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Original subtitles

Por muitos anos, fui a única pessoa

por quem Elmer demonstrou algo parecido com amor.

Era um eco fraco do que ele sentia por mim

antes de sofrermos o acidente.

Mas bastava pra mim.

Com o tempo, me dei conta de que Elmer

era o único homem de todos que conheci

que valia a pena.

ALGUNS ANOS ANTES

O que está fazendo aqui?

É assim que me cumprimenta após tanto tempo?

A última vez que te vi não foi boa, Tony.

O que faz aqui?

Daquela vez, emprestei a grana pra comprar isso.

Você não me emprestou nada.

Você só gerenciava o dinheiro, não era seu.

Ganhei com meu trabalho.

Claro.

Eu queria te ver.

Sim, claro.

É sério. Eu queria te ver. As coisas vão bem pra mim. Incríveis.

Mas não te esqueço, China.

Você está aqui, e não te esqueço.

Você está linda.

Que tal um café?

Não precisa ser café.

Vamos. Posso ajudar?

Vamos, China.

Faz anos que não paro.

Preciso descansar.

E seu negócio? O que vai fazer?

Tenho dois ajudantes que me ajudam com as garotas novas.

Não conheço mais ninguém. Ninguém mesmo.

São boas atrizes. Fazem isso bem, mas não têm seu carisma.

- Qual é. - Ninguém tem.

Digo a elas: "Nunca viram China Jurado ao vivo."

- Claro. Até parece. - Assim, em carne e osso.

Que atriz!

Sempre cheio de lábia, Tony? Sempre?

Por favor.

O palco é passado, querido Tony.

E como está agora?

Vai ficar aqui?

- No fim do mundo? - O fim do mundo não é ruim.

- A vida é boa. Estou tranquila. - E entediada.

China, você nasceu pra ter sucesso no showbiz.

Isso não some da noite pro dia.

Nem com um acidente de carro.

- Você merece ser feliz. - Sou feliz.

Mas os sonhos têm um custo alto.

Mas você pode viver deles.

Lembra-se do Tony?

Hein?

Ele está de férias. Ficará uns dias.

Ei…

Só um tempinho.

Foi por isso que veio à minha casa?

Pra não te lincharem?

- Eles te fodem por nada. - Ela é uma criança, Tony!

Menor de idade!

- Desprezível. - China…

China Jurado, aonde você vai? Pare de bater, droga!

- Onde? - Tira as mãos!

- Comprou com meu dinheiro. Não esquece. - Solta. O dinheiro não é seu!

Trabalhei por ele.

- Ficou molhadinha quando me viu. - Maldito puto. Fora!

Estou sufocando, China. Sufocando!

Não me diga!

Ótimo. Como se não soubesse o que precisa fazer. Hein?

Vou sair.

- Vai sair? - Vou.

- Não brinca! - Preciso de ar.

Precisa trabalhar, vagabundo!

- Você é uma vadia amarga. - Vagabundo!

- Vadia amarga! - Vagabundo de merda!

Vadia amarga!

Toma.

Tem que fazê-lo ir embora.

Eu sei.

Expulse-o.

O viveiro é nosso.

Eu já o expulsei, Elmer.

Eu o expulsei.

Mas ele volta.

Ele sempre volta.

Perdão, filho. Fico envergonhada de você me ver assim.

PLANTAS

TEIXO TAXUS BACCATA

EXTREMAMENTE VENENOSO

Que nojo.

Qual é o nome dessa merda?

Cansei de pimenta, de coentro… Cansei de você.

- Não gostou? - Não.

Não brinca comigo.

Sai daqui, idiota.

Elmer.

Elmer.

ADAPTAÇÃO REVISÃO SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A NÓS? loschulosteam@gmail.com

Aí está você. Estava te procurando.

- Você está bem? - Eu? Tô ótima, Elmer.

Feliz e abençoada

por você ter escolhido amar.

A escolha é minha. Quero que respeite.

Não se pode respeitar idiotices.

Você quer mesmo discutir todo dia?

Não todo dia.

Só até começar o tratamento.

Pelo que sei, os médicos não sabem há quanto tempo está na minha cabeça.

Ou quanto tempo levará pra crescer.

- Pode levar anos até… - Até o quê?

Diga.

Diga, Elmer. Desembuche logo.

- "Até eu morrer." - Chega.

É o que está em jogo, Elmer. Nada mais.

Então, se vai falar sobre isso, diga: "Até eu morrer."

Preciso ir. Tenho um encontro.

Com ela?

- Sim. O nome dela é Violeta. - Com a adorável Violeta.

É melhor se apressar. Você não tem muito tempo.

Filho de uma puta!

- Qual é esse? - A nova edição do Florilégio.

Tem mais de 300 ilustrações das flores cultivadas

no mais importante jardim alemão do século 17.

- Legal. - É incrível.

Achou o livro que queria?

Não. Achei este.

Que eu adoro.

Minha mãe adorava. Li mil vezes.

Adoro como os personagens sempre querem fugir.

Pra onde gostaria de fugir?

Hum…

Eu?

Não sei. Algum lugar exótico, talvez.

Exótico?

Como, por exemplo, algo assim?

Sim, exatamente.

Se um dia eu sumir, me procure aqui.

Certo.

- E você? - Paris.

Milhões de apaixonados não podem estar errados. É matemática.

Alô?

Alô?

Ela segue viva.

Sra. Costeira.

Eu sei.

Falei que o trabalho era complicado.

Falei que seria muito generosa.

Falei que levaria tempo.

Que era preciso estudar e ter cuidado.

É o que estamos fazendo.

Ligo todos os dias pra ela

na esperança de ela não atender o telefone.

Não aguento mais.

Eu sei.

Mas vai acontecer. Acredita em mim.

Sou a mais interessada que ela desapareça.

Pegue uma planta, por favor.

Como formalidade.

Essa coisa toda está mexendo comigo, mãe.

Com tudo o que nos custou chegar aqui.

Me ouça, por favor.

Aqui.

Tudo mudou naquele dia.

"Ele não vai te fazer sofrer nunca mais", ele me disse.

Ninguém nunca tinha feito algo tão bom pra mim.

Anda, Elmer.

Sei que corrompi esse ato de amor. Mas eu só queria o melhor pra nós.

Olha.

Nós duas sabemos muito bem do que estou falando. Né, mãe?

O JARDINEIRO

Falta pouco, Elmer.

O último.

Sobre esses corpos, construí um mundinho pra nós.

E éramos felizes.

Até que essa garota apareceu pra arruinar tudo.

Se ele não acabar com ela…

eu terei que acabar.

Cuidado onde pisa.

Oi. Vamos.

Vamos.

Oi. Como vai?

Até mais.

Tchau.

Me ajude.

Me acompanhe.

Me dê forças. Me dê clareza. Me faça transparente.

Amém.

Garotas, até amanhã. Comportem-se.

Podem ir.

Oi.

Vamos ver.

Certo, pessoal. Até o próximo café.

MATERNAL, 4B

Sua mãe ligou. Ela está a caminho. Me ajuda a arrumar tudo?

É seu, né?

Não pode ser.

O que estou fazendo?

Idiota!

Essa vadia…

Ela tem mais vidas que um gato de rua.

O que estou pensando?

Você vai voltar.

Vou fazer você voltar.

Está uma delícia, mãe.

A comida está mais saborosa pra você?

Não, tem o mesmo gosto. Mas eu desfruto mais.

Todas as emoções que te ensinei a fingir,

e agora você diz isso.

Quem diria?

Agora sei que há coisas que não podem ser fingidas.

Como o quê?

O amor.

- O que sabe sobre o amor? - Nada, mas…

Estou descobrindo.

Que bom que sabe que não sabe de nada.

Calado. Coma logo.

Pode vir aqui um momento?

Pode dar uma olhada nessas fotos?

Não acha que têm um elo em comum?

Como se tudo tivesse sido colocado lá.

Não vejo nada de estranho.

Tudo parece bobagem pra você, né?

- Não sei. O que quer que eu diga? - Que tem algo aqui.

Que não inventei isso por estar entediada aqui.

Não sei. Minha cabeça vai explodir com toda essa merda.

Vou ao banheiro.

Delícia! Eu comeria mil.

É o mesmo da outra vez? O gosto está diferente.

Sim.

As primeiras vezes sempre são mais especiais, né?

Sabia que seria bom hoje.

Não fale alto demais. Está em Pontevedra.

Sempre tenho esperança de que vai sair.

- Gosto de chuva. - Combina com você.

- Sim? - Sim.

É um menino do inverno. Está claro.

Sim, sou um menino do inverno. E você é uma garota do verão.

Claro. Tudo fica melhor no verão.

Ah, é?

Os dias são mais longos.

Não chove. Não faz frio.

E as pessoas ficam de bom humor, né?

Sorriem mais. Sei lá.

Você está sorridente, e é inverno.

Espere até me ver no verão. Você vai surtar.

Não quero esperar tanto.

Queria te ver assim no inverno, primavera, outono, verão…

- Não? - Não sei. Você pode se cansar.

Acho que não.

Está sujo aqui.

- Onde? - Aqui.

Desaparecimentos não resolvidos nos últimos dez anos.

Todos têm fotos

de onde foram vistos pela última vez, então talvez tenham essa característica.

Não custa checar.

Como faremos?

Meio a meio.

Alonso Méndez, 33 anos. Advogado e montanhista amador.

Desapareceu uma manhã numa excursão.

Sua bicicleta foi deixada no mirante onde começam várias trilhas.

Ninguém o viu.

Defendeu traficantes locais no tribunal. Comprou uma casa enorme perto do estuário.

Nieves Garrido, 59 anos.

Cuidadora em um asilo. Vista pela última vez num ponto de ônibus.

Era perto da aldeia da mãe, que ela visitava todas as sextas.

Acharam duas galinhas vivas numa cesta.

A mãe tinha dado pra ela, com outros produtos.

Lázaro Aguilar, 60 anos. Funcionário de parque de diversões.

Desapareceu entre meio-dia e 19h.

É quando as atrações começam. Mas a roda-gigante dele nunca começou.

Pablo Gómez del Valle.

Miriam Hernández.

Xosé Fontán Rubio.

Aurora Pazos.

ENTREGADORA

Todos desapareceram como num passe de mágica.

Sem testemunha, sem rastros…

Parece que foram levados por uma máquina de pegar bichinhos.

Uau, adoro esse filme.

- Qual? - Esse. Estão passando de novo.

- Acho que não vi. - Quê?

É o filme mais lindo e mais triste de todos.

Tenho certeza que sim.

Só não vi. Não sei como é.

Milhões de telespectadores não podem estar errados.

Oi. Dois ingressos, por favor?

Obrigada.

Você vai adorar. Você vai ver.

É pra tanto assim?

Sim. Não sei.

Você é a 1ª pessoa que conheço que não chorou com esse filme.

Acredite, não choro fácil.

O Príncipe das Marés, por exemplo. Todos choram, mas eu, não.

Diário de uma Paixão, Moulin Rouge, Um Amor para Recordar, todos esses…

Nada.

Que filme te faz chorar?

Titanic.

É? Jack e Rose.

Eu não esperava.

Gostei.

Está ficando tarde. É melhor eu ir pra casa.

Não quer tomar um drinque?

Preciso levantar cedo, mas eu te ligo, está bem?

Está bem.

- Oi, filho. Como foi sua tarde? - Mãe? Onde colocou os remédios?

Onde colocou os remédios?

Pra quê?

Quero ver uma coisa. Onde estão?

Na lata com o barquinho.

Aqui?

O que foi, Elmer?

Quer tomar?

Filho?

Não.

Pensei que…

- O quê? - Nada. Está tudo bem.

O jantar está pronto, filho.

Nós também.

Pensei numa coisa hoje.

- O quê? - O que há entre você e o garoto?

- Quê? - O que tem? O que foi?

Vocês fizeram?

- Calma. - Inacreditável.

Ainda não.

- Por quê? - Estamos indo com calma.

Devagar. Não sei.

Claro, porque são tão românticos, né?

- Românticos? - Você não entende.

Está dizendo que não sou romântica?

- Não muito. - Como é?

- Não é. - Sou intensa, romântica…

Você nunca comprou flores na vida.

Perdão. Viram esse homem?

- Não. - Você é Violeta, a namorada do Xoan.

Você e Mon discutiram no dia em que ele sumiu.

Não. Trocamos algumas palavras e pronto.

- E não o vi. - Você nunca sabe nada.

O namorado morre, não sabe nada. O amigo desaparece, idem. Bem estranho.

- Chega. - Quem te incomoda, morre.

Vai à merda!

- O que está fazendo? - Onde ele está?

- Você sabe! - Sai daqui.

Estão loucos? Qual é a sua?

- Vão se foder! Vamos. - Babacas.

Um ponto de ônibus,

um mirante, um parque de diversões,

uma parada pra descanso, uma doca no porto…

Dá pra ir a todos esses lugares num carro.

Mas colocar um corpo no porta-malas não é fácil.

Não sei se quero saber por que sabe isso.

De carro ou qualquer outra coisa

que permita chegar a esses lugares sem chamar atenção.

O quê? O que foi?

Nada.

Te vi sorrindo.

Desculpe, minha mente divagou. Mas continue, por favor.

Precisamos ir a todos esses lugares, né?

O acesso não poderia ser mais fácil.

A bicicleta estava ali desde sábado de manhã.

As únicas digitais eram dele.

E o celular dele?

O celular e o relógio não tinham sinal.

Ninguém deu falta até segunda, quando faltou ao trabalho.

A mochila e coisas de acampamento não estavam em casa.

Fizeram várias buscas, mas nada. Não acharam nada.

Ele era amigo dos traficantes?

A princípio, acharam que sim. Um ato de vingança ou acerto de contas.

Mas o modus operandi não se encaixava.

O que está fazendo?

Pode ficar onde a bicicleta estava?

- Ali? - Sim. Ali, onde a bicicleta estava.

E se agache como se pegasse a garrafa.

Se não houve testemunhas, como foi o caso,

alguém pode tê-lo nocauteado por trás pra ele não resistir,

arrastado pra van…

Vamos. Me ajude, droga.

E o empurraram pela porta lateral. É fácil e tem muito espaço.

Agora sabemos como o assassino agiu.

Estão todos mortos mesmo?

Mortos e enterrados.

- Olá. - Olá.

Não está muito agasalhada?

Por quê?

Porque vamos a um lugar quente.

Não faça perguntas.

Confia em mim?

Certo. Vamos.

Está pronta?

Chegamos.

Onde estamos?

Você queria ir a um lugar exótico.

É lindo.

Você está numa estufa que tem mais de 100 anos.

Por muito tempo, abrigou

a maior coleção de espécies exóticas do país.

É realmente um lugar muito especial.

Como conseguiu que nos deixassem entrar?

Um bom jardineiro nunca revela seus segredos.

Você nunca disse como ficou com essa cicatriz.

Eu e minha mãe sofremos um acidente de carro.

Ela perdeu uma perna e…

bati a cabeça com força.

Sinto muito.

Desculpe se essas perguntas te incomodam.

Não me importo.

Você se importa?

Não. Adoro saber sobre você.

O quê?

Está tudo bem?

Sim, tudo bem.

Quer água?

Certo. Já volto.

Elmer?

O que foi, Elmer?

Filho, você está bem? Elmer!

- Onde colocou? - Coloquei o quê?

Os remédios, mãe. Onde estão?

- Elmer, do que está falando? - Não se faça de boba. Diga onde estão.

O que foi? Não fale assim comigo. Sente-se e vamos conversar.

Está fazendo uma bagunça. Pare!

Elmer, estou falando com você.

Estou perguntando onde estão os remédios.

O que é isto?

Diga. O que é isto? Pediu outra caixa ao médico?

Olhe pra mim, mãe!

Por quê?

- Por que está fazendo isso? - Porque você é meu filho.

- Qualquer mãe faria. - Nenhuma mãe faria. A decisão é minha.

- Me respeite. - O que está fazendo é tolice.

Não conhece a garota.

Chega, mãe! Nunca mais confiarei em você!

ASSASSINA

ASSASSINA

Legendas: Bruno Spinosa Tiussi

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