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Doutor! Doutor! Estamos a dar uma festa do aquecimento global.
Sabe que o aquecimento global � uma coisa m�, n�o sabe, Logan?
Sim, mas n�o quando vamos passar um semestre na Ant�rctica.
Quer um hamb�rguer?
Tamb�m tenho alface icebergue.
Queres este?
Sim. Sim, senhor. N�o. Estou a carregar toda a informa��o agora.
Sim, mas... Acho que vai ver que a situa��o...
... se alterou. Sim. Sim, senhor.
A previs�o meteorol�gica aponta para mais um dia quente.
Pode ser quente para a Ant�rctica, mas continua a ser negativo.
Por pouco.
Acha que isto vai afectar a explora��o da caverna?
Obviamente. A superf�cie j� est� muito fr�gil,
e com a actividade s�smica recente, � poss�vel um colapso total.
� que... N�o acho que isto seja muito seguro.
- Ele est� a tentar tirar-nos daqui. - Como se ele tivesse autoridade.
N�o, mas...
A equipa vai para l� esta tarde.
Eu disse que ele n�o tinha autoridade para tal.
Logan! Para tr�s! Para tr�s!
O DlA ZERO
Ol�, Miami. Sou Barbara Summers,
e vamos agora ver os destaques desta noite.
Enquanto o Sul da Florida goza de temperaturas altas para a �poca,
esta semana Cape Sable foi atingido
por temperaturas baixas recorde e por ventos cicl�nicos.
V�rias �rvores e postes de electricidade foram arrancados.
As companhias de seguros n�o t�m m�os a medir
com os acidentes de via��o causados pelo gelo e pela chuva.
H� at� relatos de laranjas congeladas nos ramos.
lsto foi suficiente para confundir v�rias aves,
que iniciaram a migra��o para Norte v�rios meses mais cedo.
Acho que estavam fartas da hospitalidade do Sul.
Este acontecimento ocorre ap�s uma tempestade semelhante
ter estragado a semana aos veraneantes de Fort Lauderdale.
Acho que o Servi�o de Meteorologia
tem muito que explicar acerca desta falta de previs�o.
Bom dia, meus senhores.
Produ��o
Meus senhores.
Argumento
Realiza��o
Alterando a polaridade da sala, descobrimos algo inesperado.
Sab�amos que ter�amos dist�rbios no campo magn�tico,
mas nada que nos preparasse para isto.
- Mas, est� frio. - Est� mais do que frio, Doutor.
Senhoras e senhores, se prestarem aten��o ao monitor,
que indica, digitalmente, a direc��o magn�tica do Norte,
ver�o a temperatura no centro do modelo
e a quantidade de tempo antes de a polaridade ser neutra.
Vejam o que acontece
quando o temporizador da polaridade fica a zero.
203 graus negativos.
Temperaturas t�o frias que a luz s� refracta
o extremo inferior do espectro. - lsso � imposs�vel.
lsso � o zero absoluto.
� isso mesmo, Doutor. Zero absoluto.
Est� na hora de deitar os livros de Hist�ria fora
e rescrever tudo o que foi escrito sobre a ldade do Gelo.
Porque a Ci�ncia nunca se engana.
Obrigado, Dr. Kotzman. E obrigado a todos por terem vindo
e por ajudarem a fazer da lnter-Sci
o principal fornecedor de tecnologia meteorol�gica nos EUA.
Estou certo de que ter�o agora muitas perguntas.
Perd�o. Estou a ser mal-educado. Tamb�m devem ter sede.
Vou buscar algo para beber e o Dr. Kotzman e eu voltaremos
para responder a quaisquer perguntas que possam ter.
David, vai na direc��o errada. A festa � l� em cima.
Disse-lhe que n�o queria militares envolvidos no teste.
- Mentiu-me. - Acho que me percebeu mal.
Concordei que eles n�o tinham nada que ver com o Absolute Zero.
- Continuo a pensar assim. - Ent�o, que est�o eles aqui a fazer?
lnteressam-se tanto pelo tempo como todos n�s.
Por isso, por que n�o aproveitar os fundos de investiga��o deles?
Ou prefere que eu dispense pessoal?
Marque um voo para o Dr. Kotzman para a Ant�rctica.
Landon! Ajude-nos aqui.
De todas as esta��es de investiga��o na Ant�rctica...
Calma, amigo.
Hershel! Que diabo faz aqui?
Devo ter irritado muito algu�m. E voc�?
- Decidi usar as minhas milhas. - Parece-me plaus�vel.
Vamos entrar. lsto est� um gelo aqui fora.
- Que raio � aquilo? - Ah, aquilo.
Aquilo vai mant�-lo a salvo quando o tempo mudar.
Do lado de fora das portas do lnferno.
Tecnicamente, isto desidrata-nos e baixa a nossa temperatura corporal,
mas psicologicamente, � o rem�dio ideal.
- Voc� n�o mudou nada. - Mas voc� mudou.
Li o seu artigo na Science Am�rica do m�s passado. lmpressionante.
Parece que tomou um comprimido de intelig�ncia, ou algo assim.
- Obrigado. - De todos os meus alunos,
nunca pensei que fosse voc�
a irromper no mundo cient�fico como uma tempestade.
N�o � assim t�o dif�cil quando se tem uma empresa milion�ria a apoiar.
Sim, mas, em abono da verdade, sempre achei que n�o chegaria longe.
Bebo a isso.
Sempre achei que seria o Jeff.
Sim. Tamb�m ele.
Como vai o seu velho parceiro de laborat�rio?
A mi�da dele j� deve estar na adolesc�ncia, n�o?
Ele tem uma filha?
Climatologia. Vejo que est� a familiarizar-se com a Arqueologia.
O Dempsey gosta de tratar toda a gente pelo nome da especializa��o.
Estamos aqui para fazer um trabalho.
N�o precisamos de nos envolver emocionalmente.
Reuni�o dentro de 5 minutos.
Se abrirem as vossas pastas, encontrar�o dados
referentes � nossa �ltima expedi��o aqui.
A equipa de investiga��o foi evacuada devido a um facto invulgar.
- Um pico de seis graus. - Bolas, isso � um gelo.
Pico significa aumento.
Aquecimento global?
Uma varia��o de seis graus aqui, nesta altura do ano... Nem pensar.
- Ent�o, o que foi? - Temos as nossas teorias.
Gostariam de as partilhar com o resto do grupo?
N�o.
Quero ver a que conclus�o chegam. � por isso que est�o aqui.
Especialistas de sete �reas, sem ideias preconcebidas.
Ent�o, somos apenas verificadores de dados bem pagos?
- � uma forma de definir a coisa. - Deixe-me adivinhar.
Voc�s encontraram alguma coisa e querem que n�s a investiguemos,
para perceberem se est�o ou n�o loucos.
- E essa � outra forma. - E o que � isto?
� a raz�o por que est�o aqui.
O gelo que derreteu revelou uma gruta a cerca de 16 km daqui.
lnicialmente, pens�mos que era apenas uma bolsa,
uma fissura resultante de um aquecimento anterior,
mas com o derreter de mais gelo, vimos que aquela abertura
podia ser uma parte muito pequena de uma vasta rede.
Agora, devido � natureza fr�gil da parede de gelo,
decidimos n�o arriscar o envio de uma equipa
e enviar um rob� para captar imagens.
Quatro de voc�s v�o controlar o rob� a partir do campo
enquanto os outros tr�s ficam aqui comigo
para retransmitir os dados recolhidos para a sede.
Alguma pergunta?
O que est� a dizer � que esse ramo da Ci�ncia faz parte da Geologia.
Exacto. As calotas polares que est�o a derreter
est�o a alterar a forma da Terra.
A actividade s�smica � s� um efeito, n�o a causa.
Ora, por favor. J� viveu algum sismo? Um a s�rio?
Hershel, eventualmente, hei-de perceber por que me enfiaram aqui,
mas por que est� voc� c�?
O que faz um arque�logo num continente sem ind�genas?
- Exactamente. - Tenho-me perguntado o mesmo.
Algu�m quer apostar no que est� ali?
O Homem das Neves.
- A Atl�ntida. - Neve e gelo.
lsto faz-me lembrar o meu velho Buick.
� melhor ligar os m�ximos.
N�o podia estar mais de acordo.
O que foi, o que foi, o que foi? - O David ganhou a aposta.
O que � aquilo?
- Deve ser a sombra do rob�. - N�o. Mais 3 semanas de lnverno.
- N�o d� mais luz? - N�o, s� isto.
Fa�a-o avan�ar mais tr�s metros. Em frente. Ali.
Pare. Ali mesmo. Est� a ver?
- Aproxime a imagem. - Com todo o gosto.
O que � isto? Uma miss�o de salvamento?
N�o me pergunte. Sei tanto como voc�, talvez at� menos.
Se � uma miss�o de salvamento, acho que cheg�mos tarde de mais.
O desgra�ado morreu congelado.
H� 10 mil anos.
- O que aconteceu? - N�o fa�o ideia.
Por que n�o contacta a base, para ver se eles nos dizem alguma coisa?
Base, respondam. Base, est�o a ouvir? Respondam.
- Nada. - O GPS tamb�m est� a falhar.
Talvez seja desta zona. Vejam se o sinal � melhor do outro lado.
O David e eu vamos arrumando tudo aqui.
Parece que temos outra anomalia meteorol�gica.
Acho que est� na hora ir embora. - Esperamos mais um dia.
Desculpe... N�o posso fazer isso. lsto � de doidos. Apareceu do nada.
Oi�a. A tempestade vai tapar a gruta.
Podemos n�o voltar a encontr�-la. V� l� e traga-me as amostras.
Sim, senhor. Sim, eu entendo, mas...
Lamento, mas n�o vamos ter tempo para colher as amostras.
Temos de sair j� daqui.
N�o sem as amostras. Entendido?
N�o, senhor. A situa��o est� m�. Quero tirar os meus homens daqui.
Dempsey! Permiss�o recusada!
V� l� e recolha as amostras, j�!
V� l�...
N�o, nada. Experimente ir para Oeste.
Para Oeste? Para que lado � isso? lsto n�o d� nada.
Por ali. Por ali.
Est� a aquecer.
Sou o maior adepto do aquecimento global.
Estou a pensar no que o ge�logo disse sobre a mudan�a dos p�los.
N�o fala de mais nada al�m de trabalho?
Deve ter-me confundido com algu�m que tem vida.
- Devia tentar arranjar uma. - Nem sabia que o Jeff era casado.
Sim, eu reparei que n�o esteve no casamento dele.
Estive ocupado, ele tamb�m... Como � a mulher dele?
� o seu tipo de rapariga, por acaso. la gostar dela. la gostar muito.
- O que est� a fazer? - Vou entrar.
- N�o pode entrar a�. - David, voc� viu o monitor.
Os tot�s desapareceram. Estou de volta antes deles.
- Anda � procura de sarilhos. - David, n�o sou nenhum mi�do.
Sabe que tenho de fazer isto.
N�o posso ir-me embora sem ver por mim mesmo.
Por que n�o vamos ter com os outros e voltamos para a base?
- lsto se a encontrarmos. - Espere! Estou a apanhar algo.
Equipa de campo chama base. Est�o a ouvir?
Equipa de campo chama base. Est�o a ouvir?
- N�o temos tempo... - Que diabo!
N�o temos tempo! Depressa, saiam! Abortar miss�o! J�!
- Base chama... - Equipa de campo chama base.
Est�o a ouvir-me?
J��!
Hershell! Gillespie! Kotzman!
Guardem os dados antes de sa�rem!
Guardem os dados! � uma ordem!
Abortar a miss�o. Base chama campo. Abortar miss�o!
Saiam j�. Repito: abortar miss�o!
Base chama campo. Base chama campo. Respondam!
Campo, respondam!
Equipa de campo chama base, ouvem-me? Meu Deus.
- Acho que temos de sair daqui. - N�o, espere.
Eu consigo recuperar o sinal. D�-me s� um minuto.
N�o temos um minuto!
Hershell!
Hersh?
Hersh?
- Hersh! - David? Olhe.
Tome.
Hersh...
Meu Deus.
O que aconteceu exactamente l� em baixo?
Tenho uma reuni�o. Venha comigo.
Viu os dados e as fotografias.
N�o vi fotografias de cientistas nenhuns.
O que aconteceu a todos eles? O que aconteceu ao Dr. Aldaron?
A verdade, David, � que n�o sabemos.
N�o sabem, mas mandaram outro grupo e n�o disseram nada.
- Est� a descontextualizar isto. - Estou?
A Ci�ncia implica riscos calculados. Todos os cientistas o sabem.
A Ci�ncia nunca se engana e, no entanto, arriscou a nossa vida!
Faz ideia de quanto custa gerir estas instala��es?
Consigo, � sempre uma quest�o de dinheiro, n�o �?
Claro que �. � o meu trabalho. E acho que n�o devia esquecer
que, sem mim, seria apenas mais um licenciado a pedinchar fundos
ou a ensinar na universidade, a rezar para que a elite universit�ria
o mantivesse no cargo para, com sorte, publicar um ou dois livros.
E sabe o que aconteceria a esses livros, na melhor das hip�teses?
Venderiam exemplares suficientes para cobrir os custos com o papel.
Belo carro voc� tem ali. Quanto custa?
- N�o percebe, pois n�o? - Percebo, sim.
N�o, n�o percebe. Demito-me.
Cancele a sua agenda para ter�a-feira.
Tenho uma reuni�o com o senador Montet. Quero-o l�.
J� disse que me demito.
N�s os dois fizemos uma boa vida a salvar o mundo, David.
N�o acredito que v� vender o seu carro de 150 mil d�lares
para pagar a renda. A prop�sito, onde est�o os dados de campo?
Est�o enterrados. Juntamente com o Hershell Gillespie.
Bem-vindos ao notici�rio das 18h00. Convosco, Barbara Summers.
Boa tarde, Miami. Bem-vindos � edi��o de fim de tarde.
A principal hist�ria de hoje volta a envolver o tempo.
Algo de estranho aconteceu nas marisqueiras de Miami.
Os restaurantes habituados a servir caranguejo fresco
tiveram azar, pois a apanha do dia veio toda congelada.
Os pescadores ficaram boquiabertos
quando, hoje, retiraram os crust�ceos congelados do mar.
Mais de 20 embarca��es de pesca ao largo da Florida
afirmaram ter apanhado os crust�ceos congelados,
negando veementemente t�-los congelado para vender ao exterior.
O Departamento de Pescas americano anunciou
que est� a iniciar uma investiga��o a este fen�meno gelado.
Tendo em conta tudo o que tem sido dito
sobre o aquecimento global, o que podemos esperar a seguir?
A atmosfera terrestre, como devem ter estudado,
� composta por 79% de azoto, 21 % de oxig�nio
e vest�gios residuais de que g�s?
Talvez o nosso convidado especial possa esclarecer-nos.
Acho que os seus alunos sabem responder.
Ora, n�o � todos os dias que temos connosco
um cientista premiado da lnter-Sci.
- Di�xido de carbono. - Exactamente.
E com isto vos deixo. Vamos sair mais cedo. V�o para casa.
Olhe para si, professor.
- Jeff, que bom ver-te. - lgualmente, David.
O senhor � aquele que est� na fotografia do corredor com Mr. Miller?
A nossa tese de fim de curso.
Ainda t�m aquele pr�mio rid�culo que ganh�mos na prateleira.
Agora trabalha para a lnter-Sci, n�o �?
- N�o comento. - Phillip Eckedal, terceiro ano.
Sou um grande f� seu. Vou dar-lhe o meu curr�culo.
AJ Carmichael. Sou uma f� ainda maior.
E sou melhor cientista. Ouvi dizer que h� poucas cientistas na equipa.
Cada um mais parvo que o outro. Desapare�am.
- Foi um prazer conhec�-lo. - lgualmente.
Parece que tens uma bela vida, professor.
Ouvi dizer que estavas l�, com o Hershel.
Sim. Na verdade, � por isso que estou aqui. Preciso da tua ajuda.
O que vou mostrar-te � secreto.
- � ADN alien�gena, n�o �? - S�o como os sapatos novos.
Magoam que se farta quando os compramos,
mas em breve percebemos que podem ser muito confort�veis.
N�o, Phillip. N�o � ADN alien�gena.
S�o amostras que colhi de uma pintura numa gruta.
Giro.
Gostava de testar a orienta��o magn�tica da tinta, por favor.
Boa. O que foi?
Basicamente, ele est� a tentar descobrir a idade da tinta.
Na verdade, � muito simples. A tinta tem um grande teor de ferro,
e quando seca, as mol�culas de ferro alinham-se com o Norte magn�tico.
- Como agulhas numa b�ssola. - Pois.
Exacto. Como o Norte varia um grau a cada X anos,
podemos saber em que ano foi feita a tinta.
Exacto. Eu sei. Estava s� a brincar acerca daquilo do alien�gena.
N�o vamos poder dar uma data exacta das pinturas na gruta
porque os nossos registos do Norte magn�tico
remontam a apenas algumas centenas de anos.
Mesmo assim, gostava de ver o que descobrem.
- Est� bem. - Pai, adivinha quem marcou hoje.
- N�o fa�o ideia. - Eu!
Ela fez c�rculos � volta da chamada "defesa" deles.
- Boa! - Ela foi �ptima.
- Bryn? - David?
Quem �s tu?
Vou l� abaixo aos barcos.
Est� bem, querida, mas n�o te aproximes da berma.
- � uma mi�da linda. - � verdade.
Um pouco teimosa. Acho que saiu ao pai.
Sophie! N�o te aproximes da berma, por favor.
De certeza que n�o sai � m�e?
Que idade tem ela? Oito, nove?
- Uma mulher nunca revela a idade. - H� quanto tempo est�o casados?
- H� oito anos e meio. - Chega. Ela est� feita.
Sophie, n�o volto a dizer. N�o te aproximes da berma!
Sei que me ouviste.
Mas tem problemas com a autoridade. Nisso, sai a mim.
- Eu vou l�. - Obrigada.
Sei que isto �, no m�nimo, um pouco estranho.
N�o � nada.
Acho que tenho planeado este momento h� muito tempo.
Sempre achei que te encontrasse na mercearia ou no cinema.
N�o saio muito.
Depois de te teres ido embora, o Jeff ajudou-me muito...
Bryn...
N�o me deves explica��o nenhuma.
N�o me digas. Mas tu deves-me uma.
N�o mudaste nada, pois n�o?
E aqui fica a actualiza��o de uma not�cia que demos ontem.
Lembram-se dos bandos de aves que come�aram a migrar mais cedo
depois da tempestade que atingiu Cape Sable?
Parece que n�o foram as �nicas a antecipar a viagem.
Ornit�logos de todo o mundo t�m registado
um comportamento migrat�rio err�tico entre v�rias aves.
Aves que normalmente gozam climas tropicais e subtropicais
nesta altura do ano est�o a fazer as malas e a partir para Norte
v�rios meses antes do habitual.
- N�o mudaste nada. - N�o no que se refere ao cacau,
mas no que se refere � vida, nem irias reconhecer-me.
Era isto que queria mostrar-te. As montanhas Bihar, na Rom�nia,
tamb�m conhecidas como o maior glaciar subterr�neo do mundo.
Ao longo dos anos, t�m aparecido no leito dos rios da montanha,
esporadicamente, animais congelados, libertados do glaciar.
Quem sabe? Talvez estejamos sobre um glaciar parecido aqui
e os peixes e os caranguejos tenham ficado presos no gelo h� mil anos.
O tempo tem estado t�o quente que talvez tenha finalmente
derretido o suficiente para os libertar.
Sim, mas o que faria um bloco gigante de gelo sob Miami?
N�o estou a dizer que � isso. � s� uma teoria.
Por falar em teorias... Tirei algumas fotografias
de algumas pinturas numas grutas na Ant�rctica.
Gostaria da tua opini�o sobre elas, se n�o te importares.
Na Ant�rctica?
Bem, David, a maior parte das pessoas que conhe�o
v�em pinturas numa galeria, de prefer�ncia na minha,
mas tu sempre gostaste de ser diferente, n�o gostaste?
- M�e... - Sim?
Est�o mais aves a migrar para Norte.
P�ssaros parvos.
Pensei que as aves
tivessem algum tipo de sistema de navega��o interna fabuloso.
- E t�m. - E surgem agora not�cias
de que, no Canad�, bandos de patos e gansos,
que normalmente s� aparecem na regi�o daqui a muitos meses,
est�o j� a chegar a zonas t�o a Norte como Yukon.
Agora j� n�o s�o assim t�o impressionantes, pois n�o?
- Est� muito bonito. - Obrigada.
Ouve, c�rebro de passarinho, que tal ires para a cama?
- Est� bem. - Queres boleia?
Pronta? Est�s t�o grande!
Ent�o, a culpa � minha?
Podias ter-lhe dito que est�vamos muito ocupados.
Sou professor universit�rio numa universidade da treta.
Se um amigo aparece, eu ajudo-o. - Belo amigo.
At� tiveste medo de lhe dizer que t�nhamos casado.
Se bem me lembro, tu � que te esqueceste de mandar o convite.
Boa noite, Bryn.
Gostas dos Chemically lnsane, n�o gostas?
Sim. S�o o meu grupo preferido. J� to disse v�rias vezes.
Pois. � que tenho bilhetes para um concerto e...
Bem, tenho os bilhetes. Ganhei-os na r�dio.
C�us. Por um segundo,
achei que ias convidar-me para sair, ou algo assim.
N�o. N�o, n�o. la s� perguntar se os querias comprar.
N�o. Sim, claro.
- Tudo bem. - Obrigada.
�ptimo, porque eu n�o...
Ou podias comprar um e eu ia com o outro.
David, tenho estado a pensar naquela pintura rupestre.
O tema da pintura n�o � assim t�o invulgar.
H� um per�odo da Arte argentina, bastante negro, de h� 10 mil anos,
em que todas as pinturas mostram o Sol a cair do c�u.
- Os Achados Argentinos. - Sim.
Mas o mais estranho nas pinturas
� que tudo aponta para que tenham sido feitas no mesmo dia.
N�o estamos a falar de um per�odo de anos,
nem mesmo de semanas, mas sim do mesmo dia.
E h� uma lenda maia sobre um dia em que o Sol se ergueu
e, de repente, ao meio-dia, ficou escuro.
- Um eclipse. - Seria de pensar que sim,
mas, quando o Sol voltou, seguiram-se mil anos de escurid�o.
- Uma era glaciar. - Com licen�a.
Cada cultura tem uma hist�ria semelhante, David.
Todos falam de um momento de escurid�o s�bita.
E se a ldade do Gelo n�o invadiu a Terra lentamente, como pensamos,
mas tenha... - Acontecido de repente,
num momento s�bito, abrupto. Num dia.
Querido? lnfelizmente vou ter de cancelar o nosso almo�o hoje.
Est� um novo comprador na galeria e tenho de ir para l�.
- Obrigado por esta informa��o. - O prazer foi todo meu, David.
Achas que podes ir buscar a Sophie � escola hoje?
- Claro. - Obrigada. At� logo.
Viste aquilo do Aqu�rio ontem? - Vi.
Pensaste o mesmo que eu?
O qu�? Quem chamaria Pei Pei a uma baleia-assassina?
Bem, isso e o facto de as baleias e os golfinhos navegarem
seguindo o campo electromagn�tico da Terra.
Os p�ssaros tamb�m. Pensei a mesma coisa.
�ptimo. O Dr. Kotzman est� aqui. Ele pode confirmar que �s um idiota.
lmportas-te de parar de me chamar idiota?
Segui a instru��es do Jeff � risca. - De que est�o a falar?
- Das amostras de tinta. - J� acabaram?
- Eu acho que sim, mas ela... - N�o.
Os testes mostram que, no momento em que aquela tinta secou,
as mol�culas de ferro estavam todas espalhadas.
Basicamente, n�o havia polaridade, n�o havia Norte, Sul, nada,
e isso n�o � poss�vel. Pois n�o?
Pois n�o?
Algu�m me disse que os p�los estavam a derreter t�o depressa
que estavam a mudar a forma da Terra.
Essa � uma das teorias do que provoca a mudan�a de polaridade.
Altera-se a forma da Terra e isso � suficiente para a tirar do eixo.
Desculpem, mas t�m de ver isto.
Pedimos desculpa pela interrup��o da programa��o,
mas, amigos de Miami, temos not�cias realmente estranhas.
Temos visto coisas estranhas nas nossas marinas,
mas nada como isto.
Barqueiros e pescadores foram recebidos esta manh�
pelo visitante mais surpreendente e indesejado.
Ningu�m esperava que um aut�ntico icebergue
viesse bloquear a entrada do porto.
Espantosamente, ningu�m sabia da sua aproxima��o.
Os ocean�grafos do Centro Marinho universit�rio
est�o espantados com este aparecimento s�bito e in�dito.
Est�o a tentar perceber como � que esta massa de gelo gigante
conseguiu passar indetectada por todos os sistemas de alerta.
V�rias embarca��es foram danificadas pelo icebergue.
Todos os acessos � marina foram encerrados at� novas indica��es,
enquanto o Governo e os cientistas se debru�am
sobre o mais indesejado dos visitantes de Miami.
Aquilo parece o Canad�.
Vou precisar que me construas um novo modelo meteorol�gico.
E vou dizer-te o que aconteceu realmente no centro de investiga��o.
Vamos ficar atentos aos pr�ximos desenvolvimentos.
Dr. Kotzman. Que bom v�-lo de volta ao trabalho.
Est� a acontecer, n�o est�?
A polaridade est� a mudar e o senhor sempre soube.
Sabe, podemos impedi-lo legalmente de publicar isto.
N�o vou publicar isto. Vou comprar uma casa de Ver�o no Alasca
e armazenar uma s�rie de comida enlatada!
N�o seja dram�tico. Execut�mos este modelo v�rias vezes.
Os resultados s�o sempre exactamente os mesmos.
Este � um processo que demora pelo menos 200 anos.
Os meus resultados s�o diferentes.
Por que � que os seus resultados s�o diferentes dos nossos?
As amostras da Ant�rctica.
Estou a ver. Sempre soube que �ramos muito parecidos, David.
Ambos sabemos a import�ncia de ocultar alguma informa��o.
Voc� vai ser ainda mais importante do que eu pensava na reuni�o.
- Qual reuni�o? - Aquela em que vai ajudar-me
a convencer o Governo a atribuir � lnter-Sci
fundos ilimitados para ajudar a minorar este problema.
Minorar o problema? Temos um icebergue em Miami!
Eu sei. N�o � fant�stico o poder que o medo tem
sobre o livro de cheques do Governo t�o perto das elei��es?
Temos estes resultados h� anos,
mas � preciso os p�ssaros desaparecerem do c�u
e um icebergue � porta para fazer com que eles prestem aten��o.
O senhor est� doido.
- Estou? - David, temos alguns resultados.
Vou deix�-los explic�-los.
- Dr. Kotzman? - Sim, o que �?
Ol�, Dr. Kotzman. Desculpe incomod�-lo,
mas j� recebemos os resultados e... N�o sei.
Devemos ter feito alguma coisa mal,
porque os resultados dizem-nos que a polaridade da Terra vai mudar...
... neste momento. - Meu Deus.
Re�nam toda a informa��o e venham imediatamente para c�.
lmportam-se de me dizer que diabo se passa?
- Bob? - N�o sabemos, Sr. Senador.
Nenhum dos modelos climat�ricos consegue explicar isto.
Parece imposs�vel.
Ent�o, sugiro que desliguem os computadores e olhem l� para fora,
porque est� a acontecer agora, e n�s, na lnter-Sci, vamos par�-lo.
A nossa investiga��o mostra que estas pequenas anomalias clim�ticas
s�o o resultado directo da altera��o, mesmo que ligeira,
das polaridades do P�lo Norte e do P�lo Sul.
Estas ligeiras altera��es est�o a criar bolsas isoladas
de clima alterado.
Chama a um icebergue em South Beach
uma ligeira anomalia climat�rica?
Bem, Senador, se olhar para o quadro geral, vai ver que �.
Tenho aqui um calend�rio, uma exposi��o
e uma an�lise de custos pormenorizada
de como a lnter-Sci vai lidar com estas anomalias.
O que fizemos de errado?
Ainda n�o sei.
4 horas e 23 minutos
Obrigado, senhores. E deixem-me dizer que est�o em boas m�os.
Senador.
Tem de ordenar uma evacua��o imediatamente.
- E quem � o senhor? - Senador, lembra-se do Dr. Kotzman.
Ele trabalhava para n�s.
A polaridade da Terra est� prestes a mudar.
Sabe que, na pior das hip�teses, isso pode acontecer daqui a 200 anos.
Os nossos testes mostram que vai acontecer agora, Veet!
Os vossos testes? Quem fez os vossos testes?
Quer apresentar-nos a sua equipa e respectivas credenciais?
- lsso n�o interessa! - lnteressa, sim.
Os nossos c�lculos foram feitos por uma equipa de 100 doutorados,
cada um dos quais l�der num campo altamente especializado.
Portanto, fico curioso. Rapaz, o que fazes?
Sou professor assistente na Universidade de Miami.
- Professor assistente? - Ou seja, � aluno do segundo ano?
N�o, senhor. Do terceiro. Sou aluno do terceiro ano...
Senador, por favor, tem de acreditar em mim.
Dentro de poucas horas,
tudo num raio de 30 graus a Norte e a Sul do equador
vai ficar mergulhado na mais absoluta escurid�o.
A temperatura vai baixar para os 273 graus negativos.
� o zero absoluto. Nada vai sobreviver. Nada!
Bem... Obrigado pela sua opini�o, Dr...
- Kotzman. - Kotzman. Obrigado.
Espero que estejamos errados.
E se os nossos c�lculos estiverem errados?
- N�o est�o. - O Veet tem raz�o.
Um batalh�o de cientistas trabalhou nestes valores, e acho...
lsso responde � tua pergunta?
Tenho de ir buscar a minha filha � escola.
Vamos acabar isto aqui e encontramo-nos em tua casa.
- Saio j�. - Est� bem.
- O Jeff j� voltou? - N�o.
N�o consigo ligar para o telem�vel e agora est�o a mandar-nos evacuar.
- O que se passa, David? - O Jeff foi buscar a Sophie.
Deve estar a chegar. Tenta ligar-lhe outra vez.
- Tens fam�lia? - N�o. � uma longa hist�ria.
J� tive um periquito.
- E tu? - N�o. Tenho um c�o.
- A s�rio? Como se chama? - Tulip.
Chama-se Tulip? Que giro.
Se calhar, dev�amos ir busc�-lo.
N�o � preciso. Fugiu o ano passado.
Continuo a n�o conseguir.
- Confias em mim? - N�o muito.
Estou a pedir-te para confiar. Vou encontrar a tua fam�lia.
As coisas mudaram. Explico-te tudo no carro, sim? Temos de ir.
- Por favor. - Est� bem.
Depois de mais fen�menos meteorol�gicos
terem afectado quatro zonas isoladas de Miami,
as pessoas acataram finalmente as ordens
e est�o a evacuar a cidade em massa.
Abateram-se tempestades em v�rias zonas da cidade,
deixando-as congeladas.
O tr�nsito em muitas vias est� totalmente parado.
Sophie, se me ouves, estamos estacionados � frente da escola.
Vou � procura dela.
As autoridades apelam � calma e � ordem,
� medida que as pessoas abandonam os ve�culos
para se abrigarem no primeiro local que encontram.
Pelo menos ordenaram a evacua��o. - Est� a arrefecer.
A temperatura baixou seis graus na �ltima hora.
Fen�menos climat�ricos espor�dicos e isolados
continuam a ocorrer por toda a cidade e estado,
estando agora a ser registados noutras regi�es
entre os 33 graus a Norte e Sul do equador.
As outras regi�es parecem, por enquanto, n�o ser afectadas.
Ent�o, o que aprendeste hoje na escola, querida?
Estes fen�menos ir�o aumentar de frequ�ncia e gravidade
ao longo das pr�ximas horas.
As comunidades costeiras devem ser evacuadas para Oeste.
- Pai, vais na direc��o errada. - Por que dizes isso?
Mais uma actualiza��o urgente sobre a crise meteorol�gica.
Quem ainda n�o o fez, dever� evacuar imediatamente
as zonas costeiras.
As autoridades est�o a ordenar a todos os residentes
que se dirijam rapidamente o mais para norte poss�vel.
Registaram-se mais seis tempestades localizadas
na �ltima meia hora. H� registo de mais ventos fortes,
com o dobro da velocidade do pior furac�o do ano passado.
As temperaturas est�o a cair para valores negativos nessas zonas.
As praias est�o congeladas e formaram-se mais icebergues
no distrito da marina.
Por favor, n�o esperem para sentir na pele este tempo.
Em breve, vamos evacuar a sede da emissora
e partir de helic�ptero.
Vamos continuar a actualizar a informa��o
a partir dos est�dios de Nova lorque.
De Miami, Barbara Summers. Deus vos proteja a todos.
Pai? Pai?
- Est�s bem, querida? - Pai!
Eu estou bem, querida. Estou bem.
- Sai daqui, Sophie. - Eu consigo tirar-te daqui. Consigo.
N�o! Sai do carro, Sophie!
- N�o. - Vai!
Vai, corre! Corre, corre!
- Pai! - Fica a�, Sophie!
Sophie, onde est�s? Sophie!
J� n�o est� c�! N�o est� c� ningu�m. Ela n�o atende o r�dio.
- M�e! M�e! - Sophie, onde est�s?
Estou num cano grande.
Ela pode estar em qualquer lado. - Qual � o alcance destes r�dios?
Menos de 400 metros.
Ent�o, ela tem de estar a 5, 10 quarteir�es daqui, no m�ximo.
M�e, anda buscar-nos. O pai est� muito ferido.
- Sophie, v�s algum sinal na rua? - N�o sei!
Espera! Estou ao p� do Pussy Cat Room!
Eu sei onde �. Fica ali ao virar da esquina.
- N�o � um clube de strip? - Talvez.
- Tarado! - O que foi?
- N�o te levantes, Sophie! - Pai!
Sophie, fica a�! Fica a�!
Pai, n�o! Pai!
- Sophie! - M�e!
- Anda, querida, vamos. - Tentei ajud�-lo, m�e.
- Eu sei, querida. Eu sei. - Tenho medo.
O que est�o a fazer? O Jeff continua l� dentro! Temos de o tirar de l�.
Ele est� morto! Est� morto.
Se n�o sairmos daqui, vamos morrer tamb�m.
Para onde vamos?
- Temos de ir para Norte. - Mas como?
Nunca vamos conseguir. A este ritmo, em breve estamos no zero absoluto.
- Cala-te! - � verdade. N�o vamos conseguir.
- Cala-te! - O Zero Absoluto.
Temos de ir para o meu laborat�rio.
Zero Absoluto. L�, vamos estar a salvo.
- Nicole. - Sim, senhor?
N�o consigo contactar o departamento jur�dico.
- Acho que se foram embora. - lsto � inacredit�vel.
J� ningu�m tem �tica no trabalho? - O edif�cio foi evacuado.
Deviam ter-me deixado aqui uns contratos. N�o os encontro.
- Est�o na sua secret�ria. - Onde? N�o os encontro.
Tenho de ir.
Nicole? Nicole!
Nicole!
Estamos a aproximar-nos da plataforma de aterragem.
At� que enfim. Preparem um plano de voo para Norte. Vou a caminho.
Sim, senhor. Venha ter connosco ao telhado assim que puder.
O tempo n�o p�ra de piorar. Daqui a pouco, n�o vamos poder voar.
Vamos pelas escadas!
- O eclipse. - Como nos achados argentinos.
- N�o funciona. - Vamos arromb�-la.
lmposs�vel. Mesmo que consegu�ssemos,
assim que quebr�ssemos o selo, estar�amos todos mortos.
Acho que n�o dev�amos falar em M-O-R-T-E � frente da M-l-�-D-A.
A M-l-�-D-A � campe� de soletra��o de Miami.
N�o conseguimos abrir isto sem electricidade.
N�o h� um gerador de emerg�ncia? - S� para o Servidor.
N�o faz mal. Podemos redireccionar a pot�ncia.
- Conseguem fazer isso? - Se ela diz que sim, consegue.
Servidor?
� a unidade de processamento principal que controla tudo aqui,
desde o ar condicionado at� �s luzes de emerg�ncia.
Sem energia el�ctrica, este edif�cio vai ficar um gelo rapidamente.
Mas n�o devemos demorar. Assim que houver energia, isto abre a porta.
Leva a Sophie e v�o l� para dentro. - N�o ficas connosco?
Tenho de mostrar � AJ onde est� o computador, mas eu volto.
Preciso do Phillip, para o caso de precisar de ajuda na programa��o.
Ent�o, dev�amos ir todos.
Se eu n�o estiver de volta quando a agulha alcan�ar este ponto,
selas a porta. - E voc�s?
Vens?
Voc�s v�o depressa de mais.
- �s um mole. - Tu � que �s.
Mais depressa. Vens devagar de mais.
Queres que te conte uma hist�ria?
J� sei, j� sei. J� n�o tens idade para hist�rias.
Tenho saudades dele.
Tamb�m eu, querida. Tamb�m eu.
Estou?
Estou?
Tirem-me daqui!
- O que foi aquilo? - Socorro!
- Vamos ver. - Algu�m me ouve?
- N�o saias de perto de mim. - Estou no elevador!
Tirem-me daqui!
Est� a� algu�m?
- Anda, querida. - Socorro! Estou no elevador!
David?
- Ajudem-me. - David, �s tu?
N�o! Tirem-me deste elevador!
- Ele n�o � l� muito educado. - Pois n�o.
N�o vou conseguir abrir isto. N�o vou conseguir tir�-lo da� assim.
- Tenho de subir alguns andares. - Est� bem, mas despache-se!
Anda, querida.
- Acho que devia ficar aqui. - N�o sejas tola.
M�e, algu�m tem de ficar aqui e abrir a porta.
A luz pode n�o ficar ligada muito tempo.
N�o me interessa. N�o vou deixar-te aqui sozinha. N�o � seguro.
M�e, prefiro ficar do que subir � volta do elevador.
A�, tens raz�o. Est� bem, ouve com aten��o.
Vou despachar-me, mas se n�o estiver aqui quando a energia voltar,
quero que voltes para aquela porta.
Leva este cart�o, passa-o pela caixa e entra o mais depressa poss�vel.
Consegues fazer isso?
- Bem, e esta b�ssola... - Eu sei, m�e.
Quando a agulha chegar �quele ponto, fecho a porta do laborat�rio.
Linda menina.
Anda comigo. Quero que fiques de olho na porta e procures a luz.
- Podes falar comigo por aqui. - Est� bem.
- Adoro-te. Volto j�, est� bem? - Est� bem.
� aqui. Aqui.
Muito bem...
Aqui.
O que est�s a fazer?
V� l�.
- Consegues? - Posso tentar. Espera.
Socorro! Onde est�? V� l�! Tenho de chegar ao telhado!
Tenho um helic�ptero � espera! Onde est�? Ajude-me!
- Espere. - Sim, mas despache-se!
Boa.
M�e, como vai isso?
Ol�, querida. Bem. Volto assim que puder.
- Aguenta-te, est� bem? - Sim.
Consegue subir pelo al�ap�o de emerg�ncia?
N�o! Como quer que consiga abri-lo sozinho?
Est� bem. Espere um pouco.
Devo ser maluca.
Bolas.
- N�o. - Est� bem?
- Sim, estou. - Tire-me daqui!
- Estou a tentar. - Depressa!
- Tenho de chegar ao helic�ptero! - Tenha calma, amigo!
Pronto.
- � isso. � isso, n�o �? - �. Sim, �.
Ali � o laborat�rio Absolute. V�? - Sim.
Eu disse que ela conseguia. Disse que conseguia.
Est� quase.
O que se passa?
A password...
Boa. J� est�. Muito bem...
- Quase... - � isso. � o que queres, n�o �?
V� l�...
- Conseguimos! - Sim, conseguimos.
M�e, as luzes acenderam. Anda.
- Meu Deus! Pare o elevador! - O qu�?
� surdo? Pare-o, j�!
Porqu�? Vou para o �ltimo andar. - Carregue no bot�o de emerg�ncia!
M�e, tenho a porta aberta. Onde est�s?
Pare o elevador! � surdo? Pare!
Esperem. N�o sei o que se passa.
N�o sei. Acho que um circuito foi ao ar.
- O que fizeste? - N�o sei! Espera.
- Lembras-te como fizeste, certo? - Sim, lembro.
O que est�s a fazer?
Gra�as a Deus.
Despache-se! Vamos! Tenho de chegar ao telhado.
Est� l� um helic�ptero! V�, vamos.
Como vou tir�-lo da�?
Que diabo tem estado a fazer a� em cima?
- la-me matando! - Como � poss�vel?
Ainda estamos muito longe do �ltimo andar!
Sabe quem sou? Est� um helic�ptero l� em cima � espera para me salvar.
Voc� pode vir. Basta ajudar-me.
A minha filha est� no segundo andar. N�o vou a lado nenhum sem ela.
Ajude-me a sair daqui e posso salvar-lhe a vida.
N�o, eu posso salvar-lhe a vida, e tem sorte em eu ser simp�tica.
- Vou para o segundo andar! - O helic�ptero est� no telhado!
- O que foi aquilo? - N�o sei.
Vou ver. Encontramo-nos no laborat�rio.
V� l�!
- Achas... Consegues? - Consigo.
Os planos para quarta mant�m-se, certo?
- O qu�? - O concerto...
- De que est�s a falar? - Ainda vamos ao concerto?
- Aos Chemically lnsane? - Sim, claro.
Talvez possamos ir comer qualquer coisa depois...
- Est� bem! Deixa-me concentrar. - Desculpa. Estava s� a dizer...
N�o acredito que me est�s a convidar para sair agora!
- Por favor! - Desculpa. Que est�pido.
Boa! Conseguimos.
- Conseguiste? - Sim, vamos.
Mas vamos ter de ir de autocarro, porque n�o tenho carro.
- Que diabo foi aquilo? - Aquilo?
Aquilo foi o barulho da nossa salva��o a cair no telhado.
Temos de sair daqui.
- Esque�a. Acabou-se. - Tenho de ir buscar a minha filha.
Esque�a-a. N�o vale a pena. Acabou-se.
N�o h� para onde fugir. A Ci�ncia nunca se engana.
Sim, a Ci�ncia nunca se engana, mas o senhor sim.
O David acha
que podemos sobreviver � tempestade no laborat�rio dele.
- Bryn? - Aqui!
Claro. Deixe-me ajud�-la.
David! David, temos de ir para o laborat�rio.
Vamos, n�o h� tempo a perder. Vamos, vamos!
M�e, por favor, despacha-te.
M�e, vou entrar. Vem ter comigo ao laborat�rio.
O que se passa? O que aconteceu?
N�o tenho tempo para vos explicar, idiotas.
- Vamos. - O qu�?
Vamos ter de desimpedir as escadas - N�o temos tempo.
Temos de ir para as outras escadas. - lsso � uma parvo�ce.
- A �nica forma de l� chegar... - � pelo exterior.
Vamos morrer congelados.
N�o acredito que n�o pensei nisto.
Phillip, � suposto apertares aqui.
Vamos.
- Acho que n�o consigo fazer isto. - Claro que consegues.
- Tenho medo. - Tu consegues.
P�ra de me apressar, est� bem? N�o imaginas o que isto �.
Para ti, s�o tudo n�meros e l�gica. Por uma vez, sente alguma coisa!
Acabei de perder o meu marido, David.
N�o imaginas o que � sentirmo-nos aterrorizados.
- Sim, imagino. - D�-me um exemplo.
H� dez anos.
- Tu � que me deixaste. - Sim, porque tinha medo.
Estava aterrorizado,
e devia ter aproveitado para te dizer que te amava.
Que te amo.
Vamos.
Sabem, est� mais frio em Marte do que l� fora.
Faz ideia de quanto custam estes fatos?
Dev�amos estar gratos por termos os fatos.
Pessoal... Como � que se faz chichi com estas coisas?
Por que esperam? Vamos?
� melhor afastamo-nos um pouco, pelo sim, pelo n�o.
A diferen�a de temperatura abrupta n�o cria um v�cuo enorme,
que pode puxar-nos porta fora e esmagar-nos como um insecto?
� uma coisa assim.
J� vi programas suficientes em que mostram as pessoas
agarradas ao banco do avi�o antes de serem sugadas para o vazio.
- O conceito � o mesmo, n�o? - �.
Ela viu isso num filme.
Acho que dev�amos afastar-nos mais um pouco.
Foi emocionante.
Vamos! Phillip, tu primeiro.
Vai pelo rebordo exterior. Passa para o outro lado.
- Deve estar a brincar comigo. - Vamos!
- Aguenta-te. - Est� bem.
N�o olhes para baixo.
Meu Deus. Bem... Acalma-te.
Bolas.
Meu Deus.
Aguente-se! Aguente-se.
Continue.
Est�s a ir bem. lsso, v�. lsso. Est�s quase. lsso mesmo.
Segura-te!
Est�s segura, est�s segura. Est�s bem? Vamos.
Como est�s? Est�s bem?
Ajuda o Veet. Vou abrir isto. - Est� bem.
Vamos!
Est� encravada!
- Bem. Bryn. - Tenho medo.
Vai correr tudo bem.
N�o olhes para baixo. Vai correr tudo bem.
Phillip!
- N�o abras essa porta! - Bato com mais for�a? Est� bem.
Phillip!
David! David!
N�o!
- Segura-te! - David! Socorro!
Agarra-te ao rebordo com a outra m�o.
N�o consigo! N�o consigo!
Agarra-te! Veet!
Veet, ajude-me!
David, socorro! Puxa!
- Socorro! David! - AJ ! Ajuda-me!
- AJ ! - Vou j�.
- Segura-te. - Depressa, por favor.
Aguenta-te, Bryn. Aguenta-te!
- AJ ! - Vou j�!
V�, agarra isto. Agarra-lhe a m�o. - N�o consigo!
- Depressa! - Aguente-se!
J� est�. Vamos! Puxa, AJ !
- Puxe! - Vamos.
Vamos, vamos.
Est� bem?
Ele morreu.
Finalmente convidou-me para sair. - Onde est� o Veet?
J� deve ter ido a correr para o laborat�rio.
Vamos atr�s dele. Estamos a ficar sem tempo.
- Para que lado vamos? - Por aqui.
Para a esquerda!
M�e?
- Para a direita! - Est� bem.
- N�o feches a porta! - N�o!
- Sophie, n�o! - N�o, Sophie!
- Por favor, querida, abre a porta. - Por favor!
Sophie, abre a porta, querida.
- M�e! - Abre a porta, querida!
- Sophie! - Vamos, vamos.
- Boa. - V�o, v�o.
- Querida! - M�e!
Est�s bem?
- Onde est� o Veet? - Quem?
O homem mal-educado do elevador, o Sr. Veet.
- N�o chegou c� ningu�m. - Tenho de ir procur�-lo.
- N�o pode voltar l� para fora. - Tens menos de tr�s minutos.
Veet, vamos! V�o fechar a porta! - Sabe o que � isto, David?
David, faz ideia de quanto valem estes contratos?
Suspeito que n�o v�o cumpri-los quando olharem l� para fora.
- Vamos. - Deixe-me ficar.
N�o no que depender de mim.
David, despacha-te! J� n�o h� tempo!
Veet!
- Deixe isso! - David, depressa!
- Vamos! - David... David, por favor ajude-me.
- lsto � importante. - Deixe isso, homem!
Um, zero!
Vou cuidar muito bem destas plantas. E se forem as �nicas que restam?
E se n�s formos os �nicos que restam?
N�o somos. Toda a gente a Norte e Sul da latitude 33 est� viva.
- A Ci�ncia nunca se engana. - E se enganar?
Daqui Miami, respondam, por favor.
Daqui Miami. Algu�m me ouve?
N�o estamos sozinhos aqui.
Por favor, n�o estamos sozinhos aqui.
- Sim? - N�o est�o sozinhos.
Daqui Miami.
O que � que ele est� a dizer?
Que n�o estamos sozinhos.
Daqui Miami. Fala lngl�s?
Daqui Miami. Fala lngl�s?
Ouvem?
Est� ali!
Acho que nos viram!
� lindo.
Acho que � verdade. A Ci�ncia nunca se engana.
� isso mesmo.
� realmente dif�cil de entender a magnitude do que aconteceu
nestes �ltimos dias.
A altera��o polar deu-se t�o depressa
que muitos n�o tiveram tempo de escapar � f�ria do clima.
Continuam a ser encontrados alguns sobreviventes,
alguns em bolsas sob a neve e o gelo,
mas a in�dita taxa de mortes alcan�ou n�meros catastr�ficos.
as outrora luxuriantes e verdes regi�es equatoriais do planeta
foram substitu�das por uma nova tundra congelada.
As outrora desoladas regi�es da Ant�rctica, Gronel�ndia e Alasca
gozam agora de temperaturas tropicais,
enquanto a Sib�ria e o Norte do Canad�
se transformaram em desertos.
Os cientistas n�o podiam ter previsto tal desastre,
dado que n�o h� registo de nada semelhante.
O mundo tal como o conhec�amos desapareceu, talvez para sempre,
mas a vida na Terra parece ter conseguido sobreviver.
Dos tr�picos de Nova lorque, Barbara Summers.
Tradu��o e Legendagem: MadMadigan / Downtuga Multim�dia
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