All language subtitles for Margaret Thatcher The Iron Lady 2012

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Original subtitles

Aqui estou esta noite,

com o meu vestido de chiffon da cor da estrela vermelha.

As pessoas adoram a bofetada de um governo firme.

Quer fosse real ou s� uma impress�o,

as pessoas sentiam que Margaret Thatcher lhes dava a bofetada de um governo firme.

Queremos resultados e trabalho!

Ainda assim...

Ainda assim... Deixem estar, est� a chover l� fora.

Eles queriam entrar.

N�o os podemos culpar, � sempre melhor onde est�o os Tories.

Ela foi a primeira-ministra que realmente erradicou o socialismo do sistema.

Que o pesadelo orwelliano dos trabalhistas de esquerda

seja o est�mulo para dedicarmos, com nova urg�ncia,

toda a energia e for�a moral

para reconstruir as fortunas desta na��o livre.

De certo modo, acho que podemos dizer

que Margaret Thatcher e Winston Churchill

foram os primeiros-ministros mais sortudos no s�culo XX,

porque ambos tinham de enfrentar um enorme problema

e o pa�s, em cada caso,

n�o duvidava de que era a derradeira oportunidade

e Margaret e Winston conseguiam tomar decis�es dif�ceis.

Tenho uma maquilhagem suave e o meu cabelo claro levemente ondulado.

Primeira-ministra, l�der...

Podemos odi�-la, mas sent�amos que sabia o que fazia.

A Dama de Ferro do Mundo Ocidental.

Desde o in�cio que Margaret Thatcher se destacava.

Ao in�cio, destacava-se de forma bastante irritante.

ESCRITOR E APRESENTADOR

Havia algo de estridente nela, algo na voz dela que enervava um pouco.

Havia algo nela que parecia um pouco mordaz a mais.

Mas havia sempre algo especial nela.

Interessou-se a vida inteira por pol�tica.

O pai dela interessava-se pela pol�tica local.

AMIGA DE ESCOLA

Ele fazia parte da c�mara, foi presidente.

Isso fazia parte dela, do ar que respirava.

Acho que queria ir para o parlamento desde cedo.

Margaret Thatcher, Roberts em solteira,

nasceu neste edif�cio a 13 de outubro, 1925.

Era uma fam�lia mon�tona numa cidade mon�tona de Lincolnshire,

com um pai mon�tono...

JORNALISTA E CORRESPONDENTE

... que subiu na carreira pol�tica.

Margaret Thatcher tinha her�is, pessoais e profissionais.

JORNALISTA E APRESENTADOR

O her�i pessoal era o pai.

O apelido dele era Roberts.

Era um pol�tico local. N�o era um homem rico.

Tinha uma loja.

Mas era muito... Como dizer?

Era um homem muito �ntegro, um homem de vis�es decididas

sobre o que era certo ou errado.

Eram valores muito antiquados,

mas que, na opini�o dela, resistiam � passagem do tempo.

Uma vez, quando est�vamos a conversar sobre esses valores,

ela disse-me: "Michael, o maior dever de um homem

� ter uma casa para a sua fam�lia e p�r a comida na mesa."

Isso, porque ela n�o suportava quem basicamente dependia de subs�dios.

Mas, reparem, quando ela falava disto, era sempre um homem.

Era uma perspetiva antiquada,

mas que ela pensava ser a chave para o surgimento da felicidade pol�tica,

do sucesso pol�tico, da felicidade individual.

O pai dela ensinou-a a liderar.

Ela observava como ele estava sempre pronto para lutar

e � curioso que ela raramente mencionava a m�e.

Era sempre o pai.

O pai dela era o �dolo, foi ele, claro,

que a encorajou a ir para a escola local, a esfor�ar-se.

E ela reconheceu para sempre o facto

de ter aprendido os valores b�sicos com o pai.

Durante a guerra, as turmas mais avan�adas recebiam muitos oradores.

Vinham falar de v�rios assuntos,

desde a hist�ria das vestimentas, a aves, todo o tipo de coisas.

Mas se fosse sobre os assuntos atuais...

AMIGA DE ESCOLA

... Margaret demonstrava interesse e levantava-se sempre no fim

para fazer perguntas pertinentes.

N�s, os colegas, troc�vamos olhares. "L� vai ela outra vez."

Acho que a sensa��o de que ela era uma pessoa extraordin�ria

s� veio muito mais tarde.

H� a famosa hist�ria do professor de Qu�mica dela em Oxford.

Perguntaram-lhe o que pensava do tempo dela em Oxford

e ele disse que ela era uma qu�mica muito boa com honras de segunda classe.

Lembro-me dela, porque foi,

penso eu, a primeira mulher presidente

da associa��o conservadora da Universidade de Oxford.

Eu tamb�m fazia parte e tenho mem�ria dela a assumir o cargo numa das reuni�es.

E ela era muito impressionante.

A sua for�a de car�ter e clareza de pensamento...

MINISTRA DOS NEG�CIOS ESTRANGEIROS

... tornaram-se �bvios muito cedo e todos se impressionaram com a sua lideran�a.

Ela saiu com muito mais confian�a

e determina��o para entrar no parlamento.

Finalmente sentiu que queria enveredar pela pol�tica.

Ela trabalhou algum tempo em engenharia alimentar,

depois quis ir para direito.

Por fim, decidiu que queria tentar entrar na pol�tica

e trabalhou consistentemente para progredir.

O que Margaret Thatcher tem de maravilhoso

� que era uma pol�tica de convic��o.

Ent�o, desde o in�cio, nos anos 50,

ela teve a ideia de ir para a pol�tica para fazer a diferen�a

e entrou com tudo.

Na �poca de Margaret Thatcher era quase impens�vel

uma mulher tornar-se primeira-ministra a n�o ser que tivesse uns 50 anos

e uma associa��o conservadora local inovadora.

Ainda havia aquele pressuposto entre as pessoas mais velhas

que formavam os eleitorados dessas Associa��es Conservadoras locais

de que o seu membro do parlamento devia ser um homem.

Alguns dos pol�ticos conservadores mais velhos

acharam isto um pouco alarmante.

Alguns, achando-a at� atraente, pensavam que conseguiam geri-la.

Uma mo�oila jovem e atraente.

Outros pensavam que ela fazia demasiado barulho.

Mas desde o in�cio

que Margaret Thatcher era uma mulher com convic��es e com dinamismo

e estava determinada a conseguir um lugar.

Margaret Thatcher acabou por ser selecionada

como candidata conservadora por Finchley.

Entrou no parlamento por Finchley a 8 de outubro de 1959,

quando os conservadores conquistaram o poder.

Sra. Thatcher, diz-se que o discurso inaugural � uma grande prova��o.

- Foi assim para si? - Com certeza.

J� falei muitas vezes, mas falar na C�mara dos Comuns � diferente.

� uma experi�ncia �nica.

Acha que � mais dif�cil por ser mulher?

N�o, n�o reparei nisso.

� mais por causa da qualidade do p�blico

e porque a maior parte deles tem mais experi�ncia

a fazer aquilo que n�s estamos a fazer.

O seu desempenho ontem tem sido elogiado por todos.

Falam em ir para o banco dos principais. Como se sente?

Primeiro tentarei ser uma boa deputada de retaguarda.

At� estes dois crescerem um pouco.

N�o poderia aceitar mais responsabilidades.

Estas chegam.

Se Margaret Thatcher estivesse agora sentada onde eu estou

e lhe fizessem perguntas sobre educar os filhos e isso,

ela diria algo como: "Eu simplesmente sigo em frente."

Quase diria:

"N�o percebo porque pergunta isso. Muitas mulheres fazem isto e eu tamb�m."

Era essa a sua atitude.

A Carol e o Mark. Pergunta se lhes faltou alguma coisa.

Como eu vivia em casa,

estava sempre l�,

podia estar l� quando queriam e via-os muitas vezes.

Em privado, n�o era exatamente o que tinha acontecido.

Era extremamente dif�cil, em especial por serem g�meos.

Mas parte da imagem que ela criou era assim.

"N�o se aflijam com isso. Tenho dois filhos, � s� avan�ar."

Tem conseguido combinar a sua vida pol�tica

com os cuidados da fam�lia e da casa?

Trato, principalmente, da alimenta��o.

Gosto de cozinhar, vou �s compras

e fa�o sempre muita comida ao fim de semana.

E, claro, h� as f�rias parlamentares, que coincidem com as da escola.

Por isso, vejo muito as crian�as e saio com elas.

Nas f�rias a meio do per�odo, almo�am comigo na C�mara dos Comuns.

Uma mulher na pol�tica sofre.

ESCRITOR E APRESENTADOR

At� hoje, a Theresa May diz que falam dos seus sapatos,

mas Margaret Thatcher tinha de estar sempre penteada

e de decidir o que vestir.

As pessoas olhavam para a sua roupa tanto quanto ouviam o que ela dizia.

Havia sempre um problema adicional que n�o existe para os homens,

mas existe para as mulheres.

Como vai ser a vida de fam�lia?

Claro que ser�o precisos ajustes.

Acho que implicar� mais organiza��o e m�todo.

Acredito muito nessas duas coisas.

De qualquer forma, nunca conseguiria

se a minha casa n�o ficasse a 35 minutos de Westminster.

Tenho uma excelente ama e governanta, o que ajuda muito.

Vejo as crian�as todas as manh�s. Elas passam o dia na escola.

Fa�o quest�o de as ver e de estar com elas ao fim de semana.

As pessoas cedo perceberam que ela tinha talento a s�rio.

Depois de ser eleita como membro do parlamento,

passou a ministra j�nior em dois anos.

Passar a ministra j�nior dois anos depois de ser eleita,

especialmente sendo uma mulher...

Diz-se que os l�deres, em particular,

viram que havia algu�m diferente

e que devia ser encorajada.

Quanto aos impostos, os conselhos dividiram-se,

mas a redu��o dos impostos foi tema comum.

Houve aplausos para Margaret Thatcher, uma porta-voz para a economia.

Disse: "Sem incentivos, n�o � criada riqueza para distribuir."

Se os or�amentos participassem na corrida para o pr�mio de impostos altos,

fico feliz por dizer que os or�amentos dos Conservadores

n�o ficariam entre os primeiros quatro lugares.

O primeiro pr�mio para o aumento dos impostos

iria para Hugh Gaitskell em 1951.

O segundo pr�mio iria para Callaghan em 1966.

O terceiro, para Callaghan em 1965.

O quarto pr�mio, para Callaghan em 1964.

Este Callaghan tem de sair!

Tornou-se ministra muito cedo,

depois os Conservadores passaram � oposi��o

e ela trabalhou em v�rias pastas ministeriais sombra.

Durante esse tempo, ganhou compet�ncias.

Tamb�m acho que teve muita sorte em encontrar um marido,

um homem um pouco mais velho que j� estivera casado,

que estava em posi��o de deixar a sua jovem esposa fazer o que queria.

Como foi aben�oada com g�meos,

despachou de forma organizada a quest�o de ter filhos.

Tinha os dois filhos, tinha o seu marido abastado,

que lhe fazia as vontades, tinha a sua ambi��o pessoal

e avan�ou.

Conheci o Denis na noite em que fui aceite

como candidata pelos Conservadores para a elei��o de Dartford,

a elei��o de 1950,

e ele estava na reuni�o com um amigo m�tuo.

Era dif�cil arranjar boleia para casa e havia uma rece��o depois da reuni�o.

Eu ia perder o comboio, e ele deu-me boleia.

Ele � maravilhoso e o apoio dele � fant�stico e essencial.

� mesmo, acho essencial para algu�m com esta profiss�o esgotante

ter o apoio total, como o que eu recebo, da fam�lia.

E ele � maravilhoso,

quando fazemos o trabalho de primeira-ministra e a campanha.

Ele tem sido espantoso.

Acho que conhecer e casar-se com o Denis

lhe deu, por assim dizer, a liberdade

de n�o ter de se preocupar de onde viria o dinheiro.

Ela dizia que o Denis era o seu porto seguro e era mesmo.

N�o o dizia s� por ser bonito. O Denis esteve sempre l� para ela.

Ele era abastado, tinha a sua pr�pria empresa,

que foi comprada por uma empresa de petr�leo,

por isso n�o faltava dinheiro.

E aquilo de que Margaret precisava,

em especial no avan�ar da sua carreira, ela tinha.

Acho que h� preocupa��es em todos os trabalhos

e se pensarmos nelas sozinhos, elas ficam muito piores.

Temos de ter algu�m com quem falar, algu�m para nos dar um aban�o.

Eu tenho a sorte de ter isso.

O seu marido, claro, o Sr. Thatcher...

- Ele � fant�stico. - Eu tento.

Se houver tens�o no ar, ele acaba logo com ela.

Acho que dev�amos pensar nas f�rias do ver�o, querido.

- Sim. - Quando podemos ir.

- Algumas esperan�as. - Tens as tuas?

Se as elei��es forem cedo, podemos ir de f�rias em agosto.

- Sim. - Se as elei��es forem tarde...

- N�o vamos. - N�o h� f�rias.

- Certo. - Acredito nisso quando vir.

Sr. Thatcher, agrada-lhe a perspetiva

de talvez morar em Downing Street mais uns anos?

Moderadamente.

V� l�, querido. � t�pico dele.

Ele ficaria t�o preocupado...

- Sim, claro. - ... tal como eu, se...

Ela tinha uma qualidade maravilhosa que manteve a vida toda,

que era aquela intrepidez.

Ela nunca tinha medo.

Foi uma personagem formid�vel desde o in�cio.

Tamb�m tinha boa apar�ncia e charme

e n�o tinha medo de usar nenhum dos dois.

Sim, havia alturas em que ela podia sorrir docemente

e pestanejar um pouco.

Mas, � medida que ganhava poder,

acho que ela percebeu cada vez mais que n�o lhe fazia mal nenhum,

quando precisava,

dar a entender aos homens que era uma mulher perfeitamente atraente

e que, se isso significasse ser simp�tica para eles e baixar a voz,

ela o faria.

Ela costumava fazer isso descaradamente at� ao fim da sua era.

N�o foi � toa que o presidente Mitterrand de Fran�a

disse que ela tinha os olhos de Cal�gula e a boca de Marilyn Monroe.

Ele reparou e muitos outros repararam tamb�m.

Sempre disse que acho que ela tinha sex appeal, sinceramente.

Havia algo nela.

E via-se porque conseguia dominar uma sala cheia de homens

e os ministros em seu redor.

Poder, imediatamente.

Estava l� imediatamente.

Sim, queria tudo � sua maneira, mas era uma personalidade fascinante.

Os Conservadores, com Edward Heath, ganharam a elei��o geral de 1970

e a Sra. Thatcher foi nomeada Secret�ria de Estado da Educa��o e da Ci�ncia.

O in�cio dos anos 70

e os anos do primeiro-ministro Ted Heath foram um desastre,

porque a sensa��o era de que queriam mostrar aos mineiros como era.

Era a primeira greve dos mineiros.

"Vamos mostrar-lhes, e aos sindicatos, quem � que manda."

Aprovaram uma legisla��o dura para os sindicatos

e a greve dos mineiros surgiu a partir da�.

No fim, claro, Ted Heath n�o conseguiu mostrar quem mandava.

O pa�s virou-se contra eles,

porque o resultado foi a Semana de Tr�s Dias.

O resultado foi as luzes apagarem-se pelo pa�s inteiro em certas alturas.

Ela come�ou, desde muito cedo,

a atrair pessoas que eram dessa convic��o de direita

no Partido Tory,

que, ap�s os anos totalmente desastrosos de Ted Heath,

come�aram a ver nela algu�m t�o diferente de Ted Heath quanto poss�vel.

Se queriam voltar a virar o Partido Tory para a direita,

ou de volta para a dire��o certa, digamos,

ela poderia ser a escolha certa.

S� tomei consci�ncia de Margaret Thatcher

quando ela era uma ministra da Educa��o muito determinada.

Tive algumas conversa��es com ela

e conheci um dos seus funcion�rios anos depois,

que me disse que a Sra. Thatcher n�o estava satisfeita

como ministra da Educa��o e que era ambiciosa.

Como Secret�ria de Estado da Educa��o,

Thatcher causou controv�rsia com os planos para cortar nas despesas.

Pretendo criar um pequeno comit�

para investigar o ensino da leitura nas escolas

e o uso da l�ngua inglesa.

Espero que esta investiga��o mostre

se est� a ser dada prioridade suficiente a esses assuntos

e se est�o a ser usados os m�todos de ensino mais eficazes.

Ela estava a tornar-se uma esp�cie de �man

para quem estava � direita do partido

e que procurava algu�m para salvar o Partido Tory de si mesmo.

Ela s� quis avan�ar quando, finalmente,

decidiu que o Partido Conservador estava a ir na dire��o errada

e que, olhando em volta e n�o vendo mais ningu�m,

ela era a �nica que podia levar a uma corre��o

e que os podia impedir de serem t�o moles.

Acho que foi a� que deixou de ser uma pessoa normal

e passou a ser uma pessoa extraordin�ria.

Thatcher derrotou Edward Heath.

Apenas 90 minutos ap�s a sua elei��o como l�der dos conservadores,

a Sra. Thatcher chegou ao Gabinete Central, a sede do partido.

Mas n�o se demorou � porta.

Entrou para se encontrar com quem l� estava para lhe apertar a m�o.

Antes de chegar, muitos dos que a cumprimentavam

estavam surpreendidos com a dimens�o da sua maioria.

No Gabinete Central, deslumbraram-se com a forma como ela encheu a confer�ncia,

ao contr�rio do que acontecera at� recentemente no partido.

Se n�o estava habituada a tanta aten��o, n�o mostrou.

O Sr. Airey Neave, o gerente da sua campanha,

foi um dos que voltou a Westminster mais do que satisfeito.

Seguiu-se a Sra. Thatcher,

que tamb�m parecia satisfeita com os acontecimentos do dia.

Habituou-se aos flashes e �s luzes nos �ltimos dias,

mas p�s um fim a isso ap�s uma �ltima sess�o de poses...

Seis, cinco, quatro...

... alegando a necessidade de voltar ao comit� da lei or�amental

e de contar tudo ao Sr. Thatcher.

Agora pensamos em Margaret Thatcher como uma figura de direita,

mas ela n�o era de todo de extrema-direita,

especialmente ao in�cio.

Quando se tornou l�der do Partido Conservador,

a sua primeira administra��o n�o era de todo de extrema-direita

e ela tinha todo o gosto e estava disposta a encontrar um meio-termo.

Era uma pessoa conciliadora.

Era uma pol�tica muito competente, mas dava a impress�o de lideran�a.

Liderava na frente.

Aparentava ser estridente e clara

e, ao mesmo tempo, quando precisava,

cedia, adaptava e moderava as suas vis�es.

Tinha o estilo de uma l�der, mas a perspic�cia de uma pol�tica.

Na manh� seguinte � sua elei��o, como se sente?

Estou muito bem.

H� tanto a fazer que n�o h� tempo para sentir o nervoso.

- Sente-se um pouco apreensiva? - Claro.

� normal ao come�ar um novo trabalho.

Como reagiu a fam�lia?

Est�o bem, est�o a encarar isto bem. Venha o que vier, eles aguentam.

Quando ela se tornou l�der do partido,

acho que ficaram todos surpreendidos.

Lembro-me de que Lord Amory, um antigo chanceler do Tesouro,

escreveu � minha tia a dizer:

"Devo ter medo da nossa nova l�der?"

Mas acho que muita gente pensava isso. O que os esperava?

H� que lembrar que o l�der que ela substituiu, Ted Heath,

se tornara muito impopular.

Por um lado, houve um grande al�vio,

mas, por outro, pensavam: "O que fomos fazer?"

Porque ela n�o era muito conhecida.

Havia muitas coisas nela que n�o agradavam �s pessoas.

Tinha uma voz estranha, para come�ar. N�o era voz de classe alta.

Ela tinha origens humildes, na verdade.

Mas a voz parecia de uma professora de escola.

Falava como se todos fossem crian�as.

Quantas horas seriam necess�rias

para tirar a carta daquilo em que eu estava?

- Do Abbot? - Sim.

Provavelmente 16 ou 17 horas.

Dezasseis ou dezassete horas?

Alguns pol�ticos devem ter ficado furiosos por receberem ordens desta mulher.

E outros, grandes apoiantes

que tinham no��o da capacidade e da habilidade dela,

tinham muito gosto em apoi�-la, por isso era complicado.

Assim que foi eleita l�der do partido,

procurou todas as oportunidades poss�veis

de ir para a rua e estar com as pessoas.

Foram organizadas oportunidades fotogr�ficas

e eu cobri muitas delas.

E...

Ela afirmava que, dessa forma,

as pessoas ficariam a saber como ela era.

Ap�s dois dias a ver as for�as brit�nicas na Alemanha,

ainda considera as defesas da Gr�-Bretanha inadequadas?

Acho que deixei a minha posi��o clara na segunda-feira.

Disse que j� sofremos cortes suficientes,

que � fun��o do governo garantir

que a defesa do reino tenha uma prioridade adequada

e que devemos cumprir os nossos deveres para com o nosso povo

e para com os nossos aliados na Alian�a Atl�ntica.

A imprensa era suave com ela ao in�cio. Chamavam-lhe Maggie.

Agora � dif�cil pensar nela como Maggie.

Depois tornou-se popular a express�o que um l�der russo usou para ela.

A Dama de Ferro.

De certeza que ela gostava mais dessa.

Parece que os russos protestaram contra o tom antissovi�tico do seu discurso.

Ainda acha que o discurso foi sensato?

Muito sensato.

O discurso pegou nos factos e contou uma hist�ria atrav�s deles.

Devo ter acertado em cheio para obter essa rea��o.

A Dama de Ferro do Mundo Ocidental surgiu de forma curiosa.

Ela falou, na C�mara dos Comuns,

sobre a necessidade de resistir ao avan�o da Uni�o Sovi�tica.

Um jornal militar de Moscovo, chamado "Estrela Vermelha", apanhou isso

e apelidou-a de "Dama de Ferro do Mundo Ocidental".

Quando lhe perguntaram sobre isto, num jantar que ela deu n�o muito depois.

Estava com uma roupa toda requintada. Ela sabia aperaltar-se quando queria.

Ao in�cio, ela pensava que era uma piada.

Aqui estou esta noite, com o meu vestido de chiffon da cor da estrela vermelha.

Tenho uma maquilhagem suave e o meu cabelo claro levemente ondulado.

A Dama de Ferro do Mundo Ocidental!

Uma guerreira da Guerra Fria.

Uma filistina da Amaz�nia!

At� uma conspiradora de Pequim!

Sim, se � assim que eles desejam interpretar

a minha defesa de valores e liberdades essenciais ao nosso modo de vida

e com "eles" refiro-me �quela alian�a algo estranha

entre os camaradas do Minist�rio da Defesa Russo

e o nosso ministro da Defesa.

- Isso mesmo! - Muito bem!

Podem chamar-me o que quiserem,

se acharem que devemos ignorar o crescimento da for�a militar russa.

Ela n�o se importava de ter esses r�tulos.

Ela quase que enfatizava isso e via-os como uma vantagem.

Certamente, aos olhos dela,

n�o era nenhuma desgra�a ou dificuldade

chamarem-lhe Dama de Ferro do Mundo Ocidental,

porque, para ela,

isso significava que ela era algu�m que defendia as liberdades

e o estilo de democracia aceites no mundo ocidental.

Da mesma forma, quando ela come�ou uma campanha muito s�ria

para as elei��es de 79,

muitas pessoas chamavam-lhe Maggie aos gritos.

Mais tarde nas elei��es, diziam:

"Maggie, Maggie! Fora, fora!"

Ela nunca se queixou por ser conhecida por Maggie.

Nunca for�ava a sua dignidade.

Se lhe queriam chamar Maggie,

porque ela representava algo que elas queriam promover no pa�s,

ent�o que fosse Maggie.

A pol�tica brit�nico � de consenso. Andamos maioritariamente ao centro.

De vez em quando, percebemos, como eleitorado,

que � hora de mudan�a.

Os primeiros-ministros que ent�o elegemos s�o as pessoas

que romperam com a tradi��o e que quebraram consenso.

Depois de governos liderados por Harold Macmillan,

Ted Heath, Harold Wilson, James Callaghan,

as pessoas pensaram: "Os sindicatos est�o fora de controlo.

� hora de mudan�a."

E a� entra Margaret Thatcher. Ela � a personifica��o da mudan�a.

Alguns destes homens s�o os destruidores no meio de n�s.

N�o s�o todos os sindicalistas,

mas h� alguns militantes que s�o os destruidores.

Acho que prejudicam tanto a dec�ncia do sindicalismo

como a nossa economia.

Procuram usar a liberdade para destruir a liberdade.

N�o dever�o conseguir.

Apoiada!

O que era conhecido, naquele tempo, como coletivismo

ou corporativismo, ou seja,

a ideia de que o Estado � que sabia, de o governo mandar nas pessoas,

de os sindicatos mandarem nas pessoas...

Essa era a grande mensagem dela, de que queria mudar isso tudo

e de que o que aconteceria ao pa�s seria aquilo que os eleitores quisessem.

"Voc�s v�o decidir.

Decidam se tenho raz�o ao dizer que temos de mudar de dire��o."

As pessoas identificaram-se muito

e, claro, surtiu efeito na campanha de 79

e na elei��o com as pessoas no centro.

Na elei��o, eram essas pessoas que diziam:

"Ela est� a falar para algu�m como eu. J� chega disto, vou votar nela."

Margaret Thatcher foi eleita a 4 de maio de 1979.

Como se sente neste momento?

Muito entusiasmada, muito ciente das responsabilidades.

Sua Majestade a Rainha pediu-me para formar um novo governo

e eu aceitei.

�, claro, a maior honra que um cidad�o pode ter numa democracia.

H� que lembrar que a Gr�-Bretanha passara um per�odo muito dif�cil.

Havia muitas greves e a sensa��o de que o pa�s estava em decl�nio.

Acho que a maioria sentia isso, n�o s� pessoas como Margaret,

mas tamb�m os seus oponentes.

Ela chegou determinada a mudar isso tudo.

A primeira coisa que disse depois de vencer as elei��es

foi que levaria harmonia para onde havia disc�rdia,

citando o S. Francisco de Assis.

Ela percebeu que a come�avam a achar um pouco autorit�ria, um pouco mandona,

depois de todas as apari��es na televis�o em que parecia ter tudo sob controlo.

Talvez tenha pensado: "Talvez deva garantir que as pessoas sabem

que estou a abordar isto com um sentido de humildade."

Onde houver disc�rdia levemos harmonia.

Onde houver erro, levemos a verdade.

Onde houver d�vida, levemos a f�.

Onde houver desespero, levemos a esperan�a.

E, claro, baixando a voz:

"Onde houver disc�rdia, levemos harmonia."

Olhando para as fotografias da altura,

ela teve tanto cuidado em dizer isso bem

que o tinha escrito num cart�o na m�o.

Se vacilasse, era s� olhar para baixo

e veria "disc�rdia" ou "harmonia".

Estava determinada em acertar e entrar.

"Pronto, vou come�ar.

N�o se preocupem, n�o sou a ogra que as pessoas pensam que sou.

Farei um bom trabalho."

Agora que as elei��es terminaram,

devemos juntar-nos e esfor�ar-nos por servir e fortalecer o pa�s

ao qual temos tanto orgulho de pertencer.

O primeiro governo dela n�o era t�o radical como agora pensamos.

At� era bastante consensual e moderado.

Tinha muitos conservadores moderados, os wets, no seu governo.

Com o passar dos anos, ela pr�pria tornou-se mais �spera

� medida que ganhava confian�a.

O que est� no nosso caminho?

A perspetiva de outro inverno de descontentamento?

Poder� ser isso,

mas prefiro acreditar que determinadas li��es

foram aprendidas com a experi�ncia,

que estamos lentamente, dolorosamente, a chegar a um outono de entendimento

e espero que seja seguido de um inverno de senso comum.

Ela estava decidida a mudar este pa�s,

a parar o decl�nio que ela via, a reduzir o poder dos sindicatos,

a devolver ao pa�s alguma da influ�ncia sobre o mundo

que perdera na d�cada precedente, dos anos 70.

Ela tinha uma vis�o muito clara do que queria fazer

e estava preparada para ser muito impopular enquanto o fazia.

Cada pessoa deve ter o seu estilo.

N�o podem trabalhar com o de mais ningu�m. O estilo faz parte da pr�pria abordagem.

Eu n�o acreditava que ser primeiro-ministro

era ser presidente de um comit�.

N�o basta juntar as vozes.

A lideran�a � muito importante na pol�tica.

Eu escolhi a minha maneira, o primeiro-ministro deve escolher a dele.

N�o podemos entrar na personalidade de outra pessoa.

Devemos desenvolver a nossa.

Ela nunca acreditou, e dizia-o, em pol�tica de consenso.

Ela pensava que tinha sido esse o erro de Ted Heath.

A ideia de ter de esperar at� estarem todos de acordo.

Essa n�o seria a maneira dela. Tinha de ser muito cuidadosa.

N�o podia aparecer e dizer: "Fazem assim, porque eu disse."

Ela acreditou desde o in�cio que o l�der de um partido

tem de liderar

e de fazer de tudo no seu poder para convencer as pessoas

de que a posi��o que toma est� certa e de as persuadir.

Acho que ela � uma pessoa

com muita energia, muita dedica��o, muita coragem.

CONSERVADOR A FALAR EM 1989

E, por isso, at� certo ponto, � como um cruzado

e, podemos dizer, aben�oada com vis�o em t�nel,

porque os cruzados t�m um objetivo e lutam por ele.

Admiro a energia e a determina��o dela.

ANTIGO L�DER DOS TRABALHISTAS

Mas penso que ela sofre, mesmo nisso,

do que o Proust chamava de "certeza de segunda categoria".

N�o admiro o seu m�todo intelectual,

que � uma incapacidade de pensar que poder� estar errada.

SRA. T O CH� DA TERRA

� �bvio que ela tinha uma mente l�cida.

Dizia muito: "Isto n�o serve." Ou "Por que diabos?"

Coment�rios do g�nero.

Durante o seu tempo como primeira-ministra,

as pessoas em Whitehall sabiam...

ANTIGO VICE-PRIMEIRO-MINISTRO

... qual seria a sua posi��o.

As pessoas perguntavam: "Achas que isto passa pelo n�mero 10?"

"A primeira-ministra vai aprovar isto?"

As vis�es dela eram claras, fortes e �teis.

�s vezes era preciso discutir.

O senhor j� escolheu?

Sim, quero um bife.

- Bem ou malpassado? - Cru, por favor.

E os vegetais?

Eles v�o comer o mesmo que eu.

A perce��o que o p�blico e os meios de comunica��o tinham dela mudou.

Passou de "Caramba, temos uma primeira-ministra, que giro"

para acabar por se tornar na pessoa mais dura de todo o governo, de longe.

Quem quer ser o meu representante?

Ent�o, acham que preciso de um representante?

Talvez n�o seja m� ideia.

� claro que n�o preciso de um!

Era uma piada.

Calem-se!

Se vos ouvir dizer que trabalho de mais,

despe�o-vos a todos e fa�o eu as vossas fun��es.

Apoiada!

Na verdade, analisando bem, Margaret Thatcher era muito boa

a recortar e a alterar quando as pol�ticas variavam.

N�o estava t�o fixada em fazer as coisas � sua maneira

como as pessoas imaginam.

Nos bastidores, ela demorava sempre imenso tempo

a tomar decis�es, a debater os assuntos.

Testava qualquer ideia que tinha quase at� � destrui��o.

Chamava pessoas para sess�es argumentativas.

Dizia: "Diz-me tu. E isto? E aquilo?

Se eu fizer isto, poder� acontecer isto e aquilo?"

Era insistente e, depois de passar por esse processo

e de chegar ao fim com a decis�o da posi��o que ia assumir,

ela nunca vacilava.

Est�vamos a ter um debate e ela resumia-o antes de come�ar.

ANTIGO VICE-PRIMEIRO-MINISTRO

Alguns de n�s n�o toleravam isso

e era preciso aprender como lidar com ela.

Acho que a maioria dos ministros de Margaret Thatcher tinham medo dela.

Quanto mais ela continuava, mais assustados ficavam.

Quem exprimia opini�es c� fora que divergissem das dela

n�o durava muito tempo no governo.

Ela n�o procurava sempre o consenso.

Ela tem uma frase famosa.

"Posso ser a �nica a pensar uma coisa."

Acho que era sobre a Europa, um assunto problem�tico para este pa�s.

"Posso ser a �nica, mas tenho raz�o."

CONTINUA ASSIM, MAGGIE

N�o seremos desviados do nosso percurso.

A quem espera com respira��o suspensa

pela express�o dos meios de comunica��o, "a invers�o de marcha",

s� tenho uma coisa a dizer.

Invertam voc�s, se quiserem.

A dama n�o � para invers�es.

Acho que Margaret Thatcher via o pa�s muito dividido.

Ela queria ajudar as pessoas com menos posses, que conseguissem comprar uma casa,

mas tamb�m queria derrubar o poder dos sindicatos,

que ela via como o motivo para o decl�nio do pa�s

por fazerem exig�ncias absurdas, greves e tudo o resto.

Ela estava decidida a mudar a Gr�-Bretanha, sem d�vida.

Fora, fora, fora!

- Maggie! - Fora!

Geoffrey Howe, o seu fiel chanceler em 81, disse:

"Estamos numa recess�o, mas devemos cortar os gastos p�blicos."

Isso soa mesmo ultrapassado, n�o �?

Mas, na altura, foi quase revolucion�rio.

A ideia de cortar os gastos p�blicos numa recess�o

ia contra as t�picas ideias Keynesianas de sair de uma recess�o a gastar,

a criar programas de obras p�blicas.

H� quem ainda pense assim.

Mas, na altura, era esse o grande problema

e, claro, ela foi muito vilipendiada.

A primeira-ministra foi vaiada mal chegou a uma zona afetada de West Yorkshire.

Mas ela ignorou, para falar com os jovens apoiantes.

Talvez fosse ir�nico que, na fase cr�tica da disputa dos funcion�rios da �gua,

a Sra. Thatcher visitasse uma f�brica de banheiras.

Apesar das boas-vindas, houve mais oposi��o.

Maggie, Maggie, Maggie!

Fora, fora, fora!

As boas novas sobre a infla��o de que a Sra. Thatcher falara

n�o acalmaram algumas pessoas em Calderdale.

Fecharam 60 f�bricas e 11 mil pessoas ficaram desempregadas

desde que ela subiu ao poder.

O maior protesto foi em Bingley,

onde os protestantes abafaram os apoiantes do partido.

Depois de responder a um aceno amig�vel,

a primeira-ministra entrou e, por pouco,

evitou a bomba de farinha que atingiu o carro.

A pol�cia n�o sabe quem foi.

Sa�am pequenas hist�rias

a dizer que a rainha n�o estava satisfeita com o que se passava.

Margaret Thatcher ficava nervosa com a rainha, especialmente ao in�cio.

Tamb�m ansiava muito por n�o falhar.

Sei pelo motorista de Margaret Thatcher

que quando ela tinha uma audi�ncia com a rainha em Windsor,

sa�am de Downing Street t�o cedo

que tinham de estacionar numa berma perto do castelo

durante meia hora, 45 minutos,

�s vezes uma hora, para chegarem a horas,

tamanha era a ansiedade de Margaret Thatcher por fazer tudo bem.

Para a rainha, � mais um primeiro-ministro.

Ela interessa-se por tudo o que se passa,

� tudo como de costume.

Acho que a rainha estava confort�vel com Margaret,

mas ela estava muito consciente de que aquela era a rainha.

Havia v�rios rumores sobre isso

e acho que havia uma vers�o que dizia:

"Ambos os lados est�o receosos antes destas reuni�es,

mas acho que n�o foi Margaret Thatcher a ficar com medo."

Sempre foi tradi��o que, nas reuni�es entre a rainha e o primeiro-ministro,

fosse este �ltimo a falar mais e a rainha a ouvir mais.

Imagino que na �poca de Margaret Thatcher...

Ali�s, at� acho que � mesmo verdade

que a primeira-ministra falou ainda mais e a rainha ouviu ainda mais.

Dizia-se que Margaret Thatcher ia para as audi�ncias com a rainha

e fazia uma v�nia mais baixa

do que qualquer outra pessoa antes.

Era uma grande rever�ncia

e acho que a rainha n�o gosta disso.

Ela n�o...

Ela quer que seja algo direto e honesto

e acho que elas nunca se deram muito bem,

para ser honesto.

Contudo, n�o h� provas disto.

Sei que a rainha simplesmente n�o falaria disso.

Com certeza n�o falaria disso a ningu�m al�m da fam�lia direta.

Acho que a rainha teria interesse

em ver a primeira-ministra, uma mulher,

e acho que teria gostado

da atitude lutadora de Margaret Thatcher em rela��o � vida.

Embora a rainha esteja acima dos partidos,

acho que � uma pessoa naturalmente conservadora, com C min�sculo.

Por isso, simpatizaria com bastantes ideias de Margaret Thatcher.

Quanto ao que achava de Margaret, observemos o seguinte.

� sua sa�da do governo, concedeu-lhe a Ordem de M�rito

e, mais tarde, a Ordem da Jarreteira.

S�o duas honras muito antigas e muito diferentes.

Ambas s�o um presente pessoal da rainha.

Isso diz tudo sobre o que ela achava de Margaret. Muito respeito por ela.

A 2 de abril de 1982, uma for�a argentina invade as Ilhas Malvinas no Atl�ntico Sul.

Uma for�a de interven��o brit�nica � enviada para as reocupar tr�s dias depois.

A Guerra das Malvinas foi, digamos,

outro exemplo da forma da Sra. Thatcher abordar as coisas com ideias b�sicas.

N�o se permitia que outro pa�s invadisse o nosso pa�s,

nem o peda�o mais remoto do nosso pa�s, com impunidade.

Ela n�o ia aceitar isso.

Fosse certo ou errado, ela n�o ia aceitar.

Quando se decidiu enviar a for�a de interven��o, por exemplo,

houve muitas vozes,

incluindo do pr�prio ministro da Defesa, suspeito eu,

a dizer que isto n�o podia ser feito, era uma opera��o muito grande.

Mas, mais uma vez, aquela ideia de Margaret Thatcher de avan�ar e pronto.

Avancem com isso.

Disseram-me que no momento em que ela decidiu fazer isso,

contornou todas as ordens no governo, a burocracia e tudo,

e enviou as tropas assim que poss�vel.

Era muito eficiente.

Isso envolveu coisas como o encaixe para reabastecimento em voo,

mecanismos nos navios-tanque,

para que os avi�es pudessem ir �s ilhas e voltar

sem terem de aterrar,

a aplica��o do Queen Elizabeth 2 como navio de apoio

e tudo o resto que era necess�rio para isso.

As pessoas ainda dizem que n�o se conseguiu mais nada assim depois disso.

Foi outro exemplo.

Quando Margaret Thatcher decidia o percurso que ia seguir,

ela seguia-o at� ao fim e estava decidida a segui-lo at� ao fim.

Antes disso, havia muitas dificuldades.

H� sempre, com os primeiros-ministros,

porque tentam abordar o imposs�vel, como os servi�os de sa�de.

Apesar do dinheiro investido, dar� sempre problemas.

Isto aumentou bastante a moral dela e da Gr�-Bretanha

e ela passou no teste.

A 14 de junho, o general argentino Menendez

rende-se ao major-general brit�nico Jeremy Moore.

O comandante da opera��o enviou a seguinte mensagem.

"Informem Sua Majestade

de que o Pavilh�o Branco ondula ao lado da Bandeira da Uni�o na Ge�rgia do Sul.

Deus salve a rainha."

- E agora, Sr. Nott? - Obrigado.

- Qual � a rea��o? - Alegrem-se com estas not�cias.

E felicitem as nossas for�as e a Marinha.

As pessoas gostam de um l�der, gostam de ser lideradas de frente.

Em tempos de guerra, as pessoas gostam de um l�der forte.

David Lloyd George na Primeira Guerra. Winston Churchill, na Segunda.

Margaret Thatcher liderou bem o pa�s no conflito das Malvinas.

O povo gosta de um l�der de guerra forte.

Se pensarem nos primeiros-ministros do Reino Unido de que as pessoas se lembram,

costumam ser l�deres de guerra.

Diz-se que surpreendemos o mundo,

que o patriotismo brit�nico se redescobriu naqueles dias de primavera.

Sr. Presidente, ele nunca esteve perdido.

Acho que significava que o resultado de 1983 era uma certeza.

Mas ela n�o via isso assim.

Teve de ser arrastada para as elei��es de 1983.

S�o mandatos de cinco anos.

Este seria de quatro anos

e ela queria uma raz�o muito boa para voltar para o pa�s ap�s quatro anos.

Tiveram de a convencer quanto ao panorama pol�tico no Reino Unido

e que isso levaria � vit�ria.

Por fim, a combina��o de uma oposi��o ineficiente

e da sua vit�ria militar

implicou a obten��o do seu melhor resultado nas elei��es de 1983.

Uma vit�ria maior, pelo que parece agora,

do que eu me tinha atrevido a esperar, porque sou t�o cautelosa.

Acho que ela teve a sorte de o homem enviado duas vezes por semana

para lhe fazer frente no parlamento e lhe responder ser Neil Kinnock.

�s vezes parecia que ele era um cachorro

que recebeu ordens para ir ali saltar e dizer alguma coisa

sobre a qual n�o tinha uma forte opini�o.

Ela conseguia, com facilidade, mand�-lo abaixo regularmente.

Ela n�o tinha um oponente forte.

Para concluir, primeira-ministra,

gostava que este pr�ximo governo fosse recordado pelo qu�?

Por ter pol�ticas claras e com objetivos

e por as aplicar com firmeza.

E por ser um defensor resoluto da liberdade e da justi�a.

O grande conflito de Margaret Thatcher como primeira-ministra

foi com os mineiros.

A ind�stria do carv�o estava em decl�nio neste pa�s,

mas ainda havia muitas minas.

Os mineiros eram muito militantes

e eram liderados por um homem muito militante, Arthur Scargill.

Ele decidiu que deviam fazer greve

para impedir o encerramento de v�rias minas.

Mas foi uma batalha �pica

entre a vis�o da Gr�-Bretanha de Margaret Thatcher,

em que todos teriam oportunidades,

mas sem dependerem dos sindicatos para avan�arem

e a vis�o de Arthur Scargill

de que os trabalhadores e as ind�strias tradicionais precisavam de prote��o

e de que o homem comum seria destru�do pela m�quina pol�tica.

Foi uma batalha assim.

Os mineiros come�aram a sua a��o industrial a 12 de mar�o de 1984.

A greve duraria quase um ano.

Este ano, tal como anteriormente na nossa hist�ria,

vimos homens e mulheres com cora��es corajosos

a desafiarem a viol�ncia, a desdenharem da intimida��o

e a defenderem os seus direitos de fazer cumprir as nossas leis.

Gra�as �s suas a��es, vimos o nascimento de uma nova lideran�a da Gr�-Bretanha

e isso � o mais importante, o mais duradouro,

que resultar� desta greve do carv�o.

Um novo nascimento de lideran�a!

Ao in�cio, ela deixou as coisas seguirem o seu rumo,

mas estava decidida a que o Sr. Scargill fosse derrotado.

Acho que Margaret Thatcher e o governo conservador, depois de 83,

sabiam que haveria um confronto com os mineiros,

e seria para breve.

H� muitas provas de que andavam a pensar nisso h� algum tempo

e a preparar-se para a possibilidade de isso acontecer.

Ent�o, discretamente, come�aram a acumular carv�o

e mandaram a National Coal Board aumentar as reservas.

Oficialmente, estava tudo nas m�os da National Coal Board e dos mineiros.

"O governo n�o deve ditar como isto deve ser.

Depende do Sr. MacGregor, presidente da Coal Board."

Na verdade, n�o era assim. Sabemos que n�o.

Ela queria isso resolvido de vez.

� intimida��o.

S�o ajuntamentos il�citos.

O nosso dever exige e o interesse nacional obriga

a que vejamos que a viol�ncia n�o compensa e n�o se prev� que compense.

Houve um incidente horr�vel no fim da greve dos mineiros,

quando os manifestantes mandaram cimento de uma ponte rodovi�ria

para cima de umas pessoas que estavam a tentar chegar ao piquete de greve

ou a tentar passar pelo piquete, n�o sei.

Ela estava em Paris e eu estava de servi�o.

Apanhei-a nos degraus do Pal�cio do Eliseu e disse-lhe:

"Sra. Primeira-ministra, uma pessoa foi morta.

N�o estar� na hora de abrir as negocia��es

e tentar chegar a um acordo?"

Com um olhar fulminante, virou-se para mim e disse:

"Sr. Brunson, nunca se cede � viol�ncia!"

Virou-se e foi-se embora.

Fala de uns poucos manipuladores implac�veis.

Nunca negociar� com eles?

Nunca negociarei com pessoas

que usam a coa��o e a viol�ncia para atingirem o seu objetivo.

S�o inimigas da democracia.

N�o lhes interessa o futuro da democracia.

Tentam matar a democracia para os seus pr�prios fins.

L� fora, atirou-se ovos.

Um acertou na primeira-ministra, mas um detetive levou com o pior.

Abriram um chap�u-de-chuva para desviar os outros.

Para ela, foi o maior teste � sua lideran�a.

Ela acabou por vencer. J� quase n�o nos resta ind�stria do carv�o.

O Sr. Scargill reformou-se h� muito.

O poder dos sindicatos,

principalmente dos mineiros, desapareceu.

a 12 de outubro de 1984, o IRA colocou uma bomba no Grand Hotel em Brighton.

A explos�o destruiu quartos em tr�s andares,

que alojavam a primeira-ministra, o seu governo e membros do parlamento.

Houve cinco mortos e 31 feridos.

Al�m das autoridades,

um agente de neutraliza��o procurava pistas da identidade do bombista.

O primeiro corpo foi retirado do edif�cio.

A primeira-ministra foi � esquadra de Brighton

falar sobre a sua fuga.

Estava acordada e acabara de preparar um discurso quando a bomba explodiu.

O meu marido estava na cama, as janelas e a casa de banho ficaram danificadas.

No vosso quarto?

Sim, tivemos muita sorte.

Ouvimos falar destas atrocidades, das bombas.

N�o esperamos que nos aconte�a a n�s.

Mas a vida tem de continuar, como sempre.

A confer�ncia mant�m-se?

A confer�ncia mant�m-se. Tudo bem, John.

A confer�ncia mant�m-se, como habitual.

- Obrigado. - Obrigada.

O sol entrava pelos vitrais

e espalhava-se pelas flores do outro lado da igreja.

E ocorreu-me

que este era um dia que eu n�o deveria ver.

Lutamos como sempre lut�mos.

Pelos fracos, bem como pelos fortes.

Lutamos por boas e grandiosas causas.

Lutamos para os defender do poder e da for�a

de quem se ergue para os desafiar.

Este governo n�o vai enfraquecer.

Esta na��o vai enfrentar o desafio,

a democracia vai prevalecer.

A Sra. Thatcher era muito boa a manter a Gr�-Bretanha

no centro da imagem.

Quando os l�deres russos e americanos se encontravam,

vinham pela Gr�-Bretanha e a Sra. Thatcher estava sempre l�.

Ela tinha uma rela��o muito boa com Ronald Reagan.

N�o devemos subestimar a sua feminilidade e a forma como podia agradar e lisonjear

a um velho e alegre ator de Hollywood que se tornou primeiro-ministro,

e ela era muito boa nisso tudo.

N�o h� maior alian�a no mundo que a alian�a anglo-americana.

E, se passar por dificuldades peri�dicas,

como foi a quest�o de Granada, elas n�o duram muito.

Voltamos � total alian�a e � sua total defesa da democracia

e da liberdade no mundo.

Margaret Thatcher foi a mulher certa, no s�tio certo, � hora certa

e tornou-se uma figura simb�lica.

Ela e Ronald Reagan tornaram-se os dois l�deres mundiais

associados ao fim do comunismo, � queda do Muro de Berlim.

De certa forma, isso ser� o seu legado.

N�o sei ao certo quanto � que ela contribuiu pessoalmente para isso.

Pode ter sido s� o curso da hist�ria,

mas ela estava l� a fazer o barulho certo � hora certa

e teve a sorte de ter algu�m nos Estados Unidos

com quem tinha companheirismo real.

Eram amigos, eram almas g�meas.

Era uma parceria que funcionava mesmo.

Gorbachev, claro, era reformista.

Ele sabia o que queria fazer

e obviamente via que ela sabia o que queria fazer.

Acho que a afinidade vinha da�.

Ela queria fazer as coisas avan�ar em rela��o � Uni�o Sovi�tica e ele tamb�m.

Era da� que vinha.

Ela dava-se mal com os l�deres europeus.

Ela desconfiava profundamente dos alem�es

e era algo hist�rico.

Talvez as pessoas se esque�am que para algu�m que ultrapassou...

Claro, ela pr�pria sabia,

ela pr�pria viu os efeitos da Segunda Guerra Mundial.

Tinha uma avers�o residual, passo o eufemismo,

aos alem�es e ao que eles defendiam,

por isso desconfiava logo das ideias deles.

E os franceses j� estavam para l� do aceit�vel.

Tamb�m n�o se dava bem com os franceses.

O Sr. Blair diz querer liderar na Europa,

mas o pre�o disso � que esperam

que a Gr�-Bretanha seja arrastada para a moeda �nica.

E ele est� disposto a isso.

Eu nunca estaria disposta a abdicar da nossa moeda.

A 11 de junho de 1987, Thatcher foi a primeira, desde 1820,

a levar o seu partido a tr�s vit�rias consecutivas.

� maravilhoso que o governo deste pa�s, deste grande pa�s,

me seja confiado novamente.

Quero dizer-vos isto.

Quanto maior a confian�a,

maior o nosso dever de merecer essa confian�a

e iremos esfor�ar-nos para servir as pessoas destas ilhas no futuro,

tal como no passado.

Quando cheg�mos �s elei��es de 87,

as pessoas lembravam-se da greve dos mineiros,

mas estavam a aparecer muitos outros problemas.

Havia mais problemas econ�micos para resolver.

Ela j� estava no governo h� muito tempo

e acho que as pessoas tiveram de olhar para ela e � sua volta

quando tomaram a decis�o em 87.

A maioria dela j� n�o foi t�o alta.

Ent�o, havia d�vidas de que ela estaria sempre certa.

Est�vamos a come�ar a v�-las.

Pode esclarecer a posi��o quanto ao seu futuro?

Pretende combater nas pr�ximas elei��es?

Acab�mos de ganhar estas. Sem problemas.

Faltam quatro ou cinco anos para as pr�ximas elei��es.

Ningu�m consegue prever com exatid�o o que acontecer� nesse tempo.

Vamos aplicar o programa pelo qual fomos eleitos.

H� muito trabalho a fazer.

Margaret, desta vez foste demasiado longe!

Transformaste-te numa ditadora.

N�o d�s ouvidos a ningu�m.

�s louca, Margaret, perdeste o ju�zo.

Estamos fartos, est�s acabada!

Muito bem, sabem as vossas deixas?

Sim, tenho aqui.

Nada de desistir.

Cheg�mos at� aqui, n�o podemos voltar atr�s.

Certo!

Bom dia.

V�!

- Margaret! - Sim, Geoffrey?

Bom dia.

Bom dia!

Muito bem, levantem-se, sentem-se,

metam o dedo no nariz

e imitem uma galinha.

Seus insetos cobardes, odeio-vos.

No fim do seu tempo,

notava-se que ela se tornara mais autorit�ria.

Come�ou a notar-se mais depois de 87,

quando, de certa forma, se deixou levar pelo poder,

pela sensa��o de que nada acontecia

a n�o ser que ela mandasse e for�asse e todos tinham de fazer o que ela dizia.

A Sra. Thatcher surgiu em Downing Street com o marido,

interrompendo as prepara��es para ir amanh� ao Qu�nia e � Nig�ria,

para marcar o seu recorde de oito anos e 244 dias no n�mero 10.

Esse reinado come�ou em maio de 1979 com o mesmo aceno.

Disse que passou depressa. Ainda havia muito a fazer.

Alcan��mos bastante.

Quando passei aquela porta,

a Gr�-Bretanha era conhecida por sofrer da doen�a brit�nica.

Agora somos conhecidos por ter a cura brit�nica

e as pessoas v�m at� n�s, um pa�s com confian�a renovada,

para ver como conseguimos.

Algumas cr�ticas surgiram de Sir John Nott,

o seu antigo secret�rio da defesa, que dissera ao Panorama da BBC

que, �s vezes, "era necess�rio impedir que a Sra. Thatcher exagerasse".

N�o fa�o ideia do que o John Nott disse.

O John Nott foi um membro do nosso governo muito viva�o, vital

e interessante, cheio de novas ideias.

- Disse que a sua lideran�a � exagerada. - Est� bem.

Sir John disse � ITN

que a Sra. Thatcher fora excelente e tivera grandes conquistas.

Ela durou mais que todos os ministros que estavam com ela ao in�cio

e quase todos os conselheiros e funcion�rios civis.

Perto do fim, ela tornou-se mesmo um pouco dif�cil de controlar.

Ningu�m a controlava.

O que � interessante nos pol�ticos de sucesso,

ou talvez em qualquer pessoa de sucesso na vida p�blica,

� que o que lhes d� o sucesso ao in�cio

� aquilo que os manda abaixo, de certa forma.

O grande sucesso dela era n�o dar ouvidos aos ministros

e fazer o que queria,

levar as coisas avante e ser muito assertiva.

Eventualmente ter� sido isso que a mandou abaixo.

Uns anos depois de ela sair,

lembro-me de falar com Kenneth Clarke, que fizera parte do seu governo.

Ele disse que era espantoso.

Tinham reuni�es do comit� do gabinete

e tinham uma boa no��o do que estava a ser discutido

e de que decis�es pareciam ter sido tomadas

e, quando chegavam as minutas, as conclus�es eram totalmente diferentes.

Tivemos uma amostra disso no epis�dio de Westland com Michael Heseltine.

Essa era a queixa dele,

as coisas n�o estavam a ser tratadas adequadamente.

Ao in�cio, antes de ir a um Conselho Europeu,

por exemplo, ela reunia todos os ministros,

cujas prioridades iam ser discutidas, e os funcion�rios civis superiores

e as instru��es eram breves e completas.

Posteriormente, com assuntos familiares, ela quase n�o queria discutir de todo.

Eu e o Nigel Lawson chate�mo-nos por isso.

Ela n�o se reuniu connosco antes do Conselho em Madrid.

Ela afastara-se e era mais dif�cil lidar com ela.

Havia uma grande diferen�a.

Basicamente, era o assunto recorrente

no seu tempo como primeira-ministra em rela��o �s atitudes para com a Europa.

Lawson sentia cada vez mais

que nos dev�amos aproximar de algo como uma uni�o monet�ria.

Ela tinha um �dio particular pelo que ele fazia,

porque ele queria que a libra acompanhasse o marco alem�o,

o que ela achava muito suspeito.

Alan Walters, o seu conselheiro econ�mico e financeiro privado,

dizia-lhe isso.

Dizia-lhe todos os dias que o que Lawson fazia estava errado.

Claro que Lawson deixou de tolerar isso e foi-se embora.

Um primeiro-ministro que perde um chanceler est� em sarilhos.

A posi��o do Nigel, como eu lhe disse, � indiscut�vel.

- Ele tem... - Mas n�o �, pois n�o?

- Ele foi-se embora. - Por escolha dele.

Tentei persuadi-lo a ficar.

N�o acreditava que se fosse embora, sendo um chanceler t�o forte

e com uma posi��o t�o indiscut�vel.

Nega que o Nigel ficaria se a senhora despedisse o professor Alan Walters?

- N�o sei. - Que admiss�o terr�vel.

- N�o tenho mais... N�o sei. - N�o sabe?

Poderia ter ficado com o seu chanceler

se despedisse o seu conselheiro a tempo parcial.

Eu queria manter o meu chanceler de qualquer forma.

Ele era muito bom, a sua posi��o era indiscut�vel

e, sejamos francos, Brian, ele era chanceler.

Para a primeira-ministra, a vida continua, o que significa ir � igreja em Chequers.

Ela sabia que a sua entrevista

seria vista pelos deputados de retaguarda dos Tories,

muitos dos quais pediram uma lideran�a mais suave,

a seguir � crise da demiss�o.

Vou continuar a ser a minha pessoa doce e razo�vel,

assente em convic��es muito fortes.

- Tenho de a interromper. - N�o, n�o tem.

Obrigado, tem de ser. Obrigado.

A forte lideran�a continuar�.

Tem de haver uma mudan�a de estilo.

Se ela n�o est� preparada para isso,

temos de encarar a quest�o se ela pode continuar como l�der.

Fazia parte do que estava a ocorrer.

A ideia da implementa��o do imposto por cabe�a,

as discuss�es sobre a Europa, a recess�o que se aproximava.

Havia sinais de que �amos voltar a entrar em recess�o.

Tudo come�ava a dar errado.

O Sr. Baker confirmou que os deputados pediram ju�zo � primeira-ministra.

ANTIGO PRESIDENTE DOS CONSERVADORES

Sim, e acho isso muito importante.

O governo parece, por vezes, estar disperso.

� muito importante apresentarmos todas as diretrizes do governo

como uma s�rie unida de pol�ticas obtida pela responsabilidade coletiva.

Ao dizer-lhe para ter ju�zo, o que respondeu a primeira-ministra?

Ela ouviu bastante, o que � muito importante.

Era a sua oportunidade.

Se lhe pedirem para deixar de ser forte, n�o ser� essa a posi��o.

Depois, o grupo Thatcher disse

que o estilo da primeira-ministra n�o suavizaria

e que ela era "a verdadeira guardi� do prop�sito do governo".

Entre os conservadores, h� opini�es divergentes sobre o que ocorreu.

Um lado acha que a Sra. Thatcher saiu mais forte depois do que aconteceu,

agora que a briga com Nigel Laweson passou.

Mas o outro lado acha que ela enfraqueceu seriamente.

"J� passou do prazo", disse um membro do parlamento hoje.

Continua-se a falar sobre um desafio formal � sua lideran�a.

Achavam que a sua vencedora se tornara perdedora.

Naquela altura, a elei��o do l�der do partido

estava nas m�os dos membros do parlamento,

mas eles receavam, individualmente, n�o serem reeleitos

ou que tinham uma melhor probabilidade de o serem com um novo l�der.

Al�m disso, quando se est� no poder v�rios anos, as pessoas...

Bem, os que eram para promover j� o foram

e os que n�o foram sabem que nunca ser�o.

Por isso, o l�der j� n�o tem patronato para oferecer.

N�o pode dizer: "Vou cuidar de ti", porque at� agora n�o cuidou.

Ent�o, temos estas 300 ou 400 pessoas a circular por Westminster

que sabem que n�o v�o progredir mais,

porque at� agora nada, e pensam que v�o perder os lugares.

Viram-se contra a l�der.

Em novembro De 1989, Sir Anthony Meyer concorreu contra a Sra. Thatcher

em protesto contra a sua lideran�a.

Foi derrotado por 314 votos contra 33.

A Sra. Thatcher, que fala hoje na Downing Street,

ficou muito satisfeita com o resultado.

Estou muito contente com este resultado.

E estou muito contente com o apoio esmagador

dos meus colegas da C�mara e das pessoas do partido pelo pa�s.

Os primeiros-ministros t�m muito trabalho.

Est� um monte dele l� dentro

e acho que seria melhor deixar-vos e ir tratar dele.

S� uma coisa!

Ela tornou-se notavelmente mais autorit�ria.

Onde se viu mais a mudan�a

foi na introdu��o do que ela, at� ao �ltimo momento,

insistia em chamar de "imposto comunit�rio"

e que o resto do pa�s chamava de "imposto por cabe�a".

Isto foi a ru�na dela,

porque muita gente lhe disse

que o pa�s n�o aceitaria um imposto visto amplamente como injusto.

S� sabia que havia este imposto horr�vel,

o que para muita gente significava terem de pagar mais,

e que foi ela a cri�-lo.

Culpavam-na a ela em vez dos governos locais.

Ent�o, ela tornou-se intransigente quanto a isso.

Quando o imposto comunit�rio for aplicado, a nossa inten��o

� dizer exatamente qual teria sido o aumento das taxas internas

se o imposto fosse substitu�do.

As pessoas n�o v�o pagar o que poderia ter sido.

V�o pagar impostos muito mais altos

impingidos por ela e pelo seu governo.

De certa forma, acho que esse foi o seu maior erro,

porque n�o ouviu as pessoas.

Diziam-lhe que n�o podia avan�ar com o imposto comunit�rio,

mas ela j� estava a ficar impaciente

e decidiu ignorar os conselhos e avan�ar mesmo.

Vejam o resultado.

A Sra. Thatcher falou das palavras do Sr. Kinnock

sobre a responsabilidade pela viol�ncia.

Expressou horror pelos motins.

Nada de nada justifica isto.

� no parlamento que se discute estes assuntos.

Estas pessoas s�o totalmente contra a democracia.

A pessoa que, por fim,

deu o golpe de miseric�rdia foi Geoffrey Howe

por causa da quest�o da Europa.

Tinha a ver com um plano

que o presidente da Comiss�o Europeia, Jacques Delors,

elaborara e que continha tr�s mat�rias.

Ela tratou delas e enviou-as para a C�mara dos Comuns.

Depois disse...

N�o me lembro exatamente, mas o que importou foi a resposta dela.

"N�o, n�o, n�o!"

Foi ent�o que Geoffrey Howe, principalmente, decidiu que bastava.

Ele parecia um homem t�o tranquilo.

Um bom homem, e era mesmo,

mas discordou dela violentamente.

Ela acabou por substitu�-lo,

mas ele levantou-se na C�mara dos Comuns

e fez um discurso que foi o primeiro ataque direto � lideran�a dela.

Achei impressionante, porque qualquer um se atreveria.

Mas por ser logo Geoffrey Howe teve muito mais impacto.

A trag�dia � real para mim, pessoalmente,

para o meu partido, para o nosso povo

e para a minha muito honor�vel amiga.

A atitude da primeira-ministra para com a Europa

est� a levar a riscos cada vez maiores para o futuro da nossa na��o.

Arrisca minimizar a nossa influ�ncia

e a maximizar a probabilidade de sermos exclu�dos outra vez.

� como enviar os batedores para a linha,

s� para eles descobrirem, no momento dos primeiros lan�amentos,

que os seus tacos foram partidos pelo capit�o antes do jogo.

N�o era a minha inten��o.

A minha inten��o era deixar bem claro o aviso

de que a pol�tica que ela estava a seguir,

em vez de acompanhar aquilo que acord�ramos,

provavelmente n�o era a certa.

Eu n�o pretendia mudar a estrutura,

mas j� havia muitos outros fatores.

O imposto por cabe�a alienou o apoio de muitos dos nossos deputados.

Eles uniram-se todos com o que aconteceu.

Eu fui educado,

da forma convencional da classe m�dia, a ceder �s senhoras.

N�o se podia ceder a ela e sobreviver.

No dia seguinte, a 2 de novembro de 1990,

Michael Heseltine lan�ou um desafio � lideran�a do Partido Conservador.

Temos de repensar o imposto comunit�rio.

O Michael prometeu isso.

A outra coisa boa do Michael � que o seu hist�rico

no meu c�rculo eleitoral em Tavistock,

onde ele era membro do parlamento, mostra que a sua maior qualidade � ouvir.

A 20 de novembro,

a Sra. Thatcher aguardava os resultados da primeira vota��o

enquanto participava numa cimeira em Paris.

Derrotou Heseltine com 204 votos contra 152.

Soube logo dos resultados e disse que implicavam uma segunda vota��o.

N�o t�nhamos o suficiente,

mas n�o me pareceu dif�cil, naquela fase,

conseguir mais tr�s ou quatro pessoas

para votarem em n�s na segunda vota��o.

Embora n�o seja f�cil ir a segunda vota��o,

n�o me pareceu muito dif�cil.

Acredito honestamente que devo estar no n�mero 10 da Downing Street

no final desta semana.

E mais algum tempo depois.

As �ltimas semanas da era Thatcher foram surpreendentes.

Partindo da sensa��o de que Margaret Thatcher nunca sairia do governo,

de repente, era como ver um castelo na areia.

A onda atacou o castelo de areia de s�bito e ele desapareceu.

Aconteceu algo enquanto eu estava fora.

Houve v�rias reuni�es em v�rios s�tios, penso eu, em Londres.

Obviamente, eu n�o podia estar c� e, quando voltei na manh� seguinte,

ainda me parecia que teria boas hip�teses,

mas, durante o dia,

comecei a preparar a mo��o de confian�a

e pensei que tinha de ver o governo e outras pessoas

e foi muito estranho.

J� viu uma situa��o fugir-lhe das m�os?

Sou pol�tica, eu sei, consigo senti-lo, pressenti-lo.

Quando algumas pessoas, que eu esperava estarem absolutamente convictas,

tinham vis�es muito diferentes, disseram que me apoiavam,

mas que n�o achavam ser uma vit�ria certa.

A�, tudo bem, nenhum general pode combater sem um bom ex�rcito.

Sabemos que era Denis Thatcher que tinha os p�s bem assentes na terra

e que, tal como o Pr�ncipe Filipe e a rainha,

era um bom conselheiro dela.

Ele podia dizer quando as coisas funcionavam ou n�o

e ele disse s�: "Est� na hora, acabou o jogo."

Foi a� que ela se afastou.

Senhoras e senhores,

vamos abandonar Downing Street pela �ltima vez,

ap�s estes maravilhosos onze anos e meio

e estamos muito contentes por deixamos o Reino Unido

em muito melhor estado

do que estava quando cheg�mos h� onze anos e meio.

N�o se toma uma decis�o assim

sem dificuldade, sem desgosto.

Pode ter havido desgostos, mas foi a decis�o certa.

Acho que a maioria dos ministros que deram o seu conselho

n�o iam votar pelo outro lado ou abster-se.

Acho que o que eles estavam a dizer era:

"N�s temos sido leais a ti, somos teus amigos.

Achamos isto tudo horr�vel, mas temos de te dizer

que achamos que n�o vais ganhar e, nessas circunst�ncias,

devias afastar-te.

N�o queremos � ver-te a ser humilhada pela derrota."

O que correu mal foi n�o obtermos maioria suficiente na primeira vota��o.

N�o podia fazer nada para curar isso.

Foi isso que n�o consegui ultrapassar.

Enquanto eu passava, diziam:

"Mas n�o nos pediste o voto. Outras pessoas pediram."

Eu pensei: "Meu Deus, ap�s onze anos e meio,

tenho de ir pessoalmente pedir votos?"

Lembro-me de elei��es anteriores para o l�der.

Mas aqui est�. Eles pensavam que sim.

Eu pensava que n�o era a maneira certa de o fazer.

Acho que foi a jun��o de v�rios tipos de emo��o.

Ela n�o entendia como isto lhe podia acontecer,

nunca tendo perdido uma elei��o

e nunca tendo perdido uma vota��o importante na C�mara dos Comuns.

De certa forma, ela n�o compreendia.

Tendo sido primeira-ministra durante onze anos e meio

e fazendo aquilo que consegui fazer,

sinto que devia ter mais autoridade

e apoio do meu pr�prio partido do que eu tinha.

Se n�o tinha, precis�vamos de mudan�a. Era mesmo n�tido.

Sim, acho que aquelas entrevistas foram interessantes,

principalmente porque a fizemos recordar os eventos dos �ltimos dez dias,

e ela a meio voltou a desfazer-se em l�grimas.

Tivemos de parar e de a deixar retocar a maquilhagem.

Estava marcado na alma dela.

A imagem que as pessoas v�o talvez recordar

� de que o governo � extremamente dif�cil.

Depois, teve de sair para a Downing Street

e encarar as c�maras, encarar o mundo, no fundo.

Teve de sair

e prestar, talvez, a maior declara��o da sua vida.

Vemos agora que a est� a afetar

e que deve ter sido o mais dif�cil que fez.

Agora n�o me est� a afetar a voz.

Estamos a recordar coisas traum�ticas.

Mas eu consegui ultrapass�-las.

Consegui ultrapassar a televis�o, ultrapassar o governo,

mais uma vez, porque havia algo a fazer.

Ela julgava ter deixado o pa�s em melhor estado do que o encontrara.

At� certo ponto, era verdade,

mas muitas outras coisas, principalmente o imposto por cabe�a,

tinham virado o pa�s contra ela.

Mas ela n�o via isso.

J� ouvimos milh�es de vezes as pessoas dizerem

que ela n�o teve um dia feliz na vida depois de sair da Downing Street.

Porque era isso o essencial.

John Major sucede � Sra. Thatcher como novo primeiro-ministro

e l�der dos conservadores.

Espero, nos pr�ximos anos, desenvolver essas conquistas.

Espero, certamente, nestes anos, construir uma sociedade de oportunidades.

Refiro-me com isso a uma sociedade aberta,

uma sociedade na qual o que as pessoas alcan�am

depender� do seu talento, do seu empenho e da sua sorte.

Ela prometera que John Major teria o seu apoio

e disse aquela c�lebre frase, que eu vou parafrasear:

"O John Major � o condutor, mas eu sou �tima a dar palpites."

E isso provocou muitos danos.

Ela achava que Major n�o tinha uma posi��o suficientemente firme

de um lado ou de outro do debate europeu.

Ela queria que ele fosse um c�tico absoluto

e ficou desapontada.

Sim, terei vis�es muito fortes sobre a Europa e sobre a B�snia.

Sempre tive, sabe disso.

Tamb�m tenho vis�es fortes quanto a apoiar o primeiro-ministro.

Saiu do Mecanismo Europeu de Taxas de C�mbio e rejeitou a carta social.

Ent�o, a av� vai falar.

N�o imagino a av� a n�o falar,

se tem opini�es fortes sobre algo.

H� pol�ticos da oposi��o e comentadores suficientes a perturbar a calma.

N�o esperamos que os anci�os do nosso pr�prio partido

se juntem a esta causa desnecess�ria.

� o papel que Lady Thatcher tomou para si.

Hoje, no centro do palco na confer�ncia anual,

o partido aplaude, como n�o aplaude nenhum outro ex-l�der.

Mas foi nos bastidores que a Dama de Ferro mostrou o fervor que a tornou famosa,

ao dizer a um oficial da British Airways

que n�o deviam ter trocado a bandeira do Reino Unido nos seus avi�es

pelos novos log�tipos.

N�s fazemos voar a bandeira brit�nica, n�o aquelas coisas que puseram l�.

- Certo! - S�o horr�veis!

Absolutamente horr�veis.

O marido, exigiu saber porque o design n�o era brit�nico.

- Queremos um design brit�nico. - E temos.

Metendo a m�o na sua famosa mala,

Thatcher deixou claro � British Airways o que achava do novo design.

Margaret Thatcher tem pouco sentido de humor.

E n�o se interessa muito pelo mundo do espet�culo.

Na verdade, acho que tem pouco conhecimento dele.

N�o me parece que ir ao cinema seja essencial para a vida dela.

Mas n�o � uma pessoa f�til.

Ela ficaria intrigada pela ideia de um filme sobre si

e provavelmente impressionada pela atua��o da Meryl Streep.

A DAMA DE FERRO

- Para a esquerda! - Acabou!

Nos �ltimos anos, j� houve vers�es dram�ticas da sua vida

e uma enorme quantidade de coment�rios e esta � s� uma vers�o da hist�ria.

� uma hist�ria de como poder� ter sido assumir...

De como poder� ter sido ser uma mulher solit�ria num mar de homens.

� como poder� ter sido

a sensa��o de ter de lutar para ganhar controlo,

primeiro do partido, quanto mais do pa�s.

E � muito sobre o custo privado de uma enorme vida p�blica.

� um filme que imagina qual poder� ter sido a sensa��o de ser ela.

Acho que ela tinha consci�ncia do seu lugar na hist�ria.

Consciente de que estava l�, n�o s� a fazer barulho,

mas a fazer a diferen�a no mundo,

embora n�o se vangloriasse.

Ela tinha no��o do que alcan�ara e de que era not�vel e bom.

Muito tempo depois de Margaret Thatcher, Lady Thatcher, como se tornou,

ter abandonado o n�mero 10,

tive de a ir entrevistar ao seu novo escrit�rio,

que ficava na esquina, perto do parlamento,

e era como se ela ainda estivesse no poder.

Havia pol�cia � porta, muita gente apressada.

Levaram-me para o seu escrit�rio, um enorme escrit�rio com uma mesa grande.

Imensas fotografias na parede e objetos na secret�ria.

Fiquei impressionado, porque o tema de quase todas

era a Guerra das Malvinas.

Ela ficar� no topo da lista de grandes primeiros-ministros brit�nicos.

A distin��o deve ir sempre para o Churchill.

Como ganhou a guerra, � uma figura magn�fica.

Sinto-me tentado a coloc�-la ao lado dele.

Era mulher, alcan�ou o que alcan�ou

e ficou no governo todo aquele tempo, sendo a primeira mulher a consegui-lo.

Na altura, era muito dif�cil e acho muito impressionante.

H� quem considere os anos da Thatcher os melhores desde a II Guerra Mundial.

A Gr�-Bretanha recuperou a influ�ncia mundial,

lid�mos com muitos dos nossos problemas, a sociedade melhorou.

Muitos pensam assim.

Costuma ser quem se saiu bem,

quem ganhou mais dinheiro e tem boas casas e assim.

As pessoas mais privilegiadas sa�ram-se bem, acho eu.

Pelo contr�rio, muitas pessoas de origens mais humildes

lamentam os anos da Thatcher.

Acham que ela prejudicou o pa�s.

O que pensamos de Margaret Thatcher depende totalmente

do sucesso que tivemos na altura.

Acho que o impacto dela foi enorme.

Acho que ela mudou a forma como se lidava com as quest�es pol�ticas.

A ideia de que pod�amos fazer tudo

com uma esp�cie de consenso confort�vel desapareceu

e acho que nunca voltou.

No que toca a Margaret Thatcher,

h� que lembrar que, para ela, a pol�tica e o poder s�o tudo.

Essa � a paix�o da sua vida.

Era isso que a motivava.

Se falh�ssemos, essa liberdade poderia ser amea�ada.

Por isso, resistamos aos elogios dos cora��es fracos.

Ignoremos os uivos e amea�as dos extremistas.

Mantenhamo-nos juntos, cumpramos o nosso dever

e n�o falharemos.

Legendas: C�ntia Domingos

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