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Original subtitles

[Motores rugindo]

[Música triunfante ao fundo]

[Música animada ao fundo]

Louro! Louro!

Louro!

♪ Eu vou contando histórias E não dou ponto sem nó ♪

♪ Quem é que faz a alegria do povo? ♪

♪ É o Paulinho Gogó ♪

♪ Quem é que faz a alegria do povo? ♪

Grr!

Aiiii!

Aaaaah!

Aaaaaaaah!

Aiii! Chama o SAMU.

Fuuu!

♪ Paulinho Gogó! ♪

Opa! Isso não é para o teu bico não.

Isso aqui é para minha amada, amante, a Nêga Juju.

É. A minhoca do meu anzol.

A tampa da minha caneta.

O desodorante do meu "subaco", hehe.

Eu tô no erro com ela, né?

Andei mijando fora do penico…

ela ficou chateada comigo.

Você quer ouvir a minha história com a Nêga Juju?

Não… não.

Então, tá bom, já que você "insesti"…

vou contar minha história com a Nêga Juju, desde o comecinho.

Tudo começou… no dia mais importante da minha vida.

O dia que eu nasci. Porque se eu não tivesse nascido

eu não estava aqui hoje, é "óvbio"!

Meu pai chegou todo "esbaforiçado" na maternidade.

Boa noite. Boa noite. Boa noite. Meu filho nasceu!

[Lendo] "Crianças lindas."

Aah! Esse é o meu filhote.

Er… Boa noite, dona.

Boa noite, senhor.

Eu estou todo "arrupiado". Meu filho nasceu.

Estou muito feliz. Minha "naftalina" está adulterada.

Como eu faço para ver meu filhote?

[Bocejando] Qual é o nome dele?

Paulinho Gogó! Nome bonito, que eu mesmo escolhi, eu mesmo sozinho.

[Bebê balbuciando à distância]

Ele não está aqui não, senhor. Está lá em cima.

Ahh… não está não, é?

Tá bom. Eu vou lá em cima.

Muito obrigado por tudo, dona. Obrigado mesmo.

Ô gente, cadê o sorriso? Eu vou ser pai.

Meu filho nasceu. Parece que vocês vieram doar sangue.

Ô, quando eu descer, vou tirar uma selfie com vocês, valeu?

[Música de suspense]

[Bebê chorando à distância]

[Lendo] "Crianças feias"?

Tomara que venha com saúde.

Boa noite.

Estou vindo visitar meu filho que…

está todo mundo desconfiando que ele nasceu.

Qual é o nome dele?

Paulinho Gogó. Não se mete na minha vida não, tá?

[Bebê chorando à distância]

Não está aqui não, está lá em cima.

Toma para a senhora.

Pega!

[Música de suspense ao fundo]

[Trovão]

[Lendo] "Crianças muito feias.

Deus nos livre, Jesus, Maria, José!

Ahh!

Er… boa noite.

O filho do meu amigo nasceu… e ele está muito doente…

então ele… ele é muito meu amigo, e eu sou muito amigo dele

então ele me pediu para eu ver como é… qual é a situação do filho dele.

Ver como é que está. O nome dele é Paulinho Gogó, por favor.

[Barulho elétrico]

[Música de suspense]

Ele não está aqui não!

[Trovão à distância]

Meu padrasto amado!

Vem cá, só por curiosidade, a senhora sabe me informar

quantos andares tem aqui nesta maternidade?

Grrr!

Pode deixar. Eu estou até com medo de saber.

[Barulhos elétricos]

[Música de suspense]

[Criança gritando à distância]

[Paulinho] Apesar de tudo, meus pais me levaram pra casa.

Mas só depois que seis orfanatos me recusaram.

Grute! Grute! Gruute!

Grrr!

[Paulinho] Mas eu nunca entendi por quê.

Eu era tão fofucho. Um amor de criança.

Praticamente, um baby Johnson!

Ah, se tem uma família que tratou bem o filho, foi minha família.

Meus pais eram fabulosos, né?

Meus pais me davam de tudo.

Uma casa bonita, um quarto bacana, confortável…

E meus pais também me davam muita pizza.

Eles me davam muita pizza. Mas muita. Pizza de tudo quanto é sabor.

Mas por que pizza?

Que era a única coisa que passava por baixo da porta do quarto.

Grrrr!

[Paulinho] Mas isso durou pouco. Só uns 8 anos.

Até que eu entrei na fase da "pré-endurecência".

Eu nunca vou "se" esquecer a caricatura do meu pai quando me viu!

E nem do cheiro que escapuliu do "soprador" dele.

Depois que meu pai lembrou meu nome

e passou a me deixar comer na mesa de casa, tudo melhorou.

Ele me deixava brincar o tempo todo.

Naquela época, criança não brincava de tablet e nem de celular.

Mas tinha muita brincadeira divertida.

Beisebol sem bola… "Aquapray"…

bolinha de sabão… e carrinho de fricção.

[Desafinando] [Acordes]

E aí, tá ficando bom, hein, Anderson?

Bom? Ruim demais!

O que é isso? Ô, Anderson, trago você na minha casa,

você fica à vontade, bebe da minha cerveja,

não traz nada para poder colaborar e ainda me esculhamba!

E tu? Tu tá olhando o quê? Você nunca viu não, é?

Hum-hum.

Isso aqui é um cavaquinho. Isso aqui não é brincadeira de criança.

Posso tentar tocar?

Tocar? Tá maluco? Vai tocar o quê? Claro que não!

Péra aí. Deixa o garoto tocar. Alivia meus ouvidos.

Qualquer coisa é melhor do que você.

Ô, brincadeira! Brincadeira!

Tá bom! Toca aí! Passa vergonha aí!

Mostra o que tu sabe fazer. Mostra! Vai aí!

[Acordes] ? "Do Re Mi Fá" ?

[Toca "Brasileirinho"]

[Paulinho] Foi a primeira vez que eu peguei num instrumento musical de música!

A impressão que eu tinha é que eu levava um pouquinho de jeito.

Mas só um pouquinho só.

"Moléstia" parte, nada em exagerado.

Tive sorte. Meu pai me incentivava em tudo. Inclusive em desistir.

Viu só? Não tem jeito. Não tem jeito mesmo.

Pra tocar isso aqui, tem que ter molejo.

Eu tenho molejo, entendeu? Tu tem molejo?

Eu tenho molejo. E vou te falar uma coisa,

você não tem molejo e ele leva jeito, sim!

Ele não leva jeito nada. Faz o seguinte, ô fiapo de aipim.

Teu irmão sujou a casa todinha comendo milho.

Vai, volta pro trabalho, aí. Vai varrendo, vai varrendo!

Pô, mas isso não é justo! Ele suja e eu varro?

Shush! Não "discote" comigo, faz o que eu tô mandando!

Ei, Pedro Gogó, vamos fazer o seguinte.

Diz aonde você vai, que eu vou varrendo.

Eu vou varrendo… vou varrendo! Pelo amor de Deus!

[Paulinho] Tempos "dispois", meu pai desistiu da música.

♪ Cuidado com o cabo da vassoura ♪

Mas aquele amigo dele…

continuou e fez muito sucesso.

[Na TV] ♪ Me diga aonde você vai Que eu vou varrendo ♪

♪ Me diga aonde você vai Que eu vou varrendo ♪

♪ Eu vou varrendo! Eu vou varrendo! Eu vou varrendo! Eu vou varrendo! ♪

[Devagar] Mas que "féla" da puta!

[Paulinho] Nossa família era muito pobre. Mas muito pobre mesmo!

Pobre de ir na lanchonete e lamber o dedo dos outros.

É, pois é, meu sonho era ir para a Disney, sabe?

E papai sempre apoiava o sonho da gente com o maior carinho.

-Pai! É hoje, né? -O que foi?

É hoje que você vai levar a gente para conhecer o Nemo, o peixe da Disney.

O Nemo, é? É, o Nemo, é? É hoje.

-É hoje. -É hoje! É hoje! É hoje!

-Vem cá, olha só. Vocês "confia" no papai? -Sim!

-Tudo que papai promete, papai não cumpre? -Sim!

Então, é hoje que o papai vai apresentar para vocês… o Nemo!

[Todos] Eeehhh!

[Pai] Nemo, Paulinho Gogó. Paulinho Gogó, Nemo.

É isso aí. Já que vocês se conhecem, já pode comer senão vai esfriar, hein?

Que tristeza é essa?

Papai está brincando com vocês!

Pô, o Nemo nem foi gravado ainda.

[Todos] Ah, ééé!

Vocês têm que prestar atenção na brincadeira que o papai faz.

Posso falar uma coisa? E o Mickey? Vocês gostam do Mickey?

-Querem conhecer o Mickey? -Quero! Sim!

-Vocês gostam do Mickey "Mau"? -Muito!

-Quem quer ver o Mickey "Mau"? -Eu!

Olha lá, o Mickey "Mau"…

[Guinchando]

[Paulinho] Papai não admitia que ninguém "fazesse" bullying com a gente… só ele.

Pô… eu te daria até um abraço agora, sabia?

Rola um beijinho também?

Ahhh!

[Gritando]

[Suspira]

Aí…

eu ouvi uma história sobre você falando de ser pobre.

É, estava falando realmente.

Na realidade, estou aqui só esperando o ônibus passar,

porque eu quero encontrar minha Nêga Juju.

-Nêga Juju… -É, Nêga Ju…

Grande Nêga Juju!

Pô, Nêga… Jujuba!

Não tô entendendo. Nêga Jujuba?

Você conhece a Nêga Juju?

-Quem? -Você.

-Oh, não! Não, Não. -Ó, mais respeito, tá certo?

-Mais respeito! -Ohhh.

Fico até emocionado quando falo desse assunto porque…

eu lembro do dia que conheci a Nêga Juju.

[Música mágica ao fundo]

Eu estava lá na escola, quietinho, na minha.

Até que ela apareceu.

A maionese do meu sanduíche.

A cutícula da minha unha.

O elástico da minha cueca.

A remela da minha conjuntivite.

♪ Juju ♪

♪ Juju ♪

♪ Juju ♪

Era ela… só ela.

A Nêga Juju!

♪ Juju ♪

♪ Juju ♪

♪ Uu-uh ♪

Piolho, tira esse ventilador da minha cara!

Desculpa, Juju. Eu estava querendo ajudar.

Oooooi!

Posso dar uma mordida no seu sanduíche?

Claro, minha pequena deusa.

[Risadinha]

[Paulinho] Eu vi na hora que não tinha interesse nenhum da parte dela.

Ô, boquinha nervosa, hein?

-Vai reclamar? -Não, "magina"!

Na próxima, quero sem maionese. Eu, hein?

[Paulinho] Ela era pura delicadeza.

Ai, ai, ai!

Foi amor à primeira mordida.

"Dispois" daquilo, a gente se encontrou várias vezes no recreio da escola.

A Juju me adorava.

Mas ela tinha um jeito muito estranho de demonstrar esse amor.

♪A vida é como uma dança ♪

Eu era roxo de paixão pela Nêga Juju.

E ela me deixava…

literalmente, todo roxo.

♪Venha com a gente e cantaremos ♪

Naquela época, o meu sonho era ter as roupas de marca da época,

para chamar a atenção da Nêga Juju.

Mas eu tinha que "se" contentar com o que sobrava da família.

A roupa ia passando de irmão para irmão.

E eu só pegava "dispois" do Caçula.

-Pai? -Hã?

Eu posso usar a roupa do Caçula?

Vai ali pedir para ele, se ele deixar…

[Rosnando]

[Música de suspense ao fundo]

Ahhhh!

Eu não tinha raiva do Caçula, o caçula é que tinha raiva.

Ele me mordeu 14 "vez"…

e eu tive que tomar 32 "injeção" no meu protetor de copinho.

Eu fazia de tudo pela Nêga Juju.

Eu tinha até levado "pá" ela…

o primeiro bombom que comprei na vida.

Mas eu descobri que a vida

sempre ia dar um jeito de afastar ela de mim.

[Música romântica ao fundo]

-Tudo bem? -Mais ou menos.

-O que houve? -É que eu vou mudar de escola.

Não, não pode! Eu vou para essa escola também.

Eu vou mudar de cidade.

-Falo para meu pai me mudar. -Eu vou mudar de estado.

-Eu falo para o meu pai… -Você não pode ir, mané!

A gente nunca mais vai se ver.

Aceita que dói menos, hein?

Poxa, Juju.

É que eu gosto de você.

Antes de você ir…

a gente não pode… pelo menos, "se" dá um beijo?

[Porco grunhindo ao fundo]

Claro! Fecha os olhos.

-Só abre quando eu mandar! -Tá.

[Porco grunhindo]

[Paulinho] "Dispois" daquele dia, eu não sei por quê,

todo dia que eu como bacon, eu "se" lembro da minha Nêga Juju.

Juju? Juju?

[Música suave ao fundo]

[Música suave ao fundo]

[Motor roncando]

Juju… espera!

Eu tenho um presente para você!

[Suspirando] Ahhh…

[Paulinho] Foi um dia triste e feliz ao mesmo tempo.

Sabe como é que é, né? Eu…

Eu guardei aquele bombom até hoje.

Aquele bombom…

é a lembrança mais especial da minha vida.

E tá aqui, tá aqui no meu bolso.

Ué?

Ué, cadê o bombom? Ué, o bombom estava aqui…

Deixa esse negócio de bombom para lá.

Quer dizer que, tu nunca mais viu a Nêga Juju?

Eu vi, vi sim. Mas muitos anos depois, né?

Foi quando eu "se" formei em músico profissional.

E aí comecei a "se" virar no barzinho do Luís Perna Torta.

[Cantando] ♪ E não dou ponto sem nó ♪

♪ Quem é que faz a alegria do povo? ♪

♪ É o Paulinho Gogó♪

[Público aplaudindo]

[Paulinho] Eu fazia tanto sucesso ali…

que eu tinha até um genérico de mim mesmo: o Paulinho Dodói!

Rapaziada, é o seguinte: quero pedir uma salva de aplausos aqui…

para minha inspiração, o meu espelho…

Paulinho Gogó!

[Público aplaudindo]

Não fala isso que prejudica minha imagem.

Pessoal, fica agora com ele, meu "close": Paulinho Dodói!

[Paulinho] Sabe como é que é música, né? Pode até não dar dinheiro…

mas ajuda muito com o sexo "apóstolo".

Paulinho. Você canta muito bem.

Eu estou impressionada.

Você toca muito bem, o violão, o pandeiro, o cavaquinho. Tudo!

É que tu ainda não me viu tocando uma cuíca.

É? Eu quero ver.

Eu coloco a cuíca para chorar.

-Você vai me mostrar? -Hmm.

[Paulinho Dodói] Toquei as músicas que gosto do meu repertório…

e agora estou aceitando pedidos, hein.

-Está aceitando pedido? -É "craro"!

Dá para parar de cantar?

[RISADA GERAL]

Pô, não me esculhamba tanto, aí? Estou até treinando canto.

-Ahhh, você gosta de canto? -Eu gosto.

Então fica no canto ali, mas fica quietinho.

Eu estava por cima da carne seca, e umas "carne moída" por fora também.

Mas, de "rependentemente", a vida me deu um chute no "subaco" das pernas

e pegou bem na costura!

♪ Juju… ♪

♪ Juju ♪

♪ Juju… ♪

♪ Juju! Juju ♪

Era ela de novo.

O limão da minha caipirinha.

O anzol da minha minhoca.

O céu da minha boca. A senha do meu "au-fai".

[Vento soprando]

Piolho, já não mandei você parar com esse ventilador?

Ai, desculpa. Achei que eu estava ajudando, tá?

Ooooi?

Nossa, que folgada!

Paulinho, você conhece essa mulher?

Paulinho? Tá tudo bem?

Naquele momento, eu cheguei à conclusão…

que tinha que tomar uma "altitude gástrica"…

e troquei o errado pelo quase duvidoso.

-Nêga? -Ai, que susto!

-Você está lembrada de mim? -Não. Quem é você?

A gente se beijou na escola.

Jefferson?

Que Jefferson? Ah… você beijou o Jefferson?

Robinho Zorelha?

Que Robinho Zorelha? Nem orelha eu tenho direito.

Vem cá. Você também beijou o Robinho Zorelha?

Ai, pelo amor de Deus, me diz logo quem você é.

Janderson Pernalonga? Marcinho Espiga? Não, não é possível! Jorge Bidê?

Você beijou esses "cara" tudo?

Beijei! A boca é minha, eu beijo quem eu quiser, o problema é meu. E daí?

Eles nem eram da nossa escola.

Eram sim. Da segunda série A, fora os da segunda série B, C, D e.

Fora os da quarta e quinta série que eu beijei também.

Para, para… chega. Eu sou o Paulinho.

Paulinho… Paulinho… Paulinho Moela?

Que moela? Gogó! Paulinho Gogó.

Ahhh…

Nooossa!

Como você está diferente, né?

-Fiquei mais bonito? -Não. Eu falei diferente.

Se fosse bonito, eu falaria bonito. Mas… diferente!

Er… ô, Nêga, eu não sabia que você tinha voltado a morar aqui no nosso paraíso.

Aonde o paraíso? Isso aqui é uma merda! Só voltei aqui por causa do meu pai.

Não vejo a hora de ir embora dessa bosta!

Nêga… olha para mim. Eu nunca te esqueci.

Ah, mas eu sempre te esqueci.

E outra coisa: eu não sou pro seu bico. Volta lá para aquelazinha.

[Paulinho] E "dispois" daquele dia…

eu decidi, eu tinha que dar um jeito de conquistar…

o coração alado da Nêga Juju para sempre!

Juju, minha vida, meu amor, minha paixão…

eu dedico essa melodia melodiosa para você, de coração.

[Cantando] ? "Cheia de mania" ?

♪ Cheia de mania ♪

♪Toda dengosa ♪

♪Menina bonita ♪

♪Sabe que é gostosa ♪

É, eu estava crente que eu estava abafando…

mas a Nêga Juju nunca foi fácil.

[Cachorros latindo à distância]

Caraca, Juju! O que é que é isso?

É água, mas na próxima vez, vai ser coisa pior!

Isso é uma demonstração de amor e de carinho que sinto por você.

Demonstração de amor à 1h da manhã? Não é demonstração de amor, é tormento!

Mas eu não desisti, variei o gênero e mudei o repertório,

porque eu achei que o "pobrema" estava no samba.

Então, eu tentei o sertanejo.

[Cantando] ♪ Em vez de você viver chorando por ele ♪

♪ Ele… ele… ♪

♪ Pensa em mim, chora por mim ♪

♪ Liga "pá" mim, não, não liga "pá" ele ♪

[Cachorros latindo à distância]

Como é que ela conseguiu tacar dois baldes de uma "vezada" só?

Na próxima vez, vão ser três!

[Paulinho] Até hip-hop eu tentei!

♪ Mexe tudo, minha Nêga Mexe tudo sem parar ♪

♪ Mexe tudo, minha Nêga vai mexendo até entrar ♪

♪ Preste muita atenção Vai mexendo com carinho ♪

♪ Mexe tudo, minha Nêga Para entra no bu… ♪

Aí, bando de mané, dá para parar com isso?

Quem é você, meu irmão?

Meu nome é Longuinho. Cabo Longuinho.

E olha só, eu tenho que chegar cedo no quartel amanhã, hein?

-Cadê a Nêga Juju? -Sssh! Está dormindo.

[Juju à distância] Amor, vem para cama, Longuinho!

[Longuinho] Estão vendo só? Acordaram ela. Agora vou chegar atrasado amanhã.

[Juju] Amor… vem para cama.

Já estou indo, minha delícia.

Meu brigadeiro de panela.

A Nêga Juju está namorando um cabo.

E Longuinho, hein?!

[Paulinho] Vou falar uma coisa:

aquela foi a pior noite da minha vida!

eu não sabia que a Nêga Juju gostava de soldado.

Então eu pensei:

"Por que não posso ser soldado também?"

Então, um tempinho depois,

eu "se alistei no Exército Marítimo".

[Assobiando]

Mas eu "se" arrependi na mesma hora.

Hmm…

Só que eu estava fazendo aquilo pela Nêga Juju, né?

Aqui que é o final da fila, né?

[Todos juntos] Oooohhh!

-Ficou maluco? -Que maluco o quê, rapaz?

Sargento, com licença. Meu nome é Paulinho…

[Sargento Trincha] Tira a roupa!

-Não, mas é porque eu estava querendo… -Sssh! Tira a roupa!

Mas por que tirar a roupa? Eu só estou vindo "se alistrar".

Você é surdo? Tira a roupa!

Ah… tá bom, tá bom! Tem alguma coisa errada aí que não está certa.

Nem entreguei minha identidade, minha certidão de "nascetura"…

daí fica mandando a gente tirar a roupa…

Dane-se! Tira a roupa!

Eu só estou vindo aqui parar servir a pátria.

Tira a roupa!

Tá bom, tá bom… Vou tirar a roupa.

-Sargento, posso fazer uma pergunta? -Não! Tira a roupa!

Sargento… posso ficar só de cueca?

É que…

meu pica-pau ainda é novinho, e eu tenho vergonha.

-E cueca não é roupa? -É…

Então, tira a roupa!

Ahhh!

[Irritado] Humph…

Sargento, onde coloco a minha roupa?

Pode jogar naquele bolo ali.

Mas e… como é que eu vou achar "dispois"?

Tô nem aí. Tira a roupa!

[Gaguejando] Eu já… Eu já tirei…

Pronto, já estou peladinho.

Então, vai para aquela sala ali!

[Música engraçada ao fundo]

É, para vocês "vê" como é que "é" as coisas.

O sargento nem deixou eu falar.

Foi logo mandando eu tirar a roupa.

E agora estou eu aqui, olha, peladinho, prontinho para bife.

E junto de um monte de homem

tudo pelado, balançando as jabuticabas.

Tudo isso só porque eu vim "se alistrar".

E eu que sou carteiro e só vim entregar uma carta!

[Bufando] Humph!

Cabo Longuinho? Você aqui?

Pô… Só errei de sala.

Ele é sargento, né? Meu superior. Eu só obedeci.

Eu estou com o maior sono.

[Barulho batendo no chão] Pá!

Eeehhh…

[Paulinho] E aquilo foi só o começo, né?

Mas "dispois" dali, a gente foi pegar a farda.

Nossa. Foi muito difícil achar uma farda do meu tamanho.

Mas, finalmente, a gente achou uma que cabia em mim.

[Corneta] ?Toque de recolher ?

[Música da corneta]

Mas teve coisa boa também.

Foi no "Exército Marítimo" que eu conheci muito dos meus "amigo",

como por exemplo, o Helinho Gastrite.

É, ele tinha esse apelido…

porque ele sofria muito de dores no intestino "estomagal".

Ele trabalhava com jogo de bicho.

Então ele tinha que comer de vez em quando umas "listra"…

para esconder o "fragrante".

[Sirene da polícia]

É, ele já estava até acostumado…

Vou jogar R$20 na águia aí.

[Mastigando] Hã?

Jogo simples ou no cercado, doutor?

[Disco arranhando]

Qual é o seu nome, soldado?

Helinho Gastrite, seu moço.

"Moço"? "Moço" é sua avó torta cheia de verruga na bunda,

juntando capim para preparar o jantar da família!

Aqui, você se refere a mim como, "Sim, Senhor Sargento"!

-Fui claro? -Sim, Senhor Sargento!

Repita! Qual é o seu nome, soldado?

Helinho Gastrite, sim, Sr. Sargento!

Helinho Gastrite é seu pai de calcinha roubando jabuticaba,

na feira do português!

Aqui, você é o soldado Hélio 142. Repita!

Soldado Hélio 142!

Sim, Sr. Sargento, pois não, senhor, sentido, senhor!

Humm… responda, soldado: O que é aquilo ali?

Sim, senhor! Pois não, senhor! Licença para virar, senhor!

Aquilo é uma bandeira, senhor!

Bandeira?! Bandeira é sua tia manca comendo geleia de jiló,

cavando buraco na praia! Aquilo ali é o símbolo da Pátria!

É o que existe de mais valor na vida! Aquilo ali é a sua mãe!

-Eu sou adotado, senhor. -Argh!

[Paulinho] Foi lá que também conheci o Celso Bigorna,

que era um pouquinho lento das "ideia".

Você ali com cara de idiota,

responda: o que é aquilo ali?

É… é a mãe do Helinho, seu Sargento!

[Todos gargalhando]

Calados!

-A minha mãe… -É sua mãe, é sua mãe.

[Ainda gargalhando]

[Paulinho] No primeiro dia,

eu e o Helinho Gastrite já pegamos uma faxina brava.

[Ainda gargalhando]

Ai, Bigorna… a mãe do Helinho Gastrite?

É isso mesmo? Tu falou isso?

[Rindo] Minha mãe, rapaz?

Ai, ai…

O que é isso, Bigorna?

-Fio dental, ué. -"Pá" quê?

É que minha mãe me ensinou que "antes de escovar, tem que passar fio dental".

E aí, Paulinho… Por que você se alistou?

Ah, eu "se" alistei para poder fazer bonito com a Nêga Juju.

Ah, minha Nêga Juju!

Grande Juju…

Ei, que papo oleoso é esse aí de "grande Nêga Juju"?

Por acaso, tu conhece ela, irmão?

[Gaguejando] Não, rapaz. Para com isso. Não conheço. Nunca vi.

Na verdade, eu… gosto de mulher mais sequinha.

Ah. Eu gosto de mulher mais cheinha, né? Mulher com carne…

que tem sabor, tem pegada… tem onde você segurar. Fazer carinho especial.

Gosto de mulher com muito peito. Mulher com muito peito é bom.

Ô, Bigorna, tu gosta de mulher com muito peito?

Não! Dois para mim já está bom.

Eita!

Aiii!

Estamos no pó da rabiola, mas valeu a pena!

Ficou brilhando, irmão. Valeu o investimento, né, compadre?

Aí! Está reluzente. Mira.

[Sargento Trincha] Ordinário… marche!

[Passos se aproximando]

[Música animada ao fundo]

[Sargento Trincha] Ordinário… alto!

Direita volver!

Recuar!

Agora, descansar!

[Cintos tilintando]

-Relaxar! -Olha o quibe!

[Barulhos de peidos]

[Soldado] Puta que o pariu!

Avançar!

[Ainda peidando]

[Marchando]

[Mais barulho de peidos]

Aí… vocês vão ter que limpar tudo isso de novo, é?

Ritmo!

[Paulinho] A vida no quartel não era nada fácil não.

A gente ralava muito.

A gente fazia polichinelo…

a gente fazia "refrexão" de braço.

A gente fazia "abdo-mianau".

E a gente dançava lambada. Eu estranhei um pouco,

mas na época era moda, eu nem discuti.

♪ Adocica, meu amor, adocica! ♪

♪ Adocica, meu amor, a minha vida ♪

♪ Adocica, meu amor, adocica ♪

♪ Adocica, meu amor, a minha vida! ♪

Ô, Sargento Trincha!

O senhor me dá permissão assim,

para eu mudar o meu parceiro, porque o Helinho Gastrite

está muito animadinho para o meu gosto.

Se é que o senhor me entende.

Não é nada não, Sargento. É só o dropes que está no meu bolso.

Assunto resolvido, voltem para o treino.

♪ Veneno do bem e do mal ♪

♪ Adocica, meu amor ♪

♪ Adocica ♪

♪ Adocica, meu amor ♪

♪ A minha vida, oooii ♪

♪ Adocica, meu amor! Adocica! ♪

Ô, Helinho Gastrite? Tu tá com outro dropes?

[Assobio]

[Paulinho] Papai do Céu deu "pá nóis"…

a "inabilidade pá" gente desenvolver qualquer tipo de função.

A coragem, a força…

o "rãociocínio" rápido,

o reflexo. Tudo fazia parte

do nosso "biotípico" físico e mental.

E sem pestanejar…

a gente conseguia desenvolver tudo na vida que nós "queresse",

com a mais alta das "imperfeição".

[Sargento Trincha] Levanta essa bunda gorda daí!

[Paulinho] Naquele dia eu conheci outro grande amigo, o Biricotico.

-Opa! -Ô! Tá me "insediando", irmão?

Não, não. Não é isso não.

[Falando arrastado] É você que é o Paulinho Gogó, não é?

-Da Nêga Juju? -Fato "venéreo", sou eu mesmo.

Eu sou Biricotico, como é que tá?

Eu queria saber…

se você tem uma foto da Nêga Juju pelada?

-Claro que não! -Quer comprar?

-Tu tem foto da Nêga Juju pelada? -Uh-hum!

Mostrando a rampa do "Pranalto" Central?

Uh-hum!

-Mostrando a boca da cabrita? -Chega a berrar…

[Rindo] Méee!

Que história é essa, irmão? Estou bolado contigo. Que parada é essa aí?

Ei, calma! Que bolado o quê?

Eu estou te explicando que sou Biricotico.

Sabe o que é? Eu que consigo tudo aqui por aqui, entendeu?

O que você perguntar para mim, eu tenho. Se eu não tiver, eu sei quem tem.

Agora é o seguinte, se você quiser a foto dela eu te arrumo dela peladinha.

Agora, se não quiser também, não precisa ficar bravo.

Agora, que tá bonita, tá, viu?

[Rindo] Méé! Tá linda para caramba!

[Paulinho] E foi o Biricotico que me "trazeu"

o meu maior tesouro naquela época.

[Suspirando] Ah, Nêga Juju.

Uma foto que eu guardava com muito carinho.

Morrendo de saudades de você. Desse amassador de sofá.

Ai, que vontade de bater uma virilha contigo.

De chorar o branquinho.

[Suspirando]

[Beijando a foto]

Ninguém pensa em você mais do que eu, Nêga.

[Todo mundo chorando]

-Opa! O que é isso? -Juju!

-Ué? Como assim? -Saudade de você, Juju!

[Homem chorando] Volta, Juju!

[Mais choro]

[Paulinho] Vou te falar uma coisa.

Aquilo estava começando a me deixar completamente boladaço.

Então eu resolvi falar com a Nêga Juju

e "escrarecer" tudo de uma vez por todas!

Alô, Juju. Sou eu.

[Nêga Juju] Eu quem?

-O amor da sua vida. -Fábio Júnior?

Que Fábio Júnior! Não é Fábio Júnior.

Sou eu, Paulinho Gogó.

Ah… você?

Oh, Nêga. Tu sabe que tu nasceu "pá" mim.

Tu não quer assumir, né?

Ah! Teoria interessante essa sua. O que é que você quer?

É porque ninguém é capaz de fazer por você o que eu fui capaz de fazer.

Até para o "Insército" eu entrei.

Por que que tu fez essa merda?

Ué, porque tu gosta de soldado.

Eu já gostei, coisa do passado.

Eu adorava um militar. Hoje eu odeio um "milico"!

Só agora que tu me avisa?

Agora eu estou numa outra fase, estou numa fase mais artística.

Agora eu quero um músico.

Nêga, eu era músico aí fora.

Mas um músico de sucesso.

Um músico que todo mundo ame, todo mundo saiba cantar a música dele.

Uma pessoa que pense grande!

Olha, agora você me dá licença, que eu tenho mais o que fazer.

[Som de camas rangendo ao fundo]

[Falatório]

E aí, coração?

[Homens ofegantes ao fundo]

Ei! Todo mundo balançando a castanhola, é?

Que nojo.

E foi daí que eu decidi sair do "Insército".

Mas eu acho que o sargento não me levou muito a sério não.

Você quer o quê?

Sargento Trincha, eu… eu queria a dispensa.

[Sargento Trincha rindo]

Quer tirar férias também?

Quer ordenado e 13o.?

Pôxa, Sargento. Me ajuda a sair daqui.

Eu preciso muito. É por causa de uma mulher.

[Risada para]

-Por causa de mulher? -É.

Por que você não falou antes? Eu posso te ajudar.

Se você fizer curso de paraquedista, se especializar…

você sai daqui em dois meses.

Puxa, muito obrigado, Sargento.

Mas olha… não espalha.

Eu respeito homem que entra no Exército por causa de mulher.

Eu mesmo só estou aqui para esquecer uma.

[Chorando] Mas eu não consigo!

[Soluçando]

Que saudade, Juju!

Que Juju?

Uhh!

[Paulinho] O curso de paraquedista também não era muito moleza não.

Na primeira semana, a gente já pulou.

Meus amigos quando "sabero" que o curso de paraquedas era rápido,

eles "vinheram" junto comigo.

"Nóis" era comandado

por um militar paraquedista que também pulava de paraquedas,

o jovem Capitão Jaja.

O avião está sem combustível, tá ok?

[Todos gritando] O quê?

Somos cinco pessoas.

-E temos quatro paraquedas, tá ok? -[Bigorna] Ai, meu Deus!

Um de nós vai morrer, tá ok?

[Gritos]

Tá não! Não tá ok não.

Tá ok não. Ô, Capitão Dejair?

Tem que decidir logo aí quem é que vai e quem é que fica nessa parada.

Nós vamos resolver no palitinho.

Quem tirar o grande pula.

E quem tirar o pequeno fica.

Eu vou primeiro! Eu vou primeiro!

Ehhh! Tô vivo! Tô vivo!

[Música de aventura ao fundo]

[Bigorna gritando] Aaahh!

Eu tô vivo!

[Risada]

Mamãe!

[Biricotico rindo]

[Risada]

Ai, está girando. Nossa. Que beleza.

Nossa, cadê minha garrafa?

[Gemendo]

E daí? O que foi que aconteceu?

Isso. Conta, conta que eu estou curioso para saber. Conta, vai.

Primeiro, quem foi que te chamou aqui na história?

Tu apareceu do nada assim, irmão? Eu, hein.

Faz o seguinte. Me dá um saquinho de pipoca aí.

Senão, eu não conto o final da história.

Não, moço, conta, conta sim. O senhor conta história tão bem.

Conta, conta, conta que eu estou curioso.

Conta, conta, conta.

-É o seguinte… -Huh?

Como vocês dois podem ver, eu sobrevivi.

-Hmm. E esse tal Capitão Jair? -Huh?

-É quem eu estou pensando? -É.

É ele mesmo. É o homem.

Ah, entendo.

Anda logo, ô imbecil. Decide quem vai e quem fica.

Capitão Dejair?

Qual é o seu maior sonho na vida?

Que papo boiola é esse?

É porque não vai valer a pena a gente ficar vivo…

e não aproveitar a vida.

Vamos prometer que se um de nós sobreviver,

a gente vai fazer alguma coisa pela vida do outro.

Eu tenho um sonho de ser um bom político.

Quero ser um deputado.

Deputado não! Deputado não! Eu não vou…

morrer para salvar um deputado.

No mínimo, um presidente!

Tá aí! Gostei da sua ideia.

Se eu sobreviver…

eu vou ser o Presidente da República!

E você, o que vai fazer?

Para mim, se eu der baixa aqui no quartel,

e ficar com a Nêga Juju,

já vou estar "satisfazido".

Então, tá ok.

[Música de suspense]

Ha-ha!

[Chorando]

Eu prometo que estarei no seu velório.

[Chorando]

Gerônimo!

[Mendigo] E aí, como que você escapou?

[Paulinho] Ah, foi mole demais.

Eu peguei um paraquedas que estava por ali e pulei também.

[Vento assobiando]

Não, mas espera aí, espera aí.

-O avião não tinha só quatro paraquedas? -Tinha.

Só que o Celso Bigorna pulou com a minha mochila.

[Risada]

Socorro!

[Paulinho] O Sargento foi muito legal.

Ele dispensou eu e meus amigos junto.

Estava todo mundo livre do quartel.

É, mas a gente tem que levar o Bigorna.

[Celso] Biricotico! Biricotico, não!

[Paulinho] Cuidado, hein? Cuidado aí.

[Gemendo]

Mas que história mentirosa, hein, rapaz? Conta outra!

O que é isso? Ei! E o senhor, curtiu a história?

Eu preferia ser pobre do que ter que ouvir isso, sabe? Hump!

Vocês falaram que estavam gostando.

É realmente uma bela história de vida.

Ah, muito obrigado.

Eu também tenho. Tenho uma bela história de vida.

Oh não, nem pensa em começar a contar, porque…

pela cara do senhor, o senhor vai demorar uns três dias.

O quê? Está me chamando de velho?

Não, não estou falando isso. Estou falando que tem quilometragem alta.

O senhor está mais rodado que pratinho de micro-ondas.

Agora, olhando para o senhor, o senhor não é nenhum Matusalém.

Mas que o senhor viu a arca de Moisés de perto, o senhor viu.

Não mesmo!

Mas pisou no barro do "dilúrio".

É por isso que essa tal de Juju não quer nada contigo.

Você… você é muito abusado mesmo.

Não, a Nêga Juju não quer nada comigo não é porque eu sou abusado,

mas porque ela botou na cabeça que eu tenho que fazer sucesso.

O senhor sabe como é que é mulher, né? Ela fica no meu ouvido,

"Paulinho Gogó, tem que fazer sucesso, tem que ter "perserberância".

Tem que correr atrás das coisas para ganhar dinheiro."

O senhor sabe. Então, aí, fiquei pensando,

"Será que a Nêga não está certa?" Que, às vezes, a mulher pode estar certa.

Daí, eu falei assim: "Acho que eu vou fazer sucesso."

"Vou fazer sucesso." Tomei uma "altitude gástrica".

Fui "percurar" o grande mestre Jessé Gomes.

Quem é Jessé Gomes?

Ele é mais conhecido como Zeca Pagodinho.

Fala, Zeca!

[Paulinho] O Zeca Pagodinho me recebeu de braços abertos na casa dele.

♪ Deixa a vida me levar ♪

[Todos cantando] ♪ Vida, leva eu ♪

♪ Deixa a vida me levar ♪

♪ Vida, leva eu ♪

♪ Deixa a vida me levar ♪

♪ Vida, leva eu ♪

♪ Sou feliz e agradeço Tudo que Deus me deu ♪

Aquela era a minha grande oportunidade.

Com licença. Com licença.

Ô! Clareou.

[Rindo]

[Música de samba]

[Tocando samba]

Ô! Ô! Espera aí, cara.

O que foi, cara? Chega devagar. Quem é você?

[Paulinho] E foi nesse momento, que meu grande amigo,

Chico Virilha, me salvou.

Ele está comigo. Conheço a figura.

[Paulinho] Ele nunca tinha me visto na vida.

Ele me ajudou na generosidade.

Ô, rapaz! Esse aqui…

é meu amigo próximo.

-O que é isso, cara? -Estou te ajudando, mané.

É verdade. Nós somos amigos muito íntimo.

Também não tem tanta intimidade assim não.

Afinal, vocês são amigos ou não?

É verdade. A gente é amigo desde o tempo que…

a gente nadava pelado lá no Canal do Cunha, lembra disso?

Não, isso aí é mentira. Isso não é verdade não.

Ué! O que é isso, amigão?

Para com isso, cara.

Não consigo.

É, ele fica com a mão naquele local direto.

Ali, no "subaco" da perna, não tem?

Então, daí que veio a fama do famoso Chico Virilha.

-Famoso? -É!

Eu nunca ouvi falar desse sujeito.

Não? Ele é famoso sim. Foi ele o inventor…

da paradinha da bateria da escola de samba, sabia?

? Bateria?

[Bateria para]

? Bateria tocando ?

[Paulinho] Chico Virilha me salvou naquele dia.

Mas ele não podia fazer muito por mim.

Já quebrei teu galho uma vez. Agora, querer tocar junto com o Zeca…

está querendo demais, né? Esquece!

Porque na sinceridade sincera, eu tô…

fazendo isso pela Nêga Juju, sabe?

Grande Juju!

Tu conhece a Nêga Juju?

Quer dizer, conheço assim, né? De nome.

-Aaah… -Mas vai saber também.

Tem tanta Juju nesse mundo, não é? Fala sério.

Muita! Muita! Ô, tem Juju…

de Jussara, de Jurema, de…

Jurassiara… de Júlia, né?

Jupira…

Espera aí, minha Juju é de Jupira.

Bom… um nome fácil desse, não é? Um nome comum.

[Risada]

É… um nome comum.

Olha, com o Zeca eu não posso te ajudar não.

Agora, fica aí na boa que tem churrasco,

tem coxinha, tem… caviar. Olha.

Caviar?

Você sabe o que é caviar?

Não! Nunca vi, nem comi, só ouvi falar.

[Paulinho] Foi uma pena eu não ter dado certo como sambista.

Mas quem sou eu para dar ideia para o Zeca?

♪ Você sabe o que é caviar? ♪

♪ Nunca vi, nem comi Eu só ouço falar ♪

[Paulinho] Sem chance com o Zeca, eu parei com a carreira musical.

E procurei um emprego,

porque eu estava mais liso que perereca de lesma.

Foi quando eu "se" deparei com uma grande surpresa.

Então, eu descobri que a Nêga Juju tinha "abrido" um salão de "cabeleleiro".

Eu decidi então trabalhar com ela.

Não era o "indeal" mas eu arrumava uma grana

e ainda ficava pertinho dela.

Eu matava dois cabritos com uma caixa d'água só.

[Música romântica ao fundo]

Uma coisa eu não posso negar.

Toda vez que eu vejo a Nêga Juju…

[Suspirando] eu "se" apaixono!

♪ Juju ♪

Piolho, eu já falei para você parar com isso.

Ai, que saco, Juju! Que saco!

Ai, não dá não! Ela não sabe o que é glamour, não sabe!

E você? Está fazendo o que aqui?

[Gaguejando] Ah… eu…

Eu estou doidinho para largar um pingo de solda.

Aaai… meu Deus.

Mas, no momento agora, eu tô vindo para te pedir para eu… trabalhar contigo.

Pensamentinho de merda, né?

O que é isso, Juju?

Assim, falando desse jeito, você machuca o meu…

meu "profundo sentimental" que eu tenho por você.

Porque eu acho, com toda sinceridade, que um casal que trabalha junto,

um casal que bate uma virilha junto…

esse casal permanece junto.

Primeiro, que eu não bato virilha com ninguém.

Segundo, que nós não somos casal.

E terceiro, desde quando sabe cortar cabelo? Onde é que você aprendeu?

No Exército! A vida militar prepara um homem

para todo tipo de "dificulidade".

Você aprendeu a cortar cabelo no Exército?

É, e sou especialista.

[Cavalo relinchando]

Esse aqui… é meu fechamento.

Está bonitinho para ir para o baile funk da Éguinha Pocotó.

Háháháha!

Fica quietinho. Colabora comigo aí, irmão.

Depois, limpa a bosta dele!

[Relincha]

Sim, senhor, sargento.

Tá bom. Mas todo mundo aqui usa branco.

E foi assim que eu "se" tornei um excelente barbeiro.

Ninguém tinha o que reclamar de mim.

Ei, amigo, será que pode pegar o espelho,

para eu ver como é que ficou aqui atrás, por favor?

Como se tivesse ficado grande coisa aí na frente.

-Como é que é, irmão? -Não, rapaz. Você tem que confiar em mim.

Eu sou conhecido aqui no bairro como Gogó Mão de Tesoura!

Está "lindaço" isso daí.

Meu amigo, eu exijo ver a parte detrás, por favor!

Tá bom, tá bom. Já que tu "insesti", né?

Aqui, dá uma olhadinha aqui. Olha como ficou bonito, rapaz.

Aqui é estilo, meu irmão. Nasci para fazer essa parada aí.

E, compadre!

Acidente. Acontece toda hora. O espelho quebrou, olha aí.

Até que eu estava "se" dando bem. Mas a Juju "trazeu" um cliente muito especial.

Entra, Ronaldo, entra. Fica à vontade.

-Bonito, né? -Bonito, bonito.

Ô, Paulinho! Trouxe um amigo muito querido,

que faz questão de cortar o cabelo aqui, antes de ir para a Copa.

Não, espera aí. Está de sacanagem. Ronaldinho, o Fenômeno.

Que honra. Que prazer, irmão. Mas espera aí. Deixa eu olhar direito.

Tu tá meio Mandrake.

Meio Ronaldinho do Paraguai, irmão.

-Tu não é fake news, não? -Não.

Olha lá, hein? Agora, vem cá. Sendo você ou não sendo você,

de onde é que vocês dois se conhecem?

Já mandaram você tomar conta da sua vida?

Eu, hein? Mania de tomar conta da vida dos outros. Marica!

Vai caçar o que fazer.

Eu e Juju já se conhece há um tempão.

E eu já beijei muito nesse gramado.

[Com voz melosa] Ai, Rô! Você é um fenômeno.

E o senhor…

capricha.

Aí, passa um talquinho aqui, para não grudar no pescoço.

Ah, Ronaldinho está assadinho. Quer um talquinho, né?

Pode deixar comigo, que eu vou dar uma caprichada,

e o nenê vai ficar bem fresquinho.

Deixa eu, né?… deixa eu cuidar direitinho do bebezinho aqui.

Deixa eu ver. Opa! Espera aí.

[Tossindo] Espera aí porque está… está saindo pouquinho.

Deixa eu dar uma… uma calibrada…

no meu super talco mega, detonador!

[Som de explosão]

[Tossindo]

[Paulinho] Mas naquele dia, nada estava dando certo.

Aí, não corta muito baixo, não.

Fica tranquilo que você está na mão de profissional.

Além de eu não enxergar nada, eu acabei "descobrendo"

que eu era completamente "alergênico" a talco.

[Espirra e tosse]

[Música engraçada ao fundo]

[Gritando] O que é isso, cara?

O que você fez com meu cabelo?

É seu corte da sorte!

Que merda é essa que você fez no cabelo dele?

É o corte da sorte!

Não é o corte da sorte não. É o corte da sua morte!

[Paulinho gritando] Ai, ai! Ai, ai!

[Nêga Juju gritando] Vem cá, seu filho de uma égua!

Há-há! Então foi você que fez essa porcaria no cabelo do Ronaldinho?

Não, porcaria não. Isso daí deu sorte.

E eu ajudei, "moléstia" parte, né?

A gente foi "pinta-campeão" com esse cabelinho aí, olha.

Aliás, foi a última vez que o Brasil foi campeão.

Bom, isso aí é verdade. Aí é verdade.

Só que depois daquilo, só me sobrou a roupa do corpo.

Mas eu curti.

E por sorte, eu tinha muitos amigos.

Celso Bigorna me arrumou um emprego de pintor.

[Voz do Celso] "Ô, Paulinho, você pinta comeu pinto?"

"Então, dá uma pintada aqui em casa amanhã."

[Paulinho] Mas não deu certo também.

Porque trabalhar com o Celso Bigorna é sempre perigoso.

-Ô, Celso Bigorna. -Oi.

Minha tinta está acabando. Dá para passar mais tinta aí?

-Mais tinta? -É.

[Paulinho] Mas ninguém imaginava o que ia acontecer naquele dia.

Tu tá maluco, rapaz? Era com o balde!

Ah, tá.

[Balde batendo]

-Você se deu mal, hein? -Ah, não estou nem aí, dona.

Essas coisas sempre acontecem comigo.

Eu já estou acostumado a "se" dar mal, tá bom?

Eu penso da seguinte maneira:

"Quando uma porta se fecha, a outra se abre."

E que raio de porta que abriu aí?

Não, é porque, "dispois" do acidente, assim, a calça eu consegui limpar,

agora o sapato e a camisa eu não consegui não.

it1Apesar que gostei do novo visual.

Acho que me deu sorte.

[Mulher] Você teve sorte?

[Paulinho] Não. Ainda demorou um pouquinho.

Foi quando meu fechamento Helinho Gastrite me chamou para fazer parceria com ele,

como consultor "olírico" para finalidades financeiras.

Ei, Helinho! Que parada é essa daí de Mestre "Augogue"?

Ogog! Gogó ao contrário.

É um estudo que se faz da numerologia, misturada com a Cabala. Não tem erro.

Ah, numerologia, né?

Aí! Você vai perguntar o que a pessoa sonhou,

interpreta e manda ela vim jogar comigo, fechou?

Aaahh, molezinha. Sopa de minhoca.

-O que é isso? Me ajuda aqui -O uniforme.

-Que touca é essa? -Turbante.

-E essa "brusinha"? -Colete.

-Que negócio é esse aqui? -A capa do grande mestre.

Capa? Irmão, se eu usar uma parada dessa,

vou ficar parecendo aquela história infantil da "Bonézinho Vermelho".

Pô, aí tu me ofende, hein, Paulinho.

Pô, mandei o camelô encomendar com o chinês,

para o boliviano trazer lá da França.

Aaaah, parada africana?

Pois é, para dar credibilidade.

Aí, tu amolece e manda para mim, fechou?

Valeu!

Ah, moleque!

? Som de gongo ?

Uala, uala, uala!

Quem vem lá, e o que quer perguntar?

Então, Mestre Ogog… eu sonhei com um touro.

O que isso quer dizer?

Você é casado? Tem mulher bonita?

Não, eu sou solteiro.

Você se livrou de uma boa, irmão.

Então, vamos fazer o seguinte.

O que você tem que fazer é jogar no bicho.

Ah, então tá! Eu vou jogar no touro.

Que touro? Você está maluco? Jogar no touro, rapaz?

O sonho, ele engana a gente.

Tem que ser esperto, tem que ser malandro.

O que é que esse touro estava fazendo no seu sonho?

Ah, ele estava… muito bravo.

-Ele estava bravo? -É.

Então, você tem que jogar na "braboleta".

Mas, o… o…

o certo não seria… borboleta?

Quem é o adivinho aqui? Sou eu ou você?

-O senhor, claro. -Então, fica quietinho.

Sim, senhor.

[Sem som] "Braboleta".

Olha aí, meu irmão. Joga aí. "Braboleta" na cabeça.

[Paulinho] A gente se deu bem. "Moléstia" parte,

eu era bom interpretando sonho para o jogo de bicho.

O que seu pai carregava nesse caminhão, filho?

Ele carregava jaca.

E esse caminhão andava de frente ou de ré?

Andava de ré.

Joga no jacaré.

O senhor é um gênio, Mestre Ogog!

[Gritando] Ualaaa!

[Paulinho] A gente ganhou muito dinheiro. Eu fiquei tão famoso,

que um dia entrou na tenda quem eu menos esperava.

? Juju! Juju ?

? Juju! Juju ?

? Juju! Juju ?

Piolho, esse troço já está me irritando!

Ah, sua ingrata! Um dia você ainda vai sentir minha falta.

Como vai?

-Tudo bem? -Tudo bem.

Então, Mestre Ogog, eu estou precisando de dinheiro.

Preciso aumentar meu salão, estou precisando fazer uma fézinha.

Sim, sim. Mas qual é o seu sonho?

Ontem eu sonhei que estava numa floresta.

Vi um homem lindo, maravilhoso, num cavalo branco.

Ele descia do cavalo e ele me beijava.

E quando ele ia embora, ele me levava com ele.

Vem cá, isso daí é sonho?

Ou é história da Branca de Neve?

Está maluco? Está perturbado?

Por acaso você está vendo alguma Branca de Neve aqui? Eu, hein?

O que que isso significa?

[Paulinho] Eu não podia deixar de aproveitar aquela chance.

Aposta no amor.

-E que bicho é esse? -Não é bicho!

É uma pessoa que goste de você de verdade, que pense em você o tempo inteiro.

Que fatia o rocambole pensando em você,

se é que você me entende.

Você não tem ninguém que goste de verdade?

Não. Que goste de mim?

Ah, tem.

Tem o imbecil do tal de Paulinho Gogó.

É apaixonado por mim. Meio limitado ele, né?

Sabe como chamam ele por aí?

[Rindo] Paulinho Dá-Dó!

Desculpa.

Então, aposte nesse cara.

Vou jogar no burro.

Não, que burro? Não tem burro nenhum!

-Não? Tem anta no jogo do bicho? -Não!

Não! Não tem anta. Esquece o bicho.

Você tem que apostar nele. No Gogó.

Repete… Gogó! Gogó!

Você tem que dar uma chance para ele.

Olha, parou! Chegou a gracinha.

Eu não vim aqui atrás de homem.

Eu vim aqui atrás de dinheiro porque preciso aumentar meu salão.

E outra coisa, eu não preciso de homem para nada.

-É? Não precisa de homem para nada? -É! Para nada!

Então por que chegou aqui falando:

"Ah, sonhei com um príncipe lindo, maravilhoso,

-chegando num cavalo branco". -Bom, daí eu já não sei.

Quem tem que saber é o senhor, né? Porque quem decifra sonhos é o senhor, não é?

Isso eu não tenho que saber.

E aí? Meu príncipe vai chegar em um cavalo branco?

[Paulinho] Foi nessa hora, que eu aproveitei,

para poder facilitar o jogo para mim.

Não, não! Seu príncipe vai chegar…

num carro branco.

[Suspirando] Ahh…

Num carro branco importado?

[Paulinho] Eu facilitei mesmo.

Não. Em um Fusca branco.

Que merda, hein? Um príncipe chegar num Fusca branco? Ahh!

Não tem nada a ver.

O Sérgio Mallandro já foi príncipe da Xuxa chegando de mobilete!

Isso é problema da Xuxa, com o Sérgio Mallandro e a mobilete.

Eu não tenho nada a ver com isso.

Como é que eu vou saber quem é esse príncipe?

O que mais tem nessa cidade é Fusca branco.

[Paulinho] Ela tinha razão. Então, eu corrigi.

É… um Fusca branco e vermelho.

Não, não. Não é possível. Só pode ser praga, macumba!

Isso daí do senhor não é adivinhação.

O senhor é um tremendo charlatão. Quer saber? Eu vou embora!

Não, não! Juju, espera! Espera.

Ué? Como é que você sabe meu nome?

Hmm… Eu sou o Mestre Ogog.

Eu sei tudo de todos.

Deus me livre.

Juju, lembre-se:

seu príncipe vai chegar num Fusca branco e vermelho,

e com uma buzininha tocando música romântica.

[Suspira]

-Você enganou a Juju? -Não, "craro" que não.

Eu apenas me ajudei a me ajudar a conquistar o amor da minha vida.

Nada a ver. Você devia ter sido preso!

Olha, que isso quase aconteceu.

Eu sonhei essa noite que eu acordava

e via o Cauã Reymond na minha frente,

piscando o olho para mim.

[Piscando]

Cauã Reymond… Ele fazia assim?

Ahhh…será que ele não estava tendo um derrame?

-Não. Ele estava me paquerando. -Misericórdia!

Daí, depois veio o Rodrigo Hilbert e começou me paquerar também.

Olha, eu queria ter essa autoestima que a senhora tem.

Mas vamos lá. A senhora viu o Cauã Reymond e o Rodrigo Hilbert,

os dois piscando e paquerando a senhora?

É.

-Tem certeza? Sério? -É. É.

É verdade?

[Gritando] Isso! No que é que eu jogo?

-Joga no morcego. -Por quê?

Porque o morcego é o bicho mais cego que eu já vi na minha vida.

Agora, ô, dona desejada, vai lá, aposta com o Helinho Gastrite, vai.

Aaah, o senhor é sócio do Helinho Gastrite?

Ah, eu e Helinho Gastrite?

Háháhá! Nós "semos" fechamento desde criancinha.

Por que a senhora está perguntando isso?

Porque a farra de vocês dois acabou, golpista!

[Gritando] Polícia Federal! Mãos para o alto!

Eu não sei de nada! Eu não vi nada!

Cala a boca, vagabundo! A casa caiu!

A casa caiu não! A tenda é que vai cair.

Aaaiii!

-Sua tarada! -[Mulher] Vou te pegar!

Helinho Gastrite, coloca R$10 no veado e sai batido, irmão!

[Tiros]

[Paulinho] "Dispois" daquilo,

eu nunca mais "se" meti com "contra-invenção".

Mas, pelo menos, eu descobri o meu estilo.

Quem eu era.

[Música de samba]

E foi a primeira vez que eu "se" vi por completo.

Como Paulinho Gogó!

O que eu sou de verdade, por eu mesmo.

Por causa daquele pequeno "pobrema" com a polícia,

eu fui obrigado a sumir da cidade por um tempo.

Então, o que eu fiz?

Fui na fazenda de um grande amigo meu lá das Minas Gerais!

O Compadre Totonho.

Gogó.

Compadre Totonho.

-Como é que está, menino? -Eu tô bem, né?

Estou precisando ficar fora do Rio de Janeiro um tempinho.

Daí, eu cheguei para cá.

Ficar pra cá é melhor pra você?

É, mas não posso ficar muito tempo não.

Eu tenho que voltar para o Rio… para ficar com a Nêga Juju.

Nêga Juju.

Êêêê…

Grande Juju.

Compadre Totonho, você já pegou a Nêga Juju também?

O que é isso? Imagina!

Você foi para o Rio de Janeiro para dar uma rabiscada na Nêga Juju?

Claro que não. Não fui para o Rio atrás da sua mulher, não.

Ah, bom.

Ela que veio para cá, né?

[Som de mugido]

[Paulinho] O bom da fazenda é que o trabalha ajuda a gente

a descansar os neurônios da cabeça.

E eu, particularmente, entendo tudo de animal, de bicho,

e "ordenação" de vaca.

Ô, Compadre Totonho…

faz meia hora que eu estou ordenhando essa vaca aí

e ela está meio preguiçosa, deu só um pouquinho de leite.

[Rindo] Baitolo!

-Aquilo lá é um boi. -Boi?

[Mugindo]

[Paulinho] Foi nessa fazenda que eu conheci muita coisa.

Por exemplo, foi a primeira vez que vi um pé de café de pertinho.

[Gemendo] Ugh, está sem açúcar.

Êêêê, desde quando o pé de café vem com o café na xícara?

É assim mesmo, dona.

É que a gente vive na cidade e a gente não sabe de nada.

[Suspirando] Ah, o meu veio com chantilly.

Não é chantilly não, bocó!

É cocô de passarinho.

[Passarinho rindo]

E o que que você fez?

Ah, a minha sorte, é que naquele mesmo dia,

bem do lado, tinha um pé de guaraná.

[Música animada ao fundo]

Aaah!

[Paulinho] A vida na fazenda me fez pensar e repensar

na minha vida inteira. Olhando aquele luar,

descobri que tinha que voltar logo, logo para a Nêga Juju.

[Alongando] Uuuh…

[Suspiro profundo]

[Grilos cantando]

[Boi mugindo à distância]

♪ Encosta sua cabecinha ♪

♪ No meu ombro ♪

♪ E choooora ♪

[Paulinho] E foi então, que num momento de "relaxação",

a vida me deu um sinal.

Do nada, eu senti um tremendo solavanco na vara.

No bom sentido, é "craro".

Meu pai uma vez me contou que pescou um pneu.

Acho que foi por isso que ele pegou pneumonia.

Mas eu fui melhor que ele, não pesquei um, pesquei 4 pneus!

E junto, veio um Fusca.

Chega fiquei ofuscado.

Era o carro "ingualzinho" o Mestre Ogog tinha "previsado".

A partir dali, eu tive certeza

que quando eu chegasse com o Gogotel, Nêga Juju ia ficar

com os 4 pneus arriados, querendo meu amor. "I love you."

O carro não tinha nenhum "dicumento",

mas como eu também não tinha, nós "fomo fazido" um para o outro.

Eu só pensava em derrapar

nas curvas corporal da Nêga Juju.

Eu dirigia meio mal

e a estrada tinha curva demais para o meu gosto.

É, eu "se" perdi um pouquinho porque peguei assim uns "contrarefruxo",

mas eu tinha certeza absoluta que eu ia chegar.

Só que o Gogotel estava muito sujo,

então, antes de ir atrás da Nêga Juju, resolvi dar uma paradinha para lavar.

[Água jorrando]

Ó, "my Good" do céu!

Olha o "merdelê e caçarolê" que eu fiz nessa parada, hein?

Isso aqui não vai dar em nada.

Estamos aqui há 30 dias e nada acontece.

Vamos nessa.

Atenção. Nós estamos abortando a operação.

Molhou tudo aqui, rapaz! Deixa eu secar essa parada aqui ou vai dar B.O. para mim!

Ô, está maluco, rapaz? Larga isso aí, rapaz.

Eu estava distraído. Eu vou secar rapidinho.

Vou botar um negócio na sua mão para você secar! Larga isso daí, rapaz.

Você é grosseiro, hein?

Repetindo: abortando a operação.

Segura aí. O que é aquilo ali?

Deixa eu secar, meu irmão! Você é mal agradecido!

[Puxando com força] Me dááá!

Olha, imbecil! O que que você fez!

O meu dinheiro! Ah, meu Deus! O que que você fez?

-Polícia, parou, parou! -Polícia! Parado.

-O que que é isso aí? -Não é meu não. É dele!

Calma aí, calma aí, calma aí! Eu nem conheço esse cara aí não.

-Encosta no carro! Vai, no carro! -É dele! Não é meu!

Obrigado pela ajuda, hein, campeão.

O que é isso? Pô, caraca, maluco. Pô, brincadeira, irmão.

Acho que eu não fiz mais que minha obrigação, né, "federa".

Se cada um "fazesse" um pouquinho, esse universo seria muito melhor.

Eu "se" sinto honrado, aliás, honrado não, eu "se" sinto um "sortilegiado", irmão.

Agora, vem cá. Que operação é essa, hein?

A gente ainda não escolheu o nome. Você tem alguma sugestão?

[Música animada ao fundo]

Espera. Tem coisa errada aí.

O posto da lava jato era em Brasília.

Uai, você não estava voltando de Minas?

Uai, eu falei que eu dirigia mal, e que eu "se" perdi um pouco, né?

Essas "coisa acontece".

-É, acontece. -Acontece.

Então tá. Você… ajudou a Polícia Federal

-Ajudei. -Na Operação Lava Jato?

É, foi isso mesmo.

[Risada de ambos]

Aqui que eu acredito em você.

[Sirenes se aproximando rápido]

Olha lá. E aí?

-Err… -Falou alguma coisa agora?

Você não duvidou de mim? Hehe.

Paulinho, está aqui a informação que você me pediu.

De fato, o ônibus da Juju é o 8765.

Mas ele não vai passar às 16h34, vai passar 17h22 com motorista Anderson.

Tá bom. Valeu, valeu. Então, vou esperar mais um pouco, tá?

Aproveitar que a tarde está agradável,

vou ficar aqui respirando esse ar puro de "gás carbono".

Enquanto isso, converso com minha amiga… Como é seu nome?

-Martinha. -Você sabe meu nome?

Martinha, você tem 39 anos, é solteira, mora com sua mãe,

frequenta a casa da mãe de santo Eloá lá em Santa Cruz.

Colocou sua avó como dependente no imposto de renda

e seu nome está no SERASA.

[Murmurando] O que que é isso? Eu estou horrorizada!

Bom, Paulinho, se precisar de alguma coisa, é só falar, ok?

Valeu!

-O Brasil te deve muito, hein? -O que é isso? Obrigado.

Valeu, federa! Aqui, irmão, faz o seguinte.

Você me liga a hora que "cê querer", certo?

Mas antes preciso te passar meu número novo, que eu mudei ontem.

É 9944-443333.

Caraca, meu irmão, como é que você sabe?

A operadora me passou ontem, nem eu decorei ainda.

Na verdade, fui eu que escolhi.

Juízo vocês, hein?

E vocês também.

Quer saber? Eu tô fora! Passar bem!

Oi, que linda história de amor você estava contando, meu jovem.

Muito obrigado.

Olha, eu peguei o finalzinho, mas fiquei curiosa.

Afinal, você e a Juju se encontraram?

[Suspirando] Ah, dona, foi muito lindo.

[Buzina tocando]

-O que diabos foi isso? -Ai, desculpa, desculpa.

Desculpa, gente, desculpa.

♪Você para mim foi o Sol ♪

♪ De uma noite sem fim ♪

♪Que acendeu o que sou ♪

[Paulinho] E nós vivemos um amor cinematográfico

de filme de cinema.

♪ Agora eu sei muito bem ♪

♪ Que eu nasci só para ser ♪

♪ Sua parceira, seu bem ♪

♪ E só morrer de prazer ♪

♪ Um caso do acaso ♪

♪ Bem marcado em cartas de tarô ♪

♪ Meu amor, esse amor ♪

♪De cartas claras sobre a mesa, é assim ♪

♪ Signo do destino ♪

♪ Que surpresa ele nos preparou ♪

♪ Meu amor, nosso amor ♪

♪ Estava escrito nas estrelas ♪

♪ Estava sim ♪

[Paulinho] E qualquer lugar que a gente ia, era muito "bão"!

Quando a gente ia ver filme junto,

a gente se enxergava nos artistas da tela!

[Gemidos e suspiros]

[Paulinho] Ah, eu e Nêga Juju vivemos um amor "esfumegante e esmagante".

♪ Pois sem você, meu tesão ♪

Olha para mim!

♪ Não sei o que eu vou ser ♪

[Bate e grita]

[Paulinho] Todo dia era dia de bate-estaca lá em casa.

[Gemidos e suspiros]

Dona Freira, vou ter que parar por aqui,

porque não posso contar tudo que a gente fez

em respeito…

ao seu marido.

Ah, imagina, meu filho! Eu sei como é.

O amor se expressa de várias formas.

E tem várias línguas.

Oh, já que a senhora falou em língua, então eu vou contar.

-Posso contar? -Pode, pode contar, é claro.

Aaahh, primeiro, a Nêga começou desenvolvendo um "frauteado".

Daqueles que desce molhando e sobe secando.

Daí, pô, de repente, eu não estava fazendo nada,

a Nêga partiu para cima de mim, o que que eu pensei?

[Avanço rápido]

[Música animada ao fundo]

E foi assim que nós fizemos tudo.

E ainda repetimos.

Dona Freira, cadê a senhora? Dona Freira!

Caramba, o que aconteceu, Dona Freira?

Vem cá, deixa eu ajudar a senhora. Levanta aqui. A senhora é maluca.

Eu perguntei se podia continuar contando,

que a história era cabeluda, a senhora falou que podia.

-Posso terminar a história? -Pode, meu filho.

Mas, por favor, pula essa parte da intimidade de vocês.

Mas eu nem cheguei na metade.

-Oh! Pula! -Tá bom.

"Dispois" de vários dias de "bambuzada" no quadril,

a Nêga veio com um papo atravessado de casamento.

[Suspirando] Ah, finalmente, o laço sagrado.

[Paulinho] Então, eu preparei o pedido.

Eu coloquei a aliança dentro do sorvete dela

para poder fazer a surpresa.

[Música de suspense]

Ai, que lindo.

Só que ela "degrutiu" a aliança no sorvete.

Meu Deus. E ela desengasgou?

[Todos gritando juntos] Vai! Vai! Vai!

[Paulinho] Demorou meia hora, mas saiu.

[Todos gritando juntos] Eeeehhhh!

Ai, que bom. Então, vocês se casaram?

-Tudo como manda o figurino? -Não, não rolou.

Não rolou porque, na verdade duvidosa, agora é que vem a parte

mais triste da história da minha vida.

[Suspirando] Ah, meu Deus…

[Música de samba]

[Paulinho] Estava tudo indo bem na minha vida,

quando meus "amigo" aprontaram para "arriba" de mim.

Aí, Paulinho, olha o que a gente preparou para você.

Para a despedida de solteiro, moleque.

[Celebração]

[Mulher] Wuuu-huuu!

Olha, aí!

[Biricotico] "Brincanagem" nada, vai começar é agora, meu filho.

[Paulinho] Não, gente. Como é que isso vai sair?

Sai com o tempo, não preocupa não.

-Não, eu vou embora, gente. -Não, não!

O quê? Não vem cá! O que é isso?

A despedida de solteiro é para se divertir mesmo, meu irmão.

É para tu vê algo diferente antes de ver todo dia a mesma coisa.

Irmão, isso vai dar o maior rolo com a Nêga Juju.

Eu estou de saída, eu vou embora!

Qual é? Vai fazer uma desfeita dessa com a gente?

A gente preparou isso aqui tudo pensando em você.

A gente já entendeu, Chico Virilha.

A gente não economizou nem na segurança.

Aí, irmão, mão na parede!

[Golpes]

-Nosso leão-de-chácara, rapaz. -Isso é um hamster-de-chácara.

-O que você disse? -Eu estava brincando!

-Eu estava brincando! -Toma!

-Joga água! -Aaaii! Uuuuiih!

Aiii! Uuhh! Ohh!

Olha aí, bunda de tartaruga, quase quebrou minha "falangeta", irmão.

Onde que vou achar um "veteri-urinário" para me atender agora?

-Mais um motivo para eu ir embora. -[Todos] Não, não, não! Espera!

[Biricotico] Sabe o que a gente vai fazer? Sabe?

Vamos falar para o Paulinho Gogó que o Neymar não veio.

Não, quer dizer, vamos falar para o Neymar

que o Paulinho Gogó não veio, acabou a festa! Acabou. Pronto e acabou!

Espera aí. Vocês estão brincando comigo?

Estão falando para mim que o Neymar veio na minha despedida de solteiro?

-É, ele está ali. -Olha.

[Paulinho] Eu não podia fazer uma desfeita com meu fã número um.

Sacanagem! Não. É mentira o que meus olhos estão "ouvindo", compadre!

Eu vou falar um negócio para você, estou muito emocionado.

Muito obrigado pela tua presença.

[Paulinho] E foi assim que eu fui ficando, ficando e ficando.

♪ A cachorra da Maria… ♪

[Paulinho] E foi a maior festa de despedida de solteiro da história.

Sabe como é que é festa, né, dona?

O papo puxa uma bebida, uma bebida puxa a outra,

e a outra vem e nhac! Te pega.

Um minuto. Quero dizer umas palavras.

Que essa festa aqui é para lembrar…

que a gente não está perdendo um irmão solteiro, mas ganhando um irmão casado!

E festa que é festa tem que ter… bolo!

[Aplausos]

[Celso] E quem arrumou a surpresa fui eu, hein?

Foi você?

[Risadas]

Agora eu fiquei preocupado, hein?

Não precisa ficar preocupado não, que o que tem ali, você vai gostar e muito.

É verdade, viu? Porque isso aqui, ó…todo mundo gosta!

[Helinho] Aí, Paulinho? Vai cortar ou não vai?

Corta! Corta! Corta!

[Todos gritando] Corta! Corta! Corta!

Vou cortar. Ajuda aqui. Ajuda aqui.

-Corta! Corta! -Ajuda aqui. Ahn…

[Falatório]

[Paulinho beija] Humm! É isso aí, vou cortar.

-Muito bem. -É isso aí.

[Música indiana]

[Música indiana]

Celso Bigorna, tu…

tu escolheu meu número certinho. É meu tipo, cara.

Sabia que você ia gostar.

[Paulinho rindo] É.

Espera aí… hmm?

Está parecendo até a Nêga Juju.

Argh!

[Rosnando] Grrrr!

O que que é isso?

-Seu filho de rapariga! -Está maluco? Vai "merdar" geral agora!

Tu gostou, Gogó? A ideia de trazer a Juju foi minha.

Por isso que você vai ser o último a apanhar.

Nêga, pelo amor de Deus, sou inocente, eu nem queria estar aqui.

Meus amigos é que me "trazeram" sem a minha "consentição".

[Biricotico] Ai, meu Deus do céu. Ainda bem que minha mulher não está aqui.

Você que pensa, porque chamei todas elas.

Hoje vocês vão é cair no pau!

[Nêga Juju] Vamos lá, mulherada.

Vocês vão pagar por isso! Seu bando de pervertido!

-Calma! -Filho da puta!

[Gritando]

-Corre! Pega o anão! -Qual é? Qual é?

[Objetos quebrando] [Gritos]

[Helinho] Espera, espera! Calma aí.

O anão! Foi ideia do anão!

[Gritos]

Tem que apanhar todo mundo! Eu não mereço!

Eu não mereço!

[Paulinho] A Nêga Juju tinha "descobrido" tudo que eu tinha "fazido".

Ela foi embora… e levou tudo.

Sumiu. Desapareceu.

Meu filme com ela estava "queimadaço".

A Nêga Juju abandonou tudo.

Eu… o salão, o bairro…

Ela largou tudo para trás.

[Música triste ao fundo]

Ninguém sabia dela.

Nem os amigos…

nem a família. Ninguém.

[Música triste continua]

[Música de suspense ao fundo]

Meus "amigo já não sabia" mais o que fazer para me ajudar.

Eu fui "percurar" a Nêga Juju até lá em Minas Gerais.

O que é que foi, Gogó? Tá apavorado?

Fiquei três anos batendo cabeça atrás da Nêga Juju.

Não?

Até que um dia…

bateram na minha porta e jogaram um bilhete por baixo.

O bilhete dizia que a Nêga Juju ia passar no ônibus 8765.

Ahh, eu estou esperando o grande "my love" da minha vida chegar.

A Nêga Juju.

Ela vai chegar daqui a pouquinho naquele ponto ali.

Ah, não tenha esperança não, meu jovem.

Você não vai reencontrá-la hoje.

Ô, vai "ingora" outro!

Eu, hein?

Até a Polícia Federal já confirmou que a Nêga vai chegar

no ônibus 8765.

É, pode até ser que ela venha.

Acontece que o problema é que o 8765 não passa nesse ponto.

Ele passa no ponto do outro lado da praça.

Ô, meu "Pai Fraterno"! Que vacilo feio da senhora, Dona Freira!

Por que não me avisou dessa parada antes?

Com licença!

[Música animada ao fundo]

[Música continua]

Nêga Juju!

Sai, passarinho!

[Música animada continua]

Nêga, não se vá!

Ela se "foi-se".

[Música triste ao fundo]

[Música triste ao fundo]

[Música suave ao fundo]

Juju?

Me falaram que você estava por aqui.

Ninguém falou nada. Fui eu que deixei o bilhete lá.

-Então, você me perdoou? -Ainda não.

Quer dizer… a raiva vai passando aos poucos.

Caraca, mas "dispois" de três anos?

Se continuar resmungando assim, eu sumo mais três anos.

-Você quer? -Não, pelo amor de Deus, não faz isso.

Olha aqui, ó, Nêga, olha só. O que que eu "trazi" para você, ó.

Com todo amor e carinho, um chocolatinho que sei que você gosta.

Agora deixa te perguntar um negócio, Nêga. Por que que tu "me percurou", hein?

[Pássaros piando ao fundo]

Por causa dele.

[Paulinho] Caraca! Que moleque bonito.

Está trabalhando de babá?

Claro que não! Continua a mesma mula de sempre, né?

Você não consegue perceber nada em volta de você.

Eu não estou trabalhando de babá.

Aquele lá é o…

é o nosso filho.

Nosso filho? Você está brincando comigo?

Estou falando sério. Aquele ali é o Paulinho Tumtum.

Paulinho!

Vem aqui na mamãe, vem, moleque! Vem cá!

Vem cá com a mamãe! Vem cá. Vem cá, filho.

Dá um abraço aqui no seu pai. Dá um abraço gostoso!

Quer me ver tocar?

"Craro" que quero, filho! Ele sabe tocar direitinho?

Mais ou menos. Toca para ele ver, toca!

[Toca "Brasileirinho"]

Esse moleque é meu filho! Leva todo jeito.

A carinha dele! Olha o jeito dele olhar. Olha lá como ele olha.

A boquinha dele… Esse moleque aí é meu filho de verdade.

Não vai ser nem preciso levar ele no programa do Ratinho para fazer DNA.

Você está desconfiado que não é seu, é isso?

Não, não falei isso. Pelo contrário, né?

É a minha cara. Nêga, deixa eu falar um negócio para você?

Eu queria…

te dizer assim, Nêga, que eu… estou muito feliz de você ter "valtado".

Nêga, olha só…

pode contar comigo para o que der e "vinhér".

[Música suave ao fundo]

Daí o Sargento chegou para mim e falou: "Soldado Gogó!

Hoje eu não te vi na aula de 'camufrage'."

[Rindo] E eu: "Muito obrigado, sargento"

Porque se ele não viu é porque eu estava bem "camufrado", né?

É. Você é muito bom de contar história.

Ahh, isso eu sou mesmo.

-Eu nunca te contei história não? -Nunca! Nenhuma história.

E se tem coisa que eu amo é ouvir história.

Mas… por que que tu nunca me falou nada antes?

Hum… E por que que você nunca me perguntou?

Se você tivesse me contado história antes, já teria me conquistado há muito tempo!

E aí não precisava fingir ser essa pessoa que você não é.

[Música suave ao fundo]

Piolho?

Dessa vez não foi o Piolho.

Dessa vez foi romantismo mesmo.

Foi… foi amor

Foi paixão.

Foi coração… foi pura emoção.

Foi a pomba "rola" da paz…

que voou para poder encontrar a nossa felicidade eterna.

[Música suave continua]

[Paulinho] E "dispois" daquele dia, eu aprendi,

que para manter o amor da minha Nêga Juju feliz,

era só eu contar uma história por dia "pá" ela.

Sobre mim, sobre ela.

É tanta história, que eu estou até pensando

em ganhar dinheiro com isso.

É como eu falo sempre, né?

Vou contando minhas histórias… é aquele negócio…

"quem não tem dinheiro, conta história."

Isso é muito importante. O senhor concorda, doutor?

Falou comigo?

-Muito prazer, Paulinho Gogó. -Prazer.

Qual é o seu "obséquio"?

-Como? Não estou entendendo. -O seu codinome beija-flor.

-Ah! O meu nome? -É! É…

-É Carlos Alberto de Nóbrega. -Ah, Carlos Alberto de Nóbrega…

Carlos Alber… Vou chamar o senhor de Carlosalber!

-Carlosalber não. -Muito íntimo, né?

-Meu fechamento! -Fechamento?

Meu fechamento.

Não sei o que é fechamento, mas vai de fechamento.

O fechamento, olha uma coisa aqui…

será que dá para manter uma família… só contando história?

Claro que dá.

Porque a história… são ferramentas da vida.

A história de vida de uma pessoa,

às vezes, serve de exemplo para sua própria vida.

-É… -E outra coisa também.

-Err… É fechamento, né? -É.

Para contar história… precisa de tão pouco!

Tão pouco! Basta uma praça…

um banco, um amigo… e lá vem uma história.

Aahh. Bonito isso, hein?

Bonito. Eu vou até memorizar.

É, memoriza.

Pronto, memorizei. É assim… estou olhando para o senhor aqui.

Hmm…

A sua "caricatura" não me é estranha.

Que caricatura, rapaz?

Eu já vi essa "carenagem" em algum lugar.

Já vi! Já vi! Já vi!

[Rindo] Minha caricatura… Fala sério.

Só não estou lembrado de onde.

Err… Agora, já que o senhor está aqui…

Huh?

O senhor não quer ouvir uma história minha, não?

Escuta, eu tenho cara de quem fica sentado no banco de uma praça…

ouvindo historinha? Ah, tenho mais o que fazer, rapaz.

-Até logo. -Carlosalber! Carlosalber!

-Deixa eu ler meu jornal. -Fechamento, não, sabe por quê?

É porque tem uma história…

[Carlos Alberto] Eu estava tão tranquilo aqui, você veio…

-A Nêga Juju… -Fui educado com você.

♪ É o Paulinho Gogó! ♪

♪ Eu vou contando história ♪

♪ E não dou ponto sem nó ♪

♪ Quem é que faz a alegria do povo? ♪

♪ É o Paulinho Gogó! ♪

A Nêga fez um…

[Plateia gargalhando]

[Carlos Alberto gargalhando] Não!

[Fala avançando rápido]

[Plateia ainda gargalhando]

[Carlos Alberto gargalhando]

[Carlos Alberto tossindo]

[Paulinho] Quer água? Quer água ♪

[Risadas]

Carlosalber, eu gostei dela. Gostei da Sue Ellen…

[Carlos Alberto] Você sabe que é homem, né?

-É "craro" que eu sei, Carlosalber! -Ah, bom! Ah, bom!

-Claro que eu sei! -O que ele tem, você tem.

-Posso falar? É mais fácil. Sabe por quê? -Huh?

Ali, o que eu quero já é garantido, entendeu?

[Plateia gargalhando]

[Fala indistinta]

[Carlos Alberto gargalhando]

[Gargalhadas continuam]

-Diga aí, quer que paro? -Não…

[Gargalhadas]

[Gargalhando] Então… ai, meu Deus!

Ó, eu vou te falar uma parada.

[Plateia gargalhando]

Eu vou te falar uma parada…

Aí, chegou uma senhora…

uma senhora, uma senhora feia, com duas crianças, Carlosalber.

Daí eu olhei, olhei "pá" ela e eu falei:

"Minha senhora, são gêmeos?"

Ela toda grossa falou: "Seu animal…

você não está vendo que um é menor do que o outro?

Um tem nove anos e o outro tem três anos.

Como é que você fala… como é que você fala…

como é que você tem a coragem de falar, perguntar se são gêmeos?"

Falei: "Não, é que não dá para acreditar que alguém f***eu a senhora duas vezes."

[Gargalhada]

[Plateia aplaudindo, gargalhando]

Ô, Marcelo…

[Gargalhadas continuam]

[Gargalhadas]

Pode? Pode? Ei, Carlosalber…

Deixa eu falar…

Deixa eu falar, vou mudar de assunto.

Então, estava meio desgovernado aquela parada ali…

estava meio desorganizado. O leão, o rei dos "animal"…

o leão falou: "Gente, atenção, vamos organizar esse negócio aí.

Eu não tenho como controlar o sentimento de vocês.

Mas já que vocês querem fazer o que estão fazendo,

cada um tem que ser com a mesma espécie!

Senão, vocês vão zonear, vão bagunçar tudo!

Tá bom? Olha lá, o girafa macho com a girafa fêmea…

hipopótamo macho com a fêmea e assim por "adiante".

Ou então, pelo menos, faz que nem o elefante ali,

olha lá, está usando camisinha!

Olha lá. Tudo bem.

A camisinha está um pouco apertada nele, mas ao menos está se protegendo!"

Daí, Carlosalber, o elefante vai e fala: "Ô, senhor leão.

Por favor, não quero interromper o senhor.

É só para avisar que não é camisinha. É a cascavel que tá pagando um 'frauteado'."

[Todos gargalhando]

♪ E quem não tem dinheiro Conta história ♪

♪ Quem tem molejo Chega em qualquer lugar ♪

♪ O que não pode É "recramar" da vida ♪

Aaah, Carlosalber!

♪ E quem não tem dinheiro Conta história ♪

♪ Quem tem molejo Chega em qualquer lugar ♪

♪ O que não pode É "recramar" da vida ♪

♪ Faz limonada Com o limão que ela te dá ♪

♪ E quem não tem dinheiro Conta história ♪

♪ Quem tem molejo Chega em qualquer lugar ♪

♪ O que não pode É "recramar" da vida ♪

♪ Faz limonada Com o limão que ela te dá ♪

♪ Quem não tem dinheiro Conta história ♪

-Olha aí, Paulinho Gogó! -Isso! Rimou, parceiro!

-Fato "venéreo". -É, maior bonito!

[Anderson] É! É só chamar o Biricotico!

[Risadas ao fundo]

♪ Quem não tem dinheiro Conta história! É! ♪

[Paulinho rindo ao fundo]

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