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As caracter�sticas pr�prias dos procedimentos de elabora��o
da normativa sindical
n�o permitem definir um prazo definitivo,
mas sim, desde j�, anunciar sua proximidade.
E, finalmente,
o estudo e a reda��o de um estatuto
do direito de associa��o, para promover
a conflu�ncia de crit�rios
conforme princ�pios e normas de nossas leis fundamentais.
Sem precisar indicar um prazo,
o governo deseja que as entidades associativas
reconhecidas e reguladas pelo estatuto
possam estar em breve na vida pol�tica nacional.
Meu pai � bicha.
Isso mesmo. "Meu pai � bicha."
Bicha...
"Minha m�e � puta, meu pai � bicha."
Meu pai � bicha.
Minha m�e � puta.
De novo.
Meu pai � bicha.
Minha m�e � puta.
O dinheiro, Emilio.
Eu n�o sei de nada!
Pense bem.
N�o aguento mais!
Aguenta, sim. � s� dizer onde o dinheiro est�.
Eu n�o sei! N�o sei...
Acho que ele caiu.
Ele caiu e bateu a cabe�a.
E ele teve... Como se chama mesmo?
Um derrame.
Foi o que me contaram. Voc� nunca caiu, por acaso?
Por favor...
N�o, por favor. Por favor.
Por favor.
N�o aguento mais, n�o aguento mais.
O discurso de Arias Navarro caiu como uma bomba.
Eu achava que o regime seria eterno.
Que duraria para sempre.
E, naquele momento, eu pensei:
"Caramba!
As coisas v�o mudar mesmo".
Voc� n�o pode ficar aqui.
As visitas come�am �s seis.
O que aconteceu com ele?
Ele teve um derrame cerebral.
Se quiser saber mais, fale com o m�dico.
Obrigada.
Est� de cabelo preso e saia cinza.
"N�o, � marrom."
N�o, � cinza.
A saia � cinza, Kiko.
E ela est� linda...
"Ela parece triste."
N�o, Kiko. "Sim, muito triste."
�, voc� tem raz�o.
Mas n�o podemos contar isso ao Justo.
N�o podemos contar.
O mais prov�vel � que ele n�o se recupere?
Certo. Ent�o por que o levaram ao hospital?
Achamos que ele s� estivesse desmaiado, delegado.
O Emilio � diretor de teatro, conhece muita gente.
E agora � um vegetal.
Me diga. De que nos serve um vegetal?
O que vamos fazer com ele, Mateo? Vamos com�-lo?
Com um molhinho de ostras?
Salteado com piment�o e aspargos?
Com licen�a, delegado. O derrame n�o foi culpa nossa.
�timo. Diga isso ao bispo, que j� est� nos enchendo.
Agora estamos nos democratizando!
- Democratizando? - Voc�s t�m problemas?
N�o viram Arias Navarro prometendo liberdades?
Sim, mas � um pu parler...
Que pu parler, seu poliglota de merda?
As pessoas ficam valentes!
Vai ver o levaram ao hospital por isso,
para n�o sujar suas m�ozinhas.
Todos aqui est�o de m�os sujas, delegado.
- Todos. - Agora � hora de lav�-las.
E ter um cara hospitalizado n�o ajuda em nada.
Ele � o tesoureiro de uma organiza��o ilegal.
Mas onde est�o as malditas provas?
Preciso apresentar provas aos padres!
Aos tecnocratas de Madri.
Aos que v�o pedir cabe�as, porque isso vai acontecer!
Vamos resolver, delegado.
Mas o que � isso, meu querido?
Uma promessa? Uma boa inten��o?
Vou falar com o meu informante.
Foi ele que me deu a dica.
Fale com o seu informante. Fale com ele.
Com licen�a.
A Carme estava muito tranquila.
Estava muito tranquila.
Pare, pare, pare...
N�o sei como voc� tem habilita��o.
N�o tenho.
O Kiko me ajuda.
Ele diz: "Freia, Hilario!" E eu freio.
Ele diz: "Acelera, Hilario!" E eu acelero.
Vimos a Carme no hospital.
Como ela estava?
Estava...
preocupada.
- Preocupada? - �, um pouco preocupada.
Tinha algu�m com ela?
S� o m�dico. Ele ficava olhando para ela.
� que a Carme � muito bonita.
E depois, para onde ela foi?
- Para casa. - Nenhum policial apareceu?
Eu n�o vi nenhum. Devo continuar espionando?
N�o est� espionando, est� protegendo.
Eu n�o ligo de seguir a Carme.
Ela � t�o doce...
"Acho que estou apaixonado."
N�o diga isso, Kiko! O Justo vai ficar bravo.
Hilario, pegue o carrinho. Vamos.
Est� tramando alguma coisa com a Carme?
Me d� isso. Me d�.
Uma vez, levantei uma pedra para procurar siris
e achei cobras escondidas.
- � mesmo? - �.
Agora sei que as cobras ficam embaixo das coisas.
Certo.
Este palco que estamos montando
� para a Carme?
�, sim. � um teatro.
Ouviu s�, Kiko? Vai ser uma casa-teatro.
Ele tamb�m quer morar aqui.
Desculpe, Kiko. Mas � s� para a Carme.
E se ele virar ator?
Voc� est� maluco.
E voc� tamb�m.
Voc� tinha que ver como o deixaram.
Pronto, querida.
Pronto, pronto.
Pronto. N�o se meta em confus�o.
O pessoal quer protestar na delegacia.
Nem pense nisso!
Mas prenderam o Emili sem provas.
- Voc� p�e a m�o no fogo por ele? - A prioridade dele � o teatro.
N�o foi no teatro que ele se meteu em confus�o.
Voc� sabe disso.
Tudo bem?
� essa maldita angina...
Tio, n�o posso ficar de fora.
Claro que pode.
Sem o Emili, voc� � a respons�vel pelo teatro.
Se arrumar problema, v�o todos para a rua!
- Mas as coisas est�o mudando. - Mudando uma ova!
Enquanto Franco n�o morrer, n�o vai mudar merda nenhuma!
Contei que ele se mijou todo?
- O Emili? - Sim, o Emilio.
Um cara que faz isso e n�o fala nada?
E pensei: "Ele n�o fala porque n�o sabe de nada".
- Claro que sabe. - Voc� tem certeza?
- Voc� n�o? - Eu n�o.
E, se n�o tenho certeza, crio filmes.
Que filmes?
Que filmes, Mateo?
- Um filme de amor. - De amor?
De amor.
Sabia que a namorada do Emilio � Carmen Rom�n?
Sim! A sua Carme!
- A que denunciou voc�! - O que isso tem a ver?
Acho que voc� nos pediu a licen�a para a pe�a
para fazer um favor a ela.
Ela me odeia, voc� sabe.
O �dio � carinho, como diz aquele bolero.
Eu nem vi essa mulher!
Venha aqui.
Sou seu amigo.
De verdade.
- Ent�o n�o me ferre. - N�o fiz isso.
Mateo, eu juro. O Emili � o tesoureiro.
- Ent�o me traga uma prova. - N�o d�, estou queimado.
Voc� vai saber quando estiver queimado.
Se voc� n�o resolver, vou prender o grupo todo.
At� a Carme.
Se voc� n�o achar provas, eu invento. Voc� j� sabe.
O Justo est� mentindo.
Que filho da puta... Como voc� sabe?
- N�o sei, mas est�. - Dedo-duro de merda...
O Justo estava sempre me enrolando.
Me enrolando, enrolando...
Ele queria ganhar tempo, � isso,
mas eu entendi qual era a dele.
E fiquei irritado.
Senti que ele me achava um idiota.
Falei com o pessoal do teatro. Vamos continuar com a pe�a.
Vamos anunciar no r�dio.
E quem aparecer vai nos apoiar.
V�o falar de voc�, Emili.
E isso � �timo.
V�o se lembrar de voc� e das coisas boas que fez.
Do que voc� fez pelo teatro, pelos atores...
por mim.
Tem passado muita coisa pela minha cabe�a.
Me lembrei do que costum�vamos conversar,
do que discut�amos...
Sonhei com voc�.
N�o pense que � uma despedida, porque n�o �.
Mas vou sentir a sua falta.
Bravo!
- Anistia, liberdade! - Anistia, liberdade!
- Muito obrigada. - Obrigada.
- Tchau. - Obrigada.
- Tchau. - Tchau.
Me espere, est� bem? Eu j� vou.
Quase fiquei sem ingresso.
Gostei muito da pe�a.
A Nora...
A Nora, n�o?
Que hist�ria!
Que bom que continuou com o teatro!
� pelo Emili.
Eu sei.
- Alguma not�cia dele? - Est� na mesma.
Escute...
Carme, precisamos conversar.
� importante.
Muito importante.
Voc� se lembra do meu amigo que conseguiu a licen�a
para a sua pe�a?
Ele disse que a pol�cia vem atr�s de voc�.
- De mim? - Querem provas contra o Emili.
- Mas ele � inocente. - �, eu sei. Eu sei.
Eu sei, mas eles v�m atr�s de voc�,
e voc� precisa inventar alguma coisa.
- O qu�? - A pol�cia est� desesperada.
N�o sabe do que s�o capazes.
- N�o sei de nada. - N�o diga isso!
- Vai ser pior. - Como voc� sabe de tudo isso?
- Meu amigo me contou. - Quem?
N�o importa, Carme. N�o importa quem ele �.
Vim porque n�o quero que aconte�a nada com voc�,
nem que seja castigada por culpa do Emilio.
E o que voc� quer?
Diga que o Emili se relacionava com a Assembleia da Catalunha.
E que guardava dinheiro para eles.
- Mas por que preciso dizer isso? - Sen�o, eles v�o inventar!
O Emili est� em coma, Carme.
� uma desgra�a, mas n�o vai mudar nada para ele,
mas para voc�...
Eles podem destruir a sua vida.
V�o acusar voc� de c�mplice e v�o fechar o teatro.
Quer que eu ajude a pol�cia contra o Emili?
N�o � ajuda, � uma estrat�gia.
Se o Emili estivesse aqui, ele entenderia.
Mas ele n�o est� aqui.
Ele est� morrendo em um hospital.
Se voc� fizer o que eu pedi, ningu�m se prejudica.
A pol�cia vai ter o que quer, voc� vai ficar com o teatro.
E o Emili vai sair como her�i.
Sei que n�o confia em mim,
mas vou fazer de tudo para ningu�m machucar voc�.
Acredite se quiser.
Acredito, Justo.
- Mas n�o vou fazer isso. - Eu sabia que voc� diria isso.
Eu sabia.
Mas eu tinha que tentar.
Vou achar outro jeito de ajudar.
N�o precisa fazer nada por mim.
Preciso.
Preciso, sim.
Preciso.
Eu lhe devo isso.
O que aconteceu?
N�o sei. Ele est� com dor no peito.
Meu Deus!
Tio?
Tio...
Como voc� est�?
Oi.
- Onde fica o banheiro? - No fim do corredor.
Voc� precisa de uma tartaruga, Justo.
Eu?
Est� muito angustiado.
- E as tartarugas resolvem? - Sim. Elas limpam tudo.
As energias ruins, o medo... Voc� tem medo?
Todo mundo tem medo.
Eu n�o. Nem o Kiko.
- N�s vivemos em outro mundo. - Eu j� sei disso.
Quando olho para o Kiko, sinto muita paz.
E alegria... como se fossem bolhas de sab�o coloridas.
Eu tamb�m j� senti isso. O nome � LSD.
- De verdade? - �, de verdade.
Mas voc� e o Kiko sentem isso o tempo todo.
"O Kiko e eu" n�o. N�s somos um s�.
� mesmo?
Voc� acha que ele � minha mascote, mas n�o �.
O Kiko sou eu. E eu sou o Kiko.
E voc�s dois vivem em um mundo cheio de bolas coloridas.
De bolhas. De bolhas.
De bolhas.
Pode me dar mais papel?
Por que precisa de tantos nomes?
Estou fazendo uma lista.
Uma lista de qu�?
De pessoas que deram dinheiro para o partido.
- Que partido? - Um que eu inventei.
- Est� escrevendo um livro? - Isso.
- Mais ou menos. - Sobre o qu�?
Um cara que n�o quer causar problemas.
Para isso, ele diz nomes falsos.
Isso � crime.
Voc� pode acabar passando muito tempo na pris�o.
- Voc� n�o sabe de nada. - Sei, sim.
Eu li em um livro, "O Conde de Monte Cristo".
� uma hist�ria de masmorras. O Kiko e eu n�o gostamos disso,
mas � uma hist�ria muito linda e muito triste tamb�m.
Tinha um senhor velhinho muito bonzinho
que acabou...
Acabou morrendo sozinho.
Em uma cela.
Hilario. Hilario, escute.
� um romance. � uma hist�ria, n�o � real.
� que eu me lembrei...
Me lembrei de uma coisa que precisava contar para voc�.
O que �?
Hoje eu vi a Carme chorar.
- Por qu�? O que aconteceu? - Porque...
Fizeram alguma coisa com ela? O qu�?
O qu�, Hilario? O que aconteceu?
O tio dela morreu.
E de quem s�o esses nomes?
Que droga...
Publicaram uma nota no "Le Monde" sobre o Emilio.
Sente-se. Mencionaram o meu nome.
N�o param de me ligar de Madri.
Tome, beba isso. Nem tudo � s� trabalho.
Vamos resolver.
Houve um tempo
em que nem lig�vamos para o que sa�a no "Le Monde"
e no "Financial Times".
Quem diria, n�o �, Mateo?
Sabe por que o "R�quiem" � t�o bom?
"R�quiem"?
Foi a �ltima obra de Mozart.
Ele morreu antes de terminar,
mas escolheu o melhor aluno para finaliz�-la.
Ele se chamava S�ssmayr.
A segunda parte do "R�quiem", depois do "Domine Jesu Christe",
� mortal e de autoria dele,
mas brilhante como a de Mozart. Acho que at� prefiro esta.
� preciso ter bons alunos, Mateo.
Da Vinci nunca teve. Aquele maricas
procurava garotos na tenra idade,
em vez de procurar homens com talento.
- Posso? - Claro que sim.
Para salvar a Espanha,
precisamos de uma mente como a de Mozart.
N�o como a de Da Vinci.
Com Da Vinci, ter�amos Navarro, o Rei Juan Carlos.
E n�s precisamos de um S�ssmayr.
Um, ou dois, ou tr�s! Ou mil!
Mas, seguindo seu racioc�nio,
Mozart � Franco.
Mozart � Franco.
Escute...
- Voc� conhece o CEDADE, certo? - Conhe�o. Dos nazistas.
Isso. Eu vou muito l�.
Tenho amigos veteranos da guarda de Franco,
da Divis�o Azul.
E estamos falando de fazer umas coisas.
Que coisas?
Montar uma organiza��o hierarquizada
para o que puder acontecer.
Se precisarem cortar cabe�as, v�o cort�-las.
Voc�, Mateo.
Est� pronto?
Para ser sincero, delegado,
eu n�o entendo muito sobre o fascismo, sabe?
Deve ser porque sou meio lerdo.
Esse assunto de ideologias �...
- Dif�cil para voc�. - Isso. � dif�cil para mim.
Escute...
por que n�o aparece na CEDADE e escuta uma palestra?
Com certeza vai esclarecer.
Tudo bem. Claro que sim.
Vou poder ensinar a voc� tudo que sei.
Como Mozart fez com S�ssmayr.
N�o trabalhe muito.
- Pode subir. Eu j� vou. - Tudo bem.
Est� bem.
Sinto muito.
Obrigada.
Minha tia quer vender a gr�fica e ir embora.
- Para onde? - Para Tarragona. Ela � de l�.
- E o que voc� vai fazer? - Minha vida � em Barcelona.
Por que tudo acontece ao mesmo tempo?
- Tudo? - O Emili, o meu tio...
Uma vez, li um ditado chin�s que dizia:
"Ap�s a aniquila��o, descobrimos que somos indestrut�veis".
- Aniquila��o? - Isso.
� sobre ir at� o fundo do po�o.
Aconte�a o que for, alguma coisa sempre sobrevive.
- Como o qu�? - Voc� precisa descobrir.
Alguma coisa que fica com voc�, que ajuda a seguir em frente.
- O teatro. - Que seja o teatro.
Sabe, estou reformando uma casa em Vallirana.
Em Vallirana?
Lembra que voc� queria morar l�?
Perto da montanha?
- Estou reformando para voc�. - Como assim, Justo?
� para voc�.
Tem at� um palco
para voc� poder ensaiar suas pe�as.
- Ou montar um espet�culo. - Est� me fazendo um teatro?
N�o.
Bem, sim. Quer dizer, n�o.
Ia ser um bar com um palco, mas estou adaptando.
- Adaptando? - �.
Estou fazendo com as pr�prias m�os.
E quando vai terminar? Antes da Sagrada Fam�lia?
N�o estou sozinho. Tem um louco me ajudando.
- Ele fala com a tartaruga. - Tartaruga?
Pois �. A tartaruga dele se chama Kiko.
Ele fala com ela.
"Oi, sou o Kiko. Eu estou..."
"Estou apaixonado."
Voc� vai me mostrar a casa?
- Claro, quando eu terminar. - Por qu�?
Quero ver a sua cara quando voc� entrar...
e vir cada cantinho.
N�o precisa ser po�tico.
Ainda sonho com voc�, Carme.
E quer que eu fa�a o qu�?
Como era mesmo a letra daquele bolero?
"O �dio � carinho."
- Uma lista? - Isso. Uma lista.
- Est�o tentando conseguir. - Quem?
Pessoas de dentro.
S�o provas contra o Emili?
Sim. S�o movimenta��es assinadas por ele.
- T�o f�cil assim? - N�o foi f�cil!
Tive que me mexer e pedir favores.
- Me arrisquei. - Quero para esta semana.
- O qu�? - A lista.
Me entregue, checo a informa��o e pronto.
Mas...
Os nomes est�o em c�digo.
Ningu�m d� dinheiro com o pr�prio nome.
Me d� a lista, depois conversamos.
Mateo. Mateo!
Por que n�o deixa tudo como est�?
E como est�?
O que houve com o Emili n�o tem volta.
N�o prenda mais ningu�m nem procure culpados.
Diga isso a quem est� protestando.
Deixe que protestem.
Em um m�s, nem v�o se lembrar do Emili.
- �? - A Espanha est� mudando!
- E? - Partidos legalizados, elei��o.
Cabe�as v�o rolar, caramba!
Se a minha rolar, a sua vai logo depois.
O que aconteceu?
Os pulm�es voltaram a funcionar.
- Ele est� melhorando? - N�o. S� respirando.
O corpo pode recuperar algumas fun��es, mas...
a cabe�a � outra hist�ria.
N�o sei o que lhe disseram,
mas ele ficou sem oxig�nio por quase meia hora.
Sinto muito. O c�rebro dele est� morto.
Venda tudo e depois fale comigo.
- Me ligue quando chegar. - Pode deixar.
- Cuide-se. - Voc� tamb�m, tia.
- Boa viagem. - Obrigada.
N�o sei mais como est� o mercado, mas...
� uma �rea privilegiada.
Tem a loja e o apartamento de cima.
Podemos vender juntos ou separados.
- Voc� quer algo no centro? - Ainda n�o sei.
E os chineses tinham raz�o.
- Os chineses? - Os da aniquila��o.
A vida d� muitas voltas. Cada dia estamos num lugar,
mas tem mesmo alguma coisa que permanece.
Que n�o se quebra.
E n�o � o teatro. � uma coisa em mim.
- N�o sei o que �, mas est� aqui. - Sim. Como um ref�gio.
- Voc� tamb�m percebe? - �s vezes.
Sabia que faz dez anos que nos cruzamos?
- Com amor, com �dio... - Nunca odiei voc�.
Mas eu odiei! Com todo o meu cora��o.
Com todo o meu cora��o.
Ainda odeia?
- E a sua Sagrada Fam�lia? - Est� bem.
Com novos tijolos a cada dia.
- Isso n�o sai da minha cabe�a. - O qu�?
Algu�m fazendo um teatro para mim.
- N�o � teatro. - Para mim, �.
- Voc� vai se decepcionar. - Acho que n�o.
Se acha que vou mostrar a casa antes do tempo...
N�o, n�o!
N�o, eu gosto do mist�rio, gosto de imaginar.
� que...
ainda n�o processei a ideia.
N�o entendo o que nos aconteceu.
O que aconteceu, Mateo?
Como pode deixar um z�-ningu�m rir de voc�?
Um caipira que veio sei l� de onde. Um dedo-duro!
N�o sei. Achei que f�ssemos profissionais.
Me corrija se eu estiver errado.
Se me dissesse que foi com um guardinha,
desses que aplicam multas, registram den�ncias, eu diria:
"Tudo bem. Certo".
Mas aconteceu conosco.
Com a Social. Com voc�, Mateo.
Bom...
n�o quero atormentar voc�.
Como voc� se sente?
Como se sente sabendo que essa confus�o do Emilio,
a irrita��o em Madri, as capas de jornal...
toda essa merda foi para o dedo-duro ficar
com a garota de que ele gosta?
Voc� se sente bem? Satisfeito? Inquieto?
Arrependido?
Perturbado?
Com raiva?
Com raiva, delegado.
Com raiva. Campos...
qual � a cidade da Andaluzia onde dizem que s�o todos tontos?
- Lepe, delegado. - Isso! Lepe.
Porque voc�...
Ser� que voc� � de Lepe, Mateo?
- N�o, delegado. - Ent�o de onde?
- De Sevilha. - De Sevilha!
N�o fique com raiva. � que isso �...
uma piada de merda sobre Lepe, mas n�o tem gra�a.
Talvez voc� ria. Quer que eu conte?
� divertida, mas n�o tem gra�a nenhuma.
Um idiota passou anos querendo comer uma mo�a casada.
Ent�o resolveu vir at� aqui para dizer:
"Aquele cara ali � o tesoureiro dos comunistas".
E um dos nossos agentes, o mais esperto,
resolveu deter o tal sujeito, lev�-lo para a Modelo e dizer:
"Voc�s a�!
Preparem as medalhas, porque tenho aqui
o maldito tesoureiro dos comunistas!"
"Estou at� excitado! Sou o maioral dos maiorais,
cr�me de la cr�me do leite da burra de sei l� onde!"
Aposto que n�o achou gra�a nenhuma, n�o �, Mateo?
Nenhuma.
A boa not�cia � que essa hist�ria,
essa piada, que � real, ainda n�o acabou.
E voc� pode consertar o final.
Verifiquem tudo.
O escrit�rio, todas as gavetas, at� as do banheiro.
- Tem dois aqui. - O que houve?
Parado a�.
Parado.
Precisamos nos vestir.
Ent�o se vistam.
Voc�! Pode se vestir. Pode se vestir!
Temos um mandado de busca.
- Por qu�? - Para o caso de Emilio Canals.
Voc� era namorada dele?
E como aquele vegetal n�o d� mais no couro, veja s�...
Ele n�o morava aqui. N�o v�o achar nada.
Isso � problema nosso.
Caramba! Eu conhe�o voc�!
Qual � o seu nome?
Qual � o seu nome, cacete?
Perguntei o seu nome.
- Justo. - Justo. Justo Gil?
Campos, n�o � o cara do caso das 65 mil pesetas?
- N�o me lembro. - O cara processou a mo�a.
N�o! Foi ela que processou o cara.
Parece que se reconciliaram.
- Coisas da vida! - Que coisa!
- Achamos isto no banheiro. - Vamos ver.
Tem dinheiro, pap�is de contabilidade
e documentos da Assembleia da Catalunha.
N�o pode ser.
- O que est�o fazendo? - O que estamos fazendo?
Encontrando provas, n�o percebeu?
Ou s�o as economias do seu tio, Carme?
Carme, escute! Carme!
Voc� tinha que fazer isso?
Eu ia conseguir a lista.
Voc� n�o ia conseguir merda nenhuma.
- Fizemos um favor, Justo. - Um favor...
Que favor?
Conte para ele.
Algu�m descobriu que voc� trabalha para n�s.
Espalharam cartazes contra voc�.
- Que cartazes? - Vi alguns em Gracia.
Dizem que voc� trabalha para a Brigada Social.
Se n�o fiz�ssemos nada, voc� levaria um tiro.
Fizemos esse teatro todo para sua namorada n�o perceber,
e voc� quase estragou tudo.
Mateo, o que vai acontecer com a Carme?
O que o Landa decidir.
E voc� vai ficar preso at� a situa��o esfriar.
E vou dar um conselho.
Suma de Barcelona. V� embora.
Aquilo acabou com ele,
mas ele estava pedindo.
Me usou, me manipulou, mentiu...
Quem brinca com fogo acaba se queimando.
Entendi que era uma emboscada.
Que eu passaria meses ou anos na pris�o.
Achei que seria o fim.
E, de certo modo, foi mesmo.
Como vai?
N�o sei.
N�o sei h� quanto tempo estou aqui.
Faz dois dias. Hoje � ter�a-feira.
� a acusa��o contra mim ou a senten�a?
Nenhuma das duas.
� o relat�rio que fiz sobre o caso.
- Isso livra voc� do que achamos. - N�o tinha nada l�!
Estou fazendo um favor, Carmen.
Convenci meu chefe e o promotor a n�o indiciar voc�.
Voc� vai receber uma multa administrativa, s� isso.
Voc� j� est� livre.
N�o acredita em mim?
Sabemos que n�o estava envolvida com as atividades do Emilio.
Como sabem?
Um informante.
Voc� nem desconfiava, n�o �?
De qu�?
Eu n�o deveria contar, Carmen,
mas voc� � inteligente.
Se come�ar a pensar nos detalhes,
vai encaixar as pe�as.
- Que pe�as? - Todas.
Por que est� me contando isso?
Para voc� me agradecer.
Um dia pode ser que eu esteja sentado a�.
Espero que n�o!
Est� me ajudando para que eu lhe deva um favor?
Os tempos est�o estranhos, Carmen.
Carmen.
O relat�rio.
- Viva Franco! - E viva a Espanha!
Viva a Espanha! Viva a Espanha!
DEDO-DURO!
Carme!
Carme.
Carme!
Para aqueles que quiserem levar a vit�ria,
o terreno da a��o � nosso.
Nele, v�o nos encontrar caminhando
at� a grandeza da Espanha.
- For�a, Espanha! - For�a!
Vamos, acelere.
Acelere.
- J� estamos a 80. - Eu sei. Acelere.
Mais.
Mais!
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