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Original subtitles

Paris, Fevereiro de 1999

-Encontrou? -Não.

Não acredito.

Onde você vai?

Olha como você é linda. É inacreditável.

Estou pensando em cortar.

Não, proíbo você.

Seria mais prático.

Se fizer isso, deixo você.

Não, porque eu mataria você e depois me mataria.

Você é muito convincente.

-Você me ama? -Amo.

Só isso?

Adoro você.

Venha.

ADEUS, PRIMEIRO AMOR

Quando vamos nos rever?

-Não sei. Logo. -Amanhã não?

Não posso este fim-de-semana. Eu ligo na segunda.

Está bem. Tchau, então.

-É melhor largar isso. -É mesmo?

Chega! Vão acordar seu pai!

Não!

Preciso dizer uma coisa.

Você não vai gostar.

O quê?

Vou interromper meus estudos.

Não. Não faça isso.

Já me decidi.

Faz meses que não vou às aulas.

Vai se arrepender a vida inteira.

Eu estava ficando louco.

Vou viajar com Julien e Mathias.

Vamos voltar pra América do Sul.

Quando seu pai souber,

vai tirar de você o estúdio e a mesada.

Eu sei.

-Eu me viro. -É mesmo?

E Camille, vai com você?

Ela diz que, se eu viajar, vai se jogar no Sena.

Claude?

Já ouviu falar de Jacques-Émile Blanche?

Sim.

É bonito.

Precisa estimar isto. Leve para Drouot.

Por que quer vendê-lo?

Eu não venderia.

Se quiser, tenho um amigo que pode se interessar.

De onde veio esse quadro?

Herdei do meu avô.

Meus pais vão ficar furiosos, mas não tenho escolha.

Não tenho o suficiente para viajar em setembro.

Ainda mais se decidirmos prolongar a viagem.

Está maquiada.

Não precisa fazer isso por mim.

O que fez a semana toda? Achei que nos veríamos.

Saiu toda noite?

Esqueça, nem quero saber.

Encontrei Mathias e Julien. Planejamos nossa expedição.

E fui a uma festa horrível num clube de subúrbio.

Todos estavam lá pra transar e se drogar.

-Não me droguei nem peguei ninguém. -Ainda bem.

Porque amo você demais.

Então por que vai a festas ao invés de me ver?

Não quero ficar muito dependente.

Depois vai ser ainda mais difícil.

Camille!

Sabe como ficou difícil dormir sem você,

não ver seu rosto quando acordo?

-Não consigo ficar sem você. -Até parece.

Por que não acredita?

Porque a sua prioridade são seus amigos.

Só pensa na sua viagem.

Não seja ciumenta, é ridículo.

É fácil pra você.

Sabe que passo a vida esperando você.

Sabe que trabalho sem parar e passo as noites em casa.

Então saia.

De fato, não tenho vontade.

Tudo bem, é seu direito.

-Você não liga mesmo. -Ah, que saco!

Pra que brigar?

Fiquei feliz de almoçar com você. Agora estragou tudo.

Desculpe, prefiro ficar sozinho.

Sullivan!

Pode me ajudar?

Papai está almoçando fora. Não sei com quem.

Seu irmão entrou e saiu, como sempre.

-Alguém ligou? -Ninguém.

Ah, sim, Delphine!

Ela precisa do livro de história.

Vamos, anime-se! Não fique prostrada assim.

-Não funcionam pra você. -O quê?

-Os relacionamentos. -Eu disse que estava feliz.

Tenho direito de estar triste.

-Sullivan só faz você chorar. -São lágrimas de alegria.

Eu choro porque sou melancólica.

Você era mais feliz antes de conhecê-lo.

Já faz um ano. Hora de virar a página.

É o homem da minha vida.

Você tem 15 anos! Não seja boba!

Não se entregue a alguém que não ama você.

O que você sabe?

Faça alguma coisa. Vá ao cinema.

Pratique esportes. Está muito magra.

Só o amor me importa.

-É minha razão de viver. -Não aguento isso.

Ah, seu pai chegou.

-Você é insensível. -Isso mesmo.

Deve ser porque não sou melancólica.

Nunca mais vou falar dele.

Querida, pode me trazer um café?

Está morno.

Que tal comprar uma máquina de café?

Se não gostou, vá para um café.

-Vou usar o microondas. -Isso.

Abusado.

Obrigado, querida.

E então? Quais os planos para o fim-de-semana?

Entendi.

Meu Romeu!

Meu amor, minha querida...

Achei que tivesse me abandonado.

Achei que não veria mais você.

Ficou louca?

Sabe que amo você.

Amo você demais.

Desapareceu de novo.

Podia ter me ligado.

-Você é cruel. -Não vamos brigar.

Como você é bonita.

Vou devorar você.

Espere.

Você me deixa louco.

Onde está me levando?

-Não espere fazer amor. -Espero, sim. Suba.

Você fica aqui.

-Não. -Por quê?

Você não merece.

Isso é verdade.

Precisamos conversar.

Conversar? Sobre o quê?

Já dissemos tudo.

Venha.

-Não sou um animal. -É, sim.

Venha para a cama. Não viemos aqui por nada.

Eu trouxe uns trabalhos.

Tenho uma prova na segunda.

Não pense que vai fugir.

-Vou violar você. -Por favor, não.

Safadinha.

-Olá. -Oi.

Como vai?

-Este é Sullivan. -Olá.

Ele tem um quadro que pode ser de Jacques-Émile Blanche.

-Queria que você visse. -Certo.

-Vamos, 3 mil. -Pare!

É um quadro bonito, mas é falso.

A assinatura é apócrifa.

E é minúsculo!

-Mas é verdadeiro. -Honestamente, não é.

É falso.

2.500 está justo. É um favor.

-Se arrependeu? -Não.

Paris-Caracas pela TAP Portugal,

no dia 10 de setembro, às 18:40h.

Olá!

Ficou maluco?

Posso subir por aqui e pular a janela.

Até parece. Desça.

Bobo!

Vamos escolher nosso quarto.

Nada mal.

É perfeito.

É o quarto das crianças.

Por que escolher o que tem menos espaço?

Pra não perder tempo procurando você na cama.

Não tem ninguém.

É a casa dos meus sonhos.

Depressa, estou precisando.

O sexo, sempre o sexo!

É a única coisa que interessa a você.

Não quer ler um pouco, pra variar?

Temos o resto da vida pra sermos sérios.

Vamos aproveitar enquanto somos jovens.

Já que insiste.

Vai se levantar logo?

Não...

Vou fazer compras, então.

Onde você estava?

Fez um tour pela região?

Não seja assim.

Eu disse que não queria ficar sozinha em casa.

-Não posso confiar em você. -Camille...

Não quero que você viaje.

O que vou fazer sem você?

Não pode concentrar tudo em mim.

Deve viver sua vida.

Precisamos ter experiências para compartilhar, senão...

Senão o quê? Tem medo do tédio?

Sim, talvez.

Medo que você se entedie também.

Nunca vou me entediar.

Vai conhecer outras garotas e me esquecer.

Não vou pra lá conhecer garotas.

Vou fazer uma coisa boa, trabalhar, aprender...

Vou me tornar uma pessoa de verdade.

E a nossa vida, não vale nada?

-Não sou nada pra você? -Sabe que não é assim.

Amo você, Camille.

Mas você quer ser tudo.

Não é possível.

Mas você é tudo pra mim.

Se eu perder você, não vou sobreviver.

Quando diz isso, fico a fim de deixar você.

-Você é cruel. -Não, você é cruel.

-Eu? -Sim.

Com sua incompreensão e suas ameaças.

Venha.

Me deixe!

Estou farto das suas lágrimas.

É porque você não me ama.

Se disser isso mais uma vez, juro que acabo tudo!

Sim, vou viajar e volto em dez meses!

Não é o fim do mundo!

Está pronto!

Mostarda?

-Tchau, Sullivan. -Tchau.

Boa viagem.

Não fique assim. Vai passar rápido.

Ele adoeceu e morreu em 1924.

Lênin deixou um testamento.

Ele apoiou abertamente seu companheiro Leon Trótski.

"Camille, meu amor,

Escrevo depois de três dias na estrada.

Três noite sem cama

em que pisei o chão só pra trocar de ônibus.

Você está longe

que parece que vou morrer de amor.

Amanhã tenho um tempo livre.

Eu poderia ligar, mas não quero fazer isso.

Não fique aborrecida.

Ouvir sua voz sem poder tocá-la já é difícil,

mas suas lágrimas e reprovações partem meu coração.

Sempre que nos falamos, me sinto mal.

Acho que acontece o mesmo com você.

Meus longos silêncios incomodam você.

Mas como partilhar minhas experiências?

Como contar minha viagem se cada detalhe machuca você

e você toma tudo como um insulto?

Como se o que estou vivendo fosse algo contra nós.

Não é verdade.

Amo você com todo meu coração

e esse amor é a coisa mais preciosa que eu tenho.

Eu o levo sempre comigo.

Nunca se esqueça disso".

Vá ver se seu pai precisa de ajuda.

"Estou há dez dias nas montanhas,

escondido num refúgio às margens de um rio azul

que corre através de uma ravina.

Um refúgio onde tudo é tranquilo,

onde a floresta preenche você.

Me sinto cada dia mais longe de Paris,

da vida que eu levava lá e das pessoas que conhecia.

Estou buscando uma paz que talvez seja utópica.

Em Paris, eu jamais encontraria um equilíbrio.

Cada vez que me permito mudar,

me aproximo mais desse ideal.

Mas você não me deixa fugir.

Você me persegue onde quer que eu vá.

Procuro você quando beijo outras.

Acho que amo você, mas queria que você desaparecesse.

Não quero ser mais nada para você.

Eu sonhei tudo isso

e não sei se resta algo daquilo que nos dissemos".

Bom dia.

Muito bem, vamos começar.

A data de hoje é...

6 de fevereiro...

de 2000.

Esta é a obra de um filósofo alemão, Leibniz.

Na verdade, o filósofo mais importante do seu tempo.

A ideia de Leibniz, simplificada por Voltaire,

é de que tudo vai bem no melhor dos mundos.

O que quer fazer esta tarde?

Quer ler?

Talvez.

O MODULOR Le Corbusier

Não tem nada mais leve?

Precisa virar a página agora.

Não é, minha querida?

Senhoritas, estão atrasadas!

Têm dois minutos pra se trocar no final do corredor!

Enlouqueço de ficar horas em pé sem fazer nada.

Nem pensar eu consigo.

Não pode comer o meu carpaccio!

-Não seja má. -Não é pra você.

Isso é o meu jantar.

-Não vai comer meu carpaccio. -E o que vou comer?

Não pode me matar de fome.

Coma um pouco de queijo.

Tome.

-Tem pão? -Não.

Tem biscoitos.

Viu seu pai?

Jantamos juntos na semana passada.

E a namorada dele, como é?

Parece que ela quase não fala.

Não tente arrancar isso de mim.

Não estou tentando. Eu não ligo.

O que você acha? Estou contente por ele.

Seu projeto tem qualidades.

Sua lógica é singular e demonstra um certo rigor.

Porém... há um problema básico.

Um alojamento de estudantes não é para passear,

para enlevo espiritual, essas coisas.

Gostei da forma como aproveitou o terreno.

Você quer trabalhar a horizontalidade. Ótimo.

Mas não se esqueça da funcionalidade.

As sacadas, as árvores, o lago, tudo bem.

Os reflexos na água ficaram bons.

A ideia de uma ponte para a biblioteca também.

Mas onde ficam os estudantes?

Não há quartos suficientes.

E são muito pequenos.

São armários.

Elegantes, com janelas grandes, mas são armários.

No inverno, os estudantes vão andar um quilômetro até o refeitório?

E você parece dar mais importância à água

do que aos espaços coletivos, relegados ao fundo.

Seu projeto é mais adequado

para um retiro solitário do que para a vida coletiva.

O que você imaginou é um mosteiro.

"Uma casa deve agradar a todos,

diferente da obra de arte, que não precisa agradar a ninguém.

A obra de arte é a expressão íntima do artista.

Não é assim com as casas.

A obra de arte entra no mundo sem que se sinta sua necessidade.

A casa, porém, atende a uma necessidade.

O ser humano gosta daquilo que lhe dá conforto.

Ele odeia tudo que o arranca de sua posição segura,

tudo que o incomoda.

É por isso que ele ama a casa e odeia a arte".

"Quatro anos e o quê? Nada, só silêncio.

Cada dia é apenas mais um dia sem ele.

Mas eu tenho uma vocação.

É uma razão para viver. Isso não é imenso?"

Merda!

Esqueci de avisar.

Não.

Por que não?

Porque não.

Não estou com vontade.

-Pare, está me incomodando. -Está de sacanagem?

Pode dormir aqui, mas não quero que me toque.

Estão todos aí?

Alexandre, pode fechar a porta?

Hoje quero falar da forma de uma coisa.

E essa coisa é o lume.

Que forma isso pode ter?

No fundo, o que é um lume?

Uma luz bem fraca?

De onde pode vir?

-De uma vela? -E do que mais?

-De um olhar? -Sim.

De um reflexo?

De um material reluzente?

-Dizemos "o lume da esperança". -Sem dúvida.

Do crepúsculo ou da aurora?

Falamos do primeiro lume da aurora.

Esta palavra tem uma conotação positiva ou negativa?

Um lume.

É uma coisa que desejamos ver?

Isso faz pensar em que, como forma, como representação?

Podemos dizer que é um resto, um traço de luz?

-É o que escapa da escuridão? -Bom.

Em geral, um lume implica...

luz e escuridão.

O que acham?

Eu estava relendo um texto de Tadao Ando

onde ele diz que não encontramos mais, nas casas,

"um canto onde algo reluza, onde algo aconteça".

Pensem nisso, porque isso falta nos seus projetos.

O problema é que para vocês a luz é algo evidente,

mas falta alguma coisa,

essa sutileza que faz a diferença.

Algo que podemos chamar de "percurso".

Vocês abordam a luz de uma forma muito...

literal, muito mecânica.

Ela deve ser também a expressão de uma dúvida.

Devem recomeçar do zero,

repensar a edificação a partir do interior, da escuridão,

como se começassem com uma massa de sombras.

Para começar, me digam uma palavra associada à escuridão.

Respondam sem pensar, não precisam ser originais.

-A noite. -O vazio.

-Um segredo. -A morte.

Estão vendo?

A arquitetura se preocupa com todas essas palavras.

Vamos falar disso tudo, mas pensei em uma coisa,

algo essencial ligado a tudo isso.

-O passado? -Quase.

A memória.

...nos pediram uma proposta suplementar,

que enviamos na semana passada.

Ainda não nos pagaram pela primeira.

Já estou indo.

Laura, pode continuar?

A superfície visível

representa metade do projeto, como um iceberg.

Imaginem este portal

como a representação de uma cidade ideal,

totalmente ordenada,

onde a cultura é a expressão mais perfeita.

"... mas que absorvem, de forma plana e funcional,

o mundo pictórico com uma alegria silenciosa".

Não tive chance de comentar, mas gostei da sua nova casa.

Existe, no seu trabalho,

uma coragem e maturidade raras na sua idade.

O que levou você à arquitetura?

Não sei.

Os lugares me influenciam e preciso compreendê-los.

É uma linguagem que entendo mais que as outras.

É a única coisa pela qual eu moveria montanhas.

E você, como se tornou arquiteto?

No início, eu não queria ser.

Queria ser clarinetista.

Mas tive um problema e não pude continuar.

-Se arrepende? -Não, de forma alguma.

É uma boa profissão, mas muito solitária para mim.

Seria uma pena irmos embora sem dar um mergulho.

E queria lhes mostrar este lugar que eu acho incrível.

Antes, ninguém usava esta praia

entre o aeroporto e a zona industrial.

Desde que construíram isso, está sempre cheia.

As pessoas vêm de Copenhagen passar o dia aqui.

É uma construção lúdica que respeita o ambiente.

Tem uma forma calma,

difícil de imaginar perto do aeroporto.

É abrigada do vento e devemos ir conhecê-la agora!

"A solidão não pesa sobre mim, pela primeira vez...

O céu parece se abrir, por fim..."

-Olá. -Olá.

Já vou.

O que você quer fazer?

Planejamos ir ao Louvre.

Não se cansou dos museus?

Pelo contrário.

Estou recuperando o tempo perdido.

Nunca me fala de você.

Não quero entediar você com minhas histórias.

Prefiro falar de coisas mais interessantes.

Por que sua vida não seria interessante?

Sua família?

Não é isso...

Estou no meio de um divórcio, é difícil.

Quando estou com você, não quero pensar nisso.

Meu filho, Nils, vive com a mãe.

Você nunca o vê?

Claro que sim. Vou a Berlim todos os fins-de-semana.

Exceto os que passa comigo.

Exceto esses.

Como você, não tenho nostalgia do passado.

Só o futuro conta.

Os anos que vieram antes de conhecer você

são um nada, um vácuo.

Só restou sofrimento.

Não devia pensar assim.

Na sua idade, nada se perde.

Mas a vida não é como se espera.

Sua ilusão do mundo está fadada a ruir.

Cabe a você transformá-la em algo mais profundo, mais real.

É assim que você se tornará você mesma.

-Tome. -Obrigada.

Na próxima ida ao Louvre,

vamos percorrer o mesmo trajeto.

Assim eu aprendo tudo.

Preciso fazer tudo duas vezes para guardar na memória.

Não jogue fora os lustres, coloque no depósito.

-E as grades? Mando retirar? -Não.

Leia o relatório. Elas estão perfeitas.

Camille, não ande por aí!

-Não seja imprudente. -Não tem problema.

Este granito está impecável.

Sim, depois de um século de uso.

É uma maravilha.

Se lembra daquele chão de granito em Dessau?

E veja como a drenagem é sofisticada.

Sim, eu sei.

A calha forma um eixo com o cano de drenagem

e a água cai nesta caixa aberta.

O tubo vinha até 10cm acima.

É bonito combinar o tubo com uma forma quadrada.

Vai manter isso, espero.

Veja o que vamos fazer.

O cano de drenagem e a caixa.

Restauramos uns tijolos de vidro para que a água seja vista.

Isso vai dar um efeito de percurso.

É importante manter a ideia da coluna não tocar a caixa,

que redistribui a água como um canal.

A água é controlada, mas livre.

Eu queria recolocar a janela no primeiro andar.

-Ela faz falta. -Fale mais baixo.

É uma embaixada. Não precisa virar um bunker.

Com licença.

Selma?

Olá.

Camille! Como vai?

Sullivan vai bem? Ainda está na América do Sul?

Não, ele voltou faz tempo.

Graças a Deus.

-Se ele quiser me ligar. -Certo, vou dar o recado.

Pensei sobre as janelas. Quero refazê-las.

Vamos propor outro lugar para os dutos de ventilação.

-Eles vão dizer não. -Isso não me interessa.

Não aguento mais!

Tivemos de derrubar uma parede que estava boa!

Venha até aqui para ver!

É você quem vai pagar!

Vai ser liberado na semana que vem.

-Anne vai enviar tudo. -Está bem.

Sim, eu liguei na sexta sobre um gerador quebrado.

Você mandou consertar e ele quebrou horas depois.

OLÁ, É SULLIVAN.

PODE ME LIGAR? ESTOU COM MEDO.

Ainda tem o seu estúdio?

Não moro mais em Paris.

Faz três anos que moro em Marselha.

Mas venho sempre aqui

para ver meus amigos e meus pais.

Também venho a trabalho.

-Não vim só pra ver você. -Eu imaginei.

Está trabalhando?

Sou fotógrafo.

Era o que você queria.

É um jornal da região. Eu cubro "faits divers".

Abri um negócio com um amigo. Fazemos de tudo.

É o que me permite sobreviver.

-Gosta de Marselha? -Gosto, sim.

Nunca me adaptei a Paris.

Me sinto deprimido aqui.

Um amigo meu tem uma casa em Cassis.

Vamos pra lá nadar todos os fins-de-semana.

Vamos sair? Quero caminhar um pouco.

Trabalho para um arquiteto norueguês que vive em Paris.

Espero ter minha própria firma em alguns anos.

Vai ser arquiteta?

Estou impressionado.

Eu nunca imaginaria.

-O que achava que eu seria? -Não sei.

Nunca pensei nisso.

-Você mora perto? -Na Bastilha.

Mas vou morar com meu namorado.

-Faz tempo que estão juntos? -Tempo suficiente.

Amo ele tanto quanto amei você, mas de forma diferente.

Esse relacionamento me mudou, me deu força.

Sinto muito ter feito você sofrer.

Você queria sua liberdade.

Tudo parece tão distante agora.

Parece outra pessoa, outra vida.

E você, está com alguém?

Namorei muito tempo com uma garota, mas brigamos recentemente.

-Além dela, só aventuras. -Aventuras?

Você não?

Na verdade, não.

Que pena.

Dói ouvir isso. Nem queira saber.

Não quis ofender você, falei por falar.

-Preciso ir. -Já?

Tenho um compromisso às 19:00h, do outro lado da cidade.

Então vá.

Quero substituir o concreto por quatro pilares de metal

revestidos de zinco.

Restaurar esse terreno e fazer unidades menores, mais humanas.

Posso falar com você? É urgente.

E adicionar umas faixas de grama...

Estou sangrando.

Está sangrando?

Desde quando?

Faz uma hora.

Chamei um médico.

Foi um aborto espontâneo.

Precisamos fazer uns exames.

Eu já amava o meu bebê.

Eu sei.

Vamos fazer outros?

É claro.

Mas por quê?

Eu estava pronta.

Você tem tempo.

Você é bem jovem.

Está com muita pressa.

É sorte minha ter encontrado você. É um milagre.

Eu é que tive sorte.

Você nem sabe como ilumina minha vida.

Oi.

Eu estava com uns amigos e perdi a hora.

Tanta gente pra ver em tão pouco tempo.

Quase fui embora.

Obrigado por me esperar.

Por que veio a Paris?

Estou pintando um apartamento.

Estou trabalhando como louca.

Nossa firma ganhou um projeto e estou chefiando tudo.

Não achei que isso aconteceria tão rápido.

Que ótimo. Parabéns.

Vamos ver se tem lugar lá em cima.

Com licença.

Mas a pressão é enorme.

Talvez eu nunca consiga encarar isso.

Claro que vai conseguir.

É aqui.

Muito chique.

Quase me esqueci...

Tirei neste verão.

Prefiro que não veja na minha frente.

Como quiser.

Volte para o seu arquiteto.

-Muito ruim, esse filme. -Não gostou? Que pena.

-Você gostou? -Bastante!

Não acredito. Do que você gostou?

Dos personagens, dos diálogos, da história. Tudo.

Não entendo você. É francês demais!

Os atores são irritantes, é verborrágico, complacente...

-Achei horrível. -Você não entende nada.

É lindo e profundo. Você não é sensível.

Não quero discutir com você.

Vejo que você ainda tem o monopólio da sensibilidade.

E eu vejo que seguimos discordando.

Essa é a única coisa com a qual concordamos.

Nossos gostos não combinam.

Mas combinamos no essencial.

Acho que não.

Mas isso não me impede de amar você.

Sempre vou amar você e não sei por quê.

Camille, pare!

É verdade.

O que está fazendo?

-Vai me abandonar? -Acha que quero ir?

É culpa sua estar indo.

Basta você ficar!

-Olá. -Olá.

Tome cuidado, li coisas horríveis nos jornais.

É ao norte, não é em Aden.

Eu ligo quando chegar.

Tudo bem? Não está contente de me ver?

Só pensei em você a semana toda.

Quer beber alguma coisa?

Só quero ficar com você.

Só nós dois, mas não é possível.

Sim, é possível.

Temos a noite inteira.

Camille, você é doida.

Não é o que você quer?

Sim, mas...

E depois? E amanhã?

O que vai acontecer?

Obrigada.

Senti tanto sua falta.

Como pudemos ficar longe tanto tempo?

Você me deixou.

Esqueceu?

Não.

Nunca deixei de amar você.

Nem um minuto, nem um segundo.

Você está em mim como uma doença.

Não diga isso.

A janela não abre.

Tem um duto atrás.

Não tínhamos opção.

Mandamos botar o duto aqui, perto da chaminé.

Vamos ter que refazer a coluna,

mudar a fiação, quebrar a betonilha.

-Não vai dar tempo. -Veja o projeto.

Vamos fazer exatamente como está ali.

Trouxe música. Trouxe cobertores.

Trouxe até comida pra depois.

-Depois do quê? -Depois do amor.

Você sempre tem fome.

Planejou tudo.

E como é esta cama?

Você não é mais aquela jovem pura.

Meu coração é puro como antes.

Mas você é infiel.

Com um homem que ama você e que você ama.

É problema meu.

Estou feliz de rever você.

É o quarto de Nils, o filho de Lorenz.

Ele mora com a mãe.

Este é o quarto de hóspedes.

Vamos dormir aí.

Sou eu. Você está?

Não está? Alguém em casa?

Ninguém?

Ninguém mesmo?

Atenda, se quiser.

Eu fico quieto.

Vou tentar a casa da sua mãe.

Alô?

Acabei de chegar.

-Pra mim? -Abra.

Gostou?

Obrigado.

Não chore.

Quero viver com você.

Quero que você seja minha mulher.

Quero ter filhos com você.

O que é isto?

Uma camisola pra você tirar.

-Vou apagar. -Não, não...

Quero ver você.

Estou indo.

O trem é às 17:00h, mas quero ver meus pais.

Quando você volta?

Vai demorar um pouco.

E você, não pode ir a Marselha?

Quer que eu vá?

Vai conhecer a minha casa.

Vai conhecer meus amigos.

Até logo.

Ele pegou o corredor de ônibus,

atravessou vários sinais e resistiu à prisão.

Esse suspeito em fuga, como definiu a polícia,

provocou uma perseguição bastante insólita

pelas ruas escorregadias da capital.

Esqueci de dizer que vou passar o fim-de-semana na casa de Anna.

Quando? Amanhã?

-E eu? -Você fica.

Entendi.

-Vai viajar amanhã. -Sim, amanhã.

Está bem.

Não é legal. Eu acabei de voltar.

Eu sei, mas já cancelei uma vez.

Se furar de novo, ela me mata.

E não estou convidado?

É só pra mulheres.

Bom. Beleza. Ótimo.

Você sempre diz isso.

Que merda, então!

Esse chato de novo! Preciso atender.

ATRASADO 40 MINUTOS

DEVIDO A UMA GREVE, OS TRENS ESTÃO IRREGULARES

PREVISÃO DE TRÁFEGO WWW.SNCF.COM

MARSELHA CANCELADO

NÃO SE PREOCUPE, NÃO FIQUE TRISTE...

DE TODA FORMA, ESTOU COM MUITO TRABALHO.

FICA PRA PRÓXIMA? S.

-Olá. -Olá.

Um quarto para duas noites, por favor.

-Pode botar estas fotos no site? -Sim.

Estou de férias e adivinha o que fiz o dia todo?

-O que você fez? -Nada.

-Foi bom? -Foi demais.

-Tome. -Obrigada.

Desde que seu pai se foi, estou viva de novo.

Ele tinha muitas qualidades.

Não fazia mal a uma mosca.

É um homem muito bom.

Mas isso todos os dias... haja saco!

E pensar que aguentei isso por 20 anos!

Adoro ficar jogada na frente da TV.

Ah, quase me esqueci!

Uma carta para você.

Quem ainda escreve pra você neste endereço?

"Camille,

Sonhei com você esta noite, dormindo com outra mulher.

Você esperava um filho meu.

Agora, como esquecer essa imagem?

Vou deixar você porque é tarde ou cedo demais para recomeçar.

Porque você está longe e já sofro demais.

Vou deixá-la porque não sei viver com esse amor que não controlo.

Mas sei que nossos laços são mais fortes que o tempo

e deixo você na esperança de reencontrá-la um dia,

quando seremos mais livres, mais velhos,

mais dignos do nosso amor..."

Venha comer.

Não acredito. Não pode ser ele!

Quando vai superar esse amor?

Lorenz?

Lorenz, cadê você?

-Estou atrapalhando? -Claro que não.

Quer descer até o Loire?

-Agora? -Enquanto há sol.

Posso ir encontrá-la daqui a meia hora?

Está bem.

Pegue um cajado para as cobras.

E um chapéu!

ADEUS PRIMEIRO AMOR

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