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ESTA SÉRIE RETRATA ALEGAÇÕES DOS ENVOLVIDOS NA HISTÓRIA.
TRADUZ DIFERENTES PONTOS DE VISTA SEM PRETENDER SUGERIR QUAL O VERÍDICO.
AS PERSONAGENS E CENAS FORAM CRIADAS PARA FINS DRAMÁTICOS.
O EPISÓDIO INCLUI OCORRÊNCIAS SEGUNDO ALEGAÇÕES DE NATALIA.
Esta é a Natalia.
Olá!
Anteriormente...
Natalia!
- Natalia! - Não!
- Os brinquedos! - Wes!
Também vão devolver-me?
Nós amamos de forma incondicional.
Ela tentou matá-los.
Não vou ficar à espera até ela conseguir.
Esta entrevista é muito importante.
Se correr bem, acho que a família volta.
Não quero que voltem. Quero que morram.
Michael!
Sabes que não caí, não sabes?
Ela tentou matar-me.
Desculpa ter duvidado.
Tinhas razão.
Ela é uma psicopata.
Recebemos queixas de um vizinho.
A nossa filha adotiva... é adulta.
Finge ser uma criança.
No entanto, se for esta a versão que vai contar,
garanta que todos à sua volta também a contam
ou poderá vir a ter problemas.
Há um processo legal para corrigir a data de nascimento.
Agora é oficial.
HOSPITAL PSIQUIÁTRICO
Alguns adultos com incapacidades podem ter tutores
e foi isso que decidimos fazer.
Apesar de viveres sozinha,
a renda e as contas vão ser pagas e vamos vendo de ti.
Sei que deve ser avassalador.
Contas esta mentira há muito tempo.
Diz que tens um ar jovem,
mas que és uma adulta.
Chega de truques. Chega de fingir ser criança.
Tens 22 anos.
Está escrito preto no branco.
Pronta para recomeçar?
Para tentar outra vez?
Olá?
Estás aí?
Tudo bem, mas estamos quase despachados?
Quero ir para casa.
Depende de ti.
Depende do que tens a dizer.
Tudo bem.
Vamos a isto.
Esta é a segunda parte,
a continuação da entrevista com Natalia Grace Barnett.
Estávamos em novembro de 2013,
um ano e meio depois de me expulsarem de casa.
Como foi viver com os Barnetts?
Eras feliz?
A comida era boa, tinham videojogos.
Muito bem, mas deixaste de viver com eles. Porquê?
Eu andava a esconder facas.
Escondias facas?
No frigorífico, debaixo da cama.
E onde arranjavas as facas?
As facas costumam estar na cozinha.
E ameaçaste os Barnetts com as facas?
Não sei bem,
mas às vezes enlouquecia.
Passava-me, mentia, não era de confiança.
Como é que te passavas?
Bem, eu...
Empurrei a minha mãe para uma vedação elétrica,
pus veneno no café dela.
E queria enrolar os meus irmãos num cobertor
e enterrá-los no quintal.
Porque querias enrolá-los num cobertor?
Para ficarem quentinhos.
Vamos parar.
Pronto! Isto é um desastre.
- Não disse que ela tinha aceitado? - Aceitou. Talvez ajude se eu entrar.
As coisas não se fazem assim. Não são familiares.
Quer que ela fale ou não?
Mantém-te recatada.
Não incomodes os outros, Natalia. Fica em casa.
Estávamos no início de 2012, acho eu.
Mamã?
- Ouve-me. - Não podemos ir embora.
Papá?
Mamã. Mamã?
Espera! Mamã?
Esqueceram-se do meu andarilho!
Mamã, preciso do meu andarilho. Espera!
Não! Mamã, papá, dói muito andar sem ele.
Papá, não me deixes!
Papá, não me deixes, por favor!
Quero ir para casa.
Não é justo.
Já disse que não é justo.
Não é justo.
Hercules?
Não.
Cala-te! Estou a tratar disso.
Muito bem. Quero ver coisas boas.
Só podes estar a brincar.
Está bem. Certo.
ESPARGOS PERAS
Não, obrigada.
Certo.
Vamos ver.
PÊSSEGO FATIADO EM CALDA
Olá!
Vá lá. Vá lá.
Certo.
Sim.
Não faz sentido.
Que...
Acalma-te, Chance!
Não percebes, pois não?
Vamos para o canil quando não nos querem.
Não me querem? É impossível.
Não lhe dês ouvidos. Ele só quer assustar-te.
É? Vocês são uns mimados.
Não andaram na rua.
Eu já estive no canil.
Não tenho medo de ti!
HAMBÚRGUER
Vá lá!
Vá lá!
Diga-lhe que não é o Pai Natal,
e que o Pai Natal não...
Pronto.
Vá lá, Natalia.
Vamos fazer isto como a mamã fazia.
Porque fazem isto assim?
Boa!
Querido, sou um fogo de artifício
Vamos lá, vou mostrar o que valho
E vão todos dizer: "oh, oh, oh"
Vou deixá-los todos: "oh, oh"...
Ajudem-me. Por favor, não sei que fazer.
Ajuda-me, mamã. Por favor, mamã.
Não sei tratar isto.
Alguém pode ajudar-me? Por favor.
Olá?
Valha-me Deus!
Como entraste?
A porta estava aberta.
Estes apartamentos aquecem muito.
Estás bem? Onde está a tua mãe?
Deve estar em casa.
Mas não sei... Tenho 22 anos, só que pareço mais nova.
Pensei que eras...
Desculpa.
Custa perceber devido à tua situação.
Então, o que fazes em minha casa a comer os meus dónutes?
- Chamo a polícia? - Não. Quase não comi.
Posso voltar a juntá-los e ninguém repara.
- Vê? Como novos. - Por favor, calma, mulher.
Não vou chamar a polícia por dónutes baratos.
A sério. Que fazes aqui? De que precisas?
Posso usar o seu telefone?
Mudei-me agora e ainda não tenho um. Tenho de ligar à minha mãe.
Tenho de lhe dizer que magoei a minha mão.
Não tens telemóvel?
Avariou-se. Já viu isto?
Tudo bem. Aqui tens.
Não sabes o número?
Os telefones têm esse problema.
Vocês cresceram sem decorar números de telefone.
Que loucura!
O mundo enlouqueceu.
Como se chama a tua mãe? Vamos pesquisar.
Kristine Barnett.
Com "K" ou "C"?
"K".
Muito bem.
Vive em Westfield? Casada com o Michael?
Sim. São eles! São eles!
Boa. Aqui tens o número.
Mistério resolvido.
- Obrigada. Obrigada. - Toma.
Olá, ligou para os Barnetts. Deixe mensagem para a Kris.
- Michael. - Jake.
- Wes. - Ou...
Ethan.
Não vais deixar mensagem?
Acho que a minha mãe não quer falar comigo.
Pronto... Pronto...
Sabes uma coisa, também tenho uma filha.
É uns anos mais velha do que tu e...
É mesmo marada, se me percebes.
Este é o filho dela, o meu neto. Não é bonito?
Não é que me tenhas perguntado,
mas recomendo-te que não deixes a distância entre vocês aumentar.
Percebes?
Segundo a minha experiência,
quanto mais te afastas, mais difícil é a aproximação, percebes?
Nem por isso.
Pedir desculpa custa,
mas perder alguém que amamos...
... é ainda mais difícil.
E que tal tratarmos essa mão?
Tenho compressas.
Acho que tenho água oxigenada.
Sou um robô.
Sou um robô que come dónutes.
Adoro dónutes.
Adoro este blush.
É fácil de aplicar.
Dá-nos mesmo...
Estou a comer o meu dónute.
Isto é uma televisão.
- Todas as crianças têm desafios. - Mamã?
Contratempos.
Podemos ter muitas dificuldades
ou elas até podem ser diferentes,
mas todas as crianças têm um dom especial.
Todas as crianças merecem ser amadas.
Claro que algumas crianças são mais difíceis,
mas é sempre possível.
É isso que diz o meu livro.
Mostra como aprendi com a minha família, os meus filhos...
Nunca se desiste do amor.
Ouviste, Natalia? Nunca desistiria de ti.
Podem saber mais no novo livro de Kristine Barnett,
que já está disponível nas livrarias.
Olá. Desculpa.
Olá. Como encontro um livro?
- A secção infantil é lá atrás. - Não é um livro infantil.
Foi a minha mãe que o escreveu. Diz que as crianças merecem ser amadas.
- Acabou de sair. - As novidades estão ali.
Tudo bem. E como o encontro...
NOVIDADES
"Cinquenta Sombras de Grey"?
SALVO PELAS ESTRELAS
"Salvo pelas Estrelas. Como o amor de uma mãe salvou um génio do autismo".
Que...
Então? Que se passa?
- Toma. Desculpa. - Não é o lápis, é o livro.
- Tenho de lê-lo. - Os teus pais que o comprem.
Espera. Não disseste que o livro era da tua mãe?
- Não o tens em casa? - Não vivo em casa.
Tenho 22 anos, só que pareço mais nova.
Eu tenho 22 anos. É impossível sermos da mesma idade.
Em que ano nasceste?
Deixa-me em paz!
Eu estava lá quando abrimos a Casa do Jacob.
Odeio-te!
Não. Não.
Volta.
Volta. Por favor, volta.
Volta. Não vás!
Por favor, não me deixes. Desculpa. Por favor, não me deixes.
Que pivete. Caramba!
Papá? Papá, tive tantas saudades tuas.
Abraçava-te para sempre.
- Pronto. Pronto. - Olá, papá!
Não quero mais disparates.
- Tens de ficar recatada. - Quê?
Convenceste alguém na biblioteca a chamar a CPCJ?
Não, não.
Sabes o que é o segundo "C" em CPCJ?
É que podes ser muita coisa, mas não és uma criança.
- E o que sou? - Natalia, sou um cavalheiro.
Não vamos fingir que não sabes quem és. Vá lá.
- A mamã também veio? - Não.
A Kristine está em digressão.
E devias ficar feliz por ela não ter vindo
porque ela passava-se se visse esta pocilga.
Vá lá, mulher!
Deita o lixo fora de vez em quando.
Que cheiro horrível é este?
Parece que um cocó ganhou vida e acabou por morrer.
Deve ser o frigorífico.
Fiquei sem energia e ficou tudo escuro.
Foste mesmo à biblioteca.
Sim, mas não falei com ninguém. Só queria ler o livro da mamã.
Mentes mesmo mal.
Que raio, Natalia? Que é isto?
- Queres matar-nos? - Não, não.
Estava triste porque não falaram de mim, mas fiquei com saudades e tentei...
Olá! Sim, é o próprio.
Ótimo. Sim. Espere.
Sim, é...
O número da conta é o E85G, de garota, 9274.
Sim, ainda não está preparado.
Sim, lamento muito. Foi um engano.
Esqueci-me, mas paguei as taxas e tudo.
Não, continua a não ligar. Pronto.
Obrigada, papá.
Pronto. Muito bem. Ótimo.
Sim, é tudo. É tudo o que precisamos. Obrigado.
Ótimo. Pronto.
Papá?
Papá?
Caramba, Natalia! Não limpaste nada desde a última vez?
Há um minuto?
Vamos ver como estamos de comida.
Aqui também tens tudo desarrumado, mas...
Comida não te falta.
Estás bem tratada. Vamos ver a casa de banho.
Pronto.
Tens champô, não é? Boa!
Parece que tens tudo o que precisas. Não é, Natalia?
Não é, Natalia?
Sim. Tudo o que preciso.
Pronto. Boa.
Tens comida congelada e leite nos sacos.
Podes pôr no frigorífico.
Não vou abri-lo porque cheira mesmo mal.
Não sei que mais dizer. Acho que é tudo.
Foi bom ver-te. Volto depois.
- Com a mamã? - Ela não deve vir.
Papá, por favor. Papá, espera!
Papá! No livro, a mamã diz que as crianças são todas especiais.
Porque não falou de mim?
Porque não és uma criança, Natalia.
Sei que disseram isso, mas eu ia lembrar-me das outras idades.
Natalia, não és uma criança. Chega!
Por favor, papá. Posso ir contigo?
- Quero ir para casa. - Não podes.
Não, ficas aqui.
- Por favor. - Ficas aqui, Natalia.
- Não. - Por favor.
Não faças isso. Não faças isso! Não é justo! Chega!
Disseste... Eu lembro-me.
Disseste que me amavas tal como eu sou.
Desse por onde desse.
- Já não me amas? - Natalia.
- Natalia, olha para mim. - Por favor.
Sabes o que a mamã diria.
Diria: "Limpa-te e vê se atinas. Porta-te bem."
Se tivesses feito isso, não estaríamos aqui!
Tenho de ir buscar o Ethan. Não posso atrasar-me.
Tudo o que eu e o teu pai te damos é um privilégio.
Tens de merecê-los com bom comportamento.
Todos os dias vais ter tarefas novas.
Hoje vais limpar a sala.
Hoje vais limpar a cozinha.
Leva o lixo.
Melhora a tua higiene pessoal.
Se não fizeres estas coisas, não tens privilégios.
Tu é que sabes, Natalia.
Queres ser melhor ou não?
Se não entrares na linha nem atinares,
não tens lugar nesta família.
Tens de merecer o nosso amor.
Pois. A JJ está? Avó! Vieste brincar comigo?
Cala-te! Querido, a Natalia tem 22 anos, só que parece mais nova.
- Olá, Natalia! Entra. - Olá!
Entra. Esse batom fica-te bem.
- Obrigada. - Este é o Keaton. Falei-te dele.
- Está a viver comigo. - Olá.
- Fico muito feliz. - Gostas do meu bigode?
Gostas do meu?
Muito bem. De que precisas?
Acabei de voltar de um turno duplo
e, se não estiver na cama em três minutos, nem queiras imaginar.
Posso usar o seu telefone? Tenho de ligar à minha mãe.
Quem não tem telefone?
Pronto. Aqui tens.
Guardei o número como "Barnett".
- A sério? - Sim.
Despacha-te. As minhas costas.
- Estás bem? - Sim...
- Queres? - Tens razão.
O número que contactou não está atribuído ou já não está ativo.
Conseguiste?
Não ouvi o atendedor de chamadas. É estranho?
Não, não. Às vezes não funcionam.
Não consigo continuar acordada.
Portem-se bem.
Acordo a tempo do "Dancing With The Stars".
Adoro-te.
Espera. Não queres mesmo brincar?
Estou tão aborrecido. Quero ir para casa.
Eu também.
Porém, discuti com a minha mãe.
Ela quer que eu atine.
Queria ligar-lhe para dizer que atinei.
Tens um cabelo estranho, mas pareces simpática.
Acho eu.
Se o telefone avariou, porque não vais lá a casa?
Não tenho carro.
A minha mãe também não. Ficou sem carta.
Andamos de autocarro. Posso mostrar-te.
- A sério? - Claro.
Tenho de estar cá às 20h.
- Está bem. Vamos. - Vamos.
O autocarro passa em Williamson Drive?
Sim, aviso quando estivermos perto.
Credo! Ele pensou que eras uma criança.
Eu sei. Acontece muito. Que disparate!
- Costumas jogar "Mush"? - Como se joga?
- Que estão a fazer? - Foge! Foge!
- Meu Deus! Que loucura. - Viste a cara dele?
Porque se chama "Mush"?
Não sei. A minha mãe é que me ensinou.
Que jogos fazias com a tua mãe?
Quando vivia com eles,
a minha mãe brincava com os meus irmãos e eu metia-me em sarilhos.
- Sempre? - Sim.
- A tua mãe parece má. - Não, não é.
Ela é muito simpática. Eu é que era má menina.
Não me portava bem.
Pareces simpática.
Vamos a outro jogo. Gostas do "Estou a Ver"?
- Pareço um bebé? - Tudo bem.
"Duas Verdades e Uma Mentira"?
É mesmo engraçado! Dizes duas verdades e uma mentira.
Dizes tudo.
E a outra pessoa diz o que é mentira. Percebes?
Está bem. Tenho uma boa.
Nasci noutro país,
sou alérgica a bananas,
e não tenho 22 anos. Qual é a mentira?
O jogo não funciona assim.
A minha avó disse-me a tua idade. Não devias usar essa.
Não, a mentira eram as bananas.
- Na verdade, tenho oito anos. - É?
Meninos, é aqui!
Vamos.
Para onde vamos? É perto? Tenho fome.
Estamos perdidos?
Não, não. Estamos bem. Estamos bem.
Acho...
- Meu Deus, sua estúpida! - Que foi?
Estamos em Williamson Norte, tu querias Williamson Sul.
Temos de voltar para trás.
Temos de voltar ou a minha avó vai ficar chateada.
PARAGEM
Que parvoíce.
É ali. É a minha casa. Pare! Pare! É ali.
Vamos. Chegámos. Vamos.
Temos Xbox, Dunkaroos
e o meu pai é uma estrela rock.
Vais adorar...
Que é aquilo?
VENDE-SE
A tua família vai mudar-se? Não há Dunkaroos?
Não, não vão mudar-se... Eles...
Olá! Desculpe, Sra. Val? Olá!
Que fazes aqui?
Estava à procura dos meus pais.
Sabe onde estão?
Acho que eles não se consideram teus pais,
mas presumo que a Kris e o Mike estejam a caminho do Canadá.
Podes deixar de fingir ser criança.
Espera! Não é a casa dos teus pais?
- Quem é este? - É o meu amigo. Nós...
Não somos amigos. Ela enganou-me.
Disse que, se viesse com ela a casa dos pais, havia petiscos.
- Ela disse que era uma criança. - O quê?
Não, ele é que se ofereceu.
Não o enganei. Juro! Tu é que querias.
Caramba! Ainda bem que eu estava cá.
Querido. Coitadinho.
Devias estar cheio de medo.
Desculpa. Vou levar-te para casa, está bem?
Na minha opinião, a Kris foi demasiado caridosa contigo.
Se fosse comigo, apodrecias na prisão.
Anda, querido. Vamos resolver isto. Está tudo bem.
Sei que sou má.
Malandra, mas...
... não é com intenção.
Não quero ser.
Sei que não devemos jurar,
mas juro que não queria magoar ninguém.
Lamento muito.
A sério.
Qual é o teu problema?
Como foste capaz?
Sabes o que aquele menino passou?
Desculpe. Desculpe.
Cala-te, sua desvairada!
Sei que não mereço ser perdoada,
mas ajuda-me a mudar quem sou.
Por favor, Deus! Por favor.
Por favor,
ajuda-me a ser quem eles querem que eu seja.
Faço o que for preciso. Por favor.
Só quero ir para casa.
Quero a minha família de volta.
Por favor. Por favor. Por favor.
Natalia.
Natalia, acorda.
Mamã?
Vieste buscar-me? Vamos mudar-nos?
Tu vais mudar-te. Foste expulsa daqui.
Vamos!
O supermercado é ali.
É ali que vais acabar os teus estudos para deixares de ser sustentada por nós.
Vais à escola e voltas para casa. Só isso.
Chega de disparates.
Cá estamos.
Lar doce lar.
Sabes que tive de regressar ao Indiana para te safar desta confusão?
Tive de convencer a tua vizinha e a Val a não chamarem a polícia para te levarem.
Obrigada.
Mexe-te.
- Está bem. Eu levo. - Obrigada, mamã.
É a última vez. Não volto a fazer isto.
Da próxima vez que isto acontecer, conto a verdade a todos.
Conto que és uma adulta,
que enlouqueceste e ameaçaste a minha família
com facas, venenos e vedações elétricas.
Sei que disseste ao menino que eras uma criança,
e que falaste com o bibliotecário.
Talvez consigas enganar as pessoas,
mas a escuridão que tens na alma...
... não se esconde muito tempo.
Se voltares a mentir ou a enganar inocentes,
vais pagar.
- Percebes? - Sim. Sim.
Sim, desculpa. Desculpa.
Não quero pedidos de desculpa, Natalia.
Quero saber o que vais dizer quando perguntarem quem és.
O que quiseres.
Digo que me passei,
que sou louca e que não sou de confiança.
E mais?
E o veneno?
Digo que queria envenenar-te?
E o cobertor?
Não sei. Não sei.
O que disseste ao Michael que querias fazer aos meus filhos.
Queres matá-los e enterrá-los num cobertor?
Sim. Isso mesmo.
Queria matar os rapazes,
enrolá-los num cobertor e enterrá-los no quintal.
- Queria acreditar em ti. - Acredita.
Prometo que podes acreditar.
Digo que tenho 22 anos, que sou mentirosa e não sou de confiança.
- Digo o que quiseres. - Diz a verdade.
Quero que percebas o que acontece se não disseres a verdade,
se voltares a mentir.
Mamã!
Não sou tua mãe.
Composição para a prova de equivalência ao ensino secundário.
"Em O Homem Invisível, a personagem principal diz:
'Quando descobrir quem sou, serei livre.'
Tendo isto em conta, escreva sobre si.
Conte-nos quem é."
Ninguém vai acreditar em ti, Natalia.
Tradução: Sara Cunha
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