.
Lamento imenso. Imagino o trauma.
Não seria melhor repatriá-lo?
Não, eu estou bem, mas...
... o ouro já não me interessa.
O meu ouro é o açaí. É ouro verde e biológico.
Muda para a área agro-alimentar.
Não é nada disso. O objectivo é
reabilitar os locais de exploração de ouro.
Para isso é necessário medir a contaminação do solo,
recolher amostras e verificar que zonas podem ser exploradas.
Trabalho de geólogo.
Podia obter fundos europeus para um projecto desses.
Isso seria óptimo. Julgo que é um bom projecto.
- Mande-me a autorização de estágio. - Sim, muito obrigado. Adeus.
Bravo! Correu tudo perfeitamente.
- Está tudo pronto? - Tem calma. Não é assim tão fácil.
OURO
A Belasai é uma empresa real ou uma fachada?
Preciso de um pretexto para andar na floresta
e para recolher dividendos se os houver.
Foi o miúdo que teve a ideia. Não é estúpido, não é?
Para que a fachada resulte, é preciso mais do que contratos.
Para si seria preferível uma empresa agrícola.
Claro. É a minha veia ecologista.
É sociedade agrícola normal subsidiária de uma holding Curaçao.
Detém 10% das acções e Monsieur Serra, o resto.
Muito bem. E se houver lucros?
Página 8. A divisão é proporcional às acções.
Ganhará 10%. Quer ler com calma os pormenores?
Não, está tudo bem.
Preciso de uma autorização de estágio da Belaçaí para a minha faculdade.
Se fosse a ti, mudava os lençóis.
Estou, mãe. Tudo bem?
Sim, está tudo bem. Ia ligar-te.
Deixas-me falar?
Estou em Caiena. Estou numa aldeia
a ajudar os locais na colheita. Vês, está tudo bem.
Sobre o miúdo... Não gosto dele.
É-me indiferente.
É genial e idiota ao mesmo tempo.
- Foi ele que teve a ideia do açaí. - Ficamos com a ideia, não com ele.
Não tenho perfil de empreendedor social e ecologista
e tu também não, mas ele tem.
Entre.
Tudo bem?
Então, vamos para lá? Partimos em breve?
É giro.
- Qual é a espécie? - É um curió.
Curió. E canta?
O que é que eu disse?
Não toques naquele curió. Vale 12 mil euros.
É o segundo no Campeonato da Guiana.
É um concurso de canto. Bebe qualquer coisa.
- Quem são eles? - Elias, Barnabé e Patrice.
Os pais fundadores. 1881, a primeira febre da Guiana.
Mas eles já cá estavam. Sabes de onde vinham?
- Da cárcere? - Sim.
O mais velho era o Elias. Líder do bando Menilmontant.
20 anos de prisão.
Barnabé e Patrice, os irmãos mais novos, 10 anos.
Para não arriscarem ser apanhados na metrópole, vieram para aqui.
Extraíram ouro para um velho chamado Saramaka
e foi assim que aprenderam. Estabeleceram-se por conta própria.
Dois anos depois, o prémio!
Um bom filão primário.
Abriram uma mina e chamaram-lhe Sarah Bernhardt.
Sarah Bernhardt? É uma lenda?
Elias saiu da floresta num lindo de Março de 1886
com três mulas carregadas de ouro.
Ninguém sabe o que fez aos irmãos mais novos.
Sabes o que mais encontrou na floresta?
Deus. Jurava sobre a Bíblia.
Distribuiu o ouro para construir a aldeia.
Esta é a casa dele. Saint-Elias.
Há anos que o tento convencer a ajudar os camponeses.
- Nunca me ligou. - Ele convenceu-me.
Há negócio com a metrópole. Os surfistas.
Ele veio apanhar açaí e tu aceitaste?
Achas que sou idiota?
Mal conseguem viver do açaí.
O que não consomem vendem a um comprador.
Um tipo chamado Waki. É um equilíbrio.
Pobre e frágil, mas é um equilíbrio.
Espero que não apareça um predador que estrague tudo.
Toma o teu prato.
Não queremos um monopólio. Pelo contrário, queremos uma cooperativa.
Vou candidatar-me a um subsídio de Bruxelas.
Achas que posso mudar de quarto?
Junto ao meu há um cliente chato.
Há clientes em todos os quartos menos no teu.
Está bem.
- Boa noite. - Boa noite.
Podes ir. Ele já acabou.
- Sim, chefe? - Então? Está tudo a avançar?
- Sim, está quase pronto. - Quero tudo pronto quando chegarmos.
Nós tratamos do combustível, do material e dos garimpeiros.
- Chegaremos daqui a alguns dias. - Muito bem.
Tudo bem?
Está calor.
Queres ajuda? Assim aprendo a usá-lo.
Quem disse que vinhas connosco? Desaparece.
Há uma coisa que não percebo. Vou ou não vou para lá?
Não. Não nos serves de nada lá.
Mas não foi isso que combinamos.
É graças a mim que estão lá. Fui eu que vos levei lá.
Sim, foste tu que nos levaste. E nós vamos explorá-lo
e tu terás os teus 10%. É o teu mérito. Encarregas-te da Belaçaí.
O que é?
O que queres que te diga? Foi suspensa três dias por fumar.
Acho que fez de propósito.
As férias começam no fim de semana. Ela começou mais cedo.
E deixa-la vir? Devias ser mais responsável.
Já me chateei com ela ontem à noite. E não a vi mais.
É tua filha. Não há dúvida. Educa-a tu.
Não quero falar sobre isso agora. Adeus. Um beijo.
A tua mãe disse-te que tive excelente a Francês?
Sei que não gostas que fique no hotel. Fico aqui.
E a Nathalie concorda. Não concordas, Nathalie?
Sim, claro.
Podia ajudá-la na clínica ou posso trabalhar no bar.
Gosto muito de te ver, mas não é a melhor altura.
- Porquê? - Sim. Porquê?
Falaste com o Waki? O que disse ele sobre a Belaçaí?
Diz que passa bem sem ti.
Muito bem.
Onde está o Waki?
Waki, desce. Quero falar contigo.
- Sobe tu. - Deixa-te de parvoíces. Desce.
Desce.
Não queremos roubar-te a fruta.
Queremos desenvolver o teu negócio.
O miúdo pediu subsídios.
Muito bem.
Eu explico-te, Waki. A ideia é centralizar o açaí de todas as plantações
e exportá-lo para todo o mundo.
Podes ver o teu açaí num supermercado de Caiena
ou como sumo na Europa.
É esse tipo de coisas.
Compreendo que não queiras ser sócio dele. Eu também hesitei,
mas ele não interessa. Não estás sozinho nisto.
E se a Nathalie participasse? Seria uma garantia?
Vou falar com os agricultores. Vou dizer que há uma reunião.
- Mas não decidirei por eles. - Muito bem.
É pouco provável que funcione e não há garantias.
O tipo que vou mandar é um ex-colega de Mines.
Só tenho de lhe pedir um favor em nome da fraternidade.
E pronto, é por isso que é uma grande faculdade.
Tenho a certeza de que resulta.
O que vieste fazer aqui?
E tu, o que fazes aqui?
Já estiveste num local de extracção de ouro? Sabes o que parece?
É a Idade Média com metralhadoras.
Tens dez ou quinze tipos que obedecem a ordens
e que vão gastar o que ganham em álcool, drogas e mulheres.
Muito bem.
Seja como for, não me levam.
200 litros de combustível do Brasil sem impostos.
O Serra voltou?
Não gosto da tua cara.
Não sabes de nada e não dizes nada.
Entregas, cobras e vais. Entendido?
Louis!
O que fazes aqui?
- Estou a ver. Já comeste? - Não.
Anda. Faço-te um bom bife de búfalo.
As melhores mulheres são as que conquistam o estômago de um homem.
- Tem graça? - Sim.
O teu pai vai ficar feliz por te ver.
E Nathalie também. E eu também. E o Claudio.
Até o Nino. Vês? Até salta.
Tens 16 anos.
Estavas melhor em Caiena do que aqui.
- Com os teus amigos da escola. - Não.
- Tens a certeza? - Sim, tenho.
- Obrigada. Tem bom aspecto. - Obrigado.
Quando vão?
Come que fica frio.
- Preciso de homens rapidamente. - De quantos?
- De oito. - Para onde vão?
Quanto?
Dois mil cada um.
- Que história é essa? - Não negoceio contigo.
Foste tu que me procuraste. Se quiseres, vai falar com outro.
Mas quanto mais falares, mais saberão o que vais fazer.
Ela fá-lo mesmo bem.
- Gostas? - Sim.
Eu também sei fazer aquilo. Queres que faça?
Claudio, onde posso levantar dinheiro?
Há uma caixa automática ali.
Não. Vais ao chinês, dás-lhe o teu nome e no fim do mês pagas em ouro.
Ou diz que trabalhas para o meu pai e já não pagas.
O teu pai tem duas mulheres e ninguém se chateia?
A minha mãe vive em Caiena e o meu pai vive aqui.
A minha mãe conhece o mundo, o meu pai paga a factura.
Trocam serviços.
- E a Nathalie? - Se queres saber, pergunta-lhe a ela.
- Olha. - Sim, mas...
Não é assim. Vês?
Ali. Espera. Eu mostro-te os passos.
Eu faço e já me dizes se faço bem.
Não podes ficar aqui, entendido?
- Porquê? - Não tenho de te dizer.
Se me levares a Caiena, eu volto sozinha.
A mãe não consegue vigiar-me. Tu sabes.
Se me deres uma boa razão, eu vou-me embora.
Porque eu não vou estar aqui.
Fixe. Tinha medo que negasses. Vais?
Merda.
Posso ajudar o Waki e durmo em casa da Nathalie.
Está bem. Logo vemos.
- Já posso? Estão todos? - Sim, podes começar.
Bom dia a todos. Obrigada por terem vindo.
Sei que o Waki vos falou do nosso projecto.
Ali têm o formulário de inscrição e os estatutos da cooperativa...
... em francês e em português.
Peço que os leiam ou peçam para alguém vos ler
antes de assinarem o que quer que seja.
Não são obrigados a aderir. Há quem queira continuar independente
e quem prefira decidir mais tarde. Sem qualquer problema.
- Seja como for, são livres. - Mas se aderirem agora,
como contrapartida, compraremos a vossa colheita.
E o preço é fixado por vocês.
Alguma pergunta?
- Somos pagos em ouro? - Não, em euros e com factura.
Servirá para apresentarem aos serviços locais.
Olá. Assine aqui.
Tenho a sensação de que é um disparate.
Não gosto do Serra. Não conheço o miúdo.
- Mas em ti confio. - E podes confiar.
Somos sempre lixados. Não sei porque será diferente.
Obrigado.
Pediu que lhe pagasses uma bebida.
- Está bem. Sim. - Sim?
- Um copo. - Louis.
Champanhe, claro. Não gostas de cerveja?
- Ela quer saber porque não voltaste. - Como assim?
- Ela diz que gosta de ti. - Gostas?
Também gosto de ti.
Ela diz que podemos repetir o que fizemos quando quiseres.
Não fizemos nada.
- Mas ela lembra-se. - Só dançámos.
- Foi isso. - O que fizemos da última vez?
Baixinho...
Tudo bem?
- Continuas no negócio? - Sim.
Muito bem. Preciso de mercúrio.
Fazemos negócio quando resolveres os teus problemas.
Não esperes muitos clientes hoje à noite.
A Madame Quinteiro e a família organizaram uma festa
do outro lado do rio com bebida e raparigas grátis.
Velho, traz rum. Da minha reserva.
O teu negócio só é rentável porque a minha família tem pena de ti.
Nós deixamos-te continuar com isto. Já não és nosso concorrente. Percebeste?
O Merlot, o teu amigo da Cayenne, falou connosco.
Queria vender-nos informação, as coordenadas de um local.
Morreu antes.
Quem tiver essa informação, devia vendê-la a nós a um preço razoável.
Custava menos do que explorá-lo.
Vou pensar.
Não precisas de combustível para pensar. Não temos muito.
Se puder ajudar...
Louis, leva-os. Eles que se sirvam.
Vocês os três, vão com ele. Tragam tudo o que ele tiver.
- Boa noite. - Boa noite.
- Está tudo bem? - Está tudo bem.
- O costume? - Sim.
Velho, serve os senhores.
- A noite está calma. - É uma festa privada.
Apresento-lhe Clara Quinteiro de Melo.
filha de Madame Silvana Quinteiro de Melo, de Oyapok.
Ouvimos falar da sua família.
- Boa noite. - Boa noite.
- Posso? - Estão cá para isso.
Toma, pelo combustível e pelo resto. Obrigado pela reparação.
Nathalie!
Nathalie!
Nathalie!
- O que é que se passa? - Não sei.
Sai.
Vem, minha querida.
Vem.
Que dia de merda.
- Quem são aqueles tipos? - O clã Quinteiro.
A Clara é a filha. O lindinho, o Silva, é o noivo dela.
Vivem no Brasil e trabalham aqui.
Têm sete ou oito explorações. Vieram pedir-lhe para parar.
- E ele vai fazê-lo? - Não pode fazer nada.
Sem combustível não há motobomba. E sem ela não há acampamento.
Entre.
Só vim dizer que se quiserem eu sei fazê-lo. Biodiesel.
É química básica. Fiz isto na escola.
1 litro de óleo de palma e 10 cl de etanol.
A soda cáustica é o catalisador.
- Tens medo? - Cala-te.
Aquecemos a 60 graus para facilitar a reacção.
Dá um litro de biodiesel e 10 cl de glicerina.
A ideia é separar os dois. O truque é o equilíbrio da reacção.
Pode ser feito ao contrário.
É preciso ter muito cuidado ao separar a glicerina.
O etanol é controlado. Um litro, dois, podemos comprar.
Mas onde arranjas 100 ou 200 litros?
Quando acabares de brincar com o teu fantoche, avisa-me.
- Ele não me faz rir. - Vai-te lixar.
- O que foi? - Vai-te lixar.
- O que é que disseste? - Louis! Já chega.
Também fizeste isso ao Merlot antes de o matares?
Louis, dá-me a tua arma.
Toma.
- Dispara. - O quê?
- Não consigo. - Às árvores, idiota.
Dá-ma.
Usaste a arma que matou o Merlot.
Parece que andavas por perto.
Se a polícia vier, vais preso, entendes?
Este tipo só traz problemas.
Vais voltar a Caiena. Se falares, não farei nada por ti.
Sim. Tenho uma pergunta técnica.
Digamos que uma empresa dispõe de óleo de palma.
A empresa tem saída para ele,
mas para isso precisa de etanol.
Muito etanol. É possível?
Obrigado, chefe.
Liga ao Silva. Queixa-te que sou um idiota e que te trato mal.
Diz-lhe que tens um acordo para lhe propor.
Que acordo?
Acabei o dossiê
e escrevi o meu contacto.
Já não precisas de mim.
A Anita está bem?
- Desculpa.. - Sim?
Como vou para Caiena?
O Louis leva o Cessna amanhã. Ele leva-te.
Fizemos um acordo.
Álcool, tráfico e raparigas.
Se não fores tu, será outro.
Sei que no meio és o melhor.
Mas o que queres agora?
Há oito anos que não monto um acampamento.
E procuras o quê? A Sarah Bernhardt?
Ouve...
... se não nos queres ajudar com o açaí, tudo bem.
Vou pensar.
Vai buscar as tuas coisas. Levo-te ao lago.
Conheço uns pescadores que te levam.
Depois da paragem, há sempre comerciantes a caminho de Caiena.
Com sorte, chegas depois de amanhã.
A não ser que prefiras ir com o Louis.
- O que estás a fazer? - Desce.
É ele que sabe as coordenadas do local?
O que estás a fazer, Claudio?
Miúdo, já acabou.
Não, não!
Claudio, liga à brasileira.
Diz-lhe que se quer o noivo, que venha ao pontão às 14h.
Certo.
- Usaste-me? - Sim.
Vai descansar. Partimos esta noite.
Não autorizei ninguém a desembarcar.
Vou falar em francês. E não finjas que não percebes
porque eu sei que a mamã te pagou os estudos em Paris.
Estou a ouvir.
Eu sou boa pessoa.
O meu lema é "vive e deixa viver".
Mas se um idiota me chateia, me lixa o negócio
ou me estraga uma puta, sou obrigado a reagir.
Se o deixo vivo, voltará.
Ou talvez seja um idiota que segue ordens e que faz o que lhe dizem.
Talvez a sua chefe seja razoável ou a mãe da sua chefe.
Tu me dirás.
Porque lixar o negócio dos outros é algo que também sei fazer.
Se começarmos uma guerra, julgo que perderei,
mas antes, far-vos-ei perder muito dinheiro.
Entendido.
Então está tudo certo?
Boa sorte, papá!
Tens comida e CDs.
Põe a tocar uns prelúdios de Bach,
e deixa-o ouvir o canto dos pássaros.
Se tiveres problemas, pergunta ao velho.
Certo.
Tem cuidado quando subires às árvores.
És uma princesa.
Vincent.
Tens tudo que é preciso para fazeres combustível?
Não faças essa cara. Não querias vir connosco?
Ripadas por: darkdevil
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