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Desde o primórdio dos tempos, nós humanos, olhamos para o céu
e contemplamos bilhões de pontos luminosos.
Alcançar planetas distantes já foi ideia apenas de poetas e sonhadores.
Mas com o avanço da tecnologia,
este sonho está cada vez mais próximo da realidade.
Hoje, empresas e investidores planejam colonizar planetas distantes.
O primeiro passo desta jornada
será dentro de nosso próprio Sistema Solar.
Surpreendentemente, cientistas estão planejando viagens a planetas
que orbitam outras estrelas
Eles nos veem como uma espécie interestelar
que se espalhará pelo universo.
Será que já não cabemos no nosso planeta, ou devemos expandir
nossa existêência para além das estrelas?
Colonização espacial, a última esperança.
Estamos em uma jornada para descobrir os projetos mais ousados
que tem pautado a atual revolução espacial.
Esta viagem vai nos mostrar que as ideias mais ambiciosas,
as vezes começam nos lugares mais remotos.
Nossa primeira parada começa em Coeur d'Alene, Idaho.
Onde a sobrevivêência em caso de desastre é praticada.
Iremos conhecer o profeta mais fervoroso da colonização especial.
O famoso futurólogo Marshall Savage escreveu oito simples passos
para colonizar a galáxia.
Ele mapeou a saída da humanidade do planeta Terra.
Há um desejo instintivo da nossa espécie
de migrar para o espaço, como os salmões nadam contra a corrente.
Isso é algo que vamos fazer e vocêê vêê que pessoas como Jeff Bezos
e Elon Musk já estão fazendo isso, e representam esse desejo da raça humana
de se expandir por entre as estrelas.
E se a gente sobreviver a viagem, vai conseguir,
e sem essa migração não vamos sobreviver.
Vivi no oeste minha vida inteira
e sempre tivemos incêêndios florestais, mas nunca nessa proporção.
Cidades inteiras estão virando cinzas.
E me faz perguntar
como vai ser ano que vem e no ano depois dele.
Marshall Savage observa que nosso clima
está num ponto crítico.
Uma catástrofe em andamento.
Nós já fomos longe demais
no que tange a preservação climática e também a prevenção.
Marshall teme que nosso planeta se torne inabitável.
Eu não sei dizer quando vai acontecer isso,
mas devemos ir assim que formos capazes de ir.
Em Copenhague, Anna Olsen ouviu o chamado para ir ao espaço.
Parece um pouco atípico, mas um armazém portuário
é onde ela vai encarar um desafio gigantesco.
Ela está determinada a ser a primeira astronauta de um grupo de aspirantes,
o Copenhagen Suborbitals.
Por mais peculiar que este grupo de estudantes, eletricistas
e engenheiros pareça, sua tecnologia é bem refinada.
Anna e seu time querem entrar para a história
como o primeiro grupo amador a completar um voo intergalático.
Antes de ir para o espaço
acho que vou investir no meu preparo físico,
porque vocêê é exposto a força G.
Então vocêê precisa estar bem fisicamente.
Acho que a viagem até lá vai ser bem desagradável,
mas assim que chegar na gravidade zero acho que vai ser maravilhoso.
Enquanto isso, o pai de Anna, Carsten Olsen,
é outro aspirante a astronauta.
Amo viagens para o espaço,
eu amo a ideia de ir para outro planeta.
Uma aventura, é uma grande aventura.
Isso é como sonhar com um novo mundo,
eu tenho um sonho de vida que é olhar para o lua do espaço, eu tenho certeza,
que seria muito lindo de ver.
Financiado apenas por doações,
o grupo já está decolando os próprios foguetes
desta plataforma no mar Báltico.
A segurança da Marinha impede o tráfego de barcos
enquanto um foguete de menores proporções rasga o céu
em direção ao espaço.
Estimulados por estes sucessos,
o grupo de Copenhagen está construindo um foguete em tamanho real,
e Anna está supervisionando todos os detalhes.
Eu tôô pintando os tanques do nosso foguete, e espero
que seja esse foguete que vai para o espaço.
Ele tem um metro de diââmetro,
que também é o espaço que vou ter para me sentar.
Eu vou sentar encolhida como uma bola,
com os meus joelhos nas minhas orelhas. E não é exatamente espaçoso.
Infelizmente pouco espaço é só um dos riscos
que astronautas amadores correm.
Tivemos uma colisão na água.
Alguns dos experimentos sem tripulação não deram certo
com falhas no motor, e tanques ficando sem combustível.
E é por isso que antes da Anna embarcar rumo as estrelas,
este jovem precisará voar algumas vezes.
Esse é o Resgate Randy, o nosso boneco de testes.
Ele é nosso boneco astronauta, já fez alguns testes com a gente nas cápsulas,
e nem todo voo pode ser chamado de bom.
Teve uma vez que ele fez um voo
em que o paraquedas não abriu como deveria.
E ele perdeu uma perna neste teste.
O nosso médico auxiliar disse que ele teria sobrevivido,
mas não nas melhores condições,
mas vocêê ainda pode ser um bom astronauta sem uma perna.
Inabalada por tais acidentes,
vemos Anna imersa em seu próprio universo.
Eu sonho em ir para o espaço e flutuar na gravidade zero.
Eu adoraria experenciar o silencio em outro planeta, por exemplo em Marte.
De ver o seu tom vermelho
e poder estar em um planeta que não é colonizado.
Anna e Carsten estão prontos para decolar
e não são os únicos entusiastas,
ansiosos para colonizar o espaço.
Tem uma corrida em andamento.
Rápida e mais ambiciosa do que já vimos antes.
Empresários bilionários estão se aventurando no espaço
em uma competição movida a testosterona.
Com a sobrevivêência da humanidade em jogo,
eles estão ambicionando a colonização da galáxia.
Qual é sua visão sobre o futuro da exploração do universo?
Nós queremos ver milhões de pessoas vivendo e trabalhando no espaço.
O espaço é uma aventura,
uma fonte inesgotável, e até onde a gente sabe a Terra é finita
e a humanidade precisa ir para o espaço
se quiser continuar a evoluir como civilização.
Temos que investir pesado na inovação tecnológica
para tornar a vida multi planetária.
Eu acho muito importante assegurar o futuro da vida,
como conhecemos, e garantir que a vida pensante nunca seja extinta.
Naves e aterrissadores estão sendo construídos.
Não só para levar astronautas a outros planetas,
mas para transportar centenas de milhares de viajantes
para ocupar várias cidades espaciais projetadas por Elon Musk e outros.
2
Mas o que colonizar a escuridão desoladora do Universo
realmente significa?
Em Creede, Colorado,
nós buscamos um homem capaz de iluminar esta questão.
Mike Foale passou mais de um ano fora de seu planeta.
Para ele foi um experiêência de abrir os olhos.
Quando pensamos no que existe lá fora e que fazermos parte de só um pedacinho.
Esse pedacinho nesse universo, é uma coisa bem maluca de se pensar.
Com certeza é uma experiêência sem precedentes.
Muito animadora.
Mike Foale foi comandante
de uma aterrissagem fundamental no espaço.
A estação especial internacional
foi uma das maiores conquistas da humanidade.
Como se fosse algo equivalente ààs pirââmides.
Uma das grandes maravilhas do mundo.
E essa contribuição para a posteridade da humanidade
é o começo do assentamento no espaço.
Mas uma aventura nesta dimensão tem um preço.
Mike Foale sobreviveu a uma colisão na estação especial russa, Mir.
Um dos piores acidentes espaciais da História.
Ele sabe por experiêência própria
o que é ficar àà deriva no espaço.
O espaço é um ambiente totalmente inóspito.
Isolado de uma temperatura externa que vai de mais ou menos,
menos 200 Celsius até mais 200 Celsius.
Uma grande variação de temperatura. E, claro que não tem ar.
E se vocêê se aproximar de uma janela sem proteção ultravioleta
vocêê se queima, se queima em 30 segundos.
E as vezes vocêê vai olhar pra fora da sua nave
e vai ver sombras pela janela e é tipo:
"Opa olha, era uma rocha voando."
Se algo quebra na sua nave, sua vida está por um triz.
Todo o seu equipamento de sobrevivêência tem que funcionar.
Seu oxigêênio é produzido, o CO2 tem que ser filtrado,
a sua água precisa ser fornecida e sua comida precisa estar em estoque.
Então essa é a parte difícil do espaço.
Apesar de tudo isso, Mike segue convicto.
Existe um número grande de pessoas, homens e mulheres,
que são movidos pelas mesmas motivações que tenho.
Então vão superar bem as dificuldades, os desafios, as mortes,
as doenças, todos os percalços
de explorar e sair da Terra para se acomodar no espaço.
Mas não vai ser 99,9% da humanidade. Vai ser uma pequena parcela.
Umas cem, até mil pessoas no espaço,
e aí os humanos vão sobreviver a uma colisão de asteroide que vai acontecer,
ou aos desastres ecológicos que vão, com certeza vão acontecer.
A humanidade como ela é, não como é agora,
mas do jeito que evoluir vai continuar para além da Terra.
Sempre vão existir pessoas como Mike Foale, que querem se aventurar
no desconhecido não importa o quão perigoso seja.
Um sentimento humano pioneiro que vai nos levar para o Sistema Solar.
Para descobrir como uma colôônia especial se parece,
nós viemos para a Cratera Ramon,
a quase 200 km de Jerusalém no deserto Neguev.
Há poucos lugares na Terra que são geologicamente similares a Marte.
E é por isso que há uma carga especial sendo levada
para esta região remota.
Olha só.
Bem-vindos ao deserto.
Bem-vindos a Marte.
Este é o capacete experimental do traje simulador AoudaX.
Trabalhamos há mais de dez anos nesta veste especial,
e precisa simular as maiores limitações que existem no espaço.
Então ter isso em mãos, significa que estamos quase prontos.
Abrir o capacete...
O astrofísico Gernot Gromer
é o diretor do Fórum Austríaco Espacial.
Sua organização está simulando uma possível colôônia em Marte.
A NASA e a Agêência espacial Europeia também estão envolvidas,
trabalhando no projeto mais refinado do mundo deste tipo.
Hoje eles estão testando um traje de ponta
com sensores e um sistema de leitura biológica.
Basicamente, depois de quase 30 mil gerações
da espécie Homo Sapiens
nós somos a primeira que tem os meios tecnológicos
para realizar algo assim.
Nós somos uma espécie imigratória, e eu acredito que faremos
cidades em Marte com certeza, é uma questão de tempo.
Vai ser uma mensagem pro Universo, de que continuaremos ai.
Esse é um primeiro vislumbre
das primeiras colôônias espaciais.
Mas quais desafios teremos que superar para realizar este sonho?
Há um homem que está mais familiarizado
do que a maioria com os desafios de Marte.
Doug Hoffman trabalha para o laboratório de propulsão a jato,
que já enviou vários astro móveis para o planeta vermelho.
Ele sabe tudo sobre as condições neste planeta estranho.
Nós temos várias sondas e robôôs na superfície de Marte
e honestamente, para a vida humana,
Marte é um planeta bem inóspito. Bastante frio, pra começar.
Não tem praticamente nenhuma atmosfera,
o que contribui bastante pro frio.
E é claro que não vemos nenhum ser vivo na superfície
de Marte devido a estas condições.
Até mesmo o percurso até lá seria muito perigoso.
Os astronautas viajariam para fora da proteção
do campo magnético da Terra que nos protege da radiação.
Erupções solares arremessariam partículas pelo espaço.
Estas tempestades de calor poderiam dizimar uma equipe a caminho de Marte.
Se está viajando entre a Terra e Marte no espaço profundo,
e tem um evento solar significativo que pode criar
uma quantidade enorme de radiação, isso seria difícil de criar uma barreira
e também potencialmente mortal para a equipe.
Além disso, os astronautas teriam que suportar
um bombardeio de radiação cósmica.
Estas partículas carregam muita energia
então vocêê precisa, olha, talvez uns dez metros ou mais de água líquida
ou hidrogêênio líquido pra te proteger.
Então essencialmente eu penso nisso como basicamente colocar
uma nave dentro de um aquário, um aquário gigante,
e vocêê é o peixe dourado nadando ali no meio.
2
Quando os astronautas chegassem na superfície de Marte,
os problemas continuariam.
A radiação é 12 vezes mais elevada do que na Terra,
sem contar as tempestades solares mortais.
A realidade da vida em Marte seria massacrante.
Um equipe de astronautas destemidos se abrigariam em bunkers
a prova de radiação, e degustariam drinks de urina reciclada.
Enquanto cidades em Marte parecem fantásticas,
este tipo de realidade pode estar ao nosso alcance.
Existe alguém que acredita ser possível.
Mas se alguém te chamar pra ser um colonizador de Marte, melhor correr.
O antropólogo espacial Taylor Genoyese
combinou de nos encontrar em um silo de míssil abandonado.
O lugar mais deprimente que ele conhece.
A realidade de ir para outro planeta no nosso atual ambiente,
eu acho que que é como fazer uma analogia,
viver em um armazém de produtos da Amazon.
Vocêê não vai conseguir ver onde está, vai estar dentro de uma fábrica
e não vai experienciar o que acha que vai experienciar.
Esse é o tipo de desafio de estar em outro planeta
e acima de tudo estar longe da Terra.
Vocêê vai ficar preso em um cubículo.
Apesar desta perspectiva sombria,
homens corporativos intensificam este objetivo,
criando programas espaciais privados.
A privatização de viagens espaciais
já se tornou a regra hoje em dia.
Tipo a Blue Origin,
que é um braço da Amazon, e tem também a Virgin Galactic
que faz parte do conglomerado Virgin.
Então em vez de ir para o espaço investigar, nós estamos vendo
corporações espaciais querendo ir para o espaço
somente para explorar os recursos que tem lá.
Querendo levar as pessoas para o espaço para terem mão de obra
para controlar e preservar uma visão corporativa
do que eles acham que o espaço precisa ser.
Prontos para a contagem regressiva. Ignição iniciada, nove...
Taylor se preocupa com as consequêências
de acordos comerciais sobre Marte.
Vamos dizer que temos uma comunidade em Marte.
Cidade Musk, vamos supor. E Elon voltou pra Terra porque ele sabe
que é melhor estar num planeta que vocêê pode respirar
e coordenar as pessoas que estão na Cidade Musk.
Vamos supor que estejam extraindo minerais que são raros na Terra,
algo que seja bem valioso, e estão ficando cansados
de trabalhar turnos de 12 horas.
O problema que nós temos com empresas privadas nesta situação,
é que têêm controle absoluto do ambiente, entendeu?
O que impede o "Papai Elon" de desligar o oxigêênio?
Ou de restringir o fornecimento de comida ou o fornecimento de água?
O motivo pelo qual eu sou tão cínico sobre isso e sendo bem específico,
é que estamos vendo táticas similares hoje em dia
por exemplo, nos centro de distribuição da Amazon.
Estas mesmas táticas são usadas para justificar restrições radicais
contra os funcionários.
A diferença, é claro, é que aqui na Terra eles vão pra casa.
Em Marte não podem fazer isso, e é só apertar um botãozinho,
que o Elon Musk pode essencialmente transformar
o paraíso de livre mercado dele,
em um sistema feudal escravocrata.
Em termos espaciais, Marte pode estar perto,
mas está cercado de desafios.
Talvez seja mais promissor buscar um lugar mais hospitaleiro
para além do nosso Sistema Solar.
Talvez existam estrelas orbitadas por planetas como o nosso.
Fomos para o vulcão Mauna Kea, no Havaí..
Abrigo de muitos observatórios
A altitude elevada e escuridão absoluta atraem os fãs de estrelas.
Nos encontramos com uma ex-funcionária
do Observatório Gemin em Mauna Kea,
renomada astrôônoma Lucianne Walkowicz.
Lucianne é uma das maiores caçadoras de planetas.
Buscamos corpos que tenham o mesmo tamanho da Terra.
Então, lugares que possam ter essas superfícies rochosas
e que também tenham oceanos por perto.
Buscamos lugares com a temperatura certa,
nem muito quente, nem muito frio.
As vezes comparamos com o conto da Cachinhos Dourados,
comendo o mingau, nem muito quente, nem muito frio.
E isso é porque queremos que a água exista em estado líquido,
porque a água líquida é uma das melhores soluções para a química da vida.
E aí olhamos para a atmosfera
para analisar se ela comportaria coisas,
como o oxigêênio
ou um equilíbrio entre tipos diferentes de gases atmosféricos
que seriam condizentes com a existêência de vida.
Até meados dos anos dois mil,
apenas alguns planetas fora do nosso Sistema Solar tinham sido descobertos.
E ninguém sabia se algum se parecia com a Terra.
Até que tudo mudou.
Umas das coisas mais transformadoras
em relação a descoberta de outros planetas em outras orbitas
foi a misão Kepler, que começou em 2009 e eu tive a sorte
de fazer parte do time de cientistas,
eu ingressei logo antes de começar,
então eu estive presente e experimentei essa grande carga de tensão
de ver o futuro da sua carreira decolando dentro de um foguete projetado
para ser alçado no espaço.
Decolagem do foguete Delta II com Kepler
em busca de planetas que sejam similares ao nosso.
O lançamento do telescópio espacial Kepler
talvez seja lembrado como o marco inicial
da maior descoberta astronôômica da nossa existêência.
Capaz de captar imagens que nenhum outro telescópio da Terra consegue,
o Kepler iniciou sua misão de encontrar outros mundos.
E foi mesmo o Kepler que abriu suas lentes
e de repente começou a encontrar mundos e mundos,
milhares de planetas que não sabíamos que existiam
e indicam a existêência de bilhões de planetas mais.
E isso muda demais a perspectiva e abre um novo universo pra nós.
Kepler descobriu que muitos destes exoplanetas
tenham características estranhamente familiares.
Ninguém podia afirmar
que existiam planetas minimamente parecidos com a Terra.
E agora, por exemplo,
parece que é provavelmente o tipo mais comum
de planeta que existe,
e ainda não sabemos se estes planetas
são como a Terra do jeito que nós conhecemos, no sentido de andar por aí,
e curtir o solzão, a brisa, o vento na no rosto,
mas significa que há muitos lugares onde podemos encontrar vida.
O mais promissor de tudo é que os exoplanetas
foram encontrados no sistema estelar vizinho, o Alpha Centauri.
Um deles, o Próxima Centauri B está a 4,2 anos luz de distâância.
Em relação a vastidão do Universo isso é quase do lado.
Mas mesmo que esse exoplaneta seja habitável,
uma viagem até lá levaria cinco mil anos.
Me parece que um dos desafios principais
em relação a viajar pelo espaço são estas longas distââncias
que não temos ainda grandes soluções para que os seres humanos
viajem dentro do tempo de sua própria vida,
mesmo que seja para o sistema planetário perto.
Bom, existem estas ideias de que pode pôôr pessoas no que chamamos
de nave geracional, onde muitas gerações viveriam nestas naves e talvez,
não vocêê, mas seus descendentes ou os descendentes deles,
um dia chegariam neste sistema planetário.
2
Para esta misão acontecer, gerações sucessivas
teriam que viver e morrer durante a viagem.
A menos que a ciêência encontre uma solução.
Nos filmes, astronautas interestelares são congelados,
e depois ressuscitados quando chegam ao destino final.
Existem muitas instituições ao redor do mundo
considerando esta ideia originada na ficção científica.
No laboratório médico da agêência espacial europeia em Colôônia,
o cirurgião espacial Adrianos Golemis está liderando as pesquisas
para que astronautas façam viagens interestelares.
Não seria incrível se a humanidade ao viajar pelo cosmos
pudesse usar o conceito de hibernação?
Isso é uma coisa que vemos no reino animal e que podemos aprender com a natureza.
O que sabemos é que quando animais hibernam eles usam menos energia,
e por um longo período com menos energia, eles sobrevivem mais.
Seria muito prático para viagens espaciais,
porque se vocêê quer ir a uma misão de longa duração
e estiver em estado de hibernação,
vocêê precisaria de menos comida.
O equipamento que estou usando agora é baseado no conceito
de calorimetria indireta. E o que é isso?
Calorimetria vai medir quanta energia o meu corpo precisa por dia.
Indireto porque isso, na verdade, é medido pelo ar
que eu inspiro e expiro, por isso é fechado.
No futuro acreditamos que usaremos o mesmo conceito para poder calcular
a quantidade de energia que o corpo precisa para estado de hibernação.
Sabemos que vai ser menos do que a energia que usamos no dia a dia,
mas como cada pessoa é diferente uma da outra,
e um astronauta é diferente um do outro, precisamos calcular
precisamente quanta energia eu preciso para poder viajar
ou quanto vocêê precisaria pra poder viajar no espaço em estado de hibernação.
Adormecidos como Branca de Neve em uma caixa acrílica,
nos faz perguntar qual seria a sensação.
Basicamente um estado de sono profundo, mas isso é só o que nós sabemos
com testes em animais e pessoas que passam
por grandes procedimentos cirúrgicos.
Não sei se sonharemos. Teremos que perguntar aos futuros astronautas.
O próximo passo, parece retirado de um roteiro de filme.
Astronautas interestelares seriam postos em animação suspensa.
Surpreendentemente isto já é feito hoje em dia,
mas as pessoas por trás destes métodos radicais
não tem nada a ver com misões espaciais.
Zero vírgula cinco. Ele não está respirando.
Um, dois, trêês.
No centro médico de Maryland,
cirurgiões pioneiros acabam de dominar uma técnica inovadora
para tratar ferimentos graves.
Nós temos um homem jovem, baleado várias vezes,
perfuração grave na região do ombro direito
e duas perfurações graves no baixo ventre.
Pode solicitar uma transfusão de sangue?
Pacientes com ferimentos graves por arma de fogo
tem uma taxa de sobrevivêência de 7 por cento.
Uma corrida quase impossível contra o tempo.
Está tendo uma hemorragia. Assistólico.
Os médicos estão buscando formas de contornar o problema.
Para ganhar 40 minutos de atendimento,
eles desenvolveram uma técnica que reduz o metabolismo do paciente.
Ao resfriar a pessoa rapidamente, eles protegem o corpo inteiro.
O aspecto único aqui
é que nós estamos preservando não só órgãos específicos, mas o corpo inteiro
em sua totalidade, incluindo cérebro, fígado, coração, pulmão
e outros órgãos vitais como o intestino.
Vamos resfriar para vinte graus.
Os médicos substituem o sangue com uma solução salina
resfriada a 20 graus Celsius, ou 68 Fahrenheit.
Em poucos minutos o paciente entra em estado de hipotermia.
Este procedimento pode ser o começo de uma importante revolução
em viagens espaciais.
Acho que estamos só no começo, criando os fundamentos.
O refrigeramento seria uma parte importante da animação suspensa
prolongada durante uma viagem.
Se é possível reduzir a necessidade do corpo
por oxigêênio, comida, suprimentos,
então vocêê pode prolongar muito a vida em um estado assim.
Talvez não seja o único elemento,
mas a temperatura vai ter um papel importante, com toda a certeza.
Em misões espaciais interestelares,
a animação suspensa precisa durar meses, ou mesmo anos,
e aí mora o problema.
Existe um acúmulo grande de potássio e ácido,
e para lidar com isso nós precisaríamos de um protocolo
para administrar e remover o potássio e neutralizar o ácido.
Para usar este método para voos de longa duração,
os cientistas precisam controlar o acúmulo
de substââncias ácidas no corpo dos astronautas.
Por enquanto isso parece impossível.
2
Mesmo que a gente encontre um método para congelar humanos,
uma viagem de milhares de anos não seria fácil.
Alguns membros da equipe precisariam estar acordados para cuidar da nave
e providenciar as medidas de sobrevivêência.
Para fazer com que as misões se perpetuassem por séculos,
a equipe precisaria manter níveis de reprodução.
Dar a luz dentro de uma nave é desafiador,
e no ambiente de confinamento de uma estação espacial
as opções de parceiros seriam limitadas.
No Colorado, tem um homem que tem certas preocupações
com este tipo de reprodução.
Simon Dubé, um renomado sexólogo espacial,
se preocupa com a reprodução interestelar.
Se não tivermos pessoas o suficiente
nas naves ou nas colôônias, vamos nos deparar com situações
em que alguns indivíduos terão que se reproduzir com pessoas
que têêm no DNA algum grau de parentesco.
Isso aumenta os riscos de doenças genéticas e má formações congêênitas.
Em uma situação na qual temos convívio multigeracional prolongado,
precisamos buscar formas de implementar
mais variedade genética na população.
Renovar a gama de genes seria essencial,
ou depois de cinco mil anos de reprodução,
a equipe se transformaria em mutantes bizarros
As estimativas variam
de acordo com a quantidade de pessoas saudáveis a bordo.
Tem pesquisadores que estimam que precisaríamos de quarenta mil indivíduos,
e outro menos de cem.
Os que defendem números menores, estão levando em consideração
que nesta situação precisamos de tecnologia genética.
Como por exemplo levar óvulos fertilizados, que vão ser implementados
aos poucos para oferecer a diversidade genética necessária
na colôônia ou a bordo dessa nave.
Mas saúde genética não é a única questão reprodutiva
que precisamos administrar no espaço.
O espaço impõe vários desafios para a sexualidade, inclusive sexo em casal.
Então um deles é o fato de que não há gravidade.
Em gravidade zero ou microgravidade, pode ser muito difícil aproximar
os parceiros, porque quando um se mexe, ou faz algum movimento,
vai repelir a outra pessoa para longe dela, então precisamos
de estratégias, elementos, ou de um sistema mecâânico
para manter as pessoas próximas umas das outras,
para que possam aproveitar o ato sexual juntas.
Desafiado por questões tão delicadas, Simon não acha que sexo
no espaço deva ser encarado como problema.
Imagina qual seria o impacto
de se relacionar sem peso corporal.
Vocêê pode se mexer.
Com zero gravidade vocêê pode aproveitar as atividades sexuais,
inclusive com vários parceiros,
sem peso corporal.
Qual seria o impacto no nosso comportamento sexual, preferêências e fantasias?
Eu acho que no contexto espacial, isso mudaria completamente,
e acrescentaria novos caminhos para a sexualidade humana.
Apesar desta perspectiva esperançosa,
os cientistas só podem enviar colonizadores em longas viagens
se lidarem com nossos corpos.
Somos muitos frágeis para ficar longe da Terra.
Surpreendentemente, tem um homem em Nova York
que acredita ser possível superar este obstáculo.
Conversamos com o geneticista da NASA, Christopher Mason em seu laboratório.
Ele sabe com o que está lidando.
O corpo humano não combina com o espaço, porque são circunstââncias extremas
e ambientes terríveis que nós teríamos que encarar, tipo chuva de ácido sulfúrico,
ou gravidade brutal ou radiação
capaz de matar uma pessoa em menos de um dia.
Até no nosso Sistema Solar, temos lugares já vistos completamente inóspitos
para humanos e temos que lidar com eles.
Para cada astronauta que já foi pro espaço, todos, nós criamos medidas
de proteção física, proteção farmacológica para mantêê-los seguros,
mantêê-los saudáveis e ativos, mas agora estamos no limiar de implementar
medidas genéticas, mudanças celulares ativas para mantêê-los a salvo,
em vez de contar apenas com proteção fisiológica externa,
podemos ativar defesas que estão presentes em todo o nosso corpo
ou adicionar novas.
Até alguns anos atrás, alterar o genoma humano
era ficção científica.
Hoje os geneticistas estão àà beira
de tornar os humanos aptos para viagens interestelares.
A ameaça mais perigosa é a radiação.
O maior risco da radiação é que prejudica o seu DNA
e proteínas, e também te impede de sobreviver.
O que nós fazemos é pegar proteínas do nosso próprio DNA,
do nosso genoma e de outras criaturas, como os tardígrados,
e pegar estes pedaços de genes que dão proteção adicional,
a gente copia eles, clona e cola em células humanas.
Christopher Mason gosta de pegar genes
destes artrópodes engraçados conhecidos como tardígrados.
Tardígrados são estas criaturas fofas,
como ursos-d '’água, porque parecem com ursinhos,
e é uma espécie encontrada em vários solos e superfícies
ao redor da Terra.
São ursinhos multicelulares que podem sobreviver a qualquer coisa.
Eles podem sobreviver a radiação, eles sobrevivem no vácuo no espaço.
E reanimados se reidratados, eles podem sobreviver a secas,
eles são mesmo criaturas extraordinárias.
Vem cá, vamos dar uma olhadinha nas células.
Vamos ver como que vão as células humanas e de tardígrados.
Acho que o Greg tá aqui.
- Oi, Greg. - Oi.
E aí, como vão as coisas por aqui?
- A gente tá centrifugando. - Boa hora, isso.
A temperatura tá caindo.
Estas células em solução rosa, não pertencem
a nenhuma espécie conhecida.
São uma mistura completamente artificial de ursos d'’agua e humanos.
Criamos células humanos que carregam
traços dos tardígrados em seu DNA e potencializadas
a resistir a 80% mais de radiação do que resistiam antes.
Todas as células humanas
que carregam o gene resistente a radiação dos tardígrados
vão se destacar no microscópio.
Christopher Mason está feliz de ver que o experimento funcionou.
Abrindo caminho para modificações genéticas mais refinadas.
Um outro desafio é que vocêê tem
pouca luminosidade em viagens espaciais, e recursos limitados.
Mas e se nós transformássemos os fótons em comida?
Ou se tivéssemos clorofila dentro de células humanas?
Algo como, "cloromanos", como plantas basicamente.
E se a gente pudesse deitar no sol para poder matar fome,
obter os nutrientes e voltar para a sombra quando saciado?
Fazer isso funcionar vocêê precisa de umas duas quadras de têênis de pele
que abrisse para poder pegar o sol,
pelo menos na Terra, para se alimentar por um dia.
Então é só imaginar tendo tudo isso de pele, e aí vocêê pode desenrolar,
deixar ela absorvendo luz e enrolar de volta,
como um painel solar portável, só que claro feito de pele.
Este novo super-humano espacial não conheceria limites.
Respiraria hélio e mergulharia na Nebulosa Bumerangue.
Isso se vir a luz do sol.
Nosso laboratório tem um plano de ter humanos vivendo
sob a luz de um novo Sol em 500 anos.
Eu vou estar morto durante a maior parte do plano, mas o ponto é que delimitamos
o que pode acontecer e deveria acontecer.
Aprendemos muito sobre genética nos últimos dez anos,
foi a primeira fase.
Nos próximos 20 anos, vamos pegar estas lições
e descobertas sobre genética e criar estas células,
criar genomas que contém fragmentos
de outras criaturas para ajudá-las a sobreviverem em condições extremas.
E na fase dez, em 500 anos, vamos ter o resultado, o conhecimento genético
para poder proteger os astronautas, e teremos exoplanetas descobertos,
para saber para onde vamos mandá-los.
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Se humanos geneticamente modificados se aventurassem
para conquistar a galáxia, eles teriam que adaptar seus corpos e suas mentes.
E esta é uma questão ainda mais delicada.
Nosso desafio seria ficar sãos, trancados por gerações
em uma nave rumo ao desconhecido.
O antropólogo espacial Taylor Genovese tem certeza de que entraríamos
em conflito na metade do caminho.
O dia a dia é compartilhado, e todo mundo que já dividiu casa sabe,
que a menor coisinha
pode explodir e virar uma briga homérica.
Alguém bate o garfo no prato do jeito errado e isso pode virar uma briga.
O problema aumenta porque não dá pra escapar, não pode se retirar
para se acalmar, porque está sempre no mesmo lugar.
As estações árticas são boas, porque vocêê pode analisar
como as pessoas vão reagir a ambientes hostis.
Nos últimos anos rolou um caso de um membro
da equipe russa que revelava o final dos livros disponíveis na biblioteca para um membro
de um outro time russo de propósito,
e maliciosamente contava os finais, e isso deu tão errado
que o integrante do outro time não aguentou mais, ele foi na cozinha,
pegou uma faca de carne e esfaqueou o cara do spoiler e eles tiveram, que é claro,
que remover eles da área.
Mas no espaço sideral vocêê não vai poder fazer isso.
Mais perigoso ainda é se alguém se irritar
e decidir abrir uma porta, ou perfurar alguma coisa da estrutura
que desestabilize a nave, isso coloca em perigo todo mundo a bordo.
Vão existir vários problemas.
Vão existir questões sobre como vão resolver
os problemas, e sobre isso ninguém fala.
Se hoje a saúde mental em viagens espaciais longas
ainda é um tabu, ela já foi pesquisada no passado.
Em Nova Jersey conhecemos uma pessoa que foi cobaia
em um experimento em Moscou durante os anos 1990.
Pela primeira vez a professora canadense de Judith Lapierrre
rompe o silencio sobre um estudo russo que foi um escâândalo internacional.
Eu estava muito animada
de me envolver em um projeto tão grande.
Porque naquela época, representava um estudo relevante
sobre confinamento prolongado com uma equipe internacional de homens e mulheres,
então eu estava animada e orgulhosa.
Era um sonho se tornando realidade.
O experimento propunha que a Judith ficasse trancada
em um grande container de metal por 110 dias.
Ela e um grupo de homens morariam lá,
confinados e sob constante observação.
Judith Lapierre aceitou o desafio.
Eu sou a mulher participante da equipe, e estamos treinando agora
para iniciar o experimento.
Eu teria gostado, é claro, se tivesse outras mulheres
porque eu acho que seria bom pra mim ter apoio.
E, na vida real, existem homens e mulheres,
então devia ter mais, mas infelizmente só tem eu até agora.
Em 4 de dezembro de 1999, Judith estava pronta
para ser trancada em um container como parte de uma equipe internacional
que se juntaria a uma equipe russa ali dentro.
Eu lembro de ver todo mundo na fila entrando na cabine.
As portas se fechando e ali a gente começou a nossa misão de 110 dias.
E foi um cronograma muito puxado, a gente desenvolveu
mais de cem estudos.
E os dias duravam
das oito da manhã até as dez horas da noite.
Judith se acostumou com sua nova vida, entrando em uma boa rotina
de trabalhos com seus colegas.
Da sala de controle, os supervisores acompanharam o entrosamento da equipe.
Ninguém tinha a menor ideia de que o experimento estava indo de mal a pior.
O clima e a dinââmica das cabines mudaram
na véspera de ano novo dos anos dois mil.
Era tipo uma festa, é claro.
A gente fez uma primeira refeição,
e pouco depois da meia noite teve uma briga
entre os membros russos da equipe, foi uma briga bem violenta, e agressiva
que deixou um dos integrantes bem ferido.
Judith esperava que um dos homens da sala de controle fosse intervir,
mas ninguém veio.
Isso foi uma pequena parcela de um evento que desencadeou em descontrole.
A gente não conseguia dormir
depois dos incidentes, a gente ficou na sala,
e depois os integrantes da equipe russa
começaram a fazer piadas sobre fazer um experimento envolvendo a minha pessoa.
Ele tinha acabado de fumar e queria fazer um teste me beijando
sem o cigarro, e na frente de todo mundo. Então eu disse:
"De jeito nenhum, eu não quero participar. O que está fazendo?"
Ele me puxou da minha cadeira,
eu sentei de novo, ele me puxou outra vez,
e eu olhei pros meus colegas e meu comandante dizendo:
"O que ele está fazendo? Ele está me levando
para a cozinha com ele de novo",
foi quando ele decidiu que me daria um beijo a força, eu empurrei ele,
ele tentou de novo e eu empurrei de novo, e eu saí da cozinha
e voltei pros meus colegas e estava em choque,
porque o dia mal tinha começado
e já estava um clima errado, e foi horrível.
No dia seguinte escrevemos para o controle de misão e para as nossas agêências,
e a resposta demorou entre quatro e cinco dias,
eles mandaram um papel pela escotilha das portas
pedindo pra gente assinar o papel
ou ir embora, estávamos livres.
E é claro que fomos forçados a assinar, se quisesse ficar, e eu queria muito ficar.
O papel que a Judith assinou dizia que o incidente
foi apenas um choque cultural.
E eu posso afirmar que não foi isso.
Ele tinha um interesse sexual por mim,
e ele me beijou a força duas vezes e eu rejeitei,
mas ninguém reconheceu isso e foi só minimizando
como um caso de choque cultural,
dizendo que eu não estava aberta a diversidade cultural.
Quando a misão terminou, realmente afetou a minha carreira,
porque eu achei que fosse ser o começo da minha pesquisa com a agêência espacial
ou começo da minha vida profissional,
mas eu fui totalmente excluída do sistema
e não estive envolvida em nenhum trabalho espacial desde então.
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Baseados na experiêência da Judith Lapierre,
podemos concluir que atravessar os séculos
em uma nave espacial resultaria em conflitos, crimes e depravações.
Se queremos uma chance de alcançar exoplanetas, precisamos descobrir
como fazer dentro do nosso tempo de vida.
Podemos inventar uma nave rápida o suficiente?
Em Idaho, nos reencontramos com Marshal Savage,
educador científico visionário e futurólogo.
Marshall tem ideias sobre como criar naves superpotentes.
Einstein nos ensinou que energia e matéria são intercambiáveis,
e uma quantidade pequena de matéria tem grande quantidade de energia.
Mas o único jeito viável e real de fazer essa conversão,
de extrair toda a energia de um pouco de matéria
é usando a antimatéria.
Quando matéria e antimatéria se encontram,
elas anulam uma àà outra, e o resultado é pura energia.
Então se puder criar e armazenar antimatéria o suficiente,
aí se torna possível ter energia na escala de propulsão fotôônica.
Isso significa que em vez da combustão de químicos saindo do foguete
ou então de partículas de rápida fusão,
vocêê tem fótons saindo do foguete,
e eles viajam na velocidade da luz.
Combustível antimatéria nos faria viajar
pela galáxia rapidamente.
Por mais impossível que pareça,
antimatéria já é produzida e armazenada na Terra atualmente.
Em Genebra, o físico Michael Doser
cria antimatéria no acelerador de partículas
no centro de pesquisa nuclear.
Na verdade é bem fácil criar antimatéria e trabalhar com ela.
Tudo que precisa é um sincrotron protôônico,
onde vocêê acelera partículas criando muita energia, esmaga eles
contra um bloco de irídio, e se tiver sorte, um em um milhão,
vocêê consegue ter um par de próton e antipróton.
Estes antiprótons se movem quase na velocidade da luz.
Trazendo para cá e aí são desacelerados na estrutura que podem ver aqui.
Ali tem um grande desacelerador que rodeia o prédio inteiro
atrás dos blocos de concreto. E aí vêêm para este círculo bem aqui,
que é a etapa final, que desacelera eles o suficiente
para que a gente consiga pegar eles.
Produzir antimatéria é fácil se vocêê estiver
no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, o maior do mundo.
Ele abriga cientistas de 85 nações
e consome mais energia elétrica
do que 300 mil casas em um ano.
O centro europeu abriga os maiores equipamentos já produzidos
mas na física de partículas,
os menores equipamentos podem também surpreender.
Este é o coração da matéria, ou da antimatéria.
Assim que se parece uma armadilha antimatéria, e esta é a mesma armadilha
que usamos a dez, 15 anos.
E o que vocêês estão vendo aqui
é uma armadilha que captura a antimatéria sem ter contato com a matéria.
Porque se elas se tocam, elas se anulam.
Então a gente preserva a antimatéria no vácuo e tem contato com ela
apenas através de campos elétricos e campos magnéticos.
Infelizmente a quantidade de energia necessária
para fazer antimatéria é enorme.
120 giga watts
são necessários para criar uma quantidade ínfima desta substâância misteriosa,
e o retorno é realmente muito baixo.
Toda a antimatéria produzida no Centro Europeu não é capaz de acender uma lââmpada
Michael Doser trabalha com pequenas quantidades de antimatéria...
E, encara outra questão:
o tempo absurdo necessário para produzi-la.
Por aqui, se o acelerador nos desse antiprótons a cada segundo
e pudéssemos resfriá-los rapidamente a gente teria algo em torno
de um décimo de nano grama por ano.
O que significa que para obter um grama de antimatéria, vocêê precisa
de dez bilhões de anos, que coincidentemente é a idade do universo.
Então se a gente tivesse começado a juntar antiprótons no começo do universo,
junto com o Big Bang, hoje teria um grama de antimatéria.
Mesmo que este longo processo de produção fosse prático,
conseguiríamos produzir combustível
o suficiente para chegar em outro Sistema Solar?
Agora, para chegar em Alpha Centauri,
a minha referêência é Star Trek, que tem a Enterprise,
e na Enterprise tem este núcleo complexo movido a antimatéria.
São tipo duas mil toneladas de antimatéria,
mas a gente pode ser mais econôômico que isso e usar alguns quilogramas.
Significa que vocêê precisa não só de dez bilhões de anos, mas precisa de algo em torno
de mil ou dez mil vezes mais que isso,
que provavelmente vai ser mais do que a idade do universo, mesmo no futuro.
[Essa é a quantidade de tempo que precisa sob as condições tecnológicas atuais
para produzir antimatéria o suficiente para chegar a Alfa Centauri.
Vocêê chegaria lá mais rápido se fosse andando.
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Por enquanto, as viagens interestelares
permanecem no campo da ficção científica.
A menos, é claro, que a gente receba ajuda extraterrestre.
Se existissem aliens desenvolvidos,
a gente poderia simplesmente pedir uma carona.
Aqueles de nós que esperam conseguir uma carona de um OVNI,
podem enviar seus pedidos a esta colôônia
de extraterrestres aqui na Terra.
No Vale do Amanhecer, no Brasil, moram pessoas
que acreditam ser descendentes de uma espécie alienígena
do planeta Capella.
E este planeta, o nosso planeta Terra,
ele é governado, ele é regido por um planeta chamado Capella.
E essa nossa comunicação interplanetária
se iniciou há 32 mil anos atrás
quando esses primeiros seres vieram ao nosso planeta,
assim fazer as primeiras experiêências de colonização,
trazendo assim um altíssimo conhecimento científico sobre os átomos,
sobre as moléculas,
e assim eles começaram a transformar
toda a geografia deste planeta Terra.
O conhecimento sobre a história extraterrestre no Vale,
remonta a esta mulher: Tia Neiva.
Batizada como Neiva Zelaia, Tia Neiva foi motorista de caminhão,
e mãe de quatro crianças.
Quando morreu, em 1984, seus discípulos preservaram sua casa intocada.
E até transformaram seu banheiro em um santuário.
Fotografias mostram como ela, desde os anos 60,
começou a receber energia cósmica.
A energia era enviada pela nave mãe que paira invisível sobre o Vale.
Esses seres que vêêm aqui, não vêêm apenas nos observar.
Eles trazem energias luminosas, fluídicas,
que ajudam a trazer uma harmonia para nosso planeta.
E consequentemente, fazendo uma limpeza das energias existentes aqui.
Até hoje, os discípulos de Tia Neiva
ainda estão coletando os raios curadores
enviados pelos aliens benevolentes.
Será que esta energia pode ser usada
para nos alçar para outros planetas?
Primeiro que não acredito
que nossa constituição molecular física
consiga suportar esta viagem
da qual teremos que fazer daqui para outro planeta.
Nosso Senhor Jesus Cristo!
Porque este corpo físico
foi programado e elaborado
para viver, para cumprir uma jornada neste planeta.
E a sua composição molecular,
não nos permite habitar outros mundos.
Os alienígenas do Vale estão presos na Terra.
E com o passar dos milêênios,
seus corpos se adaptaram ao nosso ambiente,
por isso não podem retornar ao seu planeta natal.
Assistir esta comunidade recebendo energia do espaço sideral,
é um experiêência instigante, e por momentos
parece tão absurdo quanto viajar para outra galáxia.
Deixamos os aliens do Vale do Amanhecer
com a certeza de que não iriam nos abduzir com sua nave espacial.
Nossa jornada nos mostrou que nós, humanos,
não devemos nos comportar como criaturas interplanetárias,
esgotando o nosso planeta e mudando para outro.
E isso é motivo de tristeza?
Desde sua jornada para as estrelas, astronauta Mike Foale
enxerga nosso planeta de forma diferente.
Eu sempre amei astronomia e sempre amei as galáxias,
sempre amei a ideia de ir para outros planetas ao redor de outras estrelas,
Mas no final, o que mais me impressionou foi olhar para a Terra.
A Terra está sempre mudando, as luzes mudam, as estações mudam.
As estações sempre mudam e é muito fascinante.
Absolutamente contagiante.
Quando chegamos acima da América do Sul,
quase sempre a iluminação vem de um âângulo baixo,
então tem um tom de azul escuro.
Que é quase misterioso. Parece frio e é frio.
Mas dá pra notar que eu consigo ver ondas,
e eu penso "ondas,
desta altitude? Não, não pode ser."
Sim, vocêê pode ver ondas, ondas do Atlâântico Sul
indo ao redor do planeta todo nesta latitude,
porque são tão gigantes, formadas pelos ventos da atmosfera,
que consegue ver as espumas das ondas se quebrando
no espaço, da orbita,
a centenas de quilôômetros de distâância.
Eu valorizo a Terra e a ecologia da Terra
e eu preciso dizer
que é muito importante cuidar dela.
Ainda mais depois de estar no espaço.
2
Em Becket Mauna Kea, no Havaí,
os telescópios são programados para varrer os céus
em busca de mundos desconhecidos
que um dia possam ser colonizados.
Nas planícies, os nativos do Havaí têêm uma ideia bem diferente
de qual deve ser o lugar da humanidade no cosmos.
Este lugar carrega muitos simbolismos.
Neste vasto terreno, ciêência digna de prêêmio Nobel,
se encontra com a sabedoria indígena.
O ativista havaiano Lanakila Mangauil,
presta seu respeito ao vulcão.
Para ele, Mauna Kea é uma montanha sagrada
que não deve ser perturbada pela humanidade.
A astrôônoma Lucianne Walkowicz desceu de seu cume
para ouvir e aprender sobre as crenças havaianas.
Lanakila aceitou mostrar a Lucienne
como a montanha deve ser honrada.
Os Havaianos têêm sua própria cosmologia
que é expressa através de canções e danças tradicionais.
Cada passo e gesto tem um significado
que se conecta ao vulcão sagrado.
Aqui na montanha,
muitas pegadas humanas estão marcando e modificando a terra e as rochas.
Os ciclos naturais da hidrologia da neve, do gelo,
e como deveria ser filtrada e escoada.
Então precisamos permitir que as forças da natureza realizem seu trabalho.
Então esta simples dança Hula,
que vêê os dançarinos recuando com esse toque leve dos dedos,
e toque leve dos pés em um movimento sempre para trás para mostrar
que deveríamos nos retirar destes lugares
e deixar pouca ou nenhuma marca nele.
Nem mesmo das nossas pegadas.
Lanakila vê os humanos como parte da criação
e nos perigosamente, ignoramos isso.
Quando vocêê se distancia da realidade
ou se vocêê se retira disso ou pior,
se considera superior àà Terra,
bom, é isso que vocêê ganha.
Este não é o ecossistema original desta terra.
Depois que sofreu interferêência humana,
toda a mata nativa desta montanha foi dizimada.
O que pensa quando ouve as pessoas dizendo coisas
do tipo "Agora que eles usaram a Terra, eles vão partir pra outros planetas,
planetas em outras galáxias ou Marte, ou qualquer outro planeta."
Muito assustador pra mim pensar nas pessoas partindo em misões
para continuar esses processos de exploração em outros planetas.
Não concordo com isso.
Ainda temos muito que aprender aqui.
E em muitos casos, acho que é importante que a gente proteja
o resto do universo de nós.
Lucianne Walkowicz tirou algumas conclusões
desta mensagem.
Eu acho que o problema que tenho com a colonização proposta
por Elon Musk ou Jeff Bezos,
é que realmente descreve a colonização,
a ideia de ir pros lugares pra extrair e explorar.
Propõe um tipo de colonização do espaço
que muitas pessoas vivenciaram na aqui na Terra.
Bom, na Terra nós temos ameaças a nossa existêência,
são coisas como o aquecimento global
que está provendo um mundo menos habitável
do que aquele que desenvolveu a nossa espécie até agora
e não temos como tratar o nosso planeta
como algo descartável, usar tudo, comer tudo e depois jogar no lixo.
Nós temos só um planeta.
Eu olho para este mundinho e vejo
uma variedade inebriante de vida
sustentando uma abundâância e riqueza
que não existe em nenhum outro planeta visto até hoje.
E mesmo que a gente encontrasse um planeta em constelação
que pudesse talvez ser um pouco como este,
a gente não teria como saber,
não teria como mandar os humanos para lá no nosso tempo de vida,
e, enquanto isso, estamos aqui rodeados por este paraíso.
Eu fico tão comovida com o planeta onde vivemos.
Especialmente como alguém que pensa muito em outros planetas.
Que eu posso nadar no oceano,
eu posso beber dos rios,
posso sentar e sentir o sol no rosto,
e sei que ele não me machuca,
mas na verdade me sustenta e me nutre e não só a mim, mas todo mundo que conheço
e todas as pessoas, toda a humanidade que já viveu.
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